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	<title>Arquivos Racismo Estrutural - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A MORTE PELO EPISTEMICÍDIO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[Construção de Identidades]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemicídio]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia Universal]]></category>
		<category><![CDATA[extermínio da população indígena]]></category>
		<category><![CDATA[extermínio da população negra]]></category>
		<category><![CDATA[Morte Simbólica de Povos]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[Silenciamento de Minorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você conhece o termo “epistemicídio”? </p>



<p>Apesar de próxima do termo “genocídio” (que estamos lendo com tanta frequência), a palavra <em>epistemicídio</em> só apareceu em minhas leituras mais recentes &#8211; e prontamente chamou minha atenção.</p>



<p>Se buscarmos entender e contextualizar o termo por sua origem, muitos poderão dizer que se trata da morte do conhecimento &#8211; o que é verdade. Mas para que a questão se aprofunde e para que não façamos o mau uso desse termo tão importante, proponho uma análise mais ampla: que tipo de conhecimento está morrendo?</p>



<p>O conceito de epistemicídio é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que, ao tratar da questão da expansão europeia e da colonização, pontuou o seguinte: “eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho, e eliminaram formas de conhecimento estranho porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos”. A autora brasileira Sueli Carneiro também desenvolveu estudos sobre o tema, e nos ensina que <strong>o epistemicídio é um verdadeiro processo de assassinato, pelo grupo racial hegemônico, de saberes dos povos negros e indígenas, como uma política de genocídio e dominação</strong>.</p>



<p>E por que ele é tão grave, tão perigoso? Justamente por ser mais vasto e frequente que o genocídio, uma vez que ocorre sempre que se pretende subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que poderiam constituir uma ameaça à expansão do grupo considerado superior (a epistemologia branca, europeia, cristã e heteronormativa, por exemplo). É um movimento contra a história dos trabalhadores, dos indígenas, dos negros, das mulheres e das minorias em geral (étnicas, religiosas, sexuais); assim que o epistemicídio costuma ser considerado como “a morte antes do tiro” ou “a morte da mente antes do corpo”. Quando silenciamos as epistemologias, os saberes de parteiras, de povos originários, a prática médica de povos colonizados e impomos uma epistemologia universal, nós estamos literalmente silenciando esses sujeitos e desqualificando suas histórias.</p>



<p>A inviabilização de saberes não-hegemônicos nos encontra desde bem cedo: quando aprendemos História no ensino fundamental, muito se fala do Ocidente e seu desenvolvimento, enquanto o Oriente aparece como lugar de passagem. Aprendemos sobre as grandes conquistas europeias e nada sobre os reinos africanos. Lemos que os povos indígenas trocavam, negociavam terras e riquezas por quinquilharias, e não que tiveram seus corpos explorados, violados e escravizados.</p>



<p><strong>A forma principal em que a morte simbólica desses povos se materializa é através do apagamento de referenciais dos saberes africanos, afro-brasileiros, ameríndios e afins. </strong>É uma representação clara de nossos preconceitos e do racismo estrutural na produção intelectual, responsável por negar a capacidade dos povos não brancos de produzir saber.</p>



<p>Para estudiosos do tema, como Djamila Ribeiro, a epistemologia dominante seria aquela imposição de um conhecimento universal que reflete os interesses políticos e econômicos específicos do grupo social dominante &#8211; geralmente de uma sociedade branca, colonial, patriarcal e cristã. Mas não é só isso: essa sociedade é quem estaria produzindo o conhecimento considerado como “verdadeiro”. Esse processo resulta não só na desqualificação de conhecimento dos povos dominados, mas também na desqualificação coletiva e individual desses sujeitos enquanto sujeitos que pensam.</p>



<p>E o que o epistemicídio faz na prática é um estrago grotesco: o embrutecimento das pessoas que estão fora do grupo dominante faz com que a ascensão social delas fique cada vez mais distante. O sistema é programado para absorver esses indivíduos como mão de obra mais barata, para trabalhos mais rústicos, ou para mero entretenimento e aparição no meio artístico ou esportivo (os que têm sorte), enquanto os demais caem no desemprego, na marginalidade, ou em outras esferas em que seus corpos são alvos fáceis para serem exterminados.</p>



<p>E qual seria um caminho inicial para quebrar esse ciclo? Ora, seria preciso desestabilizar e transcender a autorização discursiva branca, masculina cisgênera e heteronormativa. A partir disso, debater como as identidades foram construídas nesses contextos.</p>



<p>A exclusão de corpos subalternizados dos espaços de poder político e econômico é apenas resultado de um processo de exclusão que começou lá atrás, nos espaços de produção de conhecimento. No caso do Brasil, em especial, é até difícil mensurar o quanto as coisas seriam diferentes se valorizássemos os saberes das mulheres de terreiro, dos indígenas, das Babalorixás, das mulheres do movimento de luta por creches, das irmandades negras, dos movimentos sociais encabeçados pela comunidade LGBTQIA+, entre tantos outros. Torçamos para que esse movimento seja feito a tempo, e que pessoas brilhantes, como foi Carolina Maria de Jesus<a href="#_ftn1">[1]</a>, passem a ser lidas, respeitadas e apreciadas enquanto ainda estão vivas.</p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p>[1] Carolina Maria de Jesus foi uma escritora negra, mãe, catadora de papel, moradora da favela e com pouquíssima escolaridade formal. No dia 25 de fevereiro de 2021, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu a Carolina o título de Doutora&nbsp;<em>Honoris Causa</em>, reconhecimento oferecido a pessoas com contribuições decisivas para a arte, a ciência e a cultura brasileiras. A autora morreu em 1977.</p>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>SANTOS, Boaventura de Sousa. <strong>Pelas mãos de Alice (1995).</strong></p>



<p>BORGES, Pedro. <strong>Epistemicídio, a morte começa antes do tiro.</strong> Alma Preta. Disponível em: &lt;<a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/epistemicidio-a-morte-comeca-antes-do-tiro">https://almapreta.com/sessao/cotidiano/epistemicidio-a-morte-comeca-antes-do-tiro</a>&gt;.</p>



<p>SILVA, Vinícius da. <strong>Perspectivas conceituais: o que é o epistemicídio? </strong>Disponível em: &lt;<a href="https://viniciuxdasilva.medium.com/perspectivas-conceituais-o-que-%C3%A9-epistemic%C3%ADdio-70267bd3954">https://viniciuxdasilva.medium.com/perspectivas-conceituais-o-que-%C3%A9-epistemic%C3%ADdio-70267bd3954</a>&gt;.</p>



<p>PESSANHA, Eliseu Amaro. <strong>Do Epistemicídio: as estratégias de matar o Conhecimento Negro Áfricano e Afrodiaspórico.</strong> Disponível em: &lt;https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/problemata/article/download/49136/28617/&gt;.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="709" height="709" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=709%2C709&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13636 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?w=709&amp;ssl=1 709w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>D</strong><strong style="font-weight:bold">éborah Silva </strong>é advogada, especialista em Direito Constitucional e pós graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global.</p>
</div></div>



