<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Gyovana Machado - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/tag/gyovana-machado/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/tag/gyovana-machado/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 20 Jun 2021 21:29:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>FUJAM DO MESSIAS QUE INFESTOU O TEMPLO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/20/fujam-do-messias-que-infestou-o-templo/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/20/fujam-do-messias-que-infestou-o-templo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jun 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 096]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=16523</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/20/fujam-do-messias-que-infestou-o-templo/">FUJAM DO MESSIAS QUE INFESTOU O TEMPLO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uns dias atrás, conversando com um amigo (também colaborador na Trama), comentei sobre o quanto gostaria de me dedicar a alguns outros temas que não fossem a associação dos evangélicos com o bolsonarismo ou na construção do bolsonarismo com apoio evangélico, enfim. Tendo em vista que venho de uma série de publicações nesse sentido, disse a ele que mantinha, interiormente, certo receio em me deter nesse assunto e perceber que escrevo, exclusivamente, pela exaustão daqueles que gritam e nunca são ouvidos. Caso ocorresse, seria um golpe duro; afinal, é no ato da escrita me esperanço. Além disso, organizei minhas leituras neste ano para que se concentrassem na área do feminismo e teologia feminista, resultado de um incômodo que carrego por anos no que diz respeito à agência da mulher nos espaços ou comunidades de fé, sobretudo. Decidida a escrever sobre feminismo observo, na última semana, a recepção dada ao atual presidente em uma Igreja na cidade de Anápolis (GO).</p>



<p>A presença do então presidente nos templos e cultos não se configura como novidade, portanto, não me espanto. No entanto, no dia 9 de Junho de 2021 seu ingresso nesse espaço não se deu por simulação de membresia ou algo do tipo, ao contrário, foi convidado para ocupar o púlpito que, após a Reforma protestante no século XVI, mesclou uma conotação de autoridade e centralidade mais acentuada devido ao abandono dos altares característicos dos espaços da Igreja Católica Apostólica Romana. Para o avanço da Reforma combinou-se uma série de elementos, entre elas, as produções de literatura teológica e o rigoroso exame para a promoção de indivíduos aptos aos púlpitos, tal como Katharina Schutz Zell que se familiarizou com diversos reformadores (sobretudo após o seu casamento com Matthaus Zell em 1523) e iniciou uma série de diálogos com o intuito de responder os questionamentos que carregava desde o seu primeiro acesso a Bíblia — o que não tardou, já que ela aprendeu a ler e a escrever ainda muito jovem —. Sua rede de correspondências se ampliou e chegou até o próprio Lutero e o seu engajamento na prática e ensino teológico culminaram em grandes discussões com membros do clero. Estamos diante de uma teóloga marcada pelo seu cuidado social e pastoral que, para defender o seu lugar, desenvolveu argumentos que tinham como centralidade a perspectiva do caráter maternal de Cristo. Ainda sim, pregou publicamente por apenas 3 vezes. Com uma trajetória de peso, pôde subir em um púlpito por 3 vezes. Em uma noite, lideranças protestantes, ao entregarem o púlpito ao presidente, pisaram sobre o legado de Katharina, mancharam a tradição da Reforma que iniciou aquilo que dizem crer pois, deram a um homem moralmente repulsivo e com suspeitável experiência de conversão, o lugar que deveria ser ocupado com senso de eternidade, anunciando O Cristo e não um messias fajuto.</p>



<p>A busca do governo federal para a retomada de símbolos que foram usados como força de sua campanha em 2018, sobretudo, adentra o campo da regra de fé e profana a experiência religiosa dos evangélicos enquanto surge como opção de receptáculo dessa fé. Ou seja, uma opção com a narrativa de redenção e salvação. Redimir a família tradicional brasileira e salvar dos comunistas. Com isso, marginalizam Cristo. Sacrilégio. Na idolatria se encontra, mais uma vez na história, o compromisso público entre autoritarismo e religião.</p>



<p>&nbsp;Se para o nazismo houve Dietrich Bonhoeffer, se para a ditadura civil militar brasileira houveram Renato Godinho Navarro, Anivaldo Padilha, Ana Maria Ramos Estevão, Clara Amélia Evangelista, Ana Maria Estêvão, Idinaura Aparecida Marques e Heleny Telles Ferreira Guariba, lideranças jovens da Igreja Metodista; Zenaide Machado de Oliveira, liderança de juventude da Igreja Presbiteriana Independente; Eliana Rolembe Rolemberg, da Igreja Luterana, líder de movimento de juventude ecumênica, entre outros<a href="#_ftn1">[1]</a>, em resposta ao alinhamento da igreja institucional com uma política de morte, haverão outros muitos que, orgulhosamente, faço parte.</p>



<p>Por todas as vítimas de políticas de morte (o que inclui as quase 500 MIL vidas que foram ceifadas pela COVID-19 no Brasil dada a adoção e propagação do negacionismo de um genocida): presente! Assim, retorno a me esperançar.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;Apesar de você, amanhã há de ser<br>Outro dia<br>Você vai ter que ver, a manhã renascer<br>E esbanjar poesia<br>Como vai se explicar, vendo o céu clarear<br>De repente, impunemente<br>Como vai abafar, nosso coro a cantar<br>Na sua frente&#8221;.</em><br><br>(Chico Buarque)</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> Para maiores detalhes, ver: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/memoria-e-utopia-mulheres-evangelicas-na-oposicao-a-ditadura/</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=16523" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=16523" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=16523" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/20/fujam-do-messias-que-infestou-o-templo/">FUJAM DO MESSIAS QUE INFESTOU O TEMPLO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/06/20/fujam-do-messias-que-infestou-o-templo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16523</post-id>	</item>
		<item>
		<title>REGIMES DE INSTABILIDADE: AFINAL, DE QUEM É A AUTORIDADE?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/16/regimes-de-instabilidade-afinal-de-quem-e-a-autoridade/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/16/regimes-de-instabilidade-afinal-de-quem-e-a-autoridade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 May 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 091]]></category>
		<category><![CDATA[Autoridade pastoral]]></category>
		<category><![CDATA[Autoridades sanitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Igrejas na pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Responsabilidade Social na Pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=15815</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/16/regimes-de-instabilidade-afinal-de-quem-e-a-autoridade/">REGIMES DE INSTABILIDADE: AFINAL, DE QUEM É A AUTORIDADE?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há uns dois anos, venho refletindo sobre o desgaste que algumas normas éticas e conceituais estão sofrendo durante a ascensão da extrema-direita no Brasil, sobretudo em como essa circunstância se espelhou nos centros ou comunidades de fé evangélicos. O ataque aos movimentos sociais — seja do BLM, do feminismo, enfim — são sintomáticos à medida em que percebemos uma disputa quanto a quem possui, ao fim e ao cabo, a palavra final. Explico.</p>



<p>Durante a pandemia, temos experimentado uma série de decisões jurídicas quanto ao funcionamento de estabelecimentos que, em tempos anteriores, tinham por natureza a aglomeração. Nesse fio, as políticas sanitárias, mesmo em primazia, se encontraram com um dos conceitos que considero mais desgastados na atual conjuntura, que é o da autoridade. Ou seja, o cumprimento de políticas sanitárias se esbarraram na agenda de igrejas e suas respectivas teologias que, desconsiderando a máxima democrática quanto aos limites jurisdicionais (daquilo que mando e o que não mando), renegociaram a ideia da morte com o que chamam de deus (eu prefiro chamar de Capitalismo) e, na voz do atual ministro da Justiça, bradaram em alto e bom tom: &#8220;os cristãos estão dispostos a morrer pela liberdade&#8221;. Entretanto, assim como o ministro fez de uma plenária com o STF o seu púlpito, os cristãos inseridos dentro de tal afirmação fazem de uma narrativa apocalíptica o seu tribunal de sentença ao outro<em>. </em>Vale lembrar que, o ministro não estava em uma igreja, e tais cristãos não estão em uma teocracia. Relembrando e readaptando um vídeo que circula na internet: Pode falar? Pode. É de bom tom? Não, não é de bom tom.</p>



<p>Antes de refletir sobre o desgaste do conceito de autoridade, preciso afirmar que não vejo problema em expressões públicas de fé (vide minha própria bio, ao fim desse texto); no entanto, uma fé pública não é prerrogativa de sentença ao outro que, reservado aos mesmos direitos constitucionais que o seu, pode ter se decidido por não aglomerar em cultos mas, em algum momento, pode esbarrar contigo no supermercado e se contaminar. Dito isso, acrescento que minha reflexão se desdobrou a partir de uma sala de comunicação em um aplicativo e que, num grupo com os mais variados cristãos, um decidiu defender a narrativa de perseguição religiosa (quanto ao fechamento dos estabelecimentos e, nesse ínterim, igrejas) e, após uma série de argumentos contrários que o rebateram, declarou: &#8220;Tudo bem, pode fechar por um tempo, mas quem deve tomar essa decisão é o pastor.&#8221;</p>



