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	<title>Arquivos negro no Brasil - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Caos</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:31:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Estabelecendo uma relação de continuidade com o meu último texto, a saber, &#8221; Sob o silêncio: perspectivas de um trajeto estrutural pelo fio da música.”, me dispus a refletir sobre a atuação do caos no ordenamento das ideias que irão desaguar em alguma expressão artística, que, por sua vez, é criativa e cultural.&nbsp;</p>



<p>Ao &#8220;caos&#8221; é atribuído uma série de designações, sejam elas do ramo da filosofia, da física e etc. Filosoficamente, caos significa &#8211; dentro da tradição platônica -, um estado geral desordenado e indiferenciado de elementos que antecede uma intervenção e, segundo Platão (428-348 a.C.) o interventor seria o <em>demiurgo, </em>figura que modela e organiza a matéria caótica pela imitação do que é perfeito e eterno, mas não cria, de fato, a realidade. Pensando no âmbito da física, sobretudo na física quântica, &#8220;caos&#8221; é expresso pela complexidade de um sistema dinâmico que, por equações, pode ter a sua interação e determinismo explicado.&nbsp;</p>



<p>Em ambas as conceituações cabe destacar que o caos se constitui enquanto matéria. Mesmo desorganizado pode ser explicado e, indo mais além, podemos concluir que o que entendemos enquanto &#8220;regular&#8221; pode ser considerado como resultado do caos. A imprevisibilidade desse sistema se dá pela desorganização que gera organização, sendo que essa última, conta com fluxos não só de matéria mas também de energia para que, ao fim e ao cabo, se produza algo derivado dessa matéria pré existente. Pré existente ao mundo, aos sentimentos, as reações e aos desígnios mais pontuais que temos ao longo da vida. Caos, portanto, é o recipiente das peças que irão compor o resultado, seja ele qual for. Longe de tentar aplicar uma função ao caos enquanto ele ainda o é, reflito somente sobre sua potencialidade criativa.&nbsp;</p>



<p>Dizer de um estado caótico, sobretudo quando se produz arte no palco cultural contemporâneo, soa como um bloqueio (assim como o silêncio). Acredito que essa crença e percepção parte do imediatismo &#8211; <em>ready and go</em> &#8211; produtivo que surge mediante os discursos que apontam uma constância que, por sua vez, se manifesta indicando sabedoria, organização, conquista e todos os outros valores ressignificados por uma sociedade onde a experiência individual se institui enquanto meta para o coletivo. Partindo pela ótica do outro, estabelecemos ou até mesmo restabelecemos nossas reações subvertendo o nosso próprio tempo, organismo, a nossa própria matéria, alterando a nossa energia que, respondendo a uma expectativa externa, não nos proporciona uma vida próspera, ao contrário, coopera para a extinção das dimensões internas que nos torna únicos.&nbsp;</p>



<p>Para concluir, saliento que, talvez, a resposta para um bloqueio criativo ou até mesmo para as vozes externas a sua produção, seja não o caos em si, mas a compreensão que, de uma matéria caótica, se estabelece ordem. Somado a isso, essa dimensão instiga maior sensibilidade, contribuindo para uma nova aventura criativa dado o receptáculo de frações&nbsp; &#8211; constituinte do que ainda não se organizou &#8211; dentro de você.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gyovana Machado</strong> é graduanda em História pela UFJF, formada no Seminário Teológico Rhema Brasil, líder de música em A Igreja.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tantas Voltas, Tantas Vistas.</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Jacob</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Amarrados, emendados, encaixados, justapostos, remendados, esticados. Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade. As tramas do acaso desenham sua juntura na medida em que a necessidade imprime sua força. A escolha parece arbitrária: o que se tem à mão, o que parece útil, o que se pode arranjar. O pigmento é a festa ancestral, inerente, inevitável. A sucessão dos dias provoca fluidez nas formas, mudando os contornos, a densidade, a saturação, movimento perene como a correnteza de um rio, que pouco importa a nascente ou a foz. Tudo ao redor parece mar. O rio segue cumprindo sua sina desejosa, sua tarefa arranjada, improvisada, mediadora. Ponto de contato, de encontro, de desvio, de passagem, tapete vivo. Assim acontece a imagem do fotografo francês Yann Arthur Bertrand, retratando um fragmento da Cidade do México. Uma ampla vista aérea nos revela um corredor de cores que, permito-me imaginar, abrigaria um mercado popular. A longa faixa multicor corta uma região monótona, quase uniforme, da cidade, com casas parecidas, ruas parecidas, construções de baixa complexidade e pouco destaque entre as demais. Quadras pálidas e alguns pontos de cor, quase insignificantes.</p>



<p>A fotografia é usada como destaque para que o jornal <em>El País</em> discuta como construir metrópoles habitáveis, segundo a opinião de arquitetos e pesquisadores premiados. A cidade é apontada como concentração de oportunidades em diversos campos da vida, como trabalho, educação, saúde e lazer. Entendê-la inicialmente pela escolha da palavra “concentração” já começa a abrir canais de proximidade com sua realidade mais sensível, aquela que nos conecta com a ideia de convivência entre distintas formas espaciais e de vida. Seu corpo é notoriamente fragmentado e, ao mesmo tempo, conectado, de constituição e uso mistos. Habitações, praças, ruas, monumentos e vazios vão destacando a vocação da cidade enquanto obra, fruto das modelagens e remodelagens dos tempos e anseios que a percorrem. Celebrar essa condição de simultaneidade e diversidade que a caracteriza, é para onde apontam as reflexões dos pesquisadores do artigo que, em sua totalidade, sublinham o uso eficiente do espaço dentro de uma lógica técnica ou “parcelar”, como classificaria o filósofo Henri Lefebvre, no livro <em>O direito à cidade </em>(1968)<em>.</em> Ainda que sob uma ótica tendenciosa ao pensamento técnico de algumas áreas em relação à outras , emprega-se a tecnologia em benefício da coletividade, traduzida na construção, por exemplo, de ruas com formas diversificadas de ocupação: pedestres, bicicletas, carros e transportes públicos.</p>



<p>&nbsp;Esse olhar seria atitude resiliente frente às questões e problemas enfrentados pela cidade contemporânea; tentativa de garantir certa diversidade urbana em detrimento de sua regulação exclusiva pelo mercado, ou aquilo que Lefebvre&nbsp; chamaria de “ordem distante” (Estado e Instituições). As demandas e vivências não se encerram ou paralisam. A cidade, que não é entendida por apenas uma ou duas ou três ciências parcelares, mas por uma coletânea delas concatenadas com as relações que lá se desenrolam diariamente; as que tentam desesperadamente esconder; as reflexões que claramente estimulam e os tempos que nela se deitam, tem que aprender, constantemente, a reconhecer e lidar com sua polissemia. Não é capaz de filtrar o inesperado, o improvisado, nem frear as especulações do mercado. Acolhe as feiras livres, os ambulantes, os improvisos, a criação quilométrica de um céu de remendos no México e, ao mesmo tempo, projetos como o da UBER, que divulgam sua aviação urbana e pensam em vôos compartilhados e financeiramente acessíveis. A questão que se anuncia é: pensar ruas que sirvam para todos.</p>



