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	<title>Arquivos Maria Victoria Abdalla - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>PELE CORTADA COM LÂMINA DE APONTADOR</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 110]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ada Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Curatorial]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Victoria Abdalla]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wudson Marcos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#d80606;color:#ffffff"><strong>ALERTA DE GATILHO: SUICÍDIO. Caso você esteja precisando de ajuda, busque o Centro de Valorização da Vida através do telefone 188 ou do site cvv.org.br </strong></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Toque piano com os vinte dedos quebrados. Por favor, não ache absurda essa sugestão. Aprendi que, independente da sua enfermidade (temporária ou definitiva), é possível fazer tudo o que precisa. Pelo menos é o que dizem. Por isso, quando eu dizia que tinha uma dor imensa na minha alma, meu pai dizia que, mesmo assim, era possível caminhar até o ponto e pegar um ônibus cheio de gente, pra ir pra escola.</p>



<p>O gesso, cheio de assinaturas coloridas do pessoal da sala, deixava muito evidente que o braço da Clarisse a estava impossibilitando de executar suas funções, mesmo as mais simples, como escrever. Estávamos estudando o filósofo René Descartes e tínhamos que escrever pelo menos quinze linhas sobre o que havíamos aprendido na aula anterior. A professora deixou Clarisse fazer isso oralmente. As duas foram pra fora da sala e uns cinco minutos depois voltaram.</p>



<p>Um pessoal, como sempre, estava esperando alguém terminar pra poder copiar. Reproduziam basicamente o mesmo conteúdo do colega, mas com palavras diferentes, claro. Eles reclamaram dizendo que ela poderia escrever com a outra mão, mesmo tendo visto ela fracassar miseravelmente nessa tentativa. Mas a maioria da sala, pelo menos aqueles que se pronunciaram, disse que deveríamos nos colocar no lugar dela.</p>



<p>Imagine se você estivesse com sua mão quebrada e sua letra fosse totalmente ilegível quando usasse a outra mão. Algum gênio pode dizer: “Ah&#8230;mas tem pessoas sem os dois braços que conseguem fazer pinturas lindíssimas”. Sim, tem mesmo. Também tem gente que cai do sexto andar e não morre. Quais são as chances?</p>



<p>Descartes dizia que não podemos confiar em nossos sentidos, pois eles nos enganam. Por exemplo: você vê alguém na esquina e pensa ser um amigo seu, aí você grita o nome dele. Quando a pessoa te olha diretamente você percebe que não é o seu amigo, é um total desconhecido. Meu Deus! Isso dá uma vergonha! Ou quando alguém te liga e pede pra você adivinhar quem é, aí você tenta reconhecer a voz que fala com você. Quando a gente erra é muito chato. A pessoa pode dizer dramaticamente: “nossa, você não reconhece minha voz, blá, blá, blá&#8230;”</p>



<p>Eu poderia falar sobre os outros sentidos. Mas vou direto à minha parte preferida desse tema. Este texto que você está lendo agora, você pode não estar lendo. Você pode não estar no lugar que pensa estar neste momento. Em muitos dos nossos sonhos, acreditamos estar na vida real. Por isso ficamos aliviados ao acordar e não mais estar pelado no meio da quadra da escola. Alguém aqui já teve esse pesadelo? Comigo acontecia o seguinte: Eu chego com toda a roupa, normal. Em segundos, minha camiseta sumiu. Daqui a pouco, estou só de cueca no meio do pátio. Então, de repente, estou pelado. Acho que acordar cedo pra ir pra escola só é realmente bom quando se trata de um despertar desse tipo de pesadelo. Podemos também despertar decepcionados ao descobrir que o beijo que parecia tão real, ao ponto de sentir o gosto, nunca aconteceu na realidade.</p>



<p>Mesmo depois de tratarmos sobre essas questões, a maioria não duvidava que a Clarisse tinha quebrado o braço de verdade. O gesso estava ali, eles assinaram nele, sentiram o cheiro da tinta das canetas e, principalmente, lembram do grito ensurdecedor que ela deu quando caiu durante o jogo. Continuavam confiando em seus sentidos.</p>



<p>Ninguém vê o vazio que você sente. Nem você mesmo. Não dá pra ver o vazio. Sobre pessoas que não têm empatia pelo sofrimento evidente de um maltrapilho, fedido e com fome – Como elas terão sensibilidade por um sofrimento que não dá pra captar por nenhum dos sentidos humanos?</p>



<p>Tem uma menina da minha sala que vai sempre de casaco pra escola. Todo mundo sabe que, embaixo das mangas, ela esconde os cortes que faz em si mesma. Alguns, eventualmente, conseguem ver os riscos da lâmina em seu braço. Uns idiotas ainda ficam <em>zuando</em>, dizendo ser modinha ou pra chamar a atenção. E se for? Será que não tem um motivo pelo qual ela, indiretamente, pede socorro? Ninguém se importa se ela está triste todos os dias ou se, por causa da ansiedade, tem dificuldade em todas as provas. Não veem esse sofrimento. Só vão enxergar quando ela tiver se matado. Aí vão postar discursos nas redes sociais. Bando de hipócritas! Quando o professor de Geografia, por causa de uma crise dela, “perdeu” cinco minutos da revisão para a prova, a maioria ficou reclamando.</p>



<p>Sabem do que mais? Se ela fosse gostosa, iam tentar ajudá-la. Mas a maioria faria isso com a intenção de pegar ela depois da consolação. Ou talvez queiram usar a desculpa da consolação pra dar uns <em>amassos</em>. Eu não estou falando isso aleatoriamente. Tem gente da sala que já disse que ela é feia demais pra fazer o esforço valer a pena. Bando de egoístas! Até nas atitudes aparentemente boas têm o intuito de satisfazerem apenas seus próprios desejos.</p>



