<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ano 003, N 122 - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/category/ano-003-n-122/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/category/ano-003-n-122/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Apr 2024 21:33:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>DOS DELÍRIOS JOSEPHCLIMBERIANOS DE UMA EDITORA INDEPENDENTE</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/30/dos-delirios-josephclimberianos-de-uma-editora-independente/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/30/dos-delirios-josephclimberianos-de-uma-editora-independente/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cassandra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[text]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=19441</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  cassandra</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/30/dos-delirios-josephclimberianos-de-uma-editora-independente/">DOS DELÍRIOS JOSEPHCLIMBERIANOS DE UMA EDITORA INDEPENDENTE</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="https://revistatrama.artebodoque.com/ano-03-numero-122-2021/">Como autora, sempre fui descrita por “niilista”. Como ser humano habitando a face desta Terra há 35 anos, por “amarga” ou “ladra das energias positivas do jovem místico que só lembra de falar sobre saúde mental de maneira protocolar em setembro”.</p>



<p>Acho que não sou, afinal, nada disso. Apenas enxergo o real sem floreios reconfortantes.</p>



<p>Por isso mesmo, achei que a <strong>cassandra</strong> seria uma bela flopada. Afinal, já tem tantas revistas independentes, tantas já voltadas para autoria feminina, tantas no Medium, tantas, tantas, tantas! E essa seria só mais uma, so why bother?</p>



<p>Mas a minha descrença estava enviesada por outro aspecto, esse não tão realista nem muito racional.</p>



<p>Mulher autista que sou, passei a vida sendo taxada como um grande erro latejando no coração do universo, megalomaniacamente metafórica, apenas por não ser capaz de oferecer o padrão de comportamento e cognição que era esperado de mim – tão próxima da neurotipia e apenas diagnosticada na vida adulta, eu era a esquisitinha, a lerdinha, a mal-educada que não dá nem um beijo na tia. Cresci, pois, acreditando estar constantemente fazendo a coisa errada, sempre em dúvida do que seria correto. Mais do que isso, naturalizei diversas formas de abuso psicológico, das quais o gaslighting é o pior e o mais frequente ainda hoje. Um grande neurocapacitismo estrutural latejando no coração da sociedade do qual apenas quem o sofre se arrisca a falar.</p>



<p>Então, entendam, quando criei a <strong>cassandra</strong> – mesmo aos 34 anos, já diagnosticada e versada nas diversas formas de capacitismo e abuso que uma pessoa como eu pode sofrer –, os flashbacks de terror da infância me voltaram. Sou um erro, a retardadinha que não acerta nunca, a nerd que sabe tanto de algumas coisas mas não consegue jogar uma bola direito pra coleguinha. Como algo que sai de mim pode dar certo?</p>



<p><strong>cassandra </strong>começou como um chute no escuro, com medo e com desconfiança, mas começou. Aprendi que esse tipo de pensamento intrusivo, afinal, não passa disso mesmo, intrusivo, e que devo arriscar. Às vezes eu me ferro, mas ossos do ofício; às vezes também acerto que é uma beleza. Joguei no escuro essa ideia e muitas minas compraram. Assim surgiram as nossas colunistas, insanamente me seguindo nessa loucura e fazendo a revista todo mês na base do amor, que ninguém tá ganhando nada com isso. Cansaço, no máximo.</p>



<p>O fato de onze mulheres fodaças e talentosas terem topado a minha pretensa insanidade deveria ter sido o primeiro sinal de alerta pra mim, mas eu sou como o Joseph Climber e sempre insisto em diminuir minhas próprias ideias e atitudes.</p>



<p>Todas, absolutamente todas, as vezes em que tive de convidar alguma autora, simplesmente tremi na base pensando que eu nunca fui ninguém na fila do playtoy e por isso mesmo levaria um não seguido de uma gargalhada irônica ou que nem sequer uma resposta me seria dada. Apenas duas autoras recusaram, ambas por questões pessoais e dizendo que gostariam de ser convidadas novamente em outro momento. Nunca fui ignorada. Nesses nove meses, tivemos convidadas grandiosas, o que deveria ter sido o segundo sinal de alerta.</p>



<p>Inclusive, fechamos parcerias com diversos projetos de arte independente. Tivemos, por exemplo, uma edição especial apenas com autoras do portal Fazia Poesia e temos esta coluna aqui. O que certamente deveria ter sido um grandessíssimo sinal de alerta, diga-se de passagem.</p>



<p>A cada nova chamada para algo, seja divulgação, seja resenha, seja a chamada propriamente dita que abrimos em novembro e terminou há pouco tempo, sempre recebemos uma demanda que não soubemos nem pudemos endereçar, de tão gigante e grandiosa. Precisamos parar várias vezes e rever os projetos na revista, porque não acreditávamos que&#8230;, bem, acreditassem tanto na gente. Só na primeira chamada de resenhas a caixa de entrada sucumbiu. Recebemos tanto material na nossa chamada semestral de submissão que nem sei. É muita gente querendo participar, querendo enviar livro, querendo divulgar seu trabalho. E toda essa gente procurando uma revista de apenas nove meses deveria ter sido um baita sinal de alerta.</p>



<p>Mas não foi. E eu continuava taxando internamente minha própria revista de algo menor em comparação com outras, uma revista secundária, mesmo que eu tenha todos esses meses trabalhado incessantemente pelo nosso crescimento, como todas as minas que fazer parte dessa insanidade chamada <strong>cassandra</strong> ao meu lado.</p>



<p>Estamos indo para nossa oitava edição e: tivemos maravilhosas convidadas; nossas colunistas são um grupo lindo e unido de apoio mútuo, sempre com uma qualidade textual fodência (não acho palavra melhor); abrimos um listão mensal que recebe tanta indicação a ponto de não caber em um mês só; recebemos tanto livro pra resenha que não estamos dando conta, tem sido um tempo de trabalho grande por aqui; temos um nível de leitura ótimo, cada vez mais acessos e cada vez mais interesse dos nossos leitores; nossa chamada semestral de submissão foi simplesmente um sucesso e estamos ansiosas para terminar a curadoria e anunciar as artistas selecionadas.</p>



<p>Ano que vem tem mais, tem muito mais e, se tudo der certo, ainda vamos estar por aqui por muito tempo, divulgando o trabalho artístico de autoria feminina. A ficha pra mim vai caindo aos poucos de que esse projeto não é mais um plano louco saído da minha cabeça chegada a mirabolâncias.</p>



<p>O ano está acabando e resumo da ópera: a <strong>cassandra</strong> é enorme. Admito que eu fui, curiosamente, a pessoa mais cética em relação a ela e que agora, olhando em retrospecto, encho meu coração de uma satisfação quentinha por tudo que realizamos. Eu não acreditava que chegaríamos tão longe depois de apenas nove meses, eu nem acreditava que chegarí. Eu muito mal e porcamente botei fé que che. Em certo momento até c pareceu demais pra um projeto saído da minha mente acostumada à autocrítica autodestrutiva limitante degoladora de autoestima.</p>



<p>Mas a <strong>cassandra</strong> valeu a pena cada noite de trabalho, cada desespero ao ter que contatar uma autora, cada e-mail quilométrico, cada susto porque a deadline é amanhã e faltam três publicações pra editar, cada branco na hora de lembrar as tags do mês passado, cada choro infantiloide na frente da tela porque eu sou uma negação com tecnologia e o Medium é feio chato e bobo, cada. segundo. dedicado. a ela. A <strong>cassandra</strong> é mais que um sonho, ela é real.</p>



<p>Não foi um erro. Foi a coisa mais certa que eu já fiz.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-large-font-size"></p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/30/dos-delirios-josephclimberianos-de-uma-editora-independente/">DOS DELÍRIOS JOSEPHCLIMBERIANOS DE UMA EDITORA INDEPENDENTE</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/30/dos-delirios-josephclimberianos-de-uma-editora-independente/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">19441</post-id>	</item>
		<item>
		<title>CONSTRUINDO OS DIAS DE GLÓRIA</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/construindo-os-dias-de-gloria/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/construindo-os-dias-de-gloria/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22149</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/construindo-os-dias-de-gloria/">CONSTRUINDO OS DIAS DE GLÓRIA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>2021 foi um ano permeado por dias de luta em excesso e dias de glória em escassez; até onde percebo, essa foi a realidade de todas as pessoas. Se essa não foi a sua realidade, olha&#8230; deixo aqui o meu inofensivo sentimento de inveja, e o desejo honesto de que seu próximo ano seja tão bom quanto este.</p>



<p>Acho que nada neste país aconteceu como esperávamos; a pandemia não acabou, 13 milhões e meio de brasileires seguem desempregades [1], 19,1 milhões de nós passam por situação de fome [2]. No âmbito público, não bastasse o desapontamento com a política ineficaz contra a crise, também temos a indignação com os crimes cometidos pelo governo e seus associados, com o descaso frente às necessidades da população, com a priorização de um lucro e de um moralismo criminoso em cima de políticas elaboradas em nome da preservação de vidas e de recursos. No âmbito pessoal, continuamos perdendo pessoas que amamos para a COVID-19, nossas rendas foram reduzidas; boa parte dos nossos empregos foi embora e nunca mais voltou. Não tenho provas, mas tenho convicção de que somos, hoje, uma população mais doente do que éramos antes de 2020, devido a toda essa situação&#8230; Se serviu de algo, porém, é bom pensar que tanta gente que já precisava bem antes começou a fazer terapia diante de toda essa avalanche.</p>



