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	<title>Arquivos Ano 001, N 024 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Por que Contamos Histórias?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Existem muitas maneiras de se contar uma boa história. Na realidade, a humanidade cultiva narrativas desde os tempos mais remotos, alimentando e compartilhando as crenças em mitos de origem ou simplesmente relatando acontecimentos cotidianos. Pois então, a verdade é que histórias revelam, muito além de sua trama, aspectos peculiares da existência humana.</p>



<p>Antes mesmo que a linguagem escrita fosse desenvolvida, as histórias eram contadas e preservadas através da oralidade. Aspectos concernentes à ancestralidade e descendência dos indivíduos de uma comunidade, bem como lendas e tradições religiosas, foram transmitidas de geração para geração em rodas de conversa diante de uma fogueira.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/image-3.png?fit=970%2C583&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5165" width="728" height="437"/><figcaption class="wp-element-caption">Jovens índios guarani ficam em volta de uma fogueira em Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul Foto: Maurício Lima/New York Times</figcaption></figure>



<p>Devido à frequência e intensidade desta troca, podemos supor que a construção da identidade cultural de cada indivíduo de cada comunidade, tenha sido construída por suas histórias. Assim, as batalhas vencidas, as derrotas sofridas e grandes feitos realizados, constituem o grande alicerce onde se estabelecem as convicções e desconfianças no imaginário coletivo de determinados grupos.</p>



<p class="has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Para além das manifestações artísticas como a pintura e a escultura, com o advento da escrita, a necessidade de registrar essas histórias em algo que pudesse transcender a existência estabelece um divisor de águas na trajetória humana, promovendo um desenvolvimento tremendo na maneira como o homem conta suas histórias, e, mais do que isso, no modo como lê e interpreta o mundo e a si mesmo.</p>



<p>A julgarmos pela estrutura medieval estabelecida nos <em>scriptoriums</em> dos antigos monastérios,  a urgência em manter vivas as histórias mais importantes contadas, (especialmente aquelas que revelavam e preservavam a esfera do sagrado), para além da oralidade, gerou um sistema de trabalho organizado em funções distintas, desde os copistas e iluminadores dos livros até encadernadores, uma espécie de linha de produção artesanal.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/image-4.png?fit=970%2C512&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5169" width="728" height="384"/></figure>



<p>E, assim, a humanidade seguiu contando suas histórias. A cada desenvolvimento de novas tecnologias, novas possibilidades surgiram para que os autores encontrassem o suporte perfeito para dar vida e transmitir a potência de sua história para outras pessoas. Foi assim com o teatro, com jornais, revistas, fotografia, o audiovisual, com o advento da internet, em blogs, vlogs, esquetes, mídias sociais, etc&#8230; inclusive, algumas histórias envolvem diretamente a ação do espectador, e, talvez por este motivo, a indústria de games esteja faturando mais do que a de cinema na última década.</p>



<p class="has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">O fato é que o homem enquanto ser, encontra sentido nas histórias compartilhadas e compreende os diferentes modos de ser e pensar que transbordam a experiência individual e ganham um carater coletivo no ato de compartilhá-las. Assim, ao socializar suas narrativas, as noções de humanidade se moldam e edificam lentamente a pluralidade das tradições culturais, lastro da existência humana, rico em complexidade e principal aspecto identitário de pertencimento e poder.</p>



<p>Portanto, quando contamos nossas histórias hoje, reproduzimos uma prática ancestral que nos conecta com cada indivíduo que, um dia, compreendeu que a existência humana só se estabelece enquanto memória coletiva.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador, encadernador, escritor, curador, expografista e violonista. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>


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		<title>Somente Consciência Humana é Suficiente para Entender o Brasil?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luan Pedretti</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O dia 20 de novembro passou e assim como em todos os anos, alguns discursos circularam na sociedade a fim de deslegitimar a data e a simbologia que ela carrega. Elementos diversos, a exemplo do vídeo em que o ator Morgan Freeman reforça a ideia de que se pararmos de falar em racismo, essa forma de violência contra determinados sujeitos desaparece, somente reiteram a ideia já contestada, de que vivemos em uma democracia racial. Ou seja, um país que todas as três raças¹ – o negro, o branco e o ameríndio – conviveriam cordialmente, sem estabelecer conflitos entre si, inclusive se miscigenando. Portanto, o pensamento se encaminha a justificar que não seria necessário um dia ou mês específico para refletir sobre as questões que recaem a um grupo, já que “somos todos iguais”. Aqui, pretendo discutir sobre a importância da data não somente para a população negra, como para toda a população brasileira.</p>



<p>O Brasil foi o último país do ocidente a abolir a escravização de pessoas, muito em função da pressão de grupos abolicionistas, de países estrangeiros com interesses econômicos e dos próprios sujeitos escravizados que fugiam da situação de cativeiro, enfraqueciam o sistema e reinventavam suas formas de viver dentro deste território; a exemplo da sociedade de Palmares. O dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, foi decretado em 2003 como o Dia da Consciência Negra a fim de rememorar o líder de uma das mais emblemáticas sociedades que desbaratavam a ideia da dualidade Casa Grande <em>versus.</em> Senzala, para a possibilidade de uma terceira via para a população negra fugida naquela época.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Após a abolição, o Estado brasileiro não promoveu nenhuma política com o objetivo de integrar os sujeitos que agora se viam livres, porém sem instrução para exercer ofícios para além dos que exigiam o uso das forças manuais. Hoje, mesmo após anos de abolição da escravização, os sujeitos negros, em sua maioria, continuam a desempenhar funções subalternas na sociedade brasileira, se caracterizando como estrutura que impede este grupo de chegar a posições de poder. Uma pessoa que chegou a determinado cargo de prestigio se apresenta como exceção, não como regra.&nbsp;</p>



<p>O jurista e filósofo Silvio de Almeida, ao escrever <em>Racismo Estrutural² </em>para a coleção Feminismos Plurais, descreve as formas como essa violência incide sobre os copos dos sujeitos negros, e delimita três exemplos principais: o racismo individualista, o racismo institucional e o racismo estrutural.&nbsp;</p>



