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	<title>Arquivos sociedade - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Por que apenas as mulheres se manifestam? Corinthians feminino, um time que dá voz. </title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2024/05/19/por-que-apenas-as-mulheres-se-manifestam-corinthians-feminino-um-time-que-da-voz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 May 2024 19:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 195]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[historia]]></category>
		<category><![CDATA[luta]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Pâmela Camargo Soares</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2024/05/19/por-que-apenas-as-mulheres-se-manifestam-corinthians-feminino-um-time-que-da-voz/">Por que apenas as mulheres se manifestam? Corinthians feminino, um time que dá voz. </a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A quinta rodada do Campeonato Brasileiro &#8211; o Brasileirão feminino de futebol &#8211; foi marcada por protestos das jogadoras de alguns clubes. O jogo entre Palmeiras e Avaí contou com as jogadoras de ambos os times tapando suas bocas com as mãos, em um sinal que fazia referência a um silenciamento forçado. Isso também foi feito pelas jogadoras do Corinthians, no jogo contra o Santos, até no clássico jogo entre Internacional e Grêmio, as jogadoras destes respectivos clubes aderiram ao mesmo protesto. A manifestação era contra o assédio no futebol, e aconteceu devido denúncias de assédio contra o técnico do time feminino do Santos, presentes em 19 cartas revelando assédio moral e sexual por parte do técnico, inclusive, o número (19) foi referenciado no protesto do jogo entre Palmeiras e Avaí, onde na foto oficial, com as bocas tapadas, as jogadoras de cada time que levavam o número 19 nas camisas ficaram no centro da foto, viradas de costas, com o número em evidência. No protesto do jogo entre Internacional e Grêmio, uma camisa com o número 19 também foi segurada ao centro, e no do Corinthians &#8211; que apesar de jogar contra o Santos naquele jogo, aderiu à defesa das jogadoras santistas &#8211; foi levantada nas redes sociais, a <strong>#RespeitaAsSereias</strong>, em referência à <strong>#RespeitaAsMinas do Corinthians</strong>, e ao apelido de sereias das jogadoras santistas.&nbsp;</p>



<p>O caso foi fortemente repercutido na mídia esportiva ganhando até mesmo matérias no Globo Esporte, especialmente nas redes sociais onde os torcedores de futebol costumam interagir bastante. Esse tipo de manifestação não é um caso isolado quando se trata do time do Corinthians feminino, as jogadoras corinthianas são conhecidas por um forte caráter politizado, e por protagonizarem diversas manifestações ao longo dos anos, são inúmeras as manifestações contra o racismo no futebol, contando com comemorações de gols erguendo o punho esquerdo &#8211; uma referência ao sinal de resistência dos Panteras Negras -, bem como críticas e cobranças sobre os casos de racismo na libertadores, protestos a favor da comunidade <em>LGBTQIAP+</em>, e levando a bandeira de arco-íris para a foto oficial em campo. Entretanto, uma das manifestações de maior alcance das jogadoras do Corinthians feminino, foi no ano passado (2023), mediante o caso Cuca. O Corinthians masculino havia contratado o técnico Cuca para trabalhar no time, porém, Cuca enfrentou dificuldades de aceitação por parte da torcida corinthiana, que sendo uma torcida historicamente politizada, não aceitava a presença de um técnico com uma condenação por estupro em sua história. Para além da pressão dos torcedores, as jogadoras do time feminino se manifestaram contrárias à presença do técnico no Corinthians, utilizaram de suas redes sociais para postar um stories no Instagram com um comunicado oficial, que dizia:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default has-small-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Estar em um clube democrático significa que podemos usar a nossa voz, por vezes de forma pública, por vezes nos bastidores. “Respeita As Minas” não é uma frase qualquer. É, acima de tudo, um estado de espírito e um compromisso compartilhado.&nbsp;Ser Corinthians, significa viver e lutar por direitos todos os dias.”&nbsp;</p>
</blockquote>



<p>As pressões e manifestações da torcida corinthiana, e o apoio das jogadoras do time feminino, fizeram com que Cuca optasse por se demitir do clube. Essas ações do time feminino do Corinthians já são tão constantes e comuns, que virou parte do caráter e uma marca delas. É interessante observar como essas atitudes são marcadas por uma persona identitária profundamente corinthiana, isto é, ligada à identidade clubística do Corinthians, de forma que o time feminino, parece não apenas ter absorvido, mas representar bem a identidade clubística do Corinthians.&nbsp;</p>



<p>A identidade clubística corinthiana é historicamente marcada por ser politizada. O clube nasce com a reunião de cinco operários paulistas com o objetivo de representar os trabalhadores urbanos da cidade de São Paulo, oferecendo um espaço de ação e manifestação para estes que não conseguiam ter esse espaço na política geral. O Corinthians mais tarde também se tornou um clube associado à democracia, especialmente no contexto da reabertura democrática no Brasil, onde o clube viveu a Democracia Corinthiana, um movimento democrático e com jogadores fortemente politizados &#8211; inclusive envolvidos na política nacional, como nas Diretas Já! -, e que até hoje é resgatada como ferramenta de orgulho e manutenção dessa memória identitária tão politizada. Atualmente, o Corinthians ainda busca afirmar essa identidade com um departamento cultural interno que resgata sua história, sempre se alinhando aos interesses das classes mais baixas e dos trabalhadores &#8211; suas personas identitárias originais -, ou mesmo com a criação da <strong>#RespeitaAsMinas</strong>, que mais do que uma # para ser utilizada nas redes sociais, é um projeto e campanha do clube pelo respeito e valorização das mulheres.&nbsp;</p>



<p>A equipe feminina do clube nasceu em 1997, mas foi desativada por alguns anos e restabelecida em 2016, quando voltou e foi tomando cada vez mais força. O futebol feminino sofreu e ainda sofre com muito preconceito e boicote, o esporte que já foi até proibido por lei de ser praticado por mulheres, ainda é associado apenas aos homens, de modo que os clubes em geral, não costumam ter times femininos ou então, não costumam investir em seus times femininos. Clubes milionários, mas que por vezes deixam suas jogadoras treinando em campos com gramados deteriorados, sem uniformes de qualidade, e sem oferecer estrutura em geral para as atletas. O Corinthians fez diferente. Quando o time feminino foi reativado, o clube passou a investir nele, proporcionando às atletas as condições necessárias para o desenvolvimento de seu trabalho. Isso fez com que o time feminino do Corinthians se tornasse muito forte e bem treinado, atingindo um nível técnico superior nas competições, e se tornando o grande campeão de todas as principais competições. O Corinthians feminino ganhou o Campeonato Paulista em 2019, 2020, 2021 e 2023; a Copa Paulista em 2022; o Campeonato Brasileiro em 2018, 2020, 2021, 2022 e 2023; a Supercopa do Brasil em 2022, 2023 e 2024; a Copa do Brasil em 2016; a Copa Libertadores da América em 2017, 2019, 2021 e 2023; e ficou em 3º lugar no Ranking Mundial de Clubes da Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol em 2023. Esse cenário fez com que a competitividade contra o Corinthians feminino fosse quase nula, por isso, em nome da manutenção da rivalidade e da competitividade natural do futebol, nos últimos anos, diversos clubes passaram a investir mais em seus times femininos para que eles pudessem competir contra o Corinthians feminino de forma mais justa.&nbsp;</p>



<p>O time feminino do Corinthians se tornou então uma referência e uma influência. Precisou que pela superespecialização do time corinthiano, os outros times passassem a valorizar suas jogadoras. Nesse sentido, o Corinthians feminino se tornou mais do que uma voz representativa para os torcedores corinthianos &#8211; ainda que isso também, afinal, o clube incorpora a identidade clubística de forma ainda mais prática -, mas também uma voz representativa para os demais times femininos, dos demais clubes. Estamos assistindo esse processo acontecer e se desenvolver no tempo presente. As manifestações contra o técnico assediador, inicialmente citadas, são uma evidência disso. O que antes só era visto através do time feminino do Corinthians, agora conta com a presença de mais jogadoras que podem se sentir encorajadas a ocupar esse espaço e utilizar o futebol como uma ferramenta discursiva.&nbsp;</p>



<p>Finalizo com um questionamento perturbador. As jogadoras do Corinthians sempre se manifestam publicamente, aderindo à identidade clubística e apoiando a torcida, mas ele não é visto pelos jogadores do time masculino, que apesar de obterem mais prestígio e visibilidade, optam pelo silêncio, ou até mesmo um apoio inconveniente, como aconteceu no caso Cuca. A ação das jogadoras corinthianas agora inspira jogadoras de outros clubes, de modo que o técnico do Santos, decidiu se demitir depois das manifestações contra ele. O questionamento que faço é: por que, mesmo com menos recursos e visibilidade, apenas as mulheres se manifestam?&nbsp;&nbsp;</p>



