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	<title>Arquivos Editorial - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Sobre aquilo que é essencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/17/sobre-aquilo-que-e-essencial/">Sobre aquilo que é essencial</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-left is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Como você vive?&nbsp;</p></blockquote>



<p class="has-drop-cap">Essa pergunta, aparentemente simples, acaba tomando novo significado diante do contexto de pandemia que experimentamos. Mais do que um ano atípico, 2020 foi um triste marco histórico que revelou, acima de tudo, a fragilidade e os verdadeiros problemas da nossa condição humana.</p>



<p>Sob a ótica da cultura, no Brasil, a resposta para essa pergunta banal traz para a superfície a <strong>dimensão desigual de nossos sistemas econômicos e arranjos sociais</strong>. Afinal de contas, a maneira como vivemos depende diretamente do contexto em que estamos inseridos. Por isso, a experiência do isolamento precisa ser analisada a partir de uma <strong>perspectiva humanista</strong>, a qual leva em consideração o fato de que grande parte da população brasileira suporta a penúria do risco imposto pelo vírus &#8211; que vem somada, por sua vez, ao <strong>empilhamento de riscos impostos à sua própria existência dia após dia.</strong></p>



<p>Sendo assim, o impacto da pandemia começa a ser desenhado acompanhando essas nuances, e o contraste da imagem produzida acompanha, infelizmente, esse contorno desigual. Inclusive, não é novidade que <strong>o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo</strong>. De acordo com o <a href="http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr_2019_pt.pdf">relatório de desenvolvimento humano divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento</a> (PNUD), o Brasil alcançava, já em 2019, o sétimo lugar no ranking mundial. Nesse sentido, com uma tremenda desigualdade consolidada ano após ano em rankings e estatísticas, com patologias sociais arraigadas no tecido social (como o racismo) e com um ambiente político fragmentado e beligerante, temos aqui, infelizmente, <strong>a fórmula para um cenário de tragédia de grandes proporções.</strong></p>



<p>Muito embora a descrição acima não seja nem um pouco otimista, estamos propondo pensar o isolamento como agente catalisador de pensamentos e questionamentos sobre <strong>aquilo que é, de fato, essencial em nossas existências</strong>. Isso porque a pandemia trouxe à tona uma sensação de fragilidade que há muito tempo estava esquecida, disfarçada entre os avanços da medicina moderna, o conforto da tecnologia e a distração da conectividade. Essa fragilidade exposta pelo vírus nos colocou diante de um apanhado de incertezas &#8211; as quais, certamente, ainda vão se arrastar por alguns anos da nova década.&nbsp;</p>



<p>Partindo dessa premissa, podemos entender que a percepção do impacto do vírus se construiu de acordo com esse sistema de gerenciamento de riscos nas castas sociais. Aos que gozam do conforto daquilo que é supérfluo e que se acostumaram com a estabilidade ilusória construída com base nessa estrutura desigual, a pandemia se apresentou como um risco com o qual sua posição social não o preparou para experimentar, gerando reações intensas de <strong>medo e insegurança.</strong> Diga-se de passagem, o impacto dessas reações foi rapidamente superado pelo tédio da quarentena&#8230; (nesse ponto, cabe aqui abrir um parênteses: <strong>não vamos tomar como exemplo a manada de radicais de direita.</strong> Estamos falando de pessoas comuns, que se acostumaram a seus privilégios, certo?). Pois bem, de qualquer forma, o início da experiência da pandemia trouxe <strong>questionamentos sobre o próprio modo de vida</strong> com um nível de profundidade que o cotidiano nunca foi capaz de contemplar, lançando luz sobre qual é, de fato, o mínimo essencial para o exercício da vida com dignidade.</p>



<p>Por outro lado, aos que se encontram na periferia dessa sociedade, a necessidade de conviver com o medo de ser acometido pelo vírus precisou dividir espaço com o <strong>medo diário de não conseguir suprir as necessidades básicas de sobrevivência</strong>. Ou seja, existe um empilhamento de crises, tensões e incertezas que são potencializadas pelo contexto de pandemia e endereçadas ao cotidiano de grande parte da população, o que fica evidente quando tomamos como exemplo a questão das tensões raciais. De acordo com Isabel Santos Mayer, educadora e ativista dos direitos humanos, <a href="https://www.instagram.com/tv/CByrj3bhGAn/">durante o bate-papo no evento <strong><em>Trama: troca de saberes em Arte, Cultura e Criatividade</em></strong></a>, ser negro no Brasil é se enquadrar, desde o nascimento, em um <strong>grupo de risco</strong>. A coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) também aponta a estrutura necropolítica em que vivemos como principal combustível da barbárie econômica e social. Por esse motivo, a suposta <strong>reflexão sobre os rumos da própria vida, muitas vezes, se configura como uma constante</strong> para essa parcela da população &#8211; e o vírus foi responsável por trazer apenas mais uma modalidade de preocupação, além, claro, de amplificar em níveis extremos as demais variáveis dessa conta.</p>



<p>Colocados esses dois cenários e projetando sua intersecção como metodologia para obter a resposta para a ordinária pergunta com que começamos esse texto, vou recorrer à potência do fenômeno da arte para comunicar algumas reflexões.</p>



<p>O premiado fotógrafo <a href="https://www.aleruaro.com.br">Ale Ruaro</a> é conhecido por desenvolver projetos artísticos que tratam <strong>a fotografia como força humanista,</strong> colocando seu olhar à serviço da investigação da condição humana em profundidade. Em sua série retratando moradores de rua no centro da cidade de São Paulo, há pelo menos 3 anos, o fotógrafo consegue dimensionar o contraste debatido nesse texto de forma eloquente e perturbadora.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13139" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery alignwide is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.755419999632%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13141" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13141" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5a24a-aleruaro_114701.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.244580000368%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13142" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13142" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6b18-aleruaro_116135.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13144" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13144" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d931-aleruaro_093851.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p>Tratando essa dualidade no contexto de pandemia exposto nesse artigo, o trabalho de Ale nos proporciona a oportunidade de nos submetermos ao <strong>impacto da indiferença</strong>, que invisibiliza pessoas em situação de rua e as coloca como trágicos ornamentos na fria paisagem urbana das grandes metrópoles. Por outro lado, ele também evidencia sua perspectiva humanista, sobretudo quando comparamos as fotos acima com as um de seus projetos mais recentes, em exposição virtual no Panteão do Memorial da República Presidente Itamar Franco. Na mostra <em><a href="http://mrpitamarfranco.com.br/n/panteao/e-agora-o-brasil-e-a-pandemia-de-covid-19-em-26-fotografias-de-ale-ruaro/">E AGORA?</a></em>, Ale se propôs retratar trabalhadores essenciais, pessoas que <strong>não tiveram a opção de entrar em quarentena</strong> por atuarem em atividades listadas como essenciais pelo poder público.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13149" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-gallery alignwide columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13151" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13151" class="wp-image-13151" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, 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class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13155" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13155" class="wp-image-13155" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, 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<p>As fotografias, que colocam no centro da imagem figuras humanas cujo trabalho é aquilo que supomos essencial para a manutenção da ordem social, trazem consigo a oportunidade de <strong>revelar a dimensão comum das concepções sobre aquilo que é indispensável e crucial para a vida</strong>. No entanto, das diversas maneiras de se exercer a vida no mundo em que vivemos,<strong> o essencial muitas vezes pode estar no esvaziamento de nossas convicções reificadas</strong>. Por isso, posto que a arte se encontra na esquina de nossas vivências e convenções estabelecidas, devemos destronar as nossas certezas diante de um mundo isolado e com medo. Para o desenvolvimento de uma percepção mais plural e solidária sobre aquilo que é essencial a partir de uma visão crítica sobre as distintas realidades apresentadas, precisamos sempre estar preocupados com as possíveis respostas que daremos para a pergunta: <strong>como você vive?</strong></p>



