<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ano 002, N 071 - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-71/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/category/edicao-71/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Wed, 07 Sep 2022 00:27:50 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>Editorial &#8211; Idiocracia em Brunzundanga</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-idiocracia-em-brunzundanga/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-idiocracia-em-brunzundanga/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Idiocrassia]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12688</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-idiocracia-em-brunzundanga/">Editorial – Idiocracia em Brunzundanga</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O prefixo grego “<em>idio-</em>” significa “próprio, individual”, e está na origem da palavra “<em>idiotés</em>”, como eram chamados aqueles que não se preocupavam com a vida da comunidade, da cidade, a “<em>pólis</em>”. Àqueles que, ao contrário, se ocupavam das coisas comuns, do bem estar de todos, dava-se o nome de “<em>politikós</em>” (estou aportuguesando um pouco a grafia das palavras, ok?). Na Antiguidade Clássica, não se importar com o coletivo era algo tão mal visto socialmente que a palavra “idiota” passou a designar todo aquele que se fechava em si e, por consequência, se apequenava, se tornava mesquinho.</p>



<p>Também vem do grego o radical “-<em>cracia</em>”, que significa “poder, mando, governo”, e aparece em palavras como “autocracia” (governo centrado em uma só pessoa), “plutocracia” (governo de e para homens ricos) e em “cleptocracia” (governo exercido por corruptos, ladrões).</p>



<p>“Idiocracia”, então, é a paradoxal situação em que homens pequenos, interessados apenas em vantagens pessoais, assumem o poder. É exatamente isso que vemos acontecer hoje em <em>Bruzundanga</em> (a expressão é de Lima Barreto, que sempre merece nossa pesquisa e nossa leitura).</p>



<p>Os idiotas no comando de <em>Bruzundanga</em> não têm nenhum compromisso com a <em>cidade</em> (a <em>pólis</em>, ou o país, no caso), nem com os <em>cidadãos</em>, que podem até morrer de peste ou de fome, tanto faz (o importante é não serem “<em>maricas</em>”)! Eles só pensam em si mesmos – nunca é demais repetir: é isso que os define, eles são “idiotas”, não há por que esperar mais deles.</p>



<p>Os idiotas no comando de <em>Bruzundanga</em> não têm nenhum compromisso com a verdade: ora eles sequer a vislumbram (talvez porque ela esteja longe demais de seus próprios umbigos), ora eles a negam deslavadamente (quando ela contraria suas míopes convicções pessoais e/ou seus interesses privados).</p>



<p>Os idiotas no comando de <em>Bruzundanga</em> não têm nenhum compromisso com a Ética, nem com qualquer tipo de divindade, nem com o meio ambiente terreno ou com o cosmos. Tudo isso pressupõe a existência e o valor do <em>Outro</em> e, como já sabemos, os idiotas só pensam em si mesmos e nos próprios interesses.</p>



<p>Os idiotas no comando de <em>Bruzundanga</em> estão se reproduzindo descontroladamente, como uma praga, ou pior: um vírus. A vacina contra essa infestação vem da atitude política dos cidadãos, ou seja, da preocupação verdadeira de cada um com o real bem estar de todos; vem da manifestação dessa preocupação por meio do voto consciente e do posterior acompanhamento próximo da atuação dos políticos profissionais na cidade, no país.</p>



<p>É preciso conter a epidemia de idiotice em <em>Bruzundanga</em> enquanto ainda há tempo&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.(<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>) E-mail: <a href="mailto:prof.lcnascimento@gmail.com">prof.lcnascimento@gmail.com</a></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0423c-conteudopago.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11568" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-idiocracia-em-brunzundanga/">Editorial &#8211; Idiocracia em Brunzundanga</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-idiocracia-em-brunzundanga/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12688</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Eleições 2020 e as Candidaturas Negras</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/eleicoes-2020-e-as-candidaturas-negras/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/eleicoes-2020-e-as-candidaturas-negras/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Social]]></category>
		<category><![CDATA[Negritude]]></category>
		<category><![CDATA[Religiões Afro-Brasileiras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12685</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/eleicoes-2020-e-as-candidaturas-negras/">Eleições 2020 e as Candidaturas Negras</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Muito provavelmente, na hora que esta breve reflexão se publicizar, as votações para prefeitos e vereadores no Brasil já estarão encerradas, ou estarão perto disso. Ainda assim, acredito que ela necessita ser feita, para que fiquemos atentos em pleitos futuros.</p>



<p>Meu ponto de partida será observar a Câmara de Juiz de Fora. Quantos candidatos negros estão eleitos naquela casa? Quantas mulheres? Quantos negros que defendem a histórica luta antirracista? Quantas mulheres defendem a luta feminista? Quantos LGBTQIA+? Na eleição de 2016, dentre 19 vereadores eleitos, houveram apenas duas mulheres e um homem negro. De acordo com o IBGE de 2010, cerca de 45% da população se autodeclara negra (preta/parda) na localidade. A câmara municipal de Juiz de Fora não reflete a população da cidade.</p>



<p>Em 2020, houve a implantação de cota racial para as candidaturas à vereança no Brasil. A medida, que inicialmente foi pensada para ser aplicada a partir do próximo pleito (ou seja, 2022), foi acelerada pelo TSE, já vigorando nas eleições de 2020, após questionamento da candidata à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT). Em resumo, esta define que a porcentagem de verba recebida pelo partido seja parelho à porcentagem de candidatos autodeclarados negros &#8211; sistema semelhante à determinação de divisão de verba para candidaturas femininas. Exemplificando: dos 100% de verba recebida pelo partido, inicialmente divide-se entre homens e mulheres; após a divisão de gênero, se de todos os homens candidatos, 40% se autodeclaram negros, esta deve ser a porcentagem de verba destinada a estas candidaturas. O mesmo segue para a porcentagem feminina de candidaturas. Esta medida se deu devido ao baixo índice de candidatos destes grupos sociais a alcançarem a cadeira na casa legislativa, geralmente devido às limitações da campanha política, diretamente ligada a dificuldades orçamentárias.</p>



<p>Após esta determinação, alguns problemas na autodeclaração foram expostos à sociedade. O caso mais recente foi o do candidato a vereador João Paulo Demasi (PSOL), esposo de Bela Gil e genro de Gilberto Gil, o qual se autodeclarou negro para concorrer à vereança na cidade de São Paulo. No entanto, o mesmo não possui nenhum fenótipo &#8211; característica física &#8211; que possa ser associado à uma pessoa negra.</p>



<p>Este problema relacionado às autodeclarações não é recente, e já vem sendo enfrentado pelas universidades federais desde a implantação das cotas raciais para ingresso nos cursos superiores. Em reação, estas instituições públicas vêm implantando comissões de heteroidentificação, para deferir ou indeferir a autodeclaração. Os candidatos que são considerados fraudadores geralmente se utilizam do argumento da miscigenação e ancestralidade.</p>



<p>Alguns movimentos sociais vêm reivindicando o fenótipo como único critério para deferimento de sujeitos negros à ocupar estas vagas, a fim de limitar as possibilidades de fraude e garantir as vagas para aqueles que são expostos cotidianamente à violências, seja física ou verbal, com o objetivo de atingir a sua subjetividade. Deve-se levar em consideração que o racismo no Brasil ocorre devido aos fenótipos, e não à ancestralidade consanguínea &#8211; <em>One Drop Rule</em> &#8211; tal como no EUA, por exemplo.</p>



<p>Em agosto, um movimento social da cidade de Juiz de Fora fez estes questionamentos de forma pública à UFJF. Reuniu cerca de 1100 assinaturas e 10 personalidades públicas, que enviaram questionamentos à universidade apontando as fragilidades do sistema de cotas que a mesma adota. Estas diversas pessoas ainda não receberam resposta. As publicações com os questionamentos estão publicados nas redes sociais da <a href="https://www.instagram.com/frentepreta/">Frente Preta</a>.</p>



<p>Dessa forma, podemos associar um fio condutor a estas duas situações. Existe a política pública de ação afirmativa, mas ela não define explicitamente a forma que deve ser aplicada &#8211; abrindo, portanto, brechas para que fraudadores impeçam que o objetivo geral seja atingido: o aumento no número de negros tanto nas universidades quanto nas câmaras legislativas do país.</p>



<p>Escrevo este texto a partir da cidade de Juiz de Fora; portanto, os exemplos aqui utilizados tratam especificamente desta cidade. Não obstante, o modelo desta reflexão é possível de ser aplicado em qualquer outra localidade do Brasil. Assim, espero que, a partir de agora, você questione, da sua localidade: quantos vereadores negros existem na sua câmara municipal? Quantas vereadoras existem na sua câmara municipal? Quantos vereadores negros defendem a luta antirracista na sua cidade? Quantas vereadoras defendem as pautas feministas na sua cidade? Quantos LGBTQIA+ são eleitos/as na sua cidade? A composição desta casa legislativa reflete a população da sua cidade?</p>



