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	<title>Arquivos pobreza - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Contra-cultura Pós-moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 22:16:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[alteridade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nos dedicamos diariamente a manter tudo em ordem. O trabalho pontual. As contas em dia. As redes sociais atualizadas. <strong>As aparências em riste</strong>.Ao que tudo indica, quanto maior o nosso esforço para alimentar esta enorme bolha de sabão, em nosso íntimo, mais consciência temos de que jamais seremos capazes de torná-la sólida. Por conta disso, passamos a construir um grande muro ao nosso redor.</p>



<p style="background-color:#a37c12" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">A fragilidade das nossas relações, de nossos atos, de nossas opiniões, de nossa existência é tamanha, que precisamos nos anestesiar, diariamente, de toda a dor e sofrimento que afligem a humanidade.<strong> É como se alteridade fosse uma espécie de doença, </strong>extremamente contagiosa,que causa dores implacáveis,capaz de gerar uma epidemia sem precedentes<strong>.</strong></p>



<p>Portanto, é fundamental que ela seja exterminada e o ambiente onde ela possa se proliferar seja esterilizado. Essa imensa histeria coletiva, produz dicotomias já comuns, como o preenchimento do sentido da vida por ilusões de comprometimento, alegria e autenticidade. Por meio de publicações &#8220;solidárias&#8221; (#somostodosNotredame), número de curtidas, fotografias de momentos lindos e felizes nas redes sociais e maratonas de séries e filmes esboçamos <strong>tentativas frustradas de vencer o crescente vazio existencial. </strong>Logo, viver torna-se tão superficial quanto uma página do Instagram.</p>



<p>É possível afirmar que tremenda luta diária em busca da manutenção egoísta de uma falsa felicidade, visa proteger a si mesmo das angústias carregadas no peito. É natural, pois o coração clama por sentimento, o cérebro por razão. Se o sentimento for triste e ruim ao coração, é preciso acalentá-lo com ilusão de felicidade.</p>



<p style="background-color:#a37c12" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">De um modo geral, <strong>não importa mais o tamanho da barbárie, o esforço para neutralizar-se será igualmente proporcional</strong>.&nbsp;</p>



<p>É como se fossemos capazes de criar nevoeiros particulares, ocultando o que convém de modo a não sermos atingidos pela dor de se compadecer pelo sofrimento do próximo. Neste caso, inclusive, é presumível que o entendimento sobre o que ou quem é o próximo tenha sido reduzido às nossas redes de sociabilidades, conforme variar o nosso interesse.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O problema é que este comportamento, por si só, além de ingênuo, é absolutamente ineficaz. Ingênuo pois é impossível evitar o sofrimento. Ineficaz pois <strong>o muro que construímos ao nosso redor não só impede que as pessoas entrem, mas também nos impede de sair.</strong></p>



<p>Quanto mais esforço houver para evitar ver, sentir, e comover-se com a dor do &#8220;outro&#8221;, mais sentiremos o impacto quando a mesma vier ao nosso encontro, e, ao mesmo tempo, mais próximos estaremos do completo esvaziamento de sentido de nossas existências.</p>



<p>É preciso chorar a dor do homem que, desempregado, desconta suas frustrações em discussões políticas acaloradas. Da mãe que, despedaçada, vê sua família ruir e perde o filho para o crime. Do filho que, sem oportunidades ou recursos, encontra-se encurralado como em uma situação desesperadora de sobrevivência. Da criança que sente fome, que passa dias sem ter qualquer tipo de alimento e vagueia pelas ruas em busca da sorte que perdeu. Do morador de rua, que invisível, permanece moribundo, transformado pela sujeira da dor e do sofrimento em um animal qualquer, abatido em uma beirada de meio fio.</p>



<p>É certo que não há como garantir que coisas importantes que devemos aprender sobre a vida, possuam outra forma de serem absorvidas a não ser por meio do sofrimento. Por este motivo, voltar-se para o sofrimento dos outros é uma maneira de olhar para si mesmo, e pavimentar o caminho para que nossa sociedade seja cada vez mais solidária e menos dividida, tornando a ascensão de aberrações políticas cada vez mais raras e visíveis àqueles que hoje acreditam que histórias são mais verdadeiras do que a verdade.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.worldbank.org/en/news/opinion/2016/12/21/picking-up-the-pace-of-poverty-reduction-in-mozambique"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-CAROL16.png?fit=606%2C585&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1707" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>With nearly 50 percent of the population still living in poverty, progress has not been fast enough.</em>                                                                                                 <strong>The World Bank.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL E AJUDE A MANTER O PROJETO!</strong></figcaption></figure>
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