<p>Apesar de pensar que tudo de pesado do ano pode servir de aprendizado (não só para cada um de nós no âmbito pessoal, mas também para nós no cenário social e para os governantes que forem eleitos em 2022), confesso que, muitas vezes, penso que eu preferiria ter permanecido burra (rs). Termos sobrevivido é um milagre, e aqueles que têm alguma perspectiva para o próximo ano são raros. É claro que isso também é uma realidade para a Trama.</p>



<p>Nosso terceiro ano de publicação foi complexo, para dizer o mínimo sem entrar em detalhes. Você, que  nos lê e acompanha, esteve em contato com as nossas conquistas: o registro do ISSN, a renovação da identidade visual, a criação de novas colunas, a remodelação do podcast, o trato com temas essenciais da nossa cultura e da nossa arte; tudo isso nos enche de orgulho, sim! Mas é que você nem imagina todo o trabalho e tentativas frustradas por trás de tudo isso. Novamente, aquela questão do aprendizado; mas se formos bem honestos, esperamos de verdade que o ano que vem seja melhor. E há de ser. A Trama é feita de pessoas; além de nós, editores, cada autor e cada artista que submete seus trabalhos à nossa curadoria é parte essencial do que idealizamos: um espaço democrático para que pessoas de diversos níveis de formação, de diferentes espaços da cultura, de prismas múltiplos em seu olhar sobre o mundo, possam trazer sua arte, possam falar de suas percepções sobre a arte e a cultura, possam trabalhar sua criatividade de conteúdo e forma, possam dialogar e construir. E quanto melhor estão as pessoas, melhor fica aquilo a que elas se dedicam.</p>



<p>A Trama não para, e frente a essa perspectiva de 2022 ser um ano menos difícil, temos novos planos para a nossa publicação. Ainda são segredo! Vamos contando para vocês aos poucos. Conforme a vida de cada um de nós vai se ajeitando, a Trama também se fortalece na retomada de antigos projetos, na criação de novos, na disseminação da arte e da cultura para cada vez mais pessoas.</p>



<p>Os dias de luta parecem que nunca vão acabar, e enquanto humilhados, esperamos a exaltação nos dias de glória. Nós, as carinhas por trás da Trama, porém, estamos nos organizando para criar esses dias de glória, com a ajuda de cada pessoa que nos lê. Estamos abertos a receber e a dialogar com quem quer que deseje ser exaltade conosco. Precisamos e desejamos cada um de vocês nesse espaço.</p>



<p>O ano foi difícil, mas graças a vocês, leitores e autores, passamos por ele firmes, e ainda nos resta ânimo e esperança para continuar. Pessoalmente, a Trama é um dos maiores orgulhos da minha vida, e eu não tenho palavras o suficiente para expressar a gratidão que sinto por cada um que vem a nós com suas criações, suas reflexões, sua atenção e seu tempo.</p>



<p>E que 2022 possa vir nos exaltar em seus dias de glória!</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p>[1] Dado da <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/11/desemprego-recua-para-126-e-ainda-atinge-135-milhoes.shtml#:~:text=Os%20dados%20foram%20divulgados%20nesta,por%20Amostra%20de%20Domic%C3%ADlios%20Cont%C3%ADnua).">Folha de São Paulo</a>, de novembro de 2021.</p>



<p>[2] Dado da <a href="https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2021/10/fome-brasil-19-milhoes-inseguranca-alimentar/">Rede Brasil Atual,</a> de outubro de 2021</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="750" height="750" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=750%2C750&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-35615" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2024/04/image-2.png?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carol Cadinelli</strong> </strong></strong></strong></strong>é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama.</p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator has-css-opacity aligncenter is-style-wide"/>





<p></p>
</div></div>



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/construindo-os-dias-de-gloria/">CONSTRUINDO OS DIAS DE GLÓRIA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/construindo-os-dias-de-gloria/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22149</post-id>	</item>
		<item>
		<title>NOS OLHOS DA ARTE NO ESPAÇO PÚBLICO, A CIDADE SE REVELA</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/nos-olhos-da-arte-no-espaco-publico-a-cidade-se-revela/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/nos-olhos-da-arte-no-espaco-publico-a-cidade-se-revela/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 114]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Mariano Procópio]]></category>
		<category><![CDATA[Museu na pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Rosane Carmanini Ferraz]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22099</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Renan Archer</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/nos-olhos-da-arte-no-espaco-publico-a-cidade-se-revela/">NOS OLHOS DA ARTE NO ESPAÇO PÚBLICO, A CIDADE SE REVELA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>É fácil a arte pública passar batida pelo seu principal público, os cidadãos. Às vezes, é muito pedir para que seja diferente: frequentemente ela se camufla no cotidiano da cidade, existindo em espaços previsíveis. Podem até nascer em tom de novidade, mas logo viram mais um detalhe no “mais do mesmo” do dia a dia. Falo deles mesmo, as figuras carimbadas nas praças e memoriais públicos: bustos, estátuas, monumentos. Por mais que geralmente possuam uma natureza impositiva, logo a cidade se acostuma com suas narrativas, que se conformam com o espaço urbano estabelecido. Mas não é a realidade de todo tipo de arte pública.</p>



<p>É importante fazer essa distinção: existem obras que ativam, transformam e conversam com o espaço urbano de formas distintas. É também o que diz Mick O’Kelly<sup>1</sup>, pesquisador irlandês que diferencia a “arte pública”, que é aquela que acontece com a permissão do Estado, geralmente monumental e autoritária. e a “arte no espaço público”, que acontece independentemente de permissão é contextual, dependente do entorno para ter seu sentido. É sobre esse segundo tipo que falarei aqui, sem procurar esgotar as possibilidades, mas iniciando uma discussão.</p>



<p>É esse tipo de arte mais contextual e intervencional que consegue produzir relações múltiplas e imprevisíveis com aspectos do espaço público. O social, o político, o econômico e o formal atravessam obra e lugar, criam uma atmosfera própria que justifica a presença daquele projeto ali. Em outras palavras, a arte no espaço público nunca é simplesmente instalada ou criada num local: ela transforma, é transformada e deixa ver novidades naquele espaço.</p>



<p><strong>Se algo existe em determinado local, é por que alguém permitiu?</strong></p>



<p>Em qualquer conversa sobre arte no espaço público, é difícil não lembrar do caso de <em>Tilted Arc</em> de Richard Serra (1981-1989) como um exemplo de como uma obra pública revela as camadas que puxam os fios do que acontece (ou não) na cidade, o que pode ou não existir ali e qual é a responsabilidade do poder público nessa dinâmica. Tudo isso se descobriu indo além da intenção inicial de Serra.</p>



<p>Em 1981, a<em> Federal General Services Administration</em>, órgão público dos Estados Unidos que gerencia espaços públicos, encomendou de Richard Serra uma escultura para a <em>General Plaza</em>, em Nova Iorque. Serra seguiu a sua poética, já conhecida e celebrada, e criou uma obra pensada para aquele local específico: um arco de aço corten medindo 37 metros de comprimento, 3.7 de altura E 6.4 de espessura, que cortava a praça pelo meio, alterando fortemente a paisagem e o próprio fluxo de passagem pela praça.</p>



<p>Não ficou muito tempo sem “incomodar”. Em 1985, um conselheiro municipal em Nova Iorque propunha fazer um referendo para os eleitores do distrito em St. Louis decidirem se a escultura deveria continuar na praça ou ser removida. O presidente do conselho, Thomas Zych, dizia: &#8216;Eu acho que muitos membros do conselho disseram silenciosamente: eu não gosto disto, mas quem sou eu para julgar o que é arte? Agora alguns estão dizendo que estes pedaços de ferro não são arte, só estão causando problemas de manutenção e é um valioso pedaço de propriedade que deveria ser desenvolvido.&#8221; <sup>2</sup></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?resize=950%2C633" alt="" class="wp-image-22102" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan1.png?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Tilted Arc</em>, instalada na Federal Plaza, em Nova Iorque. Imagem: Widewalls.com.</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Em 17 de março de 1989, <em>Tilted Arc</em> foi cortada em pedaços, removida da Federal Plaza, e levada para uma garagem no Brooklyn, depois de uma longa batalha judicial que envolveu o próprio Richard Serra e seus advogados defendendo a obra em seu local original. Não adiantou, pois foi a própria Federal General Services Administration, que encomendou o trabalho pela primeira vez, que bancou a sua remoção. “É uma revolução no nosso pensamento que o espaço aberto em si seja entendido como uma forma de arte e que deve ser tratado com o mesmo respeito com o qual as outras formas de arte são tratadas.”<sup>3</sup> disse William Diamond, presidente da FGSA, defendendo a decisão da remoção.</p>



