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	<title>Arquivos Ano 002, N 029 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A REDE OPRESSORA DE COSTUMES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[costumes]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Esses dias, estive pensando sobre a dificuldade observável de algumas (muitas) pessoas em aceitar as escolhas pessoais de outros indivíduos &#8211; inclusive daqueles com quem sequer compartilham o convívio social.. Cheguei à conclusão de que existe uma pretensa convicção de que os <strong>costumes estão suntuosamente dispostos em suas esferas do sagrado, </strong>sequestrando os verdadeiros objetos de crença. Explico.</p>



<p>Vou usar como exemplo uma pessoa que seja religiosa e leve de fato em consideração seu conjunto de crenças na tomada de decisões diariamente. Vamos supor que este indivíduo seja cristão, por exemplo. Membro de uma igreja neopentecostal famosa.</p>



<p>Nascido em um lar cristão, ao longo dos anos, vivendo sob a égide deste conjunto de dogmas e doutrinas (que a instituição religiosa entendeu como práticas espirituais verdadeiras e libertadoras), este indivíduo construiu uma estrutura de pensamento que se adaptou às restrições de sua vida religiosa a ponto de não enxergá-las como restrições. Além disso, suas noções de moral e ética foram forjadas dentro dos padrões mais elevados, de acordo com as crenças que sua igreja defende. Sendo assim, sua visão de mundo é constituída, majoritariamente, por essas noções.</p>



<p>Pois bem, no caso do cristianismo (por se tratar de uma crença compartilhada pela maioria dos indivíduos no Brasil e, portanto, comum ao conhecimento dos brasileiros), podemos afirmar que, sobretudo no protestantismo, o objeto central da crença é a pessoa de Jesus. Sendo assim, a busca, no âmbito da vida religiosa, se dá pelo acesso às características elementares de Cristo, descritas pelo texto bíblico.</p>



<p>No entanto, consultando o texto bíblico, podemos perceber que muitas práticas institucionais defendidas pelas igrejas não são sequer levantadas por Cristo nos relatos documentados. Então, de onde vieram?</p>



<p>Este breve raciocínio aponta para a questão levantada no começo do texto, objeto de reflexão neste momento. Diante de uma conjunto de regras criado pela instituição religiosa de modo a formar um conjunto de hábitos saudáveis para o exercício de uma vida religiosa dentro dos padrões concebidos, <strong>o crente moderno transferiu seus hábitos e costumes para o lugar onde deveria estar o seu objeto de crença: a esfera do sagrado.&nbsp;</strong></p>



<p><strong>Ou seja, a crença em Cristo Jesus só se sustenta se houver o cumprimento irrestrito às regras estabelecidas pela Institucionalização da Fé. </strong>Apesar de o exemplo citado ser especificamente com a comunidade religiosa (o que não configura esse argumento como uma crítica específica), é possível observar que essa estrutura se repete rigorosamente em uma parcela da população que, ademais de suas predileções artísticas, estéticas, políticas ou religiosas, transferiram seus costumes e sua opinião para a esfera do sagrado, fazendo com que a entidade da verdade absoluta exista apenas ao redor do próprio umbigo. Sendo assim, me parece que a dificuldade de aceitar as decisões individuais consiste, basicamente, em não reconhecer os elementos sagrados de seus costumes na realidade do outro. </p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Por este motivo, existe, aparentemente, um entendimento de que se deve desconsiderar a experiência do outro e colonizá-lo com suas opiniões e hábitos. Para mim, este é o lugar onde reside a semente da alienação, de onde o olhar messiânico sobre o outro destrói a diversidade de possibilidades do que é exercer a vida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/01/d81b7-0301-1066x899-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6862" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guilherme Melich: APREENSÃO DO NADA, 2010. Óleo sobre tela.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram wp-block-embed-instagram is-provider-incorporar-manipulador"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/B2HSFSjFTcq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/B2HSFSjFTcq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/B2HSFSjFTcq/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Guilherme Melich (@guilherme_melich)</a></p></div></blockquote><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script>
</div></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<hr class="wp-block-separator" />



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Sobre essas Cabeças Enterradas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Moratori]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[tradição oral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Felipe Moratori </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na minha infância a cabeça era do boi. Foi assim que ela me chegou por tradição oral, ouvida de bocas de avó, de mãe, de vizinhos.&nbsp;</p>