<p>Em resumo, o racismo individualista, para o autor, é entendido sob a égide de uma patologia. Seria uma ação isolada de caráter individual, às vezes tratada como distúrbio psicológico em que se aplicam discursos como “racismo é errado”, “somos todos humanos”, mas não age a fim de combater e erradicar o problema, já que este ato partiria de um desvio de moral pessoal (ALMEIDA, 2018. p. 28.).&nbsp;</p>



<p>Almeida aponta por racismo institucional a prática que não se resume apenas a comportamentos individuais, mas também pelo funcionamento das instituições a fim de conferir desvantagens e privilégios a partir da raça (ALMEIDA, 2018. p. 23). Assim, a desigualdade racial seria uma característica da sociedade não apenas pela ação isolada de sujeitos, mas devido ao funcionamento das instituições estar sendo controlado por grupos dominantes, e estes, agiriam de forma a impor seus interesses, mantendo, portanto, a hegemonia deste grupo dominante sobre os outros. (ALMEIDA, 2018. p. 30.).&nbsp;</p>



<p>Por fim, o autor aponta a concepção estrutural do racismo como práticas que estão difundidas na sociedade cotidianamente. O racismo seria inerente à ordem social, dessa forma as instituições e as pessoas em particular seriam racistas porque a sociedade entende práticas de racismo como regra. (ALMEIDA, 2018. p. 36-40.).&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Sendo assim, é possível inferir que a estrutura da sociedade ainda se estabelece com base nas relações escravistas do passado, onde o sujeito que detém posições de prestigio e poder, acesso a espaços culturais e educação tem características pré-determinadas.&nbsp;</p>



<p>Após esse brevíssimo histórico de contextualização das relações raciais e sociais no Brasil, alguns questionamentos se apresentam: há a possibilidade de falarmos apenas em consciência humana diante dos fatos apresentados? Ainda que a Constituição Federal garanta a igualdade, esta é praticada para todos os grupos com suas especificidades?</p>



<p><strong>Eu respondo: Não! Não é possível falar de democracia racial, quando a <em>necropolítica³</em> é programa de governo.</strong> Não é possível falar em democracia racial, quando o as prisões agem no sentido de reproduzir senzalas, acumulando sujeitos negros, sobretudo homens negros. <strong>Não existe democracia racial no Brasil</strong>. É só entendendo os sujeitos brancos como grupo dominador que detém privilégios históricos, que poderemos não reproduzir o discurso da consciência humana em datas como esta. A partir de então poderemos entender a simbologia política da data do 20 de novembro, não enquanto uma celebração, mas uma rememoração, evocando a potencialidade para reflexão sobre os 388 anos que deixaram marcas significativas até os dias de hoje.</p>



<p><strong>Notas</strong>:</p>



<p>1 É importante demarcar o uso do termo “raça” enquanto um conceito relacional, e não biológico.&nbsp;</p>



<p>2 ALMEIDA, Silvio Luiz de.&nbsp; <strong>O que é racismo estrutural?. </strong>Belo Horizonte (MG): Letramento, 2018.</p>



<p>3 É a soberania de decidir quem deve viver e quem deve morrer através do exercício de poder, sobretudo Estatal/institucional. Ver mais em: MBEMBE, Achile. <strong>Necropolítica: </strong>biopoder, soberania, estado de exceção, política de morte. Arte &amp; Ensaios. Revista do PPGAV/EBA/UFRJ. N. 32. 2016<strong>.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Luan Pedretti</strong> é professor de História, militante do Movimento negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva e pela Frente Preta da UFJF.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Corpo e Espírito são Soberanos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Jongo]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Kasemiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“&#8230;o único propósito com o qual se legitima o exercício do poder sobre algum membro de uma comunidade civilizada contra a sua vontade é impedir o dano a outrem. [&#8230;] Sobre si mesmo, sobre o seu próprio corpo e espírito, o indivíduo é soberano.”</em></p>



<p class="has-drop-cap">Esta frase pode ser atribuída, por qualquer desses neoconservadores que agora se consideram os guardiões da moral que reconduzirá o Brasil ao caminho do progresso, e que ora se arvoram no Poder na figura de Jair Bolsonaro, a um militante radical filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que tem o sobrenome Guarani Kaiowá no Facebook, que usa touca de crochê e fuma maconha em qualquer Institudo de Ciências Humanas (ICH) dos muitos espalhados pelo Brasil.</p>



<p>Muito provavelmente, não se dá muita importância a essa citação nesses “think thanks” da direita, como os institutos Mises ou Millenium, ou quando muito o interpretam à luz do controle do Estado sobre a economia.</p>



<p>De fato, aí está contido o viés liberal do controle estatal sobre as transações e especulações realizadas por quaisquer indivíduos livres e suas empresas, justamente porque esta é uma máxima do liberalismo. Seu autor é o norteamericano, protestante e conservador John Stuart Mill, que deixou, no século XIX, um dos mais importantes alicerces do liberalismo do século XX, sobre o qual se construiria as atuais sociedades nortamericana e europeia.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Entretanto, tais incautos ignoram, conscientes ou não, o forte argumento sobre moral e costumes circunscrito à afirmação. Quando Mill faz a defesa da liberdade do corpo e do espírito, tece uma argumentação que vai muito além do dinheiro, refletindo sobre a sociedade necessária para que fluam os capitais livremente, contribuindo para o crescimento da economia e o enriquecimento das nações, no escopo lançado por Adam Smith.</p>



<p>Ou seja, quando se discute Stuart Mill nos dias de hoje, evoca-se seu desejo de que o ser humano decida sobre o seu corpo e espírito sem a interferência de outras pessoas e, sobretudo, sem o Estado. Ora, se esse indivíduo é homem ou mulher, negro, branco, ou índio, se sua identidade e gênero é A, B ou H, isto diz respeito apenas e unicamente a ele, indivíduo, não cabendo o julgamento de outrem. Em que pese que, no contexto da época, isso se referisse às questões abolicionistas e de emancipação da mulher na sociedade americana do pós Guerra Civil, essa premissa reivindica, de forma ampla, que a moral e o Estado não sejam barreira para a inclusão que visa à produção e ao consumo, fazendo girar de forma mais eficaz a roda do capitalismo.</p>



