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	<title>Arquivos Religião - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Territorialidade no contexto dos Guaranis, Kaiowã e Yanomamis no estado do Mato Grosoo e região amazônica</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Feb 2020 21:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 032]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Territótio indigena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Fávia Rabelo Beguini</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/16/a-logica-cultural-da-fome-no-brasil/">Territorialidade no contexto dos Guaranis, Kaiowã e Yanomamis no estado do Mato Grosoo e região amazônica</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Esse ensaio é um esforço para desenvolver uma breve reflexão sobre a problemática que é a questão do território para os indigenas Guaranis e Kaiowãs no estado do Mato Grosso do Sul, fazendo um conraponto, com os Yanomanis na Amazônia, dentro do entendimento da disciplina de religiões ameridinas, ministrada pelo professor Dr. Maria Cecília Simões no Curso de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora.&nbsp;</p>



<p>O caminho trilhado através de uma leitura interessada e a apreciação do filme Martirio, buscou conhecimentos preliminares, mas que, devido à amplitude de informações decorrentes da complexa cosmologia e problemática envolvendo os territórios ameridinas estado do Mato Grosso do Sul e na região Amazonica, acabou se limitando em ser uma sutil reflexão baseada no artigo de VIETTA (2003) intitulado “<em>Pastor dá conselho bom”: missões evangélicas e igrejas neopentecostais entre os Kaiowá e os Guarani em Mato Grosso do Sul; </em>KOPENAWA (2015) com o livro <em>A queda do Céu</em> e no documentário, <em>Martilio</em> (2016)<em>.</em> Não é intenção entrar na questão das Missões, e sim, me atear à problemática da territorriedade destes três grupos indigenas.&nbsp;</p>



<p><strong>2- DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p>Os indiginas das tribos Guarani e Kaiowã ocupavam, antes, um território amplo, hoje, onde é o estado do Mato Grosso do Sul. A região estava situada entre o rio Apa, serra de Maracaju, rio Brilhante, rio Avinhema, rio Paraná, rio Iguatemi, e fronteira com o Paraguai. Essas tribos estavam em locais de mata fechada e perto de rios e corregos. Integravam essas tribos, grupos de uma, duas ou mais famílias extensas (parentela). Nessa configuração havia, inclusive, casamentos entre as parentelas. Há frente (no comando) das famílias estavam os mais velhos, chamados de <em>tekoharuvicha </em>(chefe da aldeia) ou <em>ñanderu</em> (nosso pai) que representava a figura de experiência e de capacidade de entender as demandas do seu grupo, com poderes políticos.</p>



<p>Em 1880, a Compahia Maté-Laranjeira adentrou no território. Apesar de não ter desalojado as comunidades, definitivamente, ela foi responsável pelo deslocamento de inúmeras famílias e, em alguns casos, de núcleos inteiros para a colheita da erva-mate. A compahia atraia os indigenas, pois podia pagar por este serviço a eles. Mais tarde, no final do século XIX, e início do século XX, chegaram às fazendas de gado, que também, tiveram pouco impacto na problemática da territoriedade, todavia, que se instalaram nos campos. As tribos, por sua vez, se concentravam nas matas. Porém, a mão-de-obra utilizada, foi novamente, dos indigenas.</p>



<p>Em 1910 e 1920 foi reconhecido para os Guaranis e Kaiowã, oito reservas de 18.124 hectares, dando incio ao confinamento dos diversos núcleos populacionais, que neste ponto, estavam dispersos por todo o território. Essas reservas tinham por função reunir todos os indigenas nestes epaços para começar a ocupação do território pelos não-indigenas. Em 1943, o presidente Getúlio Vargas, criou a Colônia Agricola Nacional de Dourados (Cand), com esse projeto milhares de colonos de várias regiões do Brasil partiram em busca de lotes de 30 hectares, num total de 300 hectares que seriam doados pelo governo dos territorios indigenas no estado do Mato Grosso do Sul. Após muita resistência, algumas parentelas conseguiram manter-se ali, depois de “ganharem” 60 hectares em Dourados.</p>



<p>Com a perda do território, muitos indigenas que não conseguiram terras morreram de tristeza e passaram a executar danças religiosas, a fim, de apressarem a destruição (fim) do mundo, fato que faz alusão aos escritos de Kopenawa (2014), no sentido que o Yanomani, profetiza uma queda do céu e o fim do mundo, a partir, do momento que os “brancos” acabarem com a natureza.&nbsp;</p>



