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	<title>Arquivos Ano 002, N 066 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Memória Social e Religiões Afro-Brasileiras</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/editorial-memoria-social-e-religioes-afro-brasileiras/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Social]]></category>
		<category><![CDATA[Negritude]]></category>
		<category><![CDATA[Religiões Afro-Brasileiras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/editorial-memoria-social-e-religioes-afro-brasileiras/">Editorial – Memória Social e Religiões Afro-Brasileiras</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando falamos em memória, pensamos diretamente naquela relação que temos com as atividades cerebrais que nos fazem adquirir, armazenar e trabalhar com informações. Existe até uma doença que atinge as atividades cerebrais e como consequência, a pessoa que é acometida pela perda de memória. Na era da tecnologia, a utilização deste termo também ganhou outra conotação. Quando se vai comprar um celular, computador, ou qualquer outro dispositivo tecnológico, pergunta-se à pessoa que está encarregada de vender o produto, qual o tamanho da memória daquele dispositivo. Um <em>terabyte </em>de memória para armazenamento ou 4 <em>gigabytes </em>de memória RAM serão suficientes para que eu fique com esse dispositivo por quantidade X de tempo?</p>



<p>O que quero dizer é que, temos um senso comum sobre o termo memória e que por vezes não paramos para refletir no significado do termo, ou em outras possibilidades pelas quais ele pode ser atribuído. Existem algumas outras dimensões que se debruça a refletir sobre a memória nos diversos aspectos. Seja na relação com a Psicologia ou na História, debater memória pode dizer da sociedade em que estamos inseridos.</p>



<p>Alguns autores vêm discutindo sobre esse campo de pesquisa nas suas mais diversas abordagens. Seja Ecléa Bosi (1989), Pierre Nora (1993), Michel Pollak (1989, 1992), Amadou Hampâté Bâ (2003), em seus contextos específicos contribuem com reflexões acerca da memória.</p>



<p>Surgiu, no final do século XX inclusive, a reflexão sobre a emergência da memória, no sentido de recorrente e expressiva busca e uso desse mecanismo, a fim de evocar os acontecimentos passados e as incursões desse no presente (Huyssen, 2000). A construção de memoriais, museus, estátuas, datas comemorativas, reconhecimento de patrimônios culturais  teve seu <em>boom </em>na sociedade ocidental, sobretudo<em>,</em> no pós-Segunda Guerra Mundial. Recordar, celebrar ou politizar o passado tem feito cada vez mais parte do corpo social.</p>



<p>E nem sempre essa discussão se apresenta de forma pacífica ou consensual. Essa memória ao chegar no campo da sociedade, sofre disputa através das interpretações e apropriações pelos diversos sujeitos. A exemplo da memória da data de 31 de março de 1964. Para quem não se recorda, marca o início da comitiva militar que saiu da cidade de Juiz de Fora, em direção ao Rio de Janeiro, para a instauração do Golpe Civil-Militar que resultou em 21 anos de Ditadura Militar no Brasil. O atual presidente e diversos de seus seguidores insistem em celebrar a data de 31 de março como o dia da, de acordo com o posicionamento deles, “revolução”, dia da “liberdade”<a href="#_ftn1"><sup>[1]</sup></a>.</p>



<p>Sobre este tema, acredito que existem investigações que definem alguns apontamentos importantes. Houve rompimento da ordem democrática que até o momento era estabelecida, houve cerceamento das liberdades políticas dos cidadãos, houve censura, houve perseguição política, houve assassinato de opositores políticos. No dia 31 de março de 1964 aconteceu um golpe e a Ditadura foi uma ditadura. Mas isso não impede que na sociedade haja narrativas opostas, muito pautadas pela opinião, ignorando pesquisas acadêmicas, diversas teses e dissertações. Ainda que existam Comissões da Verdade, instauradas tardiamente, mas que de alguma forma ajudaram a elucidar sobre o período.</p>



<p>Portanto, geralmente as memórias públicas são perseguidas pela dialética daquilo que deve ser lembrado e daquilo que deve ser esquecido, de acordo com os interesses políticos detentores de poder. Também está submetida à disputas dos diversos sujeitos que compõem a sociedade.</p>



<p>É possível dizer que a memória, geralmente quando coletiva, contribui para a construção de identidades.&nbsp; O antropólogo Kabengele Munanga (2000) se propõe a refletir sobre a construção da identidade negra no contexto de globalização. Aponta que a identidade pode ser fonte de sentidos e experiência, podendo identificar socialmente aqueles que se reconhecem no âmbito cultural.</p>



<p>O autor indica que do ponto de vista da antropologia, todas as identidades são construídas, então há a necessidade de entender por quais mecanismos estas identidades são construídas, sendo este o verdadeiro problema. A elaboração de uma identidade recebe fontes da história, da geografia, da biologia, da memória coletiva, e dos fantasmas pessoais, dos aparelhos de poder, das revelações religiosas e das categorias culturais, sendo um fenômeno estritamente particular. Sendo, portanto desenvolvida uma identidade para cada sujeito, haverá a pluralidade de identidades quando vários sujeitos constroem identidades semelhantes, constituindo então memórias e identidades coletivas, ou quando um único sujeito possui múltiplas identificações, definindo as memórias e identidades individuais. (FERREIRA, 2018)</p>



<p>***</p>



<p>Fiz essa brevíssima contextualização e exemplificação para finalmente conseguir chegar ao fato que me motivou a escrever esse texto. Em 22 de setembro de 2020, houve a entrega ao Museu da República do Rio de Janeiro de cerca de 500 instrumentos utilizados pelas religiões de matriz africana que estavam apreendidos no antigo prédio do DOPS, onde hoje funciona a sede da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Esses instrumentos estavam apreendidos há mais de 100 anos e eram tombados pelo Iphan como acervo sob o nome “Magia negra”. Foram tiradas de terreiros de Umbanda e Candomblé entre 1889 e 1945. A campanha “Liberte Nosso Sagrado”<a href="#_ftn2"><sup>[2]</sup></a> acontecia desde 2017, sob a liderança da iyalorixá Mãe Meninazinha de Oxum, e no ano de 2019 recebeu reportagem para o site da BBC Brasil publicizando sua reivindicação.</p>



<p>Observando o fato acima, já nos é possível levantar alguns questionamentos, como: definindo a constituição de 1891 a laicidade do Estado, porque havia apreensão de instrumentos utilizados em ritos de Umbanda e Candomblé? A mando de quem? Praticado por quem? Qual a importância dessa devolução para as populações de terreiro? E para a população africana diaspórica do Brasil?</p>



<p>Ou seja, além das praticas sociais de discriminação e perseguição às religiosidades de terreiro, esse fato nos leva a pensar que existiu uma perseguição institucional à tais praticas religiosas. As forças policiais, perseguiam as casas, prendiam praticantes e apreendiam os instrumentos utilizados nas tradições de Orixás. Como reivindicar igualdade social se o Estado é/foi motor na&nbsp; prática dessa desigualdade?</p>



