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	<title>Arquivos Ano 001, N 025 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Xadrez e a Vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Erlan Tostes </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Certa vez, em uma competição de xadrez, em algum lugar longínquo de minha infância, competi contra outras quatro crianças. Perdi a primeira partida. Fui disputar o terceiro lugar, mas meu adversário foi embora. Ganhei por W.O.&nbsp;</p>



<p>Se há quatro meses alguém me perguntasse se eu sabia jogar xadrez, eu responderia como boa parte das pessoas iniciadas no xadrez na infância e que não se aprofundaram no jogo: &#8220;Eu sei mexer as peças. O cavalo faz isso, o peão faz aquilo, o objetivo é derrubar o rei adversário”.&nbsp;</p>



<p>Hoje essa resposta é diferente. Ainda estou muito longe do alto nível dos grandes mestres enxadristas, porém consigo afirmar atualmente que “Sim, eu sei jogar”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">No xadrez existem fundamentos basilares e boas práticas que norteiam o bom andamento dos jogos: &#8220;Controlar o centro&#8221;, &#8220;desenvolver as peças&#8221;, &#8220;proteger o Rei&#8221;, &#8220;conectar as torres&#8221;, &#8220;ocupar colunas&#8221;, &#8220;conectar peões&#8221;.&nbsp; Aprendi mais do que movimentos e regras. Aprendi princípios.</p>



<p>Neste ano, decidi estudar não apenas as estratégias, mas também a história do xadrez. Os grandes campeões do passado, as partidas históricas, os filmes biográficos, as mudanças de paradigma e tudo isso compôs a criação de um novo hobbie, que aliás, tem me ensinado bastante sobre a vida.</p>



<p>Tal qual numa partida de xadrez, podemos viver a vida apenas conhecendo as regras básicas e os movimentos protocolares estabelecidos pela sociedade, contudo, o que determina a qualidade de nossa vivência neste plano são os princípios pelos quais nos guiamos.</p>



<p>Tal qual uma torre que se movimenta para frente e para o lado e o bispo se move em diagonais, podemos viver a vida seguindo retas aleatórias, apenas tomando cuidado para não quebrar regras, contudo, sem uma estratégia definida, as chances de cometer erros evitáveis aumentam consideravelmente.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">O pequenino peão é limitado em amplitude de movimentos, mas com uma carta na manga: transformar-se em uma peça diferente ao chegar na última casa.</p>



<p>Paulo de Tarso escreve que no último dia &#8220;todos seremos transformados&#8221;.</p>



<p>É impressionante a capacidade humana de se transformar e tornar-se outro mediante as circunstâncias da vida.&nbsp;</p>



<p>Semelhanças e paralelos não faltam.</p>



<p>Termos como &#8220;sacrifícios táticos&#8221;, &#8220;garfos&#8221;, &#8220;raio x&#8221;, &#8220;cravada&#8221;, entre outros, tornaram-se comuns no meu cotidiano e apesar das semelhanças apontadas aqui, há uma grande diferença entre a vida e o xadrez.</p>



<p>A vitória no tabuleiro vem ao deixar a mais importante peça do adversário encurralada. Tomba-se o Rei, vence-se o jogo.</p>



<p>Entretanto, vencer na vida nada tem a ver com derrubar o adversário. Aliás, ao contrário do xadrez, a vida é vivida com parceiros e não com antagonistas.</p>



<p>Vencer na vida é ser o rei do próprio jogo, conviver bem nas diversas dimensões sociais, seja no âmbito rural, rodeado de cavalos, ou no urbano, entre duas grandes torres. Entre singelos peões ou nobres damas, não se esquecendo do viés espiritual, aconselhando com sábios bispos.</p>



<p>Este é um ensaio sobre o xadrez e a vida, mas mais que isso, é um confessionário. Aprendi a duras penas que meu maior adversário na vida sou eu mesmo e, comigo, sigo jogando uma longa partida pensada. Cada movimento busca esgotar as peças do egoísmo e da autossuficiência. Busco um xeque-mate em meu orgulho pessoal. O certame tem sido complicado, mas é um jogo que vale a pena ser jogado!</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Guardo até hoje a medalha de bronze daquele campeonato de xadrez. Ela me faz lembrar que é possível vencer até quando perdemos. E que, por mais clichê que pareça, a verdade é clara: o importante é competir.</p>



