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	<title>Arquivos Gyovana Machado - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Querido Cartola, o mundo é um moinho. E eu tento cantar &#8216;take it easy&#8217; </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2024 12:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 200]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para começar esse texto eu busquei costurar um pouco do denominador comum que me fez e faz escrever para a Trama desde 2019. Atraquei no texto da edição N100. Curiosamente, em 2021 já existiam alguns subsídios para se pensar a relação com o tempo: pertencimento ao futuro, autopercepção de eternidade e um olhar generoso para a morte em Murilo Mendes. Essa tal curiosidade é calcada no sufoco de uma globalização desgovernada, produção e circulação de notícias infundadas, nos vídeos virais (ou não) de plataformas que sempre <em>informam e dizem e ponderam e opinam e ensinam e praticam e lifestyle e coaching e especialistas e músicas de streaming e novos trambiques e money is success e </em>tantas outras coisas que já me pesou o ombro, os olhos e cansou a respiração.&nbsp;</p>



<p>O salto de experimentação do tempo num espaço de 3 anos não espelha transformações pessoais ou uma experiência individual, ao contrário, há um coletivo simplesmente cansado de saber: se conhecimento é poder, o seu caminho agora é marcado pelas montanhas da desinformação, que sugam à vontade até que haja pouco (ou nada). Para chegarmos a alguma coisa, faz se necessário sempre desconstruir algo por esse mesmo caminho e, tamanha estratégia dos que desinformam, parece pautar-se mais pelo cansaço, que provoca desequilíbrio e satura a qualidade da informação, a qualidade da vida e do tempo. Ou seja, para acessar 1 conhecimento, precisamos desconstruir 78.546 mentiras ou meia verdade e tantas outras faltas. Longe de ser uma defesa desse estado, somente enquanto condicionante e invariável, há uma iluminação fora do tempo, como escreveu Mendes.&nbsp;</p>



<p>Iluminar-se, no entanto, tem se encaminhado cada vez mais para uma percepção individualizada da experiência humana, como se cada um resolvesse sua vida sem quadros que, no entanto, não fazem parte do nosso controle, um exemplo: o cansaço mental e físico produzido pelo capitalismo, pelo engessamento dos direitos, supressão do descanso, produção de culpa quando há ócio, impulso da mentalidade <em>neoliberal way of life</em> e a profunda e contínua insatisfação própria quando o que se faz não entra na agenda de produtividade e/ou funcionalidade.&nbsp;</p>



<p>Essa emergência de uma ação coletiva passa, por sua vez, por uma percepção individual, que só se mostra factível quando vivenciada — raramente pela empatia, uma vez que terapia, por exemplo, muita das vezes é usada como tótem por outros para nos questionar sobre nosso sentimento: o cansaço da rotina —. De todo modo, fiquemos com o que temos: nos indignar coletivamente contra os males da <em>desalfabetização </em>digital, do mundo beirando o colapso com o capitalismo absurdamente selvagem, do neoliberalismo que organiza a mentalidade sobre ser alguma coisa, enfim. Revolução pode ser subverter a ordem desse tempo categorizado como dinheiro, redimensionando o seu sentido de modo com que nossas tarefas caibam na coesão do esforço. Coesão do esforço.&nbsp;</p>



<p>Experimentar o tempo, portanto, pode ser repensá-lo nas bases que iluminam nosso dia a dia: um almoço com a família, uma cerveja no meio da semana com amigos, uma corrida para manter-se saudável e, não, para seguir uma cartilha vendida digitalmente como <em>cool</em>, uma apreciação do tempo e espaço enquanto não “produzimos” nada. Respirar. Beatles já cantou: <em>take it easy</em>.&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gyovana Machado</strong> &#8211; Doutoranda em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Mestre em História. Pesquisadora associada ao Laboratório de História Econômica e Social com trajetória e experiência nos espaços de confissão protestante. Formada em Seminário Teológico e curiosa nas leituras sobre Teologia Feminista, Teologia da Libertação, Missão Integral e demais veias decoloniais de leitura teológica. Atualmente, pesquisa capelães e capelanias em Minas Gerais colonial.&nbsp;</p>
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		<title>[EDITORIAL] A sua imagem e semelhança: uma coletânea de reflexões sobre o PL 1904 e os assuntos que o orbitam.  </title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2024/06/23/editorial-a-sua-imagem-e-semelhanca-uma-coletanea-de-reflexoes-sobre-o-pl-1904-e-os-assuntos-que-o-orbitam/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 11:38:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê 1904]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisaacademica]]></category>
		<category><![CDATA[pl1904]]></category>
		<category><![CDATA[pldoaborto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizar uma série e/ou coletânea de textos e reflexões acerca do PL1904 nos pareceu uma atividade de resistência. Antes de voltarmos os olhares para um projeto de lei, meramente, foi necessário ampliar a dinâmica estabelecida, rasgar alguns — muitos — véus e estendermos a observação para um universo gestado, construído, alimentado, retroalimentado e mantido, continuamente, … </p>
<p class="link-more"><a href="https://revistatrama.artebodoque.com/2024/06/23/editorial-a-sua-imagem-e-semelhanca-uma-coletanea-de-reflexoes-sobre-o-pl-1904-e-os-assuntos-que-o-orbitam/" class="more-link">Leia mais<span class="screen-reader-text"> "[EDITORIAL] A sua imagem e semelhança: uma coletânea de reflexões sobre o PL 1904 e os assuntos que o orbitam.  "</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Organizar uma série e/ou coletânea de textos e reflexões acerca do PL1904 nos pareceu uma atividade de resistência. Antes de voltarmos os olhares para um projeto de lei, meramente, foi necessário ampliar a dinâmica estabelecida, rasgar alguns — muitos — véus e estendermos a observação para um universo gestado, construído, alimentado, retroalimentado e mantido, continuamente, dentro de uma ordem de administração da vida que pauta alegorias e produz um frequente culto aos individualismos, apesar da chamada coletiva de adesão a essa(s) forma(s) de olhar para o mundo. Individualismo é posto, aqui, como um aspecto centralizador e dominante, capaz de subjugar para manter o seu rigor correspondente aos pútridos corações que, todos os dias, levam ao jogo público a proposta de seu domínio.&nbsp;</p>



