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	<title>Arquivos projetodepesquisa - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Três tópicos sobre literatura: ensaio para uma (meta)crítica literária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jul 2024 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 198]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[estudante]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ariel</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2024/07/07/tres-topicos-sobre-literatura-ensaio-para-uma-meta-critica-literaria/">Três tópicos sobre literatura: ensaio para uma (meta)crítica literária</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>1.INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p>Não há dúvidas de que a arte literária é um terreno de disputas, ora mais evidentes no jogo de suas temáticas; ora mais subjacentes, quando postas no campo da estética. A natureza de tais conflitos, do mesmo modo, é plural e diversificada, encontrando diferentes problemas estruturais a depender do contexto em que a (o, e) estudiosa (o, e) procure estabelecer seu raciocínio. Diante disso, nesse ensaio, me proponho a discutir três aspectos do problema central dentro do campo do Valor e Prestígio Literário. Saliento que a emergência das discussões em torno da validação (ou invalidação) de determinadas vertentes da literatura contemporânea reacenderam a chama de semelhante tema, tal que isso serve de justificativa preliminar à necessidade premente de se trazerem à tona discussões que versem sobre: visão de obra enquanto Todo ou Parte, técnica em relação ao conteúdo e valores externos e seu impacto na construção, recepção e crítica do objeto literário. Este texto, destarte, por meio da pesquisa teórica, pretende discutir os referidos temas sem objetivar, necessariamente, esgotá-los, mas, <em>par excelence, </em>problematizá-los de acordo com as urgências da conjuntura hodierna.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>2.DESENVOLVIMENTO</strong>&nbsp;</p>



<p>Esta seção está dividida em três tópicos. No primeiro, discuto a dificuldade em torno de se estudar a obra literária pela ótica analítica, considerando seus elementos composicionais ou sua integralidade como um Todo. No segundo momento, ponho em destaque a problemática em torno do valor estético direcionado à forma e/ou ao conteúdo da obra. Enfim, no terceiro tópico, me proponho a refletir sobre o valor estético enquanto uma construção situada histórica, sociológica e subjetivamente. Também nesse ponto, ponho em discussão o problema da “simplicidade” ou da “complexidade” de um trabalho literário, tendo em vista que o viés apolíneo pregado como <em>standard </em>é, num contrassenso, mais simples do que o “simples”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>2.1UNICIDADE E ELEMENTOS COMPOSICIONAIS</strong>&nbsp;</p>



<p>A tríptico bakhtiniano referente aos elementos composicionais do gênero discursivo e, posteriormente, textual-discursivo de Forma Composicional, Conteúdo Temático e Estilo (BAKHTIN, 2006) evidenciam a visão analítica do objeto literário. Isso, inclusive, porque a própria teoria do pesquisador russo parte da literatura. É, entretanto, também relevante destacar que a recepção do texto, enquanto uma materialidade ou não, se baseia não em uma justaposição de características alinhadas, mas de um todo homogêneo e indissociável de informações. Isso quer dizer que a totalidade do texto não é percebida somente através da recepção dos elementos composicionais colocados, mas como um Todo, cujo ordenamento dos elementos segundo uma lógica X ou Y, ainda que mantendo o mesmo conjunto de características, pode implicar distintas interpretações (KOCH, 1995). Em outras palavras: o Todo é maior do que a soma das partes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com efeito, a percepção da (aparente ou não) insolubilidade das concepções a partir da parte e do todo nos leva à problemática em torno da análise da obra. É dizer: se a análise de um objeto tem por pressuposto a separação de seus elementos e estudo individual de cada parte, o trato com um objeto cuja divisão implica sua fragmentação não permite análise <em>in partis</em>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Isso, contudo, não é algo que se verifica dentro dos estudos literários, que se dedicam à observação, muitas vezes, de elementos comuns ou destoantes entre diferentes obras de distintos períodos. Mais especificamente, o campo da Teoria e História Literária se destacam nesse campo, com pessoal relevância para os trabalhos de Bosi (1994), Candido (1964), Reuters (2002) e Eagleton (1983). Na realidade, os dois primeiros citados propõem uma percepção evolucionária dos elementos narrativos ao longo do percurso temporal, ao passo em que os últimos se detêm sobre a temática das estruturas composicionais da literatura -enquanto uma materialidade e uma abstração-.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Talvez um dos críticos mais relevantes e cuja visão mais se lança frente à percepção da literatura como um processo <em>in continuum </em>e emparelhado ao curso da própria humanidade seja Lukács (2004). A visão idiossincrática do crítico, diferente dos anteriormente referidos, pensa a posição do protagonista dentro da triangulação Éthos-Obra-Sujeito. Evidentemente, o autor não emprega esses termos -próprios da análise discursiva de linha francesa-, mas sua percepção do romance burguês através da lente Consciência do Protagonista <em>versus</em> Consciência do Mundo revela um imbricado conhecimento da máquina literária dentro do mundo social burguês.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A visão de Auerbach (2021) também é bastante interessante, afinal o autor se propõe a analisar a percepção mais além do texto, se aprofundando na nutriz da narrativa: a relação do sujeito e do mundo, algo também proposto -embora a partir de outra perspectiva- por Lukács. A <em>mimesis </em>aristotélica, destarte, pode ser de grande relevância, uma vez que a unidade textual é pressuposta para a ratificação da verossimilhança então visada na concepção da obra literária. Indo pela linha de análise do autor, aproveito para evidenciar que um dos exemplos mais destacados dessa busca pela unidade da obra é, justamente, Miguel de Cervantes (1998), cuja veia aristotélica se alça para além da narrativa e alcançando uma metaliteratura e a filosofia estética em seu <em>magnus opus</em>: o <em>Don Quijote</em>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Sem embargo, unidade e unicidade são conceitos distintos. Isso, todavia, não quer dizer que não haja relação entre elas. O problema todo <em>versus </em>parte se relaciona com a relação paradoxal do observador, que não pode deter-se satisfatoriamente nos dois ao mesmo tempo. Contudo, a unicidade do material, cuja definição diz respeito à condição singular de cada texto literário (e também não literário). Isto é: tanto o estudo analítico da obra em face à sua integralidade quanto das transformações da literatura o longo do espaço tendo em vista as transformações de seus elementos implica um distanciamento da integralidade do que é, ao fim e ao cabo, a obra <em>per se</em>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>2.2VALOR LITERÁRIO: FORMA E CONTEÚDO</strong>&nbsp;</p>



