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	<title>Arquivos Ano 001, N 026 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Caos</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:31:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Estabelecendo uma relação de continuidade com o meu último texto, a saber, &#8221; Sob o silêncio: perspectivas de um trajeto estrutural pelo fio da música.”, me dispus a refletir sobre a atuação do caos no ordenamento das ideias que irão desaguar em alguma expressão artística, que, por sua vez, é criativa e cultural.&nbsp;</p>



<p>Ao &#8220;caos&#8221; é atribuído uma série de designações, sejam elas do ramo da filosofia, da física e etc. Filosoficamente, caos significa &#8211; dentro da tradição platônica -, um estado geral desordenado e indiferenciado de elementos que antecede uma intervenção e, segundo Platão (428-348 a.C.) o interventor seria o <em>demiurgo, </em>figura que modela e organiza a matéria caótica pela imitação do que é perfeito e eterno, mas não cria, de fato, a realidade. Pensando no âmbito da física, sobretudo na física quântica, &#8220;caos&#8221; é expresso pela complexidade de um sistema dinâmico que, por equações, pode ter a sua interação e determinismo explicado.&nbsp;</p>



<p>Em ambas as conceituações cabe destacar que o caos se constitui enquanto matéria. Mesmo desorganizado pode ser explicado e, indo mais além, podemos concluir que o que entendemos enquanto &#8220;regular&#8221; pode ser considerado como resultado do caos. A imprevisibilidade desse sistema se dá pela desorganização que gera organização, sendo que essa última, conta com fluxos não só de matéria mas também de energia para que, ao fim e ao cabo, se produza algo derivado dessa matéria pré existente. Pré existente ao mundo, aos sentimentos, as reações e aos desígnios mais pontuais que temos ao longo da vida. Caos, portanto, é o recipiente das peças que irão compor o resultado, seja ele qual for. Longe de tentar aplicar uma função ao caos enquanto ele ainda o é, reflito somente sobre sua potencialidade criativa.&nbsp;</p>



<p>Dizer de um estado caótico, sobretudo quando se produz arte no palco cultural contemporâneo, soa como um bloqueio (assim como o silêncio). Acredito que essa crença e percepção parte do imediatismo &#8211; <em>ready and go</em> &#8211; produtivo que surge mediante os discursos que apontam uma constância que, por sua vez, se manifesta indicando sabedoria, organização, conquista e todos os outros valores ressignificados por uma sociedade onde a experiência individual se institui enquanto meta para o coletivo. Partindo pela ótica do outro, estabelecemos ou até mesmo restabelecemos nossas reações subvertendo o nosso próprio tempo, organismo, a nossa própria matéria, alterando a nossa energia que, respondendo a uma expectativa externa, não nos proporciona uma vida próspera, ao contrário, coopera para a extinção das dimensões internas que nos torna únicos.&nbsp;</p>



<p>Para concluir, saliento que, talvez, a resposta para um bloqueio criativo ou até mesmo para as vozes externas a sua produção, seja não o caos em si, mas a compreensão que, de uma matéria caótica, se estabelece ordem. Somado a isso, essa dimensão instiga maior sensibilidade, contribuindo para uma nova aventura criativa dado o receptáculo de frações&nbsp; &#8211; constituinte do que ainda não se organizou &#8211; dentro de você.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tantas Voltas, Tantas Vistas.</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Jacob</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Amarrados, emendados, encaixados, justapostos, remendados, esticados. Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade. As tramas do acaso desenham sua juntura na medida em que a necessidade imprime sua força. A escolha parece arbitrária: o que se tem à mão, o que parece útil, o que se pode arranjar. O pigmento é a festa ancestral, inerente, inevitável. A sucessão dos dias provoca fluidez nas formas, mudando os contornos, a densidade, a saturação, movimento perene como a correnteza de um rio, que pouco importa a nascente ou a foz. Tudo ao redor parece mar. O rio segue cumprindo sua sina desejosa, sua tarefa arranjada, improvisada, mediadora. Ponto de contato, de encontro, de desvio, de passagem, tapete vivo. Assim acontece a imagem do fotografo francês Yann Arthur Bertrand, retratando um fragmento da Cidade do México. Uma ampla vista aérea nos revela um corredor de cores que, permito-me imaginar, abrigaria um mercado popular. A longa faixa multicor corta uma região monótona, quase uniforme, da cidade, com casas parecidas, ruas parecidas, construções de baixa complexidade e pouco destaque entre as demais. Quadras pálidas e alguns pontos de cor, quase insignificantes.</p>



<p>A fotografia é usada como destaque para que o jornal <em>El País</em> discuta como construir metrópoles habitáveis, segundo a opinião de arquitetos e pesquisadores premiados. A cidade é apontada como concentração de oportunidades em diversos campos da vida, como trabalho, educação, saúde e lazer. Entendê-la inicialmente pela escolha da palavra “concentração” já começa a abrir canais de proximidade com sua realidade mais sensível, aquela que nos conecta com a ideia de convivência entre distintas formas espaciais e de vida. Seu corpo é notoriamente fragmentado e, ao mesmo tempo, conectado, de constituição e uso mistos. Habitações, praças, ruas, monumentos e vazios vão destacando a vocação da cidade enquanto obra, fruto das modelagens e remodelagens dos tempos e anseios que a percorrem. Celebrar essa condição de simultaneidade e diversidade que a caracteriza, é para onde apontam as reflexões dos pesquisadores do artigo que, em sua totalidade, sublinham o uso eficiente do espaço dentro de uma lógica técnica ou “parcelar”, como classificaria o filósofo Henri Lefebvre, no livro <em>O direito à cidade </em>(1968)<em>.</em> Ainda que sob uma ótica tendenciosa ao pensamento técnico de algumas áreas em relação à outras , emprega-se a tecnologia em benefício da coletividade, traduzida na construção, por exemplo, de ruas com formas diversificadas de ocupação: pedestres, bicicletas, carros e transportes públicos.</p>



<p>&nbsp;Esse olhar seria atitude resiliente frente às questões e problemas enfrentados pela cidade contemporânea; tentativa de garantir certa diversidade urbana em detrimento de sua regulação exclusiva pelo mercado, ou aquilo que Lefebvre&nbsp; chamaria de “ordem distante” (Estado e Instituições). As demandas e vivências não se encerram ou paralisam. A cidade, que não é entendida por apenas uma ou duas ou três ciências parcelares, mas por uma coletânea delas concatenadas com as relações que lá se desenrolam diariamente; as que tentam desesperadamente esconder; as reflexões que claramente estimulam e os tempos que nela se deitam, tem que aprender, constantemente, a reconhecer e lidar com sua polissemia. Não é capaz de filtrar o inesperado, o improvisado, nem frear as especulações do mercado. Acolhe as feiras livres, os ambulantes, os improvisos, a criação quilométrica de um céu de remendos no México e, ao mesmo tempo, projetos como o da UBER, que divulgam sua aviação urbana e pensam em vôos compartilhados e financeiramente acessíveis. A questão que se anuncia é: pensar ruas que sirvam para todos.</p>