<p>Agora, qual a importância desse fato para a dimensão da memória dos povos de terreiro e do povo preto? Qual a potencialidade desses instrumentos em sair de um espaço de privação, de detenção, de cerceamento, que representa um dos períodos mais tristes da história política e social do Brasil, e ir para um espaço museológico, que geralmente tem por premissa a preservação de memória?</p>



<p>A partir de então, após a catalogação e organização do acervo, será um importante elemento para se contar a história do racismo religioso e das arbitrariedades praticadas pelo Estado Brasileiro, para além das perseguições sociais que ocorriam contra essas práticas religiosas em diversos momentos de sua história. Esse acervo se juntará ao Cais do Valongo, ao Cemitério dos Pretos Novos e a diversos outros locais públicos que demarcam a passagem da população negra perseguida ao longo da história do Brasil, seja na condição de escravizado, seja na condição de livre.</p>



<p>Também é importante fazer alguns apontamentos sobre a patrimonialização de elementos que evoquem a presença dessa população negra no território do Brasil. O órgão governamental nacional responsável pelos Patrimônios materiais foi criado em 1937, o Sphan, que posteriormente se transformou no Iphan. O primeiro monumento tombado no Brasil que evocava essa presença negra, foi o Ilê Axé Nassô Oká, também conhecido como Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em 1984. Quase 50 anos depois da criação do órgão, sob muita resistência, que houve o reconhecimento de um patrimônio que falasse da história da população negra no Brasil.</p>



<p>É importante contextualizar a realidade das religiões de matriz africana e de seus praticantes no Brasil. Em 2018 no estado de São Paulo, segundo o site G1, as denúncias de intolerância religiosa contra as afro brasileiras aumentaram 5,5% enquanto a das outras religiosidades caíram 9,9%<a href="#_ftn3"><sup>[3]</sup></a>. Não faz muito tempo que vimos no noticiário casos de intolerância contra praticantes de tais religiões. Trago dois exemplos: o primeiro é de uma criança de 11 anos foi atingida por uma pedrada por portar adereços do Candomblé<a href="#_ftn4"><sup>[4]</sup></a>. O segundo é de pais e mães de santo expulsos de suas casas e barracões no Rio de Janeiro por traficantes evangélicos. Expulsavam os filhos, pais e mães de santo sob ameaças de violência e armamento pesado<a href="#_ftn5"><sup>[5]</sup></a>.</p>



<p><strong>Não é possível falar de cristofobia no Brasil quando a religião Cristã é a que define a ação das instituições</strong>. Não é possível falar em Cristofobia no Brasil, quando nos deparamos com os dados e casos acima citados. Não é possível falar em cristofobia no  Brasil quando a administração executiva do país se denomina como “terrivelmente cristã”.</p>



<p>Logo, a presença desses elementos em um espaço museal confronta o discurso social de demonização de tais práticas religiosas. A cada dia se faz mais necessário que o refrão da GRES Grande Rio para o carnaval de&nbsp; 2020 seja exaltado. “Eu respeito o seu amém e você respeita o meu axé.”</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/bolsonaro-se-refere-a-aniversario-do-golpe-de-64-como-dia-da-liberdade.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/bolsonaro-se-refere-a-aniversario-do-golpe-de-64-como-dia-da-liberdade.shtml</a></p>



<p><a href="#_ftnref2"><sup>[2]</sup></a> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49377670">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49377670</a></p>



<p><a href="#_ftnref3"><sup>[3]</sup></a> <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/11/20/denuncias-de-discriminacao-religiosa-contra-adeptos-de-religioes-de-matriz-africana-aumentam-55percent-em-2018.ghtml">https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/11/20/denuncias-de-discriminacao-religiosa-contra-adeptos-de-religioes-de-matriz-africana-aumentam-55percent-em-2018.ghtml</a></p>



<p><a href="#_ftnref4"><sup>[4]</sup></a> <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/menina-vitima-de-intolerancia-religiosa-diz-que-vai-ser-dificil-esquecer-pedrada.html">http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/menina-vitima-de-intolerancia-religiosa-diz-que-vai-ser-dificil-esquecer-pedrada.html</a></p>



<p><a href="#_ftnref5"><sup>[5]</sup></a> <a href="https://extra.globo.com/casos-de-policia/crime-preconceito-maes-filhos-de-santo-sao-expulsos-de-favelas-por-traficantes-evangelicos-9868829.html">https://extra.globo.com/casos-de-policia/crime-preconceito-maes-filhos-de-santo-sao-expulsos-de-favelas-por-traficantes-evangelicos-9868829.html</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>REFERÊNCIAS:</p>



<p>*BÂ, Amadou Hampâté. Amkoullel, o menino fula. Tradução: Xina Smith de Vasconcelos. São Paulo: Palas Athena: Casa das Áfricas, 2003.</p>



<p>*BOSI, Ecléa. <strong>Memória &amp; sociedade: lembrança de velhos. </strong>São Paulo, SP. T.A. Editor, 1979.</p>



<p>*FERREIRA, Luan P. C.. <strong>Memória da escravidão em Juiz de Fora: </strong>sociabilidades, políticas de rememoração, apagamentos e silenciamentos. Trabalho de Conclusão de Curso. Juiz de Fora. 2018. &lt;<a href="https://www.ufjf.br/historia/files/2020/04/Luan-Pedretti-de-Castro-Ferreira-Mem%c3%b3rias-da-escravid%c3%a3o-em-Juiz-de-Fora.pdf">https://www.ufjf.br/historia/files/2020/04/Luan-Pedretti-de-Castro-Ferreira-Mem%c3%b3rias-da-escravid%c3%a3o-em-Juiz-de-Fora.pdf</a>&gt;</p>



<p>*HYUSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.</p>



<p>*MURANGA, Kabengele. A construção da identidade negra no contexto da globalização. P. 19-41 In: DELGADO, Ignácio (coord.); ALBERGARIA Enilce, RIBEIRO, Gilvan,BRUNO, Renato (orgs.) Vozes(além) da África. Editora UFJF, Juiz de Fora, 2000.</p>



<p>*NORA, Pierre. Entre Memória e História: a problemática dos lugares. Prof. História, São Paulo. 1993</p>



<p>*POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v.2, 1989, p. 3-15</p>



<p>*POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v. 5, n10, 1992, p. 200-212</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva e pela Frente Preta da UFJF.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores] Arte e Minorias na Política, com Tallia Sobral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Tallia Sobral]]></category>
		<category><![CDATA[vereadora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A política municipal, sabemos, é sobre muito mais do que asfaltar ruas, colocar policiamento nos bairros ou melhorar o transporte público. Ela é, principalmente, sobre pensar as condições de vida da população local, considerando suas identidades, sua diversidade de contextos e suas formas de expressão &#8211; ou seja, pensar também na arte e na cultura, e trazer projetos que busquem preservar a história única de nossa cidade e fortaleçam as multiplicidades que constroem o nosso presente. Para isso, a atuação dos vereadores que escolhemos para a Câmara Municipal é essencial.</p>



