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	<title>Arquivos Ano 001, N 019 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Literatura em Bibliotecas Comunitárias como Elixir da Vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Bel Santos Mayer]]></category>
		<category><![CDATA[Bibliotecas comunitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humano]]></category>
		<category><![CDATA[IBEAC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bel Santos Mayer</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">As bibliotecas comunitárias do Brasil, nascidas da ausência ou presença seletiva do Estado ao escolher tornar pouco acessíveis as políticas públicas de cultura nas periferias, não se cansam de construir estratégias e reinventar a roda para que a leitura chegue especialmente, para aqueles(as) que não são leitores ainda. Eu &#8211; uma mulher negra, educadora social, mediadora de leitura, organizo meus dias ao lado de centenas de pessoas que acreditam no poder da leitura, as quais escrevendo ou produzindo e distribuindo livros ou levando literatura para vários cantos, becos e vielas deste país, constroem um “Brasil que lê”, “Resiste culturalmente”, “Existe” e reinventa a própria existência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>A pesquisa Bibliotecas Comunitárias no Brasil: impacto na formação dos leitores, realizada&nbsp; pelo Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Grupo de Pesquisa Bibliotecas Públicas no Brasil (GPBP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Centro de Cultura Luiz Freire, com a participação de pesquisadores da Rede Nacional de Bibliotecas (RNBC), coletou dados de 143 bibliotecas em 15 estados brasileiros. O relatório da pesquisa pode ser acessado na publicação “O Brasil que lê: Bibliotecas comunitárias e resistência cultural na formação de leitores”</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.rnbc.org.br/2019/08/o-brasil-que-le-bibliotecas.html?fbclid=IwAR0hSF_3np-PhkReATFkmTnasx8pwwmZny21ZD6Jt_6oJn2rzDPILx7Yds4#more"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c2af6-captura-de-tela-2019-10-20-acc80s-10.11.13.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3767" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption>Clique na imagem acima para acessar.</figcaption></figure></div>



<p>Com as bibliotecas comunitárias, tenho aprendido a colocar luz naquilo, e principalmente nas pessoas e temas que estão invisibilizados, esquecidos, negligenciados. Nas bibliotecas comunitárias as palavras: negros, negras, mulheres, trans, povos indígenas, juventude, periferia, direito à cidade, direito à literatura, democracia, justiça, vida entram pela porta da frente. Temos construído, juntos, territórios letrados, falados, escritos.&nbsp;</p>



<p>Eu, que há algum tempo sou conhecida como <strong><em>Bel Santos do cemitério</em></strong>, <strong><em>da biblioteca do cemitério,</em></strong> <strong><em>da biblioteca na casa do coveiro</em></strong>, juntei-me aos(às) que enterram todas as tentativas de excluir do mundo letrado, os(as) que estão nas bordas das cidades. Tenho enterrado a tentativa de excluir jovens dos direitos à vida, ao livro, à leitura. O direito de ver-se no que lê. Estou com aqueles(as) coveiros(as) de uma história de negação de direitos. Coveiros e coveiras de “nãos” e desesperanças. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura foi criada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Estudo Comunitário(IBEAC) e um grupo de adolescentes, no extremo sul da cidade de São Paulo (Parelheiros), em um cemitério. Dá para saber um pouquinho mais do trabalho que é desenvolvido lá acessando o vídeo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/bel-santos-mayer/#cada-acao-importa"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/04ac4-captura-de-tela-2019-10-20-acc80s-10.23.34.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3771" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p>“Lemos no cemitério”. Lemos nas praias. Lemos nas ruas. Lemos nas Escolas. Lemos nas universidades. Lemos nos palcos de teatro, nas Feiras de Livros! Lemos! Lemos! Lemos porque sabemos que as palavras habitadas em nós, nos dão nova vida.&nbsp;</p>



<p>Temos dessacralizado a literatura e seus autores e autoras, afirmando como proclamou Antonio Cândido, que a Literatura é um Direito Humano. É para todos. É nossa também.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“(…) a literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob a pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza” (&#8230;)&nbsp; A literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual.”</p>



<p class="has-small-font-size">(CANDIDO, Antonio. Direitos Humanos e literatura. In:&nbsp;Fester(Org.)&nbsp;<em>Direitos humanos e…,</em>Ed. Brasiliense, 1989, p. 122).</p>



<p>As palavras dos esquecidos e esquecidas, dos estranhados(as), rejeitados(as) por modelos de cidade para poucos, têm ganhado vida em nossas bibliotecas. Estas palavras, ao entrarem em nossos ouvidos por suas próprias bocas, colocam-nos em um lugar de escuta, fazem-nos lembrar que todas as vidas importam.</p>



<p style="background-color:#725400" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Lendo, observamos que as existências não são iguais. O nascer e o morrer é desigual. As vidas de negros, trans, mulheres, pobres nem sempre importam. Muitas vezes não importam nas ruas, não importam no desenho de políticas públicas, não importam na literatura. Ler é um jeito de relembrar a importância de todas as vidas.&nbsp;</p>



