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	<title>Arquivos Ano 002, N 069 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Quando queimam Igrejas: o caso do Chile e um breve debate sobre &#8216;cristofobia&#8217;</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Aglomeração nas Igrejas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Religiosidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/">Editorial – Quando queimam Igrejas: o caso do Chile e um breve debate sobre ‘cristofobia’</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de iniciarmos esse breve ensaio sobre os eventos ocorridos no dia 18 de Outubro de 2020 no Chile, cabe destacar que, em nossa pretensão, não há o desejo por uma opinião cristalizada &#8211; sobretudo por se tratar de um evento ainda em investigação. No entanto, gostaríamos de lançar novas reflexões e perguntas sobre a irradiação e absorção das notícias recebidas em território nacional em sintonia com o contexto político brasileiro (já imerso numa onda conservadora) que, desde o discurso público levado a cabo pelo atual presidente na abertura da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas no dia 22 de setembro de 2020, tem como narrativa a <em>cristofobia</em> como um dos males ideológicos que inviabilizam a governabilidade plena do mesmo presidente.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;Por que as igrejas cristãs são alvos de ataques da extrema-esquerda?&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;Igrejas são incendiadas em atos que marcaram 1 ano de protestos no Chile&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;</em><em>No Chile, extrema esquerda ateia fogo a igrejas&#8221;</em></p>



<p>Esses foram alguns títulos encontrados nas matérias da imprensa nacional que apresentavam o acontecimento do dia 18 de Outubro no Chile. Percebe-se, numa análise superficial, que a diferença de abordagem no título carrega o evento com novo tom, atribuindo um significado. Essa estratégia é recorrente para a captura de leitores específicos, com valores e ideias também específicas.</p>



<p>O incêndio de duas Igrejas no Chile (Paróquia Asunción e capela San Francisco de Borja) ocorreu em meio a uma onda de manifestações que está sendo caracterizada como uma ação continuada do ano de 2019, quando a reivindicação pelo preço do transporte se ampliou desembocando em pautas sociais que iam de frente à própria Constituição vinda dos tempos do General Augusto Pinochet, datada de 1980. Com inspiração neoliberal, essa mesma Constituição precisou sofrer, segundo a pesquisadora e professora do departamento de História da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Hevelly Ferreira Acruche, &#8220;uma série de emendas para se &#8220;adequar&#8221; ao Estado democrático de direito estabelecido a partir de 1990&#8243;. Ainda sim, não se encontrava nela a garantia de direitos essenciais relacionados a questões básicas como saúde, educação e previdência. Somado a isso, a pandemia do COVID-19 acentuou as desigualdades mantidas sob manutenção pela própria lei maior e suprema do Estado.</p>



<p>A partir desta exposição, precisamos de algumas perguntas que nos guiem a uma reflexão mais ampla: Quem é o responsável pelo incêndio? Qual o significado desse evento?</p>



<p>Segundo a investigação de um jornal local <a href="#_ftn1">[1]</a>, descobriu-se a participação de um policial infiltrado nas manifestações; e, segundo o perfil de <a href="https://twitter.com/sabrinanaquino">@sabrinanaquino</a>, fotógrafa residente no Chile, essa prática seria comum, se estendendo para a participação de, até mesmo, políticos de direita infiltrados nas ações dos grupos manifestantes. Assim sendo, cabe a pergunta mais clássica: por quê?</p>



<p>Após a circulação de algumas notícias nacionais prematuras indicando a responsabilidade do incêndio, no dia 19 de Outubro um membro da Marinha foi detido por ter participado do acontecimento relativo a capela San Francisco de Borja, também conhecida como a Igreja dos Carabineiros, que foi assumida pela capelania militar em 1973. A Marinha lançou uma nota de repúdio à participação de um oficial neste ataque, ressaltando que o mesmo não estava sob ordens das forças armadas e que havia agido por conta própria <a href="#_ftn2">[2]</a>. Quando detido, o oficial teve como penalização a obrigatoriedade de fazer assinaturas na delegacia 2 vezes por mês.</p>



<p>Ouvido pelo Coletivo Bereia <a href="#_ftn3">[3]</a>, Juan Bacigalupo, sanitarista chileno e pesquisador na Universidade Federal da Integração Latino Americana (Unila), indicou que a promoção dos incêndios seria uma tentativa de &#8220;criminalizar o movimento social, porque o povo chileno ainda é muito cristão&#8221;. O pesquisador assim opinou tendo em vista que a Igreja dos Carabineiros possui intensa presença militar em seu entorno &#8211; o que tornaria muito mais difícil uma invasão por parte dos manifestantes &#8211; e o fato de que não foram encontradas imagens dos culpados.</p>



<p>Destacamos, também, que o incêndio ocorreu às vésperas do plebiscito para reforma Constitucional, que foi votado no dia 26 de Outubro de 2020. Convidada pela Trama, a historiadora Dra. Hevelly Acruche diz que &#8220;a elaboração de uma nova Constituição no Chile é um passo significativo de defesa da democracia num país que viveu uma das mais sangrentas ditaduras do cone Sul. (&#8230;) As lutas populares que tomaram conta das mídias em 2019 foram fundamentais a esse processo e a conscientização popular. A população chilena enfrenta hoje a inseguridade social e a falta de um Estado presente nos serviços básicos graças às privatizações de recursos como água e luz, a crescente precarização educacional e um sistema previdenciário que deixa a população idosa sem condições mínimas de sobrevivência. Numa das maiores participações populares em pleitos, o referendo de 25 de outubro de 2020 deu esperança a muitos pela defesa do Estado de bem-estar social contra o neoliberalismo. No próximo ano, os trabalhos serão realizados por uma Assembleia Constituinte plural, formada por diversos segmentos sociais e étnicos do país. Em meio a uma série de retrocessos que assistimos diariamente, ver os casos do Chile e da Bolívia são um alento para os que acreditam na justiça social e numa reescrita do passado latino-americano&#8221;, concluiu.</p>



<p>No que diz respeito ao incêndio da Paróquia de Asunción, há rumores sobre o espaço ter servido como palco de torturas durante a sangrenta ditadura de Pinochet (1973-1990) &#8211; o que foi verificado pelo mesmo Coletivo já citado mediante o trabalho do investigador  Dr. José Santos Herceg no documentário “Lugares desaparecidos – rastros dos centros de tortura e extermínio em Santiago”. O local, similarmente identificado por &#8220;Vicuña Mackenna No 69, foi também uma base de computação central do Centro Nacional de Informações (CNI) comandada pelo General Odlanier Mena, que reunia arquivos de vítimas perseguidas pelo regime e comandava operações de inteligência para destruir oponentes. Não há, entretanto, confirmação de que a ligação com a ditadura seja a motivação dos manifestantes para causar o incêndio, uma vez que não foram identificados suspeitos.&#8221; <a href="#_ftn4">[4]</a></p>



<p>A exposição feita até agora demonstra que o ato foi cercado de inúmeras variáveis que não se fecham em uma conclusão específica, mas que abrem precedentes para novas perguntas. Não tendo como pretensão ainda, a neutralidade, afirmamos, categoricamente, que as manifestações chilenas que tiveram início em 2019 são legítimas e que, em sua maioria, os manifestantes optaram por uma expressão pacífica e uníssona em suas palavras de ordem. Como cristã e historiadora, prezo pela justiça social e o embargo das desigualdades, bem como pela reivindicação desses pela via da pacificidade; no entanto, saliento que pacificidade não caracteriza um estado de inércia frente às injustiças &#8211; pelo contrário, diz de uma estratégia de luta.</p>



<p>A partir das considerações levantadas, é necessário uma sofisticação das nossas opiniões (ainda que sejam divergentes). Falar sobre <em>cristofobia</em> em uma situação como essa pressupõe a existência de um repúdio e ódio à religião cristã e, nos veículos de imprensa nacional conservadores, atribuiu-se esse ataque a um suposto ódio inerente que a <em>esquerda</em> teria pelos cristãos. </p>



<p>Por <em>cristofobia</em>, entende-se que &#8220;se refere à aversão ou ridicularização pública de uma pessoa, em razão da sua fé em Jesus Cristo&#8221;, segundo o Padre Rafhael Maciel (sacerdote eleito pelo papa como Missionário da Misericórdia); com o conceito atualizado, podemos analisar segundo uma baliza mais fiel, e não segundo aos significados atribuídos ao conceito desde a sua circulação mais intensa no âmbito nacional.</p>



<p>Como o que ocorreu no Chile ainda está sob investigação, precisaremos trabalhar com <strong>situações hipotéticas</strong> para desenvolver a nossa análise. Dito isso, <strong>não podemos falar em <em>cristofobia</em></strong> por alguns motivos. O primeiro é: se a igreja tivesse efetivamente sido queimada por manifestantes, o que os teria motivado? O fato de ali ter sido palco de torturas em um regime ditatorial ou o fato de ali ser propagado uma religião? Quando esse tipo de prédio é posto em chamas, o símbolo que quer ser criado é o de afastamento ao que era usado para os subjugar; dessa forma, não se tem por pretensão a perseguição por ódio e/ou intolerância ao cristianismo, mas a tortura que ali ocorria. Portanto, é necessário que se faça, aos meus irmãos que acreditam nesse evento enquanto um exemplo de <em>cristofobia</em>, a seguinte pontuação: se o espaço da comunhão foi, em sua história, utilizado como um local onde se cometia atrocidades contra a vida humana, existe um vácuo da ética cristã, que preza pela vida e vida em abundância. Esvaziado de sentido, se torna apenas um prédio, uma estrutura que abdicou do seu compromisso social; portanto, afastada das demandas daqueles que dela precisariam. Para compreendermos isso, precisaríamos nos questionar algo muito simples: qual é a memória à qual aquele lugar remete? Seria um lugar esperança e reconciliação com o Criador? Ou um espaço onde pessoas foram feridas e violadas em muitos sentidos?</p>



