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	<title>Arquivos Ano 002, N 068 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; O Papa e os Gays</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[União Civil entre Homossexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center"><em>“As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso&#8221;</em><br>Papa Francisco</p>



<p class="has-text-align-left">O Papa disse o óbvio. Mas que bom que disse.</p>



<p>Não é a primeira vez que o Papa Francisco se pronuncia em relação ao acolhimento da comunidade LGBT+ dentro da religião católica e a favor da legalização da união civil entre casais homoafetivos.  Logo que Francisco foi eleito Papa, esse tópico foi amplamente discutido &#8211; aparentemente, da mesma forma que vem acontecendo hoje, sete anos depois. A população continua batendo cabeça sobre deixar ou não &#8220;o gay&#8221; casar.</p>



<p>Enquanto Pontífice Máximo de uma Igreja cujos dogmas moldaram as bases da dinâmica social que vivemos hoje (incluindo a maior parte das opressões, entre elas a de gênero e sexualidade), Francisco se mostra aberto e cristão, efetivamente. Prega o respeito às diferenças e, ainda que não faça movimento de reforma dogmática dentro da Igreja, incentiva o acolhimento do que ele mesmo chama de &#8220;desviante&#8221;.  Considerando que, para além de Papa, Francisco é um homem idoso e fervorosamente católico (seu posto que o diga), há de se reconhecer que ele está muito melhor que a maioria de seus pares; e, honestamente, sou da opinião de que não cabe a ele, que acredita piamente na palavra de Deus na Bíblia, apoiar o casamento homoafetivo. O movimento que ele inicia ao apoiar a união civil e ao se pronunciar, de forma tão clara, que os LGBT+ não devem ser privados de uma família e que devem ser respeitados e acolhidos, já é de uma magnitude imensurável.</p>



<p>Não, eu não estou passando pano para o Papa &#8211; até porque, convenhamos, não haveria necessidade de se escrever o presente artigo caso fosse esse o propósito; a questão aqui é que, se ele discordasse tão veementemente dos dogmas de sua Igreja, ele não seria Papa. E a Bíblia, sim, restringe o conceito de &#8216;casamento&#8217; para casais compostos por um homem e uma mulher; então, é compreensível que o Pontífice não toque na palavra &#8216;casamento&#8217; jamais ao tratar dos direitos dos LGBT+. </p>



<p>Tirando o Papa da reta: há de se convir que o termo &#8220;casamento&#8221; já foi apropriado pelo meio social há tempos &#8211;  tendo ele se tornado mais uma questão de contrato social do que efetivamente de religiosidade e crença numa validação por parte de Deus; vide o fato de que pessoas não-cristãs também se casam.  Dá para entender quando Francisco diz que o &#8216;casamento&#8217; é uma instituição feita para casais heterossexuais; mas será que dá para entender quando a sociedade civil assume esse discurso para si? Será que é aceitável que o casamento civil, o casamento-contrato, seja restringido aos casais heterossexuais, uma vez que a declaração de união civil não garante os mesmos direitos civis que um contrato de casamento?</p>



<p>Não. Não dá para entender. Não é aceitável. E Francisco, em sua fala (ainda que sem tocar no termo &#8216;casamento&#8217;), deixa isso claro. Nós temos direito a ser família. A constituir família. A ter família. E as nossas famílias devem ser reconhecidas e respeitadas, independente da crença de quem olha. Ora, se o representante máximo da cristandade, o responsável pela manutenção da lei divina na Terra, é capaz de fazê-lo, você, cristão, também é. </p>



<p>O Papa disse o óbvio. E que bom que disse. Enquanto exemplo supremo da cristandade, Francisco se mostra cristão perante o sofrimento daqueles que lutam por sua dignidade. E que o óbvio possa se tornar óbvio para todos os cristãos por aí.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores] RPG e Cultura, com Igor Tancredo</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/25/arredores-sociedade-e-jogabilidade-com-igor-tancredo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Covil RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Igor Tancredo]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando pensamos em arte e cultura, sempre nos lembramos do cinema, da literatura, das artes plásticas, entre outras formas de expressão amplamente reconhecidas. Mas você já parou para pensar no quanto os jogos carregam arte e cultura em seus enredos e estéticas? E em como esses jogos podem funcionar enquanto ferramentas de mudança social?</p>



<p>Desde os anos 80, os Role-Playing Games &#8211; ou RPG &#8211; vêm se popularizando cada vez mais. Nessa modalidade, os jogadores assumem personagens e criam suas próprias narrativas &#8211; as quais trazem em si espaço livre para as expressões particulares de cada jogador, o que torna o jogo rico em possibilidades de representatividades diversas, fortalecimento de identidades, conscientização sobre problemas sociais, entre outros; além, de, claro, consistir em um exercício criativo sem igual. </p>



<p> Em Juiz de Fora, o RPG vem sendo popularizado principalmente pelo Covil, projeto de narradores de aluguel idealizado pelo estudante de jornalismo Igor Tancredo e que, atualmente, vem se tornando um negócio de sucesso. Essa semana, a Trama conversou com o Igor Tancredo sobre a cultura e a arte do RPG. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9a000-whatsapp-image-2020-10-23-at-18.04.20-1.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12469" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Juan Barezzi, Lu Castelo e Igor Tancredo, em gravação para o Covil<br>Foto: Rafael Bouças</figcaption></figure>



<p><strong>Trama: O Covil é um modelo de negócio muito inusitado, e com certeza é o primeiro em JF. De onde surgiu o Covil?</strong></p>



<p><strong>Igor:</strong> Bom, inicio de 2019, eu estava trabalhando numa agência de publicidade aqui de Juiz de Fora, como estagiário. Um dia, eu recebi uma ligação de um conhecido meu; ele sabendo que eu jogava RPG desde novo, falou que tinha um grupo de amigos querendo jogar, mas ninguém para fazer o jogo acontecer (assumir a função de narrador) e me pediu para assumir essa função. Toda quarta, nós nos encontrávamos para jogar, e diante dessa necessidade do grupo, pensei que outras pessoas poderiam querer jogar também e não tinham a oportunidade. Nisso, em fevereiro de 2019, eu criei o perfil do Covil no Instagram, para falar de RPG e, quem sabe, conseguir uns bicos como narrador de aluguel. Aos poucos, foram surgindo pessoas interessadas e eu fui montando as mesas.</p>



