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	<title>Arquivos juiz de fora - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Museu Mariano Procópio completa 102 anos integralmente reaberto aos públicos  </title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jun 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 169]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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		<category><![CDATA[Museu Mariano Procópio]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Ferreira Lage]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/06/25/museu-mariano-procopio-completa-102-anos-integralmente-reaberto-aos-publicos/">Museu Mariano Procópio completa 102 anos integralmente reaberto aos públicos  </a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com a inauguração da Villa Ferreira Lage em 31 de maio de 2023, o Museu Mariano Procópio concluiu a terceira e última etapa de sua plena reabertura às cidadãs e cidadãos de Juiz de Fora, de Minas Gerais e de todo o Brasil. Amplamente repercutida nas mídias, a notícia ultrapassou os limites do regional, reverberando no <em>Jornal Nacional</em> e na <em>Globo News</em>. O sucesso de público, que reflete uma demanda reprimida há tempos, foi estrondoso nesse mês de junho: cerca de 2000 pessoas no primeiro final de semana, 1400 no feriado de Santo Antônio e a manutenção dessa média aos finais de semana.&nbsp;</p>



<p>Com uma média dessa de público espontâneo no mês de junho, o Museu Mariano Procópio não poderia ter recebido melhor homenagem pelos seus 102 anos de inauguração oficial pelo fundador Alfredo Ferreira Lage (1865-1944). Em 23 de junho de 2021, quando o equipamento cultural completava seu centenário, suas portas se encontravam fechadas desde março de 2020, por conta da pandemia de Covid-19. Diante dessa circunstância, que inviabilizou a utilização da Galeria Maria Amália e de suas salas contíguas no primeiro andar do prédio anexo – que eram os únicos espaços físicos então disponíveis à visitação pública desde agosto de 2016 –, não houve alternativa, a não ser organizar uma programação virtual, através da realização de lives, vídeos e postagens no canal da instituição no You Tube e nas redes sociais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Vale destacar que a restauração da Villa, iniciada em 2009, teve cerca de 70% de seus trabalhos finalizados no final do ano 2019, permitindo que, em janeiro do ano subsequente, os técnicos da instituição realizassem diversas visitas mediadas de grupos agendados e espontâneos a todos os cômodos da edificação. O objetivo era refletir sobre os usos sociais do espaço no século XIX e nas décadas que se sucederam, demonstrando a dinamicidade e a mutabilidade do espaço, os bastidores do processo de restauração e as camadas do tempo descortinadas pelos restauradores. Juntamente com as visitas mediadas, os servidores também prepararam, na Galeria Maria Amália, a mostra <em>“Retalhos do Passado: histórias (des)encobertas pelo restauro da Villa”</em>, por meio da qual os visitantes tiveram oportunidade de visualizar registros fotográficos e fragmentos arqueológicos encontrados durante esse meticuloso processo de restauração.&nbsp;</p>



<p>Com o advento da pandemia do coronavírus, em março de 2020, as visitas mediadas ao espaço tiveram que ser interrompidas abruptamente. Passado esse interregno de dois anos, a nova gestão municipal sinalizou, em junho de 2022, para um processo de gradual reabertura de toda a edificação histórica. A partir de então, começaram os preparativos para o início da primeira etapa do processo, que envolveu a reabertura do primeiro pavimento do prédio anexo, com uma exposição alusiva aos duzentos anos da Independência do Brasil. A referida exposição, inaugurada em 7 de setembro de 2022 e intitulada <em>“Rememorar o Brasil: a Independência e a construção do Estado-Nação”</em>, foi montada entre os meses de julho e agosto do mesmo ano, tão logo a equipe foi informada de que o Museu Mariano Procópio figuraria na lista de aparelhos de cultura do município que participariam das comemorações do bicentenário.&nbsp;</p>



<p>A segunda exposição, intitulada<em> “Fios de Memória: a formação das coleções do Museu Mariano Procópio”</em>, foi montada em fevereiro de 2023 e inaugurada em 3 de março do mesmo ano. O percurso narrativo, constituído de dez salas no total, narra a história e os diferentes aspectos do colecionismo de Alfredo Ferreira Lage e do Museu Mariano Procópio, explorando as seguintes temáticas: as diferentes facetas da trajetória de Alfredo Ferreira Lage; a concepção de “gabinete de curiosidades” que norteava a formação intelectual de caráter enciclopédico de suas coleções; a influência feminina no perfil colecionista do fundador; o projeto de perpetuação das memórias do Império Brasileiro; as mudanças e permanências no perfil colecionista da instituição após a morte de Alfredo e a posse de sua sucessora, a diretora Geralda Armond, que geriu o museu por 36 anos (1944-1980); e, por fim, diversas reflexões sobre o papel do museu na contemporaneidade, como a incorporação de memórias, narrativas e identidades plurais sobre os povos originários de origens indígena e africana e a abordagem dos afrodescendentes como personagens históricos e atores sociais ativos na construção da história do Brasil. Nesse sentido, também se sinalizou para a importância de o museu ser visto como espaço não-formal de educação e produtor de conhecimentos multidisciplinares – inclusive, no campo da conscientização ambiental.&nbsp;</p>



<p>Enquanto isso, a montagem da Villa Ferreira Lage foi realizada entre os meses de abril e maio, com o objetivo de criar a ambientação de uma casa de veraneio de uma família da elite senhorial brasileira do século XIX. Composta de dois pavimentos com 14 cômodos e um porão semi-enterrado, a composição do circuito expositivo foi realizada em tempo recorde, logo após a Prefeitura Municipal de Juiz de Fora finalizar os detalhes que faltavam na pintura das paredes de alguns cômodos.&nbsp;</p>



<p>A equipe curatorial responsável pela concepção expográfica e montagem do circuito expositivo dessa edificação oitocentista, bem como das outras duas exposições, é formada por três historiadores (Sérgio Augusto Vicente, Rosane Carmanini Ferraz, Priscila da Costa Pinheiro), duas museólogas (Alice Colucci e Vera Vargas), um conservador-restaurador (Aloysio Gerheim) e um supervisor de Museologia (Eduardo de Paula Machado). Em menos de um ano, a referida equipe – que contou com o apoio operacional dos servidores de outros departamentos da instituição – conseguiu conceber intelectualmente e montar três grandes e novas exposições, atendendo à demanda de reabertura integral do museu aos públicos. É importante destacar que não se trata apenas de uma mera “remontagem” do circuito expositivo, mas da construção de novas estruturas narrativas pautadas em renovações historiográficas e museológicas desenvolvidas nas últimas décadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Uma das várias novidades trazidas pelas narrativas das exposições é a transformação do porão em espaço expositivo aberto à visitação pública. E não apenas isso: vale destacar a importância de sua ressignificação como espaço dedicado às artes e à reflexão sobre os “mundos do trabalho”. No bojo desse movimento, o objetivo central consistiu em lançar luz sobre as vozes silenciadas da história, cujas memórias sofreram processos de apagamento e silenciamento pelos discursos hegemônicos da classe senhorial e da sociedade patriarcal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não há provas empíricas ou evidências históricas para afirmar, veementemente, que o porão cumpria a função de senzala. No entanto, sabe-se que a escravidão, fazendo-se presente na sociedade brasileira do século XIX, sobretudo entre as famílias da elite aristocrática, também se fez presente naquele espaço de trabalho, desde os mais elementares cuidados com a casa e o armazenamento de mantimentos, até a preparação das refeições posteriormente servidas na luxuosa mesa da sala de jantar.&nbsp;</p>



<p>Esteve longe de ser fortuita, nesse sentido, a escolha do poema “Perguntas de um trabalhador que lê”, de autoria de Bertolt Brecht, para figurar na entrada do porão. O poema participa da exposição no momento em que o público se sente impactado pelo contraste entre o mundo da riqueza, do status e da sofisticação visualizado nos dois pavimentos superiores, com a rusticidade, a segmentação e o isolamento propiciados por aquele espaço.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, <em>“Quem construiu Tebas?” </em>– questionamento presente no poema de Brecht – equivaleria à pergunta “Quem construiu a Villa, carregou seus tijolos, suas pedras e dela cuidou para que esse patrimônio subsistisse às intempéries da história?”. Tais questionamentos não servem apenas para refletirmos criticamente sobre o passado, mas, sobretudo, para pensarmos no tempo presente, quando nos perguntamos sobre quem restaurou as paredes daquela edificação e sobre quem trabalhou arduamente para que aquele espaço fosse reaberto à população. Por isso, além da ficha técnica ter sido exposta no porão, as paredes de diversos cômodos serviram de suporte para registros fotográficos dos trabalhos dos restauradores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O porão se transformou, ainda, em espaço para expor os registros fotográficos de participantes de um concurso de fotografia amadora recentemente promovido pela instituição, intitulado “Olhares sobre o Museu Mariano Procópio”, no qual se podem apreciar, por exemplo, as miradas poéticas dos Srs. Itauan Alves dos Santos e Renato Silva, dois trabalhadores atuantes na segurança e manutenção do parque que circunda aquela edificação. Tudo isso contribui sobremaneira para fortalecer o sentimento de pertencimento de funcionários e representantes das comunidades ao espaço visitado.&nbsp;</p>



<p>Por fim, o porão oferece aos públicos uma sala audiovisual, convidativa a um breve repouso, após longa jornada de visitação por dezenas de salas. Nesse espaço, atualmente se pode assistir a um filme com diversas imagens digitalizadas de uma película produzida no Museu Mariano Procópio nos anos 1930/1940, pelas mãos e olhares do cinegrafista amador Arthur Tavares Machado. Além de assistirem aos personagens históricos em movimento – como Alfredo Ferreira Lage, Geralda Armond e vários outros –, os visitantes podem observar detalhes de objetos exibidos no circuito expositivo daquela época, muitos dos quais figurando nas exposições atualmente em cartaz na instituição, possibilitando estabelecer comparações entre presente e passado quanto à forma de expor esses objetos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Apesar dos inúmeros desafios enfrentados na montagem das exposições, devido à necessidade de utilização criativa dos recursos de que se dispunha na instituição, a equipe curatorial conseguiu entregar três exposições cujas narrativas e conteúdos estão em consonância com as demandas da chamada museologia social, que se pauta na busca de reflexões críticas sobre os objetos, os processos históricos, suas ambiguidades, contradições e conflitos. Além disso, foi possível&nbsp; escapar, em diversos sentidos, de narrativas canônicas, que se dedicavam ao culto personalista aos chamados “grandes vultos” da história oficial brasileira, à linearidade de uma narrativa tripartite da história do Brasil, que “congelava” a trajetória dos povos originários e afrodescendentes em determinado período e recorte temático da história – como o período colonial e a escravidão, por exemplo.&nbsp;</p>



<p>A reabertura integral do museu aos públicos é, sem dúvida, um momento histórico; não isento, é claro, de grandes desafios enfrentados e que ainda estão por vir. Montar três grandes exposições em menos de um ano apenas foi possível graças a todo o trabalho prévio relacionado à pesquisa, ao estudo, à conservação e à comunicação do acervo por parte da diminuta equipe que compõe o Departamento de Acervo Técnico. Produção de instrumentos de pesquisa (como levantamentos, inventários e catálogos), conservação preventiva, produção de artigos para revistas acadêmicas e de divulgação científica, organização e processamento técnico do acervo, bem como o auto-investimento dos servidores em capacitação (cursos de curta e média duração, pós-graduação lato senso, mestrado e doutorado) e várias outras atividades realizadas ao longo dos últimos anos, são trabalhos “silenciosos”, feitos nos bastidores, de forma gradual, mas que se mostraram imprescindíveis à construção e maturação de conhecimentos e saberes necessários à tecitura de novas narrativas e interpretações dos objetos no espaço museal. Um espaço vivo, mutável, que nunca pode se conformar com os papéis de “cofre” e “templo”, mas crescer cada vez mais como “museu-fórum”, de debates democráticos e de construção coletiva de novos e múltiplos conhecimentos.&nbsp;</p>



<p>Para<em> “Rememorar o Brasil”</em> através do Museu Mariano Procópio, é preciso cuidar, zelar e estimular a formação de uma enorme e infinita trama de “Fios de Memórias”, da qual fazemos parte como cidadãos e cidadãs antenados em pensar projetos de sociedade que articulam presente, passado e futuro como uma grande “tenda” em que entrem todos – rememorando aqui o poema <em>“Tecendo a manhã”</em>, de João Cabral de Melo Neto, plotado numa das paredes da instituição. No entanto, nada disso faz sentido se a luta presente e futura não tiver como objetivo construir condições para que a instituição se mantenha de portas abertas e com a potência e a robustez necessárias para continuar cumprindo seu papel social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">chaves&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">trancadas&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">portas&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">abertas&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">memórias&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right">encadeadas&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="534" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=950%2C534&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31590" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=600%2C338&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?resize=1200%2C675&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/10.png?w=1600&amp;ssl=1 1600w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<figure class="wp-block-image size-full is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="835" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-1.jpg?resize=950%2C835&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31462" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-1.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-1.jpg?resize=300%2C264&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-1.jpg?resize=768%2C675&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-1.jpg?resize=600%2C528&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>S</strong>érgio Augusto Vicente</p>