<p><em>Tilted Arc</em> morreu naquele dia, já que tinha sido pensada especificamente para aquele lugar. Assim pensava o próprio Richard Serra. “Eu quero deixar perfeitamente claro que Tilted Arc foi financiado e projetado para um lugar particular: a Federal Plaza. É um trabalho para um lugar específico e como tal não deve ser relocado. Remover o trabalho é destruir o trabalho.”<sup>4</sup> ele disse em 1990.</p>



<p><strong>Desvelando os invisíveis do espaço urbano</strong></p>



<p>Além de mostrar as engrenagens invisíveis que fazem o espaço público mostrar isso ou aquilo e decide quem pode ou não intervir, a arte no espaço urbano também pode revelar agentes que facilmente são ignorados no cotidiano e transformá-los em protagonistas.</p>



<p>É o que fez o artista israelense naturalizado brasileiro Yiftah Peled, em 1992, com a obra “Pense sobre seus pensamentos”. Ela fez parte do “Projeto Escultura Pública”, um projeto pensado por seis artistas e um galerista que distribuiu oito obras de arte pela cidade de Curitiba naquele ano. Yiftah não fez apenas uma escultura, mas uma obra fragmentada que em cada etapa foi descascando camadas da cidade.</p>



<p>Primeiro, ele iniciou uma performance na Praça Garibaldi, no centro histórico de Curitiba, para produzir uma escultura de forma coletiva. Ele dispôs placas de madeira pelo chão ao lado de um balde de terra, por onde as pessoas deveriam pisar antes de andar sobre a madeira. Em seguida, ergueu as placas e montou uma escultura em forma de totem. Num segundo momento, a escultura foi vendida e com o valor foi comprado dezenas de pares de sapato, que foram distribuídos para&nbsp; catadores de papelão que trabalhavam no centro de Curitiba. Em troca, os catadores deveriam utilizar um cartaz com a frase “Pense sobre seus pensamentos” em seus carrinhos. A mesma frase também foi colada em tapumes, muros e outdoors pela cidade, finalizando a terceira parte da obra.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="377" height="507" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan2.png?resize=377%2C507" alt="" class="wp-image-22104" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan2.png?w=377&amp;ssl=1 377w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan2.png?resize=223%2C300&amp;ssl=1 223w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan2.png?resize=71%2C96&amp;ssl=1 71w" sizes="(max-width: 377px) 100vw, 377px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A criação coletiva da escultura de Yiftah, em 1992. Foto: Yiftah Peled.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Esse misto de obra processual, ação social e performance de longa duração não apenas se aproveitou de diferentes locais de Curitiba para existir. O projeto transformou em protagonista agentes que facilmente passavam desapercebidos pela cidade enquanto realizavam o importante e mal-remunerado trabalho de recolher o lixo na “cidade ecológica”. Era esse o título de Curitiba naquela época, quando a cidade começava a implementar seu inovador sistema de reciclagem e ganhar prêmios internacionais pelas “iniciativas verdes”, como o Award of Achievement da United Nations Environment, prêmio da ONU considerado o “Oscar do Meio Ambiente”. Os catadores, porém, não eram lembrados por seu papel nesse jogo. Sem mencionar isso, Yiftah trouxe-os em evidência para que projetassem, literalmente, um convite à reflexão no espaço urbano.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="299" height="411" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan3.png?resize=299%2C411" alt="" class="wp-image-22105" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan3.png?w=299&amp;ssl=1 299w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan3.png?resize=218%2C300&amp;ssl=1 218w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan3.png?resize=70%2C96&amp;ssl=1 70w" sizes="(max-width: 299px) 100vw, 299px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>O cartaz da obra “Pense sobre seus pensamentos”, de Yiftah Peled, distribuído pelos muros de Curitiba. Foto: Yiftah Peled.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Os problemas em evidência</strong></p>



<p>Entre os vários e visíveis problemas das grandes cidades, com destaque para as brasileiras, os problemas habitacionais estão entre os principais. Numa época de arquiteturas hostis, em que instrumentos são pensados para tornar inabitável até mesmo as calçadas de pedra, colocar esses problemas em evidência como parte de um projeto artístico é uma ação que faz pensar o que a arte de modo geral, com suas nubladas relações mercadológicas, tem para contribuir nesse debate.</p>



<p>Quando Guto Ferraz foi convidado para o programa Parede Gentil, da galeria Gentil Carioca, no Rio de Janeiro, ele cutucou essa questão. Periodicamente, um artista é convidado pela Gentil para ocupar a parede na área externa galeria. Guto construiu beliches de ferro e madeira, deixando-os abertos para a cidade utilizar. É claro que o projeto cumpriu a função mais utilitária e esperada: virou local de repouso para moradores de rua, como era a intenção. Nem a obra, nem seu criador precisaram produzir discursos diretos abordando a questão que naturavelmente estava posta pela ação. Pelo simples entrelaçamento entre galeria, espaço público e moradores de rua, já estava iniciada, mesmo que indiretamente, a discussão que fazia pensar a relação entre arte, moradia e mercado.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="433" height="776" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan4.png?resize=433%2C776" alt="" class="wp-image-22107" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan4.png?w=433&amp;ssl=1 433w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan4.png?resize=167%2C300&amp;ssl=1 167w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/renan4.png?resize=54%2C96&amp;ssl=1 54w" sizes="(max-width: 433px) 100vw, 433px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8220;Cidade dormitório”, de Guto Ferraz (2007), na parede da Gentil Carioca, no Rio de Janeiro.<br>Foto: Gentil Carioca.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Arte urbana como prática crítica</strong></p>



<p>A pesquisadora Vera Pallamin, professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), é uma das maiores do Brasil na área de arte pública. Para ela, a ideia de uma arte que consegue se conectar e revelar essas diversas dimensões de quem produz, constrói e interfere no espaço público é algo intrínseco das possibilidades da arte contemporânea. Contudo, ela também pensa que não é só por existir no espaço urbano que qualquer produção artística tem esse potencial. No mundo do capitalismo global, diz ela, é comum que existam produções que simplesmente se conformam aos interesses dominantes e não produzem nenhum tipo de reflexão. Em oposição à essa arte condicionada e condicionante, ela interpreta a “arte urbana como prática crítica”. Um exemplo importante do pensamento da pesquisadora está na citação que segue aqui:</p>



<p>“Destacamos a arte urbana como prática crítica exatamente nesse momento em que o horizonte não posssui mais a carga utópica que já teve um dia. Isso não significa propor o alinhamento com uma atitude melancólica ou nostálgica que buscaria, no presente, remissões a um momento áureo de eficácia e que teria, como efeito diante de tal exaustão de conteúdos, a produção de resistências inócuas, esvaziando-lhes de antemão qualquer possível estofo (Hansen, 1999). Tampouco significa uma aproximação com uma atitude cínica ou decepcionada. Pelo contra´rio, potencializada pela ideia de tornar a cidade disponível para todos os grupos, essa prática crítica inclui dentre seus propósitos estéticos o desafio a certos códigos de representação dominantes, a introdução de novas falas e a redefinição de valores como abertura de outras possibilidades de apropriação e usufruto dos espaços urbanos físicos e simbólicos.”<sup>5</sup></p>



<p>Exemplificando a teoria, ela traz a peça de teatro de rua “A canção dos condenados”, de autoria de Ivanildo Antonio, encenada na Praça da Sé em 1996. Na obra, o autor e o artista Pedro Baggio permaneceram por dez dias ininterruptos performando em um cenário com formato de jaula, sem poder sair, interagindo com o público apenas para tratar de temas como racismo, violência, morte e abandono. O lado crítico de sua prática é evidente.</p>



<p>Lançar este texto perto da data mais amada do comércio varejista é uma experiência interessante, para dizer o mínimo. Em Curitiba (de onde escrevo), gigantes marcas lançam suas logos em todas as atrações luminosas que a cidade oferece, transformando a data numa espécie de saldão de vendas num shopping à céu aberto. Não vem ao caso, mas faz pensar como é possível uma construção sensível, plural e crítica do espaço urbano, que não se feche às possibilidades poéticas que permeiam toda a vida pública, seus problemas e prazeres. Frente à uma vida cada vez mais virtual e domesticada por dispositivos e intenções alheias às nossas vontades e que já se transformaram em normalidade, produzir uma arte urbana crítica parece ser uma ação capaz de nos livrar um pouco da anestesia em relação ao coletivo. A cidade ainda é um campo de batalha para a força reflexiva que a arte sempre teve.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><sup>1 </sup>O’KELLY. Mick. Negociação urbana, arte e a produção do espaço público. Risco, São</p>



<p>Paulo, v. 5, p. 113-127, 2007.</p>



<p><sup>2 </sup>Fonte: McGILL, Douglas C. St Louis Bid to remove Serra work. The New York Times; Cultural Desk Late City Final Edition, Section C, Page 13, Column 4, 775 words. Nova York, 1985. Disponível em: <a href="http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392">http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392</a> &nbsp;</p>



<p><sup>3 </sup>Fonte: Seção de arte, The New York Times.Open Space Replaces &#8216;Arc&#8217;. Nova York, 1989. Disponível em: <a href="http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392">http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392</a>&nbsp;</p>



<p><sup>4 </sup>Fonte: WEYERGRAF-SERRA, Clara; BUSKIRK,Martha; SERRA, Richard. The destruction of Tilted Arc: documents. October Books. Cambridge, Massachusetts. 1990. p. 3-4. Disponível em: <a href="http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392">http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1392</a>&nbsp;</p>