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		<title>#AlôFamília &#8211; Racismo Estrutural</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/28/alofamilia-racismo-estrutural/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se engana quem pensa que o racista brasileiro tem carteirinha. Não é assim. Mas, infelizmente, não dá pra dizer que “ninguém no Brasil aceitaria ter uma carteirinha de racista”, porque várias imagens de manifestações mundo afora sugerem que muita gente aqui curtiria uma identificação assim. Aliás, há uma instituição ainda ativa nos EUA que oferecia – e talvez ainda ofereça – carteirinha de racista a seus afiliados. O nome dela é Ku Klux Klan (também chamada de “KKK”, mas isso não tem graça nenhuma), e ela tem muitos fãs no nosso país.</p>



<p>Acho que, em geral, no Brasil, as pessoas assumem comportamentos e falas racistas sem nem se darem conta – mas isso não serve de desculpa, é claro! Estranhou um negro com um carrão novo, lindo? Racismo. Confundiu o médico negro com o motorista da ambulância? Racismo. Achou que a senhora negra na portaria do prédio era faxineira esperando alguém? Racismo. Fechou a janela quando a criança ou o adolescente preto se aproximou do seu carro no semáforo? Racismo. Sim: se você que está lendo esse texto já fez alguma dessas coisas, você já foi racista pelo menos uma vez na vida. “Errou feio, errou rude”.</p>



<p>“Ah, Luciano&#8230; Aí não, né? Vou deixar me roubarem primeiro? Muitos desses moleques ficam esperando no sinal pra roubar a gente”.</p>



<p>Esse é um exemplo clássico do racismo mais frequente e mais duro de combater: aquele que parece sustentado pela lógica, pela estatística, mas que não passa de uma meia verdade, ou, como se fala no Rio de Janeiro, um “caô”.</p>



<p>A metade verdadeira dessa ideia é o fato incontestável de que acontecem, mesmo, muitos assaltos em semáforos, e que, muitas vezes, quem os pratica são crianças e adolescentes pretos. A metade falsa é relacionar o comportamento criminoso de alguns indivíduos à cor da pele da maioria, deixando de fora a condição histórica e econômica que empurrou a todos eles para aquela situação. Além disso, também precisa entrar nessa conta o seguinte: pensando direitinho, se todo mundo lesse os contratos bancários que assina, veria que eles, os bancos, enganam e roubam muito mais gente que os meninos nos faróis, com muito mais frequência, provocando um prejuízo muito maior a longo prazo, e eu não me lembro de nenhum dono de banco que seja preto – se há, é exceção. &nbsp;Logo, fechar a janela com medo de perder dinheiro pro suposto ladrão preto e abrir o bolso pro assumido gatuno branco, é, noves-fora, racismo.</p>



<p>E aí está o motivo de eu dizer que, na minha opinião, a maior parte das pessoas no Brasil é racista sem nem se dar conta – e isso não as desculpa, repito. As mesmas pessoas que dizem, sem nenhum constrangimento, que precisam tomar cuidado com seus pertences nos semáforos porque algum marginal pretinho pode vir lhes roubar, essas mesmas pessoas não se dão conta de que banqueiros pretos, se existem, são absoluta exceção, assim como no Brasil também são exceções engenheiros, dentistas, advogados, arquitetos e médicos pretos. Tudo isso é prova incontestável do chamado “racismo estrutural” brasileiro, que mantém os pretos sempre em desvantagem. Todos, todos os índices sociais brasileiros são desfavoráveis à população negra.</p>



<p>O racismo brasileiro é chamado de “estrutural” justamente porque, por aqui, ele é tão fundido com a maneira como a gente enxerga a gente mesmo e o nosso próximo que a gente sequer se dá conta de que está sendo racista e perpetuando o funcionamento racista do mundo à nossa volta. A gente se acostumou a achar natural ter medo da criança e do adolescente preto no sinal de trânsito, tanto quanto se acostumou a achar natural entrar num hospital e não ver nem um médico ou médica preto/a. O racismo estrutural nos cegou para o fato de que infelizmente, quase 133 anos depois da suposta abolição da escravidão (que “Não veio do céu, nem das mãos de Isabel”, como disse o samba da Mangueira, em 2019), a população nas prisões e nos manicômios brasileiros ainda é negra em sua maior parte, fato que também se repete na maior parte das comunidades carentes de tudo nas nossas cidades médias e grandes.</p>



<p>Entender o mínimo sobre o que é o racismo estrutural brasileiro é indispensável para a gente começar a efetivamente mudar esse estado de coisas horroroso, vergonhoso, perverso e que não faz bem a ninguém. Isso mesmo: <strong>ninguém se beneficia com o racismo</strong>. Quem é vítima dele, se sente injustiçado, humilhado, violentado; quem o pratica, sabendo ou não, vive com medo – ainda que não perceba.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
</div></div>



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		<title>Campanha discute necessidade de eliminar expressões racistas do vocabulário popular</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/campanha-discute-necessidade-de-eliminar-expressoes-racistas-do-vocabulario-popular-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nesta semana, o Brasil lembra os 132 anos da abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888. A data é uma oportunidade de revisitar as cicatrizes deixadas pela escravidão, ainda sentidas na sociedade atual: racismo, discriminação e iniquidades.</p>



<p>A Rede Globo começa a veicular nesta quarta-feira (13) um vídeo produzido em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que reflete sobre o racismo a partir de frases do cotidiano.</p>



<p>Com o mote “Tudo começa pelo Respeito”, foi criado para alertar, por meio de expressões populares, sobre como o racismo se faz presente na sociedade e como é preciso começar a mudar a história a partir dos detalhes.</p>



<p>“Esta é uma excelente forma de estimular um debate que precisa urgentemente ser ampliado. O racismo e as práticas discriminatórias continuam a impedir que a população negra do país desfrute de forma equitativa de oportunidades e tenham todos os seus direitos assegurados”, disse a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.</p>



<p>“Essa discussão é essencial, sobretudo, para avançarmos rumo às recomendações da Década Internacional de Afrodescendentes.”</p>



<p><strong>O vídeo será exibido pela emissora de 12 a 15 de maio. Confira</strong>:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Tudo Começa Pelo Respeito: não fale a língua do racismo" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/19Ktg-IF4XI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/campanha-discute-necessidade-de-eliminar-expressoes-racistas-do-vocabulario-popular/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 13/05/2020 &#8211; Atualizado em 13/05/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9c02d-holofotes.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9680" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Caos</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Estabelecendo uma relação de continuidade com o meu último texto, a saber, &#8221; Sob o silêncio: perspectivas de um trajeto estrutural pelo fio da música.”, me dispus a refletir sobre a atuação do caos no ordenamento das ideias que irão desaguar em alguma expressão artística, que, por sua vez, é criativa e cultural.&nbsp;</p>



<p>Ao &#8220;caos&#8221; é atribuído uma série de designações, sejam elas do ramo da filosofia, da física e etc. Filosoficamente, caos significa &#8211; dentro da tradição platônica -, um estado geral desordenado e indiferenciado de elementos que antecede uma intervenção e, segundo Platão (428-348 a.C.) o interventor seria o <em>demiurgo, </em>figura que modela e organiza a matéria caótica pela imitação do que é perfeito e eterno, mas não cria, de fato, a realidade. Pensando no âmbito da física, sobretudo na física quântica, &#8220;caos&#8221; é expresso pela complexidade de um sistema dinâmico que, por equações, pode ter a sua interação e determinismo explicado.&nbsp;</p>