<p>Doutorando e mestre em História, Cultura e Poder pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Bacharel e licenciado em História pela mesma universidade. Dedica-se a estudos na área de história social da cultura no período correspondente à segunda metade do século XIX e às décadas iniciais do século XX, com ênfase nos seguintes temas: associativismo, sociabilidades, trajetórias, história intelectual, história social da literatura, memória, arquivos e coleções bibliográficas e documentais. Professor efetivo de História da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora (MG). Possui experiência em pesquisa histórica, processamento técnico de acervo e difusão cultural em museus &#8211; como curadorias de exposições e mostras, palestras, minicursos e oficinas. Entre os anos 2022 e 2023, integrou a equipe curatorial de três grandes exposições que reabriram o Museu Mariano Procópio integralmente aos públicos, com novas abordagens historiográficas e narrativas expográficas. São elas: 1. <em>Rememorar o Brasil: a Independência e a construção do Estado-Nação</em>; 2. <em>Fios de Memória: a formação das coleções do Museu Mariano Procópio</em>; 3. <em>Villa Ferreira Lage (ambientação da residência de uma família da elite senhorial brasileira do século XIX).</em> Desde 2020, atua como escritor da revista <em>Trama Bodoque: arte, cultura e criatividade </em>(ISSN 2764-0639) e, a partir de 2022, também passou a atuar como membro do conselho editorial do referido periódico semanal.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/5P6bxSaRg2cK48jDngP6CY?si=0xXOqkk_QzGWuUYT-GgGtg"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31307" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



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<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/19/programacao-de-inverno-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=404%2C506&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31449" width="404" height="506" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?w=745&amp;ssl=1 745w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=239%2C300&amp;ssl=1 239w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=600%2C752&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 404px) 100vw, 404px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.youtube.com/c/BodoqueTV/featured"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26890" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div></div>
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<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/06/25/museu-mariano-procopio-completa-102-anos-integralmente-reaberto-aos-publicos/">Museu Mariano Procópio completa 102 anos integralmente reaberto aos públicos  </a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<title>Pas de deux</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/10/02/pas-de-deux/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Oct 2022 18:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 140]]></category>
		<category><![CDATA[artista local]]></category>
		<category><![CDATA[Artistas de Juiz de Fora]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Legrand]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves </p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/10/02/pas-de-deux/">Pas de deux</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ideia de canção das canções é falsa, mas podemos definir o sentimento da música pela música em si, prosseguindo nas comemorações do nosso dia especial, deixamos aqui, para a reflexão, que por ser uma forma de ser amor, assim como disse Djavan, a música também não se encerra, só se exalta, se recicla e por ser renovada , segue e fim. Assim, mais do que já temos aqui, abram um espaço em si para o Diego Neves, mais um artista local. </p>



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<iframe loading="lazy" title="DN*B - Pas de deux (Clipe)" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/RCPOBBZdj8A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="399" height="389" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?resize=399%2C389&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13667" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?w=399&amp;ssl=1 399w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?resize=300%2C292&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 399px) 100vw, 399px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong><strong>Diego Neves&nbsp;</strong></strong>é músico no projeto Diego Neves*banda, é integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>
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		<title>Máscara</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Oct 2022 18:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 140]]></category>
		<category><![CDATA[artista local]]></category>
		<category><![CDATA[Artistas de Juiz de Fora]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Beto Martins</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É embalados pelos compassos dos intervalos de sonoridade e silêncio que vivemos os nossos dias, quem nunca se pegou ritmando o barulho que a caneta faz quando utilizada, o grito da criança,ou&nbsp; os passos que nos guiam a lugares onde completaremos nossas obrigações requeridas?</p>



<p>É andando sem necessariamente caminhar que a música nos guia, com certeza por isso, que o dia 1º de outubro foi instituído como o <em>Dia Internacional da Música</em>, em 1975, pelo <em>International Music Council</em>, organização não governamental fundada com o apoio da <em>UNESCO </em>em 1948.</p>



<p>Pela face turva que, primeiramente revelada aos seus compositores, a música instiga a desembaçar e escrever. Canções demonstram a necessidade, revelando de forma poética a epifania.&nbsp;</p>



<p>Hoje a Revista Trama Bodoque reforça o seu compromisso público com a cultura, trazendo aos nossos leitores, Beto Martins, artista da região de Juiz de Fora, para que exponha a sua arte, sendo elas mais do que obra, mas o líquido que melodiando desliza, colocando em funcionamento as engrenagens da vida.</p>



<p></p>



<p></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Beto Martins - Máscara [Clipe Oficial]" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/s5raA42D8cc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/beto.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26785" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/beto.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/beto.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/beto.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/beto.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
</figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Beto Martins</strong>&nbsp;é músico, ilustrador e artista gráfico, fundador do Viana Black Estúdioe host no artecast Bodoque.&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/vianablack/">Instagram</a>&nbsp;–&nbsp;<a href="https://www.artstation.com/betomartinsvb">Portfólio</a>.</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="331" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=950%2C331&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23851" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=1024%2C357&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=300%2C105&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=768%2C268&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p><a href="https://www.instagram.com/beto.martins.bm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Beto Martins</a> | <a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Café Libertas</a> | <a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atena Bookstore</a></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.artebodoque.com/ensaios-sobre-arte-e-cultura-frederico-lopes-livro"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26017" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem e acesse nossa loja virtual.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/asdasdasd.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26465" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/asdasdasd.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/asdasdasd.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/asdasdasd.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/asdasdasd.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<div class="wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 is-style-fill"><a class="wp-block-button__link has-vivid-red-background-color has-background" href="https://www.artebodoque.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Clique E CONHEÇA NOSSA LOJA!</a></div>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background wp-block-heading">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



<p>Agora você pode divulgar seus<strong> produtos, marca e eventos</strong> na Trama em todas as publicações! </p>



<p>No plano de parceira <strong>Tramando</strong>, você escolhe entre 01 e 04 edições para ficar em destaque na nossa plataforma, ou seja, todas as publicações das edições publicadas vão trazer a sua marca em destaque nesse espaço aqui, logo após cada texto e exposição . Os valores variam de R$25,00 a R$80,00.</p>



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		<title>De A a Z, Juiz de Fora tem muita história para contar!</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/28/de-a-a-z-juiz-de-fora-tem-muita-historia-para-contar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 080]]></category>
		<category><![CDATA[ABC do Patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Leopoldo Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Letras do Leo]]></category>
		<category><![CDATA[Lettering]]></category>
		<category><![CDATA[tipografia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14333</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Leopoldo Lima</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>É hora de redescobrir cada detalhe que está presente no acervo das obras de arte e do patrimônio histórico e arquitetônico, além de pessoas que contribuíram para o crescimento de Juiz de Fora. Desse pensamento, nasceu o projeto ABC do Patrimônio, que uniu, em uma homenagem a JF, as paixões que carrego pela fotografia, pela história e pela tipografia.</p>



<p>Apresento aqui a primeira temporada do projeto, que se preocupou em pesquisar e postar o material em ordem alfabética no perfil do Instagram batizado de &#8216;<a href="https://www.instagram.com/letrasdoleo/">Letras do Leo</a>&#8216;. As texturas, as cores e as formas de cada peça, local ou fotografia serviram de inspiração para, mais uma vez, recontar uma parte da história da nossa cidade e manter viva a memória daqueles que foram essenciais para que nós pudéssemos viver a JF como vivemos hoje.</p>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.736256089074%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/e2a23-leo6.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/e2a23-leo6.png?w=950?strip=info&#038;w=605 605w" alt="" data-height="605" data-id="14336" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14336" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8bc98-leo6.png" data-width="605" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/e2a23-leo6.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.263743910926%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/ef1f0-leo5.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/ef1f0-leo5.png?w=950?strip=info&#038;w=601 601w" alt="" data-height="601" data-id="14337" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14337" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fc62e-leo5.png" data-width="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/ef1f0-leo5.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/d5c9c-leo4.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/d5c9c-leo4.png?w=950?strip=info&#038;w=602 602w" alt="" data-height="602" data-id="14338" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14338" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7fe3d-leo4.png" data-width="602" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/d5c9c-leo4.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/cc31d-leo3.png?w=950?strip=info&#038;w=599 599w" alt="" data-height="599" data-id="14339" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14339" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e2b4-leo3.png" data-width="599" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/cc31d-leo3.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/63509-leo2.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/63509-leo2.png?w=950?strip=info&#038;w=605 605w" alt="" data-height="605" data-id="14340" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14340" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a911-leo2.png" data-width="605" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/63509-leo2.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.333333333333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/6257d-leo1.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/6257d-leo1.png?w=950?strip=info&#038;w=602 602w" alt="" data-height="602" data-id="14341" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=14341" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/613a9-leo1.png" data-width="602" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/02/6257d-leo1.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p>A segunda &#8220;temporada&#8221; começa em meados de março com novas letras, trazendo para o público um pouco mais da história e do acervo utilizado para a criação dos conteúdos &#8211; que consiste principalmente de livros e páginas na internet, devido à dificuldade de acesso a fontes pessoais por conta da pandemia.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c5c64-leopoldo-lima.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14343 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Leopoldo Lima </strong>é especialista em Design de produto na era digital e graduado em Design Gráfico. Apaixonado por tipografia, lettering e história, acredita que criar vem do exercício diário da observação, da curiosidade, em querer saber sempre mais. Todo dia de manhã espera encontrar uma caneca bem cheia de café, novos desafios e inspirações.</p>
</div></div>



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		<title>[Arredores] Performátika de Afirmação, com Noah Mancini</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 23:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Performátika]]></category>
		<category><![CDATA[Noah Mancini]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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<p>Mais do que um espaço de comunicação atrelado a concepções estéticas, a arte é performática. Toda ela. Enquanto ferramenta de expressão, a arte contempla a possibilidade das mais diversas performances, de corpos de todas as cores e formas que vivem, de vozes de todas as texturas e amplitudes que ecoam. E cada performance é afirmação desse corpo, dessa voz, desse propósito, desse pensamento, no espaço e no tempo em que se localiza. Criam lastro. Geram cultura. </p>



<p>Essa cultura que afirma é, talvez, um dos principais pontos de convergência entre os trabalhos da Mostra Performátika, curada pelo artista Noah Mancini para o Memorial Minas Gerais Vale. Trazendo video e foto-performances de sete artistas que atuam em Juiz de Fora e região, em seis trabalhos que comunicam especialmente sobre questões identitárias, a Performátika é, sem dúvidas, um grande exemplo da performance enquanto afirmação de corpos, vozes e vivências. </p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com Noah Mancini, bacharel em Artes e Design (UFJF), artista-etc e curador da Mostra Performátika. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13293" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Noah Mancini,<strong>&nbsp;</strong>artista-etc e curador da Mostra Performátika.<br>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Você trabalha com muitas frentes artísticas diferentes. Isso nasce das suas formas de expressão naturais, ou vem de um estímulo proposto pela formação no BI em Artes e Design?</strong></p>



<p><strong>Noah:</strong> Eu comecei nas artes com o teatro e com a dança, quando eu estava no ensino fundamental. Aquela coisa, né, a família vê que a criança é mais sensível, que gosta de coisas relacionadas à música, ao teatro&#8230; e a minha família acabou me colocando [nessas aulas], e aí pra quê, né, menina? Comecei a frequentar as aulas e a me dar muito bem. Eu tinha até mais desenvoltura social, e mais aceitação no meio, naquele espaço do teatro e da dança; eu me sentia muito bem nas aulas, adorava fazer as apresentações, adorava os amigos que eu cultivava naqueles espaços. Então, já no ensino fundamental, eu comecei a me interessar bastante por arte. </p>



<p>Quando eu estava já na fase pré-vestibular, que a gente já está escolhendo [o curso que vai fazer], eu queria muito fazer algo relacionado às artes; e eu me lembro de ter assistido a um seminário de palestras com vários profissionais das cênicas, de todo o Brasil, lá no Divulgação (da UFJF). Veio a Deolinda Vilhena, uns professores da UFBA e da USP, e eles estavam falando sobre o panorama do teatro no Brasil &#8211; sobre como era difícil, como você tinha que fazer várias coisas se você quisesse viver de arte; e eu fiquei muito com isso na cabeça. E  foi quando, conversando com a minha mãe e com a minha família, eu coloquei para eles que eu queria fazer algo nas artes.</p>