<p>Sobre a capela de San Francisco de Borja, pisamos em um terreno ainda mais instável, pois se trata de um espaço com significado e acesso que se concentra em um grupo &#8211; a saber, os militares, que são apontados por muitos como indivíduos que se infiltram nas manifestações e nos atos para incitarem a violência e desordem, caracterizando posteriormente, os membros dessas organizações como vândalos. Esse tipo de movimentação seria feito para beneficiar as estruturas tradicionais com o apoio popular; ou seja, responsabilizando os manifestantes, haveria um repúdio da maioria, o que desviaria o foco das reivindicações para a descrição de apenas um clima de terror, desordem e intolerância, que seriam característicos desse grupo que pedia mudança. Seria, portanto, a tentativa da criação de um perfil do manifestante.</p>



<p>As notícias produzidas por veículos de imprensa mais conservadores, como já citado, atribuíram à <em>esquerda</em> esse tipo de violência associada ao conceito de <em>cristofobia</em>. Em contexto nacional, tal conceito tem sido instrumentalizado como uma justificativa das constantes críticas que são feitas ao atual governo &#8211; ou seja, o posicionamento contrário as posturas e medidas governamentais (simbólicas ou não) estão sendo lidas como um repúdio a fé cristã -, que deveras é utilizada como escudo para usos e abusos do chefe de Estado, que o faz mantendo como prerrogativa a defesa de valores que seriam característicos do cristianismo. A partir disso, novas questões devem ser levantadas: Há simetria com o que, de fato, a bíblia comissiona os seguidores de Jesus a fazer? O órfão, a viúva, os estrangeiros e, em linhas gerais, os grupos à margem estão recebendo assistência? Há políticas públicas para o combate as injustiças ou os direitos humanos continuam a ser violados? &#8211;  ao fim e ao cabo, pergunto: as pontes, nesse meio tempo, foram ampliadas, ou será que são os muros que estão sendo (ainda mais) levantados?</p>



<p>A partir desta reflexão, gostaria de caminhar para o fim dizendo que: <strong>a falsa simetria, tem sido um dos males da informação</strong>. Veja, duas igrejas foram, de fato, queimadas; no entanto, a forma como lemos esse evento não pode tender para uma opinião infundada do que pensamos ser <em>cristofobia</em> ou <em>esquerda. </em>Uma das formas que nos ajuda a fugir de uma análise tendenciosa é a sofisticação do raciocínio, que vem a partir de alguns questionamentos: observar o tipo de veículo onde se lê a informação, quem o escreve, a qualidade desse veículo, compará-lo a outros e, sempre que possível, pesquisar sobre o contexto dos lugares abordados pela matéria. <strong>A falsa simetria produz intolerância política, bem como colabora para que conjecturas, opiniões e distorções da realidade continuem a ocupar lugar de fato, de notícia</strong>. É necessário a quebra desse ciclo! Comece, portanto, não aceitando tudo o que chega até você como uma verdade inquestionável.</p>



<p>Afirmamos o nosso compromisso com a defesa dos direitos inalienáveis a todo ser humano; neste caso, a liberdade de expressão, liberdade de culto e de crença. Para o combate a intolerância em todos as suas camadas e significações, é necessário pontuar o que esse mal, de fato, é.</p>



<p></p>



<p>PARA REFLETIR:</p>



<p>Alguns dados colhidos em uma rede social:</p>



<p>Pergunta: A queima de Igrejas no Chile foi <em>cristofobia</em>?</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td>&nbsp;</td><td>TOTAL</td><td>JUSTIFICATIVA</td></tr><tr><td>&#8220;SIM&#8221;</td><td>40</td><td>&#8211;</td></tr><tr><td>&#8220;NÃO&#8221;</td><td>30</td><td>4</td></tr></tbody></table></figure>



<p>JUSTIFICATIVAS:</p>



<p>Quem marcou &#8220;não&#8221;:</p>



<p>&#8211; &#8220;A instituição igreja tem mais a ver com o estado que com Cristo.&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;Foi vandalismo apenas, uma forma errônea de manifestar indignação com a atual Constituição&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;Porque é igual racismo reverso! Não existe.&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;A Igreja Católica no Chile não apenas compactou com Pinochet como se envolveu em diversos escândalos de pedofilia nos últimos anos, tanto que tentaram fazer uma espécie de reforma no país para que isso fosse encerrado, mas a memória de um povo em relação aos acontecimentos, principalmente os chilenos, não é algo que se apague e que vá ser deixado de lado até que apaguem, mesmo que literalmente, quem cometeu os atos&#8230;&#8221;</p>



<p>Quem marcou &#8220;sim&#8221; não enviou justificativa.</p>



<p></p>



<p>*Esse ensaio foi escrito no dia 26/10/2020. Até o momento, não houveram atualizações na investigação.</p>



<p></p>



<p>BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA ONLINE</p>



<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/igrejas-cristas-alvos-extrema-esquerda/">Gazeta do Povo: <strong>Por que as igrejas cristãs são alvos de ataques da extrema-esquerda?</strong></a></p>



<p><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/10/19/igrejas-sao-incendiadas-em-atos-que-marcaram-1-ano-de-protestos-no-chile">CNN Brasil: <strong>Igrejas são incendiadas em atos que marcaram 1 ano de protestos no Chile</strong></a></p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-10-19/duas-igrejas-sao-incendiadas-no-primeiro-aniversario-das-revoltas-no-chile.html">El País: <strong>Duas igrejas são incendiadas no primeiro aniversário das revoltas no Chile</strong></a></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-bereia"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="G5NDPwlF6o"><a href="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/">Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted" title="&#8220;Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos&#8221; &#8212; Coletivo Bereia" src="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/embed/#?secret=5AmqEwzHcw#?secret=G5NDPwlF6o" data-secret="G5NDPwlF6o" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<p><a href="https://www.elmostrador.cl/dia/2020/10/19/miembro-de-la-armada-fue-detenido-por-participar-en-desordenes-que-terminaron-con-incendio-a-iglesia-de-carabineros/">El Mostrador: <strong>Miembro de la Armada fue detenido por participar en desórdenes que terminaron con incendio a Iglesia de Carabineros</strong></a></p>



<p><a href="https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/10/16/un-nuevo-escandalo-sacude-a-los-carabineros-chilenos-descubrieron-a-un-policia-infiltrado-en-las-protestas-que-alentaba-la-violencia/?outputType=amp-type&amp;__twitter_impression=true&amp;s=08">InfoBae: <strong>Un nuevo escándalo sacude a los Carabineros chilenos: descubrieron a un policía infiltrado en las protestas que alentaba la violencia</strong></a></p>



<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/incendio-de-igrejas-no-chile-alimenta-cristofobia-e-vira-prato-cheio-a-bolsonaro.shtml">Folha: <strong>Incêndio de igrejas no Chile alimenta discurso da cristofobia e vira prato cheio para Bolsonaro</strong></a></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-onze-de-maio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.onzedemaio.com.br/membro-da-marinha-do-chile-e-preso-pondo-fogo-em-igreja-em-santiago/
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-el-mostrador"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.elmostrador.cl/noticias/multimedia/2020/10/18/carabineros-denuncia-que-individuos-prendieron-fuego-a-dependencias-de-iglesia-institucional-en-parque-san-borja/
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a><a href="https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/10/16/un-nuevo-escandalo-sacude-a-los-carabineros-chilenos-descubrieron-a-un-policia-infiltrado-en-las-protestas-que-alentaba-la-violencia/?outputType=amp-type&amp;__twitter_impression=true&amp;s=08"> InfoBae: <strong>Un nuevo escándalo sacude a los Carabineros chilenos: descubrieron a un policía infiltrado en las protestas que alentaba la violencia</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> <a href="https://www.soychile.cl/Santiago/Sociedad/2020/10/19/678091/Defensa-dijo-que-marino-detenido-por-quema-de-iglesia-no-estaba-infiltrado-ni-cumplia-labores-de-inteligencia.aspx">Soy Chile:  <strong>Defensa dijo que marino detenido por quema de iglesia no estaba infiltrado ni cumplía labores de inteligencia</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> <a href="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/">Coletivo Bereia: <strong>Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> LUCIANA, Petersen; JULIANA, Dias. Igreja incendiada foi local de tortura na ditadura?.&nbsp;<em>In</em>:&nbsp;<strong>Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</strong>. [<em>S. l.</em>], 21 out. 2020. Disponível em: https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/. Acesso em: 26 out. 2020.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>[Arredores] Amor, Dinheiro, Política e Rap, com Jovem Saga</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Jovem Saga]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Luxo e Lifestyle]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Rap é um estilo musical conhecido pelas batidas marcadas e pelas temáticas políticas, mas também pelos love songs e pela cultura das marcas &#8211; aspecto pelo qual muitas vezes é um estilo deixado de lado. Mas você já parou pra pensar o que existe por trás de uma letra que menciona Louis Vuitton, Yves Saint-Laurent e Balenciaga?</p>



<p>Na última semana, o rapper juiz-forano Jovem Saga, lançou o terceiro e último EP do projeto batizado de &#8216;FashionBoy&#8217; &#8211; no qual explora, em seus versos, a vivência das marcas, da opulência, do amor, e da própria identidade.</p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com o Jovem Saga sobre o seu mais novo EP &#8211; Bounce (Balance-Yago) -, a cultura do luxo e a política no Rap. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6ab4-whatsapp-image-2020-10-29-at-16.34.44.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12564" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Jovem Saga, em ensaio fotográfico.</figcaption></figure>



<p><strong>Trama: Me conta um pouco da sua história, Saga. De onde você vem? E como você começou no Rap?</strong></p>



<p><strong>Jovem Saga:</strong>  Bom, sou daqui mesmo de Juiz de Fora. Nascido e criado na Zona Leste, Nossa Senhora Aparecida.</p>



