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	<title>Arquivos Ano 003, N 082 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Como denominar pessoas ruins (a partir de &#8216;Grande Sertão: Veredas&#8217;)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão: Veredas]]></category>
		<category><![CDATA[O mal nos tempos atuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Grande Sertão: Veredas é uma das mais famosas e importantes obras de nossa literatura nacional. Desde sua publicação, o livro teve inúmeras interpretações &#8211; tanto por ser narrado em estrutura linguística muito peculiar, quanto por abordar as mais diversas questões da existência humana.</p>



<p>Um dos aspectos que mais se destaca é a relação do personagem principal, o gigante Riobaldo Tatarana (o Urutu Branco), com Deus e com o Diabo. Ao narrar sua história no Sertão, por diversas vezes, a existência do Diabo é questionada; porém, ao mesmo tempo, ele é caracterizado, sendo, portanto, vazio de existência, mas existente em certa medida.</p>



<p>Fato é que Guimarães Rosa evidencia como os habitantes do sertão nordestino viviam intensamente esse maniqueísmo de “Bem <em>versus</em> Mal”. Especificamente no caso do Mal, a mitologia regional era traçada por um forte temor ao Diabo, acreditando-se, inclusive, que, se o citassem, ele apareceria e passaria a infernizar a vida de quem o chamasse. Assim, o melhor artifício era dar à figura do Mal uma imensa variedade de denominações, pois essa seria a forma mais fácil de ludibriá-lo.</p>



<p>Coincidentemente ou não, nos tempos sombrios que estamos vivendo desde a expansão geográfica da pandemia do Coronavírus, diversas pessoas &#8211; dos mais distintos cargos, escalões, classes e afins &#8211; estão se mostrando essencialmente ruins. No sentido mais puro, esses indivíduos malvados, abomináveis, detestáveis, impiedosos, sanguinários, facínoras e cruéis, poderiam ser considerados a materialização daquilo que, para a literatura Roseana, seria o Mal.</p>



<p>Maior coincidência é que nos vemos igualmente receosos &#8211; e até mesmo cerceados &#8211; de denunciar e denominar essas pessoas. Mas, ainda assim, nos é necessário falar, gritar, insultar e reclamar desses indivíduos e de suas atitudes, até porque esse movimento catártico de raiva e dor é uma das únicas formas de expressão que nos resta dentro desse isolamento tão penoso.</p>



<p>Portanto, o objetivo desse texto é justamente compilar alguns dos nomes dados ao Mal em Grande Sertão: Veredas para que tenhamos opções suficientes para alcunhar nossos demônios. Aqui estão eles:</p>



<p>Anhangão; Anjo- Caído; Apôrro; Aquele; O Arrenegado; O Austero; O Azarape; O Azinhavre; Barzabu; O Bode-Preto; O Cafofo; O Canho; Canhoto; Cão; O Cão-Extremo; O Cão-Miúdo; Capeta; Capiroto; Caracães; Careca; O Carocho; O Coisa-Má; O Coisa-Ruim; O Coxo; O Cramulhão; O Crespo; O Cujo; O Dado; O Danado; O Danador; Das Trevas; O Dê; Deamar; Deamo; O Debo; O Demo; O Demônio-rabudo; O Demonião; O Diá; Diabo; Dianho; Dião; Diogo; Dioguim; O Dos-Fins; O Drão; O Duba-Dubá; O Ele; O Faca-Fria; O Facho-Bode; O Ferrabrás; O Figura; O Galhardo; O Grão-Tinhoso; O Hermógenes; O Homem; O Indivíduo; Lúcifer; O Mal-Encarado; Maligno; Malino; O Manfarri; O Manfarro; Mafarro; O Miúdo Satanazim; O Morcegão; O Muito Sério; Muitos Beiços; O Não-Sei-Que-Diga; O Ocultador; O Oculto; O Outro; O Pai Da Mentira; O Pai Do Mal; O Para Sempre; O Pé-De-Pato; O Pé-Preto; O Que Azeda; O Que-Diga; O Que-Não-Existe; O Que-Não-Fala; O Que-Não-Ri; O Que-Nunca-Se-Ri; O Que Rança; O Rapaz; O Rasga Embaixo; O Rei Diabo; Rincha Mãe; Sangue-D’Outro; Satanás; Santanazim; O Sem-Gracejo; O Sem-Olho; O Sempre Sério; Senhor -Das &#8211; Trevas; O Severo Mor; Solto-Eu; O Solto-Fu; O Sujo; O Tal; O Temba; O Tendeiro; O Tentador; Tibes; O Tinhoso; O Tisnado; O Torto; Tranjão; O Tristonho; O Tunes; e O Xu.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-right"><em>“O que não é Deus, é estado do demônio.</em><br><em>Deus existe mesmo quando não há.</em><br><em>Mas o demônio não precisa de existir para haver –</em><br><em>a gente sabendo que ele não existe,</em><br><em>aí é que ele toma conta de tudo.”</em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="709" height="709" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=709%2C709&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13636 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?w=709&amp;ssl=1 709w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5cf1c-deborah-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>D</strong><strong style="font-weight:bold">éborah Silva </strong>é advogada, especialista em Direito Constitucional e pós graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global.</p>
</div></div>



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		<title>O AVESSO DO LUTO: EXCURSOS PANDÊMICOS</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/14/o-avesso-do-luto-excursos-pandemicos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19 Trauma Civilizacional]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Kübler-Ross]]></category>
		<category><![CDATA[estágios do luto]]></category>
		<category><![CDATA[Judith Butler]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[recusa do luto]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade ética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>A melancolia é o repúdio ao luto</em><br>&#8211; <em>Judith Butler</em></p>



