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	<title>Arquivos Ano 002, N 049 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Retalhos do passado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Lage]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-medium-font-size"><strong><em>histórias “desencobertas” pelo restauro de um “Castelinho” oitocentista</em>.</strong></p>



<p class="has-drop-cap">Em 1861, Juiz de Fora recebia o imperador D. Pedro II e sua comitiva na solene inauguração da Estrada União e Indústria. Mariano Procópio Ferreira Lage, o idealizador do empreendimento, construiu no pico de uma colina, situada em sua Chácara, um castelo onde seriam acolhidos os imperiais. O local, conhecido como “Castelinho” ou “<em>Villa</em>”, tornou-se a casa de veraneio da Família Ferreira Lage. Décadas depois, Alfredo Ferreira Lage, filho de Mariano, transformou o espaço em museu, um projeto dedicado à consagração da memória paterna. Em 1921, ano do centenário de nascimento do patriarca, ocorria a inauguração oficial do Museu Mariano Procópio.</p>



<p>Ao longo desses 158 anos de história, a <em>Villa</em> não apenas atravessou trajetórias de diversas gerações, como também recebeu as marcas e os vestígios daqueles que por ela passaram. Afinal, os espaços e os objetos não apenas acompanham o envelhecimento dos sujeitos históricos, como também recebem suas marcas e envelhecem junto com eles. Desde a origem dessa edificação, diversos vestígios humanos foram sendo deixados em suas paredes, chão, teto, portas, janelas e frestas. Diversas camadas do tempo foram se acumulando e se sobrepondo umas às outras. A cada esforço de manter o monumento vivo, alguns detalhes foram lembrados e enaltecidos, enquanto outros foram ressignificados, esquecidos ou simplesmente submersos nas camadas do tempo.</p>



<p>Cada intervenção do restaurador, além de agir sobre o bem material, respeitando a sua historicidade, faz “brotar” na superfície do presente vestígios de tempos passados. “Passados” muitas vezes esquecidos, porém, latentes, que se descortinam diante de olhos atentos e interessados em entender os processos históricos. “Passados” que emergem sob a forma de “retalhos” que se complementam e se encaixam como as peças de um complexo quebra-cabeça nem sempre passível de ser completado.</p>



<p>A remoção de alguns papéis de parede da <em>Villa</em>, que se encontravam deteriorados pelo tempo, colocou à mostra diversos detalhes escondidos atrás das estampas que ornamentam alguns ambientes. Destacamos aqui, por exemplo, os desenhos feitos a mão e a colagem de jornais nas paredes. Os desenhos provavelmente serviam como estudo&nbsp;ou esboço de ornamentos a serem aplicados no teto. Alguns deles foram executados, ao passo que outros não o foram, deixando entrever alternativas e escolhas nesse processo de construção do decorativismo interno.</p>



<p>Os jornais colados, por sua vez, serviam para auxiliar na fixação dos papéis de parede. Originalmente efêmeros e pouco resistentes a uma história de longa duração, os periódicos ficaram ali parcialmente preservados, ainda que não intencionalmente. As notícias neles veiculadas fornecem importantes informações históricas sobre o contexto em que o prédio foi construído. Eles informam sobre hábitos, costumes e acontecimentos que transpassam as paredes daquele ambiente doméstico, conectando-o à sociedade, cultura, economia e política do Brasil e do mundo oitocentista. Curiosamente, um dos exemplares traz registrado a caneta o nome do “Illmo. Snr. M. P. Ferreira Lage”, o proprietário da residência.</p>



<p>Os jornais também trazem outra informação importante: alguns deles, sendo datados de 1862, confirmam a hipótese há muito tempo difundida pela tradição oral de antigos funcionários do Museu, de que o interior da <em>Villa</em> não estaria pronto na ocasião da inauguração da Estrada União e Indústria e da visita dos imperiais. Tal informação, “desencoberta” pelo processo de restauro, pode ser igualmente confirmada no texto que Ignacio de Vilhena Barbosa, historiador e arqueólogo português da Academia Real das Ciências de Lisboa, publicou no <em>Arquivo Pitoresco</em>, em 1865<em>. </em>Esse periódico integra o acervo da Biblioteca do Museu Mariano Procópio.</p>



<p>Se as paredes da <em>Villa</em> têm ouvido, não se sabe. Porém, é certo que precisamos ter olhos atentos ao que elas têm a nos dizer em frente e verso. A partir de novas perguntas, “velhos retalhos” ocultos pelas camadas do tempo podem contribuir para o avanço do conhecimento histórico relativo a esse importante monumento arquitetônico.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.  Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/f3acb-gv-72.jpg?w=950" alt="" data-id="10250" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10250#main" class="wp-image-10250" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/ed91c-gv-42.jpg?w=950" alt="" data-id="10251" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10251#main" class="wp-image-10251" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/9db53-reintegraccca7acc83o-estecc81tica-pictocc81rica_sala-de-visitas_4.jpg?w=950" alt="" data-id="10253" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10253#main" class="wp-image-10253" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/ba7b5-foto-8_10x15.jpg?w=950" alt="" data-id="10254" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10254#main" class="wp-image-10254" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/86878-foto-4_10x15.jpg?w=950" alt="" data-id="10255" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10255#main" class="wp-image-10255" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/d8cf9-foto-1_20x25.jpg?w=950" alt="" data-id="10256" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10256#main" class="wp-image-10256" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/78c68-img_1236.jpg?w=950" alt="" data-id="10252" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=10252#main" class="wp-image-10252" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A construção da memória e do esquecimento.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[esquecimento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Poliana Vieira Côrtes Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Desde a antiguidade, o potencial intelectual do ser humano serviu de objeto de estudo para pensadores como Platão e Aristóteles, e ainda permanece assim&nbsp; até os dias atuais.&nbsp; No caso da memória, por exemplo, aspectos relacionados ao armazenamento e recuperação de experiências vividas, se apresenta como uma incógnita. Ao nos depararmos com as dificuldades impostas sob este objeto de pesquisa, podemos observar a existência de uma estrutura complexa que existe na mente humana. Dentro de um ponto de vista mais abrangente, podemos perceber que, na problemática da memória, talvez essa questão esteja muito mais relacionada à reminiscência, por exemplo.&nbsp;</p>