<p>Nos últimos anos, a extrema direita voltou ao centro do debate e tem crescido em todo o mundo, alimentando um clima de polarização e representando uma séria ameaça à democracia e aos direitos humanos. Jair Messias Bolsonaro, eleito no Brasil em 2018, Donald Trump, eleito nos Estados Unidos em 2016, Narendra Modi na Índia desde 2014, Viktor Orbán na Hungria desde 2010, Recep Tayyip Erdoğan na Turquia desde 2014, Rodrigo Duterte nas Filipinas desde 2016 e Javier Milei, candidato à presidência da Argentina em 2023, são apenas alguns dos líderes que representam essa onda global. Em cada país, essa nova extrema direita apresenta características próprias, mas opera de forma similar, atacando mulheres, negros, cientistas, instituições públicas, movimentos sociais progressitas, imigrantes, indígenas e grupos LGBTQIAP+. Em alguns casos, o nacionalismo e o racismo xenófobo prevalecem, enquanto em outros o fundamentalismo religioso é a base ideológica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No caso brasileiro, uma das teses centrais para compreender as características da extrema direita atual reside no fundamentalismo religioso, ancorado em um debate moral-conservador. Esses grupos operam de forma orquestrada nas redes, nutrem e defendem a intolerância, além de disseminar notícias falsas em vários grupos virtuais. Segundo a jornalista e doutora em comunicação Magali Cunha, “os grupos conservadores e fundamentalistas fazem uso disso e usam muito bem, instrumentalizando de forma política essa dimensão religiosa”. A religião instrumentalizada serve como alicerce fundamental para a construção da ideologia da extrema direita, conferindo-lhe poder e influência. Essa instrumentalização da fé se intensifica no debate sobre gênero, em que a ultradireita constrói uma falsa dicotomia entre &#8220;ideologia de gênero&#8221; e &#8220;valores tradicionais&#8221;, utilizando a religião para embasar sua oposição conservadora-reacionária.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A expressão &#8220;ideologia de gênero&#8221; surgiu como um termo pejorativo para desqualificar os estudos de gênero, um campo interdisciplinar que estuda, investiga e produz conhecimento e reflexão, buscando contribuir para a superação das desigualdades de raça, classe e gênero, além de combater violências e discriminações. Essa expressão ganhou força no debate político e, ao longo da atual conjuntura, vem sendo utilizada de forma estratégica por grupos, indivíduos e movimentos da extrema direita atual. Segundo Peniche (2021), “de um ponto de vista conceitual, a expressão representa uma tentativa de ressignificação assente na menorização e deturpação — consciente e deliberada — de uma teoria (e não ideologia) que, dito de forma breve e simplificada, procura explicar que as desigualdades não são naturais, mas o resultado de processos sociais, culturais e econômicos que estruturam relações sociais de poder desiguais, ocupando nelas as mulheres um lugar subalterno e depreciado”. Nessa perspectiva, o debate teórico de gênero surge como um elemento disruptivo da ordem social vigente, na medida em que questiona a naturalização das desigualdades de gênero. Ao desmantelar o caráter essencialista das disparidades entre homens e mulheres, esse debate expõe a dominação masculina como uma construção social, e não como um determinismo seja entendida como natural.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No contexto brasileiro, a expressão &#8220;ideologia de gênero&#8221; tornou-se apropriada por grupos de direita radical como elemento central do discurso denominado &#8220;marxismo cultural&#8221;, configurando-se como mais uma importação das estratégias discursivas da direita atual. Conforme Mirrlees (2019), o “marxismo cultural” é um dispositivo político de produção de “ódio interseccional” dentro do discurso da Alt-Right (a nova extrema direita). Enraizados em uma perspectiva patriarcal, branca e cristã, esses grupos extremistas se erguem contra um mundo que, segundo eles, é deturpado pela esquerda, pelo feminismo, pelos movimentos LGBTQIAP+, pelos povos indígenas e por outras correntes de movimentos sociais progressistas. Esse cenário atual lembra muito a série &#8220;<em>The Handmaid&#8217;s Tale</em>&#8221; (&#8220;O Conto da Aia&#8221; ou &#8220;A História de Uma Serva&#8221;), da autora canadense Margaret Atwood, no qual esses grupos imaginam e criam um futuro distópico onde a opressão e a privação reinam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em Gilead, uma sociedade distópica moldada por uma rigorosa interpretação da fé cristã, a lei suprema é a &#8220;lei divina&#8221;. As escrituras, inclusive as leis punitivas do Antigo Testamento, são seguidas à risca, normalizando castigos como mutilações e torturas. Nessa realidade &#8220;imaginária&#8221;, os direitos humanos são drasticamente reprimidos, com as mulheres suportando o peso da opressão. A República de Gilead floresceu a partir da coalescência de grupos extremistas religiosos. Unidos pela crença de que a América precisava ser &#8220;purificada&#8221; do pecado e da corrupção, esses grupos formaram uma conspiração sob o nome de &#8220;Os Filhos de Jacó&#8221;. Movidos por um fervor messiânico, Os Filhos de Jacó orquestraram um audacioso golpe de Estado, atacando simultaneamente a Casa Branca e o Congresso, derrubando o governo dos Estados Unidos e estabelecendo Gilead como sua nova ordem. A história se desenrola na perspectiva de Offred, uma mulher aprisionada na realidade brutal de Gilead. Como parte da classe das &#8220;aias&#8221;, ela é considerada propriedade do Estado e serva sexual, cobiçada por sua fertilidade em meio a uma sociedade assolada pela esterilidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Embora a ficção transcenda a realidade, frequentemente se inspira em eventos históricos e sociais para escrever sua narrativa. Esse é o caso de &#8220;O Conto da Aia&#8221;, de Margaret Atwood, que encontra raízes em acontecimentos perturbadores do passado, tecendo um futuro distópico que ressoa com inquietante familiaridade em nosso presente, especialmente no Brasil. No Brasil, a recente tramitação do PL 1904/2024, que visa equiparar o aborto ao homicídio após a 22ª semana de gestação, acende um debate acalorado sobre os direitos reprodutivos das mulheres. Essa proposta, assim como outras como o PL da Gravidez Infantil e o PL do Estupro, evocam imagens da sociedade distópica de Gilead, onde o controle do corpo feminino se torna um instrumento de opressão.&nbsp;</p>