<p>Há de se refletir sobre a volta que o Brasil deu até chegar (ou retornar) ao marco zero de enfrentamento à pandemia após quase um ano de sua eclosão. Se esquivar da análise do que foi e está sendo o real da pandemia ainda é plenamente justificável quando entendemos que acontecimentos desta dimensão escapam à capacidade de elaboração histórica imediata &#8211; se trata de um <em>trauma </em>civilizacional que só compreenderemos daqui a algum tempo (retroativamente). Do ponto de vista político e social, no entanto, não há recuos possíveis: há uma forçosa <em>urgência </em>quando a câmara de gás a céu aberto chamada Brasil atinge a marca de pouco mais de <strong>uma morte por minuto</strong>, ou mais de <strong>dez mil mortes em uma única semana</strong>. Não acredito que já tenhamos passado por tudo o que poderíamos; a crise de gestão não nos permite dizer o contrário. Mas creio que algo pode ser <em>semi-dito.</em></p>



<p>Podemos falar do <em>luto </em>e da perda como dinâmicas próprias a contextos de morte generalizada como esse, ainda que fatores específicos surjam como supressão dessas experiências que, por definição, são subjetivas e dizem respeito ao laço social que nos funda. Contudo, proponho que façamos um excurso pelo avesso do sentimento de luto, i. e., pensar se a recusa consciente do <strong>luto </strong>também consiste em obedecer a alguns padrões semelhantes, como no caso de uma perda inconsciente (melancolia). Aqui, isso implica pensá-lo criticamente sob sua modalização ideológica, tentando perceber como (e se) certo tipo de consciência nacional frente ao vírus passou por um processo idêntico, sob a hipótese de que a experiência de perda provocada pela pandemia tenha decomposto versões ruins face ao mesmo fenômeno.</p>



<p>Tomemos, pois, o modelo da psiquiatra Elizabeth Kübler-Ross que delineia um processo de cinco estágios da confrontação com a perda (ex. quando recebemos a notícia de uma doença terminal ou da morte de um ente próximo): (1) <em>negação</em> (“isso não pode estar acontecendo comigo”); (2) <em>raiva </em>(“por que isso está acontecendo comigo?”); (3) <em>barganha </em>(“se pelo menos puder ver meu filho casar, não pedirei mais nada”); (4) <em>depressão </em>(“já estou morrendo mesmo, nada posso fazer”); (5) <em>aceitação</em>. O esquema de Kübler-Ross já foi redescrito por outros profissionais e também relativizado em razão de que não é necessária a passagem por todos os estágios nem na mesma sequência; mas usar desse modelo pode auxiliar na visualização de algumas incorrências tácitas do <em>apocalipse</em>.</p>



<p><strong>Negação</strong> ou: <em>“é só uma gripezinha”</em></p>



<p>Esse primeiro momento é extremamente ideológico e mágico, pois o sujeito se recusa a aceitar os fatos. Os esforços em produzir narrativas que obliterassem o sofrimento e a vulnerabilidade dos corpos, bem como a dimensão real (e <em>Real</em>) do vírus, acabou por <em>viralizar </em>toda espécie de xenofobia, desinformação, descaso social e paranoias conspiratórias, onde o próprio status da pandemia era duvidado. Não é à toa que os recursos mítico-religiosos ganharam forte adesão social¹.</p>



<p><strong>Raiva </strong>ou: <em>“e daí?”</em></p>



<p>Quando não é mais possível negar diretamente a realidade, a reação inflama e cede a um sentimento mais aflorado de <em>revolta</em>. Aqui é onde a crueldade se mostrou mais explícita e a mortalidade foi tomada como inerente à salvação do mercado². O <strong><em>gozo </em></strong>com a morte do outro veio à tona revelando o desdém próprio do poder soberano. Fazer morrer e deixar viver &#8211; eis a <em>necropolítica</em>.</p>



<p><strong>Barganha </strong>ou: <em>“tem medo do quê? Enfrenta!”</em></p>



<p>Aqui é quando o sujeito precisa propor algo sob a forma de uma negociação, na tentativa de minimizar o caos e suprir com alguns objetos parciais os buracos que ficam impossíveis de encobrir. Cloroquina e ivermectina foram as marcas da propaganda e do investimento. A negação científica foi estetizada.</p>



<p><strong>Depressão </strong>ou: <em>“eu não consigo fazer nada”</em></p>



<p>A formulação lacaniana de que o afeto depressivo resultaria de uma covardia moral (<em>lâcheté morale</em>) foi anunciado em sua versão cínica: não só a gravidade e as mortes pelo coronavírus foram normalizadas, mas até mesmo as possibilidades de contenção perderam sua tensão necessária. Resta admitir a incompetência e se afundar na mornidão &#8211; que é a mesma coisa que entregar à morte.</p>



<p><strong>Aceitação </strong>ou: <em>“para a mídia, o vírus sou eu”</em></p>



<p>Esse ponto necessitaria um recuo. Geralmente a aceitação faz parte da simbolização da perda ou da retomada de uma atitude que reconstrua nosso campo de possibilidades, o que não parece possível aplicar ao nosso objeto de análise.</p>



<p>Creio, junto com Judith Butler³, que o luto signifique concordar em passar por uma transformação que destitua nosso antigo sistema de afetos. Aceitar o luto é assumir nossa dependência mútua, a responsabilidade ética incondicional que nos constitui. Talvez esse seja nosso desafio imediato.</p>