<div style="height:46px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;O que é verdadeiro sobre todos os males do mundo, também é verdadeiro em relação à peste.</em><br><em>Ajuda os homens a se superar.&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Albert Camus</strong></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>MORIN, Edgar. <strong><em>É hora de mudarmos de via: as lições do coronavírus</em></strong>. 1 edição &#8211; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020.</p>



<p><strong><em>The Next Frontier: Human Development and the Anthropocene. </em></strong>United Nations Development Program. 2020. Disponível em: <a href="http://report.hdr.undp.org/index.html">http://report.hdr.undp.org/index.html</a></p>



<p>MAYER, Isabel Santos. <strong>Antirracismo em bibliotecas comunitárias.</strong> Apresentação em live no evento Trama: Troca de saberes em arte, cultura e criatividade.</p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Frederico Lopes</strong> é artista, educador, encadernador e escritor. É fundador da Bodoque Artes e Ofícios. Atua como Editor-Chefe da Revista Trama e Diretor do Museu de Artes e Ofícios Bodoque.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
</div></div>
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		<title>[Entrelinhas] Conhecendo negritudes com &#8216;Negro da Semana&#8217;</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/05/entrelinhas-negro-da-semana/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 23:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrelinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[União Civil entre Homossexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/05/entrelinhas-negro-da-semana/">[Entrelinhas] Conhecendo negritudes com ‘Negro da Semana’</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>2020 foi um ano marcado por protestos antirracistas. Frente às brutalidades sofridas pela população negra, milhares de pessoas tomaram as ruas de diversas cidades, e a pauta se fez ouvir cada vez mais. Historicamente, o movimento Black Lives Matter é, talvez, o mais noticiado da luta antirracista contemporânea, e contou inclusive com o pronunciamento de pessoas brancas na internet. Mas&#8230; para além de postar #blacklivesmatter no seu Instagram, o que você fez para combater o racismo? Ou, melhor, para não contribuir com o fortalecimento das estruturas racistas da nossa sociedade?</p>



<p>O Alê Garcia, homem negro de Porto Alegre, criou (em 2019) o podcast ‘<a href="https://open.spotify.com/show/2hbA2MW8gcag4Cci4iKVMK?si=bYRlQ7N9REGZBExCcpr3VA">Negro da Semana</a>’. Eu, Carol Cadinelli, mulher branca de Juiz de Fora, comecei (em 2020) a ouvir o podcast do Alê, depois de refletir sobre a quantidade diminuta de referências negras na minha vida (sintoma do #blacklivesmatter, sim). Ao final deste fatídico ano pandêmico, Alê Garcia já era considerado um dos 20 creators negros mais inovadores pela <a href="https://forbes.com.br/forbes-insider/especial-inovadores-negros/2020/09/especial-inovadores-negros-20-creators-que-tem-muito-a-dizer/">Revista Forbes</a>; e eu, por minha vez, terminei o ano um pouco mais consciente sobre os milhares de referências incríveis das quais fui privada durante meus 24 anos enquanto branca vivendo em uma sociedade sistematicamente racista. E mais do que recomendar um podcast, quero recomendar aqui essa criação de consciência.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="534" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=950%2C534&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13054" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?w=982&amp;ssl=1 982w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Através do calmo tom de voz de Alê Garcia (reproduzido em 1.5, me desculpe), eu tive a oportunidade de conhecer nomes grandiosos, os quais nunca tinha ouvido: <a href="https://open.spotify.com/episode/3b1Yu2KwMjdypMdAIRL8JB?si=371EljruTiuBiLSdgumHPQ">Bill Withers</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/3KcD9Cvm44hjhVWhTaJoeQ?si=NA17v_GtRW2jLJI4pOGImQ">Zadie Smith</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/6CVePpeELqmTsdRduilIVG?si=7SaI9exaQ2i1B3rNNbz1Ag">Sabotage</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/50iyMJRIyGEjwkSw8sAmK2?si=ptFPAI_TR_GWmktna2v2tw">Sister Rosetta Tharpe</a>. Tive, também, a oportunidade de ouvir representantes da cultura brasileira e da cultura negra &#8211; tal como <a href="https://open.spotify.com/episode/3CGSmvF02uWhUztPX5eorb?si=J95-L06JTkqpnNlZ3AVkJA">Larissa Luz</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/2qVdlDIJNKj0PSwMVhnLDh?si=G-Q5jVz_QmO02YXAoGslRQ">Mc Rebecca</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/6q9Qxb35QUQ8wRKZII5pZm?si=O17QwahTSreZ5ZC2s7McJw">Rincon Sapiência</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/5O6G8GATa8COnNEtW7eAIY?si=KgQvajyYRlmE3729t60yCA">Sandra de Sá</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/4KVngLtk1FuLueZ2vxt2Na?si=q3XfIVGiTYilYQQiYBvjuw">Jair Oliveira</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/4KVngLtk1FuLueZ2vxt2Na?si=q3XfIVGiTYilYQQiYBvjuw">Antônio Pitanga</a> e o célebre <a href="https://open.spotify.com/episode/1VbpZClWArPYw4nks2QnbX?si=QeNeb-sUSeCc58-tPn2ZNg">Gil</a> &#8211; opinarem sobre assuntos que lhe são caros, realmente caros, como seus processos artísticos e criativos, suas vivências em família, suas trajetórias pessoais e profissionais.</p>



<p>Em ‘Negro da Semana’, o protagonista não é o racismo; mas a individualidade e a trajetória de cada um de seus personagens. Sem negar a influência da discriminação na vida de cada um, Alê faz a transformação discursiva do “artista negro” em simplesmente “artista”; do “negro” em “humano”. E, cá entre nós, humanizar é, sem dúvidas, a principal ferramenta contra o preconceito.<br></p>



<p>Ouça o podcast &#8216;Negro da Semana&#8217; no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Negro da Semana" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/show/2hbA2MW8gcag4Cci4iKVMK?si=kdrl3O4qSoGcQJowffm34g&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>Editorial &#8211; Por que lutamos?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/29/editorial-por-que-lutamos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[luta]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/29/editorial-por-que-lutamos/">Editorial – Por que lutamos?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Definitivamente 2020 não foi um ano fácil. Muito embora ainda estejamos a pouco mais de um mês de seu fim, podemos imaginar que, em linhas gerais, não há horizonte otimista pela frente.</p>