<p>Portanto, quando tais grupos do Brasil atual, que se dizem liberais, atacam minorias raciais ou de gênero, ou dão suporte à censura como ocorreu em 2017 na exposição Queermuseu do Rio Grande do Sul, ou atacam artistas, como se passou esta semana com a charge de Carlos Latuff exposta por ocasião do Dia da Consciência Negra no Congresso Nacional (em que o desenho de um negro assassinado por um Policial Militar foi depredado por um deputado federal do PSL), negam uma das principais premissas do liberalismo: a soberania do indivíduo sobre o corpo e o espírito.</p>



<p>O Brasil de hoje é regido por um casamento de liberalismo econômico com conservadorismo nos costumes que desfigura os fundamentos mais importantes da organização social nos países mais lembrados pela classe média como exemplos de sociedade. Isso vale, inclusive, para a guerra às drogas que sustenta o genocídio da população negra das periferias, denunciada por Latuff e atacada no Congresso. Isto porque, na venda e consumo de drogas, nada mais há que uma relação entre dois indivíduos, um interessado em vender e outro em comprar um produto que, se há de lhe fazer mal, isso não diz respeito aos demais, a menos que resulte em ameaça à ordem social. A julgar pelo amplo consumo de maconha nas classes médias e, menor, porém igualmente considerável, de cocaína nos núcleos mais abonados da pirâmide social, nota-se que a sociedade continua de pé.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">E, se o argumento é de que o uso indiscriminado de determinadas drogas por grande parcela da sociedade, aí sim, ameaçaria a ordem social, neste caso a resposta é de que há de se investir em educação e conscientização para a não procura por essas substâncias. E se ela há de ser proibida, há de ser quebrada toda a estrutura que a mantém circulando no país. Não há de simplesmente ser morto o vendedor que é o ponto final de sua cadeia, o qual recorre a esse produto porque há quem queira comprar, e não muito quem esteja disposto a correr os riscos de vender, restando esta tarefa a quem nasceu pobre e não considera ter muito a perder.</p>



<p>Enquanto essa for a estrutura social do Brasil e o contexto da circulação das drogas no país, não se pode não conceber o tráfico como resultado das relações de troca entre corpos e espíritos soberanos e, se a parte mais frágil dessa relação é perseguida e assassinada pelo Estado, a crítica de Latuff é pertinente. E, ainda que não o fosse, seu espírito seria soberano, inclusive no erro. Não devendo, pois, ter sua charge atacada.</p>



<p>Assim reza o postulado liberal de John Stuart Mill, revisitado no Brasil do século XXI.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Reminiscências: Danças Populares e o processo Civilizatório no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Danças populares]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Texto criado originalmente para a exposição: Reminiscências: Danças Populares e o processo Civilizatório no Brasil, No Memorial da República Presidente Itamar Franco.</em></p>



<p class="has-drop-cap">A máquina colonial estabelecida no Brasil, eufemizada sob o pretexto de processo civilizatório, categorizou o negro e o indígena como propriedade, selvagem e sem alma. Dentro da lógica do empreendimento colonial, a prosperidade econômica estava diretamente ligada ao aumento da demanda por mão de obra escrava. Por esse motivo, o negro se tornou peça valiosa para construção da economia brasileira, pois o tráfico era uma atividade extremamente rentável para portugueses, brasileiros e traficantes de outras nações, justamente por conta do aumento da atividade agrícola colonial, exigindo um maior número de escravizados.</p>



<p>Entretanto, muito além da perspectiva histórica que se debruça sobre a relação entre o continente africano e o americano, esta mostra pretende observar aspectos estruturais de tradições culturais brasileiras que surgiram a partir desse período, considerando o movimento de criação de bailados populares como um evento decorrente desse processo e que hoje faz parte do folclore nacional. Portanto, dentre as variadas particularidades da cultura popular brasileira, Reminiscências pretende lançar luz sobre as entrelinhas deste processo, revelando, na minúcia da criação das danças populares, a intenção do colonizador de catequizar e aculturar para dominar, enquanto, por outro lado, neste mesmo movimento, os negros e índios escravizados encontravam, nos arquétipos de sua cultura materna, a força de sua resistência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Voltamos então nosso olhar para os cortejos de Congadas e Moçambiques durante a celebração das festas de Nossa Senhora do Rosário –&nbsp; entendendo a manifestação como um documento performático da construção da identidade cultural nacional, buscando esclarecer o lugar que ocupa no tecido social brasileiro, bem como na história da República do Brasil. A partir deste lugar, podemos observar essas reminiscências do passado nos cortejos atuais, a ação do colonizador sobre o colonizado e seu revés, tendo em vista que a Cultura Negra no Atlântico fomentou sincretismos culturais, e, em alguns casos, africanizou o homem branco.</p>



<p>Percebendo como cicatrizes abertas, as celeumas herdadas desse processo, temos, ao longo das distintas temporalidades históricas, o processo civilizatório no Brasil estendendo suas lacunas até os dias atuais, alimentando movimentos sociais diversos e fomentando discussões políticas. Em sua atuação como Senador da República na década de 1980, Itamar Franco proferiu diversos discursos, compilados em “O Negro no Brasil Atual” (1980), sobre&nbsp; questões relativas à situação do negro no Brasil, ressaltando a necessidade de reconhecer o importante papel do negro para a cultura nacional, além&nbsp; de problematizar a ocupação periférica dessa parcela da população no planejamento de políticas públicas pelo Estado. Vale destacar sua preocupação constante com a área da cultura, especialmente em seu mandato como prefeito de Juiz de Fora na década de 1960, promovendo grandes festivais de música, cinema e incentivando manifestações culturais com identidade mineira.&nbsp;</p>



