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	<title>Arquivos Ano 005, N 187 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O arquivo da cúria de Mariana em perspectiva: uma entrevista sobre cuidado, preservação e memória</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[arquivos históricos]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2023 pude acessar um dos Arquivos que pairava no meu imaginário ao longo do percurso na pós graduação. É certo que toda construção em torno do acesso presencial a Arquivos também passa pela ânsia pós pandemia de nos conectarmos a esse espaço de muitas histórias. Entre os recortes das vidas vividas, o brilho ou a sombra do que já foi. Pisar em Mariana, cidade do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, foi como reencontrar com um lugar que nunca vi. Me misturar à sua paisagem, explorar seus cantos e, acima de tudo, acessar as páginas dos que já estiveram por ali, trouxe a sensação espetacularizada que nunca passa em alguns minutos, mas crava na memória o que vale a pena guardar: encontros e histórias. É, para além de uma experiência pessoal, a história que busco trazer hoje, a história do Diretor do Arquivo, o Padre Leandro Neves. Padre Léo, Padre Lê, são alguns de seus pseudônimos usados por aqueles/as pesquisadores/as que, ao acessarem o Arquivo, encontram um sujeito tranquilo, pacífico, organizado, disciplinado, curioso e de fé. Em uma breve entrevista apresentamos esse universo e buscamos aprofundar na rota cultural mineira, em toda a sua potencialidade de estudo, o Arquivo chamado, também, “Cúria de Mariana”, que possui documentações de períodos longevos e, além de ser uma experiência a quem o acessa, é absolutamente útil às pesquisas que buscam compreender a sociedade mineira colonial (mas não somente) nos termos da vida religiosa.&nbsp;</p>



<p><strong>ENTREVISTA COM O PE. LEANDRO NEVES, DIRETOR DO ARQUIVO ECLESIÁSTICO DA ARQUIDIOCESE DE MARIANA.</strong>&nbsp;</p>



<p><strong><em>Gyovana Machado: </em></strong>Nome, idade, formação. Fale sobre sua trajetória até chegar como diretor do Arquivo:&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe Leandro Neves: </em></strong>Pe Leandro Ferreira Neves, 37 anos, natural de Ponte Nova, MG. Aos 18 anos ingressei no Seminário São José da Arquidiocese de Mariana, estudando Filosofia e Teologia e sendo ordenado sacerdote em 18 de maio de 2013. Após algumas experiências pastorais nas paróquias de Jequeri e Santa Cruz do Escalvado, fui enviado para estudos em Roma. Na Faculdade de História e Bens Culturais da Igreja, da Pontifícia Universidade Gregoriana, iniciei o mestrado em História da Igreja em 2018. Retornando ao Brasil, no final de 2021, fui nomeado professor de História da Igreja no Instituto de Teologia do Seminário São José e Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana – Dom Oscar de Oliveira, em maio de 2022. Fiz também uma especialização em História da Arte Sacra pela Faculdade Dom Luciano Mendes de Almeida.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Em algum momento você se percebeu um trabalhador da cultura? Se sim, como e quando?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN: </em></strong>O meu contato com a cultura se deu principalmente por causa das minhas atividades religiosas. Porém, consciente do grande interesse que a Igreja sempre teve pela cultura e entendendo este campo como uma área própria da evangelização, além de ter bastante gosto pelo assunto, bem cedo sempre procurei me envolver em atividades culturais, principalmente aquelas mais relacionadas à pesquisa histórica e a preservação do patrimônio. Com o exercício de funções dentro da Igreja muito relacionadas com as questões culturais, fui me envolvendo ainda mais e buscando também mais conhecimento para poder atender melhor às responsabilidades a mim confiadas.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Você acredita que, socialmente, já temos uma arraigada noção de importância e/ou preservação dos arquivos?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN</em></strong>: Infelizmente não. Como em várias outras áreas, a noção de importância e preservação dos arquivos não é muito bem entendida e considerada por nossa população. Talvez os arquivos ainda estejam mais prejudicados ainda nesta questão, por representarem um ambiente de menor visibilidade e fruição para a população. Se existe uma certa aversão por coisas “velhas”, tal aversão é ainda mais sentida em relação aos arquivos, considerados por muitos apenas como simples “depósitos de papeis velhos”. Além disso, a preservação, manutenção e organização de arquivos exige um trabalho árduo, minucioso, paciente e bastante dispendioso, o que nem sempre atrai o gosto das pessoas e o investimento das instituições. Ainda há pouco interesse por parte das pessoas e autoridades nas atividades relacionadas aos arquivos e os poucos investimentos são muitas vezes entendidos como gastos desnecessários.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong> : Sabemos que há uma dedicação e cuidado quanto ao acesso ao Arquivo. Isso, em alguma medida, é lido como problema para quem quer acessá-lo?&nbsp;</p>



<p><em><strong>Pe LN : </strong></em>Por se tratar de material precioso e bastante frágil, o acervo documental de um arquivo deve receber não só um tratamento que lhe dê uma organização e condições de acessibilidade e boa conservação como exige um cuidado no manuseio de tais documentos por parte de quem procura acessar as suas informações. É uma medida de segurança e conservação, que muitas vezes é interpretada por algumas pessoas como se fosse uma dificuldade por parte da instituição em permitir o acesso aos documentos. Aquelas pessoas com verdadeira formação e sensibilidade histórica, que entendem a fragilidade e preciosidade do acervo, entendem e acolhem de bom grado as orientações e exigências colocadas para a organização do trabalho e correto acesso aos documentos custodiados no Arquivo.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Quais os desafios de se manter um Arquivo, sobretudo o Arquivo da Cúria que conta com documentações de períodos longevos?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN :</em></strong>Os maiores desafios passam pela organização e conservação dos documentos que são muitos. Como geralmente não dispomos de incentivo financeiro público e toda a atividade do Arquivo é mantida pela Arquidiocese e por uma pequena receita que o próprio Arquivo arrecada através das taxas que cobra sobre alguns serviços, muitas atividades necessárias se tornam inviáveis por seu alto custo financeiro. Restauração de documentos ou mesmo condições adequadas de acondicionamento dos mesmos exigem um alto investimento que nem sempre estamos em condições de realizar. Buscamos sempre a realização de parcerias com o poder público e iniciativas privadas, mas ainda falta o interesse e a sensibilidade por parte de muitos no sentido de patrocinar estas atividades.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM: </em></strong>Em sua perspectiva, o que falta para que a noção de preservação e, até mesmo, acesso se fortaleça na sociedade?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN :</em></strong>Acredito que falta uma boa formação no sentido de se perceber os arquivos como lugares por excelência da memória e da identidade de um povo, onde as pessoas se reconheçam a partir da história registrada e conservada nos documentos, expressão da atividade de um povo, uma comunidade, um grupo religioso ou uma instituição. Há a necessidade também de incentivo à pesquisa, da busca das próprias raízes e identidade a partir de atividades que tornam mais visíveis o importante trabalho realizado pelos arquivos, envolvendo mais a comunidade. Quando as pessoas compreendem que o bem cultural pertence também a elas, com mais razão elas também compreendem a importância de se valorizar, conservar e preservar.&nbsp;</p>



