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	<title>Arquivos Ano 003, N 076 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Reconhecer Brasis é para Ontem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[AmarElo]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[resistência negra]]></category>
		<category><![CDATA[vivências negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>É tudo pra ontem</em>. Esta ideia se refere a parte do título do documentário lançado por Emicida no final do ano de 2020. Este trecho, sem nenhuma outra associação, se mantém aberto sobre o que tem necessidade de receber a nossa atenção “pra ontem”, ou seja, o mais rápido possível. Ao contextualizá-lo com a narrativa do documentário, entendemos o que a pessoa que escolheu o nome do documentário, junto com roteirista e equipe de produção, entende que precisa receber a nossa atenção “para ontem” ao discutir e refletir o Brasil.</p>



<p>É um documentário longo, denso, que traz para a sua construção diversos pontos que carecem de atenção individualmente. O filme se desenrola em cerca de 1 hora e 30 minutos e traz em sua narrativa, antes de tudo,  a trajetória de construção do álbum AmarElo (2019): apresentação das inspirações que foram imprescindíveis para a construção do álbum, bem como do cantor enquanto sujeito e das subjetividades que o atravessam. Quanto a outros elementos presentes no documentário, pode-se destacar discussões políticas, sociais e culturais que se aproximam do debate sobre a população negra do Brasil. O documentário se apresenta como uma outra perspectiva de Brasil, a qual não tem presença nos espaços oficiais quando se reflete algum aspecto do país em que vivemos, sejam eles sociais e/ou educacionais. Dessa forma, esta produção se une a outros dispositivos &#8211; que aqui entendemos como dispositivos de educação não formal -, como por exemplo, o desfile da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira quando no seu enredo para o ano de 2019, se propõe a questionar <em>A história que a história não conta<a href="#_ftn1"><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></a></em>, disputando no espaço público a ideia de outros Brasis.</p>



<p>Após mais de um mês de lançamento, é possível nos depararmos com algumas discussões, críticas, análises e <em>threads </em>rondando os temas que são apresentados no documentário. A intenção aqui não é promover uma resenha crítica ou resumo do documentário, entendendo que este movimento já foi feito anteriormente, por diversas pessoas, sejam negras ou não, elogiando ou apontando pontos que são críticos e carecem de atenção. Acredito que este espaço se apresenta, antes de tudo, como oportunidade de manter este instrumento no debate público, circulando, promovendo uma das funções ao qual entendo para o qual ele foi criado: apresentar outros Brasis. Portanto, tenho por intenção incentivar que vocês a partir de agora observem as minúcias daquela longa produção fílmica.</p>



<p>Ano de 1978, em meio a uma ditadura militar que perseguia e reprimia aqueles que consideravam adversários políticos e ideológicos do regime, algumas pessoas dissidentes da ideia de “democracia racial” &#8211; que era, até então, a interpretação oficial difundida sobre as relações sociais e culturais brasileiras no que tange às diversas raças, sociologicamente interpretadas, que constroem esta nação. Um grupo de pessoas se dirige à praça da Sé, em São Paulo, a fim de ler publicamente um manifesto. Como consequência dessas ações, formou-se o MNU (Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial).</p>



<p>Este não foi o primeiro movimento social, político, religioso ou cultural a ser formado principalmente por pessoas pretas. Na verdade, pode-se elencar a existência destes desde o período da colonização. Podemos interpretar estes sujeitos enquanto atuantes na sociedade em que estavam inseridos, por mais que submetidos a um sistema de violência e apagamento de suas subjetividades.</p>



<p>Este movimento social, formado em 1978 e relembrado pelo documentário, se constituiu como um dos principais motores para reivindicação do reconhecimento público da participação de pessoas negras na construção do Brasil enquanto nação. Na constituinte entre 1986 e 1988, havia reivindicações de pessoas ligadas ao MNU para a inclusão de demandas deste recorte populacional na carta, como por exemplo Abdias do Nascimento. Após a redemocratização, diversas pessoas públicas estiveram defendendo leis e projetos que apresentem outras perspectivas sobre pretos e pardos.</p>



<p>A proposta de revisão da História e da Cultura brasileira é uma das principais pautas de movimentos sociais. Reivindicações que chegaram a se transformar em leis. Como por exemplo a 10.639/03, que define a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura africana e afro-brasileira nos diversos níveis educacionais. Wanderson Flor do Nascimento, pesquisador de Filosofia Africana e professor da UnB, ressalta que a importância desta lei “<em>abriu espaço legal para que essas outras vozes pudessem ser trazidas de modo respeitoso, cuidadoso, para o espaço escolar, para além dos estereótipos racistas que circundam as pessoas negras</em>.” (NASCIMENTO, 2020, p. 39)</p>



<p>Este debate já existe dentro do espaço da academia há tempos. Novamente citando o desfile da Mangueira de 2019, o carnavalesco, ao ser questionado sobre a o embasamento para a construção do enredo, afirma que procurou por teses e dissertações<a href="#_ftn2"><sup>[2]</sup></a>.&nbsp; Há uma barreira que impede com que os resultados destas pesquisas cheguem à população em geral.</p>