<p>Meu rating atual nas plataformas online mal passou de 1100 e ainda é baixo para os padrões de alto rendimento. Encontre-me no lichess.org (erlantostes) e vamos marcar uma partida!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Erlan Tostes</strong> é pai da Agatha e esposo da Pri. Os dois únicos ofícios que valem a pena a menção.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>d&#8217;A Juventude Transviada</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lua Xavier</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/01/dajuventude-transviada/">d’A Juventude Transviada</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pela madrugada os sons da cidade são bem peculiares, tal como uma gaita familiar vinda da natureza e mais uma vez; Helena, agora livre e diante de seu grande paradoxo travestido de guerra anti áries, escuta calmamente cada pio do gogó das aves. Ela sabe, bem lá no fundo de seus olhos da alma, que algo pode estar por vir&#8230; Teme e treme; afinal, o temor e o tremor são reações naturais de um corpo em contato com seu próprio interior: está, finalmente, exercendo seu legítimo cuidado &#8211; ainda que em meio a tropeços. Ao mesmo tempo que o bem-te-vi anuncia a vinda do Sol-escorpião, casada com a aparição avassaladora d&#8217;A estrela escondida pela melancolia, sua amiga Lua se deita no mar daqueles que deram o grito surdo dos miseráveis, e a legião estrangeira de estrelas azuis e pedrinhos nus nunca dorme. Helena escuta alguns pequenos decibéis da vida humana: eis o ponto de partida do mundo visível ao olho anti-nu; mas Helena foi condenada a ir fundo. Ela sente em seus poros a chama nêga costante e calma sob a chuva rala disfarçada de orvalho &#8211; ou até mesmo sereno. Escuta&#8230; Não mais &#8211; só mente &#8211; as vozes de galinhas e ovos macabéticos, mas as vibrações das ondas de um mundo moinho, onde uma semente plantada por um eterno gatilho sem disparar brota pela concepção a cada instante &#8211; e nela. A bala perdida em formato de soneto no mês de agosto insiste em fazer constante a presença da possibilidade de essência perante a existência. Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam e os que não querem enxergar&#8230; Ora, tanto faz&#8230; Se o que não foi, não é: e todos comem seu pão nosso de cada dia em formato de bolo enrolado, cantado aos quatro cantos seu despertar &#8211; disfarçados. Essa tal de Juventude Transviada, já cantada há tantos anos, está abrindo seus armários de pandora e enfrentando as tentações dionisíacas e imagéticas de todos os dias &#8211; em meio a fuga da semiótica vista como cruel, mas da vida: temem e tremem; emocionam; fraquejam e fortalezam; caem n&#8217;As tentações: são vivos: das pedras à carne, das folhas aos frutos, da seiva à flor &#8211; e disso, os floristas sabem. Nessa madrugada Helena não sentiu medo. Não há mais bueiro que lhe conforte de prisões, não há mais poço que lhe jure o infinito, não há mais palavra que lhe informe certezas: esta é a liberdade &#8211; o preço mais caro a se pagar. Tão livre que tem fé cega até no paradoxo íntimo feito entre quatro paredes. Diante dos grandes olhos, está a Juventude Transviada, num jogo semanal entre X e Cruz: Opostos que tentam confundir? Mas esta tal&#8230; Essa tal, que lava roupa todo dia &#8211; cheia de agonia &#8211; essa&#8230; Imprime seus sonhos na história, seja púrpura ou galega, prateada ou dourada, repleta de esquadros de balbúrdia arquitetada e algumas mumunhas de um passado de nostalgias e saudades que acabam por fazer do tal do amor, a revolução. E tudo isso fica no Mar, e também fica em minas.&nbsp;<br>E Helena? Helena permanece aqui na terra, vagando mundos &#8211; e sempre espera &#8211; enquanto enfrenta minotauros, faunos, esfinges imaginárias dentro dum elevador &#8211; que, como todo elevador se preze &#8211; vem munido do entra e sai de corpos e reflexos em seu espelho. E, ainda assim, de dentro de tal meio de transporte mais seguro e abafado do mundo, a sentença de Helena grita: o cheiro do vento invade seus cárceres nada privados e lhe sussurra&#8230;: &nbsp;&#8220;fé&#8221;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lua Xavier: </strong>vivo num clipe sem nexo, um Pierrot- retrocesso, meia bossa nova e rock&#8217;n&#8217;roll</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Inferno são os outros</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Gracia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Eu rotulo.<br>Sou medíocre e assumo em alto som<br>Me gabo a toda gente como sou o bom<br><br><br>Tu rotulas.<br>Ciclana é volúvel: vive no pecado<br>Fulano é desprezível: faz tudo errado<br><br><br>Ele rotula.<br>Freud explicaria prática assaz vulgar?<br>Projeção de complexo ainda a superar?<br><br><br>Nós rotulamos.<br>Divertido menosprezar os comportamentos<br>Atacar outras pessoas e seus pensamentos<br><br><br>Vós rotulais.<br>Justifico assim o meu vazio preconceito<br>Aturdo a consciência, violo seu respeito<br><br><br>Eles rotulam<br>Maldigo tua ação habitual, ascendo à nobreza<br>Reino opiniões de estrume, eis minha riqueza...</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>10. Brasil acima de Tudo, Deus Acima de Todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A televisão ligada nos noticiários só sabia falar do processo de <em>impeachment</em> da presidente Dilma, cujo Congresso Nacional votava em massa naquele momento o prosseguimento ao impedimento dela. Márcia, recostada no sofá, com o pé direito sobre ele e tirando cutícula do dedo médio, revoltava-se vez ou outra diante das notícias proferidas naquele aparelho. Era professora de História. Dava aulas nas redes particular, estadual e municipal da cidade. Apesar do pouco salário diante de tamanha responsabilidade para a formação de seus alunos, adorava lecionar e instigar seus pupilos a refletirem sobre a vida e o mundo que os cercavam.</p>



<p>&#8211; Olha só, Gabriel! Presta atenção no que este boçal vai falar.</p>



<p>Gabriel, recostado na outra ponta do sofá, com seu filho ao meio e a cabeça em seu colo dormindo, fazia carinhos nele. Ao ser chamado pela esposa a prestar atenção à TV, saiu de sua contemplação paterna para observar o deputado Jair Bolsonaro proferir seu voto a favor do <em>impeachment</em> da presidente eleita.</p>