<p>Eu pensei muito sobre essa multifuncionalidade que o artista precisa exercer, e também tinha a pressão da família e da sociedade em relação a escolher uma área com graduação em humanas. Antes de entrar pra faculdade, também, eu já fazia algumas colagens, uns desenhos, uns poemas, coisas assim&#8230; então, eu já estava muito com o pé ali. Na época, então, eu passei pro IAD, e comecei a estudar já tendo algumas poéticas segmentadas, já certa de que eu queria ser artista &#8211; ainda que a graduação ainda tivesse muita coisa pra me auxiliar, não só com as questões teóricas, mas com o encaminhamento profissional, eu já cheguei naquela de &#8216;sou artista&#8217;. Quando eu fui tendo mais contato com a grade do BI na prática, eu fui vendo o quanto ela era ampla e me possibilitava as coisas que eu já vinha desenvolvendo, em várias linguagens artísticas.</p>



<p>Além de ser um grande privilégio você estudar a arte na perspectiva de várias linguagens, eu acho que também é uma urgência profissional do criador, do produtor de cultura; essa interdisciplinaridade permite uma pluralidade de funções no meio artístico que eu acho que é uma questão do mercado de trabalho das artes. Como foi dito lá em 2012, mesmo, no seminário que eu comentei, é uma coisa que não dá pra desenvolver trabalhos sem isso. E é, também, uma urgência de várias pessoas que conheço, que fazem faculdades mais segmentadas, como belas artes, gravura&#8230; o que é ótimo, ter o recorte e a especialização; mas, ao mesmo tempo, vejo [essas pessoas] muito carentes de novas possibilidades de expressão e de profissionalização do trabalho. O BI, então, veio unindo o útil ao agradável, porque eu já vinha, desde antes da faculdade, numa poética de artista-etc, e o curso foi um empurrão para que eu pudesse começar a desenvolver outros trabalhos.</p>



<p><strong>T: Você comentou que trabalha até com muito mais frentes artísticas do que as que a gente encontra quando joga seu nome no Google. Mas, quando a gente joga seu nome no Google, a performance e a fotografia/colagem aparecem como principais. Como é se reconhecer nesse lugar, de um artista do interior, preto, LGBT, e como um nome consistente em campos que a arte costuma ser tão elitizada?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Eu diria que é uma luta constante, e ela não está nem perto de terminar. É um dos percalços que a gente passa, e vai continuar passando, infelizmente; e que estamos aí justamente para que a gente possa não passar mais por isso. Eu acho que é sempre um exercício de provação, pra ti e para os outros.</p>



<p>Quando eu entrei na faculdade, eu entrei cheio de certezas sobre o que era cinema, o que era arte, e outras coisas. E aí, quando a gente entra, a estrutura do curso, a grade, os professores, te comunicam que &#8220;não é assim que a banda toca não, meu filho&#8221;, e vai cortando as suas asinhas. E, no fim das contas, você estuda cinco anos para chegar no final e dizer &#8220;pera aí, a banda vai tocar do jeito que eu quero sim porque senão nada anda&#8221; (risos); e acho que é isso, de você colocar a sua banda pra tocar sozinha, por si mesma. Não é exatamente um exercício de solitude, nem de solidão, nem de caminhada sozinha, porque temos aí os amigos que também ocupam esses espaços de margem, em diversos recortes, para conversar e ajudar a gente a não dar murro em ponta de faca; tem os grupos de trabalho; tem os afetos que também são artísticos ajudam a fortificar a cabeça &#8211; que, atualmente, se deixar, a gente fica louca, porque é isso que o governo quer mesmo&#8230; Mas ainda assim, o exercício tem a sua parte de caminhada solitária, porque às vezes você corre o risco de pagar de louca, que vem de carregar essa certeza até um ponto que ela seja uma certeza para outras pessoas também, de tanto que você precisa se impor; e, depois de um tempo, você já naturaliza essa necessidade de chegar e dizer a que veio e o que você faz &#8211; até pra você calcar nisso o seu espaço de ser, de existir nesses espaços. Como você disse, [esse campo] é muito elitista, por vezes é careta, e é um movimento de afirmação constante pra gente não enlouquecer e pra não deixar de fazer o que nos mantém vivos &#8211; tanto no sentido de ter o que comer, enquanto profissão artista, quanto no sentido de nos mantermos sãos e salvos (mais salvos do que sãos). E é a arte, mesmo, que dá essa sanidade cotidiana; isso é o que eu tenho como norte, é onde eu me apoio nos momentos de felicidade e tristeza. A arte é uma das poucas coisas que eu vou ter sempre, pra mim; e em sendo isso, se trata de usar a minha voz, o meu corpo vivente e pensante, para afirmar essa existência e a finalidade de estar aqui, nesse plano. </p>



<p><strong>T: Você pontuou muita coisa sobre se afirmar para sobreviver; e a Mostra Performátika trata muito disso &#8211; mas, dessa vez, através da afirmação de outros artistas e que, você, como curador, toma uma distância do discurso, uma posição diferente da que você assume quando é o seu corpo ali em performance. Como foi essa experiência, para você?</strong></p>



<p><strong>N:</strong>  Foi bem massa. Eu já venho flertando com essa experiência de curador faz um tempo, já venho trabalhando com curadoria há uns anos, e essa foi uma das possibilidades de materializar a curadoria.</p>



<p>Sempre que eu estou à frente de projetos coletivos, eu gosto de ocupar esse espaço de mediação, de poder fazer essa ponte para que outros artistas consigam fazer suas poéticas sem muitas limitações criativas. A ideia é executar a curadoria de forma que o artista se sinta à vontade para se expressar e jogar sua poética no mundo. Nessa posição de distanciamento maior, acaba que eu consigo fazer coisas a mais, como escrever textos críticos para cada trabalho apresentado (como foi o caso da Mostra Performátika); isso, pra mim, é muito legal, porque eu tenho muito interesse nessa parte crítica e acho que é uma forma de manter um diálogo não só entre público e o trabalho do artista, mas também entre o próprio circuito artístico. O artista ter um texto sobre o trabalho ajuda, posteriormente, na montagem de um portfólio, e ter esse feedback sensível, da minha leitura sobre os trabalhos, é importante pra essas pessoas.</p>



<p>Poder mediar é muito massa. Porque você se envolve, mas com uma outra carga; você se torna uma espécie de espectador também, e isso permite essas experiências de atravessamento, desde as partes criativas até quando você consegue ver a mostra pronta, de entrar lá e ver o resultado final do que você fez. Essa etapa de entrar no site, e ver os vídeos no youtube, e ver as fotos, é muito confortante, e muito realizadora. </p>



<p><strong>T: </strong> <strong>Você menciona que você já trabalha com curadoria há algum tempo; porém, a Performátika foi o seu trabalho, nesse campo, que te proporcionou mais visibilidade, por conta até da parceria com o Memorial Minas Gerais. Você pensou o trabalho para essa parceria, ou ele já existia e acabou resultando nela? E como foi o processo de realizar a mostra junto a uma instituição com a relevância do Memorial?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> A Mostra Performátika foi pensada especificamente para o Memorial Minas Gerais Vale. Eles lançaram um edital no primeiro semestre de 2020, para compor a programação virtual deles nesse contexto pandêmico; e logo eu pensei esse projeto, na categoria de performance, para caber no edital &#8211; porque caso a gente fosse aprovado, a gente teria subsídio financeiro pra executar o babado. Não que esse projeto não possa acontecer de novo futuramente, viabilizado por outros editais e outras instituições; mas o pontapé que deu início ao projeto foi o edital da Vale.</p>



<p>Sobre realizar a mostra junto ao Memorial, é uma questão delicada. A Vale tem um histórico pesado de mineração, de exploração, dos próprios crimes ambientais; mesmo assim, o dinheiro, o status e toda a instituição que ela representa continuam muito sólidos, a ponto de eles estarem podendo fomentar trabalhos artísticos. Quando eu chamei os artistas [para compor a mostra], eu falei que era um projeto pensado para o Memorial Vale, e eles já começaram a gastar: &#8220;Tô chique, tô criminosa, minha arte tá suja de lama!&#8221; (risos). Enfim. Ao mesmo tempo que todos nós gostamos muito de estar participando do edital, por ser uma instituição com nome de peso e que permitiu essa remuneração, a equipe do Memorial também foi muito de boa na questão de a gente conseguir ter um diálogo tranquilo com eles;  eles foram prestativos onde eles podiam ser. </p>



<p>Eu acho que é um pouco desse movimento de a gente estar ocupando esses espaços, independente das críticas que lhes cabem &#8211; como o próprio trabalho do Augusto [&#8220;Gutão&#8221; Lopes da Costa] na mostra, que traz uma série de foto-performance chamada &#8220;Minas que Desaparece Dia após Dia&#8221;, e que traz justamente um pouco dessa relação do corpo com a natureza, com o ambiental, e que acaba conversando com as tristezas que aconteceram sob o nome da Vale. Então, por mais que a gente assumir esse espaço possa trazer à tona uma problemática, eu acho que poder tratar esses assuntos na própria mostra significa que existe essa ressonância de ideias e que a parada não é um corpo único; são várias pessoas que fazem, desde a instituição até a mostra. E foi bem tranquilo; como o projeto já estava encaminhado, a gente não teve grandes dores de cabeça para materializar o projeto, e foi isso.  </p>



<p><strong>T: Você é um artista-etc, com atuação em campos artísticos que, como a gente comentou, não são muito populares, acabam sendo mais elitizados. Ainda assim, você se formou em Juiz de Fora e permanece desenvolvendo o seu trabalho aqui. Qual é a importância que você percebe nessa sua iniciativa de permanência na cidade?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> É engraçado, porque a gente que é artista e trabalhador da cultura sente muito que não tem campo em Juiz de Fora; mas eu acho que tem um contingente de pessoas, de artistas e de consumidores de cultura, muito ativo. Existem muitos artistas talentosos na cidade, em diversos campos; e existe uma galera que consome, para além dos artistas que consomem os produtos uns dos outros, mas uma população que não necessariamente trabalha na área de cultura e que frequenta os eventos, que vai às mostras e aos shows, a um espetáculo, a uma exposição de um amigo. E eu acho que a questão de continuar [aqui] é justamente buscando fertilizar, fomentar, agitar a cena local. De dar incentivo. Porque quando você faz [arte], e vê outra pessoa fazendo também, isso já te motiva; e se você está fazendo, e outra pessoa te vê fazendo, você incentiva, também &#8211; seja a a criar, como essa força propulsora que Juiz de Fora tem muito, que muitos artistas surgem aqui e saem, e muitos ficam.</p>



<p>Por exemplo, eu tenho o trampo com a <a href="https://www.instagram.com/excasapovera/">Casa Povera</a>, que é um coletivo de arte, que a gente começou dentro de um apartamento, fazendo exposições dentro de casa, e com o tempo a gente foi criando outras vias de divulgar essa arte local &#8211; que não é só daqui, mas que é independente. E eu vejo que isso é muito importante; principalmente nessa estratégia de mediar pessoas (para além do eu-artista criador), quando eu vou mostrar o trabalho dos outros, você vê nas próprias pessoas o quanto isso é importante para elas no sentido de que, quando a gente joga luz em alguma produção ou artista, a gente também está fazendo com que as pessoas ao redor dele sejam contempladas, prestigiadas, reconhecidas de alguma forma.</p>



<p>A gente reclama muito que Juiz de Fora não tem as coisas; mas, para ter, a gente precisa fazer, criar. Com a Casa Povera, as primeiras exposições foram com gente que a gente conhecia; não só gente daqui, mas que a gente já tinha um contato. E conforme a gente foi fazendo, outras pessoas foram conhecendo e vendo, nas nossas mostras, uma oportunidade de colocar o seu trabalho para jogo &#8211; inclusive muita gente que nunca tinha exposto na vida, que estava trazendo um primeiro trabalho, por exemplo. E nas nossas ações presenciais, a gente sempre prestigiava isso, de trazer tanto pessoas que já tinham experiência com arte quanto pessoas que nem falam que são artistas; de transformar pessoas que não são &#8220;artistas&#8221; em possíveis criadores, mostrando possibilidades&#8230; essa questão de reconhecer a arte no outro, seja através do corpo, seja através do desenho. As pessoas se veem ali, veem os amigos ali e vão querer participar também.</p>



<p>Então, embora [Juiz de Fora] seja uma cidade que tem alguns problemas, eu acho que é um lugar muito capaz de ser um pouco mais autossuficiente. Questões regionais e cartográficas acabam limitando, mesmo; o dinheiro está onde a cidade está. Então, Juiz de Fora, sendo uma cidade nem muito grande nem muito pequena, acaba tendo algumas carências no que diz respeito a isso; mas acho que é necessário, antes de tudo, continuar semeando, fertilizando e fazendo florescer a cultura e a arte. Isso para que as pessoas possam se ver ali, enquanto criadoras, enquanto entendedoras&#8230; porque se você coloca, sei lá, um quadro de pintura a óleo, chiquérrimo, do lado de um simples exercício geométrico numa exposição, ou um artesanato perto de um trabalho gigante, você tá dizendo ali que talvez existam muito mais artistas na cidade do que a gente pensa &#8211; e que, talvez, existam muito mais consumidores do que a gente pensa, também. E [tá dizendo] também do quanto a arte é importante, do quanto ela é parte indissociável da nossa vida.   </p>