<p>Com uma nota em sua página na internet, a prefeitura de Juiz de Fora divulga sua estratégia de política urbana para o caso dos ambulantes e ocupações menos legitimadas das ruas:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Denominada “A cidade é para todos”, a operação, de caráter preventivo, tem o objetivo de inibir a prática do comércio ilegal nas ruas centrais, demonstrando para a população a importância da organização do ambiente urbano, além de garantir a desobstrução das vias, de modo a possibilitar mais acessibilidade, mobilidade e segurança aos pedestres. Também serão verificados e orientados os ambulantes regularizados e o comércio formal.(PJF,2019).</p>



<p>Colocados lado a lado, os conteúdos das duas matérias parecem contradizerem-se. Qualquer leitor atento poderia encontrar-se no centro de um cabo de guerra. Enquanto uma extremidade considera o espírito de simultaneidade e diversidade do espaço urbano como estratégias relevantes para o seu desenvolvimento em quesitos como mobilidade, segurança e habitação, a outra vê-se atada às práticas públicas de roupagem excludente. Um lado aprecia a racionalidade aplicada e, ao mesmo tempo sensível às idiossincrasias da cidade, sob o slogan de “ruas para todos”, presente na matéria do jornal <em>El País</em>, o outro convence-se com abordagens pouco reflexivas no sentido de um pensamento que tenta amenizar conflitos ou mediar situações complexas, como descritas no site da prefeitura da cidade mineira. Ambas as justificativas valem-se da ideia global do “para todos”, mas talvez a palavra “todos” tenha, como a cidade, a sua vocação para a contradição; apresente, como algumas de suas vias, sentidos duplos, variados, interditados.</p>



<p>&nbsp;Chegamos até esse ponto, não para discutir medidas públicas ou técnicas para o funcionamento da cidade. Aqui, procuramos a brecha na cidade, a fissura que aparece nas relações que ela sustenta, matéria manipulável pelas objetividades e subjetividades viventes em suas esquinas; objeto de arte em constante construção (e desconstrução), alvo do pensar e fazer do artista. A contradição salta aos olhos, emerge de cada trinca do seu asfalto, concreto ou língua. O “tecido urbano” revela-se um imenso drapeado de vozes e condutas. E também de tempos: o tempo das práticas rudimentares, menos simpáticas e até repressoras, o tempo do diálogo, das discussões e busca de respostas ( efêmeras) para as situações e o tempo das aeronaves urbanas coletivas. Apesar da nossa imaginação, a cidade parece exercer o seu acolhimento aos variados e desconectados tempos; encontrar uma lógica naquilo que soa incongruente, afirmando a sua própria incoerência como liga para as oposições. É realmente estranho para um racionalismo sistematizante cogitar essas divagações delirantes sobre a cidade, mas o maior delírio , em contrapartida, poderia residir na negação de sua realidade de lugar de lugares, “mediação entre as mediações”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Não se pode evitar o conflito. Possivelmente seja esse o lema urbano, sua condição tantas vezes ignorada ou rejeitada, mas ironicamente elementar. Ao mesmo tempo que se torna lugar de reunião, agrupamento, encontros e vivências, também revela-se “lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede das dissoluções das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível” (LEFEBVRE, 2001, p.85). Essa potencialidade e, muitas vezes, objetalidade do urbano encarnado na cidade estimula-me a pensá-la como território de poéticas para o artista. Antes de prosseguirmos, é preciso uma consideração importante, que diz respeito a definição de “cidade” e “urbano”, já que fizemos uma clara menção a sua possível distinção de entendimento. Nessa lógica, a cidade seria uma espécie de realidade presente, palpável, imediata, prático-sensível e arquitetônica, enquanto o “urbano” incluiria uma dimensão de realidade social, revelando relações que são concebidas pelo pensamento. No entanto, é importante ressaltar que esse “urbano” não seria uma entidade considerada puramente filosófica, uma vez que se presume sua realização no plano prático-sensível, sendo também morfológica.</p>



<p>&nbsp;A brecha que a cidade expõe e que insistentemente tratamos com desatenção, parece revelar nossa miopia ao mirá-la. Tratamos sua condição mais óbvia como desvio e, na maioria das vezes, encontramos mil estratégias para evitar a realidade da coisa: o conflito. Programas para melhoria da mobilidade, da segurança, da arquitetura, dentre outras ferramentas técnicas, parecem pensar os lugares a partir de suas lupas auto centradas, mas sempre acabam obrigados a encarar a velha sina da cidade de reunir aquilo que se encontra disperso. O desafio esboça a sua condição de existência. Ao mantermo-nos atrelados exclusivamente à ideia de eficiência, produtividade e lucro, no que toca a questão da cidade, assumimos um papel demasiadamente austero frente aquilo que essencialmente é constituído de matéria lúdica.</p>



<p>Através dos breves intervalos na cerca metálica que divide a cidade de Sunland Park (EUA) e Ciudad Júarez (México) foram instaladas gangorras cor-de-rosa para que as pessoas dos dois lados brinquem juntas. A palavra brincadeira poderia facilmente ser substituída por: entram em contato, relacionam-se, conversam através de seus corpos, experimentam-se. A ação pouco convencional, ou até pueril, não escapa à questão da querela que envolve as duas nações, ao contrário, só se faz urgente e sublinhada na paisagem devido ao significado da cerca que a corta. No momento em que o presidente Donald Trump carrega em sua promessa eleitoral a construção de um muro que ocupe toda a fronteira entre os dois países e que, mesmo sem a concretização da ideia até a presente data, já tenha levantado uma considerável quantia para reformar trechos da cerca, a presença de um simples dispositivo, usado para entretenimento e diversão entre crianças, ganha um atributo reflexivo. Segundo os artistas Ronald Rael e Virginia San Fratello, a iniciativa do trabalho é mostrar que ações de um lado têm consequências diretas para o outro, coisa que poderia parecer óbvia para a maioria das pessoas, mas que, de alguma forma, surge como uma surpresa.</p>



<p>&nbsp;A discussão daqueles lugares, tanto da fronteira em si, como também do impacto que ela representa para ambos os territórios, em suas práticas cotidianas, ganha notoriedade a partir do dispositivo “gangorra”. A fronteira conecta geograficamente dois lugares, determina objetivamente seus limites; a gangorra os conecta de forma lúdica, revelando outros eixos de contato, reconfigurando os limites, redesenhando as bordas. Isso significa pensar sobre as possibilidades das relações estabelecidas a partir desse lugar de contato, os conflitos que o tornam zona de tensão (e que, talvez por contraste, somos convidados a pensar e avaliar por meio das relaxantes gangorras) e a qualidade desse ponto específico: de lugar geométrico a lugar político; de lugar político a lugar artístico.</p>