<p><em>&#8211; Neste dia de glória para o povo brasileiro, tem um nome que entrará para a história nesta data, da forma como conduziu o trabalho nesta Casa. Parabéns ao presidente Eduardo Cunha.</em></p>



<p>Olhou para a esposa, como que suspenso diante daquela fala. E prosseguiu prestando atenção à TV.</p>



<p><em>&#8211; Perderam em 64, perderam agora em 2016; pela família e pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve; contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o </em>Folha de S. Paulo<em>; pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – o pavor de Dilma Rousseff –, pelo exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas, pro Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim.</em></p>



<p>Gabriel desferiu um novo olhar para Márcia, dessa vez espantado e aterrorizado com o que acabara de ouvir. Não acreditava que aquele homem tivera a sandice de enobrecer alguém que torturava pessoas, infligindo sofrimento a tantas famílias vítimas dele.</p>



<p>&#8211; E você acredita que o Paulo é a favor desse Bolsonaro? Sim! Ele diz isso sempre que pode, com todas as letras garrafais possíveis e imagináveis.</p>



<p>&#8211; Credo, Gabriel! Não é possível! O Paulo?</p>



<p>&#8211; Pois é! A maioria do pessoal sai matando em cima dele quando o ouve dizer esse tipo de asneira. Mas ele se mantém ali, fiel ao seu princípio.</p>



<p>&#8211; Não sei que princípio ele pode enxergar nisso. Bom, vou pegar o Ricardinho e levar pra dormir. E também vou deitar, amanhã será um dia daqueles.</p>



<p>Levantou-se, pegou o filho do colo do marido e saiu da sala, dizendo a Gabriel pra não demorar a ir deitar. Na sequência, ele desligou a TV, levantou-se, foi a uma prateleira da estante onde fica um pote de cerâmica com boca larga de temática japonesa e de lá retirou um maço de cigarros e um isqueiro. Foi até a varanda, tirou um cigarro de dentro do pacote, depositou-o na mesa feita de roda de carro de boi e sentou-se na cadeira de balanço de vime. Inclinou-se para trás, acendeu o cigarro e mirou a lâmpada mortiça incandescente brilhando no teto. De lá, um inseto caía fulminado no chão após ir buscar a luz naquele objeto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>A Loucura Resistirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A arte, bem como quaisquer formas de engenhosidade, incomoda aos que vivem de explorar o mediano dos seres humanos, visto que instiga e busca fazer com que encontrem a verdade por detrás dos muitos véus e máscaras que constituem a nossa sociedade.&nbsp;</p>



<p>Esta é a suma da obra “Memorial do Convento”, que lançou o escritor português José Saramago. A obra conta a história de Blimunda, uma mulher simples, dona de casa, órfã de pai desconhecido e mãe proscrita para Angola pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição; Baltazar, soldado português aleijado em combate contra a Espanha; e Bartolomeu, padre que tem o sonho de criar uma máquina capaz de voar. No início do século XVIII, no reinado de Dom João V e sob os olhares vigilantes da Igreja, ambos acompanham a construção de um convento dedicado ao nascimento do varão da Casa de Bragança, erguido sob mão de obra quase servil, com ouro explorado do Brasil por negros escravizados.&nbsp;</p>



<p>Blimunda tem o incrível dom de, sempre que em jejum, ver o que há por trás de corpos e mentes das pessoas, herdando a sobrenaturalidade da mãe, que ouvia vozes. Ela ajuda Bartolomeu a criar sua máquina voadora por meio do conhecimento do éter, substância obtida do melhor dos sentimentos humanos, os quais ela é capaz de enxergar e dar-lhes consistência por meio de pedras, amuletos, todo o tipo de superstições que deem demonstração do desejo e da vontade humana, sobretudo aquelas que encontram-se próximas à morte e anseiam pela vida. O éter assim obtido, segundo os planos do padre, vai erguer sua invenção aos céus. Baltazar, homem simples e raso, porém dedicado ao próximo, é o sustento dos dois. Entretanto, ambos despertam a fúria dos poderosos da sociedade portuguesa por se atreverem a enfrentar as leis de Deus e ousarem voar, atraindo olhares da Inquisição.</p>



<p>A obra de Saramago é uma crítica a uma sociedade que, não muito distante daquela em que vivemos, persegue e condena aqueles que ousam dissuadir da ordem vigente, não apenas por questionamentos morais e comportamentais, mas igualmente pela arte e pela inventividade. O que o autor aponta como a não aceitação social do conhecimento, da criatividade e da inventividade, foi objeto de questionamentos desde o nascimento da modernidade, quando o filósofo germânico Erasmo de Roterdã fez o seu Elogio da Loucura, afirmando que da não racionalidade pode nascer a imoralidade e a ameaça à ordem social, de um lado, mas pode igualmente emanar a crítica para o melhor conhecimento da sociedade, ao se poder enxergar o ser verdadeiro por trás das máscaras, tal como Blimunda.&nbsp;</p>