<p>Em todo o mundo, vimos a maior crise sanitária dos últimos 100 anos devastar o empilhamento de convenções que lutamos para manter de pé. O cenário político que a pandemia encontrou, também não era o mais favorável. Após o fenômeno de ascensão de líderes de extrema-direita em inúmeros países, (entre eles o Brasil), o andamento da consolidação dessas estruturas políticas nefastas valida diariamente discursos de ódio contra minorias, modos de viver e pensar a vida, além de implementar uma retórica beligerante contra artistas e trabalhadores da cultura, tendo como mote o argumento da existência de uma guerra cultural, na qual lutamos sem ter escolha. Essa mesma retórica implementou a política da &#8220;vista grossa&#8221; para grandes latifundiários, grileiros e fomentadores do agro pop brasileiro, sendo responsável pela destruição de grande parte de nossas florestas e ricos biomas que lutamos por décadas para preservar. Outro fenômeno que ganhou força foi a banalização da violência, que, além de caracterizar homens e mulheres negras como grupo de risco, em seu cotidiano, desde o seu nascimento, ganhou força na omissão de figuras públicas em ataques e mortes que acontecem à olhos vistos, os quais lutamos tanto para evitar que ocorressem. Essa mesma banalização garante que povos indígenas tenham suas terras invadidas e suas existências minimizadas em prol de uma ideia de progresso que fomenta arquétipos que o mundo moderno lutou tanto para superar. Como podemos perceber, cada trajetória encontra seus próprios motivos para lutar, mas nem toda luta vale a pena. Cada batalha que pretende impor a sobreposição de uma cultura por outra através da violência não faz sentido em si. Cada vitória de quem luta pra oprimir tradições culturais que não fazem parte do escopo de sua base ideológica é, na verdade, uma derrota para o aprofundamento de nossa humanidade. Quem luta contra, poucas vezes percebe aquilo que realmente está a favor.</p>



<p>E por aqui, seguimos lutando, certos de que toda luta a favor da diversidade&nbsp; da pluralidade de maneiras de exercer a vida, do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas para mudança de olhares e transformação integral dos sujeitos, são lutas que sustentam o propósito de uma existência mais humanizada, digna e solidária.</p>



<p>A Equipe da Trama agradece cada autor que enviou a sua contribuição nesse ano de muitas lutas, pois graças a vocês, conquistamos muitas vitórias. Também somos gratos a cada leitor, para o qual dedicamos nosso esforço criativo. Estamos prontos para 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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		<title>Cinética-Silêncio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 072]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[União Civil entre Homossexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>São uma da manhã de uma quarta-feira. Quinta-feira. Eu me permiti uma taça de vinho que se tornaram seis (aqui eu troquei esse número algumas vezes por não ter certeza, mas talvez tenham sido mais. A garrafa estava pra cima da metade e não acabou, mas é que a gente aqui toma fundinho de taça). Eu cozinhei pra mim. Vi o piloto de uma série enquanto jantava, e revi enquanto recolhia as coisas porque achei que não tinha apreendido o suficiente. Em algum momento do meu estado ébrio, me percebi dançando no meio da cozinha. Um riff na cabeça, de uma das músicas que tocam no episódio. Trinta segundos repetidos vinte vezes, foram dez minutos rodando distraída com os meus pensamentos.</p>



<p>Eu me orgulho de ter uma memória impecável, e tendo a me gabar disso pras pessoas no meu entorno. Durante os dez minutos rodopiando na cozinha, apesar de sozinha, eu não estava realmente só, e foi no momento que percebi a solidão é que realmente saí do devaneio. Sabe, ter uma memória impecável é excelente, mas atiça saudades que às vezes a gente até esquece que tinha.&nbsp;</p>



<p>A data era vinte e oito de janeiro, dois anos atrás, pleno pré-carnaval. Foi a primeira vez na vida que eu dancei sem música. Eu, que canto desde que me entendo por gente, sempre botei som nos meus passos, e quando você me pegou pela mão naquele dia, confesso que me falhou o ritmo. Já tínhamos dançado antes, exatos vinte e oito dias antes, mas naquela vez tinha sido provocação minha. “Cajuína”, a música, escolha tua. Dessa vez, porém, só tinha chuva. E a gente debaixo dela. Um burburinho das pessoas que se escondiam por debaixo das poucas barracas espalhadas pela praça, o teu braço em torno da minha cintura e eu sem saber muito o que fazer. Eu sempre fui desafiante, apesar de me render fácil. Sempre confiei na música, no ritmo, na melodia, e não na pessoa que dançava comigo.</p>



<p>Pois bem, desta vez, nada de música. Nem um murmúrio sequer. Apenas a pressão do teu corpo contra o meu e a energia cinética que vinha dessa união. De alguma forma, a rádio que tocava em cada cabeça era a mesma. Nossa segunda dança foi orgânica e silenciosa, como flor que brota. Demos início a uma tradição, ali, que perdurou por muitos meses, até a sua partida.</p>



<p>Hoje, em minha embriaguez, fui levada de volta às nossas danças silenciosas. Em meio a tanto ruído entre nós nos últimos tempos, não tivemos oportunidade de fazer isso de novo. De toda forma, tenho na memória a sensação de estar nos teus braços, de te ter nos meus braços, e de confiarmos no universo guiando nossos passos. Por vezes, eles acabavam em tombos ou trombadas em móveis, mas mesmo assim, era divertido. Tudo era divertido. E que bom que tem voltado a ser.</p>



<p class="has-text-align-right"><br><em>5 de Junho de 2018</em><br></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Estupro é papo de homem também</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Caso Mariana Ferrer]]></category>
		<category><![CDATA[Caso Robinho]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura do Estupro]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Teve grande repercussão negativa quando, em outubro passado, o Santos Futebol Clube<br>anunciou a contratação de Robinho &#8211; pois o atleta é condenado a nove anos de prisão na Itália, em primeira instância, pelo crime de estupro. Ele participou de violência sexual em grupo contra uma jovem albanesa. A condenação é de novembro de 2017, e o crime foi cometido em 2013.</p>



<p>O episódio revelou a cultura que ignora este problema gravíssimo e a tentativa de<br>silenciamento do crime, minimizando os fatos e “passando panos” ao agressor. A contratação do estuprador só foi suspensa (e não cancelada) por causa da pressão econômica dos patrocinadores do clube. Se não fosse a ameaça de perder os contratos (dinheiro) nada teria acontecido.</p>



<p>Ainda mais estarrecedor foi um episódio na sequência: o julgamento de André de Camargo Aranha, empresário que estuprou a influencer Mariana Ferrer. A recente divulgação da audiência judicial choca pela violência do advogado do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, que atacou a vítima e baseou sua linha de defesa do seu cliente em clichês de sexismo rudimentar.</p>



<p>Dada a repercussão negativa, a Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina (OAB/SC) abriu um procedimento para investigar a conduta do advogado. O que mais impressiona no caso é que se trata de uma mulher branca, em um caso de amplo conhecimento nacional, com evidências abundantes do crime cometido, e o resultado da primeira instância se baseia na absurda ideia de um “estupro culposo” para desqualificar o fato.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>E porque raios um homem está escrevendo sobre isso?</strong></h4>



<p>Eu não escrevo em nome de ninguém e, mais especificamente, eu não escrevo em nome das mulheres. Até mesmo porque elas já se organizam nessa luta de muitos modos há bastante tempo. Não serei tolo de tentar ocupar essa perspectiva. Eu escrevo junto com as mulheres, maiores vítimas do estupro. Estou convencido de que a discussão do tema deve acontecer por todas as pessoas de todos os gêneros. Estou mesmo convencido de que é fundamental que os homens participem ativamente das reflexões sobre violência sexual, não apenas na repressão e na punição, mas principalmente na educação para um novo paradigma da sexualidade.</p>



