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	<title>Arquivos Mateus Mecunhe - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Quatro Odes a Ana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ed Carlos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h3 class="wp-block-heading">1 &#8211; Saudade em Espera</h3>



<p>Não sei o que mais me prende: se as saudades de quem não conheço, se a esperança de ainda conhecê-la e olhar dentro de seus olhos e nada dizer-lhe, pois tudo já disse. </p>



<p>Já expus minhas verdades secretas.<br>Já esvaí- me em poesias,<br>em lamentos, <br>em desesperos. </p>



<p>Meu coração foi posto à prova, e percebi que não sou imune a paixões arrebatadoras de meu eu. </p>



<p>Escondo-me atrás de meus sonhos. Desconhecia até então minha capacidade de amar e de ser forte. Tudo me parece estranhamente novo. Lidar com ausências presentes, silêncios surdos, desejos freados. Só sei que ainda gosto dela, e como aquele cão do filme que espera seu dono na estação de trem todos os dias, a espero. Fito o horizonte distante e sua silhueta não me surge contra a luz; não ouço seu sotaque tão lindo de Alagoinhas, seu riso. </p>



<p>Há tanto tempo não a ouço me chamar de &#8220;meu anjo&#8221;, de &#8220;meu lindo&#8221;, de &#8220;meu amor&#8221;. Sua voz emudeceu. Sua escrita cessou. Seus traços continuam plasmados naquele retrato que lhe fiz como surpresa, que passou a integrar a coleção de musas ausentes, pois o maior pagamento de um retrato é um sorriso de satisfação do ente retratado. Apenas a amo, este sentimento tem resistido a razão, a solidão, a recusa. É algo novo. Aprendi a amá-la no vazio de suas indecisões, na mudez de sua fala, na escassez de sua presença, na finitude de sua escrita. Ainda a esperarei, venha até mim.</p>



<h3 class="wp-block-heading">2 &#8211; Rosas em Silêncio</h3>



<p>Hoje, a tarde de Alagoinhas foi fria. </p>



<p>À noite, em meio ao silêncio que de mim se apossou, ouço grilos  &#8211; que, por ora, me distraem o pensamento de minha linda, de minha flor; seu sotaque parecia música aos meus ouvidos. </p>



<p>Não tive coragem de, por mais uma vez, despertar de um sonho bom. Aquela sensação gostosa de felicidade. Não lhe mandei mensagem alguma, poesias, &nbsp;historias. Prefiro manter sua bela imagem na mente. Ela em si é a poesia que mais espero ter ao meu lado, para uma leitura diária por toda vida. Bela inspiração de amor. </p>



<p>Às vezes, vou até ela em prece; outras vezes, oro por ela; sinto suas dúvidas, seus medos e receios de apostar no amor.</p>



<p>As flores&#8230; sempre desejei dar-lhe um buquê de flores. Outro dia, as havia comprado em todo seu vermelho aroma. Nunca lhe confessei tal ato afetivo por mim perpetrado. Como disse certa canção Choram as Rosas, choramos juntos em meio a perfume e lágrimas, ao desistir de ir ao seu encontro. Hoje sonho em encontrá-la, sem rosas e com amor.</p>



<h3 class="wp-block-heading">3 &#8211; Amor em Ausência</h3>



<p>Entre a razão, a poesia e o sentimento, vivo solitariamente o amor.</p>



<p>Entre o amor, a razão e a poesia: encontro-me nesta encruzilhada de afetos sentidos, de palavras belas escritas, de sonhos idealizados no silêncio das solidões e das estranhas razões que pairam na mente de um romântico em plena paixão ardente e luminosa de agora.</p>



<p>Em declarações de amor, mergulhei.  Amei-a em suas ausências. Fitei o horizonte na espera de vislumbrar sua silhueta contra a luz, até que se materializasse a flor mais bela destas paragens, minha musa, o meu amor, minha poesia-mulher.</p>



<p>Travei diálogos com o amor que havia dentro de mim, escrevi tudo o que de belo existia em meu coração, em minha alma, em toda sua pureza e essência: poesias, versos, estrofes, poemas, frases, bilhetes e cartas de amor.</p>