<p><strong>T:  E por que você era A pessoa que sabia mestrar enquanto uma mesa inteira de gente querendo jogar não sabia? De onde vem a sua relação com o RPG?</strong></p>



<p><strong>I:</strong>  Eu comecei por volta dos 12 anos; via alguns primos jogando nos encontros de família e me chamaram pra jogar. Com 15, eu comecei a montar minhas próprias histórias, para jogar com alguns amigos. Para que o jogo possa ocorrer, alguém tem que assumir a função de narrador (ou mestre de jogo, um termo que eu não gosto); basicamente, essa é a função que escreve e conta a história que os jogadores, através dos personagens que eles criarem, viverão.</p>



<p>Quando esse grupo me convidou, eu já havia falado que fazia essa função e que gostava de fazer esse papel &#8211; geralmente, ninguém quer ser o narrador, porque dá trabalho e é meio cansativo; a parte mais legal do RPG é jogar, viver essas histórias, por isso não existem muitos narradores por aí.</p>



<p><strong>T: Além de narrar RPGs, você também já fez parte de alguns projetos de escrita de ficção. Quais você percebe que são as semelhanças e diferenças entre a narração e a escrita de ficção?</strong></p>



<p><strong>I:</strong>  Eles são bem semelhantes, mas a diferença crucial é que, na escrita, você controla tudo o que acontece, no inicio, meio e fim. Uma aventura de RPG é elaborada pelo narrador ou narradora, mas executada em conjunto os jogadores e jogadoras. Além disso, cada jogo possui regras e mecânicas, que avaliam sucessos e fracassos em determinadas situações. É como se uma aventura de RPG fosse uma narrativa viva, onde um resultado no dado pode decidir se tudo vai dar certo ou não. Você pode se preparar o quanto quiser, mas grande parte ainda é improviso, pois nunca se sabe o que pode acontecer. Um problema criado para o jogo pode ter soluções que o narrador não enxergou, e é a habilidade de se adaptar que te faz um  bom narrador.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>&nbsp;E nesse processo de adaptação, você enxerga o ofício de um artista?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Eu tento me ver como um artista, pela função de criar uma história que cause sentimentos e sensações em quem estiver ali comigo; mas, ao mesmo tempo, por não ser uma função comum, é difícil de enxergar e principalmente fazer com o que os outros enxerguem isso.</p>



<p><strong>T: Mas enquanto escritor, você se enxerga enquanto artista, certo?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Eu digo que sim, tento me sentir assim, principalmente para valorizar meu trabalho. Tem muito do que eu sinto e penso naquilo que escrevo, seja para as mesas de RPG ou para textos normais. O processo de criação é o mesmo; eu penso: o que eu quero dizer com isso, e o que eu quero que quem consumir isso sinta? &#8211; e, a partir disso, eu penso em um sentimento ou ideia e desenvolvo a história baseada nisso.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Dentro dessa disparidade que você percebe entre o reconhecimento do escritor e do narrador de RPG, o que você sente que falta para que o RPG possa ser considerado amplamente enquanto arte, assim como diversas outras formas de entretenimento?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Acho que falta uma visão de ir além do hobbie e encarar também como um produto além da diversão. Mesmo dentro da comunidade do RPG, há um grande receio quanto pagar por isso, menos para os que são produzidos na gringa. Atualmente, no Brasil, nós temos criadores incríveis, produtores de conteúdo que desbancam facilmente coisa da gringa. Mesmo assim, enxergar isso como um mercado é como se fosse uma morte do hobbie para algumas pessoas. Falta apoio até mesmo da própria comunidade.</p>



<p><strong>T: Nesse momento, ser narrador de RPG é o seu principal job. Você imaginou, algum dia, que isso seria possível?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Até hoje eu penso nisso, na forma como cresceu e como tem crescido, na comunidade que criamos e em todo o feedback positivo que temos recebido. Eu sempre falo que o Igor de 12 anos estaria muito orgulhoso de quem eu sou hoje, por trabalhar com as mesmas ideias fantásticas da infância. O Covil é meu job principal desde junho do ano passado; ainda é instável, mas nos últimos três meses tem criado uma renda legal. É um sonho, e eu tenho muito, mas muito orgulho desse trabalho &#8211; algo que não tive com nada até então. Meu fundo de tela no computador é uma foto de uma gravação que fizemos e eu coloquei ali pra nunca esquecer o porquê eu faço isso.</p>



<p><strong>T:  &nbsp;E qual é esse porquê? O que te motiva &#8211; além, claro, do amor pelo RPG?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Eu guardo um print de uma mensagem que recebi de um amigo meu, onde ele fala sobre como o meu trabalho ajudou na vida dele, nas relações dele, e sobre como o espaço do Covil é um lugar saudável, onde você pode entrar e esquecer todas as m***as que tem lá fora. Eu me emociono muito quando recebo uns feedbacks assim, porque, pra mim, sempre foi muito mais que um jogo &#8211; é sobre amizade, é sobre criar laços e compartilhar momentos bons. É sobre criar memórias. É muito bom acessar o servidor do Discord e ver a galera lá jogando, até mesmo outros jogos, entre eles, sem a presença de ninguém do Covil. Marcando de darem roles (antes da pandemia), ou de só encontrar no canal do Discord e ficarem jogando conversa fora. Pessoas que, em outras situações, nunca se conheceriam. Gente do Sul do país, do norte, tem gente de tudo quanto é canto.</p>



<p>A gente sempre vê nesses livros e filmes, como Senhor dos Anéis, sobre grandes jornadas e tudo mais, e a gente gosta disso, gosta de saber que não tá sozinho, mesmo com a distância. A gente, inclusive, tem um lema, que é: &#8220;só te julgamos e te tiramos se você for fascistinha e/ou desrespeitar alguém&#8221; (risos)</p>