<p>De uma certa maneira, o dilema Forma <em>versus</em> Conteúdo presente na área da Crítica Literária não deixa de ser um desdobramento da percepção material do texto. É dizer: de que o enunciado concreto possui um determinado valor a partir do nível de complexidade que seu autor é capaz de articular na construção da mensagem. Do mesmo modo, <em>mutatis mutandis, </em>se percebe uma graduação do que seria mais ou menos nobre dentro das mensagens a serem comunicadas na literatura. Sobre essa última perspectiva, a Antiguidade e a Medievalidade foram pródigas em exemplos capazes de ilustrar a dualidade por vezes maniqueísta da noção estética em volta da arte literária (e de outras formas).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Dentro dessa perspectiva, o problema da estética ocidental se vê, vez mais uma, diante de um viés binário. Na Espanha Medieval, a dualidade entre <em>Mester de Cleresía </em>e <em>Mester de Juglaría </em>deixa clara a cisão, que se estende mais além de Sagrado<em> versus </em>Profano. O que digo com isso é que a díade proposta por semelhante divisão alia, em um mesmo movimento, a apreciação formal, pessoal, ideológica e, sobretudo, estética. Assim, a repercussão do dito problema, embora nem sempre enunciada de forma tão clara no seio dos estudos literários, emerge ante um dos mais seculares sustentáculos desse campo: a escolha do cânon.&nbsp;</p>



<p>Resgatando o trabalhado em seção anterior, evidencio o que aponta Souza (2007, p. 21):&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não se pense, no entanto, que todas as construções teóricas surgidas correspondem puramente ao tipo normativo ou ao tipo descritivo. Na verdade, as teorias nem sempre se reduzem assim, de modo esquemático, a este ou àquele grupo da distinção que estamos fazendo, sendo freqüente que oscilem entre as extremidades apontadas.&nbsp;</p>



<p>A perspectiva de Souza vem a ratificar que a problemática em torno da questão do valor não é meramente pensada pela perspectiva crítico-científica, que, mesmo entre os expoentes “normativos” -na linguagem do autor-, se fixa em aspectos estéticos da obra literária. É dizer: a perspectiva de estudo da obra, tema da seção anterior, carrega em si uma problemática referente ao <em>modus pensandi </em>ocidental. Contudo, mesmo a escolha da obra “digna de análise” é um ato que impacta sobre a dimensão das discussões ideológicas no campo literário. Dalcastagnè (2017) traz à tona esse tem adentro dos conflitos envolvendo a literatura contemporânea, marcada pela relação conflituosa de vozes em disputa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Talvez em nenhum outro momento o tópico levantado por Dalcastagnè tenha sido tão evidente quanto na contemporaneidade. É certo que a disputa sempre foi uma característica das sociedades burguesas (MARX, 2015). No entanto, a reinvindicação pela revisão de um determinado <em>status quo, </em>ao qual a estética literária -ao menos no Brasil- esteve historicamente ligada. Basta rememorar o que discutem Castello, Medeiros e Almeida (2020) em seu artigo acerca da negativa à entrada de Conceição Evaristo na Academia Brasileira de Letras.&nbsp;</p>



<p>O que pretendo dizer com isso é que o embate entre <em>técnica </em>e <em>conteúdo </em>se adianta em relação à discussão sobre os parâmetros técnicos e as ideologias presentes no conteúdo. Isto é: a estética literária é algo em transformação (ROSA, 2020). Mais do que algo em transição, as noções que orientam a percepção do que seja <em>belo, grotesco, adorável </em>ou <em>horrendo </em>são atravessadas por estruturas de poder responsáveis por introjetar no sujeito as características que dotam os entes do mundo das citadas adjetivações (BERGER, 2023). Essa característica se estende em diferentes esferas, como a temporal, geográfica e cultural. Portanto, qualquer análise estética encontra-se em um terreno de subjetividades individuais e coletivas, algo que nos coloca em face de outro problema: a figura do estudioso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>2.3COMPLEXIDADE E SIMPLICIDADE</strong>&nbsp;</p>



<p>Seguramente, os termos <em>simples </em>e <em>complexo </em>não devem ocupar, dentro da ciência, um lugar de juízo apreciativo. Afinal, ambas as noções carregam uma carga de subjetividade inadequada ao contexto em questão. Não obstante, com relação ao tópico anterior, deve ser evidente que o contato com o objeto literário não se realiza <em>per se</em>, mas, essencialmente, através de interações individuais. Essas, por sua vez, podem alterar-se a depender do sujeito, do momento em que a interação ocorre <em>etc</em>. Ora, isso implica, por extensão, assumirmos ainda que o <em>simples </em>e o <em>complexo</em>; o <em>belo </em>e o <em>grotesco; </em>o <em>sagrado </em>e o <em>profano </em>são construções que dizem respeito à maneira como indivíduos partícipes de um grupo histórica e sociologicamente localizado reagiram a semelhante objeto.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Minha provocação ao início dessa derradeira seção se baseia justamente nesse tema. Afinal, a simplicidade ou complexidade de uma obra são elementos caros à crítica, sendo adjetivações que transcendem o binômio forma-conteúdo. Assim, tanto a técnica quanto a mensagem estão sujeitas à incursão do que seria “simples” ou “complexo”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com efeito, retomo o problema do indivíduo na literatura, enfatizando agora o papel do crítico, ainda que esse -como aponta Queiroz (2019) &#8211; venha cedendo seu lugar de prestígio aos estudos técnico-científicos desenvolvidos nas universidades. Para a corrente mais tradicional da literatura, cuja vertente apolínea se destacou pelo apreço à forma estreita e apego à tradição histórica, é evidente o legado da falida linha estética de tradição greco-latina, sustentada no Brasil por autores como: Cláudio Manuel da Costa, Frei Santa Rita Durão, Olavo Bilac, Raimundo Corrêa <em>etc</em>.&nbsp; Não me detenho sobre a temática dionisíaca, cujo apogeu no Romantismo se caracteriza pela fantasia medievalista nos valores e pelo gosto por uma “liberdade contida” na forma. Digo contida, pois nenhuma obra romântica -mesmo tomando em conta o trabalho de Maria Firmina dos Reis e Maria Peregrina de Souza- teve o ímpeto e a audácia das vanguardas do século XX e das três fases do Modernismo em terras ultramarinas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Feita essa digressão, destaco que o gosto elitista pelo metro rígido, pela rima bem ornada e pela estrutura “polida” da poesia de tradição clássica possui duas problemáticas inerentes. A primeira é a deformação subjacente do material, uma vez que o ritmo próprio do verso clássico -com especial atenção ao hexâmetro dactílico- tinham dois aspectos essenciais a considerar: a necessidade de criar recursos mnemônicos, dadas as condições de baixa alfabetização popular e a própria possibilidade estrutural do latim. Sobre esse último ponto, esclareço que o latim possuía -diferente do português- distintas durações silábicas, tal que se dividiam as primeiras em longas e breves (RÓNAI, 2000). Essa característica transferida à estrutura de tônicas e átonas da língua lusitana implica uma recepção distinta que não acompanha os propósitos funcionais da lírica clássica. O apuro métrico, também de emprego funcionalista, igualmente assume um <em>status </em>de “superioridade estética”.&nbsp;</p>



