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	<title>Arquivos Ano 002, N 048 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Lilith: do mito ao mundo &#8211; Exposição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Noé]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Larissa Noé</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/07/lilith-do-mito-ao-mundo-exposicao/">Lilith: do mito ao mundo – Exposição</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right"><em>Artista: Larissa Noé</em></p>



<p class="has-text-align-right" style="font-size:15px"><em>Curadoria e Texto: Bodoque Artes e ofícios</em></p>
</div></div>



<p class="has-drop-cap">Da árvore do bem e do mal, o fruto indesejado do conhecimento condenou Adão e Eva ao exílio do Éden. Diante das dualidades expostas pelo entendimento da bondade e da maldade, reveladas ainda na primeira mordida, eles se perceberam nus e envergonhados.</p>



<p>Ademais da conhecida concepção teológica para a criação do mundo e da humanidade, no imaginário de antigas lendas semitas, encontramos Lilith. A primeira mulher.</p>



<p>De acordo com a lenda, antes de criar Eva da costela de Adão, Deus criou Lilith do pó da Terra. Portanto, <strong>o primeiro homem e a primeira mulher eram iguais em substância. Convocados à existência com a mesma intenção e cuidado pelo Criador.</strong> Por esse motivo, Lilith, reconhecendo que havia sido criada pelo Eterno a partir da mesma matéria prima que Adão, rebelou-se, dizendo: ‘‘Por que devo deitar-me em baixo de Adão? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ele? Contudo, eu também fui feita de pó, e por isso sou igual à ele.’’ Ao denunciar sua revolta, foi admoestada e coagida a se manter obediente à suposta autoridade do primeiro homem. <strong>Por esse motivo, Lilith decidiu, por conta própria, deixar o paraíso.</strong></p>



<p>Em linhas gerais, ao longo da história, o mito de Lilith foi apropriado para criação de diversos arquétipos de subversão e desobediência, que qualificaram a primeira mulher, em diversos casos, como uma figura maligna. Por outro lado, o<strong> ideário moderno permitiu que ela se tornasse um símbolo de mulher independente, que recusa se submeter ao controle dos homens.</strong></p>



<p>Independente das acepções contrárias ou a favor de Lilith, o fato é que <strong>a figura feminina empoderada pelo conhecimento de si percebe, na própria existência, as armas necessárias para sua luta.</strong> E é justamente nos arquétipos próprios daquilo que é feminino que o trabalho da artista Larissa Noé se apropria do mito semita para assegurar a potência poética de seus autorretratos.</p>



<p>Assim como a primeira mulher, conectada ao sagrado pelas linhas de seu corpo e à natureza pelo elo da criação, a artista se apresenta como matéria prima para <strong>conciliação entre o mito e o mundo através da exploração da autoimagem</strong>, em poéticas que demonstram a potência do feminino destituído de apropriações erotizadas.</p>



<p>Entendendo a fotografia como ferramenta capaz de captar o registro do próprio olhar sobre o próprio corpo, Larissa expõe elementos que estavam diluídos em seu imaginário através do acolhimento da timidez, da fragilidade, da delicadeza e da sensibilidade, estabelecendo paralelos entre elementos naturais e as formas do seu corpo. Tais paralelos criam um diálogo sutil entre as possibilidades do corpo e das folhas e plantas como potencialidades estéticas, <strong>buscando, em suas formas naturais, a simbologia para expressar a força da feminilidade</strong>.</p>



<p>Nesse sentido, o processo de libertação de Lilith foi adornado pela delicadeza e plasticidade do corpo que se disponibiliza como suporte para criação artística. Desse modo, o ser natural encontra o ser sensível na exploração das texturas, das formas e dos gestos atraídos pelas linhas em comum de suas identidades. Assim, <strong>a proximidade com o sagrado é reconquistada na medida em que a essência da existência germina no colo feminino, verdadeiro repouso da origem da vida</strong>; lugar de onde emana a potência de uma existência que não aceita qualquer fim que não seja escolhido pela própria vontade.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/217c6-capalilith.png?w=950" alt="" class="wp-image-10050" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/47863-17-4.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10098" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/119b5-01.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10099" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/b0837-02-2.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10100" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/174be-captura-de-tela-2020-06-07-acc80s-19.21.54.png?w=950" alt="" class="wp-image-10186" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/ed92b-03-2.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10102" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/df0c6-05.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10103" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f3caa-10-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10104" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/25009-19.certa_.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10193" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de86a-captura-de-tela-2020-06-07-acc80s-19.30.59.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10189" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f1b8f-captura-de-tela-2020-06-07-acc80s-19.18.31.png?resize=487%2C729&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10180" width="487" height="729" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:138px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Larissa Noé </strong>é formada em Bacharelado Interdisciplinar  em Artes e Design pela Universidade Federal de Juiz de Fora. É atriz e fotógrafa amadora, se considera uma artista entusiasta em constante experimentação nos diversos campos artísticos.</p>



<p><strong>Curadoria livre: </strong>Projeto de apoio a artistas na quarentena criado pela <a href="https://www.instagram.com/artebodoque/">Bodoque</a> para viabilizar a exposição de obras de artistas virtualmente através da Revista Trama.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/dbe79-nana2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10116" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Pintar na Rua: Nome que nos dão e o nome que nós, Damas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Chama.Amanda]]></category>
		<category><![CDATA[graffiti]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Chama.Amanda</p>
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<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"><div class="wp-block-group__inner-container"></div></div>



<p class="has-text-align-center"><em><strong>Hoje, vamos jogar damas. </strong></em> </p>