<p>Treino educar meus sentimentos-impulso. Ouço as sensações de amar. Sou um romântico à deriva em pleno mar das paixões. Eu a amo, a espero, a desejo, a quero muito. Ela, minha bem-amada ausente. Conversei com as flores, com a lua, com as estrelas, com as letras, na ânsia de recompor sua presença em mim.</p>



<p>Aconselhei-me com a intuição: Alagoinhas nunca me deu motivos para voltar, e agora me sinto como se parte minha estivesse lá, em algum condomínio da cidade que se verticaliza. Na minha fria e gélida urbe natal, eis que surge em mim o amor verdadeiro por ela. Tão forte perante às distâncias, tão paciente em face às esperanças.</p>



<p>Sou envolvido em silêncios profundos; fito o céu com alegria nos olhos em uma contemplação de fé no amor. Minha amada: no amor, você é lugar-poesia. Lembras que pintou meus sonhos de esperanças?</p>



<h3 class="wp-block-heading">4 &#8211; Lagrimas dos Céus</h3>



<p>Hoje, nessa tarde, o céu de Alagoinhas está cinza. No horizonte, sopra um vento frio, uma brisa gélida, e uma garoa intermitente. Tudo goteja feito as lágrimas que derramei por ela, minha musa, minha amada professora.</p>



<p>Talvez hoje os céus chorem comigo na ausência e no silêncio dela. Não sei, por que a espero tanto? Esta louca esperança que há em mim de prendê-la em meu abraço, respirar em seu beijo, ver o seu sorriso ao vivo e poder dizer-lhe téte a téte, te amo&#8230; Chega de escrever, verbalizar, poetizar! Apenas te amo e não te deixarei ir.</p>



<p>Apenas sonho de poeta-pintor que escreve retratos de amor, pinta-lhe sua face com letras e fantasias de felicidade.</p>



<p>Como a espero! Desta vez, olho por entre as janelas de minha casa através do ar embaçado desta minha Alagoinhas natal. Olho na expectativa de ver sua silhueta materializar-se por sob capas de chuva e guarda-sóis. Talvez <strong>eu dançasse na chuva</strong>, a pegaria em meus braços para protegê-la como cena de filme antigo.</p>



<p>Oh, céus de Alagoinhas! Não chores mais! Deixe nossas lágrimas secarem!</p>



<p>Talvez, ela aqui apareça trajada da mais bela surpresa; quem sabe, me surpreenda no ato de pintar o seu retrato na busca de recuperar aquele poder ancestral dos pintores rupestres, o de materializar o tema pintado &#8211; aquela pintura mágica que tinha o poder de trazer ao artista primitivo a realidade do objeto. Vou pintá-la em um feliz encontro comigo.</p>



<p>Minha amada professora, de sotaque tão belo de minha terra, o mundo está em convulsão sob os ditames de guerra biológica invisível. Deixa de orgulho e vem até mim. Somos vulneráveis, os dias são ameaçadores. Para mim, apenas o amor deve vencer. A amo tanto! Receba minhas flores e sinta o aroma de meu sentimento em tempos críticos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Ed Carlos Alves de Santana</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é baiano, natural de Alagoinhas, mestre em Artes Visuais em Processos Criativos pela EBA-UFBA. Escreve poesia, crítica de artes e atua como Professor de Desenho Artístico e Pintura na Faculdade Livre da Maturidade São Bento em Salvador.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/monicakeart/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/6a6ac-monicaake.png?w=950" alt="" class="wp-image-10145" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Para os Fortes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 047]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Mateus Mecunhe</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Para ler ouvindo Spanish Caravan, The Doors.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Com esse sorriso lindo que você tem, me responde sobre alegrias, gozos e dores sempre com esse mesmo semblante leve. Uma doçura na voz quando me fala sobre Winnicot, educação, crianças ou desabafos da vida, de amores de amigas de amigos e de como as pessoas se portam no trânsito.</p>



