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	<title>Arquivos Trama - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Um café</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 May 2024 19:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 195]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Giovana Erthal </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>sai com celular em mãos, fala que vai tomar café, porque o cheiro de um passado ali na hora te deu vontade. você quer uma quenturinha nos lábios, na ponta do nariz, descendo a garganta e te tomando o peito. você quer também é passear pelo prédio, deixar de lado as tarefas que te deram, ver outras gentes, não aquelas que te cercam toda manhã, que te criticam pelas costas toda noite. você sabe o que elas dizem e com quem elas dizem. você só não se importa, porque também fala mal deles todos. porque os despreza, esses tão desinteressantes e mesquinhos, que fazem um trabalho medíocre, um que você chega a se envergonhar quando contribui, já que em pouco daquilo você acredita. você não se quer perto demais desses, a distância é amiga. basta de gente ruim na sua vida. você deseja uma convivência apenas respeitosa ali, nada mais. não almeja ser de grupinho, ser das saídas a cada quinta, não quer ser próxima dos homens que traem suas esposas. não quer contato para além do prédio. e, por isso, você tira uns minutos, uma meia hora ou mais, a cada turno, a cada dia, para descer o elevador e tomar um café. e bebe num copinho de plástico num ritmo tão vagaroso. bebe às vezes sem comer nada, mas se distrai com a música do celular. enfia os fones nos ouvidos, se enfia num outro mundo, e continua a bebericar, pequenos e pequenos goles, tipo o beija-flor que pousa no bebedouro da casa da sua mãe. o bichinho que vez ou outra para lá, dá uns beijinhos na água e vai embora. e daí, quando um outro para, você decide acreditar que é o mesmo que há uns dias parou. não te importa que a cor das asas seja diferente, que esse seja maior, você o chama pelo mesmo nome. você diz “zezin, por aqui de novo?”. e o pássaro não responde, só bebe e vai, mas isso para você é resposta que basta. você dá tchau com a mão esquerda, porque a direita segura o paiol aceso. você fala “até a próxima, zezin” entre os últimos tragos e tem fé que voltará a vê-lo. na verdade, você quer acreditar que voltará a ver e a falar com o zezin. e isso você sente como necessidade, você precisa que a cena se repita. porque a sua vida está uma bagunça, no trabalho e na faculdade e no amor. necessita que o zezin volte com sede, porque é a única constante boa da sua vida. o resto está revirado, as amizades têm dado as costas, você se derrama aos outros, inconveniente e intrusa, e sente que ninguém te entende, ninguém quer te ouvir, ninguém te dá colo. e você não percebe que todos te escutam, mas você não ouve ninguém. não vê quantos te chegam com amor, de braços abertos, e você enrola a todos. você não sabe se decidir, tampouco quer. você quer todos esses braços e abraços para si, não aceita que só deve ter um. você devolve a eles uns respingos de amor, uma coisa tão pouca de atenção, uns farelos que não matam a fome, apenas dão mais vontade. é assim que você os convence a ficar, você os seduz a ponto de permanecerem onde não cabem todos. só há espaço para um, você sabe disso. você escolhe um, sem avisar aos outros. a esses, o silêncio. você não menciona o escolhido, você não o trata como parte da vida, mas ele é. daí aos poucos, esses outros, os rejeitados de amor, percebem, entendem o que se passa. eles notam que há um que te toma, que te comove como eles não sabem fazer. indagam as razões para continuarem ali por uma pessoa que não os quer, não de verdade. e quando decidem ir embora, feito o zezin, só que eles não se saciaram de água, eles ali somente tiveram mais sede, quando eles tomam outro rumo, você se agita. você não se permite abrir mão deles. você não os quer longe, mesmo que não os deseje tão perto assim. você os quer como admiradores, como refúgios de um ego muito ferido seu. você adora ser adorada. você se excita com o tesão que os outros sentem por você. você sabe como fazê-los mudar de ideia. sabe bem, não te é esforço algum. você os chama, entra em contato, manda uma coisinha ali, outra aqui, é mínimo, é sutil, é apenas uma marca da sua presença, é também um lembrete e um pedido para que eles não se esqueçam de você, afinal você ainda está ali. você faz isso na sua própria frequência e do seu próprio modo, não importa muito o retorno que tiver. você continua, continua e continua. você os atrai, alcança o objetivo. e quando esbarra com eles, você esboça um sorriso que é lido como singelo, você toca nos braços deles de jeito muito suave, e você os encara nos olhos e diz ‘aparece qualquer dia para tomarmos um café’. </p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Giovana Erthal </strong></p>



<p>é niteroiense e cursa jornalismo na UFJF. Suas influências variam com o tempo e o humor.</p>
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		<title>Só não existe o que não pode ser imaginado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Dec 2022 18:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 152]]></category>
		<category><![CDATA[10anosBodoque]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando eu era pequeno,  não sabia exatamente o que queria ser quando crescer. Na realidade, pensando sobre isso nos dias de hoje, percebo que muitas perguntas são tão intangíveis para nós quando crianças, que, mesmo adultos, não somos capazes de dar conta da sua real profundidade.&nbsp;</p>