<p>“Suponhamos o caso de que alguém quisesse arrancar as máscaras dos atores que desempenham o seu papel num palco, revelando aos espectadores as suas verdadeiras e reais faces. Não estará essa pessoa estragando toda a ficção cênica, merecendo ser preso como louco furioso e expulso do teatro a pedradas? [..] quem era rei, torna-se de repente canalha; quem era deus, na mesma hora revela-se homúnculo. Cortar a ilusão significa mandar pelos ares todo o drama, pois precisamente o engano da ficção cênica é que encanta os olhos do espectador. [&#8230;] Assim, no palco, tudo é postiço, mas a comédia da vida não se desenvolve de outro modo”, argumentava Erasmo.&nbsp;</p>



<p>Derrubando máscaras sociais, sejam elas ontológicas, isto é, da relação do ser humano com o mundo e os outros seres, o que inclui a moral e o comportamento, ou cosmológicas, isto é, a concepção (neste caso, atravessada pela moral) que as pessoas têm das estruturas físicas e as leis que as regem, a vanguarda sempre incomoda. Ao mesmo tempo, no entanto, é necessária, e entre idas e vindas consegue se impor entre fluxos de avanços e refluxos de retrocessos sociais.</p>



<p>Hoje, a sociedade ergue-se contra a arte e a ciência tal como no romance de Saramago. Mas, como revela a crítica de Erasmo, elas subjazem a todas as ameaças, visto serem necessárias para questionar a organização social e, desta forma, fazê-la reexistir. No contexto da virada da Idade Média para a Renascença, Erasmo aponta que nos estertores da loucura pode estar o ódio e a soberba, mas também podem estar a fé e o amor. Isto é, do ser que foge ao mediano e atinge os mais sublimes degraus da loucura, nasce o que homens e mulheres medievais consideravam o pilar da humanidade.</p>



<p>E não estaria correto? Isto posto, e com a devido olhar que revisita um texto medieval, percebe-se o quão necessários são aqueles que manifestam sua subjetividade em amor à humanidade, não importa em que tempo e sob que juízos. Exaltados como Saramago ou no anonimato de Blimunda, Baltazar e Bartolomeu, eles resistirão.</p>



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<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Esqueci</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Flávia Rabelo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Cresci e esqueci de dizer para meu coração crescer também,<br> amei e esqueci de dizer para meu coração aprender o que é o amor,<br> enlouqueci e esqueci de dizer para meu coração o que é loucura,<br> odiei e esqueci de dizer para o meu coração o que é o mal,<br> <br><br> Acho que dessa vida a gente leva só o que o coração aguenta,<br> acho que dessa vida a gente só leva o que acredita,<br> acho que dessa vida a gente só leva o que vale a pena!<br> Sei não! </pre>



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<p><strong>Flávia Rabelo Beghini</strong> é pedagoga formada pela UFJF e especialista em Educação Infantil e Tecnologias na Educação. Graduanda em Ciência da Religião na UFJF adora escrever nas horas vagas</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Azeitona</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Quero que eles o vejam como protesto. <br> E que sirva como um gesto honesto<br> De quem é contra sua repressão. Meu ouvido doía <br>A cada grito, eu diminuía <br>E eu já não sou muito grande sabe? <br>Tua voz estridente fazia o teto tremer <br>Me deixando do tamanho de uma azeitona<br>Já não podia ser ouvida <br>Talvez eu possa desenhar <br>Quem sabe alguém lá de cima veja e me acuda <br>Mas meus desenhos são feios, o lápis é grande e minhas mãos são pequenas demais <br>Se eu dançar eu possa ser vista <br>Meu corpo é desengonçado <br>Como acompanhar esse tango avançado? <br>Se eu tocar uma trombeta <br>Alguém pode gostar e olhar aqui embaixo <br>Estarei a soprar, soprar e soprar e um miúdo assobio ouvirá <br>É melhor eu ficar pequena aqui sozinha <br>E você a gritar cada vez mais alto<br>-M.E. <br> <br></pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Entre Nossas Linhas</strong> é uma página de Instagram criada por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Lado Feio do K-Pop</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carla Abreu</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Toda vez que surge um novo fenômeno adolescente na música e na indústria cultural, é de conhecimento comum que de alguma forma aquilo afetará os hábitos e&nbsp; dos fãs. O <em>kpop</em>, nascido nos anos 90, vindo de uma iniciativa do governo federal para impulsionar a cultura e turismo coreanos, recentemente teve seu <em>boom </em>internacional. O BTS ou bangtan sonyeodan na romanização do coreano, também conhecido como <em>bulletproof boys</em>, é a maior <em>boyband&nbsp;</em> da atualidade, deixando para trás <em>One Direction</em>, de 2010 e <em>Backstreet Boys</em>, dos anos 90.&nbsp;</p>



<p>As performances milimetricamente aperfeiçoadas, as maquiagens, as roupas, os vocais, tudo é pensado na mais detalhada perfeição. Para isso, os artistas fazem audições para entrar em empresas de entretenimento e treinam por anos para conseguirem estrear. Alguns, mesmo depois de se prepararem por tanto tempo e se afastarem de todas as pessoas que amam, veem o sonho ir embora e nunca conseguem fazer o seu <em>debut</em>.</p>