<p>Por uma outra perspectiva, no entanto, a análise estritamente material de uma obra regularmente ordenada em termos de rima e métrica se mostra muito mais “simples” e mesmo “fácil” quando posta em comparação à miríade labiríntica de possibilidades discursivo-semióticas da lírica moderna e contemporânea. Isso, inclusive, se visto exclusivamente em termos analíticos, abrange muito mais do que a obra de autores (as, es) já destacados (as, es). A explicação para tanto reside no fato de que a literatura também se relaciona com a conjuntura social, política, econômica <em>etc </em>que coroa o <em>éthos</em> do momento em que o sujeito escritor produz seu texto. Tais elementos, destarte, são, ainda que inconscientemente, insertados na materialidade da obra literária. Dessa forma, regressamos ao ponto inicial: os estudos literários se veem em um contexto de conflito epistemológico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>3.CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong>&nbsp;</p>



<p>Há um certo aspecto circular nesse ensaio, algo que, não fosse pela liberdade que o gênero textual me confere, prejudicaria o que almejo dizer e, em alguma medida, concluir. Na realidade, uma das percepções mais claras a serem evocadas nessa seção é justamente que os problemas sobre os quais refleti são insolúveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não obstante, podemos destacar alguns elementos a serem sintetizados. Em primeiro lugar, destaco o fato de que a análise dos elementos literários diante do intento pela compreensão holística do produto implica uma limitação técnica da compreensão do objeto. Em segundo lugar, aponto que o dilema entre forma e conteúdo é também uma limitação inerente, uma vez que o valor estético se encontra submetido a distintos elementos exteriores à obra em si. Finalmente, em último lugar, sublinho que a percepção crítica está relacionada a um construto que influi sobre o indivíduo. Assim, a análise individual se vê atravessada pelos valores sociais, históricos, culturais <em>etc</em>. Portanto, o valor que se atribui a um texto não necessariamente parta de sua complexidade, inovação ou relevância social, mas de sua utilidade ao interesse do <em>status quo </em>predominante.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong>&nbsp;</p>



<p>AUERBACH, Erich. <strong>Mimesis: </strong>a representação da realidade na literatura ocidental. Editora Perspectiva S/A, 2021. Disponível em: <a href="https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=FG8ZEAAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PT3&amp;dq=Erich+Auerbach&amp;ots=H4eH48CPSG&amp;sig=tnU66yid2321kfGQVLtrfJMM9ic" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=FG8ZEAAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PT3&amp;dq=Erich+Auerbach&amp;ots=H4eH48CPSG&amp;sig=tnU66yid2321kfGQVLtrfJMM9ic</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. Os gêneros do discurso. In: <strong>Estética da criação verbal</strong>. Trad. Paulo Bezerra. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p.261-305.&nbsp;</p>



<p>BERGER, John. <strong>Modos de ver</strong>. Fósforo, 2023. Disponível em: <a href="https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=0YqnEAAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PT4&amp;dq=os+modos+de+ver&amp;ots=jVk6Lg7Fr5&amp;sig=N8b0K-E6JfhPLDdfjPQhSkHjj4s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=0YqnEAAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PT4&amp;dq=os+modos+de+ver&amp;ots=jVk6Lg7Fr5&amp;sig=N8b0K-E6JfhPLDdfjPQhSkHjj4s</a>. acesso em: 04 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>BOSI, Alfredo. <strong>História concisa da literatura brasileira</strong>. Editora Cultrix, 1994. Disponível em: <a href="https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=LG944ZsniVcC&amp;oi=fnd&amp;pg=PA5&amp;dq=alfredo+bosi&amp;ots=oYZ69Xd4k-&amp;sig=fC9nhBZgCCu-DJHyrFW8rmDmtyU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=LG944ZsniVcC&amp;oi=fnd&amp;pg=PA5&amp;dq=alfredo+bosi&amp;ots=oYZ69Xd4k-&amp;sig=fC9nhBZgCCu-DJHyrFW8rmDmtyU</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;</p>



<p>CANDIDO, Antonio. <strong>Formação da literatura brasileira</strong>. São Paulo: Martins, 1964. Disponível em: <a href="https://scholar.google.pt/citations?user=AbuJQYMAAAAJ&amp;hl=pt-BR&amp;oi=sra" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://scholar.google.pt/citations?user=AbuJQYMAAAAJ&amp;hl=pt-BR&amp;oi=sra</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;</p>