<p>A corrida pelos assentos na Câmara de Juiz de Fora começou há duas semanas, apresentando candidates com os mais diversos projetos para a nossa cidade; e alguns se destacam aos olhos de quem está envolvido com a Cultura &#8211; entre eles, a professora, capoeirista e musicista Tallia Sobral, que vem apresentando debates contundentes sobre a cultura e as vivências minoritárias.</p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com a Tallia sobre a importância de existirem vozes das minorias e que falem em nome das artes dentro da estrutura institucional do governo. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b201-whatsapp-image-2020-10-09-at-09.49.27-edited.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12336" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Tallia Sobral, em ensaio fotográfico para a campanha de 2020.</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Você é professora e musicista de formação. O que te fez ter o impulso de se iniciar na carreira política?</strong></p>



<p><strong>Tallia:</strong> Nossas ações cotidianas são políticas, constroem relações e pensamentos. Através da cultura e da escola, consegui perceber a necessidade de estar em espaços coletivos e ter uma militância organizada. E agora, a partir do cenário que vivemos, ocupar o espaço institucional é uma ação necessária termos um ponto de apoio e levar as nossas pautas pra câmara.</p>



<p><strong>T:  Enquanto mulher bissexual, como você percebe a importância de a nossas vozes estarem representadas nos cargos políticos? E você está otimista por uma melhora na situação de pessoas como nós dentro de um viés político?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong>  Estamos cansadas de termos nossas vozes e nossos corpos silenciados. Levar nossas pautas é ocupar mais um espaço de luta e resistência. Percebo que as pessoas querem fazer mudança de alguma forma. Construir um caminho político pra fortalecer um novo horizonte é minha fonte de esperança.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong> O que é o feminismo pra você? E como você enxerga o seu feminismo aplicado na sua atuação enquanto vereadora, caso você seja eleita?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong>  O feminismo existe como uma resposta ao machismo e ao patriarcado que por muitos anos vem nos oprimindo. A realidade da mulher do nosso país é muito difícil, e em JF não é diferente; somos as mulheres que trabalham o dia todo, pegam ônibus lotado, cuidam da casa e dos filhos, passam aperto no fim do mês e ainda sofrem inúmeras violências pelo fato de serem mulheres. A câmara tem obrigação de resguardar a vida dessas mulheres e garantir seus direitos garantidos; e, nesse sentido, vou atuar como vereadora.</p>



<p><strong>T: As artes são uma parte muito importante da sua vida e experiência enquanto capoeirista e musicista. Como você percebe que elas contribuem para moldar uma sociedade mais justa e livre de preconceitos?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong> A arte está em tudo e ela nos pertence. <strong>Nossa cultura se apresenta nos espaços em que compartilhamos nossas formas de existir; e, a partir dela, criamos um diálogo com quem a recebe, seja qualquer forma que ela manifesta</strong>. Esse diálogo exige uma subjetividade, uma sensibilidade pra entender melhor a mensagem. Exercitar esse diálogo é permitir que uma nova forma de perceber o mundo seja experimentada e, com isso, a abertura pra toda nossa diversidade.</p>



<p><strong>T: A capoeira, mais do que uma arte, é uma ferramenta de reivindicação histórica e identitária de diversos grupos minoritários &#8211; em especial, as pessoas negras, descendentes da população escravizada. Como você percebe a prática da capoeira na sua vida pessoal, enquanto mulher bi e branca? Ela funciona também como essa ferramenta? E como você percebe a função social da capoeira?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong> Sou suspeita pra falar da capoeira! Ela está na maior parte do meu tempo de vida e é transformadora. Ela é minha lente pra enxergar o mundo; e através dela, eu consigo perceber e colocar em prática o que não é saudável, justo, e pensar que a sociedade pode e deve ser diferente.</p>



<p><strong>T:  Em 2018, você se candidatou pelo mesmo partido ao qual está filiada para as eleições municipais deste ano, junto à &#8220;Frente Socialista&#8221;. No que consiste o socialismo que você e, por conseguinte, a sua candidatura, defendem?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong> A palavra &#8220;socialismo&#8221; vem sendo atacada por muitos anos, justamente por ela trazer em si a ideia que o social se sobreponha. Atualmente, nós sobrevivemos em um sistema que é muito cruel e que faz a gente a naturalizar essas injustiças. Como pensar que, enquanto uma pessoa morre de fome, alguém tem bilhões acumulados em sua conta, fruto do trabalho desses que morrem de fome? É uma lógica dos ricos.</p>



<p>Mas e se todos ganhassem pelo seu próprio trabalho, sem ser pelas suas posses, heranças. Será que essas injustiças seriam tão latentes? Acredito que não. É nessa sociedade mais igualitária e justa que acredito.</p>



<p><strong>T: Quais são as coisas que você deseja fortalecer e inibir em Juiz de Fora enquanto vereadora? Como você percebe que a sua atuação no cargo de vereadora pode impactar o cenário juizforano ligado às pautas que você traz? </strong></p>



<p><strong>TS:</strong> Quero fortalecer o que nos fortalece, o que é coletivo, o que é nosso. Quero que JF seja uma cidade que valorize seus movimentos, que valorize seus trabalhadores e pare dar palco pra quem vive de explorar a gente. Quero que as mulheres, as LGBTQI+, as negras e negros, a juventude, possam ter sua vida e seu futuro garantido.<br>A luta do nosso povo existe independente da câmara, e levar a nossa voz lá pra dentro pode ser mais um instrumento de fortalecimento. Quem preferir estar contra o nosso povo, não tem meu apoio.</p>



<p><strong>T:   A Letra B da sigla é, com certeza, uma das mais invisibilizadas &#8211; e cada vez mais vem sofrendo com esse &#8216;não lugar&#8217; de vivência, ao ser negada pelos LGBT+ quando pensada na passabilidade hétero-homo, ao ser negada pela comunidade hétero enquanto expressão desviante, e considerada enquanto uma expressão excludente até mesmo dentro dos nossos pares (que optam por outras nomenclaturas). Para você, tanto na vida pessoal quanto enquanto pessoa pública: qual é o peso trazido pelo ato de se dizer &#8216;bissexual&#8217;?</strong></p>



<p><strong>TS:</strong> A sexualidade é um tabu e é muito difícil de ser conversada e assumida. Você estar fora da heteronormatividade já te coloca fora do padrão imposto e já transforma você em uma pessoa pior, diante dos olhos da sociedade &#8211; destacando que somos sempre ensinados a enxergar as coisas em um padrão e a entender que o que é diferente é pior.<br>Quando a gente se reconhece em uma sexualidade que aparentemente cabe, em partes, dentro dessa normativa, faz as pessoas entenderem que estamos no meio do caminho, que somos confusos. Infelizmente, uma lógica dicotômica. Assumir a bissexualidade traz sempre um medo de não sermos reconhecidas por lado nenhum. Isso tem uma tendência a sermos mais fechadas, depressivas, acharmos que estamos mais erradas que todos.</p>