<p>A literatura, da cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora do livro, pode contribuir para a redução das desigualdades ao se preocupar com cada existência. Quando Alicia Garza afirma que &#8220;Vidas negras importam&#8221; e o movimento de jovens baianos sai às ruas gritando &#8220;Reaja ou será morto, reaja ou será morta!&#8221; os(as) ativistas do livro e da leitura das bibliotecas comunitárias, se perguntaram: “Como reagiremos ao genocídio dos nossos jovens?” Uma das respostas foram os clubes de leitura a partir do livro <em>#Parem de Nos Matar</em> da escritora Cidinha da Silva que traz crônicas sobre as mortes “cotidiárias” (muito mais que cotidianas), físicas e simbólicas, de jovens negros(as). A literatura tem sido um meio de enfrentar as necropolíticas. Para não morrer, seguimos sendo parteiras de boas histórias.&nbsp; Gerando vida.&nbsp;</p>



<p>É um jeito de resistir e de gerar vida, conhecer e divulgar as obras e os(as) autores(as) dos nossos territórios. Conhecer e preservar as memórias, nomes e dignidade dos(as) que vieram antes de nós, se expressaram pela escrita, foram reconhecidos por&nbsp; leitores(as), mas não entraram no cânone literário ou só entram agora por nossos esforços como Carolina Maria de Jesus, é uma forma de (re)existência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi uma autora brasileira, reconhecida apenas recentemente, como uma das mais destacadas escritoras negras do País, embora seu livro <em>Quarto de despejo: diário de uma favelada</em> (1960)tenha se tornado um <em>best seller </em>ao ser traduzido para 16 idiomas e vendido cerca de 10 mil cópias em 40 países<em>. </em>Carolina, que foi catadora de papel, em vida lutou para ser respeitada como escritora. Publicou outros livros: “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1965), além de publicações póstumas como <em>Diário de Bitita</em>&nbsp; e <em>Onde estaes felicidade? </em>Carolina faleceu em Parelheiros (SP), região em que está localizada a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura.&nbsp;</p>