<p>Apesar do <em>kpop</em>, na visão dos fãs, trazer o melhor da Coreia do Sul para o mundo e também aumentar o turismo e o conhecimento cultural, ele também tem o poder de evidenciar o que as pessoas tem de pior: o ódio. A fama do gênero musical mostra o racismo e xenofobia do povo ocidental mas algumas vezes traz a tona também os preconceitos dos internautas coreanos. Os chamados <em>knetz&nbsp;</em> podem ser extremamente duros e ofensivos em seus comentários, isso afeta diretamente os artistas e, indiretamente, os fãs. Na maioria das vezes, as falas dos <em>knetz </em>não são sobre o trabalho dos artistas, e sim refletindo os padrões de beleza coreanos.</p>



<p>Os padrões de beleza do <em>kpop</em> trazem algo um pouco diferente dos padrões que são vistos na indústria musical americana ou europeia, prezando-se sempre muito pela delicadeza e, principalmente, pela magreza dos artistas. Esses padrões afetam homens e mulheres, mas as cantoras são mais atacadas quando fogem deles. Artistas já foram proibidas de estrearem ou se apresentarem por não se encaixarem numa faixa de peso específica, por exemplo.</p>



<p>O padrão base para os coreanos se constitui por: pele clara, olhos grandes e redondos, feições finas e delicadas. Isso se torna difícil quando se pensa que cada pessoa, mesmo com o biotipo de uma mesma etnia, é diferente. Além disso, os padrões de peso são extremamente restritos, e se comparados com o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), nada saudáveis. A tabela abaixo mostra os padrões coreanos de peso, para homens e mulheres:<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fae3a-foto-1-tabela-de-peso-ideal-coreana.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5386" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p><strong>Como os padrões de beleza afetam as artistas</strong></p>



<p>Mesmo sendo muito talentosas, algumas <em>idols </em>(termo que se refere aos artistas do <em>kpop</em>), sofreram &#8211; e sofrem &#8211; com os ataques sobre a sua aparência. A primeira edição do <em>reality </em>de sobrevivência, <em>“Produce 101” </em>da emissora <em>MNET</em>, deu a 11 garotas a chance de estrearem como um grupo temporário, o IOI. A participante Kang Mina, uma das ganhadoras, atualmente integrante do grupo Gugudan, foi vítima desses ataques. Tudo começou quando, em uma das primeiras apresentações de Mina, ela apareceu com um vestido sem mangas, que mostrava seus braços. Foram deixados uma enxurrada de comentários maldosos sobre o peso da menina, que na época tinha apenas 16 anos. O objetivo da performance era mostrar a fofura das participantes, o que, segundo os técnicos, Mina tinha de sobra.<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-2-Kang-Mina-performando-no-Produce-101.jpg?fit=970%2C546&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5388" /></figure></div>



<p>Depois que a cantora viu sua própria performance e os comentários, tomou decisões drásticas para perder peso. Mina passou bastante tempo sem usar nenhuma roupa que mostrasse os braços e parou de comer, totalmente, sobrevivendo apenas com água gaseificada. Nessa época, Mina passou a pesar apenas 42 quilos. Quando estava no grupo IOI, mesmo visivelmente mais magra, ainda recebia <em>hate</em> constante. Em suas promoções com o grupo temporário, mantinha um peso saudável, mas era chamada de gorda.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/abd1e-foto-3-kang-mina-performando-com-o-ioi.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5389" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Quando debutou em seu grupo atual, Gugudan, ela ainda recebia muitos comentários maldosos. Ela tinha perdido muito peso, e os <em>knetz</em> falavam que ela havia perdido o seu charme, seu <em>aegyo</em> (palavra coreana para fofura). Na época de lançamento da música <em>Ice Chu</em>, da subunidade OGUOGU Gugudan, os fãs ficaram muito preocupados com a magreza da menina. Apesar disso, ela recebeu muitos comentários maldosos por ter emagrecido. Os <em>knetz</em> pareciam nunca ficarem satisfeitos com a aparência de Mina.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-5-Kang-Mina-em-2018.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5391" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5391" class="wp-image-5391" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br> <br> Era The Boots </figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-4-Kang-Mina-performando-Ice-Chu.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5392" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5392" class="wp-image-5392" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br>ra Ice Chu </figcaption></figure></li></ul></figure>



<p>Atualmente, Mina recebe menos comentários sobre sua aparência. Ela parece mais saudável. Mas ela não é a única que sofreu com esses comentários. A cantora principal e líder do grupo <em>TWICE</em>, Park Jihyo, sofre desde antes do debut do grupo até hoje, sobre seu peso, suas roupas, suas atitudes, e mais recentemente, sobre o seu relacionamento com o <em>idol</em> Kang Daniel. As cantoras Sulli (F(x)) e Goo Hara (KARA) que faleceram em 2019, ambas por suicídio, foram, por muito tempo vítimas do <em>cyberbullying</em> constante. Elas falavam sobre como aquilo era prejudicial a elas e a quem escrevia. Quem comentava nunca estava satisfeito, quando a cantora usa de seus charmes para ser fofa, é atacada, quando usa para ser sexy, também é atacada e, às vezes, assediada. Assim como Jimin Park, cantora solo, que depois de postar uma foto em seu Instagram, teve que pedir para que parassem de assediá-la.</p>