<p><sup>5</sup><sup> </sup>PALLAMIN, Vera. Arte urbana como prática crítica. In: PALLAMIN, Vera (org.). Cidade e Cultura: esfera pública e transformação urbana. São Paulo: Estaço Liberdade, 2002, p. 103-110.<sup></sup></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="627" height="627" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e579-renan-archer-1.png?resize=627%2C627" alt="" class="wp-image-18682 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e579-renan-archer-1.png?w=627&amp;ssl=1 627w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e579-renan-archer-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e579-renan-archer-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e579-renan-archer-1.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 627px) 100vw, 627px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Renan Archer</strong></strong></strong></strong> é graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná e mestrando em História pela mesma instituição. Atua enquanto redator, curador e pesquisador, com principal interesse nos debates em história e crítica da arte contemporânea em espaços públicos. Já escreveu para o Curitiba Cult, A Escotilha e hoje colabora também com o jornal Plural.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22099" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator"><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22099" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator"><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22099" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/nos-olhos-da-arte-no-espaco-publico-a-cidade-se-revela/">NOS OLHOS DA ARTE NO ESPAÇO PÚBLICO, A CIDADE SE REVELA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/nos-olhos-da-arte-no-espaco-publico-a-cidade-se-revela/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22099</post-id>	</item>
		<item>
		<title>VIDAS ALIENADAS</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/vidas-alienadas/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/vidas-alienadas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[José Aravena Reyes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22147</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  José Aravena Reyes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/vidas-alienadas/">VIDAS ALIENADAS</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Caminhar pela cidade em um solilóquio urbano desde o qual se observam passivamente os sinais das ruas e galerias tornou-se uma rotina. Agora, construir e dar unidade ao que se observa, dar sentido e estatuto à cidade, transformou-se em uma tarefa árdua. Há muitos sinais e em tempos de alta polução visual e sonora muita coisa se exclui quase que automaticamente. Parece que muitas coisas perderam realidade, multiplicidade, sentido. Observamos detidamente as coisas que nos cativam, outras passam sem provocar nenhum efeito. Essas outras coisas eram parte de uma paisagem cativante, mas a força da sua presença se reduziu drasticamente e não sobrou muita coisa. Agora cada coisa pula em seu próprio ritmo de sobrevivência e o tempo em que elas compunham uma sinfonia urbana harmônica e rica, parece não ter mais lugar. E aqui não se trata do resgate de um passado melancólico, senão das possibilidades de dar sentido presente em função das possibilidades que abre todo um passado.</p>



<p>A fragmentação do real deixou um quebra-cabeça incompleto, há vazios, coisa não junta com coisa. Algumas peças desapareceram. Só ficaram cacos do real e não há como formar uma figura que valide todas as diferenças na legítima unidade da sua multiplicidade. As relações entre as coisas foram sequestradas e sua composição no real passou a ser objeto de projetos de inclusão e exclusão. Sistemas que eram abertos foram diminuindo a sua permeabilidade: corte e fluxo, passa ou não passa; acolhe ou descarta. Sem muito pensar, seguimos as sinalizações da vida na cidade.</p>



<p>O real se transformou em um projeto do capitalismo onde todas as relações são antecipadas para produzir um percurso controlado. Porém, nos múltiplos sinais em concorrência, não há nada que não possa ser quebrado, recortado, manipulado para torná-lo uma nova realidade. É romântico pensar que ainda há um real sagrado, um materialismo imóvel, uma vida sem sobressaltos. As rupturas, as revoluções, os consensos, todos esses elementos que sempre existiram como manifestações que deram estabilidade ao homem, hoje são a matéria prima daqueles que sabem que nada permanece imóvel e que no fluxo do devir pode-se antecipar e realizar muita coisa.</p>



<p>As vidas podem ser orientadas de muitas maneiras. As derivas, por exemplo, são apropriadas mediante o sequestro das relações que compõem que dão sentido às rotas. Aqueles que produzem o real sabem que se trata de um projeto de relações: o estável ou o essencial não é mais referência para comprimir o fluxo do devir e estabiliza-lo em um ser inalterável. A referência é a <em>mudança</em>, e a mudança do real tornou-se um negócio lucrativo: se lucra compondo e produzindo o sentido e percurso do real.</p>



<p>Talvez George Orwell nos alertasse para esse fato. Em <em>1984</em> a ideia de um estado totalitário, de um único olho, de uma única voz, de um rosto superior que define o real, representa um retrato dos tempos da guerra fria (foram os próprios ocidentais que associaram o romance ao stalinismo soviético). Poderíamos pensar que o totalitarismo denunciado na obra de Orwell consiste mais em uma oportuna narrativa epocal do que um entendimento daquilo que realmente interessa na sua escrita: a farsa do real; a possibilidade de mudar toda a história de modo que ela se transforme na verdade que interessa, no real que interessa. Saber quem exerce esse poder não é tão relevante como conhecer as operações que permitem manipular a história. A farsa do real era parte de um projeto, aliás, de um projeto técnico, onde o estado de falsidade era a condição produtiva do projeto social orwelliano.</p>



<p>Nesse sentido, a operação interessa mais do que o resultado, pois ao total se chega só retorcendo os fatos, porque os fatos em si já são doadores de consistência e estabilidade no fluxo de um devir que sempre é aberto. Trata-se de relações; é através delas que os fatos tornam-se significantes ou insignificantes. Na interpretação tradicional do romance de Orwell é mais significativo denunciar o fantasma do totalitarismo do que a operação que o produz. Para produzir um total é sempre necessário estar anulando, corrigindo, deturpando. Se algo se estabiliza é porque se traça uma linha que dá consistência a um devir que não se cansa de mudar, portanto, para produzir o equilíbrio e a estabilidade de um real totalizante, há que corrigir os desvios.</p>



<p>Na temporalidade do devir, no tempo do ser – essa linha temporal e histórica na qual estamos lançados –, o real extrai sua realidade de um campo de indeterminações que se encontra estabilizado, mas não de maneira finalística. Sempre há muita potência por realizar e desse campo aberto de indeterminações o puro devir também extrai realidade; com efeito, exatamente do mesmo lugar de onde as linhas estabilizantes extraem a sua. Estabilidade e instabilidade emergem do mesmo lugar. Corta-se ou deixa-se passar algo que nasce do mesmo lugar. O real passa ser a composição desses cortes e fluxos. Por isso Orwell é mais significativo se colocado de frente aos procedimentos que reconhecem essa plasticidade e operam tecnicamente para manipular os fluxos e suas relações, que no fundo, são a historicidade do ser: Orwell interessa porque mostra que aquele fluxo temporal de onde o ser extrai sua realidade pode ser antecipação, projeto. Mas do que uma sociedade disciplinar ou de controle, habitamos uma sociedade de projetos.</p>



<p>Tal perspectiva não nos leva a pensar que estamos voltando a 1984 ou que hoje <em>é</em> 1984. As invariantes estão nos processos que operam sobre a temporalidade. Orwell nos permite constatar que qualquer temporalidade do ser pode ser manipulada tecnicamente e com isso, devemos entender que o alerta que foi feito diz respeito primeiro à técnica, e depois à política como <em>techné regia</em>. A historicidade do ser é constituída tecnicamente e nos tempos de uma sociedade altamente tecnologizada, não se volta a 1984, se caminha sobre um real cada vez mais flexível, composto de uma materialidade mais plástica, configurável, programável.</p>



<p>Ir e vir; ler, escrever, aprender os significados; aprender a fazer, se preparar para a vida do trabalho, trabalhar. Formar família, reproduzir por amor ou prazer nossa espécie, cuidar, repetir os ciclos de uma deriva que, embora pareça autêntica, não é propriamente nossa: aprendemos a ser assim ou assado, somos adestrados. A margem de deriva dentro de um sistema que manipula os símbolos e suas relações é pequena. As chances de parecermos com outros são grandes. As chances de nos identificarmos com um <em>nós</em> abstrato são também grandes. No jogo das identidades, as relações sobre o real estão estabilizadas e ficam a mercê dos negócios da identidade. Alternativo, por exemplo, é outro nome para os negócios da alteridade. Por outro lado, as diferenças são sufocadas: há um embargo, um bloqueio sobre os territórios da diferença. Se eles servem para os negócios identitários, bem-vindos; mas, se configuram autopoiésis, não servem; a novidade ajuda os negócios do capitalismo (a chamam de inovação), mas a autonomia atrapalha.</p>



<p>Trabalhar e trabalhar. Fomos condenados eternamente ao castigo de Zeus. Ao final, para muitos, tudo depende de ter emprego; seja esquerda ou direita, a questão é que sempre se deve estar trabalhando. Trata-se de conseguir dinheiro para alimentar a prole; estudar para ser alguém na vida. Os desvios que convidam a sair do roteiro são perigosos: arrisca-se à rejeição e ao ostracismo social. Não estudar significa ser um diferente indesejável. Todos devem ser adestrados, educados e absorvidos em formas sociais pensadas e planejadas para manter a estabilidade da ordem social que escolhemos ter. Isso mesmo, que escolhemos ter.</p>



