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	<title>Arquivos Ano 002, N 061 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Ciclotimia Quarentenal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:30:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Ciclotimia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Rotina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/06/editorial-ciclotimia-quarentenal/">Editorial – Ciclotimia Quarentenal</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Ci.clo.ti.mi.a: substantivo feminino; padrão de personalidade caracterizado por períodos de excitação, euforia ou hiperatividade, que alternam com outros de depressão, tristeza ou inatividade, e que, normalmente, não configura traços psicóticos.</em><br></p>



<p class="has-text-align-left">Eu devo confessar que já faz umas semanas que não me empenho em ouvir notícias, e não é porque eu não gosto de estar informada. Pelo contrário: cada vez mais, eu me torno uma &#8216;news junkie&#8217;, como diria um amigo querido &#8211; o que é um processo comum em jornalistas que entram na faculdade odiando reportagem e se formam em um mundo onde a produção de notícias é um ponto de altíssima sensibilidade. Mas não nessas últimas semanas; no último mês, talvez, eu tenho feito é esforço para acompanhar o tudo recheado de nada que continua se alastrando pela nossa temporalidade.</p>



<p>Eu não vou nem entrar no mérito de notícias confiáveis ou falsas; conheço bem minhas fontes de informações e minhas críticas a elas enquanto profissional. Não é isso o que me desanima. E nem mesmo a podridão do mundo, que acho que já chegou a um ponto de deixar meu cérebro dormente.  Minha família diz que é sobrecarga; minha psicóloga culpa a ciclotimia; já a minha psiquiatra diz que é ansiedade e enche a minha cara de antidepressivos &#8211; como se eu precisasse de mais algum indutor de dormência. Não, não estou reclamando dos meus companheiros encapsulados diários, não me entenda mal. Eu só acho curioso, mesmo.</p>



<p>Ciclotímica que sou (gosto de concordar com a psicóloga), tenho processos curiosos de euforia e depressão que pouco têm a ver com a realidade ao meu redor. Em um momento epifânico, a minha mente ficou em silêncio, eu vi umas flores amarelas pela janela e percebi o quão pacífico era tudo ao redor. Clichês são clichês por uma razão. Dentro disso, reparei que a gritaria na minha mente tinha muito a ver com as notícias. Tudo recheado de nada.</p>



<p>Longe de mim criticar o trabalho essencial dos meus colegas de profissão. Na sociedade do progresso, a estagnação precisa ser noticiada. Ela diz muito sobre muita coisa. Mas, em verdade, não diz nada sobre o ritmo das nossas vidas humanas, tão amplamente desconsideradas no movimento de pauzinhos do jogo político.</p>



<p>Em um momento de quarentena, a minha vida parece que se torna uma montanha russa cada vez mais veloz e cheia de loops. Minha mente grita tanto que me vejo obrigada a viajar 529 km para ter algum espaço de respiro e retomar uma rotina minimamente saudável. A ausência de substância no excesso de acontecimentos me agita, e me deprime, em ciclos que vão de um extremo a outro em doze horas. E isso definitivamente não é exclusividade minha: há de se convir que o  retrato mais caricato de uma quarentena consiste em um ser humano sozinho, andando pela casa desorientado, e eventualmente jogado no colchão, inerte. O ímpeto e a impotência de mudar o mundo nos atingem em cheio. </p>



<p>Apesar de não sentir qualquer impacto pessoal em relação aos não-acontecimentos anunciados pelas notícias diárias e, com certeza, o peso mental diminuir, a verdade é que ainda me esforço para me manter informada. A sociedade na informação nos incute tal obrigação; e, nesse momento, ela é ferramenta de proteção de nós mesmos e dos nossos.  </p>



<p>Mas não se atenha só às notícias. O mundo está aí, pra quem quiser ver.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Festa de Casamento</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/06/festa-de-casamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Uchida</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><strong>Artista: Gabriel Uchida</strong></em></p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><strong>Curadoria: Gabriel Bogossian</strong></em></p>



<p class="has-drop-cap">O mundo indigena, no Brasil, e enorme; embora estruturadas contra um passado comum de violencia e conquista, suas feicoes variam conforme o historico do contato de cada povo conosco, os outros. Os Surui, apesar de terem relatos narrando encontros com o mundo nao-indigena que remontam ao seculo XIX, foram ofcialmente contatados em 1969 por Francisco e Apoena Meirelles. Rondonia, entao territorio federal, se encontrava na rota do progresso, em meio a um intenso processo de colonizacao que faria sua populacao praticamente sextuplicar nos dez anos seguintes, periodo em que a terra indigena (TI) do povo foi repetidas vezes invadida.</p>



<p>Na primeira metade da decada de 1980, a implantacao do Programa de Desenvolvimento Integrado do Noroeste do Brasil levou a novas invasoes; a ma administracao dos recursos do programa e a falta de politicas publicas que garantissem a qualidade de vida do povo e a integridade do seu territorio fez com que, no fnal da decada, funcionarios da Funai estimulassem liderancas Surui a venda de madeira retirada da TI. Alem disso, a proximidade com a cidade e a acao da Funai fez com que um novo padrao alimentar, baseado em arroz, feijao e acucar, fosse introduzido nas aldeias, o que gerou uma nova forma de plantar e uma nova divisao do dia, com horas marcadas para atividades alimentares, de recreacao e de plantio. Trinta anos depois do contato ofcial, o mundo Surui ja tinha sofrido importantes e profundas transformacoes.</p>



<p>Os Surui se nomeiam Paiter, &#8220;gente de verdade, nos mesmos&#8221;. Hoje vivem em mais de 20 aldeias, distribuidas entre Mato Grosso e Rondonia, e tem marcante presenca nas universidades e nas cidades proximas a TI. Um de seus caciques, Almir Surui, e uma lideranca nacional importante no mundo indigena, com grande transito na politica internacional.</p>



<p>No dia 28 de setembro de 2019 – cinquenta anos depois do contato, portanto –, na aldeia Joaquim, em Rondonia, Pabab, sobrinho de Almir, se casou com Angelica. A cerimonia, evangelica, foi ofciada pelo pastor que semanalmente visita a aldeia. Como costuma acontecer nessas situacoes, foi uma grande festa: mais de 200 pessoas, bufe, decoracao.</p>



<p>O fotografo Gabriel Uchida, amigo de Pabab, frequenta a aldeia desde 2016, onde e recebido em casa por diferentes familias. Convidado para o casamento, Uchida ofereceu como presente um registro fotografco dos convidados. No dia da festa, ele prepara seu cenario – um fundo lilas claro, levemente amarrotado – e espera aqueles que queiram fazer uma foto.</p>