<p>Enterrada.</p>



<p>Em algum lugar dessa cidade em que nasci estaria a tal cabeça de boi. Ou mais de uma, sei lá. De tal modo que, por conta desse enterro, as coisas em Juiz de Fora não iriam para frente, independentemente do projeto ou empreitada, se aqui fossem nascidas&#8230;&nbsp;</p>



<p>Minto! Com exceção de pastel. Diziam que vender pastel funcionava.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">No imaginário de uma criança que nunca sonhou em vender salgado, é claro que a imagem da cabeça enterrada tinha peso.</p>



<p>Volta e meia, a tal lenda reapareceria em conversas informais, com mais ou menos precisão histórica: um causo ou outro sobre a falência das empresas têxteis que alavancaram a então <em>Manchester</em> mineira; rumores sobre um complô de empresários paulistas que teriam investido na roça grande do interior, fazendo nascer a jovem Belo Horizonte, e dessa forma conseguindo quebrar a dinâmica concorrente do eixo Rio de Janeiro – Zona na Mata; e, finalmente, o triste destino da quase-capital de Minas Gerais, lugar fronteiriço onde o gosto pelas coisas “de fora” já teria nascido na conta do tal “Juiz” que dá nome a esse canto do mapa.</p>



<p>Após a faculdade de Letras, iniciei um trajeto nas artes cênicas da cidade. Por escolha consciente, de mente e alma, eu estava decidido a fazer do teatro o meu projeto de vida. E com a força que esse tipo de decisão tem: sim, estava funcionando!</p>



<p>– Menino, você é bom! Daqui a pouco, pra crescer, você vai sair de JF! – me disseram, mais de uma vez, amigos e mestres, com todo carinho.</p>



<p>No imaginário de um artista querendo se achar no mundo, é claro que essa frase tinha peso.</p>



<p>Afinal, minha cidade tem meio milhão de habitantes! Como não é possível construir mercado para cultura aqui? Temos uma importante universidade federal, temos razoáveis equipamentos culturais&#8230; temos até uma lei de incentivo municipal! Por que não pode dar certo aqui? Pode, é claro que pode. Mas palavra tem peso. E as cabeças de boi, de burro e de bode se aprofundaram no discurso e contaminaram os lençóis freáticos das nossas crenças. &nbsp;</p>



<p>Hoje, sobre essas cabeças enterradas, eu só tenho a dizer: desenterrem-se.&nbsp;</p>



<p>E que minha escolha de alma tenha força para provocar aqueles que também querem ficar, e a partir daqui a gente possa construir o nosso caminho no mundo, seja com teatro ou com pastel, com psicologia ou linguística, com fisioterapia ou farmácia, com botequim ou engenharia.</p>



<p>E para os que acham que se trata de puro otimismo, eu digo que é mais-que-otimismo é “excelentismo” mesmo, questão de sobrevivência feliz da alma.&nbsp;</p>



<p>Não sei você, quem me lê nessa revista de cultura&#8230; mas, hoje, eu desenterro de vez as minhas cabeças de boi.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Felipe Moratori</strong> é ator, dramaturgo e diretor teatral, Felipe é um dos fundadores da Sala de Giz. Mestre em Artes Cênicas pela UFOP, integra o Núcleo Dançantes, grupo de investigação em poéticas do corpo coordenado pela atriz-pesquisadora Ana Cristina Colla, do Lume teatro (Campinas – SP).</p>



<p>Licenciado em Letras pela UFJF, publicou nacionalmente dois textos teatrais pela editora paulista Giostri. Em sua formação, passou pelos mestres Ana Cristina Colla, Renato Ferracini, Jesser Souza (Lume teatro), Denise Stoklos (Brasil), Norberto Presta (cia Via Rossi – Argentina/Itália), Julia Varley e Eugenio Barba (cia Odin Teatret – Dinamarca).</p>



<p>Hoje, além de escrever as dramaturgias da companhia, é professor e coordenador dos projetos artísticos do espaço cultural Sala de Giz.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Resistir, uma escolha inevitável na história oculta da arte.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Arte de rua]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Grafitti]]></category>
		<category><![CDATA[Iury Borel]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Iury do Vale Borel</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O que se passa com a arte brasileira agora reflete o momento político, um regime totalitarista incubado, continua colocando a arte contra parede por meio dos novos (ou nem tão novos assim) formatos de censura e criminalização. Música, Literatura, Filme, não importa o suporte, a ideologia que rege o estado conflita com a liberdade de expressão e a arte do povo.</p>