<p>Estou convencido de que são valores universais que nos provocam as percepções de<br>injustiças, que nos causam indignação e a raiva justa. Estou me referindo a valores defendidos por sistemas éticos de todos os tempos e culturas, em particular, a regra de ouro: cada um deve tratar os outros como gostaria que ele próprio fosse tratado. O respeito é denominador comum nos modelos de valores universais e, ao meu ver, deve ser a base de argumentação para que possamos promover a educação sexual das pessoas e enfrentar o machismo que reina na agressiva formação da sexualidade masculina.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Estatísticas</strong></h4>



<p>Os casos descritos na introdução ganharam notoriedade por envolver gente famosa; porém, o crime do estupro rasga a sociedade, passando por todas as classes sociais, e faz parte de uma rotina violenta de agressões. Vejamos um resumo dos dados segundo o 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro de 2019 [Fonte: FBSP &#8211; Fórum Brasileiro de Segurança Pública]:</p>



<ul><li>Média de 180 estupros a cada dia.</li><li>Considerando a subnotificação (apenas de 10% a 15% dos casos são reportados), estima-se que ocorram entre 300 mil e 500 mil estupros a cada ano.</li><li>A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos.</li><li>De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens.</li><li>A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras.</li></ul>



<p>O perfil do agressor é de uma pessoa muito próxima da vítima, muitas vezes seu familiar, como pai, avô e padrasto. Isso reforça a importância da educação sexual para as crianças<br>aprenderem a identificar e reagir às tentativas de abuso. Ressalta também a importância de ampliar e melhorar a rede de proteção às vítimas, em serviços tais como: Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, Casa da Mulher, dentre outros.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que é estupro?</strong></h4>



<p>Segundo o Código Penal Brasileiro, artigo 213:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a<br>praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.</em></p>



<p>Além disso, existem os crimes correlatos de importunação sexual, assédio sexual, exposição da intimidade sexual e crimes sexuais contra vulnerável.</p>



<p>A palavra chave é <strong><em>consentimento</em></strong>. Toda vez que alguém praticar algum ato sexual sem o consentimento do outro, trata-se de estupro. Vamos reforçar o entendimento com exemplos práticos:</p>



<ul><li>Se a mulher está dormindo e o homem faz sexo com ela, é estupro;</li><li>Se a mulher está sóbria, no princípio quer fazer sexo, mas depois não quer mais e o homem força a continuidade, é estupro;</li><li>Se a mulher não quer fazer sexo mas o homem a força a praticar, porque deve ser “charminho” dela, é estupro;</li><li>Se a mulher está inconsciente, bêbada ou drogada, e o homem faz sexo com ela, é estupro.</li></ul>



<p>Não serve como justificativa para o abuso dizer que é esposa/namorada, ou que foi “apenas” sexo oral ou masturbação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Qual é a causa do estupro?</strong></h4>



<p>O estuprador. Ele e somente ele é o responsável, que usa de seu livre arbítrio para praticar a violência. O sujeito escolhe atacar alguém vulnerável. De acordo com pesquisa Datafolha (2016) encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), ficou evidenciado que a sociedade brasileira responsabiliza a mulher por atos de violência sexual. Mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro.</p>



<p>Esse descompasso entre crime e responsável no caso do estupro revela um malabarismo argumentativo para tentar justificar o porque tal mulher é vítima do estupro. As desculpas mais comuns se referem à vestimenta da mulher, ao seu comportamento “inadequado e provocativo”, ao fato de andar sozinha em tal lugar a tal hora, dentre outras. Os crimes s acumulam em tal volume que desmontam rapidamente essas falas, mostrando que servem apenas como tentativas de se livrar das responsabilidades, numa cultura de proteção ao macho violador. </p>



<p>A relativização do estupro é a tática mais usada para tentar impor à vítima a culpa do que ela mesma sofreu. Então, ficamos sabendo de mulheres estupradas dentro de hospitais, muitas inconscientes, em ambulâncias, de meninas violentadas em tenra idade, de idosas indefesas… os casos se acumulam numa variedade tão grande que escancaram a mentira das justificativas elencadas. O estuprador é o único responsável pelo estupro e se aproveita das circunstâncias para cometer o delito.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Cultura do estupro</strong></h4>



<p>Esse termo foi criado por feministas americanas na década de 1970 para expressar mais<br>propriamente um conjunto de crenças e comportamentos no qual o estupro e a violência contra a mulher são normalizados na cultura popular e também na mídia. São variados os modos de sua divulgação e continuidade:</p>



<ul><li>objetificação sexual da mulher, especialmente na propaganda;</li><li>piadas sexistas que menosprezam a capacidade intelectual da mulher (vide o famoso clichê da loira burra);</li><li>omissão e naturalização nos casos de agressão doméstica, afinal “em briga de marido e mulher não se mete a colher”;</li><li>classificação das mulheres segundo seu comportamento sexual em “vagabunda” ou “pra casar”;</li><li>o antigo ditado popular “segurem suas cabras que meu bode está solto”.</li></ul>



<p>Dentre outros tantos exemplos possíveis. Tudo convergindo para que a sociedade culpe a vítima de violência sexual e normalize o comportamento violento do homem.</p>



<p>Estou convencido de que esse quadro cultural destaca a urgência dos trabalhos coletivos de educação e reflexão, das conversas mediadas, da persuasão e do exercício da escuta, que busquem transformar concepções de gênero, partindo da realidade das pessoas, sabendo se comunicar com elas e com a formação que receberam. Há muito o que se fazer para compreendermos o que é ser/estar homem ou mulher (ou intersexual, e isso pede um texto a parte) em dado contexto. É preciso uma educação crítica para observar as influências socioculturais que agem sobre nós e o impacto do patriarcado, que historicamente coloca os homens em posição de poder e com privilégios sobre as mulheres.</p>



<p>Os atendimentos prestados nas instâncias da saúde e do judiciário constituem outra faceta da questão a ser analisada. Abundam os relatos de julgamento moral e humilhação das mulheres que precisam de tais serviços especializados quando diante das agressões sexuais, o que se configura em revitimização e desestímulo para busca de justiça. Em muitos casos, acontece uma dificuldade adicional nesses procedimentos legais para reunir evidências materiais comprobantes de que não houve consentimento em relação ao ato sexual.</p>



<p>Estes locais perpetuam as práticas de violência ao invés de serem protetivos e acolhedores, conforme idealizados, não raro são ambientes que deslegitimam e desrespeitam quem vai fazer alguma denúncia. O cuidado deve ser a tônica ao lidar com vítima, validando sua dor e seu sofrimento, o que implica em (re)pensar as formas de acompanhamento dessas mulheres em situação de violência.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O papel da educação</strong></h4>



<p>Retornando à pesquisa Datafolha (2016), foi constatado que 91% dos entrevistados<br>concordaram com a afirmação de que “temos que ensinar meninos a não estuprar”. Mais do que leis, punições e medidas paliativas, como por exemplo, a separação de mulheres e homens nos transportes públicos, é necessário compreender que educação tem papel central no processo de desconstrução da cultura do estupro.</p>