<p>Dessa forma, é importante perceber a narrativa oficial sobre a história do Brasil e como ela não representa a população em geral. Perceber que, com o passar dos tempos, elementos que questionam as narrativas oficiais sobre a história do Brasil têm, cada vez mais, saído dos muros da academia e atingido espaços culturais de divulgação de informação em massa. Perceber que os Brasis estão produzindo por si suas próprias perspectivas do processo histórico e, assim, promovendo tensionamentos contra a imposição que há décadas tem sido feita. <strong>Perceber que a nossa experiência não se resume à experiência eurocêntrica é para ontem.</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> Trecho do samba enredo da escola.</p>



<p><a href="#_ftnref2"><sup>[2]</sup></a> Como foi citado pela apresentadora Fátima Bernardes, durante a transmissão do desfile na TV Globo.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/581c8-luan-pedretti.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13805 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva.</p>
</div></div>



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		<title>Um Evangelho Seguindo a Arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes mesmo de me tornar professor de Literatura e escritor postulante, eu já gostava bastante de ler. Hoje em dia, mais do que uma imposição profissional, a leitura é o meu principal <em>hobby</em>, um dos meus maiores e mais prazerosos prazeres quase solitários.</p>



<p>Sempre li muito mais textos em prosa que em versos; no ambiente da prosa, gosto mais das narrativas curtas (contos e crônicas, por exemplo) que dos romances. Entretanto, vem justamente de um grande romance, o meu predileto, a passagem que quero comentar. O livro é <em>O evangelho segundo Jesus Cristo</em>, do escritor português José Saramago, vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1998 – quando eu ainda estava na graduação. O trecho é o seguinte:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.&#8221;</em></p>



<p>Não quero e nem vou fazer aqui nenhuma análise literária dessa obra fenomenal. Basta dizer: é o melhor livro que li na vida (e olha que eu já li um bocado&#8230;) e, se o Pedro Bial afirmou que o único conselho dele que vale a pena seguir é para não deixarmos de usar filtro solar, o meu conselho mais relevante é esse: não vale a pena morrer antes de ler <em>O evangelho segundo Jesus Cristo</em>. Depois, pode até ser&#8230;</p>



<p>Mas preciso evitar mal entendidos: não existe a menor sombra de proselitismo religioso nessa minha sugestão. Repito: não há proselitismo religioso.</p>



<p>Até porque o Jesus Cristo de Saramago é amável por ser humano sobre todas as coisas. Ele tem medo, dúvidas, desejos&#8230; É um homem. Um grande homem e, por isso mesmo, uma personagem literária imensa, com um valor pedagógico impossível de medir cartesianamente.</p>



<p>Essa personagem é gigante desde seu nascimento vulgar, “como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio”. Veja só: Jesus Cristo nasceu sujo e sofrendo, igual a mim, a você que me lê, ao Saramago e a todo mundo. Não é só a morte que nos torna iguais, como popularmente se diz! A vulgaridade do nascimento também nos iguala a todos em humanidade. Isso não é lindo?!</p>



<p>Mas ainda, nunca foi isso o que mais me impactou nessa pequena passagem do Nobel português. O que sempre mais me impactou, e me impacta ainda mais hoje (quando vivo lutando com as lágrimas por causa da mistura de maternidade e violência urbana, neoliberalismo e pandemia, transtorno de ansiedade e COVID-19), o que me impacta ainda mais hoje é a ideia de que Cristo “chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo”. Me assusta muito pensar que fizeram um homem igual a mim chorar desde o nascimento até a morte. Uma vida inteira chorando.</p>



<p>De novo, pra não cair no esquecimento, não estou aqui falando do ícone tido como “filho de Deus” pelas vertentes religiosas que tomam por princípios dogmáticos os ensinamentos supostamente Seus. Não é desse “Deus-feito-homem” que estou falando &#8211; mesmo sabendo da dificuldade de separar com rigor as figuras e os fundos, dificuldade que também a mim atinge, afinal, também nasci num país católico apostólico <em>blá-blá-blá</em>&#8230;</p>



<p>Assusta pensar que não só a morte possa igualar todos os homens, e nem só seu nascimento, mas também o intervalo entre os dois eventos, ou seja: sua própria vida. Será que é essa a nossa sina? Viver para chorar ou, no mínimo, para lutar contra o choro? Será esse o preço e o ágio da existência?</p>



<p>Vendo pessoas sufocando no chão dos corredores hospitalares superlotados de Manaus, penso que sim. Desviando de pessoas tornadas zumbis em cracolândias em São Paulo, penso que sim. Assistindo a enterros de crianças mortas por balas perdidas nas comunidades pobres do Rio de Janeiro, penso que sim. Revivendo a Revolta da Vacina em pleno século XXI, penso que sim. Sofrendo em silêncio a cada vez que ouço sobre mais um caso de racismo, ou de feminicídio, ou de homofobia, de transfobia, de escravidão moderna&#8230; penso que sim, sim, sim, sim.</p>