<p class="has-drop-cap">O primeiro passo é descobrir que tudo o que você ouviu até aqui é sim porque você nasceu com &#8220;isso daí&#8221; no meio das suas pernas. As diferenças que você não conseguia explicar; os sentimentos que você não conseguia entender. As roupas que você queria usar e não podia; a pessoa que você admirava mas não podia. Os olhares que você queria mas não recebia; os jogos que você queria jogar e não eram para você. A desconfiança no olhar. As vezes que te questionaram sobre a autoria daquele trabalho, daquele desenho ou daquela maquiagem. O &#8220;não quero ouvir&#8221;, &#8220;é agora que tem que ser&#8221;, &#8220;você acha que você se manda?&#8221;, &#8220;você não pode usar isso&#8221;, &#8220;seu cabelo precisa estar do jeito tal&#8221;, &#8220;e essas unhas, não vai fazer?&#8221;. Quem já viveu, sabe.</p>



<p>As horas que você perdia esticando o cabelo e tendo os bifes arrancados dos dedos. Sua pele era fininha&#8230;muito sensível. Já doía; e ainda dói. Os sentimentos que você não conseguia saber de onde vinham. Lembra? Eles vieram dos canais por onde passaram todas as pessoas que chegaram a este mundo. Isso mesmo, por onde passaram todas as pessoas que chegaram a este mundo.</p>



<p>Já parou pra pensar no esforço que você faz pra caber em um molde que não foi feito pra você? Da mesma maneira, descobrir quem é você não é o mesmo que modelar a outra, mas entender o que cabe ou não em si; e que cada &#8220;si&#8221; vai ter seu próprio jeito. O senhor sociedade tem muitos padrões, sabemos. Muitos jeitos de dizer o que você deve ou não fazer. Muitos patrões. Muitas propriedades e aprovações.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a2320-foto-1-ione-reis-chama.amada-e-camz.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10090" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Ione Reis, Chama.Amanda e Camz</figcaption></figure>



<p>Mas, por hoje, vamos jogar damas.&nbsp;</p>



<p>Seja você, a sua prioridade e propriedade.<br>Fomos formadas naturalmente para dar a luz.<br>Nossas mãos facilitam nascimentos, há gerações e naturalmente.<br>A massa, a planta, a voz, a casa, a roupa, a carne, as crianças.<br>Mas, em algum momento, fomos colocadas em tabuleiros, como peças.</p>



<p>Eu resisto e escrevo para que nossas mãos continuem sendo ferramentas de trazer presentes, partes de nossos corpos em luta pela nossa libertação. E quando eu escrevo, <strong>libertação é sobre conhecimento. Sobre acesso. Sobre democracia. Sobre poder ser, existir e viver</strong>.</p>



<p>Podemos ser nós, fora deste texto? O que nos é permitido carregar como ferramenta e quais nos foram retiradas socialmente para manter o padrão desejado pela natural-ordem e progresso? A arte, para mim, se configura como um lugar de existência e voz &#8211; ao lado, junta e misturada com muitas outras vozes. Diversidades.</p>



<p>Na sua casa, você pode mesmo ser quem você é?</p>



<p>Quando você está na rua, você sente mesmo que pode ser quem você é?</p>



<p>Você sente que pode usar a roupa que quiser, desenhar o que quiser, e estar lá a hora que você quiser? Você se sente segura estando sozinha ou em um grupo de apenas mulheres?</p>



<p>Do que você tem medo?</p>



<p>O corpo da mulher é visto culturalmente como algo público &#8211; que pode receber toques e palavras de qualquer ordem, tentando direcionar o que é melhor para nós fazermos ou sermos. Nós, da pintura feita na rua, não falamos de um outdoor, de uma empena. <strong>Nós falamos durante a pintura, em pintura, na escrita e no desenho. Em corpo presente &#8211;&nbsp; atente-se. </strong>Desde muito cedo, eu fui orientada sobre tomar cuidado com o que poderia acontecer comigo na rua se eu andasse sozinha; e o que significa ser uma criança e caminhar sozinha sendo uma criança-menina? Eu não entendia direito, mas era pra ficar subentendido. Será que os homens recebem orientações para não violentar na mesma intensidade que nós, mulheres, recebemos orientações para estarmos atentas e não sermos violentadas? Hoje, ocupar esse mesmo espaço, com outra consciência, ainda me faz voltar ao que eu vi, ouvi, vivi, vivo e continuo a alertar.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/1f07f-foto-2-kika-carvalho-chama.amanda-pcga-nana.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10091" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Kika Carvalho, Chama.Amanda, PCGA e Nana</figcaption></figure></div>



<p>Mas, por hoje, vamos jogar damas.</p>



<p>O que é ser uma mulher pintando na rua?</p>



<p><strong>Ser mulher pintando na rua é ter a oportunidade de dizer como &#8220;qualquer outra pessoa&#8221; o que ela tem a dizer</strong>. Não somos apenas &#8220;um brilho&#8221;, &#8220;um charme&#8221; nas apresentações artísticas, como já ouvi da boca dos amigos produtores &#8211; esse discurso invisibiliza o que temos a dizer e foca em nosso corpo, mais um vez. O que as mulheres estão dizendo em suas pinturas? Quais são os temas de seus trabalhos?</p>



<p>A arte que aprendemos na escola é uma arte intocável, inquestionável, bela e feita para ser admirada. Por quem era feita, onde estava alocada? Qual a relação que isso tem com sua inquestionabilidade? Bom, hoje, o ser que teve um diagnóstico social de inferioridade por meio do que trazia entre as pernas está fortalecida mentalmente e conseguiu escrever e dizer que não é tão simples assim. Que não é só pegar uma lata, ir pra rua e magicamente será abraçada. Não é tão romântico assim. Vale experimentar e ouvir por si mesma. A arte pode ser também uma experiência que expõe seus riscos. Para nós, mulheres, a arte expõe seus riscos. Então, mulher, exponha os seus riscos. Ocupar qualquer espaço de fala, para nós, sempre trará um questionamento em si &#8211; fomos criadas para ouvir e obedecer, de olhos e cabeça baixa. Então, firme-se ao ocupar um espaço de pensamento, de articulação, de poder, que foi pensado ocidental e culturalmente por e para homens colonizadores e progressistas. Firme-se ao ocupar a rua como você decidiu ocupar. Lembre-se de quem é e de todas as orientações que ouviu antes de chegar na rua.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/36307-foto-3-fenix-shiki-chama.amanda.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10092" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Fenix, Shiki e Chama.Amanda</figcaption></figure></div>