<p>A militância, o afeto, o amor é o que ajuda a gente se localizar melhor, é o que me &#8220;salva&#8221; nesse sentido.</p>



<p><strong>T:  Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>TS: </strong> Não sei se teria uma pergunta específica, esse momento é de muito desafio e coragem. Cada passo, cada mão dada é um respiro. Vocês estão me dando mais uma possibilidade de avançar nesse processo. Obrigada!</p>



<p>Mas uma pergunta que poderia ter é, Tallia, qual seu número de candidata? (risos)</p>



<p> </p>



<p>Acompanhe os debates da Tallia através das redes sociais! <a href="http://instagram.com/tallia_sobral">@tallia_sobral</a> no Instagram.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>À pequena Karina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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<p>O que você diria para a criança que você era, se você a encontrasse hoje? Me surgiu esta dúvida agora, enquanto fumo o cigarro alheio e choro as minhas mágoas da vida. Influenciada pela proximidade do dia das crianças e após uma semana preparando ações para este dia comercial, lembrei-me da pequena Karina, aquela com seus dez anos de idade, que fugia do beijo do primeiro namorado e ganhava serenata de amor na Páscoa.</p>



<p>Pensei como seria caso nos encontrássemos cara a cara hoje. Nossa! Que vergonha! Como eu poderia dizer aquela bela menina que a vida não está nem perto de como ela imagina que estará aos 30…? Como poderia dizer-lhe que não temos filhos, nem uma casa, que não somos uma ortopedista bem sucedida (naquela época, jornalismo ainda não era uma opção!) e que sequer temos previsão de uma estabilidade financeira?</p>



<p>Como poderia explicar-lhe o tanto que ainda irá chorar nos próximos vinte anos, e todas as decepções pelas quais ainda passará? Como falar sobre todas as perdas que lhe acontecerão? Sobre todas as pessoas das quais precisará se despedir? Como lhe falar para aproveitar mais o tempo com alguns e deixar logo outros de lado? Como fazer para não atropelar as palavras em nossa conversa?</p>



<p>Gostaria de sentar-me ao seu lado e dizer: &#8220;Oi Karina, tudo bem? Sabe este seu namorado? Em 20 anos, vocês sequer terão contato! Sabe o próximo? Não chore tanto por ele, não vale a pena! Não passe tanto tempo para esquecê-lo. A vida seguirá seu rumo, e vocês seguirão caminhos completamente diferentes. Mais tarde, você vai conhecer alguém, vai pensar que é pra sempre e vai apostar todas as suas fichas. Não faça isso! Também não irá valer a pena; por isso, não vincule a sua profissão à sua decepção.</p>



<p>Se quiser investir, invista! Corra atrás do que você quer e vá! Não deixa as suas lágrimas segarem o seu caminho. Só vá, meu bem! Você pode ir longe! E quando as oportunidades chegarem, agarre-as! Não deixe os &#8216;e se&#8217; te impedirem de voar! Você possui asas enormes, mas não consegue vê-las porque está sempre olhando para baixo. Pare com isso e olhe para cima! Lá é a sua casa! É pra lá que você vai! Tente nunca esquecer disso!</p>



<p>Deixe o orgulho de lado, e não deixe as pessoas interferirem nos seus relacionamentos com aqueles que você ama. Isso poderá te custar onze anos da sua vida. Onze anos que você jamais poderá recuperar. Serão onze Natais perdidos, onze anos de abraços perdidos, onze anos sem lembranças… Anos pelos quais você lamentará o resto de sua vida! Tudo por orgulho! Não apenas seu, é verdade! Mas você pode fazer algo a respeito, então faça!</p>



<p>Ah! Aprenda a controlar a sua voz! No futuro, isso trará sérios problemas para você. O mundo não quer saber das suas desculpas e não se importa se você está ou não chateada &#8211; o importante é aquilo que parece e pronto! Se prepare, o mercado de trabalho é um mundo cão, meu bem! Você vai odiar tudo isso, mas é preciso se acostumar e tentar se adaptar, ou jamais conseguiremos renda suficiente para adotar a nossa Maria Luiza.</p>



<p>Uma coisa nunca vai mudar: você vai continuar com esse coração enorme! Tanto que, hoje, temos muitos sobrinhos e adotamos os filhos de todas as amigas &#8211; inclusive, hoje nasceu mais um, o Frederico. Amamos crianças e elas nos amam, mas, geralmente só quando são muito pequenas. Por algum motivo, quando elas tomam consciência, começam a não gostar tanto de nós. Sinto muito por isso! Talvez o problema seja eu!</p>



<p>Karina, como costumo dizer, talvez a vida não tenha saído, exatamente como você planeja, mas fica tranquila! Você tem os melhores pais dos mundo! Não esqueça disso! Os amigos que você irá fazer no ensino médio, você levará para a vida toda, acredite (nos encontramos até hoje, e uma delas, você conhecerá em dois anos). Você escolherá uma profissão que jamais irá exercer da forma correta, mas pela qual nunca deixará de ter um certa paixão no coração.</p>



<p>Os próximos anos não serão fáceis. Mas você conseguirá superar cada um deles e aprenderá algo novo em cada um. Se posso te dar umas dicas importantes são: não misture bebidas (a ressaca é terrível); diga ao William que você o ama (mesmo sabendo que vai embora &#8211; acredite, ele foi o seu amor mais bonito!); faça outra faculdade antes dos 30 (exceto moda, por favor! Este não é o seu mundo!); não peça demissão do seu emprego (aquele primeiro! Você vai se arrepender!).</p>



<p>E por fim, meu bem, tente sorrir mais. Você tem um sorriso lindo, mas só o começa a usá-lo após alguns anos. E antes que eu me esqueça… O seu cabelo é lindo, viu? Não leve a sério os comentários do Davi, ele não sabe o que está falando e nem vai lembrar disso em alguns anos.&#8221;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Podcast discute a integração de crianças refugiadas no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>No terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, produzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em parceria com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), o universo das crianças refugiadas é pautado, revelando elementos positivos das referências que as crianças constroem em sua rotina, assim como complexas questões de interações sociais, potencializadas pelo contexto da pandemia da COVID-19. O podcast está disponível no site do ACNUR e nos principais agregadores de podcast.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc389-csvd-acnur.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12370" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Crianças refugiadas são fotografas em um abrigo de São Paulo, sendo o tema do terceiro episódio do podcast Refúgio em Pauta, uma produção do ACNUR em parceria com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello.<br>Foto | Miguel Pachioni/ACNUR</figcaption></figure>



<p>Estar em situação de refúgio não é fácil para ninguém. Ter que deixar o país de origem em busca de proteção para reconstruir suas vidas em uma nova sociedade requer muita capacidade de adaptação e resiliência para superar os tantos desafios do processo de integração. Mas para um perfil específico, esse processo pode parecer simples, embora seja realmente muito complexo.</p>