<p>E é sob essa constatação, que mantemos o alerta ao pluralizar o debate evocando novas figuras que confrontam, diretamente, noções vendidas como comuns pela extrema direita religiosa e fundamentalista — como exemplo dessa leitura alternativa à fundamentalista, o livro e estudo bíblico <em>Juízes 19: violência contra a mulher por questão de gênero. Uma abordagem a partir da interpretação teológica e histórica</em>, de Areli Cortez (2024) —. Nesse sentido, lançaremos mão de reflexões acerca de leituras teológicas alternativas da bíblia, os usos políticos da religião e tantos outros confrontos que buscam desconstruir o que, como estratégia, tem sido disseminado como denominador comum para identificação dos que são “cidadãos do bem”, logo, “tradicionais”, “conservadores”, “cristãos”, entre outros. Não somente, fez se necessário também recorrer a outros planos discursivos, como as relações de gênero percebidas internamente nesses grupos, como são pautadas, orientadas e se há correlação histórica, portanto, um peso para além de ações palpáveis, em suas mobilizações. Por isso, os leitores também encontrarão reflexões que se subsidiam em comparações acerca do corpo feminino e os contos nos quais se desenvolveu e/ou desenvolve uma noção de repulsa a ele, bem como poderão acessar outras frentes de ataque desses grupos extremistas que já estão em campo, mobilizadas contra mulheres e os seus direitos.&nbsp;</p>



<p>Uma vez apontado enquanto parte de um projeto político, econômico e social de domínio e subjugação maior, o PL 1904 é visto como uma das muitas ondas que quebram na areia. Uma vez que a sua disseminação mostra um determinado rosto, com características e contornos, há a possibilidade de o identificarmos em outros lugares e frentes de mobilização política, ou seja, a pauta antiaborto não se restringe ao PL mencionado, mas a um conjunto de defesas redesenhadas em instâncias e camadas da sociedade, no plano de tomada de decisões políticas, nos consultórios médicos, nas celas de prisões, nos púlpitos religiosos e, em última instância, nos notórios terminais da vida de meninas e mulheres que não acessam o aborto de maneira segura: uma terra, uma caixa de madeira e a somente da memória do que se poderia ter sido.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;A sua imagem e semelhança criou,&nbsp;</p>