<p>Tratando do<em> ser quando crescer,</em> pra ser sincero, eu acho que nunca tive uma dimensão concreta sobre o tema. Eu já disse querer ser bombeiro, astronauta e uma infinidade de clichês heróicos que as crianças são estimuladas a cultivar, mas, de maneira geral, tenho a impressão de que nunca tive qualquer pensamento sobre uma projeção real do futuro, tenho pra mim que minha visão sobre a vida sempre foi presente. </p>



<p>Quando criança, eu não pensava sobre os meus pensamentos. Esse nível de abstração é algo que só percebi que existia décadas depois. É fato que agora me ocupo de pensar sobre o pensamento quase em tempo integral, é como se eu fosse um espectador dos movimentos que minha consciência faz, mesmo sem ter certeza se eu sou a voz que fala na minha cabeça ou o corpo que a escuta, e é por esse motivo que tentar resgatar e investigar meus pensamentos de quando era criança tem sido um exercício extraordinário de pensar. E isso me proporciona elaborar outras infâncias possíveis. </p>



<p>Muito embora eu colecione lembranças, a maneira como eu pensava naqueles momentos se encontra empoeirada em algum canto esquecido das minhas memórias. Todas as vezes que tento lembrar de como eu pensava a respeito de algum determinado tema, é como se a trilha de volta tivesse sido encoberta por escombros dos mais variados modos de viver que tentei construir. Quando era adolescente, lembro de me divertir com um grupo muito querido de amigos da minha vizinhança, a gente jogava futebol na rua, dava inúmeras voltas no quarteirão, passeava pelas praças e jogava muita conversa fora, muito embora esse intervalo de tempo seja considerável na minha vida, eu não sei dizer o que pensava sobre minhas relações, sobre minhas aspirações sobre o futuro, sobre quem eu poderia me tornar, eu simplesmente não consigo me lembrar ou elaborar esse pensamento. É como se eu só vivesse. E esse é o ponto desse meu último texto pra Trama em 2022. </p>



<p>Desde 2012 a Bodoque tenta construir espaços de diálogo, produção e fruição artística em várias frentes. Nesses últimos 10 anos, colecionamos algumas conquistas e enfrentamos muitos desafios, como vocês bem sabem. Acontece que, olhando em retrospecto, tenho a impressão de que vivemos mais esse período do que pensamos sobre o que estávamos fazendo. Cada impulso criativo teve vazão no momento em que foi deflagrado e isso nos fez um polvo com múltiplos braços, que se agarrou no presente de cada ação, tentando aproveitar ao máximo sua potência de vida. Agora, me colocando como observador desse processo, vejo que a infância da nossa instituição cultural começa a desaguar em sua vida adulta, e somos capazes de projetar como queremos ser pelos próximos 10 anos. Temos muito o que viver e temos uma visão mais madura do que podemos ser. E talvez seja por isso que escolhemos a pureza da nossa infância como potência criadora para nossa vida adulta, queremos viver a beleza de sentir os futuros presentes com a consciência de que só não existe o que não pode ser imaginado. </p>



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<p><strong>Frederico Lopes </strong>é artista, curador e educador, graduado em artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora, especialista em gestão cultural pela FAGOC. Atuou no setor de curadoria e expografia do Museu de Arte Murilo Mendes de 2013 a 2017. Integrou a equipe de implementação do Memorial da República Presidente Itamar Franco, onde também trabalhou na curadoria e na coordenação da divisão de educação até 2021. É fundador da Instituição Cultural Bodoque Artes e ofícios (2012), da Revista Trama (2019), do Museu de Artes e Ofícios de Juiz de Fora (2020) e do Laboratório de Criação em Artes Visuais e Design (ARTELAB – 2020). É membro do Conselho Curador do Memorial da República Presidente Itamar Franco e suplente da vice-presidência do Conselho Municipal de cultura na cadeira de artes visuais. Também atua como designer na editora Harper Collins. É autor do livro: <em>Ensaios sobre Arte e Cultura </em>(2022).&nbsp;</p>
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<h3 class="has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background wp-block-heading">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



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		<title>Sobre aquilo que é essencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
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		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-left is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Como você vive?&nbsp;</p></blockquote>



<p class="has-drop-cap">Essa pergunta, aparentemente simples, acaba tomando novo significado diante do contexto de pandemia que experimentamos. Mais do que um ano atípico, 2020 foi um triste marco histórico que revelou, acima de tudo, a fragilidade e os verdadeiros problemas da nossa condição humana.</p>