<p>No terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, produzido pela&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/2020/10/08/terceiro-episodio-do-podcast-refugio-em-pauta-discute-a-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil/">Agência da ONU para Refugiados (ACNUR)</a>&nbsp;em parceria com a&nbsp;Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), o universo das crianças refugiadas é pautado, revelando elementos positivos das referências que as crianças constroem em sua rotina, assim como complexas questões de interações sociais, potencializadas pelo contexto da pandemia da COVID-19.</p>



<p>Na abertura do episódio, dados globais e nacionais do ACNUR e de seus parceiros são apresentados, evidenciando que as&nbsp;crianças representam cerca da&nbsp;metade do número de pessoas refugiadas&nbsp;no mundo e que as meninas refugiadas, em especial, têm menos acesso à educação do que os meninos e ainda têm&nbsp;metade da probabilidade de se matricular na escola&nbsp;quando chegam ao nível médio.</p>



<p>A primeira entrevistada do episódio é Vivianne Reis, diretora da ONG IKMR, organização parceira do ACNUR e que se dedica exclusivamente sobre o tema das crianças refugiadas em São Paulo. “Utilizamos a arte como principal ferramenta para acessar essas crianças, em um trabalho de ressignificar o mundo por todas as situações que elas vivenciaram”, afirmou&nbsp;Vivianne.</p>



<p>Na sequência, a conversa do podcast foi com três crianças refugiadas de diferentes nacionalidades que vivem em três capitais brasileiras: São Paulo, onde o jovem sírio Hohammad foi entrevistado; Rio de Janeiro, cidade em que vive a congolesa Maravilha; e em Vitória, onde o jovem venezuelano Adrian vive com sua família. Entre temas da conversa, estão seus sonhos, as amizades feitas no Brasil e as saudosas memórias de fortes laços sociais e familiares.</p>



<p>Na última entrevista do episódio, a psicóloga Ingrith Andrade, profissional que atua na Cáritas São Paulo, organização parceira do ACNUR, analisa o processo de chegada das crianças refugiadas no Brasil, destacando as principais dificuldades do aspecto de adaptação e os papéis que os pais e a escola desempenham no processo de acolhida das crianças e mesmo de suas famílias, pelos vínculos gerados.</p>



<p>O primeiro episódio do podcast, lançado em agosto, abordou a segurança alimentar de pessoas refugiadas em tempos de pandemia, um tema que fez com que o ACNUR e seus parceiros revessem seus planejamentos e ações emergenciais. Já o segundo, disponível desde o mês passado, apresentou o tema dos indígenas venezuelanos que chegaram ao Brasil em busca de proteção internacional e de seus direitos básicos, como moradia e alimentação, agregando novos valores e conhecimentos tradicionais à sociedade brasileira.</p>



<p>Os episódios do podcast “Refúgio em Pauta” são lançados previamente no site do ACNUR, no endereço&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/podcast">www.acnur.org/portugues/podcast</a>. Sugestões de temas e comentários sobre os episódios já produzidos podem ser enviado para o email&nbsp;<a href="mailto:pachioni@unhcr.org">pachioni@unhcr.org</a>.</p>



<p>Contribuíram para a produção do terceiro episódio do podcast “Refúgio em Pauta”, por parte do ACNUR, Miguel Pachioni e William Laureano; pela PUC-Minas o Professor Duval Fernandes; pela UFES a Professora Brunela Vincenzi; pela UFSM o Gianlluca Simi, a Professora Giuliana Redin e a Nathália Costa; e pela UNICAMP, Mariana Hafiz.  As vozes das vinhetas do podcast são gravados pelos músicos refugiados Leonardo Matumona (da República Democrática do Congo) e Oula Al-Saghir (Palestina/Síria).</p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/95013-podcast-discute-integracao-de-criancas-refugiadas-no-brasil"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 09/10/2020 &#8211; Atualizado em 09/10/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Ponte que caiu!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Homenagem póstuma à ponte de Sobragy</em></p>



<pre class="wp-block-verse">No início, eram duas margens de terra
Cortadas por um rio
Depois, com o barulho do trem
irradiando as fagulhas do progresso pelo mar de montanhas das Minas Gerais,
quiseram transpor aquelas águas.
Estávamos sedentos de modernidade.
Queríamos encurtar a busca de novidades na estação.
Sabe aquele novo jornal da capital?
Sim! É verdade!
Tenho que buscar aquela carta trazida pelo vapor!
Mas como transpor aquelas águas?
Não tínhamos asas para sobrevoá-las como pássaros.
Se bem que, se asas não temos,
inteligência não nos falta para inventá-las!
É verdade!
Vem aí o grande invento do brasileiro Santos Dumont!
Afinal de contas, é tempo de uma tal de bela época, <em>Belle Époque</em>, dizem os franceses, né?!
<em>Belle Époque</em> que nada, sô!
Nóis tinha memo que rachar estrada de a pé,
pisando descarço em chão de terra esburacada e
matando cobra com o carcanhar pelo caminho.
Desconfiado!
Sim!
Mineiro é desconfiado!
Desconfiadíssimo!
Cê doido de atravessar aquele rio a nado!
Caminho rápido nem sempre é caminho fácil...
O jeito é buscar o trajeto mais longo para chegar ao arraiá.
Depois de muitas idas e vindas debaixo de sol e chuva, por caminhos longos e tortuosos,
uma estrangeira chegou encantando a todos e todas.
Dizem que ela veio de um lugar “abacana” que só vendo,
chamado “Glasgow”, lá na Escócia.
Isso mesmo!
Só sei que aquele amontoado de ferros,
que, no início, só servia para nos atravessar por caminhos mais curtos (santa modernidade!),
foi conquistando um lugar em nossos corações...
Obrigado, Divino Espírito Santo!
Só você para nos trazer este presente!
Lá do alto da montanha, Ele nos abençoa de sua capelinha!
Essa não há de se “esborrachar” na água
como outrora ocorreu com a antiga ponte de Bom Sucesso!
E, assim, passaram-se 114 anos!
Mais de um século de pé,
aliás, esticada sobre as águas,
como uma velha bailarina,
esguia e elegante,
que nunca parou de dançar e
desafiar as leis da gravidade.
Que gravidade!
Pena que nessas terras ninguém vivo há para nos contar
como foi a sua inauguração...
Ela viveu o centenário da Independência do Brasil!
Cê veja bem, sô!
É... Não parece,
mas tudo nessa vida
pe-
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; re-
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ce...
Antes de completar o segundo tempo da partida, ela ruiu!
Afogou-se nas águas do Paraibuna!
Desabou antes de ver os duzentos anos de independência que batem em nossa porta.
Ela – como o Brasil – sucumbiu a tantos desgostos.
Divino Espírito Santo que me desculpe, mas vai aí um desabafo:
Ponte que caiu!
Assim como a ponte,
não estamos mais inteiros.
O abandono nos mutilou pela metade...
Será que um dia inteiros voltaremos ser?
Será que um dia reerguida a veremos?
Talvez...
Mas, para que isso aconteça,
antes de inteira vê-la,
há que nos fazermos inteiros novamente...
Nova mente! Mente nova!
Nova mente!
Que as promessas mentirosas não nos sejam travessias.
Que a sua restauração nos encha de alegria.
Que as promessas não sejam vazias.
Que a “velha” nos volte a servir um dia...
Para que, no banquete da esperança,
ela nos combata a ânsia
de um passado comum perder.
Tirar a ferrugem é preciso.
Retalhos de ferro enferrujados,
atados por pingos de solda,
não hão de ter liga!
Se liga!
Ponte para o futuro sim!
Mas cuidado!
Sem pontes para o passado,
perigosas pinguelas para o futuro!</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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</div>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Sobre o que os olhos não veem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar]]></category>
		<category><![CDATA[Sentimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Geraldo Nascimento </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, eu tirei um tempinho para pensar em coisas que as vistas não conseguem ver. Sobre essas coisas não visíveis, não se tem muito para contar: são também indizíveis. Explicá-las a alguém tiraria dessa pessoa a oportunidade das descobertas &#8211; momento em que cada um pode sentir sem aquela obrigação de explicar.</p>