<p>Você logo e simpaticamente pergunta sobre se percebo que tenho algum vício de linguagem e o que eu acho disso. Fico sem entender, e logo você diz: &#8220;vou te passar um contexto&#8221;. A verdade é que me perco porque percebo que eu adoro a palavra contexto. É uma das minhas palavras preferidas, e eu nem sei o que está no dicionário, mas acho que carrega dentro de si um mundo. Todo um contexto. Como se para contextualizar, fosse necessário criar um cenário inteiro e transformá-lo em palavras para que o ouvinte, leitor, amigo, possa imaginar não só a história, mas que seja trazido para dentro dela, para que seja uma experiência tão vívida quanto se poderia ser.</p>



<p>Sentamos ora no chão, ora no sofá laranja saturado com um dos assentos comido pela cachorra média amarelada (também saturada) que &#8211; pode parecer mentira mas &#8211; sorri quando está feliz, e que habita comigo no apartamento e na alma, com quem divido a cama todas as noites nos últimos anos e me acompanha emocionalmente nos altos e nos baixos sempre me acolhendo. Ainda no meio da tarde de um dia de semana, esperávamos aquela gota e meia de LSD fazer efeito – porque afinal achávamos que só meia não daria nada –, com frutas e castanhas esperando caso sentíssemos necessidade de experimentar também o sentido aflorado do paladar.</p>



<p>Eis que interrompo seu pensamento como sempre, pedindo perdão por interromper, o que faço apenas para poder novamente ver seu sorriso doce nascer no seu rosto &#8211; sempre tão transformado e também sempre o mesmo -, porque sei que você sempre perdoa, tamanho coração que tem. É que preciso te contar sobre o quão profunda é a palavra contexto, e como já tinha me dado conta disso outras vezes mas nunca tinha estado com você pra poder compartilhar, aquilo se tornou urgente &#8211; porque sei que há espaço-tempo-palavra entre nós para que eu finalmente me faça entender e como é redentor me fazer entender sobre a importância da palavra &#8220;contexto&#8221;.</p>



<p>Logo me satisfaço por me fazer entender e peço para que você siga suas divagações anteriores à interrupção. Sabia que isso ia acontecer de você não lembrar onde estava, e tentamos em conjunto refazer os passos do pensamento. Em vão. Vida que segue.</p>



<p>O tempo dá a impressão de estar sendo distorcido &#8211; e nós a recebemos, a impressão, de braços abertos. Logo pergunto se você acha que exageramos em termos adicionado uma gota à meia que já havíamos ingerido, mas logo sou dissuadido por seu argumento ilógico sobre como é aniversário de morte do Jim Morrison e que por isso estava tudo bem.</p>



<p>Eu, que sou místico e te carrego junto pra dentro do misticismo, tento descrever minha sensação que é de estar jorrando não só sangue mas prana para dentro do meu terceiro olho – que depois viria a descobrir o nome Sânscrito Ajna –, e dessa vez sinto que fui longe demais e não vou conseguir me fazer entender. E quanto mais jorra, mais o tempo parece se distorcer, e meu eu se dissolve no espaço enquanto volto a me deitar no chão e ter a certeza de que: chão, brubi, você, eu, deus, demônios, somos um só. E perco por um minuto ou por dez anos a potência de dizer. É tudo um único oceano.</p>



<p>E eu penso depois, sempre, como é prazeroso poder dividir silêncios. Quero sempre te dizer desses prazeres que dividimos, e você, brilhante, constata que o silêncio é apenas a ausência, e como pode ser prazeroso ou angustiante dependendo de com quem dividimos – inclusive como pode ser prazeroso ou angustiante dividirmos o silêncio consigo próprio. Novamente me perco em apreço sobre quão delicadamente você vai até o fundo e como damos espaço e carinho para que possamos tanto nos aprofundar.</p>



<p>&#8211; Vício de linguagem! Volta. Me contextualiza de novo.</p>



<p>E navegamos novamente mar adentro para mergulhar nesse emaranhado de conceitos e símbolos que celebramos sempre poder compartilhar.</p>



<p>Entre um papo e outro no tecido-tempo rasgado que abrimos com apenas essa gota e meia e muito peito-aberto, me desando a falar sobre como acho lindos os apostos. E é dessas palavras que não sei se falamos &#8220;apôstos&#8221; ou &#8220;apóstos&#8221; e prefiro sempre a inflexão aberta do acento agudo &#8211; o que causa humor não intencional, mas que vejo nos seus olhos.</p>