<p><strong>T: &nbsp;Pegando esse gancho: Como você percebe o RPG enquanto ferramenta de transformação cultural?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> RPG é politica, e por mais que tenha gente que não gosta de ouvir isso, é politica. Num jogo, você enfrenta situações similares [às da vida real]; afinal, as referências que temos são as nossas próprias histórias. Vários professores usam as mecânicas do RPG para ensinar e emular situações, até mesmo psicólogos em tratamentos. RPG é um jogo imersivo e muito bom para apresentar situações como racismo, abusos, etc, sem criar algo tóxico. É uma forma de desenvolver empatia, sem ter que viver determinadas situações de verdade.</p>



<p>É claro que: isso tem que ser feito com cuidado. Quando faço uma história que envolvem temas mais sensíveis, eu converso com o grupo antes. Tudo tem que ser acordado e os limites de cada um respeitados. Não é porque existe estupro, por exemplo, que eu vou colocar isso num jogo como forma de tornar mais real.</p>



<p><strong>T: E sobre o RPG enquanto cena, enquanto espaço cultural: a modalidade chegou ao Brasil no final dos anos 80, início dos 90; é um contexto relativamente novo. Como você percebe a consolidação da cultura do RPG no Brasil? E quais são as perspectivas de quem vê de dentro, construindo, como você?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> Tem gente que diz que a era de Ouro do RPG foi nos anos 90. Pra mim e para muitos, isso tá rolando agora, com diversos jogos nacionais sendo produzidos, financiamentos coletivos dando super certo. O RPG não dialoga mais com o estereótipo do nerd; ele vai muito mais além. Ontem mesmo, uma amiga minha começou o financiamento de um livro de RPG onde capa é uma elfa, pirata, gorda. NUNCA que eu sonhei que ia ver uma capa de livro de RPG assim &#8211; os antigos sempre valorizaram aquela ideia fetichista de colocar um padrão bizarro, longe da realidade.</p>



<p>Hoje, a cena do RPG é absurdamente plural, e a comunidade que tem formado a partir disso [é muito diversa]. Falo com tranquilidade que [hoje] conheço mais mulheres narradoras, narrando as vezes só para mulheres, do que o contrário; vejo que uma parte da comunidade LGBT também tem encontrado no RPG uma forma de se expressar. É um mundo fantasia, e eu sempre falo que <strong>se tu pode lançar uma bola de fogo pela mão, você pode se relacionar com quem você quiser</strong>. Nessa nova comunidade, não há espaço para homofobia, transfobia, racismo, entre outros. Ainda acontece, infelizmente; mas cada vez menos. E mesmo se você for hétero, cis, branco: poder criar personagens totalmente diferentes de você é uma experiência incrível. A gente só sempre orienta que, se for criar um personagem com uma identidade minoritária, que faça com respeito, sem estereótipo.</p>



<p><strong>T: Quais são os próximos planos do Covil? Cê tá com ideias novas pra trazer? Ou cê tá fazendo algum trampo de escritos por fora, tá com algum projeto nesse sentido?</strong></p>



<p><strong>I:</strong> O Covil começou a fazer live, durante a pandemia, junto com meu sócio, Juan Barezzi, nós trazemos jogos não só de RPG. Eu e ele temos uma abordagem diferente um do outro, ele curte mais o jogo e chama a galera que nos acompanha pra jogar também. Eu gosto de jogar enquanto vou trocando ideia sobre as coisas que eu penso, meio que como uma terapia e acabo usando o jogo com base pra isso. Nas lives de RPG, nós fazemos duas por semana, uma ela narra e outra eu, ele na sexta e eu no domingo. As lives tem sido nosso carro chefe desde que começamos e tem dado super certo. Ideias tem várias, principalmente porque também faço um programa de entrevistas, com a galera do RPG e das Lives por aí, sempre com o descompromisso com a qualidade do audiovisual, bem trash msm. Vamos voltar a gravar nossos vídeos explicando sistemas, cenários e tudo que envolve o rpg e isso vai para o nosso canal do Youtube e perfil no instagram</p>



<p>Fora isso, tem as mesas em off do Covil, que são as mesas dos narradores de aluguel, que a gente chama o pessoal pra jogar e os jogadores pagam a gente; o nosso Catarse, que a gente bateu a primeira meta hoje; os seguidores da Twitch, que pagam a gente pela live, e dá esse suporte pra gente &#8211; inclusive, teve um cara que a gente conheceu pela live, o Porquinho (ele usa esse nome), ele é um anjo, que ele comprou um livro de RPG pra mim porque ele queria jogar e não tinha ninguém, e aí ele virou pra mim e disse &#8220;vai fazer mais sentido você ter isso e usar comigo do que eu comprar pra mim e nunca usar&#8221;; então a gente criou uma comunidade bem legal [em torno dessas plataformas] &#8211; até bem blogueirinha mesmo, de receber bastantes coisas de editoras, de parcerias, e tudo mais; mas é sensacional essa comunidade que a gente criou através das lives. Antes de a gente mostrar pra fora, com as lives, a gente já tinha uma comunidade aqui em Juiz de Fora, que é uma galera bem unida; mas, com as lives, a gente alcançou um público maior e com retornos tanto financeiros quanto pessoais. Eu sempre friso isso, que o retorno pessoal, pra mim, é muito importante; saber que o meu trabalho faz diferença para alguém é uma questão muito foda pra mim, dá uma sensação que eu nunca tive antes, em nenhum outro job.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>I: </strong> Acho que não tem nenhuma pergunta, mas tem sim uma coisa muito importante que eu quero falar: O Covil RPG não sou só eu. Sou eu; o Juan Barezzi, que é meu sócio; a Lu Castelo, nossa produtora, que faz os nossos vídeos e edita vez ou outra; o Rafael Bouças, que é o nosso cinegrafista oficial, e também edita quando eu não consigo pegar; o João Scaldini, que faz a nossa parte de marketing mais densa e técnica, de programar coisas, landing page, a página de produtos que a gente tá começando a pensar; a Lara Bissaggio, nossa ilustradora oficial, que ilustra as nossas mesas, as personagens que a gente cria; e o Didico, que fez todos os nossos layouts da Twitch. Então, eu queria deixar claro que não sou só eu; que tem outras pessoas e que eu não conseguiria ter feito nada  do que a gente fez sozinho.</p>