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<p><strong>Referências</strong>&nbsp;</p>



<p>FABIANI, Luis. Acusado de assédio por jogadoras, técnico pede para ser afastado do Santos. <em>CNN ESPORTES. </em>15 abr. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/acusado-de-assedio-por-jogadoras-tecnico-pede-para-ser-afastado-do-santos/&nbsp;</p>



<p>FISCHBOM, Esther. Jogadoras da dupla Gre-Nal protestam contra o ex-técnico do Santos antes do clássico; veja vídeo. <em>Globo Esporte. </em>15 abr. 2024. Disponível em: https://ge.globo.com/rs/futebol/futebol-feminino/brasileiro-feminino/noticia/2024/04/15/jogadoras-da-dupla-gre-nal-protestam-contra-ex-tecnico-do-santos-antes-do-classico-veja-video.ghtml&nbsp;</p>



<p>ITATIAIA. Jogadoras do Corinthians protestam contra Cuca: “Respeita as minas não é frase qualquer”. <em>CNN ESPORTES. </em>23 abr. 2023. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/jogadoras-do-corinthians-protestam-contra-cuca-respeita-as-minas-nao-e-frase-qualquer/&nbsp;</p>



<p>REDAÇÃO DO GE. Rodada do Brasileiro Feminino tem protesto contra técnico do Santos por denúncias de assédio. <em>Globo Esporte. </em>12 abr. 2024. Disponível em: https://ge.globo.com/sp/campinas-e-regiao/futebol/futebol-feminino/brasileiro-feminino/noticia/2024/04/12/rodada-do-brasileiro-feminino-tem-protesto-contra-tecnico-do-santos-por-denuncias-de-assedio.ghtml&nbsp;</p>



<p>SOARES, Pâmela Camargo. SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA: IDENTIDADE E POLITIZAÇÃO DE UM CLUBE DE FUTEBOL. v. 26 (2023): Dossiê História do Esporte: interfaces sociais, políticas e culturais. 04 abr. 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



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<p><strong>Pâmela Camargo Soares</strong></p>



<p>é graduada em história pela Universidade Federal do Espírito Santo, e mestranda em história pela mesma Universidade. Capixaba de família paulista, a paixão por futebol e pelo Corinthians se uniu aos estudos acadêmicos, e hoje a autora se especializa em estudar as relações entre futebol, história, sociedade, política e identidades.</p>
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		<title>Os Sentidos da Memória através do Associativismo Negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 May 2024 19:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 195]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[luta]]></category>
		<category><![CDATA[Representatividade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Jéssica Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de pensarmos sobre a relação existente entre clubes associativos e os sentidos da memória, é preciso entender o que são estes espaços e qual a sua importância para a população negra.&nbsp;</p>



<p>O conjunto de experiências vividas durante o período da escravidão como, por exemplo: sociedades de ajuda mútua, jornais dos “homens de cor”, grupos de capoeira, irmandades, dentre outras, tinham o objetivo de suprir as necessidades políticas, sociais e econômicas de uma grande parcela da população que vivia sob condições adversas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O termo <em>Associativismo Negro</em> é, portanto, proveniente destas experiências e consiste na articulação de mulheres e homens afro-brasileiros em torno de uma atividade ou instituição no espaço público. Surgiu e se desenvolveu, como mencionado anteriormente, ainda no regime escravista, adquirindo novas configurações no pós-abolição. </p>



<p>A discriminação racial na sociedade contemporânea brasileira, consequentemente a necessidade de reagir contra o racismo, sobretudo no sul e sudeste do país desde a década de 1930, transformou os clubes negros em uma forma de reprodução do associativismo, do ponto de vista da representatividade social. Ainda que esses espaços fossem voltados para o lazer, eles incluíram em suas atividades a preocupação com a situação social dos negros, que buscavam possibilidades de estarem com os seus.  </p>



<p>Os lugares de memória — museus, arquivos, monumentos, associações — são caracterizados como lugares onde se acumulam vestígios, testemunhos, documentos e imagens, chamadas também de “memórias de papel”.  </p>



<p>Ao contrário da História que é universal e se reflete na valorização destes locais, a memória emerge de um grupo e os une. Dessa forma, podemos considerar os clubes negros como espaços de reprodução da memória negra que, atuando na formação política e cultural, produzem uma narrativa de afirmação identitária.&nbsp;</p>



<p> Para além da luta contra a discriminação racial e do caráter recreativo, o associativismo negro se constituía — e ainda se constitui — como local onde essa parcela da população fomenta seus laços de identidade e cria redes de solidariedade, uma das consequências da descentralização e democratização da materialização da memória. </p>



<p>Bibliografia&nbsp;</p>



<p>DOMINGUES, Petrônio. <em>Clubes negros no Brasil: puzzle de um campo </em>emergente. Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 15, p. 1–22, 2023. &nbsp;</p>



<p>NORA, Pierre. <em>Entre Memória e História: A problemática dos lugares</em>. Tradução: Yara Aun Khoury. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, São Paulo (10), p. 7-28, 1993.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Jéssica Lopes</strong></p>



<p>é licenciada em História pela UNIRIO, com mestrado em História pela UFJF. É Educadora Social no Movimento Ética na Política &#8211; MEP, e participa da equipe de Projetos do Clube Palmares de Volta Redonda.</p>
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		<title>ONU assinala primeiro Dia do Cuidado e Apoio: União global fortalece agenda de cuidados</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/11/05/onu-assinala-primeiro-dia-do-cuidado-e-apoio-uniao-global-fortalece-agenda-de-cuidados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Nov 2023 18:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 188]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[necessidades simbólicas do indivíduo]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistatrama.artebodoque.com/?p=34663</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A ONU celebrou data inédita convocando a sociedade para conscientização sobre a importância do trabalho de cuidado e de apoio e da sua contribuição fundamental para alcançar a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável.</strong></p>



<p><strong>Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas as pessoas. Contudo, o&nbsp;desequilíbrio gerado pela atual organização social dos cuidados sobrecarrega especialmente as mulheres, sobretudo as mulheres negras e de menor renda.</strong></p>



<p><strong>No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2022 (PNAD-C 2022), revelam que são gastas, em média, 17 horas semanais em afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas. No entanto, as mulheres gastam quase o dobro do tempo que os homens com essas tarefas não remuneradas.</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/un_women_pedro_pio.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="Dia do Cuidado e Apoio: União global fortalece agenda de cuidados" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas e todos. Para suprir parte dessa demanda em todo o mundo, 16,4 bilhões de horas são dedicadas, diariamente, ao trabalho de cuidado não remunerado, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).Foto: © Pedro Pio/ONU Mulheres.</figcaption></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Embora desempenhe papel central no desenvolvimento e na manutenção da sociedade e das economias, o cuidado, por muito tempo, foi pouco debatido e sua relevância é desconhecida por grande parte das pessoas ao redor do mundo.</p>
</blockquote>



<p>Cuidar vai desde as ações básicas do cotidiano, como higiene pessoal e de ambientes, por exemplo, como também em atos de administração e planejamento de casas e famílias. O cuidado possibilita que as pessoas possam ter suas necessidades físicas e psicológicas atendidas. Esses trabalhos podem ser feitos de forma remunerada, quando é realizado por profissionais do cuidado, ou não remunerada, quando é realizado dentro dos domicílios pelas próprias famílias ou comunidade.</p>



<p>Buscando a conscientização sobre a importância do trabalho de cuidado e de apoio e da sua contribuição fundamental para alcançar a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável das sociedades em seus três pilares – econômico, ambiental e social –, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 29 de outubro como o<strong>&nbsp;Dia Internacional de Cuidado e Apoio</strong>, através da resolução&nbsp;<a href="https://undocs.org/Home/Mobile?FinalSymbol=A%2FRES%2F77%2F317&amp;Language=E&amp;DeviceType=Desktop&amp;LangRequested=False">A/RES/77/317</a>.</p>



<p>2023 é o primeiro ano em que a data é celebrada. A necessidade de reflexão e ação sobre o tema é reconhecida através dos dados que revelam não somente o quanto esta agenda abrange a toda a sociedade, mas também o desequilíbrio gerado pela atual organização social dos cuidados que sobrecarrega as famílias e, especialmente, as mulheres, sobretudo as mulheres negras e de menor renda.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“O reconhecimento pleno do trabalho de cuidado passa necessariamente pela corresponsabilidade de toda a nossa sociedade e, principalmente, por um enfoque de gênero. O cuidado com a casa, a família, as crianças e os idosos não pode continuar recaindo desproporcionalmente sobre as mulheres”, enfatiza a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.</p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/RC_Silvia_Rucks%20Creditos%20ONU%20Brasil%20Isadora%20Ferreira%20%281%29.JPG?w=950&#038;ssl=1" alt="Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil " data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil.Foto: © Isadora Ferreira/ONU Brasil.</figcaption></figure>