<p>&nbsp;o PL 1904,&nbsp;&nbsp;</p>



<p>criou.&nbsp;</p>



<p>Mas não haverá nenhuma a menos.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências:</strong>&nbsp;</p>



<p>MIRRLEES, Tanner. <strong>The Alt-Right’s discourse of “cultural Marxism”:</strong> a political instrument of intersectional hate. <em>Atlantis Journal</em>, v. 39, n. 1, 2019.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>PENICHE, Andrea.</strong> Belas, Recatadas e do Lar: O antifeminismo como arma de deslegitimação da democracia. In: <strong>HONÓRIO, Cécilia; MINEIRO, João</strong> (Orgs.). Novas e Velhas Extremas-Direitas. 1ª ed. Lisboa: Edições Parsifal, 2021.&nbsp;</p>



<p><strong>NÓS MULHERES DA PERIFERIA.</strong> Como o conservadorismo e o fundamentalismo operam no Brasil. São Paulo, 2021. Disponível em:<a href="https://nosmulheresdaperiferia.com.br/como-o-conservadorismo-e-o-fundamentalismo-operam-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> https://nosmulheresdaperiferia.com.br/como-o-conservadorismo-e-o-fundamentalismo-operam-no-brasil/</a>. Acesso em: 20 jun. 2024.&nbsp;</p>



<p></p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gyovana Machado</strong> &#8211; Doutoranda em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Mestre em História. Pesquisadora associada ao Laboratório de História Econômica e Social com trajetória e experiência nos espaços de confissão protestante. Formada em Seminário Teológico e curiosa nas leituras sobre Teologia Feminista, Teologia da Libertação, Missão Integral e demais veias decoloniais de leitura teológica. Atualmente, pesquisa capelães e capelanias em Minas Gerais colonial.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Mayara Balestro</strong> &#8211; Doutoranda em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mestra em História pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2021). Pesquisadora associada ao Observatório da Extrema Direita (OED) &#8211; Brasil e ligado ao grupo de pesquisa Direitas, História e Memória (DHM), ambos credenciados no CNPq. Tem experiência na área de história, com ênfase em História Contemporânea e História do Tempo Presente, atuando principalmente nos seguintes temas: Nova Direita, Extrema-Direita, Direita Radical, Bolsonarismo e Brasil Paralelo.&nbsp;&nbsp;</p>
</div>



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					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2024/06/23/editorial-a-sua-imagem-e-semelhanca-uma-coletanea-de-reflexoes-sobre-o-pl-1904-e-os-assuntos-que-o-orbitam/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>O arquivo da cúria de Mariana em perspectiva: uma entrevista sobre cuidado, preservação e memória</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/10/29/o-arquivo-da-curia-de-mariana-em-perspectiva-uma-entrevista-sobre-cuidado-preservacao-e-memoria/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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<p>Em 2023 pude acessar um dos Arquivos que pairava no meu imaginário ao longo do percurso na pós graduação. É certo que toda construção em torno do acesso presencial a Arquivos também passa pela ânsia pós pandemia de nos conectarmos a esse espaço de muitas histórias. Entre os recortes das vidas vividas, o brilho ou a sombra do que já foi. Pisar em Mariana, cidade do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, foi como reencontrar com um lugar que nunca vi. Me misturar à sua paisagem, explorar seus cantos e, acima de tudo, acessar as páginas dos que já estiveram por ali, trouxe a sensação espetacularizada que nunca passa em alguns minutos, mas crava na memória o que vale a pena guardar: encontros e histórias. É, para além de uma experiência pessoal, a história que busco trazer hoje, a história do Diretor do Arquivo, o Padre Leandro Neves. Padre Léo, Padre Lê, são alguns de seus pseudônimos usados por aqueles/as pesquisadores/as que, ao acessarem o Arquivo, encontram um sujeito tranquilo, pacífico, organizado, disciplinado, curioso e de fé. Em uma breve entrevista apresentamos esse universo e buscamos aprofundar na rota cultural mineira, em toda a sua potencialidade de estudo, o Arquivo chamado, também, “Cúria de Mariana”, que possui documentações de períodos longevos e, além de ser uma experiência a quem o acessa, é absolutamente útil às pesquisas que buscam compreender a sociedade mineira colonial (mas não somente) nos termos da vida religiosa.&nbsp;</p>



<p><strong>ENTREVISTA COM O PE. LEANDRO NEVES, DIRETOR DO ARQUIVO ECLESIÁSTICO DA ARQUIDIOCESE DE MARIANA.</strong>&nbsp;</p>