<p>Ler autores(as) esquecidos(as) é devolver-lhes a vida literária que lhes foi sequestrada. É recoloca-los(as) em nossa família literária. É reconstruí-las. É dar-nos o direito de reinventar a nossa existência, nossas histórias e memórias. É construir um futuro que se contraponha às estatísticas de morte. É garantir mais vida na literatura, ao disseminar o Direito Humano de existir biológica, cultural, estética e politicamente. Literalmente. A defesa do Direito Humano à Literatura, é a defesa do Direito Humano à Diversidade e às Identidades sem ameaça à Humanidade. Acreditamos que o acesso à literatura pode contribuir para o projeto de humanização da sociedade. Boas histórias, histórias bem contadas, podem ser aliadas em nosso projeto de existência. Podem contribuir para que cada um de nós possa se ver no que lê. Talvez, nós das bibliotecas comunitárias, presentes até em um cemitério, tenhamos encontrado um elixir da vida eterna: ler, ler, ler. Ler muito. E conversar sobre o lido.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de3d0-cemi.png?resize=348%2C243&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3777" width="348" height="243" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Arte por: Fernando Siniscalchi</em></strong></figcaption></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Bel Santos Mayer</strong> é educadora social, coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – IBEAC, co-gestora da Rede LiteraSampa, formadora de jovens mediadores de leitura, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Turismo (EACH/USP), pesquisando a contribuição das bibliotecas comunitárias para o estudo das mobilidades.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#5f4500" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a7251-foto-carol11.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1665" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Fresta na Janela</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[janela]]></category>
		<category><![CDATA[obra literaria]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Frizero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Thomas Frizeiro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">É difícil voltar a dormir depois de olhar para a fresta na janela. Aquela, no meio das duas partes da cortina, que dirige um feixe de luz em direção à cama pela manhã. Ela bate em cheio, bem no rosto, dissipando o sono. Você se vira para o outro lado, mas a memória da luz já não pode ser esquecida. É nessa hora que você fecha os olhos e tenta voltar a dormir, mas não consegue: a mancha da luz permanece nos olhos e o mantém acordado, como a fome daquelas crianças na rua e dos mendigos que se encontram apagados todas as noites nas marquises da esquina da avenida paralela. Realmente é de se perguntar como essas crianças dormem a noite. Se é que dormem. Todo mundo sabe como é difícil dormir com a barriga vazia. Você rola para a direita, depois para a esquerda e a fome incomoda enquanto luta contra ela. De repente você desiste, se levanta e vai à cozinha. Abre a geladeira, monta um sanduíche rápido, para não perder muito tempo de sono, e volta. Mas não aquelas crianças, elas não têm o que comer a noite. Os mendigos da esquina da avenida paralela também não, a não ser que alguém os dê um pouco de comida ou algo assim, até porque já viu né? Se der dinheiro gasta tudo com cachaça e crack. Algumas pessoas do prédio até dão comida de vez em quando, até você dá um pouco às vezes, quando vai até a padaria e esquece de prestar atenção nos pedidos. É nesse momento que você rola para o lado na cama e dá de cara com a fresta na cortina pela segunda vez: mas que porra, tinha esquecido dessa merda. Você vira rápido para fugir daquela luz, mas já é tarde demais. Novamente o sono que já estava quase chegando vai embora. E você, que já estava quase se esquecendo do feixe de luz, é obrigado a se lembrar novamente e ficar com aquela mancha gravada na memória ocular. Sem contar a palpitação, causada pela raiva e pela virada brusca, que te impede de retomar sua concentração para o sono. A raiva talvez seja pela frustração da perda, algo seu por direito, tomado assim de você por causa do descaso com a fresta na cortina, que na noite anterior era totalmente inofensiva. É uma raiva muito mais forte até do que aquela causada pelo&nbsp;<em>Vazou o áudio daquele senador lá, viu? Uma vergonha, não?</em>,<em>&nbsp;Realmente, uma vergonha, mas fazer o que, político não presta</em>…&nbsp;<em>aqui vou lá, estou bem atrasado, acho que vou ter que pedir um Uber, até!</em>&nbsp;É uma raiva diferente essa, na cama, daquela, na rua. Talvez porque a raiva de perder o sono seja culpa sua, afinal quem deixou a cortina aberta foi você, já essa conversa de política não, é tudo culpa de quem não sabe votar&#8230; não tem nada a ver contigo… agora, depois desses vinte minutos tentando dormir, você percebe que é impossível voltar a dormir depois que se olha para a fresta na janela.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/P_20190405_160623.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3761" /><figcaption><strong><em>Fotografia: Luana Sofiati<br></em></strong></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Thomas Frizeiro</strong> é mestre em Estudos Literários pela UFJF e graduado em Letras (português e literaturas) pela mesma instituição.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#886400" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3552a-julia-sa-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3413" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Bacurau: O Brasil Profundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Bacurau]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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<p class="has-drop-cap">Nas entranhas de um Brasil profundo, existe uma realidade cotidiana conhecida pelo amplo imaginário coletivo do brasileiro. E em cada detalhe dessa representação, ademais das dificuldades de uma vida dura e simples no interior do país, Bacurau é revolucionário.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Existe no filme uma subversão da representação da doce ingenuidade do brasileiro médio, que vive geralmente em grandes capitais do país, e que <strong>acredita que o Brasil é o sul e o sudeste.</strong> Essa falsa impressão é na verdade uma negação da miscigenação que está estampada a pele e nos traços de cada brasileiro, uma entre tantas outras formas de subjugar sua própria raiz cultural ante ao imperialismo norte-americano. Tal negação, desperta anomalias sociais onde as pessoas se sentem à vontade para definir quem é branco ou negro como quem faz uso de uma escala de cores <em>a la Pantone</em>. Eu sei, muitos brasileiros acham que são brancos. </p>



<p>Por outro lado, o cotidiano duro de quem vive fora das grandes capitais é retratado de maneira crua e verdadeira no filme. Uma alegoria da vida simples e prosaica dos habitantes de Bacurau, mostra aquilo que é reconhecível em cada pequena cidade do interior do país, cujos personagens são facilmente identificados em poucos instantes. Talvez por isso nada soe grotesco em Bacurau. </p>



<p>Existe um sentimento fraternal que nos une a cada elemento representado no longa. Na dona do bar, na igreja fechada, no carro de som, no velório em casa, no postinho de saúde e na filha do vizinho que foi pra capital se formar médica. No prefeito dantesco que oferece indulgências em troca de votos e no professor que procura a cidade no mapa por satélite. <strong>Poderia ser qualquer outra pequena cidade brasileira pela qual passamos de carro em direção aos grandes centros.</strong></p>



<p>O fato é que reside em Bacurau uma profunda e autêntica representação do Brasil. Um Brasil que resiste às dificuldades impostas pela ingerência do Estado que nem sabe de sua existência. O Brasil que resiste onde o Estado não existe, onde políticos só aparecem às vésperas da eleição. Um retrato triste de uma realidade comum e caricata.</p>



<p>É por isso que Bacurau é um filme necessário. Poderíamos discutir diversos aspectos do filme. Confrontar várias interpretações possíveis sobre a importância de diversos arquétipos questionados pelos diretores e ressaltar infinitas nuances na trama do filme. Mas a verdade é que o impacto de Bacurau está no retrato de uma sociedade brasileira simples e verdadeira, que estabelece um contraponto com à parte fragmentada e alienada de si mesma. No jovem que acredita se sentir completo ao viver um <strong><em>lifestyle cult</em></strong><strong> </strong>saindo do cinema depois de assistir um filme nacional, feliz por se encaixar em um grupo onde pseudo opiniões não encontram a profundidade real de Bacurau. </p>



