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	<title>Arquivos Ano 001, N 001 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Beijo, um Universo</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2019 17:45:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso O beijo. Nada tão íntimo quanto essa troca: mucosa que se entranha em mucosa que acaricia mucosa que devora fundo mucosa. Sem mais nada ao redor: só línguas em abraços, como âncoras precisas, como bolhas navegantes. E a representação disso, desse inominável, desse foge-palavras, dessa imprecisão, é sempre difícil: como transmutar o … </p>
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<p><em>por: Marcus Cardoso</em></p>



<p class="has-drop-cap">O beijo. Nada tão íntimo quanto essa troca: mucosa que se entranha em mucosa que acaricia mucosa que devora fundo mucosa. Sem mais nada ao redor: só línguas em abraços, como âncoras precisas, como bolhas navegantes. E a representação disso, desse inominável, desse foge-palavras, dessa imprecisão, é sempre difícil: como transmutar o físico em signo?</p>



<p>	Tolusse-Lautrec, tenta. Chega numa cena toda sublime: consegue fazer emergir calor do azul: como se confirmasse Camões no seu “amor é fogo que arde sem se ver”. No contrato pelo contato, no olho fechado durante o ato, forçando o afloramento dos outros sentidos, forçando o desligamento visual do mundo: como se nada mais importasse, a não ser aquilo: o beijo. As duas prostitutas de Lautrec pintam suave a relação. Nunca saberemos se é um beijo de boa noite ou uma preliminar. Talvez porque o sentido de tudo não importa: só a ligação é que interessa.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/76c90-henri-de-toulouse-lautrec.jpg?resize=749%2C498&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-191" width="749" height="498" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/76c90-henri-de-toulouse-lautrec.jpg?w=610&amp;ssl=1 610w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/76c90-henri-de-toulouse-lautrec.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>“Na cama, o beijo”, de Toulouse-Lautrec.</em></figcaption></figure>



<p>Roland Barthes diz que, na fotografia, além da composição, é necessário<br> reparar no que nos punge. E isso não se difere muito do Berger, perguntando o que nos faz entrar num quadro: por que detalhe se inicia o furacão ou, quem sabe, a epifania? No beijo do Klimt, aquilo que punge são as mãos da personagem masculina, se apoiando no rosto que é beijado como se fosse um presente valioso, que a qualquer momento pode se partir. Tocar com os lábios, acariciar com a saliva, transpor amor pelo palato. Teu beijo tem o gosto do infinito. E as mãos da personagem beijada, que seguram a mão segura do beijo, é o que nos chama logo em sequência: deve ser possível sentir o cheiro somente através do toque. Não duvidaria nada que o tempo está parado para os personagens desta tela desde sua feitura: e eles não pretender sair desse átimo tão cedo.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6233e-gustav_klimt.jpg?resize=764%2C766&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-192" width="764" height="766" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6233e-gustav_klimt.jpg?w=610&amp;ssl=1 610w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6233e-gustav_klimt.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6233e-gustav_klimt.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 764px) 100vw, 764px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>“O beijo”, de Gustav Klimt.</em></figcaption></figure>



<p>É como se, durante o beijo, se instaurasse sempre uma disputa entre a<br> contagem do tempo e o resto da existência. É preciso viver, voltar às<br> burocracias da vida, ao trabalho, a você mesmo. Mas o tempo da existência é um só: o tempo do beijo: a única solução seria conseguir capturar o tempo e desfiá-lo até minuto virar imensidão. Essa é, talvez, a falha maior do ser<br> humano: sua impossibilidade de controlar o tempo. A tônica da inventividade humana, da sua criação de tecnologia, se tangencia por aí. Como diz Maurício Pereira, através do duo Os Mulheres Negras, “Microondas, avião, cumpram a sua função e acalmem um coração que sangra”. (Podemos simples juntar ao microondas e ao avião, o Facebook, o Instagram, a TV a cabo e a AirFryer da Polishop). Tudo isso é resposta à luta do homem contra o tempo. Chagall em seu beijo, nos deixa claro: beijar é flutuar e não querer ir embora. É tentar acertar o ar, errar, e então respirar alguém sem saber parar. Enfim, Chagall encontra significado no disforme, afinal o corpo pede. Se fosse possível, nos desentranharíamos do corpo, deixaríamos os ossos de lado e nos constituiríamos apenas de lábios e calores, assim como esse quadro-quartzo.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/o-flutuar-de-chagall.html.jpg?fit=606%2C456&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-193" /><figcaption><em>“O aniversário”, de Marc Chagall.</em></figcaption></figure>



<p>E em Magritte, temos a despersonalização: os panos entre os lábios, a<br> princípio, são assustadores. Porém, atravessando a barreira do impacto<br> primeiro, temos a ideia de que eles não sufocam, mas se beijam. É, enfim, o<br> beijo derradeiro antes da chegada do carrasco. É o amor sentado à beira da<br> queda, chacoalhando os pés enquanto contempla a vida vivida até o fim. O<br> limite após o limite. E não há barreira que impeça o beijo: como Legos de pele, uma boca encaixa outra. Como ímãs de carne, uma língua chama a outra. Não existe mais eu, você, ele, a cama, o vaso, o terno, a máquina: tudo é beijo, tudo é troca, tudo é um: a sensação contínua de laço.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" width="610" height="458" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d42d-magritte.jpg?resize=610%2C458&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-194" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d42d-magritte.jpg?w=610&amp;ssl=1 610w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d42d-magritte.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 610px) 100vw, 610px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>“Os Amantes”, de Rene Magritte.</em></figcaption></figure>



<p>Enfim, Regards Coupables, com suas obras que focam e desconsideram<br> o que não é detalhe, apagam o que devemos preencher: o que, no corpo, não é lábio, não merece ser desenhado. A representação direta do baluarte de  tudo. O lábio faminto, que devora os vasos dilatados da boca, enquanto iniciam seu processo de quentura. O odor do beijo emana. E fica. A lentidão devastadora desse beijo salta à imagem. Um universo complexo numa casca<br> de nós.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4344b-regards_coupables.jpg?resize=698%2C444&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-195" width="698" height="444" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4344b-regards_coupables.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4344b-regards_coupables.jpg?resize=300%2C191&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 698px) 100vw, 698px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>”Beijo”, de Regards Coupables</em></figcaption></figure>



<p></p>



<p></p>



<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DE IMAGENS</strong><br> BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro:<br> Nova Fronteira, 2017.<br> BERGER, John. Ways of seeing. United Kingdom: Penguim Books, 2008.<br> CHAGALL, Marc. Birth (O Aniversário). 1915, óleo sobre cartão.<br> KLIMT, Gustav. Der Kuss (O Beijo). 1907-1908, óleo e folha de ouro sobre<br> tela.<br> MAGRITTE, Rene. Les Amants (Os Amantes). 1928, óleo sobre cartão.<br> Os Mulheres Negras. Música serve pra isso. São Paulo: WEA, 1990<br> Regards Coupables. Kiss. 2018, instagram. Disponível em:<br> https://www.instagram.com/regards_coupables/?hl=pt-br</p>
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		<title>Processo civilizatório?</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 00:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
		<category><![CDATA[atlântico negro]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[PROCESSO CIVILIZATÓRIO]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tarcísio Greggio</p>
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<p>No último dia 13 de maio, o Memorial da República Presidente Itamar Franco inaugurou a exposição “Reminiscências: danças populares e processo civilizatório no Brasil”. </p>



<p>Com fotografias, textos, esculturas e vídeos, a exposição reúne uma pequena mostra da riqueza política, cultural e estética dos muitos cortejos, alguns dos quais centenários, ainda hoje espalhados pelo interior do país, assunto cuja beleza só rivaliza mesmo com sua importância para a experiência histórica brasileira. </p>



<p>O texto abaixo integra a exposição.</p>



<p><strong>Processo civilizatório ?&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?resize=817%2C630&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-134" width="817" height="630" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9cc4a-fazenda.jpg?resize=300%2C232&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 817px) 100vw, 817px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Sem título, c. 1865, Rio de Janeiro. Georges Leuzinger. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></figcaption></figure>