<p>Celebrando a Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), com o tema: Museus como núcleos culturais: O Futuro das Tradições, o Memorial da República Presidente Itamar Franco reúne obras dos artistas: Cris Nery, Diana Landim, Enio Tavares, Lívia Monteiro, Gabriela Lemos, Marcelo Feijó, Marcos Languanje; além de esculturas do Museu de Cultura Popular do Fórum da Cultura da UFJF e indumentárias utilizadas nos cortejos, propondo descortinar as entrelinhas das narrativas da história colonial brasileira, revelando a beleza e resiliência de tradições culturais de matriz africana e indígena. Com esta mostra, entendemos que já estamos no futuro destas tradições, presos, no entanto, a problemas e discussões cuja origem está localizada na raiz de nossa fundação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/906a4-img_0082.jpg?resize=768%2C512&#038;ssl=1" class="wp-image-5185" width="768" height="512" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0081.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5186" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0032.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5187" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0093.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5188" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0017.jpg?fit=970%2C653&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5189" width="728" height="490" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>PEREIRA, Edimilson de Almeida; JÚNIOR, Robert Daibert. <strong>Depois, o Atlântico: modos de pensar, crer e narrar a diáspora africana. </strong>Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2010.</p>



<p><strong>A Congada é do Mundo e da Raça Negra: Memórias da Escravidão e da Liberdade nas Festas de Congada e Moçambique de Piedade do Rio Grande</strong> – MG (1783 – 2015). Lívia Nascimento Monteiro. 2016.</p>



<p>ARAÚJO, Alceu Maynard. <strong>Folclore I: festas, bailados, mitos e lendas &#8211; </strong>3ªed. &#8211; São Paulo: Martins Fontes, 2004. &#8211; (Coleção raízes)</p>



<p><strong>A origem mítica das festas de Congada e as memórias da escravidão no tempo presente em Minas Gerais Lívia Nascimento Monteiro Doutoranda em História</strong> – UFF e Bolsista CNPq Membro do Grupo de Pesquisa CULTNA– Cultura Negra no Atlântico.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>OMS: Masculinidade Tóxica Influencia Saúde e Expectativa de Vida dos Homens nas Américas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/24/oms-masculinidade-toxica-influencia-saude-e-expectativa-de-vida-dos-homens-nas-americas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[américa latina]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Lançado na última segunda-feira (18), novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) destaca que um em cada cinco homens da região morre antes dos 50 anos – muitas dessas mortes estão diretamente relacionadas a uma “masculinidade tóxica”.</p>



<p>O documento afirma que as expectativas sociais em relação aos homens — de serem provedores de suas famílias; terem condutas de risco; serem sexualmente dominantes; e de não discutirem suas emoções ou procurarem ajuda — estão contribuindo para maiores taxas de suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, favorecendo também o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis.</p>



<p><a href="https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6062:masculinidade-toxica-fara-com-que-1-em-cada-5-homens-nas-americas-nao-alcancem-os-50-anos&amp;Itemid=820">A expectativa de vida dos homens na região das Américas é 5,8 anos menor que o número das mulheres</a>. Isso acontece, em parte, porque as expectativas da sociedade contribuem para comportamentos de busca de riscos, revela um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a representação nas Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Masculinidades e saúde na região das Américas</h3>



<p>O resumo executivo do relatório “Masculinidades e saúde na região das Américas” destaca que as expectativas sociais em relação aos homens — de serem provedores de suas famílias; terem condutas de risco; serem sexualmente dominantes; e evitarem discutir suas emoções ou procurar ajuda — estão contribuindo para maiores taxas de suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, bem como para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis.</p>



<p>“Não devemos perder de vista o fato de que as mulheres assumem riscos diferenciais associados a sua condição de mulher”, disse Anna Coates, chefe do escritório de Equidade, Gênero e Diversidade Cultural da OPAS.</p>



<p>“Mas a socialização dos homens também leva a uma ampla gama de problemas de saúde que só podem ser resolvidos por meio de políticas, programas e serviços de saúde receptivos que foquem em suas necessidades particulares”, completou.</p>



<p>O relatório também destaca que um em cada cinco homens morre antes dos 50 anos e muitas das principais causas de morte nas Américas — incluindo doenças cardíacas, violência interpessoal e acidentes de trânsito — estão diretamente relacionadas a comportamentos “machistas” construídos socialmente.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Construções sociais em torno da masculinidade</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="O professor que ajuda a desconstruir masculinidades" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/9ov4LVn6XTM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Segundo o relatório, os papéis, normas e práticas de gênero socialmente impostas aos homens reforçam a falta de autocuidado e a negligência de sua própria saúde física e mental.</p>



<p>Esse conceito de masculinidade, ou machismo, como é conhecido nas Américas, leva ao risco mulheres e crianças na forma de violência, infecções sexualmente transmissíveis e falta de responsabilidade compartilhada em casa; risco para outros homens, como acidentes, homicídios e outros tipos de violência; e risco para si mesmo, como suicídio, acidentes, alcoolismo e outros vícios.</p>



<p>Isso não apenas afeta a saúde dos próprios homens, mas também leva a resultados negativos para mulheres e crianças em termos de violência interpessoal, infecções sexualmente transmissíveis, gravidez imposta e paternidade ausência.</p>



<p>O relatório também destaca que a discriminação por idade, etnia, pobreza, estado laboral e sexualidade agravam ainda mais esses resultados negativos para a saúde dos homens.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diferenças nas causas de mortes entre homens e mulheres</h3>



<p>As diferenças na mortalidade de homens e mulheres nas Américas começam a surgir por volta dos 10 anos de idade e aumentam rapidamente a partir dos 15 anos, quando predominam causas violentas de morte, como homicídios, acidentes e suicídio.</p>



<p>Como resultado, a taxa de mortalidade de homens jovens é de quatro a sete vezes maior que a de mulheres jovens.</p>