<p>Ela tem três casacos. Pelo menos foi o que eu contei. O que ela mais usa é um preto, com a imagem da <em>Hinata</em>. Eu não falei o nome dela aqui porque ela pediu pra eu não dizer. Quer dizer, ela sabe que escrevi essas coisas, mas não quer que ninguém mais descubra. Ela já é ignorada por um número suficiente de pessoas. Na verdade ela nunca gostou desse lance de descobrir – me refiro às mangas da blusa. Uns babacas tentaram erguer as mangas do casaco pra <em>zuar</em> ela. Sempre me pergunto – Por que o ser humano tem tanto prazer diante do sofrimento alheio? Talvez, depois que ela se matar, vão se sentir culpados. Mas não porque, repentinamente, passarão a amá-la. Mas porque haverá uma cobrança dentro de cada um. Aí vão se incomodar com o peso sobre seus ombros, não com o buraco enorme que ela sempre teve no coração.</p>



<p>Como todo mundo sabe que ela se corta? Bom, eu também me cortava. Desde os 12 anos. Quando eu sentia a lâmina na minha carne e, em seguida, via o sangue escorrendo, era um alívio. Era bom me cortar porque assim eu me sentia mais perto da morte. Há muito tempo eu não queria estar vivo. Um dia, ouviram a menina dos casacos dizer que “a vida é muito pesada”. Alguém disse: “Só não é mais pesada do que você”. Ela então sussurrou no meu ouvido: “Acho que se eu tivesse outro corpo, teria pessoas que se importam comigo. Ou, pelo menos, fingiriam que se importam”.</p>



<p>Lá em casa, depois que meus pais descobriram meus <em>mini suicídios</em>, eles não falavam em outra coisa além de “automutilação”. Você sabia que automutilação não é só se cortar? Um dos vários outros métodos é usar um elástico como pulseira. Aí você estica e deixa ele bater no seu pulso. Faça isso continuamente, então sentirá o efeito da sequência dos golpes do elástico. Depois que meus pais descobriram, eles esconderam as facas e todos os outros objetos cortantes que haviam na casa. Aí eu fui pesquisar na internet e vi depoimentos de gente que se corta com lâmina de apontador. Perfeito! Afinal, ninguém confiscou meu material escolar. Arranquei as lâminas dos meus dois apontadores. Guardei dentro da capinha do celular.</p>



<p>Um dia desses, na escola, a menina dos casacos e eu nos encontramos novamente. Na verdade, só eu e a Clarisse conversávamos com ela. Fazia uns dias que eu não via cortes novos nos braços dela. Ela sempre me mostrava. Quando perguntei por que ela tinha parado, disse que a sua vó achou as lâminas que ela usava e jogou não sei onde. Foi aí que eu dei a ideia das lâminas de apontador pra ela. É só guardar na capinha do celular e já era. A propósito, foi nesse dia que ela me contou que ia se matar. Ela já tem um dia e um horário marcado. É hoje, daqui a exatamente uma hora. Não sei se é possível impedi-la. Ela está mil vezes mais escondida do que os cortes por baixo das mangas dos seus casacos. Se ninguém frustrar o plano, prepare-se para ver um monte de palavras hipócritas nas redes sociais amanhã de manhã.</p>



<p>Quer saber por que ela se cortava? Desculpa. Ela disse pra eu não entrar em tantos detalhes. Se você, por um acaso, estudou com ela, poderia ter perguntado antes.</p>



<p>Eu, ao contrário dela, era um aluno popular e, aparentemente, estava sempre feliz. Acho que eu usava o humor para, inconscientemente, esconder minha angústia. Conversava com todo mundo e todo mundo conversava comigo. Conseguia fazer as provas sem nervosismo, apesar de não ir tão bem em exatas. E, o mais importante, ninguém via os cortes que eu fazia em mim mesmo. Eu não ia de casaco quando estava calor. Não tinha nada pra esconder nos braços. Eu fazia os cortes nas pernas, a maioria na coxa direita. Quase ninguém sabia. Descobriram ontem.</p>



<p>Eu me enforquei na árvore que fica na frente da escola. Imagine a cena. Eu imaginei umas mil vezes antes de executar o plano. Consegui. Neste momento, eu não existo mais. Mas a imagem do meu corpo pendurado ali talvez nunca mais saia da mente dos meus colegas. Em alguns minutos, a menina dos casacos também será um cadáver. Ou não. Boa sorte pra ela! Talvez você queira que eu te fale como é aqui do outro lado. Mas não vou contar, nem que me implore desgraçadamente. Você não se importa com as pessoas que vê todo dia. Acho que, bem perto de você, ainda tem muita coisa pra observar antes de querer aprender sobre outras dimensões.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b8421-wudson-marcos.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16383 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Wudson Marcos </strong></strong></strong></strong></strong>é graduado em Filosofia pela UFMS, pós-graduado em Sociologia e Orientação Educacional pela Faculdade Dom Alberto. Trabalha como professor, faz mestrado em Estética e Filosofia da Arte pela UFSC. Também é poeta, autor do livro CGS, e futuro pastor excomungado, sendo que a excomunhão já foi efetivada.</p>
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		<title>SOBRE SER GORDO E TER DIFICULDADE PARA COMPRAR ROUPAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 105]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ada Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Curatorial]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Victoria Abdalla]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wudson Marcos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sei que meninas e mulheres sofrem com pressão estética e gordofobia muito mais do que nós homens. Enquanto homem, eu não sou a pessoa mais apropriada para falar sobre esse assunto; as próprias mulheres são as melhores para expressar como sentem as pressões lançadas sobre elas mesmas. Um exemplo de alguém que trata disso com propriedade é a filósofa Malu Gimenez. Em seu livro “Lute como uma Gorda”, ela trabalha, partindo também de sua própria experiência, as dificuldades e resistências de mulheres gordas.</p>



<p>Agora passo ao meu propósito bem menos abrangente. Quero apenas compartilhar com vocês as dificuldades que tenho para comprar roupas. Desde 2014 até agora, tem sido difícil comprar roupas; mais especificamente, camisetas e casacos. A maioria das lojas que já fui não têm opções acima do GG. Contando com minha moradia atual, já morei em quatro cidades, em dois estados e em duas regiões diferentes. O problema sempre se repetiu. Talvez alguém esteja pensando: “Ah, mas se você procurar tem umas lojas com roupas maiores. Tem até loja <em>plus size</em>”. Esse é o ponto. Eu preciso ficar procurando lojas específicas.</p>