<p style="text-align:left"><em>por: Tarcísio Greggio</em></p>



<p class="has-drop-cap">O conceito de civilização como processo de refinamento de condutas e realizações culturais é uma novidade do século XVIII, resultado de uma série de tensões históricas e linguísticas, as quais, naturalmente, merecem um texto à parte. A palavra,&nbsp; no entanto, deriva do latim civilis &#8211; isto é, o que diz respeito ao cidadão &#8211; e, apesar dos diferentes contextos históricos nos quais se inscreve, o uso que gregos e romanos fizeram termo civilização parece ter sobrevivido à ação do tempo: bárbaro é o outro!&nbsp;</p>



<p>No correr do século XIX, em contato com o ideal de progresso, a noção de civilização ajudou a parir o conceito de raça, tão abjeto quanto o século XX não deixa esquecer, para finalmente encontrar, a serviço da mais pura barbárie, o paroxismo de sua instrumentalização. Mas essa já é a história de nosso tempo, em dia com as reminiscências por meio das quais, em cada uma de suas escolhas, essa exposição procura fazer a memória de nossos esquecimentos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?resize=742%2C445&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-135" width="742" height="445" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6473-senhora-na-liteira.jpg?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 742px) 100vw, 742px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Sem título, c. 1860, Bahia. Autor desconhecido. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></figcaption></figure>



<p>Caravelas portuguesas à frente, os europeus travaram contato com dois mundos inteiramente novos, inteiramente outros, aos quais restou, contra o peso de seu passado milenar, a violência da colonização &#8211; do latim colonus, pessoa instalada em um lugar novo -, essa sim uma palavra que teve de esperar a modernidade para conhecer toda a extensão de seu significado. Europeus e africanos de todas as nações passaram então a dividir a terra de tupiniquins, tupinambás, tamoios, caetés, potiguaras e tabajaras e, num par de séculos, viram nascer o que talvez tenha sido o maior mercado de escravos que o mundo já conheceu.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="800" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?resize=600%2C800&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-136" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/437a0-mina.jpg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Sem Título, c. 1885, Minas Gerais. Marc Ferrez. Instituto Moreira Salles. Reprodução</em></strong></figcaption></figure>



<p>Bárbaros, selvagens, feiticeiros, desalmados, inferiores e agora mercadorias, iorubás, cabindas, minas, axantis e tantos outros acabariam por encontrar, nos ecos de sua ancestralidade, os meios de inverter os símbolos que &#8220;legitimavam&#8221; o açoite, evitando, tanto quanto possível, o abismo de tornar-se, nessa terra tão estrangeira quanto sua, um outro de si mesmo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/Cris-4.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-137" /></figure>



<p>História que não deixa de ser a das Congadas, Maracatus, Moçambiques, Reisados e demais folguedos populares que, espalhados sobretudo pelo interior do Brasil, ainda hoje embalam a memória de um passado que insiste em não ceder. É, igualmente, a história de Kimpa Vita, a congolesa de origem nobre cujos milagres, considerados kindoki, decidiram seu destino de herege, e de Chico Rei, o ex-escravo que alforriava os seus e que, segundo consta, está na origem das Congadas em Minas Gerais.&nbsp;</p>



<p>É a história, enfim, de &#8220;todas as gerações do cativeiro, da liberdade, da esperança e a empoderada &#8211; agregadas nas gerações do espetáculo &#8211; [que] se encontram nas festas do tempo presente&#8221; (MONTEIRO, 2016, p. 37).&nbsp;</p>



<p>Bárbaro é o outro!&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>BERT, Jean-François. “Éléments pour une histoire de la notion de civilisation”. Vingtième Siècle. Revue d&#8217;histoire, Paris: Presses de Sciences Po, 2010/2, n° 106., pp. 71-80.&nbsp;</p>



<p>MONTEIRO, Lívia Nascimento. A congada é do mundo e da raça negra: memórias da escravidão e da liberdade nas festas de congada e moçambique de Piedade do Rio Grande-MG (1873-2015)”. Niterói: Universidade Federal Fluminense (tese de doutorado), 2016.&nbsp;</p>



<p>ELIAS, Norbert. Processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1993, 2v.&nbsp;</p>



<p>RODRIGUES, Raymundo Nina. Os africanos no Brasil. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010.&nbsp;</p>



<p><strong>Kimpa Vita&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="522" height="678" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?resize=522%2C678&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-142" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?w=522&amp;ssl=1 522w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2126f-kimpa-vita.jpg?resize=231%2C300&amp;ssl=1 231w" sizes="(max-width: 522px) 100vw, 522px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-drop-cap">Líder de uma seita que ficou conhecida como ‘antonionismo’, movimento religioso com importantes desdobramentos políticos no início do século XVIII, Kimpa Vita é considerada a mãe da revolução africana. Congolesa de origem nobre, Kimpa Vita contava entre “18 e 20 anos quando, acometida de forte doença, disse ter falecido e depois ressuscitado como Santo Antônio [&#8230;]. Africanizando o catolicismo, ‘a Santo Antônio congolesa’ dizia que Cristo nascera em São Salvador, a verdadeira Belém, e recebera o batismo em Nsundi, a verdadeira Nazareth. Afirmava ainda que a Virgem Santíssima era negra, filha de uma escrava ou criada do Marquês de Nzimba Npanghi e que São Francisco pertencia ao clã do Marquês de Vunda [&#8230;]. Organizou para tanto uma verdadeira igreja antoniana, um clero, onde pontificavam outros santos, como São João, e uma plêiade de sacerdotes denominada de ‘os antoninhos’ que saíam a pregar a excelência da nova igreja e o poder taumatúrgico e apostólico ‘da Santo Antônio’ que a chefiava [&#8230;].&nbsp;</p>



<p>Kimpa Vita foi presa, arguida pelo capuchinho Bernardo Gallo e condenada a morrer na fogueira como herege do catolicismo. A sentença foi executada em 1708 e na fogueira arderam Kimpa Vita e seu ‘anjo da guarda’ &#8211; o Santo Antônio e o São João do catolicismo congolês”.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>VAINFAS, Ronaldo &amp; SOUZA, Marina de Mello e. “Catolização e poder no tempo do tráfico: o Reino do Congo da conversão coroada ao movimento antoniano, séculos XV-XVIII”. Niterói. Revista Tempo, nº 6, 1998, pp. 95-118, p. 106-107.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b3b64-220px-negro_do_congo_-_litografia_de_m._rugendas_-_seculo_xix..jpg?resize=276%2C368&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-138" width="276" height="368" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Negro do Congo &#8211; <em>Litografia de M. Rugendas</em> &#8211; século XIX.</figcaption></figure></div>



<p><strong>Chico Rei&nbsp;</strong></p>



<p class="has-drop-cap">“As explicações para as origens do ritual do congado em Minas Gerais, segundo relatos orais e escritos, enfatizam os temas do aparecimento de Nossa Senhora do Rosário no ‘mar’, numa ‘gruta’, numa ‘lapa’ ou num ‘barreiro’, nos tempos antigos da escravidão, e o papel de um Rei Africano que contam ter se tornado muito conhecido em Vila Rica pela alcunha de Chico Rei &#8211; e cujo nome de batismo cristão ora é relatado como Francisco da Natividade, Francisco Lisboa da Anunciação ou ainda Francisco Lázaro. Esta personagem ‘lendária’ é descrita como um rei tribal congolês que foi trazido para o Brasil como escravo e levado para as Minas Gerais, onde, forçado a trabalhar na lavra de ouro, conseguiu com esforço braçal comprar a sua liberdade. Além disso, com astúcia e a solidariedade dos ‘irmãos de mesa’ da Irmandade religiosa da qual se tornou membro, também logrou alforriar tantos outros cativos. Este ato heróico valeu ao ex-escravo a coroação simbólica como Rei Congo do Brasil, e a oportunidade de promover a primeira ‘festa do congado’, em homenagem aos santos católicos padroeiros da Irmandade e protetores dos africanos e dos seus descendentes, e também em louvor à maior divindade da cosmovisão africana congolesa: ‘Zambi-Apungo’”.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>SILVA, Rubens Alves da. “Chico Rei Congo do Brasil”. In: SILVA, Vagner Gonçalves da (org.). Imaginário, Cotidiano e Poder: Memória afro-brasileira. São Paulo: Selo Negro Editores, 2007, pp. 43-86, p. 45</p>
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		<title>Criação</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 19:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Goethe]]></category>
		<category><![CDATA[Humboldt]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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<p><em>por: Kariston França</em></p>



<p class="has-drop-cap">Toda a criação é fruto de um processo de inspiração e expiração, é ler o que está ao redor e misturando com a nossa absorção do meio, expirar aquilo que é gerado.</p>