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<p>REFERÊNCIAS</p>



<p>¹Ver mais em: DOS ANJOS, F. &amp; MOURA, J. L. <em>Contágio Infernal: o apocalipse bolsonarista-evangélico. </em>Editora Recriar (2020).</p>



<p>²Para uma leitura sobre a relação entre o pacto social neoliberal brasileiro e a desumanização, ver SILVA JUNIOR, N. <em>O Brasil da barbárie à desumanização neoliberal: do “Pacto Edípico e pacto social”, de Hélio Pellegrino, ao “E daí?”, de Jair Bolsonaro </em>(2021) In: Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico (org. SAFATLE; SILVA JUNIOR; DUNKER).</p>



<p>³BUTLER, J. Vida precária: os poderes do luto e da violência (2019).</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9d309-micael-correia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14286 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Micael Correia&nbsp;</strong></strong></strong>tem 22 anos e é um escritor não-autorizado. Faz graduação em Psicologia e nutre interesse por Psicanálise, Cultura e Religião.</p>
</div></div>



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		<title>Sobre Janelas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Janelas]]></category>
		<category><![CDATA[Restauro]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem disse que janelas e portas nos ensinam a enxergar sempre um universo recortado e enquadrado?</p>



<p>Alberto Caeiro, um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa, dizia: &#8220;Da minha aldeia vejo o quanto da terra se pode ver do universo&#8230;&#8221;; pois eu diria que, da minha janela, vejo muitas dimensões do universo. Dimensões que atravessam espaços e tempos&#8230;</p>



<p>As janelas e as portas, com seu encanto e magia, ao conectarem memórias minhas, dos outros, de agora e de outrora, não restringem minha percepção do mundo à simples dicotomia &#8220;dentro e fora&#8221;.</p>



<p>São janelas e portas centenárias, intertemporais, feitas por desconhecidas mãos de outra geração. Seu azul conecta terra e céu, finito e infinito, presente, passado e futuro, amor e gratidão, fantasia e realidade. Quantas mãos já nelas tocaram? Quantas sensações já nelas experimentaram? Quantos horizontes já nelas espreitaram? Quantos amores já nelas esperaram?</p>



<p>Através delas, enxergo o mundo com olhos de sonhador, sem me aprisionar na faceta opressora da saudade e da nostalgia. Aumentar suas expectativas de vida através da restauração não é um desejo materialista fútil, muito menos um compromisso com o passado; mas um alento e um bálsamo pra minh&#8217;alma e as de todos que sofrem com as nebulosas nuvens de sombrios tempos presentes. Através delas, preservo minha capacidade de imaginar o mundo além das montanhas, do silêncio da solidão ou das tagarelices de uma sociedade sequelada pela overdose das janelas virtuais. Através delas, das janelas materiais, físicas, cultivo a arte da espera; enquanto o mundo, frenético, acelerado, espera de mim a corrida contra um tempo irrecuperável. Janelas&#8230; Já nelas eternizei numerosas paisagens e cenas do cotidiano. Seus contornos, como molduras de uma tela, conferem beleza a qualquer cena banal. Nelas, enxergo um mundo em constante transformação, mas com ritmo mais dinâmico que a dureza do pincel e menos extasiante que as telas da TV, do computador e do celular. Sobre estas janelas, me debruço como uma costureira sem pressa, que costura os tempos e alinhava as memórias. De pedaço em pedaço, um dia, quem sabe, cubro-me com essa grande colcha de retalhos&#8230;</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
</div></div>



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		<title>Desnaturalização da(s) (a)sexualidade(s): reflexões sobre a “naturalidade” da monogamia nos tempos atuais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[moralismo judaico-cristão]]></category>
		<category><![CDATA[Não Monogamia]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade monogamica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciana Rodrigues</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Sexo e (a)sexualidade(s) também são culturais&#8221;</p>



<p>A proposição dessa frase pode causar muito estranhamento para algumas pessoas. Afinal, compreender que isso não é “natural” ou “biológico” pode ter avançado em alguns pontos, mas ainda precisamos caminhar para a desnaturalização de outros.</p>



<p>Exemplo disso é que, atualmente, é muito mais fácil compreender uma questão que, desde sempre, deveria ser óbvia: a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade não são patologias passíveis de tratamento (ainda que a retirada desses termos dos manuais de saúde mental seja recente). Mas, e as outras letras que compõem o acrônimo LGBTQIAP+? Intersexo, Queer, Assexuais, Pansexuais, entre tantos outros, ainda lutam para que sejam reconhecidos de forma naturalizada e, também, garantam maior visibilidade.</p>



<p>Outros pontos que interferem em nossas visões sobre sexo e (a)sexualidade(s) também são culturais – muito mais do que imaginamos. Por exemplo: ainda estamos começando nos questionamentos da naturalização da monogamia como única forma possível de relacionamento. Isso causou um estranhamento para você? Pois é. A monogamia diz muito mais sobre relações de poder e sobre projetos de sociedade do que, essencialmente, da biologia.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O surgimento da monogamia</h4>



<p>As forças que atuam sobre a permanência da monogamia no imaginário social são fortes. Um dos primeiros esforços para &#8220;naturalizá-la&#8221; veio com a sugestão de que nós somos uma espécie &#8220;frágil&#8221;: precisamos de cuidados por muitos anos da vida e, por isso, demandamos cuidados parentais por mais de uma década. O que, ok, faz sentido. Somos uma das poucas espécies animais que precisam acompanhar o “filhote” além do desmame para que possam sobreviver.</p>