<p>Paolo Rossi explana sobre memória, esquecimento e história no capítulo 2 de seu livro<em>: O passado, a memória e o esquecimento</em>, onde ele conta que na tradição filosófica e também no senso comum, a memória parece referir-se a uma persistência e uma realidade que de alguma forma está intacta e contínua, de maneira que é possível aproveitar experiências passadas.&nbsp; Por outro lado, diferente da memória,&nbsp; a reminiscência seria a capacidade de se recuperar algo que se possuía, mas&nbsp; foi esquecido. Ou seja, há um esforço de se resgatar algo, conscientemente ou não.&nbsp;</p>



<p>Já no livro Espaços da recordação, a autora Aleida Assman cita a Virginia Woolf quando afirma que a “memória é inexplicável”, uma vez que a variedade de suas ocorrências não é transdisciplinar somente no fato de não poder ser definido de maneira única por nenhuma área.&nbsp; Dentro de cada disciplina o fenômeno da memória é contraditório e controverso. Além dessa complexidade de definições de termos sobre a memória em si, há uma necessidade de se entender sobre ela, justamente por causa da amplitude de suas áreas de atuação. &nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, ao se falar em memória, rapidamente surge a associação com o passado, mas a memória&nbsp; não tem a ver só com o passado, ela tem a ver também com a identidade dos indivíduos, e por esse motivo, com a própria “persistência no futuro”, afirma Rossi, quando exemplifica sua teoria com o filme <em>Blade Runner,</em>de 1982. &nbsp;</p>



<p>A narrativa do filme citado passa-se em um futuro distópico, em Los Angeles de </p>



<p>2019, no qual  humanos sintéticos, conhecidos como replicantes, são biotecnologicamente projetados para trabalhar em colônias fora do planeta Terra. Eles são idênticos aos seres humanos  em quase todos os aspectos, diferenciando-se aos naturais por viverem menos e terem uma afetividade menor, e pelo fato de não possuírem  memória. Por esses motivos os humanos são invejados, pois possuir uma vida mais longa e a possibilidade de ter lembranças/ recordações, tendo então a possibilidade de experienciar o sentimento da nostalgia lhes parecia agradável. </p>



<p>Sob essa ótica, a narrativa demonstra a importância de se refletir sobre esse assunto. Como se pode enxergar uma cultura sem considerar as lembranças do processo que a consolidou? Qual a importância desse processo na vida humana? Esses questionamentos colocam em evidência a necessidade indispensável da memória para a formação da identidade de um indivíduo, bem como de um povo ou nação.&nbsp; É esse entendimento que faz com que os tribalismos, nacionalismos étnicos dentre outros sejam levados das margens ao centro da formação da história cultural do mundo. &nbsp;</p>



<p>Segundo autores, citados por&nbsp; Rossi em seu livro, a história é a interpretação crítica com distanciamento do passado, por outro lado, a memória seria uma participação com viés emotivo, fragmentado, incompleto e normalmente vago em relação ao passado. A história oficial do mundo, sempre foi contada por guerreiros vitoriosos, monarcas poderosos, pessoas ricas em cargos importantes e etc. Os fatos são contados de uma perspectiva, e os acontecimentos “menores”, particulares ou não &nbsp; são deixados à margem pois a história não foi capaz de lembrar ou não se interessou em lembrar. &nbsp;</p>



<p>Hoje culturas que sempre foram subjugadas, marginalizadas ou esquecidas têm reivindicado seus lugares de direito na história. Fazem isso pois entendem a importância que a memória tem para que suas culturas se perpetuem e não sejam esquecidas. Suas vozes precisam ser ouvidas.&nbsp; &nbsp;</p>



<p>Essa dicotomia entre memória e esquecimento, é complexa e apresenta nuances que requerem aprofundamento. Muitas vezes o cérebro descarta algumas memórias e guarda outras sem esforço consciente. Chega-se então, no termo “olvido” como defende Heidegger, que é muito amplo, mas na ciência se reduz ao esquecimento.&nbsp;</p>



<p>A ambiguidade de lembrar e esquecer é necessária e constante na vida humana, mas o fato de apagar algo da memória e viver como se aquilo nunca tivesse existido é um conceito bem radical. Entretanto, dentro da estrutura política e social, momentos históricos distintos demonstram tentativas institucionais, investidas em forma de censura, para perpetuar e conservar estruturas de poder antes estabelecidas. O texto nomeia como “assassinos da memória” aqueles que  tentam a todo custo sufocar informações e fatos por motivos ideológicos, pessoais ou quaisquer que sejam. </p>