<p>À estes, deixo a célebre frase de Milton Santos: A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa, e não o que os une.&#8221;</p>



<p>Bacurau é a resistência de um Brasil profundo, onde residem as raizes da mais verdadeira e essencial interpretação da cultura brasileira.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/81bf1-artesacc83o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2241" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-medium-font-size"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/20/bacurau-o-brasil-profundo/">Bacurau: O Brasil Profundo</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>A Permanência do que não se Inscreve: Reflexões Sobre o Nosso “Moderno” Centro-Oeste.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darcy Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[O Mulo]]></category>
		<category><![CDATA[Saulo Lance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Saulo Lance</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Escrito em 1981 por Darcy Ribeiro, O Mulo estrutura-se como um livro de memórias num duplo sentido. Em um primeiro sentido, é um livro composto de memórias de seu autor, o expressivo sociólogo e importante político Darcy Ribeiro, cujas habilidades de escritor estão intimamente conjugadas às suas experiências de pesquisador e de representante no poder público brasileiro. Não é por outro motivo que Darcy dirá em seu livro Testemunho que O Mulo representa “mais uma ocasião destas, que não perco de testemunhar, o quanto somos um país enfermo de desigualdade”- 1 – aproximando-se bastante das intenções de outro de seus romances, Maíra, definido como “um romance da dor e do gozo de ser índio” em terras brasileiras. Diferentemente de Maíra,- 2 porém, O Mulo é um relato daquilo que o autor vivenciou sobretudo nas fazendas de Minas Gerais e Goiás de meados do século XX, em específico o conjunto de práticas e perspectivas de realidade organizadoras da forma de vida vigentes nos “modernos” latifúndios da região. </p>



<p>Enquanto é livro de memórias de Darcy, O Mulo é sobretudo um romance político e sociológico no qual retrata “o nosso povo roceiro, sobretudo os mais sofridos deles que são os negros, tal como os vi, sempre mais resignados que revoltados”. Em Testemunho, livro no qual Darcy conta-nos a sua trajetória e comenta suas obras, o autor dirá que guarda em si “recordações indeléveis das brutalidades que presenciei em fazendas de minha gente mineira e por todos estes brasis, contra vaqueiros e lavradores que não esboçavam a menor reação. Para eles, a doença de um touro é infinitamente mais relevante que qualquer peste que achaque a sua mulher e seus filhos. Essa alienação induzida de nossa gente, levada a crer que a ordem social é sagrada e corresponde à vontade de Deus, é que eu tomei como tema, mostrando negros e caboclos de uma humildade dolorosa diante de patrões que os brutalizavam das formas mais perversas”. Trata-se, imediatamente, de uma tentativa de descrição de uma sociedade organizada de forma rigidamente hierárquica, na qual o dono das terras é também o dono das gentes na medida mesma em que, como “dador”, distribui seus dons e desgraças segundo a apreciação do valor pessoal e funcional de seus subordinados e inimigos. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Embora nos fale de um passado recente, toda a narrativa do livro também nos levará a encarar aquilo que conforma as relações sociais em nossa cultura de herança colonial, a qual, como costume arraigado, pesa sobre os ombros e impõe o cabresto da ignorância e da perda de si por múltiplas vias. Seu ponto de fuga, assim, é o costume arraigado, capaz de produzir sujeitos e formas de vida: o núcleo de socialidade responsável por circunscrever os lugares e formas sociais de mando, de passividade, de cidadania e de indigência, diferentemente distribuídos entre grupos de mulheres e homens, índios, pretos e brancos; costume que se repete indefinidamente até adquirir a feição mitológica daquilo que, por não ser tematizado, se naturaliza e cristaliza. Na medida em que o livro não só explicita acontecimentos, mas os reconhece como processo e revela uma tendência afirmada como tal, se constitui como consciência crítica – como denúncia. </p>



<p>É a esta conclusão que nos leva uma análise da narrativa em seus elementos estéticos. Assim como é livro de memórias de Darcy, é também livro de memórias do seu personagem principal. O Mulo é um romance organizado como um diário, cujos conteúdos são as confissões e testamento do coronel Philogônio de Castro Maya: senhor de terras moribundo que aguarda sua morte e a absolvição dos seus pecados pela benção de um padre desconhecido, destinatário do seu diário/confissão. Certamente o fato do Mulo se confessar a um padre desconhecido é algo curioso, mas é o próprio Mulo que nos confessa os motivos do seu mutismo: por um lado, um mutismo desdobrado diretamente da sua bruteza e ignorância, derivadas da ausência de acesso um sistema educacional que atenda às populações mais pobres (Philogônio foi “outros” além de senhor de terras – sua origem é humildíssima); por outro lado, um mutismo consequente com a sua posição na rígida hierarquia social estruturante dos latifúndios, posição que exige o resguardo em relação aos perigos de ser demasiadamente humanizado por todos, o que ofereceria ao mundo a imagem de um homem mais frágil do que deveria sê-lo. </p>