<p>Ler, pensar, imaginar…</p>



<p>As coisas que mais mudaram o mundo, vieram de transbordos, de expirações.</p>



<p>Algumas geraram caos e destruição, outras apenas alimentaram a vida.</p>



<p>De fato, a criação é reflexo de destruição e renascimento, de oxidação das células, de reprodução das mesmas antes de morrerem. </p>



<p>Morte e Vida.</p>



<p>Neruda viveu em meio às manifestações populares, essas revoluções fizeram de Neruda um entusiasta da poesia lida nas praças, ruas, estações e lugares mais incomuns e no entanto, comuns de todos aqueles que o cercavam.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/PABLO-NERUDA.jpg?fit=606%2C296&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-120" /></figure>



<p>Certa vez, Neruda foi convidado a ler para o sindicato de descarregadores de cargas de um mercado importante na capital chilena. Era um lugar frio, com janelas quebradas, pouquíssimas cadeiras, muitos caixotes e a época próxima do rigoroso inverno chileno tornou sua missão mais difícil ainda.</p>



<p>Segundo relato de seu livro &#8220;Confesso que Vivi&#8221; os trabalhadores estavam com roupas remendadas, descalços, com panos de saco, e olhares vidrados aguardando a leitura de seus relatos do livro &#8221; Espanha no coração&#8221;.</p>



<p>&#8221; Ao sentir o silêncio como de água profunda em que caiam minhas palavras, ao ver como aqueles olhos e sombrancelhas escuros seguiam intensamente minha poesia, compreendi que meu livro estava chegando ao seu destino.&#8221;</p>



<p>A vida e a arte o surpreenderam naquele dia gélido, e aos soluços de todos no sindicato e os dele mesmo, encerra o relato se indagando: &#8221; pode um poeta ser o mesmo depois de ter passado por essas provas de frio e fogo?&#8221;.</p>



<p>Frio e fogo, calor e altitude, tremores intermináveis e encontros surpreendentes transformaram a vida de Alexander von Humboldt, e no livro de Andrea Wulf chamado &#8220;A Invenção da Natureza&#8221;, eu embarco na vida de um jovem (daqueles que não deveriam morrer rs), um jovem que reconstruiu a maneira como a ciência é vista e como a mesma dialoga com a sociedade.</p>



<p>Muito novo, Humboldt viveu mais experiências e descobertas do que muitos de nós viveríamos em três vidas.. não houveram paredes que fossem capazes de conter seu desejo pela observação e apreciação da natureza e de como ela estava conectada.</p>



<p>A poesia e a ciência tiveram um caso de amor, e dali nasceu Humboldt, já dizia Goethe…</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="416" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7bb90-figure-6.-sketch-of-old-and-new-world-vegetation-by-goethe.jpg?resize=580%2C416&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-115" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7bb90-figure-6.-sketch-of-old-and-new-world-vegetation-by-goethe.jpg?w=580&amp;ssl=1 580w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7bb90-figure-6.-sketch-of-old-and-new-world-vegetation-by-goethe.jpg?resize=300%2C215&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Figure 6. Sketch of Old and New World Vegetation by Goethe</em></figcaption></figure>



<p>Humboldt explorou o continente sul americano e desenvolveu a sua teoria da terra como um único e extenso organismo.</p>



<p>Em meio ao caos da Europa napoleônica, o mesmo desembarca, desbrava, se leva ao limite e sem perder o ânimo, retorna a Europa já dentro da soberania de Napoleão.</p>



<p>Achando entrar em um período de morte acadêmica, Humboldt observa os pesquisadores em Paris, compartilhando experimentos e descobertas nas praças, telhados de casas, restaurantes, esquinas!!</p>



<p>A arte e a ciência haviam gerado não apenas Humboldt, mas estavam gerando um novo tempo, estavam saindo de suas fortalezas, e se tornando intensas e ao mesmo tempo comuns!</p>



<p>Não existe um local específico aonde a criatividade possa fluir. Nos movemos e nos reinventamos para que o nosso dia seja mais agradável e proveitoso. </p>



<p>Nossas universidades hoje de certo modo ameaçadas de serem multiladas, nossas grades educacionais não podem continuar retendo a criatividade e o impulso criador de todos nós.</p>



<p>Precisamos resgatar o desejo de fundir os conhecimentos técnicos e teóricos em meio ao suor e o desgaste de um povo cansado as 18:15 no ônibus lotado.</p>



<p>Precisamos expandir a criatividade e a surpresa da vida para que cada parte desse organismo gigante chamado terra, se torne participante da arte global.</p>



<p>Qual o nosso legado? Seremos reducionistas e aprisionaremos nossa vida, nossa luta e nossa criatividade em castelos tão frágeis quanto uma folha de papel ou nos empenharemos em deixar que esse papel se torne uma pipa em meio ao vento que carrega a vida aos quatro cantos da terra?</p>



<p>Inspire, expire, explore, se ajunte e viva!</p>
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		<title>Os Livros Digitais de Fotografia da Coleção Festejo Maior</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 17:43:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia Visual]]></category>
		<category><![CDATA[Congado]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[Livro de Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Patrimônio Cultural Imaterial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Cris Nery</p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/fjjdssd-1.png?fit=606%2C286&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-129" width="772" height="364" /></figure>



<p><strong>OS LIVROS DIGITAIS DE FOTOGRAFIA DA COLEÇÃO FESTEJO MAIOR: NEXOS POSSÍVEIS ENTRE DESIGN, ETNOGRAFIA E ANTROPOLOGIA VISUAL</strong></p>



<p>Artigo originalmente publicado no 12º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, 2016, Belo Horizonte. Blucher Design Proceedings. São Paulo: Editora Blucher.</p>



<p>NERY, Cristiane Gusmão; MAGALHÃES, Lucas Augusto Campos; CÂMARA, Jairo José Drummond; LANA, Sebastiana Luiza Bragança. &#8220;OS LIVROS DIGITAIS DE FOTOGRAFIA DA COLEÇÃO FESTEJO MAIOR: NEXOS POSSÍVEIS ENTRE DESIGN, ETNOGRAFIA E ANTROPOLOGIA VISUAL&#8221;, p. 3609-3619. In: <strong>Anais do 12º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design [Blucher Design Proceedings, v. 9, n. 2]</strong>. São Paulo: Blucher, 2016. ISSN 2318-6968, DOI 10.5151/despro-ped2016-0310. Disponível em: &lt;<a href="https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/os-livros-digitais-de-fotografia-da-coleo-festejo-maior-nexos-possveis-entre-design-etnografia-e-antropologia-visual-24546">https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/os-livros-digitais-de-fotografia-da-coleo-festejo-maior-nexos-possveis-entre-design-etnografia-e-antropologia-visual-24546</a>&gt; Acesso em: 09 junho 2019.</p>



<p><strong>Resumo</strong>: Este artigo versa sobre os nexos possíveis entre Design, Antropologia Visual e o método etnográfico aplicado no desenvolvimento de produtos culturais, mais especificamente, livros de fotografias. Para tanto será apresentado o processo de criação dos livros da Coleção Festejo Maior. O projeto de pesquisa e extensão Coleção Festejo Maior foi desenvolvido em 2015 e como resultado, foram produzidos e disponibilizados para toda a comunidade, via CD-ROM e Internet, seis livros digitais de fotografias de seis Guardas de Congado da região metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo era, principalmente, utilizar o Livro de Fotografia como meio para preservar e divulgar a memória, e, consequentemente, o patrimônio material e imaterial de culturas tradicionais afro-brasileiras.</p>



<p><strong>Palavras-chave</strong>: Antropologia Visual, Design, Livro de Fotografia, Patrimônio Cultural Imaterial, Congado.</p>



<p><strong><em>Abstract</em></strong><em>: This paper discusses the possible links between Design, Visual Anthropology and ethnographic method applied in the development of cultural products, more specifically, photobooks. To do so will be analyzed the process of creating the books Coleção Festejo Maior. The Festejo Maior book collection was developed in 2015 and, as a result, six digital photobooks of six Brotherhoodof Our Lady of the Rosary from the metropolitan region of Belo Horizonte were produced and made available to the entire community, via CD-ROM and Internet. The objective was mainly to use the Book of Photography as a means to preserve and</em> <em>promote the memory and therefore the tangible and intangible heritage of traditional african-Brazilian cultures.<br></em><strong><em>Keywords</em></strong><em>: Visual Anthropology, Design, Photobooks, Intangible Culture Heritage, Brotherhood of Our Lady of the Rosary.</em></p>