<p>Sem pensar e esgotados pela força de relações tecnicamente forjadas, nossa capacidade de encontrar significado aos sinais do real se reduzem. Conscientemente, democraticamente – ainda quando os sem sabores da democracia desanimem e façam pensar ‘tanto faz, vamos ter que trabalhar do mesmo jeito’ – escolhemos representantes e agimos como se a vida tivesse um único sentido. No futuro obscuro do capitalismo só faz sentido que todos devem trabalhar porque todos devem contribuir para manter essa ordem. Quem não trabalha é vagabundo.</p>



<p>Esse recorte do sentido não se faz em um par de anos de governo neoliberal. O Estado que garante o controle da ordem social, há muito tempo não produz autonomia. Sua lerdeza comunicacional e operativa está neutralizada e sempre é objeto dos ágeis abutres que retorcem os fatos para oferecer novas narrativas que enganam os dóceis cidadãos. Aí podemos ver claramente Orwell apagando da história as relações dos que outrora foram inimigos e rescrevendo o passado de onde surge uma antiga amizade: a dos novos amigos da democracia. Não faltam relações para dar sentido a essa nova realidade transvestida de dever democrático.</p>



<p>Governa-se em base a políticas de identidades, ora de inclusão, ora de exclusão; ora de amizades, ora de inimizades. Governa-se mediante temporalidades constituídas através de narrativas flexíveis que são as formas operativas nas quais nos encontramos lançados. Os significados são adequados para nos fazer aterrissar no real que interessa. Não é a alienação do trabalho o que nos coloca nesse dilema político: o que foi alienado é nosso desejo, nossa vida toda: <em>vidas alienadas</em>. Ela não mais nos pertence. As forças do trabalho e do descanso já não nos pertencem. Ingenuamente acreditamos sermos os donos de nos mesmos, de nosso ócio, de nosso prazer; mas toda nossa capacidade produtiva está à mercê das limitadas possibilidades produtivas que nos foram dadas. A nossa vida está em mãos da governança técnica que caracteriza nossa época e que hoje, mais do que nunca, toma a forma de um algoritmo: a governabilidade é algorítmica.</p>



<p>Trabalho e prazer, tudo passa pelo crivo técnico. Tudo é calculável e, portanto, tudo pode ser colocado sob a perspectiva da representação. Nosso desejo é tratado com algo calculável: cortar ou deixar passar os fluxos de sentido. Constrói-se uma operação de significados para conduzir uma manada adestrada:</p>



<p>Para cada ser representado pela sua atividade e registro na massa dos <em>big data</em> (<em>for s = 1 to n</em>), verifique se um dado símbolo afeta; Caso afete, seduza um comportamento, oriente uma forma de consumo, ofereça reconhecimento identitário (<em>if s = x then goto c</em>). Faça isso enquanto exista vida (<em>next s</em>).</p>



<p>Na governança algorítmica da inteligência artificial somos produzidos em formas pensadas pela racionalidade daqueles que operam a maquinação do desejo. Os operadores técnicos pensam, ingenuamente, que estão a atingir novos patamares de desenvolvimento humano, mas só aceleram a <em>miséria simbólica</em> que nos afeta. A cada dia, os símbolos perdem mais e mais possibilidades de deriva. Sua cadeia significante é manipulada para sempre chegar ao mesmo lugar e na velocidade em que se calcula a vida, se atrofia o desejo.</p>



<p>Na temos tempo de digerir o sentido. Antes de desenvolver um fluxo, já somos forçados a adotar a direção para o próximo destino que irá satisfazer nosso desejo. O prazer sempre é diferido; a falta, produzida: o que enche o vazio da cadeia significante é planejado, pensado e operado para guiar o desejo em direção dos interesses do capital; puro projeto, pura manipulação técnica do tempo: o estado de aberto do devir se torna angustiante: fluir seguindo qualquer outra deriva se transforma em um <em>bug</em>, um equivoco na modelagem da espécie. Docilmente, ou aceitamos e multiplicamos o mundo que nos oferece o algoritmo, ou rejeitamos e neutralizamos as singularidades que escapam ao programa.</p>



<p>Aceitar ou rejeitar. Nessa lógica binária o que se transforma se faz sobre opções polarizadas; o desejável se converte em deriva legitima e o indesejável em transtorno, mas tudo se opera sobre opções pré-definidas. Por isso estamos sempre atentos às razões algorítmicas que nos oferecem prazer ou nos livram da angústia mediante recomendações de leituras, <em>playlists</em>, filmes, lugares, amores e todo que for possível transvestir de reconhecimento para nos aliviar do tédio, do sem-sentido de uma vida que não é produzida por nós: uma vida de prateleira, uma vida alienada. Não percebemos que estão nos alienando do nosso tempo, de nossa vida. Ser ou não ser não é mais uma disputa metafísica entre o ser e o nada; se transformou uma pressão quotidiana sob o controle das opções de escolha algorítmica. Sem exercitar a crítica e sem escutar os indesejáveis, os alheios, os outros que defendem suas diferenças, nos tornamos defensores da homogeneidade e, assim, nossa cidade se parece cada dia mais ao projeto urbano de um cidadão padrão, de uma figura que foi moldada a partir do sequestro da sua <em>timeline</em> e de seu <em>histórico</em> <em>de navegação</em>, promovendo um narcisismo perverso que infantiliza e conduz. Adestrados, esses cidadãos são alienados da sua própria capacidade de se tornar o que eles desejem ser. O cidadão só pode ser de acordo aos projetos hegemonizantes que o governam. Não se trata mais de um governo que representa os anseios da sua população; se trata de projetar uma forma de governança baseada em uma representação, no cálculo de um ser, um ser projetado: o cidadão de <em>vida alienada</em>.</p>



<p>Nossas diferenças se pasteurizam em função desses projetos e daqueles que os governam. Nossos corpos e os corpos dos outros são parte de uma <em>psicopolítica</em> que molda o cidadão como um ser governável, abolindo as diferenças e as possibilidades de deriva que possam desestabilizar o que já foi construído. Interrompem-se os fluxos, congelam-se as almas e se institui a vida como repetição de um roteiro que, na calma e tranquilidade que oferece, esconde a técnica que desvitaliza a nossa capacidade de divergir, de variar, de nos diferenciarmos e construirmos nossas derivas como se fossem simples e corriqueiros experimentos existenciais.</p>



<p>Talvez só se trate disso: de fazer da vida um experimento existencial que na sua singularidade é inalienável. O contra-algoritmo não é um muro em torno da privacidade; é a defesa da possibilidade de escolher os próprios caminhos; a defesa das possibilidades de invenção das nossas próprias vidas.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8d08b-jose-aravena.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15522 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>José Aravena Reyes</strong> é natural de Santiago de Chile. Músico popular e canta-autor na época, veio para o Brasil a cursar pós-graduação em <em>Engenharia Oceânica</em>. <em>Professor Titular</em> da Faculdade de Engenharia desde 2018, fez pós-doutorado em <em>Filosofia da Técnica e da Tecnologia</em> na <em>Pontifícia Universidade Católica do Paraná</em>. Atualmente ministra aulas de <em>Engenharia e Sociedade</em> e <em>Gerenciamento de Projetos</em> na UFJF. Na sua vida pessoal, é discotecário de músicas do mundo. Membro do grupo de <em>Maracatú Estrela na Mata</em>, divide suas pesquisas de Filosofia da Tecnologia com suas outras pesquisas musicais em discos de vinil do mundo que utiliza em suas mixagens e produções autorais de música eletrônica.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22147" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22147" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22147" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/vidas-alienadas/">VIDAS ALIENADAS</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/vidas-alienadas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22147</post-id>	</item>
		<item>
		<title>INCOERÊNCIA, PRECONCEITO E IGNORÂNCIA</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22144</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Iverson Silva</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/">INCOERÊNCIA, PRECONCEITO E IGNORÂNCIA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Véspera das eleições.</p>



<p>No status, uma frase associava o EU com aqueles que sofrem algum tipo de preconceito e/ou exclusão. Propondo que o voto se tornasse pessoal, íntimo, inclusivo, solidário, equitativo, a favor do todo.</p>



<p>Não demorou mensagens de alertas: “cuidado com as ideologias de esquerda, elas não são bíblicas”.</p>



<p>Educadamente, pedi para mostrarem qual frase. Sem responder, afirmavam a necessidade de propostas e candidatos condizentes com um “pensamento cristão”.</p>



<p>Sem sinalização de partido no post, mostrei que cada frase chamava atenção para se votar pensando nas necessidades imediatas do meu próximo (mais bíblico impossível!), mesmo que ele não seja do mesmo gênero, religião, condição social…</p>



<p>Ninguém é livre sem extensão de direitos e oportunidades para toda sociedade. Se meu voto não expressa isso, defendendo apenas aqueles que considero iguais a mim, estarei sendo mais um algoz.</p>



<p>Paralelamente em um grupo alguém postou um vídeo de um pastor falando da incoerência de se orar por cristãos perseguidos pelo mundo e, aqui, votar na esquerda.</p>



<p>A foto de uma das candidatas a prefeitura local visitando um “Terreiro” inflamou o discurso religioso.</p>