<p>&nbsp;</p>



<p>Acompanhe o Covil RPG pela <a href="https://www.twitch.tv/covilrpg">Twitch</a> e pelas <a href="https://www.instagram.com/covil_rpg">redes sociais</a>!</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O &#8220;Cine Palace&#8221; das minhas memórias e “A Terceira Morte de Joaquim Bolívar”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[A Terceira Morte de Joaquim Bolívar]]></category>
		<category><![CDATA[Cine Palace]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com o fechamento do Cine Palace, na Rua Halfeld, uma fatia importante da cultura juizforana se esvaiu. Um espaço que habita as memórias de muita gente, dentro e fora de Juiz de Fora. A primeira recordação emblemática que tenho desse cinema data do ano 2000, quando, aos 14 anos, começava a desbravar a vida urbana.</p>



<p>Naquele ano, mais especificamente no mês de abril, um menino da zona rural visitava a cidade para assistir ao &#8220;A Terceira Morte de Joaquim Bolívar&#8221;, do diretor Flávio Cândido. O filme, cuja trama se reportava ao período da ditadura civil-militar brasileira, narra a saga de um jovem idealista de esquerda, Joaquim Bolívar, que, na luta e resistência contra a destruição do vilarejo histórico de &#8220;Burruchaga&#8221;, &#8220;morre&#8221; em três etapas da narrativa: as duas primeiras, físicas, no período do golpe civil-militar de 1964 e no contexto da lei da anistia (1979); e a terceira, simbólica e ideológica, na virada das décadas de 1980-1990, remetendo ao momento em que o personagem se vê corrompido pelo capitalismo neoliberal.</p>



<p>O cenário das filmagens abarcou, predominantemente, as regiões de São José das Três Ilhas (distrito de Belmiro Braga – MG) e Simão Pereira (MG). Acompanhei de perto a rotina das filmagens, a presença dos atores Jonas Bloch, Othon Bastos, Antonio Pitanga e outros, no sítio de minha família, em Simão Pereira (MG), nos idos de 1997 e 1998, quando tinha 11 anos. Lembro-me de visitar a barraca verde-amarela instalada pela equipe das filmagens, na extensa baixada existente lá no sítio; de observar a grande bandeira do Brasil, surrada, desbotada e esgarçada, balançando ao ritmo do vento, na ponta de um bambu bem alto, cortado ali mesmo, em nossa propriedade. Lembro-me também das minhas bisbilhotices curiosas de garoto, que, juntamente com minha irmã, Verinha, mexia nas quinquilharias guardadas dentro daquela barraca. Lembro-me do helicóptero sobrevoando nossa casa! Lembro-me dos moleques dos arraiais da redondeza, sentados no alto do morro, assistindo, curiosos, às filmagens. Lembro-me dos atores enfrentando a água fria do chuveiro lá de casa, que ainda não contava com o conforto da energia elétrica! Lembro-me da minha redação sobre o filme, no colégio! Lembro-me de minha outra irmã, Aninha, escondida na barraca verde-amarela, literalmente chorando a derrota do Brasil para a França, na copa de 1998 (seria um presságio?). Lembro-me dos objetos que minha mãe, Nair, emprestou para compor o cenário das filmagens: a lamparina velha, a cadeira de madeira, a centenária chaleira preta e a chapa de ferro antiga, na fornalha improvisada.</p>



<p>Porém, mais importante do que assistir extasiado aos bastidores das filmagens, à movimentação dos atores, dos figurantes e da equipe de produção, foi receber convite para assistir à pré-estreia do filme no Palace, em Juiz de Fora. Um evento célebre. A excepcionalidade do fato me fez guardá-lo com uma saudade &#8220;docemente provinciana&#8221;, como diria Manuel Bandeira. Depois disso, não o vi mais.</p>



<p>Coincidentemente, nesse estranho e apocalíptico ano de 2020, em que as circunstâncias pandêmicas me fizeram aproximar ainda mais das lembranças pessoais, resolvi reabilitar essas memórias: retirei o cartaz do filme da gaveta, coloquei-o numa linda moldura e o pendurei na parede do meu quarto, na roça. E, agora, depois de muito procurar o filme na internet, tive a emoção de me deparar com ele, novamente, diante dos meus olhos. Dessa vez, em tela pequena, é verdade. Uma tela de um <em>notebook</em> que jamais poderia imaginar um dia ter contato.</p>



<p>Mas a emoção, certamente, não foi menor do que aquela sentida no Palace, na virada do milênio. Não posso negar o quão incrível foi poder confrontar as memórias cristalizadas e ingênuas da adolescência com a visão do historiador, adulto, de hoje. Que emoção rever a charrete laranja de meu pai, Tõezinho, que, carinhosamente, conserva e usa até hoje! Que emoção rever nosso cachorro &#8220;Bob&#8221;, o fiel escudeiro do nosso cavalo, &#8220;Sereno”, ambos já em outro plano! Que emoção rever a igreja e os casarões históricos de São José das Três Ilhas! Que emoção rever as paisagens de meu lugar de origem e os objetos carregados de memórias (alguns deles ainda com a minha família)!</p>



<p>Romantismo e saudosismo a parte, é salutar constatar que, vinte anos depois, minhas percepções das críticas políticas, da realidade brasileira, do contexto histórico, das nuances das representações imagéticas, da forma de assistir aos filmes, evoluíram. O ensino médio cursado em Juiz de Fora, a graduação e o mestrado em História na UFJF, a atual experiência de doutorando e minha trajetória profissional como professor e historiador me permitiram desenvolver a maturidade intelectual necessária para perceber muitas coisas imperceptíveis àquela época. Uma delas foi a percepção de que somente um cinema com as características do Palace poderia exibir um filme nacional, de cunho não comercial, como “A Terceira Morte de Joaquim Bolívar”.</p>