<p>O problema é que, mesmo nas lojas que têm roupas maiores, a maior quantidade de opções entre cores e estampas está nas peças de tamanhos menores. Quem não é gordo tem muito mais opções de escolha.</p>



<p>Esta semana, fui procurar uma camiseta. Fui ao shopping e visitei duas lojas populares conhecidas, dessas com filiais em todo o país. Achei vários modelos de que eu gostei. Sabe quando você bate o olho em uma roupa e sente que vocês foram feitos um para o outro? Foi isso, várias vezes. Mas em todas essas vezes, não tinha nada do meu tamanho. Ah sim, eu uso extra G.</p>



<p>Num momento, chegaram três meninos magros &#8211; deviam vestir M, acho. Eles começaram a pular de alegria, a falar, todo animados, sobre os personagens dos animes que estavam nas estampas e como seria legal usar aquelas camisetas. Aquelas mesmas que eu tinha gostado, mas não me serviam. Eu, então, com a típica esperança que é rapidamente frustrada, fui até um vendedor e fiz aquela pergunta, que as pessoas gordas – ou muito magras – geralmente fazem: “Moço, só tem os tamanhos que estão aqui expostos ou tem mais no estoque?”. Resposta: “Só as que estão aqui mesmo. Mas talvez tenha algo na loja da internet, vamos dar uma olhadinha”.</p>



<p>Ele ficou mais ou menos uns dez minutos procurando algo acima do GG. Aí o cara entrou na sessão <em>plus size</em> do site. Não tinha roupa masculina, que no caso é o tipo de camiseta que uso. Ele ficou bem sem graça. Eu agradeci e, em seguida, disse há um daqueles meninos animados na compra das camisetas de anime: “deve ser bom sempre achar roupa do seu tamanho, né? Comigo isso quase nunca acontece”. Ele ficou com vergonha e deu uma risadinha inexpressiva. Depois percebi que não devia ter falado com ele daquele jeito, como se ele fosse o culpado; mas quando pensei em pedir desculpas, ele já não estava mais ali. Nesses momentos aqui relatados, senti tristeza e muita raiva ao mesmo tempo.</p>



<p>Já que nas lojas físicas próximas de mim as opções que eu compraria não têm algo que me sirva, tenho que recorrer constantemente às lojas online. E mesmo assim, muitas delas só têm até o tamanho GG. Naquelas que têm extra G, às vezes fico inseguro para comprar, com medo da roupa não ficar boa em mim. Tenho que ficar olhando as tabelas de medidas da camiseta e comparando com aquelas que eu já tenho.</p>



<p>Dias atrás, ficou aparecendo no meu instagram a propaganda de uma loja que estava vendendo uma linda camiseta. Na estampa, o desenho de um mapa e uma frase sobre a américa latina. Eu gostei muito! Quando fui olhar o preço, minha carteira quase esvaziou só de contemplar aqueles números na tela do celular. Uma loja que pensei ser inclusiva, já que exalta as lutas dos latino-americanos oprimidos, ironicamente tem preços que a maioria dos latino-americanos não podem pagar. Mandei uma mensagem, perguntando educadamente sobre preços e tamanhos. Faz dias, ainda não me responderam. Ah sim, falei do tamanho  &#8211; porque essa loja aparentemente inclusiva só tem até a medida GG. E, mesmo na internet, não é só essa loja que deixa de oferecer opções maiores. Da última vez em que precisei comprar um moletom, pesquisei em dezenas de sites e dá para contar nos dedos de uma mão aqueles que tinham o meu tamanho.</p>



<p>Estava esquecendo de falar da outra loja a qual fui nesse dia do shopping. Nela até encontrei algumas camisetas extra G, mas não gostei de nenhuma. Todas as que gostei só serviam em gente magra. Parece que, se você é uma pessoa gorda, pelo menos para as várias lojas onde não encontrei o que precisava, não se tem o direito de vaidade. Assim, a satisfação e a liberdade, o aumento da autoestima por vestir-se de um jeito que se sinta bem, é subtraída por um funesto esquadrinhamento da moda.</p>



<p>Isso acontece não porque pessoas gordas são menos dignas de serem bem atendidas pelo mercado de vestuário, mas porque a maioria das empresas trabalha com o pressuposto de uma certa superioridade estética. <strong>O objeto, então, que deveria servir à necessidade humana, materializa-se como imperativo padronizador e, ao invés das roupas serem confeccionadas para adequarem-se aos corpos, os corpos são obrigados a esmagarem-se para entrar dentro das roupas</strong>.</p>



<p>Sei que há pessoas que têm mais dificuldade do que eu nessas situações &#8211; pois se é difícil para quem usa extra G, imagina pra quem precisa de tamanhos maiores que esses? Em homenagem a nós, fiz um poema, que escrevi triste e com raiva, logo depois de sair de uma dessas lojas.</p>



<pre class="wp-block-verse">NÃO TEM EXTRA G

Extra! Extra!
Não tem extra G!
Não tem pra comprar.
Não tem pra vender.

Nasça de novo 
ou tente emagrecer.
Assim é mais fácil
tudo acontecer.

Bem que um dia uma tia
chegou a me dizer.
"Tudo é mais difícil
quando você crescer".