<p>Mas logo depois me lembro de que fui evangelizado pela Arte, e de que confio na boa-nova que, embora velha, ela, a Arte, sempre nos pode trazer.</p>



<p>E assim, mesmo pensando que sim, somos homens e mulheres, choramos porque nos fazem chorar e choraremos sempre por esse mesmo e único motivo, embora pensando assim, digo pra mim mesmo: “Não. Penso, logo re-existo”. O evangelho segundo a Arte ensina: bem-aventurados os que dizem ‘não.’, porque é deles o reino da Terra.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
</div></div>



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		<title>BIXALEIJADA, ESPELHO CONVEXO DA FALTA EM CORPOS COMPLETOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Gay]]></category>
		<category><![CDATA[BixAleijada]]></category>
		<category><![CDATA[Capacitismo]]></category>
		<category><![CDATA[CripFag]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas com Deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Andy Coombs]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Atmosfera de quase noite. Verão?</p>



<p>Um corpo branco pelado, deitado em grama aveludada. Peito pra cima, ambas mãos sobre o torso. O jovem encara a câmera, me encara, nos inquire algo&#8230; Seu pescoço tensionando um movimento de aproximação. A superfície desse corpo é foco de luz surreal. </p>



<p>Farol de carro?</p>



<p>Lanterna de caça?</p>



<p>Uma ameaça.</p>



<p>Segue encarando com seus dois olhos fitos. A superfície acesa da pele pálida contrasta com linhas e manchas tatuadas; pintas, cicatrizes e pelos texturizam um tato orgânico. Da barriga, entre umbigo e púbis, brota um tubo que contorna o quadril, prendendo toda massa corpórea ao chão. Tensão entre inércias. A pulsão de vida na imagem. Série de sensações no meu corpo diante de outro corpo que me olha.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41286-talisson1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13772" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Numa biblioteca da <em>Yale University</em> (onde estudava na época), na lombeira pós-almoço, me deparei com o trabalho de <a href="https://www.instagram.com/robertandycoombs2/">Robert Andy Coombs</a> enquanto corria olhos pelo Grindr &#8211; ambiente em que fotografias pululam, mas onde não são habituais confrontos tão arrebatadores. O nome do perfil com essa foto pungente era <strong><em>CripFag</em></strong> = “BixaAleijada” em pejorativo português, homofobia e capacitismo cotidianos. Logo saquei: temos aqui um artista! Hackeando convenções de interação das masculinidades que se desejam e se repelem, conectam e bloqueiam. Tresloucada reprodução dumas coreografias falidas e fálicas. De recortes, julgamentos, projeções, mostra, esconde, vai-não-vai, já-foi.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7c1ef-talisson2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13773" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13773" class="wp-image-13773" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7cd1d-talisson3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13775" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13775" class="wp-image-13775" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Na descrição: mestrando em fotografia buscando modelos pro seu trabalho. Mandei ‘<em>hi!</em>’; me intimou num ‘<em>up for?</em>’. Em poucas horas, me encaminhava para a <em>School of Art</em>, onde ocorreria uma discussão sobre o <em>work in progress</em> desse artista que me atiçou tantas questões. Da audiência, pude ver mais quatro fotografias feitas pelo <em>CripFag</em> &#8211; não mais pela telinha, mas em grandes impressões em papel metalizado, iluminação de galeria.</p>



<p>Na cadeira de rodas, ele falou brevemente da obra, patentes explorações nas/das “interseções de ser um homem gay com deficiência e suas aventuras íntimas/sexuais” – como também diz em <a href="https://www.robertandycoombs.com/">seu portfólio online</a>. Fomos tomar café e seguimos trocando. Dois cis-gays unidos pelo Grindr, compúnhamos uma amizade com pitadas de curadoria. Conversas perpassando nossas experiências, cada qual num corpo, consigo e com outros corpos. Limites, estigmas e privilégios, estórias de vida e expectativas (sexuais)&#8230;</p>



<p>Frequentemente degringolando sobre as fotos que Robert maturava, e um vídeo que vinha editando. Sempre vida-arte-trabalho. Tratamos de como expor esse caminho. Tantas relações possíveis entre imagens, séries, delas com coisas do mundo, fora e dentro de cada pessoa. <strong>Pois todo mundo é num corpo! </strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jk4eupgHqXo&amp;ab_channel=let%C3%ADcialetrux">E todo corpo tem água&#8230;</a></p>