<p>Podemos imaginar, portanto, que esse confronto entre presente e passado também trouxe desencantamentos. Hoje, entendo que aquela bandeira do Brasil, surrada, desbotada e esgarçada, posicionada ao lado de uma barraca verde-amarela, não estava ali de maneira fortuita. O Cine Palace, minha referência na linda e longa rua Halfeld do ano 2000, não existe mais. Sucumbiu ao capital. Está oco, ainda que cheio de mercadorias que “alimentam” o consumismo deprimente e insosso da sociedade contemporânea. Por ironia do destino, diante de seu recente desmonte, assistimos a um drama real, em que parte da sociedade juizforana vivenciou, literalmente, a “terceira morte de Joaquim Bolívar”&#8230; Entretanto, mesmo oco, sem mais poder preencher um vazio impreenchível, o Palace estará sempre e umbilicalmente associado a esse momento marcante que acabo de relatar, em que me sensibilizei e despertei para sonhos, vocações e afeições até hoje vivas dentro de mim, através dos livros, da História e das artes. Mas uma inquietação permanece: o que estamos fazendo para que outras gerações tenham essa oportunidade de continuar a sonhar?</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>STJ adere ao movimento ElesPorElas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[HeForShe]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal de Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, assinou a adesão ao movimento ElesPorElas – HeforShe durante a segunda edição do seminário Trajetórias e Desafios das Mulheres no Judiciário, no último dia 20 de outubro.<br>Criado pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), o #HeForShe – ou #ElesPorElas – é um esforço global para envolver homens na remoção das barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingirem seus potenciais e construírem uma nova sociedade.</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfa99-12._un_women_-_ad.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12502" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, participou do ato de adesão do STJ ao movimento ElesPorElas<br>Foto | ONU Mulheres</figcaption></figure></div>



<p>O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, assinoua&nbsp;<a href="http://www.onumulheres.org.br/noticias/stj-firma-adesao-ao-movimento-elesporelas-no-seminario-trajetorias-e-desafios-das-mulheres-no-judiciario/">adesão</a>&nbsp;ao movimento&nbsp;<a href="https://www.heforshe.org/pt-br">ElesPorElas – HeforShe</a>&nbsp;durante a segunda edição do seminário Trajetórias e Desafios das Mulheres no Judiciário, no último dia 20 de outubro.</p>



<p>Criado pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), o #HeForShe – ou #ElesPorElas – é um esforço global para envolver homens na remoção das barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingirem seus potenciais e construírem uma nova sociedade.</p>



<p>“Os homens precisam se tornar parte do movimento global de solidariedade para promover os direitos das mulheres, tanto como defensores quanto como partes interessadas que precisam mudar para que a igualdade de gênero possa ser uma realidade para todos e todas”, declarou o ministro Humberto Martins.&nbsp;Na abertura do evento, foi relançado o Programa Equilibra STJ,&nbsp;iniciativa de valorização do papel da mulher,&nbsp;com destaque para a parceria estratégica do tribunal com a ONU Mulheres.</p>



<p>A representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastasia Divinskaya, participou do evento virtual. Ela explicou que nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, as mulheres são 54% dos juízes profissionais e reconheceu que o sistema judicial brasileiro fez esforços para promover a igualdade. &#8220;A representação das mulheres no sistema judiciário é uma questão de igualdade e justiça, mas também é importante para manter a confiança do público no sistema judiciário. Mulheres juízas podem criar ambientes mais favoráveis para as outras mulheres nos tribunais”, reforçou. “Os desafios que as mulheres têm enfrentado no sistema de justiça não são exclusivos do Brasil: barreiras sociais, econômicas e estruturais, estereótipos de gênero, culturas institucionais discriminatórias”, assinalou.</p>



<p>Para a representante da ONU Mulheres, o Programa Equilibra o STJ &#8220;é&nbsp;um excelente ponto de entrada para o desenvolvimento das medidas corretivas destinadas a assegurar uma representação adequada das mulheres diversas no poder judiciário, e, assim, reforçar ainda mais o sistema de justiça no Brasil”.&nbsp;Os debates contaram com a participação da desembargadora do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) Maria do Carmo Cardoso; a juíza auxiliar da Presidência do STJ Sandra Silvestre e a secretária de Jurisprudência do STJ, Bárbara Brito.&nbsp;A apresentação e a mediação dos debates ficaram por conta da jornalista Basília Rodrigues, da CNN Brasil.</p>



<p><strong>Contribuição</strong>&nbsp;– Para o ministro Humberto Martins, o protagonismo das mulheres e suas conquistas ao longo da história ajudam a construir instituições mais sólidas. Segundo ele, a contribuição feminina é incalculável e deve ser reverenciada por todos.&nbsp;“O direito fundamental à igualdade entre homens e mulheres nada mais é do que o espelho de uma sociedade justa, livre e solidária. O STJ reafirma, com esse evento, o seu objetivo de assegurar a participação plena e efetiva das mulheres em igualdade de oportunidades, de forma que o Judiciário reflita a mesma pluralidade existente na sociedade brasileira”, afirmou o presidente do STJ.</p>



<p><strong>Participação&nbsp;</strong>&nbsp;– Por meio da Instrução Normativa 16/2020, a Presidência do STJ trouxe nova regulamentação para o Programa de Participação Institucional Feminina no STJ (Programa Equilibra STJ).&nbsp;Instituída em março de 2019, a iniciativa busca assegurar o equilíbrio de oportunidades entre homens e mulheres nas unidades do tribunal; propor políticas de valorização da mulher; prevenir ocorrências de assédio, violência ou discriminação; incentivar a participação feminina no ambiente institucional e promover ações de educação e conscientização.</p>



<p>Uma comissão permanente – encarregada de estudar a implementação de políticas de equidade – é responsável pela organização de eventos e por sugerir medidas de conscientização e aprimoramento das condições de trabalho das mulheres, incentivando&nbsp;maior participação no tribunal.</p>



<p><strong>Ações</strong>&nbsp;– O Equilibra STJ já promoveu várias ações visando assegurar equidade na ocupação de cargos de chefia e de vagas em cursos para a formação de futuros gestores. O tribunal também criou uma Ouvidoria das Mulheres – integrada à Ouvidoria do STJ, com o propósito de ser um canal de escuta ativa para as servidoras da corte.</p>