<p>As Nações Unidas no Brasil têm desempenhado um papel importante na valorização do trabalho de cuidado e de apoio por meio do trabalho das suas agências especializadas, fundos e programas, que desempenham ações que promovem a melhoria da condição de vida das pessoas que precisam de cuidados, como crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência, bem como das pessoas que provêm cuidados, especialmente as mulheres, que foram historicamente naturalizadas como as principais ou exclusivas responsáveis por esse trabalho.</p>



<p>Como já declarado pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, &#8220;<em>esse trabalho não remunerado ou mal remunerado não está reconhecido socialmente, o que reforça a exclusão e a discriminação que enfrentam as mulheres e meninas ao longo de suas vidas&#8221;.&nbsp;</em></p>



<p>“É verdade também que os legados do colonialismo e da escravização de pessoas africanas também geram impactos na desvalorização do trabalho de cuidado, que, por exemplo, no Brasil é predominantemente exercido por mulheres negras. É mais do que tempo de mudar essa realidade. Para reafirmar os direitos humanos de todas as mulheres, meninas e de todas as famílias e pessoas que necessitam e cuidados, devemos valorizar devidamente os trabalhos de cuidado e atenção. São atividades essenciais para o bem-estar social e para o desenvolvimento dos países. Devemos lembrar que os compromissos de direitos humanos fazem parte da espinha dorsal da realização da Agenda 2030. Para cumprir os&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs">Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</a>, inclusive reduzir desigualdades, promover o trabalho decente e o crescimento econômico, promover a igualdade de gênero, temos que transformar como o cuidado é percebido pelo mundo e dar a devida importância e apoio a essa atividade econômica, tão central para todas as pessoas em todos os lugares&#8221;, reforça o representante regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) para América do Sul, Jan Jarab.</p>



<p>“A atenção e o cuidado integral são as ações necessárias para a promoção do desenvolvimento integral em todas as fases da vida, desde a primeira infância. Não é possível pensar no desenvolvimento sustentável e numa sociedade justa e equânime sem levar em consideração os componentes inter-relacionados e indivisíveis de cuidado: boa saúde, nutrição adequada, segurança e proteção, cuidados responsáveis e oportunidades de aprendizado – tal qual preconiza o Modelo de Cuidado Integral desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O cuidado integral é uma responsabilidade coletiva e faz parte das condições criadas por políticas públicas que permitem aos pais e cuidadores a proporcionar o desenvolvimento pleno para seus filhos”, afirma a oficial de desenvolvimento infantil do UNICEF no Brasil, Maíra Souza.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho invisível</strong></h3>



<p>Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas e todos. Para suprir parte dessa demanda em todo o mundo, 16,4 bilhões de horas são dedicadas, diariamente, ao trabalho de cuidado não remunerado, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2022 (PNAD-C 2022), revelam que são gastas, em média, 17 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas. No entanto, as mulheres gastam quase o dobro do tempo que os homens com essas tarefas não remuneradas.</p>
</blockquote>



<p>“O trabalho de cuidado não remunerado segue subsidiando a economia global, permanece quase invisível, não reconhecido e não contabilizado nas contas nacionais e na elaboração de políticas. As implicações são diretas e desfavoráveis no posicionamento econômico e social das mulheres e das jovens”, afirma a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para o Brasil, Paraguai e Uruguai, Florbela Fernandes.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Precarização</strong></h3>



<p>Por outro lado, as ocupações ligadas ao trabalho de cuidado remunerado também atendem a diversas necessidades que regeneram o bem-estar físico e emocional das pessoas, bem como as demandas de educação, assistência, saúde e trabalho doméstico.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Segundo a OIT, mais de 11% dos postos de trabalho do mundo estão ligados ao trabalho de cuidado, sendo que as mulheres representam 65% desse percentual.</p>
</blockquote>



<p>Um&nbsp;<a href="https://www.dieese.org.br/infografico/2023/infograficosMulheres2023.html">levantamento</a>&nbsp;do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) com base nos dados da PNAD-C 2022, revela que, no Brasil, as mulheres são maioria nas vagas do trabalho de cuidado remunerado, sendo a maior parte no trabalho doméstico, representando 91% das pessoas trabalhadoras e 75% no conjunto que engloba profissões da área da educação, saúde e serviços sociais. A maioria delas, mulheres negras que acabam ostentando os maiores déficits de trabalho decente no país, representando a base da economia brasileira.</p>



<p>“As responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidado não remunerado, afetam desproporcionalmente as mulheres. Essas atividades podem impedi-las não apenas de estarem empregadas, mas também de procurar um emprego ativamente ou de estarem disponíveis para trabalhar mediante curto aviso prévio. Esse é um dos motivos pelos quais uma política de cuidados não pode ser considerada um gasto, e sim, considerada, um investimento. Por um lado, gera empregos e, por outro, permite um aumento da participação feminina no mercado de trabalho, que tem um impacto positivo sobre a equidade e sobre o crescimento econômico”, explicou o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro.</p>



<p>Os números mostram justamente essas profissões que são majoritariamente ocupadas por mulheres são comumente as mais precarizadas, com baixa remuneração e, muitas vezes, sem proteção social.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Um dos maiores exemplos é o trabalho doméstico que no Brasil conta com apenas 24,7% das trabalhadoras com carteira assinada, mesmo que 56,4% delas estejam vinculadas como mensalistas. A média salarial dessas trabalhadoras&nbsp; nas duas modalidades de contratação ainda segue abaixo do atual salário-mínimo brasileiro, como aponta&nbsp;<a href="https://www.dieese.org.br/infografico/2023/trabalhoDomestico2023.html">levantamento do DIEESE</a>.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Crise dos cuidados</strong></h3>



<p>Nos últimos anos, uma série de crises chamou o olhar urgente para o setor de cuidados. O crescente envelhecimento da população, as mudanças climáticas e, especialmente, o contexto vivido na pandemia da COVID-19 deixou mais visível o aumento da demanda por cuidados, tornando ainda mais aparente os desafios das mulheres para acessar oportunidades em condição de igualdade e conquistar sua autonomia econômica, visto que são elas as grandes responsáveis por suprir essa demanda crescente por cuidados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O&nbsp;<a href="https://social.desa.un.org/publications/2023-leaving-no-one-behind-in-an-ageing-world">Relatório Social Mundial 2023</a>, produzido pelo Departamento para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa), aponta que o número de pessoas com 65 anos ou mais no mundo deve dobrar, passando de 761 milhões em 2021 para 1,6 bilhão em 2050 e alerta para a insuficiência dos investimentos públicos dos países para cobrir a procura crescente de cuidados de longa duração.</p>
</blockquote>



<p>Em 2022, o&nbsp;<a href="https://public.wmo.int/en/our-mandate/climate/wmo-statement-state-of-global-climate/LAC">relatório de Situação do clima na América Latina e no Caribe</a>, da Organização Meteorológica Mundial (OMM) reportou que a Amazônia e nordeste do Brasil, são algumas das áreas que provavelmente verão secas constantes, afetando negativamente a saúde e o bem-estar da população.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O rastro de impacto deixado pela pandemia da COVID-19 nos mercados de trabalho afetou de maneira mais significativa o emprego feminino, resultando um retrocesso equivalente a mais de 18 anos nos níveis da taxa de participação econômica das mulheres, conforme aponta&nbsp;<a href="https://www.cepal.org/es/publicaciones/47926-coyuntura-laboral-america-latina-caribe-salarios-reales-durante-la-pandemia">relatório conjunto</a>&nbsp;da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da OIT.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p>Tem se tornado cada vez mais visível que os atuais sistemas de cuidado e apoio não estão conseguindo apoiar sociedades e economias sustentáveis e resilientes, nem as pessoas trabalhadoras do cuidado.</p>



<p>“A pandemia da COVID-19 encerrou quaisquer dúvidas sobre a urgência do debate sobre gênero na América Latina e no Caribe. Não obstante terem sido o grupo social mais afetado pela crise, as mulheres são o pilar central sobre o qual se apoia a reprodução social na região. O pós-pandemia deixa claro que a transição para uma sociedade dos cuidados deve ser parte central de estratégias de desenvolvimento que busquem a ampliação da proteção social, a redução das desigualdades estruturais e o enfrentamento dos riscos postos pelas mudanças climáticas”, reforça o Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil, Carlos Mussi.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sistemas integrais de cuidados</strong>&nbsp;</h3>