<p>Já tinha contato com rap desde muito novo, já gostava, já consumia muito por conta daqueles dvds que todo moleque que faz parte de algum elemento do hip-hop já teve, aqueles que tinham 100 Clipes de rap (risos). Daí, comecei a &#8220;dublar&#8221; essas músicas dos dvds e tudo mais, mas o que me despertou mesmo pro rap, foi um contato na biblioteca da escola no ensino fundamental, um material sobre o Emicida. Isso foi em 2009/10 mais ou menos, foi quando comecei a esboçar as primeiras letras… nessa época, não tinha nenhum rolê de Rap aqui na cidade.</p>



<p>Em 2012, comecei a dançar break e conhecer uma cena do hip-hop na cidade; daí, conheci o Encontro de Mc&#8217;s no meio de 2013 e comecei nas batalhas de Mcs no meio pro final de 2013 e tamo até hoje nessa.</p>



<p><strong>T:  Você comentou que começou a compor lá em 2010. Mas nas plataformas, estão disponíveis apenas os EPs do seu projeto de 2020, ‘FashionBoy’, e algumas parcerias desse ano. As músicas que você lançou esse ano são as primeiras que você gravou?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong>  Na verdade, eu lancei a minha primeira musica em 2014, com meu primeiro grupo de Rap, Very Flow &#8211; que saiu do Educarte (um projeto de HipHop nas escolas que eu fiz parte como aluno/espectador e, depois, como parte da organização). Depois, fiz parte da Banda Seu Jeffrey em 2017, e fiz um trabalho por lá também, com clipe e tudo mais; mas criei coragem de fazer o meu trabalho solo depois de 7 anos envolvido com o Rap.</p>



<p><strong>T: E a vontade e a coragem de fazer solo, nasceu de onde?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong>  Com toda certeza do mundo, dos meus amigos. E do nascimento da minha irmãzinha, em 2015.Mas ver meus amigos trabalhando muito, durante muito tempo, sem recurso nenhum, e entregando coisas muito boas, me fez dar o passo pra &#8220;iniciar&#8221; outra vez minha carreira.</p>



<p>Brackes e Slim (os dois que trabalham comigo hoje ) foram duas das principais peças pra me fazer funcionar. Os cara acreditaram mais em mim do que eu mesmo (risos). Brackes me levou pra trabalhar com ele como dupla de palco e dj e slim sempre me chamava pra gravar algo.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong> As suas letras &#8211; e o projeto FashionBoy como um todo &#8211; trabalham com imagens de luxo, de ter e gastar grana, usar roupas de marca; e sempre misturando isso a temáticas de relações amorosas bastante intensas e complexas. Você identifica essas temáticas como traço do Rap enquanto estilo, herdadas das origens americanas, ou percebe alguma outra razão de ser?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> Rap e estilo andam juntos desde sempre. E na hora de criar o projeto, pensei muito nisso. Mas existem outras razões de trazer todo o trabalho dessa forma.</p>



<p>Por consumir muito funk, sempre vi e sonhei com todas essas marcas de luxo. Acho que pra quem vem de onde eu vim, das comunidades, dos bairros &#8220;perigosos&#8221;, você ter um tênis foda, uma roupa foda, um cordão daora, isso não tem a ver com ostentar, tem a ver com conquista &#8211; e eu quis passar isso nos trabalhos.</p>



<p>Fazer chegar nos bairros também, nos moleque que normalmente não tem contato com uma ideia de amor e relacionamentos, que são moldados pra viver essa liquidez das relações de hoje em dia, e pras mina que consomem meu trampo também, se sentirem importantes e enfatizarem essa importância dentro de um relacionamento.</p>



<p><strong>T: E pensando nessa sua resposta: muita gente separa o rap ‘político’, que fala diretamente sobre questões sociais, do rap ‘ostentação’ &#8211; que você acabou de dizer que não é sobre isso, mas que aborda mais essas temáticas de estilo de vida e luxo. Porém, algumas pessoas argumentam contra essa separação. Como você percebe essa questão?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> Bom, a gente sempre quer passar algo pra quem escuta nossos trabalhos. Eu penso que seja importante existir todas essas variedades dentro do rap; num é só de revolta que a gente vive. A música tem muito esse poder de fazer a gente sentir, enxergar outro ponto de vista, entender sobre questões sociais.</p>



<p>O rap é muito versátil. Te faz dançar, te faz pensar, te faz sentir… Então acredito que tá tudo no mesmo barco. Num tem porquê separar, são só estilos diferentes dentro do rap.</p>



<p><strong>T:  Você percebe essa expressão do estilo, da conquista através dele, como uma ferramenta de afirmação e demarcação de grupos e vivências? Digo no sentido de que a galera da periferia costuma ser muito apagada ou estereotipada nas mídias padrão. E aí, se essa seria uma forma de criar afirmação de identidades.</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> Sim! A gente não é só o traficante neguinho do filme, a gente não é a escrava da novela, a gente não é só jogador de futebol com história de superação… É minha visão sobre o início de mudanças importantes pra nós, e é uma afirmação que faz bem pro ego, sabe? A parte boa do ego.</p>



<p><strong>T: Agora um pouco mais sobre a forma do trabalho: por que a opção por lançar o projeto &#8216;FashionBoy&#8217; em três EPs, e não em um álbum?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> A ideia principal era movimentar meus veículos de mídia, movimentar o público; mas eu também tinha muito medo de fazer um álbum e ele saturar muito rápido. Os EPs, por serem mais curtos, me deram uma tranquilidade, pra não deixar um trabalho muito longo e cansativo.</p>



<p><strong>T:   E você sentiu que essa técnica funcionou?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> Demais! Me surpreendeu muito. Aconteceu muita coisa depois dos lançamentos, sério; eu recebi muita mensagem sobre as músicas, muita gente nova nas redes sociais que vieram por conta das músicas… Realmente, foi muito mais do que eu esperava. E funcionou tanto que o projeto, que iria se encerrar no Bounce, que é o último EP, se estendeu pra uma Mixtape que já está em processo de produção.</p>



<p><strong>T:  Nesse contexto, você entrou com a campanha para 1600 visualizações no youtube antes de colocar o Bounce no Spotify e outras plataformas. Conta pra gente um pouco mais sobre essa proposta.</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> Na verdade, essa meta era pro Instagram (risos). E foi só pra testar a galera, ver se estavam pilhadas mesmo &#8211; e tá acontecendo. Porque, infelizmente, a gente não tá podendo fazer show, e isso atrapalha muito a mobilização da galera, sabe? Tentei usar uma estratégia simples pra ver se a galera estava chapando nos trampos.</p>



<p><strong>T: Além do Mixtape, quais são os planos para o ano que vem?</strong></p>



<p><strong>JS:</strong> A Mixtape, possivelmente, vem pra fechar o ano de 2020, pra deixar aquele gosto de muito trabalho e superação.</p>



<p>Pra ano que vem, pretendo trabalhar em projetos audiovisuais dessas músicas e, se tudo der certo e se a gente puder sair pra rua (saudadeeeeees), estudar um show de lançamento bem diferente &#8211; para, de fato, firmar esse momento especial na minha vida e na minha carreira.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>JS: </strong> A pergunta é: Qual a minha visão sobre artistas, contratantes e publico na cidade. E a resposta é a seguinte:  Eu, particularmente, acho que Juiz de Fora não merece os artistas que tem. A grande maioria dos contratantes são mal educados, o que acaba por deixar o publico mal educado também. Acredito que os artistas daqui, são constantemente desvalorizados, sabe? Principalmente se tratando de Rap. Até outro dia mesmo, a gente tava pagando pra cantar; já voltei de show a pé; já toquei por um pratão de batata e água a vontade. Primeira vez que recebi pra cantar, foi quando eu tava com Banda. Desde que comecei a trabalhar com o Brackes, nunca fiquei sem receber; mas ainda assim, é muito desvalorizado.</p>



<p>&nbsp;</p>



<p>Ouça o EP mais recente do Jovem Saga, Bounce, no Youtube:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="EP - Bounce" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/videoseries?list=PLGM58k-aOH2gJFdYOM_8Sd-evzh3QmYva" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Ser assexual num corpo hiperssexualizado &#8211; Onde estão as vozes negras?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Ariel Strauss]]></category>
		<category><![CDATA[assexual]]></category>
		<category><![CDATA[assexualidade e racismo]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[vivências negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ariel Strauss</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Glossário:</em><br><em>Assexualidade</em>: uma das formas de manifestação da sexualidade<br>humana baseada na falta de atração sexual por outras pessoas;<br><br><em>Assexual (ou Ace):</em> pessoa que se identifica enquanto assexual;<br><br><em>Alossexual:</em> Pessoa que se encontra fora do espectro assexual;<br><br><em>Alonormatividade:</em> opressão às identidades assexuais construída<br>sobre a noção de que a verdadeira atração romântica e a verdadeira<br>atração sexual sempre se expressam de forma conjunta;<br><br><em>Amatonormatividade:</em> opressão criada a partir de suposições e <br>normalizações sobre sentimentos e práticas românticas, que corrobora<br>para a noção de que pessoas de diversas identidades &#8211; inclusive as<br>assexuais &#8211; sejam consideradas desviantes sociais.<br></p>



<p>Sou uma pessoa designada mulher ao nascer, negra e lésbica. Cada um desses grupos, de forma isolada, já é fetichizado pela sociedade. Os três juntos é como se fosse um combo de fetichização com o qual eu lido diariamente. E isso, com certeza, prejudicou o meu entendimento de mim mesma como assexual (ace). Eu era constantemente cobrada para ser altamente sexual, de despertar desejo, de fazer sexo… e eu não vejo a comunidade assexual debater sobre como a amatonormatividade afeta o psicológico das pessoas assexuais não brancas de uma forma diferente.</p>



