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	<title>Arquivos Ano 001, N 011 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Amazônia e o Inferno de Dante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:43:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
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		<category><![CDATA[inferno de dante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na caótica condição humana de tornar farto aquilo que lhe aflige, percebemos se agigantar nossas mesquinharias e excentricidades. Enquanto criamos critérios para orientar a moralidade de nossos atos por vias religiosas, éticas e individualistas, neste exato momento, <strong>a Amazônia pega fogo.</strong></p>



<p>Associar a pseudo-imagem infernal das labaredas consumindo cada recurso vivo como se não houvesse misericórdia ou caridade com aquilo que temos de mais precioso &#8211; nossa morada &#8211; desperta curiosidade acerca das concepções humanas do que de fato é este lugar de sofrimento: o inferno.</p>



<p>Em um dos maiores clássicos da literatura, podemos ter uma vaga noção do quão audaz é o sadismo e arrogância do homem e onde jaz o lastro de sua maldade.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Quando, no primeiro livro da Divina Comédia, Dante e Virgílio encontram a porta do inferno adornada pela inscrição: <em><strong>Lasciate ogni speranza, voi ch&#8217;entrate</strong></em> &#8211; ou em tradução livre: <em><strong>Abandonai toda esperança, vós que entrastes</strong></em>, podemos perceber que a jornada pelos nove círculos do inferno nos apresentaria, em suma, com detalhes, a miserável condição humana.</p>



<p>Em termos de densidade demográfica, ao contrário da região amazônica, o inferno é o lugar onde há mais pessoas. Dentro de uma lógica onde a profundidade do inferno é acrescida da gravidade do pecado cometido pelo indivíduo, (naturalmente, na visão religiosa do autor), as piores práticas possíveis estão nos níveis mais profundos. Assim, entre círculos, vales, fossos, colinas e lagos, os castigos mais perversos são apresentados de acordo com o pecado cometido. </p>



<p><strong>Mas você deve estar se perguntando, o que isso tem a ver com o incêndio na Amazônia?</strong></p>



<p>Em meio à guerra cultural inventada, forjada e repercutida na internet por meio das redes sociais, <strong>a ignorância se tornou um critério objetivo para construir argumentos.</strong> Ademais de crenças políticas ou viézes ideológicos, neste momento, <strong>a Amazônia queima.</strong></p>



<p>Estamos perdidos. </p>



<p style="background-color:#8d6800" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Enquanto o fogo e alastra pelas matas, estamos aqui, preocupados em alastrar nossas parcas visões de mundo e construindo uma cultura política intolerante, preconceituosa e adversativa. Discursos beligerantes desafiam até mesmo os mais serenos e esclarecidos, que antes contribuíam com complacência para a resolução de nossos empasses.</p>



<p>Do mesmo modo como Dante e Virgílio são surpreendidos às portas do inferno, diante da porta de entrada de nossas convicções, encontramos um terreno árido e hostil, onde a mesma frase antecipa a intensidade dos castigos desferidos sobre os pecadores, e assim como no inferno, a dor e o sofrimento aumentam à medida que nos aproximamos da possibilidade de dialogar pacificamente, de maneira amável e respeitosa. Por outro lado, ao contrário do Inferno profundo e frio de Dante, o grande capataz e algoz de nossas contravenções preserva o ululante discurso do contraditório.</p>



<p>Concorrendo com o Inferno de Dante, ao invés da fria escuridão do último circulo, na última esfera, onde encontram-se aqueles que, como Lúcifer, são traidores de seus mestres, em nossa mais alta oportunidade de ser e atuar politicamente, encontramos aqueles que nos governam deslegitimando a reação da vitima, relativizando os danos e as derrotas, <strong>e coletivizando a ignorância, a intolerância e o ódio velado.</strong></p>



<p>E lá do alto, em cima do muro, diante da entrada do inferno, o brasileiro vê arder sob seus pés o futuro da mentalidade que cultivou, enquanto, neste exato momento, <strong>a Amazônia queima.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DANTE.jpg?fit=606%2C855&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1746" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/diario-de-viagem-nude-mapa-mundi-formato-a6-bodoque"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DIÁRIO-DE-VIAGEM-1.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1792" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.nytimes.com/2019/08/24/opinion/sunday/amazon-fire.html"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/PEDRO-KUPERMAN.png?fit=606%2C608&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1794" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>According to the institute, the number of fires detected in Brazil so far this year is 84 percent higher than in the comparable period last year; more than half of those are in the Amazon region. More than 1,300 new fires&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/fogo-amazonia_br_5d5ee7d2e4b0dfcbd48a5a0a?guccounter=2" target="_blank">were added over the course of just two days&nbsp;this week.</a></em></p>
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		<title>O Maior Desafio para um Futuro Sustentável: O Ser Humano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:42:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Faulhaber]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[futuros sustentáveis]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[ser humano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>PodCast Trama - Frederico Lopes e Francisco Faulhaber</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Diante da ambiciosa meta de manter a humanidade em nosso planeta sem provocar sua própria extinção, algumas barreiras parecem mais intransponíveis do que outras. Neste caso específico, a mentalidade humana parece não parecer se debruçar sobre a própria maneira como lê e interpreta sua existência e sua condição com clareza e serenidade. Entre ações violentas contra si, (e contra este grande organismo vivo o qual chamamos de lar), e ações objetivas para tornar um futuro próximo menos caótico e desesperançoso, normalmente optamos pela segunda opção.</p>