<p>&nbsp;Rossi afirma que obras inteiras foram reescritas apagando os nomes de heróis de um período especifico. Livros foram publicados com conclusões diferentes das originais dentre muitas outras ações nesse sentido. Para não dizer que livros foram queimados e tirados das bibliotecas na tentativa de apaga-los da história. Eliminaram inúmeras pessoas e depois tentaram “apagar os apagamentos”, negar os fatos e muitos outros fatos chocantes para impedir a lembrança. &nbsp;</p>



<p>É possível citar muitos acontecimentos da história recente que os assassinos da memória “trabalharam”, como Ditadura Militar Brasileira, Guerra do Iraque em 2003,&nbsp; conflitos constantes no Oriente Médio, dentre outros. Entre esse fatos, o texto expõe opiniões sobre o Holocausto, citando relatos de sobreviventes que foram expostos ao mundo, revelando o sadismo de uma raça autoproclamada superior. Pessoas que sobreviveram a esse período histórico, tiveram que lidar com suas próprias memórias e foram impelidos a “aprender a esquecer”, como afirma a historiadora da ciência Yehuda Elkana.&nbsp;</p>



<p>Sendo assim, de acordo com o autor, é importante observar que a dicotomia&nbsp; lembrança/esquecimento é uma constante indivisível, uma vez que, ao se falar de memória, necessariamente o tema esquecimento também é citado. Por esse motivo, o texto conclui que nem sempre os atos de esquecer ou se lembrar referem-se somente ao passado, mas também ao futuro. Essa associação é possível, segundo o autor, pois, o futuro é um evento construído “por cima” dessas memórias.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Poliana </strong></strong></strong></strong></strong></strong>Vieira Côrtes Lopes</strong> é formada em artes pela UFJF, é professora, especializada em restauração e mestranda no PPG de Patrimônio da Fiocruz do Rio de Janeiro e sócia da Instituição Cultural Bodoque Artes e Ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>A memória e o poder: reflexões sobre o esquecimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[lives]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Temos um longo caminho teórico e reflexivo quando optamos por falar de memória. Era noite quando refleti sobre o que havia estudado há dois anos. O primeiro movimento é desgarrar o conceito de memória que, culturalmente, se atrela a história e, nesse sentido, mobilizo alguns autores para dialogarem conosco.</p>



<p>François Hartog irá traçar os fios dentro da modernidade nos quais encontramos os conceitos. Dirá, em linhas gerais, que a memória se entrelaça pelas semelhanças e, a história, dado a seu procedimento de redução &#8211; no sentido de ampliação do objeto a ser investigado -,pelas diferenças<a href="#_ftn1">[1]</a>. Somado ao último autor, Pierre Nora irá explorar não só a teorização dos conceitos, mas como, pela diferença, são explorados socialmente; desta forma, memória &#8220;é a vida, assumida sempre por grupos vivos (&#8230;) aberta à dialética da lembrança e amnésia, inconsciente de suas sucessivas deformações, vulnerável a todas as utilizações e manipulações, suscetível de longas latências e de revitalizações repentinas.&#8221; E continua &#8220;(&#8230;) a memória brota de um grupo, cuja união é garantida por ela, (&#8230;) a história pertence a todos e a ninguém, o que lhe confere vocação para o universal.&#8221; (NORA, 1984, p 19-20). Temos ainda Ricoeur, que analisará a memória pelo seu poder de testemunho, o que deveria conferir a ela o posto de matriz da história<a href="#_ftn2">[2]</a> e não um mero objeto desta última.</p>



<p>Podemos perceber que o debate é cercado de complexidades por se tratar de um espaço vívido de apego social. Não cabe, neste ensaio, a decisão sobre quem é mais importante; mas cabe destacar a memória, mediante a sua função de enraizamento e reconhecimento coletivo, como uma ferramenta que está, constantemente, sendo explorada como espaço de hierarquização do poder.</p>



<p>Fala-se daquilo que se lembra, e o que se lembra é construído por uma narrativa daqueles que, por leis socialmente ampliadas e aceitas acriticamente, detém o poder de legitimação. Vejamos: o patriarcado rege e organiza o pensar e agir por uma força milenar de reprodução consciente e/ou inconsciente onde se desliga a mulher, ao fim e ao cabo, dos direitos inalienáveis ao cidadão. Questiona se: &#8220;O que se considera cidadão?&#8221;; &#8220;É possível a igualdade de gênero apenas pela via jurídica?”. A Declaração de&nbsp; Independência datada de 1776, do então recém independente Estados Unidos da América, tem como frase basilar (e pop atualmente) a seguinte proposta: &#8220;<em>Consideramos estas verdades como autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade.</em>&#8221; Nota se a associação do uso de &#8220;homem&#8221; com o que poderíamos interpretar como &#8220;cidadão&#8221; contemporaneamente pelo próprio gênero do documento. Logo, o cidadão deveria usufruir do que, &#8220;autoevidentemente&#8221;, o dignifica para habitar naquela terra: vida, liberdade e busca da felicidade. Façamos as perguntas iniciais com um suporte contraposto: o voto feminino nos Estados Unidos foi promulgado na chamada Emenda Dezenove, apenas em 1919, sendo que, além da Declaração, houve a promulgação da Constituição já em 1787. E mais, quando mudou-se o tom das reivindicações na primeira metade do século XX de &#8220;direitos feministas&#8221; e &#8220;direitos femininos&#8221; para &#8220;direitos da raça humana e democracia&#8221;, foi quando ocorreram essas mudanças. Percebe-se que o cerne estará vinculado ao que, temporalmente, se compreende sobre os conceitos e, esses mesmos, são desenvolvidos &#8211; e, por isso, aceitos socialmente &#8211; por quem está no topo da hierarquia de poder.</p>