<p>O silenciamento e a culpabilização das vítimas são alguns dos principais artifícios da cultura do estupro. Vale reforçar que a vítima de estupro nunca é a culpada; independentemente de seu comportamento e da sua aparência, nada pode justificar tal violência. Esse entendimento precisa ser inculcado desde cedo nas crianças, pois à educação compete também (re)construir concepções e práticas. Esse processo é extensivo aos adultos, ainda que a tarefa seja mais difícil pela consolidação da personalidade; contudo, existem várias iniciativas que trabalham nesse público. Têm surgido rodas de conversas entre homens a discutir a própria masculinidade em várias cidades. É um exemplo de como podemos fazer mobilizações coletivas ajudando-nos mutuamente.</p>



<p>Não é simples e nem costuma ser rápido desenraizar hábitos e crenças. As emoções e os<br>valores das criaturas são colocadas à prova. Precisamos costurar mais ambientes para<br>conversar informalmente, livremente, sem “lacrações” que apenas servem para aplausos de pessoas que pensam de modo semelhante, sem qualquer resultado prático. Não precisamos de “esquerdo-machos”, nem inventar um discurso elaborado, com jargões acadêmicos, mas sem efetiva reflexão no cotidiano das relações. Somos homens históricos, com limites e possibilidades de crescimento. Embora tenhamos recebido uma educação, pela sociedade como um todo, que incentiva a masculinidade agressiva, podemos repensar essa herança, sem culpas nem fingimentos, e gradativamente nos transformarmos em homens melhores.</p>



<p>O estupro não é prova de macheza. Estuprar não é da natureza do sexo masculino. Eu estou convencido de que podemos trabalhar nossas fragilidades sem nos escondermos em afirmações agressivas ou comportamentos violentos em busca de validação externa, da turma de amigos ou do trabalho. Homens são pessoas. O óbvio precisa ser dito. Temos emoções fraquejamos em vários momentos da vida, sentimos medo e insegurança. São aspectos típicos de um ser humano. Entender e reforçar essa visão pode surtir como efeito um modo viver segundo a orientação ética básica, tratando as mulheres de modo respeitoso e civilizado.</p>



<p>As relações de gênero são temas transversais a serem discutidos nas escolas, nos centros religiosos, nas mesas de debate, enfim, em todo lugar, para que possamos promover mudança da cultura do estupro para um paradigma pautado na relação de igualdade de direitos sociais entre mulheres e homens.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9fb03-gabriel_png.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10484" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gabriel Garcia </strong></strong>é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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		<title>Editorial &#8211; O Papa e os Gays</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 068]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[União Civil entre Homossexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="has-text-align-center"><em>“As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso&#8221;</em><br>Papa Francisco</p>



<p class="has-text-align-left">O Papa disse o óbvio. Mas que bom que disse.</p>



<p>Não é a primeira vez que o Papa Francisco se pronuncia em relação ao acolhimento da comunidade LGBT+ dentro da religião católica e a favor da legalização da união civil entre casais homoafetivos.  Logo que Francisco foi eleito Papa, esse tópico foi amplamente discutido &#8211; aparentemente, da mesma forma que vem acontecendo hoje, sete anos depois. A população continua batendo cabeça sobre deixar ou não &#8220;o gay&#8221; casar.</p>



<p>Enquanto Pontífice Máximo de uma Igreja cujos dogmas moldaram as bases da dinâmica social que vivemos hoje (incluindo a maior parte das opressões, entre elas a de gênero e sexualidade), Francisco se mostra aberto e cristão, efetivamente. Prega o respeito às diferenças e, ainda que não faça movimento de reforma dogmática dentro da Igreja, incentiva o acolhimento do que ele mesmo chama de &#8220;desviante&#8221;.  Considerando que, para além de Papa, Francisco é um homem idoso e fervorosamente católico (seu posto que o diga), há de se reconhecer que ele está muito melhor que a maioria de seus pares; e, honestamente, sou da opinião de que não cabe a ele, que acredita piamente na palavra de Deus na Bíblia, apoiar o casamento homoafetivo. O movimento que ele inicia ao apoiar a união civil e ao se pronunciar, de forma tão clara, que os LGBT+ não devem ser privados de uma família e que devem ser respeitados e acolhidos, já é de uma magnitude imensurável.</p>



<p>Não, eu não estou passando pano para o Papa &#8211; até porque, convenhamos, não haveria necessidade de se escrever o presente artigo caso fosse esse o propósito; a questão aqui é que, se ele discordasse tão veementemente dos dogmas de sua Igreja, ele não seria Papa. E a Bíblia, sim, restringe o conceito de &#8216;casamento&#8217; para casais compostos por um homem e uma mulher; então, é compreensível que o Pontífice não toque na palavra &#8216;casamento&#8217; jamais ao tratar dos direitos dos LGBT+. </p>



<p>Tirando o Papa da reta: há de se convir que o termo &#8220;casamento&#8221; já foi apropriado pelo meio social há tempos &#8211;  tendo ele se tornado mais uma questão de contrato social do que efetivamente de religiosidade e crença numa validação por parte de Deus; vide o fato de que pessoas não-cristãs também se casam.  Dá para entender quando Francisco diz que o &#8216;casamento&#8217; é uma instituição feita para casais heterossexuais; mas será que dá para entender quando a sociedade civil assume esse discurso para si? Será que é aceitável que o casamento civil, o casamento-contrato, seja restringido aos casais heterossexuais, uma vez que a declaração de união civil não garante os mesmos direitos civis que um contrato de casamento?</p>



<p>Não. Não dá para entender. Não é aceitável. E Francisco, em sua fala (ainda que sem tocar no termo &#8216;casamento&#8217;), deixa isso claro. Nós temos direito a ser família. A constituir família. A ter família. E as nossas famílias devem ser reconhecidas e respeitadas, independente da crença de quem olha. Ora, se o representante máximo da cristandade, o responsável pela manutenção da lei divina na Terra, é capaz de fazê-lo, você, cristão, também é. </p>



<p>O Papa disse o óbvio. E que bom que disse. Enquanto exemplo supremo da cristandade, Francisco se mostra cristão perante o sofrimento daqueles que lutam por sua dignidade. E que o óbvio possa se tornar óbvio para todos os cristãos por aí.</p>



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<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>Editorial &#8211; Ninguém aguenta mais falar de Coronavírus</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/editorial-ninguem-aguenta-mais-falar-de-coronavirus/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 065]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-left">Falar ou não falar sobre o Coronavírus: eis a questão.</p>



<p>Bem, a pandemia não é notícia nova. Para mim, já são seis meses e meio de quarentena-na-medida-do-possível &#8211; que, no meu caso, é bem mais que o possível para a maioria da população; para uma galera, já são bem mais.</p>



<p>As notícias sobre vacinas, discussões sobre tratamentos possíveis, informações sobre medidas políticas e individuais para a prevenção de contágio, essas também já não são novidade; mesmo as notícias novas, sobre avanços no desenvolvimento das vacinas, já chegam velhas aos nossos ouvidos. Tudo parece igual, e parece que nunca vai acabar &#8211; ou que já acabou.</p>



<p>Pois bem. Ainda não acabou, não, essa tal de quarentena. A gente ainda deveria estar em casa tanto quanto possível; usando máscara nas poucas vezes que sai; passando álcool gel nas mãos, e higienizando tudo que é superfície; mantendo distância. Mas em vários lugares, é como se tivesse acabado. </p>