<p>São coisas que os olhos de fora não veem porque, para vê-las, só se for de olhos fechados, ou olhando para o nada. E eu pude perceber essas coisas olhando fotos de João e Lara (João com os olhos presos na sua pipa no ar, e Lara olhando para a grandeza do mar)  &#8211; e eu juro que já tive momentos na vida que eu devia ter tido esse olhar para o nada&#8230; para o infinito.</p>



<figure class="wp-block-gallery aligncenter columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/969f4-olhar-de-joao-e-lara1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="12375" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=12375#main" class="wp-image-12375" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d317-olhar-de-joao-e-lara.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="12376" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=12376#main" class="wp-image-12376" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<p>Espaço de tempo que os olhos buscam, em algum lugar, algo nunca visto nem vivido.</p>



<p>Esse olhar, quando nos pega distraídos, tem o poder de retirar de dentro tudo que nos atormenta e causa medos, como perdas, distâncias&#8230; solidão. Se nos perguntam o que estamos vendo, não temos respostas. Olhamos sem a pretensão de enxergar, mas sentir. Nele (digo, no olhar) não ficarão presos os pássaros, as nuvens, as flores, as borboletas&#8230; nem paisagens.</p>



<p>As coisas de dentro não podem ser vistas por outros e, muitas vezes, são inexplicáveis: Saudade, alegria, felicidade, angústia, medo, esperança, fé. Só consegue vê-las quem as tem ou é tido por elas &#8211; e, mesmo assim, são melhores percebidas de olhos fechados.</p>



<p>À exemplo da saudade, fico na dúvida se nós a temos ou se é ela que nos tem.</p>



<p>&#8211; Você não vê o que eu sinto? &#8211; Pergunta sem resposta. Só podemos ver o sentimento que nos passam pelo olhar</p>



<p>De olhos abertos, o lado de fora não nos permite ver o lado de dentro. Penso ser por essa razão que abraço, beijo, músicas, afago, poemas e paladar alcançam sua plenitude quando os olhos estão cerrados.</p>



<p>O Escuro dos olhos permite acender a luz de dentro. Lembranças são fagulhas que nos direcionam sem a necessidade de ver porque só nos guiam por caminhos já vividos.</p>



<p>Os Olhos presos no horizonte nos permitem pensar na necessidade de uma direção e, se presos no alto, a necessidade de ajuda.</p>



<p>O olhar de Lara na foto me passa uma sensação de esperança; o olhar de João, uma sensação de fé.</p>



<p>Esperança e fé não podem ser vistas. Podem e devem ser experimentadas e vividas!</p>



<p>E se perguntarem o que mais desejo na vida? Que eu tenha a mesma esperança e fé que senti retratadas nas fotos.</p>



<p>Que o mar não pode ser mais infinito que o sentido da vida, e que haverá sempre vento para sustentar minha fé no alto.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Geraldo Nascimento </strong>nasceu em Piedade do rio Grande (MG) em 14 de junho de 1968. Formado em Tecnico em Agropecuária e Pedagogia. Reside em Matias Barbosa.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: FUSCA, MARESIA E ROD STEWART</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Fusca]]></category>
		<category><![CDATA[Praia]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Há momentos da nossa vida que, quando recordamos, podemos sentir o aroma, o vento beijando nossa pele ou até uma música especial que faz o botão de volume do rádio girar para o máximo. É a memória afetiva que se ativa pelo nosso paladar, olfato, audição&#8230; De uma forma ou de outra, estamos sempre revisitando esses lugares que ficaram parados no tempo longe do caos e da pressa que existem atualmente.&nbsp;</em></p>



<p><em>A história de hoje irá se costurar com a minha, com a tua e talvez com a de uma geração inteira. O passado é um presente que pode ser saboreado a qualquer dia, qualquer hora.</em></p>



<p>&#8220;Eu era jovem, vivia com meus pais e não tinha irmãos. Morávamos no litoral, onde os cabelos sempre estão levemente salgados, e se não passar uma &#8220;aguinha&#8221; no carro todo fim de tarde, a maresia corrói.</p>



<p>Tínhamos uma vida simples na vila de pescadores, e eu tinha vontade de conhecer gente, entender o mecanismo das coisas, ver além daquele horizonte cortado pelo píer. Aos Sábados, gostava de entrar no fusca do pai e ligar o rádio. Lá tocavam músicas que embalavam todos os meus sonhos, e eu sentia que havia muito mundo para meus olhos verem ainda.</p>



<p>Nessa época, se tu gostasse de uma música que o radialista colocava, era muito difícil ter acesso a ela de novo. E quando era em inglês, então? Não entendia o artista, a música, bulhufas!</p>



<p>Foi numa dessas tardes de tempo vagaroso que conheci a voz rouca e os acordes mais lindos de Rod Stewart. Desde então, começou a saga de tentar descobrir quem era o cantor e como ouvir ele de novo.</p>



<p>O tempo passou. Cresci, casei, tive filhos e, em todas minhas atividades, lá está Stewart no plano de fundo da minha vida.</p>



<p>Há poucos dias, minha filha mais velha entrou em contato com uma rádio local que escuto há muitos anos (inclusive apresentei pra ela quando ainda era pequeninha) e pediu &#8220;Tonight&#8217;s The Night&#8221;, que gosto tanto, e dedicou para mim.</p>



<p>A música é estado de espírito, marca de vivências, ultrapassa gerações.</p>



<p>Lá na década de 70, quando escutei pela primeira vez, nunca imaginei que tanto tempo depois ela retornaria para mim através da minha filha.<br><br>Círculos da vida.&#8221;</p>



<p><em>Histórias, memórias e sensações são os que nos conectam, independente do ponto de partida, classe social e demais lugares de fala. Por isso, tenho um projeto que foi conhecer o mundo virtual esse ano, que se chama Caçadora de Histórias, e ele acontece no Instagram.</em></p>



<p><em>Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida.</em></p>



<p><em>Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a> e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Herança &#8211; Capítulo 5: O Beliscão da Realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Herança]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sentou-se no sofá amparado pelo filho. </p>