<p>Acompanhe como foi o bate-papo do Fred com o Educador Francisco Faulhaber &#8211; professor de Artes, Filosofia e Biologia &#8211; sobre o dimensionamento da arrogância humana diante da dificuldade de perceber-se como parte integrante de um complexo sistema biológico chamado planeta Terra.</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f61d6-futuros-sustentaveis.mp3"></audio><figcaption><em>O Maior Desafio para um Futuro Sustentável: O Ser Humano</em>.</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Francisco Faulhaber</strong> é professor de arte e filosofia do estado de minas gerais, estudante de biologia e ilustrador nas horas vagas.</p>



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<p style="background-color:#986f00;text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">Você pode apoiar a Trama adquirindo produtos da Bodoque Artes e ofícios! Confira em nossa loja virtual e ajude a manter este projeto!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/diario-de-viagem-nude-mapa-mundi-formato-a6-bodoque"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/DIÁRIO-DE-VIAGEM.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1760" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/90819-foto-carol12.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1687" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Mortality rates among older children and&nbsp;<a href="https://data.unicef.org/topic/child-survival/child-mortality-aged-5-14/">young adolescents</a>&nbsp;(aged 5-14) also dropped by more than 50 per cent since 1990, yet almost one million children died in this age group in 2017 alone.</em><strong>UNICEF, 2018</strong></p>
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		<title>Fotografia Polígrafo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:41:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Stabenow Ross]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia humanista]]></category>
		<category><![CDATA[olhar fotografico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Caroline Stabenow Ross</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Muitos são os movimentos e linguagens provenientes da arte. Todos eles partem de um pressuposto de expressar emoções e ideias, antevindas de um processo de criatividade único, tendo em conta a percepção humana como base.</p>



<p>A fotografia é um ramo advindo da arte, em que nela são subdividas várias vertentes. Uma delas, é denominada <strong><em>fotografia humanista</em></strong>. Seu surgimento se dá por volta da década de 30, e ainda depois&nbsp; mais fortemente, após o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A fotografia humanista veio como uma tentativa de relembrar para sociedade, uma vez moída pelas dificuldades econômicas e materiais, os prazeres e amores da vida cotidiana. Algo que fizesse sentido em meio ao caos, longe das atrocidades e pesadelos da guerra.</p>



<p>Os fotógrafos de origem francesa, Henri Cartir-Bresson, Robert Doisneau e Willy Ronis, conhecidos mundialmente por revelar a vida parisiense da época, foram os precursores e verdadeiros fundadores dessa tendência artística.</p>



<p>Basicamente, o foco é dado ao homem. Henri Cartier-Bresson afirmou: <em><strong>O objeto da foto é o homem, o homem e sua vida tão curta, tão frágil, tão ameaçada</strong></em>.</p>



<p>Muitos foram os que migraram nessa época para esse ramo. Um deles, Jorge Ross Sobrinho, ingressou na arte da fotografia por volta de 1945 . Seu olhar era voltado para os detalhes da vida cotidiana, tanto da corriqueira porção do dia, quanto sobre o olhar melancólico de uma senhora a beira da calçada, esperando pela tarde e seu fim. Em meio a revelações de filmes fotográficos, viveu a vida e criou cinco filhos. Após sua morte, deixou diversos equipamentos de trabalho. Entre eles, uma câmera analógica Zenit 12XP, na qual veio ao meu encontro no ano de 2010&nbsp; pelo seu filho, meu pai. Se deu, naquele momento, o&nbsp; início de todo meu apreço, interesse e respeito pela fotografia.</p>



<p style="background-color:#9c7302" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Ao longo desses anos, a fotografia me permitiu a saída da esfera como unidade em ser humano e me fez viver e entender a importância do coletivo.&nbsp;</p>



<p>Ela desenvolve e constrói não somente o olhar, mas como também amplia as propriedades da mente em direção as adversidades da vida, e, a despeito de tudo, o mais importante e considerável: torna possível o encontro de agentes pelo caminho, que fazem parte de toda uma edificação para diferença na vida dos que necessitam.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Diante de tudo, a fotografia humanista grita e esperneia a realidade. Seja ela agradável aos olhos ou não. Dentre tantas definições, se encontra como polígrafo da vida. Desnudando altas patentes e grandes potências, independente de fronteira territorial, intelectual ou física. Redireciona para perto o ser humano como protagonista, que apesar dos labores, caminha.</p>