<p>Como apontamento final, acredito que seja importante considerar também que a representatividade, por si só, não vale de nada. Se este sujeito não estiver atuando para movimentar as estruturas desiguais da sociedade, ele não está contribuindo para o fim da opressão e das desigualdades, mas servindo de suporte para elas. De que serve uma figura pública negra que exalta Princesa Isabel e não reconhece a importância de personalidades como Marina Silva, Elza Soares, Martinho da Vila, Gilberto Gil ou Zezé Mota na luta antirracista e em diversas outras lutas especificas na sociedade brasileira?</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva e pela Frente Preta da UFJF.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/eleicoes-2020-e-as-candidaturas-negras/">Eleições 2020 e as Candidaturas Negras</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/eleicoes-2020-e-as-candidaturas-negras/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12685</post-id>	</item>
		<item>
		<title>SÍMBOLOS DA NAÇÃO: A República do “Ordem e progresso”?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/simbolos-da-nacao-a-republica-do-ordem-e-progresso/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/simbolos-da-nacao-a-republica-do-ordem-e-progresso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[costumes]]></category>
		<category><![CDATA[Dia de Finados]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12690</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/simbolos-da-nacao-a-republica-do-ordem-e-progresso/">SÍMBOLOS DA NAÇÃO: A República do “Ordem e progresso”?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os símbolos desempenham importante papel no processo de legitimação dos regimes políticos ao longo da história. Na transição do regime monárquico para o republicano no Brasil, no final do século XIX, diversas disputas pautaram a redefinição do repertório simbólico da nação. O processo de escolha da nova bandeira oficial do país, destinada a substituir a bandeira do Império, envolveu intensas batalhas entre concepções políticas distintas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="442" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?resize=950%2C442&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26174" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?resize=1024%2C476&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?resize=300%2C139&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?resize=768%2C357&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?resize=1536%2C714&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/simbolos.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Na ocasião da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, pelo menos duas versões de bandeira se inspiraram no modelo norte-americano. Uma dessas versões, atribuída aos sócios do Clube Republicano Lopes Trovão, conservava nas faixas horizontais as cores verde e amarela da bandeira imperial. Esta chegou a ser levada pelos republicanos civis às ruas no dia 15 de novembro e foi hasteada por José do Patrocínio na Câmara Municipal, onde permaneceu até o dia 19. Uma dessas versões também esteve içada a bordo do navio <em>Alagoas</em>, que levou a família imperial para o exílio na Europa, tão logo a monarquia foi derrubada.</p>



<p>Apesar do entusiasmo de muitos republicanos brasileiros pela república estadunidense, a opção por este modelo de bandeira despertou divergências dos republicanos que se orientavam, de um lado, pela experiência revolucionária francesa e, de outro, pela filosofia positivista de Auguste Comte. Entre esses, havia ainda os que defendiam uma bandeira republicana que dialogasse mais fortemente com a tradição monárquica. Segundo Clóvis Ribeiro, Marechal Deodoro “queria manter a bandeira do Império, com eliminação apenas da coroa”. Alguns estudos e projetos de bandeira elaborados nesse período apresentam poucas alterações em relação à bandeira do Império, como é o caso de um projeto de bandeira existente no acervo histórico do Museu Mariano Procópio, em que apenas a coroa imperial foi substituída pelo barrete frígio (vermelho), o famoso símbolo republicano da liberdade na Revolução Francesa.  </p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/5e7e0-imagem-1-1.jpg?w=950" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 5e7e0-imagem-1-1.jpg" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/dd736-imagem-2-2.jpg?w=950" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é dd736-imagem-2-2.jpg" data-recalc-dims="1"/></figure>
</div>
</div>



<p class="has-small-font-size"><em><strong>Imagens 1 e 2</strong> – Projeto de bandeira republicana encontrada no acervo do Museu Mariano Procópio (MG). Fotografia: Sérgio A. Vicente.</em></p>



<div style="height:32px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Dentre os vários modelos de bandeira em disputa naquele contexto, o governo provisório adotou, em 19 de novembro de 1889, a versão que seria considerada a oficial. Trata-se da versão concebida pelos positivistas ortodoxos e desenhada por Décio Villares. Enviada ao governo provisório de Marechal Deodoro da Fonseca por intermédio de Benjamin Constant, a nova bandeira oficial apostou na permanência de elementos da bandeira do Império, como o retângulo verde, o losango amarelo e as estrelas. Da antiga bandeira, foram excluídos apenas os emblemas imperiais, como a cruz, a esfera armilar, a coroa, os ramos de café e tabaco.</p>



<p>Embora considerado um modelo hegemônico – tendo em vista a força política dos positivistas na ocasião – e permanecendo como a bandeira oficial do país até a atualidade, sua aceitação não foi unânime. O lema “Ordem e Progresso”, evocado na divisa que atravessa a esfera azul, dividiu políticos, autoridades e alguns segmentos da sociedade civil: para uns, contrariava o conceito de liberdade atrelado à República e, para outros, significava a imposição de uma doutrina cujos adeptos não compreendiam parte expressiva da sociedade brasileira. A divisa positivista despertava, inclusive, críticas de alguns católicos, que viam nela a exaltação de uma seita “dissidente”. Domício da Gama, por exemplo, chegou a declarar na <em>Gazeta de Notícias</em>, em 16 de março de 1890, que estariam propagando na Europa “o boato de haver o Brasil substituído a religião católica pela positivista”.</p>



<p>Outros críticos da época, como o famoso caricaturista Ângelo Agostini (1842-1910), por diversas vezes publicizaram aspectos da realidade brasileira que consideravam contraditórios e contrastantes ao lema “Ordem e Progresso”, como as velhas mazelas políticas, econômicas e sociais enfrentadas pelo recém-instaurado regime republicano. Uma charge de Agostini, veiculada pela revista <em>D. Quixote, </em>traz algumas impressões sobre essa fase inicial da República brasileira – como se vê na imagem a seguir:</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/8e19f-imagem-3.jpg?w=950&#038;h=725" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 8e19f-imagem-3.jpg" data-recalc-dims="1"/><figcaption><em><strong>Imagem 3 –</strong> Charge de autoria de Angelo Agostini. Revista D. Quixote, 25/11/1895. Acervo do Museu Mariano Procópio. Fotografia: Sérgio A. Vicente.</em></figcaption></figure>



<p>A charge representa a alegoria da República (Marianne) cabisbaixa, montada sobre um burro, em posição contrária à cabeça do animal, puxado por um cabresto, pelas mãos de autoridades brasileiras, em sentido oposto à “Estrada do Progresso”. Na mão esquerda de Marianne, a bandeira positivista “ostenta” em sua divisa o lema “Desordem e Retrocesso”.</p>



<p>Em 1896, o poeta Correia de Almeida (1820-1905) também não poupou sua verve satírica ao registrar sua “desilusão” com o curso do novo regime e o patriotismo estampado no manto cívico republicano. No livro <em>Produções da Caducidade</em>, o idoso padre-poeta de Barbacena satirizava os “iludidos” com o que entendia como a falsa marcha do Brasil para o progresso:</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>Inveja eu até que tive somente
de quem crê que o país vai caminhando
a passos de gigante, desde quando
a milícia nos trouxe o bom presente.</em></pre>



<p>O padre-poeta, valendo-se de sua auto-ironia, incorporava a persona de um “velhinho” para expressar todo seu humor cáustico. Não era ele um “sebastianista”, um saudosista da monarquia ou defensor de sua restauração. Padre Correia integrava aquele grupo intelectual que, depois de muita militância abolicionista e críticas às mazelas do Brasil-Império na imprensa, assistia a tudo como um ancião que não “acompanha a brava gente” nem “atende às vozes do comando”, limitando-se a assistir ao “espetáculo” da política brasileira:</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>Agora vem tentar-me de repente
outra inveja maior, e estou banzando,
sem atender às vozes do comando,
e sem acompanhar a brava gente.</em></pre>



<p>A persona do padre-poeta e a Marianne de Agostini, descontentes e desiludidos, parecem arrastados pelas forças do retrocesso, percebendo-se impotentes no empreendimento de qualquer luta ou resistência capaz de transformar a realidade. No entanto, escrevendo ou desenhando, Almeida e Agostini tinham à sua disposição uma única arma: a quixotesca linguagem do humor. Assim como ambos, muitos intelectuais “inconformados” e “desajustados” se valiam do humor como verdadeiro refúgio. E mais do que isso: como chave interpretativa e identitária da nação.</p>



<p>Ironizar, debochar e carnavalizar o ridículo levado a sério poderia parecer para muitos humoristas a arte de parafrasear piadas prontas, em que a “desordem” simula a “ordem”; e o “retrocesso”, o “progresso”. Assim expressava <em>O Malho</em>, em 15 de novembro de 1913, por ocasião dos quatorze anos da Proclamação da República: “O nosso povo anda tão acabrunhado com as dificuldades da sua vida, tão indiferentes às preocupações e gentilezas do mundo oficial, tão enojado pela pressão constante das ratas e gafes de seus dirigentes, tão desesperado por se sentir cada vez mais banido de todos os seus direitos, que só se preocupa em reagir pelo único meio de que o não podem despojar: o riso, a chacota, a esmulambação de todas as <strong>seriedades caricatas</strong>!”</p>



<p>Uma charge de Storni acompanha esse texto da revista. Nessa charge, o autor representa o “Zé Povo” (versão brasileira do personagem “Zé Povinho”, bastante conhecido na revista humorística portuguesa <em>O Antonio Maria</em>), apreensivamente posicionado sobre a esfera azul da bandeira do Brasil, que, não obstante o lema que carrega (“Ordem e Progresso”), encontra-se prestes a rolar ladeira a baixo. Duas mãos misteriosas, porém, seguram-na, impedindo que o desastre aconteça. E, logo abaixo da charge, o texto prossegue: “Embora o Brasil esteja sempre à beira do clássico abismo, não se precipita nele – ou não cai – porque há uma Divina Providência, que sempre o ampara&#8230;” À mercê das forças do imponderável, o “povo” (“Zé Povo”, melhor dizendo) figura no limiar do precipício, desprovido de amparo e assistência em um regime que se auto intitula ancorado nos princípios da ordem e do progresso.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/4817c-imagem-4.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-12698" data-recalc-dims="1"/><figcaption>Charge de Storni.&nbsp;<em>O Malho</em>, Rio de Janeiro, ano 12, 15/11/1913. Acesso em:&nbsp;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=116300&amp;pagfis=25942">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a>. Acesso em: 13/11/20.</figcaption></figure>