Seja o ideal 
e não o que se vê.
Quase toda loja
não tem extra G.
</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b8421-wudson-marcos.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16383 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Wudson Marcos </strong></strong></strong></strong></strong>é graduado em Filosofia pela UFMS, pós-graduado em Sociologia e Orientação Educacional pela Faculdade Dom Alberto. Trabalha como professor, faz mestrado em Estética e Filosofia da Arte pela UFSC. Também é poeta, autor do livro CGS, e futuro pastor excomungado, sendo que a excomunhão já foi efetivada.</p>
</div></div>



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		<title>EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO INDIVIDUAL</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/13/equipamentos-de-projecao-individual/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jun 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 095]]></category>
		<category><![CDATA[Ada Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Curatorial]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Victoria Abdalla]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=16342</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Ada Medeiros</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se partirmos da ideia de que todo trabalho artístico é resíduo, cinzas de onde antes havia uma fogueira, alimentada pelo desejo &#8211; como dito por Ives Klein. &#8211; ao analisar não só a produção, mas também a biografia de Francisco Brandão, pergunto-me: pode um trabalho ser o prenúncio do fogo?</p>



<p>Francisco iniciou sua trajetória como artista visual ao criar uma espécie de tapete com 20 mil penas brancas em gesso, no calçadão da Rua Halfeld, no centro de Juiz de Fora, no ano de 2016. Sem saber, nessa instalação performática, <em>Ex-Votos</em> (2016), o artista para além de  anunciar os elementos que hoje constituem sua poética, talvez pressentisse como os atravessamentos de sua vida pessoal, continuariam a alimentar a sua pesquisa.</p>



<p>O ex-voto é uma tradição milenar de materialização de partes do corpo em busca de graça. No catolicismo, é dado ao seu santo de devoção em agradecimento de uma promessa. Trata-se de uma expressão moderna que relaciona o frágil mundo dos homens com o inexorável mundo dos deuses. E, para o artista, constituiu um elo entre ele e outrem, entre vida e morte e que hoje, germinam por replicações em sua produção.</p>



<p>Como vetores que inoculam em nós seus anseios, sua obra nos emociona e sabendo que <em>emocionar-se significa sentir o impessoal que está em nós<a href="#_ftn1"><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></a>, </em>observamos certa elegância em seus objetos, que manipulam algo que é caro a quase todos: relações maternais. Poucos meses depois do evento citado acima, o artista teve que lidar com o falecimento abrupto da mãe. Assim como posto por Freud, o processo de luto é, para o indivíduo, um processo de reconstrução daquilo que ele perdera. Logo, muitas de suas criações se fazem totens através dos quais ele sublima sua dor e redescobre novas realidades em objetos cotidianos impregnados de memórias.</p>



<p>Atualmente está em fase de conclusão de sua pesquisa de mestrado em Poéticas Visuais pela UFJF, e nela, ele cunha o termo <strong><em>Metodologia Viral</em></strong> e o adota não só em seu processo criativo e de pesquisa mas como uma ética de vida. Em suas palavras, “suas práticas proliferam cotidianamente cepas virais de afetos dos sujeitos marginais, enquanto produzem um corpo a corpo entre símbolos torcidos em objetos que já não aguentam a erosão por sua tradição simbólica”. Como artista, se vê como um intruso em outros campos, uma espécie de parasita que segundo o próprio ponto de vista, mostra o que pode ser feito com aquilo que lhe é dado – uma ação não só estética, mas sobretudo, política que se realiza por meio da manipulação de signos.</p>



<p>A instalação Ex-Votos, era também um equipamento relacional que ao encontrar os habitantes, os convidava a recolher algumas penas e as levar consigo &#8211; deixando-se contaminar pelo encontro de existências que, aparentemente díspares, convivem no mesmo espaço<a href="#_ftn2"><sup>[2]</sup></a>. E esse foi o primeiro momento em que o artista disseminou cepas seus afetos através de sua produção. Ainda que ele só viesse a perceber, na semana seguinte, que convivia com o vírus a alguns meses, enquanto ainda tentava compreender as reverberações de seu projeto, que esteve envolto na agitação dos sucessos, da imprevisibilidade e dos movimentos da mídia, da prefeitura e da polícia da cidade.</p>



<p>A princípio, Francisco pretendia dispor as penas pela rua sozinho, quase como se cumprisse uma penitência. Entretanto, em determinado momento precisou reconhecer que não possuía capacidade física ou tempo hábil para essa realização. A impossibilidade de concluir individualmente o trabalho, o fez recorrer a ajuda dos amigos que o acompanhavam e dos moradores de rua que por ali transitavam curiosos. Segue permitindo-se ser “ajudado” por outros artistas e pensadores como David Wojnarowicz, Caio Fernando Abreu, Zoe Leonard, Felix Gonzalez-Torres, Giorgio Agamben, Audre Lorde e Pedro Lamebel&nbsp; que o contaminam por ideias “subterrâneas” e partes delas compõem o seu universo <em>Queer</em>.</p>



<p>Nesses diálogos estabelecidos pelo artista, talvez o mais eloquente deles seja com&nbsp; José Leonilson que foi um artista visual com uma trajetória breve, encurtada pelo HIV. Sua obra é majoritariamente autobiográfica e ao descobrir que vivia com o vírus em 1991, sua produção volta-se para o corpo do artista e aproxima-se dos trabalhos de Louise Bourgeois, Eva Hesse, Lygia Clark e Helio Oiticica.<a href="#_ftn3"><sup>[3]</sup></a></p>



<p>Após ver um documentário intitulado<em> A Paixão de JL</em> (2014) em que Leonilson relatava um sonho que teve, no qual havia uma porta, com muitos trincos aos quais ele trancava sistematicamente, para proteger-se de um ser livre – a quem definiu como um “Pan” – que tentava aproximar-se dele, Francisco recria essa porta em homenagem ao artista e para tal, utiliza a porta do banheiro masculino de um antigo hotel do centro de Juiz de Fora. De origem grega, a palavra Pan traz consigo a ideia de “todo, por inteiro”<a href="#_ftn4"><sup>[4]</sup></a> e assim, a articulação das ideias dos dois artistas, tenciona questões sobre a forma com que acontecem as relações de afeto entre homens gays.</p>



<p>A Metodologia Viral é também uma metodologia erótica e, frequentemente, Francisco reencena em seus objetos a possibilidade da penetração, explicitando relações entre o prazer e a dor. Logo, questiona também como a sociedade estabeleceu paradigmas capazes de patologizar quaisquer ações eróticas que fossem improdutivas para o sistema. Partindo então da ideia de uma <em>mão masturbadora</em> como a mesma mão que trabalha e, em um novo diálogo, com o filósofo Paul Preciado, o artista constrói dildos<a href="#_ftn5"><sup>[5]</sup></a> que nem sempre se apresentam de forma explícita, porém, sempre colocam em contraste mais que o prazer e a dor, mas noções de docilidade e violência, e relativas à construção da sexualidade desde a infância.</p>