<p>Para minha primeira contribuição nessa Trama, não pude querer trazer outra coisa que não uma apreensão de inquietações desencadeadas em mim pelas intervenções de Robert. Reflexões afetivas sobre um trabalho artístico que venho acompanhando – sucessivas surpresas. “Quebrei o pescoço em 2009”, conta. Decorreu dum salto ornamental de trampolim. A ruptura traumática no milésimo dum segundo que o tornou tetraplégico veio a ser poeticamente eternizada em retratos de corpos soltos no nada. Captura inequívoca dum estado ambíguo entre queda e voo, série intitulada diretamente <strong><em>Fly/Fall</em></strong>.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1061-talisson4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13776" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Um ginasta jovem e abertamente gay entrou numa rotina médico-terapêutica com especialistas em cuidado do corpo que não se envolviam na dimensão do desejo, do prazer – fluidos que não se dissipam num estalar de vértebra – para “&#8230; me ensinar como meu corpo funciona sexualmente depois dessa mudança catastrófica”. Mas, <a href="https://vimeo.com/123177395"><em>Yes, we fuck!</em></a></p>



<p>Logo, “pornô em cadeira de rodas” virou chave de suas <a href="https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/19342039.2020.1706393?tab=permissions&amp;scroll=top">buscas por novas identificações</a> no mundaréu de vozes e visões online. Tampouco ajudou muito&#8230; E, depois de anos explorando(-se) no novo corpo, consigo, se lançou num universo sem mapas para encontrar outros caras desejosos de experimentar esse corpo com ele. A fotografia entre registro e poética das maneiras como esses contatos se deram, performando cuidado, intimidade, realizações de fetiches e tantas felicidades clandestinas que habitam corpos em desejo – ainda que nem as pessoas sem deficiência venham a explorar e tentar viver essas latências&#8230;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/35b2a-talisson5.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13777" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Alguns clichês de pornografia e erotismo resvalam a todo tempo em seus ensaios-experimentações com boys e a cam, articulados a repertórios do gozo que se escondem na falta de termos. E sua ‘mania’ de encarar a gente, indagar daquilo que temos dentro e se revira, se inquieta para tantos lados, fricciona a complexidade do desejo, da tatilidade libidinal que arrebata os olhos para além da imagem que ele põe no mundo.</p>



<p>Corpos de distintas cores, tônus e gestuais. Homens sem deficiência que posaram para sua lente compuseram coleção pessoal <strong><em>Bobby’s boys</em></strong>, enquanto autorretratos e fotos de outros homens com deficiência, seus corpos nus e extensões – aparelho auditivo, muletas e cadeira de rodas – formaram <strong><em>Disability and sexuality</em></strong>, exacerbando o tesão palpitante dessas corporalidades que escancaram a falta de algo, a iminência dela, e a força das fatalidades em tudo o que vive, do caos em escala genética e vivencial. Também nos encaram! <a href="https://www.revistaaskesis.ufscar.br/index.php/askesis/article/view/29">Não se resumem à deficiência</a>. Afrontam o como nos resumimos nós, pessoas sem deficiência, que muito menos sabemos da potência de habitar cada recanto do organismo em que vibramos.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d19cb-talisson6.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13779" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13779" class="wp-image-13779" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e2fa8-talisson7.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13780" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13780" class="wp-image-13780" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Hoje, Robert vive sua arte por Miami. Antes da pandemia, percorria orlas com a câmera no colo, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kxnSMYqntxM&amp;t=43s&amp;ab_channel=RobertAndyCoombs">capturando homens jogando e treinando seus corpos no horizonte</a>. Diferente do voyeurismo que conhecemos no Brasil pela <a href="http://bndigital.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/08/Catalogo-Alair-Gomes_expo-virtual.pdf">janela indiscreta de Alair Gomes</a>, Rio dos 1970, o <em>CripFag </em>traz seu corpo sobre rodas e sua voz carismática em contato direto com os fotografados. Ostenta a capacidade de se infiltrar na camada de saliência de corpos por aí, se apropriando dum poder oblíquo do esvaziamento libidinal que pessoas sem deficiência impugnamos sistematicamente a outras corporiedades. Robert Andy Coombs nos vira um espelho convexo, faz nítida a versão resumida com que nos contentamos em viver nossos corpos ‘tão capazes’ e ‘completos’&#8230;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1eee1-talisson8-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13784" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13784" class="wp-image-13784" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6593-talisson9-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13787" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13787" class="wp-image-13787" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Talisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>Sexualidade, sexo e cultura: esses termos podem andar lado a lado?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Ars Erotica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Não Monogamia]]></category>
		<category><![CDATA[Sciencia Sexualis]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciana Rodrigues</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos tempos, falar sobre sexualidade e sexo tem sido um grande desafio. Muitas vezes, parece que ensaiamos um retorno à Era Vitoriana, no qual o ato sexual só não era visto como imoral se fosse para fins reprodutivos. E tudo relacionado a isso que fugisse da heteronormatividade focada para fins biológicos era um problema &#8211; ou, ainda, doença.</p>



<p>Estamos vivenciando uma forte onda de conservadorismo, a qual ganhou muito fôlego nos últimos anos. Isso reforça, justamente, essas questões &#8211; seja em seus discursos, seja por meio de políticas institucionais para este fim (tal como não promover a educação sexual e de sexualidade para jovens). Por isso, dentro deste contexto, pode parecer estranho propor que sexualidade é, também, um traço da cultura; pois bem, a verdade é que a última influencia consideravelmente a primeira.</p>