<p><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="has-drop-cap">Este artigo versa sobre o desenvolvimento de produtos culturais, mais especificamente, sobre os livros de fotografias voltados para a cultural imaterial, por meio de uma reflexão acerca dos nexos possíveis entre Design, Etnografia e Antropologia Visual. Para tanto, será apresentado o processo de criação dos livros digitais da Coleção Festejo Maior.</p>



<p>O projeto de pesquisa e extensão Coleção Festejo Maior foi desenvolvido em 2015 na Escola de Design / UEMG. Como resultado, foram produzidos e disponibilizados para toda a comunidade, via CD-ROM e Internet, seis livros digitais de fotografias de seis Guardas de Congado ou Reinado da região metropolitana de Belo Horizonte. São eles: 1 &#8211; Guarda de Moçambique de São Benedito de Prudente de Morais/MG2; 2 &#8211; Guarda de Congo Estrela do Oriente do bairro Tupi de Belo Horizonte3; 3 &#8211; Guarda de Congo São Bartolomeu do bairro Concórdia de Belo Horizonte4; 4 &#8211; Irmandade de Moçambique da Nova Gameleira de Belo Horizonte5; 5 &#8211; Irmandade de Ibirité/MG6; 6- Banda de Congado Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora da Guia de Conselheiro Lafaiete/MG7.</p>



<p>O Congado, também conhecido como Reinado, é uma religião de matriz africana e católica, sendo que os livros em pauta retratam suas festas para Nossa Senhora do Rosário8. A equipe de trabalho era constituída de uma professora (Cris Nery) que coordenava o projeto e dois alunos bolsistas sob sua orientação. Apesar de a equipe de trabalho ser pequena, eram muitos devotos e guardas envolvidos com o projeto. Um dos bolsistas (Lucas Magalhães), na época aluno do último ano do curso de design gráfico, já havia participado de projetos anteriores. Assim, devido à sua experiência e ao contato anterior com as guardas, ficou responsável pelas fotografias e pelo design gráfico. O outro bolsista era aluno do primeiro ano de Design de Produto e ficou responsável pela organização do material, pelos CDs, DVDs e redes sociais.</p>



<p>O objetivo da pesquisa era, principalmente, utilizar o Livro de Fotografia como meio para preservar e divulgar a memória, e, consequentemente, o patrimônio material e imaterial de culturas tradicionais afro-brasileiras. Para o desenvolvimento dos livros (pré-produção, produção e pós-produção), foram adotados diferentes métodos oriundos de diversos campos do saber: Fotografia Documental, Etnografia, Antropologia Visual, Design Editorial e Fotolivro.</p>



<p><strong>2.1 Do livro de fotografia</strong></p>



<p>Fotografias podem ser apreciadas em diversos suportes e situações, desde álbuns de família a peças de publicidade, jornais, revistas, sites, blogs, exposições em grandes galerias e museus. Porém, há uma situação especial, que de alguma maneira aproxima o espectador da imagem retratada, que o toca, que o emociona, que o envolve: o livro de fotografia. A fotografia transmutada em página adquire qualidades latentes e as emite com máxima potência. Em um livro, a fotografia excede o limite da captação da imagem, ao se entregar a um processo de criação que abraça, principalmente, a edição das imagens e o projeto editorial. Nesse percurso, tem-se dois momentos imperativos que devem ser realizados primorosamente, de forma que a obra concluída possa expressar com toda força o que, porventura, se possa denominar de conceito, anseio ou narrativa. Seguindo mais além, por que não alcunhar o que se manifesta no volver dessas páginas de lirismo e poesia?</p>



<p>Fernandes Jr.e Entler (2014) afirmam que, no livro, as fotografias</p>



<p>[&#8230;] se articulam entre si e com outras linguagens para compor um pensamento mais elaborado. Ali se evidencia um processo de criação que se estende para muito além da captação da imagem. Com isso, as fotografias reivindicam outro tempo, outra profundidade do olhar, e se oferecem ao mundo como instrumento de crítica. [&#8230;] Tecnicamente, o livro é mero suporte para seu conteúdo; mas ele também é forma, desenho, objeto. É um dos primeiros artefatos a anunciar a era da reprodutibilidade técnica. Mas, assim como uma fotografia, ele se singulariza em nossas coleções como matéria carregada de memória, de afeto e de desejo. [&#8230;] A fotografia, enquanto repensa a si própria, tem ajudado a repensar o estatuto do livro. (EDITORA TEMPO D’IMAGEM, 2014.)</p>



<p>Segundo Lefèvre (2003) e Grigolin (2013), existem diferentes publicações que incorporam fotografias em seu miolo. Cinco tipos aqui nos interessam. O primeiro, livros que apresentam a obra de um fotógrafo, seu portfólio, que pode condensar um momento, um período ou a sua vida, lembrando também da própria linguagem fotográfica e da expressão do autor. O segundo, os catálogos de exposição, que são livros que acompanham exposições fotográficas e as têm como referência do seu conceito editorial. O terceiro, livros que incluem elementos textuais, nos quais a fotografia não se apresenta apenas como uma ilustração, mas se observa um processo em que tanto texto quanto imagem são protagonistas e se complementam; O quarto, Fotolivro, cuja premissa é criar uma narrativa onde o trabalho é coletivo e normalmente realizado pelo fotógrafo e pelo designer, que trabalham conjuntamente durante toda a criação do livro. O quinto, o Livro de Artista, é aquele em que um artista plástico é o responsável, de modo que o livro reflete suas preocupações e sua sensibilidade, fazendo com que o livro não seja apenas o suporte, mas a obra em si, o instrumento para a sua expressão artística individual.</p>



<p>Como principal característica da elaboração do conteúdo de um projeto editorial, o fotolivro traz imagens em sequência com ordens elaboradas a partir da narrativa que o fotógrafo tem como intenção apresentar. Todos os elementos – a paleta de cores, a coerência formal, o formato, o papel, a impressão – são escolhidos para fundamentá-lo enquanto objeto de arte. Até aqui, pode-se pensar que o projeto editorial de uma obra desse tipo pode ser desenvolvido como outro qualquer, por exemplo, em situações em que fotografias passam por galerias ou mostras antes de chegarem ao objeto livro. Nesse caso, o fotolivro é elaborado ao mesmo tempo em que é desenvolvido o projeto editorial, sendo ele o próprio objeto de arte.</p>



<p>O Trama, Grupo de Estudos localizado em São Paulo, é responsável pelos atuais debates em torno do tema. Tal grupo é filiado ao Estúdio Madalena9, coordenado por Iatã Canabrava, renomado estudioso e especialista em Fotolivros no Brasil, além de ser autor de alguns fotolivros que ganharam projeção10. O fotolivro é muitas vezes um trabalho coletivo, processo onde participam designer e editor concomitantemente ao fotógrafo, sobretudo quando se trata de definir a prerrogativa do livro. “Comentamos vários exemplos, entre os quais os fotolivros de outros convidados do evento do MIS, como ‘Ausente’ da fotógrafa Gordana Manic e ‘Mulheres Centrais’ e ‘Tietê’ do coletivo Garapa. “&nbsp;11.</p>



<p>O fotolivro é um conjunto de imagens fotográficas pensadas, desde a sua concepção, para o formato livro, projeto em que fotógrafo, o designer e o editor trabalham juntos com papéis de igual peso na composição do discurso fotográfico e na tomada das decisões editoriais. Acima de tudo, para que se reconheça um legítimo fotolivro, é preciso que se garanta a relação interna das imagens, evitando que as partes tenham mais importância que o todo.</p>



<p>Essa premissa de designer, editor e fotógrafo trabalharem juntos desde o início, durante a organização do conteúdo editorial, garante que se encontre uma forma adequada à sequencia das imagens – opondo-se ao modelo adotado atualmente, no qual o projeto editorial só passa a ser desenvolvido após o conteúdo do livro estar totalmente definido, isto é, durante e após o desenvolvimento do projeto editorial.</p>



<p><strong>2.2 Dos nexos entre design, etnografia e antropologia visual</strong></p>