<p>Diante disso, vale mencionar que nós, seres humanos, não somos apenas seres biológicos, e sim biopsicossociais; portanto, os elementos culturais também interferem nisso. Por exemplo, por que optamos por um modelo monogâmico parental estrito e não por uma cultura coletiva, na qual a comunidade seria responsável por esse processo de formação dos indivíduos? As estruturas sociais aparecem, aqui, como uma resposta para essa questão.</p>



<p>Fato é: muitos teóricos ao longo da história abordam como a monogamia surgiu junto com o conceito de família e, consequentemente, de propriedade. Etimologicamente, o termo surge do latim, do termo <em>famulus</em>, que significa o &#8220;conjunto de propriedades de alguém&#8221; – incluindo aí escravos, criados, servos e parentes. Segundo Engels, a estrutura familiar, tal como concebemos hoje, nasceria junto com a concepção de “bens privados”, para garantir a sua transmissão para herdeiros legítimos.</p>



<p>Daí temos o surgimento do patriarcado (o homem como cerne da família e no predomínio do poder), do controle sobre os corpos femininos (para que não existissem dúvidas sobre a paternidade, evitando herdeiros ilegítimos e transformando as próprias mulheres em posses nessa estrutura) e, por fim, da monogamia instituída como estrutura que sustentará esse sistema &#8211; sendo corroborada, ainda, pela nossa moralidade ocidental, com bases judaico-cristãs (a qual também legitimará, por meio do puritanismo, uma sociedade heteronormativa).</p>



<h4 class="wp-block-heading">A não-monogamia como alternativa política</h4>



<p>A não-monogamia, assim, ganha fôlego nos últimos anos não só por mostrar, em um contexto micro, que outras formas de se relacionar em nossa sociedade ocidental contemporânea são possíveis, buscando a liberdade de relacionar-se de acordo com o formato que lhe é desejável. Essa discussão é, também, política. E cultural.</p>



<p>Segundo o atlas etnográfico produzido pelo pesquisador George Murdock, temos mais de 800 sociedades diferentes em todo o mundo (para além da ocidental tradicional na qual estamos inseridos), e 80% delas possuem uma estrutura não-monogâmica (sejam elas <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Poliginia">poligínicas</a> ou <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Poliandria">poliândricas</a>). Acreditar que a monogamia surge apenas como um fator biológico é, assim, uma ingenuidade; afinal, tantas outras sociedades sobreviveram para além dessa estrutura, garantindo a sobrevivência da prole e daquele grupo social como um todo.</p>



<p>Então, trazer para o debate público que outras formas de relação são possíveis é, também, questionar a hegemonia vigente que baseia tantas outras estruturas nocivas socialmente, como o patriarcado. Não é à toa, por exemplo, que o conceito de “anarquia relacional” é um dos temas discutidos como uma das possibilidades (não a única) de se relacionar na não-monogamia: é a união de relações afetivo-românticas e afetivo-sexuais com um conceito político subversivo em essência, que visa estabelecer horizontalidades em todas as relações; parentes, amigos, colegas, parceiros, então, teriam o mesmo grau de importância, não sendo hierarquizados.</p>



<p>Assim, é importante entendermos: a monogamia não existe porque era a única forma (ou, ainda, como outros colocam, a melhor forma) de sobrevivência da espécie. Era uma das possibilidades e ganhou fôlego por questões culturais, sociais e econômicas que estão na raiz do seu surgimento. A naturalização promovida não é à toa. Ela sustenta uma estrutura social que é tão rígida, que temos dificuldade de subvertê-la completamente ainda.</p>



<p>Neste artigo, a ideia não é criar um antagonismo entre monogamia e não monogamia na esfera micro; o que quero dizer é: cada um que preserve seus interesses e se relacione como for mais confortável em suas vidas pessoais. A ideia é, sim, propor uma reflexão sobre a forma como nos relacionamos e sobre o quão difícil é para quem deseja viver sua liberdade afetivo-romântica e/ou afetivo-sexual de outras formas, quando há forças externas potentes atuando sobre seus modos de se relacionar todo o tempo. E pensarmos, também, no quanto, sexualidade e sexo não são apenas naturais e na influência das forças culturais e sociais agindo sobre isso, todo o tempo. Entendermos que nossas sexualidades são disputadas politicamente todos os dias, pelos mais diferentes motivos.</p>



<p>Desnaturalizar a(s) (a)sexualidade(s) (no sentido de relegarmos esse debate à esfera apenas biológica) é preciso, para podermos ter uma visão mais abrangente de algo tão intrínseco à nossa identidade e com tantas implicações para a existência de tantas pessoas em nossa sociedade.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bde16-luciana-rodrigues.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13815 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciana Rodrigues </strong></strong>é doutoranda em Ciências Humanas e Sociais e defensora de uma educação sexual consistente e responsável. Idealizadora do projeto Hacking Sex (<a href="https://hackingsex.medium.com">Medium</a> e <a href="https://www.instagram.com/hackingsex/">Instagram</a>).</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] 2021 e eu ainda preciso te convencer que arte é Arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia da arte]]></category>
		<category><![CDATA[história da arte]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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<p>No episódio de hoje do nosso podcast o Fred trouxe um reflexão sobre a estrutura de pensamento do senso comum sobre o que é ou deveria ser arte. A partir de um apanhado de exemplos simples de entendimentos sobre a arte, esse episódio é um piloto para uma nova jornada de programas aqui nos podcasts da Bodoque!</p>



<p>Então já sabe! Coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



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<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div><figcaption><em>Texto, apresentação e edição: Frederico Lopes</em></figcaption></figure>