<p>Embora os dados globais para algumas causas de morte – incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica, infecções das vias respiratórias inferiores e diabetes, permaneçam semelhantes entre homens e mulheres, três das principais causas de morte mostram variações significativas entre homens e mulheres: homicídios (7:1 na proporção homem/mulher, o que significa que sete homens são mortos para cada mulher assassinada); lesões nas vias (3:1); e cirrose hepática causada pelo álcool, que é duas vezes maior entre os homens do que entre as mulheres.</p>



<p>A partir dos 50 anos, as doenças crônicas não transmissíveis começam a afetar desproporcionalmente os homens, que têm menor probabilidade de cuidarem de si mesmos ou procurarem atendimento médico precocemente.</p>



<p>Como resultado, embora haja mais meninos do que meninas nascidas no mundo (105 meninos para cada 100 meninas), esse número começa a se inverter entre as idades de 30 e 40 e, aos 80, há 190 mulheres para cada 100 homens, tendo em vista que os homens morrem mais jovens.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Avançando</h3>



<p>Para abordar questões relacionadas à socialização masculina e alcançar a igualdade de gênero na saúde, mulheres e homens precisam de acesso a serviços de saúde que levem em consideração suas necessidades particulares.</p>



<p>O relatório pede aos países que implementem nove recomendações para ajudar a melhorar a saúde dos homens:</p>



<ul><li>Melhorar, sistematizar e disseminar dados sobre masculinidades e saúde;</li><li>Desenvolver políticas públicas e programas de saúde para prevenir e resolver os principais problemas que afetam os homens ao longo da vida;</li><li>Eliminar as barreiras que impedem que meninos e homens acessem cuidados de saúde;</li><li>Desenvolver iniciativas intersetoriais que incorporem a saúde em todas as políticas, particularmente na educação;</li><li>Promover práticas positivas de saúde existentes nas quais os homens já se envolvem;</li><li>Garantir a participação de todas as comunidades (incluindo homens, mulheres e comunidades LGBTI+);</li><li>Promover a capacitação em gênero e masculinidades para os trabalhadores do setor da saúde;</li><li>Fortalecer os programas de prevenção e promoção da saúde voltados para crianças e jovens;</li><li>Garantir que instituições, incluindo o setor da saúde, universidades e sociedade civil, se concentrem na prevenção do impacto e dos custos de masculinidades rígidas/tóxicas.</li></ul>



<p>Clique aqui para acessar o relatório Masculinidades e saúde na região das Américas&nbsp;<a href="http://iris.paho.org/xmlui/handle/123456789/51666">em inglês</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="http://iris.paho.org/xmlui/handle/123456789/51667">em espanhol</a>.</p>



<p><em><strong>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/oms-masculinidade-toxica-influencia-saude-e-expectativa-de-vida-dos-homens-nas-americas/">Nações Unidas Brasil</a></strong></em> <strong><em>em 21/11/2019 &#8211; Atualizado em 21/11/2019</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg8_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4983" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Arte não Pede Licença</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Jongo]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Kasemiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Caroline Stabenow</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Intervenção Urbana, é o nome que se dá da interação de algum objeto (geralmente em espaço público ou monumento), com as ideias do ser criativo. É uma proposição artística juntamente com algo já pré existente, que tem como objetivo lançar novas percepções sobre o espaço, cenário ou que simplesmente visa questionar e/ou transformar significados e expectativas da sociedade e seu senso comum. Geralmente, vem sempre seguida de um caráter ideológico, político ou social.</p>



<p>Na década de 70, no bairro de Bronx em Nova Iorque, surgia o então conhecido estilo musical Hip Hop. O jamaicano Kool Herc, então DJ àquela época, realizou uma festa em que decidiu tocar apenas a parte instrumental e os breaks de músicas de funk e soul daquela. James Brown, Jamens Clinton faziam parte do repertório. A partir daí, o Hip Hop se tornou uma grande potência, não só presente no ramo musical, mas compondo as fileiras da moda, arte e dança. Depois da década de 90, as intervenções urbanas no Brasil tomaram grande forma, principalmente após a formação dos coletivos artísticos.</p>



<p>Assim como <em>Break Dance</em> é uma linguagem dentro da cultura Hip Hop, outra expressão artística advinda é o <em>Grafitti</em>. Basicamente, o Grafite são pinturas feitas à mão sobre um muro, parede, monumento, estátua, ou qualquer elemento que esteja na via pública. Na maioria da vezes, sua produção é voltada para uma crítica social.</p>



<p>Norman Mailler, um consagrado escritor norte-americano, definiu o grafite como: &#8220;uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial&#8221;.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Sinto que tenho alguns privilégios como fotógrafa. Privilégios esses, que na maioria das vezes sobrevêm com máxima sutileza. É preciso estar atenta para perceber e receber tais dádivas. Ter a oportunidade de entrar no íntimo e pessoal de tantas pessoas, seus costumes, seus cheiros, olhares, histórias, contos, causos, suas amarguras e deleites, pra mim, sem dúvida é a maior das dádivas.</p>



<p>Parecia-me tudo esquematizado. O precedente bate papo com a comunidade. A procura pelo lugar certo. A preparação do material, (que tenho a audácia de dizer, uma das minhas partes preferidas). Repleto de inquietação era o cuidado envolvido na escolha das cores. Logo se ouviu o famoso e irreverente barulho da lata de spray sendo balançada. Em seguida, o cheiro forte da tinta e mais fortes ainda eram os traços que iam se criando. Formas, contornos e linhas. Um dança com passos medidos por cheiro, cor e suor do corpo. Externizava-se a arte através dos poros.</p>



<p>A criança, o velho, a dona de casa. Olhos ativamente curiosos. O passo apertado era diminuido para contemplar os murais coloridos. E da boca saia: &#8211; Ei, tem um muro lem casa! Quando vai pintar lá? Em poucos minutos a tinta virou arte, eternizou-se em meio a periferia. Encravou. Transmitiu. Disseminou. Inquietou a mente de quem passava.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Ronaldo Gentil, um dos pioneiros na arte do grafite no estado do Espírito Santo diz &#8221; Estamos em busca de uma identidade e algo que poderíamos afirmar que é nosso. Pode parecer mania mas é pertencimento. Buscamos o máximo da nossa relação com o lugar que nos criou. Não somos só indivíduos em uma cidade, somos parte dela. Por isso sorrimos em todos os lugares&#8221;.</p>