<p>CASTELLO, João Victor Martins; MEDEIROS, Júlia Oldra; ALMEIDA, Magali Lippert da Silva. Letras, elitismo e chá: a estrutura de poder na Academia Brasileira de Letras. <strong>Miguilim-Revista Eletrônica do Netlli</strong>, v. 8, n. 3, p. 125-136, 2020. Disponível em: <a href="http://periodicos.urca.br/ojs/index.php/MigREN/article/view/2155" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://periodicos.urca.br/ojs/index.php/MigREN/article/view/2155</a>. Acesso em: 04 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>CERVANTES, Miguel de. <strong>El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha</strong>. Ed. Francisco Rico. Barcelona: Instituto Cervantes &amp; Editorial Critica Barcelona, 1998. Disponible en: <a href="https://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/creditos.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CVC. «Don Quijote de la Mancha». Créditos. (cervantes.es)</a>. Accedido en: 09 de ago. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>DALCASTAGNÈ, Regina. <strong>Literatura brasileira contemporânea: </strong>um território contestado. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 2012. Disponível em: <a href="https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=SjHgDQAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PT4&amp;dq=regina+dalcastagn%C3%A9&amp;ots=QxANv5sBWZ&amp;sig=njN4oHTuesbUfVFSBsIVXOm4c9U&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q=regina%20dalcastagn%C3%A9&amp;f=false" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Literatura brasileira contemporânea: um território contestado &#8211; Dalcastagnè,Regina &#8211; Google Livros</a>. Acesso em: 04 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>EAGLETON, Terry; DUTRA, Waltensir. <strong>Teoria da literatura: uma introdução</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 1983. Disponível em: <a href="https://www.academia.edu/download/56123021/Terry_Eagleton_O_que_eh_literatura.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.academia.edu/download/56123021/Terry_Eagleton_O_que_eh_literatura.pdf</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>KOCH, Ingedore. O texto: construção de sentidos. <strong>Revista Organon</strong>, v. 9, n. 23, 1995. Disponível em: <a href="https://www.seer.ufrgs.br/organon/article/download/29382/18069" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.seer.ufrgs.br/organon/article/download/29382/18069</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>LUKÁCS, György. <strong>Teoria do romance</strong>. Editora 34, 2009. Disponível em: <a href="https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=1IEzCbknNcAC&amp;oi=fnd&amp;pg=PA7&amp;dq=teoria+do+romance+luk%C3%A1cs&amp;ots=0gE1zCTOxD&amp;sig=vvtQWcBDh4mxKF98Kf0hFXbOpP0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.google.com/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=1IEzCbknNcAC&amp;oi=fnd&amp;pg=PA7&amp;dq=teoria+do+romance+luk%C3%A1cs&amp;ots=0gE1zCTOxD&amp;sig=vvtQWcBDh4mxKF98Kf0hFXbOpP0</a>. Acesso em: 03 de nov. 2023.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>MARX, Karl. <strong>Manuscritos econômico-filosóficos</strong>. Boitempo Editorial, 2015.&nbsp;</p>



<p>QUEIROZ, Rachel de. <strong>Entrevista com Rachel de Queiroz</strong>: Programa Roda Viva. 2019. Disponível em: <a href="https://youtu.be/zzCoEwnI-Ek" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://youtu.be/zzCoEwnI-Ek</a>. Acesso em: 04 de nov. 2023. .&nbsp;&nbsp;</p>



<p>REUTERS, Yves. <strong>A Análise da Narrativa:</strong> o Texto, a Ficção e a Narração. Trad. Mário Pontes. Rio de Janeiro, DIFEL, 2002.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>RÓNAI, Paulo. <strong>Gradus primus curso básico de latim I</strong>. Cultrix, 2000.&nbsp;</p>



<p>ROSA, Hartmut. <strong>Aceleração</strong>: a transformação das estruturas temporais na Modernidade. Editora Unesp, 2020.&nbsp;</p>



<p>SOUZA, Roberto Acízelo Quelha de. <strong>Teoria da literatura</strong>. 10. ed. São Paulo: Ática, 2007.&nbsp;&nbsp;</p>



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<p><strong>Ariel Montes Lima</strong> é pessoa trans non-binary, psicanalista e professore. Em 2022, publicou os livros Poemas de Ariel (TAUP), Sínteses: Entre o Poético e o Filosófico (Worges Ed.) e Ensaios Sobre o Relativismo Linguístico (Arche).</p>
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		<title>[ENTREVISTA] — Conversa com vereadora e candidata à reeleição em Juiz de Fora–MG, Laiz Perrut. — Reflexões e mobilizações acerca do PL1904.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2024/06/23/entrevista-conversa-com-vereadora-e-candidata-a-reeleicao-em-juiz-de-fora-mg-laiz-perrut-reflexoes-e-mobilizacoes-acerca-do-pl1904/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 13:12:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê 1904]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“E foram os movimentos espalhados por todo país que fizeram com que o Arthur Lira desistisse da votação. Os impactos mostram uma cidade com movimentos sociais pulsantes, articulados e atentos.”  1. Trajetória individual e compartilhada. Como a sua experiência, de gênero ou outras categorias, se alinhou à militância feminista?  LP: Comecei a militar desde muito … </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><strong><em>“</em></strong><strong><em>E foram os movimentos espalhados por todo país que fizeram com que o Arthur Lira desistisse da votação. Os impactos mostram uma cidade com movimentos sociais pulsantes, articulados e atentos.”</em></strong>&nbsp;</p>



<p>1. <strong>Trajetória individual e compartilhada. Como a sua experiência, de gênero ou outras categorias, se alinhou à militância feminista?</strong>&nbsp;</p>