<p>A questão que se põe, dada esta incompatibilidade entre a posição social de Philogônio e a sua atitude de confessor, é a do sentido desta estratégia de Darcy. Tal recurso, que contraria a imagem adequada deste ator social ao fazê-lo falar num tom pouco familiar a indivíduos em posição social semelhante, pode ser interpretado como a forma de explicitar uma intenção de tematizar o não tematizado na nossa cultura nacional, o mito que a funda no silêncio. Afinal, o Mulo confessará seus crimes, pensará seus erros e pretenderá passar a limpo o seu passado com Deus&#8230; Mas, ao mesmo tempo em que se põe em dia com aquele que julga ser o único acima de si, reconhece-se como criatura sob o mando deste mesmo Deus, seu senhor supremo que por isso mesmo coordena as suas ações. Tudo se passa, neste giro, como se o mando do Mulo se traduzisse em ordem divina, como se seus pecados pudessem ser atribuídos, em última instância, a Deus: “Esse mundo é variado, seu padre. Há o café e a borra. Há o caldo e o bagaço. Há quem manda e quem é mandado. Esse é o mundo da fábrica de Deus. Vou eu refazer? Quem sou eu? O meu é meu. O alheio, não sei: será ou não. Assim pensamos nós, mandantes, assim agimos.” &#8211; 3 </p>



<p>O Mulo nos oferece, assim, o duplo de um “retrato psicológico da nossa classe dominante rústica” do sertão goiano e mineiro de meados do século XX, de mando duro e inflexível, assim como o perfil psicológico de uma mentalidade legatária direta da escravidão de índios e de pretos, que força o Brasil a manter-se sob a forma de um grande “engenho de gastar gente”.- 4 </p>



<p>O grande interesse que a obra desperta, neste sentido, é o da investigação das nossas raízes coloniais, ocultadas sob as terras latifundiárias que ainda hoje conformam a nossa forma de viver e de fazer política. É pela explicitação das relações hierárquicas e apreciações de valor omitidas neste contexto que a obra faz desfilar diante de nós o mito social que, mesmo ocultado, ou talvez por isto mesmo, ainda opera como fundamento de um quadro amplo de relações de dominação e sujeição em nossa sociedade. Ao fazer falar o Mulo, Darcy nos põe a escutar a voz do mito estruturante de uma ordem social que não se reconhece como desigual por pressão de condições históricas ou mesmo por acidente, mas que se exerce como natural ao articular-se em inúmeras práticas de sujeição e dominação que a reiteram. </p>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>1 RIBEIRO, Darcy. Testemunho, Editora: Siciliano, 1990. </p>



<p>2 RIBEIRO, Darcy. Maíra, Editora: Brasiliense, 1976. </p>



<p>3 RIBEIRO, Darcy. O Mulo, Editora: Record, 1981.</p>



<p>4 RIBEIRO, Darcy. Testemunho, Editora: Siciliano, 1990. </p>



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<p><strong>Saulo Lance</strong> é formado filósofo e dialético por inclinação. Divide seu tempo entre a dedicação às sutilezas quase metafísicas do pensamento e a dura constatação de suas manifestações concretas &#8211; na esperança de um dia vê-las implodir.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#705200" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/48a44-julia-sa-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3414" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Por meio da Poesia, Cafeicultora Valoriza a Agricultura e o Trabalho da Mulher Rural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cafeicultora]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher Rural]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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<p class="has-text-align-right"><em>A vida é uma semente, que precisa ser plantada. Nas mãos do agricultor, ela será germinada. </em></p>



<p class="has-drop-cap">Este é um dos versos escritos pela agricultora orgânica Maria Regina Mendes Nogueira, 47 anos, de Poço Fundo (MG). No campo e na poesia, a produtora de café expressa sua visão sobre a importância da agricultura e do trabalho da mulher que vive no meio rural.</p>



<p>Mais conhecida como Regina, ela é uma das integrantes do Grupo Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI), um coletivo da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (COOPFAM) que atua em prol do protagonismo e visibilidade do trabalho da mulher na agricultura. O relato é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/56fd9-image-7.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3628" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em><strong>A cafeicultora Maria Regina Mendes Nogueira, de 47 anos, é uma das integrantes do Grupo Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI). Foto: FAO</strong></em></figcaption></figure>



<p>O grupo também articula ações para garantir o direito de participação das mulheres nos processos de tomada de decisões da cooperativa. Ao começar a participar do Grupo MOBI, Regina logo foi convidada para ser coordenadora. O apoio, a confiança e o processo coletivo de tomada de decisões fizeram toda a diferença para que Regina dissesse sim ao desafio.</p>



<p>A cafeicultora tem consciência da importância que a união das mulheres tem para a construção dos saberes e de como esta articulação contribui no processo da autonomia, do individual ao coletivo. “Quando somente seu esposo era cooperado, ela ia à cooperativa e nem do carro descia. Começar a participar do Grupo MOBI trouxe autoestima e valorização do seu potencial”, comenta Mariana Martins, uma das colaboradoras do grupo.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Conhecimento e transformação</strong></p>