<p>Por fim, os autores e artistas com sua obra terminada, ao olhar em volta, orgulhosos, sorriram.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c4b1c-photo5102616474626926612.jpg?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5104" width="950" height="633" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926611.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5105" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926610.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5106" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926609.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5107" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926608.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5108" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926607.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5109" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926606.jpg?fit=682%2C1024&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5110" width="682" height="1023" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926605.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5111" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926604.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5112" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926603.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5113" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926602.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5114" width="969" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926601.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5115" width="970" height="646" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/photo5102616474626926600.jpg?fit=970%2C646&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5116" width="969" height="646" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Caroline Stabenow</strong> é Médica Veterinária por formação. Fotógrafa, humanista, voluntária. Amante de leitura, música, vira latas e um bom café preto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg3_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4979" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Autossabotagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[autossabotagem]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">A criatura tinha mesmo decidido<br>Ideia fixa lhe enfiou na cabeça<br>Caminhou até o bar<br>O primeiro que viu pela frente<br>Adentrou o recinto<br>Entre resoluto e receoso<br>Decidiu prosseguir<br>Iria até o fim<br>Sentou-se<br>Secou o suor frio da testa<br>Tomou coragem<br>Chamou o atendente<br>E, sem mais delongas<br>Pediu a dose<br>- Coca-cola gelada!<br>E completou o gesto tresloucado<br>Com requinte de ironia<br>- Zero açúcar, por favor.</pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg5_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4980" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Nada Demais, Apenas a Rotina.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[escrever]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Biondo]]></category>
		<category><![CDATA[Rotina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luisa Biondo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">São 6h da manhã e o celular desperta. Eu acordo. Lavo o rosto, escovo os dentes e coloco as minhas lentes, agora, é possível ver a paisagem para além da janela. Desço as escada, confiro o relógio (tic-tac) e percebo que não tenho tempo para o café. Pois é, mais uma vez eu escolhi ficar meia hora a mais na cama. O trajeto até o trabalho é longo e eu não posso atrasar. Ah, eu esqueci de mencionar: é segunda-feira (talvez uma terça, mas se preferir, pode ser uma quarta).&nbsp;</p>



<p>Ligo o carro, escolho a estação da rádio que me acompanhará durante o caminho. A música sempre é uma ótima amiga nos momentos de solidão, além disso, sinto que existe uma aura inexplicável envolvendo os sons que tocam na rádio. Não sei como colocar em palavras, mas creio ter a ver com o contexto e com a surpresa de ouvir algo que você não estava esperando. É sobre ser surpreendida pelo acaso e experimentar o não planejar. Eu sigo o meu caminho, canto, as vezes xingo mentalmente, bocejo, conto até dez&#8230; São 40 minutos até o meu destino. Lá eu chego, sirvo o meu café, sento-me e escrevo. Escrevo, bebo um gole de café, escrevo, um gole de água, escrevo, vou ao banheiro, escrevo e é meio dia. Bato o ponto, almoço, rio, ouço histórias (as vezes reclamo) e então bato o ponto de novo. Hora de voltar a escrever e tentar esquecer o sono com muito (mais) café (e água, pois também sei da importância de manter o corpo hidratado).&nbsp;</p>



<p>Ainda bem que, no meio de tantas palavras escritas, sobra um tempo para a comunicação verbalizada e para as gargalhadas com os amigos. Depois de escrever sobre incontáveis assuntos é hora de voltar. Dessa vez eu não quero surpresas, só quero a companhia dos meus artistas preferidos, enquanto volto sozinha para a casa. O trajeto, agora, dura uma hora. Quando o sol se põe muitas pessoas saem dos seus trabalhos ansiosas para chegar às suas respectivas casas. Nesse momento eu normalmente observo e penso: “sou apenas mais uma”. As vezes vou mais longe: “somos, todos, apenas mais um, vivendo em um planeta que está boiando em um imenso oceano de vácuo (e matéria escura, eu li isso em um blog outro dia)”.&nbsp;</p>



<p>Nem percebi que já estava em casa.</p>



<p>Entre uma conversa e outra com a família, entre um sanduíche e outro, é hora de dormir. Quando eu deito a cabeça no travesseiro, reflito: <em>“mais um dia normal, em que nada de impressionante aconteceu. E tá tudo bem, né? </em><strong><em>Afinal, quem criou essa ideia, ou necessidade, de que a vida precisa ser surpreendentemente incrível sempre?</em></strong><em>”</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Luisa Biondo</strong> é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11e83-fotos-carol-copy.2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4976" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>The Baggios: a maior banda de Sergipe que você precisa ouvir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[The Baggios]]></category>
		<category><![CDATA[Vinicius Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Vinicius Oliveira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Completando 15 anos de existência em 2019, o grupo se vê no melhor momento de sua carreira e alcançando cada vez mais projeção nacional</em>.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios - O Azar Me Consome (Clipe Oficial)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/2OJTPZFLHfQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> <em>As coisas não tão dando certo pra mim</em><br> <em>As coisas não tão dando certo pra mim</em><br> <em>Mas não vou desistir</em><br> <em>Eu não vou desistir</em><br> <em>Se eu não for, se eu não for</em><br> <em>Vai saber o motivo</em> </pre>



<p class="has-drop-cap">As origens da The Baggios remontam às ladeiras e ruas de São Cristóvão-SE, quarta cidade mais antiga do Brasil e vizinha da capital estadual Aracaju. A banda, que começou em 2004 como um duo formado por Júlio “Julico” Andrade (vocais, guitarra) e Lucas Goo (bateria), tem em sua marca sonora a fusão entre o blues rock de artistas dos anos 60 e 70 e outros mais modernos – como o The Black Keys – com elementos regionais típicos do Nordeste, mais especificamente os existentes em Sergipe e em sua cidade natal, marcada pela forte tradição histórica, folclórica e popular.</p>