<p>Muitos foram os lugares pelos quais passei junto à uma câmera fotográfica, sendo eles campos de refugiados, comunidades carentes, orfanatos, prisões, favelas brasileiras, lares nas montanhas próximo ao Himalaia, aldeias remotas da África&#8230; tive a oportunidade de registrar as emoções cruas, dores e alegrias, <strong>que nos trazem para uma condição que é humana.</strong> Que apesar da enorme diversidade cultural ao redor do mundo, todos nós, em essência fugimos de guerras para escapar da morte, migramos para algo melhor, construímos novas vidas em terras estrangeiras, sangramos e sofremos a dor, rimos e choramos. </p>



<p>A fotografia me trouxe e continua a me consagrar cada dia, a educação de não apenas olhar, mas enxergar. E que na realidade, a única distância existente entre o fotografado e o fotógrafo é de uma câmera fotográfica.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Caroline Stabenow</strong> é Médica Veterinária por formação. Fotógrafa, humanista, voluntária. Amante de leitura, música, vira latas e um bom café preto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/diario-de-viagem-nude-mapa-mundi-formato-a6-bodoque"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1455a-diario-de-viagem-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1798" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a7251-foto-carol11.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1665" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>De Oppresso Libre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:39:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[meios de ensino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Quando na primeira edição da revista, questionei à respeito do quão aprisionados tem sido nossos meios de ensino e produção cultural que tem influência direta na construção do indivíduo e no olhar dele sobre e para a sociedade, percebi que essa questão continua aberta em meu imaginário.</p>



<p>Bertolt Brecht disse certa vez <em><strong>Diz-se das águas do rio que são violentas, mas nada se diz das margens que as comprimem</strong></em>.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Não sou um entendedor das artes, mas me interesso pelas maneiras que o nosso sistema educacional tem promovido a vida e o diálogo. Para além disso, me intriga ainda mais a maneira com o sistema carcerário se constituiu como perpetuador da pena e não como promovedor da reconstrução.</p>



<p>Existem leis tanto em nossas escolas quanto em presídios, sobre comportamentos e formas de pensar que acabam &#8220;deformando&#8221;&nbsp; a contribuição do indivíduo para com a sociedade.</p>



<p>Por exemplo, a sede por um &#8220;acesso&#8221; a um diploma com projeções rentáveis financeiramente cerceiam o caráter criativo e o impulso da inovação que é inerente a qualquer ser humano.</p>



<p>Um outro exemplo do que comentei sobre o sistema carcerário, tenho recordado de experiências acompanhando projetos na fundação casa em São Paulo e recordando de livros a despeito da arte e da criatividade como refém dentro do sistema carcerário.</p>



<p>A atividade teatral inserida em um organismo penal acaba por instaurar uma complexa contradição, pois ela visa promover reflexão a partir de um processo artístico coletivo. No entanto, ela se depara com limitações relacionadas ao fato de acontecer em um ambiente cujas regras, explícitas ou não, constituem uma rede coercitiva e contrária ao exercício crítico pertinente ao livre pensar, essencial a qualquer manifestação artística.</p>



<p>Obviamente, as intensidades e os dilemas entre a vida acadêmica e a vida na prisão são diferentes, mas existem dilemas que são comuns aos dois.</p>



<p style="background-color:#8f6900" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">O livre pensar é limitado e reprimido em quase sua totalidade.</p>



<p>O desejo por descobrir e reinventar também é restrito e taxado de diversas palavras e xingamentos que só fortalecem estereótipos.</p>



<p>Uma pergunta fica martelando: <em>Sabendo das contradições e os limites da prática artística com presidiários, é possível que ela provoque alterações no modelo prisional hoje estabelecido?!</em></p>



<p>Longe de mim querer ditar uma leitura absoluta, mas desejo nesse e nos próximos textos, construir questionamentos sobre como nos enxergamos como criadores, de onde vem a nossa sede por mais do que produzimos, sobre nosso senso de pertencimento e onde a arte contribui para que possamos desenvolver espaços de construção e de igualdade dentro da nossa sociedade</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Kariston França</strong> é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública</p>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/piravilela/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/628f7-foto-rafael.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1766" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Arte, Angústia e Espiritualidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:13:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo da S. Lima]]></category>
		<category><![CDATA[kierkegaard]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gustavo da S. Lima</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na criança, ainda recente de nascimento, que chora a ausência do leite materno, no jovem que se arde em decepção pelo término amoroso e no velho que teme a proximidade da morte, o ser humano experimenta, todos os dias de sua vida, a angústia. Esta, por sua vez, alvo das atenções e intensas palavras de Kierkegaard e Sartre  ́e, para mim, ponto crucial na vida humana.</p>



<p>Segundo Sartre, <em><strong>escolher ser isto ou aquilo  é afirmar, ao mesmo tempo<br> o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos</strong></em>. Portanto, para ele, o homem angustia-se em sua própria liberdade, carregada de responsabilidade, uma vez que escolhe sempre o que é bom, num sentido pessoal e que se estende ao coletivo. De forma distinta, penso que a angústia reside na ausência da liberdade e na impossibilidade humana em escolher o que é bom. A criança chora ante a impossibilidade de saciar sua fome, o adolescente se angustia ante a impossibilidade do amor, e o velho ante a incerteza de sua própria vida.</p>