<p>Claramente usada como controle, a censura evita que a sociedade caminhe por campos que alimentam a reflexão e as novas perspectivas sobre a própria humanidade. Existe no censurador uma intenção de ocultar as faces da sociedade, silenciando a crítica direta que a arte faz.&nbsp; Seja de uma forma clara ou discreta, a censura ataca a arte e criminaliza seus agentes para silenciar ideias, o samba e a capoeira viveram grande parte de sua existência considerados crime, vadiagem ou desobediência civil.<br></p>



<p>João da Baiana (1887-1974), por exemplo, precisou de ajuda de um congressista para não ser mais preso nas ruas. Feito pelo senador José Gomes Pinheiro da Fonseca (1851-1915), fã de samba e um dos políticos mais importantes da época, escreveu uma dedicatória no pandeiro de João. Quando era parado pela polícia, o músico mostrava o instrumento com a assinatura. Funcionava como um salvo-conduto.&nbsp;</p>



<p>A postura de criminalizar o samba vai teoricamente até a Presidência de Getúlio Vargas, que passou a valorizar elementos da cultura brasileira para reforçar o nacionalismo, uma de suas bandeiras. Porém, alguns sambistas ainda sofreram com a censura. Músicas que ironizavam o trabalhismo, um dos pilares do Estado Novo, sofreram intervenção.</p>



<p>Em 2018 o diretor de cinema Kleber Mendonça Filho, denuncia a ação do Minc sobre a ordem de devolver todo o dinheiro recebido pelo edital em 2010 para o longa “O Som Ao Redor” que complementou seu orçamento com recursos estaduais advindos do Funcultura (edital de cultura de Pernambuco). Uma regra no edital federal vetava a complementação com outros recursos advindos do Governo Federal, mas não falava nada sobre fontes estaduais, municipais ou da iniciativa privada. As vezes a abordagem do estado atinge a identidade cultural de forma massiva como é caso do funk.</p>



<p>Líder em projetos higienistas, o PSL&nbsp; (partido social liberal) abriga o deputado federal de Minas Gerais Charlles Evangelista, que criou o projeto de lei que pretende criminalizar “qualquer estilo musical que contenha expressões pejorativas ou ofensivas”. O projeto de número 5194/2019 foi apresentado em 2019 e passará por comissões na Câmara dos Deputados. Você pode ler o projeto completo diretamente no<a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2221575"> site da Câmara</a>.</p>



<p>Se formos levar em consideração a<a href="https://gov-rj.jusbrasil.com.br/legislacao/819271/lei-5543-09"> Lei 5.543/09, que define o funk como um movimento cultural e musical de caráter popular</a>, descriminalizar ou acabar com o Funk iria de contra dois de seus artigos: um deles diz que o poder público tem que assegurar a realização das manifestações que envolvem o funk, ou seja, os bailes estão inclusos e acabar com eles é um ato anticonstitucional. Outro artigo da mesma lei ainda proíbe a discriminação contra o funk e seus personagens.</p>



<p>Ainda sim tramitam casos como o de Rennan da Penha, que&nbsp; não foi o único funkeiro perseguido. Antes dele, MC Tikcão, MC Smith e Rômulo Costa também foram perseguidos pela Justiça.&nbsp; Esses são exemplos de um modelo de iniciativa que o governo aborda quando se trata de cultura popular, oriundos das ruas ou das partes periféricas das cidades. Nada tão complexo de perceber e compreender. Resistir é um papel triunfal na arte periférica.</p>



<p>Mesmo com a ideia de uma Arte que seja abrangente à todas expressões que se denominam&nbsp; arte, mesmo que um músico e uma pintora se considerem artistas, ainda sim são minorias&nbsp; dificilmente se verá músicos lutando por causas de pintores ou vice versa. O que quero apontar é a ausência de sentimento de unidade com o corpo de artistas para o fortalecimento da arte em geral. Quem deveria apoiar, tem limitado, quem deveria estar unido, segue em um covarde fortalecimento da situação de opressão das artes periféricas, Cada projeto de artista que participa de circuito de financiamento da arte pelo Governo, reafirmar que o estado pode criar arte e entregar a arte pelo seu modo, o pouco notado, modo de “saneamento” da cultura brasileira, proposto pelo guru ideológico do desgoverno atual, Olavo de Carvalho.</p>



