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	<title>Arquivos corpo - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Menininha assassina, estuprador brother: a atualização do discurso de que perigosas são as mulheres </title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 12:38:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê 1904]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Existem informações que nós, feministas, estamos cansadas de saber. Sabemos que o Brasil ocupa, há muitos anos, a posição de 4º país no mundo com maior número de casamentos infantis (ou seja, homens adultos se casando com meninas). Sabemos que a violência sexual é a forma de violência predominante contra meninas de 10 a 14 … </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existem informações que nós, feministas, estamos cansadas de saber. Sabemos que o Brasil ocupa, há muitos anos, a posição de 4º país no mundo com maior número de casamentos infantis (ou seja, homens adultos se casando com meninas). Sabemos que a violência sexual é a forma de violência predominante contra meninas de 10 a 14 anos e que a maioria estrondosa dos violentadores são homens. Sabemos que o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial em exploração sexual infantil, que em 2023 registrou-se o maior montante de denúncias deste tipo de violência ocorrendo na internet e sabemos que, novamente, a maioria dos agressores são homens e a maioria das vítimas são meninas. Os números sobre violência sexual e doméstica não são muito melhores quando estamos falando de mulheres adultas. E claro, sabemos que, em uma estrutura capitalista e racista, a subjugação racial e econômica transforma meninas e mulheres pretas e/ou com condições financeiras precárias, em alvos ainda mais fáceis para a predação sexual masculina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não digo que estamos cansadas de saber apenas porque a maioria de nós tem esses dados e essas vivências na ponta da língua, mas porque carregar, sozinhas, essa memória coletiva visceralmente entranhada é uma condição de existência exaustiva. O fardo não é suportado só por nós pois tratam-se de estatísticas e fatos escondidos, de algo que apenas nós sabemos. Para a classe masculina hegemônica, independentemente de partido político, essas informações também não são novas, mas significam poder: são o retrato de que a máquina patriarcal segue funcionando a todo vapor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se, como Susan Brownmiller colocou, o estupro é um processo social consciente de intimidação onde todos os homens mantém todas as mulheres em um estado de medo, podemos falar o mesmo de uma gravidez indesejada. Isto é especialmente verídico em um país onde 7 a cada 10 mulheres são mães; onde a cada 5 bebês nascidos, 1 foi gestado por uma menina com idade entre 10 e 19 anos; e onde uma menina com idade até 14 anos se torna mãe a cada 20 minutos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A guerra contra meninas e mulheres acontece de forma entrelaçada. Existem os atos práticos que limitam as possibilidades de vida, como a não garantia dos direitos reprodutivos, e existe também uma ideologia que se impõem no campo do discurso. Se Foucault falou que não existe saber sem poder, Marx falou que um componente imprescindível da dominação é a promulgação das ideias da classe dominante como se fossem ideias universais, ideias que beneficiam a todos, quando na verdade apenas reforçam o poder dos dominadores. Marx falava de capitalistas, mas as feministas sabem que existem classes para além das econômicas, ou melhor, que as classes sexuais são, também, econômicas. E esta é uma das funções secundárias do PL 1904/2024, que classifica como homicida uma vítima de estupro que aborta após a 22ª semana, com direito a uma pena maior que a destinada aos estupradores. A porcentagem de abortos legais realizados nesse período gestacional é baixa, cerca de 5%, e quem necessita são majoritariamente menininhas com quem toda a estrutura familiar, escolar, de saúde e assistência falhou. Além de todas as consequências concretas, o PL 1904/2024 solidifica, na aliança entre patriarcado e legislação, um intertexto. Que mensagem está sendo passada?&nbsp;</p>



<p>Vejamos, no início deste ano, aqui no país do futebol, o jogador mais reconhecido do Brasil e um dos mais famosos do mundo apoiou financeiramente um provável estuprador, também jogador. Seu brother. Ainda que a mídia tenha feito alguns comentários, motivada pelos protestos das mulheres, não houve grandes repercussões. A carreira deste braço amigo não foi afetada, nem houve perda significativa de adoração do seu público, composto em grande parte por, isso mesmo, você adivinhou, homens! Já uma menina de 10 anos no ES, repetidamente estuprada dentro da família, teve que ser enfiada no porta-malas de um carro para conseguir entrar em um centro de saúde e interromper uma gestação. Uma aglomeração de pessoas do lado de fora gritava “assassina!”. Ainda que ilustrativas, essas situações não são anômalas, não são exceções. Também não se trata de hipocrisia. É dialética, diria Marx.&nbsp;</p>