<p>Vou contar dos locais em que vivo: </p>



<p>Em Juiz de Fora, os bares já estão abertos; e vocês não imaginam a minha surpresa no sábado passado, ao finalmente levar minha cachorra pra passear na pracinha (depois de muito relutar) &#8211; eu toda cheia de dedos, máscara e distanciamento -, vendo o nível de lotação das mesas do tradicional Bar du Leo. Depois da surpresa, veio a inveja de quem estava ali, tomando uma geladinha, comendo o melhor pastel da cidade, com tranquilidade. Em outros contextos, vejo os amigos falando de tomar uma caip ali no Rise, como costumávamos fazer todas as quintas-feiras. Tudo bem que ninguém aguenta mais ficar presa (eu inclusa) e que os bares estão tomando suas medidas de segurança. Mas queria, eu, me sentir segura pra essas coisas. </p>



<p>Em Guarulhos, o forró no Bar do Vandeko embalava as minhas noites em casa de quarta a domingo. Ir ao supermercado demandava uso de máscara; mas só, também. De resto, todo mundo de cara livre &#8211; o que me faz questionar como a minha sogra anda conseguindo vender as tantas máscaras que produz. As conduções para e de São Paulo, cheias. As tabacarias do Alvorada, cheias também. </p>



<p>A questão é que, independente do que as pessoas andam fazendo, as notícias permanecem as mesmas: &#8216;Brasil chega a 5 milhões de casos do COVID&#8217;; &#8216;Já são quase 150 mil mortes por Coronavírus no Brasil&#8217;; &#8216;Ministério da Saúde permanece sem ministro&#8217;; &#8216;A vacina inglesa continua em fase de testes&#8217;; &#8216;Tratamentos experimentais continuam sendo aplicados em pacientes com Coronavírus&#8217;. Na verdade, existem umas diferenças dessas manchetes que eu tirei de trás da minha orelha para as manchetes reais: elas continuam chamando o COVID de &#8220;Novo Coronavírus&#8221;. Mas novo pra quem, gente? Já estamos em outubro, e embarcadas nessa onda desde fevereiro. Presas em casa desde março. A gente não aguenta mais falar de COVID. </p>



<p>Mas se não falamos, estamos sendo omissas. Se não falamos, é como se tivesse acabado, e todos pudéssemos retomar nossas rotinas pré-pandêmicas &#8211; o que já vem ocorrendo na maioria dos locais, para preocupação daqueles que ainda buscam se proteger, proteger aos seus, e das autoridades de saúde em geral [não vamos entrar aqui nos específicos relacionados às opiniões de vocês-sabem-quem].</p>



<p>Tenho motivos para acreditar que o desejo mais honesto da maioria de nós, jornalistas, nesse momento, é poder não falar nunca mais sobre o Coronavírus. Mas enquanto jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de ficarmos omissas diante de uma situação que coloca em risco as vidas de milhões de pessoas &#8211; ainda que ninguém mais aguente falar disso, inclusive nós. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Editorial &#8211; Tão LGBT quanto você</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/27/tao-lgbt-quanto-voce/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size">&#8220;Nós estamos cansados de sermos analisados, definidos e representados por outras pessoas que não somos nós mesmos, ou ainda pior, não considerados de todo. Nós estamos frustrados com a imposição do isolamento e a invisibilidade vindas da expectativa de anunciar ou escolher uma identidade homossexual ou heterossexual.&#8221;</p>



<p>O presente editorial poderia simplesmente ser o <a href="https://medium.com/@avaadore/manifesto-bissexual-449500cd3bf">Manifesto Bissexual</a> de 1990 copiado e colado. Ele diz tudo o que ainda hoje, trinta anos depois, nós bissexuais continuamos a sentir e experimentar em nossas relações com indivíduos e grupos sociais das comunidades não-bi; gays e lésbicas, nós também estamos falando com vocês &#8211; e, talvez, principalmente com vocês.</p>



<p>Nós estamos cansadas. E estamos irritadas. </p>



<p>E também estamos bem certas do que queremos, de quem desejamos, de quem amamos. A maioria de nós não está &#8220;passando por uma fase&#8221;, e, nesse momento, é completamente irrelevante saber quais de nós estão; porque todas nós somos bissexuais agora, e precisamos ser vistas agora. Precisamos ser reconhecidas agora.<br><br>Estamos bem certas de nossas práticas românticas e sexuais, com a individualidade de cada bissexual resguardada. Pois nem todas nós somos poligâmicas. Nem todas nós somos &#8220;pegadoras&#8221; ou promíscuas. Nem todas nós somos infiéis aos compromissos que assumimos &#8211; e, não, nós não temos &#8220;o dobro de chances&#8221; de trair um compromisso.</p>



<p>Estamos bem certas de que não há qualquer privilégio, frente às vivências das outras letras, em ser bissexual. Nós sofremos a mesma LGBTfobia que você, gay, que você, lésbica; ninguém para pra nos perguntar se somos bissexuais antes de nos agredir. E a passabilidade hétero, sobre a qual tanto se fala, também não é um privilégio; sermos validados apenas de acordo com a pessoa que nos acompanha é uma violência, independente de sua origem. </p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Bissexualidade é um todo, identidade fluída. Não assuma que a bissexualidade é naturalmente binária ou poligâmica: que nós temos “dois” lados ou que nós precisamos estar envolvidos simultaneamente com dois gêneros para sermos seres humanos completos. De fato, não assuma que existem apenas dois gêneros. Não interprete nossa fluidez como confusão, irresponsabilidade, ou inabilidade de assumir compromisso. Não equipare promiscuidade, infidelidade, ou comportamento sexual inseguro com bissexualidade. Esses são comportamentos humanos que atravessam todas as orientações sexuais. Nada deve ser presumido sobre a sexualidade de ninguém, incluindo a sua.</em></p>



<p>Nós estamos cansadas de ter de dizer o óbvio, que só não é óbvio para todo mundo pelo não lugar nos quais vocês nos colocam. Nós estamos cansadas de sermos vistas como a eterna negativa: o não-gay; a não-lésbica; o não-hétero. O meio-a-meio. E estamos cansadas porque isso não é o que nos constitui. </p>



<p>Em nós, nós somos completas. Somos bissexuais, independente de  quem amamos, ou de se não amamos ninguém; independente de se já beijamos garotas, garotos, ou pessoas de quaisquer outros gêneros. Somos bissexuais independente de termos desejos sexuais. Somos bissexuais independente de sermos mulheres, homens ou não-binaries, independente de sermos trans ou cis. <strong>O que nos torna bissexuais é, e apenas é, a atração que sentimos por outras pessoas de quaisquer gêneros, seja essa atração romântica, sexual, ou ambos. Nada mais.</strong></p>



<p>Nós estamos irritadas por ver que bissexuais que estão descobrindo sua sexualidade ainda se sentem aberrações ao se depararem apenas com a representação de pessoas heterossexuais ou homossexuais. Já é um processo doloroso se perceber enquanto desviante em uma sociedade; e se torna mais difícil quando nem o desviante te contempla. Para mim, foram dois anos sentindo isso na pele; pra muita gente, é bem mais tempo e saúde mental que se esvai. </p>