<p><strong><em>Gyovana Machado: </em></strong>Nome, idade, formação. Fale sobre sua trajetória até chegar como diretor do Arquivo:&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe Leandro Neves: </em></strong>Pe Leandro Ferreira Neves, 37 anos, natural de Ponte Nova, MG. Aos 18 anos ingressei no Seminário São José da Arquidiocese de Mariana, estudando Filosofia e Teologia e sendo ordenado sacerdote em 18 de maio de 2013. Após algumas experiências pastorais nas paróquias de Jequeri e Santa Cruz do Escalvado, fui enviado para estudos em Roma. Na Faculdade de História e Bens Culturais da Igreja, da Pontifícia Universidade Gregoriana, iniciei o mestrado em História da Igreja em 2018. Retornando ao Brasil, no final de 2021, fui nomeado professor de História da Igreja no Instituto de Teologia do Seminário São José e Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana – Dom Oscar de Oliveira, em maio de 2022. Fiz também uma especialização em História da Arte Sacra pela Faculdade Dom Luciano Mendes de Almeida.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Em algum momento você se percebeu um trabalhador da cultura? Se sim, como e quando?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN: </em></strong>O meu contato com a cultura se deu principalmente por causa das minhas atividades religiosas. Porém, consciente do grande interesse que a Igreja sempre teve pela cultura e entendendo este campo como uma área própria da evangelização, além de ter bastante gosto pelo assunto, bem cedo sempre procurei me envolver em atividades culturais, principalmente aquelas mais relacionadas à pesquisa histórica e a preservação do patrimônio. Com o exercício de funções dentro da Igreja muito relacionadas com as questões culturais, fui me envolvendo ainda mais e buscando também mais conhecimento para poder atender melhor às responsabilidades a mim confiadas.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Você acredita que, socialmente, já temos uma arraigada noção de importância e/ou preservação dos arquivos?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN</em></strong>: Infelizmente não. Como em várias outras áreas, a noção de importância e preservação dos arquivos não é muito bem entendida e considerada por nossa população. Talvez os arquivos ainda estejam mais prejudicados ainda nesta questão, por representarem um ambiente de menor visibilidade e fruição para a população. Se existe uma certa aversão por coisas “velhas”, tal aversão é ainda mais sentida em relação aos arquivos, considerados por muitos apenas como simples “depósitos de papeis velhos”. Além disso, a preservação, manutenção e organização de arquivos exige um trabalho árduo, minucioso, paciente e bastante dispendioso, o que nem sempre atrai o gosto das pessoas e o investimento das instituições. Ainda há pouco interesse por parte das pessoas e autoridades nas atividades relacionadas aos arquivos e os poucos investimentos são muitas vezes entendidos como gastos desnecessários.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong> : Sabemos que há uma dedicação e cuidado quanto ao acesso ao Arquivo. Isso, em alguma medida, é lido como problema para quem quer acessá-lo?&nbsp;</p>



<p><em><strong>Pe LN : </strong></em>Por se tratar de material precioso e bastante frágil, o acervo documental de um arquivo deve receber não só um tratamento que lhe dê uma organização e condições de acessibilidade e boa conservação como exige um cuidado no manuseio de tais documentos por parte de quem procura acessar as suas informações. É uma medida de segurança e conservação, que muitas vezes é interpretada por algumas pessoas como se fosse uma dificuldade por parte da instituição em permitir o acesso aos documentos. Aquelas pessoas com verdadeira formação e sensibilidade histórica, que entendem a fragilidade e preciosidade do acervo, entendem e acolhem de bom grado as orientações e exigências colocadas para a organização do trabalho e correto acesso aos documentos custodiados no Arquivo.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Quais os desafios de se manter um Arquivo, sobretudo o Arquivo da Cúria que conta com documentações de períodos longevos?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN :</em></strong>Os maiores desafios passam pela organização e conservação dos documentos que são muitos. Como geralmente não dispomos de incentivo financeiro público e toda a atividade do Arquivo é mantida pela Arquidiocese e por uma pequena receita que o próprio Arquivo arrecada através das taxas que cobra sobre alguns serviços, muitas atividades necessárias se tornam inviáveis por seu alto custo financeiro. Restauração de documentos ou mesmo condições adequadas de acondicionamento dos mesmos exigem um alto investimento que nem sempre estamos em condições de realizar. Buscamos sempre a realização de parcerias com o poder público e iniciativas privadas, mas ainda falta o interesse e a sensibilidade por parte de muitos no sentido de patrocinar estas atividades.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM: </em></strong>Em sua perspectiva, o que falta para que a noção de preservação e, até mesmo, acesso se fortaleça na sociedade?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN :</em></strong>Acredito que falta uma boa formação no sentido de se perceber os arquivos como lugares por excelência da memória e da identidade de um povo, onde as pessoas se reconheçam a partir da história registrada e conservada nos documentos, expressão da atividade de um povo, uma comunidade, um grupo religioso ou uma instituição. Há a necessidade também de incentivo à pesquisa, da busca das próprias raízes e identidade a partir de atividades que tornam mais visíveis o importante trabalho realizado pelos arquivos, envolvendo mais a comunidade. Quando as pessoas compreendem que o bem cultural pertence também a elas, com mais razão elas também compreendem a importância de se valorizar, conservar e preservar.&nbsp;</p>