<p>Já Foucault, que pouco seria sem Marx, conceitua discurso como um conjunto de enunciados regidos pela mesma regra. De um lado, temos a normalidade com que acusados de estupro e seus protetores são tratados. De outro, temos a potencial classificação criminal de assassinato por interromper uma gestação originária de violência masculina. Tratam-se de enunciados regidos pela mesma mensagem: <strong>o perigo reside nas mulheres</strong>. É esse o intertexto que o PL 1904/2024 busca consagrar na legislação, independentemente de qualquer amenização que busque fazer agora com a retranca. Em 2019, o PL 2893 do PSL tentou fazer o mesmo, declarando que a mulher vítima de estupro que opta pelo aborto é mais criminosa que o estuprador pois este lhe poupou a vida. Como são misericordiosos, os homens!&nbsp;</p>



<p>São as mulheres, com seus úteros potencialmente vazios, que são as causadoras de violência. Essas mesmas, que neste país tem, legalmente, menos autonomia corporal que um cadáver. Sim, pois um corpo morto que em vida tenha se recusado a ser doador de órgãos será respeitado, ainda que um único doador possa salvar até 8 pessoas. A periculosidade feminina está inscrita em nossos corpos, enquanto os corpos dos homens são descritos como neutros e, portanto, idôneos. Veja o exemplo de Arthur Lira, presidente da câmara que tentou acelerar o PL 1904/2024. Arthur usou seu corpo para trair a esposa e engravidar a mulher com quem dava suas escapadinhas do sagrado matrimônio. Depois, se recusou a reconhecer a paternidade dessa filha, que possui uma doença e necessita de tratamento especial. Quando questionado, o excelentíssimo exemplar da moral masculina respondeu: “a vida privada de um homem público não interessa”. Já o corpo, tornado público, de meninas e mulheres privadas de uma existência livre de violência interessa, e muito, aos homens. Consciência de classe é algo muito presente em quem está hierarquicamente posicionado acima. Não é à toa que Arthur Lira marca o sujeito da frase: homem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Então me parece necessário e apenas justo que, na retomada do discurso, nós marquemos também. Eu, já há algum tempo, abandonei expressões que se tornaram higienizadas como, por exemplo, “violência de gênero”. A neutralidade não nos cabe, sabemos a quem ela pertence. Penso, como Heleieth Safiotti, que é necessário marcar o vetor da dominação-exploração. Nomeio então: violência masculina. Aponto para os homens, enquanto classe. E isso envolve apontar também para a esquerda institucional masculinizada, que tem sim tanta responsabilidade quanto os ‘conservadores’. A pauta da legalização da interrupção de gestações indesejadas só segue podendo ser usada como chantagem política porque a própria esquerda não a assume como essencial. O mesmo vale para um combate sério e comprometido contra o estupro e a exploração sexual. Andrea Dworkin, em uma fala brilhante dirigida para uma plateia de homens progressistas, afirmou: “Todas as nossas ações políticas são mentira se não nos comprometemos a abolir a prática do estupro”. Se você nunca leu o manifesto dela pelo fim do estupro, procure o texto. Eu poderia dizer que a atualidade de algo dito décadas atrás é impressionante, mas na verdade é apenas triste.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ainda que tenhamos diferenças entre nós, que muitas mulheres sejam amaciadas pela esquerda masculina (alou Nísia, alou Cida) ou cooptadas pela direita, eu peço para que lembrem que nossa população não é minoria. E se não há novidade na estratégia de enquadrar mulheres como figuras perigosas e criminosas, talvez o que nos resta seja realmente sermos. Aqui, de novo, trago uma frase em que Marx falava dos detentores do monopólio capitalista, mas podemos pegar para a nossa classe, que em si mesma tem aquilo de mais essencial monopolizado pelos homens: &#8220;Se a conquista se constitui como um direito natural por parte de poucos, então a maioria tem apenas que juntar força suficiente para adquirir o direito natural de reconquistar o que lhes foi tirado&#8221;. Sejamos perigosas então.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<p><strong>Ana Maria Bercht</strong></p>