<p><strong>LP: </strong>Comecei a militar desde muito nova. Os anseios por um mundo melhor, mais justo, igualitário e sem violência sempre fizeram parte da Laiz, da pessoa que eu sou, então quando eu chego na vida pública trago as verdades que aprendi dentro de casa e constroem a minha personalidade. Coletivamente, os primeiros passos foram através da Marcha Mundial das Mulheres, no núcleo Maria Maria de Juiz de Fora, o qual integro desde 2011. Os encontros, formações, discussões do movimento foram e são de muito importantes para a minha concepção e ampliação do entendimento sobre o feminismo e outras pautas como o anti racismo, anti-capitalismo, anti-lgbtfóbica. Participar da Marcha é algo muito forte, é uma virada de chave mesmo para as múltiplas concepções de mundo. Aproveito e deixo aqui o meu convite para que outras mulheres possam participar conosco.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>2. <strong>Militância e política. A) Como esse tema é percebido, pela sua experiência, no âmbito local da política? B) Com base na sua experiência, o que significa “ser política (uma mulher na política)”? C) Nesse sentido, é possível uma política neutra ou, como muito vendido, uma política somente “técnica”, desacompanhada de paixões, defesas e posicionamento ideológico?&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p>LP: A minha vivência na política de Juiz de Fora começou no movimento estudantil. Travamos várias discussões e movimentos em defesa de uma Universidade Pública e de qualidade, mais direitos para os estudantes e avanços nas políticas públicas da universidades, incluindo diretrizes de permanências, por que não basta só o estudante entrar para cursar tal faculdade, ele precisa ter condições de permanecer. Sou uma mulher filiada ao maior partido de esquerda da América Latina, o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras desde 2012. E o partido é subdividido em várias correntes de pensamento e eu faço parte da Democracia Socialista, que é uma corrente fundada em 1979, na ditadura militar e ajudou na construção e solidificação do partido. Enquanto estudante, fiz parte da Kizomba, que é o movimento jovem que os membros da Democracia Socialista participam.&nbsp; Nessa luta dentro da UFJF, fui coordenadora geral do Centro Acadêmico de História e posteriormente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na Gestão 2013/2014. E além da Universidade possuo atuação em outros movimentos sociais como o Conselho Municipal da Juventude<strong> </strong>de Juiz de Fora, que exerci a função de presidente de 2018 até junho de 2020 e o Sindicato dos Metalúrgicos, onde desde 2017 atuo como assessora política.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Militância e política sempre andaram juntas. E entendemos militância como uma mobilização coletiva com intuito de transformar a realidade. E só podemos ter dias melhores para todos e todas através da política. Eu acredito na política e por isso estou nela. E para que nós mulheres possamos ter políticas públicas que nos contemple e respeite é que coloquei o meu nome a disposição do partido lá trás. A gente precisa entrar para mudar. A gente precisa estar nos locais de poder para trazer pautas que muito nos atravessam como a lei de dignidade menstrual por exemplo. E ser mulher nesses espaços é um desafio tremendo. A gente precisa se reafirmar a todo momento, porque somos constantemente interrompidas, atravessadas e deslegitimadas. É luta, batalha, mas precisamos estar. A misoginia dentro da Câmara dos vereadores de Juiz de Fora é real e muito viva. Quantas vezes durante a minha fala outros vereadores se viram, levantam, falam junto. E além do dia a dia do plenário, que já é muito pesado, nós temos que lidar com as perseguições nas redes sociais, como ataques nos comentários de uma postagem, vídeos distorcendo o que foi dito e me expondo, dentre várias outras coisas. E mesmo com tudo isso a gente tem feito muito por Juiz de Fora e deseja fazer ainda mais. É só ocupando que a gente pode transformar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Impossível fazer essa política técnica que você está mencionando. A gente não se separa das nossas crenças, paixões, visões de mundo como troca de roupa, por exemplo. Podemos tentar, e ai é o caminho que eu mais acredito, distanciar a minha opinião, enquanto pessoa física, do que precisa ser resolvido, organizado naquele momento, enquanto pessoa jurídica ou pública. Isenção ou neutralidade não existem. Existe bom senso, mediação, mas esse afastamento total é mais um mito divulgado justamente para camuflar opiniões e posicionamentos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>3. O PL1904. O impulso para se lançar aos espaços de tomada/decisões políticas, por ordem de um Estado Democrático, tem, entre os seus objetivos, a defesa do bem coletivo. No entanto, temos percebido, historicamente, esse espaço como uma disputa de narrativas para privilégio de determinados grupos em detrimento da subjugação de outros. A) O PL1904 é um espelho dessa configuração? Por que? B) Você acredita que o PL 1904 seja realmente sobre o aborto? Na sua opinião, quais seriam os reais interesses dos grupos que articulam sua aprovação? C) Ainda, existem outros rostos e/ou algumas outras defesas, no âmbito local, que se assemelham às defesas do PL? D) Há algum impacto do PL na administração e propostas locais?</strong>&nbsp;</p>



<p><strong>LP</strong>: Como ressaltado anteriormente, nenhuma narrativa, nenhuma fala é isenta de crenças pessoais. E este é mais um projeto de tentativa de controle dos corpos femininos. É um ataque direto aos nossos direitos de escolha. E ainda visa punir quem fizer, mas a gente sabe que essa punição não será para todas. Vai ser direcionada para mulheres pobres, pretas e periféricas. E quais crianças não poderão interromper a gestação? As colocadas à margem da sociedade. Os intuitos ao pautar são os mais escabrosos possíveis, a câmara é de maioria de homens, brancos e conservadores. É uma forma de extrema direita se colocar na mídia, ter palco, palanque, curtidas e visualizações, de tentar rotular pessoas progressistas como assassinas, abortistas e assim criar outros monstros e fantasmas para retroalimentar a sua bolha de fake news. A extrema direita é espalhada por diversos lugares e Juiz de Fora possui políticos que se alinham a este campo e que utilizam o plenário da câmara municipal para destilar o seu ódio pelo o PT, por exemplo. O que se faz em Brasília possui sim influência nas políticas municipais em outras escalas e proporções. Nós fomos para o Calçadão da Rua Halfeld na segunda-feira, dia 17, para manifestar contra o PL, ou seja, fizemos um movimento aqui na cidade sobre decisões que são chanceladas a muitos quilômetros de distância, mas que nos influenciam enquanto mulheres diretamente. E foram os movimentos espalhados por todo país que fizeram com que o Arthur Lira desistisse da votação. Os impactos mostram uma cidade com movimentos sociais pulsantes, articulados e atentos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>4. Há algo que você gostaria de dizer às meninas e mulheres que nos leem?</strong>&nbsp;</p>



<p><strong>LP </strong>&#8211; Acreditem na política. Façam política, pois só assim nós poderemos mudar a nossa rua, bairro, cidade, estado ou país. Observem as propostas, plataformas, o que dizem e principalmente o que deixam de mencionar os candidatos que chegam até vocês. Relembrando, nada é por acaso ou isento. Acreditem em vocês e nos seus sonhos. A política séria, inclusiva, organizada, transparente é possível!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p>Jovem,&nbsp;professora&nbsp;e&nbsp;feminista, <strong>Laiz Perrut Marendino</strong> ocupa uma cadeira no Legislativo Municipal de Juiz de Fora para defender um&nbsp;projeto político coletivo&nbsp;que envolve&nbsp;mulheres, jovens, trabalhadores e trabalhadoras, negros e negras e os movimentos sociais.Eleita&nbsp;em 2020 com 2.997 votos, seu&nbsp;mandato&nbsp;preza pela&nbsp;participação popular, cultura e educação.</p>
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		<title>O PL1904</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 12:51:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O PL 1904/2024 é um daqueles projetos de lei que chega como um soco no estômago de qualquer pessoa minimamente consciente das lutas feministas e dos direitos humanos. Equiparar o aborto após 22 semanas ao homicídio simples, mesmo em casos de estupro, é um retrocesso colossal, uma agressão direta aos direitos reprodutivos e à autonomia das mulheres. As principais vítimas dessa tentativa de criminalização brutal serão mulheres e crianças.&nbsp;</p>



