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	<title>Arquivos Mulheres - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O PL1904</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 12:51:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 006, N 197]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O PL 1904/2024 é um daqueles projetos de lei que chega como um soco no estômago de qualquer pessoa minimamente consciente das lutas feministas e dos direitos humanos. Equiparar o aborto após 22 semanas ao homicídio simples, mesmo em casos de estupro, é um retrocesso colossal, uma agressão direta aos direitos reprodutivos e à autonomia … </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O PL 1904/2024 é um daqueles projetos de lei que chega como um soco no estômago de qualquer pessoa minimamente consciente das lutas feministas e dos direitos humanos. Equiparar o aborto após 22 semanas ao homicídio simples, mesmo em casos de estupro, é um retrocesso colossal, uma agressão direta aos direitos reprodutivos e à autonomia das mulheres. As principais vítimas dessa tentativa de criminalização brutal serão mulheres e crianças.&nbsp;</p>



<p>Primeiro, precisamos entender o que significa uma proposta como essa no contexto da luta feminista. A autonomia sobre o próprio corpo é um dos pilares centrais do movimento feminista. Sem o direito de decidir sobre a própria gravidez, as mulheres são reduzidas a meros receptáculos biológicos, desprovidas de agência sobre seu destino. Quando falamos de aborto, estamos falando de saúde pública, autonomia, dignidade, direitos humanos e justiça social.&nbsp;</p>



<p>A PL 1904/2024 ignora completamente as complexas realidades das mulheres que buscam um aborto tardio. Essas gestações não chegam às 22 semanas por mero capricho. Na grande maioria das vezes, são fruto de circunstâncias extremas: diagnósticos tardios de malformações fetais graves, condições de saúde materna que colocam a vida da mulher em risco, ou mesmo o descobrimento tardio da gravidez em situações de violência e abuso sexual. Penalizar essas mulheres é penalizar a vulnerabilidade e a marginalização que muitas já enfrentam.&nbsp;</p>



<p>E quem sofre mais com a criminalização do aborto? As mulheres pobres, claro. As mulheres ricas sempre encontrarão um jeito de acessar serviços de saúde seguros, seja viajando para o exterior ou pagando médicos clandestinos caros. A criminalização do aborto, então, não afeta todas as mulheres igualmente. Ela é uma ferramenta de controle social sobre as mulheres das classes trabalhadoras e marginalizadas.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a criminalização do aborto também tem uma dimensão racial. No Brasil, as mulheres negras são desproporcionalmente afetadas pela falta de acesso a serviços de saúde e pelas políticas repressivas. Isso não é coincidência, mas sim uma manifestação do racismo estrutural que permeia nossa sociedade. Ao equiparar o aborto ao homicídio, o Estado está, na prática, condenando essas mulheres a uma situação de insegurança e risco de morte.&nbsp;</p>



<p>E as crianças? Ah, as crianças&#8230; O discurso dos &#8220;pró-vida&#8221; muitas vezes se apoia na ideia de proteger os fetos, mas ignoram completamente o que acontece com essas crianças após o nascimento. Muitas vezes, as mulheres que buscam abortos tardios são aquelas que não têm condições de criar uma criança em um ambiente seguro e saudável. Elas podem estar vivendo em situações de extrema pobreza, violência doméstica ou outras condições que tornam a criação de um filho inviável. Forçar uma mulher a levar adiante uma gravidez indesejada é forçar uma criança a nascer em um ambiente potencialmente hostil e prejudicial.&nbsp;</p>



<p>A criminalização do aborto não é apenas uma questão de &#8220;moralidade individual&#8221;, mas uma questão de justiça social. É uma questão de quem tem poder sobre os corpos das mulheres e como esse poder é usado para manter a ordem social existente. As mulheres são punidas por serem pobres, por serem negras, por serem vulneráveis. Elas são punidas por se recusarem a cumprir o papel que a sociedade capitalista patriarcal reservou para elas.&nbsp;</p>



<p>Por isso, é crucial que lutemos contra a PL 1904/2024. Não podemos permitir que nossos direitos reprodutivos sejam atacados dessa maneira. Devemos nos unir, organizar protestos, pressionar nossos representantes e espalhar a conscientização sobre os impactos devastadores dessa proposta. A luta pelo direito ao aborto é uma luta pela vida das mulheres, por sua libertação, autonomia e por sua dignidade. É uma luta que precisamos vencer, não apenas por nós, mas por todas as gerações futuras que merecem viver em um mundo onde suas escolhas e seus corpos são respeitados.&nbsp;</p>