<p>Nesse emaranhado calmo-furioso de pensamentos-fluxos-trechos-poemas, constato que nada parece nos irritar. Logo digo que apenas o que me irrita são os caretas. Você sempre delicadamente me abrindo pelas arestas me mostra que há careta em mim e que é por isso que me irrita. Logo entenderia que eles, os caretas, pararam de me irritar por saber que há isso dentro de mim mas também por não mais conviver com eles.<br>Exceto os da família, mas que também aprendi &#8211; com você &#8211; a ironizar. O que gasta pensamento, mas economiza coração.</p>



<p>Sem nem piscar os olhos, reparamos entre um silêncio compartilhado e outra gargalhada que já é noite faz tempo. Logo, você começa a colocar a meia e já sei que é o começo do fim e que, logo, o tecido outrora rasgado rapidamente começa a se auto-costurar.</p>



<p>Em breve, sei que você vai embora, e a costura que praticamos firma mais a corda invisível que une um peito ao outro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Mateus Mecunhe</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é um rapaz, 30 anos, se encontrando entre yoga e programação (que são muito mais parecidos do que se pensa).</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/8e595-diagrama-2.png?w=950" alt="" class="wp-image-9949" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Ser São</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Mateus Mecunhe</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O relatório acabou de ser fechado<br>Alaranjado o céu, essa habilidade de se tornar laranja enquanto o sol vai indo embora<br>A apresentação já nasceu morta e morreu sem se apaixonar<br>Mas esse verso do poema que não encaixa já faz mais que duas noites<br><br>O poema que também nasceu morto já ganhou vida<br>Vida quase orgânica, varia versos bons com versos ruins<br>Tem verso bom que não se complica<br>Já em outros, acha uma vírgula que quase grita<br><br>Verso após verso após dia fora do tempo<br>Preguiçoso, não se levanta esse verso tão modorrento<br>Como num dia nublado, tem preguiça de brilhar<br>E os corpos brilhantes, torcia, fossem cinza<br><br>Mas esses versos, sábios versos, esperam deitados<br>Esperam quase sem esperança, mas deitam bem deitados<br>Que é o que se deve fazer em dias nublados<br>O vazio é tanto que quase preenche<br><br>Ainda na sala de espera a risada nasce de dentro pra fora<br>Esses versos reavivados ousam e vivem o Éden dos ousados que almejam o céu<br>Sentem, nas beiradas, a crocância da quebra<br>E fluindo desfrutam o infinito da fluidez<br><br>Versos que livres versos vivem mais que a liberdade de sê-los<br>Que nos dias nublados esperam deitados<br>Vivem a redenção de poder não ser: ser livre, ser sol.<br>Mas que enquanto forem, apenas são.<br><br>São. Não são. São. E são sol.<br>Mais do que um, dois ou mil<br>Menos que um, zero ou nada<br>A liberta redenção regozija quem é são<br>E são tantos. E são santos. E são sãos.</pre>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong><strong>Mateus Mecunhe</strong></strong>&nbsp;é um rapaz, 30 anos, se encontrando entre yoga e programação (que são muito mais parecidos do que se pensa).</p>
</div>
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		<title>Os Sentidos da Índia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 21:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[ancestralidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[india]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Mateus Mecunhe</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Depois de meses conturbados, com reviravoltas pessoais, profissionais e afetivas, faz-se o que o clichê manda: <strong>quando quer entrar em contato consigo mesmo, vá para a Índia. </strong></p>



<p>Desembarcar em Delhi ao fim de abril e sentir o calor de quase 50 graus é a primeira das muitas lições sobre aceitação. As tradições religiosas e filosóficas de lá só poderiam ter vindo de lá. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190512_070859917.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1668" /></figure>



<p>A constante surpresa do viver lá, notada pela inconstância percebida pelos cinco sentidos, pode trazer reflexões sobre pontos característicos importantes e questionamentos interessantes – especialmente para quem já teve o privilégio de viajar para alguns países diferentes:</p>