<p>Com uma nota em sua página na internet, a prefeitura de Juiz de Fora divulga sua estratégia de política urbana para o caso dos ambulantes e ocupações menos legitimadas das ruas:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Denominada “A cidade é para todos”, a operação, de caráter preventivo, tem o objetivo de inibir a prática do comércio ilegal nas ruas centrais, demonstrando para a população a importância da organização do ambiente urbano, além de garantir a desobstrução das vias, de modo a possibilitar mais acessibilidade, mobilidade e segurança aos pedestres. Também serão verificados e orientados os ambulantes regularizados e o comércio formal.(PJF,2019).</p>



<p>Colocados lado a lado, os conteúdos das duas matérias parecem contradizerem-se. Qualquer leitor atento poderia encontrar-se no centro de um cabo de guerra. Enquanto uma extremidade considera o espírito de simultaneidade e diversidade do espaço urbano como estratégias relevantes para o seu desenvolvimento em quesitos como mobilidade, segurança e habitação, a outra vê-se atada às práticas públicas de roupagem excludente. Um lado aprecia a racionalidade aplicada e, ao mesmo tempo sensível às idiossincrasias da cidade, sob o slogan de “ruas para todos”, presente na matéria do jornal <em>El País</em>, o outro convence-se com abordagens pouco reflexivas no sentido de um pensamento que tenta amenizar conflitos ou mediar situações complexas, como descritas no site da prefeitura da cidade mineira. Ambas as justificativas valem-se da ideia global do “para todos”, mas talvez a palavra “todos” tenha, como a cidade, a sua vocação para a contradição; apresente, como algumas de suas vias, sentidos duplos, variados, interditados.</p>



<p>&nbsp;Chegamos até esse ponto, não para discutir medidas públicas ou técnicas para o funcionamento da cidade. Aqui, procuramos a brecha na cidade, a fissura que aparece nas relações que ela sustenta, matéria manipulável pelas objetividades e subjetividades viventes em suas esquinas; objeto de arte em constante construção (e desconstrução), alvo do pensar e fazer do artista. A contradição salta aos olhos, emerge de cada trinca do seu asfalto, concreto ou língua. O “tecido urbano” revela-se um imenso drapeado de vozes e condutas. E também de tempos: o tempo das práticas rudimentares, menos simpáticas e até repressoras, o tempo do diálogo, das discussões e busca de respostas ( efêmeras) para as situações e o tempo das aeronaves urbanas coletivas. Apesar da nossa imaginação, a cidade parece exercer o seu acolhimento aos variados e desconectados tempos; encontrar uma lógica naquilo que soa incongruente, afirmando a sua própria incoerência como liga para as oposições. É realmente estranho para um racionalismo sistematizante cogitar essas divagações delirantes sobre a cidade, mas o maior delírio , em contrapartida, poderia residir na negação de sua realidade de lugar de lugares, “mediação entre as mediações”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Não se pode evitar o conflito. Possivelmente seja esse o lema urbano, sua condição tantas vezes ignorada ou rejeitada, mas ironicamente elementar. Ao mesmo tempo que se torna lugar de reunião, agrupamento, encontros e vivências, também revela-se “lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede das dissoluções das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível” (LEFEBVRE, 2001, p.85). Essa potencialidade e, muitas vezes, objetalidade do urbano encarnado na cidade estimula-me a pensá-la como território de poéticas para o artista. Antes de prosseguirmos, é preciso uma consideração importante, que diz respeito a definição de “cidade” e “urbano”, já que fizemos uma clara menção a sua possível distinção de entendimento. Nessa lógica, a cidade seria uma espécie de realidade presente, palpável, imediata, prático-sensível e arquitetônica, enquanto o “urbano” incluiria uma dimensão de realidade social, revelando relações que são concebidas pelo pensamento. No entanto, é importante ressaltar que esse “urbano” não seria uma entidade considerada puramente filosófica, uma vez que se presume sua realização no plano prático-sensível, sendo também morfológica.</p>



<p>&nbsp;A brecha que a cidade expõe e que insistentemente tratamos com desatenção, parece revelar nossa miopia ao mirá-la. Tratamos sua condição mais óbvia como desvio e, na maioria das vezes, encontramos mil estratégias para evitar a realidade da coisa: o conflito. Programas para melhoria da mobilidade, da segurança, da arquitetura, dentre outras ferramentas técnicas, parecem pensar os lugares a partir de suas lupas auto centradas, mas sempre acabam obrigados a encarar a velha sina da cidade de reunir aquilo que se encontra disperso. O desafio esboça a sua condição de existência. Ao mantermo-nos atrelados exclusivamente à ideia de eficiência, produtividade e lucro, no que toca a questão da cidade, assumimos um papel demasiadamente austero frente aquilo que essencialmente é constituído de matéria lúdica.</p>



<p>Através dos breves intervalos na cerca metálica que divide a cidade de Sunland Park (EUA) e Ciudad Júarez (México) foram instaladas gangorras cor-de-rosa para que as pessoas dos dois lados brinquem juntas. A palavra brincadeira poderia facilmente ser substituída por: entram em contato, relacionam-se, conversam através de seus corpos, experimentam-se. A ação pouco convencional, ou até pueril, não escapa à questão da querela que envolve as duas nações, ao contrário, só se faz urgente e sublinhada na paisagem devido ao significado da cerca que a corta. No momento em que o presidente Donald Trump carrega em sua promessa eleitoral a construção de um muro que ocupe toda a fronteira entre os dois países e que, mesmo sem a concretização da ideia até a presente data, já tenha levantado uma considerável quantia para reformar trechos da cerca, a presença de um simples dispositivo, usado para entretenimento e diversão entre crianças, ganha um atributo reflexivo. Segundo os artistas Ronald Rael e Virginia San Fratello, a iniciativa do trabalho é mostrar que ações de um lado têm consequências diretas para o outro, coisa que poderia parecer óbvia para a maioria das pessoas, mas que, de alguma forma, surge como uma surpresa.</p>



<p>&nbsp;A discussão daqueles lugares, tanto da fronteira em si, como também do impacto que ela representa para ambos os territórios, em suas práticas cotidianas, ganha notoriedade a partir do dispositivo “gangorra”. A fronteira conecta geograficamente dois lugares, determina objetivamente seus limites; a gangorra os conecta de forma lúdica, revelando outros eixos de contato, reconfigurando os limites, redesenhando as bordas. Isso significa pensar sobre as possibilidades das relações estabelecidas a partir desse lugar de contato, os conflitos que o tornam zona de tensão (e que, talvez por contraste, somos convidados a pensar e avaliar por meio das relaxantes gangorras) e a qualidade desse ponto específico: de lugar geométrico a lugar político; de lugar político a lugar artístico.</p>



<p>&nbsp;De lugar em lugar, o ponto inflamado é paulatinamente transformado em apoio para o brinquedo e para reflexão de como lidar com as engrenagens que sustentam&nbsp; as relações, implícitas na figura do fulcro. Seja qual for o eixo de possibilidades que analisamos a questão, todos estão pendendo de um ponto fulcral, e é importante lembrar que um desses eixos (no caso da gangorra, por exemplo) é capaz de alimentar o jogo, a festa, o relaxamento, o momento lúdico. Trocando em miúdos, leva-nos elaborar o quanto, graças às nossas divergências, estamos imiscuídos irrevogavelmente nesse parque de experiências, porque convivemos, trocamos, olhamo-nos; porque inevitavelmente colocamo-nos a “brincar”.</p>