<p>“Aliança diabólica!”, ouviu minha mãe de uma de suas conhecidas orientada por algum pastor.</p>



<p>Liberdade religiosa só é válida quando me é conveniente?</p>



<p>Acostumados a verem o diabo em tudo, alguns não percebem quando ele vem vestido de ignorância, incoerência e preconceito.</p>



<p>Religião e política, historicamente, quando se juntaram produziram tragédias. No presente não tem sido diferente.</p>



<p>Falta de conhecimento, de estudo e exploração do medo.</p>



<p>O pensamento laico, a separação da religião e da política, será ilusória enquanto os interesses pessoais e a falta de coerência moral/religiosa forem avalistas de projetos que ampliam os abismos sociais, educacionais e relacionais.</p>



<p>Se a religião corrobora a exclusão dos que pensam e são “diferentes”, ela será apenas reflexo da sociedade “demoníaca” que combate e não de seus valorosos princípios, como diz. Alguns religiosos não entenderam que CIDADANIA não depende de fé, mas de caráter!</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="256" height="256" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=256%2C256" alt="" class="wp-image-17619 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?w=256&amp;ssl=1 256w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 256px) 100vw, 256px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Iverson Silva </strong></strong></strong></strong></strong>é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22144" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22144" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22144" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<hr class="wp-block-separator" />
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/">INCOERÊNCIA, PRECONCEITO E IGNORÂNCIA</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/incoerencia-preconceito-e-ignorancia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22144</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Catador, costureira e cozinheira representam o Brasil em evento paralelo à COP</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-a-cop/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-a-cop/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22110</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-a-cop/">Catador, costureira e cozinheira representam o Brasil em evento paralelo à COP</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Assembleia Cidadã Global reúne 100 participantes do mundo todo até 2022. Eles escrevem a Declaração dos Povos para o Futuro Sustentável do Planeta Terra.</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?resize=950%2C713" alt="" class="wp-image-22115" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?w=1300&amp;ssl=1 1300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/assembleia-global-cidadajpeg.jpg?resize=128%2C96&amp;ssl=1 128w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Assembleia Global Cidadã ocorre entre outubro de 2021 e março de 2022 | Foto: © ONU</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Quase metade da população de Goiás depende do abastecimento do Meia Ponte, um rio que corta 39 municípios, mas que nas últimas décadas perdeu mais de 8% da vazão, 97% da mata ciliar e recebe todos os dias, em média, uma tonelada de resíduos sólidos. O catador de materiais recicláveis e servente de pedreiro Wanderson Alves Pires, 25 anos, não depende do rio apenas para conseguir água. Era de lá que ele retirava parte da alimentação da família, pescando e coletando vegetais e frutas.</p>



<p>Há meses, no entanto, conseguir alimento no rio tem sido difícil, ele relata. Os peixes estão sumindo, as nascentes secando, a mata desaparecendo e sendo substituída por áreas de pastagem, principalmente na região onde ele vive, a ocupação Estrela D’Alva, em Goiânia. “Antigamente, o Meia Ponte era fundo. Eu passava o tempo todo nadando lá. Hoje dá para atravessar o rio a pé”, conta Wanderson, que é neto de indígenas. “Nem neblina mais estamos vendo de manhã”.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2021-11/Wanderson%20na%20ocupa%C3%A7%C3%A3o%20Estrela%20D%27Alva.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="Wanderson na ocupação Estrela D´Alva, em Goiás" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Legenda: Wanderson na ocupação Estrela D´Alva, em Goiás | Foto: © Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Essa é a história que Wanderson contou nas últimas semanas, na inédita&nbsp;<a href="https://globalassembly.org/">Assembleia Cidadã Global&nbsp;</a>, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática&nbsp;<a href="https://ukcop26.org/">(COP26)</a>&nbsp;que &nbsp;reúne 100 pessoas comuns, de todas as partes do mundo, para responder como a humanidade pode enfrentar a crise climática e ecológica de uma forma justa e eficaz. Wanderson foi indicado pela ONG Guardiões do Meia Ponte para integrar a Assembleia, financiada pelo governo escocês e a&nbsp;<em>European Climate Foundation,</em>&nbsp;apoiada por ONU e Reino Unido, e administrada por uma coalizão de mais de 100 organizações. O evento começou em outubro e segue até março do ano que vem.</p>



<p>Além dele, outras duas mulheres representam o Brasil neste processo: a costureira Izildete Maria de Sousa Botelho, 67, de Uberlândia (Minas Gerais) e a cozinheira Joseane Souza, 60, moradora da comunidade Alto José do Pinho, em Recife (Pernambuco). Juntos, eles compõem o grupo de oito latino-americanos que ajudaram a construir a versão preliminar da&nbsp;Declaração dos Povos para o Futuro Sustentável do Planeta Terra,&nbsp;<a href="https://globalassembly.org/declaration">documento entregue</a>&nbsp;na semana passada para os principais líderes políticos em Glasgow, durante a COP26.</p>



<p><strong>A declaração &#8211;</strong>&nbsp;Apesar da publicação final da declaração estar prevista para março de 2022, a versão provisória deixa claro que os cidadãos endossam as medidas de cumprimento do Acordo de Paris e também avança em questões como o reconhecimento do meio ambiente limpo e saudável como um direito humano. Além disso, adota o termo “ecocídio” para pleitear que práticas danosas ao meio ambiente sejam consideradas violações de leis internacionais.</p>



<p>A Assembleia buscou a diversidade da população do planeta: 60% dos convidados moram na Ásia, 17% na África, 50% são mulheres e 70% têm renda diária de até dez dólares. Usando um algoritmo de densidade populacional e distribuição geográfica da NASA, agência espacial dos Estados Unidos, a administração da Assembleia sorteou cidades que atendessem a esses critérios e acionou organizações civis locais, que indicaram moradores interessados e capazes de representar a diversidade de suas comunidades. Um novo sorteio foi feito entre os indicados para fechar o grupo de 100 pessoas.&nbsp;</p>



<p>“Este é um processo que reconhece a necessidade de vozes reais participarem de um debate deste nível e que a diversidade é importante para tomada de decisão”, diz Amanda Suarez, uma das coordenadoras do braço recifense da ClimateScience, organização internacional que recrutou Joseane.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2021-11/Joseane%20e%20Amanda%2C%20do%20ClimateScience.%20arquivo%20pessoal.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="A cozinheira Joseane e Amanda, do ClimateScience de Pernambuco" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Legenda: A cozinheira Joseane e Amanda, do ClimateScience de Pernambuco | Foto: © Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Experiências &nbsp;&#8211;</strong>&nbsp;Em Alto José do Pinho, a realidade que Joseane precisa mudar é a de novos deslizamentos de terra causados pelas chuvas, problema que afeta diretamente sua rotina: &nbsp;Recife é a 16ª cidade mais ameaçada do planeta pelas mudanças climáticas com o aumento do nível do mar. Agora, a cozinheira planeja engajar os vizinhos.</p>



<p>“Antes da Assembleia, para mim as mudanças climáticas eram uma coisa distante. Eu me preocupava com o calor, mas não sabia a importância que isto tinha. Agora estou entendendo que muitas coisas estão sendo afetadas, as barreiras deslizando, o mar avançando&#8230; Por isso que tudo que aprendo nas reuniões estou passando para quem está perto de mim”, conta.</p>



<p>O mesmo movimento está sendo feito por Izildete. Além de costureira, ela também trabalha com artesanato feito a partir de materiais recicláveis. Moradora em um condomínio de 300 famílias, ela espera agora mobilizar os vizinhos no tratamento de lixo. Izildete deve contar com a ajuda do Instituto Ipê Cultural para esta missão, organização que a indicou para participar do evento.</p>



<p>“Nos primeiros dias da Assembleia, &nbsp;fiquei muito preocupada com a mudança climática, perdi noites de sono pensando nos jovens, nas crianças e na situação que eles podem enfrentar. Mas aos poucos fui entendendo o que posso fazer para mudar, como participar”, relata a mineira. “Agora considero que ter sido sorteada para participar foi como ganhar em uma loteria. É uma sensação muito gratificante representar a minha cidade e saber que a minha palavra chegou nesse nível de ação global, podendo ajudar a mudar as coisas”, conclui.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2021-11/Izildete%20e%20a%20tradutora%2C%20no%20instituto%20ip%C3%AA.%20arquivo%20pessoal%20%282%29.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="Izildete e a tradutora durante discussões da Assembleia Global Cidadã " data-recalc-dims="1" /><figcaption>Legenda: Izildete e a tradutora durante discussões da Assembleia Global Cidadã | Foto: © Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><span><i style="font-weight:bold">Matéria originalmente publicada em<strong>&nbsp;</strong></i><strong><a href="https://brasil.un.org/pt-br/158251-catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-cop">Nações Unidas Brasil</a></strong></span><strong>&nbsp;<em>em 12/11/2021 – Atualizado em 12/11/2021.</em></strong></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22110" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22110" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22110" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-a-cop/">Catador, costureira e cozinheira representam o Brasil em evento paralelo à COP</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/catador-costureira-e-cozinheira-representam-o-brasil-em-evento-paralelo-a-cop/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22110</post-id>	</item>
		<item>
		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ETERNO ONÍRICO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/exposicao-virtual-eterno-onirico/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/exposicao-virtual-eterno-onirico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Lais Lovison Sturaro]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22118</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Luis Napoli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/exposicao-virtual-eterno-onirico/">[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ETERNO ONÍRICO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para Dostoiévski, ceifar a noção de eternidade da alma faz com que toda e qualquer ação esteja fadada a não ter sentido algum. Minhas obras têm como objetivo pensar e criar todo um universo de possibilidades para o que haveria depois da morte, oferecer o encontro com outra realidade e o benefício que a relação com a alteridade pode implicar ao indivíduo.</p>