<p>Permita-se uma analogia sobre Orwell em “The Road to Wagon Pier”&nbsp; quando visita locais insalubres de trabalho para registro e documentação da situação:</p>



<p>Aqui estou eu, um típico membro da classe média. É fácil pra mim dizer que quero me livrar das distinções de classe, mas quando tudo que eu penso e faço é o resultado das distinções de classe. l &nbsp;</p>



<p>Projetos como “A Arte em Nossa”, oferecido pela Prefeitura de Vitória no ES tem o caráter de higienização quando declara capaz de julgar as artes que devem estar presentes na cidade, as ações do projeto são: apagar trabalho de artistas de rua e sobrepor com algum projeto de pintura, o famoso “atropelo”. Além da estratégia higienista, Vitória se destaca com uma das multas mais altas do país sobre flagrantes de pichação,&nbsp; R$ 9.007,80. Um caso de destaque foi o do jovem de 13 anos que pintou de batom um monumento cedido a cidade que fica instalado na área nobre. A comunidade denunciou o jovem e a polícia o levou para delegacia por crime ambiental em flagrante. A lei determina que se o infrator for criança ou adolescente, os pais ou responsáveis poderão ser responsabilizados pela infração. Os valores das multas serão integralmente repassados ao Fundo Municipal do Meio Ambiente (Fundambiental).A prefeitura ainda duplica o valor se a pichação for praticado contra grafite, monumento ou coisa tombada em virtude de seu valor artístico, arqueológico ou histórico, ou contra bem público.</p>



<p>Uma das exceções em iniciativas como multiplicidade&nbsp; das arte em apoio próprio da arte maior é a do cinegrafista e repórter Marlon Max que produziu esse<a href="https://www.youtube.com/watch?v=oj6iomEBVJU"> <strong>vídeo</strong></a> que retrata a realidade de que o gosto de arte fica para agentes indefinidos, ou seja, na sociedade de Vitória não se sabe que define o que é ou não arte, fica na mão de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente definir se um graffiti na rua é crime ou não.</p>



<p>Como disse: estratégias novas e nem tão novas assim, mas sempre covarde, pois muitos artistas precisam do recurso público para existir, e o governo em sua sede de corromper entrega para o artista puxar o gatilho contra a arte. Pensar em unir atualmente tem sido uma exigência para se estabilizar diante tantas armadilhas no fazer arte.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p><strong>The Road to Wigan Pier</strong>, George Orwell (1937)</p>



<p><strong>Pixação: arte ou crime?</strong></p>



<p>Marlon Max</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Pixação: arte ou crime?" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/oj6iomEBVJU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Notícia de apoio</strong></p>



<p><a href="http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/05/lei-contra-pichacao-em-vitoria-preve-multa-de-r-9-mil-infratores.html">http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/05/lei-contra-pichacao-em-vitoria-preve-multa-de-r-9-mil-infratores.html</a></p>



<p><strong>Blog Patricio Junior &#8211; Um país que criminaliza a arte enquanto aplaude o crime</strong></p>



<p><a href="https://patriciojr.com.br/um-pais-que-criminaliza-a-arte-enquanto-aplaude-o-crime-kleber-mendonca-filho-minc-9d3d92d439e7">https://patriciojr.com.br/um-pais-que-criminaliza-a-arte-enquanto-aplaude-o-crime-kleber-mendonca-filho-minc-9d3d92d439e7</a></p>