<p> <strong><em>GM:</em></strong> Sabe-se que, muito do que temos sobre preservação, surge de uma necessidade de guarda de textos sagrados, em diferentes culturas, para que pudessem atravessar o tempo mantendo sua informação e/ou orientação. Dito isso, em sua opinião e experiência, é possível relacionar a fé e a preservação? Como um homem vocacionado, qual (is) as suas percepções sobre essa relação?&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN</em></strong> :Para a fé cristã, todas as dimensões do ser humano são importantes e, a partir do mistério da Encarnação de Jesus Cristo, toda a história humana e todos estes aspectos foram assumidos e redimidos por Deus.&nbsp; Deste modo, tudo que diz respeito ao humano, também sua história e cultura é de interesse da Igreja e da evangelização. É justamente por isso que a Igreja sempre se interessou e se interessa em preservar, promover e salvaguardar a cultura e a história. Assim se pode compreender a relação entre fé e preservação, que tem uma função não apenas “utilitarista”, no sentido de preservar os textos sagrados e referências utilizados para a prática do culto e da fé, num sentido mais estrito, mas como salvaguarda da história da presença da instituição eclesial e suas relações com a sociedade. A Carta Circular: “A função Pastoral dos Arquivos Eclesiásticos”, emitida pela Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja (um organismo da Santa Sé), em 1997, aponta para a necessidade e importância que a Igreja Católica atribui a esta preservação. “Na <em>mens</em> da Igreja os arquivos são lugares da memória das comunidades cristãs e fatores de cultura para a nova evangelização. (&#8230;) À inclemência de tantas circunstâncias históricas, que providencialmente não destruíram a memoria dos eventos nas suas grandes linhas, deve então contrapor-se o nosso esforço de tutela e de valorização do material documentário, a fim de o usufruir no <em>hic et nunc</em> (aqui e agora) da Igreja”.&nbsp;</p>



<p><strong><em>GM</em></strong>: Baseado em sua experiência, use este espaço para falar sobre como costuma ser a relação do Arquivo com as pesquisas que surgem dele, seja sobre os desafios ou as alegrias do caminho.&nbsp;</p>



<p><strong><em>Pe LN: </em></strong>Recebemos no Arquivo Eclesiástico numerosos estudantes e pesquisadores que realizam seus trabalhos de conclusão de curso e outros tipos de pesquisa através de nosso acervo. Procuramos atender a todos e facilitar o máximo possível o acesso aos documentos, até mesmo indicando possíveis caminhos a partir do conhecimento que temos do acervo. É sempre um motivo de muita alegria e satisfação ver os trabalhos concluídos e perceber as inúmeras possibilidades de pesquisas que nosso acervo oferece. Sentimos também da parte dos pesquisadores uma grande satisfação para com o atendimento oferecido, apesar de termos consciência das suas limitações advindas muitas vezes dos poucos recursos que temos a disposição.&nbsp;</p>



<p>Para maiores informações sobre o Arquivo, consulte o site: <a href="https://arqmariana.com.br/arquivo-eclesiastico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://arqmariana.com.br/arquivo-eclesiastico/</a>&nbsp;</p>



<p><strong>Contato:</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Telefone: </strong>(31) 3557-2813&nbsp; <strong>E-mail:</strong> arq.eclo@arqmariana.com.br&nbsp;</p>



<p>&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gyovana Machado</strong>&nbsp;é graduada em História/UFJF,&nbsp;mestranda no Programa de pós-graduação na mesma universidade, associada ao Laboratório de História Econômica e Social e pesquisa capelães e capelanias no século XVIII em Minas Gerais. Militante no coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de gênero), articula sua formação enquanto seminarista no Seminário teológico Rhema Brasil e suas leituras na área de História da Igreja, Teologia Feminista, entre outros.</p>
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<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço bacana de apoio e fomento à cultura pode mostrar também você e a sua marca!</h3>