<p>Os retratos tem um minimo de direcao; cada um se posiciona e posa para a camera espontaneamente; como de costume, alguns tem mais desenvoltura, outros menos. Existe tambem alguma pressa, ja que e preciso aproveitar a luz do dia e contornar os chamados da festa. O resultado sao retratos positivamente simples, onde o tom informal revela com naturalidade a intimidade e a felicidade daquele momento.</p>



<p>Muito pouco foi produzido para a fotografa: somente o fundo contra o qual posam os retratados e os bilhetes com votos de felicidade escritos por alguns deles. Como se buscasse desfazer qualquer indicio de solenidade, em duas das imagens Uchida decide revelar o que esta alem do cenario: vemos um fragmento de mata, um pedaco do chao da aldeia. Existe, entremeado as roupas elegantes, aos sapatos e aos colares, um desejo consistente de nao produzir nem a fotografa classica de casamento, nem o habitual retrato do mundo indigena.</p>



<p>No que diz respeito ao dialogo afetivo, a serie foi bem sucedida: Pabab e Angelica adoraram o presente. No que concerne ao dialogo entre os mundos indigena e nao- indigena, tambem: afnal, a fotografa produz aqui um novo relato de um certo Brasil para nos, habitantes distantes da fronteira onde o contato e cotidiana e radicalmente vivido – e assim, descortinando outro bocado do presente, confere mais acuidade ao exercicio interminavel de continuar a imaginar o futuro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8099f-01.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11915" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/570bb-02.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11916" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cf987-03.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11917" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/565c5-04.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11918" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6481-05.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11919" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0ad12-12.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11929" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f0327-13.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11930" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Gabriel Uchida</strong> tem 33 anos, e natural de Valinhos/SP e se formou em Jornalismo na Universidade Catolica de Santos. Apos morar, trabalhar, expor e publicar em dezenas de paises, o fotografo retorna ao Brasil em 2016. Contudo, a volta se da direto a Amazonia, onde Uchida passa a viver desde entao. Constantemente viajando por varios Estados do norte, mas com base em Porto Velho, Rondonia, o artista encara entao uma nova fase – focado apenas na tematica indigena, com uma linguagem menos jornalistica e mais contemporanea, somadas a um tom de ativismo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: O PROJETO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[caçadoras de histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap"><em>Diana Gabaldon escreveu um romance que ultrapassa os limites de espaço-tempo chamado “Outlander”.&nbsp; Certa vez, uma das personagens gritou com toda força de seus pulmões em meio ao infinito do Oceano Atlântico: “Uma história contada é uma vida vivida”.&nbsp;</em></p>



<p><em>Esse pensamento ecoou no meu coração, fazendo então uma vida inteira ter sentido. Contar nossas histórias é como deixar nossas impressões digitais em outro coração, e é isso que Ordália, 73 anos, nascida no estado do Paraná, vive no Rio Grande do Sul, por escolha de alma.&nbsp;</em></p>



<p>“Vou contar minha história porque hoje tenho a coragem que bebi aos poucos ao longo de uma vida inteira.<br><br>Nasci no estado do Paraná, num vilarejo que hoje já não existe. Meu pai era italiano, casca grossa. Já minha mãe, espanhola e de mão macia que me ensinou o que é o amor. Éramos muitos irmãos e irmãs num casebre que dava para espiar a lavoura de algodão pelas frestas. Aos 5 anos, minha mãe faleceu e foi a maior dor que já conheci&#8230; Ficamos todos com o pai e tínhamos que trabalhar na roça de sol a sol. A colheita do algodão machucava minhas mãos e entre uma ferida e outra, eu e meus irmãos brincávamos de correr e de se esconder nas árvores. Comíamos manga direto do pé e lá de cima das copas avistava um horizonte infinito mas que para mim não passava dum olhar admirado. Nunca sairia de lá.<br><br>O pai veio de uma educação rígida, pensava que educação era no grito e eu não tinha ninguém pra conversar da vida. Sofria e chorava muito até que descobri um amontoado de madeiras que ficava no meio do campo, e á noitinha eu ia pra lá sentar e olhar para o céu estrelado. Contava as estrelas e me perguntava se uma delas era minha mãe, se eu conheceria pessoas além da porteira, se um dia teria amigas para brincar e comer sorvete. As estrelas me eram as mais fiéis companheiras principalmente nas noites de verão, que pareciam brilhar ainda mais.<br><br>Anos mais tarde, fomos morar na cidade e pude me sentir esperançosa com a vida! Pois tinha amigas, íamos à missa e no mês de Junho tínhamos quermesse e fogueira no chão. Cheiro de pipoca doce no ar. Ahhh&#8230; Parece que volto lá para 1955. Mais tarde, casei com uma pessoa que me trouxe muitas dificuldade mas juntos conseguimos superar tudo. Tive 4 filhos que foram meu combustível de vida e sempre trabalhei duro para criar eles dentro da honestidade de tudo o que eu podia. Costurei, cozinhei, de tudo um pouco fiz. Mas sonhava mesmo era em trabalhar fora, ter meu próprio dinheiro, melhorar nossa vida.<br><br>Passamos muito trabalho que, se eu for te escrever aqui, ficaria por horas. Mas eu consegui! Foi limpando e zelando pela higiene dum hospital que conquistei nossa casa própria e sustento tudo até o dia de hoje.<br><br>Sou uma vencedora e falo isso de olhos marejados. Nunca deixe de lutar!”</p>



<p><em>A história que tu acabaste de ler faz parte da aldeia de relatos que formam o projeto <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Caçadora de Histórias</a>, que acontece lá no Instagram. Sou movida por gente e suas jornadas de vida, desde pequena sempre fui muito ouvinte e percebia que as pessoas contavam suas histórias com uma falta de brilho no olhar. Então eu repetia para elas o que acabara de ouvir, só que pela minha perspectiva. Depois disso, passavam a perceber o quão potentes e protagonistas de suas vidas essas pessoas eram. Com o passar do tempo fui escrevendo essas histórias todas a próprio punho e este ano, me vesti de coragem e levei o projeto para a rede social e estou tendo uma receptividade que nunca imaginei.&nbsp;</em></p>



<p><em>Tu escolhe alguma história que queira partilhar e envia. A partir disso, escrevo-a com minhas próprias palavras te ajudando a ter um novo olhar sobre tu mesma (o). É um processo de cura de feridas, terapêutico e libertador para ambas as partes.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores] Música na pandemia: Entrevista com Hellena Almeida</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/06/arredores-musica-na-pandemia-entrevista-com-hellena-vicente/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Hellena Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hellena Almeida tem 18 anos, juiz-forana, com um tato pra composição e fotografia. Hellena faz uma música envolvente, com ritmo marcante e sensibilidade de quem assimila as nuances da vida com simplicidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized is-style-default"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0cfc-whatsapp-image-2020-08-21-at-20.19.png?resize=613%2C775&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11883" width="613" height="775" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Divulgação</figcaption></figure>