<p> <strong><em>GM:</em></strong> Sabe-se que, muito do que temos sobre preservação, surge de uma necessidade de guarda de textos sagrados, em diferentes culturas, para que pudessem atravessar o tempo mantendo sua informação e/ou orientação. Dito isso, em sua opinião e experiência, é possível relacionar a fé e a preservação? Como um homem vocacionado, qual (is) as suas percepções sobre essa relação?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN</em></strong> :Para a fé cristã, todas as dimensões do ser humano são importantes e, a partir do mistério da Encarnação de Jesus Cristo, toda a história humana e todos estes aspectos foram assumidos e redimidos por Deus.&nbsp; Deste modo, tudo que diz respeito ao humano, também sua história e cultura é de interesse da Igreja e da evangelização. É justamente por isso que a Igreja sempre se interessou e se interessa em preservar, promover e salvaguardar a cultura e a história. Assim se pode compreender a relação entre fé e preservação, que tem uma função não apenas “utilitarista”, no sentido de preservar os textos sagrados e referências utilizados para a prática do culto e da fé, num sentido mais estrito, mas como salvaguarda da história da presença da instituição eclesial e suas relações com a sociedade. A Carta Circular: “A função Pastoral dos Arquivos Eclesiásticos”, emitida pela Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja (um organismo da Santa Sé), em 1997, aponta para a necessidade e importância que a Igreja Católica atribui a esta preservação. “Na <em>mens</em> da Igreja os arquivos são lugares da memória das comunidades cristãs e fatores de cultura para a nova evangelização. (&#8230;) À inclemência de tantas circunstâncias históricas, que providencialmente não destruíram a memoria dos eventos nas suas grandes linhas, deve então contrapor-se o nosso esforço de tutela e de valorização do material documentário, a fim de o usufruir no <em>hic et nunc</em> (aqui e agora) da Igreja”.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Baseado em sua experiência, use este espaço para falar sobre como costuma ser a relação do Arquivo com as pesquisas que surgem dele, seja sobre os desafios ou as alegrias do caminho.&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN: </em></strong>Recebemos no Arquivo Eclesiástico numerosos estudantes e pesquisadores que realizam seus trabalhos de conclusão de curso e outros tipos de pesquisa através de nosso acervo. Procuramos atender a todos e facilitar o máximo possível o acesso aos documentos, até mesmo indicando possíveis caminhos a partir do conhecimento que temos do acervo. É sempre um motivo de muita alegria e satisfação ver os trabalhos concluídos e perceber as inúmeras possibilidades de pesquisas que nosso acervo oferece. Sentimos também da parte dos pesquisadores uma grande satisfação para com o atendimento oferecido, apesar de termos consciência das suas limitações advindas muitas vezes dos poucos recursos que temos a disposição.&nbsp;</p>



<p>Para maiores informações sobre o Arquivo, consulte o site: <a href="https://arqmariana.com.br/arquivo-eclesiastico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://arqmariana.com.br/arquivo-eclesiastico/</a>&nbsp;</p>



<p><strong>Contato:</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Telefone: </strong>(31) 3557-2813&nbsp; <strong>E-mail:</strong> arq.eclo@arqmariana.com.br&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gyovana Machado</strong>&nbsp;é graduada em História/UFJF,&nbsp;mestranda no Programa de pós-graduação na mesma universidade, associada ao Laboratório de História Econômica e Social e pesquisa capelães e capelanias no século XVIII em Minas Gerais. Militante no coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de gênero), articula sua formação enquanto seminarista no Seminário teológico Rhema Brasil e suas leituras na área de História da Igreja, Teologia Feminista, entre outros.</p>
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		<title>A heroína trágica e o arquétipo da mulher terrível: religião, loucura e insubmissão no mito da Medeia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Grécia]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ariel Von Ocker</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p>Não há como dissociar o legado cultural da Grécia Antiga da produção tragiográfica de seu tempo. Nesse sentido, o teatro exerceu funções primordiais no florescimento e manutenção da cultura grega alimentando-a e ratificando determinados pressupostos que compunham o <em>éthos </em>de seu tempo. Nesse campo, nomes como Sófocles, Ésquilo e Eurípedes mereceram destaque não apenas entre os representantes da cultura de um tempo, mas também como expoentes da produção poética (a tragediografia era escrita em versos) de todo o Ocidente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Assim, não podemos promover uma análise de conteúdo mitológico e literário sem levar em consideração os pressupostos culturais vigentes ao tempo da reprodução de determinadas histórias. Como afirma PALMA (2007):&nbsp;</p>



<p>“[&#8230;] o discurso literário pode não ser apenas ligado aos procedimentos adotados pelo autor, mas também, e talvez mais diretamente do que se pensa, ligado ao contexto sócio-cultural no qual está inserido, evidenciando-se, nem sempre claramente, uma influência das instituições que o cercam na escolha de determinados procedimentos de linguagem.”&nbsp;</p>



<p>Desse modo, propomos, no presente trabalho, uma análise do mito de Medeia enquanto um discurso cultural de um povo e um tempo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>A ÉPOCA TRÁGICA DOS GREGOS E A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DA TRAGÉDIA</strong>&nbsp;</p>



<p>De acordo com Dutra (2005), Medeia representa a noção da mulher bárbara ultrajda que, no ímpeto de vingar-se de Jasão, seu marido, mata seus próprios filhos. Isso representa uma violação das leis humanas e divinas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Para melhor entender o mito de Medéia, necessário se faz, no entanto, remontar a outra lenda da mitologia pagã: a conquista do velocino de ouro e a saga dos Argonautas. Junito Brandão (1987, p. 175-91) registra a seguinte versão: em Iolco, na Tessália, reinava Esão, que foi destronado pelo irmão Pélias. Jasão, filho de Esão, reivindicou mais tarde o trono a que tinha direito por herança. Pélias, no entanto, para livrar-se do sobrinho, impôs como condição que este conquistasse o velo de ouro consagrado ao Deus Ares em um bosque da Cólquida, na Ásia Menor. Em busca do velocino, Jasão chefiou uma grande expedição no navio Argos (daí a designação de &#8220;Argonautas&#8221; para seus tripulantes). [&#8230;] diante da impossibilidade de vencer sozinho as provas, Jasão foi socorrido pelos poderes do Amor. Apaixonada pelo herói, Medéia, filha de Eetes, relatou ao tessálio que o rei tencionava matá-lo e ajudou-o, com seus dons de magia, a cumprir as tarefas. De posse do velocino, Jasão e Medéia fugiram da Cólquida, levando como refém Apsirto, filho mais jovem de Eetes. Iniciou-se aí uma trajetória de amor, ódio, vingança e morte. Após abandonar o pai e a pátria, Medéia cometeu sucessivos crimes. Sua primeira vítima foi Apsirto que, trucidado pela irmã, teve seus membros esquartejados e lançados ao mar para atrasar a perseguição de Eetes. De volta a Iolco, Jasão descobriu que, durante a sua ausência, o usurpador Pélias havia assassinado Esão. O argonauta vingou-se, então, por meio dos feitiços de Medéia, que convenceu as filhas de Pélias a esquartejar e cozinhar os membros do pai para rejuvenescê-lo. Acasto, filho de Pélias, assumiu o lugar do rei e perseguiu Jasão e Medéia, que se refugiaram em Corinto, na corte do rei Creonte. Viveram em paz em Corinto, até que o rei resolveu casar sua filha Creúsa (ou Glauce) com o herói da Tessália. Repudiada por Jasão e expulsa da cidade, Medéia resolveu vingar-se tragicamente. Com suas poções mágicas e fatais, matou Creonte e Creúsa e incendiou o palácio real. Sua vingança, todavia, não ficou por aí. Para que o marido sofresse dor inigualável, trucidou os filhos que tivera com ele, Feres e Mérmero, fugindo depois para Atenas, em um carro puxado por duas serpentes aladas, presente de seu avô Hélios, o Sol.”&nbsp;</p>