<p>Noêmia estava de pijama, ar de cansada, cabelos revoltos. Encarou-o de frente, de pé, suspendendo o seu queixo e fazendo-o encará-la também.</p>



<p>&#8211; O que houve, Ricardo? Você não pode voltar a fazer isso comigo! Pelo amor de Deus, homem. Pense nas crianças! Você ficou doido?</p>



<p>Ele não conseguia encará-la, desviando o olhar, indo parar sobre a Santa Ceia colada na parede da sala. Augusto também o encarava com olhos piedosos e, ao mesmo tempo, risonhos, lembrando-se de tantas vezes que chegara a casa tarde da noite e sofria com as ameaças do pai – era bom sentir o efeito inverso, a figura paterna jogada no canto do sofá da sala.</p>



<p>Noêmia não acreditava no que acontecia. Tentava fazer Ricardo falar a qualquer custo; mas, naquele momento, ele encarava Jesus na parede, rodeado de seus apóstolos e dizendo para todos: “Alguém aqui comprometerá a sua família!”, e lembrava-se do Sr. Miranda. Ele era um apóstolo despejado, despedido, despreparado. Um Judas contemporâneo, cuja vida permanecia suspensa naquele momento, como as lágrimas nos cílios inferiores de seu olho.</p>



<p>Naquele exato momento, Noêmia percebeu a gravidade da situação para além de uma mera embriaguez. Lembrou-se das falas premonitórias de seu marido àquela manhã, dizendo que aquele não era um bom-dia. Sacudiu-o, para ver o que o homem lhe falava, porém as únicas cartas que embaralharam sua vida foram as lágrimas que se desprenderam dos cílios, indo parar no dorso de suas mãos.</p>



<p>Ricardo ajoelhou-se e despencou a chorar no colo de sua esposa, molhando o seu ventre e pedindo perdão a ela, que, sem saber o que fazer, atônita, pousou as mãos na cabeça do marido e se lembrou das agulhadas do passado como costureira.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile alignwide" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94898-darlan_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10407" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:18px"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">

<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>


<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/75260-galerialuis1-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10529" data-recalc-dims="1" /></a></figure>


<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>

</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Estéreo &#8211; Capítulo 3</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/estereo-capitulo-3/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Estéreo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Pippa]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Pippa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar da confusão que me acompanhava todos os dias e por todas as horas, o mundo tinha adquirido outra tonalidade. Os sentidos ficaram aguçados; as músicas eram mais bonitas; as cores, mais perceptíveis; as texturas, mais tocantes.</p>



<p>Eu estava mais sensível a tudo ao meu redor.</p>



<p>Eu estava observando um mundo que nunca antes fora admirado de dentro daquela caixa fechada que eu vivia. Agora, estava de fora, em outra perspectiva, enxergando tudo aquilo que aparecia a minha visão.</p>



<p></p>



<p>Ana e eu não tocamos mais no assunto, e as meninas que agrupavam conosco não perceberam nada de diferente.</p>



<p>Os dias passavam, mas eu ainda queria gritar aos ventos todos aqueles sentimentos dentro de mim &#8211; principalmente os que haviam surgido em relação a ela.</p>



<p>Quanto à minha primeira vez sexualmente falando, eu estava esperando por ela; então, essa novidade não foi algo que movimentou minhas estruturas de uma forma anormal. Claro, fortaleceu minha nova forma de me entender perante uma sociedade sexual e perante meu próprio corpo descobridor dos prazeres carnais; mas, era algo &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;na falta de termo melhor <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;rotineiro.</p>



<p>O que me confundia era ter esses desejos por homens <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;na vontade, sim, de descobrir outros corpos masculinos para além daquele primeiro e de entender todo o funcionamento da vida entre quatro paredes &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e, simultaneamente, a lembrança do beijo, frenética como as batidas de meu coração, tocando as memórias em ritmo carnavalesco e sem ser chamada para vir à tona.</p>



<p>Eu tinha escutado por aí que, às vezes, isso era apenas uma &#8220;fase&#8221;.</p>



<p>Quem nunca ouviu isso? &#8220;Uma fase&#8221;.</p>



<p>“Ah, é apenas uma fase, você vai ver, logo passa”.</p>



<p>A lua tem fases. Jogos de videogame têm fases. Programas televisivos tem fases. Bandas tem fases. Diretores de filmes tem fases.</p>



<p>As pessoas também têm fases, pois, eu mesma já fui tantas pessoas dentro de um só corpo que se dividiram em anos, tempos que melhor lhe aprouveram até chegar a ser a atual eu.</p>



<p>Mas, ouvir dizer que sexualidade tem fase é algo que nunca entrou por meus ouvidos de bom grado.</p>



<p>Entendo que existem pessoas que sim, têm atrações e vontades, das quais querem vivenciar as situações e se perceber perante as mesmas, e, quando concluem, enxergam que não era de fato o que lhes preenchia.</p>



<p>Têm pessoas que guardam para si como o segredo mais secreto e jamais experienciam as coisas por algum medo e, essa tentativa de sair da zona de conforto se estagna.</p>



<p>E existem pessoas que se jogam <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;como se pulassem de uma ponte para fazer aquele esporte radical <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;para abraçar tudo o que lhes é ofertado, descobrem o que tem afinco e o que não lhes cabe, até se entenderem como um todo.</p>



<p>Mas, usar a palavra “fase” desmerece toda e qualquer situação nesse aspecto.</p>



<p>Pode ser passageiro, mas é para ser vivido. Pode não ser eterno, mas é para ser experimentado.</p>



<p>Eu não sabia o que era para ser, só sabia que queria algo maior do que eu mesma e necessitava fazê-lo caber dentro do meu peito que explodia de vontades de narrar ao mundo o que jorrava na fonte de minhas experiências.</p>



<p>E, para compreender da melhor forma possível, eu precisava viver.</p>



<p></p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Oi, Mauricio, posso ir contigo? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Perguntei a o rapaz alto e forte que fazia o mesmo percurso para casa após o colégio, e que coincidia de ser o meu, quando já havia me despedido de Ana em seu ponto de ônibus.</p>



<p>Timidamente eu iniciei a conversa com ele, que era gay assumido, e a única possibilidade que apareceu na minha cabeça de ter alguma experiência verbal com alguém que fosse do “meio”.</p>



<p>Nós nos conhecíamos de vista, da escola. Nos cumprimentávamos e trocávamos algumas palavras, mas nunca fomos apresentados ou próximos. Na ingênua mente que eu tinha, por ele ser gay, achava que, tecnicamente ele teria amigos gays e poderia me levar para um outro mundo, diferente do que eu estava acostumada.</p>



<p>Mas éramos todos adolescentes sem empregos, com pouco dinheiro no bolso e nenhum ambiente que nos abraçasse para que pudéssemos libertar nossas feras. Somente anos mais tarde, já resolvida comigo, encontrei a possibilidade de frequentar tais locais.</p>