<p>Ivone Gebara analisará um aspecto interessante sobre como é incorporada a lógica capilarizada entre os gêneros. Diz: &#8220;Conta-se, por exemplo, que no mito das amazonas para portar o arco de maneira confortável elas cortavam um dos seus seios. O uso bélico próprio dos homens deforma o corpo feminino. <strong>Ao copiarem o modelo masculino, mulheres se mutilam</strong>. A ordem política está fundada sobre a violência e a guerra, com o sacrifício do próprio corpo. Por isso a absolutização do modelo masculino que destrói a diferença é catastrófica nas relações humanas.&#8221; (GEBARA, 2017, p 41). O uso do movimento é um exemplo visível das estruturas invisíveis que pairam sobre a mulher e a oprimem, não só na colonização de seus corpos, mas nas mentes, no sentido daquilo que se disponibiliza, atualmente, sobre a produção e atuação feminina ao longo da história.</p>



<p>Cabe a mim discorrer sobre como a memória, cotidianamente, é utilizada para a via do apagamento e marginalização daqueles que, de fato, estão na história &#8211; e isso é irrevogável -. No entanto, sua participação passará pelo crivo daqueles que regem e organizam um determinado grupo. Reflito, assim, sobre como a intolerância &#8211; entre mil outros aspectos segregatórios &#8211; tem impulsionado o esquecimento e marginalização de indivíduos históricos por sua própria atuação no presente. A memória é uma ferramenta de poder e, quem a controla, define o futuro do espaço que, hierarquicamente, distingue quem assume o topo. Temos ainda, a polarização e o fanatismo na arena pública e privada que delibera, descaradamente, sobre quem tem o direito e/ou espaço de fala, mas isso é conversa para o próximo ensaio.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> para maiores detalhes, ver: HARTOG, Fraçois. <strong>Regimes de historicidade &#8211; Presentismo e experiências do tempo</strong>. 1. ed. [<em>S. l.</em>]: Autêntica, 2013.</p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> para maiores detalhes, ver: PAUL, RICOEUR.&nbsp;<strong>A Memória, a História, o Esquecimento</strong>. 1. ed. [<em>S. l.</em>]: Editora da Unicamp, 2018.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil. </p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/bordados.indelicados/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1127c-rebeca-lesbians.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8790" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>A solidão e o processo de construção artística no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  André da Silva</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-small-font-size">“Parece que aprenderíamos algo acerca da arte se intuíssemos o que a<br>palavra solidão pretende designar. Tem-se abusado muito dessa palavra.<br>Entretanto, o que é que significa “estar só”? Quando é que se está só?<br>Formular essas interrogações não deve somente levar-nos a opiniões<br>patéticas. A solidão, ao nível do mundo, é uma ferida sobre a qual não cabe<br>aqui tecer comentários” BLANCHOT, Maurice.</p>



<p class="has-drop-cap">Estar só é estar partilhando com parte do mundo uma angústia única e, ao<br>mesmo tempo, plural. Na solidão, produzimos e apresentamos ao mundo novas<br>formas de estabelecer uma ligação com nossos sujeitos. De nós para nós mesmos,<br>de nós para-o-mundo. Estabelecer algo é dar um ponto de partida para uma criação<br>sem fim e essa é a possibilidade de (re)conhecimento na solidão do mundo: poder<br>lançar ao mundo uma criação que possa ser resgatada, usufruída e potencializada<br>por outros sujeitos. Nessa solidão partilhada, encontra-se a arte, a cultura e toda a<br>produção fomentadora de uma cadeia tão pulsante e convicta que sustenta famílias,<br>mesas, ouvidos, olhos e corações. A arte é a minha apresentação ao mundo, o que<br>existe atrás de mim, minha mais pura revelação.</p>



<p>O artista, quando cria, enuncia um rompimento com o mundo que conhece.<br>Essa ação de revolta com o mundo que o moldou, que o recebeu sem sua<br>permissão, é a chave para uma revolta interna, uma solidão construtiva, um elo<br>entre a vala seca da produção e o longínquo sol que enuncia a instância de um<br>novo potencial produtivo e revigorante. Colocar-se nesse ato de revolta com o<br>mundo é colocar-se fora da história onde prevalece aquela velha máxima olhar para<br>fora da bolha. Enquanto eu produzo na solidão, me distancio de uma história para<br>possibilitar a construção de algo novo, nessa conversa subjetiva que acabo criando.<br>Não posso limitar a discussão sobre ser-na-solidão sem perpassar<br>discussões para além dos campos plurais e produtivos da arte brasileira, tão ricos e<br>construtivos na nossa sociedade. O segmento da música, por exemplo, na canção<br>Solidão, de Alceu Valença, nos revela “A solidão é fera; é amiga das horas; é prima-<br>irmã do tempo; e faz nossos relógios caminharem lentos; causando um<br>descompasso no meu coração.” A dor na solidão é potencial de construção no<br>tempo, por mais lento que seja. A dor que o artista sente é a que flagela e ao<br>mesma a que afaga.</p>