<p>Sempre tive fascínio pela sombrinha ou chapéu mexicano, um brinquedo tradicional dos parques de diversão. Daquele grande , colorido, luminoso e algumas vezes musical sombreiro partem correntes que se esticam até terminarem em assentos. Gostoso é ficar sentado ali, as mãos nas correntes de um lado e do outro, o corpo balançando levemente na cadeira, juntamente com o frisson que nos toma enquanto esperamos a partida. A sombrinha gira e somos pouco a pouco lançados na paisagem. Não fossem as correntes seríamos arremessados ao longe. Mas estamos unidos a ela, somos também sombrinha naquele instante, parte das suas extremidades. Frequentamos o espaço repetidamente em círculos, sentimos o vento no rosto, voamos sem perceber que a sombrinha nos conduz e que voltamos sempre ao mesmo lugar de onde partimos. Podemos imaginar que fazemos uma viagem em linha reta, porque a cada volta o nosso olhar se atira para diferentes direções, mudam-se os sons, as cores, os desejos.</p>



<p>&nbsp;Pensar na emoção de me dispersar pelo espaço nas franjas do chapéu mexicano, é disparo capaz de devolver-me a um momento que não se limita à experiência dos rodopios do brinquedo , mas uma situação, uma época, uma vivência, um prazer, uma memória, um lugar. É um dispositivo que me oferece a experiência centrífuga com o mundo. Frequentar a cidade possivelmente nos exija alguma benevolência com essa força. Suas ruas, edifícios, sons, cheiros e pessoas, por mais que estejam diariamente presentes, que durem semanas ou décadas ou séculos, estão em constante movimento. A arquitetura muda, adapta-se aos tempos de modo funcional e estético, as ruas ganham nomes novos (questionamos o porquê de algumas ainda levarem os nomes de chefes de estado ditadores, enquanto outras passam a homenagear novas personalidades, que no tempo em que foram planejadas ainda construíam o seu lugar na história). &nbsp;</p>



<p>&nbsp;Frequentar o ambiente citadino nos expõe aos ventos ímpares das mesmas esquinas; ao desconforto de enfrentar o espaço com o corpo e as sensações, sabendo-se frágil pelo suor das mãos e vacilante frente à instabilidade das correntes e banquetas que nos sustentam. É saber-se habitante fronteiriço entre tantas margens que precisam estar integradas e conjugadas entre si e com o nosso movimento centrífugo. O “flanêur” descrito por Baudelaire, em <em>O pintor da vida moderna </em>(1863)<em>&nbsp;</em> andava pela cidade e surpreendia-se com suas mudanças, maravilhava-se com o modelo de cidade que se desenhava na modernidade, as tecnologias que permitiam uma vida mais veloz, as personagens que surgiam e adaptavam-se àquela realidade, os seus trajes e hábitos. Não deixo de pensar que também flanamos pela contemporaneidade afora. As mudanças continuam a nos perseguir e, à medida em que giramos pela cidade, reconhecemos novas dobraduras de seus espaços e de nós mesmos. Pendemos desse motor sem que necessariamente nos desprendamos dele, e seguimos descobrindo lugares a partir dessa desequilibrante cadeira de sombrinha.&nbsp;</p>



<p>Poderiam ser tecidos, tapumes, lonas ou, ainda, napas que se encontram com intimidade, cobrindo um corredor pelas ruas mexicanas, mas o fato é que, à sua maneira, são marcas de alguma forma de existir e conversar com a sua paisagem, modos de se inscrever, clandestinamente, naquele lugar, transformando-se em produto de sua ausência nas planilhas das “ciências parcelares”. Poética do imprevisto, obra não planejada. Provavelmente alguns se incomodam com a precariedade de suas formas, o obstáculo que impõem ao trânsito ou o inconveniente da aglomeração que favorecem; outros nem tanto, dada a sua imersão no espaço. Alguns encontram neles alguma funcionalidade, afinal de contas existem para suprir a necessidade de um grupo, outros sequer os viram. Há, ainda, quem neles reconheça qualidades que nascem das fissuras existentes entre o precisar e o não precisar, o concordar e o não concordar; que simplesmente (ou complexamente) revelam algo a partir dos encontros e desencontros nesses lugares, materializando a curiosa forma do urbano.</p>



<p>&nbsp;Certamente, é preciso saber lidar com a organização prática e técnica dos lugares, assim como, também, é preciso reconhecer aquilo que os atravessam e que é matéria das vidas que acontecem ali. Há uma dissimulação, um fingimento, um componente lúdico que precisa ser ativado para não acreditarmos além da conta nas verdades implantadas por interesses especulativos na realidade urbana. Incorporar “verdade” nessa realidade não deveria desconsiderar aquilo que emerge da sua linguagem lúdica, do momento de encantamento quando reconhecemo-nos passageiros-brincantes de um Chapéu Mexicano. O pensamento de Levebvre mais uma vez pode ajudar a pavimentar a relação que tentamos construir aqui, ilustrando que colocar a arte a serviço do urbano não significa adornar seus espaços com “obras” artísticas, mas que, por outro mecanismo, deixando a exclusividade do ornamento, representação e decoração, podemos torná-la “<em>praxis e poiesis” </em>em cada grandeza social, construindo “a arte de viver na cidade como obra de arte”. Nesse instante, quem sabe, somos capazes de capturar o descompasso das diferenças embalados pelas viagens no Chapéu Mexicano. De tantas voltas e tantas vistas, talvez possamos construir lugares conscientes de seu presente sempre em obras, e, portanto, sujeitos ao devir das coisas e situações, sejam elas a improvisada cobertura de cores e texturas que se instalam ao longo de uma rua , seja a paisagem do centro da cidade ocupada por comerciantes ambulantes e seus aparatos, sejam as gangorras na fronteira entre o México e os EUA&#8230;</p>



<p>NOTAS:</p>



<p>BAUDELAIRE, Charles. O pintor da vida moderna. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.</p>



<p>FARKAS, Solange; BOGOSSIAN, Gabriel&nbsp; (cur.). <strong>Akram Zaatari: </strong>Amanhã vai ficar tudo bem. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, 2016.</p>



<p>LEFEBVRE, Henry. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. &nbsp;</p>



<p>A CIDADE É PARA TODOS. SEMAUR INICIA OPERAÇÃO JUNTO AO COMÉRCIO AMBULANTE. Disponível em &lt;<a href="https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350">https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&amp;idnoticia2=65350</a>&gt; Acesso em: 23 de Jul.,2019.</p>



<p>ARQUITETOS INSTALAM GANGORRAS NA CERCA ENTRE EUA E MÉXICO. Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/30/arquiteto-instala-gangorras-na-cerca-entre-eua-e-mexico.ghtml&gt; Acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>OUTRA CIDADE É POSSÍVEL. Disponível em &lt;https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/26/cultura/1495812995_702019.html&gt;. acesso em: 06 de Ago.,2019.</p>



<p>UBER ELEVATE. Disponível em:&lt;https://www.uber.com/br/pt-br/elevate/uberair/&gt;Acesso em: 12 de Ago.,2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>João Jacob</strong> é natural de juiz de fora, MG, com formação em Artes (Bacharelado Interdisciplinar em Arte e Design) pela UFJF. Atualmente faz parte do corpo discente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cultura e Linguagens IAD UFJF (Mestrado &#8211; Turma 2019).</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3552a-julia-sa-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3413" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O “Leviatã” que não existe no Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Dec 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 026]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Se o mote de todo o debate que esse espaço de discussões vem tecendo, por meio de publicações semanais aqui na Trama_, é o quanto o Brasil vem se afastando dos conceitos basilares do Estado ocidental moderno, essas semanas mais fatos mostraram o tamanho da disparidade na balança que mede as liberdades individuais das quais o Estado é garantidor, e não ameaça.</p>