<p>Para Kierkegaard, <em><strong>a angústia é a liberdade como possibilidade antes da<br> possibilidade</strong></em>, é o conflito entre o desejo e o medo, a permissão e a proibição, e a proibição produz angústia, pois desperta a possibilidade da liberdade. É a luta entre o hermetismo e a revelação,entre o silêncio e a comunicação.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">E indiscutível que a comunicação da angústia tem efeito curativo não só na vida de quem comunica, mas também na de quem escuta, e, nesse aspecto, a arte é ferramenta poderosa. No entanto, pode-se perguntar que efeito a arte, por si só, produz no indivíduo angustiado?</p>



<p>Certa vez um profeta disse: <em><strong>Ah, minha angústia, minha angústia! Eu me contorço de dor</strong></em>; <strong><em>O meu coração dispara dentro de mim; não posso ficar calado</em></strong>; contudo também constata que, <em><strong>enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto</strong></em>. Ouço as palavras do profeta e as traduzo como sensatas e perfeitamente ajustadas à mim e ao mundo que me cerca. Como pode emanar, do coração corrupto, inspiração para partilhar a angústia com o outro e esperar que se enxergue seu efeito curativo? Concluo que a arte por si só é ineficaz para esse propósito.</p>



<p>Para que a arte seja eficaz como instrumento da comunicação, e para que a comunicação cumpra seu papel curativo na vida do indivíduo, penso que é necessário submeter o processo criativo à lente da espiritualidade, como um ourives que precisa gravar detalhes sutis numa peça e, para isso, lança mão de um olhar mais sofisticado sobre a mesma.</p>



<p>No entanto, é necessário que essa espiritualidade seja subversiva ao coração humano e vá de encontro às suas concepções e percepções da vida, pois, se a mesma assemelha-se, minimamente que seja, ao coração e às percepções humanas, então, lá estarão a angústia e o sofrimento, e a arte não cumpre seu papel na comunicação curativa. Pelo contrário, conduz ao enclausuramento.</p>



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<p><strong>Gustavo da S. Lima</strong> é estudante de engenharia elétrica pela UFJF, cristão reformado, músico, ama teologia, filosofia, churrasco e ”The Creation”de Joseph Haydn.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/caderno-artesanal-capa-dura-serie-lacunas-vermelho-frederico-lopes"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/LACUNAS.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1764" /></a></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://twitter.com/NASAEarth/status/1165038267865190401?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1165038267865190401&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Fnatureza%2Fnoticia%2F2019%2F08%2F23%2Fnasa-diz-que-2019-e-o-pior-ano-de-queimadas-na-amazonia-brasileira-desde-2010.ghtml"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-RAFAEL.png?fit=606%2C793&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1766" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>August 2019 is continuing an active Amazon fire season, with large and intense fires burning in the region. <a href="https://twitter.com/NASA">@NASA</a> satellites tracked actively burning fires across South America and captured images of smoke in the last week.</em></p>
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		<title>O Pão Nosso de Cada Dia</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 20:58:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[arte e culinária]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[pão artesanal]]></category>
		<category><![CDATA[processo artesanal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Felipe Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A culinária, assim como a arte, compartilha o mito do dom natural, aquela capacidade especial que alguns indivíduos aparentam possuir desde o nascimento para a realização de certos ofícios.  Ainda hoje é comum a valorização daquele profissional que nunca frequentou cursos ou escolas, mas que, mesmo assim, foi capaz de exercer a atividade com certa precisão.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O problema é que este tipo de raciocino parece ignorar as muitas tentativas do artista/cozinheiro para chegar até a elaboração de um resultado satisfatório, ou seja, o seu estudo não é valorizado como estudo.</p>



<p>Mais do que uma aptidão natural, estas atividades só se tornam frutíferas, graças ao esforço e vontade de quem se dedicou ao seu aperfeiçoamento. O desenvolvimento da atividade, mesmo sem a presença de um tutor, só se dá mediante a criação de um método, que pode ser exclusivo e individual, ou então herdado de outra pessoa, e até mesmo uma combinação das duas condições anteriores.</p>



<p>O preparo do pão de fermentação natural exemplifica bem essa condição. Embora não seja tão antigo como os desenhos encontrados nas grutas de Altamira, o pão vem acompanhando o processo evolutivo da humanidade desde os seus primórdios. O abandono de um estilo nômade de vida, permitiu o desenvolvimento do pão juntamente com a agricultura e seus diferentes tipos de grãos.</p>



<p>A princípio, o uso alimentício dos grãos como a aveia, a cevada, o trigo, dentre outros, foi feito por meio da moagem com as pedras, e resultou em uma farinha que podia ser consumida na forma de mingau ou então cozida, mas que ainda não era fermentada e por isso resultava em um pão extremamente duro. A descoberta do pão fermentado foi atribuída aos egípcios, mas o aprimoramento da técnica foi realizado pelos gregos, que aumentaram a diversidade dos sabores ao adicionarem outros ingredientes, como o óleo, o mel, o vinho e o leite. Trajetória semelhante é encontrado ao iniciar o estudo a história da arte, que compartilha as mesmas localizações como ponto de partida.</p>