<p>Esta circunstância &#8211; digo, alguns pastores(as) não aceitarem o fechamento de suas igrejas, terem o seu espaço ou ambiente físico de atuação restringido &#8211; não diz meramente de uma opinião contrária ao bom senso. É o jogo de poder em ação. Assisti pastores defendendo o manejo de medidas sanitárias em igrejas sob mando exclusivo de outros pastores. Acaso se ocorrer um assassinato na igreja, a tutela, o julgamento e a punição ficarão igualmente sob responsabilidade do pastor? Jamais. Pastores não são autoridades elegidas no processo eleitoral de base democrática e, portanto, o peso de decisões e políticas públicas que envolvem esse nicho de pessoas é o mesmo que envolve os demais civis; em suma, eles são lidos (ou deveriam ser) pelo Estado como indivíduos de mesma importância que qualquer outro. O que pedem, através de ações como essa, é um Estado teocrático, onde o deus que criaram é o deus que concede autoridade para determinado grupo que, curiosamente, o usa de apoio para justificar sua blindagem do Estado. Se um pastor é barrado, por exemplo, por tentar entrar em um hospital nesse momento de caos sanitário (num contexto de visita), ele não o foi por ter certo tipo de fé, foi pelo simples motivo de que um hospital integra uma área com alto risco de contágio. E, ainda, não se pode balizar sua entrada através de desejos justificados pela “liberdade individual”, pois o mesmo indivíduo terá contato com outras pessoas ao ir em lugares considerados como &#8220;serviço essencial&#8221; — tal como a farmácia. Quando o fizer, estará entregando sentença para quem sequer sabe seu nome e, menos ainda, sua fé.</p>



<p>Nesse tipo de reflexão, preciso manifestar, em conjunto, algumas balizas teológicas as quais confrontam esse tipo de perspectiva &#8211; que, por sua vez, é contrária aos dois mandamentos fundantes do que foi proposto no Novo Testamento, o qual acabou por reorganizar as formas de sociabilidade nessa grande comunidade que deveria ser a Igreja. A rigor, os mandamentos são: ama o teu Deus de todo o coração, alma e pensamento e ame o teu próximo como a ti mesmo (Mateus 22:37-39). Se amo aquele que está acometido de enfermidade, não o abandono, o acolho segundo as formas seguras dispostas: redes sociais, chamada de vídeo, áudios, enfim. Explorar potencialidades foi um discurso que diferenciou parte dos expositores nas igrejas. Eles abdicaram de um púlpito cristocêntrico para legislar sobre meritocracia e lucro (e as demais baboseiras intrínsecas ao capitalismo em doses <em>souvenir</em>, que foram introduzidas na mentalidade aos poucos) de seus fiéis. Me questiono o motivo de, nesse momento, a chamada de vídeo ser lida como insuficiente frente as funções pastorais, como se ela não os tivesse conectado nacionalmente enquanto grupo, seja pelo encontro de narrativas ou pela admiração outrora acrescida. Existe uma constância na falta de coesão que abraça o que de mais perigoso pode ser numa democracia: inflar grupos majoritários a partir de mentiras. O regime de instabilidade que criam segundo suas teorias leva à derrubada de princípios democráticos que nos auxiliam até mesmo na vigilância que devemos ter para os manter. Reafirmo, não respeitaram a decisão tomada por maioria no STF por acreditarem que pastores e líderes religiosos possuem mesmo nível de poder e influência que aqueles elegidos para cargos aos quais competem a preservação da constituição e seus princípios; ao fim e ao cabo, acreditam ter maior autoridade, a palavra final. Entretanto, o ímpeto de contrariedade às normas e às regras sanitárias exigidas pelo contexto não deve ser lido como uma opinião divina simbolicamente atribuída ao que essas lideranças dizem, mas sim como a divinização de opiniões que não possuem simetria nem mesmo com tal regra de fé, ou seja, a bíblia. A eleição do atual presidente expressa exatamente isso. Querem um governo terrivelmente evangélico (e eu peço que Deus nos livre, afinal, é de uma assimetria abissal com princípios que fundam o Novo Testamento, a mensagem do Cristo).&nbsp; É, ainda, um projeto de poder político que exclui, marginaliza e oprime aqueles tidos como inimigos desse deus imóvel, sem orelhas, sem boca e sem nariz que criaram &#8211; e, com isso, aponto para a natureza disforme e descaracterizada daquilo que optaram por adorar. Recorrendo a uma reflexão de um texto antigo meu sobre “opinião”: se deus é o que eu quero, logo, não há deus; há um projeto, um esboço e uma figura que alimenta meu ego e está submetido aos meus mandos e desmandos e, nesse tipo de relação, não há amor sacrificial, amor do tipo de Deus, portanto, não há testemunho da obra de Cristo na cruz — a rigor, o ponto alto da tradição da fé cristã. Há um desgaste quanto às leituras de autoridade, sobretudo em um governo que investe na manipulação de um grupo cuja regra de fé, ao invés de amparar a sociedade em tempos tão ruins, tem sido renegociada para se adaptar a um genocídio televisionado.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15815" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15815" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15815" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/16/regimes-de-instabilidade-afinal-de-quem-e-a-autoridade/">REGIMES DE INSTABILIDADE: AFINAL, DE QUEM É A AUTORIDADE?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/16/regimes-de-instabilidade-afinal-de-quem-e-a-autoridade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15815</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O ESPÍRITO TIRÂNICO E A FIDELIDADE NA SERVIDÃO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/18/o-espirito-tiranico-e-a-fidelidade-na-servidao/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/18/o-espirito-tiranico-e-a-fidelidade-na-servidao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Apr 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 087]]></category>
		<category><![CDATA[Contrato Social]]></category>
		<category><![CDATA[expressão subjetiva como resultado de crenças]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Pensar é Subverter]]></category>
		<category><![CDATA[questionar suas próprias ações]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=15261</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/18/o-espirito-tiranico-e-a-fidelidade-na-servidao/">O ESPÍRITO TIRÂNICO E A FIDELIDADE NA SERVIDÃO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;A resposta de La Boétie [sobre a servidão voluntária] é terrível: consentimos em servir porque também esperamos ser servidos. Servimos ao tirano porque somos tiranetes: cada um serve ao tirano porque deseja ser servido pelos demais que lhe estão abaixo (&#8230;) A servidão é voluntária porque há o desejo de servir, há desejo de servir porque há desejo de poder e há desejo de poder porque a tirania habita cada um de nós e institui uma sociedade tirânica, ou seja, a tirania não se encontra no topo do social, mas espalhada por ele e a crueldade se espalha por toda a parte. A covardia se manifesta na crueldade física, psicológica, moral e política com que cada um deseja esmagar e exterminar quem recusa a tirania.&#8221; (CHAUÍ, 2021, p. 3)</em></p>



<p>Partindo de uma sinalização dos conceitos de biopoder e biopolítica em Foucault, pretendo discutir hoje sobre o corpo político &#8211; ou, nesse momento, sobre a sociedade tirânica que firma e amplia desejos e pretensões que refletem, por exemplo, as decisões de quem a governa. Nesse sentido, há também de se dizer que: quem governa essa sociedade carrega em si um símbolo atribuído de sintomas sociais.</p>



<p>Há uma série de crenças silenciosas que precedem as nossas expressões. A &#8216;neutralidade&#8217;, por exemplo, em face à oposição que muitos entendem como polarização, recorre a dispositivos pré-concebidos e internalizados &#8211; e, por isso, é uma afirmação vazia, que não contrasta com as disposições de se ter uma postura &#8216;crítica&#8217; ou &#8216;equilibrada&#8217; quanto ao cenário político, sobretudo se levarmos em consideração o conceito de &#8216;política&#8217; em Weber, a rigor, relações de poder no Estado e, também, para além dele, na vida cotidiana.</p>



<p>Donna Haraway, em um dos seus estudos sobre feminismo, desenvolveu o conceito de &#8220;conhecimentos situados&#8221;, onde reivindica a não-ocultação dos momentos, lugares e estatuto social dos indivíduos que produzem saberes e práticas, sendo essa mais uma tentativa de definir com maior precisão a objetividade do conhecimento permitindo um olhar reflexivo sobre o &nbsp;intérprete, o que produziria certo engajamento na lente daquele que desenvolveu um determinado tipo de conhecimento. Esse é também um esforço de recorrer ao ambiente que nos circunda e que permite a construção de crenças internas as quais se inserem diretamente em todo tipo de expressão — pública ou não — de um indivíduo subjetivo. Reafirmo: <strong>todas as nossas expressões são resultado de uma série de crenças silenciosas</strong>. Mais do que isso, considero que o indivíduo não é um <em>self-made</em> de si; ao contrário, ele é perpassado por um conjunto de espaços que produzem certo tipo de sociabilidade, portanto, ações em interações, posturas desenvolvidas dentro de relações, enfim. &nbsp;</p>



<p>Os símbolos construídos em sociedades democráticas precisam de um certo tipo de sustentação para que sejam eleitos e alcancem o poder atribuído às cadeiras representativas do Estado a níveis municipais, estaduais e federais. Nesse sentido, há de se pensar que é necessário um corpo político e socialmente pactuado que age sob a direção de pressupostos políticos &#8211; e, nesse conjunto, podemos considerar as pautas que são erguidas sob alegação de serem &#8216;valores religiosos&#8217; (de cunho mais conservador). A proposta de La Boétie aponta para uma perspectiva de servidão voluntária que se justifica na espera (daquele que serve) de ser também servido.</p>



<p>Ao pensar em uma parcela da sociedade acordada em torno de princípios que buscam a supressão do direito do Outro de viver — em pleno exercício de seus direitos inalienáveis —, se destacam os alicerces deste acordo tirânico que busca a introdução de um &#8216;inimigo objetivo&#8217;, como discute Hannah Arendt; afinal, isso é muito mais decisivo para o funcionamento deste corpo do que a definição ideológica por categorias, pois o &#8216;inimigo objetivo&#8217; passa a representar aquilo que é contrário à política de um governo, sendo, portanto, um &#8216;portador de tendências&#8217;. À vista disso, prova-se as últimas rodadas de eleições no Brasil, sobretudo as presidenciais em 2018. <strong>O que se elegeu foi um símbolo que diversificava o discurso entre &#8216;metralhar a oposição&#8217; e a citação bíblica de João 8:32, &#8216;conhecereis a verdade e a verdade vos libertará&#8217;</strong>. A verdade, outrora atribuída a figura d&#8217;O Cristo, serviu como propaganda política que cimentou, num mesmo grupo, pastores e milicianos. Na perspectiva do presente ensaio, é possível refletir que a cola social diz da natureza dos valores atribuídos aos símbolos (ou ao símbolo) no período eleitoral; assim sendo, os valores usados como justificativas são essencialmente tirânicos por serem movidos à cólera e à crueldade exibidos em signos de força ou em atos moralmente covardes enquanto são marcados, assumidamente, na contramão de uma sociedade justa e igualitária. Como discute Chauí, <strong>nesse tipo de sociedade, as leis são armas para preservar privilégios enquanto, para as camadas populares, significam repressão</strong>. <strong>O Outro, ainda segundo Chauí, não é lido como um sujeito, muito menos um sujeito com direitos</strong>; comento que esse mesmo Outro é tido como aquele que precisam silenciar, oprimir e marginalizar sob ataque contínuo por ter sido eleito aquilo que representa a oposição do governo vigente &#8211; portanto, um &#8216;inimigo&#8217;.</p>