<p>Essas não foram, certamente, as únicas representações satíricas das paradoxais relações entre o lema positivista de uma bandeira, seu discurso cívico-pedagógico e a realidade brasileira. Estamos novamente à mercê da própria sorte (ou azar) nesse país. Porém, continuamos “arrotando”, hipocritamente, um lema positivista do século XIX, sem sabermos sua origem e muito menos as divergências e dificuldades de se “costurar” consenso a partir dele, num país tão diverso e plural como o Brasil.</p>



<p>O “patriótico” lema sempre reaparece ao menor sintoma de imunodepressão da democracia. Talvez “reaparecer” não seja o termo mais apropriado, tendo em vista que, desde o momento em que passou a ser professado no Brasil, não apresentou indícios de desaparecimento. Pelo contrário, em circunstâncias específicas, como as que estamos vivendo atualmente, ele tem ganhado maior vitalidade, embora continue não convencendo diversos setores progressistas da política brasileira.</p>



<p>O fato é que, atualmente, o famoso lema se transformou em dilema, estando em alta entre representantes da extrema direita, que não apenas arrogam para si o papel de legítimos patriotas e guardiões da nação, como também monopolizam os símbolos nacionais. Continuamos caminhando sem ordem nem progresso, mas insistindo na permanência de simulacros em meio ao caos: “escolas militares são melhores”; “na ditadura que era bom”; “intervenção militar já”; “a culpa é dos direitos humanos”; etc. Continuamos nos comportando como o “Zé Povo” das páginas da revista <em>O Malho</em>, sonhando com o “fantástico” resgate de uma “ordem” e de um “progresso” que nunca existiram. É esta República que temos a comemorar? Até quando exaltaremos lemas, mitos e messias?</p>



<p>Enquanto isso, a esfera azul não para de rolar. A cada giro, maior o massacre e o nível de tontura&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>ARAÚJO, Maria Marta. <em>Com quantos tolos se faz uma república?</em> Padre Correia de Almeida e sua sátira ao Brasil oitocentista. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.</p>



<p>CARVALHO, José Murilo de. <em>A Formação das Almas:</em> o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.</p>



<p>RIBEIRO, Clóvis. <em>Brasões e bandeiras do Brasil.</em> São Paulo: São Paulo Ed., 1933.</p>



<p>SALIBA, Elias Thomé. <em>Raízes do Riso: </em>a representação humorística na história brasileira – da Belle Époque aos primeiros tempos do rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.</p>



<p>VELLOSO, Monica Pimenta. <em>Modernismo no Rio de Janeiro:</em> turunas e quixotes. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1996.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/simbolos-da-nacao-a-republica-do-ordem-e-progresso/">SÍMBOLOS DA NAÇÃO: A República do “Ordem e progresso”?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/simbolos-da-nacao-a-republica-do-ordem-e-progresso/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12690</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O que sabemos sobre a fome</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/o-que-sabemos-sobre-a-fome/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/o-que-sabemos-sobre-a-fome/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[direito à alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[Política Pública]]></category>
		<category><![CDATA[proteção planetária]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12705</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/o-que-sabemos-sobre-a-fome/">O que sabemos sobre a fome</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com todos os contornos que a pandemia do novo Coronavírus vêm trazendo para a sociedade, alguns tópicos relacionados às desigualdades social e econômica voltaram à tona. Um deles, o objeto principal desse texto, não parece ser conhecido em sua totalidade pela maioria das pessoas.</p>



<p>Falamos sobre a fome. É de amplo conhecimento o fato de que a fome é um problema recorrente, geralmente ligado aos países mais pobres do mundo, e que é uma triste realidade em muitos lares. Mas nós sabemos o suficiente? Temos a real consciência do que significam os números, as projeções e as causas?</p>



<p>Inicialmente, começamos com uma declaração forte: <strong>comer é um ato político</strong>. E o que queremos dizer com isso? Uma democracia bem consolidada é essencial para os direitos humanos e para o direito humano à alimentação adequada. É isso mesmo, a alimentação é um direito &#8211; e mais do que isso, é um dos direitos mais importantes para a dignidade da pessoa humana.</p>



<p>O direito humano à alimentação adequada rege dois pilares: a) a soberania alimentar, que se refere à autonomia de um Estado para definir as suas políticas, a autossuficiência alimentar para a população; e b) a segurança alimentar, que significa termos alimentos em quantidade e qualidade suficientes para garantir esse direito.</p>



<p>O Brasil tem autonomia e políticas para regular a questão da alimentação e, além disso, sabemos que ainda hoje o mundo produz alimentos mais do que suficientes para toda sua população. Contudo, nosso país está voltando ao mapa da fome.</p>



<p>Como retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgada pelo IBGE, a insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de brasileiros nesses anos, o que significa que quase 5% da população brasileira convive novamente com a fome. Agora, a estimativa é de que cerca de 5,4 milhões de pessoas passem para a extrema pobreza em razão da pandemia. O total chegaria a quase 14,7 milhões até o fim de 2020, ou 7% da população, segundo estudos do Banco Mundial.</p>



<p>A ONU, em um relatório do programa mundial de alimentos, indicou<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/04/11/pandemia-de-covid-19-pode-ameacar-o-suprimento-global-de-alimentos-alerta-onu"> que o número de famintos, no mundo, praticamente dobrou por causa da pandemia</a>&nbsp;de Covid-19. Se esse cenário permanecer, 265 milhões de pessoas não terão o que comer até o final do ano.</p>



<p>Apesar da enorme quantidade de alimentos produzidos, aproximadamente um terço destes se perde ou se desperdiça, evidenciando que existem problemas nesse processo e na distribuição. Os alimentos não consumidos representam desperdícios de recursos naturais e de outros elementos utilizados na produção, ou seja, alimentos são perdidos ou desperdiçados em todo o ciclo da rede alimentar, da produção agrícola até o consumo final em nossas casas.</p>



<p>Associado a isso, temos os problemas do meio ambiente que diretamente se relacionam com a alimentação. O aquecimento global, as queimadas na Amazônia, o desmatamento, os problemas no Cerrado e no Pantanal: com esse nosso modelo de desenvolvimento agroalimentar, que terra vai sobrar para plantações saudáveis, e como as gerações futuras vão lidar com esses danos?</p>



<p>Vivemos um momento de desmonte geral das políticas públicas, com especial destaque para as políticas de segurança alimentar e nutricional, além da redução dos investimentos nas políticas voltadas à agricultura familiar, que deram sustentação ao bom desempenho brasileiro em anos anteriores.<em></em></p>



<p>Mas se até então os dados desse artigo não parecem práticos ou não nos sensibilizam, vejamos algumas ocorrências mais drásticas.</p>



<p>A pandemia de Covid-19 gerou um problema grave relacionado à alimentação escolar. Isso porque, muitas vezes, a única refeição substanciosa de milhares de crianças brasileiras é feita na escola. Com a interrupção das aulas, muitas dessas ficaram sem alimento e expostas à fome.</p>



<p>Mas vamos além: outro fator relevante para o momento é o aumento no valor dos alimentos. O preço de itens da cesta básica já aumentou<a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/09/supermercados-denunciam-altas-de-mais-de-20-no-preco-de-itens-da-cesta-basica.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;20% nos últimos 12 meses</a>&nbsp;em produtos como leite, arroz, feijão e óleo de soja, segundo associações representativas do setor de supermercados. Isso significa que milhares de famílias estão, literalmente, racionando a quantidade e a qualidade da comida que vai em cada prato todos os dias.</p>



<p>É inacreditável que a fome possa matar mais que o próprio vírus, mas é isso que as pesquisas projetam: a ineficiência na resolução de crises humanitárias ficou escancarada, e antes do fim do ano, de 6.100 a 12.200 pessoas poderão morrer de fome a cada dia em decorrência dos impactos sociais e econômico da doença.</p>



<p>A situação não pode se perpetuar. O direito a estar livre da fome é prontamente exigível, e cabe ao Estado respeitar, garantir, promover e proteger as diretrizes que garantam esse direito. Por mais que existam ótimas ações voluntárias pelo país afora tentando levar comida aos lares brasileiros, o combate à fome não é filantropia, e o governo é obrigado a criar e efetivar as políticas públicas.</p>



<p>O que podemos tirar desse ano turbulento é como o mundo precisa urgentemente de novas estratégias. Precisamos dar um basta a esse modelo de desenvolvimento predador do meio ambiente e da vida das pessoas.</p>



<p>Precisamos construir sistemas alimentares mais justos, mais resistentes e sustentáveis, com mais participação direta dos destinatários. Além disso, debater alimentação nas escolas e na sociedade em geral também se faz necessário, pois assim estaremos debatendo o futuro, a sustentabilidade e a própria cidadania.</p>



<p>A comida que elegemos está diretamente ligada com a proteção planetária e o desenvolvimento dos povos, por isso também devem ser incentivadas as ações de produção alimentar mais cooperativa, principalmente aquelas que incentivem os pequenos produtores e reduzam o uso de agrotóxicos.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>“Aqui, na Terra, a fome continua...</em><br><em>A miséria, o luto, e outra vez a&nbsp;fome.”</em><br>(José Saramago)</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>A fome na pandemia. <strong>OBSERVATORIO</strong>. Publicada em: 01/10/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://observatorio3setor.org.br/podcast/a-fome-na-pandemia/">https://observatorio3setor.org.br/podcast/a-fome-na-pandemia/</a>&gt;.</p>