<p><strong>T: &nbsp;Você comentou nessa reposta que JF é um local muito movimentado na área das artes, e isso é um comentário recorrente entre artistas de diversas frentes. O que você sente que falta, aqui, para que a gente possa ser reconhecido enquanto um centro artístico por pessoas de outras localidades?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Você pensa, né: a gente tem universidades, escolas, inúmeros lugares que poderiam vir a ser centros culturais, patrimônios a serem reconhecidos, e o que que falta? Falta remuneração. Falta campo. Tem até uma entrevista do Arlindo Daibert, de 1984&#8230;</p>



<p>Juiz de Fora, em 84, resolveu dar um título de personalidade pro artista; e ele elaborou um texto sobre a vida dele enquanto artista em Juiz de Fora. E ele fala que tem essa questão de uma cidade que está crescendo &#8211; agora, uma cidade de porte médio que pensa em ser grande -, em que existe essa permanência de um comportamento provinciano, de diretrizes conservadoras (embora tenhamos aí um histórico com o próprio Miss Brasil Gay e outras movimentações, até de uma certa tolerância). Mas, nessa mesma entrevista, ele fala que os próprios juizforanos que se deram &#8211; como ele próprio, como o Murilo [Mendes], como o Pedro Nava -, eles nem eram muito daqui, dessa cidade de forasteiros, mas eles aqui ficaram, esses que entram como grandes póstumos e acabam sendo cânones. Ele mesmo fala que &#8220;ser artista no Brasil, em Juiz de Fora, hoje, é estar disposto a trabalhar no anonimato durante anos. Talvez eu esteja destruindo todo o glamour da imagem romântica que a maioria das pessoas têm necessidade de criar em torno do artista; é criar mecanismos e atividades paralelas que patrocinem economicamente a nossa produção artística; é pretender ir um pouco mais além e arriscar-se a quebrar os padrões de comportamento e as aspirações mais legítimas da maioria das pessoas&#8221;. Daí, eu fico pensando nisso, que ainda é um problema a questão da remuneração, a questão de você se manter só vivendo disso; e, para você conseguir isso, você ter que sair da cidade. Porque, por mais que vá sobreviver &#8220;às custas do governo&#8221;, de editais, é necessário ter um capital de giro pras pessoas poderem comprar! Comprar uma peça de arte, seja um quadro, uma roupa, um ingresso&#8230;    </p>



<p><strong>T: A Performátika fica no ar até domingo agora, dia 17. Você está com outros projetos engatilhados já? O que vem por aí</strong>?</p>



<p><strong>N:</strong> O show precisa continuar, né?! (risos) Como sempre, a vida delas não para, fica ligada, clica aí embaixo e se inscreve no canal&#8230; (risos) Mas, é, as coisas estão em processo, a gente não dorme no ponto. Eu estou escrevendo um livro, estou nesse processo de escrita autoral, e ele vai trazer ilustrações minhas, também;  e a Lei Murilo Mendes de 2020 não saiu, né? (risos). Estou esperando, inclusive, tanto a de 2020 quanto a de 2021.</p>



<p>Sobre o livro, ele é um compilado de contos, crônicas, alguns poemas, casos, que a gente vai angariando pela vida. E escritas mais antigas, também, como memórias, além de coisas mais frescas e atuais. Eu estou querendo lançar antes do final deste ano, porque já está bem encaminhado, e eu quero ilustrar com algumas rasuras e ruídos que eu tenho feito. E, nesse momento, estou pensando bastante nessa questão de afinação, para ficar tudo amarrado bonitinho. Já sobre a Murilo Mendes, ela é a garantia quase que constante de os artistas poderem estar vivos e ativos na cidade; então claro que a gente sempre tem projetos [para ela], e também é muito bom de ver que artistas que fazem com muita excelência sejam contemplados &#8211; o que é muito bom para a cultura da cidade e para cada artista, seja ela contemplada de maneira direta ou indireta. Mas pra MM, sempre tem projetinho (risos).  </p>



<p><strong>T:  O que você gostaria que eu tivesse perguntado e que não perguntei? E qual é a resposta a essa pergunta?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Pra ser bem sincera, quando você entrou em contato comigo e se apresentou, eu fui lá no site da Trama e li a entrevista com o Washington. E eu amei a entrevista, e até comentei com meu namorado que: &#8220;gente chique ela jornalista, ela até pergunta &#8216;o que você gostaria que eu tivesse perguntado e que não perguntei?&#8217;, achei isso um luxo!&#8221; (risos). E aí a gente aqui, conversando, eu nem lembrei dessa pergunta, e agora que você me veio com ela, eu fiquei &#8220;ah, era isso, era essa a pergunta que eu queria que me fizesse&#8221; (risos), mais pelo luxo de estar sendo entrevistada, pelo glamour, e pela experiência de estar nessa abertura de você perguntar para a pessoa qual é o recado que ela tem para dar. Então era essa a pergunta que eu queria. Acabei com a brincadeira, né? Mas é a verdade (risos).</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A Mostra Performátika estará disponível nas plataformas virtuais do <a href="http://memorialvale.com.br/virtual/mostra-performatika/">Memorial Minas Gerais Vale</a> até o dia 17/01 (domingo), com acesso livre e gratuito para o público geral.</p>



<p><em>Capa: Fotoperformance &#8216;Não Branca o Suficiente&#8217;, de Paula Duarte, que compõe a Mostra Performátika.</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>[ARREDORES] ARTE-EDUCANDO, COM GABRIELA ALVES</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/10/arredores-gabriela-alves/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Arte-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Alves]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[MAOB]]></category>
		<category><![CDATA[Museu de Artes e Ofícios Bodoque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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<p>Através da interação com as artes, pode-se aprender muito; e não estamos falando, aqui, apenas do processo de se fazer arte, lidar com os materiais, aprender técnicas. Estamos falando daquilo que é ativado em cada sujeito ao ver uma obra, ao experimentar o resultado do processo criativo de outras pessoas, ao serem capazes de estabelecer relações entre si mesmas e um objeto artístico.</p>



<p>Nesse processo de relação, uma presença que afeta em muito a experiência é a do &#8220;guia de museu&#8221; &#8211; ou arte-educador. E quando pensamos nas experiências de museu online, as quais se popularizaram amplamente durante a quarentena e frente à necessidade do isolamento social, esse profissional pode ser ainda mais vital para tornar a interação com as exposições algo enriquecedor. </p>



<p>Pensando nisso, essa semana, a Trama conversou com Gabriela Alves, bacharela em Artes e Design (UFJF) e arte-educadora do Museu de Artes e Ofícios Bodoque. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13093" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?w=1499&amp;ssl=1 1499w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15f14-whatsapp-image-2021-01-07-at-21.35.04.jpeg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Gabriela Alves,<strong>&nbsp;</strong>arte-educadora do Museu de Artes e Ofícios Bodoque.<br>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: O que faz uma arte-educadora?</strong></p>



<p><strong>Gabriela:</strong> Eu acredito que a arte-educação, ela seja essencialmente um trabalho de sensibilização, de toque, através do diálogo, da observação, da proposição, da criação de novas possibilidades de a gente olhar para o mundo e de se relacionar com ele. Então, o arte-educador, ele cria espaços de debate e de troca; ele estende e expande as percepções a partir do que esses indivíduos já trazem consigo. Porque é um trabalho de sensibilização mútua: eu, enquanto arte-educadora, tenho que estar muito sensível também para perceber o público com o qual eu estou me relacionando &#8211; para que, a partir disso, eu possa explorar as potências sensíveis que aquele indivíduo apresenta para como, com toda a história, toda a experiência que ele já carrega, que foram vividas antes daquele meu momento com ele. É saber perceber e se aproveitar desse momento de &#8220;fragilidade&#8221; da pessoa quando ela se coloca frente a uma obra de arte, quando ela se disponibiliza para vivenciar uma mediação cultural.</p>



<p>Para mim, o trabalho do arte-educador, de forma geral, é se utilizar de todas as ferramentas possíveis para proporcionar um toque, compreendendo que toda e qualquer pessoa é capaz de vivenciar uma experiência transformadora através da arte. Toda e qualquer pessoa é capaz de acessar as suas memórias, os seus sentidos, os seus sentimentos, a partir de um contato e de um diálogo com qualquer tipo de expressão artística. </p>



<p><strong>T: Quando você ingressou no BI de Artes, era isso o que você tinha em mente de fazer? Como foi o seu processo até descobrir a profissão?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Eu entrei no BI pensando em fazer design; então eu acho que o BI foi muito generoso comigo no sentido de me possibilitar experimentar muitas coisas até eu compreender qual era o meu caminho dentro das artes. </p>



<p>Eu também sempre tive muito interesse em ilustração; então, eu cheguei a pensar, às vezes, que eu poderia ir para as artes visuais. E em um desses momentos, em que eu estava me encaminhando para fazer o segundo ciclo (do BI) em Artes Visuais, que eu tentei uma bolsa no setor educativo do MAMM (Museu de Arte Murilo Mendes), mas mais com o objetivo de estar perto das obras, de vivenciar os processos artísticos, de conviver com os artistas mais de perto e de alargar o meu repertório. E quando eu entrei para a bolsa, eu me vi totalmente tocada pelo trabalho da arte-educação; quando eu comecei a vivenciar as mediações, a lidar com o público e a perceber esses múltiplos olhares diante de uma mesma obra ou exposição, essas múltiplas reações, isso me tocou muito, e eu vi que aquilo fazia sentido para mim &#8211; estar ali atuando, mediando, e estudando, pesquisando sobre.   </p>



<p><strong>T: Você comentou que começou como arte-educadora no MAMM, e agora você tá no MAOB, fazendo o seu trabalho de forma online. Quais são as diferenças que você sente mais?</strong></p>



<p><strong>G:</strong>  Eu acho que tudo tem sido um grande período de experimentação e adaptação dessas novas formas que a gente tem encontrado de ter contato com a arte e a cultura de maneira remota, de manter o contato com o público &#8211; e que tem vantagens e desvantagens. </p>



<p>Para mim, o principal benefício de desenvolver esse trabalho online é a facilidade de acesso, no sentido de difusão. Sendo a internet uma rede de compartilhamento, qualquer pessoa pode visitar [a exposição], pode participar das atividades e das propostas realizadas pelo museu, mesmo sem estar em Juiz de Fora. Isso, com certeza, seria mais difícil, se as visitas fossem presenciais. </p>



<p>Ao mesmo tempo, ainda que essas conexões existam, elas permanecem sendo virtuais. Nesse sentido, elas não suprem a necessidade que a gente tem de se relacionar  &#8211; seja uns com os outros, seja com os espaços expositivos, ou com os próprios objetos de memória, de arte, de cultura. Existem coisas que só no presencial, mesmo, a gente pode fazer acontecer. Porque a gente também se comunica e se faz entender para além da fala &#8211; através do olhar, dos silêncios, dos gestos; e tudo isso são coisas que são mais delicadas, mais difíceis de serem captadas e lidas no virtual.</p>



<p>Além disso, quando eu digo que a arte-educação é um exercício de toque, não é só no sentido emocional; é no sentido físico, também. O toque físico também é muito importante dentro de um processo educativo, e é uma coisa que é impossível de ser atingida na estrutura virtual.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>Já é a segunda vez que você vai fazer a mediação da Futuras Vanguardas, que é a exposição atualmente em cartaz no MAOB. Você pode contar um pouquinho sobre essa experiência específica?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Inicialmente, a gente do corpo técnico do Museu conversou para discutir sobre qual seria a melhor maneira de fazer essa mediação online, considerando que é uma coisa muito nova para todos nós, além dos problemas de conexão, interferências nas falas, entre outras dificuldades das reuniões online &#8211; que a gente mesmo, da equipe do Museu, já vinha vivenciando dentro das nossas próprias reuniões. Pensamos também sobre a plataforma, em qual seria a melhor opção para que nós conseguíssemos mostrar as imagens com qualidade, fazer uma apresentação&#8230; e aí foi muito difícil, porque a gente foi testando algumas plataformas &#8211; e umas atendiam em umas coisas, mas ficavam devendo em outras. Então, a gente foi tentando solucionar esses contratempos, mas sabendo que, como a primeira mediação online tanto da minha vida quanto do museu, era um espaço para a gente experimentar e vivenciar o modelo, e refletir depois sobre as possibilidades desse tipo de visitação, buscando sempre melhorar a forma como a gente acessa o público e cria diálogo com ele.</p>