<p>&nbsp;De lugar em lugar, o ponto inflamado é paulatinamente transformado em apoio para o brinquedo e para reflexão de como lidar com as engrenagens que sustentam&nbsp; as relações, implícitas na figura do fulcro. Seja qual for o eixo de possibilidades que analisamos a questão, todos estão pendendo de um ponto fulcral, e é importante lembrar que um desses eixos (no caso da gangorra, por exemplo) é capaz de alimentar o jogo, a festa, o relaxamento, o momento lúdico. Trocando em miúdos, leva-nos elaborar o quanto, graças às nossas divergências, estamos imiscuídos irrevogavelmente nesse parque de experiências, porque convivemos, trocamos, olhamo-nos; porque inevitavelmente colocamo-nos a “brincar”.</p>



<p>Sempre tive fascínio pela sombrinha ou chapéu mexicano, um brinquedo tradicional dos parques de diversão. Daquele grande , colorido, luminoso e algumas vezes musical sombreiro partem correntes que se esticam até terminarem em assentos. Gostoso é ficar sentado ali, as mãos nas correntes de um lado e do outro, o corpo balançando levemente na cadeira, juntamente com o frisson que nos toma enquanto esperamos a partida. A sombrinha gira e somos pouco a pouco lançados na paisagem. Não fossem as correntes seríamos arremessados ao longe. Mas estamos unidos a ela, somos também sombrinha naquele instante, parte das suas extremidades. Frequentamos o espaço repetidamente em círculos, sentimos o vento no rosto, voamos sem perceber que a sombrinha nos conduz e que voltamos sempre ao mesmo lugar de onde partimos. Podemos imaginar que fazemos uma viagem em linha reta, porque a cada volta o nosso olhar se atira para diferentes direções, mudam-se os sons, as cores, os desejos.</p>



<p>&nbsp;Pensar na emoção de me dispersar pelo espaço nas franjas do chapéu mexicano, é disparo capaz de devolver-me a um momento que não se limita à experiência dos rodopios do brinquedo , mas uma situação, uma época, uma vivência, um prazer, uma memória, um lugar. É um dispositivo que me oferece a experiência centrífuga com o mundo. Frequentar a cidade possivelmente nos exija alguma benevolência com essa força. Suas ruas, edifícios, sons, cheiros e pessoas, por mais que estejam diariamente presentes, que durem semanas ou décadas ou séculos, estão em constante movimento. A arquitetura muda, adapta-se aos tempos de modo funcional e estético, as ruas ganham nomes novos (questionamos o porquê de algumas ainda levarem os nomes de chefes de estado ditadores, enquanto outras passam a homenagear novas personalidades, que no tempo em que foram planejadas ainda construíam o seu lugar na história). &nbsp;</p>



<p>&nbsp;Frequentar o ambiente citadino nos expõe aos ventos ímpares das mesmas esquinas; ao desconforto de enfrentar o espaço com o corpo e as sensações, sabendo-se frágil pelo suor das mãos e vacilante frente à instabilidade das correntes e banquetas que nos sustentam. É saber-se habitante fronteiriço entre tantas margens que precisam estar integradas e conjugadas entre si e com o nosso movimento centrífugo. O “flanêur” descrito por Baudelaire, em <em>O pintor da vida moderna </em>(1863)<em>&nbsp;</em> andava pela cidade e surpreendia-se com suas mudanças, maravilhava-se com o modelo de cidade que se desenhava na modernidade, as tecnologias que permitiam uma vida mais veloz, as personagens que surgiam e adaptavam-se àquela realidade, os seus trajes e hábitos. Não deixo de pensar que também flanamos pela contemporaneidade afora. As mudanças continuam a nos perseguir e, à medida em que giramos pela cidade, reconhecemos novas dobraduras de seus espaços e de nós mesmos. Pendemos desse motor sem que necessariamente nos desprendamos dele, e seguimos descobrindo lugares a partir dessa desequilibrante cadeira de sombrinha.&nbsp;</p>



<p>Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade, cobrindo um corredor pelas ruas mexicanas, mas o fato é que, à sua maneira, são marcas de alguma forma de existir e conversar com a sua paisagem, modos de se inscrever, clandestinamente, naquele lugar, transformando-se em produto de sua ausência nas planilhas das “ciências parcelares”. Poética do imprevisto, obra não planejada. Provavelmente alguns se incomodam com a precariedade de suas formas, o obstáculo que impõem ao trânsito ou o inconveniente da aglomeração que favorecem; outros nem tanto, dada a sua imersão no espaço. Alguns encontram neles alguma funcionalidade, afinal de contas existem para suprir a necessidade de um grupo, outros sequer os viram. Há, ainda, quem neles reconheça qualidades que nascem das fissuras existentes entre o precisar e o não precisar, o concordar e o não concordar; que simplesmente (ou complexamente) revelam algo a partir dos encontros e desencontros nesses lugares, materializando a curiosa forma do urbano.</p>



<p>&nbsp;Certamente, é preciso saber lidar com a organização prática e técnica dos lugares, assim como, também, é preciso reconhecer aquilo que os atravessam e que é matéria das vidas que acontecem ali. Há uma dissimulação, um fingimento, um componente lúdico que precisa ser ativado para não acreditarmos além da conta nas verdades implantadas por interesses especulativos na realidade urbana. Incorporar “verdade” nessa realidade não deveria desconsiderar aquilo que emerge da sua linguagem lúdica, do momento de encantamento quando reconhecemo-nos passageiros-brincantes de um Chapéu Mexicano. O pensamento de Levebvre mais uma vez pode ajudar a pavimentar a relação que tentamos construir aqui, ilustrando que colocar a arte a serviço do urbano não significa adornar seus espaços com “obras” artísticas, mas que, por outro mecanismo, deixando a exclusividade do ornamento, representação e decoração, podemos torná-la “<em>praxis e poiesis” </em>em cada grandeza social, construindo “a arte de viver na cidade como obra de arte”. Nesse instante, quem sabe, somos capazes de capturar o descompasso das diferenças embalados pelas viagens no Chapéu Mexicano. De tantas voltas e tantas vistas, talvez possamos construir lugares conscientes de seu presente sempre em obras, e, portanto, sujeitos ao devir das coisas e situações, sejam elas a improvisada cobertura de cores e texturas que se instalam ao longo de uma rua , seja a paisagem do centro da cidade ocupada por comerciantes ambulantes e seus aparatos, sejam as gangorras na fronteira entre o México e os EUA&#8230;</p>



<p>NOTAS:</p>



<p>BAUDELAIRE, Charles. O pintor da vida moderna. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.</p>



<p>FARKAS, Solange; BOGOSSIAN, Gabriel&nbsp; (cur.). <strong>Akram Zaatari: </strong>Amanhã vai ficar tudo bem. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, 2016.</p>



<p>LEFEBVRE, Henry. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. &nbsp;</p>