<p>Ao refletir sobre o pós-morte, questiono-me por onde passaria, que tipo de lugares, quais seres eu veria… lembranças ainda existiriam? Quais seriam? Existiria sentimento depois de partir? Haveria saudades, tristeza, alegria ou seria apenas dado espaço ao vazio? Procura-se criar essa dimensão quase onírica. Essas representações oníricas que só se dão a ver por meio de seus representantes plásticos.</p>



<p>Como o sonho, a obra plástica enquanto construção muda e situa-se no espaço de realização imaginária do desejo com um objeto intermediário, pelo qual são permitidos pensamentos e condutas com os quais o espectador pode se relacionar &#8211; sem autoacusações nem vergonha nesse espaço potencial, gerador de uma área hipotética que exista. Isso se dá sem que se faça necessária a confirmação dessa existência um ato de crença, pois o fato de não poder indicar a diferença entre real e imaginário, no plano da crença ingênua, não significa que ela não existe (enquanto eu creio, esse universo se faz existente em mim).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0005.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22120" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0006.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22121" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0007.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22122" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0008.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22123" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0009.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22125" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0010.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22126" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0011.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22128" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0012.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22129" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0013.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22130" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0014.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22132" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0015.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22133" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0016.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22134" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0017.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-22136" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-22160 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/luis.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Luis Napoli</strong>, 1998. Natural de Castro – PR, mudou-se para o Estado de São Paulo, onde morou em diversas cidades do interior. Atualmente vive e trabalha na cidade de Barra do Garças, Mato Grosso. Formado em Bacharelado em Artes Plásticas, na Escola Guignard, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Suas pinturas permeiam pelo imaginário popular e por questões particulares que lhe afligem. Sua poética se forma deformando a estética de onde emergem suas experiências ficcionalmente verossímeis.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22118" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22118" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22118" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>



<p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/exposicao-virtual-eterno-onirico/">[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ETERNO ONÍRICO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/exposicao-virtual-eterno-onirico/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22118</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A ARTE DO ENCONTRO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Dec 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22139</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Zeloschi</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/">A ARTE DO ENCONTRO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>“Se</em>
<em>nem</em>
<em>for</em>
<em>terra</em>
<em>se</em>
<em>trans</em>
<em>for</em>
<em>mar”</em>

<em>Leminski (2013, p.142)</em></pre>



<p>Eu tentava insistentemente abafar os pensamentos que se passavam como nuvens em minha cabeça. Quanto mais eu tentava abafar, as nuvens se tornavam mais escuras e a chuva barulhenta dos meus pensamentos ecoavam no silêncio ensurdecedor do ambiente e do meu ser. Eu me rendo.</p>



<p>Nesse últimos meses eu estava me vendo como essa nuvem escura, que apenas chovia. Chovia muito. E apesar de gostar de chuva, não conseguia enxergar a beleza daquele momento caótico. A ambiguidade dos sentidos não me permitia enxergar a luz por detrás da escuridão. Em meio ao choro e a tristeza, que parecia não ter fim, fui convidada pela vida a levantar, porque a luz estava logo à frente, mas eu me recusava a caminhar.</p>



<p>Comecei a caminhar com a cabeça baixa e os olhos caídos. Fui para um lugar mágico, que nem sempre é tão mágico assim, mas, sem dúvidas, é um lugar de transformações. Nesse lugar, recheado de pessoas, eu diria, iluminadas, fui obrigada a levantar o olhar, fui obrigada a encarar meus medos de frente, fui obrigada a olhar nos olhos.</p>



<p>Que olhos lindos eu encontrei. Sempre gostei desse tipo de pessoa. Sim, essas que olham nos olhos e não tem medo de se despirem para o desconhecido ou compartilhar o que há de mais profundo no âmago da essência e da existência. Essas pessoas que não tem medo do encontro, que buscam aprender a arte do encontro em tempos de tantos desencontros.</p>



<p>Encontrei um par de olhos castanhos que me deixava intrigada, mas que não deixavam os meus olhos caírem. Olhos ímãs? Talvez. Não sei&#8230; Só sei que eles me buscavam. Também não sei o motivo de me buscarem, só sei que eu já não conseguia olhar para o chão. Queria descobrir mais sobre esse universo ainda tão desconhecido.</p>



<p>Para a minha surpresa, quanto mais esses olhos castanhos buscavam o meu olhar, eu buscava, mesmo que desatentamente, a olhar nos olhos de outros universos. Percebi o quanto eram diferentes, únicos e irrepetíveis. Sabemos que somos únicos, mas será que sabemos? Sempre achamos que existem universos melhores, enquanto a verdade é que existem universos. Nem melhores, nem piores. Apenas universos.</p>



<p>Esses olhares que escondiam universos, me mostraram a luz que existia dentro de mim. Ela estava ali o tempo todo tentando aquecer outros corações e o meu próprio coração, mas eu não deixava a luz passar. Hoje meu universo é mais complexo que antes. Sim. Eu sei que existem os dias ensolarados. Assim, como não tento afastar as nuvens escuras. Tem algumas semanas que chove muito, mas descobri a beleza do arco-íris. Como seria chato ser apenas luz, quando podemos ser luz, chuva e arco-íris. Não seria possível enxergar tanta diversidade se eu continuasse agarrada a momentos, que passam tão ligeiros. Dói deixar esses momentos passarem. Acho que o que dói mesmo é a saudade de encontros que se desencontraram.</p>



<p>Bom, esse primeiro olhar que iniciou minha transformação foi de um pequeno menino, que de pequeno não tinha nada. Esse foi o meu primeiro encontro depois de permitir me reencontrar. Esse lugar mágico onde essas mudanças de perspectiva começaram a acontecer é conhecido como escola: um lugar de imaginação, elevação e um convite a voltar a ser criança. Esses universos que me convidavam a ser menos dura e aceitar a complexidade do meu universo foram as crianças, que também me aceitaram e amaram o meu universo particular.</p>



<p>Não acredito que sou um ser humano melhor depois dessas experiências e enfrentamentos, mas, sem dúvidas, sou um ser humano em transformação tentando praticar a autotranscedência e o amor ao próximo. E, não posso esquecer, tentando encontrar outros olhares e perspectivas em cada universo colorido em que me deparo. Tentando procurar mais olhares que buscam se encontrar. Tentando encontrar mais afeto em cada olhar.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>Referência: LEMINSKI, Paulo. <strong>Toda Poesia. </strong>São Paulo: Companhia das Letras, 2013.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-22158 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/rinco.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p> <strong>Lívia Rinco</strong> é amante de uma boa caminhada sob a natureza, estudante de Psicologia, gosta de levar a vida inspirada em notas musicais e poesias.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22139" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22139" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22139" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/">A ARTE DO ENCONTRO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/26/a-arte-do-encontro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22139</post-id>	</item>
		<item>
		<title>OS JARDINS DO MANICÔMIO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/os-jardins-do-manicomio/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/os-jardins-do-manicomio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Dec 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=22043</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Saul Gomes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/os-jardins-do-manicomio/">OS JARDINS DO MANICÔMIO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <em>loucura</em> é um tema que perpassa pelo pensamento humano (impregnando-se na ciência e na arte), porque, tão antigos quanto os padrões estabelecidos socialmente, são os indivíduos que neles não se enquadram. Tão secular quanto o desejo intransigente de isolar os <em>loucos</em>, é a vontade pertinaz de compreendê-los.</p>



<p>Das abordagens habituais da loucura, emerge uma concepção de <em>louco</em> como “aquele que se desvia de um padrão”. Nesse sentido, “louco”, “demente”,&nbsp;“insano” passam a ser termos que confluem para o mesmo sentido: “anormal”, aquele que se desvia da norma, dos procedimentos considerados normais.</p>



<p>Muitas análises clássicas dos <em>desvios da norma</em> se concentram na loucura nociva, que se baseia na violência, na intenção de ferir, na tentativa deliberada de machucar o Outro. No entanto, dos estudos de Foucault ao conto machadiano <strong>“O alienista”</strong>, alguns textos científicos e literários nos convidam a observar outras facetas <em>das desvirtuações do padrão</em>, possibilitando-se que floresçam outros olhares sobre a <em>anormalidade</em>.</p>



<p>Tais olhares nos permitem perceber que alguns <em>desvios da norma</em> podem revelar algo sobre a própria norma, explicitando procedimentos que excedem o padrão ou demonstrando aspectos falhos da norma estabelecida. Algumas <em>anormalidades</em> podem constituir fontes de aprendizado, se renovarmos nosso modo de concebê-las.</p>