<p>Em 2006, Lucas foi substituído por Elvis Boamorte, que em 2008 deu lugar a Gabriel “Perninha” Carvalho, que se mantém como baterista até hoje. Três anos depois lançaram o primeiro álbum, autointitulado, que trazia um som cru e já marcado por essa conjugação entre o blues rock e o sabor sergipano e nordestino.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Morro Da Saudade" width="950" height="713" src="https://www.youtube.com/embed/28hfB18MZpA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Uma das marcas mais interessantes na The Baggios sempre foi a devida valorização à sua terra natal, o que não mudou mesmo com a crescente projeção que a banda ganhou ao longo dos anos. Um exemplo é a canção <em>“Pisa Macio”</em>, cujo nome deriva de uma famosa bebida vendida na cidade.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Pisa Macio (Ao Vivo)" width="950" height="713" src="https://www.youtube.com/embed/1wDkYOJD7pw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Em 2013, lançaram seu segundo álbum, <em>Sina</em>, onde refinaram ainda mais seu som. Para este que vos escreve, <em>Sina </em>foi o ponto de partida da minha relação com a The Baggios, pois 2013 foi o ano em que cheguei a Aracaju e logo fui apresentado à banda. Várias das canções do álbum têm me acompanhado desde então, fazendo parte da minha trajetória em Sergipe e dialogando com várias fases da minha vida. Esta canção abaixo foi provavelmente a primeira que escutei deles e permanece sendo uma das minhas favoritas:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios - Salomé Me Disse" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/9KboX0HJDrM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Três anos depois foi a vez do terceiro disco, <em>Brutown, </em>vir ao mundo. E já era possível sentir uma diferença em termos de sonoridade e produção: a adição do tecladista e baixista Rafael Ramos trouxe texturas sonoras mais ricas, e as letras passaram a dialogar mais com o contexto sociopolítico do país e do mundo (a canção <em>“Sangue e Lama” </em>trata da tragédia de Mariana-MG, bem como do ataque terrorista no Bataclan, em Paris), embora ainda mantendo as referências a São Cristóvão e aspectos das vidas dos próprios membros – incluindo nas referências musicais. A banda ganhou participações de peso como Emilly Barreto (do Far From Alaska), Jorge DuPeixe (Nação Zumbi) e Felipe Ventura (Baleia).</p>



<p>Com o alcance maior de <em>Brutown </em>veio uma significativa maior aclamação e uma grande surpresa: a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Alternativo em Língua Portuguesa. Feito impressivo que ajudou a trazer maior visibilidade ao cenário musical de Sergipe, notoriamente rico, mas que carecia de uma projeção que lhe fizesse jus.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios - Medo [Youtube Music Sessions]" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/6qoDltIE-V4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios - Sangue e Lama [Youtube Music Sessions]" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/tSmawZ7CDts?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Uma nova mudança estilística e sonora veio com o quarto e mais recente disco, <em>Vulcão. </em>Se <em>Brutown </em>em si era urbano, expansivo, <em>Vulcão </em>mostrou um trio (agora com Rafael Ramos oficializado como membro) se voltando para a natureza e o místico, resultando na sua obra mais diversa e versátil. Pessoalmente não consigo escolher qual dos dois álbuns é o meu preferido, ainda que cada um dos quatro álbuns tenha seus próprios motivos para figurar como o favorito no coração dos fãs.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios Feat. Baiana System - Deserto (Record Sessions)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/BzyfBrDCRec?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Com as participações de Russo Passapusso (do BaianaSystem) e Céu, <em>Vulcão </em>garantiu à Baggios sua segunda nomeação ao Grammy Latino, na mesma categoria do seu antecessor. E mesmo não ganhando o prêmio (ironicamente, os vencedores foram justamente o BaianaSystem), novamente tiveram reiterada a sua projeção a nível nacional e até mesmo internacional – importante destacar que nos últimos dois anos a banda já fez turnê pela Europa e pelo Canadá.&nbsp;</p>



<p>Mas como é sempre bom frisar, isso não significou a perda de suas raízes. Tanto é que nos últimos três anos a banda é uma das <em>headliners </em>do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC), festival que acontece na cidade desde os anos 70 e que nos últimos anos tem ganhado cada vez mais relevância ao trazer artistas do calibre de Gilberto Gil, Lenine, Chico César, Mart’nália, Liniker e os Caramelows, dentre outros. Porém, uma marca do FASC sempre foi trazer a valorização do cenário local e regional de Sergipe, e, portanto, é imprescindível o peso que The Baggios carrega ao tocar num festival em sua cidade natal. Na última edição do festival, ocorrida entre os dias 14 e 17 deste mês, a banda realizou seu show um dia após o resultado do Grammy Latino, e fez de sua apresentação um passeio pelos seus 15 anos de trajetória, trazendo ao palco figuras da história da banda (como o próprio Lucas Goo, baterista original) e o grupo folclórico das Casseteiras de Mestre Rindu, nativo da própria cidade.</p>



<p>A cada dia The Baggios ganha cada vez mais relevância no cenário musical brasileiro, e não é exagero apontá-la como a banda mais importante da música sergipana nas últimas décadas. Porém, é importante destacar que nem de longe ela é a única excelente banda a sair do estado, mas certamente é a porta de entrada para se ouvir o que os sergipanos têm produzido. Com tremenda consistência e nunca se furtando a experimentar e inovar sonoramente falando, The Baggios se constitui uma experiência obrigatória para todo amante da música.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="The Baggios -  Vulcão (Clipe Oficial)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/kfq4NzMQndI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong>Vinícius Oliveira Rocha</strong> é um paulista de nascimento e baiano de coração que atualmente reside em Aracaju-SE, onde faz graduação em Jornalismo. É aficionado por cinema, música, literatura, TV, cultura pop e mobilidade urbana, e autor do livro de fantasia infanto-juvenil &#8220;O Destruidor de Mundos&#8221;.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg1_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4978" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>9. Por uma Pinga</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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<p class="has-drop-cap">Eles desciam o morro do bairro Dom Bosco, pois Aufredo morava na ponta.</p>