<p><strong>T &#8211; </strong>Hellena, nos conte um pouco sobre sua história com a música. O que te despertou a vontade de compor e cantar?</p>



<p><strong>H &#8211; </strong> Meu pai é baterista e minha mãe, fotógrafa, então sempre tive essa influência artística em casa. Quando eu ainda não sabia escrever, pedia pra minha mãe escrever as “poesias” que eu falava haha então essa coisa de escrever e compor veio de pequena. Sobre cantar, nunca foi meu sonho, na verdade eu queria ser guitarrista, mas não deu muito certo hehe então comecei a estudar canto mais a fundo, mas me considero mais compositora do que cantora de fato!</p>



<p><strong>T &#8211;</strong>  Você lançou dois singles nesse ano, um ano atípico. Como tem sido encarar a Pandemia e a divulgação do seu trabalho sem ter como fazer shows?</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> <em>Noite vazia</em> foi lançada na última sexta-feira pré-pandemia, então o show de lançamento da música foi o último rolê de muita gente hehe Romance Atemporal foi produzida mais remotamente, cada um em sua casa, só fui para o estúdio para gravar voz. A pandemia não me atrapalhou tanto por estarmos em uma era mais digital, porém a saudade dos shows é grande!!</p>



<p><strong>T &#8211; </strong> A criação artística tem muito &#8220;de momento&#8221;, epifania, um estalo de inspiração&#8230; mas cada um costuma ter um &#8220;tique&#8221;, um &#8220;cronograma&#8221; pra elaborar as ideias. Conta um pouco desse processo pra nós.&nbsp;</p>



<p><strong>H &#8211;</strong>  Olha, eu gosto muito de compor olhando a janela, o céu, a vida acontecendo. Passo muito tempo sem compor e quando volto, vêm mil coisas na mente. Trabalhar com criatividade é complicado por conta disso.</p>



<p><strong>T &#8211;</strong> Temos tido um novo <em>boom</em> de bandas e artistas solos, graças aos serviços de streaming. Essa facilidade também traz aquela competitividade por<em> plays.</em> Isso, inclusive, pode consolidar uma base de fãs para diversos artistas. Como você enxerga essa relação com a cena musical em JF? Você tem visto espaço? Conectividade entre os artistas?&nbsp;</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> Juiz de Fora, assim como a maioria das cidades é dividida em panelas: tem a galera do rock, do indie, do trap, do rap. Eu busco transitar por todos esses ambientes e ajudar outros artistas com o que posso, acho que falta um pouco desse apoio por aqui. Divulgar, dar dicas, indicar outros artistas, tudo isso é de graça e cabe a quem estar em cima, puxar os debaixo.&nbsp;</p>



<p>Os serviços de streaming democratizaram as oportunidades, não vejo como uma competição, tem público pra tudo!</p>



<p><strong>T &#8211; </strong>Particularmente, <em>Noite Vazia</em> é minha música favorita sua. Você poderia contar um pouco sobre a história dessa e de sua outra música e do seu processo na composição? <em>Noite vazia</em> poderia ser uma canção de um vigilante noturno combatente do crime?</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> Hahaha Noite Vazia é quase isso mesmo, inclusive amo Watchmen! Eu gosto muito de sair sem rumo as vezes, só pra ver a vida acontecendo, imaginar o que se passa na mente das pessoas, é uma música sobre observar o externo e o interno.</p>



<p>Romance Atemporal foi inspirada em uma série de sonhos que tive com uma pessoa, em todos os sonhos nos encontrávamos e nos apaixonávamos, mas quando acordava, nos separávamos. Foi algo platônico que passou, mas me rendeu um som haha</p>



<p><strong>T &#8211;</strong> Muitos poderes são atribuídos a música, para você, qual o poder da música?</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> A música tem diversos poderes, mas o que eu mais sinto é o poder de dar a mão. Se você está na fossa, a música está do seu lado. Se você está revoltado, ela grita com você. A conexão e o poder de influenciar as emoções é a coisa mais linda da arte.</p>



<p><strong>T &#8211; </strong> Qual foi seu primeiro show solo? Como foi?&nbsp;</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> Meu primeiro show solo foi um caos!! Tentei organizar o evento, tocar e cantar tudo sozinha. Claro que não deu certo, eu errava tudo, estava nervosa, todos olhavam pra mim, mas foi uma ótima experiência para lembrar que pedir ajuda nunca é mal! Meu segundo show solo já foi mais elaborado, com banda e mais organização&#8230; a cada experiência aprendemos e evoluímos, isso é o que importa!&nbsp;</p>



<p><strong>T &#8211;</strong>  Tem coisa nova vindo aí? Parcerias com algum outro artista?</p>



<p><strong>H &#8211;</strong> Tem bastante coisa nova vindo! O lançamento da música “Revolucionários” com direito a um clipe bastante insano e juizforano. Sobre parcerias, estou tentando fechar com meu Rapper favorito de JF, assim que confirmar vou divulgar, mas estou muuito empolgada!</p>



<p><strong>T &#8211; </strong>Conta pra nós, você se considera eclética? Fale quais artistas que tem bombado na sua playlist.</p>



<p><strong>H &#8211; </strong> Eu sou totalmente eclética! Escuto desde música clássica até funk carioca. Atualmente estou escutando muito Djavan, Jovem Dionísio, Dua Lipa e Jean Tassy. Com certeza isso tem tido muita influência no meu trabalho!&nbsp;</p>



<p><strong>T &#8211;</strong> Vi que você foi (ou é) Frontgirl de uma banda. Existem boas referências com mulheres à frente e em carreira solo ao longo da história, mas ainda assim, imagino que tenha enfrentado algum preconceito. Como você encara essas situações? Como faz pra continuar firme? Por algum momento quis desistir? Você encontrou suporte em outras mulheres ou também achou preconceito? Alguma situação específica te marcou?</p>



<p><strong>H &#8211; </strong>Administrar uma banda e ser Frontgirl é um grande desafio. Dentro da banda sempre houve muito respeito, mas infelizmente houve e ainda há muita objetificação. Acontece muito de homens chegarem falando de trabalho, mas com segundas intenções.&nbsp;</p>



<p>Além disso, sinto que as vezes o meio não está preparado para mulheres de discurso acertivo, que acreditam em seus pontos de vista.&nbsp;</p>



<p>Penso em desistir quase todo dia, mas daí lembro que a Rita Lee tá nessa a mais de 50 anos firme e forte!!&nbsp;</p>



<p><strong>T &#8211; </strong> Você quer deixar algum recado ou convite para os nossos leitores?</p>



<p><strong>H &#8211; </strong>Deixo o convite para acompanharem meu instagram @hellenaalmeida_ pois sempre atualizo meus lançamentos por lá! A partir do dia 11/09 terão muitas coisas novas!</p>