<p>Também estamos irritadas por não sermos ouvidas com equidade, tanto quanto todas as outras letras do LGBT+. Ora, nós existimos há muito tempo. A bissexualidade foi a primeira expressão sexual reconhecida pela psicologia; não é por nada que o nosso dia coincide com a data de morte de Freud. Nosso manifesto completa trinta anos em 2020. Após décadas e décadas sendo mais um no S do GLS de vocês, são doze anos de B ali, na sigla. E ainda assim, nossas vozes se perdem nos espaços que deveriam ser de todas nós.</p>



<p>Nós estamos cansadas de lutarmos pelas nossas pautas e, ao fim e ao cabo, nos tornarmos o &#8220;e bissexuais&#8221; das pautas de vocês, lésbicas e gays. Ainda que tenhamos nossas lutas em comum, nós não somos as mesmas. Estamos cansadas de sermos coadjuvantes das nossas próprias lutas. E precisamos de vocês para mudarmos isso.</p>



<p>Ouçam o que nós temos a dizer. Não permitam que nos leiam como outra coisa que não o que somos. Não nos afastem por sermos diferentes. Não tenham medo de se relacionar conosco. Corrijam os seus amigos que perpetuam noções estereotipadas. Corrijam aqueles que apontam um de nós como lésbica, gay, hétero. Deem força às nossas manifestações, em vez de absorvê-las dentro das suas. Lembrem-se do nosso dia.</p>



<p>Eu tatuei a bandeira bissexual no lado esquerdo do peito. Literalmente.</p>



<p>Às bissexuais que me leem, recomendo que façam o mesmo &#8211; ainda que não de forma literal. Estejam no mundo como bissexuais, na medida do que a sua realidade permitir. Abracem a sua bissexualidade como se ela fosse o unicórnio que todas as comunidades não-bi acham que somos. </p>



<p>Nós somos, nós estamos e nós permaneceremos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Narrativas políticas e arquétipos do cristianismo: uma reflexão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Qual a distância que&nbsp;nos&nbsp;separa&nbsp;do&nbsp;que dizemos? Ou melhor: o que de fato precisamos fazer para&nbsp;<strong>alinhar nosso discurso à nossa ação</strong>?</p>



<p>Analisando a ascensão de correntes ideológicas que fundamentam os discursos da extrema direita no Brasil e no mundo,&nbsp; vemos diuturnamente a elevação da Fé e da moral judaico-cristã  <strong>capitalizada por interesses políticos</strong>. Ou pelo menos alguns elementos identitários destes grupos, melhor dizendo. </p>



<p>É claro que esse não é um fenômeno inédito na história da humanidade. Entretanto, ao buscarmos a compreensão da tradição cultural do cristianismo no contexto atual e sua constante necessidade de reinvenção e adaptação às transformações sociais, por exemplo, percebemos que o discurso capitalizado politicamente<strong> diverge do que seria a prática cristã segundo Cristo</strong>.&nbsp; Podemos até arriscar afirmar que esse&nbsp;seja&nbsp;o&nbsp;ponto&nbsp;crucial da&nbsp;<em>praxis</em>&nbsp;Cristã na&nbsp;contemporaneidade: <strong>entender o papel e o impacto da fé cristã em um contexto em que se discute questões como o racismo, a LGBTfobia, o empoderamento das mulheres e contra o autoritarismo</strong>. Isso porque, ademais das orientações institucionais que fundamentam as bases teológicas das igrejas em suas infinitas denominações, <strong>não existe&nbsp;fórmula para coerência</strong> nesse sentido.&nbsp;Inclusive, tratando-se de ética e moralidade, não existe um&nbsp;caminho em linha reta, em uma perspectiva geral, que seja bem definido&nbsp;e que dê conta das mazelas das existências em sociedade. Aliás, nunca houve. Não podemos nos esquecer da contradição dos cristãos que atestam a legalidade das guerras, da dominação de territórios, do assassinato dos povos indígenas, da escravização de pessoas (sobretudo homens e mulheres negras), dos fascismos, do apartheid&#8230; enfim, acho que se houvesse algum tipo de manual de ética e moralidade alinhado às ações, alguém já o teria usado.</p>



<p>Tratando o aspecto cultural da tradição cristã inserida no contexto atual, precisamos, antes de mais nada, entender que faz parte do processo de cognição humana consolidar padrões de comportamento a partir de suas referências para construir opinião,&nbsp;ou tirar conclusões&nbsp;acerca de determinado&nbsp;assunto/experiência.&nbsp;<strong>Esse constante confronto entre a experiência diária da vida com vivências e conceitos já fixados é o que faz com que continuemos nosso incessante processo de aprendizado.</strong> Acontece que, muitas vezes, o assunto/experiência em questão&nbsp;<strong>jamais foi, em qualquer momento, objeto concreto de análise&nbsp;e/ou reflexão.</strong>&nbsp;Ainda assim, é&nbsp;bastante&nbsp;comum nos depararmos com indivíduos que se sentem extremamente capazes de discorrer opiniões e se&nbsp;posicionar sobre todo fato&nbsp;ou&nbsp;acontecimento&nbsp;que lhes chega à sua percepção.&nbsp;Aliás, é preciso ressaltar que, na era da internet,&nbsp;das&nbsp;mídias&nbsp;sociais&nbsp;e das <em>fake-news</em>, o que existe é uma&nbsp;<strong>necessidade&nbsp;desesperada&nbsp;de posicionar-se e emitir opiniões sobre assuntos que sequer fizeram ou fazem parte da vivência individual em algum momento da vida.</strong> </p>



<p>A parte boa dessa história&nbsp;é nos apercebermos <strong>completamente cercados pelo contraditório</strong>, pela experiência de <strong>ter que lidar com a complexidade das relações e&nbsp;dos infinitos modos&nbsp;de se entender a vida.</strong> Por esse motivo, a&nbsp;possibilidade de se perceber errado em relação a algo deveria ser o maior combustível para continuar a busca pela verdade na prática religiosa &#8211; neste caso, no cristianismo.&nbsp;A&nbsp;parte ruim é que o que vemos, em grande parte, são indivíduos destituídos de pensamento crítico, cujas reflexões se estendem,&nbsp;como alcance máximo<strong>,&nbsp;pela&nbsp;superfície</strong>&nbsp;de&nbsp;todas as coisas.</p>



<p>Em&nbsp;consequência&nbsp;disto,&nbsp;parece haver uma <strong>barreira intransponível ao redor dos elementos que compões a identidade cultural cristã média</strong>, que se caracteriza essencialmente por seus costumes, mas que se encontra, ao mesmo tempo, cercada de mistério e ausências. Estatisticamente, uma grande maioria zela por convicções e ideologias sem sequer conhecê-las em profundidade, ao mesmo tempo em que defende pontos de vista que <strong>se consolidaram na esfera dos costumes</strong> e que nada têm a ver especificamente com a jornada de desenvolvimento da espiritualidade cristã &#8211; aliás, muitas vezes vemos pessoas capazes de agir em direção contrária a&nbsp;ela, sempre acreditando estar coerente. Convicção que muito se assemelha à dos fariseus, diga-se de passagem. Em comparação com indivíduos realmente engajados em refletir acerca das nuances práticas do dia-a-dia cristão no mundo atual, é possível afirmar que alguns agem de maneira proposital, se valendo de elementos identitários que se consolidaram como tradição cultural no cristianismo para buscar a criação de uma imagem pessoal daquilo que contemplam como ideal (em termos de comportamento) sem jamais ter tido de fato a intenção de&nbsp;vir a ser. Ou seja, trabalhar&nbsp;na superfície da imagem social do que é ser cristão tradicionalmente, oferece os benefícios de se pertencer à esse grupo, sem o ônus de ter a preocupação&nbsp;de s<em>er</em> em profundidade.&nbsp;Ou seja,&nbsp;<strong>aparentar&nbsp;ser o que se propõe&nbsp;já é o suficiente neste caso.</strong> Parece um bom negócio se tratando de política, sobretudo em um país em que mais de 80% da população se autodeclara cristã.</p>