<p>Em ambas as conceituações cabe destacar que o caos se constitui enquanto matéria. Mesmo desorganizado pode ser explicado e, indo mais além, podemos concluir que o que entendemos enquanto &#8220;regular&#8221; pode ser considerado como resultado do caos. A imprevisibilidade desse sistema se dá pela desorganização que gera organização, sendo que essa última, conta com fluxos não só de matéria mas também de energia para que, ao fim e ao cabo, se produza algo derivado dessa matéria pré existente. Pré existente ao mundo, aos sentimentos, as reações e aos desígnios mais pontuais que temos ao longo da vida. Caos, portanto, é o recipiente das peças que irão compor o resultado, seja ele qual for. Longe de tentar aplicar uma função ao caos enquanto ele ainda o é, reflito somente sobre sua potencialidade criativa.&nbsp;</p>



<p>Dizer de um estado caótico, sobretudo quando se produz arte no palco cultural contemporâneo, soa como um bloqueio (assim como o silêncio). Acredito que essa crença e percepção parte do imediatismo &#8211; <em>ready and go</em> &#8211; produtivo que surge mediante os discursos que apontam uma constância que, por sua vez, se manifesta indicando sabedoria, organização, conquista e todos os outros valores ressignificados por uma sociedade onde a experiência individual se institui enquanto meta para o coletivo. Partindo pela ótica do outro, estabelecemos ou até mesmo restabelecemos nossas reações subvertendo o nosso próprio tempo, organismo, a nossa própria matéria, alterando a nossa energia que, respondendo a uma expectativa externa, não nos proporciona uma vida próspera, ao contrário, coopera para a extinção das dimensões internas que nos torna únicos.&nbsp;</p>



<p>Para concluir, saliento que, talvez, a resposta para um bloqueio criativo ou até mesmo para as vozes externas a sua produção, seja não o caos em si, mas a compreensão que, de uma matéria caótica, se estabelece ordem. Somado a isso, essa dimensão instiga maior sensibilidade, contribuindo para uma nova aventura criativa dado o receptáculo de frações&nbsp; &#8211; constituinte do que ainda não se organizou &#8211; dentro de você.&nbsp;</p>



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<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tantas Voltas, Tantas Vistas.</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Jacob</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Amarrados, emendados, encaixados, justapostos, remendados, esticados. Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade. As tramas do acaso desenham sua juntura na medida em que a necessidade imprime sua força. A escolha parece arbitrária: o que se tem à mão, o que parece útil, o que se pode arranjar. O pigmento é a festa ancestral, inerente, inevitável. A sucessão dos dias provoca fluidez nas formas, mudando os contornos, a densidade, a saturação, movimento perene como a correnteza de um rio, que pouco importa a nascente ou a foz. Tudo ao redor parece mar. O rio segue cumprindo sua sina desejosa, sua tarefa arranjada, improvisada, mediadora. Ponto de contato, de encontro, de desvio, de passagem, tapete vivo. Assim acontece a imagem do fotografo francês Yann Arthur Bertrand, retratando um fragmento da Cidade do México. Uma ampla vista aérea nos revela um corredor de cores que, permito-me imaginar, abrigaria um mercado popular. A longa faixa multicor corta uma região monótona, quase uniforme, da cidade, com casas parecidas, ruas parecidas, construções de baixa complexidade e pouco destaque entre as demais. Quadras pálidas e alguns pontos de cor, quase insignificantes.</p>



<p>A fotografia é usada como destaque para que o jornal <em>El País</em> discuta como construir metrópoles habitáveis, segundo a opinião de arquitetos e pesquisadores premiados. A cidade é apontada como concentração de oportunidades em diversos campos da vida, como trabalho, educação, saúde e lazer. Entendê-la inicialmente pela escolha da palavra “concentração” já começa a abrir canais de proximidade com sua realidade mais sensível, aquela que nos conecta com a ideia de convivência entre distintas formas espaciais e de vida. Seu corpo é notoriamente fragmentado e, ao mesmo tempo, conectado, de constituição e uso mistos. Habitações, praças, ruas, monumentos e vazios vão destacando a vocação da cidade enquanto obra, fruto das modelagens e remodelagens dos tempos e anseios que a percorrem. Celebrar essa condição de simultaneidade e diversidade que a caracteriza, é para onde apontam as reflexões dos pesquisadores do artigo que, em sua totalidade, sublinham o uso eficiente do espaço dentro de uma lógica técnica ou “parcelar”, como classificaria o filósofo Henri Lefebvre, no livro <em>O direito à cidade </em>(1968)<em>.</em> Ainda que sob uma ótica tendenciosa ao pensamento técnico de algumas áreas em relação à outras , emprega-se a tecnologia em benefício da coletividade, traduzida na construção, por exemplo, de ruas com formas diversificadas de ocupação: pedestres, bicicletas, carros e transportes públicos.</p>



<p>&nbsp;Esse olhar seria atitude resiliente frente às questões e problemas enfrentados pela cidade contemporânea; tentativa de garantir certa diversidade urbana em detrimento de sua regulação exclusiva pelo mercado, ou aquilo que Lefebvre&nbsp; chamaria de “ordem distante” (Estado e Instituições). As demandas e vivências não se encerram ou paralisam. A cidade, que não é entendida por apenas uma ou duas ou três ciências parcelares, mas por uma coletânea delas concatenadas com as relações que lá se desenrolam diariamente; as que tentam desesperadamente esconder; as reflexões que claramente estimulam e os tempos que nela se deitam, tem que aprender, constantemente, a reconhecer e lidar com sua polissemia. Não é capaz de filtrar o inesperado, o improvisado, nem frear as especulações do mercado. Acolhe as feiras livres, os ambulantes, os improvisos, a criação quilométrica de um céu de remendos no México e, ao mesmo tempo, projetos como o da UBER, que divulgam sua aviação urbana e pensam em vôos compartilhados e financeiramente acessíveis. A questão que se anuncia é: pensar ruas que sirvam para todos.</p>



<p>Com uma nota em sua página na internet, a prefeitura de Juiz de Fora divulga sua estratégia de política urbana para o caso dos ambulantes e ocupações menos legitimadas das ruas:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Denominada “A cidade é para todos”, a operação, de caráter preventivo, tem o objetivo de inibir a prática do comércio ilegal nas ruas centrais, demonstrando para a população a importância da organização do ambiente urbano, além de garantir a desobstrução das vias, de modo a possibilitar mais acessibilidade, mobilidade e segurança aos pedestres. Também serão verificados e orientados os ambulantes regularizados e o comércio formal.(PJF,2019).</p>



<p>Colocados lado a lado, os conteúdos das duas matérias parecem contradizerem-se. Qualquer leitor atento poderia encontrar-se no centro de um cabo de guerra. Enquanto uma extremidade considera o espírito de simultaneidade e diversidade do espaço urbano como estratégias relevantes para o seu desenvolvimento em quesitos como mobilidade, segurança e habitação, a outra vê-se atada às práticas públicas de roupagem excludente. Um lado aprecia a racionalidade aplicada e, ao mesmo tempo sensível às idiossincrasias da cidade, sob o slogan de “ruas para todos”, presente na matéria do jornal <em>El País</em>, o outro convence-se com abordagens pouco reflexivas no sentido de um pensamento que tenta amenizar conflitos ou mediar situações complexas, como descritas no site da prefeitura da cidade mineira. Ambas as justificativas valem-se da ideia global do “para todos”, mas talvez a palavra “todos” tenha, como a cidade, a sua vocação para a contradição; apresente, como algumas de suas vias, sentidos duplos, variados, interditados.</p>