<p>Para superar a crise dos cuidados, é necessária uma nova organização social que promova a corresponsabilidade social e de gênero pelo cuidado, buscando reconhecer, redistribuir, reduzir, recompensar e representar o trabalho de cuidado sob uma perspectiva de direitos humanos, gênero, interseccional e intercultural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Desenvolvimento sustentável e garantia de direitos</strong></h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>A resolução que proclama o dia 29 de outubro como Dia Internacional de Cuidado e Apoio, avança rumo a construção de sociedades inclusivas e sustentáveis, uma vez que reforça a necessidade de promover o bem-estar da sociedade e de todos os seus membros, em especial das crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência, além de enfatizar valor do trabalho de cuidado e reconhecer as pessoas trabalhadoras do cuidado não remunerado e remunerado como essenciais.</p>
</blockquote>



<p>“Esse dia simboliza mais um passo em direção ao compromisso político e urgência global relacionados à visão de políticas e sistemas de cuidados e apoio como chave para o alcance do desenvolvimento sustentável e também é um convite para que toda a comunidade global se una nos esforços para uma mudança transformadora na organização social do cuidado e do apoio. O Dia Internacional do Cuidado e Apoio representa a culminação de anos de esforços das organizações feministas, das Nações Unidas e a academia em colocar a importância do trabalho de cuidado no centro do debate público e político e sua proclamação reforça a Aliança Global de Cuidados e ocorre quase um ano depois da realização da Conferência Regional da Mulher de 2022, onde foi acordado o&nbsp;<a href="https://repositorio.cepal.org/server/api/core/bitstreams/6ef02df9-68a1-4d75-a707-f753a31405ae/content">Compromisso de Buenos Aires</a>, documento mais importante a nível regional que posiciona em definitivo o cuidado na Agenda Regional de Gênero, em linha com as ações necessárias para reconstruir sociedades e economias após a COVID-19″, avalia a representante adjunta da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/AnaCarol_Creditos_%20ONU_Mulheres_Gustavo_Dantas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Representante Adjunta da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">genda: Ana Carolina Querino, representante adjunta da ONU Mulheres Brasil.Foto: © Gustavo Dantas/ONU Mulheres</figcaption></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Artigo publicado no portal da <a href="https://brasil.un.org/pt-br/251317-onu-assinala-primeiro-dia-do-cuidado-e-apoio-uni%C3%A3o-global-fortalece-agenda-de-cuidados" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ONU Brasil</a> no dia 01/11/2023. Você pode encontrar mais artigos sobre esse e de diversos outros temas <a href="https://brasil.un.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
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		<title>Psicanálise fora do setting  </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Oct 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 183]]></category>
		<category><![CDATA[analise]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[demora]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Charles dos Santos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao lermos o texto “<em>Caminhos da terapia psicanalítica</em>” (1919), de Sigmund Freud, temos a impressão de que o criador da psicanálise estava atento às dinâmicas sociais, políticas e culturais que exigiriam novos olhares e novas abordagens por parte dos psicanalistas. É um trabalho que evidencia uma postura de observação atenta das diversas formas de interação entre o indivíduo e a formação social.  </p>



<p>Ao longo do texto, Freud apresenta técnicas, e aquilo que considera avanços dentro da prática psicanalítica. Ele, portanto, pretende mostrar que o fazer psicanalítico não deve ser engessado, amarrado a dogmas e fechado ao novo. O autor deixa entrever que “o que hoje é, amanhã pode não ser”, se assim for necessário diante de novas descobertas e novas interpretações.  </p>



<p>Todo o trabalho é magistral, porém o que mais chama a atenção é a dissertação que Freud realiza sobre o futuro da psicanálise. Se em sua época o dispositivo analítico era acessível apenas para certos setores da sociedade, a saber, as pessoas com mais recursos econômicos, o autor ansiava que nos anos vindouros pessoas das classes menos favorecidas pudessem também ter acesso aos benefícios da análise. E quando isto acontecesse, seria necessário fazer adaptações, ajustes e mudanças, dado que a interação com o novo público certamente colocaria em cena novos questionamentos e também novos desafios para o <em>corpus</em> psicanalítico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ora, o tempo passou e vemos a cada dia que o anseio de Freud, se ainda não se concretizou, caminha nesta direção. No Brasil já há projetos muito interessantes que buscam aproximar a psicanálise de grupos socialmente vulneráveis. A escuta é praticada na rua, em bairros periféricos, em áreas pobres. Há ainda a inserção de psicanalistas no Sistema Único de Saúde (SUS), os quais mantêm contato com pessoas com poucos recursos, muitas delas mulheres e negras.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Esta ampliação do alcance da prática psicanalítica também tem a ver com um outro fenômeno. A chegada de pessoas pretas, pardas e indígenas nos centros de produção e divulgação do conhecimento (escolas, faculdades, universidades, centros de pesquisa etc.) que tem ocorrido nos últimos anos proporcionou o encontro com saberes que antes eram acessíveis somente a uma certa elite. Isso tornou possível, por exemplo, que jovens negros e negras conheçam o debate sobre psicanálise e os recortes de raça, gênero e classe a partir da reflexão de pensadoras investidas do saber psicanalítico como Lélia Gonzalez e Grada Kilomba.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A psicanálise, portanto, precisa agora ser atravessada por saberes e práticas que emanam da realidade de pessoas muito diferentes daquelas para quem Freud falava no início do século XX. No Brasil, particularmente, não dá para pensar a produção do inconsciente sem se atentar para as aberrantes desigualdades de raça, gênero e classe. O racismo deixa marcas profundas na vida psíquica das pessoas negras; o machismo faz do país um dos que mais têm feminicídios em todo o mundo; e a pobreza impede sonhos e projetos de serem realizados, o que causa tristeza e frustração.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O Freud de “Caminhos da terapia psicanalítica” parece compreender que o dinamismo da sociedade e seus elementos culturais, tecnológicos e políticos colocam os psicanalistas em um lugar de reflexão constante sobre a sua prática. A fixidez, por conseguinte, não parece ser uma característica fundante do campo psicanalítico.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Charles dos Santos</strong>&nbsp;é mestre e doutor em sociologia pela UFSCar. Atua como professor e pesquisador, com interesse em temas como programas sociais, políticas públicas, desenvolvimento social e relações étnico-raciais. É autor dos livros <em>“A construção social do meia-sola: trabalho, pobreza e o Programa Bolsa Família na Zona da Mata canavieira de Alagoas”</em> (FAPEAL/Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2017) e <em>“A pele alvo: discussões sobre racismo, cultura e protagonismo social negro”</em> (EDIFMA, 2022).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>A arte e o artista no meio social</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/09/10/a-arte-e-o-artista-no-meio-social/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Sep 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 180]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Mateus Ântoni Rúbia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dentre os artefatos culturais humanos por excelência — e.g., a política, filosofia, religião, ciência, a psicoterapia, para nomear alguns —, a arte é o mais difícil de ser cooptado como um mecanismo de repressão das forças naturais da humanidade, quais são: a espontaneidade; a paixão criativa; a ludicidade; e o egoísmo e a moralidade animais<sup>1</sup>. E, quando o é (por exemplo, quando regimes autoritários se utilizam da arte para propagandear seus princípios e agenda política às massas), apenas imprecisamente pode continuar a ser chamada pelo mesmo nome. Antes, porém, é preciso diferenciar: fala-se aqui da arte que se propõe a utilizar-se da matéria-prima vital do homem em sua relação com o mundo, conservando no intuito e na execução um princípio estético de expressão que dá ênfase à comunicação de determinado aspecto da experiência humana ou a essa experiência mesma, ou que visa pesquisar possíveis verdades universais do ser humano no mundo e às qualidades essenciais da beleza, e não àquela que se pretende, realiza e esgota-se exclusivamente no plano do entretenimento. Com efeito, o artista aqui referido é tal qual o poeta — ser de letras e ação — que Walt Whitman chamou de <em>kosmos</em>: indivíduo que “não moraliza nem dá lições de moral”, mas “conhece a alma”, que porque “vê mais longe ele é o que tem mais fé”, que “vê a eternidade nos homens e nas mulheres” e “se situa aonde o futuro vira presente”¹.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Isso posto, gostaríamos de chamar atenção ao fato de que, mediante análise, é curiosa e delicada a posição do ser humano na estrutura de suas criações: instituidor da cultura, nela atua e por ela é moldado em uma fórmula de coafetação simultânea, mas assimétrica, visto que se corre o risco de tanto o indivíduo quanto a sociedade serem escravizados pelo poder instituinte de suas próprias criações. Porém, a arte, enquanto criação sem finalidade utilitária, por exceção resultante de sua natureza e função, aponta para uma saída: ainda que determinada pelas condições objetivas e as circunstâncias específicas da conjuntura atual à sua produção, a realização artística tem o potencial de transcendê-las e materializar o impensado, o imprevisto, o extraordinário — o inovador. O que é inevitável, uma vez que “o futuro é o que artistas são”². Nada obstante, sabemos que algo semelhante ocorre em outras áreas do conhecimento, basta lembrarmos das sucessões de sistemas dominantes na filosofia e as mudanças de paradigma na ciência, contudo, em arte o inovador tende, pelo menos inicialmente, a gerar não revoluções gerais ou sistêmicas, e sim pessoais — embora nada impeça que articule agitações coletivas, como no uso da declamação poética para arrebatar uma multidão; no de performances para atrair atenção dos veículos de comunicação para certa causa; ou, para citar um episódio específico de nossa história nacional, como o foi na resistência da classe artística à censura durante a ditadura militar brasileira.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em outras palavras, ao produzir através da própria sensibilidade um artigo de valor não utilitário, sem deixar de ser um membro desta sociedade pós-industrial orquestrada por uma ordem tecnocrática e cientificista, e regida por ideais racionalistas, mecanicizantes e consumistas, o artista está criando um chamariz, uma tentação, uma armadilha benigna: quando o artigo nascido de sua manipulação dos próprios sentimentos e da realidade dada completa seu movimento dialético e expressa-se no encontro com o público, abre-se um caminho, no sujeito que o recebe, que oportuniza, ou, melhor, seduz o contato genuíno e reprofundo com as suas emoções, sentimentos e imaginação — os quais, de outro modo, permaneceriam dessensibilizados sob a couraça da cordialidade, da resignação, da apatia e dos demais condicionamentos e adestrações historicamente produzidos e sociopoliticamente implantados. E isso se faz possível porque “o que é verdadeiro sobre a Arte é verdadeiro sobre a Vida”².&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Salientamos, a propósito, que as elites social, econômica e política estão cientes de que a torrente do gênio pode transbordar nas margens onde “habitam tranquilos burgueses, cujos belos canteiros de tulipas e plantações de hortaliças seriam devastados pela torrente caso não soubessem, com diques e canais, evitar inteligentemente o perigo que os ameaça”³.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Convém, agora, para aprofundar esta discussão e expandir seus desdobramentos, retomar nossa afirmação inicial, e explicá-la melhor: pois a arte é o nosso artefato cultural mais difícil de ser cooptado como um mecanismo de repressão das forças naturais da humanidade pela mesma razão pela qual a realização artística tem o potencial de transcender as condições objetivas e as circunstâncias específicas da conjuntura atual de sua produção, a saber, um produto artístico é, mais radicalmente, o artigo de uma personalidade e, graças à sua natureza parte filogenética e socialmente organizada, parte individualmente elaborada, a personalidade de dois seres humanos jamais será idêntica — como os estudos de caso com gêmeos univitelinos na psicologia, na biologia e na neurociência, dentre outras, têm concluído ao longo das décadas e a observação empírica facilmente comprova. A personalidade de alguém, afinal, é construção própria, peculiaríssima; fruto, dentre outras coisas, de suas experiências singulares, das coordenadas existenciais adotadas ao longo de sua vida e do idiossincrático uso da linguagem que é feito.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em suma, o que aqui afirma-se é de haver o potencial de, no jogo da interpessoalidade, a arte criar signos inéditos, engendrar sentidos inauditos, prenunciar novas paisagens afetivas, anunciar uma vitalidade mais pujante — em última análise, de plantar sonhos de um novo mundo, de uma realidade diferente, de maior fôlego, vigor, e mais satisfatória. Logo, a arte, uma vez consumado seu potencial expressivo, pode fomentar no indivíduo maior capacidade de atuação política e um exercício mais consciente desta, ajudando-o a perceber-se imbricado e afetado pelo estado de coisas ao exprimir o mundo e as relações do homem consigo e com os outros no mundo como tais. Pois não é em nenhum lugar, senão no universo de experiências em que toda existência humana se dá, e por nenhum meio que não o encontro entre um e o outro, entre mim e meu igual, que qualquer saber sobre nossa condição humana — nas mais diversas ordens — é produzido e tem potencial para afetar e transformar a realidade. </p>