<p>Eu queria muito pintar as minhas unhas hoje com as mulheres que eu gosto ao meu lado. Mas, por hoje, vamos apenas jogar, damas.</p>



<p>Se faz ainda necessário dizer: leia o trabalho &#8220;das minina&#8221;. Estamos escrevendo há um tempo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/29214-foto-4-chama.amanda-e-thais-apolinario.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10093" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Chama.Amanda e Thais Apolinário</figcaption></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Chama.Amanda (Amanda Brommonschenkel)</strong> é artista, comunicadora e educadora social. Trabalha com pintura, desenho, tatuagem, escrita e intervenções urbanas por necessidade de existir e lutar pelo que é e acredita. Estuda artes, culturas, territorialidades, diversidade, políticas públicas e direitos humanos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/naia_nastasia/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/1ca10-naia2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10128" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Editorial &#8211;  Arte e posicionamento político</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[minneapolis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/07/editorial-arte-e-posicionamento-politico/">Editorial –  Arte e posicionamento político</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Dias atrás, recebi uma mensagem de uma seguidora dizendo que marcas não deviam se posicionar politicamente. Segundo ela, a admiração que fazia com que ela fizesse propaganda dos produtos artísticos de nossa instituição cultural arrefeceu após a abertura de espaço para o debate político. Segundo ela, posicionar-se implica em afastar &#8220;o outro lado”.</p>



<p>Pois bem, nesse sentido, acho que cabe uma resposta pública ao recorrente imbróglio, visto que já sofremos ataques anteriormente e, certamente, sofreremos muitos outros ainda.</p>



<p>Em primeiro lugar, não somos uma empresa ou uma marca. Somos uma Instituição Cultural. E em tempos de cólera, a Cultura, a arte e a classe intelectual se levantam para apontar as agruras da vida em sociedade através do pensamento crítico.&nbsp;</p>



<p>Basta olhar, à luz da historia cultural, como se deram esses levantes, denunciando abusos políticos, fissuras sociais, os horrores da guerra e o messianismo barato de políticos que flertam descaradamente com ideologias nazifascistas. De Picasso a Banksy.</p>



<p>No ponto em que estamos no espectro político internacional, &#8220;o outro lado&#8221; demonstra desapreço pela vida humana e completo desrespeito com as instituições democráticas.</p>



<p>Por esse motivo, como estudiosos que somos por formação e por convicção, atuando como pesquisadores no âmbito acadêmico, sabemos bem como a história lembrará dos tempos em que vivemos. Mais do que isso, sabemos como surgem regimes autoritários e como se dão esses processos no âmbito social, político e econômico. Sendo assim, podemos dizer, com tranquilidade, que nos orgulhamos muito de apoiar iniciativas como a revista Trama que, através de seus autores, contribui para a qualificação do debate político através da produção de conhecimento.&nbsp;</p>



<p>E só pra deixar bem claro, para que não haja qualquer margem para dúvidas ou interpretações dúbias: esse &#8220;o outro lado&#8221;, ao qual ela se referiu, insiste em banalizar a morte de mais de 35 mil brasileiros vitimados pela pandemia, deixando o cargo de ministro da Saúde em vacância por mais de 20 dias (lembrando: durante a maior crise sanitária da história recente da humanidade). Incentivando a quebra do distanciamento social (única medida comprovadamente eficaz contra a proliferação do vírus, adotada em TODOS os países que registraram casos). Recomendando o uso de medicamentos sem eficácia comprovada cientificamente (inclusive, indo contra estudos que indicam efeitos colaterais que podem ser letais e orientações e diretrizes dos órgãos internacionais de saúde). Participando ativamente de manifestações antidemocráticas e supremacistas, provocando aglomerações. Avançando diariamente na redução da transparência das informações sobre a crise de saúde através da ocultação de dados e dificultando o acesso à informações oficiais sobre a pandemia no país.</p>



<p>Além disso, esse &#8220;outro lado”, ao qual ela se referiu, inunda as redes na internet com informações falsas e distorcidas, tendo como objetivo manter seu projeto de poder. Isso sem considerarmos o uso do aparelhamento da Policia Federal para interesses próprios e para proteção familiar. Nem a distribuição de cargos com orçamentos bilionários para figuras conhecidas como Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto, ambos condenados por corrupção. Nem a relação, publicamente conhecida, com milícias do RJ, diretamente relacionadas ao assassinato de Marielle Franco e Anderson. Nem o empregamento de funcionários fantasma desde os tempos de vereador. Nem o superfaturamento de notas fiscais ao longo de mais de 27 anos, enquanto ocupava o cargo de deputado. E sem considerar nem mesmo aquilo que é o principal para nós: o completo desprezo pela Cultura, pela Educação e pelo conhecimento.</p>



<p>Portanto, que fique claro: se existe uma rachadura no chão nos dividindo nesse sentido, ficamos felizes e seguimos com a consciência (e as mãos limpas) por &#8220;estarmos do lado de cá&#8221;. Afinal de contas, como diz o célebre texto de Dias Gomes: <em><strong>&#8220;Há um mínimo de dignidade que um homem não pode negociar. Nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol&#8221;.</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/renatadore/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/5257f-dorea2-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10119" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Fonte, só vale se for a da juventude</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O que o ser humano mais parece buscar é uma fonte de vida eterna, ou algo que prolongue ainda mais os seus dias; mas para ganharmos medicamentos e as tecnologias que nos proporcionam, hoje, curar ferimentos e outras enfermidades, vidas foram esvaziadas.</p>



<p>Durante a história, os sacrifícios foram feitos para a manutenção das figuras poderosas e quase divinas que alcançaram um poder social. Tais figuras político-celestiais se aproveitavam dos momentos para perpetuarem a ideia de um mito poderoso, que precisaria do esforço (sacrifício) comum para resolver o problema.</p>