<p><strong>Entenda o caso da prisão do DJ Rennan da Penha</strong></p>



<p>Autor: Gabriela Ferreira</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-kondzilla-com"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://kondzilla.com/m/entenda-o-caso-da-prisao-do-dj-rennan-da-penha/#materia
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>&nbsp;Iury do Vale Borel</strong> é mineiro com formação acadêmica que coexistiu o erudito e marginal, formou-se pichador e desenhista industrial pela Universidade Federal do Espírito Santo, mas prefiro resumir como ativista gráfico. Acredita na arte como meio de transformação e empoderamento do ser e de comunidades. Logo que inserido nos movimentos de arte de rua, buscou o relacionamento do dualismo presente em sua trajetória, coexistir o erudita acadêmico com o grafista marginal. Propulsor e criador de ideias como CinePixo, Oficinas de Tobograffiti e Artefatos da Arte de Rua que propõem uma visão empírica para mostrar as entrelinhas da arte urbana.Descriminalize a arte</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>14. Tudo bem</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[tudo bem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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<p class="has-drop-cap">Abriu os olhos pesarosos com dificuldade. Ao acostumar-se com a claridade entrando pelas frestas da persiana, sentiu no dorso da sua mão esquerda um incômodo. Um robusto pernilongo sugava com deleite e precisão clínica o seu viscoso sangue. Podia ver a cirúrgica agulha natural fincando-se em sua entranha, tornando o bicho ainda mais gordo. Num átimo, com a mão direita, desferiu um golpe certeiro no invasor, esmagando-o e fazendo escorrer pelos seus poros antes limpos o vermelho intenso de seu interior. Esmagado. Sucumbido. Era o seu aniversário. Exatamente há um ano ele perdia alguém que se jogou no abismo. No dia do seu aniversário. O destino lhe entregara, naquele dia, ao final da festa, a notícia de que sua filha havia pulado do 17º andar, mergulhando todos na saudade de seu sorriso largo. Olhou o relógio de cabeceira. Eram nove e vinte e sete. Às dez horas, teria que estar em sala de aula. Professor em fim de período. Inúmeros afazeres. Pequena pausa naquele dia de oximoros. Bilhete da esposa na porta da geladeira, mensagem do filho no celular, a ajudante da casa num sorriso sincero e abraço afetuoso. Por dentro, consumia-se como nuvem que se forma para a tempestade. Só pensava na filha e em suas últimas palavras com ele: “Tudo bem, pai. Vida que segue”. Por que não a ouviu àquela noite? O seu incômodo estava visível, rosto melancólico. Mas ela sempre foi imediatista. Sempre quis tudo ao seu tempo. Os colegas do Departamento tinham preparado uma surpresa. “Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades…”. Um bolo, uma vela com uma enorme interrogação – sua vida ali, exposta para qualquer um. Ele sorria feliz. Adoravam-no. Era um exemplo de superação. Câncer derrotado. Justamente ele que precisava tanto de sua voz. Mas nada disso o abalou. Superou. Só não podia com aquilo. Enganavam-se todos! Em aula, mais uma festa dos alunos, todos queriam cumprimentá-lo, festejá-lo, aninhá-lo. Os votos estavam dados, e a aula retomava a sua linha de raciocínio. Almoço com a esposa, rápido, mas pleno de simbologia. Um beijo terno de anos de amor ininterruptos, felicitações íntimas e discretas. À noite, fariam um pequeno jantar em família. Era um dia cheio. Correu para a reunião do Conselho Universitário, dez minutos atrasado. Regozijaram-se pela presença do decano aniversariante do dia. Seus cabelos brancos algodoados demonstravam o quanto de respeito ele amealhara durante esses anos todos de compromisso. A votação foi dura naquela tarde. No final do dia, uma chuva rala e bafienta atravessou a cidade, molhou seu corpo cansado, sua alma impregnada. Não saía de sua cabeça a imagem dela. Um ano e tudo voltava com muita força, com muita intensidade. O cardápio da noite fora escolhido especialmente para agradá-lo. Vinho tinto chileno cabernet para atiçar o seu paladar, os afagos e palavras doces de mulher e filho. No quintal, sentado em uma cadeira de vime, ao lado de seu labrador, acolhido pela quentura branda da noite, ele pensava. O tempo estava fechado, nuvens carregadas, e uma fenda entre as nuvens denunciava um pequeno facho luminoso, insistente na penumbra. Vida que segue.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>OPORTUNIDADE &#8211; Prêmio para artigos científicos sobre política e gênero recebe inscrições até 2/3</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/concurso-premiara-projetos-com-solucoes-de-arquitetura-e-design-no-complexo-da-mare-2/">OPORTUNIDADE – Prêmio para artigos científicos sobre política e gênero recebe inscrições até 2/3</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A&nbsp;<a href="https://www.abcp2020.sinteseeventos.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=498">Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)</a>&nbsp;e a&nbsp;<a href="http://www.onumulheres.org.br/noticias/premio-abcp-onu-mulheres-de-melhor-artigo-cientifico-sobre-politica-e-genero-recebe-inscricoes-ate-2-3/">ONU Mulheres</a>&nbsp;recebem até 2 de março inscrições para prêmio de artigos científicos sobre política e gênero.</p>