<p>&nbsp;Chegamos até esse ponto, não para discutir medidas públicas ou técnicas para o funcionamento da cidade. Aqui, procuramos a brecha na cidade, a fissura que aparece nas relações que ela sustenta, matéria manipulável pelas objetividades e subjetividades viventes em suas esquinas; objeto de arte em constante construção (e desconstrução), alvo do pensar e fazer do artista. A contradição salta aos olhos, emerge de cada trinca do seu asfalto, concreto ou língua. O “tecido urbano” revela-se um imenso drapeado de vozes e condutas. E também de tempos: o tempo das práticas rudimentares, menos simpáticas e até repressoras, o tempo do diálogo, das discussões e busca de respostas ( efêmeras) para as situações e o tempo das aeronaves urbanas coletivas. Apesar da nossa imaginação, a cidade parece exercer o seu acolhimento aos variados e desconectados tempos; encontrar uma lógica naquilo que soa incongruente, afirmando a sua própria incoerência como liga para as oposições. É realmente estranho para um racionalismo sistematizante cogitar essas divagações delirantes sobre a cidade, mas o maior delírio , em contrapartida, poderia residir na negação de sua realidade de lugar de lugares, “mediação entre as mediações”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Não se pode evitar o conflito. Possivelmente seja esse o lema urbano, sua condição tantas vezes ignorada ou rejeitada, mas ironicamente elementar. Ao mesmo tempo que se torna lugar de reunião, agrupamento, encontros e vivências, também revela-se “lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede das dissoluções das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível” (LEFEBVRE, 2001, p.85). Essa potencialidade e, muitas vezes, objetalidade do urbano encarnado na cidade estimula-me a pensá-la como território de poéticas para o artista. Antes de prosseguirmos, é preciso uma consideração importante, que diz respeito a definição de “cidade” e “urbano”, já que fizemos uma clara menção a sua possível distinção de entendimento. Nessa lógica, a cidade seria uma espécie de realidade presente, palpável, imediata, prático-sensível e arquitetônica, enquanto o “urbano” incluiria uma dimensão de realidade social, revelando relações que são concebidas pelo pensamento. No entanto, é importante ressaltar que esse “urbano” não seria uma entidade considerada puramente filosófica, uma vez que se presume sua realização no plano prático-sensível, sendo também morfológica.</p>



<p>&nbsp;A brecha que a cidade expõe e que insistentemente tratamos com desatenção, parece revelar nossa miopia ao mirá-la. Tratamos sua condição mais óbvia como desvio e, na maioria das vezes, encontramos mil estratégias para evitar a realidade da coisa: o conflito. Programas para melhoria da mobilidade, da segurança, da arquitetura, dentre outras ferramentas técnicas, parecem pensar os lugares a partir de suas lupas auto centradas, mas sempre acabam obrigados a encarar a velha sina da cidade de reunir aquilo que se encontra disperso. O desafio esboça a sua condição de existência. Ao mantermo-nos atrelados exclusivamente à ideia de eficiência, produtividade e lucro, no que toca a questão da cidade, assumimos um papel demasiadamente austero frente aquilo que essencialmente é constituído de matéria lúdica.</p>



<p>Através dos breves intervalos na cerca metálica que divide a cidade de Sunland Park (EUA) e Ciudad Júarez (México) foram instaladas gangorras cor-de-rosa para que as pessoas dos dois lados brinquem juntas. A palavra brincadeira poderia facilmente ser substituída por: entram em contato, relacionam-se, conversam através de seus corpos, experimentam-se. A ação pouco convencional, ou até pueril, não escapa à questão da querela que envolve as duas nações, ao contrário, só se faz urgente e sublinhada na paisagem devido ao significado da cerca que a corta. No momento em que o presidente Donald Trump carrega em sua promessa eleitoral a construção de um muro que ocupe toda a fronteira entre os dois países e que, mesmo sem a concretização da ideia até a presente data, já tenha levantado uma considerável quantia para reformar trechos da cerca, a presença de um simples dispositivo, usado para entretenimento e diversão entre crianças, ganha um atributo reflexivo. Segundo os artistas Ronald Rael e Virginia San Fratello, a iniciativa do trabalho é mostrar que ações de um lado têm consequências diretas para o outro, coisa que poderia parecer óbvia para a maioria das pessoas, mas que, de alguma forma, surge como uma surpresa.</p>



<p>&nbsp;A discussão daqueles lugares, tanto da fronteira em si, como também do impacto que ela representa para ambos os territórios, em suas práticas cotidianas, ganha notoriedade a partir do dispositivo “gangorra”. A fronteira conecta geograficamente dois lugares, determina objetivamente seus limites; a gangorra os conecta de forma lúdica, revelando outros eixos de contato, reconfigurando os limites, redesenhando as bordas. Isso significa pensar sobre as possibilidades das relações estabelecidas a partir desse lugar de contato, os conflitos que o tornam zona de tensão (e que, talvez por contraste, somos convidados a pensar e avaliar por meio das relaxantes gangorras) e a qualidade desse ponto específico: de lugar geométrico a lugar político; de lugar político a lugar artístico.</p>



<p>&nbsp;De lugar em lugar, o ponto inflamado é paulatinamente transformado em apoio para o brinquedo e para reflexão de como lidar com as engrenagens que sustentam&nbsp; as relações, implícitas na figura do fulcro. Seja qual for o eixo de possibilidades que analisamos a questão, todos estão pendendo de um ponto fulcral, e é importante lembrar que um desses eixos (no caso da gangorra, por exemplo) é capaz de alimentar o jogo, a festa, o relaxamento, o momento lúdico. Trocando em miúdos, leva-nos elaborar o quanto, graças às nossas divergências, estamos imiscuídos irrevogavelmente nesse parque de experiências, porque convivemos, trocamos, olhamo-nos; porque inevitavelmente colocamo-nos a “brincar”.</p>



<p>Sempre tive fascínio pela sombrinha ou chapéu mexicano, um brinquedo tradicional dos parques de diversão. Daquele grande , colorido, luminoso e algumas vezes musical sombreiro partem correntes que se esticam até terminarem em assentos. Gostoso é ficar sentado ali, as mãos nas correntes de um lado e do outro, o corpo balançando levemente na cadeira, juntamente com o frisson que nos toma enquanto esperamos a partida. A sombrinha gira e somos pouco a pouco lançados na paisagem. Não fossem as correntes seríamos arremessados ao longe. Mas estamos unidos a ela, somos também sombrinha naquele instante, parte das suas extremidades. Frequentamos o espaço repetidamente em círculos, sentimos o vento no rosto, voamos sem perceber que a sombrinha nos conduz e que voltamos sempre ao mesmo lugar de onde partimos. Podemos imaginar que fazemos uma viagem em linha reta, porque a cada volta o nosso olhar se atira para diferentes direções, mudam-se os sons, as cores, os desejos.</p>



<p>&nbsp;Pensar na emoção de me dispersar pelo espaço nas franjas do chapéu mexicano, é disparo capaz de devolver-me a um momento que não se limita à experiência dos rodopios do brinquedo , mas uma situação, uma época, uma vivência, um prazer, uma memória, um lugar. É um dispositivo que me oferece a experiência centrífuga com o mundo. Frequentar a cidade possivelmente nos exija alguma benevolência com essa força. Suas ruas, edifícios, sons, cheiros e pessoas, por mais que estejam diariamente presentes, que durem semanas ou décadas ou séculos, estão em constante movimento. A arquitetura muda, adapta-se aos tempos de modo funcional e estético, as ruas ganham nomes novos (questionamos o porquê de algumas ainda levarem os nomes de chefes de estado ditadores, enquanto outras passam a homenagear novas personalidades, que no tempo em que foram planejadas ainda construíam o seu lugar na história). &nbsp;</p>