<p>Uma das coisas que eu senti foi que, justamente, numa tentativa de a gente sustentar uma continuidade na visitação e não ficar confuso durante as apresentações, a gente decidiu usar o chat como forma de conversa e troca durante a mediação; mas isso não funcionou muito bem. Eu não conseguia acompanhar o chat enquanto eu estava com a apresentação aberta &#8211; até porque, as falas apareciam muito rápido para mim, e eu não conseguia ler enquanto estava apresentando. Nessa segunda mediação, então, a gente decidiu tentar fazer com os microfones abertos, para que quem se sentir confortável possa intervir, buscando mesmo que haja mais fluidez nessa troca.</p>



<p>De modo geral, [a primeira mediação da Futuras Vanguardas] foi uma experiência muito nova pra mim, e foi bacana, porque tinha gente de outras cidades participando &#8211; e isso é muito bom, conseguir abrir o espaço de visitação para quem está longe e que, caso fosse presencial, não seria possível. Nesse ponto, pensando na difusão mesmo, foi muito positivo.</p>



<p><strong>T: Você comentou sobre essa questão da difusão, que um público de outras localidades foi capaz de acessar a exposição. Como tem sido a recepção desse público à exposição, ao formato e à mediação?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Toda a percepção que eu tive, até agora, em relação ao contato do público com a exposição &#8211; que é a nossa primeira exposição, está tudo muito inicial &#8211; foi através da única mediação realizada, em dezembro. E isso, deixa, ainda, uma vontade de explorar mais, de ter mais encontros, para justamente ter mais retorno; é um objetivo nosso, proporcionar mais mediações &#8211; até pra que a gente possa produzir outros eventos, outros materiais, que venham a surgir dessas respostas do público, pensando na demanda mesmo que essa audiência tem.</p>



<p>Falando em relação a essa única mediação que aconteceu, foi muito interessante. No final, a gente pôde abrir os microfones e as pessoas puderam perguntar sobre o museu, e tirar dúvidas, e nós pudemos falar também sobre a missão do Museu, sobre a proposta&#8230; então, eu acho que foi importante para que esse público que estava ali começasse a estabelecer essa aproximação com a instituição e a entender o nosso papel, o que a gente está fazendo.     </p>



<p><strong>T: &nbsp;Em relação à importância do arte-educador no contexto do museu: muitas vezes as pessoas não percebem arte enquanto ferramenta de educação, e pensam museus históricos (por exemplo) enquanto desprovidos de arte, servindo apenas para a obtenção de informação.</strong> <strong>Tendo isso em mente, como você percebe o trabalho do arte-educador enquanto agente de reconhecimento desses espaços?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Eu gosto muito de um artista uruguaio que se chama Luis Camnitzer, que fala que o museu é uma escola e que a arte é educação; uma coisa não está separada da outra. A arte, ela é uma manifestação e uma expressão humana, e por isso, ela é o reflexo de um contexto. Ela reflete sintomas de uma sociedade, de um tempo, de um espaço.</p>



<p>Tem também um livro que eu estou lendo, que a última frase que eu marquei nele, do Foucault, foi: &#8220;a arte tem a capacidade de tornar visível as estruturas inconscientes de uma sociedade&#8221;. Isso significa que a gente pode pensar qualquer coisa na sociedade a partir da arte; qualquer coisa pode ser apreendida por meio de uma ótica sensível e artística &#8211; até porque, [a arte] é um meio de comunicação que ultrapassa as barreiras do idioma. Ela propõe reflexões, questionamentos, ruptura de olhares&#8230; e tudo isso é extremamente formativo; especialmente porque a arte educa pela sensibilização, então ela consegue chegar em camadas muito profundas do indivíduo &#8211; muito mais do que uma simples memorização de conteúdo. E a arte, juntamente com a educação, ela pode e deve ser compreendida enquanto um estado, uma maneira de vivenciar as coisas, e não apenas enquanto o objeto artístico em si.</p>



<p>Para além disso tudo, o ensino de arte também serve como instrumento de preservação cultural; então, a arte também contribui na compreensão do indivíduo sobre a sua própria história e a sua identidade. O trabalho de arte-educação é muito potente justamente por promover essa ponte de conhecimento entre os bens culturais, os objetos artísticos, e o público.</p>



<p><strong>T: Pensando nas experiências que você já passou como arte educadora, qual é um momento que te marcou?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Uma visita que eu amava fazer era quando iam grupos do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Eu recebi grupos do CAPS nos três museus em que trabalhei antes do MAOB, e é aquilo que eu comentei que acontece só no presencial: alguns deles são muito de tocar, de encostar; e o afeto, de afetar, de ser afetado, também se dá pelo afeto afetivo &#8211; de você tocar, abraçar, ficar junto da pessoa. Então, alguns grupos do CAPS, eles eram mais do toque, de tocar na gente; e, às vezes, isso faz toda a diferença durante uma mediação.</p>



<p>Eu me lembro que teve um senhor, que ele ficava me dando a mão toda hora, e a gente batia as mãos. Eu fiz essa visita com ele lá no Memorial [da República]. Passou-se um tempo, eu fiquei no Memorial mais ou menos por dois anos, depois fui trabalhar no Museu Ferroviário, e já tinha mais de um ano que eu não via esse senhor; eu mesma não me lembrava das feições dele, e me lembrei quando ele falou comigo. Ele fez uma visita comigo lá no Museu Ferroviário, e assim que ele chegou, me perguntou: &#8220;Uai, o que você está fazendo aqui? Você não era do outro museu?&#8221;; ele se lembrou dessa interação que a gente teve, de bater as mãos, do toque, e isso marcou ele. Esse acontecimento me emocionou muito, e serve para a gente ver como essa questão atravessa as pessoas. Ele não se lembrou de mim pelo que eu mostrei ali; a gente estabeleceu uma relação mais pelo toque. Isso foi muito bonito.</p>



<p><strong>T:  O MAOB, em breve, vai ter um espaço físico, no qual você vai retomar as mediações presenciais. Quais são as suas perspectivas para isso?</strong></p>



<p><strong>G:</strong> Elas são as melhores possíveis &#8211; inclusive porque, em relação à Futuras Vanguardas, é uma coisa que muda completamente a maneira como você entende todo o contexto e as próprias fotografias do João Lopes. Ver [as fotos] através de um visor estereoscópico é outra experiência, e traz uma percepção muito diferente sobre elas. Infelizmente, na mediação online, a gente não tem como enviar um visor estereoscópico para as pessoas, né?</p>



<p>Desde o primeiro momento em que eu tive o contato com o visor estereoscópico &#8211; que foi recentemente,  pouco antes da primeira mediação -, eu fiquei muito empolgada de isso estar disponível para as pessoas conhecerem, e terem acesso às fotografias dessa maneira; porque o pensamento do João Lopes, quando ele estava fotografando, só ganha sentido quando você vê naquele visor e entende o efeito da tridimensionalidade. Isso é diferente quando você tem a experiência através do objeto. Então, eu acho que os objetos carregam um potencial muito forte de você se relacionar diretamente com eles, e eles podem disparar um monte de coisas [em você], que é [resultado] de você estar atento e sensível para perceber todas as coisas que aquele objeto pode ativar em diferentes pessoas. E não só o objeto, mas o próprio espaço de exposição. Quando a pessoa se permite estar ali para fazer uma visita, ela se coloca disposta, aberta a novas experiências e a viver o que está ali. É um momento de fragilidade, de abertura, que pode ser muito explorado.</p>



<p>Inclusive, a gente vai lançar uma ação esse mês que é baseada nos objetos que pertenciam ao João Lopes. Ele era um artista muito inventivo, e existem alguns objetos que ele criou; ele adaptava e criava, e eu acho que essa premissa de ter o contato com o objeto e poder, de repente, pensar essa ação de maneira presencial, isso pode gerar outros resultados, provocar outras reações. </p>



<p>Eu acho que o acervo do MAOB, ele é muito potente também porque ele dialoga diretamente com as pessoas. Por falar sobre o universo do trabalho, o acervo vai conter esses objetos de trabalho, que geram uma identificação de forma muito fácil com o público. Todo mundo tem acesso a objetos como esse; grande parte da população trabalha, e utiliza ferramentas, enfim. Então, eu acho que, além de tudo isso, o acervo dialoga muito horizontalmente com o público.</p>



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<p>A segunda mediação da exposição Futuras Vanguardas, do Museu de Artes e Ofícios da Bodoque, acontece no dia 12/01, às 16h. As inscrições devem ser feitas através do e-mail: educativomaob@artebodoque.com</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-10 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>[Arredores] Bordando raízes, com Washington da Selva</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/12/27/arredores-washington-da-selva/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Dec 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio DASartes 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Washington da Selva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As artes visuais são, frequentemente, encaradas como artes voltadas para um público literato &#8211; assim como os espaços de galerias e exposições; porém, a realidade vem sendo modificada, a cada dia.</p>



<p>Cada vez mais, os espaços das galerias vêm sendo colonizados &#8211; ou descolonizados &#8211; através do trabalho de artistas que buscam, em seu cotidiano e em sua história de vida, temáticas e suportes que transformam a arte em ponte, para que pessoas que nunca pensaram em consumir arte estejam nesses locais enquanto personagem e enquanto público que dialoga com seus significados. Entre eles, está Washington da Selva &#8211; artista, pesquisador e trabalhador da terra, nascido em Carmo do Paranaíba e finalista do 11º PRÊMIO DASARTES 2021 &#8211; um dos maiores prêmios voltados para as artes visuais do Brasil.</p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com o Washington sobre o Prêmio DASartes, sobre seus processos criativos e sobre suas urgências enquanto artista. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16fc1-washingtondaselva.gif?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12937" data-recalc-dims="1"/><figcaption>Washington da Selva,<strong>&nbsp;</strong>artista visual finalista do Prêmio DASartes 2021<br>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Você trabalha com arte desde 2014, certo? Ou desde antes?</strong></p>



<p><strong>Washington:</strong> Arte como trabalho, sim, desde 2014; mas sempre muito apaixonado pelo desenho, pela observação da natureza e pelos materiais dos lugares que vivi, pelas culturas que quando criança eu apenas tinha acesso pela tv e revistas. Eu desenho desde muito criança, aprendi de forma autodidata através de revistas que comprava na pequena e única livraria da minha cidade natal (Carmo do Paranaíba &#8211; MG).</p>



<p><strong>T:  E como foi esse processo de passagem, entre uma criança apaixonada por desenho, autodidata, e o momento em que você passou a se considerar artista?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Eu aprendi muito na universidade, e minha trajetória familiar e de consciência de classe me inspirava em fazer daquilo que eu sempre me identifiquei também um trabalho, uma forma de renda. Quando saindo da fase adolescente, aos 17 anos, tive meu primeiro emprego em um estúdio fotográfico em minha cidade, e após 3 anos migrei para uma agência de comunicação. Nestes lugares, ainda de forma autodidata, aprendi sobre fotografia e design; então, a partir daí, para aperfeiçoar o que acabou se tornando um trabalho, e buscando condições melhores de vida, entrei como aluno de Artes e Design na universidade pública. Digo que acabei me tornando artista por acaso; meu contexto de vida dava a entender que arte não era para mim, e ainda hoje minha mãe diz: &#8220;quem diria um filho artista!&#8221;. Passei a me considerar artista a partir do momento que minha produção dentro da universidade começou a se projetar nos corredores do Instituto de Artes e Design, na Galeria Reitoria da UFJF, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, no Museu de Artes Murilo Mendes, no Fórum de Cultura da UFJF, na Casa Povera. Enfim, em tantos outros espaços de Juiz de Fora que contribuem para a projeção dos artistas locais.</p>



<p><strong>T: Enquanto o artista que você é, qual é a sua percepção desse limiar entre o aprendiz e o artista?</strong></p>



<p><strong>W:</strong>  Para mim, <strong>arte é processo e experimentação</strong>. E esse espaço de experimentação é importante para que novas coisas surjam. Hoje, não sei se existe um limiar entre aprendiz e artista; eu me considero em um constante lugar de aprendizado. Ainda mais por me considerar artista/pesquisador, são coisas que andam juntas em meu trabalho.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>Você faz muita questão de se colocar nesse local de trabalhador da terra, e de trazer as suas origens para o seu contexto artístico. O que existe, no seu trabalho, de inspiração pensada &#8211; para além dos elementos que te compõem enquanto ser humano que se criou nesse contexto &#8211; a partir desse diálogo com o campo?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> É engraçado como o inconsciente atua. Comecei produzindo alguns desenhos, algumas fotografias, fazendo os exercícios da universidade, e a partir de leituras destes trabalhos produzidos&#8230; e com acompanhamento de grandes professores do Instituto de Artes e Design, meus trabalhos começaram a me evocar algumas urgências, como os cruzamentos entre questões de classe, raça e geopolíticas. Foi daí que fui tomando consciência dos lugares e condições que cresci (e não o contrário). Por ter nascido e crescido na zona rural do triângulo mineiro, local onde o agronegócio atua fortemente, acompanhei de perto situações de extrativismo das nossas terras, assim como, também, a mineração do tempo e da vida em situações muito precárias de trabalho</p>