<p>O feito maior era deles: o de aglutinar pessoas.</p>



<p>Mas isso não tem muito a ver com meu pensamento para o texto hoje. Eu estou mais preocupado com o novo mito da fonte da juventude.</p>



<p>O primeiro ponto é que me preocupa a FONTE FANTASIOSA do “estou pesquisando alguns autores que dizem X” ou o “pesquisei num site Y”; busca essa que se resume aos dois primeiros links do google e, pra não parecer preguiçoso, o <em>pesquisador moderno</em> abre a terceira página de resultados &#8211; apenas para ampliar o argumento e o trabalho de construir um pensamento.</p>



<p>Achar uma fonte da juventude é difícil; achar uma fonte para um debate que for, também é. Talvez não tão difícil quanto, mas dá um certo trabalho conhecer autores e entender suas motivações. Porém, parece que isso, ainda assim, é simples e fácil para os <em>pesquisadores modernos</em>.</p>



<p>Outro ponto que me preocupa é a construção quase divina que nosso presidente eleito faz de sua jovialidade.</p>



<p>Eu amo uma conspiração, e vou dizer: se o meme com o Michel Temer já era uma associação malévola (nada contra a Malévola, diva do cinema que eu, particularmente, gosto muito), a característica que o tal “<em>MITO</em>” ganha é a de um ser que necessita de sangue para viver, um verdadeiro vampiro &#8211; mais vampiresco que o próprio Temer, que, visualmente, era a vítima perfeita do meme. Sangue tem sido exigido para que seu &#8220;porte atlético&#8221; se torne a propaganda perfeita contra a tal &#8220;gripezinha&#8221;.</p>



<p>Segundo o Hemominas, uma pessoa possui em média de 5 litros de sangue. Até o momento em que o presente texto foi escrito, 36.044 pessoas vieram a óbito pelo COVID-19 &#8211; o que daria, aproximadamente, 180.220 litros de sangue (se todos tivessem a mesma quantidade de sangue).</p>



<p>É um ritual místico que dá forças para seguir manipulando os seus lacaios.</p>



<p>Ao que parece, o #ForaTemer foi igual jogo de RPG: matamos o mensageiro para lidar com o chefão que exigia tantos sacrifícios. A sensação é que vamos precisar elevar o nível de nossas capacidades para determos o “MALAMÉM”<sup>1</sup>.&nbsp;Me parece que a fonte de poder de nosso “MALAMÉM” está no sangue de inocentes.</p>



<p>O caráter místico segue a onda de domínio graças ao apoio de diversos líderes de algumas estruturas religiosas estabelecidas em nosso país.</p>



<p>Sanguessugas buscam poder, dinheiro e &#8220;segurança&#8221; para seus reinos espirituais, como se houvesse uma sede, uma necessidade de o defenderem de algo maior.</p>



<p>Não faz sentido, por exemplo, um cristão achar que um governo &#8220;comunista&#8221; o privaria de professar sua fé. Isso tudo soa mais como uma falta de fé no seu deus, visto que o princípio regulador da sua salvação final está atrelado a ideia de perseguição, sofrimento e morte.</p>



<p>A falta de fé do crente é perturbadora, gera uma opressão aos demais grupos religiosos e os tornam perpetuadores do seu &#8220;Apocalipse&#8221; com outros personagens. Nesse caso, as vítimas no Apocalipse seriam as pessoas que professam outra crença, dentro do cristianismo e fora dele. O cristão brasileiro então, no fundo, parece não crer em sua própria fé; vive em busca de uma fonte da juventude, anula o caráter básico da sua crença que é o plano de salvação e a restauração de tudo. É por isso que a fonte da juventude é a alusão perfeita: no lugar de um Deus de AMOR, vemos pequenos deuses buscando uma eternidade e domínio às custas de vidas inocentes, da liberdade de expressão e da igualdade entre todos os indivíduos.</p>



<p>Esse é um desabafo de alguém que está cansado; chorando pelos amigos que ficaram pelo caminho, pelos desconhecidos de mim, mas conhecidos de outros, que se perderam na fonte da juventude atlética do nosso governo FASCISTA!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><sup>1 </sup>A referência é uma piada:&nbsp; a professora pergunta aos alunos sobre o que eles mais temem. Um fala da mula-sem cabeça, outra fala do bicho papão, e todos esses a professora desmente a existência. Chegando a vez do Joãozinho, ele fala que tem medo do “malamém”. A professora, sem entender, o pergunta quem é esse sujeito; o Joãozinho então a explica que a mãe, ao orar, diz assim: “mas livra-nos do malamém”.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/renatadore"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/c4be9-dorea1-2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10130" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Atômica &#8211; Bissexual e Protagonista no Cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Ezidras Farinazzo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Viola Davis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ezidras Farinazzo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>A construção de personagem além do estado de aparência.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Começo dizendo que a bissexualidade é uma orientação sexual válida &#8211; o que é necessário, visto que ela só passou a fazer parte oficialmente da sigla LG<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.lgbt.pt/sabe-o-que-e-ser-bissexual/" target="_blank">B</a>T+ em 2005 e ainda é amplamente invalidada.  Com isso em mente, argumento que personagens bissexuais são um ponto de partida tão bom quanto personagens que expressam qualquer outra orientação para falarmos de outras formas de representatividade no cinema, ainda mais quando o personagem é uma mulher bissexual. </p>



<p>Pensamos sempre em grandes arcos dramáticos e muitos adjetivos quando estamos criando um personagem, isso é fato. Mas&nbsp;<strong>o que a sexualidade pode falar sobre este personagem?</strong>&nbsp;O que sua representação visual e sentimental fará com o espectador? Para refletir sobre isso, utilizarei o exemplo do filme Atomic Blode (2017) e sua protagonista.</p>