<p>O destaque vai para a política de fidelidade que se desenvolve a partir da tirania. Arendt irá cunhar o conceito de &#8216;banalidade do mal&#8217; para explicar, em linhas gerais, essa interação dos sujeitos com sistemas de violência, figuras que usam da violência para a dominação social, enfim. &#8216;Banalidade do mal&#8221; consiste na recusa do homem de fazer o exercício da reflexão, é a negativa do pensamento o que o afastará da responsabilidade de suas ações. Exemplo seria a justificativa dada por Adolf Eichmann em seu julgamento: usando de narrativas vazias e redundantes, o nazista justificava suas ações apenas como ordens que lhe foram dadas e, nesse sentido, seria algo como &#8220;<em>assassinei porque mandaram; torturei porque mandaram</em>&#8220;, etc. A fidelidade que se desenvolve neste pacto tirânico é extremamente perigosa, pois já não há base ética que indague o conjunto de ações que se desenvolve no corpo político e nos símbolos gerados por tal corpo. O que se espera é a via da servidão mútua: agimos sem questionar nossas ações, e o que prova que estamos corretos em agir é um aceno daquele que nos governa (através de decretos, tentativas de barrar algumas ações e políticas públicas contrárias a ideologia do governo, etc). <strong>Subverter, neste tipo de governo, é pensar</strong>.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;Exercício e dignidade heróica do pensamento: este é o nosso lugar na</em> <em>luta</em><br><em>contra a covardia, a crueldade, a mentira e o cinismo.&#8221; (CHAUÍ, 2021, p. 14)</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>BIBLIOGRAFIA DE APOIO</p>



<p>HARAWAY, Donna. <strong>Situated Knowledge</strong>: the science questions in feminism and the privilege of partial perspective. Feminist Studies, v. 14, n, 3 (Autumn, 1988), pp. 575-599.)</p>



<p>CHAUI, Marilena. O exercício e a dignidade do pensamento: o lugar da universidade brasileira.&nbsp;<strong>Congresso Virtual UFBA</strong>: Universidade em movimento, p. 1-14, 2021.</p>



<p>FOUCAULT, Michel. <strong>O nascimento da biopolítica</strong>: curso dado no Collegè de France (1978-1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008b.</p>



<p>ARENDT, Hannah.&nbsp;<strong>Origens do Totalitarismo</strong>. [<em>S. l.</em>]: Companhia de Bolso, 2013.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15261" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15261" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=15261" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/18/o-espirito-tiranico-e-a-fidelidade-na-servidao/">O ESPÍRITO TIRÂNICO E A FIDELIDADE NA SERVIDÃO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/18/o-espirito-tiranico-e-a-fidelidade-na-servidao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15261</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Na pandemia, Rousseau não está feliz (e o Hedonismo se readapta)</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/na-pandemia-rousseau-nao-esta-feliz-e-o-hedonismo-se-readapta/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/na-pandemia-rousseau-nao-esta-feliz-e-o-hedonismo-se-readapta/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 083]]></category>
		<category><![CDATA[Contrato Social]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Hedonismo]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14641</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/na-pandemia-rousseau-nao-esta-feliz-e-o-hedonismo-se-readapta/">Na pandemia, Rousseau não está feliz (e o Hedonismo se readapta)</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em uma semana com alto número de mortes diárias no país por conta da COVID-19, eu precisei repensar. Não bastava escrever sobre o que acredito precisar de maior reflexão — mesmo que meus esforços na escrita indiquem uma espécie de reflexo grupal/coletivo —, mas eu precisava escrever sobre algo que, honestamente, demorei a saber.</p>



<p>Estamos caminhando por um momento de crise sanitária e humanitária que exige, fundamentalmente, um esforço externo &#8211; ou seja, que diz de uma co-dependência social. Eu preciso do outro e ele precisa de mim; eu preciso que ele me veja bem como preciso vê-lo; e assim vai. No entanto, há uma série de faltas que não foram arranjadas e organizadas antes da pandemia (e que, mesmo se não houvesse pandemia, essas faltas permaneceriam), há uma série de acordos que sequer foram colocados em discussão e, nesse sentido, vivemos sob não-acordos enquanto enfrentamos um inimigo invisível. Para enxergamos isso na prática, basta um olhar para aqueles que se recusam a usar máscara, que se aglomeram em festas clandestinas, em bares, em circunstâncias irregulares, enfim. No entanto, há ainda uma leitura a ser feita desses<em> não-ditos</em> &#8211; o que, em muito, me faz refletir sobre o famoso Contrato Social de Rousseau, pois, na sua existência incontestável, temo que não tenham entregado aos sujeitos para que eles assinassem.</p>



<p>O que isso significa? No século XXI, em meio a uma pandemia, significa a escolha de uma servidão imersa aos próprios desejos, ímpetos e vontades. Penso, portanto, no sentido atribuído à palavra &#8220;liberdade&#8221;, que tem sido revisitada e lançada como argumento para a defesa à servidão do Eu. Em um mundo que tenta ler o indivíduo segundo méritos que não dialogam com as subjetividades e que, ainda, se esforça para poluir a educação enquanto uma imagem de aquisição de competências, há uma profunda proposta (sobretudo no âmbito das redes sociais) de evolução de si, seja através do &#8220;seja a melhor versão de si&#8221; ou através da estética tecida em torno daquilo que faria bem a &#8220;saúde mental&#8221;. E, nesse último ponto, podemos analisar o tanto de justificativas de pessoas que aglomeraram e que não respeitaram as regras de distanciamento e prevenção de contágio baseadas em &#8220;fiz para o bem da minha saúde mental&#8221; e, logo, vem um &#8220;ainda estou em evolução enquanto ser humano&#8221; &#8211; como se o &#8220;ser humano&#8221; significasse alguma permissão ou naturalização das irresponsabilidades. Com isso, não digo que não podemos errar; digo que, se a opção pelo erro envolve a possibilidade de condenar o Outro à morte, há sim uma crise ética e social, a qual não deve ser entendida como pedagógica dentro de um &#8220;compromisso de evolução&#8221; pessoal.&nbsp;</p>



<p>O único problema de mergulhar em si mesmo é não conseguir sair de lá. Se isso ocorre, o mundo se torna um palco possível para a concretização dos meus desejos, e o Outro, um ser passivo à predestinação do meu sucesso. Esse tipo de leitura unilateral do mundo é um perigo do qual temos experimentado os efeitos. Li piadas em torno da não contaminação de algumas pessoas que possuem o costume de sair (como se isso fosse lucro) e, em paralelo, vi 1.910 pessoas morrendo naquele dia devido à COVID-19. Essa espécie de &#8220;hedonismo&#8221; busca, na ideia que construíram sobre liberdade, reiterar o compromisso que possuem com suas próprias demandas, nem que isso condene os planos, sonhos, projetos, conquistas, experiências e tudo aquilo que um Outro poderia ter, à morte. A liberdade não é a percepção ou conhecimento dos nossos próprios desejos e vontades; afinal, a emancipação efetiva é aquela que dimensiona uma noção lá da infância, que é a separação entre o Eu e o Outro, e do conhecimento, portanto, de um Outro mundo. Nesse sentido, liberdade é, também, saber que não se pode tudo.</p>



<p>É possível pensar nessa perspectiva sobre liberdade no século XXI? Não. Há uma série de construções e iniciativas econômicas que atribuem valor ao indivíduo segundo sua disposição financeira, da qual derivam, entre tantas coisas, as noções de sucesso, por exemplo. Todavia, a pandemia nos mostra a necessidade de melhor pontuarmos o significado de &#8220;liberdade&#8221;, para que ela não seja tapume para o verdadeiro significado das irresponsabilidades: crime.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><em>Em memória, meu Tio Tião, que faleceu devido as complicações da COVID-19. Ele nunca será apenas uma estatística e, o nosso luto, jamais será um &#8220;mimimi&#8221;.</em></p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>BIBLIOGRAFIA DE APOIO</p>



<p>GIUSEPPE FERRARO, Giuseppe. LA FILOSOFIA E L’EDUCAZIONE.&nbsp;<strong>Anais do V Colóquio Internacional de Filosofia da Educação, UERJ</strong>, Rio de Janeiro, 2010.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14641" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14641" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14641" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/na-pandemia-rousseau-nao-esta-feliz-e-o-hedonismo-se-readapta/">Na pandemia, Rousseau não está feliz (e o Hedonismo se readapta)</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/na-pandemia-rousseau-nao-esta-feliz-e-o-hedonismo-se-readapta/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">14641</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte II</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Busca pelo Paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[Cosmovisão Cristã]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia cristã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14080</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/">O Sadismo a troco do Paraíso – Parte II</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Leia a <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/">Parte I</a></em></p>