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<p><strong>ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO:</strong>&nbsp;</p>



<p>¹ Prefácio da Primeira Edição, p. 23 (i; ii), p. 17 (iii; iv), p. 23 (v). In: <em>Folhas de Relva</em> de Walt Whitman. São Paulo: Iluminuras, 2005.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>² <em>The Soul of Man under Socialism</em> de Oscar Wilde, pos. 520/758; 542/758. Livro eletrônico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>³ <em>Os sofrimentos do jovem Werther</em> de Goethe, p. 23. São Paulo: Abril, 2010.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>a rainha má em boa?&nbsp;</p>



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<p><strong>Mateus Ântoni Rúbia</strong> é nascido e crescente em terras do sertão baiano, graduando em Psicologia pela UEFS, e amador, nos vários sentidos, em quase tudo. É o autor do romance psicológico de ficção científica Santíssima Mãe dos Mortos (Editora Kazuá, 2022). Possui prosas e poemas publicados em antologias literárias e plataformas de leitura on-line diversas. Reconhece-se como jovem demais para saber de qualquer coisa, mas, também, ousado o suficiente para tentar entender algumas.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/_mateusantoniru/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">_mateusantoniru</a>&nbsp;</p>
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		<title>Primeiro dia de aula </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 176]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Pedro da Silva Gomes</p>
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<p>O sol batia forte na casa de Laura quando sua mãe, Maria Clara, a chamou para almoçar. A garotinha tinha seis anos e esse era o seu primeiro dia de aula, o primeiro passo da longa jornada que é a vida de estudos. Se lhe perguntassem o que queria fazer quando fosse grande, Laura certamente não saberia responder bem, mas é claro, como a grande maioria, os pais responderiam pelos filhos, e Laura iria estudar bastante, se formar na faculdade, fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado e qualquer outra coisa que lhe desse um diploma a mais. Laura, como se pode imaginar, era uma criança encantadora e qualquer leitor iria adorar conhecê-la, entretanto não é ela o foco desta história. É sobre Marcos, o pai de Laura, que neste momento está sentado ao lado da filha enquanto almoça, que iremos falar. </p>



<p>Marcos era carpinteiro, e sua simplicidade poderia ser notada tanto em sua aparência e modo de vestir quanto em seus hábitos. Não tinha grandes aspirações na vida, só um pouco de arrependimento de não ter continuado os estudos e, por esse motivo, viver só para pagar as contas. Pode-se dizer que estava mais ansioso pelo primeiro dia de aula da filha do que a própria. Desde aquela manhã lembranças e aspirações passavam por sua cabeça, na verdade, poderíamos até dizer que desde a noite anterior se levarmos em conta que ele sonhou com o assunto. Às vezes ele imaginava que a filha seria uma grande advogada, ou médica, talvez professora ou arquiteta. Momentos depois, estremecia, pois lembrava de seu curto tempo na escola, da sua juventude, dos sentimentos que teve durante aquele tempo e logo temia que a filha sofresse o mesmo e que não estivesse lá para apoiá-la caso fosse preciso.&nbsp;</p>



<p>Enquanto comia, Laurinha parecia animada, curiosa, cheia de vontade de conhecer essa tal de escola que tanto lhe falavam. Marcos, por outro lado, sentia-se em um turbilhão de emoções. Ao olhar para filha era como se olhasse para dentro de um espelho mágico que lhe mostrava lembranças, alegrias e medos, tudo misturado, ele chegou a ficar tonto e perdido em seus pensamentos. A menina que ele segurou no colo pela primeira vez por volta de seis anos atrás havia crescido tanto, e ele nem tinha se dado conta. Era como se tivesse passado todos esses anos dormindo e só agora percebesse seu sono. Marcos chegou a hesitar, pensou em deixar a menina faltar a escola. A aula duraria somente o período da tarde, tempo inclusive que ele estaria trabalhando, então por que tanto medo de perdê-la? Ele mesmo percebia sua própria infantilidade diante da questão, porém seu coração continuava a pesar-lhe o peito.&nbsp;</p>



<p>São nesses momentos da vida, que o tempo parece passar mais rápido que um relâmpago que brilha e logo some nos ares. Antes de se perceber, a criança já estava atrasada para a aula. Maria Clara já estava estressada, enquanto tentava arrumar o cabelo para levar a filha para a escola, ela berrava para que a menina fosse escovar os dentes. Marcos disse que não precisava se preocupar e que ele mesmo levaria a filha, &#8211; No meu primeiro dia de aula foi meu falecido pai que me levou para a escola, e eu vou fazer o mesmo -, diante dessa afirmação, Maria não teve argumentos. Maria Clara estranhou, não sabia dessa história, mas não quis retrucar, ela sabia que o assunto do falecido pai ainda era sensível para o marido. Na verdade nem o Marcos se lembrava da história ou sabia que ia falar isso, pelo menos até aquele momento. Resgatar aquela lembrança foi como achar um dinheiro que você nem se lembrava da existência no fundo do bolso de uma calça. </p>