<p>&nbsp;E digo para vocês: a gente não leva nada pro caixão, então aproveite a vida sendo quem você quer ser!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre o Entrevistador:</strong></p>



<p><strong><strong><strong>Kariston França&nbsp;</strong></strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Ataques a jornalistas são ataques contra toda a sociedade civil, diz Bachelet</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/06/ataques-a-jornalistas-sao-ataques-contra-toda-a-sociedade-civil-diz-bachelet/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, exortou todos os países a fazerem mais para&nbsp;<a href="https://news.un.org/en/story/2020/09/1071492">proteger os jornalistas</a>, especialmente durante a crise de COVID-19, já que seu trabalho ajuda a salvar vidas.</p>



<p>Falando em um evento em apoio à liberdade de imprensa em Genebra, a chefe do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) observou que cerca de 1 mil jornalistas foram mortos na última década — e que nove em cada dez casos “não foram solucionados”.</p>



<p>Seus comentários, na véspera do julgamento de supostos cúmplices de extremistas que mataram 12 pessoas no semanário satírico francês Charlie Hebdo em 2015, foram ecoados pelo cartunista político Patrick Chappatte.</p>



<p>“Vivemos em um mundo aberto com mentes fechadas”, disse ele aos participantes do evento paralelo à Assembleia Geral da ONU para a liberdade de imprensa e de expressão.</p>



<p>“Vimos cinco anos atrás uma linha sendo cruzada com sangue, e essa é a linha depois da qual você pode ser morto em Paris, Europa, em qualquer lugar, você pode ser morto por sua opinião. E esse foi um novo limite.”</p>



<p>Em meio à pandemia de coronavírus em curso, o trabalho da mídia é primordial, disse Bachelet, já que as notícias são “uma ferramenta essencial para que autoridades saibam rapidamente onde medidas inadequadas estão sendo aplicadas” e quais são as preocupações das pessoas.</p>



<p>Sem nomeá-los, ela disse que vários países viram “a crescente politização da pandemia e os esforços para culpar oponentes políticos, levando a ameaças, prisões e campanhas de difamação contra jornalistas que mantêm informações baseadas em fatos sobre a disseminação da COVID- 19 e a adequação das medidas de prevenção”.</p>



<p>Ela acrescentou: “quando os jornalistas são alvo de protestos e críticas, esses ataques têm como objetivo silenciar toda a sociedade civil e isso é uma grande preocupação”. “O jornalismo enriquece nossa compreensão de todo tipo de questão política, econômica e social; fornece informações cruciais — e, no contexto desta pandemia — que salvam vidas; e ajuda a manter a governança em todos os níveis, de forma transparente e responsável.”</p>



<p>Em uma coletiva de imprensa após o evento, a presidente suíça, Simonetta Sommaruga, ecoou as preocupações da alta-comissária da ONU sobre as ameaças à liberdade de expressão.</p>



<p>Mesmo na Suíça, onde as pessoas têm a oportunidade de votar várias vezes por ano, o conceito não deve ser tomado como certo, explicou Sommaruga, em resposta a uma pergunta de um jornalista e comentários anteriores sobre a redução do espaço e ameaças à imprensa vindo “nem sempre de ditadores, (mas) também de modelos de negócios”.</p>



<p>“A liberdade de imprensa não é algo que você apenas tem, é algo que você deve defender e continuar a defender”, afirmou a presidente suíça.</p>



<p>“Em nosso país, a situação econômica da imprensa é muito, muito difícil, então nós (governo suíço) estamos procurando maneiras de apoiá-la melhor, porque pensamos que a imprensa, a mídia, fornecem a infraestrutura para a democracia”, disse. “Se quisermos que essa infraestrutura exista, também precisamos apoiá-la, ao mesmo tempo que garantimos sua independência.”</p>



<p>Mais cedo, Chappatte havia descrito como “turbas moralistas” aqueles que usam as mídias sociais para intimidar os demais de forma a conseguir o que desejam.</p>



<p>“Eles se reúnem como uma tempestade. Arranjam um problema, denunciam a expressão, denunciam as culturas, vão atrás dos cartunistas”.&nbsp;Já não é a repressão “do Estado ou dos poderes religiosos, mas da própria sociedade”, insistiu.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/ataques-a-jornalistas-sao-ataques-contra-toda-a-sociedade-civil-diz-bachelet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 02/09/2020 &#8211; Atualizado em 02/09/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Drama da Finitude</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Me dedicar ao estudo da História, enquanto ciência, me fez -e faz- desenvolver uma constante percepção do tempo em toda a sua volubilidade. É certo que, ao me debruçar com lentes analíticas específicas (seja ela política, econômica, demográfica, religiosa, enfim), consigo desfrutar dos tempos em que não vivi; ao passo que sou atravessada por indivíduos e vivências que, em muitos casos, são como grãos de areia numa praia vasta, são estrelas -em toda sua complexidade- num vasto universo. Nesse sentido, não excluo e, nem muito menos, pondero as suas ações dentro de sua respectiva contemporaneidade pois, os efeitos não são objeto da reflexão deste texto, mas o fato de que, a finitude, como (quase) uma antítese do/no tempo, gera não UM drama, mas O drama que se dilata no curto espaço de tempo onde se exerce a vida e se cria a experiência.&nbsp;</p>



<p>Veja, quando digo sobre uma possível antítese entre finitude e tempo, não o expresso a grosso modo, mas digo segundo uma modalidade em que: a pessoa que vos escreve, está inserida nesse tempo, logo, a ótica está penetrada pela noção de vivência, o que por sua vez, atribui a chamada &#8220;vida&#8221; todas as complexidades que a cercam e perpassam. Assim sendo, a <em>quase antítese </em>é, em suma, a sensação de que muito somos, fazemos e reverberamos, mas que pouco duramos quando, numa análise histórica, por exemplo, depreende se que, 20/30 anos, são espaços de curta duração; mesmo que isso signifique metade da vida de alguém, ou toda a duração dela.&nbsp;</p>



<p>Não quero trazer a sensação da História -enquanto ciência-&nbsp; apartada da realidade e inviabilizadora dos indivíduos que fazem parte dela num certo tipo de seleção &#8220;meritocrática&#8221; dos que têm o nome gravado em livros, artigos, livros didáticos, etc. Até por que existem metodologias na pesquisa histórica que buscam dar face a indivíduos que, na maioria das vezes, compõe em demasia a sociedade em que estão inseridos. A título de exemplo dessas metodologias, cito a <em>micro história</em> (GINZBURG; LEVI, 1981-1988) e a <em>história vista de baixo (</em>history from below)&nbsp; (THOMPSON, 1966).&nbsp;</p>