<p>Ou por aqui mesmo!</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a45d1-2021-arte.wav"></audio><figcaption><em>Texto, apresentação e edição: Frederico Lopes</em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>Dos coletivos de base às casas legislativas, as mulheres trans lideram a defesa dos direitos humanos na pandemia</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/14/dos-coletivos-de-base-as-casas-legislativas-as-mulheres-trans-lideram-a-defesa-dos-direitos-humanos-na-pandemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Trans]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“Defender direitos humanos é sobreviver. Se não fosse o trabalho dos movimentos sociais hoje no Brasil, não teríamos mecanismos eficientes para sobrevivência do povo, sobretudo das mulheres pretas”.&nbsp;A frase da coordenadora do Centro de Formação do(a) Negro(a) da Transamazônica e Xingu (CFNTX),&nbsp;Dandara Rudsan, resume a importância da atuação das defensoras de direitos humanos no último ano, desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-19, em 11 de março de 2020.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>De lá pra cá, a crise econômica e social vem aprofundando desigualdades históricas e impondo novos desafios para a atuação das defensoras.&nbsp;Com o apoio do projeto &#8220;Conectando Mulheres, Defendendo Direitos&#8221;, iniciativa da ONU Mulheres apoiada pela União Europeia, o CFNTX vem fortalecendo atividades através de uma rede de ativismo digital que tem sido fundamental em tempos pandêmicos para levar informação segura aos territórios da região, sobretudo os mais remotos.&nbsp;</em></p>



<div style="height:33px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>“<a href="https://www.onumulheres.org.br/noticias/dos-coletivos-de-base-as-casas-legislativas-as-mulheres-trans-lideram-a-defesa-dos-direitos-humanos-na-pandemia-covid-19/">Defender direitos humanos é sobreviver</a>. Se não fosse o trabalho dos movimentos sociais hoje no Brasil, não teríamos mecanismos eficientes para sobrevivência do povo, sobretudo das mulheres pretas”.&nbsp;A frase da coordenadora do Centro de Formação do(a) Negro(a) da Transamazônica e Xingu (CFNTX),&nbsp;Dandara Rudsan, resume a importância da atuação das defensoras de direitos humanos no último ano, desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-19, em 11 de março de 2020.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>De lá pra cá, a crise econômica e social vem aprofundando desigualdades históricas e impondo novos desafios para a atuação das defensoras. Para a coordenadora do CFNTX, a pandemia&nbsp;aprofundou desigualdades: “Em nosso território, a pandemia agravou uma crise que a gente já vivia: desemprego, pressão populacional sobre os territórios e dificuldade de acesso à saúde”.&nbsp;A solução foi adaptar ferramentas de luta, sobretudo de comunicação, e fortalecer a conexão entre as lideranças locais para garantir que o distanciamento não se transformasse em desmobilização.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com o apoio do projeto&nbsp;<a href="https://www.onumulheres.org.br/defensorasdedireitoshumanos/#:~:text=%E2%80%9CConectando%20Mulheres%2C%20Defendendo%20Direitos%E2%80%9D%2C%20um%20projeto%20de%2040,preven%C3%A7%C3%A3o%20e%20resposta%20a%20viola%C3%A7%C3%B5es">Conectando Mulheres, Defendendo Direitos, iniciativa da ONU Mulheres apoiada pela União Europeia</a>, o CFNTX vem fortalecendo atividades da Zarabatana Info, uma rede de ativismo digital que tem sido fundamental em tempos pandêmicos para levar informação segura aos territórios da região, sobretudo os mais remotos: “Estamos produzindo uma cartilha sobre a importância de seguir as recomendações da OMS até o fim da pandemia, especialmente porque as notícias falsas assolam bastante as comunidades mais isoladas”. Para garantir que a informação seja acessível para o maior número de pessoas possível, os materiais digitais também são reproduzidos em cartilhas impressas, outdoors e faixas, por exemplo.&nbsp;</p>



<p>Por trás das estratégias de comunicação, uma articulação profunda das defensoras que se espalham por toda a Transamazônica e o Xingu vem sendo fortalecida: “O objetivo é reconectar lideranças e fortalecer instrumentos para a defesa da terra e do território na pandemia”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O projeto apoiado pela ONU Mulheres já possibilitou a conexão com lideranças de&nbsp;oito&nbsp;municípios e&nbsp;três&nbsp;comunidades quilombolas e ribeirinhas. O próximo passo é chegar a mais territórios e, a partir daí, realizar oficinas, como a expansão do curso de Promotoras Legais Populares. A proposta é que essa metodologia seja replicada com foco nos contextos de pós-pandemia, “para ouvir e aconselhar companheiras que têm seus direitos violados – direitos trabalhistas, previdenciários, as que sofrem violência de gênero, doméstica e familiar”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Apesar do impacto da atuação política de Dandara, são muitas as barreiras para que mulheres, sobretudo as mulheres negras, exerçam liderança nos espaços de decisão. No caso específico das mulheres trans, &#8220;as pessoas acham que LGBTs só atuam em pautas LGBTs, como na pauta do nome social, mas é importante romper com esses padrões em defesa da nossa própria vida. Quando não imaginamos travestis na transamazônica, na zona rural, na defesa da agricultura familiar, fica muito fácil para a sociedade desaparecer com nossos corpos. Estamos caminhando para o 13º ano como país que mais mata travestis – imagina se fossem contabilizadas as travestis de onde eu vivo, na transamazônica? É mais do que fugir das caixinhas, é uma questão de sobrevivência&#8221;.&nbsp;</p>