<p>&#8211; Diz aí seu Chico, me fala homem. O que está acontecendo?</p>



<p>&#8211; Seu moço doutor, vô te falar, sô (pegou o boné dado pelo coronel Sebastião Bento, comprado naquelas feiras livres de tranqueiras quando foi visitar o litoral do Ceará, tirou-o de sua cabeça, amassou-o entre as mãos; depois a coçou): tava eu e Zé Esteves jogando uma sinuquinha no fundo do bar; a Bebela e o Ruela numa esfregação só com aquele som que sai daquela máquina; e um moço que a gente nunca viu por aqui entrou e pediu uma pinga ao seu Chico. Bebeu. Depois quis ir embora sem pagar. Aí o xará encrespou com ele, doutor. E a confusão começou.</p>



<p>&#8211; Peraí que vou ligar agora pro tenente Figueiredo. Ele está fazendo a ronda aqui no bairro hoje.</p>



<p>Pegou o telefone celular no bolso da bermuda e discou para o sr. Figueiredo, que era daqueles homens que só pelo seu porte respeitavam-no. Como se não bastasse, ainda carregava naqueles quase dois metros de altura e quase um e meio de largura uma voz grossa, um jeito rude de falar e mãos enormes que impunham respeito e marcavam muito rosto de <em>playboy</em> pela cidade. E o chefe Aufredo era daqueles homens que pelo seu jeito de ser o respeitavam. Como se não bastasse, conhecia meia cidade, entre os quais os principais articuladores da vida do município. E, no meio policial, quase que era venerado por todos – desde os federais até os chefões da Polícia Militar. Imagina o que uma ligação quase de madrugada não poderia causar no sr. Figueiredo.</p>



<p>&#8211; Alô, tenente Figueiredo. Aqui é o Aufredo. Tô indo apartar uma confusão no bar do Chico. Por favor, se possível, se dirija até lá, pra tentarmos resolver a questão&#8230; Sim, sim&#8230; acredito que daqui a cinco minutos&#8230; muito obrigado, tenente.</p>



<p>Desligou o telefone, aumentou o passo arrastando suas chinelas tradicionais havaianas, sempre acompanhado no trajeto pelo sr. Chico; apalpou o bolso, percebendo que estava sem cigarros, pois o havia esquecido na mesa de roda de boi de sua varanda. Pediu um ao vizinho, que o cedeu gentilmente, passando um isqueiro às suas mãos para acendê-lo enquanto desciam apressados. O bar ficava na esquina, no pé do morro, ao lado do açougue do Ademir, que se encontrava fechado no momento, dono da linguiça de lombo mais gostosa da cidade. Chegaram e encontraram o moço, baixo em estatura, cabelos crespos pretos e sem corte há mais de três meses, magro, negro, aparentando ter em torno de 25 anos, apontando na cara do dono do bar todos os dedos das mãos e gritando. A jukebox já desligada, Bebela e Ruela assustados num canto atrás dos vasilhames de cerveja e o sr. Zé Esteves tentando acalmar os ânimos do rapaz.</p>



<p>&#8211; O que está acontecendo nesta porra!</p>



<p>Aufredo, antes de proferir essas palavras com sua voz mais grosseira, deu um murro na porta de aço semifechada do bar, causando um enorme estrondo e chamando atenção pra ele.</p>



<p>&#8211; Doutor, esse homem aqui não quer pagar o que ele consumiu aqui no bar. Não vou deixar nenhum vagabundo sair daqui sem pagar pelo que deve. disse nervoso o dono do estabelecimento.</p>



<p>&#8211; E quem você pensa que é, negão? disse o rapaz ao Aufredo.</p>



<p>&#8211; Não interessa quem eu sou ou deixo de ser; você que pague o que deve. E vai pagar agora.</p>



<p>O rapaz, com a mão direita, passou a mão nas costas e puxou uma faca pontuda, com lâmina de 15 centímetros em corte diagonal levemente arqueado, apontando-a para Aufredo e realizando um movimento brusco pra frente, ficando a meio metro dele. O delegado, imóvel, movimentou somente os globos oculares, acompanhando a mão direita do garoto. Com a sua esquerda, num movimento preciso e felino, agarrou o pulso direito do rapaz, fazendo-o derrubar a faca. Com a outra mão, imobilizou-o, pisando com um dos pés na arma branca e jogando-a na rua, como quem realiza um passe de calcanhar pro seu companheiro de futebol no intuito de consagrá-lo com um gol mágico e sem goleiro. Girou o pulso do garoto e o fez ficar de costas para ele, dando um golpe de gravata em seu pescoço. Logo após, chegou o tenente Figueiredo na moto policial (fazia sempre suas rondas dessa forma – era um lobo solitário), apeou-se, puxou o pobre já imobilizado das mãos do delegado e desferiu um sonoro tapa com sua melhor mão na cara do sujeito, fazendo inchar na hora a parte onde a pele da mão do tenente tocou.</p>



<p>&#8211; Que que tu tá fazendo, seu vagabundo! Esse é o delegado Aufredo, seu puto! Mais respeito.</p>



<p>O rapaz, tonto, cambaleante e vexado de vergonha, olhou assustado para aquele homem à sua frente. Todo vagabundo da cidade, por menor que fosse, conhecia a fama do delegado Aufredo – senhor de mil acessos, o queridinho dos promotores públicos da cidade, pois não havia uma causa criminal dele que ficasse sem uma condenação justa.</p>



<p>&#8211; Desculpa dr. Não sabia que era o senhor.</p>



<p>&#8211; Tu vai é em cana, seu filho da puta. o tenente Figueiredo o segurou pelo pescoço, agarrando-o firmemente.</p>



<p>&#8211; Deixa, deixa Figueiredo. Só o faça pagar pela pinga ao sr. Chico aqui.</p>



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<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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