<p>A CIDADE É PARA TODOS. SEMAUR INICIA OPERAÇÃO JUNTO AO COMÉRCIO AMBULANTE. Disponível em &lt;<a href="https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350">https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350</a>&gt; Acesso em: 23 de Jul.,2019.</p>



<p>ARQUITETOS INSTALAM GANGORRAS NA CERCA ENTRE EUA E MÉXICO. Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/30/arquiteto-instala-gangorras-na-cerca-entre-eua-e-mexico.ghtml&gt; Acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>OUTRA CIDADE É POSSÍVEL. Disponível em &lt;https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/26/cultura/1495812995_702019.html&gt;. acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>UBER ELEVATE. Disponível em:&lt;https://www.uber.com/br/pt-br/elevate/uberair/&gt;Acesso em: 12 de Ago.,2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>João Jacob</strong> é natural de juiz de fora, MG, com formação em Artes (Bacharelado Interdisciplinar em Arte e Design) pela UFJF. Atualmente faz parte do corpo discente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cultura e Linguagens IAD UFJF (Mestrado &#8211; Turma 2019).</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3552a-julia-sa-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3413" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Brasileiro, Espécime Triste e Angustiado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Carcereri]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Pedro Carcereri</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O brasileiro é um ​<em>tipo </em>​angustiado. Sempre foi. A propaganda do brasileiro feliz te enganou, enganou a mim, enganou a todo o resto do planeta. Nós não somos, nunca fomos e nos próximos anos não seremos o povo alegre que estampa as páginas que tentam vender nosso carnaval como festa da felicidade. [aquilo é um lapso permitido para que não enlouqueçamos em evangelhos proferidos pelos arautos do fim do mundo.]</p>



<p>O negro, que nunca deixou de ser escravizado, tem sua história atravessada pela violência de todos os seus estratos de vida. Sufocado e pisoteado em horas de trabalho e descanso, seu direito é ter a condescendência de ainda estar vivo &#8211; até que esse alguém decida que não. E como não choca negros mortos por banalidades, para esses alguéns sempre é possível que exista algum excludente. Afinal, melhor morto que triste. [pessoas tristes não produzem tanto.]</p>



<p>O indígena, que nunca deixou de ser o que era para ser. [selvagem?] ​<em>Se o índio não quer explorar, porque ele quer celular? </em>​A tristeza com maior tempo dentro de nossa recente narrativa com nome de Brasil. E corajosa em resistir.</p>



<p>A mulher, que nunca deixou de ser ferida, morta, estuprada, humilhada. Continua sofrendo. Os abusos que as entristecem são cotidianos e de tamanhos variados. [a tristeza aqui é sempre culpa dos homens, embora o peso da angústia recaia sobre a mente e o corpo feminino.]</p>



<p>O branco, que nunca deixou de ser o estrago, também sofre com o machismo e o racismo que se entranham pelos seus poros e angustiam os que tentam entender o que vivem. <em>Os canalhas vivem suas vidas sem angústia, mas com muito ódio. Qual veneno é pior? Qual mata mais rápido?</em></p>



<p>O amor então é taxado, categorizado e enclausurado em formas familiares que nunca trouxeram felicidade a todos os seres, nem nunca trarão. E se você não se adequar ao binarismo e ao conceito de pai, mãe e filhos pode &#8211; então &#8211; se adequar ao slogan ​<em>ame-o ou deixe-o </em>e​ se retirar do convívio dos iguais. ​<em>Longe de mim ser homofóbico, mas não precisa beijar em praça pública</em>.​ [para viver aqui o amor não vale se não cumprir o desejo fálico de um homem, hétero, branco e cristão &#8211; a representação da angústia pode ser essa figura.]</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A alma brutalizada em uma espiral de culpa religiosa, ansiedade e modorra do seu próprio tempo tenta se enganar com felicidades momentâneas e lapsos salvadores em meio ao caos &#8211; futebol, música, carnaval, drogas. Nada cresce em solos mal iluminados. Nada cresce em ambientes de culpa e medo.</p>



<p>A democracia aqui inexiste, parte de uma farsa para manter a maior desigualdade do mundo ativa. Cruel é a forma de enganar a quem crê que participa da escolha de sua vida. [as escolhas não podem ser feitas pelos pobres, só querem igualdade, não pensam no crescimento da nação.] ​<em>Fascismo disfarçado de patriotismo é a melhor maneira de manter nossos privilégios. </em>​[foda-se a tristeza de quem não tem como pagar.]</p>



<p>Pelo menos é isso que eles querem. [entorpecer a alma, o corpo e a mente é preciso. eles detestam alegria. ainda mais alegria coletiva.]</p>



<p><em>Mas é importante saber que estamos por nossa conta.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Pedro Carcereri</strong> é escritor, diretor, produtor e curador. Bacharel em Artes e Design e mestre em Artes, Cultura e Linguagens pela UFJF. Autor dos curtas “Modorra”, “Maria Cachoeira” e do romance “Sob o Trópico de Capricórnio”. Curador e crítico de arte, desenvolve exposições e pesquisas em diversas interfaces da arte contemporânea. Faz parte da seleção do Sesc Confluências &#8211; MG e é conselheiro de cultura de Juiz de Fora.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O “Leviatã” que não existe no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Se o mote de todo o debate que esse espaço de discussões vem tecendo, por meio de publicações semanais aqui na Trama_, é o quanto o Brasil vem se afastando dos conceitos basilares do Estado ocidental moderno, essas semanas mais fatos mostraram o tamanho da disparidade na balança que mede as liberdades individuais das quais o Estado é garantidor, e não ameaça.</p>



<p>Num baile funk em Paraisópolis, comunidade na periferia de São Paulo, uma ação abusiva da Polícia Militar (PM) provocou tumultuo incontrolável que resultou na morte de 18 jovens por pisoteamento, além de outros marcados por tiros com barras de borracha. Até agora não se sabe, ao certo, qual a razão para que tal ação fosse tomada pela PM, e possivelmente jamais o seja. Pouco dias antes, no domingo de comemoração da conquista do título da Copa Libertadores da América pelo Flamengo, outro tumultuo foi causado pela PM, dessa vez, felizmente, sem vítimas.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Se a figura do Estado foi um dia idealizada e lapidada no curso de 300 anos, e de séculos ou milênios, se for flexibilizado o conceito de sociedade organizada a todas as civilizações regidas por um poder central, fez-se assim para garantia de proteção ao ser humano antes os perigos do isolamento, seja pelas intempéries naturais, seja pelo próprio ser humano. Thomas Hobbes em sua obra magna, “O Leviatã”, faz a analogia entre o monstro bíblico e o poder de coerção do Estado, isto é, a força que ele tem de obrigar o cidadão a fazer o que ele rege, em determinadas circunstâncias que sirvam ao bem coletivo. Desta forma, para Hobbes, o Estado é um “mal necessário”, visto ser o bem a liberdade, que, no entanto, em toda a sua potencialidade gera distorções variadas na ordem social. “Uma pessoa é mais forte que a outra e lhe toma sua casa. Mais tarde, ainda que menos fortes que a primeira, outras duas pessoas associam-se e lhe tomam a casa novamente, e assim sucessivamente até que a lei do mais forte se estabeleça sempre na forma de controle autoritário e necessariamente instável, e nunca na forma de uma sociedade organizada para o bem comum”, é a síntese do argumento hobbesiano.</p>