<p>Brasil de volta ao mapa da fome. <strong>RADIS – FIOCRUZ.</strong> Publicado em 20/10/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome">https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome</a>&gt;.</p>



<p>Fome pode gerar mais mortes que a pandemia até o final do ano. <strong>OXFAM.</strong> Publicado em: 17/08/2020. Disponível: &lt;<a href="https://gife.org.br/fome-pode-gerar-mais-mortes-do-que-a-pandemia-ate-o-final-de-2020-alerta-oxfam/">https://gife.org.br/fome-pode-gerar-mais-mortes-do-que-a-pandemia-ate-o-final-de-2020-alerta-oxfam/</a>&gt;.</p>



<p>ONU diz que pandemia da COVID-19 faz o número de famintos dobrar no mundo. <strong>CNN.</strong> Publicado em: 27/09/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/09/27/onu-diz-que-pandemia-de-covid-19-faz-numero-de-famintos-dobrar-no-mundo">https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/09/27/onu-diz-que-pandemia-de-covid-19-faz-numero-de-famintos-dobrar-no-mundo</a>&gt;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17081-debra-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11621" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Déborah Silva</strong></strong>&nbsp;</strong></strong>é pós graduanda em Direito Constitucional.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/o-que-sabemos-sobre-a-fome/">O que sabemos sobre a fome</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/o-que-sabemos-sobre-a-fome/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12705</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estupro é papo de homem também</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-estupro-e-papo-de-homem-tambem/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-estupro-e-papo-de-homem-tambem/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Caso Mariana Ferrer]]></category>
		<category><![CDATA[Caso Robinho]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura do Estupro]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12663</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-estupro-e-papo-de-homem-tambem/">Estupro é papo de homem também</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Teve grande repercussão negativa quando, em outubro passado, o Santos Futebol Clube<br>anunciou a contratação de Robinho &#8211; pois o atleta é condenado a nove anos de prisão na Itália, em primeira instância, pelo crime de estupro. Ele participou de violência sexual em grupo contra uma jovem albanesa. A condenação é de novembro de 2017, e o crime foi cometido em 2013.</p>



<p>O episódio revelou a cultura que ignora este problema gravíssimo e a tentativa de<br>silenciamento do crime, minimizando os fatos e “passando panos” ao agressor. A contratação do estuprador só foi suspensa (e não cancelada) por causa da pressão econômica dos patrocinadores do clube. Se não fosse a ameaça de perder os contratos (dinheiro) nada teria acontecido.</p>



<p>Ainda mais estarrecedor foi um episódio na sequência: o julgamento de André de Camargo Aranha, empresário que estuprou a influencer Mariana Ferrer. A recente divulgação da audiência judicial choca pela violência do advogado do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, que atacou a vítima e baseou sua linha de defesa do seu cliente em clichês de sexismo rudimentar.</p>



<p>Dada a repercussão negativa, a Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina (OAB/SC) abriu um procedimento para investigar a conduta do advogado. O que mais impressiona no caso é que se trata de uma mulher branca, em um caso de amplo conhecimento nacional, com evidências abundantes do crime cometido, e o resultado da primeira instância se baseia na absurda ideia de um “estupro culposo” para desqualificar o fato.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>E porque raios um homem está escrevendo sobre isso?</strong></h4>



<p>Eu não escrevo em nome de ninguém e, mais especificamente, eu não escrevo em nome das mulheres. Até mesmo porque elas já se organizam nessa luta de muitos modos há bastante tempo. Não serei tolo de tentar ocupar essa perspectiva. Eu escrevo junto com as mulheres, maiores vítimas do estupro. Estou convencido de que a discussão do tema deve acontecer por todas as pessoas de todos os gêneros. Estou mesmo convencido de que é fundamental que os homens participem ativamente das reflexões sobre violência sexual, não apenas na repressão e na punição, mas principalmente na educação para um novo paradigma da sexualidade.</p>



<p>Estou convencido de que são valores universais que nos provocam as percepções de<br>injustiças, que nos causam indignação e a raiva justa. Estou me referindo a valores defendidos por sistemas éticos de todos os tempos e culturas, em particular, a regra de ouro: cada um deve tratar os outros como gostaria que ele próprio fosse tratado. O respeito é denominador comum nos modelos de valores universais e, ao meu ver, deve ser a base de argumentação para que possamos promover a educação sexual das pessoas e enfrentar o machismo que reina na agressiva formação da sexualidade masculina.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Estatísticas</strong></h4>



<p>Os casos descritos na introdução ganharam notoriedade por envolver gente famosa; porém, o crime do estupro rasga a sociedade, passando por todas as classes sociais, e faz parte de uma rotina violenta de agressões. Vejamos um resumo dos dados segundo o 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro de 2019 [Fonte: FBSP &#8211; Fórum Brasileiro de Segurança Pública]:</p>



<ul><li>Média de 180 estupros a cada dia.</li><li>Considerando a subnotificação (apenas de 10% a 15% dos casos são reportados), estima-se que ocorram entre 300 mil e 500 mil estupros a cada ano.</li><li>A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos.</li><li>De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens.</li><li>A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras.</li></ul>



<p>O perfil do agressor é de uma pessoa muito próxima da vítima, muitas vezes seu familiar, como pai, avô e padrasto. Isso reforça a importância da educação sexual para as crianças<br>aprenderem a identificar e reagir às tentativas de abuso. Ressalta também a importância de ampliar e melhorar a rede de proteção às vítimas, em serviços tais como: Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, Casa da Mulher, dentre outros.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que é estupro?</strong></h4>



<p>Segundo o Código Penal Brasileiro, artigo 213:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a<br>praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.</em></p>



<p>Além disso, existem os crimes correlatos de importunação sexual, assédio sexual, exposição da intimidade sexual e crimes sexuais contra vulnerável.</p>



<p>A palavra chave é <strong><em>consentimento</em></strong>. Toda vez que alguém praticar algum ato sexual sem o consentimento do outro, trata-se de estupro. Vamos reforçar o entendimento com exemplos práticos:</p>



<ul><li>Se a mulher está dormindo e o homem faz sexo com ela, é estupro;</li><li>Se a mulher está sóbria, no princípio quer fazer sexo, mas depois não quer mais e o homem força a continuidade, é estupro;</li><li>Se a mulher não quer fazer sexo mas o homem a força a praticar, porque deve ser “charminho” dela, é estupro;</li><li>Se a mulher está inconsciente, bêbada ou drogada, e o homem faz sexo com ela, é estupro.</li></ul>



<p>Não serve como justificativa para o abuso dizer que é esposa/namorada, ou que foi “apenas” sexo oral ou masturbação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Qual é a causa do estupro?</strong></h4>



<p>O estuprador. Ele e somente ele é o responsável, que usa de seu livre arbítrio para praticar a violência. O sujeito escolhe atacar alguém vulnerável. De acordo com pesquisa Datafolha (2016) encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), ficou evidenciado que a sociedade brasileira responsabiliza a mulher por atos de violência sexual. Mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro.</p>



<p>Esse descompasso entre crime e responsável no caso do estupro revela um malabarismo argumentativo para tentar justificar o porque tal mulher é vítima do estupro. As desculpas mais comuns se referem à vestimenta da mulher, ao seu comportamento “inadequado e provocativo”, ao fato de andar sozinha em tal lugar a tal hora, dentre outras. Os crimes s acumulam em tal volume que desmontam rapidamente essas falas, mostrando que servem apenas como tentativas de se livrar das responsabilidades, numa cultura de proteção ao macho violador. </p>



<p>A relativização do estupro é a tática mais usada para tentar impor à vítima a culpa do que ela mesma sofreu. Então, ficamos sabendo de mulheres estupradas dentro de hospitais, muitas inconscientes, em ambulâncias, de meninas violentadas em tenra idade, de idosas indefesas… os casos se acumulam numa variedade tão grande que escancaram a mentira das justificativas elencadas. O estuprador é o único responsável pelo estupro e se aproveita das circunstâncias para cometer o delito.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Cultura do estupro</strong></h4>



<p>Esse termo foi criado por feministas americanas na década de 1970 para expressar mais<br>propriamente um conjunto de crenças e comportamentos no qual o estupro e a violência contra a mulher são normalizados na cultura popular e também na mídia. São variados os modos de sua divulgação e continuidade:</p>



<ul><li>objetificação sexual da mulher, especialmente na propaganda;</li><li>piadas sexistas que menosprezam a capacidade intelectual da mulher (vide o famoso clichê da loira burra);</li><li>omissão e naturalização nos casos de agressão doméstica, afinal “em briga de marido e mulher não se mete a colher”;</li><li>classificação das mulheres segundo seu comportamento sexual em “vagabunda” ou “pra casar”;</li><li>o antigo ditado popular “segurem suas cabras que meu bode está solto”.</li></ul>



<p>Dentre outros tantos exemplos possíveis. Tudo convergindo para que a sociedade culpe a vítima de violência sexual e normalize o comportamento violento do homem.</p>



<p>Estou convencido de que esse quadro cultural destaca a urgência dos trabalhos coletivos de educação e reflexão, das conversas mediadas, da persuasão e do exercício da escuta, que busquem transformar concepções de gênero, partindo da realidade das pessoas, sabendo se comunicar com elas e com a formação que receberam. Há muito o que se fazer para compreendermos o que é ser/estar homem ou mulher (ou intersexual, e isso pede um texto a parte) em dado contexto. É preciso uma educação crítica para observar as influências socioculturais que agem sobre nós e o impacto do patriarcado, que historicamente coloca os homens em posição de poder e com privilégios sobre as mulheres.</p>