<p>Outro artista que provoca a conversa sobre a dor da solidão é Gilberto Gil. Na<br>música Dança da Solidão, escreve Solidão é lava; que cobre tudo; amargura em<br>minha boca; sorri seus dentes de chumbo […] quando vem a madrugada; meu<br>pensamento vagueia; corro os dedos na viola; contemplando a lua cheia. É<br>inevitável deixar de caminhar pelos campos tempestuosos na solidão sem levar<br>adiante um movimento que contempla, logo, o artista refaz o mundo por sua conta,<br>como nos revela Albert Camus em O Homem Revoltado.<br>Enquanto isso, tratando de um embate da classe artística com a<br>governabilidade brasileiro, o campo tempestuoso no qual o artista precisa trafegar é<br>abarcado por sujeitos que tentando recontar, por veias fixadas no amargor de uma<br>tradição nefasta, perspectivas passadas que interferem nos processos de criação e<br>(re)apresentação dos sujeitos que fomentam as cadeias artísticas do nosso meio.<br>Fixar, estruturar, tradição. A (in)segurança do conservadorismo tradicional<br>interrompe a busca pela alçada à um lugar que o sujeito artístico tanto anseia, e<br>provoca um totalitarismo contra uma revolta coletiva.<br>Estar presente na busca pela instância não é fixar um lugar, mas construir<br>traços e laços de progressão para que os moldes sejam reestruturados, reescritos,<br>reutilizados, (re)imaginados. Por isso o artista é (in)diferente, quando solitário é.<br>Esse constante vir-a-ser demonstra a clareza multifacetada do sujeito.<br>A produção, entretanto, é lenta e a clareza anseia em ser coberta pelo<br>obscurecimento à essa clareza. Em tempos introspectivos, até mesmo para<br>estabelecer nossas conversas subjetivas, o algoz maior se torna nós mesmos, muito<br>por conta de uma interferência exterior, das mazelas que a classe sofre diante das<br>qualidades de trabalho e oferta na produção (produção essa incessante, dolorosa e<br>sofrida). Deixar levar-se pela história é afastar a luminescência dos seus pares<br>quando o que está em jogo é estabelecer-se nesse tempo para contrapor o que aí<br>está, que não nos é frutífero e/ou eficaz.<br>A revelação subjetiva em meio ao absurdo da existência, aquela que provoca<br>a intersubjetividade entre os sujeitos que compactuam com as mesmas crises, é o<br>que provoca nossos laços criativos, nossas potenciais angústias, mesmo que<br>introspectivos, para uma criação sem fim, interminável e revigorante.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>André Rodrigues da Silva</strong> é mestre em Educação, cursou Filosofia e estuda Letras &#8211; redação e revisão de textos pela UFPel. Lê Camus, admira filmes do expressionismo alemão e gosta de Benito. Um peregrino</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Pesquisa sobre os impactos da COVID-19 nos setores culturais e criativos do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No dia 10 de junho, um grupo formado por pesquisadores, sociedade civil, instituições e a&nbsp;<a href="https://pt.unesco.org/news/lancamento-da-pesquisa-nacional-percepcao-dos-impactos-da-covid-19-nos-setores-culturais-e">Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)</a>&nbsp;lançou uma pesquisa para avaliar os impactos da COVID-19 nas cadeias de produção e distribuição dos setores culturais e criativos.</p>



<p>Juntos, esses setores movimentam R$ 171,5 bilhões por ano, o equivalente a 2,61% de toda a riqueza nacional, empregando 837,2 mil profissionais. Antes da pandemia, era previsto que os setores culturais e criativos gerassem R$ 43,7 bilhões para o PIB brasileiro, até 2021. Duramente atingidos, praticantes, empreendedores, artistas e trabalhadores desses setores serão os últimos a retomarem suas atividades.</p>



<p>Entendendo a necessidade de confirmar e complementar cenários já capturados por outras pesquisas, compreender em profundidade as realidades estaduais e municipais, e oferecer informações aos gestores públicos em tempo real, a pesquisa pretende dimensionar os impactos de curto e médio prazo da pandemia nos setores culturais e criativos no Brasil, subsidiando a formulação de políticas que possam enfrentar os impactos identificados.</p>



<p>Para coletar o máximo de informações possíveis, foi elaborado um questionário que pode ser respondido por artistas, técnicos, trabalhadores, empreendedores, gestores públicos e privados, e membros de grupos tradicionais.</p>



<p><a href="https://iccscovid19.paperform.co/"><strong>Participe da pesquisa clicando aqui</strong></a></p>



<p>A equipe técnica, composta por pesquisadores, gestores públicos e privados produzirá boletins com resultados parciais e um relatório final. No portal&nbsp;<a href="http://iccscovid19.com.br/">http://iccscovid19.com.br/</a>&nbsp;é possível encontrar os resultados da pesquisa, notícias, e informações sobre ações adotadas para enfrentar os efeitos da pandemia nos setores culturais e criativos no Brasil e no mundo.</p>



<p><strong>São parceiros dessa iniciativa:</strong></p>



<p>Representação da Unesco no Brasil<br>Universidade de São Paulo<br>Sesc – Serviço Social do Comércio<br>Fórum dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura<br>Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas<br>Secretaria de Cultura do Estado do Bahia<br>Secretaria da Cultura do Estado do Ceará<br>Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo<br>Secretaria de Estado de Cultura do Maranhão<br>Secretaria de Estado de Cultura do Pará<br>Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná<br>Secretaria de Cultura do Estado do Pernambuco<br>Fundação de Cultura e Arte Aperipê do Estado de Sergipe</p>