<p>A partir de tal construção mítica, Eurípedes, qual outros tragediógrafos de seu tempo, produziu sua versão teatral da história com vistas a transmitir (e reiterar) as “verdades” formativas da comunidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Outrossim, deve-se assinalar que o teatro possuía um papel formador da cidadania na <em>Pólis,</em> assumindo, por isso, a função pedagógica de educar os cidadãos àquele <em>modus vivendi</em>. SANTOS (2013, p. 31) salienta que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“[&#8230;] no itinerário ascendente da cultura grega e sua peculiar compreensão da necessidade de formação deste homem coube, portanto, ao gênero trágico esta função educativa proeminente e justificada por Aristóteles, devido seu caráter imitativo das ações. Portanto, ao acompanhar o enredo da tragédia, o espectador se envolve e se reconhece através do evento mimético, possibilitando assim a passagem da ignorância para o conhecimento, confrontando seus limites, ambiguidades e contradições. Enfim, a tragédia continha a força expressiva de representar no palco sua matriz existencial, exercendo papel imprescindível e basilar na compreensão do sentido existencial do povo grego. Tal aspecto tornou-se mais e mais evidente devido ao forte espírito religioso e moral desse povo.”&nbsp;</p>



<p>Portanto, opormos o mito e a tragédia possibilitam múltiplas abordagens e leituras. Evidentemente, isso implica uma tomada discursiva de posição, uma vez que recortamos uma escritura do mito e uma escritura da tragédia- fato que influi na construção do sentido aproveitado-. No entanto, semelhante eleição está de acordo com a proposta do presente estudo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>O </strong><strong><em>ÉTHOS</em></strong><strong> DA FEMINILIDADE NO MUNDO GREGO</strong>&nbsp;</p>



<p>Antes de propriamente pensarmos no contexto de produção e escrita de determinados mitos, é necessário que destaquemos qual o ponto de partida para semelhante análise. Sem embargo, o conceito chave para desanuviarmos tal perspectiva é o conceito de <em>éthos. </em>Para tanto, nos valemos do trabalho de REIS (2009), segundo o qual esse vem a ser:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>‘Termo de origem grega utilizado em <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/retorica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">retórica</a>, que significava o costume, o hábito, o carácter que o escritor ou orador adoptava para dar uma <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/imagem" target="_blank" rel="noreferrer noopener">imagem</a> dele mesm que inspirasse confiança no público; designa igualmente uma <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/descricao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">descrição</a> explícita alusiva dos costumes da época.&nbsp;</p>



<p>Em Teogonia (66), Hesíodo refere que éthos está ligado a nómos costume, convenção, instituição, lei). Nómos aparece muitas vezes associado a éthos, mas representando o mesmo <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/sentido" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sentido</a> nas Leis (VII 792 d-e) de Platão. Podendo do mesmo modo, significar carácter ou maneira de ser como o referido <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/autor" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Autor</a> refere em A República (VI 490 c). Na <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/poetica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Poética</a>, Aristóteles fazia corresponder o seu significado ao que hoje designamos por psicologia das personalidades. Éthos é, assim, assimilado a uma ordem normativa interiorizada, a um conjunto de máximas éticas que regulam a conduta da vida. Ao longo da sua extensíssima <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/obra" target="_blank" rel="noreferrer noopener">obra</a> Aristóteles várias vezes se refere a este <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/conceito" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conceito</a> tendo na Ética de Nicómaco (II 1, 1103 a) feito a distinção entre dois tipos de virtudes: as virtudes do pensamento (dianõetikaí) que se adquirem pelo ensino, e as virtudes do carácter (ethikaí) que se adquirem pelo hábito e por conseguinte requerem paciência e <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/tempo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tempo</a>. Na Retórica (II 12-14) faz o levantamento de diferentes tipos de êthes em <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/funcao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">função</a> particularmente da idade.’&nbsp;</p>



<p>Em relação a esse ponto, não é exagero dizermos que o mundo grego na Antiguidade foi marcado por um veemente horror e desprezo a tudo aquilo que referenciava o feminino. ADAID (2017, p.68) evidencia que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“As&nbsp; mulheres&nbsp; geralmente&nbsp; eram&nbsp; analfabetas e a única educação que recebiam dos pais era voltada&nbsp; para&nbsp; seu&nbsp; futuro&nbsp; como&nbsp; esposa,&nbsp; ou&nbsp; seja,&nbsp; a&nbsp; mulher era meramente uma procriadora. Existiam as&nbsp; hetairas&nbsp; que&nbsp; eram&nbsp; mulheres&nbsp; mais&nbsp; interessantes&nbsp; e com mais conhecimentos que as demais. Muitos homens&nbsp; gostavam&nbsp; de&nbsp; suas&nbsp; companhias,&nbsp; pois&nbsp; não&nbsp; atuavam como prostitutas apenas. Quando o marido achava que já tinha herdeiros suficientes, ele simplesmente parava com a relação sexual marital. Havia tanta falta de afinidade entre os cônjuges que&nbsp; eles&nbsp; dormiam&nbsp; em&nbsp; quartos&nbsp; separados&nbsp; –&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; talvez não ocorresse entre as famílias menos abastadas. Dada a total falta de intimidade entre o casal, prosperou nessa época o uso de masturbado-res para as mulheres. Visto que, após o casamento, as&nbsp; mulheres&nbsp; só&nbsp; se&nbsp; relacionavam&nbsp; socialmente&nbsp; com&nbsp; outras mulheres, é provável que a relação homossexual&nbsp; feminina&nbsp; tenha&nbsp; sido&nbsp; uma&nbsp; prática&nbsp; comum,&nbsp; visto que dificilmente seria descoberta e não havia qualquer risco de engravidar.&nbsp; Existem&nbsp; infindáveis&nbsp; relatos&nbsp; mitológicos, poesias e discursos sobre a prática da homossexualidade&nbsp; entre&nbsp; os&nbsp; homens.&nbsp; Contudo,&nbsp; quase&nbsp; não&nbsp; se&nbsp; sabe sobre a história das mulheres. O falocentrismo e&nbsp; a&nbsp; misoginia&nbsp; na&nbsp; Antiguidade&nbsp; parecem&nbsp; tão&nbsp; fortes&nbsp; que filósofos, poetas e pensadores nem se deram ao trabalho de deixar um relato para a posteridade. Talvez em uma tentativa de anular o passado feminino.”&nbsp;</p>



<p>Tendo em vista esses aspectos, volvemos o olhar para Medeia. No texto de Eurípedes, a personagem, agora vivificada em palavras proferidas por um ator, encarna como uma mulher cruel, vingativa e desapaixonada. Suas falas são marcadas por expressões de ódio e raiva. Como se pode ver em EURÍPEDES (2022):&nbsp;</p>



<p>“Medeia&nbsp;</p>



<p>Ai! Ai!&nbsp;</p>



<p>Sofri, desgraçada, sofri males muito para lamentar.&nbsp;</p>



<p>Ó filhos malditos de mãe odiosa,&nbsp;</p>



<p>perecei com vosso pai, e a casa&nbsp;</p>



<p>caia toda em ruínas.”&nbsp;</p>



<p>Ao mesmo tempo, se percebem elementos de dor, tristeza e desesperança nas falas da protagonista, como se nota a seguir em um trecho da mesma obra:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Medeia&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ai! Ai!&nbsp;</p>