<p>Os atendimentos prestados nas instâncias da saúde e do judiciário constituem outra faceta da questão a ser analisada. Abundam os relatos de julgamento moral e humilhação das mulheres que precisam de tais serviços especializados quando diante das agressões sexuais, o que se configura em revitimização e desestímulo para busca de justiça. Em muitos casos, acontece uma dificuldade adicional nesses procedimentos legais para reunir evidências materiais comprobantes de que não houve consentimento em relação ao ato sexual.</p>



<p>Estes locais perpetuam as práticas de violência ao invés de serem protetivos e acolhedores, conforme idealizados, não raro são ambientes que deslegitimam e desrespeitam quem vai fazer alguma denúncia. O cuidado deve ser a tônica ao lidar com vítima, validando sua dor e seu sofrimento, o que implica em (re)pensar as formas de acompanhamento dessas mulheres em situação de violência.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O papel da educação</strong></h4>



<p>Retornando à pesquisa Datafolha (2016), foi constatado que 91% dos entrevistados<br>concordaram com a afirmação de que “temos que ensinar meninos a não estuprar”. Mais do que leis, punições e medidas paliativas, como por exemplo, a separação de mulheres e homens nos transportes públicos, é necessário compreender que educação tem papel central no processo de desconstrução da cultura do estupro.</p>



<p>O silenciamento e a culpabilização das vítimas são alguns dos principais artifícios da cultura do estupro. Vale reforçar que a vítima de estupro nunca é a culpada; independentemente de seu comportamento e da sua aparência, nada pode justificar tal violência. Esse entendimento precisa ser inculcado desde cedo nas crianças, pois à educação compete também (re)construir concepções e práticas. Esse processo é extensivo aos adultos, ainda que a tarefa seja mais difícil pela consolidação da personalidade; contudo, existem várias iniciativas que trabalham nesse público. Têm surgido rodas de conversas entre homens a discutir a própria masculinidade em várias cidades. É um exemplo de como podemos fazer mobilizações coletivas ajudando-nos mutuamente.</p>



<p>Não é simples e nem costuma ser rápido desenraizar hábitos e crenças. As emoções e os<br>valores das criaturas são colocadas à prova. Precisamos costurar mais ambientes para<br>conversar informalmente, livremente, sem “lacrações” que apenas servem para aplausos de pessoas que pensam de modo semelhante, sem qualquer resultado prático. Não precisamos de “esquerdo-machos”, nem inventar um discurso elaborado, com jargões acadêmicos, mas sem efetiva reflexão no cotidiano das relações. Somos homens históricos, com limites e possibilidades de crescimento. Embora tenhamos recebido uma educação, pela sociedade como um todo, que incentiva a masculinidade agressiva, podemos repensar essa herança, sem culpas nem fingimentos, e gradativamente nos transformarmos em homens melhores.</p>



<p>O estupro não é prova de macheza. Estuprar não é da natureza do sexo masculino. Eu estou convencido de que podemos trabalhar nossas fragilidades sem nos escondermos em afirmações agressivas ou comportamentos violentos em busca de validação externa, da turma de amigos ou do trabalho. Homens são pessoas. O óbvio precisa ser dito. Temos emoções fraquejamos em vários momentos da vida, sentimos medo e insegurança. São aspectos típicos de um ser humano. Entender e reforçar essa visão pode surtir como efeito um modo viver segundo a orientação ética básica, tratando as mulheres de modo respeitoso e civilizado.</p>



<p>As relações de gênero são temas transversais a serem discutidos nas escolas, nos centros religiosos, nas mesas de debate, enfim, em todo lugar, para que possamos promover mudança da cultura do estupro para um paradigma pautado na relação de igualdade de direitos sociais entre mulheres e homens.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-estupro-e-papo-de-homem-tambem/">Estupro é papo de homem também</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/editorial-estupro-e-papo-de-homem-tambem/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12663</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Indígena brasileira lamenta perda irreparável de “bibliotecas”: anciões mortos pela COVID-19</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Ação local]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12708</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19/">Indígena brasileira lamenta perda irreparável de “bibliotecas”: anciões mortos pela COVID-19</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O impacto da COVID-19 tem sido bastante doloroso entres os povos indígenas. A tradição oral, transmitida pelos mais velhos, é o que mantém sua cultura viva.</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2020-11/puyr_tembe-1-576x1024.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Puyr Tembe, vice-presidenta da Federação dos Povos Indígenas do Pará " data-recalc-dims="1" /><figcaption>Puyr Tembe, vice-presidenta da Federação dos Povos Indígenas do Pará<br>Foto | ONU Mulheres</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2020-11/grafico_povosr.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="Gráfico mostra mortes entre os povos indígenas brasileiros " data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Gráfico mostra mortes entre os povos indígenas brasileirosFoto | Reprodução de gráfico do Comitê Nacional de Vida e Memória Indígena</p>



<p>O impacto da COVID-19 tem sido bastante intenso e doloroso entres os povos indígenas. “O pós-pandemia vai deixar sequelas nas vidas de todos nós. Perdemos companheiros, parentas, nossos anciões, nossas bibliotecas. Isso é uma perda irreparável. Vidas de muitos anciões se foram. Esses não voltam mais. Bibliotecas de muitos povos indígenas que desapareceram”.</p>



<p>O desabafo é de Puyr Tembe, vice-presidenta da Federação dos Povos Indígenas do Pará e integrante da&nbsp;iniciativa Voz das Mulheres Indígenas. Ela tem trabalhado com tecnologia para monitorar o impacto da pandemia entre os mais de 200 povos indígenas que vivem no Brasil. A &nbsp;tradição oral, especialmente transmitida pelos mais velhos – guardadores de saberes &#8211; &nbsp;é o que mantém sua cultura viva.</p>



<p>&nbsp;“Cinco das 10 terras indígenas mais vulneráveis à COVID-19 contam com registros de povos isolados e estão na Amazônia. Hoje uma de nossas maiores preocupações é que a pandemia chegue nestes territórios”, explica Puyr Tembe. Ela assinala que os conflitos territoriais se acentuaram, provocando invasões de terras e contágios decorrentes da circulação de não-indígenas nos territórios demarcados. &nbsp;</p>



<p>“A pressão de grandes e médias mineradoras se soma a invasão em massa de garimpeiros, madeireiros e colonos, que aproveitaram a pandemia para intensificar ainda mais a extração e plantação ilegal. Exemplo disso são as terras indígenas Yanomami (RR), Raposa Serra do Sol (RR), Alto Rio Negro (AM) e Waimiri-Atroari (AM/RR), Alto Rio Guamá, Trincheira Bacana e Cachoeira Seca”, detalha.</p>



<p>&nbsp;O chamado “novo normal” decorrente dos cuidados sanitários necessários durante e após a pandemia da COVID-19 está sendo discutido pelas lideranças indígenas e implica medidas constantes para a preservação dos povos e territórios.</p>



<p>Em 5 de novembro de 2020, o&nbsp;<a href="https://emergenciaindigena.apiboficial.org/dados_covid19/">Comitê Nacional de Vida e Memória Indígena&nbsp;</a>contabilizava 38.643 casos de COVID-19 entre 161 povos indígenas do Brasil, com 870 mortes. Os povos mais afetados são Kokama – onde ocorreu o primeiro registro da doença, no município amazonense Santo Antônio do Içá, em março -, Guajajara e Macuxi.</p>



<p><em>Matéria do UNIC Rio feita a partir de&nbsp;<a href="http://www.onumulheres.org.br/noticias/o-pos-pandemia-vai-deixar-sequelas-nas-vidas-de-todos-porque-perdemos-companheiros-parentas-ancioes-bibliotecas-destaca-lideranca-das-mulheres-indigenas/">entrevista</a>&nbsp;para a ONU Mulheres.</em></p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://brasil.un.org/pt-br/99895-indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 09/11/2020 &#8211; Atualizado em 03/11/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19/">Indígena brasileira lamenta perda irreparável de “bibliotecas”: anciões mortos pela COVID-19</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/indigena-brasileira-lamenta-perda-irreparavel-de-bibliotecas-ancioes-mortos-pela-covid-19/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12708</post-id>	</item>
		<item>
		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: O QUE FICA, DE TUDO ISSO?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Pertencimento]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12680</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/">CAÇADORA DE HISTÓRIAS: O QUE FICA, DE TUDO ISSO?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Estamos há meio ano lavando as mãos e abrindo portas com os cotovelos. Estranho quando temos nossas ações que se tornaram cotidianas expressas em palavra escrita, né?</em></p>



<p><em>Escuto constantemente as pessoas dizerem que 2020 foi um ano inválido, que não contarão como parte de suas vidas e que esperam por 2021 com a ânsia de uma criança no primeiro dia de aula.&nbsp; Desculpa te decepcionar, mas nada vai mudar se tu não acolher a transformação também.</em></p>



<p><em>A humanidade caminhava desolada, cometendo uma série de erros graves e foi preciso um vírus invisível aos nossos olhos para que pudéssemos parar as máquinas e olhar pra dentro&#8230; E ao redor.</em></p>



<p><em>O coronavírus trouxe desentendimento, dor, perdas devastadoras. Mas veio também o exercício real da empatia, o sacolejo de que não somos eternos e o poder da reinvenção.</em></p>



<p><em>Como já disse lá no começo, estamos há muito tempo higienizando tudo que vemos pela frente. Mas e quanto à higiene do mundo? Espiritual e comportamental, quero dizer. O que fica de tudo isso?</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>&#8220;Sempre corri.</p>