<p>Por&nbsp;outro lado, não podemos desconsiderar que há também quem se esforce para seguir o caminho de um cristianismo em Cristo e <strong>tropeça  diariamente na&nbsp;conversão&nbsp;do discurso para ação</strong>. Neste ponto, infelizmente, precisamos entender a limitação de ser e estar no mundo. A incompletude do ser, que leva milhões de pessoas a procurar o refúgio espiritual no cristianismo, ao encontrar&nbsp;a ideia de Cristo em suas potencialidades, encontra&nbsp;também o imenso abismo que reside&nbsp;na impossibilidade de ser como Ele &#8211;&nbsp;uma vez que, segundo a própria teologia Cristã, <strong>é&nbsp;impossível&nbsp;para o ser humano ser&nbsp;bom,&nbsp;justo ou fiel, pois&nbsp;esta parte de&nbsp;si foi deixada&nbsp;nos limites do Jardim do Éden, após a transgressão do pecado original.</strong>&nbsp;Na&nbsp;Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo, em belíssima reflexão, coloca que:&nbsp;<em>Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem&nbsp;está&nbsp;em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse&nbsp;pratico.</em>&nbsp;(Romanos 7:18-19)</p>



<p>Posto isto, o que fazer? Se o que é dito não condiz com o que se faz. Se, ao tentar fazer o que se fala, o fracasso é o resultado esperado. Como obter paz nessa busca e alinhar as ações de forma eloquente ao que é dito/pensado?</p>



<p>Tomás de&nbsp;Kémpis, pensador&nbsp;cristão que viveu entre os anos de 1380 e 1471, no livro<em>&nbsp;A Imitação de Cristo,</em>&nbsp;&nbsp;apresenta uma possível pista da trilha que pode levar ao caminho da coerência na prática religiosa, ademais de sua instrumentalização como discurso político e sua simplificação prática enquanto tradição cultural:&nbsp;<em>Toda a nossa paz, porém, nesta vida miserável, consiste mais na humilde resignação, que em não sentir as contrariedades. Quem melhor sabe sofrer maior paz terá. Esse é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu.&nbsp;</em></p>



<p>Nesse sentido, há a aparente necessidade de entender que a Fé é, em si, uma questão de&nbsp;<strong>intencionalidade&nbsp;</strong>e que, em sua essência, é preciso regar toda e qualquer semente que torne cada ação verdadeira na esfera da intenção; e é importante não cristalizar qualquer prática que seja forjada&nbsp;meramente em convicções ideológicas, tampouco em tradições institucionais empilhadas em convenções de grupos que acreditam que seus costumes são, de fato, a realidade da fé Cristã. O que precisa ser entendido é que a <strong>eloquência de cada ação, consiste justamente no esvaziamento dessas convicções</strong> para que a prática cristã seja erigida na certeza de que Cristo é quem aponta o caminho, e que qualquer variável externa a isso deve se submeter à um código de ética em constante processo de adaptação &#8211; revisado, naturalmente, pelo exemplo de Cristo para a fé cristã. </p>



<p>Desse modo, supondo que a exegese diária da prática cristã impulsionar essa busca, as narrativas que flertam  com a dominação pelo medo, adornadas por pautas de costumes que se valem de arquétipos culturais do cristianismo, podem começar a perder força, enquanto <strong>o indivíduo ganha autonomia em sua jornada espiritual e intelectual, </strong>podendo, finalmente, se tornar capaz de extrair coerência nas próprias ações dentro desse contexto. Sendo capaz de olhar pra si e para sua jornada espiritual identificando projetos de poder que distorcem a verdade de sua busca, além de compartilhar suas vivências artísticas e culturais dentro de um cenário complexo culturalmente e humanamente diversificado e plural.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p></p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p><p></p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Editorial &#8211; O ofício das Artes</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/05/editorial-o-oficio-das-artes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Bodoque artes e ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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<p class="has-drop-cap">Nessa semana a Bodoque iniciou as atividades do seu <strong><a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Museu de Artes e ofícios</a></strong> nas redes sociais. É certo que ainda não temos uma previsão concreta para a inauguração do espaço no meio virtual que disponha de um site robusto onde podemos começar a disponibilizar nosso acervo digital, mas, ainda assim, demos um importante passo.</p>



<p>Desde que iniciamos o processo de reposicionamento da marca, a Bodoque tem deixado de ser conhecida apenas como um atelier de encadernação e experimentações artísticas para dar lugar à uma imagem e atuação de Fundação Cultural, ou melhor dizendo, uma Instituição Cultural. Começamos com a Trama a 52 edições atrás, e já implementamos nossa estamparia, estúdio de design, produtora de conteúdo para o youtube &#8211; BodoqueTV e para plataformas de streaming em formato de podcasts e o Fundo Cultural Bodoque. Além disso, estamos caminhando para começar as atividades ainda esse ano da editora, da nossa escola de artes e ofícios e finalmente do Museu de Artes e ofícios Bodoque.</p>



<p>Todas essas novas atividades da Bodoque, na realidade, se configuram como a realização de antigos anseios individuais e coletivos, de pessoas que sempre enxergaram na arte e na cultura, valiosas ferramentas para mobilidade social e transformação de olhares e visões de mundo.</p>



<p>No caso do Museu, temos uma missão específica em questão: pesquisar, preservar e comunicar a memória dos ofícios artísticos e artesanais que se estabeleceram por meio da relação mestre e aprendiz na região da zona da mata, buscando traçar um itinerário de práticas, relações e linguagens com o objetivo de salvaguardar valores culturais presentes em tais ofícios para a promoção da dignidade humana, da universalidade do acesso, do respeito à diversidade cultural, da democratização de saberes artísticos, históricos e sociais presentes nessas práticas.  Isso porque o valor do trabalho se encontra presente em um processo que muitas vezes corre à revelia do olhar de quem adquire determinado objeto, bem ou serviço. Mais do que isso,<strong> o trabalho é um valor em si</strong>, cuja herança cultural demonstra a riqueza da trajetória de cada indivíduo pela vida, deixando, de certa forma, sua contribuição para a coletividade humana.</p>



<p>Por isso, ao buscar constituir um acervo expressivo, físico e digital, a partir da documentação de regitros audiovisuais dos atores sociais envolvidos em ofícios artísticos e artesanais na região da Zona da Mata pretendemos, através da preservação e divulgação dos saberes tradicionais que compõe a identidade cultural da região, estabelecer um diário cultural do trabalho em sua riqueza e diversidade.</p>



<p>Se você se interessou pelo projeto do MAOB, siga nosso perfil no <a href="https://www.instagram.com/maobodoque/">Instagram</a> e acompanhe o andamento do nosso trabalho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a9005-04.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10910" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p></p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.twitter.com/stabenowcaroli"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4e77-galeriacarol4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10520" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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