<p>Em sua obra póstuma, <em>Étant Donnés<a href="#_ftn6"><sup><strong><sup>[6]</sup></strong></sup></a></em> que foi revelada ao público em 1968, Marcel Duchamp criou um diorama que não tem performance autônoma. Funciona apenas no olho de quem o vê, por um olhar <em>voyeur</em>, que goza ao espreitá-lo por buracos na porta da sala que o guarda. Francisco Brandão recria em sua produção esse mesmo olhar. E outros, em cada olho mágico que dispõe em sentidos múltiplos, propiciando perspectivas vertiginosas. Entretanto, nessa analogia, não penso seus objetos como o diorama Duchampiano, os vejo como a porta que nos induz a olharmos para nós mesmos; não à toa, ele batiza sua pesquisa de <strong><em>Cenografias do Íntimo</em></strong>.</p>



<p>Francisco estabelece fortes relações entre o sagrado e o profano que atinge de forma tão visceral nossa coletânea de verdades que chegamos a sentir suas reverberações se disseminando célula a célula em nossos corpos. Sobretudo quando lemos seus escritos no contexto pandêmico em que vivemos e encontramos palavras como cepas, replicação, contaminação, assintomático, EPI (Equipamento de Proteção Individual), período de incubação, transmissão, entre outras, que não são mais exclusivas do jargão de profissionais das áreas biológicas e de saúde pois agora estão integradas em nosso cotidiano. Percebo seus trabalhos como equipamentos que não apenas nos defendem de possibilidades fracionadas mas nos projetam e passados os primeiros momentos de encantamento por seus trabalhos, nos vemos na ribalta de nossas próprias vidas, contaminados por seus afetos, dores, prazeres, pecados e beleza.</p>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ef23-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16465" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7062a-image-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16466" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<figure class="wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3abce-00001.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16468" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16468" class="wp-image-16468" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd70c-000002.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16470" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16470" class="wp-image-16470" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24736-000003.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16469" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16469" class="wp-image-16469" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<p class="has-text-align-center has-normal-font-size"><em>Sem título (69) </em>&#8211; porta de madeira e olhos mágicos, 210 x 80 cm &#8211; 2020.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a7a75-000004.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16472" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8220;<em>Sem título&#8221;</em>, montagem digital de carimbo sobre notas vigentes de Real, 2020-21.</figcaption></figure></div>



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<figure class="wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6281d-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.09-2.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16474" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16474" class="wp-image-16474" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Não há paz no planeta dos prazeres<br>Globo pintado com tinta automotiva, pérolas plásticas, guizo e redoma<br>21 x 35 cm<br>2021 (em processo)</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ecdc4-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.12.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16475" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16475" class="wp-image-16475" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Sem título<br>Pipa, receitas, papéis de presente, selo, negativos de 35mm, lâmpadas, anzol, botões, notas de dinheiro, jornal, porcas, parafusos, dedal<br>110 x 35 cm<br>2019</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca9e6-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.13-2.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16476" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16476" class="wp-image-16476" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Coração maior que o corpo<br>Álbum de casamento recortado e colado<br>(2019)</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/63ca1-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.09.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16477" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16477" class="wp-image-16477" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">S título<br>Objeto de madeira com imagem aplicada, pérolas e prego<br>23 x 18 cm<br>2020</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ecbe7-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.13-5.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16478" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16478" class="wp-image-16478" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Orgasmo<br>Vaso de vidro, pipoca, pérola, miçangas, isopor, bola de gude, rolha de cortiça.<br>33 x 11 cm<br>2020</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/00491-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.13.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16479" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16479" class="wp-image-16479" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Sem título<br>Xícaras<br>28 x 17 cm<br>2019</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ded26-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.14.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16480" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16480" class="wp-image-16480" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Midas<br>Dedo de plástico e esfera de madeira com tinta automotiva perolada<br>83 x 30 cm<br>2021</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/eb9ab-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.23.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16481" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16481" class="wp-image-16481" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Para chamar seu nome<br>Apito de madeira e anzol<br>16 x 6 cm<br>2019</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8ea5e-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.24.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16482" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16482" class="wp-image-16482" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Necromante<br>Ogó de madeira, bala de fuzil e pérolas de cumbo<br>29&#215;4 cm<br>2021</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fd1cc-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.13-3.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16483" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16483" class="wp-image-16483" data-recalc-dims="1" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Relicário, 2018</figcaption></figure></li></ul></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8fd1f-whatsapp-image-2021-06-13-at-12.27.14-2.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16486" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-normal-font-size"><em>Série SEDE #6 (beba água pura) &#8211;</em> Filtro de porcelana, stencil e cristal, 47 x 30 cm, 2021.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>&nbsp; AGAMBEN, Giorgio. <strong>Profanações</strong>. Trad. e apres. Selvino José Assmann. São Paulo: Boitempo, 2007.</p>



<p><a href="#_ftnref2"><sup>[2]</sup></a> <a href="https://globoplay.globo.com/v/5082477/">MGTV 1ª Edição – Zona da Mata | Estudante de Artes espalha penas de gesso pelo Calçadão em Juiz de Fora</a></p>



<p><a href="#_ftnref3"><sup>[3]</sup></a> LEONILSON . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: &lt;http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8742/leonilson&gt;. Acesso em: 04 de Jun. 2021. Verbete da Enciclopédia.</p>



<p><a href="#_ftnref4"><sup>[4]</sup></a>&nbsp; Dicionário Online de Português.<a href="https://www.dicio.com.br/pan/"> </a><a href="https://www.dicio.com.br/pan/">https://www.dicio.com.br/pan/</a> Acesso em 10/06/2021 às 10h57min.&nbsp;</p>



<p><a href="#_ftnref5"><sup>[5]</sup></a> Segundo Paul Preciado: “O dildo coloca a questão da morte, da simulação e da falsidade do sexo. Inversamente, obrigada a interrogar-se sobre a vida, a verdade e a subjetividade do sexo [&#8230;] Com relação ao corpo, o dildo assume o papel de um limite em movimento. Como significação descontextualizada, como citação subversiva, o dildo remete à impossibilidade de delimitar um contexto. Em primeiro lugar, coloca em questão a ideia segundo a qual o corpo masculono é o contexto natural da prótese do pênis. Depois, e de um modo mais drástico, ameaça a suposição segundo a qual o corpo orgânico é o contexto próprio da sexualidade.”</p>