<p>Atualmente, a necessidade de se dar forma a um produto é, principalmente, uma questão muito mais semântica, comunicativa e ergonômica do que somente tecnológica. Nos cenários cada vez mais efêmeros e complexos, o designer deve ver o mundo e a cultura projetual mediante uma ótica mais alargada, não apenas voltada para as questões do produto em si, mas de igual forma para a dinâmica que existe em seu entorno. Tal habilidade requer do profissional uma vivência transdisciplinar, voltada para o comportamento humano e para os valores de estima. (MORAES, 2011). Essas novas perspectivas exigem do designer outras posturas diante do problema ou projeto, uma vez que, na “contemporaneidade um dos grandes desafios do designer é comunicar e valorizar a identidade de produtos em um contexto global.” (KRUCKEN; SAIKALY, 2010, p. 46).</p>



<p>Nesse processo, o resgate e a valorização da cultura local para um contexto globalizado, foram largamente utilizados, assim como os métodos oriundos da Antropologia. Isso foi possível porque a Antropologia é “um conjunto de teorias (nem sempre concordantes) e diferentes métodos e técnicas de pesquisa que buscam explicar, compreender ou interpretar as mais diversas práticas dos homens e mulheres da sociedade” e “muitas dessas teorias baseiam-se em pesquisas de campo, nas quais os antropólogos buscam conviver com as populações locais e aprender seus hábitos, valores, modos de vida, crenças, relações de parentesco e outras dimensões da vida social” (SANTOS, 2005, p. 19).</p>



<p>Bichard e Gheerawo (2011) apontam que a etnografia tem sido o modus operandi principal da Antropologia (social e cultural em oposição ao biológico) desde o &#8220;nascimento&#8221; da prática com permanência de Malinowski (1961) nas Ilhas Trobriand.</p>



<p>Assim, a resposta para a pergunta “O que é a Etnografia” está na participação no cotidiano das pessoas por um período prolongado de tempo; observando, ouvindo, pedindo e recolhendo tudo o que pode ser depois constituído como dado. Baskerville e Myers (2015) afirmam que o etnógrafo observa e participa, mas não procura ativamente mudar a situação. Explicam, porém, que últimos anos, um novo tipo de pesquisa etnográfica tem surgido – aquele que pode ser chamado de&nbsp;<em>design ethnography</em>.</p>



<p>Nesse novo tipo de pesquisa etnográfica, o pesquisador vai além da observação e, ativamente, se envolve com as pessoas no campo com o intuito de inovar ou de modificar aquela realidade, utilizando as ferramentas de design. Além disso, o pesquisador pode, a partir daquela realidade, perceber as oportunidades para diversos produtos, serviços e negócios. Nesse enfoque, Blomberg e Darrah (2015) argumentam que o olhar antropológico pode ser útil precisamente porque combina a atenção para detalhes da vida cotidiana, levando em consideração o meio em que tais detalhes fazem sentido.</p>



<p>Para tanto, é necessário refletir acerca da tradição textual da Antropologia. Normalmente, o produto final do trabalho de um antropólogo é apresentado em formato de texto, ou seja, em forma de publicações científicas. Seu trabalho, suas anotações, seus cadernos de campo e mesmo os registros imagéticos e sonoros são os dados a partir dos quais o antropólogo irá desenvolver seu pensamento, suas ideias, seus conceitos e suas teorias, de modo que tudo será apresentado textualmente.</p>



<p>Já a Antropologia Visual, um ramo da Antropologia, mantém sua relação com o texto, mas acrescenta a possibilidade de apresentar seus resultados de outras formas, propondo que texto e imagem tenham pesos iguais diante do registro do conhecimento humano.</p>



<p>Desse modo, observa-se a proposição de que é necessário pensar nas complementaridades heurísticas possíveis entre texto e imagem. Os antropólogos visuais iniciam seus trabalhos com a consciência de que seus resultados podem ser convertidos em forma de textos, ensaios fotográficos, CDs de músicas, registros sonoros, documentários, websites, acervos digitais e físicos, livros de fotografia, desenhos e uma série de outros produtos que terão de conter os aspectos culturais dos quais se originaram. Todas essas possibilidades de produtos culturais foram apresentadas durante o Encontro Internacional de Antropologia Visual, realizado de 03 a 08 de novembro de 2014 pelo LISA – Laboratório de Imagem e Som em Antropologia – e pelo GRAVI – Grupo de Antropologia Visual da USP – Universidade de São Paulo. Os processos de criação e a metodologia da Antropologia Visual contemplam como fazer a transposição dos dados colhidos em campo para os produtos culturais, o que pode ser um fator diferencial em um projeto de design.</p>



<p>Assim, vale ressaltar a abordagem de Dennison (2015) ao explicar que, embora muito tenha sido escrito sobre o potencial do cinema, da fotografia e da arte visual e, em uma extensão menor, da hipermídia para comunicar informações etnográficas, tem havido pouca discussão sobre o potencial para o projeto gráfico. Inspirando-se no trabalho do designer gráfico Buffalo Nickel, que foi contratado para acompanhar um texto etnográfico, Dennison explora algumas das possibilidades que o design gráfico oferece no campo da Antropologia.</p>



<p>Corroborando tal ideia, Caiuby Novaes, autora reconhecida no campo da antropologia visual, em seu artigo intitulado O uso da imagem na Antropologia, reitera que:</p>



<p>Imagens, assim como os textos, são artefatos culturais. É nesse sentido que a produção e análise de registros fotográficos, fílmicos e videográficos podem permitir a reconstituição da história cultural de grupos sociais, bem como um melhor entendimento de processos de mudança social, do impacto de frentes econômicas e da dinâmica das relações interétnicas. Arquivos de imagens e imagens contemporâneas coletadas em pesquisa de campo podem e devem ser utlizados como fontes que conectam os dados à tradição oral e à memória dos grupos estudados. Assim, o uso da imagem acrescenta novas dimensões à interpretação da história cultural, permitindo aprofundar a compreensão do universo simbólico, que se exprime em sistemas de atitudes por meio dos quais grupos sociais se definem, constroem identidades e apreendem mentalidades (CAIUBY NOVAES, 2005, p. 110).</p>



<p>Essa afirmação permite reconhecer um dos nexos da Antropologia Visual com o design: ir à campo já com o intuito de transformar os dados em produtos específicos. As questões sobre o uso da imagem na Antropologia estão longe se se esgotar e, em razão disso, Samain (2012b, p.17) lança o convite para “deixar germinar novas ideias em torno da imagem, de todas as imagens”.</p>



<p>O Design se aproxima da Antropologia de diversas maneiras. Isso pode ser observado tanto na utilização do trabalho de campo e da etnografia no desenvolvimento de um projeto, quanto no processo de se agregar valor a produtos, ambientes e peças gráficas ao se levar em conta os aspectos culturais regionais. Esse raciocínio remete a determinadas áreas imprescindíveis atualmente, tais como design social, design e artesanato, economia criativa, design e território. Em tais áreas já existem estudos significativos sobre essa aproximação.</p>



<p>Partindo-se desse contexto, vale refletir acerca do desenvolvimento de produtos culturais, mais especificamente, livros de fotografias. Para tanto, será apresentado o processo de criação dos livros da Coleção Festejo Maior.</p>



<p><strong>2.3 Do processo de criação dos livros de fotografia da coleção festejo maior</strong></p>



<p>O desejo de fazer um livro para cada Guarda de Congado surgiu após a publicação em 2012 do livro “Um Olhar sobre o Congado” desenvolvido, também, como projeto de pesquisa e extensão na Escola de Design/UEMG. Na época, coletou-se um número expressivo de bibliografia sobre o Congado. Além disso, uma aproximação forte e significativa foi feita com algumas guardas, o que possibilitou a continuação dos registros fotográficos em 2013 e 2014. Durante esse período, foram produzidas não só fotografias, mas também registros em vídeo das festas. Todo esse material foi entregue para as guardas envolvidas nos formatos de CDs e DVDs. Esse retorno é de extrema importância em projetos dessa natureza.</p>



<p>Como o contato entre as guardas e os pesquisadores era constante, foi possível perceber o grande interesse que os devotos manifestavam nos registros fotográficos e audiovisuais. Consequentemente, surgiram novos convites, feitos pelos devotos, para registrar outras festas, o que gerou um vasto banco de dados composto desse material. Como esses registros iam sendo organizados em formatos de DVDs e CDs, o material foi sendo revisitado constantemente. Dessa forma, foram selecionadas as festas que tinham maior número de fotografias, com o propósito de se produzir um livro para cada uma delas. Como o custo da impressão inviabilizaria o projeto, decidiu- se publicar os livros no formato digital em PDF e pleitear patrocínio para impressão posteriormente. Como já existia uma rede social em que parte das fotografias das festas era disponibilizada e o acesso pelos devotos já era muito grande (1109 seguidores), seria possível divulgar os livros de forma parecida.</p>