<p>Veja bem, não estou dizendo que assexuais brancos não sofrem com a alonormatividade. Estou apenas dizendo que, quando imposta a corpos negros, ela se junta ao racismo, que hiperssexualiza nossos corpos. Isso precisa ser levado em conta.</p>



<p>A imagem que se tem de uma pessoa assexual costuma ser uma imagem branca. Parece que é absurdo pensar que uma pessoa negra ou não branca, em geral, não sentiria atração sexual. É como se a atração sexual fosse vista não só como algo intrínseco; a forma pela qual as pessoas tratam é como se o ser negro fosse dependente do ser alossexual para existir. Nossa comunidade, contudo, permanece em silêncio, sem levar esses debates muito para frente.</p>



<p>As comunidades LGBTQ+, em geral, são um reflexo da nossa sociedade. Por mais que nós tentemos criar a narrativa de que a comunidade é unida e de que ela funciona como uma espécie de sociedade paralela à  cis-heteronormatividade, nós mesmos sabemos que não é assim (por isso, inclusive, minha escolha em me referir a comunidades LGBTQ+ no plural). Nossa sociedade é extremamente racista, e o mesmo se reflete em todas as comunidades LGBTQ+ &#8211; e, dentro da comunidade ace, podemos dizer que um desses reflexos é a falta de discussões sobre a vivência assexual (e arromântica, diga-se de passagem) negra e não branca. Então, a única forma de mudar esse cenário é repetir o que deve ser feito na sociedade: dar voz e espaço a pessoas negras para falarem de como o racismo se une à alonormatividade para reprimir e controlar nossos próprios corpos.</p>



<p>Antes de me entender assexual, eu não entendia porque não conseguia dar o esperado de mim socialmente. Eu sempre ouvi que seria uma pessoa que chamaria a atenção (dos homens), mas, por algum motivo, quando essa atenção me era dada, me causava extremo desconforto. A minha decisão lógica, enquanto pré-adolescente que não podia conversar sobre sexualidade &#8211; porque imagina uma menina falar disso? &#8211; foi começar a esconder meu próprio corpo. E eu odiava cada segundo daquilo. Eu odiava as calças muito frouxas, as blusas muito largas e os casacos, usados mesmo no verão quente do Rio, para esconder cada curva do meu corpo. Afinal, a culpa era minha mesmo. Era o MEU corpo que chamava atenção, não?</p>



<p>Depois que eu me reconheci enquanto pessoa assexual estrita, e posteriormente também lésbica, o desconforto com meu próprio corpo começou a passar; nesse processo, eu vi que eu poderia ver o meu corpo além dos olhos que o hiperssexualizavam. Eu poderia amar e até mesmo exibir o meu corpo sem que isso fosse necessariamente uma afirmação de que eu estava procurando investidas sexuais. Mas até esse processo, foram anos me odiando, desenvolvendo transtorno alimentar, usando roupas das quais eu não gostava, fingindo ser quem eu não era. Quantas pessoas negras assexuais podem estar passando por situações parecidas causadas por essa intersecção de racismo e alonormatividade nesse momento? Por qual motivo esses relatos e essas vozes não viralizam e ecoam? Onde estão as vozes assexuais negras?</p>



<p>Por fim, tudo que quero é deixar como reflexão para a comunidade assexual se a comunidade está sendo antirracista e protegendo pessoas negras verdadeiramente. É fácil postar uma hashtag falando que vidas negras importam olhando pra longe, sem olhar para aquelas vidas negras embaixo do seu nariz. </p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Ariel Strauss </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é carioca, tem 22 anos e é estudante de Geografia na UFF. Se dedica a fazer divulgação científica da área e sobre estudos lésbicos no twitter (@urban_arie) e no instagram (@urban.arie).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Pelo direito de esquecer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Direito ao Esquecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Coletiva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12555</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não é mistério: vivemos na era da informação, da tecnologia, dos virais, etc. A cada dia, o ser humano busca mais domínio sobre a maior quantidade de conteúdo possível, bem como os meios para armazenar tudo isso.</p>



<p>É realmente um interesse comum entre os indivíduos a preservação da memória em diferentes searas. Lembremos, por exemplo, dos antigos álbuns de família, das fitas VHS com os primeiros aniversários, ou os diários da adolescência. Mas vamos além: os livros de história, os museus, a memória coletiva de um povo ou um tempo específico; tudo isso sugere uma noção de permanência, pertencimento e perpetuidade.  </p>



<p>Entretanto, em contraponto a esse cenário de lembrança extrema, existem coisas que muitas vezes queríamos esquecer ou não tornar públicas. Em decorrência das inovações no mundo informacional, principalmente nas últimas décadas, tornou-se necessário um equilíbrio entre a informação e a inviolabilidade da vida privada.</p>



<p>Surgiu assim um verdadeiro direito fundamental, reflexo da própria dignidade da pessoa humana e garantia a outros direitos da personalidade, como a privacidade, anonimato, intimidade e imagem. É o chamado direito ao esquecimento, que tem como palco principal, na atualidade, a internet, em razão da facilidade com a qual as informações se propagam e se eternizam.</p>



<p>Esse direito, apesar de não constar no rol dos direitos fundamentais da Constituição, foi tratado na VI Jornada de Direito Civil, no Enunciado 531 que prega: “a tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento”. Assim, é uma verdadeira garantia de controle que o cidadão possui sobre seus dados, sobre informações de sua vida pregressa, e não só eventuais situações vexatórias ou ligadas à sua moral, mas também atitudes que seriam gloriosas e que deverão ser esquecidas em nome do desejo ao anonimato.</p>



<p>Vejamos a prática: é muito comum que sejam divulgados vídeos, fotos, ou postagens antigas que podem afetar negativamente a história ou a imagem de alguém. Além disso, alguma dificuldade financeira, uma infração penal praticada na adolescência, algum descuido um pouco ofensivo &#8211; tudo isso pode afetar imediatamente ou em longo prazo a concessão de créditos, a obtenção de empregos, ou até acarretar perigos de perseguição.</p>



<p>Mas como balancear o direito à liberdade de expressão com o direito à imagem e à privacidade? Torna-se evidente um conflito entre as liberdades constituídas e o dever de memória coletivo e suas técnicas de solução em razão da diversidade de valores trazidos em nossa Constituição Cidadã. A solução, apesar de não consolidada, parece perpassar pela análise do que é realmente de interesse público e não mero entretenimento, sensacionalismo ou linchamentos virtuais.</p>



<p>Um caso que ganhou notoriedade e muitos já devem conhecer é relativo à Chacina da Candelária. O crime, ocorrido na década de 90, teve a absolvição de um dos acusados; porém, anos depois, seu nome foi citado no programa “Linha Direta”, da Rede Globo, o que gerou um enorme burburinho. Além de muitos julgamentos sociais, o indivíduo sofreu vários outros prejuízos, mesmo depois de ter passado por um julgamento formal.</p>



<p>Ora, o absolvido foi até procurado para conceder entrevista, mas negou, e disse que não queria aparecer no programa, manifestando seu claro desejo se não reacender o caso. De todo modo, o programa foi ao ar em todo o Brasil, com conteúdo que revelava imagens e nomes reais dos envolvidos. Ele procurou a justiça e, após um longo período de tramitação e recursos, foi decidido que a liberdade de imprensa não pode ser assim absoluta. <strong>O direito ao esquecimento foi reconhecido como consequência da dignidade da pessoa humana</strong>, dando ensejo a uma indenização.</p>



<p>Outro caso que se tornou paradigma envolve um crime da década de 50. A jovem Aida Curi foi abusada, torturada e teve seu corpo arremessado de um prédio em Copacabana. Já na época, a imprensa foi criticada por expor, nas capas dos jornais, as imagens explícitas do crime brutal; e mesmo assim, em 2004, a TV Globo reconstituiu o episódio do crime. A família pediu indenização pela exploração da imagem da jovem, além de reafirmar a luta para esquecer a tragédia. ¹</p>



<p>Os aspectos em torno desse direito nos mostram a importância de nos protegermos de certos tipos de exposição, da disposição de nossos dados e também de desconfortos morais e psicológicos.</p>



<p>Não só estamos diante de um mecanismo de resistência ao poder de grandes corporações ou usuários maliciosos da internet, mas há também a relevância do direito a ser deixado só, ser deixado em paz, o chamado “right to be alone”.</p>



<p>Por vezes, não damos atenção ao fato de que o esquecimento também é importante para a construção da personalidade humana. Se analisarmos tanto a perspectiva individual quanto a coletiva, é possível entender que esse processo é inevitável e fundamental tanto para exercício do nosso livre arbítrio quanto para nosso desenvolvimento.</p>



<p>Para o professor de Oxford Mayer Schönberger, que leciona justamente sobre as virtudes do esquecimento na era digital, “<em>esquecer possui papel central no processo de tomada de decisão humano, na medida em que nos permite agir no tempo, cientes de, mas não algemados por eventos do passado. Através da memória perfeita podemos perder uma capacidade humana fundamental – viver e agir com firmeza no presente</em>”.</p>



<p>Por isso, deixamos a dica: use o passado como instrução, mas <strong>lembre-se de esquecer.</strong></p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>O esquecimento, frequentemente, é uma graça. 
Muito mais difícil que lembrar é esquecer! 
Fala-se de “boa memória”.</em>
<em>Não se fala de “bom esquecimento”, 
como se esquecimento fosse apenas memória fraca. 
Não é não. 
Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, 
igual ao que as ondas do mar fazem 
com a areia da praia durante a noite. </em>
(Rubem Alves)</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>¹ O processo constava na ata de julgamento para o final de setembro desse ano.</p>



<p>SAJ ADV. <strong>Direito ao esquecimento e dignidade da pessoa humana no STF.</strong> Publicado em 15/04/2020. Por Athena Bastos. Disponível em: &lt;<a href="https://blog.sajadv.com.br/direito-ao-esquecimento/">https://blog.sajadv.com.br/direito-ao-esquecimento/</a>&gt;.</p>