<p>Afinal, sexo, sexualidade e cultura podem andar lado a lado? A resposta é: sim. </p>



<p>E, se isso é um choque, não é sem razão: são muitos anos pensando que sexo e sexualidade estavam ligados estritamente a questões biológicas. E, pior ainda: associando sexualidade obrigatoriamente aos atos sexuais. Perceber o que poderia ser &#8220;óbvio&#8221; pode realmente nos tirar do lugar comum e nos fazer repensar, até mesmo, nossas próprias convicções sobre esses conceitos.</p>



<p>Se nem mesmo as concepções sobre sexo são idênticas, variando culturalmente, imagine quando falamos sobre vivências de sexualidade (incluindo aqui a assexualidade, ainda é vista em nossa cultura como distúrbio ou patologia).</p>



<p>Esses temas, bem como o erotismo, estão presentes não apenas nas áreas de medicina, psicologia e biologia; mas também nas artes, na cultura e na política. Eles, de fato, perpassam nossa vida em diversos aspectos.</p>



<p>Por isso, a ideia aqui será abordar a sexualidade enquanto traço cultural, com curiosidades, histórias, reflexões e proposições que nem sempre serão confortáveis. Porém, elas são necessárias para que possamos compreender como estamos inseridos nisso e como as questões não são tão &#8220;naturais&#8221; como pensamos. Quer entender a dimensão disso? Veja a seguir alguns pontos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Não-monogamia</h3>



<p>Exceto nas discussões suscitadas no ambiente acadêmico e pelos adeptos da não-monogamia, pouco falamos sobre a monogamia não ser algo “natural”, mas sim uma criação que surgiu há cerca de 20 mil anos. Nesse período, deixamos de ser uma espécie nômade e passamos a nos fixar em propriedades, ado a monogamia como estrutura de relacionamento prioritária – e que vigora até os dias atuais.</p>



<p>Poucas espécies são, de fato, monogâmicas (apenas 5% dos mamíferos). O argumento é de que os primatas (entre eles, nós, humanos) temos proles muito frágeis e que exigem cuidados por muitos anos; assim, seria importante que indivíduos mais velhos zelassem pelo desenvolvimento do filhote. Contudo, para este fim, a poligamia não consistiria em empecilho. Por que, então, migramos para a estrutura monogâmica?</p>



<p>Os elementos culturais, econômicos e políticos têm uma força muito grande aqui. Afinal, os seres humanos são a única espécie que, culturalmente, geram herança de propriedade &#8211; ou seja, os bens dos pais passam para as gerações seguintes. A monogamia, assim, permitia facilitar o processo sucessório da propriedade privada (e reforçou, também, o surgimento da sociedade patriarcal, já que a sucessão era feita em torno dos bens do elemento paterno da família). Com o tempo, isso foi sendo reforçado através da moralidade judaico-cristã e da legislação criada com foco na economia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><em>Ars Erotica</em> e <em>Sciencia Sexualis</em></h3>



<p>Outro ponto que evidencia a intersecção entre sexualidade e cultura consiste das diferentes perspectivas que perpassam esses temas quando delimitada a separação Ocidente-Oriente. No Ocidente, sexualidade e sexo são fortemente associados &#8211; sendo, este último, composto por atos que envolvam genitálias (já que ele é, &#8220;naturalmente&#8221;, para fins reprodutivos). Por aqui, o conceito é encarado por um viés que dialoga com os conceitos de biologia e perpetuação da espécie (<em>Sciencia Sexualis</em>) &#8211; ou seja, como se o ato sexual fosse apenas para fins reprodutivos. Nesse contexto, o que foge desse objetivo final é “diferente”, “desviante”, “patológico” (vide o fato de que o fetichismo, a homossexualidade, a transsexualidade, entre tantos outros, estiveram presentes no CID-10 e DSM-4 por tantos anos). Sexo e sexualidade soam praticamente como sinônimos, limitando potencialidades libidinosas, além de excluir dessa área aqueles que não tenham desejo por sexo (tal como concebemos tradicionalmente), ou seja, a comunidade assexual (ace).</p>



<p>No Oriente, essa associação entre sexualidade e sexo já não é tão direta. Como Foucault aponta em sua obra &#8220;História da Sexualidade I: A Vontade do Saber&#8221;, nas culturas Orientais, predomina a noção de <em>Ars Erótica </em>(arte erótica), na qual compreende-se o sexo como uma forma de transcendência &#8211; muito mais ligada ao prazer, genuinamente falando, sem um interdito moral sobre o ato. Essa visão torna coerente encontrarmos, no Oriente, elementos como o Kama Sutra (que consiste em literatura religiosa hindu) e o Tantra (tradição do hinduísmo e do budismo, no qual as práticas sexuais possuem funções ritualísticas, como meio de transformação da divindade interior, colocando o sexo como um dos muitos aspectos da vida, indo além da procriação).</p>



