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	<title>Arquivos O que posso acreditar - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O que posso acreditar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 059]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[O que posso acreditar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;<em>Nada está acima do amor. O amor é o que dá coesão à virtude, gerando harmonia entre suas expressões. É o amor que concede espontaneidade ao comportamento, desneurotizando a obediência. Sem amor, desempenho religioso algum agradará ao Deus preocupado tanto com o que fazemos quanto com o que somos</em>.&#8221;&nbsp;<strong>-1</strong></p>



<p class="has-drop-cap">O nosso pantanal queima, a criança dos 6 aos 10 foi estuprada &#8211; e outras são submetidas a mesma violência a cada 4 horas -, os livros entram em boca dos homens maus como &#8220;artigos de luxo&#8221; na prerrogativa de taxação (trazendo obstáculo para o acesso das classes mais pobres), o homem morto foi coberto por guarda-sóis num supermercado que optou por permanecer em funcionamento enquanto o corpo estava lá, estirado; enfim, existe um mundo acontecendo nesse instante e eu não posso -nem consigo- citar todas as notícias do globo, do Brasil, de Minas e Juiz de fora. Percebe? O olhar em escala diminui, as notícias também, no entanto, a complexidade sempre aumenta quando olhamos para uma situação em específico.&nbsp;</p>



<p>Li há pouco uma frase que expressa a nossa condição subjetiva de humanidade, ela dizia: &#8220;Escolher suas batalhas é saber escolher suas ignorâncias.&#8221;; quem a disse? Um músico e compositor que, segundo consta em sua biografia, faz &#8220;música tecida na esperança&#8221;. Marcos Almeida é um dos nomes nacionais de maior coesão em sua produção artística. Ele anela sua fé a produção da letra, uma fé que, cabe destacar, diz dos feitos da e na vida, da experiência, do cheiro da terra, do convívio entre os indivíduos. É sobre o tráfego que encontramos no cotidiano, sobre o que é visível e invisível aos olhos, sobre o que nos marca e o que nos embala nesse breve espaço de tempo em que exploramos o novo e o velho. É preciso o exercício de se esperançar quando as notícias tendem a sufocar, sobretudo quando essas são de natureza plural e te pedem uma resposta que você não tem.&nbsp;</p>



<p>Quando se encara uma angústia existencial ela, normalmente, está atrelada a fatores que funcionam como combustíveis a experimentação da vida. A mesma angústia que surge quando enxergo uma <em>necropolítica</em><strong>-2 </strong>se desenvolvendo e ganhando fôlego nos trâmites e pressões nas grandes áreas que organizam o Estado &#8211; executivo, legislativo e judiciário-, é a angústia que me faz olhar para o caso da criança que, por 4 anos, foi estuprada e aos 10 engravidada, é a angústia ao ver o fundamentalismo religioso se desenvolvendo como uma doutrina moral, preocupado com <em>o legislar </em>numa ordem pré estabelecida sobre o que concebem como certo e errado. Assim como pontua Focault (1999), o poder opera de forma difusa e multilateral, portanto, disponho de uma lente que enxerga essa doutrina moral entranhada não apenas no discurso assumidamente religioso, mas também na reutilização desse na política, o que em muito nos revela mediante a análise dos indivíduos que compõe as pastas do atual governo.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, consigo vislumbrar essa tal angústia que, em menor ou maior escala, provoca a aflição de ser e estar. O que em muito delibera o incômodo, é também o afago e a benesse. Por esse motivo iniciei o texto com uma citação que não é sobre o amor enquanto uma abstração ou um discurso de -apenas- coerência dentre incoerências. É sobre um desempenho religioso como prática dO Amor. Isso envolve uma responsabilidade que neutraliza o egoísmo e o fanatismo, a medida que ressignifica a militância daqueles que, de fé, se movem. Não é por caridade meramente, deve ser por justiça social. Digo assim que, o que me trouxe angústia, é o que dá cabo a esperança. Cabe apenas questionar, como num exercício diário, a natureza e simetria da tal fé que, ainda no século XXI, gesta no outro um mensagem que, dentre muitas coisas, diz: &#8220;(&#8230;) corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!&#8221; Amós 5:24. E, enquanto isso, canto:</p>



<p>&#8220;Deus, onde estás?</p>



<p>A igreja arrancou o sino</p>



<p>O homem esqueceu o menino</p>



<p>Fez castelo de ouro e prata e perdeu a vida</p>



<p>Ah! Acende toda luz</p>



<p>Iluminando a terra que convive com a dor</p>



<p>Sem esperança&#8221;</p>



<p>Marcos Almeida &#8211; Deus, onde estás?</p>



<p>Nisso, continuo a caminhar &#8211; e a acreditar.&nbsp;</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>NOTAS</strong>:</p>



<p><strong>-1</strong> &nbsp;COSTA, Antônio Carlos.&nbsp;<strong>Teologia da Trincheira</strong>: Reflexões e provocações sobre o indivíduo, a sociedade e o cristianismo. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2017. p. 98</p>



<p><strong>-2</strong> Para maiores informações, ver:&nbsp; Mbembe, Achille.&nbsp;<strong>Necropolítica</strong>. 3. ed. São Paulo: N-1 Edições, 2018.</p>



<p><strong>Imagem: </strong><em>Photograph by KangHee Kim.&nbsp;</em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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