<p>SILVA, Felipe Rocha. <strong>O Direito ao esquecimento na internet.</strong> 2016. Disponível em: &lt;http://repositorio.ufjf.br:8080/jspui/handle/ufjf/3227&gt;. Acesso em: 21/10/2020.</p>



<p>UOL. <strong>STF julga hoje direito ao esquecimento no Brasil; o que está em jogo?</strong> Publicado em 30/09/2020. Por Rodrigo Trindade. Disponível em: &lt;<a href="https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/09/30/stf-julga-direito-ao-esquecimento-caso-aida-curi-x-globo.htm">https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/09/30/stf-julga-direito-ao-esquecimento-caso-aida-curi-x-globo.htm</a>&gt;.</p>



<p>COSTA, Julia Braile. <strong>O direito ao esquecimento e a liberdade de expressão: a visão civil constitucional. </strong>2017.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17081-debra-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11621" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Déborah Silva</strong></strong>&nbsp;</strong></strong>é pós graduanda em Direito Constitucional.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/d2582-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>O meteorito de Bendegó: a saga de um símbolo de resistência do Museu Nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Meteorito de Bendegó]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Mariano Procópio]]></category>
		<category><![CDATA[Resistência do Museu Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Rosane Carmanini]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Rosane Carmanini</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A saga do Bendegó, o maior meteorito já encontrado em solo brasileiro, ganhou novos contornos, de epopeia e dramaticidade, após o trágico incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018, tornando-se símbolo da resistência dessa renomada instituição.</p>



<p>Se o relatório de transferência da rocha do sertão baiano para o Rio de Janeiro já tinha importância científica e histórico-cultural, o incêndio viria reforçar a relevância deste documento, dando-lhe novos significados e dimensões. De tiragem limitada, um dos exemplares do relatório está preservado no acervo bibliográfico do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/b271c-img-20201030-wa0010.jpg?w=950&#038;h=682" alt="" class="wp-image-12575" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p>O Bendegó é o maior meteorito brasileiro conhecido até os dias atuais e o 16º maior meteorito já encontrado no mundo, pesando 5,36 toneladas, medindo 2,20 metros de comprimento. É do tipo siderito, composto basicamente por ferro e níquel.&nbsp; Foi descoberto em 1784, pelo menino Domingos da Motta Botelho, sobre uma elevação próxima ao Rio Vaza Barris, a 48 km da cidade de Monte Santo e a 180 metros do riacho de Bendegó, que daria nome ao meteorito. O termo “bendegó” é de origem indígena e, na língua dos índios Kiriri, significa “pedra do céu” ou “vinda do céu”.</p>



<p>Logo após a localização do meteorito, em 1785, o governador D. Rodrigues Menezes ordenou o transporte da rocha até a capital Salvador, o que resultou na primeira tentativa de retirada da rocha, por uma equipe liderada pelo Capitão-mor de Itapicuru. No entanto, devido às dificuldades para o transporte em decorrência do seu peso, o meteorito caiu no leito rio Bendegó, onde permaneceu por mais de cem anos, e a empreitada foi abandonada. O fato foi comunicado ao Ministro de Estado de Portugal, ocasião em que foram enviados alguns fragmentos do material para a Coroa Portuguesa.</p>



<p>Em 1820, durante a expedição dos naturalistas alemães Spix e Martius, acompanhada de Domingos da Motta, foram extraídos mais alguns fragmentos do meteorito, que foram doados ao Museu de Munique. Em 1886, o Imperador D. Pedro II tomou conhecimento da história do Bendegó durante uma visita à Academia de Ciências de Paris, e se dispôs a providenciar o transporte da rocha para o Rio de Janeiro. A doação financeira que custeou o transporte foi feita pelo Barão de Guahy, Joaquim Elysio Pereira Marinho.</p>



<p>Com a disponibilização dos recursos para a transferência da rocha, a expedição teve início. Puxado por bois e deslizando sobre trilhos durante 126 dias, o meteorito percorreu 113 km até a Estação de Ferro Jacuricy.&nbsp; Do sertão baiano, seguiu de trem para Salvador, onde ficou em exposição durante 5 dias, embarcando na locomotiva a vapor “Arlindo” em 1º de junho, a caminho de Recife e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde foi recebido pela Princesa Isabel.</p>



<p>No local da &#8220;descoberta&#8221; do meteorito, foi construído o obelisco de D. Pedro II, em forma de pirâmide, com inscrições celebrativas que homenageavam o Imperador, a Princesa Isabel e outros personagens &#8211; incluindo os engenheiros responsáveis pela transferência do meteorito. Outro obelisco foi construído na estação ferroviária de Jacurici, o Obelisco de Bendegó, que celebrava o sucesso da empreitada de transferência da rocha.</p>



<p>Mas a retirada da rocha do seu local original gerou controvérsias, especialmente entre os sertanejos. O marco original de localização do meteorito, denominado D. Pedro II, foi destruído por moradores locais, que após um longo período de seca, interpretaram a estiagem como um castigo divino pela retirada da rocha espacial do seu local original. Mesmo que outro marco tenha sido construído, a transferência do meteorito de Bendegó continuou povoando o imaginário sertanejo, tanto que se tornou tema de literatura de cordel:</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>"A pedra constituída
De Ferro, Níquel e encanto.
Até o dia de hoje
Provoca tristeza e encanto
Queremos nossa pedra de volta
De volta pro nosso canto."

</em>—A Saga da Pedra do Bendegó</pre>



<p>A comissão responsável pela transferência do Meteorito de Bendegó da província da Bahia para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi composta por José Carlos de Carvalho – Chefe da Comissão e ex-oficial da Marinha de Guerra Nacional, conforme informado no próprio relatório &#8211; e pelos engenheiros civis Humberto Saraiva Antunes e Vicente José de Carvalho. Desde então, o meteorito permaneceu em exposição no Rio de Janeiro, no Museu Nacional.</p>



<p>Já de posse do Museu Nacional, o Meteorito de Bendegó sofreu um corte de aproximadamente 60 kg, e seus fragmentos foram enviados a 14 museus do mundo, entre eles os Museus de Londres, Berlim e Viena. Ainda foram produzidas quatro réplicas da rocha, em tamanho real. A primeira, em madeira, figurou na Exposição Universal de Paris em 1889, por ocasião das comemorações do centenário da Revolução Francesa, e está atualmente no Museu Nacional de História Natural, em Paris. A segunda réplica, em gesso, feita na década de 1970, está no Museu do Sertão em Monte Santo, próximo ao lugar onde o meteorito foi originalmente localizado. Outras duas se encontram no Museu Geológico da Bahia em Salvador, e no Museu Antares de Ciência e Tecnologia, em Feira de Santana.</p>



<p>Toda a saga de transferência do meteorito culminou na produção do relatório citado anteriormente, apresentado ao Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, e à Sociedade de Geografia, editado no Rio de Janeiro em 1888, pela Imprensa Nacional, em dois idiomas &#8211; francês e português. Apresenta 19 fotografias originais anexadas ao longo do texto, na versão em português. As imagens do relatório são de autoria do fotógrafo Marc Ferrez – composição com os retratos dos membros da Comissão – e de Humberto Antunes, engenheiro civil que participou da Comissão de transferência do Bendegó.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://bodoqueonlineart.files.wordpress.com/2021/12/1666b-img-20201030-wa0021.jpg?w=950&#038;h=746" alt="" class="wp-image-12576" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p>O relatório demonstra um dos mais significativos usos e funções da fotografia no século XIX, que se refere ao registro documental. Interessante ressaltar que parte da documentação iconográfica foi feita pelo próprio engenheiro civil que compunha a comissão &#8211; e não tinha, na fotografia, um ofício remunerado.&nbsp;</p>



<p>O sentido do relatório é dado essencialmente pelo texto. As imagens são acompanhadas por legendas identificando o local fotografado e/ou o título da fotografia, apresentando-se emolduradas, e em sua maioria, no formato retangular horizontal.</p>



<p>O documento é composto de uma carta inicial, datada de 20 de agosto de 1888, escrita no Rio de Janeiro, por José Carlos de Carvalho ao Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Junto ao meteorito, foram transferidos fragmentos de rochas e as fotografias que compõem o relatório, conforme lista de objetos apresentada pelo Chefe da Comissão. Traz ainda uma planta e perfil longitudinal do trecho percorrido pelo meteorito, um histórico do Meteorito de Bendegó e das tentativas realizadas anteriormente para sua remoção, notícias de meteoritos, plantas e mapas da região, além do diário da transferência.</p>



<p>O exemplar do relatório que faz parte do acervo Bibliográfico do Museu Mariano Procópio possui número de arrolamento, fazendo parte, portanto, da Coleção de Alfredo Ferreira Lage à época de seu falecimento. No entanto, como uma réplica do meteorito foi enviada à França para a Exposição Universal de 1889, é possível que o relatório tenha pertencido à Família Cavalcanti, tendo em vista a participação direta dos Viscondes de Cavalcanti no evento. Essa hipótese relaciona o relatório ao contexto da participação brasileira nas exposições universais e, consequentemente, ao acervo relacionado ao tema no Museu Mariano Procópio. De volta ao meteorito, são bastante emblemáticas as imagens veiculadas pela mídia, dos escombros do incêndio à sua volta, no hall de entrada do museu. Mas o Bendegó resistiu. O descaso com o patrimônio museológico brasileiro gerou mais um capítulo na saga e na biografia do Meteorito de Bendegó, transformando-o no símbolo da resistência e sobrevivência do Museu Nacional.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>BRAGA, Jesulino. A pedra que veio lá do infinito: o meteorito de Bendegó e o Museu Nacional. Concinnitas, ano 19, número 34, dezembro de 2018, p. 147 -164.</p>