<p>Enquanto escovava os dentes, pela primeira vez, Marcos reparou que seu cabelo estava salpicado de fios brancos. Isso só serviu para torná-lo ainda mais emotivo naquele dia. Ele não pôde demorar muito em seus devaneios em frente ao espelho, pois o relógio não tira folga, e já deviam ter saído de casa há cerca de cinco minutos. A escola era perto, no entanto a caminhada foi longa para Marcos, pois a filha enchia-o de perguntas sobre a escola e ele respondia com carinho, mesmo não tendo certeza da resposta de muitas delas. Ao mesmo tempo, sua mente inundava de lembranças, ele próprio havia sido uma criança tal qual a filha, e igualmente a ela, de mãos dadas, foi levado à escola pelo pai. Às vezes, seus olhos ficavam úmidos e ele sentia que não conseguiria segurar as lágrimas, mas ao contemplar a alegria e inocência da filha ele encontrava forças para prosseguir. </p>



<p>Enfim em frente a escola houve a inevitável despedida. Depois de várias promessas de reencontro e ordens de comportamento por parte do pai, Laurinha entrou na escola. Do portão Marcos não podia passar, suas pernas estremeceram ao soltar as mãos da filha e deixá-la ir sozinha para dentro. Após um último aceno, ele suspirou, virou as costas e deu alguns passos. Esses passos foram interrompidos por uma última olhada para trás. Ele se convenceu que aquela última olhada era apenas para conferir se ela tinha ido mesmo, vai que ela tivesse ficado com medo de ficar sozinha e voltasse correndo para ele, mas ao mesmo tempo, ele sabia que quem estava com mais medo era ele. Na verdade, ele queria que ela voltasse correndo e que pudesse levá-la de volta para casa em seus braços. Depois de mais um suspiro, ele se perguntou se seu pai havia feito o mesmo que ele, então se sentiu bobo, era só o primeiro dia de aula na escola e ele tinha suas próprias obrigações para cumprir. Antes de voltar para sua carpintaria precisou passar em casa para pegar algumas ferramentas. É claro que todo seu estado emotivo não havia passado despercebido ao olhar de sua esposa. Foi com um “cê é besta, é só o primeiro dia de aula, já, já ela vai tá em casa aprontando de novo” que ele foi recebido. </p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>João Pedro da Silva Gomes</strong></p>



<p>é natural de Viçosa, cidade do interior de Minas Gerais. Atualmente tem 22 anos e cursa bacharelado em Letras na Universidade Federal de Viçosa (UFV).&nbsp;</p>



<p>Instagram: <a href="https://www.instagram.com/joaopgomes480/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@joaopgomes480</a>&nbsp;</p>
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		<title>Que um lampejo te guie em oposição ao horror </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 18:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 176]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[experiencias]]></category>
		<category><![CDATA[exs]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[namorados]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kaio Phelipe</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quase todo dia me trazia uma sobremesa, um pensamento colhido em casa, embrulhado em papel alumínio. Nos acessos de um prédio comercial, onde demos o primeiro beijo, dividíamos também as nossas marmitas.&nbsp;</p>



<p>Nos bares mais xexelentos do Centro da Cidade, entre um samba e outro, se queixava do maçarico e do trabalho equivocado do rapa. Estendíamos a noite até o horário do último ônibus. Sempre de mãos dadas. Éramos o namorado um do outro.&nbsp;</p>



<p>Vivemos juntos nossa melhor época. Os primórdios incansáveis dos vinte anos. Peito estufado e vibrante de coragem. Ele era o cara mais foda e bonito dos bailes do Santo Amaro a Vila Vintém. A gente gostava de ficar se olhando. Quantas vezes passamos o dia, como quem não quer nada, olhando para a cara um do outro, aproveitando a folga e se gostando mais.&nbsp;</p>



<p>Hoje talvez tenha sido nosso último encontro. Mas a gente sequer chorou. Desde o primeiro dia sabíamos que teríamos um fim. Que a gente teria que correr atrás dos sonhos mais distantes. Enfrentar os bichos de sete cabeças. Quem algum dia já foi derrotado sabe que não há como fugir da lógica da sobrevivência. Nos preparamos juntos para o <em>gran finale</em>. E fizemos o que foi possível para que tudo o que viesse antes fosse extraordinário e cada dia foi uma festa. A gente se abraçava torcendo um para o outro. Não economizamos confiança nem ajuda nem palavra nem amor. Com ele, segurei a onda de ser uma pessoa melhor em um meio que só fode a nossa cabeça. No nome dele, rezei uma Ave Maria por dia, contra tudo o que é maldade. Hoje fechamos com chave de ouro. Estamos preparados para que o universo nos engula. Deixamos as juras, escorregadias de tesão, trancadas em nosso alegórico e costumeiro quarto de motel. Caso algo dê errado, ainda que um pouco perdidos e destroçados, nós teremos um ao outro. No futuro, caso nosso templo não vire ruína, retornaremos peregrinos. </p>



<p>A partir de amanhã, seguiremos o caminho impreciso da mudança. Falarei dele com deleite em cada vírgula, na conquista de cada sonho que ele sonhou comigo. Se a memória é também um lugar de refúgio, então tenho Carlos junto a mim.&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-full is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="697" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=720%2C697&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-32686" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?w=720&amp;ssl=1 720w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=300%2C290&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=205%2C198&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=480%2C465&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20220912-WA0115-Kaio-Phelipe.jpg?resize=600%2C581&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Kaio Phelipe</strong> é  de Realengo, subúrbio do Rio de Janeiro. Estuda ciências políticas e é autor dos livros de poesias e prosa poética Hábitos e Educações (editora Urutau), Não existe pecado no lugar de onde eu vim (editora O Sexo da Palavra), Para o homem descansando ao meu lado (editora Nua), Como cuidar de um girassol (editora Patuá) e, em breve, estará lançando Todos nós sonhamos em ser Carmen Miranda, junto com a editora Impressões de Minas, onde este texto poderá ser encontrada junto a outros contos.</p>



<p>Instagram: <a href="https://www.instagram.com/kaionasredes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@kaionasredes</a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/5P6bxSaRg2cK48jDngP6CY?si=0xXOqkk_QzGWuUYT-GgGtg"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31307" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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		<title>Modaterapia: A consciência sobre o vestir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jun 2023 18:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 166]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Monica Prado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/06/04/modaterapia-a-consciencia-sobre-o-vestir/">Modaterapia: A consciência sobre o vestir</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É interessante conversar sobre a Modaterapia, pois, é um tema que há pessoas que se identificam. Outras não, acham que é futilidade, mas não têm noção da relevância que a roupa pode ter na imagem e na vida das pessoas. Só através da observação podemos ver a moda como uma reflexão sobre as questões contemporâneas.</p>



<p>Nossa autoimagem é um reflexo que constrói uma identidade, que se reconhece através das nossas escolhas. Não há como interagir, porque tudo está totalmente intricado, a moda e as emoções contextualizam o exercício recorrente em que as ações estão impregnadas na nossa roupa. Da mesma forma que há roupas para o corpo, existem também roupas para a alma, e através desses trajes, interagimos uns com os outros. </p>



<p>As roupas carregam em si significados que são as configurações que formam uma cadeia de sentimentos e ressignificações de várias formas, envolvendo experiências como: hábitos culturais, lembranças, heranças, historicidade de vida, além da memória ancestral que nos acompanha e está silencioso no nosso corpo. A  cada década, as peças de vestuário e seus significados sofrem transformações, desconstrução, vão se transmudando, reconstruindo, reciclando, customizando, revisitando, repaginando e com essa transformação atinge lugares externos e internos, inimagináveis. Se faz presente juntamente, a força da música que nos reporta a experiências inesquecíveis e marcantes, através dos sentidos enquanto formas de comunicação e como um conjunto de elementos relacionados às necessidades, onde se mesclam os símbolos e códigos de identificação. A história sobre o vestir, revela quem nós somos, contam histórias e causa emoções. É a nossa segunda pele, que influencia a nossa autoestima quando consegue decidir sobre o que realmente desejamos transmitir através da roupa, seja qual tipo de relação comunicacional devemos passar através da cor, tecido, caimento, modelagem, textura e superfícies. </p>



<p>A terapia da moda é uma ferramenta para que a pessoa possa desenvolver uma compreensão sobre si mesma, melhorar a autocomunicação, autovalorização, aumentar a sua autoestima, e a partir da sua imagem interior, refletir a singularidade como  o potencial comunicativo que se esconde por trás da profundidade da superfície que está no seu inconsciente.</p>