<p>Antes de continuar a leitura, recomendo assistir ao trailer para evitar spoilers:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Atomic Blonde -  Official Trailer #2 [HD]" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/yIUube1pSC0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Em&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.imdb.com/title/tt2406566/" target="_blank">Atômica</a>,&nbsp;temos uma construção de personagem muito complexa emocionalmente – uma personagem esférica. Uma espiã, de personalidade forte, heroína de si mesma (como muitas mulheres reais), cuja sexualidade vai sendo trabalhada ao longo da narrativa. Por uma boa parte do filme, temos uma sensação de que ela é heterossexual (pressuposto gerado pelas bases compulsoriamente heterossexuais em que vivemos), através de um arco emocional muito equilibrado. Ela é construída nos parâmetros de uma personalidade sedutora, altamente sexualizada. Lidando com seus amores e frustrações em meio a uma guerra,&nbsp;Atômica&nbsp;mostra uma atitude para cada lado de sua bissexualidade que não se vê e nem se entrega em porcentagem. Atingindo diretamente seu jeito de ser e agir, a atriz&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.imdb.com/name/nm0000234/?ref_=tt_ov_st_sm" target="_blank">Charlize Theron</a>&nbsp;consegue de forma sutil mostrar essas diferenças/surpresas ao espectador com uma atuação convincente e muito bem preparada, o que faz de Atômica um filme envolvente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/0e7e8-0.png?w=950" alt="" class="wp-image-10003" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Mas como a sexualidade de uma personagem, de forma tão subjetiva, pode ser decisiva para a história do filme? Ora, a forma que o personagem se dirige ao mundo (aqui me refiro ao mundo criado) vem de seu interior, que é gerado pelo seu criador “Deus” (dono da história e todos os seus acontecimentos), movendo assim toda a história não apenas pela sua sexualidade mas pelas hipóteses mil geradas por uma característica que transcende o ser psicológico e imaterial. Esse personagem se expressa e age a partir de sentimentos e emoções; portanto, todas as informações psicológicas de um personagem interferem em sua caracterização, em suas motivações e em suas ações, consequentemente mudando os rumos da narrativa, suas estéticas e a própria forma absorção da história pelo espectador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Importância de Mulheres Bissexuais no Cinema</strong> </h3>



<p>A bissexualidade é uma das letras mais apagadas no meio&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://super.abril.com.br/blog/superlistas/4-fatos-que-voce-deveria-saber-sobre-a-bissexualidade/" target="_blank">LGBT+</a>&nbsp;por ser mal interpretados tanto em seu próprio meio quanto também fora dele. Sua invisibilidade se agrava com a ausência de representações, e casos como Atômica servem como ferramenta para tornar essa letra mais visível.</p>



<p>É importante ressaltar que, apesar de ser uma representação, o que é positivo, a representação bissexual construída em Atômica ainda não é a ideal. Alguns dos estereótipos construídos em cima da identidade bi são as questões da hiperssexualização e sedução &#8211; que são partes exploradas na personagem, mas não chegam nem perto de serem características aplicáveis a todas as pessoas bissexuais.</p>



<p>Atômica serve à representatividade bi, e também serve à representação feminina no sentido de construir uma personagem forte e independente. A própria Charlize Theron afirma, em entrevista sobre o filme ao <a href="https://www.facebook.com/watch/?ref=external&amp;v=1604501632944726">&#8216;Now, This&#8217;</a>:</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;This is really what women are. We are more interesting then I think cinema sometimes allows us to be.&#8221;&nbsp;</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Uma personagem como&nbsp;Atômica&nbsp;reforça a importância de mulheres protagonistas e suas diferenças perante os demais filmes que caem em representações heteronormativas. Sua existência também contribui para a construção de novos laços entre criador e espectador, gerados por um simulacro de identificação &#8211; que é responsável por estimular a busca por novos caminhos de se criar personagens que trazem sua sexualidade enquanto traço presente, mas que não reduz ou define uma personalidade. Personagens em que sua sexualidade agregue valor a uma representação esférica, com todas essas formas de se expressar, agir e interagir com seu espectador &#8211; seja ele representado ou não por elas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Ezidras Farinazzo</strong> é professor, mestrando em Artes, Cultura e Linguagem na UFJF e  Co-Founder do estúdio de animação El Torito Studios. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/monicakeart"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a5f57-monicake.png?w=950" alt="" class="wp-image-10132" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Museu Nacional celebra 202 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[museu nacional]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Confira ações de reconstrução e restauração em curso</em></p>



<p class="has-drop-cap">Importante instituição cultural, acadêmica e científica brasileira, o Museu Nacional/UFRJ celebra 202 anos amanhã (6) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) é parceira nas comemorações.</p>



<p>Hoje (5) acontece o webinário “Museu Nacional 202 anos: [re]construindo horizontes”, que vai apresentar os principais projetos e atividades que estão sendo realizadas para a reconstrução do Museu, atingido por um grande incêndio em setembro de 2018.</p>



<p>A primeira parte do evento virtual contou com a participação da Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, e foram compartilhados os avanços da iniciativa “Museu Nacional Vive”, estabelecida por meio de uma cooperação técnica entre a UNESCO, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Vale. A iniciativa aporta recursos, esforços e habilidades técnicas para garantir a reconstrução e a restauração do Paço de São Cristóvão e seu anexo; a preparação do Palácio para receber a nova museografia; a reforma da Biblioteca e do Horto Botânico; e a implantação de um novo campus acadêmico, anexo à Quinta da Boa Vista.</p>



<p>A segunda parte do encontro terá início às 16h e vai apresentar as ações em andamento para a recuperação de acervos e também os planos para as novas exposições do Museu.</p>



<p>Toda a programação será transmitida pelo&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/museunacionalufrjoficial">canal do Museu Nacional no YouTube</a>&nbsp;e o público poderá interagir com os convidados enviando perguntas, via chat, ao longo do evento.</p>