<p>Corri de manhã, para despertar meus músculos e metabolismo; corri para preparar o café; e corri também atrás de inúmeros ônibus. Corri de pessoas que me faziam bem, porque tudo um dia termina e eu temia o sofrimento. Também corri do que me fazia mal: afinal, queremos sobreviver. Eu corri tanto que&#8230; Cansei. Mas não fui eu quem decidiu parar, foi a vida.</p>



<p>A vida que faz um pequeno e traiçoeiro vírus existir e contaminar milhões de pessoas num planeta abençoado e rico como o nosso. Eu parei, respirei e aí senti doer tudo, sabe? De dentro pra fora. E não havia banho de ervas, massagem ou relaxante muscular que me trouxesse alívio. Eu precisava mesmo era começar do zero, e foi a mais maravilhosa e transformadora decisão que tomei.</p>



<p>Quando me vi dentro de casa, sozinho, sem trabalho e também sem poder sair, me desesperei e comecei a lamber minhas feridas até secarem. Peguei minhas economias e comecei uma faculdade online. Junto a ela, me empolguei para estudar italiano, um sonho antigo. Como precisei desacelerar, encontrei na yoga a conexão comigo mesmo. E a partir daí, o mundo se abriu, devagarzinho, dia após dia.</p>



<p>A rocha que eu era se transformou em pequenos cascalhos banhados por um riacho cristalino de autoconfiança e paz, fazendo com que conseguisse deixar as pessoas entrarem na minha vida. Foi então que Helena, o grande e único amor da minha vida, voltou para mim. Estamos juntos agora, e ela aquece, em sua pança-forno, Emiliana, nossa filha.</p>



<p>A quarentena me trouxe a cura, o caminho de volta pra mim mesmo. Quando tudo voltar ao normal, não voltarei a correr. Agora tenho com quem caminhar, lado a lado. E logo estarei correndo, mas, calma. Será atrás de um par de pernas gordinhas que estará aprendendo a viver, assim como eu. Todos os dias.&#8221;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><em>Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida. </em></p>



<p><em>Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a> e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/">CAÇADORA DE HISTÓRIAS: O QUE FICA, DE TUDO ISSO?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/cacadora-de-historias-o-que-fica-de-tudo-isso/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12680</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estéreo &#8211; Capítulo 8</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/estereo-capitulo-8/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/estereo-capitulo-8/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Estéreo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Pippa]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12536</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Pippa</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/estereo-capitulo-8/">Estéreo – Capítulo 8</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando percebi, já era final de ano.</p>



<p>Mal me recordava que éramos estudantes do terceiro ano do ensino médio e, dali em diante, seria o começo da vida na faculdade e o início de nossas vidas em outras esferas do mundo.</p>



<p>Muito aconteceu durante os meses que se seguiram e, sem acordar para a realidade que me cercava, não percebi que o fim de meu contato diário com Ana também estava próximo.</p>



<p></p>



<p>Após a noite em sua casa, ela ficou uma semana sem me dirigir a palavra. Para nada.</p>



<p>Se estávamos perto e no mesmo grupo de amigos, ela se desviava de minha presença e ficava na outra ponta. Se estávamos em classe, ela dormia a maior parte das aulas em que ficaríamos conversando geralmente e evitava sequer me olhar. Obviamente, as pessoas que conviviam diariamente conosco percebiam que havia algo errado, visto que vivíamos rindo e juntas e, de um instante ao outro, eu passava a ser ignorada.</p>



<p>Eu não sabia o que se passava em sua mente, mas, em mim, o que existia de sentimento ainda estava forte e necessitava ser dito, mesmo que fosse apenas para aliviar o peso de meu coração guardar a sete chaves esse segredo.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Sinceramente, não sei por que ela ficou desse jeito. Não sei o que fiz de errado.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Acho que você não fez nada errado, meu bem. A Ana que deve ter feito algo que ela não imaginava e agora tá confusa. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Mauricio tentava me acalmar.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Mas&#8230; ela nem me olha mais. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu estava desolada.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Olha, acho que você deveria conversar com ela. Sei que ela tá te ignorando, mas, sei lá, tenta pegar um momento em que ela esteja sozinha e fala tudo.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Tudo? Tipo tudo mesmo?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;É! Fala o que você sente por ela, pergunta por que ela tá desse jeito. Pior do que tá, não fica; então, não custa tentar.</p>



<p>E eu tentei.</p>



<p>E ela me ignorou.</p>



<p>E eu tentei.</p>



<p>E ela me ignorou.</p>



<p>Toda vez que eu chegava perto, ela se afastava, como se eu estivesse com uma doença terrível e contagiosa.</p>



<p>Fiz a última tentativa um dia antes do último dia de aula.</p>



<p>Na hora do intervalo ela saiu para fumar e eu fui atrás, porque não poderia prolongar mais o sofrimento e necessitava acabar com o caos que estava rodeando nossa amizade.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Você vai me escutar. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu falava cansada enquanto subia o morro correndo atrás dela para alcançá-la.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu não tenho nada pra dizer. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela acendeu o beck e evitou me olhar nos olhos.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Mas eu sim. Então só me escuta.</p>



<p>Estávamos só nós duas, no alto daquele lugar e a cidade abaixo de nós.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu estou apaixonada por você.</p>



<p>Ela se limitou a me encarar, tragando e soltando a fumaça, muda.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;E desde que aconteceu aquilo na sua casa&#8230;. Eu&#8230;. Eu não sei o que pensar. Porque você me beija no banheiro e aí vai e tira minha roupa, aí agora finge que eu não existo.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Aquilo foi um erro. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Ela olhava para todos os lugares, menos para mim.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não parecia um erro quando <em>você</em> foi até mim.</p>



<p>Ela respirou fundo, umedeceu o lábio com a língua e buscou as palavras.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu sabia que você tava gostando de mim. Por isso foi um erro a gente ter transado. Eu não devia ter permitido que acontecesse, mas, na hora, eu esqueci disso e pensei só em que eu queria saber como seria, porque tava curiosa em ter essa experiência também. Foi ótimo, não vou mentir e nem tem como, você sabe muito bem. Mas, eu não sinto o mesmo por você, Bianca. Nunca senti. A gente é amiga e só isso.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Então eu fui uma experiência? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu falava o mais baixo possível.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;E eu não fui? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela assentiu.</p>



<p>Eu sentia que as lágrimas viriam, mas torcia para que conseguisse segurar.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;A gente tem dezessete anos, Bi. A gente tem que curtir o mundo, aproveitar as oportunidades, os momentos. Fazer o que tem vontade. E deu vontade, eu quis. Eu também tenho minhas curiosidades. Mas foi só. Nada além de matar a vontade. Eu tô esse tempo todo te ignorando porque sei que é melhor pra você se afastar de mim do que ficar mais próxima. Ficar mais próxima de um sentimento que nunca vai ser reciproco só vai te causar dor, e como amiga eu não quero isso.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Infelizmente isso já aconteceu. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Enfim as lágrimas escorriam pelo rosto enquanto eu tentava não desabar.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Foi irresponsável da minha parte ter te tratado dessa forma, mas eu realmente achei que dava pra separar as coisas. Desculpa se te fiz sofrer, mas eu não imaginei que você sentisse tanto assim por mim.</p>



<p>Abaixei a cabeça e não conseguia mais falar, estava de coração partido.</p>



<p>E doía demais.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;As aulas acabam amanhã. Então o colégio tá no fim, e, isso quer dizer que, depois daqui, a gente não vai se ver mais. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Ela se aproximou e colocou uma mão em meu ombro. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;E vai ser melhor assim. Foi ótimo ter sua amizade, foi ótimo ter sido o seu primeiro beijo, foi ótimo o que a gente fez, mas eu não queria que as coisas tivessem sido desse jeito. Então, desculpa, mas a partir de agora, nossa amizade acaba aqui.</p>



<p>Ela tirou a mão de mim e começou a descer o morro.</p>



<p>Eu a observei partir, pensando o quanto ter escutado aquilo tudo era horrível e para ela não significava nada.</p>



<p>Eu sabia que a vida era feita de decepções e que sem elas nós não crescemos, mas, naquele instante, era o fim do mundo e sem perspectiva de renascimento.</p>



<p>Fiquei por lá, em pé, parada, olhando para o nada e pensando em mil coisas. Ah, se eu soubesse que não seria a primeira e nem a última vez que algo assim aconteceria&#8230;</p>



<p>Quando retornei para a classe, permaneci sentada ao seu lado.</p>



<p>Coloquei o fone de ouvido, e a primeira música que tocou falava sobre gostar de alguém que não sentia o mesmo, e o quanto essa pessoa desejava não ser amigo de quem o amava para que não se compadecesse daquela dor; e, eu me perguntava, se ela ao menos se sentia triste de verdade por ter me feito triste.</p>



<p>Mas, talvez, ela nem se importasse.</p>



<p></p>



<p>O último dia de aula era um alvoroço.</p>



<p>Todos queriam assinar as camisas de todos &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;que ficariam jogadas no armário como recordação de um colegial bom para alguns e péssimo para outros. Porém, Ana não foi.</p>