<p>Poderão ser inscritos artigos acadêmicos de caráter teórico ou empírico em Português, Espanhol ou Inglês. A autora ou o autor deve ter filiação à ABCP e estar em dia com sua filiação no momento da inscrição.</p>



<p>O resultado do Prêmio ABCP-ONU Mulheres será divulgado no 12º Encontro Nacional da ABCP, que ocorre em João Pessoa (PB), em agosto. O artigo vencedor receberá ampla divulgação pela ONU Mulheres e pela associação.</p>



<p><a href="http://www.abcp2020.sinteseeventos.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=498">Clique aqui para acessar o regulamento do prêmio.</a></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/premio-para-artigos-cientificos-sobre-politica-e-genero-recebe-inscricoes-ate-2-3/">Nações Unidas Brasil</a></em></strong> <strong><em>em 24/01/2020 &#8211; Atualizado em 24/01/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>É Apenas gente, é apenas mala</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[Aurora Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Aurora Rodrigues</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Cheguei num momento da minha vida que do auge dos meus 25 anos, eu não sei se estou velha e supersticiosa ou esperançosa. Digo isso porque, confrontada com um ano atarefado, mas pouco vitorioso, fui motivada a fazer uma lista de aspirações para esse esperado ano de 20.20. Dentre as comuns que é estudar mais, atividades físicas e emagrecer, está também: ler mais. Pois então, imbuída pelas promessas de ano novo, me deparei com a crônica Auto-retrato de Carlos Drummond de Andrade.</p>



<p>Esse texto trata-se de um monólogo do Espelho, ali transcrito pelo autor</p>



<p>O texto começa assim: &#8220;Diz o espelho.&#8221;</p>



<p>Esse espelho é plenamente digno de estar em algum conto de fadas, ou é descendente daquele da Branca de Neve, pois entrega tudo de quem está diante dele.&nbsp;</p>



<p>Ao longo do texto, se encontram, com um sentimento de terno e amargo, procedente da fama do autor,&nbsp; inúmeras características dele. O texto avança, sem que&nbsp; pessoalmente eu encontrasse algum entrave, até quase no final da crônica. Ali Drummond apresenta uma frase digna de estampar qualquer&nbsp; buteco, e que só nos levam à&nbsp; reflexão depois, quando sóbrios, no texto estamos no auge dos causos da vida escolar do autor, e lemos:&nbsp; &#8220;&#8230; E que não é bacharel em direito,nem médico, nem engenheiro; é gente,apenas.&#8221;</p>



<p>Ser gente.</p>



<p>Ser gente é mais difícil do que ser qualquer outra coisa, porque a gente aprendeu e consegue ser tudo, menos gente.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7c9a9-image.png?resize=275%2C184&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6813" width="275" height="184" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Disponível em: <a href="https://franzidraws.com/">https://franzidraws.com/</a>&nbsp;</figcaption></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A gente sabe ser aluno, professor, escritor, leitor, paciente, médico, pai, mãe, filho, irmão. Mas quando a gente não precisa ser nada disso? A gente se vira por ser gente?</p>



<p>Ser gente é algo tão difícil que me faltam palavras originais para descrever tal fenômeno, tanto que nesse momento eu recorro a uma metáfora, talvez igualmente de buteco, já que é o nosso ambiente familiar deste texto.</p>



<p>Eu tenho impressão de que a gente parte para a vida com uma mala.</p>



<p>E me parece que a primeira vista, que nada tem a ver com a música cantada pela Daniela Mercury, lutamos&nbsp; para enchê-la, a cabeça não se incomoda com a pressão de onde mergulha, os braços não doem, a perna tá boa e a coluna 10\10.</p>



<p>O tempo passa. Muitas vezes a gente nem vê. Outras vezes é tão desesperador quanto assistir o Coelho Branco que passa reclamando do atraso e assim como a Alice, a gente insiste em segui-lo, e iniciamos uma sequência de eventos maluca. E com o tempo, os passos já não são mais tão confiantes, a&nbsp; postura fica incorreta, cansaço e excesso de peso carregado são alguns fatores que podem provocar dores nas costas, e começamos a querer deixar partes das coisas pra aliviar a dor, nesse momento me lembro muito de uma passagem do livro “Se um viajante numa noite de inverno” de Ítalo Calvino, que diz:</p>