<p><strong>Mas o que o Brasil tem a ver com isso?<br></strong>O Brasil, assim como vários outros países, vem acompanhando o crescimento do <em>kpop</em> e o número de fãs tem crescido cada vez mais. Os <em>kpoppers</em> se espelham na força de vontade e trabalho duro de seus <em>idols</em>. Por isso, é normal que se espelhem também na aparência inalcançável dos mesmos. São artistas que treinam, às vezes, mais de 10 horas diárias, comem pouco e aguentam muitos comentários para conseguir fazer seus fãs felizes. Esses fãs devem tomar cuidado e ver que eles não devem querer ser iguais aos ídolos, pois nem eles se beneficiam do modo de vida que vivem.</p>



<p>Mas não é só isso. A cultura do <em>cyberbullying</em> está muito presente na vida dos adolescentes brasileiros. Tanto do lado dos que fazem os comentários ofensivos quanto dos que recebem. O Brasil é o 2° país que mais comete o <em>cyberbullying</em>. Quando o assunto é <em>kpop&nbsp;</em> muitos brasileiros ainda não estão acostumados com a moda ou simplesmente não gostam. Por isso, existem muitos comentários maldosos contra os artistas e até contra os fãs, algo que não deve ser considerado natural. Os padrões de beleza brasileiros são diferentes dos coreano, apesar de ambos se espelharem nos padrões arianos. Muitas vezes, podem ser encontrados comentários xenofóbicos e racistas contra os artistas coreanos na internet. Apesar da diversidade do povo brasileiro, as pessoas ainda veem os povos não brancos (negros, asiáticos, indígenas) como diferentes. O Twitter virou ponto especial de discussão entre quem gosta e quem não gosta do <em>kpop</em>. Lá muitos comentários são levados como brincadeiras, mas muitos são ofensivos e se comparam aos dos <em>knetz</em>.</p>



<p>Muitos fãs brasileiros usam roupas, maquiagens e aprendem as coreografias de <em>kpop</em>. É normal que se comparem aos seus ídolos coreanos, mesmo que vivam vidas diferentes, com biotipos diferentes e culturas diferentes. Os <em>kpoppers&nbsp;</em> brasileiros estão do outro lado do mundo em relação a Coreia do Sul, e não deixam o sonho de serem mais próximos de seus <em>idols</em> para trás. A boa lição do <em>kpop</em> é não desistir de realizá-los, a má é “A que preço?”.<br></p>



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<p><strong>Carla</strong> <strong>Abreu</strong> é aspirante à jornalista apaixonada por contar histórias, seja em palavras ou em fotografia. Eu amo música, séries e problematizo tudo, até o que eu gosto. Tentando viver fora da bolha e fora da caixa.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>“Flawless Victory”: O Auxílio dos Games nas Aulas de História</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diogo Tomaz</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Em 1996 ganhei meu primeiro videogame, um Super Nintendo usado que acompanhava apenas um <em>game</em>, <em>Super Mario Bros 3</em>. Todos os sábados ia até a locadora mais próxima e alugava um jogo para entregar na segunda – sem atrasos, de preferência. A frequência das locações era acompanhada das máximas como, <em>“esse videogame vai queimar a televisão”, “a televisão está perdendo a cor por causa desse videogame”, “desliga esse jogo que eu quero ver o jornal”. </em>No início dos anos 2000 fui presenteado com um novo console, o Playstation One. O revolucionário videogame, que trazia como novidade o uso de CD’s ao invés de cartuchos, dominou com folga o mercado brasileiro, impulsionado principalmente pelo mercado de jogos piratas, já que o console e seus jogos jamais chegaram a ser comercializado oficialmente por aqui. O console ficou no mercado até 2006, vendendo mais de 102 milhões de unidades, sendo elevado para o console mais vendido de todos os tempos até então. Jogos como <em>GTA, Carmageddon, Doom, Duke Nukem </em>logo se popularizaram, sendo destaques principalmente pela violência empregada e pelo palavreado considerado obsceno por muitos.&nbsp;</p>



<p>Essa discussão sobre a influência negativa dos jogos no Brasil era pequena, só ganharia novos ares com o lançamento do novo console da Sony, o Playstation Two. O PS2, como popularmente ficou conhecido, foi um dos primeiros, se não o primeiro, console a ter gráficos em alta definição, superando até mesmo as TVs da época em que foi lançado.&nbsp;Chegou ao Brasil apenas em 2008, com pelo menos oito anos de atraso. É claro que muitos fãs brasileiros já tinham o aparelho antes, graças ao chamado “mercado cinza” e às importadoras que traziam o console de fora do país. A partir de <em>games</em> como <em>GTA: San Andreas, Mortal Kombat, God of War, Manhunt e Resident Evil </em>a violência nos games se tornou assunto de grande&nbsp;destaque na mídia e para as próprias produtoras de jogos.&nbsp;</p>



<p>Ainda que possua uma história rápida se comparada com as outras mídias, os <em>videogames</em> têm enfrentado muitas críticas, “por meio das quais são apontados como um meio de estimular comportamentos agressivos e a violência nas crianças e nos jovens, que compõem, certamente, a imensa maioria de seus usuários” . De outro lado, há pesquisadores sérios e empenhados em compreender quais as faculdades dessa nova mídia que a tornam tão atraente. Nos últimos anos, porém, aumentou o interesse para a pesquisa dos aspectos positivos dos jogos, seus benefícios para os jogadores, potencialidades como recurso didático e uso na educação. Além disso,</p>