<p>CARVALHO, José Carlos de. Météorite de Bendégo – Rapport présenté au Ministère de L’Agriculture, du Commerce et des Travaux Publics et à la Société de Geographie de Rio de Janeiro sur le déplacement et les transport du Météorite de l’intérieur de la province de Bahia au Musée National. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1888.</p>



<p>FERRAZ, Rosane Carmanini. Catálogo de fotografias oitocentistas: O relatório do Meteorito de Bendegó. Fundação Museu Mariano Procópio,</p>



<p>KOSSOY, Boris. Fotografia e história. São Paulo: Editora Ática, 1989.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Rosane Carmanini Ferraz </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é professora de história e historiadora, atuando no Departamento de Acervo Técnico e Ações Culturais da Fundação Museu Mariano Procópio e na Fundação CAEd (UFJF), em cursos de Especialização e Mestrado em Gestão da Educação Pública. Desenvolveu pesquisa de doutorado em História (UFJF), intitulada “A coleção de fotografias do Museu Mariano Procópio e as sociabilidades no Brasil oitocentista”. Tem como principais áreas de interesse: viagens, cultura, cinema, artes visuais (em especial, a fotografia) e artesanato.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/ef7bc-begaleria8-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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		<title>Ação local é fundamental, diz chefe da ONU no Dia Mundial das Cidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 18:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ação local]]></category>
		<category><![CDATA[COVID 19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, gravou uma mensagem marcando o Dia Mundial das Cidades (31) e reconhecendo a “contribuição extraordinária” feita pelas comunidades nas áreas urbanas.<br>O valor das comunidades, disse, é ainda mais evidente na resposta à COVID-19.<br>As áreas urbanas já abrigam 55% da população mundial e esse número deverá aumentar para 68% até 2050.<br>“Vamos colocar as nossas comunidades no centro das cidades do futuro”, destacou António Guterres.</em></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Ação local é fundamental, diz chefe da ONU no Dia Mundial das Cidades" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/n3i4UGLTj3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, gravou uma mensagem marcando o Dia Mundial das Cidades (31) e reconhecendo a “contribuição extraordinária” feita pelas comunidades nas áreas urbanas. O valor das comunidades, disse, é ainda mais evidente na resposta à COVID-19.</p>



<p>“As cidades sofreram o impacto da pandemia. As áreas urbanas já abrigam 55% da população mundial e esse número deverá aumentar para 68% até 2050. O nosso mundo em rápida urbanização deve responder com eficácia a esta pandemia e se preparar para futuros surtos de doenças infeciosas”, destacou Guterres.</p>



<p>Com a pandemia fazendo grande pressão nos serviços de saúde pública e de assistência social, as comunidades se organizaram para manter bairros seguros e em funcionamento, trabalhando com os governos locais e nacionais para apoiar a resposta à COVID-19.</p>



<p>“Vimos vizinhos fazendo compras e cozinhando para pessoas doentes e idosos, residentes apoiando profissionais de saúde e grupos locais de voluntários e religiosos apoiando os vulneráveis”, exemplificou Guterres.</p>



<p>Na visão de Guterres, as comunidades são inovadoras, resilientes e proativas. “Elas desempenham um papel vital na construção de cidades sustentáveis em nível econômico, social e ambiental. Vamos continuar a reconhecer o seu valor.”</p>



<p>“Enquanto nos recuperamos da pandemia e nos envolvemos na Década de Ação para o Desenvolvimento Sustentável, temos a oportunidade de redefinir a forma como vivemos e interagimos. A ação local é fundamental”, disse Guterres, em referência aos dez anos que faltam para o prazo principal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2030.</p>



<p>Quando as comunidades urbanas estão envolvidas na formulação de políticas e decisões, capacitadas com recursos financeiros, destaca a ONU, os resultados são mais inclusivos e duradouros.</p>



<p>“Vamos colocar as nossas comunidades no centro das cidades do futuro”, destacou António Guterres.</p>



<p></p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em><a href="https://brasil.un.org/pt-br/98247-acao-local-e-fundamental-diz-chefe-da-onu-no-dia-mundial-das-cidades"><em>Nações Unidas Brasil</em> </a><em>em 30/10/2020 &#8211; Atualizado em 30/10/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg9_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11393" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>No cemitério, uma flor: sobre lembranças e esquecimentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[costumes]]></category>
		<category><![CDATA[Dia de Finados]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde criança, tenho o hábito de visitar cemitério no dia de Finados. Lá em casa, sempre nutrimos carinho pela memória dos mortos, hábito herdado de nossos antepassados. Guardo em um “doce” lugar da memória a minha empolgação para auxiliar minha tia na pintura dos túmulos da família, em Simão Pereira (MG). A cor escolhida era sempre o “azul cor de céu”, apesar da atmosfera tipicamente cinzenta e chuvosa dessa data. Aquela chuva fina e persistente, que cai como lágrimas de Deus a abençoar as almas dos que não mais habitam esse plano, confortando as mentes dos vivos que convivem com as eternas cicatrizes da perda. &#8220;Hoje, o dia está chuvoso como se fosse Finados&#8221;. Até hoje ouço comentários do tipo, sobretudo das pessoas mais velhas.</p>



<p>No entanto, se nesse dia o céu poucas vezes nos sorria com seu azul exuberante, por outro lado, nunca o encaramos como um dia pesado, fúnebre e de tristezas medonhas. A alegria da família reunida, o carinho de minha mãe na colheita das flores no jardim, o prometido picolé comprado no bar ao lado da pracinha após a missão cumprida no cemitério, tudo isso alegrava nossos corações, não obstante a dor da lembrança dos entes queridos que não mais se encontram entre nós.</p>



<p>Hoje, não foi diferente. Apesar de mais rápida, a visita ao cemitério foi regada de flores de todos os tipos. Primeiro, enfeitamos os túmulos dos parentes. Depois, como de costume, passamos por cada sepultura anônima, enferrujada e esquecida pelo tempo, perdida no meio da grama, e depositamos em cada uma delas uma pequena e singela flor. Sempre encarei esse hábito como um pequeno gesto de carinho com a memória alheia, de quem nunca vimos e não sabemos quem foi. Mas, como costume é costume, e desse não abro mão, simplesmente o faço sem muito auxílio da razão. Outro costume, esse sim uma sensibilidade de historiador, é o de ficar contemplando as artes tumulares e lendo epitáfios. A cada ano, uma nova descoberta. Uma poesia aqui, um versículo bíblico ali&#8230;</p>



<p>Algumas sepulturas só conseguem ser contempladas de cabeça erguida. Túmulos arranha-céus, imponentes e pretensamente feitos para a eternidade; outros, por sua vez, só podem ser observados olhando para o chão. Depende do status do cidadão. Afinal, até as necrópoles possuem símbolos de distinção. Hoje, um detalhe me chamou especial atenção: um fragmento de túmulo, uma foto caída ao chão, colada num frio pedaço de mármore. Um suspiro final da memória de um homem. De um homem negro, trajado de terno e chapéu, falecido cem anos atrás (talvez), cujo nome não mais se conhece. Que nome era o seu? Onde nasceu? Que trajetória percorreu? Por que morreu?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba84a-finados-2017-tumulo_foto.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12597" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>A vida é assim: não sabemos por que nascemos, quando partiremos e nem para onde iremos. Desconhecemos até mesmo os destinos e usos que farão de nossas memórias. Seremos lembrados ou esquecidos? Condenados ou exaltados?</p>



<p>O defunto-autor Brás Cubas, narrador-personagem do clássico livro de Machado de Assis (1839-1908), &#8220;Memórias Póstumas de Brás Cubas”, diz que &#8220;<em>cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.</em>&#8221; A única certeza que temos é de que a vida só vale a pena quando elegemos o amor como o grande guia dos lugares por onde passamos e de tudo o que fazemos e realizamos. Por isso, depositei essa flor ao lado desse pequeno e pouco notado resquício de tempos pretéritos&#8230; Uma homenagem às memórias de indivíduos que, pelos mais diversos motivos, não são mais consagradas ou celebradas no tempo presente.</p>



<p>Independente da fé e da religião, celebremos nesse dia especial a memória de todos os que pela experiência terrena passaram e agora habitam, quem sabe, o campo imponderável do transcendente.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Simão Pereira, 02 de novembro de 2017.</em></p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>CAÇADORA DE HISTÓRIAS: ADMIRAÇÃO, O OBSERVAR COM AMOR</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Avós]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Crescer é um processo natural de todo ser vivo, eu sei. Mas nós, humanos, ganhamos um brinde com isso: Um grande desembaçar de olhos. Conforme ficamos mais velhas, passamos a ver o que realmente são tesouros e carregamos cada um deles como se fossem a própria vida.</em></p>



<p><em>Hoje, trago uma história que atravessa estados e vilarejos para chegar num coração maior que o mundo. É uma neta falando sobre o avô&#8230; Tem algo mais ancestral e especial que isso?</em></p>



<p>&#8220;Meu avô nasceu em Minas Gerais, se radicou no Paraná e, hoje, desfruta de uma vida serena no Rio Grande do Sul. Ele é o contador de piadas mais incrível que há, e para todos os assuntos possíveis, tem uma que encaixa. Todo santo dia, levanta antes do sol, faz a barba, caminha pelo pátio e vê a manhã nascer. Conhece os passarinhos só pela cantoria e adotou o chimarrão como sagrado. Prepara conservas de pimenta fresca para toda a família e em cada vidro cola uma etiqueta com mensagens de amor.</p>



<p>Meu avô é um homem da década de 40 com muitos erros, acertos e a eterna busca pela melhora. Ele me ensinou a ser gentil e leve comigo, com as pessoas e com a vida. Quando muito pequena, nas tardes de Domingo pós-almoço, ele me contava sobre Nossa Senhora de Fátima e as crianças que a viram naquele tempo onde a vida passava devagar. Dizia que a gente tem que ter fé e que só isso pode nos salvar das tristezas.</p>