<p><em>&#8220;Desfazer-se da mala devia ser o primeiro requisito para que se</em></p>



<p><em>restabelecesse a situação anterior — anterior a tudo aquilo que ocorreu em</em></p>



<p><em>seguida. É nisto que penso quando digo que gostaria de recuperar o curso do</em></p>



<p><em>tempo: gostaria de anular as conseqüências de certos acontecimentos e restaurar</em></p>



<p><em>uma condição inicial. Mas todo momento de minha vida traz consigo um</em></p>



<p><em>acúmulo de fatos novos, e estes, por sua vez, acarretam conseqüências, e assim,</em></p>



<p><em>quanto mais busco retornar ao ponto zero do qual parti, mais me distancio dele;</em></p>



<p><em>embora todos os meus atos tendam a anular as conseqüências de atos anteriores,</em></p>



<p><em>e conquanto eu tenha obtido resultados apreciáveis nessa tarefa, a ponto de</em></p>



<p><em>animar-me com a esperança de um alívio próximo, devo considerar que cada</em></p>



<p><em>uma dessas tentativas provoca uma chuva de novos acontecimentos que</em></p>



<p><em>complicam ainda mais a situação original e que, posteriormente, terei de fazer</em></p>



<p><em>desaparecer. Por fim, preciso calcular muito bem todo movimento para apagar o</em></p>



<p><em>máximo com o mínimo de novas complicações.”</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/085bc-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6814" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Imagem: Travel Jeong Seelgi &#8211; walliapp&nbsp;</figcaption></figure>



<p>Se desfazer a mala não é tomar um paracetamol para melhorar o dor no corpo. É lutar para enchê-la mais, é querendo escolher apagar o ruim, mas pagando uma renúncia&nbsp; pelo bom.&nbsp;</p>



<p>Em 1988, Marcos Valle e Carlos Colla, escreveram e Sandra de Sá registrou no inconsciente mais profundo do brasileiro, tão profundo que até esquecemos, uma música que fala que ninguém sabe a receita de viver feliz. Se partimos de um ponto com mala, é pelo motivo de que tem viagem, caso contrário,&nbsp; seríamos tartarugas, e não gente,apenas.&nbsp;</p>



<p>Existem muitas coisas que pastores, escritores, doutores, vendedores, leitores e espectadores não fazem, mas gente faz. Mala grande é sinônimo de viagem boa, cabe tapete para os pés, cabe caixa de remédios, roupa de frio, travesseiro fofinho, metade espuma e metade sonhos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Aurora Rodrigues</strong> é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>DIMINUTA vastidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O Saara convida para a solidão
Chama ao solilóquio sereno
Estimula a contemplação do mavioso
Fascina as vistas em todos os ângulos
Proporciona ambiente ideal de meditação
Invoca a orar e agradecer
Santifica o silêncio interior na presença da infinita quietude de suas dobras nômades


Entardecer no Saara...
Espetáculo das tonalidades
Brincando cores vivas no manto celeste azul
Os raios solares tateando as dunas por um lado
Penumbradas logo depois das cristas
Luzes e sombras
O homem e sua natureza


A noite no Saara...
Ventos lentos a gelar
A colcha de estrelas bailando ao luar
Escuridão e vazio
O homem e sua busca essencial


Amanhecer no Saara...
O astro rei se ergue no horizonte
Camelos agitam-se dispostos
O ar se aquece docilmente
A vida se apresenta e se move
O homem e sua esperança


As areias do Saara deslizam sempre
Desapegadas flutuam ao sabor dos ventos
Em grupo são o relevo total
Individuais encontram todos os corpos
Dominam o cenário porque se curvam à sua própria natureza
O deserto é o vir-a-ser da criatura</pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong><strong><strong><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> </strong></strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O desmonte anunciado para os anos 2020</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/23/o-desmonte-anunciado-para-os-anos-2020/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2020 18:42:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A metade final da década de 2010 indicou o esgotamento da relação capital-trabalho estabelecida na Europa desde o final dos anos 1980, quando aprofundaram-se os princípios de bem-estar social, atingindo-se pináculos como a renda mínima universal, a legalização do consumo de drogas com fornecimento pelo Estado no sistema público de saúde com vistas à redução dos danos, a moderada abertura das fronteiras para trabalhadores vindos das ex-colônias e dos países árabes próximos. Tal processo mudou a cara dos países europeus, e ganhou réplicas em todas as partes do mundo.</p>