<p>No momento, em que os indigenas Guaranis e Kaiowãs se percebem desterritorializados, crescem as incidências de doenças, por causa, dos deslocamentos. O estado de desepero em que os indigenas abandonam suas tribos chama a atenção, e é descrito com casos reais no documentário <em>Martirio</em>, onde, é visto famílias inteiras acampadas nas rodovias, ou em qualquer local, em que estejam próximas de suas antigas tribos e perto de antigos cemitérios indigenas. Nesse sentido, esses grupos se tornam alvo de seguranças dos fazendeiros, que se organizam, a fim, de calar qualquer movimento de resistência indígena.</p>



<p>O referido documentário retrata a trajetória dos indígenas Guaranis e Kaiawãs na busca de seus territórios originais “Sagrados” e perdidos. Vicent Carreli, no documentário, registrou as várias fases dessa luta, que começou efetivamente organizada, a partir, dos anos 1980. O documentário mostra o desenrolar desta história, até os dias de hoje, trazendo casos reais de massacres físicos e cosmológicos dos povos destas tribos. O audiovisual, trás com ênfase, a história desses conflitos, desde a entrada dos produtores de erva-mate, até o evento que levou os indígenas para os confinamentos ou exílios (Cand).Também é retratada a questão da população inchada nos confinamentos, bem como os conflitos, entre os próprios indígenas, nesses locais. Esses indígenas confinados se viram sem liderança e sem um direcionamento para conduzirem seus rituais, da mesma forma, em que cada grupo os realizava em suas tribos.&nbsp; A questão da religião é colocada em cheque nesses confinamentos.&nbsp;</p>



<p>“A princípio, o <em>ñanderu </em>passou a ocupar uma posição secundária frente às questões de caráter político, mas também, vem se mostrando uma figura frágil na condução da esfera religiosa, na maioria das áreas ocupadas. Hoje, as rezas (ou rituais), que a princípio deveriam ser cotidianas, ocorrem com pouca freqüência, atraindo um pequeno número de pessoas, geralmente ligadas ao seu núcleo familiar”. (VIETTA, 2003, p, 112)</p>



<p>&nbsp;Contudo, o tempo foi capaz de organizar os dois grupos a conduzirem de forma coletiva, ao mesmo tempo, que mantiveram características peculiares a cada grupo no que se refere aos rituais religiosos, conforme narrado e mostrado no documentário <em>Martirio.</em>&nbsp;</p>



<p>Ele também retrata a pressão da bancada ruralista, no Congresso Nacional do Brasil, muito enfática, na luta para manutenção de suas fazendas (latifúndios), que estão localizadas, em antigos territórios, de grupos indígenas Guaranis e Kaiawã. Uma questão que se tornou política, fazendo surgir lideranças indígenas que, hoje, são ameaçadas, ou até mesmo, já assassinadas. Para inflar o discurso antidemarcação das terras, uma possível política de demarcação, que conferiria a povos, até então, considerados extintos, a possibilidade de reintegração de seus territórios, foi à causa, de uma considerável reação negativa da bancada ruralista e de grandes latifundiários. Neste contexto, os enfrentamentos se tornam cada dia, mais acirrados, trazendo morte e sofrimento aos indígenas.&nbsp;</p>



<p>Já o livro <em>A queda do Céu </em>trouxe elementos do campo político e ideológico em seu entrelaço com a problemática indígena. <em>A queda do Céu</em> é um livro com tom de depoimento-profecia de Kopenawa. Ele que faz uma análise sobre as políticas públicas com relação à demarcação das terras indígenas, criticando, duramente à construção de uma hidrelétrica na bacia Amazônica, chamada de Belo Monte, por exemplo. Também, chama a atenção para a invasão dos garimpeiros e grileiros em terras Yanomamis.&nbsp; Em 2014, Kopewava foi ameaçado de morte, por estar atuando como um dos denunciantes dos crimes na floresta Amazônica. Segundo ele, a luta contra a “grande corrida pelo ouro” entre 1975 até 1990, levou-o a uma dupla posição de xamã e diplomata, que assim, como as lideranças Guaranis e Kaiowã lutam para manterem e/ou retornarem a seus territórios de origem.&nbsp; &nbsp;</p>