<p>Foi no cotidiano do Grupo MOBI que Regina se empoderou junto a outras mulheres que estão passando pelo ciclo de valorização de seus saberes. No grupo, elas sempre compartilham conhecimento sobre a produção de café e descobrem seu potencial para transformarem suas vidas e, consequentemente, as de suas famílias.</p>



<p>“Para mim, a importância do saber da agricultura no meu viver é uma coisa que me fortalece. Eu me sinto bem cuidando da terra, plantando, colhendo. E, para isso, a gente tem que buscar conhecimento, porque, sem conhecimento, a gente não consegue alcançar um bom êxito”, disse Regina.</p>



<p>Ao começar a participar do Grupo MOBI, a experiência de Regina como cafeicultora foi potencializada pela atuação no coletivo com a produção do Café Orgânico Feminino. Todas as ações e atividades que Regina participa com o Grupo MOBI visam principalmente a valorização dos saberes locais e as trocas de experiências e conhecimentos. Muitos são os dias de campo, dias de produção de sabão, caminhadas agroecológicas e circuitos sul mineiros de agroecologia que Regina participa junto as outras mulheres.</p>



<p>“São espaços de formação, de aprendizagem e de afetos que as mulheres vivenciam e levam para suas casas, para os seus cotidianos como mulheres rurais todos os saberes vivenciados e adquiridos”, avaliou Mariana.</p>



<p>Os melhores dias para multiplicação dos saberes são os dias de trocas de experiências, como os que acontecem no projeto lançado neste ano de 2019 pela COOPFAM, a Certificação Participativa do Café Feminino. Dias como este, as mulheres visitam umas às outras para trocas experiências e conhecerem um pouco mais da rotina das companheiras na produção de café.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Guardiã</strong></p>



<p>Além de agricultora e poeta, Regina se considera uma guardiã das sementes. Em sua propriedade, ela guarda semente de abóbora, que aprendeu a tirar com sua mãe; de milho crioulo, que é bom para fazer pamonha.</p>



<p>A produtora também é amante de rosas. E sua paixão foi incentivada por meio de um projeto realizado pelo MOBI em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas para construção de estufas de produção de rosas orgânicas. No projeto, Regina aprimorou seus conhecimentos e hoje foca na produção de licor de rosas orgânicas e de versos sobre o universo da agricultura e da mulher do campo.</p>



<p><strong>Confira abaixo dois poemas escritos pela agricultora:</strong></p>



<pre class="wp-block-verse"><strong>A importância das sementes<br></strong><br>A vida é uma semente, que precisa ser plantada.<br>Nas mãos do agricultor,<br>Ela será germinada.<br><br>Precisamos nos atentar,<br>Na importância das sementes.<br>Pra que se mantenha viva,<br>Nossa luta é permanente.<br><br>Índios, assentados, quilombolas e agricultura familiar,<br>Tem papel importante, as sementes preservar.<br>Pras futuras gerações melhor se alimentarem.<br><br>A agroecologia contribui para um futuro, cuidando da mãe terra,<br>Produzindo alimento seguro.<br><br>Tudo isso precisamos fazer,<br>E dar o nosso exemplo.<br>Pra que a importância das sementes, não caia no esquecimento.</pre>



<pre class="wp-block-verse"><strong>Mulher</strong><br><br>A mulher é um ser iluminado<br>Que com todo cuidado tenta tudo resolver<br>Seja os problemas do mundo ou até os mais profundos<br>Do seu íntimo ser.<br><br>A mulher é um ser forte<br>Luta até a morte<br>Para os direitos valer<br>Dos negros, à igualdade,<br>Dos assentados, à terra<br>Ou o direito de nascer.<br><br>A mulher é um ser especial<br>É bela, maquiada ou natural<br>É delicada, criativa e tem talento.<br>Faz em casa o orçamento,<br>Marca presença no parlamento,<br>Ocupa os espaços para tudo transformar.<br><br>A mulher brasileira é forte e guerreira<br>Ao longo dos anos, tarefas acumulou.<br>Venceu muitas batalhas, sua vida melhorou.<br><br>A mulher merece respeito<br>Seja ele em seu leito<br>Ou no seu local de trabalho.<br>Não sendo usada como objeto<br>E tendo um digno salário.<br><br>Parabéns a todas as mulheres<br><br><br>Maria Regina Mendes Nogueira, 47 anos, agricultora orgânica.</pre>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Campanha 2019</strong></p>



<p>De 1º a 15 de outubro, a Campanha #Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos promove 15 dias de mobilização para valorizar a contribuição das trabalhadoras do campo ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável relacionadas à igualdade de gênero e ao fim da pobreza rural. O tema norteador da quinzena ativista é “O futuro é junto com as mulheres rurais”, com a hashtag #JuntoComAsMulheresRurais.</p>