<p><strong>Será que nos conhecemos profundamente?</strong> Sutilmente este vestir está sublime e ocultado em nós e de fato, desconhecemos essa condição em boa parte das nossas experiências. Cada pessoa leva uma bagagem de padrões e estereótipos que compõe o seu processo, simplesmente acolhe a história do vestir, sendo de extrema importância para construção dessa imagem. Essa engenhosidade, e esse diálogo privilegiado irá ajudar a firmar sua personalidade em relação ao mundo, portanto, o guarda-roupa representa o corpo que oferta significado, e descobrimos a autenticidade que nos leva genuinamente a ter um olhar sensível e empático por nós mesmos externalizando de dentro para fora nossas necessidades e gostos. A forma como nos apresentamos no mundo é fruto do desejo de parecer, pertencer e, de certa forma, ser.</p>



<p>&nbsp;<strong>Como deve ser esse diálogo de transmutação de modelos de roupagem, quando a negação do corpo não corresponde a seus anseios?</strong></p>



<p>A roupa ou a vestimenta é um código de identificação, uma outra forma de pensar, de representar e falar a sua realidade para o outro. Apenas com um invólucro da nossa essência&#8230; Cada pessoa leva a bagagem de vivências essencial para a vida. Afinal, sem a roupa e sem imagem não seria possível a sua existência. Tudo ocorre de forma inconsciente, aprendendo a valorizar a forma de mapear seu corpo descobrindo a constância do pensar e associando ao seu perfil corporal.</p>



<p><em>“Dentro da vertente da moda literária, pode ser difícil transparecer para o público as inspirações que resultaram naquelas peças, devido ao teor subjetivo e sentimental contido nelas. Na maioria das vezes, a plateia não é capaz de enxergar e reconhecer o incentivo literário por trás de uma coleção apenas vendendo-a na passarela. É preciso um certo grau de conhecimento e estudo para que haja uma identificação e, consequentemente, uma emoção de quem vê. Mas isso não é necessariamente um problema.”    Clara Watanabe</em></p>



<p>A comunicação não verbal através da vestimenta é uma maneira de expressão que não utiliza as palavras, é uma ferramenta que ultrapassa os limites do comportamento. O corpo é um invólucro e comunga com as roupas, por que fala por si só e diz respeito quem somos, tudo ocorre de uma forma inconsciente, e vai além da linguagem verbal. Por isso, é necessário aprender a valorizar a forma de mapear seu corpo, descobrindo as suas cores e estampas.</p>



<p>Recentemente a cantora<em> Alcione</em> relatou que no guarda roupa há mais de 400 peças , exclusivas , e que não deixam estacionadas, envelhecendo . Claro, que as roupas tem uma memória particular, de uma valor inestimável , são pontes de memórias afetivas , ajudam a reviver momentos inesquecíveis, então, ela doa muitas roupas para as amigas, irmãs e transformistas que realizam trabalhos interpretando a cantora.</p>



<p>Podemos camuflar a linguagem, nos retrair não querendo se expor, dessa maneira, é importante o ato comunicacional saudável para entender o ato do vestir, porque de uma forma simples se cria uma visibilidade para todos que vão interpretar a mensagem que você deseja transmitir. Por exemplo, percebam que no carnaval as pessoas querem se divertir demonstrando o colorido de viver festejando, porém, cada pessoa tem uma história e uma mentalidade que vai fazê-la se vestir de acordo com sua própria essência. Uma pessoa mais casual, irá colocar suas perspectivas livre de ser na modelagem da fantasia, ajustada no seu molde corporal. <strong>Você também já se percebeu fazendo essas escolhas de roupagem em algum evento cotidiano</strong>? Justamente essa memória afetiva e de marca pessoal que é realizada de forma transcendente, quase que imperceptível e automática.</p>



<p>Então, é hora de ser você mesmo, e se descobrir como autora da sua própria identidade, simplesmente ser livre para ser, agir, intuir. Seja o protagonista do seu vestir.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-28083" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/12/AMIGA-DA-BOAOD.png?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<p><strong>Mônica Prado</strong> é bacharel em Musicoterapia pela Pontifícia Universidade Católica de Salvador, (UCSAL) com especialização na área neurológica, geriátrica e gestacional, com mais de 26 anos de experiência clínica como terapeuta. Jornalista de moda, escritora, jornalista, terapeuta ortomolecular, colunista, comunicadora, pesquisadora e palestrante. Colunista da Revista Metropolitana, Jornal do Povão (SE), Jornal do Povão (MG), Revista Trama bodoque (BH), Além da participação semanalmente do programa de rádio (Aracaju) com abordagens e temáticas sobre bem estar ,dualidade, consciência, espiritualidade, saúde psicoemocional, autoconhecimento entre outros. Criadora do método Moda terapia em que no campo da terapia observa e percebe a ótica da imagem e o comportamento das pessoas em relação a moda. Transcreve conhecimento S e experiências dos atendimentos em consultório ajudando no empoderamento feminino, elevando autoestima da mulher, fertilizando a vida através das suas experiências singulares , o bem estar e aceitação de si mesma.</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/7EC7yPVRK5Zra9LrSTb1wL?si=qoJJIBynQ_2pOfYDqgBZrQ"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-29026" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/03/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO-dia2.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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		<title>Mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes são essenciais para estratégias de recuperação à crise</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/mulheres-rurais-indigenas-e-afrodescendentes-sao-essenciais-para-estrategias-de-recuperacao-a-crise/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 067]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher Rural]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Por ocasião do Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado no dia 15 de outubro, 11 organizações e as embaixadoras da campanha #MulheresRurais, Mulheres com Direitos, se uniram à ação &#8220;15 dias de iniciativas transformadoras&#8221;, compartilhando histórias e mensagens sobre direitos e autonomia econômica;&nbsp;o papel produtivo da mulher rural em sistemas agroalimentares; redução de lacunas e uma vida livre de violência. Leia os relatos da&nbsp;Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/77d53-capa_fao.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12406" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto |  FAO</figcaption></figure>



<p>Por ocasião do Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado no dia 15 de outubro, 11 organizações e as embaixadoras da campanha #MulheresRurais, Mulheres com Direitos, se uniram à ação &#8220;15 dias de iniciativas transformadoras&#8221;, compartilhando histórias e mensagens sobre direitos e autonomia econômica;&nbsp;o papel produtivo da mulher rural em sistemas agroalimentares; redução de lacunas e&nbsp;<a href="http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1314723/">uma vida livre de violência</a>.</p>



<p>Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), na região, a pobreza extrema no meio rural pode chegar a 42%, um número totalmente inédito. Segundo essas estimativas, 10 milhões de habitantes rurais –dos quais quase 6 milhões são mulheres– poderiam entrar em uma situação em que a renda não chega nem mesmo para cobrir as necessidades básicas de alimentação.</p>



<p>Durante a pandemia, as mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes que trabalham nas áreas rurais, continuaram seu trabalho para atender à demanda por alimentos nas cidades, nas comunidades rurais e em suas próprias famílias.</p>



<p>Porém, muitas ainda realizam suas atividades produtivas enfrentando desigualdades como o trabalho informal, a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado, a dificuldade de acesso a recursos produtivos como terra, água, insumos agrícolas, financiamento, seguros e capacitação.</p>



<p>Elas também enfrentam barreiras para comercializar seus produtos nos mercados, além do aumento da violência de gênero que tem sido visto durante a pandemia nos países da região.</p>



<p>Para Rafael Zavala, Representante da FAO no Brasil, a mobilização de diversas organizações no âmbito da campanha de #MulheresRurais, coloca em evidência a crescente conscientização da importância de seu papel para o desenvolvimento sustentável. “Não há dúvida do papel central que elas desempenham na produção, fornecimento e comercialização de alimentos, bem como na preservação dos saberes tradicionais. Portanto, é urgente desenvolver estratégias com foco no desenvolvimento das mulheres, principalmente para as que trabalham com emprego rural não-agrícola, e foram mais afetadas pela pandemia”.</p>



<p><strong>Uma recuperação nas mãos das mulheres rurais</strong></p>



<p>Segundo a FAO, o contexto atual exige uma vigorosa reação política, estatal, intersetorial e de cooperação para o desenvolvimento, a partir da qual a região deve ser capaz de responder à urgência e, ao mesmo tempo, caminhar para um exercício igualitário dos direitos das mulheres e dos homens, como única forma de nos transformarmos em sociedades mais equitativas e resilientes.</p>



<p>Para que as estratégias de recuperação pós-pandemia sejam eficazes, em conjunto com as mulheres rurais, é necessário:</p>