<p>&nbsp;Frequentar o ambiente citadino nos expõe aos ventos ímpares das mesmas esquinas; ao desconforto de enfrentar o espaço com o corpo e as sensações, sabendo-se frágil pelo suor das mãos e vacilante frente à instabilidade das correntes e banquetas que nos sustentam. É saber-se habitante fronteiriço entre tantas margens que precisam estar integradas e conjugadas entre si e com o nosso movimento centrífugo. O “flanêur” descrito por Baudelaire, em <em>O pintor da vida moderna </em>(1863)<em>&nbsp;</em> andava pela cidade e surpreendia-se com suas mudanças, maravilhava-se com o modelo de cidade que se desenhava na modernidade, as tecnologias que permitiam uma vida mais veloz, as personagens que surgiam e adaptavam-se àquela realidade, os seus trajes e hábitos. Não deixo de pensar que também flanamos pela contemporaneidade afora. As mudanças continuam a nos perseguir e, à medida em que giramos pela cidade, reconhecemos novas dobraduras de seus espaços e de nós mesmos. Pendemos desse motor sem que necessariamente nos desprendamos dele, e seguimos descobrindo lugares a partir dessa desequilibrante cadeira de sombrinha.&nbsp;</p>



<p>Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade, cobrindo um corredor pelas ruas mexicanas, mas o fato é que, à sua maneira, são marcas de alguma forma de existir e conversar com a sua paisagem, modos de se inscrever, clandestinamente, naquele lugar, transformando-se em produto de sua ausência nas planilhas das “ciências parcelares”. Poética do imprevisto, obra não planejada. Provavelmente alguns se incomodam com a precariedade de suas formas, o obstáculo que impõem ao trânsito ou o inconveniente da aglomeração que favorecem; outros nem tanto, dada a sua imersão no espaço. Alguns encontram neles alguma funcionalidade, afinal de contas existem para suprir a necessidade de um grupo, outros sequer os viram. Há, ainda, quem neles reconheça qualidades que nascem das fissuras existentes entre o precisar e o não precisar, o concordar e o não concordar; que simplesmente (ou complexamente) revelam algo a partir dos encontros e desencontros nesses lugares, materializando a curiosa forma do urbano.</p>



<p>&nbsp;Certamente, é preciso saber lidar com a organização prática e técnica dos lugares, assim como, também, é preciso reconhecer aquilo que os atravessam e que é matéria das vidas que acontecem ali. Há uma dissimulação, um fingimento, um componente lúdico que precisa ser ativado para não acreditarmos além da conta nas verdades implantadas por interesses especulativos na realidade urbana. Incorporar “verdade” nessa realidade não deveria desconsiderar aquilo que emerge da sua linguagem lúdica, do momento de encantamento quando reconhecemo-nos passageiros-brincantes de um Chapéu Mexicano. O pensamento de Levebvre mais uma vez pode ajudar a pavimentar a relação que tentamos construir aqui, ilustrando que colocar a arte a serviço do urbano não significa adornar seus espaços com “obras” artísticas, mas que, por outro mecanismo, deixando a exclusividade do ornamento, representação e decoração, podemos torná-la “<em>praxis e poiesis” </em>em cada grandeza social, construindo “a arte de viver na cidade como obra de arte”. Nesse instante, quem sabe, somos capazes de capturar o descompasso das diferenças embalados pelas viagens no Chapéu Mexicano. De tantas voltas e tantas vistas, talvez possamos construir lugares conscientes de seu presente sempre em obras, e, portanto, sujeitos ao devir das coisas e situações, sejam elas a improvisada cobertura de cores e texturas que se instalam ao longo de uma rua , seja a paisagem do centro da cidade ocupada por comerciantes ambulantes e seus aparatos, sejam as gangorras na fronteira entre o México e os EUA&#8230;</p>



<p>NOTAS:</p>



<p>BAUDELAIRE, Charles. O pintor da vida moderna. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.</p>



<p>FARKAS, Solange; BOGOSSIAN, Gabriel&nbsp; (cur.). <strong>Akram Zaatari: </strong>Amanhã vai ficar tudo bem. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, 2016.</p>



<p>LEFEBVRE, Henry. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. &nbsp;</p>



<p>A CIDADE É PARA TODOS. SEMAUR INICIA OPERAÇÃO JUNTO AO COMÉRCIO AMBULANTE. Disponível em &lt;<a href="https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350">https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350</a>&gt; Acesso em: 23 de Jul.,2019.</p>



<p>ARQUITETOS INSTALAM GANGORRAS NA CERCA ENTRE EUA E MÉXICO. Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/30/arquiteto-instala-gangorras-na-cerca-entre-eua-e-mexico.ghtml&gt; Acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>OUTRA CIDADE É POSSÍVEL. Disponível em &lt;https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/26/cultura/1495812995_702019.html&gt;. acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>UBER ELEVATE. Disponível em:&lt;https://www.uber.com/br/pt-br/elevate/uberair/&gt;Acesso em: 12 de Ago.,2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>João Jacob</strong> é natural de juiz de fora, MG, com formação em Artes (Bacharelado Interdisciplinar em Arte e Design) pela UFJF. Atualmente faz parte do corpo discente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cultura e Linguagens IAD UFJF (Mestrado &#8211; Turma 2019).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3552a-julia-sa-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3413" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O “Leviatã” que não existe no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Se o mote de todo o debate que esse espaço de discussões vem tecendo, por meio de publicações semanais aqui na Trama_, é o quanto o Brasil vem se afastando dos conceitos basilares do Estado ocidental moderno, essas semanas mais fatos mostraram o tamanho da disparidade na balança que mede as liberdades individuais das quais o Estado é garantidor, e não ameaça.</p>



<p>Num baile funk em Paraisópolis, comunidade na periferia de São Paulo, uma ação abusiva da Polícia Militar (PM) provocou tumultuo incontrolável que resultou na morte de 18 jovens por pisoteamento, além de outros marcados por tiros com barras de borracha. Até agora não se sabe, ao certo, qual a razão para que tal ação fosse tomada pela PM, e possivelmente jamais o seja. Pouco dias antes, no domingo de comemoração da conquista do título da Copa Libertadores da América pelo Flamengo, outro tumultuo foi causado pela PM, dessa vez, felizmente, sem vítimas.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Se a figura do Estado foi um dia idealizada e lapidada no curso de 300 anos, e de séculos ou milênios, se for flexibilizado o conceito de sociedade organizada a todas as civilizações regidas por um poder central, fez-se assim para garantia de proteção ao ser humano antes os perigos do isolamento, seja pelas intempéries naturais, seja pelo próprio ser humano. Thomas Hobbes em sua obra magna, “O Leviatã”, faz a analogia entre o monstro bíblico e o poder de coerção do Estado, isto é, a força que ele tem de obrigar o cidadão a fazer o que ele rege, em determinadas circunstâncias que sirvam ao bem coletivo. Desta forma, para Hobbes, o Estado é um “mal necessário”, visto ser o bem a liberdade, que, no entanto, em toda a sua potencialidade gera distorções variadas na ordem social. “Uma pessoa é mais forte que a outra e lhe toma sua casa. Mais tarde, ainda que menos fortes que a primeira, outras duas pessoas associam-se e lhe tomam a casa novamente, e assim sucessivamente até que a lei do mais forte se estabeleça sempre na forma de controle autoritário e necessariamente instável, e nunca na forma de uma sociedade organizada para o bem comum”, é a síntese do argumento hobbesiano.</p>