<p>As dificuldades impostas à atuação de lideranças mulheres nos espaços de decisão, sobretudo durante a pandemia da COVID-19, também afetam as que ocupam espaços institucionais.&nbsp;<a href="https://www.onumulheres.org.br/noticias/onu-mulheres-lanca-campanha-de-enfrentamento-a-violencia-contra-as-mulheres-nas-eleicoes/">A ONU&nbsp;tem&nbsp;preocupação</a>&nbsp;com&nbsp;o aumento&nbsp;internacional&nbsp;da violência política,&nbsp;junto ao agravamento do discurso de ódio e da reação contra os direitos das mulheres&nbsp;por ser&nbsp;uma violação grave dos direitos humanos; ao mesmo tempo manifestação e causa das desigualdades&nbsp;entre homens e mulheres.&nbsp;</p>



<p>Apesar das eleições&nbsp;locais&nbsp;de 2020 terem acontecido em meio à pandemia, foram eleitas quatro vezes mais pessoas transexuais e travestis do que nas eleições anteriores, em 2016,&nbsp;<a href="https://antrabrasil.org/2020/11/16/candidaturas-trans-eleitas-em-2020/">segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)</a>. Benny Briolly, vereadora eleita pelo PSOL em Niterói, no Rio de Janeiro, é a primeira mulher trans a ocupar o cargo na cidade. Apesar da crise econômica e social que o país vive, “é um momento em que a representatividade é uma reposta à histórica luta política das mulheres negras”.&nbsp;</p>



<p>Para Benny, a violência sofrida por quem defende direitos humanos não acaba quando as defensoras passam a ocupar cargos públicos: “A institucionalidade é um obstáculo em si, há muitas barreiras para o corpo de uma mulher preta, favelada e trans; desde chegar e estacionar o carro dentro da Câmara Municipal, até protocolar um projeto de lei e fazer uma fala no plenário. Algumas pessoas acham que se tornar parlamentar traz privilégios, mas não: aumentam as possíveis violências físicas e emocionais”.&nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<p>Apesar das dificuldades, a institucionalidade traz outras possibilidades de ação para as defensoras de direitos humanos. Benny, que começou como ativista ainda na universidade, destaca a capacidade de “poder legislar, de ter um passe mais amplo para dialogar com quem decide a vida do povo, conseguir se fazer presente em alguns processos. Mediar políticas urgentes para o povo faz uma diferença muito grande: é a institucionalidade que decide se as pessoas vão comer ou não, se vão ter casa ou não. Estar nesse espaço faz uma diferença concreta”.&nbsp;</p>



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<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/115802-dos-coletivos-de-base-casas-legislativas-mulheres-trans-lideram-defesa-dos-direitos-humanos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 11/03/2021 – Atualizado em 11/03/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>ARVOREDO &#8211; Exposição Virtual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[Arvoredo]]></category>
		<category><![CDATA[Lidia Costa]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lidia Costa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Arvoredo</em> é uma produção de 2017 composta por 12 telas em acrílica (quatro delas, expostas aqui), representando simbolicamente os elementos formais.</p>



<p>Sensível à condição humana e ao seu meio natural, a artista não se contenta em apenas retratar os temas, uma vez que sua linguagem &nbsp;não imprime a realidade da matéria orgânica, e, sim, a verdade de uma sintomática vital, &nbsp;permeada pela ludicidade de seu imaginário.</p>



<p>Em <em>Arvoredo,</em> a profundidade estética de uma simbiose própria vai além das impressões de suas pinceladas, percorrendo as raízes &nbsp;da subjetividade.</p>



<p>As raízes, &nbsp;os caules, os troncos, os arbustos, os ramos, as folhagens e os fungos, são elementos de representações pulsantes, graficamente evocados por uma paisagem interior.</p>



<p>Apresentam-se estruturados por cores, texturas, linhas e formas, fecundadas&nbsp; sob um teor de sublimação, tornando-se conteúdo quase mítico, e dessa forma, consolida o seu pertencimento na arte através da vida. Sentar-se à sombra de uma árvore nos convida à uma reflexão.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2b71a-cedro-costela_acrilica_60x80_2017.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14578" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Cedro Costela&#8217;<br>Acrília sobre tela<br>60&#215;80<br>2017</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/97aa5-fossil_acrilica_60x80-_2016.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14580" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Fóssil&#8217;<br>Acrília sobre tela<br>60&#215;80<br>2016</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ad982-namoradeira-de-jardim_acrilica_60x80_2017.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14586" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Namoradeira de Jardim&#8217;<br>Acrília sobre tela<br>60&#215;80<br>2017</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3191-organella-passiflora_acrilica_70x100_2017.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14585" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Organella Passiflora&#8217;<br>Acrília sobre tela<br>70&#215;100<br>2017</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6028c-lidia-costa.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14582 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Lídia Costa</strong> é natural de Mogi das Cruzes &#8211; SP, bacharel em Comunicação Social e atua nas Artes Visuais desde 2000, sendo a pintura, o desenho, e a performance, as principais linguagens da sua construção poética. </p>
</div></div>



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		<title>Lado Vazio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Qual é a forma mais poética de marcar a passagem do tempo?</p>



<p>Por muito tempo, li livros marcando pelas estações do ano, principalmente primaveras; ultimamente, parece que as flores saíram da tendência principal. Já ouvi também o tempo sendo marcado pelas chuvas ou raios de sol. Nada disso me parece tão bonito assim hoje. Vamos começar pelo começo, onde acredito que seja, de fato, o melhor lugar. Recolho minhas figuras de linguagem, respiro fundo e, assim, estamos finalmente no lugar certo.</p>