<p>Num baile funk em Paraisópolis, comunidade na periferia de São Paulo, uma ação abusiva da Polícia Militar (PM) provocou tumultuo incontrolável que resultou na morte de 18 jovens por pisoteamento, além de outros marcados por tiros com barras de borracha. Até agora não se sabe, ao certo, qual a razão para que tal ação fosse tomada pela PM, e possivelmente jamais o seja. Pouco dias antes, no domingo de comemoração da conquista do título da Copa Libertadores da América pelo Flamengo, outro tumultuo foi causado pela PM, dessa vez, felizmente, sem vítimas.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Se a figura do Estado foi um dia idealizada e lapidada no curso de 300 anos, e de séculos ou milênios, se for flexibilizado o conceito de sociedade organizada a todas as civilizações regidas por um poder central, fez-se assim para garantia de proteção ao ser humano antes os perigos do isolamento, seja pelas intempéries naturais, seja pelo próprio ser humano. Thomas Hobbes em sua obra magna, “O Leviatã”, faz a analogia entre o monstro bíblico e o poder de coerção do Estado, isto é, a força que ele tem de obrigar o cidadão a fazer o que ele rege, em determinadas circunstâncias que sirvam ao bem coletivo. Desta forma, para Hobbes, o Estado é um “mal necessário”, visto ser o bem a liberdade, que, no entanto, em toda a sua potencialidade gera distorções variadas na ordem social. “Uma pessoa é mais forte que a outra e lhe toma sua casa. Mais tarde, ainda que menos fortes que a primeira, outras duas pessoas associam-se e lhe tomam a casa novamente, e assim sucessivamente até que a lei do mais forte se estabeleça sempre na forma de controle autoritário e necessariamente instável, e nunca na forma de uma sociedade organizada para o bem comum”, é a síntese do argumento hobbesiano.</p>



<p>Portanto, em tudo que tange à ação de indivíduos livres sem dano a outrem, como já foi discutido em texto anterior sobre os princípios do liberalismo de John Stuart Mill aplicados à expressão da arte e da sexualidade, o Estado está alheio. Numa festa coletiva a céu aberto ou num baile funk na periferia, se não há ameaça à ordem social, não deve atuar a PM como braço coercitivo do Estado, e, se ameaça houver, tal ação deve exercer o mínimo de dano sobre indivíduos não envolvidos. Trocando em miúdos: se há homicídios e articulação de crimes em bairros da periferia, a solução não é bombardear o local e ceifar inocentes junto a criminosos, tal como não é solução para o terrorismo a destruição dos países árabes, etc. Se há focos de violência, tráfico e ocorrência assédio, corrupção de menores e estupro (se há) num baile funk, o que ocorre igualmente em festas da classe média branca, sem igual veemência do Estado, não deve a PM atuar de forma ostensiva de modo a, ela sim, ameaçar a ordem social.</p>



<p>Ocorre que no Brasil o tal Leviatã, tal como descrito por Hobbes, jamais existiu. O país nunca deixou, de fato, sua forma pré-moderna de se organizar de acordo com padrões similares aos do regime escravocrata que o fundou política e economicamente, adaptando as ferramentas de total submissão das camadas mais pobres e etnias mais oprimidas de nossa sociedade aos conceitos do tempo em que vivemos. O jovem negro assassinado na favela por usar dos meios que tem para usufruir dos bens de consumo que lhe são negados é o mesmo que, 200 anos atrás, era punido com a chibata ou a morte por tentar escapar do cativeiro. E sua forma de celebração, seja nas ruas por um clube e um esporte popular, seja numa festa privada, perseguida tal como foi o samba no seu nascedouro.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A História que a História não conta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2019 12:42:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mangueira]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Tainá Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Explica essa História?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nesse vídeo, graduandos de História se propõem a analisar e comentar o desfile da escola de samba Estação Primeira de Mangueira de 2019. </p>



<p>Com um enredo que possui o título “História pra ninar gente grande”, a escola de samba leva para avenida uma crítica à história oficial do país, que ao longo de grande parte da sua trajetória, constrói narrativas que destacam heróis brancos e europeus, além de&nbsp; marginalizar agentes que não pertencem a este estereótipo.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, a partir de revisões historiográficas, a representação da escola coloca em cena o que seriam os verdadeiros heróis nacionais, como povos originários, negros escravizados e mulheres. Por outro lado, o enredo coloca em cheque figuras nacionais consolidadas, como políticos, barões escravagistas, lideres religiosos e agentes responsáveis por grandes feitos que constam na retórica oficial da história do país.&nbsp; Além disso, o samba provoca uma reflexão emblemática ao cantar “a<em> história que a história não conta</em>”, posicionando-se de forma crítica ao ofício do historiador.&nbsp;</p>



<p>Nesse contexto, os estudantes de História se colocam como comentaristas do desfile, se debruçando sobre as questões históricas abordadas, trazendo uma visão crítica acerca de elementos chave, com a finalidade de evidenciar contrapontos do discurso reproduzido pela escola de samba.</p>