<p>Além disso, desde o ano passado o tribunal realiza eventos que vão de rodas de conversa sobre saúde feminina, assédio moral e sexual, violência doméstica e discriminação&nbsp;até debates que abordam aspectos como carreira, família e masculinidades, entre outras ações.</p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/97137-stj-adere-ao-movimento-elesporelas"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 23/10/2020 &#8211; Atualizado em 23/10/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68661-loja-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11586" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dae20-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11587" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Queda Livre</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Lauana Coutinho]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lauana Coutinho</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Refletindo sobre a minha vida carnal, compreendi que as experiências são como um salto, realizado de um trampolim bem alto, rumo a águas profundas. Lá de cima, em queda livre, não dá pra saber se serão águas calmas ou agitadas, tampouco premeditar um bom mergulho ou um afogamento &#8211; pois a distância deturpa os olhos, embaça a vista, e pode confundir as coisas. Acreditem, como boa míope, entendo a dificuldade de enxergar o que está ábdito.</p>



<p>Certa vez, pronta para pular, e olhando para baixo, me deparei com a dificuldade de enxergar. Somada às minhas perspectivas diante de experiências traumáticas, ela me colocou em uma posição onde acreditei que escolher as coisas “certas” me faria viver plenamente, feliz. Pulei. </p>



<p>Me afoguei. Me arrastei até a margem e sentei na borda, com um murmúrio nos ouvidos me dizendo para continuar ali. E eu continuei. Pulei diversas vezes do mesmo lugar, caindo sempre da mesma maneira, no desespero sufocante das águas turbulentas que eu já conhecia, mas me negava a enxergar.</p>



<p>Chegou o dia que, voltando para o trampolim, pronta para reiniciar minha queda livre até o afogamento, surgiram novas escadas, que antes não estavam ali. De pronto, não quis arriscar mudar de caminho, nem tampouco pular ao encontro do desconhecido; mas, ao subir as escadas, vi a beleza de uma nova altura, a cor do céu, a disposição dos objetos, e até música ao fundo era mais bonita. Algo, porém, me chamou mais a atenção; não as cores e sons, mas um sorriso, que me chamava na borda da prancha, fazendo tudo parecer um sonho. </p>



<p>Fui ao seu encontro, troquei palavras, e fui questionada sobre quais eram meus caminhos. Foi quando o belo sorriso, que fazia parte de uma composição corpórea, me deu um beijo e pulou, de uma altura extraordinária, que eu jamais tinha visto. Não olhou para trás. Não existia medo em seus olhos.</p>



<p>Olhei a altura daquela nova vista e voltei às minhas escadas, caminhando até o trampolim habitual. Não pude pular. Até corri, por impulso, mas parei na borda. Nesse momento, com os olhos cheios de lágrimas, me despi de tudo que me prendia ali. Desci as escadas sem olhar para trás. Sem medo nos olhos, decidi escolher meu caminho, e eu já sabia qual era. </p>



<p>Fui até o trampolim mais alto. Respirei todo ar que pude e pulei, de braços abertos ao encontro da água &#8211; que desta vez não me engoliu ou afogou, mas me proporcionou um bom mergulho.<br></p>



<p>A liberdade é a queda que escolhi viver. Ela me guia por águas profundas, além de tudo o que já havia visto ou sentido, rumo a novos caminhos e amores.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Lauana Coutinho</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é casada com a História e amante da música. É historiadora pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), pesquisadora do período que vigorou a Ditadura Militar no Brasil e escritora sensível no pouco tempo que sobra.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: GENTE É PRA BRILHAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Todas, todes e todos nós carregamos na alma as delícias e as dores da nossa formação. Muitos traumas nunca nos deixam, ou nunca deixamos muitos deles.  Mas ainda que difícil, é importante lembrar que &#8220;gente é pra brilhar, não pra morrer de fome&#8221;; e a fome de amor e de cuidado deve ser sempre satisfeita. </em></p>



<p>&#8220;Eu levei muito tempo até curar minhas feridas e hoje olho para a minha história com a certeza de que sou uma força e posso inspirar e levar esperança para as pessoas.</p>



<p>Vamos lá: Eu tinha 5 anos. Era livre e inocente, como toda criança deve ser, e carente do amor materno &#8211; pois fui abandonado após completar meu primeiro ano de vida.<br>Sempre tentei me aproximar da minha mãe frequentando a casa da família dela, principalmente dos tios que moravam na mesma rua. Numa dessas visitas, só tinha meu tio em casa, e pedi pra ficar ali até minha tia chegar. Então, ele disse que ia me dar banho pra esperar minha tia cheiroso. Minha pureza não viu maldade alguma ali. E então, fui ferido.</p>



<p>Não entendia porque aquilo estava acontecendo; minha mente inocente não pôde reagir. Alguém que confiava tirou minha alegria, infância e meus sonhos. Tive minhas asas cortadas e minha alma despedaçada. Aquele banho afogou minhas esperanças e cresci assustado, retraído, com medo do mundo. Com vergonha, pois me sentia culpado. Os anos que seguiram foram difíceis, e eu nunca pude dissolver esse trauma.</p>



<p>Algo que sempre esteve aceso dentro de mim foi a fé em Deus. Isso foi meu combustível, e conheci pessoas incríveis que foram meu apoio e suporte até hoje que é quando consegui falar sobre tudo isso.</p>



<p>Hoje me sinto bonito, forte, feliz e confiante, dentre outras qualidades que descobri e reencontrei dentro de mim.</p>



<p>A maldade de alguém pode nos derrubar e tirar o oxigênio da vida; mas quando o amor, amor genuíno, cruza nossas vidas, um gigante desperta dentro de nós e mostra que apesar de termos um grande desafio, Deus nos tem nos braços. Vi Deus em todas pessoas que me salvaram.</p>



<p>Aprendi que ninguém cala uma criança e, um dia, esse pó que ela se via, virou estrela &#8211; que brilhou com tanta potência, que tocou o céu.&#8221;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><em>Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida. </em></p>