<p><strong>3- CONCLUSÃO</strong></p>



<p>O documentário retrata como a perda de território pode impactar na cosmologia indígena, tornando a existência algo insuportável, levando alguns, ao suicídio. Também destaco a resistência pela manutenção de sua cosmologia e a luta pela retomada dos seus territórios. A disciplina que se propõe, além, de outras coisas, tratar da relação dos indígenas com suas matas ou territórios. A questão dos espíritos, que guiam os xamãs, conforme temos visto no livro de Kopenawa<em>, A queda do Céu</em>, encontra similaridade com a luta dos Guaranis Kaiawã para manterem suas tradições vivas.&nbsp; Tais leituras contribuíram com minha formação, no sentido, que trouxe para o debate, a questão do território como algo “Sagrado” para os indígenas. Outra reflexão é sobre os governos que se passaram, sem, em nada avançar na questão da demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, bem como na região Amazônica. Os últimos governos, ainda, que tivessem como ideologia a igualdade e preservação dos direitos dos povos originais do país, tímidas agendas foram levadas adiante.</p>



<p>Os índios, ao terem seus territórios descaracterizados e seus e rituais esvaziados, se tornam tristes e vazios. Percebemos que a tentativa de tornar esses indivíduos “brancos” tem sido desastrosa e tem causado tensões em várias partes do país. É preciso urgentemente construir políticas públicas que estejam em consonância desta realidade, em contraponto, ao poder dos grandes proprietários de terras.&nbsp;</p>



<p>Sabemos, no entanto, que o atual governo não demostra nenhum interesse em tal esforço. Aliás, num sentido contrário, tem incentivado grupo de garimpeiros e pecuaristas a adentrarem, nas áreas já demarcadas, ampliando as plantações e os pastos para o gado. Tal problemática tem sido vista com muita indignação e preocupação por grande parte da população brasileira e ganha respaldo de organismos e organizações internacionais, além, de críticas por parte de governantes de outros países.&nbsp;</p>



<p><strong>4- REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>MARTIRIO, Direção de Luiz Bolognesi. 2016. (2h e 40 min)</p>



<p>KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. <em>A queda do céu: palavras de um xamã Yanomani</em>. São Paulo. Companhia das Letras, 2015</p>



<p>VIETTA, Katya<em>. Pastor dá conselho bom”: missões evangélicas e igrejas neopentecostais entre os Kaiowá e os Guarani em Mato Grosso do Sul</em>,&nbsp; ano 3, n. 4, 109-135, abr. de 2003, Campo Grande. Tellu. Disponível em: &lt;<a href="http://www.tellus.ucdb.br/index.php/tellus/article/view/57/67">http://www.tellus.ucdb.br/index.php/tellus/article/view/57/67</a>&gt;. Acesso em: dez de 2019.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>Texto escrito por: <strong><strong><strong><strong>Fávia Rabelo Beguini</strong></strong></strong></strong></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1addf-fotos-carol.jpg26.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6963" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie manifestações artísticas de rua. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Divina Arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Sep 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 015]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Arte cristã]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições judaico-Cristãs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Ir ao cinema, assistir uma peça teatral, frequentar shows de bandas de rock, ser fã de séries de
tv ou um admirador de literatura. Em nada disso há, necessariamente, algum teor religioso
envolvido. Você pode consumir cultura, frequentar museus, passar horas pesquisando e
admirando o talento de novos cantores, compositores e escritores, ou redescobrindo a beleza de
clássicos, e nisso, você afirma, não há nada de religioso. Será?
</p>



<p>Nos cultos e encontros religiosos a música e a dança, por exemplo, são expressões facilmente
utilizadas como forma de explicitar sentimentos, anseios, desejos e toda a necessidade e
dependência do deus adorado. Nas tradição judaico-cristã, essas expressões são bastante
utilizadas. Fica muito claro para nós a importância dessas expressões quando, ao lermos
inúmeros versículos bíblicos, como nos Salmos, Eclesiastes, Êxodo ou 2 Samuel. O teólogo
americano Franscis Schaeffer, em sua obra intitulada “​<em>A Arte e a Bíblia”, </em>​observa que, desde os
textos da ​<em>Torá</em>​, ou ​<em>Pentateuco</em>,​ as ordenanças acerca das construções dos templos envolviam
detalhes como tamanhos, cores e formas determinadas, escolhidas pelo próprio Deus, que
revelavam importância estética. Sabemos que tais ordenanças se ligam ao período no qual o texto
foi escrito, mas não deixam de revelar a importância com a simetria e a beleza.
</p>