<p>Sob a ótica da cultura, no Brasil, a resposta para essa pergunta banal traz para a superfície a <strong>dimensão desigual de nossos sistemas econômicos e arranjos sociais</strong>. Afinal de contas, a maneira como vivemos depende diretamente do contexto em que estamos inseridos. Por isso, a experiência do isolamento precisa ser analisada a partir de uma <strong>perspectiva humanista</strong>, a qual leva em consideração o fato de que grande parte da população brasileira suporta a penúria do risco imposto pelo vírus &#8211; que vem somada, por sua vez, ao <strong>empilhamento de riscos impostos à sua própria existência dia após dia.</strong></p>



<p>Sendo assim, o impacto da pandemia começa a ser desenhado acompanhando essas nuances, e o contraste da imagem produzida acompanha, infelizmente, esse contorno desigual. Inclusive, não é novidade que <strong>o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo</strong>. De acordo com o <a href="http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr_2019_pt.pdf">relatório de desenvolvimento humano divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento</a> (PNUD), o Brasil alcançava, já em 2019, o sétimo lugar no ranking mundial. Nesse sentido, com uma tremenda desigualdade consolidada ano após ano em rankings e estatísticas, com patologias sociais arraigadas no tecido social (como o racismo) e com um ambiente político fragmentado e beligerante, temos aqui, infelizmente, <strong>a fórmula para um cenário de tragédia de grandes proporções.</strong></p>



<p>Muito embora a descrição acima não seja nem um pouco otimista, estamos propondo pensar o isolamento como agente catalisador de pensamentos e questionamentos sobre <strong>aquilo que é, de fato, essencial em nossas existências</strong>. Isso porque a pandemia trouxe à tona uma sensação de fragilidade que há muito tempo estava esquecida, disfarçada entre os avanços da medicina moderna, o conforto da tecnologia e a distração da conectividade. Essa fragilidade exposta pelo vírus nos colocou diante de um apanhado de incertezas &#8211; as quais, certamente, ainda vão se arrastar por alguns anos da nova década.&nbsp;</p>



<p>Partindo dessa premissa, podemos entender que a percepção do impacto do vírus se construiu de acordo com esse sistema de gerenciamento de riscos nas castas sociais. Aos que gozam do conforto daquilo que é supérfluo e que se acostumaram com a estabilidade ilusória construída com base nessa estrutura desigual, a pandemia se apresentou como um risco com o qual sua posição social não o preparou para experimentar, gerando reações intensas de <strong>medo e insegurança.</strong> Diga-se de passagem, o impacto dessas reações foi rapidamente superado pelo tédio da quarentena&#8230; (nesse ponto, cabe aqui abrir um parênteses: <strong>não vamos tomar como exemplo a manada de radicais de direita.</strong> Estamos falando de pessoas comuns, que se acostumaram a seus privilégios, certo?). Pois bem, de qualquer forma, o início da experiência da pandemia trouxe <strong>questionamentos sobre o próprio modo de vida</strong> com um nível de profundidade que o cotidiano nunca foi capaz de contemplar, lançando luz sobre qual é, de fato, o mínimo essencial para o exercício da vida com dignidade.</p>



<p>Por outro lado, aos que se encontram na periferia dessa sociedade, a necessidade de conviver com o medo de ser acometido pelo vírus precisou dividir espaço com o <strong>medo diário de não conseguir suprir as necessidades básicas de sobrevivência</strong>. Ou seja, existe um empilhamento de crises, tensões e incertezas que são potencializadas pelo contexto de pandemia e endereçadas ao cotidiano de grande parte da população, o que fica evidente quando tomamos como exemplo a questão das tensões raciais. De acordo com Isabel Santos Mayer, educadora e ativista dos direitos humanos, <a href="https://www.instagram.com/tv/CByrj3bhGAn/">durante o bate-papo no evento <strong><em>Trama: troca de saberes em Arte, Cultura e Criatividade</em></strong></a>, ser negro no Brasil é se enquadrar, desde o nascimento, em um <strong>grupo de risco</strong>. A coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) também aponta a estrutura necropolítica em que vivemos como principal combustível da barbárie econômica e social. Por esse motivo, a suposta <strong>reflexão sobre os rumos da própria vida, muitas vezes, se configura como uma constante</strong> para essa parcela da população &#8211; e o vírus foi responsável por trazer apenas mais uma modalidade de preocupação, além, claro, de amplificar em níveis extremos as demais variáveis dessa conta.</p>



<p>Colocados esses dois cenários e projetando sua intersecção como metodologia para obter a resposta para a ordinária pergunta com que começamos esse texto, vou recorrer à potência do fenômeno da arte para comunicar algumas reflexões.</p>