<p>Os livros foram desenvolvidos em 2015 em três fases: pré-produção, produção e pós- produção. A busca pelos nexos possíveis entre os métodos do design, da etnografia e da Antropologia Visual foi fundamental em todas elas.</p>



<p><strong>Figura 1 &#8211; Volumes 01 e 02 da Coleção Festejo Maior. Guarda de Moçambique São Benedito do Reino de Nossa Senhora do Rosário de Prudente de Morais e&nbsp;</strong><strong>Guarda de Congo Estrela do Oriente.</strong>Disponível em: https://issuu.com/crisnery/docs/01.guarda_de_mocambique_sao_benedit e https://issuu.com/crisnery/docs/02.guarda_de_congo_estrela_do_orien Acesso em: 30 mai. 2016. Fonte: &#8220;Elaborado pelo autor, com base na pesquisa realizada&#8221;.</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/512d595e-a5ec-41aa-876a-b3383394d061" alt="page7image19984992" /></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/6c57fc09-9be2-4a13-8576-789bd9e5e56e" alt="page7image19976880" /></figure>



<p>Durante a pré-produção, foram realizadas as seguintes etapas: análise do acervo de fotografias já existentes; agendamento das entrevistas e dos novos registros das festas; organograma do conteúdo dos livros, espelho dos livros.</p>



<p>Na fase de produção, as seguintes etapas foram seguidas: entrevistas; novos registros fotográficos das festas de congado; organização e seleção das imagens; transcrição das entrevistas, elaboração dos textos, tratamento e edição de todo o conteúdo dos livros. Criação de identidade visual para o projeto; conceituação e definição das peças gráficas a serem desenvolvidas (CD’s, DVD’s, editoriais, papelaria, marca, padronagens, cartazes de lançamento, material de divulgação etc.); geração de alternativas; decisão formal. Desenvolvimento de projeto editorial e diagramação. Reunião com as guardas para acompanhamento e aprovação do layout e da diagramação dos livros. Tratamento das imagens, arte final. Registro e ISBN dos livros; elaboração da ficha catalográfica e da ficha técnica; revisão final de texto. Produção dos mil exemplares de CD-ROM contendo os seis livros. Organização do lançamento.</p>



<p><strong>Figura 2 &#8211; CD-ROM contendo todos os livros da Coleção Festejo Maior.</strong></p>



<p>Fonte: &#8220;Elaborado pelo autor, com base na pesquisa realizada&#8221;.</p>



<p>A fase de pós-produção contou com as seguintes etapas: publicação definitiva dos seis livros digitais de fotografia em formato PDF no site da Escola de Design/UEMG e na plataforma ISSUU; propagação e divulgação dos livros; lançamento. O lançamento dos livros foi realizado no dia 12 de setembro de 2015 na FUNARTE como evento integrante da Semana UEMG e da Virada Cultural da cidade12. Contou com a apresentação de duas Guardas de Congados e com a presença de mestres e capitães de Reinado. O CD-ROM foi distribuído gratuitamente para os presentes e disponibilizado para bibliotecas, pesquisadores, professores e alunos.</p>



<p>12&nbsp;Reportagem sobre o lançamento no site da Escola de Design. Disponível em: http://www.ed.uemg.br/noticias/2015/09/semana-uemg-comeca-hoje Acesso em: 10 set. 2016. Reportagem sobre a virada cultural. Disponível em: http://www.soubh.com.br/eventos/virada-cultural- funarte/ Acesso em: 10 set. 2016.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/aece47dc-f64e-4042-942a-8c35cdc03f2f" alt="page8image19988112" /></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/6e6d4ac2-8dea-4a46-bf23-bd256f8d9e87" alt="page9image19950352" /></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/b15f0150-d29d-4de9-aeac-6f7a1c87114f" alt="page9image19941824" /></figure>



<p class="has-small-font-size"><strong>Figuras 03 e 04 – Cartaz do lançamento da Coleção Festejo Maior e apresentação da Guarda de&nbsp;</strong><strong>Congo Estrela do Oriente durante o lançamento.<br></strong>Fonte: &#8220;Elaborado pelo autor, com base na pesquisa realizada&#8221;.</p>



<p><strong>3. CONCLUSÃO</strong></p>



<p>Ao analisar o processo de desenvolvimento dos livros da Coleção Festejo Maior, percebe-se que os métodos oriundos do Design, da Etnografia e da Antropologia Visual podem ser aplicados desde o início do desenvolvimento de produtos culturais, mais especificamente, de livros de fotografias que levantam a possibilidade de salvaguardar memórias e culturas imateriais. Neste artigo, defendeu-se a ideia de que tanto o formato impresso quanto o digital são importantes, de modo que um não substitui o outro, uma vez que se complementam. Desse modo, um livro que possui as duas versões aumenta o poder de propagação de seu conteúdo. No caso dos livros digitais de fotografia, a disponibilização pela internet para acesso remoto torna acessível a todos os interessados o conhecimento de objetos, fotografias e documentos, que só seriam possíveis de se conhecer por meio de uma visita presencial na sede das guardas. Os próprios devotos compartilham os livros em suas redes sociais particulares e, também, nas páginas das Guardas de Congado.</p>



<p>Morais (2010, p.35) cita a obra Heranças do Tempo, tradições afro-brasileiras em Belo Horizonte para ressaltar que o maior mérito de um inventário,</p>



<p>[&#8230;] além da investigação documental, é recuperar a autoestima dos grupos detentores de conhecimentos tradicionais que habitam em Belo Horizonte, resgatar seus saberes e fazeres, promover seu patrimônio histórico e cultural, através de sua memória coletiva (BELO HORIZONTE, 2006, p.8).</p>



<p>Dessa forma, essa reflexão acerca dos nexos possíveis entre Design, Etnografia e Antropologia Visual levanta discussões interessantes pelas possibilidades de promover o desenvolvimento de livros de fotografia pelo viés de uma perspectiva transdisciplinar, causando, desse modo, um impacto pela ação social transformadora.</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS<br></strong>BASKERVILLE R. L.; Myers M. D.&nbsp;<strong>Design ethnography in information systems</strong>. In: Info</p>



<p>Systems J, 25, 23–46, 2015.<br>BICHARD, Jo-Anne; GHEERAWO, Rama. The ethnography in design. In:&nbsp;<strong>Design</strong></p>



<p><strong>Anthropology: object culture in 21st century</strong>. Springer Vienna, 2011. p. 45-55.</p>



<p>BLOMBERG, Jeanette; DARRAH, Chuck. An Anthropology of Services: Toward a Practive Approach to Designing Services.&nbsp;<strong>Synthesis Lectures on Human-Centered Informatics</strong>, Morgan &amp; Claypool Publisher, n. 1, v. 8, February 2015.</p>



<p>CAIUBY NOVAES, S. O uso da imagem na Antropologia. SAMAIN, Etienne (Org.).&nbsp;<strong>O fotográfico</strong>. 2 Ed. São Paulo: Editora Hucitec; Editora Senac, 2005. p. 107–113.</p>



<p>DENNISON, Jean. Situating Graphic Anthropology.&nbsp;<strong>Visual Anthropology</strong>, v. 28, n. 1, p. 88-108, 2015.</p>



<p>ENCONTRO INTERNACIONAL DE ANTROPOLOGIA VISUAL. Disponível em: &lt;http://eiav2014.blogspot.com.br/p/mesas-redondas.html&gt;. Acesso em 30 mai. 2016.</p>



<p>ENTLER, Ronaldo; JR. FERNANDES, Rubens.&nbsp;<strong>Tudo no mundo existe para terminar num livro de fotografia.&nbsp;</strong>In: Editora Tempo D’Imagem, 2014. Disponível em:</p>



<p>&lt;https://www.facebook.com/editoratempodimagem/posts/836596233036239:0&gt;. Acesso em 30 mai. 2016.</p>



<p>ESTÚDIO MADALENA. Disponível em: &lt;http://estudiomadalena.com.br/&gt;. Acesso em 30 mai. 2016.</p>