<p>Ele é engraçado, espirituoso, presente, e tem olhos verdes. Aliás, lembro de uma vez em que estávamos no táxi que ele trabalhava e lá havia um potinho cheio de balas de menta.<br>Eu olhei pra ele e falei: &#8220;Queria muito ter o olho igual o teu!” E ele: &#8220;O Vô come essas balinhas e são elas que fazem eles serem verdes, sabia?” Fiquei encantada e comi várias naquele dia. Realmente acreditava que meus olhos estavam mudando de cor e ele nunca me disse que não era verdade, alimentando minha glicemia e imaginação.</p>



<p>Meu avô me ensina todos os dias, e senti que precisava deixar ele marcado em algum lugar além do meu peito, e, aqui está no projeto. Avós são amor de algodão, onde há tempo e toda a ternura da vida. Valoriza os teus sempre, a todo instante. Em abraço, ou&#8230; Em oração.&#8221;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><em>Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida. </em></p>



<p><em>Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail <a href="mailto:tuahistoriaaqui@gmail.com">tuahistoriaaqui@gmail.com</a> e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Victória Vieira</strong> é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/cdf4d-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Estéreo &#8211; Capítulo 6</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Estéreo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Pippa]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bárbara Pippa</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/estereo-capitulo-6/">Estéreo – Capítulo 6</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os dias passavam devagar. Geralmente, os dias passam devagar quando há ansiedade dentro de mim. Especialmente quando ela diz respeito a coisas que não posso dizer ou fazer. E isso se acumula de uma maneira em que começa a corroer meu ser.</p>



<p>Fico nervosa quando não há a possibilidade de eu descobrir que caminho seguir, ou quando não tenho a menor ideia do que vai acontecer em seguida.</p>



<p>E, nesse universo adolescente, existia a oportunidade de descobertas que podem auxiliar ou não essa ansiedade. Foi quando tive meu primeiro contato com a maconha.</p>



<p>Ana fumava esporadicamente e, em um dia, perguntou se eu queria experimentar.</p>



<p>Nunca fui influenciável, nem nunca fiz nada que não tivesse vontade <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;até os dias atuais permaneço assim. Porém, sempre tinha tido a curiosidade de saber como funcionava essa droga <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;apesar de, também, não considerar como uma verdadeira droga, por ser algo natural e não tão sinteticamente modificado.</p>



<p>Fiz minhas pesquisas nos computadores pagos da Lan House e, com plena certeza de que estava decidida sobre o que gostaria de fazer: aceitei. Aceitei por mim e para mim. E Ana me mostrou o caminho da melhor forma.</p>



<p>Saímos para o intervalo <img decoding="async" width="16" height="23" src="">(novamente ele)<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e nos escondemos em uma rua vazia que ficava no alto de um morro, ao lado do colégio; só a vista da cidade sob nossos pés e nós duas. Lá, ela me apresentou a essa outra parte da vida que estava começando no meu mundo.</p>



<p>Não tenho intenção de ser moralista ou apoiadora, mas tendo em vista que eu havia pesquisado não existir mortes decorrentes de seu fumo, eu usei com a consciência tranquila.</p>



<p>Foi engraçado; afinal, nunca tinha fumado por detestar o cheiro de cigarro. Então me faltava capacidade de saber como conduzir a fumaça e todo o processo. Ana teve paciência: ria de mim e comigo, sem cobranças, apenas deixando a situação acontecer.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Espera. Acho que você não vai conseguir saber direito como funciona sem fumar direito. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela pegou o <em>beck</em> da minha mão após várias tentativas falhas de tragar.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Então vai ser impossível, porque não vou fumar. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Eu estava me sentindo confortável com ela ali.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Não vai e nem eu, porque não gosto de cigarro, você sabe que eu não fumo. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela inspirou e me encarou por alguns segundos. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Deixa eu tentar algo.</p>



<p>Ela fumou, segurou a fumaça dentro da boca, se aproximou de mim e vagarosamente encostou seus lábios nos meus, entreabertos. E eu, tomada por um reflexo, a segui. A fumaça passou dela para mim enquanto sua mão segurava meu rosto delicadamente.</p>



<p>A minha vontade era de beijá-la, mas não o fiz.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Segura e engole. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela se afastou um pouco e ordenou com a voz baixa e me olhando nos olhos.</p>



<p>Eu comecei a tossir. Ela começou a rir.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Pronto, deu por hoje. <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Ela apagou o beck e fez com que levantássemos para retornar. &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;Dizem que quando há tosse, há eficácia.</p>



<p>E de fato houve. Um pouco.</p>



<p>Voltamos para o colégio munidas de biscoitos e, discretamente, devoramos os pacotes no fundo da sala para matar a fome originada da brincadeira.</p>



<p>Foi algo que me acalmou e me trouxe um momento de tranquilidade, que há muito eu não sentia. Se fazia necessário em mim.</p>



<p>Ficamos sentadas, lado a lado, nas carteiras colegiais, cada uma apreciando seu instante, sem falar nada ou fazer nada.</p>



<p>Antigamente, existiam aparelhos de músicas externos aos celulares, que comportavam algumas canções e eram pequenos, tendo como levá-los para todos os lugares. Coloquei meu fone de ouvido, fingindo prestar atenção ao professor; liguei o reprodutor no modo aleatório e deixei a <em>playlist</em> tocar.</p>



<p>Ana se levantou para ir ao banheiro  <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211; não precisávamos pedir permissão &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e eu acompanhei com os olhos, gravando seu movimento gracioso ao contornar as fileiras de gente fazendo ou fingindo fazer anotações em seus cadernos, sem percebê-la passar.</p>



<p></p>



<p>“Vem cá”.</p>



<p>Após alguns poucos minutos, ela me encaminhou uma mensagem de texto. Ainda fora de sala, eu achei que poderia ter acontecido algum mal-estar, com o qual ela precisasse de ajuda.</p>



<p>Despretensiosamente, me dirigi ao sanitário, bati na porta <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;era um banheiro único, separado entre meninos e meninas &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e ela abriu, rindo da minha cara confusa.</p>



<p><img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;Aconteceu alguma coisa?</p>



<p>Eu entrei, ainda sem entender o que estava acontecendo. Ela fechou a porta. </p>



<p>Ela me colocou contra a parede.</p>



<p>Ela me beijou.</p>



<p>Foi totalmente inesperado.</p>



<p>Mas, dessa vez, eu não estava tão assustada quanto da primeira. Retribui da minha melhor forma.</p>



<p>Foi “o” beijo.</p>



<p>Enquanto nossas bocas conversavam, nossos corpos se abraçavam e se apertavam, se aproximando ao máximo dentro daquele banheiro.</p>



<p>Ela me pressionava contra a parede, eu a trazia ainda mais para mim.</p>



<p>Com uma mão percorrendo meu pescoço, ela seguiu até meu cabelo e o puxou, fazendo com que eu elevasse um pouquinho o rosto, e deu uma leve mordida em meu lábio inferior.</p>



<p>Pegou o outro fone que estava pendurado sob meu ombro <img decoding="async" width="16" height="23" src="">&#8211;&nbsp;sem cessar o beijo &#8211;<img decoding="async" width="16" height="23" src="">&nbsp;e o colocou em seu ouvido, escutando simultaneamente a mesma música que eu. <img decoding="async" width="16" height="23" src=""> <em>Adele</em> cantava, numa trilha sonora inesquecível, fazendo o beijo perdurar por longos minutos.</p>



<p>Ela passou sua mão por dentro de minha blusa, vagarosamente arranhando minhas costas. Eu arrepiei inteira.</p>



<p>Até se afastar, sorrir um sorriso maldoso, morder de leve seu próprio lábio inferior e balançar a cabeça acenando para sairmos dali, em silêncio.</p>



<p>Ela fez minha calmaria voltar a ser tempestade. E eu precisava realmente deixar a tempestade acontecer.</p>



<p>E precisava deixar a tempestade acontecer com nós duas na chuva para se molhar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Barbara Pippa </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é nascida em Juiz de Fora, participante em antologias de poemas e contos. Acredita em astrologia e muda o cabelo de acordo com o humor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/03cc3-begaleria8-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10819" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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		<title>Um Só</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aquele sorriso decerto lembraria o outro, o primeiro.</p>



<p>Nenhum antes tinha sido de verdade. Não havia por quê. Infância pobre; desde a adolescência, subemprego, subsalário, submissão; só sobrou uma espécie de rancor. Que não era míope, mas esclarecido. Pulsavam então duas certezas: a dureza da vida e o único jeito de lidar com isso – ser mais duro ainda.</p>



<p>Apenas naquele certo dia, há alguns meses, uma coisa diferente tinha acontecido.</p>



<p>Sozinhos em casa, ele e a filha. A menina com quatro anos de festa e fôlego que sempre hipnotizavam a todos à volta. Falava, pulava, corria, e todos riam. À toa. Uma enxurrada de contas chegando, e as pessoas rindo; a ignorância guiando a caravana de tudo quanto é miséria, e as pessoas rindo. Não fazia sentido, irritava. Mas todos esperavam que ele também risse; ele sorria. Forçado.</p>



<p>Se perceber agindo assim foi ruim. Pior foi se descobrir assim mesmo: sempre forçado a. Sufocava. Afinal, segundo o senso comum, ele tinha pelo menos um grande motivo pra ser feliz: saúde. “Saúde e paz, o resto a gente corre atrás”. Porra nenhuma. Quem corre atrás cansa; ele queria chegar na frente e logo. Por isso levava a vida a sério.</p>



<p>Se nem nas horas de folga o descanso vinha! Na casa sem luxos, as tarefas domésticas se dividiam entre ele e a esposa a conta-gotas. Diferente não seria justo; ela também tinha emprego, patrão, cartão de ponto, calo, joanete. Roupas, louças e vassouras eram compartilhadas com igual responsabilidade. Sem favores, sem gentilezas, nem concessões. Na justa medida da possibilidade de cada um e da necessidade dos dois.</p>