<p style="background-color:#986f00" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Mas, vamos um pouco adiante. Qual seria a relação entre fé e arte, levando em consideração, principalmente, tradições cristãs e judaicas? Será que a arte ficou atrelada somente ao sentido de expressão de culto? Seriam as necessidades observadas por essas tradições, para que a vida seja vivida em plena satisfação e bem estar de espírito, justificavas para temas religiosos serem abordados pelas artes? HansRookmaaker, o“​<em>holândesvoador”,</em> a​firmava que, na verdade,“a arte não precisa de justificativa”. </p>



<p>O senso criativo, visto no talento de mulheres e homens ao redor do mundo, é, por si só, uma manifestação artística divina. Portanto, independente da forma artística, se houve criação, houve manifestação do divino. ​<em>“Deus deu à humanidade a capacidade de fazer coisas belas, de compor músicas, escrever poemas, fazer esculturas, decorar coisas. As possibilidades artísticas estão aí para serem atualizadas, realizadas por pessoas e receberem formas concretas. Deus deu essas coisas à humanidade e seu sentido está exatamente de dádiva, [&#8230;] mas se a arte possui, dessa forma, seu sentido como criação de Deus, não precisa de justificativas. Sua justificativa é ser uma possibilidade dada por Deus, [&#8230;] resultado do fato de que a arte está ligada por milhares de laços à realidade.”1 </em></p>



<p>Rookmaaker, um homem que dedicou sua vida para o estudo das artes e sua ação no
cristianismo, foi professor e fundador do Departamento de História da Arte, na Universidade
Livre de Amsterdã. Morre em 1977, deixando várias obras publicadas, tendo algumas &#8211; como <em>“A
arte não precisa de justificativa” &#8211; </em>traduzidas para o português. Crítico contumaz ao espaço de
sentido novo que a modernidade trouxe para arte, amante de blues, jazz e toda a explosão criativa
que surgia nos Estados Unidos entre os anos 60 e 70, Rookmaaker não viveu para ver o avanço
dos temas cristãos em direção a arte, ou vice-versa.
</p>



<p>Dos quadros de Remdbrandt, nos idos de 1600, passando pelo ​<em>Jesus Movement, </em>​movimento surgido na década de 60, focado nos jovens e que se fez conhecido pela sua interação com espaços não religiosos, como o festival Woodstock, até os dia atuais de ​<em>MTV </em>​e cultura pop, a temática cristã invadiu a TV, os livros, as canções, os quadros e as expressões artísticas como um todo. A Broadway​<em>, </em>na década de 70, põe o novo testamento nos palcos como musical <em>GODSPELL</em>,​ baseado no ​<em>Evangelho de São Mateus</em>​. O musical, anos mais tarde, ganha uma versão cinematográfica e se espalha pelas telas de cinemas americanos. No mesmo ano de lançamento de​<em>GODSPELL,</em> s​urge outro musical baseado nas últimas semanas de vida de Jesus. Em 1973 o musical também ganha as telas, pondo ao alcance dos olhos dos espectadores curiosos um ​<em>Jesus Cristo Superstar. </em></p>