<p>&nbsp;O fogo do céu me trespasse a cabeça.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;De que vale ainda viver? Ai, ai!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quem me dera deixar a vida odiosa,&nbsp;&nbsp;</p>



<p>pela morte libertada!”&nbsp;</p>



<p>Ao término da leitura, enfim, Eurípedes escreve na última página o seguinte:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Coro&nbsp;</p>



<p>&nbsp;De muita coisa é Zeus no Olimpo o Senhor, e muita coisa os deuses fazem sem contar. Vimos o que se esperava não realizar, para o que não se sabia o deus achar caminho. Assim vistes o drama terminar.&nbsp;</p>



<p>Com silencioso acatamento do caos e da tragédia, a obra termina com a morte dos filhos de Jasão e Medeia e fala acima do coro. O texto deixa em quem o lê um sentimento de profundo dissabor perante a despersonalização dos sujeitos perante os sofrimentos inelutáveis dom destino.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A protagonista, por sua vez, que, no mito, pode ser lida como triste, louca ou puramente má, aqui assume um caráter passional e vingativo de aspecto raso em relação às múltiplas leituras possíveis da história popular.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>AS REMINISCÊNCIAS DA MULHER TERRÍVEL&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p>O mote trágico da mulher terrível perpassa diversas eras e se mantém ubíquo no mundo contemporâneo. Entrementes, a força de tal imaginário –já hoje apresentando sinais de desgaste- encontrou no bojo da misoginia estrutural grega um terreno fértil para desenvolver-se e reiterar-se à maneira de um <em>leitmotiv</em> histórico-social sempre disposto a arbitrar sobre a conduta feminina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nos atendo propriamente ao texto do tragiógrafo grego em diálogo com o <em>éthos </em>de seu tempo, é possível notarmos determinados pontos dignos de nota. O mais importante deles é a caracterização da própria narrativa acerca da personagem. Medeia, uma estrangeira e mulher, é vista sob o prisma de uma figura terrível por atentar contra uma instituição sagrada: a maternidade. O que a leva a isso é o ódio contra um homem. Com efeito, a ideia de insubmissão feminina é um ponto que tem causado frisson ao longo de muitas épocas e foi, inclusive, tema de outras obras gregas da Antiguidade, como: Antígona (Sófocles) e A Greve do Sexo (Aristófanes).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Sem embargo, o mesmo espanto vindo de uma sociedade marcada pela misoginia a uma mulher que não, se submete às convenções que a oprimem é aquele que empreende uma narrativas que visa, em muitos níveis, cercear o ser feminino. O ataque à Medeia e sua demonização como mulher terrível não parece vir do fato dela matar seus filhos. Ao contrário, essa narrativa de terrificação do olhar para com um ser sem amor pela própria cria mais parece ser um recurso cultural para a manutenção do controle sobre os corpos femininos, cuja sagrada e inegável função é reafirmada como a da procriação. Ou seja: Medeia não é insubmissa por ser horrenda, mas, por ser insubmissa, é vista como horrenda. E, nesse ínterim, a narrativa da mãe bárbara e assassina é instrumentalizada para manter uma estrutura de opressão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong>&nbsp;</p>



<p>No presente ensaio objetivamos analisar, em diálogo, o mito de Medeia e sua tragédia com a estrutura sócio cultural de sua época. Observamos que o <em>éthos </em>grego da Antiguidade foi permeado pela misoginia e baseado no férreo arbítrio para com a disposição dos corpos femininos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Foi percebido que a função social da tragédia na formação do cidadão influiu para a construção de uma narrativa enviesada sobre a figura da protagonista. Medeia, destarte, é observada e (re)encenada como uma figura marcada pelo tríptico tristeza-loucura-maldade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Finalmente, propomos que uma leitura acerca da história em questão não se pode ater apenas à construção material do texto dos tragiógrafos. Pelo contrário, é fundamental a leitura em acordo com a observação do momento histórico no qual foram escritos tais trabalhos, uma vez que o período em questão agrega junto de si toda uma esfera de interpretação de mundo. Essa questão, destarte, influi na concepção do texto como um discurso de um sujeito inserto em um tempo e um espaço circundados por uma cultura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong>&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">ADAID, Felipe. HOMOFOBIA E MISOGINIA NA ANTIGUIDADE: GENEALOGIA DA VIOLÊNCIA. <strong>Revista brasileira de Sexualidade Humana – </strong>2017 28(10, 57-68. Disponível em: <a href="https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/10/7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/10/7</a>. Acesso em 25 de agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">DUTRA, Eneo Moraes. <strong>O MITO DE MEDÉIA EM EURÍPEDES</strong>.  Universidade Federal de Santa Maria. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufsm.br/letras/article/download/11403/6878" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://periodicos.ufsm.br/letras/article/download/11403/6878</a>. Acesso em 25 de Agosto de 2022.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">EURÍPEDES. <strong>Medeia.</strong> Disponível em: <a href="https://letras-lyrics.com.br/PDF-Download-Book-Livro-Baixar-Online/Euripides/Medeia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://letras-lyrics.com.br/PDF-Download-Book-Livro-Baixar-Online/Euripides/Medeia</a>. Acesso em: 25 de Agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">PALMA, Moacir Dalla. DISCURSO LITERÁRIO: LINGUAGEM INTRINSECAMENTE DIFERENCIADA OU TEXTO INSTITUCIONALMENTE DETERMINADO? Terra roxa e outras terras – <strong>Revista de Estudos Literários</strong> Volume 9 (2007) – 1-124. ISSN 1678-2054 <a href="http://www.uel.br/cch/pos/letras/terraroxa" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://www.uel.br/cch/pos/letras/terraroxa</a>. Acesso em: 25 de Agosto de 2022.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">REIS, Tereza<strong>. ÉTHOS</strong>. 2009. Disponível em : <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ethos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ethos</a>. Acesso em 18 de Julho de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">SANTOS, Vagner Souza. A DIMENSÃO FORMATIVA DA TRAGÉDIA GREGA: SÓFOCLES. FILOSOFANDO: <strong>REVISTA DE FILOSOFIA DA UESB</strong>&#8211; ANO 1 · NÚMERO 1 · JANEIRO-JUNHO DE 2013 · ISSN: 2317-3785. Disponível em: <a href="/Users/PROFESSORES/Desktop/ARIEL/2124-Texto%20do%20artigo-3571-1-10-20171207.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">file:///C:/Users/PROFESSORES/Desktop/ARIEL/2124-Texto%20do%20artigo-3571-1-10-20171207.pdf</a>. Acesso em 25 de Agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">&nbsp;</p>



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<p><strong>Ariel Von Ocker</strong> reside em Cuiabá, MT. Pessoa trans non-binary, é escritora e professora. Autora com dez livros publicados, atua desenvolvendo pesquisas na área da linguística, filosofia da linguagem e filologia românica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Atualmente, trabalha como editora-chefe no projeto Revista Ikebana . Além de trabalhar como professora de Português Língua Estrangeira na Universidade Federal de Mato Grosso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/ariel_von_ocker/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ariel_von_ocker</a></p>
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		<title>Amor em Todo Lugar ao Mesmo Tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lasso Sant'Anna </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando o filme <em>Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo,</em> foi indicado ao Oscar de 2023, foi também relançado em alguns cinemas do mundo para as pessoas terem a oportunidade de assistir, não que não houvesse feito sucesso com o grande público por ser rejeitado, ele simplesmente não foi assistido, e grande parte das pessoas sequer sabiam de sua existência, dessa forma, depois que dois cinemas de Curitiba anunciaram o relançamento, eu e uma amiga resolvemos ir.&nbsp;</p>