<p>Primeiro, precisamos entender o que significa uma proposta como essa no contexto da luta feminista. A autonomia sobre o próprio corpo é um dos pilares centrais do movimento feminista. Sem o direito de decidir sobre a própria gravidez, as mulheres são reduzidas a meros receptáculos biológicos, desprovidas de agência sobre seu destino. Quando falamos de aborto, estamos falando de saúde pública, autonomia, dignidade, direitos humanos e justiça social.&nbsp;</p>



<p>A PL 1904/2024 ignora completamente as complexas realidades das mulheres que buscam um aborto tardio. Essas gestações não chegam às 22 semanas por mero capricho. Na grande maioria das vezes, são fruto de circunstâncias extremas: diagnósticos tardios de malformações fetais graves, condições de saúde materna que colocam a vida da mulher em risco, ou mesmo o descobrimento tardio da gravidez em situações de violência e abuso sexual. Penalizar essas mulheres é penalizar a vulnerabilidade e a marginalização que muitas já enfrentam.&nbsp;</p>



<p>E quem sofre mais com a criminalização do aborto? As mulheres pobres, claro. As mulheres ricas sempre encontrarão um jeito de acessar serviços de saúde seguros, seja viajando para o exterior ou pagando médicos clandestinos caros. A criminalização do aborto, então, não afeta todas as mulheres igualmente. Ela é uma ferramenta de controle social sobre as mulheres das classes trabalhadoras e marginalizadas.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a criminalização do aborto também tem uma dimensão racial. No Brasil, as mulheres negras são desproporcionalmente afetadas pela falta de acesso a serviços de saúde e pelas políticas repressivas. Isso não é coincidência, mas sim uma manifestação do racismo estrutural que permeia nossa sociedade. Ao equiparar o aborto ao homicídio, o Estado está, na prática, condenando essas mulheres a uma situação de insegurança e risco de morte.&nbsp;</p>



<p>E as crianças? Ah, as crianças&#8230; O discurso dos &#8220;pró-vida&#8221; muitas vezes se apoia na ideia de proteger os fetos, mas ignoram completamente o que acontece com essas crianças após o nascimento. Muitas vezes, as mulheres que buscam abortos tardios são aquelas que não têm condições de criar uma criança em um ambiente seguro e saudável. Elas podem estar vivendo em situações de extrema pobreza, violência doméstica ou outras condições que tornam a criação de um filho inviável. Forçar uma mulher a levar adiante uma gravidez indesejada é forçar uma criança a nascer em um ambiente potencialmente hostil e prejudicial.&nbsp;</p>



<p>A criminalização do aborto não é apenas uma questão de &#8220;moralidade individual&#8221;, mas uma questão de justiça social. É uma questão de quem tem poder sobre os corpos das mulheres e como esse poder é usado para manter a ordem social existente. As mulheres são punidas por serem pobres, por serem negras, por serem vulneráveis. Elas são punidas por se recusarem a cumprir o papel que a sociedade capitalista patriarcal reservou para elas.&nbsp;</p>



<p>Por isso, é crucial que lutemos contra a PL 1904/2024. Não podemos permitir que nossos direitos reprodutivos sejam atacados dessa maneira. Devemos nos unir, organizar protestos, pressionar nossos representantes e espalhar a conscientização sobre os impactos devastadores dessa proposta. A luta pelo direito ao aborto é uma luta pela vida das mulheres, por sua libertação, autonomia e por sua dignidade. É uma luta que precisamos vencer, não apenas por nós, mas por todas as gerações futuras que merecem viver em um mundo onde suas escolhas e seus corpos são respeitados.&nbsp;</p>



<p>A criminalização do aborto tardio, especialmente em casos de estupro, é uma violência estatal disfarçada de moralidade. É a reafirmação de que o corpo da mulher não pertence a ela mesma, mas ao Estado, à sociedade, aos ditames patriarcais que ditam o que é certo ou errado. E contra isso, devemos resistir com toda a força que temos.&nbsp;</p>



<p>Como disse Margaret Atwood na sua obra O Conto da Aia&#8221;: Nolite<em> te bastardes </em>carborundorum<em>. </em>Não deixe que os bastardos te derrubem!&nbsp;</p>



<p>Não podemos permitir que as políticas regressivas da PL 1904/2024 sufoquem nossos direitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nossa luta pela libertação dos nossos corpos deve continuar, inabalável e determinada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Avante, mulheres!&nbsp;</p>



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<p><strong>Carolline Sardá</strong>&nbsp;&#8211; Publicitária, criadora de conteúdo e nas horas vagas conto histórias de mulheres que você precisa conhecer.&nbsp;</p>
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		<title>O que uma evangélica de berço pensa sobre a PL 1904/24?  </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 12:21:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê 1904]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[pl1904]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nasci em 1996, filha de mãe batista e pai pentecostal. Sou fruto de uma gravidez não planejada, mas de um amor consentido, e logo que minha mãe soube da notícia, fui amada, desejada e celebrada pela minha família e pela minha comunidade de fé. Fui alfabetizada e aprendi a ler arrastada pelo exemplo da minha avó, paraibana, empregada doméstica que lia a bíblia para mim todos os dias. Aos 8 anos aceitei Jesus publicamente, aos 11 me batizei, e desde então permaneço conduzida e guiada pela Ruah de Deus. Não me vejo em outro lugar que não seja na presença de quem me sustentou até aqui.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Dito isso, o que uma mulher nascida e criada no evangelho pensa sobre um projeto de lei que deseja equiparar o aborto a um homicídio em casos de estupro? Pode uma mulher evangélica não se sentir representada por uma bancada que professa sua fé?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Projeto de Lei 1904/24, que visa restringir ainda mais o acesso ao aborto legal no país, ignora completamente a realidade brutal e dolorosa de tantas mulheres e crianças que enfrentam a violência sexual diariamente. A violência sexual é uma chaga profunda em nossa sociedade, e, lamentavelmente, também entre nós, evangélicos. Quantas vezes o estupro ocorre em lares cristãos, em famílias que professam a fé em Jesus? Quantas mulheres casadas, solteiras, viúvas, irmãs, filhas e netas sofrem abusos e são silenciadas? Enquanto isso, a pauta da criminalização do aborto é colocada como prioridade, desviando a atenção das verdadeiras questões de violência e abuso que deveriam ser enfrentadas com seriedade e segurança na sociedade civil, incluindo os púlpitos e gabinetes pastorais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No mesmo mês que a bancada evangélica se engaja pelo PL 1904, pipocam as denúncias de pastores e líderes assediadores e pedófilos circulando em diversas denominações. Quais são os mecanismos que permitem que homens abusem deliberadamente de nós em ambientes institucionais religiosos? Por que crimes contra a mulher são tratados a nível espiritual e não legislativo, penal e judiciário? O mesmo Deus que justifica o pecador é justo e ouve o clamor das vítimas abandonadas, apagadas e esquecidas. Há de se ouvir o grito audível do corpo das meninas violadas e dar menos holofotes à histeria daqueles que imaginam diálogos de fetos, mas são incapazes de atentar para o pedido de socorro das milhares de mulheres e crianças violentadas a cada 8 minutos no nosso país.&nbsp;</p>