<p>O premiado fotógrafo <a href="https://www.aleruaro.com.br">Ale Ruaro</a> é conhecido por desenvolver projetos artísticos que tratam <strong>a fotografia como força humanista,</strong> colocando seu olhar à serviço da investigação da condição humana em profundidade. Em sua série retratando moradores de rua no centro da cidade de São Paulo, há pelo menos 3 anos, o fotógrafo consegue dimensionar o contraste debatido nesse texto de forma eloquente e perturbadora.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13139" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery alignwide is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.755419999632%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13141" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13141" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5a24a-aleruaro_114701.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.244580000368%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13142" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13142" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6b18-aleruaro_116135.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13144" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13144" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d931-aleruaro_093851.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p>Tratando essa dualidade no contexto de pandemia exposto nesse artigo, o trabalho de Ale nos proporciona a oportunidade de nos submetermos ao <strong>impacto da indiferença</strong>, que invisibiliza pessoas em situação de rua e as coloca como trágicos ornamentos na fria paisagem urbana das grandes metrópoles. Por outro lado, ele também evidencia sua perspectiva humanista, sobretudo quando comparamos as fotos acima com as um de seus projetos mais recentes, em exposição virtual no Panteão do Memorial da República Presidente Itamar Franco. Na mostra <em><a href="http://mrpitamarfranco.com.br/n/panteao/e-agora-o-brasil-e-a-pandemia-de-covid-19-em-26-fotografias-de-ale-ruaro/">E AGORA?</a></em>, Ale se propôs retratar trabalhadores essenciais, pessoas que <strong>não tiveram a opção de entrar em quarentena</strong> por atuarem em atividades listadas como essenciais pelo poder público.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13149" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-gallery alignwide columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13151" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13151" class="wp-image-13151" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, 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class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13155" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13155" class="wp-image-13155" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, 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<p>As fotografias, que colocam no centro da imagem figuras humanas cujo trabalho é aquilo que supomos essencial para a manutenção da ordem social, trazem consigo a oportunidade de <strong>revelar a dimensão comum das concepções sobre aquilo que é indispensável e crucial para a vida</strong>. No entanto, das diversas maneiras de se exercer a vida no mundo em que vivemos,<strong> o essencial muitas vezes pode estar no esvaziamento de nossas convicções reificadas</strong>. Por isso, posto que a arte se encontra na esquina de nossas vivências e convenções estabelecidas, devemos destronar as nossas certezas diante de um mundo isolado e com medo. Para o desenvolvimento de uma percepção mais plural e solidária sobre aquilo que é essencial a partir de uma visão crítica sobre as distintas realidades apresentadas, precisamos sempre estar preocupados com as possíveis respostas que daremos para a pergunta: <strong>como você vive?</strong></p>



<div style="height:46px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;O que é verdadeiro sobre todos os males do mundo, também é verdadeiro em relação à peste.</em><br><em>Ajuda os homens a se superar.&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Albert Camus</strong></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>MORIN, Edgar. <strong><em>É hora de mudarmos de via: as lições do coronavírus</em></strong>. 1 edição &#8211; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020.</p>



<p><strong><em>The Next Frontier: Human Development and the Anthropocene. </em></strong>United Nations Development Program. 2020. Disponível em: <a href="http://report.hdr.undp.org/index.html">http://report.hdr.undp.org/index.html</a></p>



<p>MAYER, Isabel Santos. <strong>Antirracismo em bibliotecas comunitárias.</strong> Apresentação em live no evento Trama: Troca de saberes em arte, cultura e criatividade.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Frederico Lopes</strong> é artista, educador, encadernador e escritor. É fundador da Bodoque Artes e Ofícios. Atua como Editor-Chefe da Revista Trama e Diretor do Museu de Artes e Ofícios Bodoque.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
</div></div>
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		<title>Editorial &#8211; Por que lutamos?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/29/editorial-por-que-lutamos/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[luta]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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<p class="has-drop-cap">Definitivamente 2020 não foi um ano fácil. Muito embora ainda estejamos a pouco mais de um mês de seu fim, podemos imaginar que, em linhas gerais, não há horizonte otimista pela frente.</p>



<p>Em todo o mundo, vimos a maior crise sanitária dos últimos 100 anos devastar o empilhamento de convenções que lutamos para manter de pé. O cenário político que a pandemia encontrou, também não era o mais favorável. Após o fenômeno de ascensão de líderes de extrema-direita em inúmeros países, (entre eles o Brasil), o andamento da consolidação dessas estruturas políticas nefastas valida diariamente discursos de ódio contra minorias, modos de viver e pensar a vida, além de implementar uma retórica beligerante contra artistas e trabalhadores da cultura, tendo como mote o argumento da existência de uma guerra cultural, na qual lutamos sem ter escolha. Essa mesma retórica implementou a política da &#8220;vista grossa&#8221; para grandes latifundiários, grileiros e fomentadores do agro pop brasileiro, sendo responsável pela destruição de grande parte de nossas florestas e ricos biomas que lutamos por décadas para preservar. Outro fenômeno que ganhou força foi a banalização da violência, que, além de caracterizar homens e mulheres negras como grupo de risco, em seu cotidiano, desde o seu nascimento, ganhou força na omissão de figuras públicas em ataques e mortes que acontecem à olhos vistos, os quais lutamos tanto para evitar que ocorressem. Essa mesma banalização garante que povos indígenas tenham suas terras invadidas e suas existências minimizadas em prol de uma ideia de progresso que fomenta arquétipos que o mundo moderno lutou tanto para superar. Como podemos perceber, cada trajetória encontra seus próprios motivos para lutar, mas nem toda luta vale a pena. Cada batalha que pretende impor a sobreposição de uma cultura por outra através da violência não faz sentido em si. Cada vitória de quem luta pra oprimir tradições culturais que não fazem parte do escopo de sua base ideológica é, na verdade, uma derrota para o aprofundamento de nossa humanidade. Quem luta contra, poucas vezes percebe aquilo que realmente está a favor.</p>