<p>Assista abaixo!</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A história que a História não conta? Explica essa História?" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/BaduHyjodUw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Explica essa História? </strong>é um canal criado por graduandos que buscam analisar onde e como a História aparece nos vídeos públicos, séries e filmes. A partir disso, refletir sobre qual narrativa chega e permeia o senso comum, e como existem diversas interpretações para um mesmo fato.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>d&#8217;A Juventude Transviada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lua Xavier</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Pela madrugada os sons da cidade são bem peculiares, tal como uma gaita familiar vinda da natureza e mais uma vez; Helena, agora livre e diante de seu grande paradoxo travestido de guerra anti áries, escuta calmamente cada pio do gogó das aves. Ela sabe, bem lá no fundo de seus olhos da alma, que algo pode estar por vir&#8230; Teme e treme; afinal, o temor e o tremor são reações naturais de um corpo em contato com seu próprio interior: está, finalmente, exercendo seu legítimo cuidado &#8211; ainda que em meio a tropeços. Ao mesmo tempo que o bem-te-vi anuncia a vinda do Sol-escorpião, casada com a aparição avassaladora d&#8217;A estrela escondida pela melancolia, sua amiga Lua se deita no mar daqueles que deram o grito surdo dos miseráveis, e a legião estrangeira de estrelas azuis e pedrinhos nus nunca dorme. Helena escuta alguns pequenos decibéis da vida humana: eis o ponto de partida do mundo visível ao olho anti-nu; mas Helena foi condenada a ir fundo. Ela sente em seus poros a chama nêga costante e calma sob a chuva rala disfarçada de orvalho &#8211; ou até mesmo sereno. Escuta&#8230; Não mais &#8211; só mente &#8211; as vozes de galinhas e ovos macabéticos, mas as vibrações das ondas de um mundo moinho, onde uma semente plantada por um eterno gatilho sem disparar brota pela concepção a cada instante &#8211; e nela. A bala perdida em formato de soneto no mês de agosto insiste em fazer constante a presença da possibilidade de essência perante a existência. Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam e os que não querem enxergar&#8230; Ora, tanto faz&#8230; Se o que não foi, não é: e todos comem seu pão nosso de cada dia em formato de bolo enrolado, cantado aos quatro cantos seu despertar &#8211; disfarçados. Essa tal de Juventude Transviada, já cantada há tantos anos, está abrindo seus armários de pandora e enfrentando as tentações dionisíacas e imagéticas de todos os dias &#8211; em meio a fuga da semiótica vista como cruel, mas da vida: temem e tremem; emocionam; fraquejam e fortalezam; caem n&#8217;As tentações: são vivos: das pedras à carne, das folhas aos frutos, da seiva à flor &#8211; e disso, os floristas sabem. Nessa madrugada Helena não sentiu medo. Não há mais bueiro que lhe conforte de prisões, não há mais poço que lhe jure o infinito, não há mais palavra que lhe informe certezas: esta é a liberdade &#8211; o preço mais caro a se pagar. Tão livre que tem fé cega até no paradoxo íntimo feito entre quatro paredes. Diante dos grandes olhos, está a Juventude Transviada, num jogo semanal entre X e Cruz: Opostos que tentam confundir? Mas esta tal&#8230; Essa tal, que lava roupa todo dia &#8211; cheia de agonia &#8211; essa&#8230; Imprime seus sonhos na história, seja púrpura ou galega, prateada ou dourada, repleta de esquadros de balbúrdia arquitetada e algumas mumunhas de um passado de nostalgias e saudades que acabam por fazer do tal do amor, a revolução. E tudo isso fica no Mar, e também fica em minas.&nbsp;<br>E Helena? Helena permanece aqui na terra, vagando mundos &#8211; e sempre espera &#8211; enquanto enfrenta minotauros, faunos, esfinges imaginárias dentro dum elevador &#8211; que, como todo elevador se preze &#8211; vem munido do entra e sai de corpos e reflexos em seu espelho. E, ainda assim, de dentro de tal meio de transporte mais seguro e abafado do mundo, a sentença de Helena grita: o cheiro do vento invade seus cárceres nada privados e lhe sussurra&#8230;: &nbsp;&#8220;fé&#8221;.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Lua Xavier: </strong>vivo num clipe sem nexo, um Pierrot- retrocesso, meia bossa nova e rock&#8217;n&#8217;roll</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Loucura Resistirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=5378</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/01/a-loucura-resistira/">A Loucura Resistirá</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A arte, bem como quaisquer formas de engenhosidade, incomoda aos que vivem de explorar o mediano dos seres humanos, visto que instiga e busca fazer com que encontrem a verdade por detrás dos muitos véus e máscaras que constituem a nossa sociedade.&nbsp;</p>



<p>Esta é a suma da obra “Memorial do Convento”, que lançou o escritor português José Saramago. A obra conta a história de Blimunda, uma mulher simples, dona de casa, órfã de pai desconhecido e mãe proscrita para Angola pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição; Baltazar, soldado português aleijado em combate contra a Espanha; e Bartolomeu, padre que tem o sonho de criar uma máquina capaz de voar. No início do século XVIII, no reinado de Dom João V e sob os olhares vigilantes da Igreja, ambos acompanham a construção de um convento dedicado ao nascimento do varão da Casa de Bragança, erguido sob mão de obra quase servil, com ouro explorado do Brasil por negros escravizados.&nbsp;</p>



<p>Blimunda tem o incrível dom de, sempre que em jejum, ver o que há por trás de corpos e mentes das pessoas, herdando a sobrenaturalidade da mãe, que ouvia vozes. Ela ajuda Bartolomeu a criar sua máquina voadora por meio do conhecimento do éter, substância obtida do melhor dos sentimentos humanos, os quais ela é capaz de enxergar e dar-lhes consistência por meio de pedras, amuletos, todo o tipo de superstições que deem demonstração do desejo e da vontade humana, sobretudo aquelas que encontram-se próximas à morte e anseiam pela vida. O éter assim obtido, segundo os planos do padre, vai erguer sua invenção aos céus. Baltazar, homem simples e raso, porém dedicado ao próximo, é o sustento dos dois. Entretanto, ambos despertam a fúria dos poderosos da sociedade portuguesa por se atreverem a enfrentar as leis de Deus e ousarem voar, atraindo olhares da Inquisição.</p>



<p>A obra de Saramago é uma crítica a uma sociedade que, não muito distante daquela em que vivemos, persegue e condena aqueles que ousam dissuadir da ordem vigente, não apenas por questionamentos morais e comportamentais, mas igualmente pela arte e pela inventividade. O que o autor aponta como a não aceitação social do conhecimento, da criatividade e da inventividade, foi objeto de questionamentos desde o nascimento da modernidade, quando o filósofo germânico Erasmo de Roterdã fez o seu Elogio da Loucura, afirmando que da não racionalidade pode nascer a imoralidade e a ameaça à ordem social, de um lado, mas pode igualmente emanar a crítica para o melhor conhecimento da sociedade, ao se poder enxergar o ser verdadeiro por trás das máscaras, tal como Blimunda.&nbsp;</p>



<p>“Suponhamos o caso de que alguém quisesse arrancar as máscaras dos atores que desempenham o seu papel num palco, revelando aos espectadores as suas verdadeiras e reais faces. Não estará essa pessoa estragando toda a ficção cênica, merecendo ser preso como louco furioso e expulso do teatro a pedradas? [..] quem era rei, torna-se de repente canalha; quem era deus, na mesma hora revela-se homúnculo. Cortar a ilusão significa mandar pelos ares todo o drama, pois precisamente o engano da ficção cênica é que encanta os olhos do espectador. [&#8230;] Assim, no palco, tudo é postiço, mas a comédia da vida não se desenvolve de outro modo”, argumentava Erasmo.&nbsp;</p>



<p>Derrubando máscaras sociais, sejam elas ontológicas, isto é, da relação do ser humano com o mundo e os outros seres, o que inclui a moral e o comportamento, ou cosmológicas, isto é, a concepção (neste caso, atravessada pela moral) que as pessoas têm das estruturas físicas e as leis que as regem, a vanguarda sempre incomoda. Ao mesmo tempo, no entanto, é necessária, e entre idas e vindas consegue se impor entre fluxos de avanços e refluxos de retrocessos sociais.</p>



<p>Hoje, a sociedade ergue-se contra a arte e a ciência tal como no romance de Saramago. Mas, como revela a crítica de Erasmo, elas subjazem a todas as ameaças, visto serem necessárias para questionar a organização social e, desta forma, fazê-la reexistir. No contexto da virada da Idade Média para a Renascença, Erasmo aponta que nos estertores da loucura pode estar o ódio e a soberba, mas também podem estar a fé e o amor. Isto é, do ser que foge ao mediano e atinge os mais sublimes degraus da loucura, nasce o que homens e mulheres medievais consideravam o pilar da humanidade.</p>