<p>Eu não sou crítico de cinema, então não vou fazer o clássico cabeçalho com ficha técnica e sinopse oficial, quero só compartilhar uma mensagem que peguei do filme, por isso vou direto a isso, então, daqui em diante, <em>spoilers</em>. &nbsp;</p>



<p><em>Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo</em>, é uma grande alegoria sobre uma mãe conservadora, heteronormativa e falocêntrica que está aprendendo a aceitar que sua filha não é uma espécie de fotocópia dela, mas essa diferença não muda para que elas continuem alinhadas no que realmente importa, essa é uma alegoria que funciona nas duas camadas. A alegoria em si é importante e bonita em um filme que é excepcional, mesmo se ela for ignorada. Poderiam dar dois grandes filmes de uma camada só, mas se juntam para formar um indicado ao Oscar.&nbsp;</p>



<p>No filme vemos uma família desmoronando por falta de amor. O marido da protagonista propõe divórcio, a protagonista não consegue mais se relacionar com sua filha, que se descobriu lésbica, e também não aceita a sua namorada como um membro da família, se referindo a ela como <em>a grande amiga da Joy</em>.&nbsp;Evelyn, a protagonista, prefere pensar que sua filha fez uma tatuagem e está namorando uma menina por estar sendo controlada por uma entidade maligna do multiverso, não por gostar de mulheres e de tatuagens, mas isso não se mede só pelo fato de ela ser <em>uma senhora homofóbica</em>, mas pela sua visão estreita de mundo e sua incapacidade de entender relacionamentos fora da heteronormatividade, e mais que isso, incapaz de entender um relacionamento sexual que não seja falocêntrico.&nbsp;</p>



<p>Durante todo o filme vemos objetos fálicos em cena. Às vezes gritantes, como nos prêmios da funcionária da Receita Federal, às vezes discretos, como latas de lixo que em outro filme não iriam querer dizer nada, mas aqui dizem tudo. Até no outro universo, onde Evelyn está bem com Joy, o universo dos dedos de salsicha, o sexo não é feito com os órgãos genitais e sim com os dedos, ou seja, o falo está presente na relação. Evelyn não é simplesmente uma pessoa que quer preservar os seus bons costumes, mas uma pessoa com uma visão estreita de mundo.&nbsp;</p>



<p>O mesmo acontece quando o marido dela pede o divórcio, o argumento dela é simples. Nós<em> fizemos um juramento sagrado</em>. Não é o amor, é o juramento.&nbsp;A relação familiar desprovida de amor e fechada em uma visão estreita de mundo leva a família ao colapso. Faz o marido pedir o divórcio e, no Universo A, faz com que ela pressione tanto a filha ao ponto dela se destruir e ter sua mente espalhada por todas as Joy&#8217;s do multiverso, e isso também é uma alegoria, já que, diferente da visão estreita de Evelyn, Joy é capaz de olhar o mundo por diferentes perspectivas e não é falocêntrica.  A virada da mãe acontece quando ela mostra a Rosquinha da Verdade, que através da combinação das mãos de ambas, o objeto pode ser observado por meio de um buraco com formato vaginal. &nbsp;</p>



<p>Joy passa o filme todo, e o período anterior a ele, procurando no multiverso, uma Evelyn que pudesse passar pelo mesmo processo que ela, para assim não estar mais sozinha. Joy não quer se livrar da mãe, só quer uma mãe que possa acolhê-la por quem ela é e continua tentando, não importa quantas vezes a mãe se mostre resistente, não importa em quantos universos ela precise procurar, e é só quando Evelyn passa pelo mesmo processo, quando ela tem sua mente fragmentada em todas as suas versões pelo multiverso, que ela começa finalmente o processo de enxergar as coisas de outras perspectivas, mas ainda não com uma visão de mundo tão larga como a da filha, o que fica evidente nas capacidades de uso dos poderes do multiverso.&nbsp;</p>



<p>É assim que Evelyn entende finalmente que aquele problema era só dela e da filha, e não envolvia o seu marido. Evelyn e Joy eram parecidas demais e sua luta é belicosa, mas com o pai/marido é diferente, a ferramenta teria que ser o amor. Logo que entende isso, Evelyn recupera sua admiração pelo marido, e com isso, também seu amor, salvando assim seu casamento, e mesmo sem entender completamente a filha e sua sexualidade, ela decide mudar sua luta, parar as brigas e lutar com a arma do marido: O amor.&nbsp;</p>



<p>Mesmo sem se desconstruir por completo, mesmo sem um conhecimento secreto da Rosquinha da Verdade, ela entende que ama a filha e isso, no momento, é o suficiente. Quando Joy age agressivamente, Evelyn responde com amor, isso constrange a filha que tenta fugir pelo multiverso, mas sua mãe também está lá, e não importa aonde ela vá, a mãe está lá com amor, o que no fim, era tudo o que a garota queria. Assim, Evelyn também é capaz de restaurar o relacionamento com a filha e aceita a nora.&nbsp;</p>



<p>O filme tanto fala sobre visão de mundo e capacidade de acolher em amor e não sobre entendimento ou idade, tanto que, ao final, quando a protagonista apresenta a nora para o idoso patriarca da família, ele se impressiona, mas não se choca. Certamente ele tem uma visão de mundo ainda mais estreita que a de Evelyn e ainda menor capacidade de entender aquilo, mas diferente dela no começo do filme, ele já estava pronto para receber o que viria da neta em amor.&nbsp;</p>



<p>É evidente que precisamos nos desconstruir e ampliar a nossa visão de mundo, mas quando se trata do outro, mais importante do que isso, é acolher em amor, inclusive com um membro da nossa família, mais ainda quando mora na nossa casa. O mundo já é mau o suficiente com quem foge dos padrões vigentes, essa pessoa merece se sentir segura, acolhida e amada dentro da sua própria casa.&nbsp;</p>



<p>Na minha interpretação, para Daniel Kwan, o diretor do filme, o amor é tudo, e é este tudo que deve estar em todo lugar ao mesmo tempo.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<p><strong>Lasso Sant&#8217;Anna</strong> é Presbítero, professor de Teologia, cursa Bacharelado em História na PUCPR, Especialização em Capelania e Aconselhamento em EaD na FAPABAR e é autor de O Cristão e A Criação: Por Uma Teologia Pentecostal em Harmonia com o Meio Ambiente (2020). É aficionado por Cinema e Arte no geral, jogador de RPG, escritor semiamador, fotógrafo ainda pior e apaixonado por bicho&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/lasso_santanna/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@Lasso_Santanna&nbsp;</a></p>
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		<title>Marina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Joseani Adalemar Netto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Marina]]></category>
		<category><![CDATA[muher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Joseani Adalemar Netto</p>
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<p>Cresceu ouvindo seu pai cantar para ela e jurava, até ontem, que a música “Marina Morena” tinha sido composta em sua homenagem. Sentia-se a dona do rosto mais lindo da face da Terra. E se recusava em borrocar suas maçãs e boca com o vermelho dos batons e dos blush’s vistos nos rostos de tantas meninas da sua idade. Até ontem.&nbsp;</p>