<p>Procurei-a por todos os cantos e não a encontrei.</p>



<p>Tive certeza de que fora para não cruzar comigo e evitar alguma confrontação;&nbsp;e eu só queria seu nome em minha camiseta para que <em>ela</em> não se esquecesse de mim.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela não vem, Bi. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Mauricio se aproximou e me ajudou a guardar as coisas para irmos embora. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Perguntei pras meninas e elas disseram que, parece, que a Ana viajou com os pais ou algo assim.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Tá tudo bem. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Forcei um sorriso, coloquei a mochila nas costas e o abracei pela cintura para sairmos dali.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Fico péssimo que você esteja assim.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Uma hora vai passar, você vai ver.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu sei Bi. Pensa que agora a gente começa outra fase das nossas vidas e tem um mundo lá fora esperando.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ainda bem, Mau, porque se não tivesse eu estaria perdida. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Rimos juntos e saímos.</p>



<p>Quando estávamos deixando para trás definitivamente o edifício que pertenceu a uma parte da nossa adolescência, e onde ficou meu beijo gravado entre o corredor frio e que se tornara quente naquela hora, olhamos mais uma vez para lá, nos despedindo de fato da escola.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Bi, olha! &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Mauricio apontou para o outro lado da rua.</p>



<p>Lá estava Ana, distante, parada e olhando para nós dois.</p>



<p>Ela forcou os lábios em um sorriso pesaroso e acenou com a cabeça.</p>



<p>Eu congelei e meu coração parecia fugir de meu peito, mas, entendi o que ela quis dizer apenas com aquilo.</p>



<p>“Está tudo bem? Desculpa pelas palavras rudes”.</p>



<p>Eu sorri, sinceramente, balancei a cabeça também em um aceno e levantei o braço, com um tchau estático.</p>



<p>“Sim, está tudo bem. Eu um dia irei compreender”.</p>



<p>Ela sorriu um sorriso tímido e foi embora de vez.</p>



<p>E eu entendi que tudo aquilo estava indo embora com ela &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;as memórias, os acontecimentos, as vontades (mesmo que estivessem guardados para sempre em mim) <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;porque realmente estava tudo bem e os meus dezessete anos também estavam partindo para uma nova vida começar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Barbara Pippa </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é nascida em Juiz de Fora, participante em antologias de poemas e contos. Acredita em astrologia e muda o cabelo de acordo com o humor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/4eabc-begaleria8-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/estereo-capitulo-8/">Estéreo &#8211; Capítulo 8</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/estereo-capitulo-8/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12536</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Meu pé de acerola vermelhinha</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/meu-pe-de-acerola-vermelhinha/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/meu-pe-de-acerola-vermelhinha/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[brincadeiras de infância]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Ingryd Cordeiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12606</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Ingryd Cordeiro</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/meu-pe-de-acerola-vermelhinha/">Meu pé de acerola vermelhinha</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="dd31">Mesmo quando eu tinha 9 anos e total inexperiência de trabalho em empresas quaisquer, tratei de setorizar o quintal da parte de trás da casa da minha mãe. Dividi seguindo a mesma lógica de uma linha de produção: cada espaço ali teria sua funcionalidade de acordo com o que de melhor dispunha. Por exemplo, o canto esquerdo, perto dos pés de banana e do primeiro pé de coco, era ideal para ser ocupado durante os finais de tarde, já que não tinha muita formiga e a terra era boa o bastante para facilitar a extração da matéria prima dos meus bolinhos de barro.</p>



<p id="97b7">Por outro lado, o canto direito, perto do pé de ata e do segundo pé de coco, só me atraía quando os meus primos estavam. Com companhia, dava para aproveitar muito bem o pequeno quadrado de cimento da caixa d’água para brincar de carrinho, de bola e de patinete. No quintal da mamãe podia tudo, mas havia regras e, por incrível que pareça, a maioria delas impostas por mim. Não que eu tenha sido uma criança mandona, longe disso. Acontece que cada brinquedo tinha seu respectivo setor, e as outras crianças precisavam primar pela organização do nosso espaço.</p>



<p id="97c2">Só havia uma árvore que unia todas as tribos e brincadeiras: o pé de acerola. Não sei se o José Mauro de Vasconcelos, autor do livro&nbsp;<em>Meu pé de laranja lima</em>, alguma vez na vida imaginou que aqui em plena Amazônia (ou quintal da mamãe) teria uma versão paraense do Zezé, mas com um pé de acerola vermelhinha. Também não sei se meu falecido avô imaginou que, ao trazer a mudinha lá do interior de Minas Gerais para plantá-la milimetricamente bem ali no meio do quintal, no centro dos quadrantes que setorizei, ela se transformaria em guarda-sol nas manhãs calorentas de sábado e, consequentemente, em zona neutra para todos os tipos de brincadeiras.</p>



<p id="113a">Se minha memória também for setorizada por espaços geográficos, a parte das lembranças do pé de acerola é, com certeza, uma das mais felizes. Lembro com carinho dos ninhos de passarinhos que, quando experimentavam o conforto e a hospitalidade oferecida pela árvore, logo queriam morar nela. Da mesma forma acontecia com as joaninhas, que vez ou outra inventavam de nos fazer uma visita. Além de me proteger do sol e de servir de casa para os bichos, o pé de acerola também era o aliado de toda família contra a gripe. Segundo a minha mãe, bastavam cinco frutinhas para que a cura do resfriado chegasse. Psicológico ou não, comigo sempre funcionava.</p>



<p id="d98f">E por falar em doença, uma vez ele adoeceu, e eu fiquei muito preocupada. Assim que o vovô nos visitou, pedi ajuda; e&nbsp;ele, como medida para todo problema sem saída que tinha na vida, decidiu orar. Estendemos as nossas mãos para o lado que não tinha mais folhas e pedimos a Deus para que curasse o pé de acerola. Milagre ou não, deu certo, e logo a copa voltou a ficar frondosa.</p>



<p id="37e4">Quando o pé de acerola chegou, eu nem estava aqui; na verdade, eu ainda nem tinha nascido. Tudo o que sei são os relatos da viagem dele na mudança de mala, cuia e vegetação da minha família para o Norte. Eu o imagino vindo, ainda bem pequeno, com os galhos ao vento no jipe do vovô atravessando Minas, Goiás, possivelmente o Distrito Federal, Tocantins, Maranhão e finalmente chegando até a casa onde cresci. Uma viagem desse tamanho é de baquear a coluna — ou o tronco — de qualquer um, mas todos conseguiram se estabelecer e criar raízes por aqui.</p>



<p id="c3b4">Alguns anos se passaram, e eu já não acordava cedo aos sábados para brincar no quintal &#8211; provavelmente porque tinha jogado Super Mario até tarde da noite anterior. Penso que, talvez, se tivesse acordado um pouco mais cedo e ouvido os barulhos do serrote, eu teria conseguido chegar a tempo de evitar o pior. Meu pé de acerola — que também era sombra, casa, remédio, milagre e herança do meu avô — tinha sido cortado, sob a justificativa de evitar o trabalho de varrer as folhas. A área do meio do quintal não ficaria mais vermelha quando chovesse; agora era só o nada, o nada marrom cor de terra. Depois de um tempo, tiraram as raízes dele de lá &#8211; e eu também tirei as minhas, já que dificilmente vou ao quintal da casa da minha mãe e tenho sonhado pegar a estrada de jipe como ele fez.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Ingryd Cordeiro</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é paraense, estuda Direito e escreve crônicas para publicar em <a href="http://medium.com/@ingrydcordeiro_">seu perfil do Medium</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/meu-pe-de-acerola-vermelhinha/">Meu pé de acerola vermelhinha</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/meu-pe-de-acerola-vermelhinha/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12606</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Matéria Sem Título</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/materia-sem-titulo/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/materia-sem-titulo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12702</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/materia-sem-titulo/">Matéria Sem Título</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Conheci o Vinícius na redação do Gazeta do Comércio, na década de 1990. De lá até hoje, se passou quase um quarto de século, o que fez com que eu praticamente me esquecesse do jornal, da secretária, do Vinícius e da coisa toda; ou, pelo menos, eu pensava assim até ligar a TV na hora do almoço e assistir a uma matéria policial a respeito de um homem que havia se jogado pela janela do quinto andar, de roupão, segurando numa das mãos um cachimbo e na outra uma fotografia polaroid. Pelas imagens, eu reconhecia aquele prédio, na altura 573 da Avenida Rebouças, mas não lembrava de onde. Foi aí que uma vizinha, mais velha e estereotipadamente crente, concedeu pequena entrevista à repórter dizendo <em>“Coitado do seu Vinícius. Tão jovem. Tão educado. Pena que não tinha deus no coração.”</em> Era isso mesmo, a casa do Vinícius!</p>



<p>Quando nós trabalhávamos juntos, ele tinha deus no coração. Pelo que me lembro, tinha deuses até. Foi um pouco católico, um pouco budista, umbandista, candomblecista e ateu. Ele era jovem, nem quarenta anos; mas de perto, aparentava menos de trinta. Sempre estava fazendo coisas, o tempo inteiro. Algumas vezes, cheguei a sentir irritação por isso. Não que o Vinícius fosse genial, não era; mas fazia parte daquela geração que nasceu no limite da mediocridade. Fazia tudo de uma forma aceitável, no entanto, como os que nasceram a partir dos anos noventa tendiam a ser medíocres, nós tendíamos a acreditar que o Vinícius era brilhante.</p>



<p>Um dia, enquanto tomávamos café, ele me contou sua vida. Fazia parte de uma instituição religiosa e dirigia alguns projetos sociais por lá, o que consumiu todos os finais de semana da sua vida desde os dezenove anos. Estava participando da criação do plano de governo de um candidato trabalhista, o que rendia jornadas de trabalho noturnas sem fim. Estava responsável pela coluna política do jornal. Em casa,&nbsp; cuidava de dois gatos vira latas. Pai de uma menina, fotografava de vez em quando os cenários exóticos da cidade. Vivia um relacionamento instável com a mulher. Lia compulsivamente e ainda me dizia que pensava em fazer algum outro curso superior. Trabalhava como jornalista, mas era geógrafo de formação. Tudo isso, ele me contava enquanto mexia quatro gotas de adoçante em meio copo de café.</p>