<ul><li>Valorizar e incluir a abordagem de gênero como elemento fundamental nas estratégias de resposta à pandemia.</li><li>Garantir diagnósticos desagregados por sexo, idade, etnia, localização geográfica e modalidade de emprego, que permitam uma maior estimativa da vulnerabilidade das populações rurais.</li><li>Fortalecer a cobertura de programas e projetos de segurança alimentar e nutricional, a fim de atender às necessidades alimentares urgentes dos setores mais vulneráveis.</li><li>Promover a articulação de programas produtivos, de proteção social e de capacitação voltados para a agricultura de pequena escala.</li><li>Investir na liderança das mulheres e envolvê-las nas estratégias de resposta.</li><li>Considerar como pilar prioritário de reativação econômica a instalação de sistemas de atenção, educação, alimentação escolar e redução da violência de gênero.</li><li>Ativar circuitos curtos de abastecimento e comercialização de alimentos e promover a inclusão de mulheres produtoras.</li><li>Promover ações conjuntas com o setor privado, a fim de desenvolver programas que garantam seu acesso ao trabalho decente e à proteção social.</li></ul>



<p><strong>Organizações que participaram da ação “15 dias de iniciativas transformadoras” no Brasil:</strong></p>



<ol><li>Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO</li><li>Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa</li><li>Secretaria de Desenvolvimento Rural/Entidade da Superintendência de Agricultura familiar da Bahia (SDR/SUAF)</li><li>Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA</li><li>Cooperativa Castrolanda</li><li>Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura de Tocantins – SEAGRO/TO</li><li>Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA</li><li>Embrapa Rondônia</li><li>Emater de Minas Gerais</li><li>Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – FIDA</li><li>SOS Amazônia</li></ol>



<p><strong>A liderança da mulher do campo no fortalecimento da agricultura sustentável</strong></p>



<p>Na zona rural de São Paulo, no Distrito de Parelheiros, Lia Goes de Moura, de 47 anos, trabalha com a produção de alimentos orgânicos na Fazendinha Pedaço do Céu. Neta de produtores de cana-de-açúcar e melancias na região de Palmeiras dos Índios, em Alagoas, e uma das fundadoras da Cooperativa Agroecológica dos Produtores rurais e de Água Limpa da Região sul de São Paulo (COOPERAPAS), ela trabalha em busca do fortalecimento da agricultura local, preservação do meio ambiente, redução da perda e desperdício dos alimentos, e o desenvolvimento rural sustentável.</p>



<p><a href="http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1313030/">Leia o relato no site da FAO.</a></p>



<p><strong>Sororidade em Rede: produção e comercialização para uma vida livre da violência</strong></p>



<p>É sob o sol do Sertão Nordestino que Jaciara Ladislau, conhecida como Kiki, realiza as atividades de casa, as atividades produtivas no roçado, a comercialização de sua produção na feira agroecológica quinzenal do município de Sento Sé na Bahia e coordena a Rede de Mulheres do Sertão do São Francisco.</p>



<p><a href="http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1314108/">Leia o relato no site da FAO.</a></p>



<p><strong>Vayrene Milhomem da Silva: produtora e agroextrativista gerencia agroindústria de polpas naturais em Tocantins</strong></p>



<p>Vayrene Milhomem da Silva é agricultora familiar e herdou de seus pais agricultores, há vinte anos, 135,5 hectares de terra. Hoje, a propriedade é conhecida como Fazenda São Jorge, e fica no município de Barrolândia, Tocantins. Antes de ser produtora, ela era comerciante, tinha um mercado local. Entretanto, desde que recebeu sua herança, se fixou no campo de onde não saiu desde então.</p>



<p><a href="http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1312739/">Leia o relato no site da FAO.</a></p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/96038-mulheres-rurais-indigenas-e-afrodescendentes-sao-essenciais-para-estrategias-de-recuperacao"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 09/10/2020 &#8211; Atualizado em 16/10/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-19 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Podcast discute a integração de crianças refugiadas no Brasil</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/podcast-discute-a-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/podcast-discute-a-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil/">Podcast discute a integração de crianças refugiadas no Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>No terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, produzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em parceria com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), o universo das crianças refugiadas é pautado, revelando elementos positivos das referências que as crianças constroem em sua rotina, assim como complexas questões de interações sociais, potencializadas pelo contexto da pandemia da COVID-19. O podcast está disponível no site do ACNUR e nos principais agregadores de podcast.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc389-csvd-acnur.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12370" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Crianças refugiadas são fotografas em um abrigo de São Paulo, sendo o tema do terceiro episódio do podcast Refúgio em Pauta, uma produção do ACNUR em parceria com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello.<br>Foto | Miguel Pachioni/ACNUR</figcaption></figure>



<p>Estar em situação de refúgio não é fácil para ninguém. Ter que deixar o país de origem em busca de proteção para reconstruir suas vidas em uma nova sociedade requer muita capacidade de adaptação e resiliência para superar os tantos desafios do processo de integração. Mas para um perfil específico, esse processo pode parecer simples, embora seja realmente muito complexo.</p>



<p>No terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, produzido pela&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/2020/10/08/terceiro-episodio-do-podcast-refugio-em-pauta-discute-a-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil/">Agência da ONU para Refugiados (ACNUR)</a>&nbsp;em parceria com a&nbsp;Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), o universo das crianças refugiadas é pautado, revelando elementos positivos das referências que as crianças constroem em sua rotina, assim como complexas questões de interações sociais, potencializadas pelo contexto da pandemia da COVID-19.</p>



<p>Na abertura do episódio, dados globais e nacionais do ACNUR e de seus parceiros são apresentados, evidenciando que as&nbsp;crianças representam cerca da&nbsp;metade do número de pessoas refugiadas&nbsp;no mundo e que as meninas refugiadas, em especial, têm menos acesso à educação do que os meninos e ainda têm&nbsp;metade da probabilidade de se matricular na escola&nbsp;quando chegam ao nível médio.</p>



<p>A primeira entrevistada do episódio é Vivianne Reis, diretora da ONG IKMR, organização parceira do ACNUR e que se dedica exclusivamente sobre o tema das crianças refugiadas em São Paulo. “Utilizamos a arte como principal ferramenta para acessar essas crianças, em um trabalho de ressignificar o mundo por todas as situações que elas vivenciaram”, afirmou&nbsp;Vivianne.</p>



<p>Na sequência, a conversa do podcast foi com três crianças refugiadas de diferentes nacionalidades que vivem em três capitais brasileiras: São Paulo, onde o jovem sírio Hohammad foi entrevistado; Rio de Janeiro, cidade em que vive a congolesa Maravilha; e em Vitória, onde o jovem venezuelano Adrian vive com sua família. Entre temas da conversa, estão seus sonhos, as amizades feitas no Brasil e as saudosas memórias de fortes laços sociais e familiares.</p>



<p>Na última entrevista do episódio, a psicóloga Ingrith Andrade, profissional que atua na Cáritas São Paulo, organização parceira do ACNUR, analisa o processo de chegada das crianças refugiadas no Brasil, destacando as principais dificuldades do aspecto de adaptação e os papéis que os pais e a escola desempenham no processo de acolhida das crianças e mesmo de suas famílias, pelos vínculos gerados.</p>



<p>O primeiro episódio do podcast, lançado em agosto, abordou a segurança alimentar de pessoas refugiadas em tempos de pandemia, um tema que fez com que o ACNUR e seus parceiros revessem seus planejamentos e ações emergenciais. Já o segundo, disponível desde o mês passado, apresentou o tema dos indígenas venezuelanos que chegaram ao Brasil em busca de proteção internacional e de seus direitos básicos, como moradia e alimentação, agregando novos valores e conhecimentos tradicionais à sociedade brasileira.</p>



<p>Os episódios do podcast “Refúgio em Pauta” são lançados previamente no site do ACNUR, no endereço&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/podcast">www.acnur.org/portugues/podcast</a>. Sugestões de temas e comentários sobre os episódios já produzidos podem ser enviado para o email&nbsp;<a href="mailto:pachioni@unhcr.org">pachioni@unhcr.org</a>.</p>



<p>Contribuíram para a produção do terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, por parte do ACNUR, Miguel Pachioni e William Laureano; pela PUC-Minas o Professor Duval Fernandes; pela UFES a Professora Brunela Vincenzi; pela UFSM o Gianlluca Simi, a Professora Giuliana Redin e a Nathália Costa; e pela UNICAMP, Mariana Hafiz.  As vozes das vinhetas do podcast são gravados pelos músicos refugiados Leonardo Matumona (da República Democrática do Congo) e Oula Al-Saghir (Palestina/Síria).</p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/95013-podcast-discute-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 09/10/2020 &#8211; Atualizado em 09/10/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-20 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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