<p><a href="#_ftnref6"><sup>[6]</sup></a> &nbsp;https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89tant_donn%C3%A9s</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bde1b-bioada.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15891 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Ada Medeiros</strong></strong></strong></strong></strong> é Bacharela em Artes e Design pela UFJF e está se especializando em Artes Visuais na mesma instituição. Possui pesquisa com experiências em desenho, pintura e fotografia, na qual investiga questões acerca de gênero e sexualidade, além de tratar da efemeridade da vida, da fragilidade e da fragmentação do ser. <a href="https://www.instagram.com/adamedeiros/">Instagram</a></p>
</div></div>



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		<title>BITUCA DE CIGARRO É LIXO?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jun 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 095]]></category>
		<category><![CDATA[Ada Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Curatorial]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Victoria Abdalla]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wudson Marcos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pelo que observo no Brasil, parece haver um consenso nacional de que os fumantes podem jogar as bitucas onde quiserem. Se eu jogar um papel de bala na calçada posso ser censurado por alguém, pelo menos mentalmente. Algumas pessoas, quando estão atrás de quem jogou lixo no chão, recolhem-no e colocam em seu devido lugar. Outras – como eu já fiz – perseguem o dono da sujeira e devolvem o objeto que lhe pertence. Mas se alguém joga na mesma calçada uma bituca de cigarro, as possibilidades dessa pessoa ser censurada diminuem significativamente. &nbsp;</p>



<p>Aprendi com meus pais aquela regra básica – se onde você está não tem um lixo para jogar o lixo, deve guardar o lixo no bolso ou apenas segurá-lo até encontrar um lixo. Acho que, se você guardar um cigarro recém fumado no bolso, pode queimar sua roupa. Se segurar até ele apagar para poder colocar no bolso, sua roupa pode ficar impregnada com o cheiro dele. Aí estão, talvez, alguns pontos que favorecem a licença nacional para descartes aleatórios de bitucas de cigarro.</p>



<p>Você acha que as possíveis queimaduras ou a adesão irreversível do aroma da nicotina são justificativas plausíveis para concederem essa exceção? Eu não sei muito bem. Primeiro porque eu não fumo e não fiz nenhuma pesquisa minuciosa antes de escrever esse texto. Isso aqui foi feito apenas com base em divagações irrelevantes. A propósito, talvez, se ao invés de guardarem no bolso, soprarem até o cigarro apagar e segurarem até achar um lixo, o problema seria resolvido. Mas aí as mãos dos fumantes iam ficar fedendo. Se, em seguida, fossem cumprimentar alguém, transmitiriam esse cheiro para as mãos da pessoa em questão.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Uma coisa me inquieta. Se o cheiro indesejado pode ser um dos motivos para descartar a bituca em qualquer lugar &nbsp;– &nbsp;por que, nas festas por exemplo, a maioria não se incomoda em dar beijos de língua em alguém que acabou de fumar um maço inteiro? Podemos acrescentar também o cheiro do álcool ingerido durante a festa. Isso sem citar as outras substâncias possíveis.</p>



<p>Se você também fuma ou bebe faz sentido não se incomodar, já que os sabores em questão devem ser agradáveis para você. Mas, se você não consome nenhuma dessas coisas, por que não acha ruim esses gostos? Provavelmente é porque o prazer de dar uns amassos com alguém faz valer o sacrifício. Então, diante do tesão dos corpos se acariciando e trocando saliva, enquanto a língua está dentro da sua boca (e eventualmente em outros lugares), torna-se irrelevante qualquer cheiro que você normalmente rejeitaria. &nbsp;</p>



<p>Engraçado é que um amigo meu, quando bebe leite com nescau, não pode beijar seu namorado sem antes escovar os dentes. Eu não posso beijar minha esposa quando acabo de comer banana. Os motivos são óbvios. Ele odeia nescau &#8211; que é melhor que toddy &#8211; e ela odeia banana. Daí eu criei a seguinte teoria (no sentido vulgar do termo): os não fumantes ou não consumidores de álcool, que se entregam aos beijos que têm sabor dessas substâncias, não odeiam essas coisas como afirmam odiar. Talvez haja alguma atração oculta, mas que só é satisfeita quando pode se disfarçar em meio às trocas de fluidos humanos.</p>



<p>Claro, os outros sabores e sensações, como eu já disse, parecem compensar alguns eflúvios indesejados. De modo que alguém com um beijo de sabor mais palatável para você pode perder de uma boca totalmente deteriorada pela química, desde que esses lábios deteriorados sejam parte de um corpo gostoso e um rosto bonito. Se a pessoa de beijo com seu sabor favorito for gostosa, ela pode ganhar da outra. Mas se ela não lhe for atraente, foda-se – você prefere um sabor menos atraente, que na verdade fica mais gostoso levando em conta sua apreciação do conjunto dos aspectos da experiência. Pelo menos é o que parece na maioria das vezes.</p>



<p>Uma vez meu irmão e eu acendemos um pequeno graveto e tentamos fumar. Acho que me engasguei com a fumaça e os farelos de madeira. Não lembro a reação do meu irmão. Mas acho que foi parecida com a minha. Eu devia ter uns oito ou nove anos. Se não contarmos o fato de que quase todos, em algum momento, são fumantes passivos, essa experiência consiste em todo o meu histórico de fumante. Eu tenho asma. Acho que fumar não ia dar muito certo.</p>



<p>O que será que tanto atrai no cigarro? Imagino que as respostas sejam várias. Mas uma dessas explicações me deixa mais fascinado – a de que a sensação de morte constante e gradativa atrai as pessoas, já que no fundo a maioria de nós quer deixar esse mundo de merda. Richard Klein, autor do livro <em>Cigarros são Sublimes</em>, fala sobre essa perspectiva em uma entrevista à <em>Folha de São Paulo</em>.</p>