<p>Para maiores informações:&nbsp;<a href="mailto:contato@iccscovid19.com.br">contato@iccscovid19.com.br</a>.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/participe-da-pesquisa-sobre-os-impactos-da-covid-19-nos-setores-culturais-e-criativos-do-brasil/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 12/06/2020 &#8211; Atualizado em 12/06/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/naia_nastasia/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/9dc4f-naia1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10135" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>Texto-rio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luísa Biondo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesses últimos meses venho me debruçando sobre estudos de copywriting, ux writing e técnicas de SEO. Quanto mais eu me aprofundava nesses engarrafamentos de palavras, mais eu refletia sobre o meu processo de escrita. Por consequência, quanto mais eu divagava sobre o assunto, mais próximo eu chegava de uma conclusão: a escrita é um rio.</p>



<p>Segue o fluxo.</p>



<p>A escrita nasce da chuva de ideias.&nbsp;</p>



<p>Como gotículas de água, cai sobre a superfície do texto de maneira aleatória.&nbsp;</p>



<p>No início, as gotas caem aleatoriamente, mas quando se unem formam uma pequena nascente e o texto começa a surgir.</p>



<p>A escrita flui pelos dedos até transbordar ideias, contextos e reflexões.&nbsp;</p>



<p>A escrita, como um rio, deve fluir e conduzir os leitores.</p>



<p>Os leitores escolhem entre seguir refletindo pela margem, boiando pela superfície ou mergulhando, sem medo, no amontoado de palavras.&nbsp;</p>



<p>Como um rio, a escrita vai correndo, contornando obstáculos com liquidez e flexibilidade, vai banhando a terra e levando vida, até que desague no mar.</p>



<p>Não sei o que acontece quando a escrita vira oceano, mas, por hora, me contento em imaginar a minha escrita como um rio. Tem sua própria forma, segue suas próprias regras e&#8230; acima de tudo, é livre!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luisa Biondo</strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong>é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Role a pedra, Prometeu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[domingo]]></category>
		<category><![CDATA[massa]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Eram duas e quarenta e nove da manhã quando abriu os olhos. Estendeu a mão para o chão, na direção da cabeceira da cama, para alcançar o celular e conferir se alguém tinha ligado ou enviado mensagem. O claro forte da tela no escuro do quarto fez com que apertasse os olhos e, aos poucos, fosse vendo sem que as coisas parecessem embaçadas. Nenhum registro de chamadas, nenhuma mensagem. Como já tivesse acordado, resolveu levantar e beber um pouco de água; cambaleou no breu primeiro entre o quarto e a cozinha e depois de volta. O celular continuava na mão sem um motivo consciente específico, mas sentia que caso o deixasse longe, por pouco tempo que fosse, alguém poderia ligar.</p>



<p>Sentado na cama, olhou a parede em frente, onde havia colocado a televisão alguns meses antes. Naquele momento, a luz difusa do poste que entrava pela janela era amarelada o suficiente para se refletir na tela da TV e captar um simulacro da sua própria imagem. Distorcido, com a cabeça na forma de uma chama de vela, percebeu que o seu duplo fazia movimentos engraçados quando ele se movia. Eram contorções psicodélicas que esticavam seu rosto ou o engordavam, caso olhasse para cima ou para a direita. Ficou assim, brincando com o reflexo por algum tempo, até que a graça se foi. No meio da madrugada, ele se sentia muito solitário.</p>



<p>Deixando o celular ao lado da sua coxa, recostou-se na parede e começou a se lembrar do dia anterior. Aquele tinha sido um dia cansativo. Acordou cedo para ter tempo de se arrumar com calma &#8211; o que não serviu exatamente para isso, já que se atrasou do mesmo jeito. Preparou rapidamente o café bem forte que bebeu sem açúcar, ao mesmo tempo que mastigava duas torradas secas. Morava sozinho, e por isso deixou a mesa por arrumar. Enquanto saía, arrancou uma banana do cacho, descascou e começou a mastigar junto com a chave passada na porta. Eram seis e vinte quando chegou no ponto do ônibus. Deveria estar no trabalho às oito.</p>



<p>Uma quarta-feira agitada, como costumavam ser os dias em uma lanchonete na beirada da rua. Os clientes eram, na sua maioria, insatisfeitos com a vida e especialistas em fazer com que os funcionários soubessem claramente disso. Tinha ficado de pé, no caixa, das oito até às dezoito, tendo duas horas de almoço e mais dois pequenos intervalos no meio da tarde. Era início de mês, e o movimento aumentava sensivelmente naqueles dias que casavam com a data das folhas de pagamentos do funcionalismo público. Talvez tivessem passado por ele, naquela quarta-feira, mais de mil pessoas. A maioria delas era completamente esquecível: estavam imersas demais no clichê da normalidade cotidiana; apressadas, olhavam para o chão, mexiam no celular &#8211; ele não podia fazer o mesmo durante o expediente. Se lembrava, porém,&nbsp; de alguns clientes <em>especiais, </em>dentre eles o &#8220;seu&#8221; Raimundo, um policial militar aposentado que ia todos os dias na lanchonete, de manhã e no final da tarde, para tomar seu café &#8211; que exigia fosse servido em um copo americano. Sempre que chegava, ele mexia com as meninas do balcão e logo acenava com a mão para o caixa, como se fizesse um gesto de alegria estalando o indicador da mão direita sobre o dedo médio e o polegar, seguido do cumprimento “<em>Tudo na paz, meu garoto?</em>”. Quando estava animado, bebia o café e passava horas contando histórias de quando serviu no batalhão de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, onde dirigia a viatura da rádio patrulha. Seu Raimundo era magro e tinha a pele levemente morena, com um bigode que ficou grisalho antes do cabelo. No meio das histórias que contava, repetia fatalmente uma ou outra, e às vezes mudava os desfechos, mas isso importava menos do que contar.&nbsp;</p>