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		<title>A Revista vai ao embate: uma posição político- teológica de aliados a causa lgbtqiapn+ contra as falas homofóbicas de André Valadão.</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jul 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 171]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[André Valadão]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtqiapn+]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtqiapnfobia]]></category>
		<category><![CDATA[luta contra o preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Preconceito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/07/09/a-revista-vai-ao-embate-uma-posicao-politico-teologica-de-aliados-a-causa-lgbtqiapn-contra-as-falas-homofobicas-de-andre-valadao/">A Revista vai ao embate: uma posição político- teológica de aliados a causa lgbtqiapn+ contra as falas homofóbicas de André Valadão.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p>Como aliados à causa LGBTQIAPN+, precisamos delimitar a posição da Revista Trama contra qualquer discurso que simule uma ordem divina contra a vida daquelxs que, historicamente, são marginalizados, feridos, assassinados e excluídos da vida social. Por isso, repudiamos a fala de André Valadão que incita em seus membros, por meio da linguagem do ódio a darem fim a vida de lgbtqiapn+. Em algum momento, é necessário a reflexão que a ampliação de tais influências desdobrou em um processo muito clássico no capitalismo, que é nomeadamente a apropriação de espaços como propriedade privada. Redimensionado na lógica da religião, percebemos indivíduos cuja dinâmica pelo poder culminou numa apropriação narrativa e, acima de tudo, simbólica, de quem concede a vida e quem determina a morte. Nesse caso, sentem-se no direito de sentenciar, em nome de ‘deus’, qualquer Outro à morte, e esses poderes simbólicos alimentados dentro desses centros religiosos, servem como impulso a uma linguagem comum construída em torno dos pressupostos de uma extrema direita que busca em suas frentes alicerçadas todos os postos radicais; da religião a xenofobia, do racismo ao patriarcado, entre outros.&nbsp;</p>



<p>Em contrapartida, para contribuirmos com as possibilidades do que se pode ser lido nas contínuas ações de André Valadão em busca do nome em <em>trends</em> e, ao mesmo tempo, não querendo cair no fetichismo evangélico de imaginar e imergir em teorias irreais ,vide comunismo no Brasil, acreditamos que o André está ganhando a repercussão que gostaria. Bem como simulou e mentiu, há pouco tempo atrás, uma nota do STF contra ele junto a todo àquele vídeo patético em que ele aparece em um fundo preto, sendp sensacionalista etc., agora engrossa a narrativa contra a vida de pessoas lgbtqiap+ em busca de uma reação do Estado. Isso, porque busca construir sua imagem em torno da figura de um mártir, que estaria sendo perseguido devido a “sua fé”. Além de uma teologia ruim, ele usa sua língua para a morte e diz aos seus fiéis que essa é a vontade de Deus. &#8211; Quem conheceu a mente de Deus para que possa instruí-lo? &#8211; Paulo questiona. Esse breve recorte revela que, Deus, apesar de ser revelado em Cristo, não pode ser manipulado; a revelação, apesar de interpretações plurais, segue os princípios da redenção e misericórdia. Com isso, quero dizer que André afeta, com seu plano maligno, a QUALIDADE do evangelho disseminado o transformando em máquina de morte, arma carregada apontada contra o próximo e, além disso, mancha de forma perversa a vida dos que, de fato, se lançaram como mártir tal como Blandina (162 -177 d.C), que dizia aos seus torturadores a cada atitude contra seu corpo: <em>Deus é bom</em>. Sua alma incorruptível e seu forte espírito que mesmo aos 15 anos, foram capazes de renegar as breves tribulações, possuem qualidade que André nunca alcançará: a incorruptibilidade do ser. Se Blandina se fortaleceu com um espírito entregue e prostrado ao Criador, André se vende aos príncipes desse mundo para, corrompido, criar cortina de fumaça que inflama seu segmento munido da mentira. Mensageiro de satanás, que seja repreendido. </p>



<p>Essa é uma leitura política teológica que busca, como aliados à causa, condenar esse tipo de narrativa no campo teológico, bem como no campo político onde a pluralidade e a diversidade precisam e ganham, por garantia jurídica, espaço na construção do espaço público e na cidadania. Esse texto, sabemos, não cobre séculos de sofrimento, mas busca delimitar a posição da Trama frente as roucas vozes de uma ditadura que para alguns grupos, nunca acabou. Como citado, nesse texto consta a posição de aliados à causa, entendemos, portanto, a necessidade, como já tem sido feito na Revista, de dar espaço a esse grupo em todos os espaços de diálogo e visibilidade possíveis. <strong>Homofóbicos não passarão</strong>.</p>