<p><strong>T: Qual, você diria, que é a sua principal urgência hoje, no que tange o discurso do seu trabalho?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Olhar para as minhas raízes, e deslocar estes discursos.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Deslocá-los para onde?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Carregando eles comigo, pros lugares que frequento, que me formam, que me colocam em crise. Pensando que, poder comunicar como artista ainda vivo, levando estes diálogos para lugares como o do <a href="https://dasartes.com.br/votacao-garimpo/">Prêmio DASartes</a> (que concorro como artista finalista), sendo eles um espaço de fomento ao mercado de arte e de produção cultural a nível nacional. E utilizá-los como ferramenta de arte-educação, por fornecer material para professores da rede básica, e como meio de comunicação dos profissionais de arte, como museólogos, curadores, críticos, artistas, galeristas e estudantes de artes plásticas, arquitetura e design.</p>



<p><strong>T: Você está concorrendo ao Prêmio DASartes com uma peça em bordado; e para além dela, você tem trabalhos em fotografia, em performance, em instalação. Como funciona, para você, esse processo de trabalhar com tantos suportes diferentes, transpondo esse discurso que te permeia?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Bom, durante minha formação no interdisciplinar do Instituto de Artes e Design, passei por diferentes ateliês, desenvolvi diferentes técnicas, tive acesso a artistas e a produções que trabalham com diferentes suportes. Tendo este arcabouço de opções, e sempre sendo uma pessoa que se joga para as experimentações, hoje, o suporte que utilizo surge com o contexto de cada produção. Por exemplo, a fotografia me permite mobilidade, produzir nas ruas, enquanto caminho, em uma viagem, dentro do ônibus; os bordados, muitos fiz em sala de aula enquanto assistia aulas, ou mesmo enquanto esperava algum ônibus para me deslocar; instalações, elas me permitiam lidar com objetos do cotidiano, e com simples gestos de alterar e deslocar estes objetos para a galeria. Antes de tudo, a arte, ela acontece na mente, e eu apenas faço as ações que têm que ser feitas com o que eu tenho disponível no momento.</p>



<p><strong>T:  Como você percebe o impacto de cada suporte, no que diz respeito ao seu público? Qual tipo de retorno você costuma receber ao trazer um suporte novo?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Essa pergunta é ótima, pois tenho pensado bastante nisso nos últimos tempos. Tenho experimentado com o bordado faz pouco mais de 2 anos, e o tempo do bordado é bem mais lento &#8211; então, muitos dos trabalhos que iniciei 2 anos atrás, estou dando vazão agora. Meu primeiro contato com o bordado foi quando, há 2 anos e meio, meu namorado, também artista <a href="https://www.instagram.com/gobinderai/">Matheus de Simone</a>, conduziu uma oficina coletiva de bordado. Mais tarde, eu fui convidado para compor um grupo de artistas que lidam com o bordado dentro das artes contemporâneas, o <a href="https://suyandemattos.wixsite.com/cartaborda/projeto-carta-borda">grupo Carta/Borda</a>, de curadoria e organização da artista brasiliense <a href="https://www.instagram.com/suyandemattos/">Suyan de Mattos</a>. Fiz algumas produções junto a este grupo, que irão em algum momento compor uma exposição presencial. Desde então, segui produzindo o que veio a se tornar uma série de trabalhos que faço com imagens que minha mãe, Maria Aparecida, me envia da câmera de segurança de sua casa, em minha cidade natal.</p>



<p>O bordado me abriu para trocas com comunidades de bordadeiras/es/os, me permite um diálogo com quem não está produzindo apenas arte para os museus. Recebi convites para fazer lives durante a pandemia e falar de meu trabalho junto a estes grupos e, agora, com a notícia da premiação, estou recebendo muito apoio de pessoas de minha cidade, que agradecem pela vazão da produção que dialoga com as questões da nossa terra.</p>



<p><strong>T: &nbsp;O Prêmio DASartes é um dos maiores prêmios do país no âmbito das artes visuais. Como é, para você, após seis anos como artista profissional, ter o reconhecimento de chegar entre os finalistas?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Sinto que é um momento importante que me chama para a maturação, para tomar frente do que produzo. Por vezes, produzir arte ficava em segundo plano, visto que ainda é difícil para um artista jovem viver bem apenas com a sua produção artística. Tenho me chamado à atenção sobre colher estes frutos em vida. E chegar entre os finalistas do Prêmio DASartes é como estar, pela primeira vez, na sombra dessa árvore frutífera. Penso também nas questões geopolíticas, que sempre atravessaram minha vida &#8211; tanto por ter nascido na zona rural do interior de Minas Gerais, quanto também, por viver em Juiz de Fora, e não ter as mesmas interlocuções que os artistas que vivem nas principais capitais do país possuem.</p>



<p><strong>T: E como se deu a escolha da obra para o Prêmio?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Através de bons diálogos que tenho com pessoas que passam a conhecer minha produção, e também pelo diálogo com nosso contexto atual. O bordado que tem sido veiculado pelo Prêmio faz parte de uma série que se chama Social Jungle, que iniciei em 2019 &#8211; mas que, hoje, durante a pandemia do covid-19, evoca algumas urgências de nosso tempo. Eles nos mostram, em sua maioria, pessoas emolduradas pelo desenho de um celular, em cenas que se passam nas ruas. Ainda, em sua maioria, essas pessoas são trabalhadores &#8211; um padrão que tenho percebido e que tem feito sentido em minhas pesquisas é que, em cidades de interior, como a minha, onde espaços de lazer e cultura são reduzidos, não resta atividades a se fazer, para se estar nas ruas, senão se deslocar a trabalho.</p>



<p><strong>T: Washington, e tendo em mente o contexto desse ano de 2020, que foi extremamente delicado para artistas de todas as áreas: o que significaria pra você receber um prêmio como este, em um momento em que a arte sofre tantos impeditivos e bloqueios?</strong></p>



<p><strong>W:</strong> Este ano foi um ano bem atípico, confesso que muitos medos e inseguranças surgiram. Receber o Prêmio me faria ficar contente, claro; mas sendo bem pé no chão, e sabendo que ainda existe um longo percurso pra ser caminhado debaixo do sol &#8211; principalmente atravessando a política de morte que tem sido conduzida pelas principais lideranças políticas do país.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>W: </strong> Uma pergunta que eu mesmo tenho me feito! Que rumo e perspectivas eu darei para o meu trabalho a partir de então?</p>



<p>Bom, tem me instigado, em arte, o uso de dispositivos tecnológicos. Eles nos proporcionam a geração de fluxos de informações que podem assumir diferentes formas, lugares, contextos e temporalidades &#8211; como já indiciam os bordados que tenho feito. Estes aspectos atualizam o modo como as nossas interações são vivenciadas, apresentando desdobramentos em nossas relações (como percebemos com o avanço da comunicação durante a pandemia). Nesse sentido, tenho pesquisado e trabalhado agora com a internet e com estes meios de comunicação como suporte da minha produção &#8211; uma forma inclusive de dar acesso a um nível não-local à minha arte (descentralização).</p>



<p>Nos últimos meses, fiz duas produções em web arte. A primeira, que utiliza da interação dos membros das redes de internet, [se chama] &#8220;Data Landscape&#8221;, na qual construo uma linha do horizonte a partir da presença e da extração do local de cada visitante de uma página que criei. Ele esteve em exibição na Exposição virtual VRTLZND, com acompanhamento curatorial de Lívia Benedetti e Marcela Vieira (<a href="http://instagram.com/aarea.co">@aarea.co</a>) em parceria com o SESC Avenida Paulista. E “<a href="https://mostraeav2020.com/Washington-da-Selva-Epidermicas">Corpo animado</a>”, a qual a velocidade de banda larga do usuário dita o tempo de respiração do desenho, que parece sustentado no ar em uma postura comum ao espectador que vê a obra de um computador, este trabalho compõe a Mostra EAV Parque Lage. E, em breve, estou organizando uma seleção de trabalhos para minha primeira exibição individual virtual que vai estar disponível no início de 2021 nos canais da Pró-Reitoria de Cultura da UFJF, como proposição ao edital de incentivo cultural Janelas Abertas. Só ficar atentes às minhas redes, <a href="https://www.instagram.com/washingtondaselva/">@washingtondaselva</a> e <a href="https://www.washingtondaselva.com/">washingtondaselva.com</a>.</p>



<p>&nbsp;</p>



<p>O Prêmio DASartes será concedido ao artista/trabalho mais votado na plataforma online da revista. Você pode votar até o dia 25 de Janeiro de 2021, através <a href="https://dasartes.com.br/votacao-garimpo/">deste link</a>.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1"/></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-11 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1"/></a></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1"/></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/12/27/arredores-washington-da-selva/">[Arredores] Bordando raízes, com Washington da Selva</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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		<item>
		<title>[Arredores] Literatura de Varanda, com Ulisses Belleigoli</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/12/17/arredores-ulisses-belleigoli/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[O Quase Último Aum]]></category>
		<category><![CDATA[Ulisses Belleigoli]]></category>
		<category><![CDATA[Varanda Editorial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/12/17/arredores-ulisses-belleigoli/">[Arredores] Literatura de Varanda, com Ulisses Belleigoli</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há muitos que consideram a escrita como um processo de inspiração; e não como um exercício, uma experimentação. Outros, pensam que poetas apenas poderão ser poetas; ou que cronistas só escreverão crônicas; e romancistas, eles devem se ater aos estilos de narrativa com os quais estão acostumados. Existe um autor, porém, que contrapõe todos essas premissas em sua carreira literária; e, pasmém, ele é Juizforano.</p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com o Ulisses Belleigoli, autor que possui doze títulos publicados (desde poemas até romances de fantasia) e editor da Varanda. Falamos sobre a sua criação, sobre os trabalhos incipientes da mais nova editora da cidade e, claro, sobre &#8220;O Quase Último Aum&#8221;, seu livro mais recente, e segunda publicação da Varanda. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ac296-ulisses-belleigoli-foto-de-marcus-leoni-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12905" data-recalc-dims="1"/><figcaption>Ulisses Belleigoli, autor de &#8216;O Quase Último Aum&#8217;<br>Foto: Marcus Leoni</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Quais foram as suas inspirações principais para &#8216;O Quase Último Aum&#8217;? E como se deu o processo de transformar essas inspirações na história?</strong></p>



<p><strong>Ulisses:</strong> Então, essa ideia começou a se gestada lá em 2013. Era uma época que eu estava inquieto com a situação do país e do mundo, assustado com o avanço dos fundamentalismos (religiosos e políticos). Queria escrever um livro que falasse sobre essa dificuldade perene da humanidade: como solucionar conflitos que se iniciam quando as pessoas não sabem lidar com as diferenças entre si. E, junto a isso, pensei que queria fazer uma saga para adolescentes e jovens adultos &#8211; talvez motivado pela minha crença de que uma geração com mais imaginação para novas soluções pudesse ser leitora mais sedenta dessa história. </p>



<p><strong>T:  Então foram sete anos do início da escrita até a publicação; porém, você publicou outros trabalhos nesse meio tempo. Como você concilia essas diversas produções no seu dia a dia de trabalho?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> É bem assim mesmo. Vou escrevendo várias coisas ao mesmo tempo. Talvez isso seja herança do meu perfil de leitor, pois leio vários livros ao mesmo tempo. Levo, às vezes, mais de um ano para terminar de ler um livro. Com a escrita, é bem parecido; vou fazendo anotações, desenhos, escrevo pequenos trechos. Aí, de repente, sinto que está na hora de finalizar um escrito. Então, ele toma a frente. É um processo bem lento, mas bem gostoso.</p>



<p><strong>T: E como vai a sua inquietação com o avanço dos fundamentalismos agora, que o livro foi lançado?</strong></p>