<p>Tento trazer para o debate, cada vez mais, a noção de cultura para complexificar as relações de gênero, raça e classe &#8211; e, nesse assunto, não poderia me distanciar desse conceito. A pretensão de que a cultura é um agente invisível contratado pelo espírito flutuante do comunismo (que irá corroer os bons costumes e tudo mais) acaba dando espaço para os &#8220;<em>filósofos do anti-marxismo cultural&#8221;</em> formados por Olavo de Carvalho. Na estrutura mais básica de sua narrativa, eles têm a também pretensa fórmula anti-ideológica &#8211; que, no entanto, age em favor dos bons costumes, das meritocráticas famílias brancas, do bom amigo racista, do querido tio homofóbico, do presidente que &#8220;pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e dizia que lugar de negro era na cozinha&#8230;&#8221; como descreveu a namoradinha —intitulada nos anos 70 — do país.</p>



<p>Cultura, no entanto, é uma constante. Segundo Ruth Benedict, <strong>cultura é a lente com que enxergamos o mundo</strong> — alguns aproximam a sua explicação mais com o conceito de cosmovisão que, de certa forma, está também ligado à cultura —; contudo, tenho maior aproximação com as conclusões do antropólogo Clifford Geertz que, em linhas gerais, provocará toda a estrutura levantada até aqui. Ele dirá que a cultura existe antes do homem ser. <strong>O homem não é, portanto, apenas produtor de cultura; mas, também, num sentido biológico, produto dela</strong>. Alguns pensadores católicos, sobretudo, irão argumentar dizendo que o homem adquiriu a cultura à medida em que recebeu, do Criador, sua alma imortal. A cultura é um espaço de fomento, eu penso. Ela fomenta aquilo que um coletivo elenca como prioridade na sua própria organização. A cultura, nesse sentido, é a constante que fomenta a mutilação de genitálias (que afeta, ao menos, 200 milhões de mulheres ao redor do globo, segundo a matéria de Eva Ontiveros para a BBC World Service em 2019). É também a constante que mobiliza mulheres ao redor do mundo em prol de emancipação do gênero. A cultura sela um grupo pela comunicação também exercida na tradição.</p>



<p>Dentro da bolha dos seminários cristãos, dos grupos de estudo constituídos por cristãos na academia, muito tem sido falado sobre o conceito de<em> cosmovisão cristã</em>. Consta que o seu primeiro uso foi feito por James Orr em 1893, numa tentativa de apresentação da figura de Cristo à mentalidade moderna; assim sendo, houve um esforço para que a conversão não fosse um fim em si mesma, mas que sustentasse práticas contrárias ao que socialmente se entendia naquele instante na Europa enquanto &#8220;secularização&#8221;. Outro teórico que impulsionou o uso do conceito foi Abraham Kuyper, que, também no final do século XIX, lançava mão de esforços para pensar a fé cristã para além da vida religiosa, preocupando-se com a Igreja institucional responder às demandas de seu tempo não apenas pela via da defesa, mas através de propostas culturais; ou seja, diferentemente de Orr — que formulava a essência da cosmovisão cristã teologicamente —, Kuyper (fazendo jus a perspectiva Calvinista) estica o conceito para pensar as implicações públicas da atuação de um cristão na sociedade.</p>



<p>Ao longo do tempo, diversos outros indivíduos — que hoje entendemos como referenciais— se manifestaram quanto às proporções, à aplicabilidade e ao uso do conceito; já no século XX, se destacam Herman Dooyeweerd e Hans Rookmaaker. O primeiro apontará que a cosmovisão não é teórica, mas, sim, pré-teórica, pois não se trata de um conjunto de ideias (como Kuyper pontuava), mas anterior à teoria. Rookmaaker, por sua vez, irá expor o conflito que parte da pergunta: &#8220;Como posso ser um intelectual cristão?&#8221;; esse autor, portanto, desenvolverá os seus trabalhos apresentando não apenas os conflitos dos modelos de interação, mas também propondo formas ativas de manifestação do pensamento intelectual cristão nas dimensões da filosofia e estética, por exemplo. James Sire, em seu livro &#8220;Dando nome ao elefante&#8221; (2004), dirá que a cosmovisão é uma orientação do coração que se expressa nas ações/narrativas sobre aquilo que constitui a realidade e, nesse sentido, a cosmovisão não seria, necessariamente, fruto de algo consciente. Para Normam Geisler, a cosmovisão seria a lente com a qual enxergamos o mundo; interessante pensar que, para Ruth Benedict, seria esse o papel da cultura. Aqui, acredito que caberia uma discussão sobre a dimensão em que age cada conceito, seja no plano teórico, pré-teórico ou supra-teórico; no entanto, tendo em vista meu pouco arcabouço filosófico, opto por adiar tal discussão.</p>



<p>A partir desse resumo no que diz respeito a história do conceito, é possível perceber a força propositiva com a qual ele tem surgido na contemporaneidade, sobretudo quando analisamos o cenário político na América desde o início do século XXI. Especificamente, pensar o Brasil, em sua história de 2016 até o presente momento, é pensar na força dos usos do conceito de <em>cosmovisão cristã</em>. Mesmo que, teórica e historicamente, ele tenha se apresentado como um conceito de contínua formulação, hoje, ele tem sido regulado como cabresto nos sujeitos para que eles ajam segundo uma agenda proposta por grupos no poder. Numa onda de extremo-conservadorismo e neoliberalismo, o aparelhamento social da Igreja institucional, unido à política, ganha contornos segundo a força de um conceito que tem sido lido como imposição e/ou colonização das propostas cristãs na cultura, na economia e na sociedade, bem como demonstra a chamada &#8220;Teologia dos 7 montes&#8221; (desenvolvida nos EUA na segunda metade do século passado). </p>



<p>Os tais sete montes consistem em: Educação, Mídia, Governo, Religião/Igreja, Família, Negócios e Entretenimento. Nessa proposta, atuante no cenário brasileiro atual, há um perspectiva totalizante das concepções acerca do que é cristianismo e o que não é; consequentemente, concepções relativas a quem é cristão e quem não é. Através dessa lógica, estão mutilando sujeitos segundo a justificativa da &#8220;cosmovisão cristã&#8221;  &#8211; a qual, nesse ponto, tem sido monopolizada enquanto instrumento para excluir, oprimir e justificar todos os tipos de abuso que sujeitos podem sofrer dentro do espaço da comunidade de fé; tudo em nome daquilo que construíram e selecionaram enquanto significado da tal da cosmovisão cristã, que, de quebra, contraria a própria natureza do conceito.</p>



<p>Retorno ao ponto de que <strong>precisamos pensar as ações humanas não deslocadas de seus contextos e, para isso, pensamos cultura e cosmovisão</strong>. Essa última atinge um grupo com toda a força do tempo, totalizando as ações e servindo de parâmetro para que uns sejam considerados &#8220;cristãos puros&#8221; e outros, &#8220;cristãos corrompidos&#8221;. Essa linha de raciocínio é o que, em última instância, serve de prerrogativa para que um líder religioso desqualifique cristãs feministas quanto à genuinidade de sua fé, de sua crença, em reflexo da atuação e presença nesses espaços das que não são feministas (e, num breve comentário, há de se observar que o anti-feminismo tem sido, também, uma bandeira nesses mesmos espaços, o que faz referência ao que seria o correto segundo essa &#8220;cosmovisão cristã&#8221;).</p>



<p>A estrutura do atual governo federal é composta, em sua maioria, por oficiais do exército e religiosos e, pasmem (?), boa parte desses religiosos são originários de igrejas tradicionais que recuperam e fundamentam esse último conceito apresentado. A rigor, apresento o ministro da Justiça (um pastor presbiteriano) e o ministro da Educação (também pastor presbiteriano), ambos de tradição calvinista. Há, portanto, um interesse na atuação desses sujeitos que entendem seus respectivos ofícios como oportunidade de manifestarem a forma com que lêem a realidade. Assim sendo, sua atuação se dá num ímpeto redentivo do sistema, buscando remir a sociedade culturalmente, educacionalmente, economicamente, enfim. Há, ainda, líderes religiosos que já se sentem confortáveis para falar que o capitalismo constitui vontade divina. <strong>É a constante tentativa de viver o paraíso em vida, nem que isso signifique condenar o outro</strong>, que é diferente, a um sistema baseado mais nas opiniões do que, de fato, naquilo que qualifica teologicamente o paraíso. É o sadismo em sua plena forma.</p>



<p>Concluo dizendo que não acredito no descarte do conceito de &#8220;cosmovisão cristã&#8221;; ao contrário, acredito que também será por ele que, coletivamente, o homem mau será exposto, desqualificado e, finalmente, silenciado.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14080" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14080" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14080" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/">O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte II</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">14080</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte I</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[Busca pelo Paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia cristã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=13631</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/">O Sadismo a troco do Paraíso – Parte I</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escrevi um texto sob mesmo título em 2018. Na época, estava começando a externar alguns incômodos quanto a algumas narrativas dentro da bolha cristã evangélica. Articulando algumas leituras (incluindo a bíblia), apontei para o machismo no espaço da igreja. No entanto, eu não estava considerando o fato de que o meu incômodo tomaria maiores proporções. Dito isso, atento para o sadismo como <em>modus operandi </em>e/ou como intermediação hermenêutica para se ler e interpretar a Bíblia (manual de fé que, para muitos, gera vida; mas, para outros, tem gerado morte).</p>