<p>Quem ora pelas mulheres que morrem em clínicas de aborto clandestinas? Quem sente a dor e se compadece do trauma das mães solo que foram violadas inúmeras vezes por seus parceiros? Quem se sensibiliza pelas mulheres que sofrem de estupros maritais, e que não são vistas como vítimas por estarem debaixo da bênção do matrimônio instituído por Deus? Se somos a favor da vida, devemos rever quais vidas estão imbricadas nessa equação. Silenciar o debate não nos fará mais santos ou menos pecadores, até porque a nossa fé pessoal não dita a vida de todos, mas a nossa conivência com esse PL 1904/24 afetará violentamente a vida das maiores vítimas de estupro do Brasil, meninas de 13 anos de idade, que majoritariamente são abusadas por familiares.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A bancada evangélica fala por quem? Será que ela contempla a oração das crianças que tiveram a sua infância roubada por abusadores? Quando a bancada evangélica se posiciona em defesa da família, ela também compreende os arranjos familiares que esse PL 1904 irá gerar? Estamos falando da perpetuação de vínculos de violência incestuosa, e ainda no contínuo abandono de fetos, que assim que paridos, automaticamente são esquecidos por uma militância fanática que sacraliza a madre, mas abomina os direitos humanos e as políticas assistencialistas que garantem o mínimo de dignidade a essas crianças.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Brasil que vemos hoje, com os olhos racionais caminha depressa para um abismo fundamentalista e autoritário, mas aquele que vemos com os olhos da fé, é maior que a teocracia que políticos de extrema direita e fundamentalistas lascivamente cobiçam. Diferente deste pesadelo, sonhamos com dias em que a justiça, a paz e a alegria frutifiquem, em dias que nossos ventres gerem vidas consentidas e desejadas, e que nossas crianças possam brincar sem medo da violação de seus corpos, crescendo em graça, beleza e sabedoria.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Brasil que sonhamos não é feito de púlpitos e mercenários da fé, mas dessa miscelânea amorosa, criativa e diversa que nos dá motivos para prosseguir. Não iremos nos abalar com a maldade institucionalizada nas paredes concretas de empresas que se intitulam igrejas. Igreja é gente, e gente é para ter vida em abundância, porque Deus nos criou para isso, e a constituição do Estado laico nos garante também este direito, não somente para nós, mas para cada pessoa, independentemente de sua fé, crença, ideologia, orientação sexual, identidade de gênero, raça e etnia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>É por esse Brasil que dobramos nossos joelhos e clamamos todos os dias. É esse o Brasil que estamos construindo à revelia daqueles que desejam nos expulsar do corpo de Cristo. Em nome de uma fé que valoriza a vida em sua plenitude, clamamos por justiça e dignidade para todas as mulheres. Não em nosso nome, não ao PL 1904/24.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<p><strong>Pâmella Campos</strong></p>



<p>evangélica há mais de 20 anos, historiadora da religião, vice-presidente do O Reino em Pessoa, uma das idealizadoras do Mulheres Profetizando Vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Redes sociais: @pamellacampos96  @oreinoempessoa @mulheresprofetizandovida</p>
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		<title>Ataque à lei Maria da Penha: o que está em jogo? </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 11:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê 1904]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 7 de junho de 2024 recebemos a notícia de que Maria da Penha, símbolo do combate a violência contra as mulheres1, voltou a ter proteção do Estado por sofrer ameaçadas da extrema direita no país2. De acordo com as notícias de jornais, Maria da Penha alega que grupos RedPill e a extrema direita … </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 7 de junho de 2024 recebemos a notícia de que Maria da Penha, símbolo do combate a violência contra as mulheres<sup>1</sup>, voltou a ter proteção do Estado por sofrer ameaçadas da extrema direita no país<sup>2</sup>. De acordo com as notícias de jornais, Maria da Penha alega que grupos RedPill e a extrema direita como um todo tem reproduzido uma séria de notícias falsas que tentam prejudicar não somente sua imagem, mas, também, enfraquecer a importância da lei Maria da Penha. Mas quem são esses grupos e porque são contra a lei que enfrenta a violência contra as mulheres?&nbsp;</p>



<p>O movimento RedPill é recente, composto por homens misóginos que entendem que, na medida que os direitos das mulheres avançam, a masculinidade se enfraquece e os direitos dos homens retrocede. Esse termo remete ao filme <em>Matrix </em>em que é oferecido ao personagem <em>Neo</em> a pílula azul (bluepill) que lhe manteria na ignorância e a pílula vermelha (redpill) que lhe levaria a verdade por traz de toda mentira da sociedade. Diante disso, grupos de homens denominados masculinistas<sup>3</sup> adotaram o termo para se organizar e expressar sua revolta com relação ao avanço dos direitos das mulheres. Ou seja, para eles, a verdade é que as mulheres são aproveitadoras, maléficas e querem destruir os homens. Principalmente as mulheres que se consideram feministas e questionam o os padrões vigentes na sociedade.&nbsp;</p>



<p>O movimento RedPill está muito associado a extrema direita por, justamente, possuírem pensamentos parecidos como o neoconservadorismo que envolve a manutenção da submissão feminina, a masculinidade viril quanto a manutenção da heteronormatividade e violência como forma de proteção. Haroche (2013) introduziu o conceito de masculinidade viril, destacando que, dentro desse modelo de gênero, tanto o exercício do poder quanto a preocupação com a potência são relevantes. De acordo com o antropólogo Lucas Moreira (2021), para manter a autoridade simbólica, física e moral do homem viril, existe um temor de impotência que é transformado em força e domínio. Diante da angústia de perder a virilidade e de vê-la ameaçada, os homens podem se tornar agressivos, violentos, brutais e, em casos extremos, recorrer ao homicídio para defendê-la.&nbsp;</p>