<p>E não estaria correto? Isto posto, e com a devido olhar que revisita um texto medieval, percebe-se o quão necessários são aqueles que manifestam sua subjetividade em amor à humanidade, não importa em que tempo e sob que juízos. Exaltados como Saramago ou no anonimato de Blimunda, Baltazar e Bartolomeu, eles resistirão.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Lado Feio do K-Pop</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 025]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carla Abreu</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Toda vez que surge um novo fenômeno adolescente na música e na indústria cultural, é de conhecimento comum que de alguma forma aquilo afetará os hábitos e&nbsp; dos fãs. O <em>kpop</em>, nascido nos anos 90, vindo de uma iniciativa do governo federal para impulsionar a cultura e turismo coreanos, recentemente teve seu <em>boom </em>internacional. O BTS ou bangtan sonyeodan na romanização do coreano, também conhecido como <em>bulletproof boys</em>, é a maior <em>boyband&nbsp;</em> da atualidade, deixando para trás <em>One Direction</em>, de 2010 e <em>Backstreet Boys</em>, dos anos 90.&nbsp;</p>



<p>As performances milimetricamente aperfeiçoadas, as maquiagens, as roupas, os vocais, tudo é pensado na mais detalhada perfeição. Para isso, os artistas fazem audições para entrar em empresas de entretenimento e treinam por anos para conseguirem estrear. Alguns, mesmo depois de se prepararem por tanto tempo e se afastarem de todas as pessoas que amam, veem o sonho ir embora e nunca conseguem fazer o seu <em>debut</em>.</p>



<p>Apesar do <em>kpop</em>, na visão dos fãs, trazer o melhor da Coreia do Sul para o mundo e também aumentar o turismo e o conhecimento cultural, ele também tem o poder de evidenciar o que as pessoas tem de pior: o ódio. A fama do gênero musical mostra o racismo e xenofobia do povo ocidental mas algumas vezes traz a tona também os preconceitos dos internautas coreanos. Os chamados <em>knetz&nbsp;</em> podem ser extremamente duros e ofensivos em seus comentários, isso afeta diretamente os artistas e, indiretamente, os fãs. Na maioria das vezes, as falas dos <em>knetz </em>não são sobre o trabalho dos artistas, e sim refletindo os padrões de beleza coreanos.</p>



<p>Os padrões de beleza do <em>kpop</em> trazem algo um pouco diferente dos padrões que são vistos na indústria musical americana ou europeia, prezando-se sempre muito pela delicadeza e, principalmente, pela magreza dos artistas. Esses padrões afetam homens e mulheres, mas as cantoras são mais atacadas quando fogem deles. Artistas já foram proibidas de estrearem ou se apresentarem por não se encaixarem numa faixa de peso específica, por exemplo.</p>



<p>O padrão base para os coreanos se constitui por: pele clara, olhos grandes e redondos, feições finas e delicadas. Isso se torna difícil quando se pensa que cada pessoa, mesmo com o biotipo de uma mesma etnia, é diferente. Além disso, os padrões de peso são extremamente restritos, e se comparados com o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), nada saudáveis. A tabela abaixo mostra os padrões coreanos de peso, para homens e mulheres:<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fae3a-foto-1-tabela-de-peso-ideal-coreana.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5386" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p><strong>Como os padrões de beleza afetam as artistas</strong></p>



<p>Mesmo sendo muito talentosas, algumas <em>idols </em>(termo que se refere aos artistas do <em>kpop</em>), sofreram &#8211; e sofrem &#8211; com os ataques sobre a sua aparência. A primeira edição do <em>reality </em>de sobrevivência, <em>“Produce 101” </em>da emissora <em>MNET</em>, deu a 11 garotas a chance de estrearem como um grupo temporário, o IOI. A participante Kang Mina, uma das ganhadoras, atualmente integrante do grupo Gugudan, foi vítima desses ataques. Tudo começou quando, em uma das primeiras apresentações de Mina, ela apareceu com um vestido sem mangas, que mostrava seus braços. Foram deixados uma enxurrada de comentários maldosos sobre o peso da menina, que na época tinha apenas 16 anos. O objetivo da performance era mostrar a fofura das participantes, o que, segundo os técnicos, Mina tinha de sobra.<br>&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-2-Kang-Mina-performando-no-Produce-101.jpg?fit=970%2C546&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5388" /></figure></div>



<p>Depois que a cantora viu sua própria performance e os comentários, tomou decisões drásticas para perder peso. Mina passou bastante tempo sem usar nenhuma roupa que mostrasse os braços e parou de comer, totalmente, sobrevivendo apenas com água gaseificada. Nessa época, Mina passou a pesar apenas 42 quilos. Quando estava no grupo IOI, mesmo visivelmente mais magra, ainda recebia <em>hate</em> constante. Em suas promoções com o grupo temporário, mantinha um peso saudável, mas era chamada de gorda.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/abd1e-foto-3-kang-mina-performando-com-o-ioi.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5389" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Quando debutou em seu grupo atual, Gugudan, ela ainda recebia muitos comentários maldosos. Ela tinha perdido muito peso, e os <em>knetz</em> falavam que ela havia perdido o seu charme, seu <em>aegyo</em> (palavra coreana para fofura). Na época de lançamento da música <em>Ice Chu</em>, da subunidade OGUOGU Gugudan, os fãs ficaram muito preocupados com a magreza da menina. Apesar disso, ela recebeu muitos comentários maldosos por ter emagrecido. Os <em>knetz</em> pareciam nunca ficarem satisfeitos com a aparência de Mina.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-5-Kang-Mina-em-2018.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5391" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5391" class="wp-image-5391" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br> <br> Era The Boots </figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/FOTO-4-Kang-Mina-performando-Ice-Chu.jpg?fit=683%2C1024&amp;ssl=1" alt="" data-id="5392" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=5392" class="wp-image-5392" /><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"> <br> <br> <br>ra Ice Chu </figcaption></figure></li></ul></figure>



<p>Atualmente, Mina recebe menos comentários sobre sua aparência. Ela parece mais saudável. Mas ela não é a única que sofreu com esses comentários. A cantora principal e líder do grupo <em>TWICE</em>, Park Jihyo, sofre desde antes do debut do grupo até hoje, sobre seu peso, suas roupas, suas atitudes, e mais recentemente, sobre o seu relacionamento com o <em>idol</em> Kang Daniel. As cantoras Sulli (F(x)) e Goo Hara (KARA) que faleceram em 2019, ambas por suicídio, foram, por muito tempo vítimas do <em>cyberbullying</em> constante. Elas falavam sobre como aquilo era prejudicial a elas e a quem escrevia. Quem comentava nunca estava satisfeito, quando a cantora usa de seus charmes para ser fofa, é atacada, quando usa para ser sexy, também é atacada e, às vezes, assediada. Assim como Jimin Park, cantora solo, que depois de postar uma foto em seu Instagram, teve que pedir para que parassem de assediá-la.</p>



<p><strong>Mas o que o Brasil tem a ver com isso?<br></strong>O Brasil, assim como vários outros países, vem acompanhando o crescimento do <em>kpop</em> e o número de fãs tem crescido cada vez mais. Os <em>kpoppers</em> se espelham na força de vontade e trabalho duro de seus <em>idols</em>. Por isso, é normal que se espelhem também na aparência inalcançável dos mesmos. São artistas que treinam, às vezes, mais de 10 horas diárias, comem pouco e aguentam muitos comentários para conseguir fazer seus fãs felizes. Esses fãs devem tomar cuidado e ver que eles não devem querer ser iguais aos ídolos, pois nem eles se beneficiam do modo de vida que vivem.</p>