<p>A principal diferença entre o pão de fermentação natural e pão comumente encontrado nas padarias é a utilização da massa madre, também conhecida como levain, que é a base da massa do pão e agente realizador do crescimento do mesmo. Embora seja composto majoritariamente por apenas 3 ingredientes (a farinha, a água e os microrganismos), os resultados obtidos mudam conforme a temperatura, o tempo de descanso, os microrganismos locais e a sua manipulação. E, assim como em um processo artístico, também é permitido ao seu realizador a experimentação por meio da adição de outros materiais e também a variação das condições expostas para a obtenção de novos resultados.</p>



<p>A comida satisfaz uma necessidade básica, primária, que é a fome, podendo ser julgada conforme o gosto, mas ela também permite uma ampliação da sua experiência pelo o amadurecimento do indivíduo, que pode buscar por experiências novas para o paladar. O resultado da experiência artística não se diferencia muito, só satisfaz um outro tipo de fome.</p>



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<p><strong>Felipe Rocha</strong> é bacharel em educação artística e confeiteiro em formação.</p>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1382a-foto-carol15.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1698" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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		<title>Matemática Superior</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 20:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Lopes Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Matemática Superior]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Lopes Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O caos reside em mim<br>Tão certo quanto a ordem<br>No espalhamento de cacos vítreos<br>De copo ao chão<br>Quebrado em pedaços-dezenas<br>Meu coração fractal<br>Respira, aspira eterna espiral<br>Recorta, entorta número transcendental<br>Como pulsa o pulso no pulso<br>Como pulsa o pulso da emoção<br>Como pulsa a pulsão sexual<br>Como pulsa o impulso nervoso<br>Eu sou tantos<br>Eu sou vários<br>Conto comigo<br>Conto ao outro quem sou<br>Conto a mim o número que estou<br>Geometria descritiva do pensar<br>Eterna dúvida, incessante indagar<br>Se a persona esquizóide procurar<br>Diga que não vou<br>Fico na calçada, sentado na esquina<br>Resolvendo exercícios algébricos</pre>



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<p><strong>Gabriel Lopes Garcia </strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



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<p style="background-color:#936c00;text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">Ajude a manter a Trama adquirindo cadernos artesanais da Bodoque! Você leva pra casa um produto feito à mão único e, de quebra, apoia a revista!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/PUBLI-BODOQUE.png?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1776" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://anistia.org.br/guarani-kaiowa-margem-dos-direitos/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/rafael-2.png?fit=606%2C608&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1777" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>O Brasil foi um dos países-chave na elaboração da&nbsp;<a href="http://www.un.org/esa/socdev/unpfii/documents/DRIPS_pt.pdf">Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas</a>, que o país assinou em 2007. É parte da&nbsp;Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que assegura os direitos dos povos indígenas às suas terras ancestrais e convoca os Estados a estabelecer mecanismos para reconhecê-los e defendê-los nos tribunais. A&nbsp;<a href="http://www.dji.com.br/constituicao_federal/cf231a232.htm">Constituição brasileira (1988)</a>&nbsp;também confirma esses direitos e a responsabilidade do Brasil em demarcar as terras indígenas.</em></p>
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		<title>Deus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 20:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align:center"><em><strong>And so therefore, I don’t believe in God anymore.</strong></em></p>



<p class="has-drop-cap">As palavras possuem peso, forma, cor, textura e estados diferentes. Por exemplo, as palavras entre aspas, lidas logo ali no início, mesmo que em outra língua, são sólidas, espessas, maciças, cinzas como rocha e pesam toneladas. É provável que, na boca de onde saíram, tenham deixado um <em><strong>after taste</strong></em> amargo, mas sincero. <em>E assim, portanto, eu não acredito mais em Deus</em>. No mais claro português, em tradução livre, essa é a declaração que inaugura o texto. O que levaria alguém a dizer isso? Como a ideia de Deus pode naufragar, acabando isolada na ilha da descrença? Afinal de contas &#8211; assim como perguntava a capa do livro de Philip Yancey, exposta nas prateleiras dos <em>best sellers</em> cristãos há alguns anos -, para que serve Deus?&nbsp;</p>