<p>Talvez as pessoas possam ter o direito de pesar as vantagens do cigarro contra seus riscos. Afinal, a própria vida é uma doença progressiva, da qual só nos recuperamos postumamente. Se ter saúde é estar livre da doença, só se consegue ser saudável por meio da morte.</p>



<p>Será que a ideia da deterioração da vida, inconscientemente, torna-se atrativa? Seria uma espécie de automutilação. No Brasil, a partir de 2002, as empresas passaram a ser obrigadas a colocar nas carteiras de cigarro imagens com os malefícios que seu uso pode trazer. Se eventualmente essas fotos causam alguma reflexão – sobretudo nas considerações sobre impotência sexual – também por meio delas pode-se aumentar a possibilidade de atração pela substância suicida. Estou falando sobre experiências mais compreensíveis para mim. Estou falando sobre um aspecto morbidamente atraente. Caso eu precisasse descrever os porquês de eu fumar, esse aspecto suicida seria o motivo principal.</p>



<p>Os outros atrativos mais popularizados podem ser vistos nas atuais séries cujas histórias acontecem nos anos 80. Notadamente nessa década o cigarro foi exaltado como um acessório de pessoas descoladas. Seu uso podia ser diretamente relacionado a adjetivos como <em>sexy </em>ou <em>nobre transgressor</em>. Pelo menos essa é a descrição que nos apresentam ao exibir as publicidades mais velhas correspondentes ao tema. Richard Klein não chamaria de “nobre” o caráter transgressor normalmente associado ao cigarro. Na verdade ele diz que “a beleza dos cigarros nunca foi entendida ou representada como inequivocamente positiva &#8211; sempre foi associada com mau gosto, transgressão e morte. Talvez esteja aí mesmo a fonte de sua atração por tantas pessoas”.</p>



<p>Em sua <em>Antropologia de um ponto de vista pragmático</em>, Kant faz considerações bastante interessantes sobre o hábito de fumar.</p>



<p>[&#8230;] é como que um impulso frequentemente repetido para recobrar a atenção sobre o próprio estado de pensamento, que, do contrário, se entorpeceria ou se aborreceria com a uniformidade e monotonia, enquanto aqueles meios sempre os despertam como que aos solavancos. Essa espécie de entretenimento do ser humano consigo mesmo substitui uma companhia, pois preenche, no lugar da conversa, o vazio do tempo com sensações sempre novas e com excitações fugazes, mas sempre renovadas.</p>



<p>Até que ponto as declarações de Kant e os meus vagos devaneios tem a ver com a realidade, as pessoas que fumam poderão negar ou afirmar com muito mais propriedade do que eu. Além daqueles que se debruçaram com dedicação mais intensa sobre o estudo desse assunto.</p>



<p>Voltando às bitucas de cigarro: aparentemente, alguns alegam não jogar em qualquer lugar. Mas apenas em sarjetas já sujas ou em algum lugar de sua própria casa. Mas acredito que, na maioria desses casos, outros moradores da mesma casa seriam censurados se jogassem embalagens e cascas de frutas ali onde jazem os falecidos rolos de tabaco. Talvez a repreensão não venha dos próprios fumantes. Mas a sujeira das bitucas já é tão normal que um visitante não se incomodaria tanto com elas como se incomodaria com os outros lixos. Aliás, será que os restos mortais dos cigarros deixam de ser considerados como lixo porque &#8211; semelhante ao cadáver humano &#8211; as bitucas são os símbolos deteriorados de entes queridos que se foram?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b8421-wudson-marcos.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16383 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Wudson Marcos </strong></strong></strong></strong></strong>é graduado em Filosofia pela UFMS, pós-graduado em Sociologia e Orientação Educacional pela Faculdade Dom Alberto. Trabalha como professor, faz mestrado em Estética e Filosofia da Arte pela UFSC. Também é poeta, autor do livro CGS, e futuro pastor excomungado, sendo que a excomunhão já foi efetivada.</p>
</div></div>



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		<title>Weltschmerz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 May 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 093]]></category>
		<category><![CDATA[Ada Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Curatorial]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Victoria Abdalla]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ada Medeiros</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os trabalhos de Maria Victoria Abdalla nos transmitem certos sentimentos de tristeza e inadequação causados pela crueldade do mundo e das circunstâncias que remetem ao termo <em>weltschmerz</em>, cunhado pelo autor alemão Jean Paul Richter. Através deles, a artista trata de assuntos como feminismo, vida, morte, lugar e pertencimento. Em constante diálogo com artistas como Ana Mendieta e Cindy Sherman; segue caminhos de exploração estética e simbólica similares aos propostos por elas, respectivamente, em seus trabalhos <em>Impressões de vidro sobre corpo </em>(1972) e <em>Untitled Film Stills </em>(1970).</p>



<p>De tal forma que, as histórias que conta possuem o mesmo enredo do conto <em>O Papel de Parede Amarelo </em>(1892) de Charlotte Perkins Gilman, sob uma perspectiva contemporânea. Denuncia como mulheres podem ser conduzidas à loucura quando confinadas aos estereótipos de perfeição, fragilidade e pureza que até hoje, acometem muitas de nós. E, provavelmente, por sua trajetória no teatro, a artista assim como Albert Camus, escritor franco-argelino, compreende e registra a beleza e a tragédia que há no ofício do ator &#8211; que <em>é aquele que tem a glória mais efêmera e sabe que o testemunho de sua vida será no máximo uma fotografia, deixando escapar no tempo seus gestos</em> <strong>[1]</strong> -, ao se colocar no lugar de suas bonecas em suas séries de autorretratos.</p>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.30761%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/968e6-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="3397" data-id="16086" 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data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><strong><em>Sem título</em></strong>, 2019. <em>Políptico, Série: Subsolo. </em>Fotografia 30 x 30cm.</p>