<p>Portanto, em tudo que tange à ação de indivíduos livres sem dano a outrem, como já foi discutido em texto anterior sobre os princípios do liberalismo de John Stuart Mill aplicados à expressão da arte e da sexualidade, o Estado está alheio. Numa festa coletiva a céu aberto ou num baile funk na periferia, se não há ameaça à ordem social, não deve atuar a PM como braço coercitivo do Estado, e, se ameaça houver, tal ação deve exercer o mínimo de dano sobre indivíduos não envolvidos. Trocando em miúdos: se há homicídios e articulação de crimes em bairros da periferia, a solução não é bombardear o local e ceifar inocentes junto a criminosos, tal como não é solução para o terrorismo a destruição dos países árabes, etc. Se há focos de violência, tráfico e ocorrência assédio, corrupção de menores e estupro (se há) num baile funk, o que ocorre igualmente em festas da classe média branca, sem igual veemência do Estado, não deve a PM atuar de forma ostensiva de modo a, ela sim, ameaçar a ordem social.</p>



<p>Ocorre que no Brasil o tal Leviatã, tal como descrito por Hobbes, jamais existiu. O país nunca deixou, de fato, sua forma pré-moderna de se organizar de acordo com padrões similares aos do regime escravocrata que o fundou política e economicamente, adaptando as ferramentas de total submissão das camadas mais pobres e etnias mais oprimidas de nossa sociedade aos conceitos do tempo em que vivemos. O jovem negro assassinado na favela por usar dos meios que tem para usufruir dos bens de consumo que lhe são negados é o mesmo que, 200 anos atrás, era punido com a chibata ou a morte por tentar escapar do cativeiro. E sua forma de celebração, seja nas ruas por um clube e um esporte popular, seja numa festa privada, perseguida tal como foi o samba no seu nascedouro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Por que Contamos Histórias?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Existem muitas maneiras de se contar uma boa história. Na realidade, a humanidade cultiva narrativas desde os tempos mais remotos, alimentando e compartilhando as crenças em mitos de origem ou simplesmente relatando acontecimentos cotidianos. Pois então, a verdade é que histórias revelam, muito além de sua trama, aspectos peculiares da existência humana.</p>



<p>Antes mesmo que a linguagem escrita fosse desenvolvida, as histórias eram contadas e preservadas através da oralidade. Aspectos concernentes à ancestralidade e descendência dos indivíduos de uma comunidade, bem como lendas e tradições religiosas, foram transmitidas de geração para geração em rodas de conversa diante de uma fogueira.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/image-3.png?fit=970%2C583&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5165" width="728" height="437"/><figcaption class="wp-element-caption">Jovens índios guarani ficam em volta de uma fogueira em Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul Foto: Maurício Lima/New York Times</figcaption></figure>



<p>Devido à frequência e intensidade desta troca, podemos supor que a construção da identidade cultural de cada indivíduo de cada comunidade, tenha sido construída por suas histórias. Assim, as batalhas vencidas, as derrotas sofridas e grandes feitos realizados, constituem o grande alicerce onde se estabelecem as convicções e desconfianças no imaginário coletivo de determinados grupos.</p>



<p class="has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Para além das manifestações artísticas como a pintura e a escultura, com o advento da escrita, a necessidade de registrar essas histórias em algo que pudesse transcender a existência estabelece um divisor de águas na trajetória humana, promovendo um desenvolvimento tremendo na maneira como o homem conta suas histórias, e, mais do que isso, no modo como lê e interpreta o mundo e a si mesmo.</p>



<p>A julgarmos pela estrutura medieval estabelecida nos <em>scriptoriums</em> dos antigos monastérios,  a urgência em manter vivas as histórias mais importantes contadas, (especialmente aquelas que revelavam e preservavam a esfera do sagrado), para além da oralidade, gerou um sistema de trabalho organizado em funções distintas, desde os copistas e iluminadores dos livros até encadernadores, uma espécie de linha de produção artesanal.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/image-4.png?fit=970%2C512&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5169" width="728" height="384"/></figure>



<p>E, assim, a humanidade seguiu contando suas histórias. A cada desenvolvimento de novas tecnologias, novas possibilidades surgiram para que os autores encontrassem o suporte perfeito para dar vida e transmitir a potência de sua história para outras pessoas. Foi assim com o teatro, com jornais, revistas, fotografia, o audiovisual, com o advento da internet, em blogs, vlogs, esquetes, mídias sociais, etc&#8230; inclusive, algumas histórias envolvem diretamente a ação do espectador, e, talvez por este motivo, a indústria de games esteja faturando mais do que a de cinema na última década.</p>



<p class="has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">O fato é que o homem enquanto ser, encontra sentido nas histórias compartilhadas e compreende os diferentes modos de ser e pensar que transbordam a experiência individual e ganham um carater coletivo no ato de compartilhá-las. Assim, ao socializar suas narrativas, as noções de humanidade se moldam e edificam lentamente a pluralidade das tradições culturais, lastro da existência humana, rico em complexidade e principal aspecto identitário de pertencimento e poder.</p>



<p>Portanto, quando contamos nossas histórias hoje, reproduzimos uma prática ancestral que nos conecta com cada indivíduo que, um dia, compreendeu que a existência humana só se estabelece enquanto memória coletiva.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador, encadernador, escritor, curador, expografista e violonista. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>