<p>Já nos anos 90, quando a indústria da música passava por um momento de transformação e renovação muito forte, começa a se consolidar o movimento ​<em>GOSPEL. </em>​Nos Estados Unidos o termo nasce no início do século XX e tem uma conotação um tanto diferente do que no Brasil. A música de raiz negra, feita nas igrejas dos guetos americanos, ganhava o nome de gospel por ter uma temática ligada a Deus e todas as bem-aventuranças que o divino poderia nos conceder. Movimento que teve força suficiente para se firmar como estilo e ser a voz do povo negro, que enfrentava um ápice na luta racial em território norte americano, na década de 40. Entre tantos nomes e vozes, talvez a maior estrela &#8211; e também a primeira &#8211; tenha sido Mahalia Jackson, que usou suas músicas para compartilhar mensagens de fé, apoio e encorajamento, fazendo de suas letras uma expressão de apoio ao movimento de luta por igualdade racial. No Brasil o termo foi ressignificado, classificando bandas e cantores que traziam mensagens religiosas em suas músicas, sendo considerados ​<em>artistas gospel. </em>​Mas, o que antes era restrito e direcionado para a igreja, passou a ganhar as prateleiras e trilhas sonoras de produções não ligadas ao universo religioso. Os temas bíblicos ganhavam espaço nas canções de bandas como ​<em>DcTalk, Rebanhão, Catedral,Stryper.</em> Suas músicas se voltavam para além do campo religioso. A banda​ <em>DcTalk, </em>multipremiada nos Estados Unidos, compôs uma música atendendo a pedidos da produção de uma famosa série americana: a aclamada série ​<em>Arquivo X. </em>​A banda ​<em>Stryper </em>fez parte da trilha sonora da novela brasileira <em>O Salvador da Pátria. </em>​Mas a temática religiosa sempre foi uma tônica na mpb. Poderia citar inúmeras canções de artistas como ​<em>Gilberto Gil </em>e ​<em>Los Hermanos</em>​. Fora do Brasil, vimos ascender ao sucesso o fenómeno pop &#8211; assim considerado nos anos de 2007 a 2009 &#8211; conhecido por seu estilo musical diferenciado: uma mistura de rock, rap e reggae com letras que dissertavam sobre a fé judaica ortodoxa. Nascido Matthew Paul Miller, mas conhecido mundialmente como Matisyahu. Ganhou notoriedade por se apresentar de forma enérgica e, em contrapartida, vestindo-se como um tradicional judeu ortodoxo. </p>



<p style="background-color:#866200" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">As produções de séries e filmes, já nos anos 2000, trouxeram para as telas títulos como a série ​<em>Joan of Arcadia </em>&#8211; transmitida no Brasil pelo finado canal Sony Spin -, que contava a história de uma menina com um tipo transtorno que lhe permitia ver Deus na forma de pessoas comuns. Desde um colega de classe ao faxineiro do colégio, Joan via e conversava com Deus. A série, apesar de bem produzida, durou apenas duas temporadas. Poderíamos apelar ao clichê de sucessos c​omo <em>A paixão de Cristo</em> e uma série de títulos brasileiros voltados para a fé, como a comédia ​<em>Deus é Brasileiro. </em>A​ ​<em>Disney</em>​, renomada por suas produções infantis, levou para as telas uma bem sucedida adaptação dos livros escritos pelo teólogo e escritor britânico Clive Staples Lewis &#8211; C.S. Lewis. ​<em>As Crônicas de Nárnia, </em>​em revelação feita pelo próprio autor, foram escritas para ensinar históricas bíblicas para as suas filhas de modo mais interessante e ligado ao universo infantil. Agora tais histórias já fazem parte da coleção de acertos e derrapadas do &#8220;planeta&#8221; Hollywood. </p>



<p>Os exemplos de autores, compositores, pintores seriam inúmeros. Poderíamos levar dias e dias listando nomes e obras. Mas o intuito não é listar, nem muito menos classificar obras como sacras ou não. O real intuito deste texto é tornar nítida a percepção de que a temática religiosa não é um assunto concernente só ao mundo dos &#8220;crentes&#8221;, mas é uma temática universal, que rompe as paredes das instituições ou dos dogmas. A arte é livre e sem justificativa. Sendo assim, as ações artísticas são, por si só, manifestações palpáveis do divino. O que não abre espaço para o proselitismo. A arte é um campo vasto de manifestação, mas já superamos a era da estética religiosa, como Walter Benjamin nos esclarece em ​<em>A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica.</em> M as assim como Benjamin e seus colegas da Escola de Frankfurt alertaram, existe um problema, que podemos abordar numa outra oportunidade: o problema da retificação. A partir do momento que reconhecemos que o mundo pop é parte da Indústria Cultural, todo esforço de tornar qualquer temática um fragmento do discurso pop, é um esforço nota tornar tudo isso em produto. São dois lados da mesma moeda: ao mesmo tempo que a boa mensagem é passada, quando tornamos a mensagem produto, a coisificamos e passamos a determinar o padrão do que é bom ou não, sendo que o parâmetro de bom ou não é o parâmetro mercadológico. Quanto mais ouvem, mais vendem, mais compram, mais consomem. O que é bom, passa ser usado de um modo vazio de sentido e desencantado. E talvez aí as coisas comecem a se afastar do bom intuito de expandir o território de alcance de mensagens inspiracionais de fé e esperança e passem e ser só mais números e prateleiras. Mas, esse é um outro assunto. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique no link e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#8f6900;text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/73fb6-mulher-india-agra.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2236" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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