<ul><li>O que é inerentemente ocidental?</li><li>O que parece ser inerentemente humano?</li><li>Fundamentalmente, como se monta a realidade indiana em detrimento da realidade ocidental?</li></ul>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“chamei a linguagem de casa do ser. Se, pela linguagem, o homem mora na reivindicação do ser, então nós europeus, pelo visto, moramos numa casa totalmente diferente da oriental (…) Assim a conversa de uma casa para outra torna-se quase impossível”<br> (Heidegger, Martin. A caminho da linguagem. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Ed. Universitária São Francisco, 2003, p. 74.)</p>



<p>Tomando como verdade que a linguagem é parte fundamental do que é “ser” e todo o desdobramento sobre o que é realidade, aliado ao alfabeto usado como axioma linguístico no ocidente (todos usamos as mesmas letras, com poucas diferenças), quais são as consequências manifestadas de forma concreta entre as realidades de lá e de cá?</p>



<p>Afinal, os desenhos usados na comunicação escrita Hindi não se assemelham com nosso alfabeto.</p>



<p>Ou seja, o que é que há lá de tão diferente daqui? O que é semelhante?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190502_101935922_HDR.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1669" /></figure>



<p>Que a Índia é um vulcão cultural e social em constante erupção não é novidade. Mais de um bilhão de pessoas em um território menor que o Brasil, tendo como proposição aspectos básicos diferentes dos conhecidos por nós, dificilmente seria diferente.</p>



<p>As reflexões da viagem que servem de base para esse escrito foram fruto da minha própria experiência individualizada, inexoravelmente humana; longos diálogos com razoável nível de intimidade com um motorista de Delhi em viagem pelo Rajastão durante duas semanas; e diálogos com professores de yoga em Rishikesh.</p>



<p>A vivência trouxe percepções distintas e maneiras de responder às complexas questões fomentadas no início do texto.</p>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">1) O trânsito e a comunicação</p>



<p>Diferente da maior parte do ocidente, onde a comunicação no trânsito é primariamente visual, a comunicação no trânsito da Índia é primariamente sonora.</p>



<p>Para quem já viu (e ouviu) vídeos, o constante som das buzinas que se ouve lá não se ouve aqui. O significado de buzina, cá nesses cantos, é um aviso, um sobreaviso, ou reclamação.</p>



<p>Por lá, é um simples “estou aqui” constante, já que os motoristas não usam os espelhos – ao menos, não como nós. Os espelhos das motos são comumente removidos ou torcidos para dentro. O retrovisor dos carros é usado como espelho de uso pessoal, para checar a própria estética, e não como instrumento de localizar outros automóveis.</p>



<p>Outra questão tomada como axioma até que se pise por lá é o conceito de calçada: não há. Na rua andam carros, motos, caminhões, pessoas e vacas.</p>



<p>No aparente caos de uma comunicação pautada pelo barulho das buzinas, quem menos parece perceber (ou se importar) com a fluidez? As vacas. Constantemente, param para descansar ou quando encontram algum alimento caído pelo chão.</p>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">2) Alimentação</p>



<p>A comida indiana é vegetariana em sua maioria. Ao menos a hindu. Vê-se carne de galinha em bairros muçulmanos, mas o comércio de carne animal é proibida em cidades sagradas (como Varanasi, Rishikesh, Pushkar, …).</p>



<p>Baseada em arroz, lentilha, curry e pão, há inúmeras variações nos preparos de cada um desses itens. O que não varia, porém, é o apreço pelos temperos: cominho, cúrcuma, pimenta, gengibre, coentro são frequentemente colocados nas infinidades de pratos servidos na Índia.</p>



<p>O próprio comer, no entanto, chama mais a atenção: não se usa talheres como aqui. O ato de alimentação, sagrado, é algo que deve envolver os cinco sentidos:</p>



<p><strong>Paladar:</strong> ao sentir o sabor dos alimentos<br><strong>Visão: </strong>observa-se a comida – com suas cores expressivas – antes de ingeri-las<br><strong>Olfato:</strong> cheira-se o alimento antes de começar a comer<br><strong>Audição:</strong> ao morder algo crocante (alguma fritura ou vegetal antes do cozimento completo)<br><strong>Tato:</strong> come-se com as mãos (mesmo que seja arroz com lentilha)</p>