<p>E por aqui, seguimos lutando, certos de que toda luta a favor da diversidade&nbsp; da pluralidade de maneiras de exercer a vida, do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas para mudança de olhares e transformação integral dos sujeitos, são lutas que sustentam o propósito de uma existência mais humanizada, digna e solidária.</p>



<p>A Equipe da Trama agradece cada autor que enviou a sua contribuição nesse ano de muitas lutas, pois graças a vocês, conquistamos muitas vitórias. Também somos gratos a cada leitor, para o qual dedicamos nosso esforço criativo. Estamos prontos para 2021.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Narrativas políticas e arquétipos do cristianismo: uma reflexão</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/narrativas-politicas-e-arquetipos-do-cristianismo-uma-reflexao-editorial/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Qual a distância que&nbsp;nos&nbsp;separa&nbsp;do&nbsp;que dizemos? Ou melhor: o que de fato precisamos fazer para&nbsp;<strong>alinhar nosso discurso à nossa ação</strong>?</p>



<p>Analisando a ascensão de correntes ideológicas que fundamentam os discursos da extrema direita no Brasil e no mundo,&nbsp; vemos diuturnamente a elevação da Fé e da moral judaico-cristã  <strong>capitalizada por interesses políticos</strong>. Ou pelo menos alguns elementos identitários destes grupos, melhor dizendo. </p>



<p>É claro que esse não é um fenômeno inédito na história da humanidade. Entretanto, ao buscarmos a compreensão da tradição cultural do cristianismo no contexto atual e sua constante necessidade de reinvenção e adaptação às transformações sociais, por exemplo, percebemos que o discurso capitalizado politicamente<strong> diverge do que seria a prática cristã segundo Cristo</strong>.&nbsp; Podemos até arriscar afirmar que esse&nbsp;seja&nbsp;o&nbsp;ponto&nbsp;crucial da&nbsp;<em>praxis</em>&nbsp;Cristã na&nbsp;contemporaneidade: <strong>entender o papel e o impacto da fé cristã em um contexto em que se discute questões como o racismo, a LGBTfobia, o empoderamento das mulheres e contra o autoritarismo</strong>. Isso porque, ademais das orientações institucionais que fundamentam as bases teológicas das igrejas em suas infinitas denominações, <strong>não existe&nbsp;fórmula para coerência</strong> nesse sentido.&nbsp;Inclusive, tratando-se de ética e moralidade, não existe um&nbsp;caminho em linha reta, em uma perspectiva geral, que seja bem definido&nbsp;e que dê conta das mazelas das existências em sociedade. Aliás, nunca houve. Não podemos nos esquecer da contradição dos cristãos que atestam a legalidade das guerras, da dominação de territórios, do assassinato dos povos indígenas, da escravização de pessoas (sobretudo homens e mulheres negras), dos fascismos, do apartheid&#8230; enfim, acho que se houvesse algum tipo de manual de ética e moralidade alinhado às ações, alguém já o teria usado.</p>



<p>Tratando o aspecto cultural da tradição cristã inserida no contexto atual, precisamos, antes de mais nada, entender que faz parte do processo de cognição humana consolidar padrões de comportamento a partir de suas referências para construir opinião,&nbsp;ou tirar conclusões&nbsp;acerca de determinado&nbsp;assunto/experiência.&nbsp;<strong>Esse constante confronto entre a experiência diária da vida com vivências e conceitos já fixados é o que faz com que continuemos nosso incessante processo de aprendizado.</strong> Acontece que, muitas vezes, o assunto/experiência em questão&nbsp;<strong>jamais foi, em qualquer momento, objeto concreto de análise&nbsp;e/ou reflexão.</strong>&nbsp;Ainda assim, é&nbsp;bastante&nbsp;comum nos depararmos com indivíduos que se sentem extremamente capazes de discorrer opiniões e se&nbsp;posicionar sobre todo fato&nbsp;ou&nbsp;acontecimento&nbsp;que lhes chega à sua percepção.&nbsp;Aliás, é preciso ressaltar que, na era da internet,&nbsp;das&nbsp;mídias&nbsp;sociais&nbsp;e das <em>fake-news</em>, o que existe é uma&nbsp;<strong>necessidade&nbsp;desesperada&nbsp;de posicionar-se e emitir opiniões sobre assuntos que sequer fizeram ou fazem parte da vivência individual em algum momento da vida.</strong> </p>