<p>Ao utilizar tais bonecas para criar cenas e objetos, por vezes parece unir as perspectivas de Damien Hirst e Farnese de Andrade. O primeiro, se destacou entre os <em>Young British Artists </em>e tem a morte como tema central de suas obras. Dentre elas, uma das mais polêmicas é <em>The Physical Impossibility Of Death In the Mind Of Someone Living </em>(1991), na qual exibe um tubarão-tigre morto, em um tanque de formol. Maria Victoria faz algo similar com suas bonecas ao dividi-las e catalogá-las, as apresenta de tal maneira que evoca em nossos pensamentos, a vida de seres inanimados. Enquanto se aproxima também do segundo, artista mineiro, figura peculiar na historiografia da arte moderna brasileira que, além de pinturas e gravuras, criou inúmeras assemblages utilizando bonecas cuja aura é ao mesmo tempo iconoclasta e macabra.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b1339-unnamed-file-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16082" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Sem título</em></strong>, 2020. <em>Série: Bonecas. </em>Fotografia, 20 x 30cm</figcaption></figure>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17535-unnamed-file-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16081" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Sem título</em></strong>, 2021. <em>Série: Bonecas</em>. Fotografia 24 x 18cm</figcaption></figure></div>



<p>Seu flerte com a modernidade vai além e alude, por exemplo, às fotografias de Dora Maar, mais conhecida por ter sido amante e musa de Pablo Picasso. Podemos notar também aproximações com o Expressionismo Alemão, da vanguarda cinematográfica, quando alguns de seus personagens remetem ao filme de Robert Wiene, <em>O Gabinete do Dr. Caligari </em>(1920). Além de suas séries de autorretratos e o díptico <em>Primeira Declaração Erótica </em>(2021) refletirem a ideia de <em>doppelgänger</em> <strong>[2]</strong>, suscitando questões entre o bem e o mal ou referentes àquilo que é fantasmagórico e sombrio.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6cbef-img_4236_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16099" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f0215-img_4238.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16100" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1fde6-img_4239.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16102" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><strong><em>Demanda,</em></strong> 2020. <em>Série: Bonecas</em>. Escultura, 3,5 x 4,5 x 5cm.</p>



<p>Isso se escancara em seu filme, <em>Virgínia </em>(2021) que podemos encontrar no canal da artista no YouTube, cujo personagem que se senta ao lado da cama onde está deitada uma boneca da qual vemos apenas o braço com a mão erguida, possui caráter dúbio. O que é reafirmado com o duplo que se forma a partir de seu reflexo no espelho.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Virgínia" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/4cH5UCfpr8s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>O movimento desse personagem que, ao virar-se para o espelho quebra a quarta parede, olhando diretamente para a câmera através de seu reflexo, funciona como <em>um ato cujo trajeto de alguma maneira tem que ser cumprido pelo outro</em> <strong>[3]</strong> e faz com que o expectador se reconheça no reflexo e se torne então, o indivíduo duplicado. Há, ainda, pela presença das mãos que notamos na penumbra, sustentando a cena, um reforço à grande questão promovida não só pelo curta-metragem, mas pelo conjunto de sua produção até agora: onde se localizam as fronteiras entre o real e o imaginário?</p>



<p>Outro filme que podemos encontrar em seu canal do YouTube e que destaco por resumir muito do que vemos na obra da artista, é intitulado <em>Experimento 1 (Erotizando a face) </em>produzido em 2021. Trata-se do registro do momento em que a artista cobre o próprio rosto com um líquido branco e leitoso, que depois percebemos ser alginato, formando uma película sobre sua pele. A maneira como movimenta o rosto enquanto o material seca e como o retira na sequência, faz lembrar o pensamento do filósofo francês George Bataille de que <em>a vida é uma consequência da decomposição dos seres vivos, que, morrendo, restituem aos ciclos naturais a matéria prima de que são constituídos, e que servirá para a elaboração de novos organismos. Segundo ele, a morte assegura a juventude do mundo, e, nesse sentido, a morte se aproxima do erotismo.</em>4</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Experimento1 (Erotizando a Face) - 02042021" width="950" height="713" src="https://www.youtube.com/embed/jf5hoq4lmgw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16f71-1-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16103" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16103" class="wp-image-16103" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e3cf0-2-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="16104" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=16104" class="wp-image-16104" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><strong><em>Primeira declaração erótica</em></strong>, 2021.<em> Díptico, série: Erotização</em>. Fotografia, 10 x 10cm.</p>



<p>Maria Victoria Abdalla é estudante de Psicologia da PUC-SP, entre os anos de 2018 e 2020 atuou como assistente do artista plástico Rubens Espírito Santo em seu ateliê, além de estudar teatro desde 2016. Embora ainda esteja no início de sua carreira como artista visual, possui um corpo de trabalho capaz de fomentar questões profundas sobre a existência humana, com enorme potencial para uma trajetória que merece ser acompanhada.</p>



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<p class="has-small-font-size"><sup><strong>[1]</strong>  </sup>BALBINO, Lorena de Paula. <strong>Uma Estética da Existência em Albert Camus.</strong></p>



<p class="has-small-font-size"><sup><strong>[2]</strong>  </sup>Também cunhado por Jean Paul Richter, em 1976, o termo pode ser traduzido como “aquele que caminha ao lado” e se refere a ideia de um irmão gêmeo maligno ou ao fenômeno da bilocação (ato de estar em dois lugares ao mesmo tempo). É um prenúncio de má sorte e por vezes é retratado como um fenômeno paranormal.</p>



<p class="has-small-font-size"><strong>[3] </strong>Lacan, sessão de 20/03/1968 do <em>Seminário</em>.</p>



<p class="has-small-font-size"><strong>[4]</strong> CAMERINO, Luciano Caldas. <strong>Ser Sujeito da Morte (Reflexões filosóficas, vivências e morrências)</strong>. 1a Edição. 2020.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bde1b-bioada.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15891 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Ada Medeiros</strong></strong></strong></strong></strong> é Bacharela em Artes e Design pela UFJF e está se especializando em Artes Visuais na mesma instituição. Possui pesquisa com experiências em desenho, pintura e fotografia, na qual investiga questões acerca de gênero e sexualidade, além de tratar da efemeridade da vida, da fragilidade e da fragmentação do ser. <a href="https://www.instagram.com/adamedeiros/">Instagram</a></p>
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