<p> Na Europa aflita, onde os ventos cortantes do fascismo e do nazismo começavam a soprar, Simone Weil experimentou Deus. Formada em filosofia pela universidade de Sorbone, foi a primeira mulher a alcançar o nível mais alto do ensino francês, sendo catedrática em um tempo onde o acesso à educação, principalmente no ensino superior, era dominado por homens. Por escolha, se pôs no chão de fábrica, junto aos operários franceses. Sentiu na pele o quanto pode ser cruel o mundo do trabalho incessante, que rouba dos proletários tempo, saúde e vida. Abriu mão do magistério para estar com os sem amparo, os esquecidos, os pobres. Passou a vida servindo. No chão árido do sofrimento, brotou a fé. Se dispôs a lutar na guerra, mas foi impedida. Ainda assim não houve como impedir o seu serviço. Se dispôs a viver no campo, cuidando do gado, ensinando crianças a ler e escrever, sentando-se à mesa com os rejeitados. Para Simone Weil, Deus serviu para revelar a ela um propósito de vida, como prova de que a miséria pode revelar a presença divina. Mas, talvez não seja na miséria que a fé more, ou que Deus esteja presente. Para Rookmaaker, por exemplo, Deus estava, apesar de também ter experimentado sofrimentos causados pela guerra, não na dor, mas na arte. </p>



<p><strong>Henderik Roelof Rookmaaker</strong> &#8211; conhecido também como Hans Rookmaaker &#8211; chegou a servir na segunda guerra. Conheceu os horrores dos campos de concentração como prisioneiro, teve um noivado rompido pela violência nazista, que levou sua noiva judia para os campos de concentração. Quando preso, se dedicou a ler a bíblia minuciosamente, de modo que se sentiu afeito pela mensagem do cristianismo. Após conseguir sua liberdade dos horrores do campo de concentração, estudou História da Arte, em sua volta à Holanda, agora já no período pós-guerra. Casou-se com Anky, mergulhou no universo das artes e da espiritualidade cristã, acreditava na criatividade como manifestação divina. Sua principal teoria buscava explicitar que a arte é plena em si, não precisar ser justificada. Temia a morte de um desejo de expressão do divino nas produções modernas, que buscavam se livrar da estética iluminista, rompendo com o apego ao mundo visto, mas ainda focando seus esforços no homem, não em Deus. Teve uma carreira notável, valiosa, que trouxe um olhar inquieto e necessário para o campo da espiritualidade e das artes. Para rookmaaker, o Deus presente na dor, se revelou belo nas artes. Mas talvez não seja na arte que você queira encontrar Deus.  É possível que você queira ver um Deus próximo, que se faça visto e palpável na comunhão, o que te leva a  procurá-lo nas igrejas &#8211; em específico, na narrativa religiosa cristã.. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Já superamos o mundo feudal, já ultrapassamos o período de ascensão da burguesia, já rompemos com a modernidade e agora estamos em dias que não sabemos  definir.  Conexões sem fio, mensagens rápidas, comunicação curta, informações em número e velocidade inimagináveis. São tempos apressados, individuais e individualizantes. Em meio ao turbilhão de mudanças, as igrejas não se livraram de uma reformulação. </p>



<p>Não mais arquitetura gótica, nem barroca, muito menos as linhas e formas que fazem as igrejas parecerem a casa da vovó. Lógico, ainda há o que sobrou do passado, alguns templos não podem mudar, até por motivos históricos, mas o que se vê no interior não é mais o mesmo. Os ternos e gravatas não saíram de moda, mas agora dividem espaço com o visual jovial, casual, descolado. As músicas soam mais atuais, com fortes traços pop &#8211; o que pode fazer um leigo, numa ouvida despretensiosa, confundir o som <em>worship </em>com um novo disco do David Guetta ou do Black Eyed Peas. Os olhos e ouvidos são conquistados pelas cores e timbres, que já não lembram o frio ambiente eclesiástico do século passado. As luzes, os vídeos, as danças, as pregações, nada escapa do novo perfil de igreja, que se baseia em importações americanas, europeias e australianas. Tudo por dentro é novo. Ao menos, se assemelha com o novo. </p>



<p>Mas as novidades vão morrendo ao longo do percurso. Não demora muito, tudo é outra vez igual. Não há como negar o poder de movimento de massa que a igreja tem, nem o poder ressignificativo que a religião dá aos seus fiéis. Não raro podemos ouvir testemunhos que falam sobre as trocas de armas por bíblias nas mãos, de chinelo e bermuda por ternos e as novas identidades assumidas por tantos. Ontem, “Zé Pequeno”, hoje “um grande homem de Deus”. E isso é realmente significativo e bom. O problema está no modo como a igreja comprou a ideia da reificação, ainda que não veja isso. A ideia de padronização, com o intuito de conformar as pessoas ao sistema vigente, da Indústria Cultural, muito criticada pelo sociólogo alemão Theodor Adorno, se faz presente nas inovações no campo das instituições religiosas. </p>



<p style="background-color:#866200" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Toda essa nova experiência religiosa, que a igreja do agora apresenta,&nbsp; se baseia na estética e na performance. Uma vez que, de modo sincero, você expõe dúvidas e indagações, ou simplesmente discorda, por pensar de um modo diferente do que se assumiu como correto, uma imagem sua é construída e romper com ela é, no mínimo, complicado. As paredes do templo são menos rígidas, fixas e intransponíveis do que os muros levantados sobre os alicerces estéticos e performáticos. Os enlaces e flertes dessas novas experiências religiosas com a razão instrumental fazem dos espaços religiosos um espelho da pequena cidade fictícia &#8211; e não menos cruel por esse motivo &#8211; de Dogville.&nbsp;</p>