<p>Portanto, em tudo que tange à ação de indivíduos livres sem dano a outrem, como já foi discutido em texto anterior sobre os princípios do liberalismo de John Stuart Mill aplicados à expressão da arte e da sexualidade, o Estado está alheio. Numa festa coletiva a céu aberto ou num baile funk na periferia, se não há ameaça à ordem social, não deve atuar a PM como braço coercitivo do Estado, e, se ameaça houver, tal ação deve exercer o mínimo de dano sobre indivíduos não envolvidos. Trocando em miúdos: se há homicídios e articulação de crimes em bairros da periferia, a solução não é bombardear o local e ceifar inocentes junto a criminosos, tal como não é solução para o terrorismo a destruição dos países árabes, etc. Se há focos de violência, tráfico e ocorrência assédio, corrupção de menores e estupro (se há) num baile funk, o que ocorre igualmente em festas da classe média branca, sem igual veemência do Estado, não deve a PM atuar de forma ostensiva de modo a, ela sim, ameaçar a ordem social.</p>



<p>Ocorre que no Brasil o tal Leviatã, tal como descrito por Hobbes, jamais existiu. O país nunca deixou, de fato, sua forma pré-moderna de se organizar de acordo com padrões similares aos do regime escravocrata que o fundou política e economicamente, adaptando as ferramentas de total submissão das camadas mais pobres e etnias mais oprimidas de nossa sociedade aos conceitos do tempo em que vivemos. O jovem negro assassinado na favela por usar dos meios que tem para usufruir dos bens de consumo que lhe são negados é o mesmo que, 200 anos atrás, era punido com a chibata ou a morte por tentar escapar do cativeiro. E sua forma de celebração, seja nas ruas por um clube e um esporte popular, seja numa festa privada, perseguida tal como foi o samba no seu nascedouro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A História que a História não conta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2019 12:42:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mangueira]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Tainá Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Explica essa História?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nesse vídeo, graduandos de História se propõem a analisar e comentar o desfile da escola de samba Estação Primeira de Mangueira de 2019. </p>



<p>Com um enredo que possui o título “História pra ninar gente grande”, a escola de samba leva para avenida uma crítica à história oficial do país, que ao longo de grande parte da sua trajetória, constrói narrativas que destacam heróis brancos e europeus, além de&nbsp; marginalizar agentes que não pertencem a este estereótipo.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, a partir de revisões historiográficas, a representação da escola coloca em cena o que seriam os verdadeiros heróis nacionais, como povos originários, negros escravizados e mulheres. Por outro lado, o enredo coloca em cheque figuras nacionais consolidadas, como políticos, barões escravagistas, lideres religiosos e agentes responsáveis por grandes feitos que constam na retórica oficial da história do país.&nbsp; Além disso, o samba provoca uma reflexão emblemática ao cantar “a<em> história que a história não conta</em>”, posicionando-se de forma crítica ao ofício do historiador.&nbsp;</p>



<p>Nesse contexto, os estudantes de História se colocam como comentaristas do desfile, se debruçando sobre as questões históricas abordadas, trazendo uma visão crítica acerca de elementos chave, com a finalidade de evidenciar contrapontos do discurso reproduzido pela escola de samba.</p>



<p>Assista abaixo!</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="A história que a História não conta? Explica essa História?" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/BaduHyjodUw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Explica essa História? </strong>é um canal criado por graduandos que buscam analisar onde e como a História aparece nos vídeos públicos, séries e filmes. A partir disso, refletir sobre qual narrativa chega e permeia o senso comum, e como existem diversas interpretações para um mesmo fato.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>d&#8217;A Juventude Transviada</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/01/dajuventude-transviada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lua Xavier</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pela madrugada os sons da cidade são bem peculiares, tal como uma gaita familiar vinda da natureza e mais uma vez; Helena, agora livre e diante de seu grande paradoxo travestido de guerra anti áries, escuta calmamente cada pio do gogó das aves. Ela sabe, bem lá no fundo de seus olhos da alma, que algo pode estar por vir&#8230; Teme e treme; afinal, o temor e o tremor são reações naturais de um corpo em contato com seu próprio interior: está, finalmente, exercendo seu legítimo cuidado &#8211; ainda que em meio a tropeços. Ao mesmo tempo que o bem-te-vi anuncia a vinda do Sol-escorpião, casada com a aparição avassaladora d&#8217;A estrela escondida pela melancolia, sua amiga Lua se deita no mar daqueles que deram o grito surdo dos miseráveis, e a legião estrangeira de estrelas azuis e pedrinhos nus nunca dorme. Helena escuta alguns pequenos decibéis da vida humana: eis o ponto de partida do mundo visível ao olho anti-nu; mas Helena foi condenada a ir fundo. Ela sente em seus poros a chama nêga costante e calma sob a chuva rala disfarçada de orvalho &#8211; ou até mesmo sereno. Escuta&#8230; Não mais &#8211; só mente &#8211; as vozes de galinhas e ovos macabéticos, mas as vibrações das ondas de um mundo moinho, onde uma semente plantada por um eterno gatilho sem disparar brota pela concepção a cada instante &#8211; e nela. A bala perdida em formato de soneto no mês de agosto insiste em fazer constante a presença da possibilidade de essência perante a existência. Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam e os que não querem enxergar&#8230; Ora, tanto faz&#8230; Se o que não foi, não é: e todos comem seu pão nosso de cada dia em formato de bolo enrolado, cantado aos quatro cantos seu despertar &#8211; disfarçados. Essa tal de Juventude Transviada, já cantada há tantos anos, está abrindo seus armários de pandora e enfrentando as tentações dionisíacas e imagéticas de todos os dias &#8211; em meio a fuga da semiótica vista como cruel, mas da vida: temem e tremem; emocionam; fraquejam e fortalezam; caem n&#8217;As tentações: são vivos: das pedras à carne, das folhas aos frutos, da seiva à flor &#8211; e disso, os floristas sabem. Nessa madrugada Helena não sentiu medo. Não há mais bueiro que lhe conforte de prisões, não há mais poço que lhe jure o infinito, não há mais palavra que lhe informe certezas: esta é a liberdade &#8211; o preço mais caro a se pagar. Tão livre que tem fé cega até no paradoxo íntimo feito entre quatro paredes. Diante dos grandes olhos, está a Juventude Transviada, num jogo semanal entre X e Cruz: Opostos que tentam confundir? Mas esta tal&#8230; Essa tal, que lava roupa todo dia &#8211; cheia de agonia &#8211; essa&#8230; Imprime seus sonhos na história, seja púrpura ou galega, prateada ou dourada, repleta de esquadros de balbúrdia arquitetada e algumas mumunhas de um passado de nostalgias e saudades que acabam por fazer do tal do amor, a revolução. E tudo isso fica no Mar, e também fica em minas.&nbsp;<br>E Helena? Helena permanece aqui na terra, vagando mundos &#8211; e sempre espera &#8211; enquanto enfrenta minotauros, faunos, esfinges imaginárias dentro dum elevador &#8211; que, como todo elevador se preze &#8211; vem munido do entra e sai de corpos e reflexos em seu espelho. E, ainda assim, de dentro de tal meio de transporte mais seguro e abafado do mundo, a sentença de Helena grita: o cheiro do vento invade seus cárceres nada privados e lhe sussurra&#8230;: &nbsp;&#8220;fé&#8221;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lua Xavier: </strong>vivo num clipe sem nexo, um Pierrot- retrocesso, meia bossa nova e rock&#8217;n&#8217;roll</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Loucura Resistirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/01/a-loucura-resistira/">A Loucura Resistirá</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A arte, bem como quaisquer formas de engenhosidade, incomoda aos que vivem de explorar o mediano dos seres humanos, visto que instiga e busca fazer com que encontrem a verdade por detrás dos muitos véus e máscaras que constituem a nossa sociedade.&nbsp;</p>