<p>Webinário “Museu Nacional 202 anos: [re]construindo horizontes”</p>



<p>Sexta-feira, 5 de junho<br><strong>11h – Apresentação do projeto Museu Nacional Vive</strong><br>Marlova Noleto – Diretora e Representante da UNESCO no Brasil<br>Denise Pires de Carvalho – Reitora da UFRJ<br>Hugo Barreto – Presidente da Fundação Vale<br>Alexander Kellner – Diretor do Museu Nacional/UFRJ</p>



<p><strong>16h – Acervos e exposições: perspectivas para um novo museu</strong><br>Thaís Mayumi – Museóloga do Museu Nacional/UFRJ<br>Marcelo Araújo – Representante da Sociedade Civil no Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive<br>Alexander Kellner – Diretor do Museu Nacional/UFRJ</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/57455-image.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10019" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil/Tomaz Silva</figcaption></figure>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/museu-nacional-celebra-202-anos-e-apresenta-acoes-de-reconstrucao-e-restauracao-em-curso/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 05/06/2020 &#8211; Atualizado em 05/06/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/naia_nastasia/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/e766a-naia1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10135" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>26. Mal-Estar na Memória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-drop-cap">Não sei como me convenci a escrever esse conto. Meus dedos me doem muito. A velhice já não me deixa mais em paz. A vantagem é que ainda não preciso de ninguém para trocar minhas fraldas geriátricas, não obstante ainda não as use. O Tempo me consome a cada segundo de meus minutos, não tenho punho nem para forçar o lápis contra o papel, muito menos para girá-lo dentro de um afiado apontador. Eu não gosto de computador. Essas tecnologias não me atraem. Além do mais, a única energia que se consome quando escrevo é a minha. Fico satisfeito com isso, e o meu bolso também. Eu não sou um velho sovina, apenas me previno para os tempos difíceis que a vida nos impõe. Tendo essa virtude, quem sabe consigam me comprar um caixão polpudo e bem resistente. Acaso me recrimine, é porque nunca sonhou sendo corroído pelos vermes que estão me esperando lá, sob a terra. Um caixão firme me manterá mais tempo carne e menos ossos, porque inevitavelmente passados alguns anos serei apenas uma ossada sorridente.</p>



<p>Falemos de coisas mais palatáveis, afinal de contas a Morte já se regozija muito com as nossas angústias diárias em torno Dela. Nunca fui muito academicista em minha vida, acho certas formalidades e algumas linguagens em torno da rigidez acadêmica um tanto quanto exageradas. Minha formação vem dos livros, e as minhas ideias também. Sempre que me surge algo original a ser dito, escrevo em um caderninho vermelho que tenho, chamo-o de “caderno de apontamentos para futuras manifestações artísticas”. À medida que vou lendo uma coisa aqui e outra ali, risco algumas de minhas ideias originais, pois percebo que ela não é tão original assim. Pois bem, há alguns anos estava em uma palestra na qual se discutia algumas questões em torno das teorias de Sigmund Freud. Modéstia à parte, já li bastante coisa dele. Veio-me à cabeça um fato interessante (e ao mesmo tempo estranho, ou <em>unheimlich</em>) que aconteceu em minha infância. O caso exige concentração e austeridade; me ausentarei de minhas incursões, pelo menos até o final desta história.</p>



<p>Cidade do interior. Domingo. Manhã clara e benfazeja (como diriam os poetas). Fui acordado por meu pai. Senti-me aliviado, estava tendo um pesadelo medonho. Lembro-me que suava muito.</p>



<p>&#8211; Acorde. &#8211; disse meu pai. &#8211; Te espero na cozinha.</p>



<p>Levantei-me, esfreguei os olhos com força para ver se desanuviava completamente aquelas impressões do pesadelo. Menino de 10 anos com vontade de dormir. Para meu pai, não existia isso. Somente o ar e a beleza da manhã que deviam ser aproveitados ao máximo. Fiz minha higiene e segui o cheiro do café. Meu pai estava circunspecto, não obstante sereno. Arrastava os chinelos, ainda com aquela preguiça me solapando. Meu pai, com uma xícara de café na mão, soprando o seu conteúdo, diz gravemente:</p>



<p>&#8211; Vá ao meu consultório. Pegue a máquina que está lá na estante.</p>



<p>&#8211; Pra quê? &#8211; disse eu.</p>



<p>&#8211; Apenas faça.</p>



<p>Fui até lá sonambulando e voltei com a máquina de escrever a me pesar. Já não arrastava mais os chinelos.</p>



<p>&#8211; Coloque-a aí em cima da mesa.</p>



<p>Obedeci.</p>



<p>&#8211; Agora pegue uma folha em branco e coloque na máquina.</p>



<p>&#8211; O que que foi, pai? Por que essa cara?</p>



<p>&#8211; Meu filho&#8230; venha, tome café. </p>



<p>Ele foi ao fogão, fritou um belo ovo para mim.</p>



<p>Gosto de ovos fritos com gemas duras. Tomei café e comi pão com ovo. Estava delicioso. Já podia segurar com firmeza os chinelos nos meus pés.</p>



<p>&#8211; Você está aprendendo a datilografar, não está?</p>



<p>&#8211; Tô&#8230;</p>



<p>&#8211; Isso é bom, meu filho, muito bom.</p>



<p>Ficamos calados bebendo café. Meu coração estava a mil. O relógio da sala pendulava com calma.</p>



<p>&#8211; Eu vou me matar.</p>



<p>Tic-tac, tic-tac&#8230;</p>



<p>&#8211; E preciso da sua ajuda. </p>



<p>Meus olhos tremeram. Só conseguia olhar para a máquina de escrever.</p>



<p>&#8211; Vou me jogar na frente do primeiro carro que encontrar na rua. Só restará um corpo caído no chão. Antes quero deixar uma carta datilografada por você e assinada por mim. Ande! Vá até lá e escreva. Vou cantar as pedras.  &#8211; disse num misto de ironia com sarcasmo. &#8211; Você não me ouviu?</p>