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<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/30/chamada-de-inverno-para-publicacao-revista-trama-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="239" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=950%2C239&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31756" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1024%2C258&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=300%2C76&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=768%2C194&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=205%2C52&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=480%2C121&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=600%2C151&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1200%2C302&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?w=1401&amp;ssl=1 1401w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Gyovana Machado</strong>&nbsp;é graduada em História/UFJF,&nbsp;mestranda no Programa de pós-graduação na mesma universidade, associada ao Laboratório de História Econômica e Social e pesquisa capelães e capelanias no século XVIII em Minas Gerais. Militante no coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de gênero), articula sua formação enquanto seminarista no Seminário teológico Rhema Brasil e suas leituras na área de História da Igreja, Teologia Feminista, entre outros.</p>
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		<title>Entreato das seis décadas do golpe militar no Brasil</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/04/09/entreato-das-seis-decadas-do-golpe-militas-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Apr 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os apontamentos que variavam entre os motivos pelos quais se deu um golpe militar e inconstitucional na enfraquecida república brasileira na década de 60 sempre foram objeto de incontáveis perguntas. Na historiografia sobre 1964, existem alguns paradigmas mais tradicionais, outros estruturalistas e outros individuais, na busca por explicações que saltem os muros de uma política puramente à brasileira, mas que contraste com as relações internacionais e os interesses, de tom imperialista, de outros países sobre o Brasil. Ainda, há uma contundente reflexão sobre o lugar da democracia na agenda da direita e esquerda — mormente divididas — no período em que se deu o facínora golpe civil militar na república.&nbsp;</p>



<p>Entre conspirações e desestabilizações econômicas do Brasil, foram muitos os aspectos analisados. Tal como a visita de Jânio Quadros a Cuba em 1960, o que foi usado como capital político por adversários para enquadrá-lo como socialista (apesar de raramente ter se demonstrado um político ortodoxo), ainda, a instabilidade das Reformas de base (plano trienal) propostas por Jango, que passaram por acirrada negociação por proporem, em alguma medida e mormente falando, um plano de distribuição de renda. A não negociação somada a uma aplicabilidade fragmentada alimentou o acirramento civil dada a instabilidade. Num cenário, por exemplo, que desde a década de 50 contava com a ampliação de civis na esfera política. Em teoria, o que se esperava dessa movimentação? Aqui refletimos sobre a construção da caríssima democracia e já vemos que não basta a participação de civis nessa esfera.</p>



<p>Apesar de muitos os fatores, jamais temos a pretensão de justificar a tomada do poder por militares, ao contrário, buscamos lançar mão das brechas suscitadas social, política e economicamente que serviram de motivo ideal para o injustificável, o abominável e a corrupta entrada dos militares na regulação de um Estado que, posteriormente, tornaria-se uma máquina de morte. Com um exército saindo de Juiz de Fora, o golpe se deu entre 31 de março de 1964 e 1 de abril de 1964, marcando uma das memórias mais atordoadoras na história da república brasileira e cravando na democracia um dos seus desafios que perduram até os dias de hoje. Uma política autoritária e arbitrária iria delinear os anos do golpe que se firmaram, entre muitos aspectos, na construção de um inimigo comum, de um Outro baseado nas convicções excludentes de um tenebroso momento em que indígenas, pobres, oposições políticas, entre outros, tiveram os seus direitos suprimidos, sendo levados no limite da sobrevivência enquanto seus algozes bebiam e se engordavam do fruto de suas explorações, sugando o tempo de cada vida torturada e abatida numa estrutura assassina.&nbsp;</p>



<p>59 anos após o golpe militar ocorrido no Brasil ainda bradamos pela culpabilização judicial dos que fizeram parte dessa atrocidade pois, além do ato em si, existe uma política de memórias sendo reduzidas e recortadas até caberem no pensamento de extrema direita para que haja um retorno, sobretudo, dos mais jovens à esse tempo munidos pela falta de historicização e cidadania. Após 59 anos bradamos que a memória do golpe nos serve para lembrarmos dos presos políticos cassados, torturados e mortos nas dependências militares que os expunha, muita das vezes, aos seus próprios filhos e filhas enquanto tentavam assassinar suas ideias marcando o corpo. Após 59 anos, registramos nossa convicção de que os responsáveis por esta tragédia foram os militares, com apoio e parceria internacional e de partidos políticos, junto a outros segmentos da sociedade civil. Após 59 anos, queremos ser a voz dos que foram, o abraço acolhedor dos que ficaram e a força que impulsiona a luta por justiça. Após 59 anos, que ecoe o discurso de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição em 1988:&nbsp;</p>



<p>Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.</p>



<p>Quando após tantos anos de lutas e sacrifícios promulgamos o Estatuto do Homem da Liberdade e da Democracia bradamos por imposição de sua honra.</p>



<p>Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>BIBLIOGRAFIA:</strong></p>



<p><em>DELGADO, Lucília de Almeida Neves. O Governo de João Goulart e o gospel de 1964: memória, história e historiografia. Revista Tempo, s. l., v. 28, 2009, p. 123-143.</em></p>



<p>&nbsp;</p>



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<p><strong>Gyovana Machado</strong>&nbsp;é graduada em História/UFJF,&nbsp;mestranda no Programa de pós-graduação na mesma universidade, associada ao Laboratório de História Econômica e Social e pesquisa capelães e capelanias no século XVIII em Minas Gerais. Militante no coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de gênero), articula sua formação enquanto seminarista no Seminário teológico Rhema Brasil e suas leituras na área de História da Igreja, Teologia Feminista, entre outros.</p>
</div>
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