<p>Mas não é só isso. A cultura do <em>cyberbullying</em> está muito presente na vida dos adolescentes brasileiros. Tanto do lado dos que fazem os comentários ofensivos quanto dos que recebem. O Brasil é o 2° país que mais comete o <em>cyberbullying</em>. Quando o assunto é <em>kpop&nbsp;</em> muitos brasileiros ainda não estão acostumados com a moda ou simplesmente não gostam. Por isso, existem muitos comentários maldosos contra os artistas e até contra os fãs, algo que não deve ser considerado natural. Os padrões de beleza brasileiros são diferentes dos coreano, apesar de ambos se espelharem nos padrões arianos. Muitas vezes, podem ser encontrados comentários xenofóbicos e racistas contra os artistas coreanos na internet. Apesar da diversidade do povo brasileiro, as pessoas ainda veem os povos não brancos (negros, asiáticos, indígenas) como diferentes. O Twitter virou ponto especial de discussão entre quem gosta e quem não gosta do <em>kpop</em>. Lá muitos comentários são levados como brincadeiras, mas muitos são ofensivos e se comparam aos dos <em>knetz</em>.</p>



<p>Muitos fãs brasileiros usam roupas, maquiagens e aprendem as coreografias de <em>kpop</em>. É normal que se comparem aos seus ídolos coreanos, mesmo que vivam vidas diferentes, com biotipos diferentes e culturas diferentes. Os <em>kpoppers&nbsp;</em> brasileiros estão do outro lado do mundo em relação a Coreia do Sul, e não deixam o sonho de serem mais próximos de seus <em>idols</em> para trás. A boa lição do <em>kpop</em> é não desistir de realizá-los, a má é “A que preço?”.<br></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carla</strong> <strong>Abreu</strong> é aspirante à jornalista apaixonada por contar histórias, seja em palavras ou em fotografia. Eu amo música, séries e problematizo tudo, até o que eu gosto. Tentando viver fora da bolha e fora da caixa.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>D A D O S</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Dec 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:Pedro Henrique</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Somos todos um agrupamento de células, tecidos, órgãos, sistemas, algoritmos e dados que processam um passo e corrompem o outro de maneira proposital ou inconsciente. Foi por meio da combinação de diferentes técnicas, como a colagem e a aquarela, que o artista visual Pedro Henrique buscou retratar esse status do ser humano, em que o mesmo pode ser o responsável por se&nbsp;encontrar em uma posição ou, pode ser, assim como a maioria um dado que foi corrompido e esquecido, tornando-se apenas mais um entre bilhões.&nbsp;</p>



<p>Muitas vezes quando o indivíduo se dá por conta da sua existência, o mesmo acredita que foi programado para realizar grandes fatos, mas, após tanto fracassar ou, encontrar tantos outros indivíduos que o tentaram reprogramar, acaba perdendo sua configuração inicial e deixa-se tornar uma variável dependente de outros fatores que já não estão mais em seu domínio.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/DADOS.jpg?fit=768%2C1024&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5342" /></figure>



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<p><strong>Pedro Henrique</strong> tem 21 anos e, com uma grande paixão pelas artes e pelo ambiente urbano, o artista vem trabalhando e pesquisando para poder unir diferentes técnicas em seu processo de criação, direcionando-o tanto para a arte urbana quanto para os espaços culturais. Acompanhe o Pedro no <a href="https://www.instagram.com/pedros_ph/">Instagram</a>.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Somente Consciência Humana é Suficiente para Entender o Brasil?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/24/somente-consciencia-humana-e-suficiente-para-entender-o-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luan Pedretti</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O dia 20 de novembro passou e assim como em todos os anos, alguns discursos circularam na sociedade a fim de deslegitimar a data e a simbologia que ela carrega. Elementos diversos, a exemplo do vídeo em que o ator Morgan Freeman reforça a ideia de que se pararmos de falar em racismo, essa forma de violência contra determinados sujeitos desaparece, somente reiteram a ideia já contestada, de que vivemos em uma democracia racial. Ou seja, um país que todas as três raças¹ – o negro, o branco e o ameríndio – conviveriam cordialmente, sem estabelecer conflitos entre si, inclusive se miscigenando. Portanto, o pensamento se encaminha a justificar que não seria necessário um dia ou mês específico para refletir sobre as questões que recaem a um grupo, já que “somos todos iguais”. Aqui, pretendo discutir sobre a importância da data não somente para a população negra, como para toda a população brasileira.</p>



<p>O Brasil foi o último país do ocidente a abolir a escravização de pessoas, muito em função da pressão de grupos abolicionistas, de países estrangeiros com interesses econômicos e dos próprios sujeitos escravizados que fugiam da situação de cativeiro, enfraqueciam o sistema e reinventavam suas formas de viver dentro deste território; a exemplo da sociedade de Palmares. O dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, foi decretado em 2003 como o Dia da Consciência Negra a fim de rememorar o líder de uma das mais emblemáticas sociedades que desbaratavam a ideia da dualidade Casa Grande <em>versus.</em> Senzala, para a possibilidade de uma terceira via para a população negra fugida naquela época.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Após a abolição, o Estado brasileiro não promoveu nenhuma política com o objetivo de integrar os sujeitos que agora se viam livres, porém sem instrução para exercer ofícios para além dos que exigiam o uso das forças manuais. Hoje, mesmo após anos de abolição da escravização, os sujeitos negros, em sua maioria, continuam a desempenhar funções subalternas na sociedade brasileira, se caracterizando como estrutura que impede este grupo de chegar a posições de poder. Uma pessoa que chegou a determinado cargo de prestigio se apresenta como exceção, não como regra.&nbsp;</p>



<p>O jurista e filósofo Silvio de Almeida, ao escrever <em>Racismo Estrutural² </em>para a coleção Feminismos Plurais, descreve as formas como essa violência incide sobre os copos dos sujeitos negros, e delimita três exemplos principais: o racismo individualista, o racismo institucional e o racismo estrutural.&nbsp;</p>



<p>Em resumo, o racismo individualista, para o autor, é entendido sob a égide de uma patologia. Seria uma ação isolada de caráter individual, às vezes tratada como distúrbio psicológico em que se aplicam discursos como “racismo é errado”, “somos todos humanos”, mas não age a fim de combater e erradicar o problema, já que este ato partiria de um desvio de moral pessoal (ALMEIDA, 2018. p. 28.).&nbsp;</p>



<p>Almeida aponta por racismo institucional a prática que não se resume apenas a comportamentos individuais, mas também pelo funcionamento das instituições a fim de conferir desvantagens e privilégios a partir da raça (ALMEIDA, 2018. p. 23). Assim, a desigualdade racial seria uma característica da sociedade não apenas pela ação isolada de sujeitos, mas devido ao funcionamento das instituições estar sendo controlado por grupos dominantes, e estes, agiriam de forma a impor seus interesses, mantendo, portanto, a hegemonia deste grupo dominante sobre os outros. (ALMEIDA, 2018. p. 30.).&nbsp;</p>



<p>Por fim, o autor aponta a concepção estrutural do racismo como práticas que estão difundidas na sociedade cotidianamente. O racismo seria inerente à ordem social, dessa forma as instituições e as pessoas em particular seriam racistas porque a sociedade entende práticas de racismo como regra. (ALMEIDA, 2018. p. 36-40.).&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Sendo assim, é possível inferir que a estrutura da sociedade ainda se estabelece com base nas relações escravistas do passado, onde o sujeito que detém posições de prestigio e poder, acesso a espaços culturais e educação tem características pré-determinadas.&nbsp;</p>