<p>Dos três, que a menina também tinha as dela. Naquele tal dia, precisou de cabelereiro.</p>



<p>Brincando sozinha no quarto – ele nunca brincava com ela; não tinha tempo nem paciência para aquelas bobagens de criança –, embolou uma tesoura sem ponta nos próprios cabelos e não conseguia se livrar dela, nem dos nós que se multiplicavam a cada tentativa de desembaraçar o instrumento dos cachos.</p>



<p>Ele esbravejou, sacudiu a menina pelo braço. Ela o olhava assustada, não entendia o que tinha feito de tão grave. Ele tentou arrancar a tesoura, primeiro com jeito, depois com força; muitos ais e lágrimas depois, nenhum sucesso. Pensou em usá-la para abrir o próprio caminho, cortando os cabelos da filha; desistiu, a mulher ficaria furiosa. Não tinha jeito: teria que perder seu tempo de descanso destecendo aquela cabeleira, desfazendo o emaranhado nó a nó. Largou a tesoura e se deteve, então, nos fios.</p>



<p>Como eram finos&#8230; E, apesar de longos e muitos, que frágeis que eram! Um pouco mais de força os arrancava, mais ais se ouviam. Precisava precisão de bicho caçador para catá-los. Atentou que nunca tinha atentado neles pra valer. Pelo menos não assim, de perto. Percebeu que não eram de fato pretos, mas de um castanho bem escuro, como borra de café. Lembrou de ouvir falarem de charlatães que dizem fazer previsões lendo borra de café e assim enganam muita gente. Imagine! O amanhã não se antecipa, não se adivinha; o amanhã é a gente que faz, com trabalho sério. Se não se pode enxergar o futuro nem na brancura da folha de papel em branco, que dirá na quase negrura de borra de café em cachos&#8230;</p>



<p>Era mais provável que numa falsa pretidão assim se visse o passado, o desconhecido, o medo, a ansiedade, a angústia de ter que tatear saída em meio a uma teia de fios finíssimos, frágeis e praticamente invisíveis um a um, mas densos e compactos agindo juntos – pegajosos, imobilizantes. Vez ou outra, havia falsas esperanças: um nó desfeito aqui, dois criados mais além; uma cor diferente (algo mais clara) surgia, era a pele dos próprios dedos se expondo entre mil fios, como para deixar claro que aquela ainda não era a liberdade, a saída estava em outro lugar. Esse seria um passado visível.</p>



<p>Ou, então, talvez, no máximo, de uma tal seminegridão se enxergasse o presente: a luta às cegas, a incerteza, a insatisfação e o medo que o tempo não leva. Sim, porque o medo não deve ser uma flor amarela, mas, sim, algo como a borra de café: ele parece, mas nem preto de verdade é. O medo não é seco nem molhado; é úmido. Algo que já foi quente, vazou e rapidamente esfriou. É um apático momento-lugar entre uma coisa que se foi e outra diferente que se quis ser, só que não. E por isso mesmo esse tal momento-lugar, o medo cor de borra de café, não pode ter outra vocação além do descarte. Mas ele teima e fica, não passa. Logo, o futuro também não podia estar ali naquela quase-pretura.</p>



<p>A menos que os cachos-borra começassem a se abrir, os nós-farelo se enternecessem, os fios-pó resolvessem se desfiar, os ais da criança sossegassem e virassem um monossilábico canto&#8230; de ninar. Encantados, os dedos então ganhariam uma estranha agilidade, e também olhos que, iluminados pela memória de medos passados e devidamente descartados, se antecipariam a possíveis novos nós, evitando-os, contornando-os ou apenas aceitando sua existência, cientes de que a eles sim, aos nós, o tempo desfaz. Aí, canto e dedos continuariam seu trabalho de destessitura: menos nós, menos medos, menos fios, menos sílabas, uma só mais-melodia, agora uma apenas voz, a do pai, solfejando uma desconhecida ternura, cofiando uma inusitada sensação de não se sentir forçado a, mas de, ao mesmo tempo, desejar tanto que o tempo não passasse nunca – para aquele momento não se acabar – quanto que passasse logo, para que, desfeitos os embaraços, as brincadeiras de sua filha alegre e sorridente nunca mais fossem interrompidas por nenhuma tesoura.</p>



<p>De repente enxergou: na verdade, o medo era sim, de fato, só uma flor amarela, o futuro era a negra cabeleira dormindo sorrindo em seu colo&#8230; E sorriu também.</p>



<p>E de repente a mulher abriu a porta aos soluços (nem lhe notou o sorriso). Chorava muito; atravessou a sala bêbada, não falava nada com nada. Só a custo ele entendeu a palavra “leucemia”. A menina tinha leucemia. Sério, certo, sem esperança.</p>



<p>No dia seguinte foram ao hospital. No outro a outro. E nos seguintes, muitos. Maior que tudo, a pequena sorrindo sempre.</p>



<p>Dois meses depois, saíram de casa mais às pressas: a menina com febre. Os médicos preveniram do perigo da febre. Três dias depois, em pé num corredor qualquer, a mulher ressonando encolhida no ferro gelado de um banco, ele se deu conta de que acabara de ficar realmente sozinho; nem o cansaço o acompanhava mais.</p>



<p>Súbito percebeu o próprio engano: o abraço esponjoso do silêncio no corredor era ainda mais gelado que o ferro do banco. Sentou ao lado da mulher e a abraçou também.</p>



<p>Se assustou com algo quase quente em seu braço. Era a mão de uma enfermeira muito séria que falava coisas confusas sobre força e vontades de deus.</p>



<p>O dia já estava raiando quando uma luz diferente pareceu atingir o caixãozinho branco num canto da funerária. Seria aquele mesmo, o mais barato, estava bom. A mulher queria algo melhor, mas desistiu quando ele perguntou pra quê e emendou sem pausa que ela precisava parar de chorar, se controlar e ir vestir a criança.</p>



<p>Por telefone, só duas ou três pessoas ouviram de sua voz firme a informação direta, sem preâmbulo: sepultamento ainda naquele dia, às 15h.&nbsp; Sim, acabou. Obrigado.</p>



<p>A capela praticamente vazia. A mulher chorando. Rostos meio familiares entre a lisura atônita e o enrugamento protocolar. Ele de pé num canto: cabeça erguida, ombros abertos e cenho franzido, uma faca lhe rasgando do peito à garganta, girando e voltando ao peito. Tudo devagar e doído como nada devia ser.</p>



<p>Em meio àquela dissecação, um homem uniformizado surge à sua frente e diz secamente que já são 15h. Sem saber por quê, faz um gesto ao homem e pede um minuto. Caminha em direção ao caixãozinho branco que não ocupa nem metade da velha maca de mármore encardido. Mais um grito desesperado da mulher é a última coisa que ouve antes de se surpreender de novo com o rostinho de sua filha, lindo, emoldurado por flores amarelas.</p>



<p>Ela estava apenas serena; não parecia sorrir como dizem que acontece aos bons e inocentes nessas horas. Ela era inocente e boa, então onde estava o sorriso, que não aparecia? Cadê? Por que não voltava? Rir não era tão fácil pra ela? Por que não ria agora? Por que não agora? Por quê? Por que não continuar fazendo todo mundo à volta rir à toa? Por que fazer a gente ali chorar? Por quê? Por quê?</p>



<p>A culpa só pode ser delas, essas malditas flores amarelas. É o medo que vem delas que cria tantas dúvidas. Elas estão ali escondendo o futuro, o futuro que na verdade ainda sorri na borra de café dos cabelos da menina. Basta afastar o amarelo-medo e o sorriso certo da menina vai voltar, todo mundo vai ver. Ela está só cochilando, como aconteceu no outro dia, há alguns meses, no seu colo. Lembrou daquela sensação boa, da paz e da segurança daquele momento. Lembrando, sorriu – para a surpresa de todos. Se alguém tivesse antes visto aquele, esse inesperado sorriso de agora decerto o lembraria, ao outro, o primeiro.</p>



<p>Sorrindo e causando surpresa, começou a afastar as flores do rosto da filhinha, com calma. Mas era um exagero de flores adiando o encontro com aqueles cachos! Ok, bastava então levantar a cabeça da criança para liberar a densa cabeleira escura daquela amarelidão medrosa. Pálido, o pescocinho surgiu, e tocá-lo deu a certeza de que tanto amarelo não podia mesmo manter a filha aquecida. Mas que merda! Não, ninguém entendeu nada! Podem deixá-lo! Ela está só dormindo, o sorriso dela está aqui, é só acariciar os cabelos, olha:</p>



<p>Não. Não estavam. Ou melhor: estavam, mas não eram. Ralos, muito ralos, sem viço, os cabelos da criança tinham virado um rascunho melancólico de si mesmos. Pior: agora frágeis como um velho papiro, os cachos-antes-borra não resistiam ao mais cuidadoso carinho paterno, se partiam e se soltavam, sem ais, da cabecinha inerte da menina, agarravam-se aos dedos trêmulos do homem, que, buscando desesperadamente neles o esteio, desgarrou de qualquer esperança.</p>



<p>Então seu só segundo sorriso sincero desgarrou também de sua cara abatida. A criança, o futuro, o pai, o sorriso: todos irremediavelmente mortos. Ele soltou a cabeça da filha e deu um passo absorto pra trás.</p>



<p>A mulher, sem chorar, autorizou com um gesto de cabeça que o homem de uniforme fechasse o caixão.</p>



<p>Alheio à saída do cortejo, imóvel no meio da capela vazia, o pai olhava para uns poucos fios de cabelo da filha morta em suas mãos, e uma lágrima lhe caiu dos olhos para molhá-los.</p>



<p>Uma só.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.(<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>) E-mail: <a href="mailto:prof.lcnascimento@gmail.com">prof.lcnascimento@gmail.com</a></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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