<p>Maio. Maio de 2018, para ser mais exato. O quinto mês do nosso calendário, relacionado ao romance, casamentos e belos pôres do sol. Nem sempre nós nos rendemos aos clichês.</p>



<p>Naquele mês, eu estava preparado para mais trinta e um dias de monotonia. Logo no início da segunda quinzena, porém, nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Eu sentado em um banco de praça com um saco de pipoca doce na mão, ele passeando com seu cachorro &#8211; uma chow chow, fêmea, branca, com nariz empinado. A estratégia número um de flerte é conversar com o cachorro, certo? Certo.&nbsp;</p>



<p>Respiro fundo, um passo firme de cada vez, caminho até ele. “Oi, meu nome é Sávio, adorei seu cachorro.” Não, isso é um péssimo jeito de começar. “Oi, a cachorrinha tem telefone?” Ainda pior. Passei tanto tempo buscando as palavras certas para iniciar aquela interação que, quando levanto os olhos, ele já não está lá. Suspiro em frustração e volto para o meu universo no banco cinza com pipoca doce.</p>



<p>Por muito tempo, nada mais aconteceu. Gostaria muito que, nesse momento da narrativa, eu pudesse contar um reencontro espetacular e romântico, ou até mesmo um evento em que ele batesse na minha porta do nada com a chow chow na coleira e uma caixa de chocolates na outra. Infelizmente, isso não é um filme adolescente da Netflix (por mais que eu queira que seja).&nbsp;</p>



<p>O nome dele é Cássio, e aquele homem tem os olhos mais bonitos que eu já vi em toda minha vida. Um olhar cheio de determinação, quase como uma dose instantânea de cafeína. Meu reencontro com Cássio só aconteceu quatro meses depois, na mesma praça, onde ele, novamente, passeava com sua companheira. Naquele dia, eu fui até ele sem pensar, esperando que o universo pudesse me presentear com as palavras certas quando o momento chegasse. Hoje eu sei que o universo não é assim tão generoso com ninguém. Olhei fundo naqueles olhos e me senti um adolescente, consegui imaginar uma vida inteira ao lado daquele homem antes mesmo de perguntar seu nome.&nbsp;</p>



<p>Percebendo meu olhar congelado, ele se apresenta sem jeito. Cássio, e sua chow chow branca Maria. Com a voz trêmula também me apresento, preparado para o futuro que teríamos juntos a partir daquele momento. Sorrimos sem graça por um instante, e ele me convida para caminhar ao seu lado enquanto termina o passeio com Maria, que ignora completamente a minha presença e segue cheirando a calçada e procurando folhas para brincar.</p>



<p>Temos muitas coisas em comum. Nós dois praticamos luta: ele, karatê; eu, boxe. Nós dois somos engenheiros: ele, civil; eu, elétrico. Nós dois tocamos instrumentos: ele, bateria; eu, violino. Sempre alguma coisa em comum, nunca o suficiente para que a conversa dure muito tempo. E assim, nossa dança continua, ambos buscando o interesse do outro, mas falhando por pouco. Nossa conexão parecia um pouco jogo de montar, mas empilhávamos peças do jeito errado e algum lado sempre ficava vazio.</p>



<p>Penso muito sobre o Cássio não por paixão, mas por frustração. Sempre desisti muito fácil das coisas, e consequentemente das pessoas da minha vida, também. Sinto que desperdicei tempo demais criando uma história dentro da minha cabeça e não consegui concretizar o que poderia ter sido bonito na nossa relação.</p>



<p>Particularmente, nunca fui o maior fã de fogos de artifício: o barulho alto me incomoda, o cheiro de pólvora e toda a fumaça me causam um certo pânico, mas não posso deixar de pensar em como meu primeiro beijo me trouxe a sensação de fogos de artifício na boca do estômago. Não do tipo barulhento, somente a imagem gloriosa de luz colorida voando pelos céus.&nbsp;</p>



<p>Esse beijo, o de fogos de artifício, aconteceu quando eu estava nos meus 14 anos de idade. Desde então, busco alguém que possa me trazer essa sensação, essa empolgação. Talvez, eu tenha vivido o auge cedo demais. Ou talvez eu tenha me conformado com tão pouco que até hoje não saiba medir a felicidade. Estamos novamente em maio, mas agora já se passaram 5 anos do encontro na pracinha, da pipoca doce, do olhar de cafeína. Eu sei que Cássio gosta da padaria da esquina debaixo, e sei que agora adotou um outro cachorro, três vezes menor do que Maria, que lhes acompanha nas aventuras pela cidade. Nos cumprimentamos com leves acenos de cabeça e meios sorrisos que representam o que poderia ter sido, mas nunca foi.</p>



<p>Nesses últimos anos, aprendi a tocar bateria e experimentei o karatê por alguns meses. Tentativas de preencher o tal lado vazio. Nunca tive coragem de contar nada disso para ele; então, guardo dentro de mim a tentativa fracassada de compreender aquele outro universo. Que triste é perceber que meu próprio universo não me basta para me sentir completo.</p>



<p>Em dois meses, vou me mudar. Fui transferido pela empresa em que trabalho. Não sinto a empolgação que gostaria de sentir; espero que isso mude quando pisar em meu novo fuso horário. Espero que, lá, me encontre com um novo Cássio e sua Maria, mas com um pouco mais de violino.</p>