<p>Após esse brevíssimo histórico de contextualização das relações raciais e sociais no Brasil, alguns questionamentos se apresentam: há a possibilidade de falarmos apenas em consciência humana diante dos fatos apresentados? Ainda que a Constituição Federal garanta a igualdade, esta é praticada para todos os grupos com suas especificidades?</p>



<p><strong>Eu respondo: Não! Não é possível falar de democracia racial, quando a <em>necropolítica³</em> é programa de governo.</strong> Não é possível falar em democracia racial, quando o as prisões agem no sentido de reproduzir senzalas, acumulando sujeitos negros, sobretudo homens negros. <strong>Não existe democracia racial no Brasil</strong>. É só entendendo os sujeitos brancos como grupo dominador que detém privilégios históricos, que poderemos não reproduzir o discurso da consciência humana em datas como esta. A partir de então poderemos entender a simbologia política da data do 20 de novembro, não enquanto uma celebração, mas uma rememoração, evocando a potencialidade para reflexão sobre os 388 anos que deixaram marcas significativas até os dias de hoje.</p>



<p><strong>Notas</strong>:</p>



<p>1 É importante demarcar o uso do termo “raça” enquanto um conceito relacional, e não biológico.&nbsp;</p>



<p>2 ALMEIDA, Silvio Luiz de.&nbsp; <strong>O que é racismo estrutural?. </strong>Belo Horizonte (MG): Letramento, 2018.</p>



<p>3 É a soberania de decidir quem deve viver e quem deve morrer através do exercício de poder, sobretudo Estatal/institucional. Ver mais em: MBEMBE, Achile. <strong>Necropolítica: </strong>biopoder, soberania, estado de exceção, política de morte. Arte &amp; Ensaios. Revista do PPGAV/EBA/UFRJ. N. 32. 2016<strong>.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Luan Pedretti</strong> é professor de História, militante do Movimento negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva e pela Frente Preta da UFJF.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4977" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Reminiscências: Danças Populares e o processo Civilizatório no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 024]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Danças populares]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[negro no Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Texto criado originalmente para a exposição: Reminiscências: Danças Populares e o processo Civilizatório no Brasil, No Memorial da República Presidente Itamar Franco.</em></p>



<p class="has-drop-cap">A máquina colonial estabelecida no Brasil, eufemizada sob o pretexto de processo civilizatório, categorizou o negro e o indígena como propriedade, selvagem e sem alma. Dentro da lógica do empreendimento colonial, a prosperidade econômica estava diretamente ligada ao aumento da demanda por mão de obra escrava. Por esse motivo, o negro se tornou peça valiosa para construção da economia brasileira, pois o tráfico era uma atividade extremamente rentável para portugueses, brasileiros e traficantes de outras nações, justamente por conta do aumento da atividade agrícola colonial, exigindo um maior número de escravizados.</p>



<p>Entretanto, muito além da perspectiva histórica que se debruça sobre a relação entre o continente africano e o americano, esta mostra pretende observar aspectos estruturais de tradições culturais brasileiras que surgiram a partir desse período, considerando o movimento de criação de bailados populares como um evento decorrente desse processo e que hoje faz parte do folclore nacional. Portanto, dentre as variadas particularidades da cultura popular brasileira, Reminiscências pretende lançar luz sobre as entrelinhas deste processo, revelando, na minúcia da criação das danças populares, a intenção do colonizador de catequizar e aculturar para dominar, enquanto, por outro lado, neste mesmo movimento, os negros e índios escravizados encontravam, nos arquétipos de sua cultura materna, a força de sua resistência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Voltamos então nosso olhar para os cortejos de Congadas e Moçambiques durante a celebração das festas de Nossa Senhora do Rosário –&nbsp; entendendo a manifestação como um documento performático da construção da identidade cultural nacional, buscando esclarecer o lugar que ocupa no tecido social brasileiro, bem como na história da República do Brasil. A partir deste lugar, podemos observar essas reminiscências do passado nos cortejos atuais, a ação do colonizador sobre o colonizado e seu revés, tendo em vista que a Cultura Negra no Atlântico fomentou sincretismos culturais, e, em alguns casos, africanizou o homem branco.</p>



<p>Percebendo como cicatrizes abertas, as celeumas herdadas desse processo, temos, ao longo das distintas temporalidades históricas, o processo civilizatório no Brasil estendendo suas lacunas até os dias atuais, alimentando movimentos sociais diversos e fomentando discussões políticas. Em sua atuação como Senador da República na década de 1980, Itamar Franco proferiu diversos discursos, compilados em “O Negro no Brasil Atual” (1980), sobre&nbsp; questões relativas à situação do negro no Brasil, ressaltando a necessidade de reconhecer o importante papel do negro para a cultura nacional, além&nbsp; de problematizar a ocupação periférica dessa parcela da população no planejamento de políticas públicas pelo Estado. Vale destacar sua preocupação constante com a área da cultura, especialmente em seu mandato como prefeito de Juiz de Fora na década de 1960, promovendo grandes festivais de música, cinema e incentivando manifestações culturais com identidade mineira.&nbsp;</p>



<p>Celebrando a Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), com o tema: Museus como núcleos culturais: O Futuro das Tradições, o Memorial da República Presidente Itamar Franco reúne obras dos artistas: Cris Nery, Diana Landim, Enio Tavares, Lívia Monteiro, Gabriela Lemos, Marcelo Feijó, Marcos Languanje; além de esculturas do Museu de Cultura Popular do Fórum da Cultura da UFJF e indumentárias utilizadas nos cortejos, propondo descortinar as entrelinhas das narrativas da história colonial brasileira, revelando a beleza e resiliência de tradições culturais de matriz africana e indígena. Com esta mostra, entendemos que já estamos no futuro destas tradições, presos, no entanto, a problemas e discussões cuja origem está localizada na raiz de nossa fundação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/906a4-img_0082.jpg?resize=768%2C512&#038;ssl=1" class="wp-image-5185" width="768" height="512" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0081.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5186" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0032.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5187" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0093.jpg?fit=970%2C647&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5188" width="728" height="485" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/IMG_0017.jpg?fit=970%2C653&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5189" width="728" height="490" /><figcaption>Fotografia por: Larissa Noé</figcaption></figure>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>PEREIRA, Edimilson de Almeida; JÚNIOR, Robert Daibert. <strong>Depois, o Atlântico: modos de pensar, crer e narrar a diáspora africana. </strong>Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2010.</p>



<p><strong>A Congada é do Mundo e da Raça Negra: Memórias da Escravidão e da Liberdade nas Festas de Congada e Moçambique de Piedade do Rio Grande</strong> – MG (1783 – 2015). Lívia Nascimento Monteiro. 2016.</p>



<p>ARAÚJO, Alceu Maynard. <strong>Folclore I: festas, bailados, mitos e lendas &#8211; </strong>3ªed. &#8211; São Paulo: Martins Fontes, 2004. &#8211; (Coleção raízes)</p>



<p><strong>A origem mítica das festas de Congada e as memórias da escravidão no tempo presente em Minas Gerais Lívia Nascimento Monteiro Doutoranda em História</strong> – UFF e Bolsista CNPq Membro do Grupo de Pesquisa CULTNA– Cultura Negra no Atlântico.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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