<p>Aproveito esse fio para trazer como exemplo concreto os indivíduos que procuro analisar na minha pesquisa acadêmica: um conjunto de religiosos que desenvolvem funções diferentes mas com o mesmo ofício numa capela subsidiada pela Câmara de Vila Rica. Ao pensar no setecentos (séc XVIII) é normal nos depararmos com essa transitoriedade e fluidez na expressão do <em>ser religioso,</em> no entanto, quando suscito essa espécime, quero dar feição ao fato de que, indivíduos com uma expectativa de vida que rondava entre os 48 aos 60 anos, dispunham de ações no intuito de reverberar sobre os que ficavam. Ainda que a ideia de morte no Brasil Colonial se apresentasse dentro da -disciplinadora- moral católica, se acrescia dentro de um espaço de experiência (KOSELLECK, 2006) ações que implicavam na sua passagem pós morte. Veja, existiam indivíduos que pediam 300/500 missas <em>post mortem</em>, agregavam o máximo de pessoas possíveis em seus cortejos fúnebres como forma de pagamento dos débitos que ficavam, ou seja, trata se de uma preocupação que os movia em tempo e espaço -como gastar a vida, onde gastar a vida-. O meio é atribuído de complexidades, regido por uma lógica que, no entanto, se aloca em indivíduos plurais, dessa forma, verificamos, previamente -e retornando ao fio reflexivo do texto-, como a finitude se dimensiona enquanto <em>um</em> drama na experiência coletiva e <em>o</em> drama na experiência individual.&nbsp;</p>



<p>Tenho me deleitado nos vídeos via satélite que são disponibilizados em um aplicativo. Ficar daqui, de uma demografia específica, olhando o conjunto, olhando a Terra, tem sido uma excelente provocação sobre finitude. Nessa breve existência (e, nesse sentido, não discuto o que, teologicamente, pretende se afirmar com a ideia e ideal de eternidade), me deparar com o que de ordinário há na natureza humana -o tempo, o fim, a morte- provoca uma certa paz. Paz para responder as demandas do agora e não me saturar desses exageros momentâneos. A gente precisa repensar e ressignificar a finitude em nome de uma saúde mental que precisamos ter -não só em 2020.</p>



<p>Tenho ensaiado que, a eternidade -a forma com que acredito-, pode ser um estado que tenha início antes da morte, mais especificamente, numa perceptiva sobre <em>ser</em>. Mas isso é papo para outro dia. Deixo um dos conceitos sobre História com que mais tenho me identificado e que acredito ser uma espécie de introdução e conclusão deste texto:&nbsp;</p>



<p><strong>&#8220;A história</strong>&nbsp;é objeto de construção cujo lugar&nbsp;<strong>não</strong>&nbsp;é o&nbsp;<strong>tempo homogêneo</strong>&nbsp;e vazio, mas um&nbsp;<strong>tempo</strong>&nbsp;saturado de &#8220;agoras&#8221;.&#8221; &#8211; Walter Benjamin.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Culture-Se JF: um olhar cultural de forma digital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Peu Roberto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Culture-se JF</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O que tem para se fazer em Juiz de Fora? Foi a partir dessa pergunta, que a jornalista Vaninha Black convidou suas amigas a refletirem um pouco sobre a posição cultural da cidade. E, assim criar um projeto voltado para artistas locais e amantes da Princesinha de Minas.&nbsp;</p>



<p>Diante da dificuldade de enxergar Juiz de Fora, como um pólo cultural, e retirar a marca do tédio juizforano, as jornalistas Vaninha Black, Ana Carolina Silva e a estudante Bianca Ramos, pretendem mostrar na visão do jornalismo cultural, que todo espaço transmite cultura.&nbsp;</p>



<p>Quer saber mais sobre o Culture-se JF? Confira abaixo a história do projeto que recentemente completou um ano.</p>



<p>Se pudéssemos transmitir em palavras o sentimento que carregamos desde o início, talvez a inquietação e a vontade de fazer diferente sejam as melhores características do Culture-se JF.&nbsp; Além da valorização do passado, é necessário se fazer presente. E foi a partir desse pressuposto, que nosso projeto digital, mostra que a cultura e o jornalismo devem caminhar juntos.&nbsp;</p>



<p>Presente no Instagram e no Facebook enxergamos não somente as redes sociais como objeto de reprodução, mas como potência jornalística de criação de conteúdo. Estar nesse meio é algo novo para a equipe e descobrir esse formato tem sido um bonito desafio.&nbsp;</p>



<p>Em agosto, completamos um ano de atividade, e neste período descobrimos e REdescobrimos uma cidade de muita riqueza histórico-cultural. Um dos nossos grandes objetivos é passar a informação de forma simples ao público. A Cidade universitária é marcada por projetos gratuitos e espaços importantes para a história do Brasil. O nosso maior desafio têm sido mostrar que a cultura está presente em todas as classes sociais e independe do valor de entrada. Conversar com o público e ressaltar que não precisa ser caro para ser cultural é uma das maiores missões do projeto.&nbsp;</p>



<p>Durante nossa caminhada, aprendemos e reforçamos o pensamento de que ninguém sabe tudo, sempre compartilhando informações básicas, mas valiosas sobre personalidades, espaços, lugares e eventos.&nbsp;</p>



<p>Por último, mas não menos importante: acreditamos que todas as manifestações culturais têm grande valor. Hoje, temos a certeza que a cidade de Juiz de Fora é um local precioso e que há sim muitas coisas com&nbsp; variados preços e gostos para se fazer.&nbsp; Estamos buscando cada vez mais valorizar, compartilhar e informar quem acessa o nosso conteúdo. Convidamos você a conhecer o Culture-se JF!&nbsp; Hoje nos apresentamos como um prestador de serviço à cidade. Um projeto que chegou para desmistificar que jornalismo não faz cultura, e mais ainda, que não há nada para se fazer em Juiz de Fora. Vem redescobrir a cidade com a gente!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>O Culture-se JF </strong>é feito por Ana Carolina Silva, Bianca Ramos e Vaninha Black. Com as colaboração de Jaks Soares e Sérgio Vepaziano.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Metalinguagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Já pela terceira vez ele enchia a caneca com café diante da tela do computador. Se alguém estivesse ali, no recolhimento a que o homem se entregava, poderia perceber que as mãos tremiam um pouco, talvez pelo excesso de cafeína em jejum ou pela soma de noites em que já não vinha dormindo bem. De uns tempos para cá deu para ter câimbras no meio da madrugada, o que o levava a despertar invariavelmente uma ou duas vezes depois que pegava no sono para massagear a planta dos pés. Além da cabeça, era como se as pernas tivessem pesadelos, e só passavam se elas ganhassem um cafuné.</p>