<p>A parte boa dessa história&nbsp;é nos apercebermos <strong>completamente cercados pelo contraditório</strong>, pela experiência de <strong>ter que lidar com a complexidade das relações e&nbsp;dos infinitos modos&nbsp;de se entender a vida.</strong> Por esse motivo, a&nbsp;possibilidade de se perceber errado em relação a algo deveria ser o maior combustível para continuar a busca pela verdade na prática religiosa &#8211; neste caso, no cristianismo.&nbsp;A&nbsp;parte ruim é que o que vemos, em grande parte, são indivíduos destituídos de pensamento crítico, cujas reflexões se estendem,&nbsp;como alcance máximo<strong>,&nbsp;pela&nbsp;superfície</strong>&nbsp;de&nbsp;todas as coisas.</p>



<p>Em&nbsp;consequência&nbsp;disto,&nbsp;parece haver uma <strong>barreira intransponível ao redor dos elementos que compões a identidade cultural cristã média</strong>, que se caracteriza essencialmente por seus costumes, mas que se encontra, ao mesmo tempo, cercada de mistério e ausências. Estatisticamente, uma grande maioria zela por convicções e ideologias sem sequer conhecê-las em profundidade, ao mesmo tempo em que defende pontos de vista que <strong>se consolidaram na esfera dos costumes</strong> e que nada têm a ver especificamente com a jornada de desenvolvimento da espiritualidade cristã &#8211; aliás, muitas vezes vemos pessoas capazes de agir em direção contrária a&nbsp;ela, sempre acreditando estar coerente. Convicção que muito se assemelha à dos fariseus, diga-se de passagem. Em comparação com indivíduos realmente engajados em refletir acerca das nuances práticas do dia-a-dia cristão no mundo atual, é possível afirmar que alguns agem de maneira proposital, se valendo de elementos identitários que se consolidaram como tradição cultural no cristianismo para buscar a criação de uma imagem pessoal daquilo que contemplam como ideal (em termos de comportamento) sem jamais ter tido de fato a intenção de&nbsp;vir a ser. Ou seja, trabalhar&nbsp;na superfície da imagem social do que é ser cristão tradicionalmente, oferece os benefícios de se pertencer à esse grupo, sem o ônus de ter a preocupação&nbsp;de s<em>er</em> em profundidade.&nbsp;Ou seja,&nbsp;<strong>aparentar&nbsp;ser o que se propõe&nbsp;já é o suficiente neste caso.</strong> Parece um bom negócio se tratando de política, sobretudo em um país em que mais de 80% da população se autodeclara cristã.</p>



<p>Por&nbsp;outro lado, não podemos desconsiderar que há também quem se esforce para seguir o caminho de um cristianismo em Cristo e <strong>tropeça  diariamente na&nbsp;conversão&nbsp;do discurso para ação</strong>. Neste ponto, infelizmente, precisamos entender a limitação de ser e estar no mundo. A incompletude do ser, que leva milhões de pessoas a procurar o refúgio espiritual no cristianismo, ao encontrar&nbsp;a ideia de Cristo em suas potencialidades, encontra&nbsp;também o imenso abismo que reside&nbsp;na impossibilidade de ser como Ele &#8211;&nbsp;uma vez que, segundo a própria teologia Cristã, <strong>é&nbsp;impossível&nbsp;para o ser humano ser&nbsp;bom,&nbsp;justo ou fiel, pois&nbsp;esta parte de&nbsp;si foi deixada&nbsp;nos limites do Jardim do Éden, após a transgressão do pecado original.</strong>&nbsp;Na&nbsp;Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo, em belíssima reflexão, coloca que:&nbsp;<em>Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem&nbsp;está&nbsp;em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse&nbsp;pratico.</em>&nbsp;(Romanos 7:18-19)</p>



<p>Posto isto, o que fazer? Se o que é dito não condiz com o que se faz. Se, ao tentar fazer o que se fala, o fracasso é o resultado esperado. Como obter paz nessa busca e alinhar as ações de forma eloquente ao que é dito/pensado?</p>



<p>Tomás de&nbsp;Kémpis, pensador&nbsp;cristão que viveu entre os anos de 1380 e 1471, no livro<em>&nbsp;A Imitação de Cristo,</em>&nbsp;&nbsp;apresenta uma possível pista da trilha que pode levar ao caminho da coerência na prática religiosa, ademais de sua instrumentalização como discurso político e sua simplificação prática enquanto tradição cultural:&nbsp;<em>Toda a nossa paz, porém, nesta vida miserável, consiste mais na humilde resignação, que em não sentir as contrariedades. Quem melhor sabe sofrer maior paz terá. Esse é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu.&nbsp;</em></p>