<p>Especialmente na América Latina, onde os anos 2000 foram marcados pelo avanço do modelo de bem-estar gestado na Europa, com iniciativas adaptadas ao contexto social e político local, tais como a inclusão de minorias para o acesso à universidade e aos serviços públicos pelo sistema de cotas, as tardias iniciativas de acolhimento às demandas das minorias, como lei contra a agressão à mulher, em favor do aborto (em certos casos, variando de país para país), em favor do uso do nome social por individuos transexuais etc, e também na parte social, com eficazes programas de redistribuição de renda. A esse último, acompanha o forte papel do Estado e a manutenção de sua atuação como regulador da economia, em grande parte por meio de suas estatais do setor bancário, para facilitar o acesso ao consumo.</p>



<p>O esgotamento desse modelo se deu após a crise de 2008. O diagnóstico inicial, de que se tratava do produto do fechamento das grandes instituições financeiras à massa de três quartos da população mundial (sua esmagadora maioria nos países pobres e emergentes), levou à equivocada previsão de que o decênio seguinte mostraria ao mundo um cenário multipolar, com novos protagonistas mundiais como China, Índia, África do Sul, Turquia, Brasil, Irã, Indonésia.&nbsp; Mesmo nos Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, o governo recém-eleito de Barack Obama rendeu-se às políticas sociais do presidente brasileiro “Lula da Silva” e buscou iniciar, em vão, uma reforma social a partir de um sistema público de saúde. Desses prognósticos, apenas a China conseguiu confirmar seu novo papel político e econômico na cena internacional.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Os motivos pelos quais não ocorreu o indicado pelos analistas é conhecido desde a chamada “Primavera Árabe”, que iniciou o uso das redes sociais como ferramenta de “guerra híbrida ou informacional” para a desestabilização política e econômica dos países emergentes e, desde então, degringolou internamente a maior parte desses potenciais novos “players” da economia mundial. Essa primeira onda de ataque aos países emergentes resultou na ascensão ilegítima de regimes com verniz democrático e viés excludente e autoritário, como em Brasil, Turquia, Itália, Ucrânia, Chile, Bolívia, Equador, ou na estabilização de regimes que se tornaram subservientes ao novo status quo mundial, caso de África do Sul, Índia, México, Egito, Indonésia. Entre outros, em ambas as listas.</p>



<p>O que importa é que, ainda mais diante da ascensão da China e a nova bipolarização da geopolítica mundial, com a chamada “guerra comercial” replicando o cenário e tensões da Europa pré-guerra dos anos 1910, o ataque do capital financeiro foi na contramão do mundo mais inclusivo que se imaginou dez anos atrás. Com o caminho aberto pela estratégia de guerra híbrida das grandes potências, a pressão que começa nos anos 2020 é pela completa fragilização das garantias sociais para maximização dos ganhos da seguridade social privada, concentrada em mãos de bancos, seguradoras e planos de saúde.&nbsp;</p>



<p>Da França ao Chile, o confronto social como resposta à precarização completa da relação capital-trabalho, ante completa ausência de proteção pelo Estado, deu início desde 2018 a mobilizações de rua que tendem à radicalização (não tão incentivada quanto na Primavera Árabe, por óbvias razões), visto que a completude da estratégia do capital financeiro resultaria num cenário para os trabalhadores próximo ao do pré-guerras, isto é, de relação direta entre o trabalhador e a figura patronal, com exígua (ou inexistente) margem para negociação de direitos e qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p>Os anos 2020 prometem uma luta ferrenha e desigual pela manutenção das conquistas das décadas anteriores, com a expectativa de que, apenas com a dinâmica alteração da tessitura das relações políticas e econômicas internacionais, assim como da situação interna dos países, possa haver real reversão do quadro em andamento. O mundo, hoje, gira muito mais rápido que há 20 anos, e é melhor que gire mesmo. Na atual conjuntura, as mobilizações de rua que tomam, sobretudo, a França e o Chile, não darão contas de, sozinhas, mudar o cenário que se desenha para os trabalhadores.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> </strong></strong></strong></strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



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