<p>Com a frequência de ter a companhia de Maurício, ficamos verdadeiramente amigos. E sendo a amizade uma troca <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;de confidências e de confiança <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;contei a ele tudo o que tinha acontecido.</p>



<p>O desejo repentino por aquela mulher que me despertou, o beijo com Ana, a confusão da minha mente em estar também desejando homens após ter tido meu primeiro contato sexual.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Olha, repentino não foi. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Íamos a pé, sem pressa de chegar, só nós dois, e ele sempre muito atento e atencioso a tudo o que eu dizia. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Minha irmã é lésbica, sabe? E ela é mais velha também, então tem mais experiência que a gente. Ela diz que a gente já nasce com isso, mas cada um tem um tempo diferente pra descobrir.</p>



<p>Então eu havia nascido com aquele lado que gostava também de mulheres, e ele resolvera aparecer por ali?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Aí tem gente que gosta, tem gente que não gosta, tem gente que gosta e finge que não&#8230; <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ele continuou. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu acho que, assim, você não tem que escolher se você gosta de homem ou gosta de mulher. Não tem que escolher e ficar só com um. Acho que tá tudo bem você gostar dos dois.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Mas não é estranho? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;A sigla, naquela época, era GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), então, compreender a ambiguidade dos meus sentimentos sem o amparo da bissexualidade era realmente muito complicado e fazia eu parecer uma extraterrestre.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;E o que na vida não é estranho? Eu sou estranho porque sou gay. E aí?</p>



<p>Maurício foi uma das primeiras pessoas que conheci que se sentiam confortáveis para falar abertamente sem receios do que as pessoas pensariam.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Então eu também sou estranha.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8212;&nbsp;Somos estranhos! Bate aqui! <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ele abriu a mão para que eu batesse na dele com a minha. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;E a Ana, não falou mais nada mesmo?</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não, é como se nada tivesse acontecido entre a gente. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Eu estava passando pela ausência de ser percebida por ela enquanto pessoa que tinha sido beijada por ela.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Deixa estar. Pra ela é algo mais normal. Mesmo que ela não fique com meninas, ela entende com mais facilidade do que você. Mas, eu tenho algo pra te falar: tem uma conhecida minha que se interessou por você, e queria te conhecer.</p>



<p>A internet era devagar, os computadores com aquelas telas grandes e longas e manter as redes sociais atualizadas <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;as poucas que existiam <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;era tarefa para quem possuía ambas as tecnologias em casa.</p>



<p>Com a descoberta da menina, entendi como a oportunidade essencial para levar adiante a minha nova jornada, e, tirar a prova de se, de fato, eu gostava mesmo de beijar garotas.</p>



<p>Celulares mandavam apenas mensagens de texto e somente se houvesse crédito para tal; então, com a ida até uma <em>Lan House</em> (que era um luxo para poucas horas de utilização ao mês, afinal, pagar para se divertir fora de casa assim não saia barato) conversei com a dita e combinamos de nos encontrar um dia.</p>



<p>Eu sempre fui impaciente então, tudo o que exigia encontros era com a maior rapidez possível, pois, esperar, nunca foi qualidade minha.</p>



<p></p>



<p>Era um dia chuvoso, frio e bem acinzentado.</p>



<p>Quando ela vinha se aproximando, lá de longe, percebi que não era tão semelhante às fotos que havia disponibilizado &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;o que costuma ser comum, principalmente hoje em dia, na era do universo virtual e possibilidades de edições digitais que alteram totalmente a realidade.</p>



<p>Claramente por uma mistura de medo da situação <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;por estar receosa de ter marcado um encontro com uma pessoa desconhecida e assim, “testar” minhas confirmações <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e pela diferença que havia me incomodado, eu não senti interesse imediato por ela.</p>



<p>Eu esperava que, quando acontecesse, seria algo que novamente despertasse borboletas no estômago e demonstrasse que sim, eu realmente gostava de meninas, mas, diante de tudo, nada aconteceu.</p>



<p>Adentramos o jardim de um prédio <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;grades eram coisas raras naquela época, principalmente em bairros apenas residenciais como o que selecionamos para o momento &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e ficamos por lá, nos escondendo da tempestade e das pessoas, debaixo da minha sombrinha.</p>



<p>Muito de mim também tinha receio de ser vista na companhia de outra menina e de compreenderem o que estávamos fazendo. Era uma vergonha ter esse tipo de pensamento, mas era inevitável para quem eu era.</p>



<p>E era tudo novo.</p>



<p>A pessoa que sou hoje, assumida e sem preocupações com o que os outros vão achar a meu respeito, lamenta ter quisto se esconder para se sentir menos vulnerável mediante julgamentos.</p>



<p>A pessoa que sou hoje, que se atrai por pessoas independente de gênero, lamenta ter sido preconceituosa e escolhido um canto do jardim afastado, porque a menina era diferente de mim &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;usava roupas masculinas e tinha um jeito mais masculino <img decoding="async" width="16" height="23" src="">-,&nbsp;por vergonha; por achar erroneamente que mulher precisava ser feminina e se vestir como mulher.</p>



<p>Mas, o que é ser e se vestir como mulher? O que é ser mulher?</p>



<p>Ser mulher não é usar roupas floridas, salto ou vestido. Ser mulher é algo que se torna, em caráter &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;assim como ser homem -,<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e roupas, genitais, cabelos, voz, jeitos e trejeitos não limitam a nada: vestimentas não possuem gênero. Ser mulher é muito mais do que eu imaginava que era e realmente, se torna mulher, não se nasce como uma.</p>



<p></p>



<p>Ela era educada, tinha um bom papo e ficamos conversando por um bom período de tempo até o beijo acontecer.</p>



<p>Ela não sabia que seria apenas meu segundo beijo com uma menina; ela não sabia que eu estava com curiosidade em saber se eu de fato gostaria. Ela não sabia que eu estava apreensiva em fugir de estereótipos que a sociedade tinha colocado na minha cabeça dos quais eu deveria me encaixar. Ela não sabia que eu a tinha colocado em um estereótipo errado e errôneo e só anos depois corrigiria essa postura.</p>



<p>E ela também não sabia que foi realmente a confirmação de que eu precisava, porém, eu queria mais, ter mais certeza ainda sobre meu caminho: eu queria transar com uma menina.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Barbara Pippa </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é nascida em Juiz de Fora, participante em antologias de poemas e contos. Acredita em astrologia e muda o cabelo de acordo com o humor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



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</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Destroços</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/11/destrocos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O tesouro afundou na água
O tiro de canhão do navio inglês
O naufrágio do inimigo português
O capitão fugiu para a Nicarágua

O esforço de juntar o vil metal
O choque de perder a batalha
O grumete envolvido na mortalha
O fim da expedição monumental

O ocaso da famosa embarcação
O ouro perdido ao fundo mar
O conjunto descendo devagar
O baú em fatal deposição

O forte desejo de riqueza
O declínio de orgulho varonil
O ridículo desespero pueril
O golpe no plano de realeza</pre>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



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<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
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