<p>Ao falar de sadismo, lanço mão de seu sentido mais amplo: a rigor, do prazer na dor alheia justaposto, neste texto, aos aspectos ou mecanismos sob os quais alguns grupos operam, sobretudo no que tange às variáveis do poder dentro da sociedade &#8211; ou seja, na política, nos templos religiosos, nos tribunais, etc. Pensar nessa natureza de operação dentro da trajetória de um indivíduo que, segundo o que crê, tem como fim <em>o paraíso</em> (dentro da teleologia cristã), é pensar nas construções narrativas que validam alguns ideais compartilhados por grupos que operam dentro de uma máquina do ódio. Nisso, o machismo percebido por mim nos templos seria apenas a expressão de uma estrutura hermenêutica tradicional, que vem se redimensionando através dos séculos para permanecer vigente no espaço da igreja.</p>



<p>Na cultura cristã, o termo &#8220;Paraíso&#8221; possui algumas diferenças semânticas quando usado no Antigo e no Novo Testamento. No Antigo, há um vínculo mais forte com a noção de &#8220;jardim&#8221;; o Jardim do Éden seria uma espécie de paraíso. Já no Novo, é atribuída uma perspectiva escatológica ao termo, que indica um lugar que é fim de todas as coisas; por exemplo, Jesus em seu diálogo com o ladrão crucificado ao seu lado: <em>&#8220;- E disse {o ladrão} a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.&#8221; (Lucas 42:43)</em>. Nesse contexto, Jesus delimita que seu reino é o paraíso; portanto, a palavra carrega sentido que confere a noção de fim, o destino pós morte daqueles que assim pedem a Ele.</p>



<p>Me interessa avaliar os mecanismos de operação em que alguns grupos se apoiam como forma de alcance a essa natureza além do <em>destino comum</em> — nesse caso, a morte. Se a doutrina é fruto de construção humana, logo, ela é um indicativo do que o homem compreende sobre o seu caminho para o paraíso.</p>



<p>Se em 2018 eu estava inconformada com o machismo existente nos centros que deveriam construir igualdade, no mesmo ano assisti a membros do corpo da Igreja Institucional alinharem-se a um projeto de governo liderado por um entusiasta da tortura, da ditadura, da educação obsoleta que privilegia uma masculinidade tóxica; que rompe totalmente com a lógica de um ambiente pacífico e de bem-estar político, declarando guerra às ideologias e a toda sorte do que constitui, de fato, política. Posteriormente, declarariam: &#8220;o estado é laico, mas o governo é cristão&#8221;.</p>



<p>Nessa trajetória, há muito o que se apontar de inconsistente em tal declaração. Basta olharmos para a pasta do meio ambiente: se o manual de fé cristão orienta a preservação (já que &#8220;teologicamente foi dada, ao ser humano, a responsabilidade de administrar a terra através do exercício da mordomia. Nesse sentido, o ser humano executa a <em>Missio Dei, </em>isso é, a missão de Deus.&#8221; (MARINGOLI, 2019, P.96) ), o plano de ação do atual governo é subserviente às lógicas agropecuária, do garimpo, da especulação imobiliária. É o oposto.</p>



<p>É possível apontar muitas inconsistências também no cenário internacional; assisti, atônita, a um grupo conservador invadir o Capitólio sob a retórica de &#8220;Make America Great Again&#8221;, baseada em uma política de intolerância com aqueles que discordam. Grupo, este, instigado pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump &#8211; que recebeu, em ambas as corridas pela presidência, o apoio cego de parte do corpo da Igreja Institucional. Estamos falando de campanhas de oração em prol de sua vitória, de mobilizações nos púlpitos para a pregação de uma doutrina conveniente à retórica trumpista. Pensar que o combustível para tais ações é a busca pela trajetória terrena rumo ao paraíso consiste em deslocar reflexões para uma estrutura ainda mais profunda &#8211; a saber, a noção comportamental aliada à ideia de &#8220;moral&#8221;, que serviria como chave para o paraíso pós-morte e para o paraíso na terra; afinal, muitos encontram prazer e felicidade em submeter o outro à sua opinião.</p>



<p>A busca pelo paraíso tem se desencontrado de uma teologia saudável, verossímil e justa; por isso, a dificuldade do diálogo. O prazer daqueles que oprimem em nome de um cristianismo vil reside no caráter que atribuem a sua fé: a de detentora de certezas. Portanto, sua constância ativa nos espaços de poder é um elemento inegociável; afinal, essa é a única manifestação possível e visível de que estão certos. Nada os aprova: são pessoas esvaziadas de testemunho, que encontram sentido em estarem certas com atestado público. É, de fato, a depravação dessa busca existencial que faz com que ela deixe de depender da existência da fé em um Criador, e passe a creditar a sua verdade na mentira; a sua guerra justa na violência; a sua teologia no &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;; e assim vai.</p>



<p>Pensar, porém, que essa trajetória dos indivíduos para o paraíso &#8211; marcada pelo ódio, pela violência, pela mentira &#8211; é apenas fruto de uma teologia ruim é inocente. No atual governo brasileiro, cristãos estão presentes nos ministérios com uma perspectiva teológica rebuscada e complexa. Por hoje, cabe destacar que os rumos indicam novos cultos &#8211; o que sugere, pelo que vimos até agora, uma nova ameaça aos espaços de poder. Afinal, buscar-se-á o paraíso em vida a todo custo.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>BIBLIOGRAFIA<br><br>MARINGOLI, Ângela.&nbsp;<strong>Teoambientologia</strong>: Um desafio para a Educação Teológica. São Paulo: Recriar, 2019.<br><br>ONTIVEROS, Eva. <a>&#8220;&gt;Mutilação genital feminina: o que é e por que ocorre a prática que afeta ao menos 200 milhões de mulheres</a>. <strong>BBC News</strong>. 2019. Acesso em: 23 janeiro 2021.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13631" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13631" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13631" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/">O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte I</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">13631</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Editorial &#8211; Quando queimam Igrejas: o caso do Chile e um breve debate sobre &#8216;cristofobia&#8217;</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 069]]></category>
		<category><![CDATA[Aglomeração nas Igrejas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Religiosidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12539</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/">Editorial – Quando queimam Igrejas: o caso do Chile e um breve debate sobre ‘cristofobia’</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de iniciarmos esse breve ensaio sobre os eventos ocorridos no dia 18 de Outubro de 2020 no Chile, cabe destacar que, em nossa pretensão, não há o desejo por uma opinião cristalizada &#8211; sobretudo por se tratar de um evento ainda em investigação. No entanto, gostaríamos de lançar novas reflexões e perguntas sobre a irradiação e absorção das notícias recebidas em território nacional em sintonia com o contexto político brasileiro (já imerso numa onda conservadora) que, desde o discurso público levado a cabo pelo atual presidente na abertura da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas no dia 22 de setembro de 2020, tem como narrativa a <em>cristofobia</em> como um dos males ideológicos que inviabilizam a governabilidade plena do mesmo presidente.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;Por que as igrejas cristãs são alvos de ataques da extrema-esquerda?&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;Igrejas são incendiadas em atos que marcaram 1 ano de protestos no Chile&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;</em><em>No Chile, extrema esquerda ateia fogo a igrejas&#8221;</em></p>



<p>Esses foram alguns títulos encontrados nas matérias da imprensa nacional que apresentavam o acontecimento do dia 18 de Outubro no Chile. Percebe-se, numa análise superficial, que a diferença de abordagem no título carrega o evento com novo tom, atribuindo um significado. Essa estratégia é recorrente para a captura de leitores específicos, com valores e ideias também específicas.</p>



<p>O incêndio de duas Igrejas no Chile (Paróquia Asunción e capela San Francisco de Borja) ocorreu em meio a uma onda de manifestações que está sendo caracterizada como uma ação continuada do ano de 2019, quando a reivindicação pelo preço do transporte se ampliou desembocando em pautas sociais que iam de frente à própria Constituição vinda dos tempos do General Augusto Pinochet, datada de 1980. Com inspiração neoliberal, essa mesma Constituição precisou sofrer, segundo a pesquisadora e professora do departamento de História da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Hevelly Ferreira Acruche, &#8220;uma série de emendas para se &#8220;adequar&#8221; ao Estado democrático de direito estabelecido a partir de 1990&#8243;. Ainda sim, não se encontrava nela a garantia de direitos essenciais relacionados a questões básicas como saúde, educação e previdência. Somado a isso, a pandemia do COVID-19 acentuou as desigualdades mantidas sob manutenção pela própria lei maior e suprema do Estado.</p>



<p>A partir desta exposição, precisamos de algumas perguntas que nos guiem a uma reflexão mais ampla: Quem é o responsável pelo incêndio? Qual o significado desse evento?</p>



<p>Segundo a investigação de um jornal local <a href="#_ftn1">[1]</a>, descobriu-se a participação de um policial infiltrado nas manifestações; e, segundo o perfil de <a href="https://twitter.com/sabrinanaquino">@sabrinanaquino</a>, fotógrafa residente no Chile, essa prática seria comum, se estendendo para a participação de, até mesmo, políticos de direita infiltrados nas ações dos grupos manifestantes. Assim sendo, cabe a pergunta mais clássica: por quê?</p>



<p>Após a circulação de algumas notícias nacionais prematuras indicando a responsabilidade do incêndio, no dia 19 de Outubro um membro da Marinha foi detido por ter participado do acontecimento relativo a capela San Francisco de Borja, também conhecida como a Igreja dos Carabineiros, que foi assumida pela capelania militar em 1973. A Marinha lançou uma nota de repúdio à participação de um oficial neste ataque, ressaltando que o mesmo não estava sob ordens das forças armadas e que havia agido por conta própria <a href="#_ftn2">[2]</a>. Quando detido, o oficial teve como penalização a obrigatoriedade de fazer assinaturas na delegacia 2 vezes por mês.</p>



