<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos O Cheiro - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/tag/o-cheiro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/tag/o-cheiro/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 17 Nov 2019 20:23:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>8. O Cheiro</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Nov 2019 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 023]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[O Cheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=4827</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/">8. O Cheiro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Foi no Bairro Santa Rita, zona leste de Juiz de Fora, ele tinha 4 anos, seu pai estava há muito ali, interagindo, bebendo, por vezes sendo rude, às vezes sendo humilde, num bar próximo a sua casa. O filho brincava na rua, feliz da vida, bermuda rasgada colorida, pés descalços e sem camisa. Uma moto passou, um rapaz a pilotava, estava de capacete, parou a dez metros do bar. Desceu do veículo, com passadas largas em direção ao estabelecimento. Sacou do seu bolso um 38 e o descarregou em seu pai, que caiu ao chão já sem vida. A criança estava em pé na calçada, visão privilegiada, teve tudo ao seu alcance, inclusive o cheiro do sangue que escorria no chão de terra batida do boteco, virando uma lama espessa e escura. Começou a chorar desesperadamente no momento em que a moto sumia no horizonte, no alto do morro.</p>



<p>O tempo passou, o assassino foi pego, solto, julgado, inocentado. A família do morto se revolta, se entristece, paralisada pelo que chamam de injusta vida. E o menino cresce ouvindo histórias, sabendo do que viu, o cheiro do sangue no chão de terra batida, seu pai peneirado por um troglodita. Não! Não pode haver paz assim. Se você quiser paz, prepare-se para a guerra. Ano após ano, o garoto cresce, vítima da sua própria memória, de sua inglória tristeza que o disseca, que o resseca por dentro, sendo só fibra tensa; na parede do seu quarto recorte de um jornal com a matéria da morte do seu pai, uma foto do assassino, um prego espetado em sua cabeça. O garoto tem apenas 17 anos, suas mãos já estão calejadas, manchadas de sangue alheio, o vício da morte o pegou, aquele que alvejou seu pobre pai alojou-lhe no peito a fragrância assassina. Não há mais diferença entre um e outro. Até seu melhor amigo já lhe diz: “fazer isso está na moda, até o cara lá de cima faz, o capitão, o mito; com ele não tem dó, metralha mesmo!” Assim o garoto se fortalece, se enobrece no discurso raso, se torna gigante na solene busca por vingança. Ele acredita nisso, ele confia nessa trajetória no momento em que sentiu o cheiro do seu pai morto.</p>



<p>Com arma na cintura, escondida pela blusa, foi até o mercado onde o assassino de seu pai trabalhava e lá entrou resoluto a ceifar uma vida e transformar em luto a história de uma família. A cada disparo seco que ecoava no ar e cortava a carne daquele cidadão ora trabalhador, o alívio no peito do garoto ressecado aumentava; e o cheiro do sangue o fazia feliz. Saiu tranquilamente até a rua, correu alguns quarteirões, pegou um ônibus e parou na Avenida Brasil, cortada pelo Rio Paraibuna. Tirou a arma da cintura, cheiro de pólvora na mão, e a jogou naquelas águas pardas. Estava feliz, como nunca antes em sua precoce existência. Olhou para o céu, fez o sinal da cruz e foi para casa tomar um banho.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4518" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />


<div class="wp-block-jetpack-contact-form"><a href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Envie um formulário.</a></div><p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/">8. O Cheiro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/8-o-cheiro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4827</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