<p>Psicóloga Clínica, Mestra em Psicologia Social e Pesquisadora a nível de Doutorado no PPG de Psicologia da PUCRS, investigando as temáticas de objetificação sexual, saúde mental de mulheres, sexismo e aborto. Já atuou no SUS e no SUAS, bem como em cargos de docência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p></p>
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		<title>Um corpo atravessado pelo encontro</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jul 2023 18:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 171]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[atravessar]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[encontro]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Fernanda Leal </p>
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<p>Hoje é quinta. Mas o que me leva a escrever é algo que aconteceu na terça. Um encontro, eu poderia dizer. Um encontro com Clarice. Mas sobre esse encontro, nada posso escrever. Qualquer tentativa de nomeação escapa-me. Do encontro, guardo apenas a expressão de um corpo em movimento, frágil. Um corpo atravessado pelo encontro de algo muito sem nome. Talvez por isso, entre a terça e a quinta, um intervalo de silêncio.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Enquanto escrevo, recordo uma frase que havia escrito no caderno. Procuro, mas não a encontro. Acabo me perdendo no trecho do diário de 2022 e confirmo a verdade de uma frase que Gabi me entregara há alguns dias: é mesmo real o contorno que o tempo nos concede.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quando leio o diário as lágrimas vêm com facilidade, pois sei o que aquelas palavras escritas falam. O mais importante está entre as linhas do caderno que preencho com uma língua que não é a minha, mas que parece me visitar em certos momentos como se eu a pudesse controlar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Recorro à musica porque é ela que me ajuda nessa linguagem que se encontra à margem. Sorrio ao escrever essa palavra e muitas imagens me ocorrem: a margem da estrada, a margem da folha, a margem do mar ________________ a margem da palavra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Lembro de outra frase de Gabi: “não foi o mar, mas seu movimento, que nos foi dado em herança”.&nbsp;</p>



<p>O movimento!&nbsp;</p>



<p>O movimento! Tenho vontade de repetir vinte sete vezes: o movimento! Eu que sou tão ausente de permanências. Eu tão passageira. Eu tão ____________&nbsp;</p>



<p>A música dá início a um ritmo mais intenso e tenho a necessidade de ir junto com ela. Nesse ritmo louco, dessa que me visita com tanta frequência. Mas dela, só fragmentos. Detenho-me nesses sinais de sua presença. Ela adora me convidar a um diálogo sem sujeito. Toda vez que escrevo ela aparece com seu caminhar musical. É na letra que ela surge como se desejasse que eu traçasse as linhas de sua história.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ela não tem nome. E creio que nunca terá.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não sei como retratá-la. Mas não recuo a essa espécie de aproximação. Parece-me que sua natureza é mesmo essa: evanescente. E me assombro com o surgimento dessa palavra porque sei que ela carrega o tempo. Um tempo da eternidade. Há milênios ela existe. Milênios. Nem sei contar esse número. E mesmo assim ela conversa comigo. Não fala nada. Mas sei o que ela me pede e é por isso que escrevo. É esse o convite que ela me faz. E sigo com ela, escrevendo o que não posso, o que não sei, o impossível.&nbsp;</p>



<p>Talvez ela seja a nuvem animal do livro de Gabi. Há mesmo algo de animal nela, eu pressinto, como pressinto sua aproximação sempre que está por perto. Antes eram as extremidades que me avisavam através do medo que me acometia sua aparição. Hoje, não sei mais nada e isso de certa forma é um conforto pois aprendi com Clarice que “viver ultrapassa qualquer entendimento”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Dirijo-me a ela com essa falta de entendimento, buscando manter preservado todos os espaços entre as palavras. Me importam as linhas não escritas que se encontram na margem. Na margem da estrada que percorro sem saber para onde vou, na margem da folha que rabisco conhecendo o risco de não nomear, na margem do mar, preservando-me do afogamento ao mesmo tempo em que me deixo transbordar, na margem da palavra que, sei, jamais saberei pronunciar.&nbsp;</p>