<p>Ouvido pelo Coletivo Bereia <a href="#_ftn3">[3]</a>, Juan Bacigalupo, sanitarista chileno e pesquisador na Universidade Federal da Integração Latino Americana (Unila), indicou que a promoção dos incêndios seria uma tentativa de &#8220;criminalizar o movimento social, porque o povo chileno ainda é muito cristão&#8221;. O pesquisador assim opinou tendo em vista que a Igreja dos Carabineiros possui intensa presença militar em seu entorno &#8211; o que tornaria muito mais difícil uma invasão por parte dos manifestantes &#8211; e o fato de que não foram encontradas imagens dos culpados.</p>



<p>Destacamos, também, que o incêndio ocorreu às vésperas do plebiscito para reforma Constitucional, que foi votado no dia 26 de Outubro de 2020. Convidada pela Trama, a historiadora Dra. Hevelly Acruche diz que &#8220;a elaboração de uma nova Constituição no Chile é um passo significativo de defesa da democracia num país que viveu uma das mais sangrentas ditaduras do cone Sul. (&#8230;) As lutas populares que tomaram conta das mídias em 2019 foram fundamentais a esse processo e a conscientização popular. A população chilena enfrenta hoje a inseguridade social e a falta de um Estado presente nos serviços básicos graças às privatizações de recursos como água e luz, a crescente precarização educacional e um sistema previdenciário que deixa a população idosa sem condições mínimas de sobrevivência. Numa das maiores participações populares em pleitos, o referendo de 25 de outubro de 2020 deu esperança a muitos pela defesa do Estado de bem-estar social contra o neoliberalismo. No próximo ano, os trabalhos serão realizados por uma Assembleia Constituinte plural, formada por diversos segmentos sociais e étnicos do país. Em meio a uma série de retrocessos que assistimos diariamente, ver os casos do Chile e da Bolívia são um alento para os que acreditam na justiça social e numa reescrita do passado latino-americano&#8221;, concluiu.</p>



<p>No que diz respeito ao incêndio da Paróquia de Asunción, há rumores sobre o espaço ter servido como palco de torturas durante a sangrenta ditadura de Pinochet (1973-1990) &#8211; o que foi verificado pelo mesmo Coletivo já citado mediante o trabalho do investigador  Dr. José Santos Herceg no documentário “Lugares desaparecidos – rastros dos centros de tortura e extermínio em Santiago”. O local, similarmente identificado por &#8220;Vicuña Mackenna No 69, foi também uma base de computação central do Centro Nacional de Informações (CNI) comandada pelo General Odlanier Mena, que reunia arquivos de vítimas perseguidas pelo regime e comandava operações de inteligência para destruir oponentes. Não há, entretanto, confirmação de que a ligação com a ditadura seja a motivação dos manifestantes para causar o incêndio, uma vez que não foram identificados suspeitos.&#8221; <a href="#_ftn4">[4]</a></p>



<p>A exposição feita até agora demonstra que o ato foi cercado de inúmeras variáveis que não se fecham em uma conclusão específica, mas que abrem precedentes para novas perguntas. Não tendo como pretensão ainda, a neutralidade, afirmamos, categoricamente, que as manifestações chilenas que tiveram início em 2019 são legítimas e que, em sua maioria, os manifestantes optaram por uma expressão pacífica e uníssona em suas palavras de ordem. Como cristã e historiadora, prezo pela justiça social e o embargo das desigualdades, bem como pela reivindicação desses pela via da pacificidade; no entanto, saliento que pacificidade não caracteriza um estado de inércia frente às injustiças &#8211; pelo contrário, diz de uma estratégia de luta.</p>



<p>A partir das considerações levantadas, é necessário uma sofisticação das nossas opiniões (ainda que sejam divergentes). Falar sobre <em>cristofobia</em> em uma situação como essa pressupõe a existência de um repúdio e ódio à religião cristã e, nos veículos de imprensa nacional conservadores, atribuiu-se esse ataque a um suposto ódio inerente que a <em>esquerda</em> teria pelos cristãos. </p>



<p>Por <em>cristofobia</em>, entende-se que &#8220;se refere à aversão ou ridicularização pública de uma pessoa, em razão da sua fé em Jesus Cristo&#8221;, segundo o Padre Rafhael Maciel (sacerdote eleito pelo papa como Missionário da Misericórdia); com o conceito atualizado, podemos analisar segundo uma baliza mais fiel, e não segundo aos significados atribuídos ao conceito desde a sua circulação mais intensa no âmbito nacional.</p>



<p>Como o que ocorreu no Chile ainda está sob investigação, precisaremos trabalhar com <strong>situações hipotéticas</strong> para desenvolver a nossa análise. Dito isso, <strong>não podemos falar em <em>cristofobia</em></strong> por alguns motivos. O primeiro é: se a igreja tivesse efetivamente sido queimada por manifestantes, o que os teria motivado? O fato de ali ter sido palco de torturas em um regime ditatorial ou o fato de ali ser propagado uma religião? Quando esse tipo de prédio é posto em chamas, o símbolo que quer ser criado é o de afastamento ao que era usado para os subjugar; dessa forma, não se tem por pretensão a perseguição por ódio e/ou intolerância ao cristianismo, mas a tortura que ali ocorria. Portanto, é necessário que se faça, aos meus irmãos que acreditam nesse evento enquanto um exemplo de <em>cristofobia</em>, a seguinte pontuação: se o espaço da comunhão foi, em sua história, utilizado como um local onde se cometia atrocidades contra a vida humana, existe um vácuo da ética cristã, que preza pela vida e vida em abundância. Esvaziado de sentido, se torna apenas um prédio, uma estrutura que abdicou do seu compromisso social; portanto, afastada das demandas daqueles que dela precisariam. Para compreendermos isso, precisaríamos nos questionar algo muito simples: qual é a memória à qual aquele lugar remete? Seria um lugar esperança e reconciliação com o Criador? Ou um espaço onde pessoas foram feridas e violadas em muitos sentidos?</p>



<p>Sobre a capela de San Francisco de Borja, pisamos em um terreno ainda mais instável, pois se trata de um espaço com significado e acesso que se concentra em um grupo &#8211; a saber, os militares, que são apontados por muitos como indivíduos que se infiltram nas manifestações e nos atos para incitarem a violência e desordem, caracterizando posteriormente, os membros dessas organizações como vândalos. Esse tipo de movimentação seria feito para beneficiar as estruturas tradicionais com o apoio popular; ou seja, responsabilizando os manifestantes, haveria um repúdio da maioria, o que desviaria o foco das reivindicações para a descrição de apenas um clima de terror, desordem e intolerância, que seriam característicos desse grupo que pedia mudança. Seria, portanto, a tentativa da criação de um perfil do manifestante.</p>



<p>As notícias produzidas por veículos de imprensa mais conservadores, como já citado, atribuíram à <em>esquerda</em> esse tipo de violência associada ao conceito de <em>cristofobia</em>. Em contexto nacional, tal conceito tem sido instrumentalizado como uma justificativa das constantes críticas que são feitas ao atual governo &#8211; ou seja, o posicionamento contrário as posturas e medidas governamentais (simbólicas ou não) estão sendo lidas como um repúdio a fé cristã -, que deveras é utilizada como escudo para usos e abusos do chefe de Estado, que o faz mantendo como prerrogativa a defesa de valores que seriam característicos do cristianismo. A partir disso, novas questões devem ser levantadas: Há simetria com o que, de fato, a bíblia comissiona os seguidores de Jesus a fazer? O órfão, a viúva, os estrangeiros e, em linhas gerais, os grupos à margem estão recebendo assistência? Há políticas públicas para o combate as injustiças ou os direitos humanos continuam a ser violados? &#8211;  ao fim e ao cabo, pergunto: as pontes, nesse meio tempo, foram ampliadas, ou será que são os muros que estão sendo (ainda mais) levantados?</p>



<p>A partir desta reflexão, gostaria de caminhar para o fim dizendo que: <strong>a falsa simetria, tem sido um dos males da informação</strong>. Veja, duas igrejas foram, de fato, queimadas; no entanto, a forma como lemos esse evento não pode tender para uma opinião infundada do que pensamos ser <em>cristofobia</em> ou <em>esquerda. </em>Uma das formas que nos ajuda a fugir de uma análise tendenciosa é a sofisticação do raciocínio, que vem a partir de alguns questionamentos: observar o tipo de veículo onde se lê a informação, quem o escreve, a qualidade desse veículo, compará-lo a outros e, sempre que possível, pesquisar sobre o contexto dos lugares abordados pela matéria. <strong>A falsa simetria produz intolerância política, bem como colabora para que conjecturas, opiniões e distorções da realidade continuem a ocupar lugar de fato, de notícia</strong>. É necessário a quebra desse ciclo! Comece, portanto, não aceitando tudo o que chega até você como uma verdade inquestionável.</p>



<p>Afirmamos o nosso compromisso com a defesa dos direitos inalienáveis a todo ser humano; neste caso, a liberdade de expressão, liberdade de culto e de crença. Para o combate a intolerância em todos as suas camadas e significações, é necessário pontuar o que esse mal, de fato, é.</p>



<p></p>



<p>PARA REFLETIR:</p>



<p>Alguns dados colhidos em uma rede social:</p>



<p>Pergunta: A queima de Igrejas no Chile foi <em>cristofobia</em>?</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td>&nbsp;</td><td>TOTAL</td><td>JUSTIFICATIVA</td></tr><tr><td>&#8220;SIM&#8221;</td><td>40</td><td>&#8211;</td></tr><tr><td>&#8220;NÃO&#8221;</td><td>30</td><td>4</td></tr></tbody></table></figure>



<p>JUSTIFICATIVAS:</p>



<p>Quem marcou &#8220;não&#8221;:</p>



<p>&#8211; &#8220;A instituição igreja tem mais a ver com o estado que com Cristo.&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;Foi vandalismo apenas, uma forma errônea de manifestar indignação com a atual Constituição&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;Porque é igual racismo reverso! Não existe.&#8221;</p>