<p>O principal objetivo da campanha é destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes. A campanha no Brasil é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em parceria com FAO, a ONU Mulheres, a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf) e a Direção-Geral do Desenvolvimento Rural do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.</p>



<div style="height:56px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-small-font-size">*<strong><em> Essa Publicação foi feita em parceria com a ONU Brasil. </em></strong><em><strong>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/por-meio-da-poesia-cafeicultora-valoriza-a-agricultura-e-o-trabalho-da-mulher-rural/">Nações Unidas Brasil</a></strong></em> <strong><em>em 14/10/2019 &#8211; Atualizado em 14/10/2019</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#9a7100" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color">Clique na imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c7388-menino-poccca7o.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Sob o Silêncio: Perspectivas de um Trajeto Estrutural Pelo Fio da Música.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[composição]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[silêncio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Acredito que uma das coisas mais desafiadoras dentro da composição é o achamento do silêncio. As vezes, questiono até mesmo esse último deve ser encontrado. O momento que antecede o ritmo, a letra, a melodia e a produção para publicação, é desafiador pois diz de uma estrutura emocional interior, não apenas no sentido de como me sinto, mas como interpreto o que vejo, por exemplo.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, o silêncio tem voz. Entre o olhar (leia se percepção) e a captura, existe um espaço de ação interno que interpreta o que se vê, o que se sente e, ás vezes, o que não se vê, o que não se sente, pois é necessário dizer daquilo que está em falta em alguns momentos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Sob o silêncio, se cria. Quando digo isso, quero retornar a concepção de sentidos, ou seja, a estrutura pelo qual interpreto e reajo ao mundo, porque é exatamente mediante a isso que construo e desenvolvo o meu olhar para, então, repassar a folha uma porcentagem do que pensei. Escrever é complexo. Compor é despir um dos enigmas.&nbsp;</p>



<p>Quando pública, a música virá carregada por uma responsabilidade para com o outro, responsabilidade tal que também nasce sob o silêncio, a diferença está, como na maioria das vezes, no âmbito do público e privado, sendo que este último, nesse caso, se limita na fronteira daquilo que é individual, daquilo que ainda não se compartilhou. Logo, há uma responsabilidade própria sobre o que o seu silêncio produz.&nbsp;</p>



<p>Ainda na dimensão daquilo que é desafiador quando não se diz nada, penso nas camadas perceptivas que embalam a construção de uma lógica na composição. Quando se parte de uma perspectiva onde o silêncio é sinônimo de desertificação da alma criativa, se rompe com parte da estrutura que conduzirá o desenho da composição, tendo como resultado uma espécie de <em>frankstein</em> respaldado por uma mercadologia que, de quebra, é inconstante. Vale destacar a parte embrionária consolidada pelo silêncio.&nbsp;</p>



<p>Um certo amigo me disse que &#8220;o silêncio é caos, vazio e ensurdecedor, que denuncia o quão insensível me tornei, (&#8230;) é o lugar onde encontro as partes de mim que não queria/esperava descobrir ter&#8221; e é interessante pensar que o silêncio, propriamente dito, também serve enquanto denúncia e régua para os pormenores dentro de nós. Acima de tudo, acredito na função cognitiva que alerta para o insensível/sensível, bonito/feio, agradável/desagradável e etc, que não dizendo apenas de uma dicotomia vazia, irão desaguar em nossa música.&nbsp;</p>