<p>Além daquilo, o dia foi só mais uma edição do clássico <em>role a pedra</em>. Abriu o caixa, registrou as vendas, fechou o caixa, conferiu mercadorias, organizou reposição. O horário de ir embora chegou, e ele terminou ficando ainda mais trinta minutos preso na resolução de um pequeno problema com a máquina de cortar mussarela. Repetindo o trajeto da manhã, foi para o ponto de ônibus tomar nova condução lotada. Chegou em casa eram oito e quinze na noite. Tomou banho, comeu mexido de ovos e presunto, pegou uma edição de Frankenstein, de Mary Shelley (que estava lendo há mais de um mês), e descansou no sofá.</p>



<p>Desde que entrou em casa, o celular permaneceu nas suas mãos. Conferia e reconferia as redes sociais, sem saber exatamente o que procurava. Na verdade, pode ser que soubesse: ele sentia falta de companhia. Tinha namorado algumas vezes, mas nos últimos tempos, &#8211; fosse pela pressão da crise que ameaçava fazer com que perdesse o emprego toda semana ou pela saudade em que mergulhou depois da morte da sua mãe dois anos antes -, o fato é que ficava pesado demais continuar sozinho; mas ele parecia não conseguir fazer qualquer coisa sobre isso. Além do mais, se sentia tímido, introspectivo e sem atrativos para outras pessoa. Quase não saía de casa. Gostava de ler, tinha vontade de um dia se formar em alguma coisa que envolvesse leitura, mas não poderia fazer assim enquanto precisasse trabalhar. Vivia no apartamento que era da mãe, o que o aliviava do aluguel; mas mesmo assim, o dinheiro era contado.</p>



<p>Quase às quatro da manhã, ele repassava não só mais o dia, mas sua vida como um todo. Como acontece a todo rapaz que começa a deixar de ser menino para começar a ser adulto, ele se perguntava o porquê do ônibus, do trabalho, da solidão, do celular. A casa parecia estranha, a cama parecia estranha, ele mesmo não agia como se estivesse normal. Alguém ligaria para ele? Além da irmã que vivia em São Paulo, mais quem tinha o seu número? Não adiantava esperar mais. Tentou se lembrar dos amigos da infância, mas foi em vão; sua memória só resgatou crianças brincando no pátio do colégio estadual. Quando cresceu, foi como se afunilasse a vida: nasceu muitos, cresceu um só.</p>



<p>Essas coisas todas passavam por sua cabeça com rapidez, e ele sentiu medo do que poderia fazer. Teve vontade de se matar e pensou em pular da janela; como vivia no segundo andar, porém, calculou que a queda não levaria à morte, só causaria escândalo. Não costumava tomar remédios, então não os tinha disponíveis. Também descartou a possibilidade de cortar os pulsos, por imaginar que não teria coragem. Na medida em que ia anulando as alternativas de que dispunha para deixar de existir, sua angústia aumentou e ficou tão grande que, encostado na parede como estava, levou as mãos no rosto como a criança que sente vergonha e chorou. Se alguém perguntasse porque exatamente chorava, ele não saberia dizer. Mas alguma coisa se movia com tanta força por debaixo da pele e aquecia seus rins numa mistura de calor e friagem que era como se seu espírito se condensasse na região mais alta da cabeça e chovesse pelos olhos. Fazia barulho, soluçava, se engasgava e, quando parecia que ia parar, era como se um pêndulo voltasse a se movimentar recomeçando o ciclo. Deve ter ficado assim por mais de uma hora, porque quando adormeceu, o dia já estava clareando. Não foi trabalhar na quinta-feira; mandou uma mensagem ao dono da loja e disse que estava com febre. Caso quisesse, poderia descontar o dia.</p>



<p>Acordou ainda melancólico, mas no fundo desse temporal existia um ponta de alegria. A princípio, teve pudor de notar que era assim; mas na medida em que o dia passava, foi perdendo a reserva de si. A vida que levava, o ônibus, o trabalho, as horas-extras, tornar-se nomofóbico, nada disso fazia o menor sentido. Talvez o Seu Raimundo fizesse, mas o resto não. Riu de si mesmo e da existência que repetia, irracional, há anos. Quando pensou assim, riu mais ainda. Até aquela madrugada, sofria porque não sabia qual seria o sentido das coisas. Depois de chorar toda a noite, percebeu que as coisas não tinham sentido algum. Para muitos, isso seria um fim tenebroso; mas para ele, não. Não ter um sentido específico, quer fosse o céu ou a riqueza, o diploma ou filhos, significava transitar por todos eles. Fazer o que se faz por escolha é muito diferente de fazer o que se faz por compulsão.</p>