<p>&#8211; &#8220;A Igreja Católica no Chile não apenas compactou com Pinochet como se envolveu em diversos escândalos de pedofilia nos últimos anos, tanto que tentaram fazer uma espécie de reforma no país para que isso fosse encerrado, mas a memória de um povo em relação aos acontecimentos, principalmente os chilenos, não é algo que se apague e que vá ser deixado de lado até que apaguem, mesmo que literalmente, quem cometeu os atos&#8230;&#8221;</p>



<p>Quem marcou &#8220;sim&#8221; não enviou justificativa.</p>



<p></p>



<p>*Esse ensaio foi escrito no dia 26/10/2020. Até o momento, não houveram atualizações na investigação.</p>



<p></p>



<p>BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA ONLINE</p>



<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/igrejas-cristas-alvos-extrema-esquerda/">Gazeta do Povo: <strong>Por que as igrejas cristãs são alvos de ataques da extrema-esquerda?</strong></a></p>



<p><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/10/19/igrejas-sao-incendiadas-em-atos-que-marcaram-1-ano-de-protestos-no-chile">CNN Brasil: <strong>Igrejas são incendiadas em atos que marcaram 1 ano de protestos no Chile</strong></a></p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-10-19/duas-igrejas-sao-incendiadas-no-primeiro-aniversario-das-revoltas-no-chile.html">El País: <strong>Duas igrejas são incendiadas no primeiro aniversário das revoltas no Chile</strong></a></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-bereia"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="G5NDPwlF6o"><a href="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/">Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted" title="&#8220;Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos&#8221; &#8212; Coletivo Bereia" src="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/embed/#?secret=5AmqEwzHcw#?secret=G5NDPwlF6o" data-secret="G5NDPwlF6o" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<p><a href="https://www.elmostrador.cl/dia/2020/10/19/miembro-de-la-armada-fue-detenido-por-participar-en-desordenes-que-terminaron-con-incendio-a-iglesia-de-carabineros/">El Mostrador: <strong>Miembro de la Armada fue detenido por participar en desórdenes que terminaron con incendio a Iglesia de Carabineros</strong></a></p>



<p><a href="https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/10/16/un-nuevo-escandalo-sacude-a-los-carabineros-chilenos-descubrieron-a-un-policia-infiltrado-en-las-protestas-que-alentaba-la-violencia/?outputType=amp-type&amp;__twitter_impression=true&amp;s=08">InfoBae: <strong>Un nuevo escándalo sacude a los Carabineros chilenos: descubrieron a un policía infiltrado en las protestas que alentaba la violencia</strong></a></p>



<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/incendio-de-igrejas-no-chile-alimenta-cristofobia-e-vira-prato-cheio-a-bolsonaro.shtml">Folha: <strong>Incêndio de igrejas no Chile alimenta discurso da cristofobia e vira prato cheio para Bolsonaro</strong></a></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-onze-de-maio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.onzedemaio.com.br/membro-da-marinha-do-chile-e-preso-pondo-fogo-em-igreja-em-santiago/
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-el-mostrador"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.elmostrador.cl/noticias/multimedia/2020/10/18/carabineros-denuncia-que-individuos-prendieron-fuego-a-dependencias-de-iglesia-institucional-en-parque-san-borja/
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a><a href="https://www.infobae.com/america/america-latina/2020/10/16/un-nuevo-escandalo-sacude-a-los-carabineros-chilenos-descubrieron-a-un-policia-infiltrado-en-las-protestas-que-alentaba-la-violencia/?outputType=amp-type&amp;__twitter_impression=true&amp;s=08"> InfoBae: <strong>Un nuevo escándalo sacude a los Carabineros chilenos: descubrieron a un policía infiltrado en las protestas que alentaba la violencia</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> <a href="https://www.soychile.cl/Santiago/Sociedad/2020/10/19/678091/Defensa-dijo-que-marino-detenido-por-quema-de-iglesia-no-estaba-infiltrado-ni-cumplia-labores-de-inteligencia.aspx">Soy Chile:  <strong>Defensa dijo que marino detenido por quema de iglesia no estaba infiltrado ni cumplía labores de inteligencia</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> <a href="https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/">Coletivo Bereia: <strong>Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</strong></a></p>



<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> LUCIANA, Petersen; JULIANA, Dias. Igreja incendiada foi local de tortura na ditadura?.&nbsp;<em>In</em>:&nbsp;<strong>Incêndio de Igrejas no Chile não é caso de perseguição a cristãos</strong>. [<em>S. l.</em>], 21 out. 2020. Disponível em: https://coletivobereia.com.br/incendio-de-igrejas-no-chile-nao-e-caso-de-perseguicao-a-cristaos/. Acesso em: 26 out. 2020.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/">Editorial &#8211; Quando queimam Igrejas: o caso do Chile e um breve debate sobre &#8216;cristofobia&#8217;</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/01/editorial-quando-queimam-igrejas-o-caso-do-chile-e-um-breve-debate-sobre-cristofobia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12539</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Dos tempos que se foram, mas não passam: os ensinos da infância e a responsabilidade do eu com o outro</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/dos-tempos-que-se-foram-mas-nao-passam-os-ensinos-da-infancia-e-a-responsabilidade-do-eu-com-o-outro/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/dos-tempos-que-se-foram-mas-nao-passam-os-ensinos-da-infancia-e-a-responsabilidade-do-eu-com-o-outro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 067]]></category>
		<category><![CDATA[Aglomeração nas Igrejas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Religiosidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12411</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/dos-tempos-que-se-foram-mas-nao-passam-os-ensinos-da-infancia-e-a-responsabilidade-do-eu-com-o-outro/">Dos tempos que se foram, mas não passam: os ensinos da infância e a responsabilidade do eu com o outro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Algumas memórias atacam quando cutucadas. Esse é um fenômeno recorrente em minha vida; acredito ser esse o motivo das risadas em público desacompanhadas de uma piada externa, ou de alguém que as provoque externamente: a mágica acontece num instante interno e pronto. Sem muitas justificativas, sou puxada a passados que, em algumas circunstâncias, não querem passar. Isso é ruim, mas é bom.</p>



<p>Com o dia das crianças, eu consegui me lembrar de certos juízos e valores &#8211; na época, inquestionáveis &#8211; que moldavam a minha forma de expressão no mundo. Aumentando a lente, posso dizer que comecei a pensar na minha relação e nas concepções sobre individual e coletivo. Nunca fui uma criança solitária, mas sempre preservei o que, hoje em dia, compreende-se por solitude. Ter o meu espaço não apenas físico, mas também de desenvolvimento amplo das ideias, era fundamental para que eu conseguisse dialogar com o mundo a minha volta; caso contrário, eu dispunha de um humor pra lá de irritante e, assim, afastava qualquer possibilidade de juízo claro e constante pelo dia. Já chorei quando meu pai, passando em frente o ponto onde eu esperava o ônibus após a escola, não me viu e seguiu em frente. Segurei o choro até chegar em casa (ok, umas lágrimas caíram pelo caminho) e, por lá, desabei; era como ter visto O oásis no deserto mas ter esfregado o olhos e ter me conscientizado de que era apenas um delírio. Minha responsabilidade individual, quando desfocada no/do outro, gerava apenas delírios em mim &#8211; ou seja, <strong>quando não vejo <em>aquele que não sou eu</em>, me afogo em ideais que respondem apenas às minhas demandas mas que, ao fim e ao cabo, não passam de delírios.</strong></p>



<p>Um dos conselhos pertinentes na História é olhar para o passado a partir do presente &#8211; ou seja, inverter a lógica da linha do tempo para quebrar o paradigma invisível de que o tempo é linear e progressivo; horrores acontecem pelo caminho. Por exemplo: falava-se em desenvolvimento contínuo no século XX (lembre se do clima Belle Époque na Europa), que seria como um trem sem os freios apontando e seguindo para destinos gloriosos; no entanto, houve um acidente pelo caminho, e o causador dele tem por nome &#8220;guerras&#8221; &#8211; sobretudo aquela que mobilizou grandes potências de sua contemporaneidade: A Primeira Guerra Mundial, que deu o tom para o início do século. O mundo é um moinho, já diria Cartola.</p>



<p>Quando me estiquei na reflexão individual-coletivo, portanto, não pude deixar de lado o que <em>é </em>o meu presente -ou como <em>está</em> o presente em que vivo. Dessa forma, consegui tirar algumas conclusões prévias para entender os absurdos que encontro pelo caminho &#8211; não em uma tentativa de os justificar, longe disso, mas para complexificar algumas irritações que surgem em mim quando olho para o outro ou até mesmo pra mim.</p>