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		<title>Why not Personal Black Holes?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Personal Black Holes]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Era uma estranha tecnologia<br>Servia ao seu inventor unicamente<br>Apropriada aos fins menos habituais<br>Quem sabe a solução de tantos problemas<br>O anti-fiat<br>O fim<br>O nada<br>O jamais novamente<br>Para onde apontasse<br>Encerrava qualquer informação<br>Lanterna invulgar<br>Emite escuridão<br>Talvez não seja tão eficiente<br>Comparada a tanta gente<br>Seu jato não se vê<br>Engole o que estiver pelo caminho<br>Anti-show<br>O avesso do espetáculo<br>Seu cone obscurece<br>Faixa do mais absoluto sombrio<br>Inspiração psicológica?<br>Para onde vai<br>Aquilo que se deixa de ver?</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-30185" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/05/Gabo-poeta.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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		<title>Divagar e Sempre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Couto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> <br> De repente, tudo ficou acelerado. <br> Antes, eu tinha mais tempo pro café. <br> Hoje, se chapo ouvindo Macalé,<br> A culpa logo diz que estou errado. <br><br> O ócio ficou tão mal visto<br> Que pensar se tornou um desperdício.<br> Ainda ouviremos que são ossos do ofício.<br> Pra esses malditos, só vale o <em>produzo</em>, logo existo<br> <br> Podem tentar andar mais rápido. <br> Eu continuarei indo divagar. <br> Podem até me ridicularizar. <br> Mesmo calado, todo poeta é cálido.<br><br> Farei do meu pensar uma manifestação. <br> Quero que eles o vejam como protesto. <br> E que sirva como um gesto honesto<br> De quem é contra sua repressão. </pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Guilherme Couto</strong> &nbsp;tem 20 anos, faz engenharia na UFJF, mas vem da região serrana do rio. É apaixonado por arte e fã do modernismo brasileiro. Escreve pra se descobrir</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Protestantismo: Convergências e Confluências com os Direitos Humanos e o Estado Laico</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/08/protestantismo-convergencias-e-confluencias-com-os-direitos-humanos-e-o-estado-laico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Protestante]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=5673</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Flávia Rabelo Beghini</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Ultimamente, muito se tem dito sobre Direitos Humanos, e o Estado Laico, às vezes, num sentido positivo, e outras, numa contramão, os termos tem sido utilizados numa conotação, inclusive, pejorativa. Mas o que percebemos na prática é que poucos conhecem, reconhecem, ou mesmo, compreendem a importância das temáticas que tem por objetivo que os cidadãos tenham assegurados direitos e liberdades que são inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os Direitos Humanos tem seu escopo na Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), por meio de uma <a href="http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=A/RES/217(III)&amp;Lang=E"> Assembleia Geral</a>, da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa declaração que é composta por trinta artigos que tem por objetivo ser uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações.Nesse sentido RODIGUES (2012) explica: </p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“A inspiração teórico-política na base da construção do Estado democrático brasileiro propõe que é dever dele defender e zelar por um ambiente social que garanta, igualmente a todos os cidadãos, as condições necessárias ao pleno desenvolvimento individual e coletivo. Isto envolve a responsabilidade do Estado em desenvolver políticas públicas (sociais) que resultem benefícios como: seguro saúde e assistência médica pública, educação, habitação e direitos trabalhistas, os quais constituem e dos quais depende o bem-estar da sociedade. Nisto consiste o pacto social entre Estado e cidadão. Essa intervenção pode ser direta ou indireta, a depender de cada Estado.” (p. 152)</p>



<p>Outro ponto, que hoje, faz parte de debates calorosos e, normalmente, sem nenhum embasamento teórico, diz sobre as linhas que cruzam o Estado Laico, os Direitos Humanos e os Valores Cristãos. Para caminharmos nessa questão, primeiro precisamos compreender o que significa &#8220;Estado laico&#8221;, e o que ele representa em um Estado Democrático de Direito. Em um Estado Laico, os dogmas, crenças e doutrinas religiosas não podem ser utilizados, de forma alguma, como fundamento para determinar como uma a nação irá conduzir suas políticas e administração. Segundo RODRIGUES (2012) para o Brasil </p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“Entendesse que, no caso brasileiro, o Estado declara-se separado das religiões e essa condição se traduz na qualidade de laico, isto é: não cabe ao Estado favorecer qualquer instituição religiosa, manter relação de dependência ou embaraçar-lhe o funcionamento, a não ser que haja prenúncio de ameaça ao bem-estar social. Essa compreensão emerge da interpretação da lei e do que ela sugere como separação”. (p.151)</p>



<p>A Constituição Federal brasileira de 1988, em seu art. 5º, inciso &#8220;vi&#8221;, diz: “que todas as pessoas são iguais perante a lei e que é inviolável a liberdade de consciência e de crença destas pessoas, sendo desta forma, assegurado, o livre exercício dos cultos religiosos e sendo garantida a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. A lei maior, normativa e declara que o Brasil é um país laico e possui ampla liberdade de expressão e de religião. Somos livres, plurais e diversos, não cabendo a nenhum governante, elucidar comportamentos e nem interferir, na forma como nós, constituímos nossa visão de mundo. O brasileiro é livre para expressar pensamentos religiosos, ou não religiosos, sua sexualidade e seu modo de vida, até mesmo é possível, constituírem novas formas de religiosidade ou espiritualidade.</p>



<p>Assim, como elucidar valores cristãos, em especial, protestantes, em um país que desfruta de liberdade de liberdade parece redundante, pois, convivemos livremente com variadas formas de entendimento do Sagrado. Todas essas formas são legitimas e devem ser respeitadas e resguardadas.</p>



<p>A Reforma Protestante nos deu o desafio de formular novas hermenêuticas e interpretações da Palavra de Deus, a Bíblia. Nesse espaço quero discutir, até que ponto o protestantismo se relaciona de forma positiva ou negativa com os direitos humanos, e quais as ferramentas poderão nos auxiliar na desmistificação dos direitos humanos que, ultimamente, tem ganhado por grupos religiosos, ditos cristãos e conservadores, como privilégio apenas desses indivíduos que se auto denominam “cidadãos de bem”.  O norte do tema será dado através de leituras de autores como: Martinho Lutero, Leonardo Boff, e o professor Dr. Cláudio de Oliveira Ribeiro e Elisa Rodrigues.</p>



<p>Pretendo esboçar alguns dos assuntos que se referem aos direitos humanos e suas convergências com cristianismo, com um recorte no protestantismo. Para problematizar a questão me remeto a uma <strong>postura contraproducente do atual presidente do Brasil</strong>, Jair Messias Bolsonaro, com relação aos direitos humanos, o que tem levado várias organizações a se preocuparem com essa questão no Brasil.</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“Em outubro de 2018, logo após o fim do processo eleitoral, <a href="https://anistia.org.br/noticias/brasil-discurso-anti-direitos-nao-pode-se-tornar-politica-governamental/">alertamos</a> que as posições de Bolsonaro representavam um risco concreto para os direitos humanos no país. Temos acompanhado atentamente seu governo, e, infelizmente, nossa preocupação começa a se justificar: o governo de Bolsonaro tem adotado medidas que ameaçam o direito à vida, à saúde, à liberdade, à terra e ao território de brasileiros que, estejam no campo ou na cidade, desejam uma vida digna, e livre do medo<strong>”</strong>, afirma Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional no Brasil, que completa<strong>:</strong> “São medidas que podem afetar milhões de pessoas. E, para nós, um país justo não exclui seus cidadãos. Um Brasil justo é um Brasil para todo mundo”. (ANISTIA INTERNACIONAL, 2019)</p>



<p>Falas espetaculosas e denegrindo os direitos humanos tem ganhado respaldo e ecoado em várias igrejas, entre elas, protestantes, pentecostais e, principalmente, as neopentecostais, que se remetem, principalmente, ao Antigo Testamento, para justificarem ideias contra a diversidade, a pluralidade e o país laico.</p>