<p>Fugindo de não se sabe bem o que, uma mulher chamada Grace encontra refúgio num vilarejo pacato, no interior dos Estados Unidos. No filme de Lars von Trier, quase tudo é tão imaginário quanto a própria cidade, uma vez que não há em cena paredes, nem locações específicas. Tudo é construído sobre um palco e um fundo pretos, onde os sons e as interpretações é que fazem nossa imaginação complementar as cenas com aquilo que está ali, mas não é visto. O que não é imaginário é o modo como as coisas ficam densas ao longo do roteiro. A estrangeira recebe a acolhida e a benevolência de todos da cidade, que se compadecem de sua condição: sozinha, perdida, faminta e sem abrigo. Retribuindo o modo como foi recepcionada, Grace passa a prestar pequenos serviços à comunidade. Mas passam-se os dias e a comunidade começa a enxergar a visitante com outros olhos. Os serviços prestados de boa vontade já não bastam. Sendo ela a única estrangeira ali &#8211; o que implicava ter menos obrigações -, qualquer&nbsp; outra tarefa que um morador local não pudesse fazer, passava a ser sua responsabilidade. Ela não podia dizer não, não podia descansar, não podia ser livre.&nbsp; O peso posto sobre os ombros dela era insuportável. Isso tudo nos leva de volta à frase do início: “And so, therefore, I don’t believe in God anymore”.&nbsp;</p>



<p>Caminhando pela vizinhança, com sua filha e sua mulher Lisa &#8211; uma musicista de qualidade imensurável, compositora ímpar e excelente cantora &#8211; Michael Gungor professa sua descrença. Músico virtuoso, exímio compositor e um dos artistas mais prolíficos e criativos que o universo cristão já pôde experimentar, Michael &#8211; e também Lisa &#8211; experimentou a faceta “dogvilliana” da religião institucionalizada. Se conheceram na igreja, construíram sua relação no ambiente da igreja, formaram família, fizeram a vida nos espaços eclesiásticos. O sexo, o beijo, o corpo. Tudo guardado para o momento correto. Aos 20 anos já estavam casados, fazendo parte de uma mega igreja em Denver e tendo o sustento garantido pelos serviços prestados à comunidade de fé.  Mas a pressão sobre os ombros de ambos era descomunal. A estética e  performance exigidas pelo universo cristão é purista, excludente e cruel. “Para pertencer a esta tribo, você tem que se conformar. E se tiver dúvidas, você é uma pessoa perigosa”, diz Lisa. Lisa e Michael já lotaram muitos lugares de pessoas que queriam ouvir a música, ver a arte produzida pelos dois. Mas se a arte é um meio de expressão e por ela conseguimos comunicar e captar mensagens, não é de se espantar pensar que a arte que produzimos nos põe frente a frente com nossos “vícios e virtudes”, o que nos leva a questionar muita coisa sobre nós mesmos. Resumindo: o contato com a arte faz emergir as dúvidas. Mas a performance correta e a estética perfeita do “bom cristianismo” não aceita dúvidas. Dessa forma, assim como foi com Grace, toda a boa ação dos casal Gungor se transformou em obrigação moral. </p>



<p>Uma vez que as dúvidas abalaram a fé de ambos, já não eram bem vindos entre os “santos”. Hoje eles experimentam uma fé sem nomes, que se revela através da vida de Lucy, a filha caçula do casal, e de sua irmã Amelie. Lucy foi diagnosticada com Síndrome de Down assim que nasceu. Nada que a impedisse de ser inteligente esperta, linda. Uma criança que ressignificou a fé já ressignificada de seus pais. Para os Gungor, “somente uma fé que se abalou inabalável é”. </p>



<p>Nos anos de 1990 o cenário da música cristã nos presenteou com excelentes artistas. Caedmon’s Call era um dos nomes associados a esse grupo de artistas incrivelmente criativos. Derek Webb era uma das vozes e mãos que davam o tom dessa, que foi uma das bandas mais expressivas do fim dos anos 1990. Junto a ele, Sandra McCraken. Os anos se apresentaram conturbados para o casal. Derek mergulhou, adivinhem só, em dúvidas sobre sua fé, lutou contra questionamentos antigos, abandonou e reatou seu relacionamento com a igreja. Em 2013 lançou o disco “<em>I Was Wrong, I’m sorry and I love you”</em>, no qual, na música homônima ao disco, relatava suas idas e vindas, mas reconhecendo que tudo que queria dizer em tudo que buscou era a tríade de sentenças mencionadas: eu estava errado, eu sinto muito e eu te amo. Quando parecia que ele havia encontrado seu caminho de volta aos braços da estética e da performance religiosa, Derek quebra o silêncio, assume seus erros, confessa que traiu sua mulher e abraça de vez o ateísmo. Como o rei perplexo e confuso da música de Leonard Cohen, ele também compõe o seu “hallelujah torto”.Em “<em>Spirits bears the curse” </em>, terceira faixa de seu disco mais recente, <em>“Fingers Crossed”,&nbsp;</em> Derek declara:</p>