<p></p>



<p>Esses foram dois exemplos simples para introduzir os temas que serão abordados aqui nas próximas edições. Precisamos encarar a sexualidade como um traço cultural &#8211; e, como uma influencia a outra, precisamos também enxergar as construções culturais sobre a sexualidade enquanto o que são, e não enquanto aspectos &#8220;naturais&#8221; da biologia humana.</p>



<p>Por muitas vezes, este é um caminho espinhoso; por outras, é libertador. O peso de não estar “adequado” ao “natural” imposto pela sociedade pode ser um sofrimento constante. E, por isso, estamos aqui para discutir e tentar desconstruir questões dolorosas para nós e para tantos outros. Vamos juntos nisso?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bde16-luciana-rodrigues.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13815 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciana Rodrigues </strong></strong>é doutoranda em Ciências Humanas e Sociais e defensora de uma educação sexual consistente e responsável. Idealizadora do projeto Hacking Sex (<a href="https://hackingsex.medium.com">Medium</a> e <a href="https://www.instagram.com/hackingsex/">Instagram</a>).</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] GUILHERME MELICH &#8211; A PINTURA PREVALECE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Bate-papo]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Melich]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda temporada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p>Na segunda temporada do nosso podcast, começamos a experimentar novos formatos e metodologias e, seguindo um tendência mundial, adotamos o bate-papo com artistas e trabalhadores da cultura de Juiz de Fora. Optamos pelo novo formato por conta da fluidez e da dinâmica no tratamento dos temas. </p>



<p>No episódio de hoje o artista e músico Guilherme Melich conversa um pouco com o Fred sobre seu trabalho com a pintura, sobre os desafios da pandemia e sobre várias outras coisas. </p>



<p>Se você ainda não for inscrito, inscreva-se no nosso canal do youtube e ative as notificações! Ajude a Bodoque a continuar crescendo na plataforma!</p>



<p>Aperte o play e boa audição!<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bate-papo com o artista Guilherme Melich - Bodoque Podcast #002" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/Ie6kJA7Sx7Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
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		<title>Dia da Visibilidade Trans: 175 pessoas foram mortas no Brasil em 2020 em razão da transfobia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Transfobia]]></category>
		<category><![CDATA[Visibilidade Trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Pelo menos 175 pessoas trans foram mortas no Brasil no ano passado, em razão da transfobia —&nbsp;um aumento de 41% em relação ao levantamento do ano anterior, colocando o país no triste topo do ranking mundial deste tipo de crime.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>O número tende a ser ainda maior se considerada a subnotificação dos casos e a falta de dados oficiais.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Os dados constam de&nbsp;dossiê divulgado nesta sexta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans, pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/05857-capaonu.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13810" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto | UNFE</figcaption></figure></div>



<p>Pelo menos 175 pessoas trans foram mortas no Brasil no ano passado, em razão da transfobia —&nbsp;um aumento de 41% em relação ao levantamento do ano anterior, colocando o país no triste topo do ranking mundial deste tipo de crime. O número tende a ser ainda maior se considerada a subnotificação dos casos e a falta de dados oficiais. Os dados constam de&nbsp;dossiê divulgado nesta sexta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans, pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).</p>



<p>Saman Ferreira, um homen trans negro de 23 anos e defensor de direitos humanos, relata o medo da violência e das ameaças.&nbsp;“Ninguém nunca me agrediu fisicamente. Não com socos, tapas e coisas assim. Mas a violência verbal que eu sofro constantemente acaba sendo tão dolorosa quanto — e eu já passei por agressões desse tipo em diversos espaços e momentos, como nos ônibus ou em banheiros públicos, por exemplo. Eu sempre tento fugir dessa violência porque tenho medo. Não costumo confrontar, porque eu entendo que por mais que a gente tenha de lutar pelos direitos humanos e, sobretudo pelos direitos das pessoas trans, a gente precisa permanecer vivo pra isso”, conta.</p>



<p>Keila Simpson, representante da ANTRA, ressalta que o número de mortos representa uma vida interrompida pela transfobia.&nbsp;“Estamos falando de algo que choca o mundo todo. De acordo com o nosso levantamento, no ano passado o Brasil ficou mais uma vez no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, pelo 13º ano consecutivo. Essa alcunha de país que mais mata pessoas trans no planeta precisa acabar”, afirma.</p>



<p>O detalhamento dos dados do dossiê expõe também o racismo estrutural e a violência de gênero no Brasil. De acordo com a ANTRA, 100% das mortes reportadas são de travestis e mulheres trans, ou seja, que expressam o gênero feminino, e pelo menos 78% foram identificadas como pessoas negras. A vítima mais jovem registrada tinha apenas 15 anos – marco que foi quebrado já na primeira semana de 2021, quando uma adolescente trans de apenas 13 anos foi espancada até a morte no Ceará.</p>



<p>Segundo o dossiê da ANTRA, 77% dos crimes que levaram a mortes de pessoas trans no ano passado foram executados com algum traço de crueldade.</p>