<p>Dentro da tradição protestante cristã, numa análise mais literal dos primeiros princípios da fé, que é amparado numa leitura rigorosa do livro de Genesis que está contido na Bíblia, a convicção de que o mundo e tudo que nele existe foram criados por Deus, e por isso, se conectam a esse ser Divino é levada a cabo. Dentro dessa cosmovisão, tudo, todos, podem ser considerados Sagrado, pois, todos nós, estamos em pé de igualdade perante a criação, já que fomos criados a Sua imagem e semelhança, conforme descrito nesse livro.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, as falas e posturas, do Presidente da República, Jair Bolsonaro, entra em contradição com a ideia cristã de “filhos de Deus”, ideia pregada, inclusive, pela doutrina protestante.</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. (BÍBLIA,<br><a href="https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/1/26,27+">Gênesis 1:26,27</a>)</p>



<p>Segundo um entendimento do reformador protestante, Martinho Lutero, em seu <em>Tratado sobre a liberdade cristã</em> esse Deus não fará distinção já que a Salvação é dada como “graça” e, a partir da “fé” e amor ao próximo, a todos os seus filhos. Nesse raciocínio, não faz sentido a distinção entre quem é “cidadão de bem” e possuidor de algum beneficio ou não, pois a Salvação e o perdão são dadivas Divina. Diante do exposto, é possível perceber um possível limite entre a religião protestante e direitos humanos, nos dias de hoje, já que as igrejas têm sofrido influências ideológicas de políticos em suas doutrinas.&nbsp;</p>



<p>Para problematizar o exposto acima, trago o exemplo do Art. XVI – da Declaração Universal de Direitos humanos, que diz nos itens 1 e 2:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.</p>



<p>No atual discurso de alguns religiosos, aos quais nos referimos como religiosos cristãos fundamentalistas, o papel da mulher não corresponde ao ideário descrito do referido artigo XVI da Declaração Universal de Direitos Humanos. Corroborando com essa interpretação, temos um texto bíblico, no antigo Testamento, que elucida, muitas vezes, uma mulher submissa que foi criada, a partir, da costela de um homem. Assistimos retrocessos, como o caso que ficou famoso, envolvendo, o Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que, em algum tempo atrás, desencorajou suas filhas e fiéis a não estudarem numa faculdade. Segundo o pastor neopentecostal, a mulher deve se preocupar em arranjar um bom casamento, e estar sempre numa posição escolar inferior a do homem, utilizando as próprias filhas como exemplo, fazendo alusão à misoginia.</p>



<p>Todavia, durante a passagem de Jesus pela terra, segundo a Bíblia, ele nos trouxe outra noção sobre o papel da mulher. Num contexto judaico, onde a mulher não desfrutava de nenhum valor. Jesus quebrou regras e paradigmas. Pois, ele conversava com mulheres samaritanas em público, também, falava com elas assuntos religiosos, o que era extremamente proibido na época. A figura de Maria Madalena nos traz a reflexão, que pecados poderiam ser cometidos, tanto por mulheres, como também por homens, conforme relatado em (João 8:1-10). Jesus nos habilita para uma nova forma de pensar a mulher na sociedade. Agora, como um indivíduo portador de direitos e igualdade de gênero. Ideia compartilhada por igrejas protestantes com ideologias mais progressistas.</p>



<p>Bem, mais tarde, com a Reforma Protestante, mesmo Lutero sendo um homem do seu tempo, com características conservadoras. A mulher começa a ganhar, aos poucos, destaque. Inclusive, nos quadros eclesiásticos. Seja por meio de escrita, cantos, e até em trabalhos teológicos, propriamente ditos.&nbsp;</p>



<p>Diante do exposto, até o momento, quem poderá garantir os direitos humanos, afinal? Seria ele de inteira responsabilidade do Estado? A Declaração de Direitos Humanos elucidada pela ONU é feita para ser um parâmetro mínimo de civilidade. Todavia, sabermos que existem criticas a ela, por se tratar de uma ideia cristã universal de direitos feita para povos diversos e plurais. Os teóricos que pensam sobre isso, nos alertam para seu limite, pois alguns artigos da Declaração podem estar bem longe dos ideários de alguma civilização ou sociedade. Nesse sentido, sabemos que a Modernidade nos trouxe o pluralismo, em lugar da secularização, como acreditava Peter Berger, e é o pluralismo religioso, de ideias e cultural que se baseia a crítica na “tal” universalização dos direitos humanos. (BERGER, ????)</p>



<p>Mas, devemos superar essa observação para avançarmos, pois a Declaração é um norte para os direitos, e como diz um grande amigo: “é o que temos para hoje!”, Ela deve ser cobrada a nível nacional e quando violados, pelo próprio governante, as denuncias deverão ser elucidadas a ONU, que poderá fazer um papel de intermediação, ou de penalização das nações que assinam essa declaração, como é o caso do Brasil. As religiões como instituições podem contribuir na promoção dos direitos humanos, poderão fazê-la, baseando-se em textos bíblicos, onde a mensagem de Deus sobre reerguer esse homem humilhado, restituindo-lhe a sua semelhança com Deus. Para exemplificar recorro a conhecida parábola do Bom Samaritano e ao livro dos Salmos, no: 146: 6-9 que diz: Deus</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e que mantém a sua fidelidade para sempre! Ele defende a causa dos oprimidos e dá alimento aos famintos. O Senhor liberta os presos, o Senhor dá vista aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos. O Senhor protege o estrangeiro e susta o órfão e a viúva. Porém, frustra o propósito dos ímpios.” </p>



<p>Todavia, não poderia terminar essa citação emblemática sem problematizar com a declaração abaixo que, hoje, parece atual, contemporânea e aceita por muitos protestantes. </p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“Hoje, os cristãos estão à frente deste país. Prometo que nunca me ligarei a partidos que querem destruir o Cristianismo. Queremos reencher nossa cultura de espírito cristão. Queremos queimar todos os recentes desenvolvimentos imorais na literatura, teatro e imprensa, enfim, queremos queimar o veneno da imoralidade que surgiu em nossa vida e cultura pela abundância liberal no passado.” ADOLF HITLER (1939)</p>



<p>Não poderia terminar este ensaio sem vislumbrar um norte para a atual problemática exposta até aqui. Para isso, lanço mão do título de um famoso discurso de Martin Luther King: “<em>I have dream!</em>” RIBEIRO (2010) </p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“A “nova forma de ser Igreja” relacionada à Teologia da Libertação está vinculada às possibilidades de transformação social e política evidenciadas em especial entre os anos 1960 e 1980 uma sociedade igualitária, participativa e firmada nos princípios de justiça” p. 29 Na esperança de as religiões encontrem um norte rumo a libertação do povo que ela diz representar em nome de Deus. Um mundo onde prevaleça o amor, a fraternidade, a igualdade e a justiça social.” p. 29</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><br></p>