<p>Fui até a máquina, sentei-me à sua frente. Meus olhos já não tremiam.</p>



<p>&#8211; Escreve aí: “Eu, Lúcio Fernando Viera&#8230;” </p>



<p>À medida que ia escrevendo, perdia uma parte de meu pai. A cada letra, a cada palavra que surgia no papel branco, lá se ia braço, perna, orelha, olhos, tronco dele. Ele exauria pouco a pouco, assim como as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Assim que terminou de ditar, cobrou-me o papel e o assinou com sua caneta de ouro e suas inicias LFV.</p>



<p>Fomos à rua. Como já havia dito, cidade do interior, pouco movimento, principalmente aos domingos de manhã. Apenas o cantar dos galos e o sarará dos passarinhos. Alguns minutos já haviam se passado quando avistamos um carro vindo pela rua. Estava a quarenta por hora.</p>



<p>&#8211; Não, esse não, eu preciso de um caminhão. Se me jogar na frente desse, o máximo que me acontece é quebrar alguma parte do corpo. Darei mais trabalho do que se estivesse morto. Assim eu não quero.</p>



<p>Passamos por uma mercearia. Nela havia pão. Meu pai comprou alguns. Parleou bastante com o dono, parecia ser seu paciente. Acho que sofria de diabetes. Ao voltarmos, avistamos um caminhão seguindo pela rua. Tive ânsias de vômito. Ele parou uns cinco metros antes de passar por nós. Meu pai olhou para mim e deu o seu sorriso mais alvo. Ao chegarmos em casa, tomamos outro café, agora com pão fresco. Disse-me, limpando a boca suja de margarina:</p>



<p>&#8211; Quer saber de uma coisa? Rasgue aquela carta. Não quero mais morrer. Deixarei que o destino se incumba disso.</p>



<p>Corri à gaveta onde havia guardado o papel e o rasguei em pedacinhos. Não satisfeito, joguei os fragmentos na privada e dei descarga. </p>



<p>Olhei para o meu pai. Nunca o tinha visto tão bonito. Tive uma sensação estranha, parecia estar vendo um fantasma. Estava de preto, vestido de luto. Abracei-o forte, feliz e comovido. Sentia suas carnes e pressentia seus ossos. Mas para mim ele era um espectro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:35% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/03666-darlan-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8077" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/p_arte__/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/569f5-tata1-2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10137" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Oceano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Chuvas de verão austral e inverno boreal
Um olhar à esquerda endireita o coração
Conversas, lenços, sonhos e palpitação
Cândido brota um amor transcendental


Interpola o Atlântico tão vasta lonjura
Poseidon indiferente se ri da conjuntura
No peito se agita uma vontade soberana
Cruza águas a encontrar bela tropicana


Hoje unidos pelo majestoso Pacífico
Palmeiras praias imensidão de azul infinito
Afeto suave sincero sereno... bonito!


Universo aquático assaz idílico
Símbolo perfeito de tão bem querer:
Profundo, forte, meigo, sempre a crescer!</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/3605e-gabriel-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8111" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p>
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		<item>
		<title>Você lembra?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/07/voce-lembra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[entre nossas linhas]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=10013</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Lembra, antes de tudo,
da última cerveja que tomou?
Lembra, antes de tudo,
da doce melodia das risadas amigas?
&nbsp;
Lembra, antes de estar em uma gaiola,
da última vez em que a abraçou?
Lembra, antes de trancarem as portas,
da última vez que sentiu o vento em seu rosto?
&nbsp;
Lembra quando era solto como um pássaro?
Lembra quando podia cantar tuas palavras por aí?
Lembra do doce sabor daqueles lábios?
&nbsp;
Espero que durante tamanha solidão
lembre daquele ombro amigo que sempre esteve ali
E tu nunca esteve nem aí
&nbsp;
Espero que após tamanha solidão
dê valor a todos os abraços que virão
A todo amor que te darão
&nbsp;
Espero que após tamanha solidão
seja dado o devido valor aos (rasos) encontros,
Que olhe ao próximo com mais compaixão,
que abrace como se fosse a última vez
T O D A&nbsp; V E Z</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Entre Nossas Linhas</strong>&nbsp;</strong>é uma projeto criado por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio. Siga no<a href="http://instagram.com/entrenossaslinhas"> Instagram</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/p_arte__/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/cd904-tata2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10142" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Quatro Odes a Ana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ed Carlos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h3 class="wp-block-heading">1 &#8211; Saudade em Espera</h3>



<p>Não sei o que mais me prende: se as saudades de quem não conheço, se a esperança de ainda conhecê-la e olhar dentro de seus olhos e nada dizer-lhe, pois tudo já disse. </p>



<p>Já expus minhas verdades secretas.<br>Já esvaí- me em poesias,<br>em lamentos, <br>em desesperos. </p>



<p>Meu coração foi posto à prova, e percebi que não sou imune a paixões arrebatadoras de meu eu. </p>



<p>Escondo-me atrás de meus sonhos. Desconhecia até então minha capacidade de amar e de ser forte. Tudo me parece estranhamente novo. Lidar com ausências presentes, silêncios surdos, desejos freados. Só sei que ainda gosto dela, e como aquele cão do filme que espera seu dono na estação de trem todos os dias, a espero. Fito o horizonte distante e sua silhueta não me surge contra a luz; não ouço seu sotaque tão lindo de Alagoinhas, seu riso. </p>



<p>Há tanto tempo não a ouço me chamar de &#8220;meu anjo&#8221;, de &#8220;meu lindo&#8221;, de &#8220;meu amor&#8221;. Sua voz emudeceu. Sua escrita cessou. Seus traços continuam plasmados naquele retrato que lhe fiz como surpresa, que passou a integrar a coleção de musas ausentes, pois o maior pagamento de um retrato é um sorriso de satisfação do ente retratado. Apenas a amo, este sentimento tem resistido a razão, a solidão, a recusa. É algo novo. Aprendi a amá-la no vazio de suas indecisões, na mudez de sua fala, na escassez de sua presença, na finitude de sua escrita. Ainda a esperarei, venha até mim.</p>