<p>Comer usando os cinco sentidos muda o significado do próprio comer. Sente-se uma conexão maior com o alimento. Poder sentir o calor e a temperatura emanando através do tato das palmas das mãos prepara o corpo para receber a comida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190430_204113851.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1671" /></figure>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">3) As constantes surpresas: cheiros e andanças</p>



<p>Caminhar em diferentes cidades da Índia traz uma coisa em comum: o inesperado cheiro.<br>A cada respiração, e impossível prever o que o olfato vai trazer.<br>O penetrante cheiro quase sólido da pimenta, lubrificando instantaneamente os olhos;<br>O desagradável cheiro do esterco das inúmeras vacas;<br>Ou, numa respiração no passo seguinte, sentir a mistura de cheiros sendo fritos em qualquer canto, salivando instantaneamente a boca.</p>



<p>Não só nos cheiros reside a sequência de surpresas – também através da visão:<br>A cada entrada em uma nova via, a imagem é frequentemente inesperada:<br>uma vaca deitada, descansando do escaldante calor;<br>uma criança sozinha, brincando, olhando penetrantemente não para mim, mas através de mim;<br>um pedinte balançando seu pote de moedas;<br>ou um grupo de mulheres com seus sáris de cores saturadas.</p>



<p>A inconstância de lá é quase um lembrete de que tudo se renova mais frequentemente do que costumamos notar cá no ocidente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190513_0843480263.jpg?fit=606%2C709&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1672" /><figcaption>clone tag: 7774683879055547433
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<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">4) Arte e Arquitetura – detalhes e circular e caminhões e religião.</p>



<p>Nos palácios, templos e outros painéis de expressão arquitetônica ou graficamente artística, nota-se uma coisa: o oriente é redondo.<br>Saem os ângulos, entram os círculos.<br>Nesse caso, é especialmente difícil presumir se é causa ou consequência da linguagem.</p>



<p>Comparativamente, a estrutura da crença é diferente das ocidentais. Enquanto cá há uma superutilização da dualidade (como criticavam tantos, dos quais o autor desse texto tem um apreço especial por William Blake em <em>O Casamento do Céu e do Inferno</em>), lá tudo é em trios e cíclico.</p>



<p>São três as deidades supremas (Brahma, Vishno, Shiva), bem como diversos outros conjuntos triplos (os doshas, os gunas, etc).<br>Como consequência da crença cíclica, a reencarnação e a possibilidade de viver muitas vidas é parte tomada como verdade na cultura indiana.<br>Talvez isso explique, em termos, a relação deles com o tempo diametralmente oposta à ideia de pressa e produtividade; muito notável é a diferença entre a pressa sem razão, comum a metrópoles ocidentais, em<br>comparação ao não se importar com esperar a vaca se levantar em uma passarela de pedestres que ocorre por lá.</p>



<ul class="wp-block-gallery columns-0 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190527_190807194_HDR-1.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" data-id="1675" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1675" class="wp-image-1675" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190501_114531667-1.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" data-id="1676" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1676" class="wp-image-1676" /></figure></li></ul>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">5) Expressão, a timidez e a curiosidade das crianças</p>



<p>Nesse ponto, há de se crer que parte das expressões corporais e faciais são inerentemente humanas. Impossível não notar o olhar curioso e tímido de crianças que poucas vezes viram um ocidental branco em sua frente. O olhar para baixo, consequente da timidez, como resposta a um simples oi é, ou melhor, talvez seja, universal.</p>



<p>Por outro lado, um gesto classicamente indiano é compreendido ocidentalmente com, suponho, grande ruído: o balançar lateral da cabeça como resposta, onde ocidentais esperamos entre o sim e o não, o céu e o inferno.</p>



<p>O gesto, por si, é até difícil de copiar: com um leve movimento do pescoço (e apenas do pescoço), as orelhas pendem para um lado e para o outro.<br>De difícil compreensão, muitas vezes substituí o “talvez” ou o “não sei”. Impossível cravar, entretanto – supõe-se expressão inexistente nas Línguas que falo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190628_095424341.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1677" /></figure>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">6) Selfies e a globalização</p>