<p>Nesse sentido, há a aparente necessidade de entender que a Fé é, em si, uma questão de&nbsp;<strong>intencionalidade&nbsp;</strong>e que, em sua essência, é preciso regar toda e qualquer semente que torne cada ação verdadeira na esfera da intenção; e é importante não cristalizar qualquer prática que seja forjada&nbsp;meramente em convicções ideológicas, tampouco em tradições institucionais empilhadas em convenções de grupos que acreditam que seus costumes são, de fato, a realidade da fé Cristã. O que precisa ser entendido é que a <strong>eloquência de cada ação, consiste justamente no esvaziamento dessas convicções</strong> para que a prática cristã seja erigida na certeza de que Cristo é quem aponta o caminho, e que qualquer variável externa a isso deve se submeter à um código de ética em constante processo de adaptação &#8211; revisado, naturalmente, pelo exemplo de Cristo para a fé cristã. </p>



<p>Desse modo, supondo que a exegese diária da prática cristã impulsionar essa busca, as narrativas que flertam  com a dominação pelo medo, adornadas por pautas de costumes que se valem de arquétipos culturais do cristianismo, podem começar a perder força, enquanto <strong>o indivíduo ganha autonomia em sua jornada espiritual e intelectual, </strong>podendo, finalmente, se tornar capaz de extrair coerência nas próprias ações dentro desse contexto. Sendo capaz de olhar pra si e para sua jornada espiritual identificando projetos de poder que distorcem a verdade de sua busca, além de compartilhar suas vivências artísticas e culturais dentro de um cenário complexo culturalmente e humanamente diversificado e plural.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p></p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p><p></p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Editorial &#8211; O ofício das Artes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nessa semana a Bodoque iniciou as atividades do seu <strong><a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Museu de Artes e ofícios</a></strong> nas redes sociais. É certo que ainda não temos uma previsão concreta para a inauguração do espaço no meio virtual que disponha de um site robusto onde podemos começar a disponibilizar nosso acervo digital, mas, ainda assim, demos um importante passo.</p>



<p>Desde que iniciamos o processo de reposicionamento da marca, a Bodoque tem deixado de ser conhecida apenas como um atelier de encadernação e experimentações artísticas para dar lugar à uma imagem e atuação de Fundação Cultural, ou melhor dizendo, uma Instituição Cultural. Começamos com a Trama a 52 edições atrás, e já implementamos nossa estamparia, estúdio de design, produtora de conteúdo para o youtube &#8211; BodoqueTV e para plataformas de streaming em formato de podcasts e o Fundo Cultural Bodoque. Além disso, estamos caminhando para começar as atividades ainda esse ano da editora, da nossa escola de artes e ofícios e finalmente do Museu de Artes e ofícios Bodoque.</p>



<p>Todas essas novas atividades da Bodoque, na realidade, se configuram como a realização de antigos anseios individuais e coletivos, de pessoas que sempre enxergaram na arte e na cultura, valiosas ferramentas para mobilidade social e transformação de olhares e visões de mundo.</p>



<p>No caso do Museu, temos uma missão específica em questão: pesquisar, preservar e comunicar a memória dos ofícios artísticos e artesanais que se estabeleceram por meio da relação mestre e aprendiz na região da zona da mata, buscando traçar um itinerário de práticas, relações e linguagens com o objetivo de salvaguardar valores culturais presentes em tais ofícios para a promoção da dignidade humana, da universalidade do acesso, do respeito à diversidade cultural, da democratização de saberes artísticos, históricos e sociais presentes nessas práticas.  Isso porque o valor do trabalho se encontra presente em um processo que muitas vezes corre à revelia do olhar de quem adquire determinado objeto, bem ou serviço. Mais do que isso,<strong> o trabalho é um valor em si</strong>, cuja herança cultural demonstra a riqueza da trajetória de cada indivíduo pela vida, deixando, de certa forma, sua contribuição para a coletividade humana.</p>



<p>Por isso, ao buscar constituir um acervo expressivo, físico e digital, a partir da documentação de regitros audiovisuais dos atores sociais envolvidos em ofícios artísticos e artesanais na região da Zona da Mata pretendemos, através da preservação e divulgação dos saberes tradicionais que compõe a identidade cultural da região, estabelecer um diário cultural do trabalho em sua riqueza e diversidade.</p>



<p>Se você se interessou pelo projeto do MAOB, siga nosso perfil no <a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Instagram</a> e acompanhe o andamento do nosso trabalho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a9005-04.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10910" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Editorial &#8211; O ano que tramamos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2020 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 050]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Hoje acordei pensativo e distante. Eu sei que, para quem se dedica à atividades intelectuais e criativas, isso poderia ser considerado uma terça-feira&#8230; no entanto, devo dizer que hoje é por um motivo especial.</p>



<p>Há exatamente um ano atrás, eu estava lançando a primeira edição da revista Trama: Arte, Cultura e Criatividade, pela Bodoque. Para falar a verdade, talvez tenha sido o início mais despretensioso de todas as iniciativas que já realizei pelo atelier (hoje, instituição cultural). Me lembro como se fosse hoje, das motivações iniciais que me inquietaram e me impeliram a implementar esse projeto. Na ocasião, uma frustração crescente acompanhava a escalada dos ataques à cultura na esfera política, sobretudo no que diz respeito a governança nacional. Posso dizer, com tranquilidade, que apesar do desânimo à época, sempre acreditei na mobilização e na integração social para conquistar força e coesão na defesa de suas pautas. No meu caso, a defesa da Cultura e das Artes como campo do conhecimento.&nbsp;</p>