<p>O relógio de pulso marcava 15h15, o do computador dizia que eram 15h23, um dos dois estava desajustado, ou, quem sabe, nenhum deles? Contar o tempo não ajudava a terminar o serviço. No fim do dia deveria entregar uma crônica para publicação naquela revista de arte e cultura. Escrever já fazia parte da rotina, só que, pensava ele, era preciso alguma musa inspiradora, um acontecido relevante, um desconcerto diante do mundo, que pudesse ser batido, esfregado, batido de novo e se transformasse em história. Se Graciliano Ramos estivesse certo &#8211; o nosso autor acreditava que sim &#8211; e o escritor fosse uma lavadeira de palavras organizadas para dizer, faltava algo mais. A inspiração ausente mantinha a xícara cheia de café.</p>



<p>As primeiras linhas redigidas eram fracas: “<em>Já pela terceira vez ele enchia a caneca com café diante da tela do computador</em>”. Pragmáticas demais, mas que fazer se não havia ideias? E olha que ele procurou por elas nos últimos três ou quatro dias. Andando pela rua viu como as pessoas estavam felizes por voltar a entrar e sair de lojas no centro da cidade, como se o vírus fosse uma memória ruim ou uma conspiração chinesa para inocular vacinas com chip de rastreamento no cidadão de bem. Pode ser que daí surgisse algo como comédia, mas não é engraçado quando o governo estimula o cidadão a não se vacinar. Dona Maria acredita no governo, não acredita na doença, tem fé de que Jesus está voltando, mas, desse jeito, tem fortíssima chances de não estar aqui caso seu deus tente voltar.&nbsp;</p>



<p>Teve a conversa que escutou pelo vão de ventilação do prédio. Os vizinhos de baixo faziam as contas porque a mulher, já mais velha, precisou de uma cirurgia nos olhos e o orçamento ficaria mais apertado durante quatro ou cinco meses. A fatura do cartão estava alta, compraram um guarda-roupa novo, além do que escola em que ela trabalhava no serviço de secretaria parece que foi obrigada a diminuir a carga horária e o pagamento durante o isolamento. Como a inadimplência subiu, nos cálculos do dono o prejuízo era uma espécie de brincadeira de “mandou passar, não quero volta”. Ele não sabia o nome da vizinha, mas ela parecia ter o tipo de uma Regina, ou de uma Consuelo.</p>



<p>A conversa dos dois, que deveriam estar sentados na cama, já que a ouviu pela suíte do quarto, causou no homem uma sensação de incômodo. Os idosos do andar debaixo fizeram lembrar as discussões que seus pais tiveram por dezesseis ou dezessete anos sabendo que o salário era pouco para a inflação dos anos 90 e que precisariam fazer um milagre para cuidar dos dois filhos pequenos. Desenvolveria isso como? Escreveria sobre os próprios pais, talvez? Diria de uma cirurgia bem sucedida? Mal sucedida? O fim da pandemia ou a ansiedade da mulher que transparecia na voz um arrependimento sensível por ter comprado mobília justamente no momento em que os olhos resolveram dar problema? Não.</p>



<p>Se levantou da cadeira do escritório, coçou a cabeça um pouco acima da orelha, esticou as pernas foi até a estante e alcançou uma coletânea de poesias qualquer. Abriu ao acaso numa página em que se lia <em>Retrato do artistas quando coisa</em>, de Manoel de Barros: “A maior riqueza/ do homem/ é sua incompletude./ Nesse ponto/ sou abastado.” Se sentiu identificado com o poeta. Lá no fundo, por debaixo do destaque, do consultório, dos livros, da retórica, lá por detrás de tudo isso ele sabia que sua riqueza era exatamente a falta. Como lhe sobrava a ausência de coisa, essa mesma ausência transbordava do silêncio e fazia de vez em quando tanto barulho que era preciso encontrar alguma coisa para fazer e se encher. Pintou as paredes de casa numa dessas crises de espaço, visitou pessoas, caminhava na beirada do rio, dançava embaixo do chuveiro. E é possível escrever sobre essa incompletude sem fazer virar entulho? Sem se tornar um acumulador compulsivo de palavras que não combinam?</p>



<p>O telefone tocou durante a epifania. Era o pintor avisando que o material para pintar o consultório era insuficiente, que os dias de trabalho contratados eram insuficientes e que seria preciso mais. Sempre é preciso mais hoje em dia. A ansiedade de calcular quanto gastaria acima do valor previsto foi até as pontas dos dedos, o celular e a conferência nomophóbica das redes sociais. Olhou as mesmas páginas, os mesmo perfis, procurou as mesmas pessoas. Acalmou um pouco a agitação do imprevisto, largou o celular e se&nbsp; sentou novamente diante do computador. Mais café.</p>



<p>Estar repleto de falta é quase um koan, uma máxima sufi. O que passava pela cabeça era , então, por que escrever? Para que? Para quem? É certo que pactuou com o diretor da revista textos semanais que depois se tornaram quinzenais, mas o combinado era de publicar poesias e não crônicas, e poesias tinha às pauladas. Só que para ele a poesis se tornou pessoal demais para espalhar por aí. Tinha aprendido a ficar nu no ano passado. Sua nudez tinha versos livres. Faria poesia quando quisesse ficar assim de novo, para se lembrar de Ouro Preto.&nbsp;</p>



<p>Para que escrevia? Em última análise se escreve e se fala para dizer como as coisas deveriam ser. E ele tinha certeza disso. Na mesma medida em que o homem escreve o texto, o texto escreve o homem; da mesma forma que quando alguém lê, é o escrito que lê a pessoa. Um livro começa, ele pensava olhando de novo o celular, quando se termina de ler a última página. Nesse momento ele começa dentro da gente. Será que escrevia para corrigir o mundo? Não. Na medida em que meditava a respeito ia sabendo que o que fazia era uma espécie de erotismo, desde o início. Jogava as palavras sobre a tela de modo organizado e estético de modo a evitar a repetição gráfica, mas garantir a repetição pulsional. Seus textos eram uma fornada de desejos. Ele escrevia, portanto, para ler a si mesmo como se fosse outra pessoa e assim descobrir sem susto os desejos que tem.&nbsp;</p>



<p>Responder para quem é mais difícil. Por esse momento já estava fazendo mais uma garrafa de café. Desligou a música que havia ligado no computador logo depois que desligou com o pintor. Pela janela dos fundos esperava a água ferver no canecão enquanto olhava para o hospital imponente no alto do morro, com sua fachada clara e seu letreiro clean. Há roupas no varal, e elas têm cheiro de amaciante. Escreveria para quem? Não era para si mesmo apenas, com certeza que não. Se fosse o caso seria melhor dizer em voz alta ou fazer teatro, porque no palco é mais fácil encenar. Escrevia para alguém,&nbsp; mas nessa altura se dava conta&nbsp; de que a missão era impossível. Dedicasse sua prosa ao presidente da república, à esposa, a uma livraria ou a uma paixão, &#8211; in carcere et vinculis &#8211; quem lesse não veria outra coisa além de si mesmo. Um texto é um espelho empoeirado.</p>