<p><em>Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a> e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Herança &#8211; Capítulo 6: As Agulhadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Herança]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde a promoção do marido, Noêmia não precisava mais se desdobrar em suas costuras para poder complementar a renda da casa. O seu trabalho era hercúleo. Chegava a trabalhar, em média, 18 horas por dia &#8211; contando os cuidados com os filhos, que também exigiam demais dela. Apesar de sempre estar com o dedal, não eram raras as vezes ela se machucava com suas agulhas, pois o sono era seu grande inimigo nas madrugadas de intensas costuras.</p>



<p>Ricardo valorizava, e muito, esse empenho da mulher. Não à toa torcera muito para que a esperada promoção no seu emprego viesse, para fazer com que sua esposa diminuísse ou até mesmo cessasse com aquilo tudo. Quando ele conseguiu tal feito, a casa toda se animou com a notícia. Tiveram um domingo de festa naquela semana, todos felizes, esperando novas idealizações, novas promessas da vida, novos sonhos realizados. E Noêmia pôde se dar ao luxo de pegar somente encomendas de quem ela gostava ou desafios de costura que lhe aguçassem o espírito empreendedor.</p>



<p>E, agora, a realidade jogada na cara como excremento de porco, sem ter como pedir socorro a ninguém. Aquela noite, em que Ricardo voltava a beber depois de tantos anos, era a promessa de dias difíceis; de lutas diárias para que o vício não o consumisse novamente. Ela sabia que ele se encontrava destroçado, arrasado, perdido no mundo como um pardal: distante de seu ninho, voando ao sabor das intempéries do tempo. Noêmia não dormiu nada – enquanto o marido, ao seu lado, ficava jogado na cama como um títere sem dono, quebrado, pronto a ser arremessado ao lixo.</p>



<p>Ela pensou a noite inteira em como contornar aquilo tudo, como reorganizar a sua história. Precisava de um plano. E não deixaria nada nem ninguém abater sua família. Apegava-se no Cristo, em quem ela tanto confiava.</p>



<p>Quando o marido acordou, ela esperou que ele se recompusesse, tomasse um banho. Na cozinha, com uma xícara de café quente à mão, oferecida por ela, Ricardo, de cabeça baixa, tamborilava na mesa, e lembrou-se das falas do Sr. Miranda: “Eu não tive como segurar o seu emprego”. Como isso! Se há poucos meses havia sido promovido. “Não tive”. Num gesto intempestivo, Ricardo soltou a xícara e deu um soco de punho cerrado na mesa, assustando sua companheira.</p>



<p>&#8211; Gordo filho da puta. Como ele fez isso comigo?! Eu era o seu melhor funcionário.</p>



<p>Noêmia, passado o susto, recompôs-se, foi até ele e o abraçou por trás. Ricardo arrefeceu os músculos, inclinou a cabeça para o lado e deu um beijo em sua esposa. Ficaram unidos assim por alguns segundos, tempo necessário para recobrarem-se as forças um do outro, para uma estrela longínqua se apagar no céu definitivamente.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/94898-darlan_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10407" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/75260-galerialuis1-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10529" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Estéreo &#8211; Capítulo 5</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Estéreo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Pippa]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12485</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Pippa</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Nos encontramos, andamos até achar alguma rua sem saída e sem movimento, conversamos e achei ela bem legal. Aí, por fim, nos beijamos.</p>



<p>Foi o que contei a Ana no dia seguinte.</p>



<p>E era o que tinha acontecido.</p>



<p>Mais ou menos.</p>



<p>A menina do terceiro encontro era mais experiente do que eu, e mais desinibida.</p>



<p>Conversamos bem pouco, ficamos bem mais.</p>



<p>Conseguimos encontrar uma rua sem movimento algum, sem nada que desse vista para nós e, por lá, passamos as horas que se referiam ao horário de aula <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; após isso, era ir para casa como se estivéssemos na escola <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; nos agarrando.</p>



<p>Ela era mais intensa, fisicamente falando. Repleta de mãos que sabiam onde queriam ir e onde percorrer e, eu, apenas uma cópia de movimentos. Mas foi nessa situação que parei para analisar a vontade sexual de estar com uma mulher que também, como tudo em mim, se fez urgente.</p>



<p>As “cócegas” de vontade que surgiram a partir desse contato me instigaram a levar adiante outro encontro com ela, marcado para o outro dia, para, enfim, ter a minha primeira vez (ou seria segunda?).</p>



<p>Tudo na vida é necessário experimentar para descobrir se você vai gostar ou não. Eu gostara dos beijos; faltava, então, o sexo. Porque minha conclusão definitiva de que eu realmente gostava de homens foi a partir do meu contato tal com um. E, por que não descobrir também da mesma forma com uma garota?</p>



<p>Não falei sobre esses detalhes que havia pensado com Ana. Parecia ousado demais.</p>



<p>E eu já tinha em mim a sensação de que estava deixando às claras os meus sentimentos através de gestos bobos e simples que, talvez, ela estivesse percebendo &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> mesmo sendo apenas medo irracional.</p>



<p>Então, se falasse sobre, ela poderia entender que também gostaria de que essa primeira vez fosse novamente com ela &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> o que eu não descartaria como plausível.</p>



<p>Quando, no dia do segundo encontro, saí para encontrar aquela garota, eu estava completamente ansiosa, nervosa e com um misto de sensações.</p>



<p>O que aconteceria? Como aconteceria?</p>



<p>Ela me levou para a casa de um amigo, que havia cedido simpaticamente sua residência enquanto ele estaria fora.</p>



<p>Era real e ia acontecer.</p>



<p>Na minha primeira vez com um rapaz, eu estava apreensiva e sem saber o que fazer. Entender a anatomia humana através de livros e filmes se tornava diferente na prática. Eu era inexperiente, e deixei claro para ele, que soube me conduzir a tornar nosso momento agradável.</p>



<p>Eu estava, obviamente apreensiva com a garota também; mas, por dentro, havia uma consciência de saber que o mesmo corpo nu que eu tinha seria o mesmo corpo nu que ela tinha.</p>