<p><strong>U:</strong>  Só cresceu. Eu sempre fui muito pessimista com esse cenário. Lembro de, em 2004, ter uma conversa com amigos sobre esse movimento. Alguns acharam que era delírio &#8211; tínhamos acabado de eleger um governo de esquerda, as pautas progressistas estavam andando. Hoje, minhas preocupações daquela época parecem até ingênuas. As coisas estão caminhando a passos largos para tragédias cada vez maiores. A meu ver, estamos muito longe de saber lidar com o fascismo, com a crueldade do neoliberalismo, com a desigualdade social programada pelo capitalismo. A vida vale muito pouco, talvez bem menos que há alguns anos atrás.</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>E como você percebe o seu trabalho, enquanto escritor gay, nesse cenário?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Eu adoro ser um escritor gay, ou, nas minhas palavras, um escritor veado. Claro, temos discutido muito essas alcunhas, o que elas representam, o que elas reproduzem, o que elas agregam ou segregam. Por exemplo, ninguém me chama de escritor branco, ou escritor de classe média (características essas que talvez tenham muito mais marcas no meu trabalho). Mas eu gosto muito quando alguém se refere a mim como um escritor veado. Gosto de escrever personagens gays, gosto de histórias que tenham personagens gays. Minha vida é assim: cercada de pessoas LGBTQIA+. Decerto, tenho mais facilidade em escrever homens-homo-cis, mas ultimamente tenho me aventurado a incluir outras letras desse espectro. &#8220;O quase último Aum&#8221; é um exemplo disso. Teremos muitos personagens fora do padrão heterocisconvergente; até porque muitos vivem em outro planeta. E nem todo o universo precisa ser tão careta como a Terra.</p>



<p><strong>T: De volta a &#8220;O Quase Último Aum&#8221;, você comenta que escreveu visando um público adolescente; e você já escreveu obras tanto para o público infantil quanto para o público literato. Como funciona o trabalho com essas diferentes linguagens, para você? É um processo natural, ou foi uma habilidade que você adquiriu com a prática da escrita?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Isso não é uma coisa muito bem definida na minha cabeça. Eu nem sei dizer se sou bem sucedido escrevendo para esses diferentes públicos, se sei &#8220;modular a linguagem&#8221; para cada um. Como contador de histórias, na lógica da oralidade, trabalho com muitas faixas etárias e níveis de letramento, o que exige, sim, uma esperteza na escolha do repertório e da linguagem. Mas, por outro lado, sempre penso em como essas fronteiras são muito tênues. Em como a linguagem não respeita muito esses limites.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Você mencionou a lógica da oralidade; como você sente que a experiência como contador de histórias, tanto no grupo do Granbery quanto em outros projetos, influencia ou influenciou nos seus temas e formas de escrita?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Eu acho que a principal influência é a de repertório. Ouvir muitas histórias é o primeiro passo para ser um contador de histórias. É também um efeito, sabe? A gente vai se enchendo de histórias, e elas vão se misturando dentro da gente. Uma história de tradição oral do oriente médio se junta com um romance russo do século XIX e com um poema da Adélia Prado; aí não cabe mais dentro da gente, tem que sair em forma de invenção, de novidade. É a antropofagia.</p>



<p><strong>T: Você, além de escritor e contador de histórias e jornalista, também é psicanalista. Mas você começou a escrever muito antes de se formar, certo? Como você entende o peso das suas formações nas suas obras? Você vê diferenças no núcleo duro, na sua motivação de escrever, entre antes e depois?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Ah, isso vai mudando muito. Eu vejo isso muito claramente. Que os meus ofícios e paixões vão se infiltrando na minha criação literária. De que o meu primeiro romance tem lá, meio explícito, todo meu interesse pela filosofia. Esses últimos (até mesmo os infantis) tem os traços da lógica do inconsciente, já efeito da clínica psicanalista. É legal olhar para trás e ver isso, nossas fases. É como se a gente tivesse a chance de arquivar um pouquinho da efemeridade das ideias e dos sentimentos que temos em relação as ideias.</p>



<p><strong>T:  Tendo isso em mente, como foi o processo de encontrar a editora para &#8220;O Quase Último Aum&#8221;? Você tinha em mente que queria publicar com uma editora que tivesse uma linha editorial específica? E como você chegou à Varanda, uma editora tão recente no mercado?</strong></p>



<p><strong>U:</strong>  A Varanda, na verdade, é a minha editora (risos). Enfim, a criação da Varanda tem, em certa medida, relação com &#8220;O Quase Último Aum&#8221;. Eu vinha produzindo vários trabalhos, não só esse, mas especificamente ele, que eu queria publicar de forma independente &#8211; eu gosto muito, e tenho gostado cada vez mais dessa ideia de uma publicação independente. E aí conversei com o Deco, depois com o Guilherme, depois com uma outra amiga que acabou saindo do projeto, depois com a Laís, e aí a gente criou a Varanda para fazer os nossos próprios projetos &#8211; então, a Varanda é também um fruto de nós quatro, que somos criadores de conteúdo. Nós somos pesquisadores, artistas&#8230; e a Varanda surgiu para dar vazão às nossas criações; e a gente está muito feliz que &#8220;O Quase Último Aum&#8221; é o primeiro projeto de um de nós, que nós nos chamamos de &#8216;anfitriões&#8217;, a ser lançado pela Varanda.  </p>



<p><strong>T: &nbsp;Enquanto anfitrião e criador de uma editora, como funciona todo o processo, para vocês, de delimitar o que e como publicar?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> A Varanda tem sido uma empreitada de descoberta, porque cada um de nós é de uma área; o que nos une é o fato de sermos leitores. E nisso, eu tenho já alguma experiência com a questão editorial; a Laís e o Guilherme são pesquisadores, cada um na sua área; o Deco tem uma experiência empresarial&#8230; e a nossa ideia, o que a gente vem fazendo, é decidir [o processo] para cada projeto. Esse é o entendimento que a gente foi criando, de que cada projeto, seja ele literário, ou dos podcasts, ou das peças de teatro, cada processo requer da gente, como seres humanos e como criadores, um caminho diferente; então a gente está bem aberto para cada coisa que chega, sejam nossos projetos internos ou projetos externos, e a cada um, a gente pensa se a consegue fazer, se tem tempo, se tem know-how, se a gente não sabe mas quer aprender&#8230; E tem sido essa, a experiência, de tratar cada projeto com a sua particularidade. E eu acho que isso vem muito da minha experiência editorial, de que cada livro é um livro. Tem livro que, às vezes, eu penso que talvez mereça inscrição em um edital público; ou que mereça eu procurar uma editora; ou esse aqui eu vou fazer independente; nesse outro eu quero ilustração; e naquele eu penso uma edição mais simples&#8230; E é isso. Cada coisa que a gente quer dizer para o mundo precisa ser acolhida e tratada de uma maneira diferente.</p>



<p><strong>T: E qual você diria que é o conceito cerne da Varanda? O que torna as publicações da Varanda dela?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Essa pergunta é bem difícil. A gente se faz muito ela internamente, nós quatro; o que é o nosso perfil, o que a gente publica. Mas, primeiramente, a gente publica as nossas coisas; e, depois, a gente publica o que nos interessa &#8211;  o que é um conceito muito vago, mas como nós somos uma editora pequena, os quatro sócios são os quatro funcionários da Varanda, a gente vai atrás das coisas que nos interessam pessoalmente. Algumas coisas até chegam pra gente, mas muitas a gente vai atrás também &#8211; que foi o caso do nosso primeiro livro, da Raíssa Varandas, que foi minha aluna na oficina de criação literária da Varanda; eu fiquei muito encantado com o texto dela e apresentei pros colegas, falando que a gente tinha uma autora maravilhosa e propondo que a gente publicasse.</p>



<p>Cada um desses trabalhos é um processo, mas eu não sei se a Varanda já tem uma identidade, acho que não tem, ainda. Talvez como uma criança, que tem que crescer um pouquinho pra gente começar a entender como ela se comporta, do que ela gosta, do que ela não gosta,  a Varanda tenha que dar uns passos, cometer alguns erros, alguns desvios, ver pelo que ela se apaixona, para que a gente possa falar um pouco sobre o que é a Varanda e como ela se define.</p>



<p><strong>T: Se um autor quiser publicar com a Varanda, o que ele/ela/elu precisa fazer?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Por enquanto, como a gente está com a nossa agenda bem preenchida para 2021, a gente ainda está pensando em como vamos abrir esse projeto, para que as pessoas também possam procurar a Varanda; porque, até agora, os nossos projetos foram coisas que nós identificamos enquanto coisas que a gente queria fazer, mesmo com pessoas externas &#8211; e fizemos os convites, as parcerias, enfim, foi a partir de conversas, de textos que a gente já conhecia. Então, a gente está tentando que, ao longo de 2021, a gente se programe, vendo também como a Varanda cresce em termos de trabalho e financeiros &#8211; para que a gente consiga contratar pessoas, também -, e que, em 2022, a gente já tenha um política mais bem definida sobre como incorporar novos projetos.    </p>



<p><strong>T: Agora que você tem uma editora própria, você pretende relançar os seus livros publicados anteriormente por ela? Se sim ou se não, por quê?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Por enquanto, não. Talvez, como eu tenho um livro cuja edição já se esgotou, eu pense em reeditá-lo pela Varanda. Mas como eu tenho muita coisa nova ainda &#8211; estou escrevendo um quadrinho, alguns livros de poesia -, eu penso em lançar primeiro essas coisas novas. E, quem sabe, no futuro, quando outras edições de outros livros se esgotarem, eu pense em relançá-los pela Varanda. </p>



<p><strong>T: Você já tem um livro programado para ser publicado no ano que vem, uma parceria com o Vinícius Goro, dentro de uma coleção idealizada dentro da Varanda. Você pode compartilhar um pouquinho sobre como é esse projeto, tanto da coleção quanto da parceria?</strong></p>



<p><strong>U:</strong> Esse projeto com o Vinícius Goro já está comigo há muito tempo. É um quadrinho, chamado &#8220;Morte Desafi(n)ada&#8221;; e eu vou escrevendo essas histórias, e o Vini vai ilustrando. Então, tem sido uma experiência muito rica para mim, porque escrever um roteiro de quadrinho é muito diferente [de escrever um romance]; você escreve para uma outra pessoa criar em cima daquilo, então tem um diálogo &#8211; até porque o Vinícius me propõe coisas, também, como adicionar paineis, diminuir falas, mudar ângulos de diversos quadros&#8230; E nisso, tem sido um desafio.</p>



<p>Enfim, é uma história que eu trago comigo já há algum tempo e ela está tomando forma nos desenhos do Vinícius &#8211; e eu acho isso incrível. Eu amo trabalhar com outras pessoas, não é a primeira vez que eu faço um projeto com ilustradores, mesmo; eu adoro ver como uma coisa que eu escrevo vira uma música, um outro texto, uma fotografia, os quadrinhos&#8230; E esse projeto, a gente espera lançá-lo em 2021; mas é um processo longo e trabalhoso, é um quadrinho de mais de cem páginas. Então é bastante trabalho que o Vini tem para desenhar tudo.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>U: </strong> A pergunta seria: &#8220;Ulisses, de todos os seus livros, qual você mais gosta?&#8221;; e eu responderia: &#8220;O próximo&#8221;. </p>



<p>&nbsp;</p>



<p>&#8216;O Quase Último Aum&#8217;, título mais recente de Ulisses Belleigoli, já está à venda no site da <a href="https://aquinavaranda.com.br/produto/livro-o-quase-ultimo-aum/">Varanda</a>.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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		<title>CHEGUEI EM CASA, SEU MOÇO!</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Olhei espantado para o prédio ao lado da calçada pela qual passava na Avenida Rio Branco, enquanto via um ser misterioso se dirigir a mim com essas palavras. Um prédio imponente, portaria 24 horas, ampla garagem. Jardim na frente. Idosos tomando sol atrás das grades.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Trânsito frenético. Transeuntes com máscaras no nariz, outros com máscara no queixo e alguns com máscaras invisíveis na cara, desfrutando a brisa puramente poluída de nossa urbe interiorana.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Na porta da loja de cosméticos, fila para comprar&#8230; cosméticos. Na esquina, um grupo ria descontraidamente, com tapinhas nas costas e olho no olho. Metade com máscara, outra metade sem.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; A essa altura, o prédio a que me referi há pouco, já estava relativamente distante.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Aquela voz se repetia insistentemente na minha cabeça.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Entro na padaria pra&#8230; comprar pão. Caminho no sentido de casa. Ando alguns metros apressadamente. Reduzo a velocidade dos passos. Andar com máscara me deixa mais ofegante. Abro a porta do prédio, passo álcool em gel nas mãos. Entro no elevador, saio do elevador, passo álcool nas mãos. Abro a mochila, pego a chave, abro a porta, tiro o sapato, deixo-o ao lado da porta, onde fica um pano com solução de água sanitária. Tiro a roupa, isolo-a num saco plástico, tomo banho, higienizo mochila, celular, carteira e o cantinho da mesa onde estavam os objetos pessoais. Despejo os pães dentro de um pote plástico e descarto a embalagem. Higienizo as mãos novamente. Nunca se sabe onde o inimigo invisível a olho nu está.</p>



<p>Estava com fome, mas a exaustão era maior. Preferi deitar um pouquinho. &#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa!&#8221;</p>