<pre class="wp-block-verse">Agora meus joelhos estão fracos<br> Meu discurso é arrastado<br> Oh, você agita as coisas<br> O, você agita as coisas<br> Eu estou chamando o único nome<br> Que me libertou da minha culpa e vergonha<br> <br><br> Oh, álcool<br> Álcool<br> Oh, álcool<br> Nós levantamos nossas vozes para o álcool<br> Álcool<br> Uma oferta de álcool<br> Álcool<br> Oh, álcool<br> Oh, álcool</pre>



<p>A oração confusa, dura, mais sincera que tantas outras que já ouvimos e fizemos, revela um homem que viu sua fé erodir, se transformar e que abraçou a dor como resposta ao Deus que não gosta de ser importunado com dúvidas. Hoje Derek se declara ateu.</p>



<p>Um outro menino australiano, no início dos anos 2000 cantava <em>‘I will read my bible and pray. I will follow you all day”, </em>mas, semana atrás, ele veio a público, já aos 40 anos, para parafrasear a banda R.E.M ao dizer algo como: <em>“I’m losing my religion”. </em>Marty Sampson, um dos mais populares integrantes da mega igreja <em>Hillsong </em>e da mega &#8211;&nbsp; e minha querida &#8211; banda <em>Hillsong United</em>, publicou &#8211; enquanto esse texto ainda é redigido &#8211; um longo texto, com uma carga emocional altíssima, sobre como ama seus amigos, a família que o acolheu e amou, a igreja da qual fez parte, mas&nbsp; que, apesar de ter gostado de ser cristão por muito tempo, e até amar os cristãos, ele já não é mais um deles.&nbsp;</p>



<p>Lisa, Michael, Derek, Marty. Pessoas diferentes, relatos semelhantes. A ideia de Deus lhes serviu de casulo. Cresceram, o romperam e agora fazem o caminho da desconstrução para reconstruir. Cada um a seu modo, cada qual com suas escolhas. Mas talvez, por motivos claros, você também não tenha se convencido pelo Deus das <em>churches. </em>É bem possível que nem mesmo a ideia de Deus lhe agrade. Afinal de contas, pra que serve Deus?</p>



<p>Bem no início do curso de Ciências Sociais, tive aula com um professor indiano. Vindo de uma cultura muito distante da cultura ocidental, assimilava as questões divinas com outra perspectiva. Um dia, enquanto estudávamos um texto bíblico &#8211; o que é comum na disciplina de Estudos Comparados da Religião -, ele perguntou: Para que serve Deus?&nbsp;</p>



<p>As respostas variavam entre os alunos. Uns defendiam a ideia de que Deus servia para enganar e fazer fortuna. Outros acreditavam num certo tipo de dominação pela alienação, dizendo que Deus servia como uma distorção da realidade.&nbsp; Havia os que, em suas palavras, faziam coro com Richard Dawkins, dizendo que Deus era um delírio. Então meu professor respondeu a pergunta que ele mesmo havia feito:</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">	-Para quê serve Deus? Deus serve para nos livrar da dor. Se o teu Deus não faz isso, troque-o.&nbsp;</p>



<p>	Não havia hedonismo ou rebeldia em sua resposta. Ali se descortinava para mim a imagem da&nbsp; possibilidade de um Deus que não assume uma postura totalitária e opressiva. Trocar Deus não significa dizer que ele não presta, então o jogo fora como uma coisa. Não é para o caminho desse Deus reificado, mecânico, que ele apontava. Ele não estava pregando um ateísmo radical, mas um rompimento com a uma ideia de Deus. Se o Deus exibicionista e pirotécnico dos dias de hoje não me agrada, me apego ao Deus de Simone Weil, que se revela no meio da dor. Se o Deus não afeito às artes, que despreza o lúdico em prol da eficiência, não me agrada, me apego ao Deus de Rookmaaker. Se o Deus rígido, que se compraz em punir, não me agrada, me apego ao Deus que se permite ser questionado. E se nenhuma ideia de Deus me agrada, a vida segue sem problemas também.&nbsp;</p>



<p>Prefiro seguir acreditando que a ideia de Deus é multiforme. Que, assim como cantam Lisa e Michael, Deus não é homem. Deus&nbsp; Não é um homem branco, não é um homem sentado em uma nuvem, não pode ser comprado, não será encaixotado, nem será possuído pela religião. Deus não é um homem velho, não pertence aos republicanos, não é uma bandeira, nem mesmo é americano e não depende de um governo.&nbsp;</p>



<p>Deus bate bolos, borda, joga futebol, aprende a engatinhar. Ele se apaixona, chora, sofre, faz coisas lindas do pó.</p>



<p>&nbsp;Talvez Deus seja como um de nós. Um desajeitado, como um de nós. Um estranho em um ônibus, tentando voltar pra casa.</p>



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<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



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