<p>Os resultados mostram que a pandemia da COVID-19 não amenizou a violência contra pessoas trans. Pelo contrário:&nbsp;os números aumentaram nesse período. Em&nbsp;<a href="https://undocs.org/A/75/258">relatório</a>&nbsp;apresentado em dezembro de 2020 pelo especialista independente da ONU em orientação sexual e identidade de gênero, Victor Madrigal-Borloz, apontou que a pandemia tem tido um impacto desproporcional sobre a população LGBT.</p>



<p>No contexto de isolamento e distanciamento físico, o espaço doméstico pode ser particularmente hostil para pessoas trans. Além disso, grande parcela dessa população sobrevive do mercado informal e não tem condições financeiras mínimas para seguir os protocolos de saúde, sendo forçadas a uma exposição maior ao vírus.</p>



<p>A vulnerabilidade se agravou com a pandemia, mas não é novidade. Mulher trans de 31 anos, Suzane Rodrigues conta como a falta de apoio da família tornou a sua vida bem mais difícil depois que ela se assumiu, há quase duas décadas.&nbsp;“Eu me descobri uma mulher trans aos 12 anos de idade. Naquela época, eu vivia com minha avó e foi bastante complicado, porque ela me tirou diversas coisas, me proibiu de andar com as meninas, me levou ao psicólogo, ao psiquiatra, achando que eu estava ‘maluca’”, conta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Decidi sair de casa aos meus 16 anos e naquele momento escutei que as portas nunca mais estariam abertas para mim. Fui viver a minha vida e passei muitas dificuldades. Eu tive que vender o meu corpo para me sustentar, fazer coisas que eu jamais gostaria para não morrer de fome”.</p><p>Suzane Rodrigues</p></blockquote>



<p>Saman Ferreira explica que uma das principais formas de violência que ele enfrenta é o desrespeito ao seu nome e à sua identidade de gênero. “Além disso, eu sou um homem trans negro e o meu corpo é um corpo desafiador para as pessoas. O simples ato de transitar é um desafio para nós”.</p>



<p>“Antes da pandemia, eu passava a maior parte do meu tempo dentro de uma instituição acadêmica, e estar nesse espaço, sendo uma pessoa negra e trans, é desafiar a hegemonia que ali existe”, relata.</p>



<p>Saman lembra que o perfilamento racial que promove a discriminação de homens negros no Brasil também atinge homens trans negros e cria uma camada adicional de medo e desafios em suas vidas. “Eu tenho medo de andar de ônibus à noite, medo da polícia, medo de onde eu vou, se vou poder abrir uma sacola em certos lugares. São coisas que provavelmente homens trans brancos não vão passar, então é sempre importante demarcar esse meu lugar enquanto homem trans negro”.</p>



<p>Apesar dos desafios, Suzane e Saman transformaram —&nbsp;e transformam diariamente — essas más experiências em resiliência e força para lutar pelos próprios direitos e de seus iguais. “A visibilidade trans não pode se resumir a uma data de dia único. Deveria ser o ano todo, porque nós, pessoas trans, precisamos ser vistas, respeitadas e acolhidas nos 365 dias”, diz Suzane.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Desde que eu comecei a pensar em lutar pelo direito das pessoas trans eu tenho vontade de desistir todo dia. Porque é violência demais, porque é muito cansativo você ficar batendo na mesma tecla e sentir que as coisas nunca avançam e melhoram. Mas o que me faz continuar lutando é pensar que outras pessoas possam não passar pelas coisas que eu passo e que não tenham tanto medo quanto eu. Que não precisem sofrer violência nas escolas, na faculdade, no transporte público, nos banheiros”.</p><p>Saman Ferreira</p></blockquote>



<p>“Para quem ainda carrega qualquer tipo de preconceito, transfobia, eu deixo apenas um recado: limpem seus corações”, pede Suzane.</p>



<p><strong>Livres &amp; Iguais —</strong>&nbsp;Em julho de 2013, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) lançou a&nbsp;<a href="https://www.unfe.org/pt-pt/">ONU Livres &amp; Iguais</a>&nbsp;– uma campanha global de informação pública das Nações Unidas com o objetivo de promover direitos iguais e tratamento justo para pessoas LGBTI.</p>



<p>Saman e Suzane participaram, em 2019, do projeto TransFormação, em Salvador, na Bahia. Promovido pela campanha Livres &amp; Iguais da ONU no Brasil, o TransFormação ofereceu oficinas de capacitação, deu acesso a cuidados com saúde e realizou um programa de mentorias, entre outras atividades, com 23 pessoas trans de comunidades locais.</p>



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<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/109791-dia-da-visibilidade-trans-175-pessoas-foram-mortas-no-brasil-em-2020-em-razao-da-transfobia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 29/01/2021 – Atualizado em 22/01/2021.</em></strong></p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
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		<title>Exposição Fotográfica &#8211; Mogi das Drags</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Arte drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mogi das Cruzes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Chavedar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Pedro Chavedar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A região de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê é, historicamente, conservadora e católica, com famílias centenárias em nomes de ruas e comandando a economia local. A cidade de Mogi é pacata, serena, calma; quase não há barulho, exagerando um pouco. Por isso, quando algo foge um pouco do que é considerado &#8220;normal&#8221;, choca. </p>