<p>De repente, me pego sonhando: &#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa, moço!&#8221; Aquela voz volta a ressoar. De quem é essa bendita voz, afinal? Era daquele moço desconhecido. Isso mesmo! Desconhecido&#8230; Mas já posso adiantar que a voz que até no sonho me ressoa não era de nenhum dos moradores daquela confortável propriedade privada cercada de grades e câmeras por todos os lados. Era a de um homem sujo, mal-cheiroso, desdentado, com fome, que sentava em sua caixa de papelão para “descansar” no passeio público, bem ao lado do portão do condomínio. Percebi uma certa ironia naquela fala. Talvez porque ainda houvesse alguma dose de consciência humana naquele corpo maltratado.</p>



<p>&#8220;Ai! Ai! Finalmente, cheguei em casa!&#8221; Podia eu simplesmente dizer isso, como o fiz, assim como o fazem aqueles que todos os dias saem exaustos de sua pesada rotina de trabalho. Levantei, tomei café. Comi, comi, comi. O estômago pesou, mas não me senti saciado&#8230;</p>



<p>Os inimigos invisíveis rondam por aí: o vírus, a desigualdade social e o embrutecimento humano. O vírus, julgam não existir, porque não se pode vê-lo a olho nu. A desigualdade social, julgam que é problema do indivíduo. Cada um que trabalhe e ascenda por meio de seus próprios esforços. E por último, o embrutecimento humano, o mais invisível deles e a causa de todos os males, segue em ritmo galopante.</p>



<p>O homem que finge acreditar ter chegado à sua casa, também membro da espécie humana e habitante desse mesmo planeta, embora empurrado cada vez mais para a &#8220;borda&#8221; terrestre, infelizmente, não pode contar com as mãos infinitamente sujas, porém &#8220;invisíveis&#8221; do mercado.</p>



<p>Muitos, enquanto isso, habitando, armados, inseguros, vigilantes e temerosos, os lugares que pagam o direito de usar, fantasiam e imaginam a segurança da fortaleza de seus castelos de papel, fingindo dividir seu mundo entre os lados de dentro e de fora. Para os problemas complexos, simples solução: para ladrão, portaria e revólver; pra pobreza, a fome, a peste, o genocídio. E pro vírus&#8230;</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong> é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela UFJF. Dedica-se ao estudo da história social da cultura no Brasil, abrangendo temas como trajetórias individuais e de grupos, sociabilidades, associativismo, história intelectual, história social da literatura, acervos documental e bibliográfico, patrimônio cultural, memória e educação. Professor de História e historiador. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG).</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>[Arredores] Cinema em Isolamento, com Marília Lima</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 070]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[festival primeiro plano]]></category>
		<category><![CDATA[juiz de fora]]></category>
		<category><![CDATA[Primeiro Plano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/11/08/arredores-amor-dinheiro-politica-e-rap-com-marilia-lima/">[Arredores] Cinema em Isolamento, com Marília Lima</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Consumir e apreciar cinema se tornou hábito para muitas e muitos durante o momento de isolamento social &#8211; e, ainda com a pandemia, muitos cineastas e diretores continuaram produzindo e buscando expor seus trabalhos.</p>



<p>Porém, permanecemos em isolamento social. Os realizadores de cinema que sofrem com a falta de recursos não conseguem produzir &#8211; e ficam em situação precária. Os festivais, espaços universais de reconhecimento da sétima arte, não estão acontecendo. Ou será se estão?</p>



<p>Pensando em fomentar o cinema de forma perene, festivais de cinema se adaptaram ao virtual e continuam levando cinema inédito e de qualidade ao seu público. Esse é o caso do Primeiro Plano, festival de cinema tradicional de Juiz de Fora, que fará sua estreia nas telinhas dos computadores e notebooks mundo afora em sua décima oitava edição: a de 2020.</p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com a Marília Lima, produtora do festival de cinema Primeiro Plano, para entender como está sendo o processo de lidar com o cinema e a produção de eventos durante um cenário de pandemia. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/179c0-whatsapp-image-2020-11-06-at-15.52.29.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12641" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Equipe de Produção do Festival Primeiro Plano em reunião. <br>Da esquerda para a direita: Marília Lima, Aleques Eiterer, Fausto Júnior, Pedro Nogueira e Nilson Alvarenga</figcaption></figure>



<p><strong>Trama: Me conta um pouquinho da sua história com o cinema, e como você chegou onde você está hoje, na organização de um festival de cinema que abrange produtores de toda a América Latina</strong>.</p>



<p>Eu fiz Jornalismo na UF, mas eu sempre estive no campo do cinema, seja estudando, ou praticando. Eu conhece o Primeiro Plano enquanto era estudante. Em 2010, eu entrei no mestrado em comunicação, pesquisando cinema, e comecei a trabalhar no festival com o Nilson, que era meu orientador e coordenava a parte de comunicação do Primeiro Plano. Ao mesmo tempo a gente realizava filmes. Eu trabalhei como assistente de direção, diretora, produtora, diretora de fotografia e técnica de som. Filmes de baixo orçamento, então, a gente mesmo fazia tudo. Em seguida em entrei para o Luzes da Cidade, que é a entidade cultural que realiza o festival e também filmes e mostras de cinema. Depois, em 2012, o Nilson passou a coordenar as oficinas e eu passei a coordenar a parte de comunicação do festival. Em 2013, eu mudei para o Rio e comecei a trabalhar também, além do festival, com as mostras de cinema que o Luzes realizava no CCBB e na Caixa Cultural. Ao mesmo tempo, trabalhando em filmes.</p>



<p>Em 2015, eu passei em um concurso de professora substituta no IAD da UFJF eu voltei para Juiz de Fora para dar aula de cinema. Em 2016 eu dirige o Minas Hotel, meu primeiro filme solo, rs! Fiz com recursos do Edital Filme em Minas, do Estado de Minas Gerais.</p>



<p><strong>T:  Para você, são dez anos na organização do festival, que está aí fomentando o cinema &#8211; tanto enquanto produção quanto enquanto produto para consumo &#8211; desde 2002, de forma presencial. Como está sendo pensar o festival em moldes tão diferentes? </strong></p>



<p><strong>M:</strong>  Eu confesso que achei que seria mais difícil, a produção do festival [nesses moldes]. Mas como reduzimos bem a programação, está mais simples de organizar. Porém, temos vários desafios, como a divulgação, que tem que ser feita mais intensamente de modo virtual.</p>



<p>Pessoalmente, estou feliz que vamos fazer o festival, pois isso sempre é um desafio &#8211; e quando acontece, a gente já fica muito contente; porém, um pouco triste também, porque é a minha semana predileta no ano. A gente encontra muitas pessoas, conversa com muita gente, faz amizades e traça novos planos para o futuro.</p>



<p><strong>T: Inclusive, qual é a diferença que você sente em o festival ter reduzido a programação?</strong></p>



<p><strong>M:</strong>  Não vai ter os 6 dias de longas, né! Teremos 2 longas só, e não vai ter a sessão infantil também. Vamos apresentar as mostras principais, que são as mostras competitivas, os debates e as oficinas.</p>



<p>Essa programação se adaptou ao formato virtual; achamos que neste momentos as pessoas já estão um pouco cansadas de lives e programações em casa. Então achamos que não precisava de tanta coisa &#8211; pois a ideia do festival é criar um espaço na semana pra pensar e respirar cinema</p>



<p><strong>T: </strong> <strong>E existe um incômodo, por parte da produção, pensando no sentido de reduzir o espaço para a quantidade de produções?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Não há um incômodo, não. As condições não estão tão propícias para a realização do festival, mas precisamos fazê-lo; então, vamos fazer o que é possível de ser feito. Acho que estamos todos conscientes de que esse é o melhor formato.</p>



<p>O festival nunca pulou edição, foram edições ininterruptas. Achamos um posicionamento político importante realizar da forma como é possível para não pular uma edição.</p>



<p><strong>T: Justamente pensando nisso, eu queria saber um pouco mais sobre esse posicionamento político, sobre a importância que vocês enquanto produção percebem na realização do festival, ainda que reduzido em programação, ainda que adaptado para os moldes online.</strong></p>



<p><strong>M:</strong> A cada ano, a gente percebe como o Primeiro Plano influencia de alguma forma na produção audiovisual em JF. Eu via isso na Facom, e agora no IAD, como há filmes que são pensados para serem exibidos no festival. A mostra Regional pra gente é justamente esse espaço que as pessoas tem pra pensar sobre suas produções e as dos colegas, para se inspirar e fazer um filme. Aquela coragem de ver um trabalho na tela e ver que pode também fazer um filme para exibido ali. É assim que muitos e muitas realizadores/as começaram a fazer cinema.</p>



<p>Além disso, a nossa curadoria tenta fazer uma amostragem de filmes diversos, com temas e estilos diversos, e com realizadores(as) também diversos. É importante, pra gente, trazer as pessoas e mostrar para as pessoas como o cinema é múltiplo, tornando assim o espaço democrático, agregando uma diversidade de gentes.</p>



<p><strong>T: &nbsp;E existe também a ideia de dar um gás, um ânimo, para os realizadores de cinema, que estão passando por um momento ainda mais complicado que a maioria dos profissionais, certo? Como vocês percebem o impacto da pandemia e do isolamento no fazer cinematográfico do Brasil &#8211; agora de forma mais ampla, não pensando apenas no Primeiro Plano?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Isso, nossa intenção é também criar a sensação de estabilidade, mesmo que adaptada. O impacto foi grande para diversos setores do audiovisual, desde as produções até os próprios festivais. A pandemia acirrou mais ainda um setor que já estava em crise, principalmente pela falta de recursos públicos, que só piorou nos últimos anos. O cinema não recebe atenção alguma do governo e quando recebe é para desvalorizá-lo.</p>



<p>E o mercado não dá conta de contratar a quantidade de profissionais. Então estamos vivendo uma crise, não tão recente, mas que, agora, tornou-se pior.</p>



<p>Só mais uma coisa, é possível realizar filmes em isolamento, desde que haja recursos para isso, e é isso que não temos.</p>



<p><strong>T: E com o formato online, não só as dinâmicas da programação mudam, como também a recepção do público, certo? Quais mudanças vocês estão esperando para a edição desse ano, no que tange à audiência?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> A gente espera manter nosso público e aproveitar para agregar novos públicos, de outros lugares. Por exemplo, o público que será convidado pelos/as diretores/as da Mercocidades. A gente espera também aumentar o público e a participação das pessoas nos debates.</p>



<p><strong>T:  &nbsp;Pensando nesse sentido de agregar mais gente, vocês anunciaram nas mídias de vocês que a edição desse ano teve um recorde de inscrições, com 323 filmes na Mostra Mercocidades e 30 na mostra regional. O que esses números representam para o festival &#8211; em especial no atual cenário que o cinema nacional vem enfrentando?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> O número de inscritos indica que a produção de cinema só cresce e também indica nosso alcance no Brasil e na América do Sul. Acredito que, como estamos mais ligados no universo virtual, as pessoas conseguiram (ou arrumaram tempo para) conhecer novos eventos &#8211; o que nos ajudou a chegar em novos lugares.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Inclusive, um dos filmes que está na programação do festival desse ano veio de uma iniciativa inédita de vocês, o #PPFeitoemCasa. Como foi estruturar essa iniciativa nova dentro de um festival que está consolidado há quase vinte anos? E como essa experiência serviu para a estruturação do festival que acontece agora no fim do mês?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Nossa proposta era dar uma respiro para as pessoas que estavam em casa e mostrar que é possível ser criativo em situações limítrofes. O festival, mesmo, costuma se adaptar às situações em função das incertezas de recursos; somos ótimos em nos adaptar, de tanto que vivemos momentos assim. Além disso, foi uma forma de colocar em teste o formato do online. E foi ótimo, tivemos muitos inscritos e muitas visualizações.</p>



<p><strong>T: Caso o formato online dê bons resultados para o festival, existe um plano de trazê-lo nesse formato também nas próximas edições, paralelamente às sessões presenciais?</strong></p>



<p><strong>M:</strong> Não havia pensado isso ainda. Mas acho que é possível sim! Uma ótima ideia que nos deu! Estamos sempre abertos a repensar o formato e incorporar as coisas que deram certo.</p>



<p><strong>T: &nbsp;Qual pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? E qual a resposta para ela?</strong></p>



<p><strong>M: </strong> Acho que abordar o tema do festival representado pela arte desse ano é importante. O conceito e a criação foi do Inhamis, que é nosso parceiro há anos. A proposta é representar esse momento de fluidez, de adaptação, indicado pelo rio ou mar, além de relacionar com a navegação aludindo ao mundo virtual.</p>



<p>&nbsp;</p>



<p>O Primeiro Plano acontecerá entre os dias 24 e 28 de novembro, de forma online, através da plataforma InnSaeiTV. O link para as sessões serão disponibilizados no <a href="http://www.primeiroplano.art.br/site/">site oficial do Festival</a>. </p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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