<p><em>os games trazem diversos benefícios ao jogador, como raciocínio lógico, maior tolerância em aprender a lidar com frustações, agilidade, interagir, socializar e se comunicar com outras pessoas, entre outras. Com isso, o game quando utilizado como um instrumento em sala de aula é capaz de proporcionar todos esses benefícios. Tais como: a) atividade de voluntária em que o jogador demonstra prazer; b) atividade livre, com liberdade de ação do jogador; c) caráter não sério de sua ação; d) separação do jogo dos fenômenos do cotidiano; e) limitação do tempo e espaço em que o jogo possui um caminho e um sentido próprio; f) existência de regras onde a menor desobediência estraga o jogo; g) caráter fictício</em> .&nbsp;</p>



<p>São poucos os trabalhos na bibliografia brasileira que se comprometem a pensar as relações existentes entre a História e os <em>videogames</em>, e para tanto, é necessário que ocorra uma série de contemplações a partir das análises teóricas de diferentes autores. Como aponta Robson Bello, “falta também consenso na própria manifestação de vocabulário conceitual dentro do campo de estudos sobre videogame onde conceitos como ‘simulação’ e ‘representação’ são alvos de querelas acadêmicas” . É necessário que ocorra um diálogo e que se busque na interdisciplinaridade, no estudo de outras disciplinas e linguagens, tentativas de aproximação para compreendermos esse fenômeno.</p>



<p>Uma das preocupações dos professores que buscam abordar os <em>games</em> em suas aulas, é como adequar o conteúdo curricular ao jogo escolhido; quais serão as possibilidades de mediar processos de ensino e aprendizagem de História, por exemplo. Na abordagem de Helyon Viana e Lynn Alves, “um jogo histórico, é compreendido como um produto devidamente qualificado para desempenhar esse papel mediador” . É de se imaginar que a relação entre um tema histórico e os <em>games</em> não combinariam, uma vez que o raciocínio histórico deveria direcionar-se para produzir uma reconstituição precisa do passado, lastreada por fontes e documentos. Enquanto os jogos eletrônicos “são produzidos para atender às demandas de consumidores da indústria cultural que estão em busca de entretenimento [&#8230;] onde a diversão e a jogabilidade são mais relevantes do que a aderência à precisão e a objetividade histórica” . Mas isso vem mudando.</p>



<p>Com os consoles recentes, como PS3, PS4 e Xbox One, a relação entre ficção e história tem ficado cada vez mais próxima e bem definida, com muitos estúdios de jogos contratando historiadores para auxiliá-los, como é o caso do jogo <em>Assassin’s Creed: Unity</em>, de 2014. O <em>game </em>se passa em Paris, durante a Revolução Francesa, e foi criado pela Ubisoft, desenvolvedora que contratou o historiador Laurent Turcot, um especialista na França do século XVIII. O trabalho de Laurent no jogo não estava diretamente relacionado ao roteiro, ele foi contratado para cuidar dos detalhes, os pormenores. A arquitetura, arte, cultura e comportamento. Coisas que, com o passar do tempo, foram transformadas em estereótipos e ideias errôneas. Segundo o historiador, &#8220;A cidade de Paris do século 18 não existe mais, e reconstruí-la do zero, a partir de arquivos, pinturas, gravuras era o meu trabalho. Mostrar toda essa cultura visual para os desenvolvedores. Criar uma forma de reproduzi-la. &#8220;</p>



<p>O trabalho final de Turcot ficou tão fantástico que, após o incêndio da Catedral de Notre Dame no início de 2019, o jogo <em>Assassin’s Creed: Unity</em> foi utilizado para a reconstrução da igreja, em Paris. O game recria com detalhes a famosa catedral, destruída parcialmente pelas chamas. No game, o protagonista explora a igreja por dentro, mas também é capaz de escalar suas paredes pelo lado de fora.&nbsp;</p>



<p>É notável como a saga <em>Assassin’s Creed </em>tem um excelente potencial para ser utilizado nas salas de aula, com vários assuntos podendo serem destacados, como o primeiro <em>Assassin’s Creed </em>que se passa na época das Cruzadas e nos mostra cidades como Jerusalém e Damasco; <em>Assassin’s Creed: Syndicate</em> se passa em uma Londres do século XVIII vivenciado todo os desenvolvimento da Primeira Revolução Industrial; <em>Assassin’s Creed: </em><em>Chronicles Russia</em> se passa durante a Revolução Russa, evento que chocou a Europa e mudou a geopolítica global nas décadas seguintes; <em>Assassin’s Creed: Origins </em>se passa no Egito antigo e permite ao jogador escalar as pirâmides, a esfinge e compreende a importância do Rio Nilo para o povo egípcio; o último jogo lançado da série foi <em>Assassin’s Creed: Odyssey</em>, uma aventura épica na Grécia Antiga onde o jogador deve escolher o seu lado na Guerra do Peloponeso e explorar diversas cidades-estados, como Esparta e Atenas.&nbsp;</p>