<p>Ela sabia que seria a minha primeira vez. Sabia que eu não teria ideia do que fazer &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> apesar de que havia essa estranha lógica me conduzindo a tomar frente perante as circunstâncias e não ser totalmente leiga perante a masturbação. Mas, ainda assim, não fiquei totalmente confortável.</p>



<p>Claro, foi uma ocasião única e nova, inesquecível; contudo, não tinha gostado o tanto que achei que gostaria.<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Não do sexo &#8211; porque eu tive certeza de que, realmente, eu desejava garotas <img decoding="async" width="16" height="23" src="">-, mas de estar com essa menina. Algo nela e na ocasião fez com que fosse impossível eu me transportar totalmente para o nosso momento.</p>



<p>Foi bom, mas não foi.</p>



<p>Foi gostoso, mas não foi.</p>



<p>Foi repleto de mãos e dedos e línguas e gozo.</p>



<p>Mas não tínhamos química.</p>



<p>Ficou no ar a sensação de que eu provavelmente tinha desejado demais e esperado o que não deveria esperar.</p>



<p>Mas foi a primeira vez, primeira experiência.</p>



<p>E eu queria mais.</p>



<p>Mas, em primeiro lugar, eu queria a Ana.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src=""> </p>



<p>&#8211; Você já aprendeu, logo de cara, que a vida não é como a gente espera. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Passei a ir para o colégio com Mauricio também, assim tínhamos mais tempo para conversar. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> E nem sempre vai ser do jeito que a gente quer que seja.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Pois é, mas eu acho que talvez eu tenha idealizado demais. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; eu tinha acabado de contar para ele todo o ocorrido.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Acho que você disse o certo. A gente idealiza demais, e quando acontece totalmente fora daquilo que pensou, a gente não gosta.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Mas eu gostei, só esperava&#8230;</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Mais? <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Riu. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Você esperava bem mais por causa dessa idealização. E te digo: você idealizou essa primeira vez com a Ana, por isso ficou decepcionada.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Você acha? &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Eu tinha certeza.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Claro! Você beijou a Ana, se apaixonou por ela, e queria que ela também fosse o primeiro sexo. Não aconteceu desse jeito, a expectativa já era.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Verdade. Mas acho que nunca vai ser do jeito que eu idealizei.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Nunca diga nunca. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> Ele concluiu. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; Tudo pode acontecer nessa vida louca.</p>



<p>Mauricio tinha me aconselhado a contar para Ana, sem o detalhe de que eu não tinha cumprido com a expectativa do meu sonho. Assim, narrando os fatos sem muitos detalhes, eu poderia ver como ela reagiria e se, nessas expressões que talvez fossem feitas por ela, teria como saber se haveria algum lampejo de possibilidade de a gente acontecer &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> ideias adolescentes.</p>



<p></p>



<p>Se existia, ela não deixou transparecer. Tratou tudo como sempre, na maior naturalidade e sem exibir algo que fizesse eu ter motivos de julgar alguma probabilidade futura.</p>



<p>Ela ficou feliz por eu ter dividido com ela toda a história e, após eu me ouvir falando em voz alta, resolvi dar um tempo. Achava melhor voltar a deixar a vida trazer as coisas para os momentos propícios do que forçá-las a acontecer. Resolvi assimilar tudo o que estava acontecendo <img decoding="async" width="16" height="23" src=""> a descoberta sexual com um homem, o desejo do mesmo sexo, o primeiro beijo, a descoberta sexual com uma mulher e a paixão por Ana.</p>



<p>Era muita coisa acontecendo dentro de mim e eu ainda não sabia digerir &#8211; e ainda insistia em ter tudo ao mesmo tempo sem pausa para respirar. A única certeza que tinha era que, se alguém perguntasse, com todas as letras eu diria que não era mais cem por cento hétero &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src=""> e ainda bem.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Barbara Pippa </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é nascida em Juiz de Fora, participante em antologias de poemas e contos. Acredita em astrologia e muda o cabelo de acordo com o humor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



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</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/8f5b0-begaleria8-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Sinal da Cruz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Ela andava distraída
Elegante de sobretudo e boina
Pelo centro antigo de Salamanca
Frio intenso típico de inverno
Parou defronte à igreja imensa
Observava cada detalhe artístico
Arquitetura esplendorosa
Inspirou o ar gélido
Ouviu um canto partindo do templo
Os olhos reviraram nas órbitas
Súbito saiu de si
O cenário era parecido
A mesma praça
Mas era um dia de verão
Sol a pino
Céu de um azul belo
Lembrança de vida passada?
Sua mão segurava um machado
A multidão reunida
Gritos e imprecações
O padre fez o gesto
Mediu o pescoço de uma infeliz
Urros da malta agitada
Executou o golpe com violência
O sangue esguichou na sua cara
Retornou assustada
Caída ao chão
Em pranto convulsivo
Mudou-se para Segóvia
Nunca mais voltaria</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Ainda</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/25/ainda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Geara Franco]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Geara Franco</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Ainda tenho marcas no corpo
Que me fazem odiar alguém.
Ainda me olho com o jeito torto
De quem não merece ninguém.

Ainda me preencho com culpas
Que eu não deveria carregar.
Ainda me provoco rugas
Por não conseguir parar de chorar.

“Já era pra ter passado”.
É o que quem não entende diz.
Eles não sabem como é pesado
Não ter percebido o errado
Tão debaixo do próprio nariz.

Ainda é difícil aceitar
Que sofri tanto.
Mais difícil é ter que ver
Quem não conhece de verdade
Bater palmas e conviver
Com o ser em forma de fraude.

E sofro por ter sofrido,
Dói por já ter doído.
Por ter passado como doida.
Por ninguém ter me ouvido.

Já faz tempo,
Mas às vezes me vem
A lembrança como exemplo
Do que não é amar alguém.

Mas aí, me pego aqui:
Na melhor fase que já vivi.
Certa de que mais felicidade
Ainda está por vir.</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide"/>



<p><strong>Geara Franco</strong> é jornalista, social media, macramística e poetisa nas horas vagas. </p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide"/>



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