<p><strong>4 &#8211; REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>ANISTIA INTERNACIONAL. maio de 2019. Disponível em: &lt;<a href="https://anistia.org.br/noticias/discurso-da-administracao-de-bolsonaro-contra-direitos-humanos-comeca-se-concretizar-em-medidas-nos-primeiros-meses-de-governo/">https://anistia.org.br/noticias/discurso-da-administracao-de-bolsonaro-contra-direitos-humanos-comeca-se-concretizar-em-medidas-nos-primeiros-meses-de-governo/</a>&gt;. Acesso em: 10 de nov. de 2019.</p>



<p>BERGER, Peter. <em>Os múltiplos altares da modernidade: rumo a um paradigma da religião numa época pluralista.</em> Petrópolis: Vozes, 2007.</p>



<p>BÍBLIA, Português. <em>A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento</em>. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição rev. e atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do Brasil, 1969.&nbsp;</p>



<p>BOFF, BOFF, Leonardo, Clodovis. <em>Como fazer Teologia da Libertação</em>. Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p>BOFF, Leonardo, <em>Fundamentalismo a globalização e o futuro da humanidade</em>. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.</p>



<p>LUTERO, Martinho. <em>Tratado sobre a liberdade cristã</em><strong>:</strong> In: LUTERO, M. Obras selecionadas, vol II. São Leopoldo: Sindoal/Corcórdia. Pp 272-274</p>



<p>NAÇÕES UNIDAS BRASIL. <em>Declaração Universal dos direitos Humanos.</em> Disponível em: &lt;<a href="https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/">https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/</a>&gt;. Acesso em: 10 de out. de 2019.</p>



<p>RIBEIRO, Claudio, de Oliveira. <em>O princípio Pluralista</em>. UNISINOS. São Leopoldo: Cadernos Teológicos Pública, Ano I, n. 1, 2004.</p>



<p>RIBEIRO, Claudio de Oliveira. <em>A Teologia da Libertação morreu?</em> Fonte Editora. São Paulo, 2010.</p>



<p>RODRIGUES, Elisa. <em>A formação do Estado secular brasileiro:&nbsp; notas sobre a relação entre religião, laicidade e esfera pública</em>. Horizonte, Belo Horizonte, v. 11, n. 29, p. 149-174, jan./mar Disponível em: &lt;<a href="http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2013v11n29p149">http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2013v11n29p149</a>&gt; Acesso em 30 de nov. de 2019</p>



<p>IMAGENS E HISTÓRIA. 24 de set. de 2019. Disponivel em &lt;<a href="https://www.facebook.com/imagenshistoria2/posts/456460858409878/">https://www.facebook.com/imagenshistoria2/posts/456460858409878/</a>&gt;. Acesso em: 02 de dez de 2019. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Flávia Rabelo Beghini</strong> é pedagoga formada pela UFJF e especialista em Educação Infantil e Tecnologias na Educação. Graduanda em Ciência da Religião na UFJF adora escrever nas horas vagas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/293f0-julia-sa-3-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>11. Apesar dos Pesares Temos o Morro do Imperador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> morro do imperador<br> quem o visita desfruta<br> através do olhar e dos sentidos<br> a cidade de Juiz de Fora<br> entre montanhas e mares de arranha-céus<br> <br><br> a vida que passa impregnada<br> de história, de vivências sofridas<br> de cadências e ritmos noturnos<br> poesia e musicalidade que flerta com<br> bares cheios, restaurantes apinhados<br> <br><br> pessoas que vão e vêm de lugares<br> vizinhos se apossam de suas lembranças<br> repletas de esperanças de um estudo melhor<br> casa cheia de estranhos amigos<br> <br><br> e a vida prossegue por entre<br> as ruas vistas do morro do Cristo<br> que assim o chamamos na<br> intimidade de amigo fraterno<br> eterno na memória coletiva<br> de um lugar de ruínas e<br> novos arranjos arquitetônicos<br> tramando um futuro que<br> ninguém sabe aonde vai dar<br> brilhando entre vitrais e vidros<br> temperados coloridos<br> como os sonhos de muitos que<br> por aqui vivem e passam<br> no marca-passo do destino que se traça<br> no calçadão que se avista do alto<br> longínquo, cortando o rio paraibuna<br> fonte de tantas inspirações<br> <br><br> morro do imperador<br> é daqui que avistamos<br> as suas mudanças, pequena grande<br> cidade provinciana de minas<br> é daqui que versejamos<br> os seus intentos, os seus lamentos<br> o seu rumo incerto pulsando<br> na vida de cada um que a<br> faz tão grandiosamente humana e bela </pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc88e-publi-bodoque-natal.png?w=950&#038;ssl=1" class="wp-image-5708" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>PNUD Brasil divulga Relatório de Desenvolvimento Humano 2019</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lança na próxima segunda-feira (9) o Relatório Global de Desenvolvimento Humano 2019 – Além da renda, além das médias, além do hoje: desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI.</p>



<p>O evento, que terá a presença da representante-residente do PNUD no Brasil, Katyna Argueta, e de representantes de governo, sociedade civil, setor privado, academia, corpo diplomático e organismos das Nações Unidas e outras organizações internacionais, terá início às 10h, no auditório do B Hotel, em Brasília (DF).</p>



<p>A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, a economista Betina Barbosa, apresentará os resultados do relatório, entre eles, a atual situação do Brasil, conforme os indicadores de acesso a saúde, educação e distribuição de renda medidos até 2018.</p>



<p>Um dos recortes do relatório traz o retrato das diferenças sociais e econômicas de gênero.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Olhar mais profundo</h3>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/617cb-image.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5697" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A erradicação da pobreza até 2030 é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1. Foto: Renato Jorge Marcelo</figcaption></figure>



<p>Neste ano, o PNUD lançará um relatório que pensa o desenvolvimento para além das médias, além da renda e além do hoje e acredita que ele poderá contribuir de forma significativa para a formulação de políticas públicas no Brasil e no mundo.</p>



<p>O documento aponta que, apesar dos ganhos substanciais em saúde, educação e padrões de vida, as necessidades básicas de muitas pessoas permanecem não atendidas; paralelamente uma próxima geração de desigualdades se inicia.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Clima e Tecnologia</h3>



<p>Duas mudanças são chave para o século XXI: a mudança global do clima e as transformações tecnológicas. Os desafios da mudança do clima atingem todas as pessoas, especialmente as mais pobres; enquanto os avanços tecnológicos podem deixar para trás grupos inteiros.</p>



<p>Desde o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) no mundo, em 1990, o PNUD já lançou mais de 700 relatórios com temas fundamentais para a vida de milhões de pessoas.</p>



<p><a href="https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=Xtvls0QpN0iZ9XSIrOVDGSBeFL5Y5BpIkCvBHhau8BVUQ1ZYRUxWRDVENlJUQVFXQlJCQ1JZMUpCOC4u">Clique aqui para se inscrever para participar do evento de lançamento.</a></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/pnud-brasil-divulga-relatorio-de-desenvolvimento-humano-2019/">Nações Unidas Brasil</a></em></strong> <strong><em>em 06/12/2019 &#8211; Atualizado em 06/12/2019</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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