<p>Na sexta-feira, ele voltou ao trabalho normalmente. Mesma rotina. Prestou mais atenção no Seu Raimundo. Em casa, terminou Mary Shelley e decidiu que faria uma conta no Tinder.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/6f36c-angola.png?w=950" alt="" class="wp-image-9947" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p></p>
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		<title>liguei pela terceira vez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Deborah Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Vieira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">eu queria saber se distanciamento era de fato
necessário, causado por algum motivo não determinado,
superveniente, inevitável,
irresistível e fora do alcance humano.
porque se fosse assim, seria totalmente justificável.
houve algum afeto do qual não me lembro?
alguma coisinha de nada que tivesse ficado no fundo de uma gaveta?
um convite extraviado?
você, você, você
são tantos que pra você, um eu são eus
você que tem em seu bolso direito a primeira inconfidência
e em seu bolso esquerdo o primeiro susto,
daqueles que deixam as bichas da barriga atacadas.
em sua mão direita, a minha esquerda
que se derretia e se refazia e voltava a se derreter
durante as orações
durante a subida até o topo do monte
de onde pendem as cruzes, todas elas
que é onde as coisas terminam ou nunca começam
onde encontramos um motivo cruz-credo
concreto o suficiente para jogar os móveis pela janela.
houve algum afeto do qual não me lembro?
alguma coisinha de nada que tivesse ficado no fundo de uma gaveta?
um convite extraviado?
você, você, você.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Deborah Vieira</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é formada em Letras pela Universidade Federal de Pelotas e é mestranda em Literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Acompanhe a Déborah no <a href="https://www.instagram.com/eueradeborah/">Instagram.</a></p>



<p><strong>Fotografia</strong> <strong>por:</strong> <a href="https://www.instagram.com/clickcarolina/">Carolina Ferreira</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/87819-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Dog Whistle</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/14/dog-whistle/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
		<category><![CDATA[minneapolis]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=10271</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/14/dog-whistle/">Dog Whistle</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na vida e na arte nem tudo é exatamente o que parece. Nossa capacidade de atribuir significados ao que nos cerca geralmente vai muito além das impressões lógicas, já concebidas no imaginário coletivo em geral. Isso quer dizer que, em linhas gerais,  o significado do que vemos, nem sempre se reduz às definições do senso comum.</p>



<p>Sendo assim, logo podemos perceber que nossas ações, roupas e objetos pessoais, carregam significados que vão além da sua utilidade habitual. Em alguns casos, alguns desses objetos, comportamentos ou roupas, podem ser utilizados por grupos para simbolizar algo maior, algo em comum.</p>



<p>Com o fim da segunda guerra mundial, os nazistas foram perseguidos e a ideologia nazista criminalizada. Por outro lado, na modernidade, outros símbolos foram levantados para manter o culto ao ego supremacista vivo nas alcovas da sociedade. </p>



<p>Na Alemanha nazista de Hitler, Joseph Goebbels fazia reuniões incentivando os participantes a beberem leite. Segundo historiadores, o gesto simbolizava o reinado do povo ariano sobre os outros povos, e não por acaso também foi utilizado pelos defensores do <em>apartheid</em> na África do Sul, onde as ideias racistas se baseavam também na capacidade de digerir a lactose.</p>



<p>No cinema, vários filmes se apropriaram do consumo de leite por vilões para abrir interpretações capazes de caracterizar a influencia do pensamento nazista em comportamentos de violência extrema, supremacia branca e ideologias hoje acolhidas pela extrema direita no espectro político moderno.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5da59-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10273" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/53d64-image-3.png?w=950" alt="" class="wp-image-10275" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ff1b0-image-5.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10277" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Hans Landa, personagem nazista de Bastardos Inglórios / Crédito: Divulgação</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9a595-image-6.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10279" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cena de Rose Armitage em Corra / Crédito: Divulgação</figcaption></figure>



<p>Nesse sentido, movimentos neonazi se aproveitam da suposta ingenuidade contida em um copo de leite para realizar o que conhecemos como Dog whistle, ou &#8220;Apito de cachorro”. Caso você não saiba, a prática do Dog Whistle consiste em uma mensagem política que emprega uma linguagem em código que parece ter determinado significado para o senso comum ou para a população em geral, mas que esconde um significado específico e diferente para um subgrupo alvo. </p>



<p>Por isso, desconfie de pronunciamentos políticos que possuem um copo de leite adornando sua mesa, rodeado de sorrisos largos. Nem sempre as coisas são o que aparentam ser.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/renatadore/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/83c9d-dorea2-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10119" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Ode ao Conservador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 049]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Guilherme Couto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Num presente não tão distante,
Anunciado pelo som de um berrante,
Nascerá, de bem perto, um levante.
Será dum grupo marcado pelo seu semblante.
 
Nele estarão uns tais fiscais da produtividade
(Ou pode chamá-los donos da verdade),
Que virão, a serviço de uma sociedade,
Questionar se arte tem alguma utilidade.
 
Cerão ceres de extrema inteligência.
Sensores atentos a qualquer impertinência.
Toda produção há de ter muito mais valor.
 
Como não pretendo ser um esquerdista exilado,
Deixo logo meu útil recado ao futuro leitor:
Tome cuidado quando for beber água deitado</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Guilherme Couto</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é uma pessoa jovem. Ele crê que, em toda parte, há arte.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/87819-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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