<p>Esta é a suma da obra “Memorial do Convento”, que lançou o escritor português José Saramago. A obra conta a história de Blimunda, uma mulher simples, dona de casa, órfã de pai desconhecido e mãe proscrita para Angola pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição; Baltazar, soldado português aleijado em combate contra a Espanha; e Bartolomeu, padre que tem o sonho de criar uma máquina capaz de voar. No início do século XVIII, no reinado de Dom João V e sob os olhares vigilantes da Igreja, ambos acompanham a construção de um convento dedicado ao nascimento do varão da Casa de Bragança, erguido sob mão de obra quase servil, com ouro explorado do Brasil por negros escravizados.&nbsp;</p>



<p>Blimunda tem o incrível dom de, sempre que em jejum, ver o que há por trás de corpos e mentes das pessoas, herdando a sobrenaturalidade da mãe, que ouvia vozes. Ela ajuda Bartolomeu a criar sua máquina voadora por meio do conhecimento do éter, substância obtida do melhor dos sentimentos humanos, os quais ela é capaz de enxergar e dar-lhes consistência por meio de pedras, amuletos, todo o tipo de superstições que deem demonstração do desejo e da vontade humana, sobretudo aquelas que encontram-se próximas à morte e anseiam pela vida. O éter assim obtido, segundo os planos do padre, vai erguer sua invenção aos céus. Baltazar, homem simples e raso, porém dedicado ao próximo, é o sustento dos dois. Entretanto, ambos despertam a fúria dos poderosos da sociedade portuguesa por se atreverem a enfrentar as leis de Deus e ousarem voar, atraindo olhares da Inquisição.</p>



<p>A obra de Saramago é uma crítica a uma sociedade que, não muito distante daquela em que vivemos, persegue e condena aqueles que ousam dissuadir da ordem vigente, não apenas por questionamentos morais e comportamentais, mas igualmente pela arte e pela inventividade. O que o autor aponta como a não aceitação social do conhecimento, da criatividade e da inventividade, foi objeto de questionamentos desde o nascimento da modernidade, quando o filósofo germânico Erasmo de Roterdã fez o seu Elogio da Loucura, afirmando que da não racionalidade pode nascer a imoralidade e a ameaça à ordem social, de um lado, mas pode igualmente emanar a crítica para o melhor conhecimento da sociedade, ao se poder enxergar o ser verdadeiro por trás das máscaras, tal como Blimunda.&nbsp;</p>



<p>“Suponhamos o caso de que alguém quisesse arrancar as máscaras dos atores que desempenham o seu papel num palco, revelando aos espectadores as suas verdadeiras e reais faces. Não estará essa pessoa estragando toda a ficção cênica, merecendo ser preso como louco furioso e expulso do teatro a pedradas? [..] quem era rei, torna-se de repente canalha; quem era deus, na mesma hora revela-se homúnculo. Cortar a ilusão significa mandar pelos ares todo o drama, pois precisamente o engano da ficção cênica é que encanta os olhos do espectador. [&#8230;] Assim, no palco, tudo é postiço, mas a comédia da vida não se desenvolve de outro modo”, argumentava Erasmo.&nbsp;</p>



<p>Derrubando máscaras sociais, sejam elas ontológicas, isto é, da relação do ser humano com o mundo e os outros seres, o que inclui a moral e o comportamento, ou cosmológicas, isto é, a concepção (neste caso, atravessada pela moral) que as pessoas têm das estruturas físicas e as leis que as regem, a vanguarda sempre incomoda. Ao mesmo tempo, no entanto, é necessária, e entre idas e vindas consegue se impor entre fluxos de avanços e refluxos de retrocessos sociais.</p>



<p>Hoje, a sociedade ergue-se contra a arte e a ciência tal como no romance de Saramago. Mas, como revela a crítica de Erasmo, elas subjazem a todas as ameaças, visto serem necessárias para questionar a organização social e, desta forma, fazê-la reexistir. No contexto da virada da Idade Média para a Renascença, Erasmo aponta que nos estertores da loucura pode estar o ódio e a soberba, mas também podem estar a fé e o amor. Isto é, do ser que foge ao mediano e atinge os mais sublimes degraus da loucura, nasce o que homens e mulheres medievais consideravam o pilar da humanidade.</p>



<p>E não estaria correto? Isto posto, e com a devido olhar que revisita um texto medieval, percebe-se o quão necessários são aqueles que manifestam sua subjetividade em amor à humanidade, não importa em que tempo e sob que juízos. Exaltados como Saramago ou no anonimato de Blimunda, Baltazar e Bartolomeu, eles resistirão.</p>



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<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Lado Feio do K-Pop</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carla Abreu</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Toda vez que surge um novo fenômeno adolescente na música e na indústria cultural, é de conhecimento comum que de alguma forma aquilo afetará os hábitos e&nbsp; dos fãs. O <em>kpop</em>, nascido nos anos 90, vindo de uma iniciativa do governo federal para impulsionar a cultura e turismo coreanos, recentemente teve seu <em>boom </em>internacional. O BTS ou bangtan sonyeodan na romanização do coreano, também conhecido como <em>bulletproof boys</em>, é a maior <em>boyband&nbsp;</em> da atualidade, deixando para trás <em>One Direction</em>, de 2010 e <em>Backstreet Boys</em>, dos anos 90.&nbsp;</p>



<p>As performances milimetricamente aperfeiçoadas, as maquiagens, as roupas, os vocais, tudo é pensado na mais detalhada perfeição. Para isso, os artistas fazem audições para entrar em empresas de entretenimento e treinam por anos para conseguirem estrear. Alguns, mesmo depois de se prepararem por tanto tempo e se afastarem de todas as pessoas que amam, veem o sonho ir embora e nunca conseguem fazer o seu <em>debut</em>.</p>



<p>Apesar do <em>kpop</em>, na visão dos fãs, trazer o melhor da Coreia do Sul para o mundo e também aumentar o turismo e o conhecimento cultural, ele também tem o poder de evidenciar o que as pessoas tem de pior: o ódio. A fama do gênero musical mostra o racismo e xenofobia do povo ocidental mas algumas vezes traz a tona também os preconceitos dos internautas coreanos. Os chamados <em>knetz&nbsp;</em> podem ser extremamente duros e ofensivos em seus comentários, isso afeta diretamente os artistas e, indiretamente, os fãs. Na maioria das vezes, as falas dos <em>knetz </em>não são sobre o trabalho dos artistas, e sim refletindo os padrões de beleza coreanos.</p>