<p>Entre as fugas da normalidade, estão as Drag Queens. Com todos os seus aparatos, elas dançam, riem e se divertem quando podem e enquanto podem, pois quase não há eventos LGBTQI+ na cidade. São pessoas resistentes e que lutam pelo direito de serem quem são.</p>



<p>O objetivo deste trabalho é mostrar toda a beleza, o encanto, as cores e os detalhes das drag queens de Mogi das Cruzes, minha cidade, e da região do Alto Tietê. E fortalecê-las, sempre.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.771050800278%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=1440 1440w" alt="" data-height="960" data-id="13821" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13821" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b5c0-mogidasdrags1.png" data-width="1440" 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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0dd44-pedro-chavedar.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13840 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Pedro Chavedar</strong></strong> é formado em Jornalismo e fotógrafo desde 2013. Teve suas fotografias veiculadas em importantes veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, El País, entre outros. Seu grande foco são as pessoas: seus personagens têm algo a dizer, principalmente aqueles mais à margem da sociedade. Sua fotografia é documental e humanística.</p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>Ansiosos não são bons com o futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Geara Franco]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Geara Franco</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Não vou à praia aos domingos.
Aos sábados: dou poucos passos.
Vou quando só ficam os respingos,
Os que respeitam espaços.

Fez falta respirar
E continua fazendo.
Não é que falta o ar:
No saber que pode faltar
A gente vai adoecendo.

Eu tô aqui e sinto saudade
De gente que não posso abraçar 
E nem é por estar em outra cidade.
E se eu parar pra pensar:
Vai passando minha idade
E com ela a capacidade
Da calma até pra rimar.

Atropelo pensamentos,
Passo por cima e volto.
Os coitados são isentos:
Futuro não conta voto.
Se o “e se” não aconteceu,
Por que com ele me revolto?

Aniversário me deixa nervosa:
Queria que o tempo voltasse.
Pra mim, que sou ansiosa,
O futuro nem começou
E já queria que acabasse.

“Um ano perdido”.
Penso isso há anos.
Mais um ano concedido 
Pra eu continuar meus danos.

Daqui a pouco os vinte e cinco 
Que nem sei se vão chegar.
E eu aperto o cinto,
Com medo de capotar
Tanto nas coisas que sinto
Quanto na falta de ar.

Se o tempo pra mim corre,
Pros que amo ele voa.
E se um deles morre…
Culpo o tempo?
“Ele não perdoa”.

Não, culpo a mim
E meu peito que doa.
Tá chegando no fim?
Minha cabeça diz “sim!”
Meu coração diz:
“Tá sofrendo à toa.”</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="401" height="400" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/39ac6-geara-franco.png?resize=401%2C400&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13659 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/39ac6-geara-franco.png?w=401&amp;ssl=1 401w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/39ac6-geara-franco.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/39ac6-geara-franco.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 401px) 100vw, 401px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Geara Franco</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista, social media, macramística e poetisa nas horas vagas.</p>
</div></div>



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		<title>Cigarro Turvo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pausa é para incandescer o entorpecente. Fixar-se na realidade e fugir dela, ao mesmo tempo.&nbsp; A distorção, a confusão do interno, ela pede por uma âncora que coloque as coisas em ordem. E o quão interessante é que logo um cigarro, um, cigarro, um. Um cigarro, que interfere tanto nos sentidos e na percepção, seja a âncora perfeita?</p>



<p>Acende.</p>



<p>Turva-se o externo, endireita-se o interno. O quão ilusória é a sensação de ordem, de paz, que isso traz?</p>



<p>Traga de novo, atenção plena no detalhe do sabor. Medita pra perder o medo da ilusão. Tudo é ilusão, tudo é viés, tudo passa pela lente da pessoalidade. O cigarro só ajuda a embaçar o externo. E aí, é lei de refração: quando os meios possuem a mesma densidade, a luz não sofre desvio. Turvo dentro, turvo fora; os números batem e a inquietação do erro se esvai. Em iguais níveis de distorção, o interno e o externo se equilibram.</p>



<p>Ancorada, aceita que o equilíbrio vai ser sempre turvo. Que a tranquilidade nasce da certeza relativa, incerteza absoluta.</p>



<p>Apaga.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8a636-carolcad-bio-2-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12212 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carol Cadinelli</strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong>é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora, colunista e repórter na Trama. </p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>Metalinguagem</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Garcia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/31/metalinguagem-2/">Metalinguagem</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Os versos são a solução
para a prosa longa.
Ou a credibilidade da
preguiça.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13205 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong></strong></strong> é professor de Física e poeta. Trabalha com projetos educativos de divulgação científica, escreve textos didáticos de ciência e colabora em periódicos de arte e poesia.</p>
</div></div>



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<p></p>
</div></div>
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