<p>GRIGOLIN, Fernanda.&nbsp;<strong>Livro de fotografia como livro de artista</strong>. Experiências de artistas: aproximações entre a fotografia e o livro. São José dos Campos: Publicações Iara, 2013.</p>



<p>IATÃ CANABRAVA. Disponível em: &lt;http://madalenacei.com.br/professor/iata- cannabrava/&gt;. Acesso em: 30 mai. 2016.</p>



<p>LEFRÈVE, Beatriz Vampre.&nbsp;<strong>Livros de Fotografia</strong>: história, conceito e leitura. 2003. 293 p. Dissertação (Mestrado em Multimeios) &#8211; Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas.</p>



<p>MORAES, Dijon de.&nbsp;<strong>Metaprojeto como modelo projetual.&nbsp;</strong>In: MORAES, Dijon de; DIAS, Regina Álvares; BOM CONSELHO, Rosemary (Org.). Método. 1ed. Barbacena: Ed/UEMG, 2011, v. 1, p. 35-51.</p>



<p>MORAIS, M. R. Ações do poder público e a prática da umbanda, candomblé e congado: Reflexões sobre a construção de patrimônios culturais.&nbsp;<strong>Latitude</strong>, Maceió, v.4, n.2, pp. 25-42, 2010. Disponível em: &lt;http://www.seer.ufal.br/index.php/latitude/article/view/839/541&gt;. Acesso em: 30 mai. 2016.</p>



<p>PEREZ, Léa Freitas; MARTINS, Marcos da Costa; GOMES, Rafael Barros.&nbsp;<strong>Variações sobre o Reinado</strong>: um rosário de experiências em louvor a Maria. Porto Alegre: Medianiz, 2014.</p>



<p>SAIKALY, F.; KRUCKEN, L .&nbsp;<strong>Design de plataformas para valorizar identidades e produtos locais</strong>. In: Moraes, D.; Krucken, L.; Reyes, p. (Org.). Design e Identidade. 1 ed. Barbacena: Ed/UEMG, 2010, v. 1, p. 35-48.</p>



<p>SAMAIN, Etienne. As imagens não são bolas de sinuca. In: SAMAIN, Etienne (org.).<strong>Como pensam as imagens</strong>. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2012a. P. 21 – 36.</p>



<p>SAMAIN, Etienne. Apresentação. In: SAMAIN, Etienne (org.).&nbsp;<strong>Como pensam as imagens</strong>. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2012b. P. 13 – 18.</p>



<p>SANTOS, Rafael José dos<strong>. Antropologia para quem não vai ser antropólogo</strong>. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2005.</p>



<p>SEMINÁRIO PENSAMENTO E REFLEXÃO. Disponível na internet em: &lt;http://estudiomadalena.com.br/encontro/&gt; Acesso em 30 mai. 2016.</p>



<p>SOUZA, Marina de Mello e.&nbsp;<strong>Reis Negros no Brasil Escravista</strong>: história da festa de coroação de Rei Congo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.</p>



<p>TRAMA FOTOLIVROS EM DISCUSSÃO. Disponível na internet em: &lt;http://tramafotolivros.tumblr.com/post/88408025528/trama-2-no-mis&gt;. Acesso em 30 mai. 2016.</p>



<p><br></p>
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		<title>Quanto vale uma obra de arte?</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Jun 2019 17:10:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Augusto Medeiros</p>
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<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="427" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f9450-meu-limc3a3o-2000-beatriz-milhazes.jpeg?resize=550%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-147" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f9450-meu-limc3a3o-2000-beatriz-milhazes.jpeg?w=550&amp;ssl=1 550w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f9450-meu-limc3a3o-2000-beatriz-milhazes.jpeg?resize=300%2C233&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Meu Limão &#8211; Beatriz Milhazes &#8211; primeiro lugar no ranking de artistas brasileiros vivos com obra mais cara vendida em leilão &#8211; US$ 2,098 milhões, o equivalente a R$ 4,338 milhões.</figcaption></figure>



<p><em>por: Augusto Medeiros</em></p>



<p class="has-drop-cap">Tem muita gente que olha para uma pintura abstrata e não consegue entender o valor que ela tem. Pelo contrário, fica até indignado como alguém chega a pagar milhões de dólares por uma obra de arte que, aparentemente, não quer dizer nada.</p>



<p>Pois bem, eu faço outra pergunta. Por que o ouro tem valor? É só uma rocha. Mas tente achar esse tesouro no quintal de casa.</p>



<p>Arte é a raridade de um olhar profundo sobre a vida. E quer tesouro maior do que compreender o mistério da vida. Não dá pra ter lógica nessa busca, é preciso despertar sensações e provocar emoções.</p>



<p>Esse é um caminho longo para uns, curto para outros. Há quem nem desperte curiosidade para tamanha façanha. Pode parecer desnecessário seguir por essa estrada, mas uma vez que você se permite, surpresas virão.</p>



<p>A viagem da arte pode começar com um cafezinho sem açúcar. De repente, você sente o sabor real e único de cada colheita. E percebe que antes você bebia açúcar. Podemos continuar com uma taça de vinho, seco, que trava o paladar e ao primeiro momento você já condena como algo insuportável. Mas aí você tenta mais uma vez e outra e mais uma e, de repente sente novas sensações e vai indo, ficando curioso, querendo novas descobertas. Um certo dia você se dá conta de que não consegue mais engolir o vinho adoçado de antigamente. E cachaça da boa, já tomou? Tem umas que são tão caras que até fazem lembrar aqueles quadros que, aparentemente, não dizem nada.</p>



<p>E onde será que esse caminho da arte vai dar? Não tem fim. Ele vai se desdobrando em muitos outros. A cada experiência, ganhamos um novo olhar sobre a vida, um novo sabor. Não será loucura dizer que você vai olhar para o mesmo objeto que sempre esteve ali a sua frente e fazer uma leitura totalmente diferente.</p>



<p>Quanto vale uma nova percepção da vida, das relações humanas, dos propósitos que nos dão sentido ao amanhecer?</p>



<p>Existem países que lutam pela sobrevivência, outros pela felicidade. São níveis éticos. A ética que faz compreender como o respeito ao outro traz benefícios à coletividade. Mas para isso, é preciso despertar para o novo, com novos olhares. Por que será que países ricos, com qualidade de vida alta, que proporcionam oportunidades para todos, valorizam a arte? Ética são valores humanos. E quanto mais tempo nessa estrada da arte, mais os nossos valores mudam.</p>



<p>Tem um detalhe, pra descobrir esse tesouro não precisa gastar milhões de dólares comprando um quadro, basta olhar sem julgamentos.</p>
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		<title>Análise da Imagem: David Fokos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jun 2019 17:16:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[david fokos]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/balancedstones.jpg?resize=616%2C616&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-71" width="616" height="616" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/balancedstones.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/balancedstones.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/balancedstones.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 616px) 100vw, 616px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>David Fokos, <em>Balanced Stones</em></figcaption></figure></div>



<p></p>



<p><em>por: Frederico Lopes</em></p>



<p class="has-drop-cap">David&nbsp;fotografa paisagens desertas, desabitadas e grandiosas, mas que sempre, de alguma maneira, deixam entrever o&nbsp;vestígio&nbsp;da passagem intervencionista do ser humano.&nbsp;</p>



<p>A fotografia&nbsp;“Canal”, é fato uma imagem extremamente interessante de se analisar, e também, é claro, muito se assemelha a&nbsp;diversas&nbsp;propostas&nbsp;de arte contemporânea que muito me agradam, em&nbsp;especial o trabalho do artista&nbsp;<em>Richard&nbsp;Long</em>, cuja imagem tomei a liberdade de anexar ao fim do trabalho.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="800" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/david-fokos.jpg?resize=800%2C800&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-39" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/david-fokos.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/david-fokos.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/david-fokos.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/david-fokos.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>David Fotos: The Canal</em></figcaption></figure>



<p>A fotografia como de&nbsp;<em>praxi</em>&nbsp;no&nbsp;trabalho do artista&nbsp;é mais uma paisagem grandiosa e misteriosa, que deixa uma sensação quase nostálgica de que um dia, este local foi habitado. Talvez habitado não seja a melhor maneira de descrever o local ao qual a imagem se refere, mas sim, transitado, interferido.&nbsp; O canal&nbsp;é&nbsp;uma linha reta que divide a imagem&nbsp;ao meio na parte inferior&nbsp;e uma espessa nevoa que cobre a linha&nbsp;de arvores no horizonte, divide também ao meio&nbsp;a imagem na horizontal, disposição esta,&nbsp;que,&nbsp;composicionalmente, guia a entrada de nossa&nbsp;leitura para o centro da imagem.&nbsp;</p>