<p>Os padrões de beleza do <em>kpop</em> trazem algo um pouco diferente dos padrões que são vistos na indústria musical americana ou europeia, prezando-se sempre muito pela delicadeza e, principalmente, pela magreza dos artistas. Esses padrões afetam homens e mulheres, mas as cantoras são mais atacadas quando fogem deles. Artistas já foram proibidas de estrearem ou se apresentarem por não se encaixarem numa faixa de peso específica, por exemplo.</p>



<p>O padrão base para os coreanos se constitui por: pele clara, olhos grandes e redondos, feições finas e delicadas. Isso se torna difícil quando se pensa que cada pessoa, mesmo com o biotipo de uma mesma etnia, é diferente. Além disso, os padrões de peso são extremamente restritos, e se comparados com o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), nada saudáveis. A tabela abaixo mostra os padrões coreanos de peso, para homens e mulheres:<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fae3a-foto-1-tabela-de-peso-ideal-coreana.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5386" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p><strong>Como os padrões de beleza afetam as artistas</strong></p>



<p>Mesmo sendo muito talentosas, algumas <em>idols </em>(termo que se refere aos artistas do <em>kpop</em>), sofreram &#8211; e sofrem &#8211; com os ataques sobre a sua aparência. A primeira edição do <em>reality </em>de sobrevivência, <em>“Produce 101” </em>da emissora <em>MNET</em>, deu a 11 garotas a chance de estrearem como um grupo temporário, o IOI. A participante Kang Mina, uma das ganhadoras, atualmente integrante do grupo Gugudan, foi vítima desses ataques. Tudo começou quando, em uma das primeiras apresentações de Mina, ela apareceu com um vestido sem mangas, que mostrava seus braços. Foram deixados uma enxurrada de comentários maldosos sobre o peso da menina, que na época tinha apenas 16 anos. O objetivo da performance era mostrar a fofura das participantes, o que, segundo os técnicos, Mina tinha de sobra.<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-2-Kang-Mina-performando-no-Produce-101.jpg?fit=970%2C546&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5388" /></figure></div>



<p>Depois que a cantora viu sua própria performance e os comentários, tomou decisões drásticas para perder peso. Mina passou bastante tempo sem usar nenhuma roupa que mostrasse os braços e parou de comer, totalmente, sobrevivendo apenas com água gaseificada. Nessa época, Mina passou a pesar apenas 42 quilos. Quando estava no grupo IOI, mesmo visivelmente mais magra, ainda recebia <em>hate</em> constante. Em suas promoções com o grupo temporário, mantinha um peso saudável, mas era chamada de gorda.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/abd1e-foto-3-kang-mina-performando-com-o-ioi.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5389" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Quando debutou em seu grupo atual, Gugudan, ela ainda recebia muitos comentários maldosos. Ela tinha perdido muito peso, e os <em>knetz</em> falavam que ela havia perdido o seu charme, seu <em>aegyo</em> (palavra coreana para fofura). Na época de lançamento da música <em>Ice Chu</em>, da subunidade OGUOGU Gugudan, os fãs ficaram muito preocupados com a magreza da menina. Apesar disso, ela recebeu muitos comentários maldosos por ter emagrecido. Os <em>knetz</em> pareciam nunca ficarem satisfeitos com a aparência de Mina.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-5-Kang-Mina-em-2018.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5391" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5391" class="wp-image-5391" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br> <br> Era The Boots </figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-4-Kang-Mina-performando-Ice-Chu.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5392" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5392" class="wp-image-5392" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br>ra Ice Chu </figcaption></figure></li></ul></figure>



<p>Atualmente, Mina recebe menos comentários sobre sua aparência. Ela parece mais saudável. Mas ela não é a única que sofreu com esses comentários. A cantora principal e líder do grupo <em>TWICE</em>, Park Jihyo, sofre desde antes do debut do grupo até hoje, sobre seu peso, suas roupas, suas atitudes, e mais recentemente, sobre o seu relacionamento com o <em>idol</em> Kang Daniel. As cantoras Sulli (F(x)) e Goo Hara (KARA) que faleceram em 2019, ambas por suicídio, foram, por muito tempo vítimas do <em>cyberbullying</em> constante. Elas falavam sobre como aquilo era prejudicial a elas e a quem escrevia. Quem comentava nunca estava satisfeito, quando a cantora usa de seus charmes para ser fofa, é atacada, quando usa para ser sexy, também é atacada e, às vezes, assediada. Assim como Jimin Park, cantora solo, que depois de postar uma foto em seu Instagram, teve que pedir para que parassem de assediá-la.</p>



<p><strong>Mas o que o Brasil tem a ver com isso?<br></strong>O Brasil, assim como vários outros países, vem acompanhando o crescimento do <em>kpop</em> e o número de fãs tem crescido cada vez mais. Os <em>kpoppers</em> se espelham na força de vontade e trabalho duro de seus <em>idols</em>. Por isso, é normal que se espelhem também na aparência inalcançável dos mesmos. São artistas que treinam, às vezes, mais de 10 horas diárias, comem pouco e aguentam muitos comentários para conseguir fazer seus fãs felizes. Esses fãs devem tomar cuidado e ver que eles não devem querer ser iguais aos ídolos, pois nem eles se beneficiam do modo de vida que vivem.</p>



<p>Mas não é só isso. A cultura do <em>cyberbullying</em> está muito presente na vida dos adolescentes brasileiros. Tanto do lado dos que fazem os comentários ofensivos quanto dos que recebem. O Brasil é o 2° país que mais comete o <em>cyberbullying</em>. Quando o assunto é <em>kpop&nbsp;</em> muitos brasileiros ainda não estão acostumados com a moda ou simplesmente não gostam. Por isso, existem muitos comentários maldosos contra os artistas e até contra os fãs, algo que não deve ser considerado natural. Os padrões de beleza brasileiros são diferentes dos coreano, apesar de ambos se espelharem nos padrões arianos. Muitas vezes, podem ser encontrados comentários xenofóbicos e racistas contra os artistas coreanos na internet. Apesar da diversidade do povo brasileiro, as pessoas ainda veem os povos não brancos (negros, asiáticos, indígenas) como diferentes. O Twitter virou ponto especial de discussão entre quem gosta e quem não gosta do <em>kpop</em>. Lá muitos comentários são levados como brincadeiras, mas muitos são ofensivos e se comparam aos dos <em>knetz</em>.</p>



<p>Muitos fãs brasileiros usam roupas, maquiagens e aprendem as coreografias de <em>kpop</em>. É normal que se comparem aos seus ídolos coreanos, mesmo que vivam vidas diferentes, com biotipos diferentes e culturas diferentes. Os <em>kpoppers&nbsp;</em> brasileiros estão do outro lado do mundo em relação a Coreia do Sul, e não deixam o sonho de serem mais próximos de seus <em>idols</em> para trás. A boa lição do <em>kpop</em> é não desistir de realizá-los, a má é “A que preço?”.<br></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carla</strong> <strong>Abreu</strong> é aspirante à jornalista apaixonada por contar histórias, seja em palavras ou em fotografia. Eu amo música, séries e problematizo tudo, até o que eu gosto. Tentando viver fora da bolha e fora da caixa.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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