<p>Os defensores da masculinidade tradicional há muito identificam em Jair Bolsonaro uma personificação de seus anseios (Lima e Silva, 2023). Ele é percebido como um arquétipo de &#8220;macho viril&#8221;, que confronta as mulheres de forma agressiva nos domínios do poder, dissemina piadas misóginas e se justifica sob o pretexto da liberdade de expressão. É possível perceber que Bolsonaro aumentou sua visibilidade ao promover o porte de armas, flexibilizando as legislações e estimulando sua utilização, frequentemente fazendo gestos de &#8220;arminha&#8221; com as mãos e até mesmo instruindo crianças a imitá-lo. A arma e a virilidade são elementos cruciais na construção da masculinidade desse homem heterossexual e cisgênero (Lima e Silva, 2023).&nbsp;</p>



<p>Os argumentos empregados pelo neoconservadorismo são de natureza moral, com o propósito de restaurar a autoridade patriarcal. Lacerda identificou a presença do neoconservadorismo no Brasil a partir de 2005, embora sua influência política direta seja observada a partir de 2008 (Lacerda, 2019). Nesse período, houve um aumento nas medidas contrárias à legalização do aborto e na adoção de uma legislação mais rigorosa em relação a essa prática, bem como um incremento nas iniciativas de combate às demandas LGBT+ e de gênero. Especificamente, iniciativas mais severas contra o aborto foram observadas em 2011, enquanto o ativismo contra as agendas LGBT+ ganhou impulso a partir de 2014 (Lacerda, 2019). É nesse cenário que se constrói uma ofensiva aos direitos das mulheres como, por exemplo, contra a lei Maria da Penha. A história de Penha é marcada por violências do seu algoz. Foi perseguida, violentada e sofreu tentativas de feminicídio até conseguir que seu caso fosse para os tribunais internacionais. Como forma de reparação, o Brasil aprova a lei nº 11.340/2006, que leva seu nome.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao longo dos anos, homens que são contra os direitos das mulheres, questionaram a necessidade de tal lei, alegando que os homens que tornariam as maiores vítimas das mentiras das mulheres.&nbsp; Com isso, notícias falsas eram reproduzidas principalmente através de plataformas misóginas como o Brasil Paralelo<sup>4</sup> e, assim, eram e ainda são compartilhadas em aplicativos de mensagens, plataformas de vídeos e outros canais de comunicação. As consequências da disseminação de notícias falsas como essa é a reprodução da violência. Como dito, atualmente, Maria da Penha tem sido ameaçada e, por isso, novamente está sob a proteção do Estado, igualmente quando sofreu tentativas de feminicídio por parte de seu ex-marido.&nbsp;</p>



<p>Hoje, a violência contra as mulheres representa uma das principais formas de violação dos <a href="https://www.politize.com.br/direitos-humanos-o-que-sao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Direitos Humanos</a>. Além de contribuir para a desigualdade de <a href="https://www.politize.com.br/vamos-falar-sobre-genero/#:~:text=Toda%20informa%C3%A7%C3%A3o%20deve%20ser%20democratizada&amp;text=Comunicadora%20do%20Embaixadores%20Politize!" target="_blank" rel="noreferrer noopener">gênero</a>, afeta diretamente direitos considerados fundamentais, como o direito à vida, o direito à saúde e à integridade física. No Brasil, segundo dados de 2020 da <a href="https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/violencia-sexual/pais-tem-um-estupro-a-cada-8-minutos-diz-anuario-de-seguranca-publica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Patrícia Galvão</a><sup>5</sup><a href="https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/violencia-sexual/pais-tem-um-estupro-a-cada-8-minutos-diz-anuario-de-seguranca-publica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">,</a> uma mulher é estuprada a cada 8 minutos, sendo que cerca de 84% dos casos o crime é cometido por pessoas próximas da vítima, familiares ou pessoas de confiança. A principal lei nacional no enfrentamento dessa violência é considerada um divisor de águas na abordagem jurídica brasileira na luta contra a violência baseada no gênero. Contudo, campanhas de deslegitimização de sua necessidade gera graves consequências como a falta de procura de seus direitos quando algum crime de violência de gênero ocorre. Além disso, encoraja homens a promover violências com a sensação de impunidade.&nbsp;</p>



<p>Os direitos das mulheres são conquistas que afetam a vida política, social e econômica promovendo a emancipação e a mudança de paradigmas de toda sociedade. O neoconservadorismo misógino como ferramenta da extrema direita e masculinistas promove o ódio, a violência e o silenciamento das mulheres e continua educando homens agressivos e prisioneiros de uma masculinidade viril que nega qualquer diversidade ou diálogo. Diante disso, a promoção, manutenção e valorização de políticas públicas de proteção aos ditos grupos minoritários são não somente formas de reparação, mas, também, meios de educação para que a o patriarcado se enfraqueça e dê lugar a outros modos de vida.&nbsp;</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS&nbsp;</strong></p>



<p>HAROCHE, Claudine (2013). “Antropologias da virilidade: o medo da impotência”. In: CORBIN, Alan; COURTINE, Jean-Jacques; VIGARELLO, Georges (orgs.). <em>História da Virilidade</em>. Petrópolis-RJ: Vozes, p. 15-34.&nbsp;</p>



<p>LACERDA, Marina Basso (2019). <em>O Novo Conservadorismo brasileiro</em>: de Reagan a Bolsonaro. Porto Alegre: Zouk.&nbsp;</p>



<p>LIMA E SILVA, Bruna Camilo de Souza (2023). <em>Masculinismo</em>: misoginia e redes de ódio no contexto da radicalização política no Brasil. Tese (Doutorado). Belo Horizonte, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.&nbsp;</p>



<p>MOREIRA, Lucas (2021). Masculinidade genealógica e o “viking” do Capitólio: reflexões sobre virilidade e política. <em>Novos Debates</em>, v. 7, n. 1, p. 1-12. <a href="https://novosdebates.abant.org.br/revista/index.php/novosdebates/article/view/181/98" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://novosdebates.abant.org.br/revista/index.php/novosdebates/article/view/181/98</a> (acesso em: 22/03/2024).&nbsp;</p>



<p></p>



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<p><strong>Bruna Camilo</strong>&nbsp; &#8211; Pesquisadora em gênero e radicalização. Doutora em Ciências Sociais pela PUC-Minas. Mestra em Ciência Política pela UFMG.&nbsp;</p>
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