<p>Entre essas <em>anormalidades</em>, inclui-se uma <em>loucura catártica</em>, que resgata a força propulsora dos sonhos e, por isso, assume um caráter libertador. No âmbito ficcional, de Dom Quixote ao Maluco-Beleza configurado nas canções de Raul Seixas, há diversos <em>loucos</em> que, por meio de atitudes transgressoras, sobrepujam a normalidade excessivamente objetiva, que mecaniza os gestos e neutraliza as emoções.</p>



<p>Nessa mesma linha de <em>sobrepujamento da norma</em>, existe a <em>anormalidade</em> que se relaciona à excelência criativa, alcançada por artistas que, ao adotarem procedimentos anticonvencionais, mantêm sua produção em um nível qualitativo muito superior ao do “padrão artístico”. O que seria da arte moderna sem a <em>loucura engenhosa</em> de Fernando Pessoa e Salvador Dali?</p>



<p>Na época atual, destaca-se uma <em>anormalidade</em> que revela aspectos falhos da norma estabelecida: aquela associada ao comportamento dos indivíduos que apresentam distúrbios como depressão e ansiedade. Nesse comportamento, demonstra-se a fragilidade que habita em nós, uma fragilidade que nos atemoriza, porque nos humaniza. Reconhecer tal fragilidade é um passo fundamental para que resgatemos nossa humanidade primordial, que se contrapõe aos estereótipos de Super-Homem e Mulher Maravilha, os quais a modernidade, equivocadamente, instituiu como “padrão”.Algumas <em>anormalidades</em> podem ser concebidas como desvirtuações de procedimentos típicos do Homem contemporâneo, entre os quais sobressaem: o mecanicismo que suprime os sonhos; a acomodação à mediocridade; o temor de se defrontar com sua própria humanidade.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-17786 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=3096&amp;ssl=1 3096w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37ff3-saul-gomes-jr.png?w=2850&amp;ssl=1 2850w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Saul Cabral Gomes Jr</strong>.<strong> </strong>nasceu em Belém (PA) e graduou-se em Letras (Licenciatura em Português e Inglês) pela Universidade da Amazônia (2001). Possui mestrado (2006) e doutorado (2011) em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Em 1998, obteve o 4º lugar no Concurso Nacional de Contos &#8220;Cidade de Araçatuba&#8221;. A produção do ensaio <em>O romance regionalista: do panorama ao perfil</em> lhe valeu o prêmio &#8220;Carlos Nascimento&#8221;, concedido pela Academia Paraense de Letras em 2002. Em 2020, publicou o livro <em>Entre a História e o discurso: olhares sobre a obra de Gladstone Chaves de Melo</em>.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22043" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22043" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=22043" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/os-jardins-do-manicomio/">OS JARDINS DO MANICÔMIO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/os-jardins-do-manicomio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22043</post-id>	</item>
		<item>
		<title>ISSO É UM ACIDENTE OU SEQUER ACONTECEU?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/isso-e-um-acidente-ou-sequer-aconteceu/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/isso-e-um-acidente-ou-sequer-aconteceu/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Dec 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 122]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://tramabodoque.com/?p=21995</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/isso-e-um-acidente-ou-sequer-aconteceu/">ISSO É UM ACIDENTE OU SEQUER ACONTECEU?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Há transformações que são atentados.</em><br>Catherine Malabou</p>



<p class="has-text-align-right"><em>É preciso aceitar introduzir a aléa</em><br><em>como categoria na produção dos acontecimentos.</em><br>Michel Foucault</p>



<p>A figura do guitarrista rockeiro anos setentista que, mesmo tendo sofrido diversas mutações ao longo das décadas, arrebatava mentes e corações com o solo perfeitamente posicionado no clímax da música fez, inevitavelmente, com que os solos de guitarra virassem em seguida uma espécie de clichê musical, assim como o susto no espelho do banheiro dos terrores hollywoodianos. Não é preciso sensibilidade privilegiada para perceber que a indústria cria seus excessos ruins, forçando combinações que não existiriam sem a demanda de um Outro que ninguém sabe ao certo o que quer.</p>



<p>Mas a lição frankfurtiana, que não podemos perder de vista, é que a chamada indústria cultural é uma máquina que perverte estéticas e faz passar pelo seu filtro toda sorte de objetos, transformando o ímpeto do Capital de reprodução compulsória de técnicas, modelos e formas num mantra<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. É por essa razão que o excesso ruim da indústria não se limita aos ingênuos casos dos solos de guitarra, mas incluem atividades mais conceitualizadas como, por exemplo, a ideia de pensamento crítico.</p>



<p>Vejamos o lugar comum em que estamos atualmente, no qual identificar como valor necessário de um pensamento sua natureza crítica é quase regra em qualquer ambiente acadêmico. Acontece que pensamento crítico se tornou um tipo de selo <em>apriori</em>, um imperativo cujos efeitos do incômodo deixaram de ser o critério de mensurabilidade e passaram a condicionar o próprio limite crítico de um pensamento. Para isso, basta se perguntar o que aconteceria se as categorias de crítica até então utilizadas finalmente realizassem sua ambição de desmantelar estruturas de poder e não fossem mais necessárias – esse futuro é realmente desejável pelos acadêmicos críticos de hoje?</p>



<p>Mas se a crítica possui a marca da imprescindibilidade é porque a gramática do nosso tempo consente a necessidade de um inconformismo permanente. Talvez isso aproxime a ideia de crítica ao status de crise, outro consenso do imaginário social a respeito da realidade global que assistimos. A crítica seria, portanto, um esforço de acelerar a crise, torná-la etapa de um estado de coisas insustentável, sinalizando a transição para outra ordem estabilizadora. <em>Criticar implicaria realizar o trabalho do negativo, ainda que isso implique revogar o regime de identidade que situou o movimento inicial da crítica</em>. Mas estar alertado sobre o que representa a crise de um ponto de vista crítico, também é questionar a consistência escalar desse tópico: em certo sentido, a permanência de uma crise já é o sinal de uma estabilização. Ainda que de forma aparentemente caótica, estar em crise também traduz uma ordem. A questão seria como criticar uma ordem que se apresenta como crítica de si.</p>



<p>A pandemia que eclodiu no ano de 2020 (e vêm se arrastando como pode) foi uma crise que sublinhou com maestria o problema da crítica como compulsão metodológica do metaverso acadêmico. Convenhamos que o mais saturou o ambiente digital para além das lives, meetings e posts de auto-ajuda foi a modalidade das “análises de conjuntura”. A ânsia dos analistas consistiu em elaborar não apenas a mais apressada, mas ao mesmo tempo a mais coerente análise do contexto, de modo que essa pudesse justificar seu sistema de pensamento, há muito já tornado público. O caso mais icônico dessa façanha, o filósofo Giorgio Agamben, que, após criticar as medidas de contenção contra a proliferação do vírus profetizando o mal da “medicina como religião”, chegou a comparar as vacinas como um “novo batismo religioso” curiosamente foi elencado como um representante político dos manifestantes anti-vacina de extrema direita, mostrando que excesso de análise de conjuntura não costuma só criar seus próprios demônios, mas também a sacralizá-los<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>.</p>



<p>É em casos assim que a “estetização da política”, para usar o termo benjaminiano, depende do paradoxo do pensamento e da ação: é certo que o pensamento nunca esteve desassociado de uma práxis, e que tal práxis nem por isso deixa de produzir um outro pensamento, mas de que maneira a tarefa de pensar pode mobilizar (hoje) essa estrutura que insiste em catalisar os momentos nos quais entendemos estar mais perto da crítica e mais longe da conformação, quando o que se impõe é justamente o contrário? Se para Benjamin a resposta à estetização da política é a <em>politização da arte<a id="_ftnref3" href="#_ftn3"><strong>[3]</strong></a></em>, é porque existe algo do incômodo que precisa ser preservado como tal no âmago das nossas representações de mundo. Introduzir sem temer a álea nos exercícios de pensamento, sem recusar que dos acidentes mais disruptivos surgem as formas capazes de abismar uma as conexões entre uma forma e outra. Acredito que uma imagem-sensorial para uma crítica hoje tenha a ver com isso: a impressão de que aquilo que criticávamos talvez nunca tenha acontecido.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> ADORNO, T.; HORKHEIMER. M. <em>A dialética do esclarecimento</em>, 1985.</p>



<p><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Para acompanhar cronologicamente os textos e seus principais comentários durante esse período, ver a coluna de Agamben no site quodlibet.it/una-voce-giorgio-agamben</p>



<p><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> BENJAMIN, W. <em>A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica</em>. 1935/1936.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9d309-micael-correia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14286 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Micael Correia&nbsp;</strong></strong></strong>tem 23 anos e é um escritor não-autorizado. Tem experiência em Psicologia Clínica e se interessa pelas áreas de Psicanálise, Filosofia e cultura popular.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=21995" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=21995" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://tramabodoque.com/?p=21995" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/isso-e-um-acidente-ou-sequer-aconteceu/">ISSO É UM ACIDENTE OU SEQUER ACONTECEU?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/12/19/isso-e-um-acidente-ou-sequer-aconteceu/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">21995</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