<p>Ouvindo tudo, a minha sensação era de cansaço misturado com um pouco de raiva. Me passava a impressão de que poderia ainda fazer mais dez coisas simultâneas e pagaria apenas o preço de uma olheira funda e algumas dores nas costas. Reclamava muito de dores nas costas, e talvez por isso, pelo menos uma ou duas vezes na semana, ele ia trabalhar fedendo a emplastro Sabiá. Do seu jeito, aquele rapaz me despertava curiosidade. Andava de uma forma desengonçada e, quando parava, arqueava os joelhos para trás como se não tivesse ossos. Na copa de 1994, ele tirou os dias de jogos para dormir ou ler. Não tinha paixão pelos jogos, ou por corridas de Fórmula 1, ou pelo carnaval, nada. Na verdade, ele andava sempre com livros na mochila, que lia quando o tempo folgava um pouco. Comia mais doces do que meus filhos e bebia preferencialmente destilados, o que rendeu a ele o título da única pessoa na redação que costumava beber conhaque puro. Fumava cachimbo, não gostava de maconha, foi vegetariano uma vez durante o tempo em que trabalhamos juntos. Vinícius era uma peça diferente naquela engrenagem. Tinha excelente produção, mas parecia triste.</p>



<p>Em dezembro de 96, nós conversamos pela última vez. Ele pediu contas e estava aguardando o aviso prévio, que terminaria na virada do ano. Como os donos do jornal achassem um desaforo que alguém quisesse se demitir, fizeram com que ele cumprisse rigorosamente os dias do aviso, marcados no relógio de ponto, mas tiraram de sua responsabilidade a coluna política, que deram para o Moisés. Vinícius foi colocado para redigir o horóscopo semanal.&nbsp; Naquela época &#8211; tanto quanto hoje -, quem cuidava disso ou eram os estagiários ou os renegados, porque nenhum entendido queria fazer. Os astrólogos acreditavam demais nas estrelas para vender suas previsões em jornais que custassem oitenta centavos. Naquele dia, eu preparava uma retrospectiva anual e só pensava no que aquele ano maluco tinha criado.</p>



<p>&#8211; 96 foi foda; mas também, um ano que começa com um ET em Minas não pode ser normal.</p>



<p>&#8211; Pode ser.</p>



<p>&#8211; Pode ser não, cara, é. As únicas coisas boas que aconteceram até aqui foram a prisão do Darcy Pereira e o lançamento do Pálio. O resto está revirado.</p>



<p>Eu tentei fazer piada e forçar um pouco a conversa, mas o Vinícius estava mais distante. Com certeza escutava, porque seus olhos acompanhavam os gestos que eu fazia com a mão. Ele escutava por inércia, de vez em quando franzindo a testa, depois soltando de novo.</p>



<p>&#8211; Acho que estou infeliz, Beto. Não sei bem, mas acordei com uma sensação estranha hoje cedo. Quando abri os olhos, em casa, pareceria que eu era outra pessoa; quer dizer, que uma outra pessoa dentro de mim também abria os olhos na cama, com a única diferença de que, pra mim, o teto com o ventilador rodando era mais um sinônimo de quarta-feira, mas para esse outro, o ventilador parecia uma coisa toda diferente.</p>



<p>Ele disse isso e se calou com uma angústia que eu poderia pegar com a mão, de tão densa. Como só estávamos nós dois na copa não era possível desconversar e sair de fininho. Nós não éramos exatamente amigos, é difícil fazer amizades nesses tempos, mas éramos colegas e isso bastava. Tive que ficar, mas tentei evadir.</p>



<p>&#8211; Quê isso, rapaz! Se eu não te conhecesse, ia dizer que você veio trabalhar chapado. Não tem como a gente ser duas pessoas ao mesmo tempo. Isso é coisa pra Paulo Coelho ou Zíbia Gasparetto. Você precisa é de férias.</p>



<p>&#8211; Não, Beto, é sério. Acho que vivi minha vida errado. É estranho, mas quando olho para trás não consigo me lembrar de como foi minha infância. As pessoas me dizem que foi feliz; eu acredito, mas não me lembro.</p>



<p>&#8211; Mas ninguém se lembra, Vinícius. A gente vive na capital, ritmo alucinado, o Brasil nesse sobe e desce maluco, quem vai lembrar?</p>



<p>&#8211; Aí é que está… Se eu não me lembro, porque aceito que outros se lembrem por mim? E o que vem depois? Aos cinquenta não lembrar dos trinta? E aos setenta não se lembrar de nada? E depois sequer ser lembrado? Não dá, Beto…</p>



<p>Óbviamente isso deveria ser a crise de meia idade de um intelectual que não conhece a vida. Sempre pensei assim quando ouvia coisas do tipo. Quem trabalha não tem tempo para ficar olhando mosquito voar.</p>



<p>&#8211; Sabe do que você precisa, Vinícius? De um teco e de uma mulher pra te dar uma surra a noite inteira. Esse seu outro eu vai voltar lá pra dentro rapidinho. Põe o pé no chão. Pensa na sua filha, cara. Se quiser, te passo o telefone de uma morena que atende em casa.</p>



<p>&#8211; Você não entende, Beto, e fica de sacanagem. Quem dera se todo problema fosse resolvido comendo alguém. Você não está certo, mas errado também não está. Esse eu que acordou olhando para o teto parece que me diz que essa vida nunca foi minha. Não amo mais quem amei, não gozo mais o que gozei. Nascer novinho aos quarenta… Só fica minha filha, cara. E além do mais, fazendo o horóscopo dessa semana, escrevi que minha cara metade seria ariana. Vê só, eu escrevi e esse outro eu tomou como verdade. Acho que preciso de remédios.</p>



<p>Quando o assunto chegou em signos, eu não dei conta e desconversei falando do massacre dos sem-terra em Carajás. Nunca dei conta de signos, e agora o sujeito que escreve da própria cabeça as previsões resolveu acreditar em si mesmo. Ele deve ter percebido o meu desconforto, porque também deixou de falar. Nos cumprimentamos pelos dias que faltavam até o natal, mas sem esticar conversa. No dia vinte e três, ele terminava o aviso prévio; não fizemos uma festa, mas todos apertaram sua mão desejando sorte &#8211; mais por protocolo do que por verdade, é certo. Na nossa vez de nos despedirmos, ele me entregou um envelope com um livro dentro, agradeceu por tudo e foi embora. Demorei mais de uma semana para abrir e ver o que era. Ele me deu um exemplar de O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse. Não li.</p>



<p>Tive notícias de que não voltou a trabalhar em jornais. Se mudou para o tal apartamento na Rebouças com os gatos e a filha. Depois se separou da mulher e foi viver no interior por um tempo, mas depois voltou para o tal ap. Pelo que chegava a nós, viveu uma vida modesta como professor e boêmio. Alguns diziam que juntou os trapos com outra moça, mas isso eu não sei. Sei que não me lembrava do Vinícius até a velha de saia e coque dizer que o “<em>seu Vinícius não tinha deus no coração</em>.” Fiquei chateado por ele.</p>



<p>Na estante do quarto, eu ainda guardava o livro de vinte anos atrás. Separei dos demais e deixei sobre a escrivaninha do quarto onde trabalho. É foda isso. Resolvi ler o prefácio em memória daquele homem. Talvez ele fosse exatamente o tal do Haller e tivesse percebido que, às vezes, dói menos a morte que a vida torcida. Se bem que não acredito que ele tenha se jogado assim, no ato. Parece mais razoável pra mim que estivesse fumando ou olhando pela sacada e numa crise de vertigem &#8211; ele tinha bastante medo de altura &#8211; a cabeça tonteou e o corpo não opôs resistência.&nbsp; Ele não se mataria; amava demais a filha para isso. De todo jeito, não importa mais.</p>



<p>Hoje eu tenho setenta e três. O Vinícius deveria ter no máximo uns sessenta, não mais do que isso. Na casa dele, e eu peguei a informação com o pessoal que cobriu o tal suicídio, o pote de ração do gato estava vazio e a chaleira no fogo para fazer café, coisas que só reforçam minha tese do corpo cansado que não se opôs à queda, tão feminina e erótica queda.</p>



<p>Fui ao velório. Poucas pessoas presentes. Ainda se usava assinar a ata dos presentes, onde cada pessoa preenchia nome, data de nascimento e cidade. Me pergunto porque seria importante o registro da data de nascimento de alguém que fosse prantear seu defunto. Uma mulher gorda e carrancuda ficava na porta da capela fazendo com que cada um que saísse deixasse ali suas informações. Como fui tarde da noite, só estavam ali a filha dele, com um neto adolescente, o irmão e uma mulher morena com as unhas dos pés pintadas e as das mãos não.</p>



<p>Conversei um pouco com a filha. Me benzi como bom católico não praticante e fui embora. Na saída, a velha me empurrou a prancheta com os espaços para me identificar. Conferindo, fui juntando nome à pessoa, só não identifiquei a mulher, que tinha assinado imediatamente acima do meu nome. Bati os olhos e vi a data de nascimento, cinco de abril de 1983.</p>



<p>Não segurei um riso fácil. O desgraçado estava certo. Pena que morreu cedo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/materia-sem-titulo/">Matéria Sem Título</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/15/materia-sem-titulo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12702</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