<p>Devido à linearidade do canal podemos de fato nos perguntar se este pequeno caminho sugerido pela fissura no solo é obra de uma intervenção humana, ou do acaso perfeccionista inerente à natureza.&nbsp;A escolha por isentar a&nbsp;fotografia&nbsp;de cores amplifica&nbsp;o “silêncio” da imagem que&nbsp;consideravelmente&nbsp;exprime a sensação de que algo, ou alguma coisa, aconteceu ali,&nbsp;independentemente da maneira&nbsp;pela qual&nbsp;o canal foi concebido.&nbsp;</p>



<p>Esta sensação estranha de lugar como espaço ocupado&nbsp;(neste caso ocupado pela&nbsp;<em>existência</em>,&nbsp;no sentido de&nbsp;<em>existir</em>&nbsp;do Homem), é&nbsp;caracterizada pelo artista&nbsp;Robert&nbsp;Smithson&nbsp;como “<strong>Dialética</strong>&nbsp;do lugar”, que compreende, segundo o artista, a unidade dual da fisicalidade do mundo e sua espiritualidade implícita, constituída pela experiência do sujeito no mundo. Sendo assim,&nbsp;ao depararmo-nos com a fotografia de&nbsp;Fokos, é valido afirmar também que o canal representa uma divisão&nbsp;semântica&nbsp;que gera um campo de convergência formado pela bipolaridade: mente e matéria, arte e realidade.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="1123" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/a-line-made-by-walking.jpg?resize=950%2C1123&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-40" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/a-line-made-by-walking.jpg?w=1004&amp;ssl=1 1004w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/a-line-made-by-walking.jpg?resize=254%2C300&amp;ssl=1 254w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/a-line-made-by-walking.jpg?resize=866%2C1024&amp;ssl=1 866w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/a-line-made-by-walking.jpg?resize=768%2C908&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>ENGLAND 1967</figcaption></figure>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>BARTHES, Roland.&nbsp;<strong>A câmara clara</strong>. 3ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.&nbsp;</p>



<p>CAUQUELIN, Anne.&nbsp;<strong>Arte contemporânea: uma introdução.</strong>&nbsp;</p>



<p>JUNQUEIRA, Fernanda.&nbsp;<strong>Sobre o conceito de instalação</strong><em>.</em>&nbsp;Gávea, 14 de setembro de 1996.&nbsp;</p>
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		<title>Biografia: Henri Cartier Bresson</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jun 2019 16:19:09 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[artes]]></category>
		<category><![CDATA[artista]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri_cartier_bresson_bicycle.jpg?resize=792%2C530&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34" width="792" height="530" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri_cartier_bresson_bicycle.jpg?w=828&amp;ssl=1 828w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri_cartier_bresson_bicycle.jpg?resize=300%2C201&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri_cartier_bresson_bicycle.jpg?resize=768%2C515&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 792px) 100vw, 792px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p><em>por: Frederico Lopes</em></p>



<p></p>



<p class="has-drop-cap">Henri&nbsp;Cartier&nbsp;Bresson é considerado por muitos críticos e profissionais do campo das Artes como o pai do fotojornalismo e um dos fotógrafos mais influentes do século XX.&nbsp;Nascido na França em 1908, sua família possuía uma empresa no ramo têxtil e ainda menino recebeu como presente uma câmera&nbsp;<em>Box&nbsp;</em><em>Brownie</em><em>,&nbsp;</em>que foi para ele como um divisor de aguas, marcando sua vida de uma vez por todas. A partir&nbsp;dai, Bresson tornou-se um amante fiel à arte da fotografia e logo passou a experimentar outras câmeras, técnicas e possibilidades.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri-cartier-bresson.jpg?resize=566%2C836&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-74" width="566" height="836" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri-cartier-bresson.jpg?w=731&amp;ssl=1 731w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri-cartier-bresson.jpg?resize=203%2C300&amp;ssl=1 203w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/henri-cartier-bresson.jpg?resize=693%2C1024&amp;ssl=1 693w" sizes="(max-width: 566px) 100vw, 566px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Nesse sentido,&nbsp;Cartier&nbsp;Bresson&nbsp;enveredou-se rumo ao fotojornalismo e&nbsp;foi um&nbsp;profissional&nbsp;extremamente importante para o&nbsp;mesmo, mas se tornou famoso de fato por retratar eventos corriqueiros do dia-a-dia, principalmente entre 1930 &#8211; 1960, pois,&nbsp;o fez com tamanha sensibilidade e competência que&nbsp;é de fato um dos fotógrafos mais influentes do mundo cuja obra, apesar de não ser considerada tecnicamente por muito perfeita, são de uma genuína beleza.&nbsp;</p>



<p>O fotografo foi muito influenciado pelos trabalhos do húngaro André&nbsp;Kértsz&nbsp;e pela produção de&nbsp;Artes Plásticas da época, chegando inclusive a ingressar em um curso de Artes em um estúdio parisiense.&nbsp;</p>



<p>Após a segunda grande guerra, Bresson criou a famosa agência fotográfica:&nbsp;<em>Magnum</em><em>,&nbsp;</em>em parceria com&nbsp;Bill&nbsp;Vandivert, Robert Capa, George&nbsp;Rodger&nbsp;e David Seymour. Nesta época, suas produções se tornam mais requintadas, publicando fotos celebres nas revistas&nbsp;<em>Life, Vogue e&nbsp;</em><em>Harper’s</em><em>&nbsp;</em><em>Bazaar</em>. Foi ainda o fotografo europeu pioneiro na revelação do universo cotidiano da União Soviética em pleno regime comunista, com autorização para tal feito naturalmente em 1954 depois da morte de Stalin.&nbsp;</p>



<p>Seu trabalho influenciou toda uma geração de fotógrafos que viram em sua obra um olhar singelo que transpira verdade, flagrando as manifestações mais espontâneas dos sentimentos inerentes ao homem, ainda que tais sentimentos estejam submergidos em uma densa camada de cotidiano.&nbsp;</p>



<p>Henri&nbsp;Cartier&nbsp;Bresson cria em 2000 uma fundação morre em 2004, aos 95 anos, na Provença em seu país natal.&nbsp;</p>
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		<title>Um desafio chamado criatividade</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jun 2019 16:35:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 001]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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		<category><![CDATA[design]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/captura-de-tela-2019-06-05-c3a0s-14.37.34-2.png?resize=846%2C477&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-29" width="846" height="477" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/captura-de-tela-2019-06-05-c3a0s-14.37.34-2.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/captura-de-tela-2019-06-05-c3a0s-14.37.34-2.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/captura-de-tela-2019-06-05-c3a0s-14.37.34-2.png?resize=1024%2C577&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/captura-de-tela-2019-06-05-c3a0s-14.37.34-2.png?resize=768%2C433&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 846px) 100vw, 846px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>&nbsp;</p>



<p class="has-drop-cap">Quem trabalha desenvolvendo atividades artísticas e culturais como design, ilustração, música, desenho, escreve ou produz conteúdo para internet frequentemente se depara com um problema difícil de<strong> solucionar: ser constantemente criativo.</strong></p>



<p>O esgotamento de ideias é sintoma de uma rotina de trabalho apertada e exaustiva, e a pressão para o cumprimento das <em>deadlines</em> acaba impondo uma necessidade constante de pensar fora da caixa e encontrar soluções inusitadas para problemas desafiadores.</p>



<p>Para se manter criativo (e não enlouquecer eventualmente), é necessário pensar em estratégias que sejam capazes de abrir janelas na sua rotina, e que tragam sempre novos elementos à sua percepção. Novos elementos podem trazer aquela grande sacada na hora do improviso e transformar aquele <em>job</em> médio em algo grandioso.</p>



<p>Para te ajudar com isso, separamos algumas dicas para que você desenvolva sua criatividade inserindo pequenas mudanças em sua rotina, trazendo benefícios que vão aumentar a sua capacidade de resolução de problemas e aliviar um pouco os perrengues da rotina.</p>



<p><p><b>Confira!</b></p><p><iframe loading="lazy" title="5 dicas para ser mais criativo!" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/nLSWsFBRovU?start=45&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p></p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>
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