<p>Em alguma medida, é necessário encontrarmos o silêncio e não o interpretarmos enquanto uma atrofia artística, pois este possui função e pode ter capilaridade suficiente para a produção de algo bom ou, ao menos, verdadeiro. Para concluir, relembro a fala de um músico contemporâneo genial e muito querido que diz que, o silêncio, também é musical.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/97155-img_8744.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3781" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em> Bernstein conduzindo a Sinfonia de Boston em uma performance da Sinfonia de &#8220;Ressurreição&#8221; de Mahler em Tanglewood, em 1970.<br> Photograph from UPI / Landov&nbsp;</em></strong> </figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8c937-6-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2437" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a Loja Virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de720-foto-carol8.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1651" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Pós-eu mesmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">A bem da verdade<br>Esta não existe<br>Muito embora o mundo<br>Goste de produzir meias-totais-veracidades<br>Via mídia, via religião, via dinheiro<br>Como poetar nesse contexto?<br>Não me sinto à vontade<br>Meu coração, indignado, não quer<br>Se tudo fosse tão otimamente<br>Porque impor as vivências?<br>Salto no ar<br>Fetiche da crítica<br>Realidades tão virtuais<br>Relações tão artificiais<br>Mentiras tão habituais<br>Rotinas tão rituais<br>Roteiros tão casuais<br>Gozos cheios de ais<br>Famosos tão demais<br>Rimas tão iguais<br>Amores nunca mais<br>Mulheres tão sensuais<br>Conversas tão banais<br>Enterre-me: aqui jaz<br>Depois de Eu<br>Tem o avatar de Eu<br>Fala por Eu<br>Vive por Eu<br>Finge por Eu<br>Só sei que prometeu<br>Que após o depois<br>Seremos só nós dois<br>Um pelo outro<br>e reciprocamente<br>Afinal, indago pós-aflito,<br>onde está o sentido<br>daquilo que é sentido?</pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia </strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-text-color has-background" style="background-color:#795900">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3e4db-julia-sa-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3417" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Rotineira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[entre nossas linhas]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Rotina]]></category>
		<category><![CDATA[rotineira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Desespera o desesperado lutando por paz num mundo nascido do caos&nbsp;<br>Acorda&nbsp;<br>Mastiga&nbsp;<br>Corre&nbsp;<br>Trampa<br>Fuma... paz<br>Corre<br>Mastiga<br>Fuma o cachimbo da paz<br>Dança os dedos na tela&nbsp;<br>Pensando em tanto&nbsp;<br>Não fazendo nada&nbsp;<br>São tantos carnavais de pensamentos,&nbsp;<br>Cansa estar cansado,&nbsp;<br>Melhor dormir&nbsp;<br>Fechar os olhos<br>No alívio ao fim do dia<br>O despertador desperta<br>"Acorda"<br>...<br>-M.E.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Entre Nossas Linhas </strong>é uma página de Instagram criada por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p style="background-color:#8b6600" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/293f0-julia-sa-3-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>4. O Navio que Temos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Navio]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Estou de pronto<br>aprendiz que diz<br>num salto que o<br>respeito do voto observa<br>tudo ao redor<br><br>Estou de frente<br>ao que se faz<br>premente<br>ao voto que<br>se diz consciente<br>ao voto que se diz<br>e se faz pujante<br><br>Estou aqui<br>insano, num afã<br>de entender o mundo<br>entender o fundo disso tudo<br><br>Eis que no céu me surge<br>as asas flanando de um corvo<br>e ao lado dele um albatroz reluz<br>É o mesmo dos campos atrás<br>o mesmo dos mares de antes?<br>O mesmo que emprestou<br>as suas asas ao governante maior,<br>ao capitão, ao mito poético<br>chamado Castro Alves?<br><br>O mesmo das ignomínias vistas<br>de torpezas sentidas<br>num navio vindo da África?<br><br>Acho que sim!<br>E esse mesmo albatroz me oferece<br>carona nas suas asas bem-vindas<br>nas suas asas benquistas<br>no seu voleio, no seu trajeto<br>pelo Brasil, no seu torneio<br>e volteio enxergando a coisa insana<br><br>Mas o que vejo ali, meu albatroz querido?<br>O que percebo ao redor dos meus irmãos?<br>A destruição, a deterioração&nbsp;de tudo conquistado, através de ódios serenos&nbsp;e vazios<br>escondidos em apartamentos e casas<br>confortavelmente rodeados de franquias e direitos&nbsp;monetários<br>em lares repletos de escapulários<br>em cheiros assépticos de vidas<br>repletos de falsos mais<br>rodeados de menos<br><br>Oh, albatroz, me conduza mais adiante<br>me mostre o desmonte da vida em família<br>me diga que estou errado!<br>me aponte o caminho<br>porque esse destino se forja intestino<br>Apesar da maioria, apesar da ignomínia<br>apesar da insensatez, da memória infeliz<br>de cada ser que votou na estupidez!</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#795900" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/477b1-foto-carol14.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1695" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/20/o-navio-que-temos/">4. O Navio que Temos</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>Não me Chame de Revolta</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/20/nao-me-chame-de-revolta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa valladares]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Larissa Valladares</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/20/nao-me-chame-de-revolta/">Não me Chame de Revolta</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Abri meus lábios<br> Tentei me contar aos desconhecidos<br> Dizer quem realmente sou <br> Mas não me escutam através de mim<br><br> Fizeram do meu corpo morto um experimento<br> Não tive opção<br> Escolheram achar que eu era louca<br> Contaram uma história que não era minha<br> Através daquilo que não era meu <br> Tentei lhes mostrar quem eu realmente era <br> Mas não me escutam através de mim<br><br> Quero apenas a equidade<br> Porém me narram como alvoroço<br> Só quero que me deixem ser&nbsp; <br> Igualmente protagonista de mim mesma<br><br> Me sacrifiquei <br> Morri clamando por um ouvido disposto<br> Mas não o fizeram<br> Agora o chão das ruas guardam meu sangue&nbsp; <br> E mesmo assim<br> Muitos não me escutam através mim&nbsp;<br><br> Tenho “sido” através de muitas, mas não de todas<br> Me banho de respeito e solidariedade&nbsp; <br> Escutem, por favor, não quero guerra<br> Nem me rebelar contra os valores e crenças<br> Quero apenas que me escutem através de mim <br> </pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Larissa Valladares</strong> é filha, admiradora dos “pormenores” da vida e aspirante ao serviço social.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#886400" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/90819-foto-carol12.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1687" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/20/nao-me-chame-de-revolta/">Não me Chame de Revolta</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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