<p>Essa motivação integradora sempre foi o combustível principal de minhas atividades. Desde o início de minha carreira como trabalhador da cultura, busquei encontrar caminhos para que essa mobilização encontrasse solo fértil para florescer. Por outro lado, devo dizer também que essa luta sempre me pareceu muito solitária, e que os esforços para unir os fios no campo das artes, aqui em Juiz de Fora, encontravam diversas barreiras. Confesso que, diante do ego artístico somado à dificuldade de alinhar objetivos em comum, o sonho de criar perspectivas mais solidárias e capazes de estabelecer estruturas mais colaborativas de trabalho, muitas vezes, me pareceu perda de tempo.&nbsp;</p>



<p>Mas nessa caminhada, conheci muitos artistas, intelectuais e trabalhadores da cultura comprometidos com seus projetos, que se doaram para iniciativas coletivas propostas por suas próprias instituições, pela Bodoque, ou por outras instituições culturais públicas da cidade, como o Museu de Arte Murilo Mendes ou Memorial da República Presidente Itamar Franco. Além disso, em tantas outras iniciativas também tive a oportunidade de acompanhar como observador, ou de atuar como coadjuvante, emprestando minha força de trabalho em prol do beneficio comum e da valorização da Cultura, como os demais integrantes.</p>



<p>Embora muitas dessas empreitadas tivessem logrado êxito, ainda me sentia frustrado com a falta de estruturas e movimentos que pudessem efetivamente criar uma rotina colaborativa de ações artísticas em prol da valoração da arte e dos profissionais da cultura em caráter permanente. E é por isso que acordei pensativo e distante no dia de hoje.&nbsp;</p>



<p>Passado um ano da primeira edição da revista que fundei os alicerces, fico impactado ao ver que uma construção suntuosa e imponente se ergueu. Não por minhas próprias mãos. Sua arquitetura só foi possível porque a proposta foi bem sucedida em sua missão de busca por integração. Logo, diferentemente das primeiras edições, (em que eu virava noites trabalhando para engajar artistas a cederem suas contribuições, editando, revisando, criando as artes e toda a identidade visual, bem como a questão técnica da plataforma digital), hoje, sete pessoas emprestam sua força de trabalho e suas identidades voluntariamente para a permanência do projeto, além de centenas de artistas, intelectuais e trabalhadores da cultura em geral que enviam suas contribuições para a revista fortalecer a revista.&nbsp;</p>



<p>Assim, diferente da perspectiva caseira e provinciana das primeiras prospecções, hoje podemos fazer contatos institucionais com a autoridade de quem faz um trabalho de excelência, dando o máximo de seu potencial. E essa determinação e suor do trabalho, ela é observável na delicadeza e no cuidado de cada nova edição que vai ao ar.&nbsp;</p>



<p>Hoje, com quase 500 contribuições disponíveis para consulta e pesquisa na plataforma da revista Trama, percebo que o meu sonho de integração nunca foi solitário. Percebo que nossa luta diária para proporcionar um espaço de diálogo acessível, democrático, inclusivo, representativo, e, sobretudo, comprometido com a defesa da importância da arte e da cultura, carrega muitas vitórias coletivas. Isso porque <strong>a arte e a cultura são sim responsáveis pela transformação de olhares, para a ascensão social e econômica e para construção de uma sociedade mais justa, mais digna, mais verdadeira e plural</strong>.</p>



<p>Agradeço com o coração cheio de alegria, meu irmão Henrique, o Kariston, à Carol Stabenow, o Pedro, a Carol Cadi, a Deborah e a Lorraine, por acreditarem na potência da revista e no cumprimento de sua missão através dos seus esforços de trabalho. Agradeço à minha esposa Poliana, por suportar os domingos em que estive e estarei ausente, comprometido com a empreitada. Quero agradecer a cada autor que se solidarizou com a nossa causa, e contribuiu pra construção do nosso acervo de edições. E agradeço a você leitor, que acolheu a Trama aos domingos como fonte de informação e conhecimento. É isso o que faz com que tenhamos a plena sensação de que estamos realmente fazendo alguma diferença através desse projeto, transformando vidas e olhares através da força da Cultura.</p>



<p>E por falar em mudança de olhar, gostaria de completar dizendo que eu também já não sou mais o mesmo. Estou 50 edições à frente de mim, porque, no ímpeto de transformar olhares através da Trama, quem teve o olhar transformado fui eu.&nbsp;</p>



<p>Que tenhamos mais cinquenta anos tramando! Que sejamos grandes, fortes e unidos pelo amor à vida, às artes e à liberdade!</p>



<p> <strong>Viva a Trama viva de nossas vidas!</strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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