<p>Nasceu em uma cidade pequena, de pequenos hábitos como ir à sala de cinema nos domingos à tarde, fazer avenida, como dizem os mais velhos ao se referirem a passeios pela praça central da cidade. Gostava de estudar, apesar de não ter as melhores notas da classe. Enquanto os moleques jogavam bola na rua, Marina ficava na varanda de casa com algumas colegas, conversando sobre os amores possíveis e impossíveis que sempre povoam a mente ingênua de uma menina aos quatorze anos. Não se destacava dentre suas amigas, bonitas e vaidosas, nem era tão popular, mas por possuir uma casa de varanda ampla e estratégica, as meninas sempre convocavam Marina para as conversas de fim de tarde. Sim, a varanda era estratégica. De lá dava pra ver o bar do Senhor Américo, um português carrancudo que recebe em seu estabelecimento os rapazes emancipados e que tomam cerveja. Estratégica porquê de lá dava para avistar a Rua do Meio, que deixa flagrar os homens que vão à casa de Dona Telúria, temida pelas mulheres casadas da cidade, sabe-se lá o porquê. Estratégica porquê de lá era possível ver o entra e sai das moças casadoiras na casa de Madame Vanja, uma cartomante que dizem saber o futuro de cada um que a procura e que ensina simpatias e chás pra todas as ocasiões. Todas as ocasiões. E estratégica porque todos os dias, às dezessete horas e trinta minutos, Quim passava por ali rumo à pensão da figura mais extravagante da cidade, Soraia. Uma travesti que aluga quartos em sua casa e que faz shows na boate Pedacinho do Céu, assim chamada ironicamente pelos seus frequentadores. Todas as meninas se derretiam por Quim e Marina não era diferente. Todavia, alimentava uma certeza: seu coração era dele e ele deveria ser dela, só que ele ainda não sabia disso. Quim, Joaquim Mendes Cavalcante. Rapaz alto, de pele morena, olhos acastanhados e covinhas sedutoras que faziam Marina e suas amigas suspirarem profundamente todas as vezes que ele passava diante de seus olhos. Quim trabalhava no único Posto de Saúde que havia em Santa Rita da Fé e vez por outra atendia as meninas que lá chegavam. Dor no ombro, enxaqueca, palpitações, ora, desculpas esfarrapadas, só pra verem o médico jovem, recém-chegado, e sentir bem de pertinho seu hálito de cravo. Mas Marina não se dava a esse trabalho. Sabia que ele seria dela e vice-versa, nunca duvidou disso. Por sua vez, o Doutor Joaquim atendia as meninas e as dispensava, aconselhando que fizessem um pouco de repouso, nada mais. Ele era simples e muito fechado, apesar disso, lidava com essas pequenas situações com bom humor. Quase não falava. Mas suas covinhas, quando sorria ou movimentava os lábios, seduziam, inevitavelmente.&nbsp;</p>



<p>Marina, que sempre se achou a mais linda da cidade, até mesmo mais linda que Gláucia, sua vizinha de cabelos encaracolados e sedosos, resolveu que iria conquistá-lo, para inveja de suas amigas. Pouco se sabia sobre ele. Discreto, além do trabalho só era visto nas missas de domingo e, de vez em quando, na sacada de seu quarto, na pensão de Soraia, onde lia por horas e parecia contemplar um pedaço meio rasgado de um papel que parecia ser uma fotografia. De quem seria? No auge de seus vinte e seteanos, nunca tinha sido visto com nenhuma moça e sabia-se que ele não era de Santa Rita da Fé. Havia chegado para ocupar o cargo de médico há mais ou menos uns três anos, após prestar concurso público. Desde que chegou à cidade era alvo de observações, por ser jovem ainda e ter uma vida tão acanhada pra sua idade. Não fez amizades, não se enamorou, cumpria um ritual que, às vezes, incomodava. Até mesmo pra uma cidade tão pequena. De casa para o trabalho, de casa para a missa. Essa era a rotina de Doutor Joaquim. De qualquer forma as moças andavam suspirando e apostando quem conseguiria chegar ao coração do jovem. Por conta do pedaço de papel que mais parecia uma fotografia surrada pelo tempo, Marina tornou-se obsessiva em conquistar o jovem médico. Resolveu observá-lo com mais cuidado na esperança de que aquele papel fosse nada mais que uma foto de sua mãe ou de sua família e que ele comtemplava para diminuir a saudade. Não era ingenuidade, aliás, de ingênua Marina não tinha nada. Era confiante e obstinada. E, aos quatorze anos, já sentia os hormônios fervilharem. Os rapazes já não lhe causavam ojeriza. A menina do rosto, que nunca vira um blush ou um batom, entregou-se ao exercício de observar Joaquim, a princípio de sua varanda ampla e estratégica, mas aos poucos, essa observação foi se tornando um ofício que a levaria a desvendar o mistério da hipotética fotografia. Feito Sherlock Homes, colocou toda a sua criatividade para funcionar e passou a frequentar o Posto de Saúde com dores nas juntas. Nas primeiras visitas ao médico, nenhuma novidade. Puxava conversa e ele desconversava. Porém, suas idas ao consultório foram se tornando uma rotina, o que chamou a atenção de seus pais que logo quiseram levá-la para a Capital para exames mais minuciosos. Claro, ela se recusou. Depois de umas quatro visitas tomou coragem:&nbsp;</p>



<p>__Doutor Joaquim, observo o senhor de minha varanda e vejo que gosta de ler, não é mesmo?&nbsp;</p>



<p>__Sim, dona Marina.&nbsp;</p>



<p>__Ah, por favor, sou ainda uma menina, tire o dona, me chame apenas de Marina. Qual o autor que tanto lhe prende a atenção?&nbsp;</p>



<p>__Gosto de Júlio Verne e suas aventuras.&nbsp;</p>



<p>__Hum, entendo. Você não é daqui. Já deve ter viajado muito, conhecido muitos lugares, apesar de jovem. Você parece ser um aventureiro, acertei?&nbsp;</p>



<p>__Nem tanto, dona, quer dizer, Marina. Sou jovem, mas não provei ainda das aventuras da vida. Minha maior aventura foi me mudar pra esta cidadezinha.&nbsp;</p>



<p>__E ao se mudar pra cá, tenho certeza de que deixou pra trás um grande amor&#8230;&nbsp;</p>



<p>__Perdoe-me, não entendi.&nbsp;</p>



<p>__É que tenho visto, também, um papel&#8230; uma fotografia, talvez&#8230; que parece dividir sua atenção entre as aventuras de Monsieur Júlio Verne e a contemplação da figura ali representada. Mas não quero ser indiscreta.&nbsp;</p>



<p>O silêncio entregou-o. Na certa era sim a fotografia de uma mulher. Por uns instantes a menina doce conseguiu desconcertar o médico, faces rubras e um sorriso amarelado, daqueles que indicam um flagrante qualquer. Não será fácil conquistá-lo. Fala pouco, não convive com os rapazes de sua idade. Divide seu tempo entre o Posto de Saúde, a casa de pensão e a missa aos domingos. Marina, que não era muito dada a rezas e terços, passou a frequentar assiduamente as missas e a sentar-se ao lado de Joaquim. Puxava conversa sobre qualquer assunto, pra ver se conseguia descobrir algo. Um belo domingo de primavera convidou-o para um suco em sua casa, onde também estariam suas amigas e amigos de escola. Pensou que seria uma boa oportunidade para mostrar a todos que era amiga dele e que em breve poderiam ter algo a mais. Já era bochicho na cidade a amizade entre os dois. Alguns apostavam que havia mais do que isso, outros não acreditavam em tal possibilidade. Joaquim não aceitou o convite, justificou-se de qualquer maneira, usando subterfúgios não convincentes. Aquele domingo de primavera foi o mais longo e o mais chato para Marina que não se interessou por nada do que seus amigos fofocavam. Mas não desistiu de Joaquim, aos poucos foi entendendo que ele preferia mulheres mais velhas, mais experientes. Deduções feitas a partir dos poucos diálogos que tiveram. Decidiu: “tenho quatorze anos, nunca me pintei. É hora de mostrar que já sou uma mulher”. E a doce Marina imprimiu em seu olhar um quê de sedução, um ar oblíquo e olhou-se fixamente no espelho do quarto. Examinou suas curvas, seus longos cabelos e sua pele morena.&nbsp;</p>