<p>Café coado, voltou ao escritório onde tentava redigir sua crônica. O estômago acusava o excesso, mas ele continuava sem inspiração alguma. Uma mulher esfriava na cama, uma jovem bonita e interessante tinha medo de se separar do namorado, os amigos estão ocupados demais com concursos, bebês, carro novo, enfim, nada que merecesse palavra. Era tudo vazio. Tudo quieto. Fosse ele Oscar Wilde, poderia culpar a Bosie, mas não era, apenas justo, então, culpar a si.&nbsp;</p>



<p>Como boa parte do homens com mais de trinta anos no século XXI se sentia tentado a fazer alguma coisa grande na vida, mas na mesma medida existia um quê melancólico na certeza de que boa parte do sonho de se tornar grande o suficiente para mudar o mundo era só discurso do tempo em que se publicavam montagens de fotos imitando a capa da revista Pais e Filhos.</p>



<p>Naquela semana parecia melhor não escrever sua crônica. Havia nada a ser dito, e isso na mesma intensidade com que faltavam lixas 120 para o acabamento na pintura. Naquela sexta-feira não teria palavras. Não teria inspiração. O relacionamento está morno, o trabalho está posto, o tempo está curto. Desligou o computador. Naquele dia ele não escreveu.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Memória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:22:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[memoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>— Então é isso. Você está realmente decidido? — Ele me pergunta com um tom tão firme que me leva de volta para todos os anos que vivemos juntos em apenas alguns segundos. Ele percebe que sua voz saiu um pouco do planejado. </p>



<p>O Vinicius sempre teve o hábito de manter sua postura o mais turva possível para os outros; a transparência de sua verdadeira personalidade só era vista em poucas ocasiões. Quase sempre eu era testemunha ocular de seus desvios, que arranhavam superficialmente a porcelana daquela imagem impecável.</p>



<p>— Desculpa. Não quis falar assim, você sabe. — Silêncio. — Sabe, não sabe? Ei, eu te amo, Caio. Preciso que você pense no que você vai estar fazendo comigo quando tomar sua decisão.</p>



<p>— Com você? Já parou pra pensar no que eu estou fazendo comigo? Melhor, o que você está fazendo comigo. Você mora dentro de mim há tanto tempo que não lembro mais do meu silêncio. Você plantou raiz por aqui, e agora eu preciso do jardim de volta, Vinicius.</p>



<p>— Será que precisa mesmo? Talvez essa grama sintética toda seja espaço o bastante pra nós dois, você não acha?</p>



<p>É muito difícil argumentar quando queremos estar errados. A batalha entre dizer minha verdade ao mesmo tempo em que ela é tudo que eu quero esquecer é uma das mais dolorosas que já enfrentei até então. </p>



<p>Conheci Vinicius faz dez anos. Desde o primeiro momento, ele foi meu porto seguro. Nossa primeira troca de olhares aconteceu na escola. Tínhamos, os dois, 15 anos de idade. Ele me mandou um bilhete no meio da aula de história, dizia que achava meus olhos bonitos. Aquela idade em que tudo é difícil demais, mesmo não sendo de verdade. Desculpe, isso não é justo. Não devíamos minimizar as dores adolescentes só porque somos adultos; afinal, só conseguimos suavizá-las depois que já passamos por elas. A verdade é que nem sei se sou tão adulto assim. Muitas vezes, percebo meus reflexos de adolescência tomando o controle das minhas ações, principalmente na presença do Vinicius.</p>



<p>Começamos a namorar com 16 anos. Nenhum de nós dois era assumido para a família na época, o que foi um grande evento. Um grande evento nas nossas cabeças: pra ser justo, ambas as nossas famílias já sabiam antes de ouvir de fato. Nem tudo precisa de palavras, isso é outra coisa que aprendi com ele. Aos 16 anos, tudo parece que vai durar pra sempre. Todos os bons momentos eram cristalizados em uma moldura imaginária que visitaríamos anos mais tarde, bem como todos os momentos ruins &#8211; que, por vezes, ainda parecem pequenas giletes dentro de um ciclone de sentimentos mal resolvidos.</p>



<p>Que pena que tantas molduras se perderam no meio do caminho. Muitas das giletes se soltaram com o vento e acabaram pousando em terrenos distantes também. Nossa memória não é tão boa quanto gostaríamos que fosse. O ser humano tem uma tendência estúpida de se superestimar em coisas banais. Quantas vezes eu estive em uma conversa e disse para mim mesmo “Eu nunca vou esquecer esse momento” e no dia seguinte já não me lembrava de mais do que seis palavras daquela linda interação. Será mesmo que foi linda? Difícil dizer. Tudo que sobrou foi um ingresso de cinema.</p>



<p>— Não tem mais espaço, Vinicius. Não tem. Olha bem pra esse quarto, as caixas, as paredes. Tá tudo cheio de você, e você me dói. Você não percebe o quanto você me dói, talvez esse tenha sido o problema esse tempo todo.</p>



<p>— Você também me dói, Caio. Você me dilacera, me queima, me arranca pedaço por pedaço e eu estou aqui. Eu estou dentro do quarto, das caixas, pendurado pelas paredes. Mesmo assim, mesmo com tudo isso, eu nunca ameacei ir embora.</p>



<p>Isso não era verdade. Três anos antes, tivemos uma briga daquelas que eu achava eu só podia ver em filmes independentes e conceituais que, de alguma forma, conseguem amenizar e dramatizar romances ao mesmo tempo. </p>



<p>Por muito tempo, minha personalidade sempre foi comparada ao fogo. Explosivo, difícil, incontrolável. Agressivo é o adjetivo que me faz encolher pra dentro de mim mesmo e selar o mundo contra o meu desequilíbrio. Naquele dia de agosto, parecia que Vinicius tinha seu discurso pronto e decorado contra mim. Ele chegou no nosso apartamento com uma lista mental de todas as vezes que eu fui a grande decepção desse relacionamento. Todas as vezes que estar comigo foi difícil demais. Naquela noite, ele disse que ia embora, eu implorei para que ele ficasse. Talvez eu devesse ter ficado quieto. Ele se foi sem dar explicações, deixando apenas um bilhete amarelo que lia: “Eu te amo, mas preciso de tempo”.</p>



<p>Vinicius voltou na manhã seguinte com cheiro de cachaça e perfume de outro homem. Eu o recebi de braços abertos, lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto. Nunca mais falamos sobre aquele dia; talvez por isso mesmo ele esteja tentando apagá-lo da nossa história nesse momento. De quem é a culpa se nenhum de nós dois viu a curva no acostamento enquanto dirigíamos há 80km/h? A culpa é de quem dirige ou de quem distrai o motorista?</p>