<p>Até lá, sento na sala, encarando o lado vazio do sofá que logo será doado para uma nova família. Qual a forma mais poética de falar sobre o meu sofá?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b2357-gabi-guarabyra.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14590 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a>&nbsp;e no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>.</p>
</div></div>



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		<title>Natureza Humana &#8211; Exposição Virtual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>
		<category><![CDATA[Rosemberg Prado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  R. Prado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A natureza nos ensina, a cada dia, como devemos ser em nosso estado natural: belo, delicado, generoso, abundante, agradável, carinhoso, acolhedor, puro. Porém, ela funciona também como um espelho, refletindo em si o que somos, e não o que ela é em sua forma pura; assim, por muitas vezes, a natureza não é tão bela, e o reflexo nem sempre é agradável. Em qualquer de suas expressões, contudo,&nbsp;ela nos ensina sobre&nbsp;o que somos e sobre no quê nos transformamos.</p>



<p>Através dessa leitura e de referências do impressionismo e do realismo, busco, em meus trabalhos, retratar não apenas a natureza bela, mas também o reflexo da humanidade através dela. Retratar paisagens e figuras humanas &#8211; tanto nas telas que apresento aqui, quanto nos desenhos e nos murais &#8211; é a forma que penso ser a melhor para apresentar o amor incondicional que a natureza nos oferece, como uma mãe.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3c6bc-rosemberg1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14411" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>&#8216;Reflexo&#8217;<br>Tinta Acrílica sobre Lonita<br>100&#215;80<br>2021</p>



<p>Ao refletir o que nós, enquanto humanidade, nos tornamos, a natureza mostra facetas menos belas de sua realidade. Cabe a cada um de nós entender esse reflexo e modificar o que somos.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/83154-rosemberg2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14413" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>&#8216;Vítimas&#8217;<br>Acrílica sobre tela / espátulas e pincéis<br>80&#215;100 cm<br>2021</p>



<p>Esta obra é uma homenagem a todas as vítimas da COVID-19. Às pessoas que morreram&nbsp;lutando, asfixiados, agonizando por falta de oxigênio; e às crianças e aos adultos que ficaram órfãos de pai, mãe, entes queridos, amigos, além de ficarem reféns de governos corruptos e da ganância, que isenta de culpa aqueles que investem em ganhar dinheiro com a morte de seres humanos, de uma forma tão cruel e desprezível.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06a4f-rosemberg3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Sonho&#8217;<br>Acrílica sobre tela<br>80&#215;100 cm<br>2021</p>



<p>Esta obra se originou de um sonho que minha esposa teve: uma Índia mergulhada até o pescoço, em meio a vitórias régias, de costas para a mata em chamas, olhando de forma enigmática e fixamente para frente; talvez, em busca de um sonho de uma terra melhor e mais humana.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/498f5-rosemberg4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14418" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Perseverança&#8217;<br>Tinta Acrílica sobre Lonita<br>100&#215;100<br>2018<br>Manaus &#8211; AM&nbsp;</p>



<p>Desde jovem, minha avó teve uma vida sofrida. Vinda de família pobre do interior do Maranhão, ela sempre lutou para ganhar a vida honestamente. Aos 35 anos de idade, ela sofreu um acidente de carro; teve um braço e uma perna amputados, e várias outras sequelas. Porém, ela nunca desistiu da vida, e hoje, aos 77 anos, permanece junto a nós. <br><br>Na tela, ela protagoniza uma cena que vi quando eu tinha 17 anos: numa manhã, acordei e me deparei com minha avó sentada, descascando uma laranja. No ato, fiz o esboço gestual da cena, que tenho a honra de eternizar em tela.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/99d64-rosemberg5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14422" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&#8216;Guerreiro&#8217;<br>Acrílica sobre tela<br>100&#215;100 cm<br>2018<br><br>Esta tela foi pintada em homenagem ao meu sogro, Raimundo Salustiano da Silva, retratado saindo da mata com um cacho de açaí no ombro esquerdo e um facão na mão direita. Ele é um homem simples, do Interior do Amazonas, que criou 10 filhos com muita honra, trabalho pesado e suor, junto de sua esposa, Maria Martins da Silva. Hoje, em 2021, estão em ambos plena ativa ambos, aos 75 anos de idade.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4ea6d-rosemberg-prado.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14409 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Prado</strong> é paraense vivendo em Manaus. Atua como cabo da Polícia Militar do Amazonas, mas é artista plástico por vocação, já tendo participado de diversos salões de artes plásticas em Manaus, bem como da exposição internacional Dias de Reclusão.</p>
</div></div>



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		<title>Carta Marcada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[Cleverson Borges]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Cleverson Borges</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">o ideal seria se sobrevivêssemos sem marcas
olha só que ironia
a única marca da vida
é que marca não haveria

não haveriam experiências
nem histórias pra contar
não haveriam derrotas
nem vitórias pra comemorar

não haveriam sentimentos
sentidos
sumidos!
só haveria o branco
a luz de um mundo varrido

o ideal é que sobrevivamos com as marcas
no peito
na alma
marcas de uma vida intensa
daquilo que compensa

afinal qual o sentido da vida
se não for pra vivê-la
de forma muito bem viva
vivida...</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/426c1-cleverson-borges.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13914 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Cleverson Borges </strong></strong></strong></strong>é bacharel em Direito e dedica parte do tempo livre na produção de poesias. Acredita que sua paixão pelas palavras pode servir de inspiração e conforto àqueles que se dispuserem a se deliciar na leitura. Conheça mais do trabalho do autor no <a href="https://www.instagram.com/ceborgs/">Instagram</a>.&nbsp;</p>
</div></div>



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