<p>Todos os anos, em meados de setembro, a cidade virava uma festa. A Festa da Primavera em que as belas rosas, cultivadas nos roseirais de cada casinha, eram a grande atração. Vinham pessoas dos arredores e até da capital para o momento em que se comemorava a estação mais florida do ano. Todas as moças enfeitavam-se de rosas, menos Marina, que conservava ainda a infância travestida em seu vestidinho de renda. Porém, tão florida quanto a estação mais florida do ano, lá estava Marina, com um vestido azul, impecável e que deixava entrever sua silhueta de menina transformada em mulher. Com lábios avermelhados pelo batom e sua face rosada como as rosas da estação, parecia ter desabrochado. Ninguém a reconheceu, a princípio. E ela, tal qual Perséfone, encantou a todos, menos a seu alvo: Doutor Joaquim. Este, boquiaberto, lançou lhe um olhar tão frio que a primavera com seus aromas e suas flores parecia ter se transformado em um inverno rigoroso e eterno. Marina sentiu-se desprezada, sem saber o motivo de tamanha desfeita. Correu por entre as pessoas como um bicho que foge de seu predador. Trancou-se no quarto a chorar copiosamente. Adormeceu entre soluços e revolta. Ao acordar, caminhou em direção à varanda que, estrategicamente, permitiu reconhecer a sombra de Quim com aquele maldito papel em mãos. Das bochechas rosadas e da boca vermelha restaram apenas algumas pinceladas que desenhavam na face os sulcos que as lágrimas haviam cavado em seu rosto agora amarrotado como um lençol de núpcias. E ao olhar-se refletida no vidro da porta que dava para a sala, percebeu as marcas dos sonhos desfeitos.&nbsp; Não era mais a menina doce de outrora. Sentia-se a moça mais linda da cidade, até ontem.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Joseani Adalemar Netto</strong> é natural de Santos Dumont, Minas Gerais. Formada em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Especialista em Educação Infantil, Especialista em Educação Contemporânea pelo IF-Sudeste, campus Santos Dumont e Mestre em Letras – ProfLetras UFJF. Leciona Língua Portuguesa e suas Literaturas na Rede Municipal e Particular de Santos Dumont. É membro efetivo da Sociedade Brasileira dos Poetas Adravianistas (SBPA), Coordenadora do Projeto de Leitura LeiturAMA-SD, membro atuante da Ação em Movimentos Artísticos de Santos Dumont (AMA-SD), fundadora e coordenadora da Academia Brasileira de Autores Aldravianistas Infantojuvenil – SD (ABRAAI-SD), membro correspondente da Academia Portuguesa de Ex-Libris (APEL). É contadora de histórias, palestra sobre Educação e Literatura, ministra oficinas e atividades culturais voltadas para o incentivo à leitura e à escrita tanto para estudantes quanto para a formação de professores na cidade de Santos Dumont e região. Tem seus textos publicados em antologias literárias como o Livro IV, V, VI, VII e VIII e IX das Aldravias; Antologia Juiz de Fora ao Luar; Antologia Múltiplas Palavras, UBT (JF), e-book Cronistas da Quarentena (2021), Livro foto-poema pela Lei Aldir Blanc. Possui capítulos em livros pedagógicos voltados para o Letramento Línguistico e Literário, artigos publicados em jornais e revistas voltados para a Educação. Já prefaciou livros e quarta capa para vários outros escritores e poetas. Trabalha como revisora linguística em várias publicações. É colaboradora externa no Projeto Propostas Pedagógicas para o Ensino de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Fundamental II e Ensino Médio, atuando como co-orientadora dos bolsistas de Letras na construção de sequências didáticas, do IF-Sudeste, campus Juiz de Fora e atua também no projeto de pesquisa Performances do Narrador, UFMG, com o olhar para as obras de Conceição Evaristo. Participa de forma atuante em oficinas, palestras, cursos, saraus e atividades afins. Possui certificados e medalhas de Mérito Cultural por sua atuação como fomentadora da cultura local e da região, oferecidas pela SBPA, Lesma Poesia, Rotaract, Interact, Câmara Municipal de Santos Dumont, dentre outros.&nbsp;</p>
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		<title>No meio do caminho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[impossível]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tchelo Andrade</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A culpa de todo aquele caos era da <em>saudade</em>.&nbsp;</p>



<p>Talvez eu esteja equivocada, o correto seria dizer que <em>parte do caos</em> se devia a saudade. Mas a frase, como colocada, funcionava melhor para dar início ao texto. Certamente, as pessoas que estavam naquele lugar sentiam falta do tempo no qual viveram: o tempo absoluto… &#8220;<em>No meu tempo que era bom&#8221;</em>, essa era uma das frases mais repetidas durante a confusão incitada naquele fatídico dia. O dia em que a saudade passou a doer.&nbsp;</p>



<p>Piracicaba não é uma cidade gigante, normalmente é possível ir da zona norte ao centro em apenas uma hora. Bastava apenas pegar a linha 444 – Sônia/Centro. Naquele dia, decidi romper o ciclo da minha saudade e resolvi visitar uma pessoa muito querida, contudo essa pequena viagem durou uma eternidade. E para piorar, eu nunca cheguei ao meu destino. Naquela tarde, eu aprendi da pior forma que a nostalgia de alguns pode se tornar uma navalha, ferindo permanentemente os outros. Logo eu que nunca me interessei por política, descobri que o flerte delirante com um passado glorioso talvez seja um indicador de <em>crueldade</em> – do tipo que inevitavelmente condenaria uma nação inteira.&nbsp;</p>



<p>Quando o ônibus se deparou com o <em>caos, </em>eu estava com a cabeça encostada no vidro, mexendo no celular. Uma massa histérica bloqueava o caminho e devido às <em>bandeiras</em>, podia jurar que se tratava de algo relacionado a futebol. Antes fosse! A polícia dava cabo de torcedores fanáticos rapidinho, como sempre deu, mas daquela vez foi diferente.&nbsp;</p>



<p>Diferente de um jeito que só a saudade poderia explicar…&nbsp;</p>



<p>O caso é que a pista estava bloqueada e a minha mãe enferma que eu não via há mais de seis meses me esperava do outro lado da barreira. A saudade que eu tinha dela me colocou naquele trajeto, mas a saudade de terceiros o bloqueou para sempre. Nas doze horas que permaneci ali, uma distância intransponível foi colocada entre mim e a pessoa que eu mais amava nessa vida. Na décima terceira hora, ao me ligar, minha irmã me comunicou que o infortúnio se concluiu.&nbsp;</p>