<p>Recentemente foi anunciado o modo educacional do último jogo, intitulado <em>Assassin&#8217;s Creed Odyssey, Discovery Tour,</em> onde você poderá viajar e explorar as 29 regiões da Grécia antiga à vontade e fazer visitas guiadas com personagens históricos do jogo, como Heródoto, Leônidas, Sócrates, Pitágoras, entre outros. O modo oferecerá passeios em mais de 300 estações no jogo, cobrindo cinco campos: filosofia, cidades famosas, vida cotidiana, guerra e mitos. E, ao final de cada passeio, você responderá a um quiz que a Ubisoft descreveu como sendo &#8220;envolvente, divertido e gratificante&#8221;. Como em nossa sociedade os games estão presentes na realidade de muitas crianças e jovens, ações como essa da Ubisoft precisam ser consideradas pelos professores e professoras como um instrumento de prazer que também pode ser associado à ações de aprendizagem. A relação entre ensino e a cultura game, como defendem John Kirriemuir, Angela&nbsp;Mcfarlane “é capaz de indicar mudanças conceituais tanto sobre a aprendizagem quanto ao conhecimento produzido, levando necessariamente a reflexões sobre o papel dos jogos na construção de saberes das novas gerações” . Por isso, compreendemos os games como uma ferramenta valiosa para o processo de ensino-aprendizagem, que motiva e desperta o interesse de alunos e alunas, promovendo assim uma educação mais significativa.&nbsp;</p>



<p>Atualmente na educação, a introdução de tecnologias e de seus novos modos de ensinar e aprender vêm sendo abordadas com uma grande frequência nas escolas. Esses recursos tecnológicos digitais estão presentes em nosso dia a dia e nos permitem facilitações e oportunidades de aprendizagem, daí a importância de mediar e trazer para o ambiente escolar novos recursos que nos proporcionem conhecimentos diversificados.</p>



<p>Sendo assim, em agosto de 2019, desenvolvi o projeto <em>HISTÓRIA &amp; VIDEOGAME: COMO OS JOGOS DIGITAIS PODEM AUXILIAR NO ENSINO DE HISTÓRIA</em>, objetivando estimular de forma não apenas crítica, mas também lúdica, a compreensão de diversos fatos históricos através de <em>games </em>eletrônicos. A ideia para o projeto surgiu após várias horas de <em>gameplay</em> de <em>Assassin’s Creed: Odyssey</em>, onde nas telas de <em>loadings, </em>informações históricas sobre a Grécia Antiga eram passadas. Algumas eu nunca havia lido ou ouvido nada sobre, daí, após pesquisar pela internet, descobri a participação de uma rede de historiadores na produção e roteiro do <em>game</em> que auxiliavam os programadores. Surgiu então a ideia de levar essas informações à sala de aula.</p>



<p>Considerando que a escola é um espaço de troca de conhecimento, de formação e informação, onde desempenha uma grande influência na vida do docente e dos alunos e alunas, procurei estimulá-los a pesquisar sobre jogos de videogame onde assuntos históricos fossem abordados.&nbsp;</p>



<p>No processo de aprendizagem histórica baseada em jogos eletrônicos apresentado no presente artigo, os resultados foram excelentes, pois foi possível perceber um aumento de interesse dos alunos e alunas que vinham perguntar onde podiam obter o <em>game</em>, que livro poderiam ler para saber mais sobre o assunto abordado no jogo, se haviam outros <em>games</em> com abordagem histórica. Trazer para a sala de aula uma tecnologia que, normalmente é ligada à diversão em casa com os amigos, foi altamente enriquecedor. Foi uma forma alternativa de diversificar as práticas pedagógicas no ambiente escolar e que podem ser utilizadas em outras turmas, tanto dos anos finais do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio. Como afirma Dayse Marinho, “o game como elemento presente no cotidiano do estudante pode aproximá-lo de uma realidade tão distante quanto o medievo favorecendo o entendimento desse contexto” .&nbsp;</p>



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<p><strong>Diogo Tomaz</strong> é professor e mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, ilustrador quando tem tempo e um amante da cultura geek.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>D A D O S</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:Pedro Henrique</p>
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<p class="has-drop-cap">Somos todos um agrupamento de células, tecidos, órgãos, sistemas, algoritmos e dados que processam um passo e corrompem o outro de maneira proposital ou inconsciente. Foi por meio da combinação de diferentes técnicas, como a colagem e a aquarela, que o artista visual Pedro Henrique buscou retratar esse status do ser humano, em que o mesmo pode ser o responsável por se&nbsp;encontrar em uma posição ou, pode ser, assim como a maioria um dado que foi corrompido e esquecido, tornando-se apenas mais um entre bilhões.&nbsp;</p>



<p>Muitas vezes quando o indivíduo se dá por conta da sua existência, o mesmo acredita que foi programado para realizar grandes fatos, mas, após tanto fracassar ou, encontrar tantos outros indivíduos que o tentaram reprogramar, acaba perdendo sua configuração inicial e deixa-se tornar uma variável dependente de outros fatores que já não estão mais em seu domínio.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/DADOS.jpg?fit=768%2C1024&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5342" /></figure>



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<p><strong>Pedro Henrique</strong> tem 21 anos e, com uma grande paixão pelas artes e pelo ambiente urbano, o artista vem trabalhando e pesquisando para poder unir diferentes técnicas em seu processo de criação, direcionando-o tanto para a arte urbana quanto para os espaços culturais. Acompanhe o Pedro no <a href="https://www.instagram.com/pedros_ph/">Instagram</a>.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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