<h3 class="wp-block-heading">2 &#8211; Rosas em Silêncio</h3>



<p>Hoje, a tarde de Alagoinhas foi fria. </p>



<p>À noite, em meio ao silêncio que de mim se apossou, ouço grilos  &#8211; que, por ora, me distraem o pensamento de minha linda, de minha flor; seu sotaque parecia música aos meus ouvidos. </p>



<p>Não tive coragem de, por mais uma vez, despertar de um sonho bom. Aquela sensação gostosa de felicidade. Não lhe mandei mensagem alguma, poesias, &nbsp;historias. Prefiro manter sua bela imagem na mente. Ela em si é a poesia que mais espero ter ao meu lado, para uma leitura diária por toda vida. Bela inspiração de amor. </p>



<p>Às vezes, vou até ela em prece; outras vezes, oro por ela; sinto suas dúvidas, seus medos e receios de apostar no amor.</p>



<p>As flores&#8230; sempre desejei dar-lhe um buquê de flores. Outro dia, as havia comprado em todo seu vermelho aroma. Nunca lhe confessei tal ato afetivo por mim perpetrado. Como disse certa canção Choram as Rosas, choramos juntos em meio a perfume e lágrimas, ao desistir de ir ao seu encontro. Hoje sonho em encontrá-la, sem rosas e com amor.</p>



<h3 class="wp-block-heading">3 &#8211; Amor em Ausência</h3>



<p>Entre a razão, a poesia e o sentimento, vivo solitariamente o amor.</p>



<p>Entre o amor, a razão e a poesia: encontro-me nesta encruzilhada de afetos sentidos, de palavras belas escritas, de sonhos idealizados no silêncio das solidões e das estranhas razões que pairam na mente de um romântico em plena paixão ardente e luminosa de agora.</p>



<p>Em declarações de amor, mergulhei.  Amei-a em suas ausências. Fitei o horizonte na espera de vislumbrar sua silhueta contra a luz, até que se materializasse a flor mais bela destas paragens, minha musa, o meu amor, minha poesia-mulher.</p>



<p>Travei diálogos com o amor que havia dentro de mim, escrevi tudo o que de belo existia em meu coração, em minha alma, em toda sua pureza e essência: poesias, versos, estrofes, poemas, frases, bilhetes e cartas de amor.</p>



<p>Treino educar meus sentimentos-impulso. Ouço as sensações de amar. Sou um romântico à deriva em pleno mar das paixões. Eu a amo, a espero, a desejo, a quero muito. Ela, minha bem-amada ausente. Conversei com as flores, com a lua, com as estrelas, com as letras, na ânsia de recompor sua presença em mim.</p>



<p>Aconselhei-me com a intuição: Alagoinhas nunca me deu motivos para voltar, e agora me sinto como se parte minha estivesse lá, em algum condomínio da cidade que se verticaliza. Na minha fria e gélida urbe natal, eis que surge em mim o amor verdadeiro por ela. Tão forte perante às distâncias, tão paciente em face às esperanças.</p>



<p>Sou envolvido em silêncios profundos; fito o céu com alegria nos olhos em uma contemplação de fé no amor. Minha amada: no amor, você é lugar-poesia. Lembras que pintou meus sonhos de esperanças?</p>



<h3 class="wp-block-heading">4 &#8211; Lagrimas dos Céus</h3>



<p>Hoje, nessa tarde, o céu de Alagoinhas está cinza. No horizonte, sopra um vento frio, uma brisa gélida, e uma garoa intermitente. Tudo goteja feito as lágrimas que derramei por ela, minha musa, minha amada professora.</p>



<p>Talvez hoje os céus chorem comigo na ausência e no silêncio dela. Não sei, por que a espero tanto? Esta louca esperança que há em mim de prendê-la em meu abraço, respirar em seu beijo, ver o seu sorriso ao vivo e poder dizer-lhe téte a téte, te amo&#8230; Chega de escrever, verbalizar, poetizar! Apenas te amo e não te deixarei ir.</p>



<p>Apenas sonho de poeta-pintor que escreve retratos de amor, pinta-lhe sua face com letras e fantasias de felicidade.</p>



<p>Como a espero! Desta vez, olho por entre as janelas de minha casa através do ar embaçado desta minha Alagoinhas natal. Olho na expectativa de ver sua silhueta materializar-se por sob capas de chuva e guarda-sóis. Talvez <strong>eu dançasse na chuva</strong>, a pegaria em meus braços para protegê-la como cena de filme antigo.</p>



<p>Oh, céus de Alagoinhas! Não chores mais! Deixe nossas lágrimas secarem!</p>



<p>Talvez, ela aqui apareça trajada da mais bela surpresa; quem sabe, me surpreenda no ato de pintar o seu retrato na busca de recuperar aquele poder ancestral dos pintores rupestres, o de materializar o tema pintado &#8211; aquela pintura mágica que tinha o poder de trazer ao artista primitivo a realidade do objeto. Vou pintá-la em um feliz encontro comigo.</p>



<p>Minha amada professora, de sotaque tão belo de minha terra, o mundo está em convulsão sob os ditames de guerra biológica invisível. Deixa de orgulho e vem até mim. Somos vulneráveis, os dias são ameaçadores. Para mim, apenas o amor deve vencer. A amo tanto! Receba minhas flores e sinta o aroma de meu sentimento em tempos críticos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Ed Carlos Alves de Santana</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é baiano, natural de Alagoinhas, mestre em Artes Visuais em Processos Criativos pela EBA-UFBA. Escreve poesia, crítica de artes e atua como Professor de Desenho Artístico e Pintura na Faculdade Livre da Maturidade São Bento em Salvador.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/monicakeart/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/6a6ac-monicaake.png?w=950" alt="" class="wp-image-10145" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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