<p>Minha mãe se foi para sempre.&nbsp;</p>



<p>A saudade permaneceu e o bloqueio também.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Tchelo Andrade</strong>, 30 anos, escritor, game designer, ilustrador, produtor cultural e educador patrimonial desde 2010 tem trilhado uma jornada pelo caminho das artes independentes e do aprendizado autodidata. Atualmente estuda Licenciatura em História pela Faculdade Estácio, é liderança no projeto de impacto social Fundação Triunfo e escreve aventuras de RPG para a editora Retropunk do Rio de Janeiro</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/tchelo1999/">tchelo1999</a></p>
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<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.youtube.com/c/BodoqueTV/featured"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26890" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div></div>
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		<title>Litera-se</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[historia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Mahya Santana</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Transbordando história em meio a linhas discretas&nbsp;</p>



<p>Em linhas duras&nbsp;</p>



<p>Em vidas sofridas&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em São Luís&nbsp;</p>



<p>Desde o Parque Bom Menino&nbsp;</p>



<p>Até a Praça Deodoro&nbsp;</p>



<p>Existe um caminho que transmite ideias&nbsp;</p>



<p>A estrada conta histórias de cada viagem pelo centro&nbsp;</p>



<p>A literatura é a vida contada&nbsp;</p>



<p>A ficção composta de diferentes lugares&nbsp;</p>



<p>Das vivências comuns e diversas de seus habitantes&nbsp;</p>



<p>Geografize-se ao ponto de entender como cada lugar&nbsp;</p>



<p>Consegue transmitir sua história através de suas ruas&nbsp;</p>



<p>Trilhando caminhos&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Buscando melhores estradas para enxergar territórios&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong>Para guardar na memória&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sendo uma lembrança cotidiano&nbsp;</p>



<p></p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34495" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2021-08-16-at-11.43.57-Mahya-Santana-1.jpeg?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Mahya Santana</strong> é sagitariana ,graduanda em Geografia/UFMA, Escritora desde 2016, A escrita faz parte da minha história desde que me entendo como leitora.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/personasdegaia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">personasdegaia</a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34628" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=768%2C1366&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=205%2C365&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=480%2C854&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?resize=600%2C1067&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-10-29-as-17.51.26_90edeaec-1.jpg?w=899&amp;ssl=1 899w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço bacana de apoio e fomento à cultura pode mostrar também você e a sua marca!</h3>



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<p></p>
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		<title>A Índia</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[grito]]></category>
		<category><![CDATA[india]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Negrosoousa</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O óbvio está entre os povos. Não há um estado oculto que predomine, mas sim o estado de revelação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Após exterminada a última nação indígena e o espírito dos pássaros das fontes de água límpida, desce do céu numa velocidade estonteante, uma estrela colorida e brilhante, com pouso definido no coração do hemisfério sul, na América!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Dá-nos por contato: uma Índia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico, concebe-se aos olhos, uma índia, preservada em pleno corpo físico, em todo sólido, todo gás e todo líquido. Em um único contato, ergue-se um grito em português: O CÉU CAIRÁ!&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34566" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1200%2C1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0208-2-Negro-Sousa.jpg?w=1250&amp;ssl=1 1250w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34570" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1200%2C1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0157-2-Negro-Sousa.jpg?w=1250&amp;ssl=1 1250w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-34569" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=40%2C40&amp;ssl=1 40w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=275%2C275&amp;ssl=1 275w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=205%2C205&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=600%2C600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=1200%2C1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?resize=800%2C800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/10/DSC_0137-2-Negro-Sousa.jpg?w=1250&amp;ssl=1 1250w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Negrosoousa</strong> é artista visual, fotografo e performer. Um articulador da arte que constrói narrativas visuais a partir do diálogo entre a história e o cotidiano, assim como também traz ao mapa visual, reflexões e pensamentos a partir de imagens referenciadas no acervo histórico simbólico mundial.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/negrosoousa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">negrosoousa</a></p>
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		<title>O senhor da guerra não gosta de crianças </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[injustiça]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Lopes Garcia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A palestina é em qualquer lugar&nbsp;</p>



<p>Chovem bombas choram pessoas&nbsp;</p>



<p>A palestina é campo de concentração&nbsp;</p>



<p>O anjo Israel é cruel e vingativo&nbsp;</p>



<p>A palestina é uma faixa em Gaza&nbsp;</p>



<p>O povo eleito mata e extermina&nbsp;</p>



<p>A palestina é território de abusos&nbsp;</p>



<p>O estado autoritário tem sangue na boca&nbsp;</p>



<p>Nos olhos, nas mãos, na ponta do fuzil&nbsp;</p>



<p>A palestina sofre o estupro em grupo do Hamas&nbsp;</p>



<p>Na terra prometida aos filhos de Deus&nbsp;</p>



<p>O Antigo Testamento se prova atual&nbsp;</p>



<p>Repetidamente, dramaticamente, tragicamente&nbsp;</p>



<p>A palestina se esvai cambaleante&nbsp;</p>



<p>A divindade está do outro lado&nbsp;</p>



<p>Só de quem vai vencer&nbsp;</p>



<p>A palestina é o inferno dos palestinos&nbsp;</p>



<p>E a promessa de paraíso para os fariseus&nbsp;</p>



<p>Por que hão de dizer as nações:&nbsp;</p>



<p>“Onde está o seu Deus?”&nbsp;</p>



<p>Diante de nossos olhos, mostra aos pagãos&nbsp;</p>



<p>&nbsp;tua vingança pelo sangue dos teus servos!&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
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</div>



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		<title>Mater</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/29/mater/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Giowanella</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por que as mulheres ainda têm seu valor associado à maternidade? No início da nossa jornada como espécie, a maternidade era vista como dádiva e até mesmo com medo e desconfiança, éramos consideradas deusas por ter a capacidade de que gerar vidas, e por isso fomos respeitadas. Mas com o passar do tempo isso se modificou, os filhos viraram moeda de troca, mulheres foram desumanizadas e se tornaram meras reprodutoras. Nosso valor se media pela capacidade de gerar filhos fortes e saudáveis, já que filhos significavam força de trabalho, fortalecimento e enriquecimento de famílias, eram fonte de lucro e expansão de poder. Nós éramos apenas o meio e ainda somos. Vivemos em uma sociedade que historicamente coloca a maternidade como um ideal feminino, ela está ligada ao papel social e cultural da mulher, estabelecendo que ela só se tornará completa, realizada e inteira, quando cumprir o seu papel absoluto de mãe, esse discurso construído a partir de estruturas sociais e religiosas arcaicas, submete mulheres do mundo todo a uma pressão cruel e a uma série de desigualdades sociais e econômicas. O projeto <em>MATER</em>, através de uma série de fotografia híbrida com autorretratos da artista <em>Giowanella</em>, problematiza a relação da identidade da mulher com a maternidade. Pois mesmo com toda a liberdade conquistada pelas mulheres nos últimos anos, se faz urgente repensar e modificar nossa visão social sobre o tema, que ainda submete e coloca a mulher em espaço de opressão e desigualdade.&nbsp;</p>



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<p>&nbsp;</p>



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<p><strong>Giowanella</strong> é brasileira, atriz, fotógrafa, produtora, videomaker e educadora. Como artista visual, traz para seu trabalho a consistência e a dramaticidade do teatro, com foco no estudo e desenvolvimento do autorretrato como ferramenta crítica e de questionamento. Atualmente dedica-se à fotografia Fine Art como meio de expressão artística, buscando sempre a reflexão e crítica de questões sociais. Em 2022 iniciou seus estudos e experimentações criativas com novas linguagens, iniciando sua produção com a Fotografia Híbrida.</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/giowanella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">giowanella&nbsp;</a>&nbsp;</p>
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