<p>Me aproximo do fim da página desse caderno que tem a mão da escrita estampado na capa. Não me aproximo de um fim, sei disso. Mas sei também que não posso continuar. Não agora, quando as lágrimas que caem ameaçam manchar a tinta da caneta com a qual escrevo. São muitas as linhas que se abrem para além daquelas que se encontram na folha pautada. E me espanto. Me espanto com tudo que carrego nesse corpo atravessado pelo encontro. E me espanto ainda mais ao reconhecer que o que pulsa mais intensamente, mais loucamente, mais devastadoramente, é o peso de um verbo que não sei conjugar. Aquele bem pequeno. Aquele do bordado. Aquele que beira o mar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>(E talvez não seja coincidência que eu tenha saído do silêncio no dia de Iemanjá)&nbsp;</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">Envie sua proposta para nossas chamadas para publicação e para exposições!</h3>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Fernanda Leal</strong> é mulher em trânsito, da psicanálise para as artes. Autora do livro <em>“A tristeza comum da mãe: reflexões sobre o estado psíquico do pós-parto</em>”, resultado da sua pesquisa do Doutorado em Família na Sociedade Contemporânea (Ucsal). Desde a pandemia, vive nesse movimento de passagem, se refazendo através da escrita e  recentemente através das artes plásticas. Essa travessia veio a público com sua estreia na ficção, “<em>Um nome para o silêncio</em>”, publicado em 2022, pela Cas’a Edições. A escrita surgiu como uma necessidade, e o desenho como uma revelação que a mantém em movimento, imprimindo a língua no papel, com o ritmo que lhe é próprio e que leva um pedacinho do mar.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/_fe_leal__/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@_fe_leal__&nbsp;</a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/5P6bxSaRg2cK48jDngP6CY?si=0xXOqkk_QzGWuUYT-GgGtg"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31307" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



<p>Agora você pode divulgar seus<strong> produtos, marca e eventos</strong> na Trama em todas as publicações! </p>



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<div class="wp-block-image">
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		<title>Convenção das Mimizentas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/09/convencao-das-mimizentas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Feb 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[menina]]></category>
		<category><![CDATA[mimimi]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[regras]]></category>
		<category><![CDATA[rosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Alícia Vito</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Quando saí da maternidade, fui enrolada em uma mantinha felpuda rosa. Era confortável mas ninguém me disse que a partir daquele momento aquela deveria ser minha cor favorita, porque remete à delicadeza e é como preciso ser, afinal de contas, sou menina.</p>



<p>Como toda criança, parte bem importante do meu desenvolvimento era brincar. E como eu tinha energia para gastar e curiosidade para explorar o mundo! Mas meus brinquedos eram quase sempre panelinhas, bonecas e mamadeiras e me diziam que essa era a forma apropriada de me divertir, pois sou menina.</p>



<p>Minha percepção sobre minha própria sexualidade não veio como um incentivo a vivê-la em plenitude e sim como algo que eu deveria reprimir e me preocupar porque isso certamente define meu valor como pessoa/mulher.</p>



<p>Toda a minha parte emocional foi altamente estimulada, o que foi imprescindível para que eu aprendendesse a sintetizar meus próprios sentimentos, mas ninguém me disse que eu seria julgada por expressá-los e explicitamente desautorizada a tomar decisões técnicas e racionais, porque todos sabem, sou louca, sou mulher.</p>



<p>Meu corpo sofreu diversas alterações ao longo da vida, muitas das quais refletindo o meu próprio estado interior. Lidei com desequilíbrios hormonais, perdi e ganhei peso, ganhei marcas e cicatrizes e por vários momentos o único cuidado ao qual me reservei foi existir. Mas ninguém aprovou e me aceitou por isso, porque eu tinha padrões impostos pela mídia de uma perfeição neurótica a qual deveria perseguir, afinal, sou mulher.</p>



<p>Estudei, me capacitei, venci desafios acadêmicos e aguentei pressões para ascender social e profissionalmente na vida, para me garantir a pequena satisfação dos bens materiais. E administro com responsabilidade e maestria minha vida financeira, garantindo assim meu sustento e independência. Porém sou tida como um fracasso, uma vez que não constituí uma família e nem tenho um homem ao meu lado, porque isso é que se espera de uma mulher.</p>



<p>Sou cobrada injustamente pelo dever de exercer a maternidade, pelos meus relacionamentos, pelo meu comportamento, pela minha liberdade, pela minha voz ecoando firme no ambiente, pela minha segurança. E quase sempre preciso reinvindicar o meu direito ser humana. Mas não pensem que vou ser vítima e me calar, afinal sou mulher, mas não sou frágil e nem a única.</p>



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<p><strong><strong><strong>Alícia Vito </strong></strong></strong>Capricorniana, meio adulta e preocupada com as causas sociais. Ama os animais, a escrita e cheirinho de incenso. Seu principal passatempo é fazer os amigos rirem e descobrir novos becos na cidade.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



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