<p>A assimetria/simetria é a baliza que sempre acredito ser auto evidente em qualquer esfera do conhecimento, seja ele teológico, político, econômico, etc infinita (cabe dizer que digo dos campos onde tenho certo tipo de atuação e que me mantenho atualizada). Nesse primeiro citado, me desenvolvi em todos os sentidos durante a minha formação cidadã na pré-adolescência, adolescência e início da juventude. A religiosidade sempre foi motivo dos meus afetos e também desafetos; por isso, acredito eu, esse ser o ambiente em que mais presto a minha observação. A ideia de missiologia &#8211; ou seja, a propagação da Mensagem em que se crê &#8211; sempre passou pelo fio do testemunho que, numa linguagem mais clara, se traduz como <em>ser aquilo que se crê e fala. </em>Assim sendo, percebendo que a integração da fé cristã converge no ponto da &#8220;vida e vida em abundância&#8221; (Jo 10:10), é um tanto quanto assimétrico enxergarmos os prédios físicos lotados em um presente onde se tem um vírus disseminado e que tem matado sem a escolha de um padrão ou tipo ideal de pessoas (é óbvio que existem pessoas mais vulneráveis, mas as exceções apenas demonstram que ele ainda é o desconhecido). De toda forma, concluo que a assimetria desses espaços se dá pela escolha de não manutenção da vida; portanto, o abandono do testemunho como aspecto fundamental da vida cristã. Indo um pouco além na argumentação, percebe-se uma projeção &#8211; errônea &#8211; dos conceitos de soberania divina e de comunhão para justificar e legitimar a aglomeração nesses espaços. Sendo mais clara: a narrativa que se constrói gira em torno do argumento de que  &#8220;deus não permitirá a disseminação e contágio do vírus enquanto nos reunimos fazendo a <em>sua </em>vontade&#8221;; a igreja prédio é um espaço fundamental pois é onde se gesta a comunhão e, sem ela, há um desgaste no que se entende sobre <em>ser </em>igreja. São afirmações tão cristalizadas e inquestionáveis que legitimam aglomerações e distinções com relação aqueles que repensam esses usos e desusos do carimbo divino. Ora, a imagem de Deus como um micro administrador das nossas vidas, que dá conta das nossas irresponsabilidades, é criada pelo capitalismo para sua sobrevivência, pois, se antes se justificava a tirania como escolha divina, hoje se justifica o culto aos egoísmos como uma necessidade que, no entanto, é compartilhada entre um número ínfimo de cidadãos dispostos a abdicar da coesão e equilíbrio em nome de uma agenda que não leva em consideração o coletivo. </p>



<p>Recebi uma mensagem por esses dias de um rapaz que estava triste com o que havia sofrido nesses espaços e que, por ele, deveríamos colocar fogo nos prédios, mas que não o fazia pois tinha bom senso. Concluo esse texto dizendo o mesmo que disse a ele, pois, de toda forma, sou parte desse espaço: &#8220;- Às vezes, tudo parece tão errado que a solução se apresenta assim pra gente: vamos botar o prédio abaixo e começar do zero. Mas com calma e sabedoria, conseguimos (em nome de Jesus) dialogar melhor nos espaços de fé cristã&#8221;. </p>



<p>Pois bem, se a transcendência coletiva tem sido benéfica para os que experimentam dela, isso eu não questiono; na verdade, estou longe de pôr uma interrogação na experiência do outro, mas sou uma das vozes que permanecerá questionando: seria essa atitude uma condição de delírio? </p>



<p>&#8211; esse questionamento pode ser estendido para além do espaço aqui abordado.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/dos-tempos-que-se-foram-mas-nao-passam-os-ensinos-da-infancia-e-a-responsabilidade-do-eu-com-o-outro/">Dos tempos que se foram, mas não passam: os ensinos da infância e a responsabilidade do eu com o outro</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/18/dos-tempos-que-se-foram-mas-nao-passam-os-ensinos-da-infancia-e-a-responsabilidade-do-eu-com-o-outro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12411</post-id>	</item>
		<item>
		<title>PARTE II &#8211; O Silêncio entre músicas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/parte-ii-o-silencio-entre-musicas/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/parte-ii-o-silencio-entre-musicas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 065]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12229</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/parte-ii-o-silencio-entre-musicas/">PARTE II – O Silêncio entre músicas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos passos e contra passos, o silêncio retorna com alguma voz à medida em que, com ele, vem a expectativa de uma nova proposta, uma nova mensagem, um novo estilo e performance. Como dito na primeira parte desta reflexão: há sempre uma expectativa nos intervalos. Cabe, então, a constante pergunta: o que nos mantém esperando e/ou esperançando?</p>



<p>Acredito que a resposta, longe de se cristalizar no 8 ou 80, pode ser expressa por duas razões gerais: não sabemos o que vem; sabemos o que há de vir. E é sobre esses dois aspectos que finalizaremos essa proposta de escrita e reflexão sobre o instante que não pode ser tipificado, mas que possibilita uma breve narrativa dos sentidos que provoca. Esse texto se contenta em ser uma narrativa.</p>



<p>Saber <em>o que está por vir</em> não se traduz como uma ausência de novidade; afinal, a narrativa estabelecida no silêncio é, inevitavelmente, marcada por expectativas a partir de uma condição específica chamada experiência. A forma com que experimentamos algo &#8211; e cabe destacar que não digo de um tipo de consumo submetido as relações líquidas da contemporaneidade -, raramente se repetirá; parafraseando Heráclito, não se passa duas vezes no mesmo rio. Mesmo sabendo o que está por vir, experimentaremos aquele fragmento de forma diferente a cada vez que escutarmos &#8211; afinal, nada de se apresenta em totalidade e plenitude na primeira vez que temos contato.</p>



<p>Existem benefícios em não saber o que vem. Essa ingenuidade, estabelecida após o fim do que se conhecia, nos ajuda a administrar os esforços para o exercício do esperançar e, nesse sentido, atribuo a palavra à reflexão de Freire sobre ela &#8211; ou seja, o esperançar como uma ação, onde se constroi algo e se aplica um determinado tipo de força. Procuro, com isso, indicar que a condição de ignorância sobre o que vem não deve ser traduzida como um momento de inércia; pelo contrário, é um momento onde, internamente, estamos buscando formas de receber o desconhecido. Se a música finaliza, por ruptura ou não, buscaremos no e com o silêncio, formas inteligíveis de receber o que está por vir e, assim, dançaremos com o mistério &#8211; não por conhecer a sua letra, mas por sermos embalados no seu ritmo. Os pés retornam a balançar.</p>



<p>Saber ou não saber não pode ser o elemento determinante de nossas reações, até porque lidar com o inesperado é uma chamada cada vez mais pertinente no atual século. Lembro quando fiz um exercício reflexivo no primeiro semestre de História: me perguntaram o motivo de ter escolhido o curso, e eu respondi que gostaria de compreender o passado, melhorar minha atuação no presente e ajudar na previsão do futuro, evitando os erros já cometidos. Me desculpo, pois estava crua, em realidade. As breves linhas em que me justifiquei dizem de uma adolescente com a esperança de que o conhecimento controlaria as ações e reações, culminando num mundo melhor. Meses depois, me deparei com o movimento negacionista no passado (e também no presente). <strong>A história não se repete, pois os atores literais não são os mesmos; ela não controla o tempo, pois o seu interesse é o homem dentro desse; ela é imanência sem previsão de fim.</strong> A música e a história dividem o apelo do silêncio como um breve espaço de potência para o ensaio de uma vida melhor.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>"Outra vírgula na vida
Outro ponto pra reescrever
Tudo igual: repete, muda
Tudo é o que não veio a ser

O fim é o começo
Início, um novo fim
Um velho recomeço
Tudo é o que não veio a ser"

Fim - Legrand/Composição: Diego Neves.</em></pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/parte-ii-o-silencio-entre-musicas/">PARTE II &#8211; O Silêncio entre músicas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/10/04/parte-ii-o-silencio-entre-musicas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12229</post-id>	</item>
		<item>
		<title>PARTE I &#8211; O Silêncio entre músicas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=12072</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/">PARTE I – O Silêncio entre músicas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe um espaço de tempo entre o final de uma música e início de outra. Às vezes, somos incomodados por propagandas, ou quando, por termos curtido tanto o que ouvimos, perdemos o êxtase quando a música se encerra. O coração desacelera, os pés se aquietam, a nossa feição muda,&nbsp; a imaginação retorna ao apego da realidade e somos reinseridos no mundo das impossibilidades. Digo isso pois já tive a famigerada experiência de escutar algo e pensar naquilo como trilha sonora de um clipe que a minha vida poderia estrelar.</p>



<p>Quando o silêncio não incomoda, pode gerar expectativa com a próxima canção quando se tem plena consciência da <em>playlist</em> por nós criada ou criada para nós. O que quero dizer é que: <strong>sempre existirá uma expectativa nos intervalos</strong>, atravessada a risos e prantos, amores e temores, felicidades e infelicidades, enfim, há sempre o que ser esperado no espaço do silêncio, ainda que isso indique estar a deriva em seus próprios pensamentos e reflexões. <strong>Silêncio é mais do que uma causa, é condição de auto percepção frente ao muito, frente ao emaranho que é o todo.</strong></p>



<p>O interessante desse espaço é que ele não avisa que está prestes a acontecer ou muito menos acabar; ele apenas se estabelece, e nós nos adaptamos a ele. Há músicas que vão, gradualmente, nos acostumando com o seu fim. Com o uso das escalas corretas, vamos nos aquietando, sossegando e passamos a esperar por esse momento. Há músicas que possuem um estilo meio termo; mas há também as que são opostas: com uma outra proposta, estão dispostas a seguir em volume máximo até o último segundo esgotar. Normalmente, são essas últimas que nos agitam, nos tiram da condição de meros ouvintes contempladores e nos elevam a mesmo passo das notas mais agudas. O fim não é algo gradual nessas: ele é ruptura e mensagem abrupta. É como entregar um alimento e não ensinar a comê-lo; entregar um livro, mas não ensinar a lê-lo; é, ao fim e ao cabo, entregar silêncio a quem estava embalado pelo barulho. Há quem lide bem com o susto que isso significa em comparação com os que andam a passos curtos; há quem goste das músicas que não anunciam o fim. Por isso, esse texto não é uma crítica sobre como se desdobra o final de cada música, relembro: é sobre o silêncio que há entre o fim e o começo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c748b-biogyo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8843" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4d2c9-loja-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11599" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/443e6-galeriaiury3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10527" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/">PARTE I &#8211; O Silêncio entre músicas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/09/20/parte-i-o-silencio-entre-musicas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">12072</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