<p>— Caio, me escuta. As coisas podem ser diferentes. Não precisa queimar tudo que a gente já viveu.</p>



<p>— Precisa. Se não queimar vai ficar guardado, acumular poeira. Pior, se ficar guardado eu vou revisitar e revisitar o tempo inteiro. Tudo sempre igual, imortalizado ali, sem crescer, sem sair do lugar.</p>



<p>— Então a gente cresce. É isso que você quer? Crescer? A gente cresce. A gente cresce até o céu, ultrapassa todas as nuvens, se encontra com gigantes de terras imaginárias e anjos celestiais que tentam se esconder de nós.</p>



<p>— Essa responsabilidade não é só minha, é nossa. Não adianta a gente querer separado. Era tudo muito bonito, só não é mais.</p>



<p>Silêncio.</p>



<p>— Você se lembra de quando eu viajei pra Gramado sozinho? Eu te trouxe algumas folhas daquelas que parecem a bandeira do Canadá. Nunca vi ninguém sorrir tão bonito por causa de folha. Olha como elas estão agora, Caio. Você deixou secar, quebrou tudo.</p>



<p>— Só algumas. As que estão nas caixas quebraram, mas algumas ainda estão presas em alguns cantos.</p>



<p>— Isso é verdade. Vai deixar elas ali, ou vai tirar também?</p>



<p>— Existe uma coisa engraçada sobre presentes. Mesmo que a gente saiba quem foi que deu eles pra gente, nem sempre eles trazem memórias. Essas folhas inteiras são isso, um presente oco, virou só decoração.</p>



<p>— A quebrada não?</p>



<p>— A quebrada me faz lembrar de você. Sei que não deveria resumir 10 anos nesses pequenos estilhaços secos mas é maior do que eu. É tanta folha, Vinicius. Parece que vai me enterrar qualquer dia desses.</p>



<p>Não consigo me lembrar exatamente o momento que comecei a chorar, mas agora meus olhos já estão vermelhos e minha visão duplicada pelo reflexo das lágrimas nos meus óculos. Estão na minha frente todos os ingressos de cinema e teatro. Todas as cartas, recados, bilhetes. Toda a memória de papel. Que frágil é o nosso passado. Separo os ingressos dos melhores filmes e peças. Retiro as entradas de grandes shows e eventos. Essas lembranças não são só nossas, são minhas. Eu vivi todos esse momentos, não preciso de você para sorrir ao relembrá-los.</p>



<p>Todo resto é uma pilha de papel com tinta de caneta. Tantas palavras, tantas promessas, planos, frases bonitas que um dia me fizeram acreditar naquele para sempre adolescente. Continuo ouvindo sua voz falando na minha cabeça; a voz me pede para não desistir. </p>



<p>Você saiu pela porta da frente dois anos atrás e eu ainda tenho diálogos com você dentro de mim. Acendo o fósforo. Vejo a tinta virar cinza, os selos das cartas começarem a derreter. Sua voz começa a ser substituída pelo trepidar do fogo. O fogo não apaga a memória assim, na hora, mas apaga minhas chances de revisitá-las. Logo, logo, só vão sobrar algumas palavras dos últimos 10 anos. Não é mais você quem controla as sementes, eu sou o que sobrou de nós dois. Eu sou o que transborda da nossa separação. </p>



<p>Obrigado, e adeus.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no <a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a> e no <a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>. </p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O Amor Libertário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 21:21:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 061]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Lauana Coutinho]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lauana Coutinho</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O amor sempre cerca a vida &#8211; essa é uma de minhas certezas sólidas. </p>



<p>Claro que, com o passar dos anos, a vida me apresentou diferentes perspectivas do que<br>esta terminologia representa, de modo que o amor, em sua forma viva, foi apresentado para mim em diversos momentos, de maneiras distintas.</p>



<p>Vi a afetividade familiar, e a recebi por toda a vida, sempre tendo como aprendizado que o verdadeiro amor deve ser libertário, como um incessante sentimento que deve se encaixar onde nos sentimos bem, e acolhidos. A proposta do sentir portanto, deve ser nosso encaixe pessoal, em relações e situações em que podemos ser livres.<br><br>Porém, ao contrário do aprendizado que tive com a minha família, em alguns momentos não pude sentir a liberdade do amor. Me esqueci como era a sensação do alívio amoroso sendo como uma brisa leve que bate no rosto. Nestes momentos, pude sentir o vazio da alma, pois estive em locais onde recebi apenas o açoite do ódio, e por conviver com isso, devolvi todas as chicotadas.</p>



<p>Reconheço essa como minha pior falha, e hoje sei o que significa falar sobre amor verdadeiramente.</p>



<p>Desta forma, refletindo sobre esse conceito, concluí que escrever sobre amor talvez seja mais do que simples palavras de enaltecimento a outros, ou verbalizações simplórias sobre sentimentos que nem ao menos compreendemos, pois o amor é em sua forma mais complexa, completo de tudo e nada, é como o ar &#8211;  que mantém o fogo, mas pode apagá-lo.</p>



<p>Decidi dissertar sobre isso de modo metafórico, pois o que é o amor se não metáforas criadas pela alma? Sabendo disso, caro leitor, entenda que já pude assistir o amor por muitas janelas, espaços esses cercados de tantos detalhes que mal pude acompanhar com clareza, e no fim, percebi que o amor são estas janelas, e que cada uma carrega peculiaridades, sempre com algo novo para me mostrar. Mas ainda que pudesse perceber tal beleza, me afastando destas vistas, pude notar minha solidão, escancarada em cada uma das minhas janelas, espaços esses que simbolizam o amor. Minha solidão pode estar acompanhada de lembranças que passavam ao longe, e as avistei em cada um dos buracos em minhas paredes.</p>



<p>Deste modo, o esplendor de meras recordações longínquas chocou-se ao amargor da tristeza inútil; e em minha profunda solidão, percebi meu amor inflamar como fogo sendo aceso por uma pequena faísca, ao passo que era alimentado pela brisa calma, me ardendo por dentro, como palha seca ao ser incendiada.</p>



<p>A solidão tornou-se solitude, e consegui olhar para minha vida, para as pessoas que a cercam, e perceber que o amor transformou-se em um levante pessoal, que me arde a alma, e nunca para de queimar. Esse fogo segue irradiando de dentro pra fora, sai por todas as minhas janelas até chegar em cada olhar que já tocou o meu, mas que só irá arder quando souber, verdadeiramente, o que significa o amor libertário.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Lauana Coutinho</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é casada com a História e amante da música. É historiadora pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), pesquisadora do período que vigorou a Ditadura Militar no Brasil e escritora sensível no pouco tempo que sobra.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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