<p>As selfies cumprem papel notável no cotidiano indiano e de maneira que a nós não é convencional. As inúmeras fotos tiradas de si (solo ou em grupo) não é novidade e provavelmente fruto da ocidentalização… Mas como é notável que tenha caído como uma luva no gosto popular indiano. Curioso, no entanto, é reparar que o uso das câmeras de selfie são usadas para registrar, inclusive, o que se está a frente.</p>



<p>Mais frequente do que raro, vê-se a população local filmando rituais com a câmera frontal do celular, apontando a própria tela para o objeto do registro.<br>Hábito do uso frequente de tal câmera?<br>Desapego sobre a necessidade de controlar o que está sendo passado?<br>Difícil propor respostas.</p>



<p>Além da selfie, vê-se rapidamente outros aspectos da globalização: diversos cremes corporais que prometem clarear a pele, a ascenção do número de casamentos por amor (love marriage, como dito por lá) em detrimento dos casamentos arranjados e uma tímida destabulização da prática sexual antes do casamento, escorrendo através da internet e aplicativos de encontros.</p>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">7) Relação com comércio</p>



<p>Para quem vive em locais onde o (que chamamos de) progresso social já chegou, muitos traços da cultura são, de certa forma, chocantes: machismo, pobreza extrema, imprudência higiênica, dentro outros.</p>



<p>Abstraindo e deixando de lado esses traços que soam, por si, desafiadores, há um outro ponto notável e exaustivo sobre ser estrangeiro na Índia: a relação com o comércio.</p>



<p>Duro se acostumar com a ideia de não existir uma linha notável entre o que é gentileza de estranhos e o que é “estão sendo gentis apenas para tentar me vender”.<br>Praticamente indissociáveis, são escassas as experiências de receber gentilezas “de graça”, como nós “brasileiros cordiais” estamos acostumados. A gentileza e curiosidade sobre a origem, o que busca por lá, dentre outras perguntas mais profundas do que o que se ouve como turista em outros lugares é perceptível. A associação disso com um convite a conhecer a loja do interlocutor inicialmente interessado em sua história, também.</p>



<p>Desde, pelo menos, o século V a.C., invasões e saques por estrangeiros brancos ocorreram e ocorrem por lá, quando Alexandre, O Grande e seu exército invadiram o norte só subcontinente indiano.</p>



<p>Refletindo, não é improvável que a cultura se moldasse a aprender como lidar comercialmente com estrangeiros brancos.</p>



<p style="background-color:#ba9422;font-size:30px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">8) Ancestralidade</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190521_162723699_HDR.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1678" /></figure>



<p>Por último, das inúmeras experiências, o que há de mais valioso na vivência indiana é o contato com a ancestralidade.<br>As relações humanas e olhares parecem ter menos máscaras: não se disfarça surpresa quando se está surpreso. Não se disfarça interesse – seja lá qual for – quando há interesse.</p>



<p>Há medos, conexões e sentidos despertados mesmos nos centros urbanos indianos.</p>



<p>É como misturar, numa grande panela, os estímulos e estresses de grandes centros urbanos e uma dose grande de sensações despertadas com contato íntimo com a natureza, na presença de animais não domesticados. Por cima de tudo, adiciona-se um bilhão de pessoas, mais de vinte Línguas e 100 dialetos.</p>



<p>Como se aceita tamanha quantidade de estímulos?<br>A experiência diz, só tem um jeito: aceitação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/IMG_20190514_180126551_HDR.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1728" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Mateus Mecunhe</strong> é um rapaz, quase 30, se encontrando entre yoga e programação (que são muito mais parecidos do que se pensa)</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ilo.org/ipec/Regionsandcountries/Africa/WCMS_618949/lang--en/index.htm"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-CAROL5.png?fit=606%2C585&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1552" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>The&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.ilo.org/global/publications/books/WCMS_575499/lang--en/index.htm" target="_blank">2016 Global Estimates of Child Labour&nbsp;</a>&nbsp;indicate that one-fifth of all African children are involved in child labour, a proportion more than twice as high as in any other region. </em>                                                          <strong>International Labour Organization</strong>.</p>



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