<p>A criminalização do aborto tardio, especialmente em casos de estupro, é uma violência estatal disfarçada de moralidade. É a reafirmação de que o corpo da mulher não pertence a ela mesma, mas ao Estado, à sociedade, aos ditames patriarcais que ditam o que é certo ou errado. E contra isso, devemos resistir com toda a força que temos.&nbsp;</p>



<p>Como disse Margaret Atwood na sua obra O Conto da Aia&#8221;: Nolite<em> te bastardes </em>carborundorum<em>. </em>Não deixe que os bastardos te derrubem!&nbsp;</p>



<p>Não podemos permitir que as políticas regressivas da PL 1904/2024 sufoquem nossos direitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nossa luta pela libertação dos nossos corpos deve continuar, inabalável e determinada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Avante, mulheres!&nbsp;</p>



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<p><strong>Carolline Sardá</strong>&nbsp;&#8211; Publicitária, criadora de conteúdo e nas horas vagas conto histórias de mulheres que você precisa conhecer.&nbsp;</p>
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		<title>Menininha assassina, estuprador brother: a atualização do discurso de que perigosas são as mulheres </title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2024 12:38:45 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existem informações que nós, feministas, estamos cansadas de saber. Sabemos que o Brasil ocupa, há muitos anos, a posição de 4º país no mundo com maior número de casamentos infantis (ou seja, homens adultos se casando com meninas). Sabemos que a violência sexual é a forma de violência predominante contra meninas de 10 a 14 anos e que a maioria estrondosa dos violentadores são homens. Sabemos que o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial em exploração sexual infantil, que em 2023 registrou-se o maior montante de denúncias deste tipo de violência ocorrendo na internet e sabemos que, novamente, a maioria dos agressores são homens e a maioria das vítimas são meninas. Os números sobre violência sexual e doméstica não são muito melhores quando estamos falando de mulheres adultas. E claro, sabemos que, em uma estrutura capitalista e racista, a subjugação racial e econômica transforma meninas e mulheres pretas e/ou com condições financeiras precárias, em alvos ainda mais fáceis para a predação sexual masculina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não digo que estamos cansadas de saber apenas porque a maioria de nós tem esses dados e essas vivências na ponta da língua, mas porque carregar, sozinhas, essa memória coletiva visceralmente entranhada é uma condição de existência exaustiva. O fardo não é suportado só por nós pois tratam-se de estatísticas e fatos escondidos, de algo que apenas nós sabemos. Para a classe masculina hegemônica, independentemente de partido político, essas informações também não são novas, mas significam poder: são o retrato de que a máquina patriarcal segue funcionando a todo vapor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se, como Susan Brownmiller colocou, o estupro é um processo social consciente de intimidação onde todos os homens mantém todas as mulheres em um estado de medo, podemos falar o mesmo de uma gravidez indesejada. Isto é especialmente verídico em um país onde 7 a cada 10 mulheres são mães; onde a cada 5 bebês nascidos, 1 foi gestado por uma menina com idade entre 10 e 19 anos; e onde uma menina com idade até 14 anos se torna mãe a cada 20 minutos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A guerra contra meninas e mulheres acontece de forma entrelaçada. Existem os atos práticos que limitam as possibilidades de vida, como a não garantia dos direitos reprodutivos, e existe também uma ideologia que se impõem no campo do discurso. Se Foucault falou que não existe saber sem poder, Marx falou que um componente imprescindível da dominação é a promulgação das ideias da classe dominante como se fossem ideias universais, ideias que beneficiam a todos, quando na verdade apenas reforçam o poder dos dominadores. Marx falava de capitalistas, mas as feministas sabem que existem classes para além das econômicas, ou melhor, que as classes sexuais são, também, econômicas. E esta é uma das funções secundárias do PL 1904/2024, que classifica como homicida uma vítima de estupro que aborta após a 22ª semana, com direito a uma pena maior que a destinada aos estupradores. A porcentagem de abortos legais realizados nesse período gestacional é baixa, cerca de 5%, e quem necessita são majoritariamente menininhas com quem toda a estrutura familiar, escolar, de saúde e assistência falhou. Além de todas as consequências concretas, o PL 1904/2024 solidifica, na aliança entre patriarcado e legislação, um intertexto. Que mensagem está sendo passada?&nbsp;</p>



<p>Vejamos, no início deste ano, aqui no país do futebol, o jogador mais reconhecido do Brasil e um dos mais famosos do mundo apoiou financeiramente um provável estuprador, também jogador. Seu brother. Ainda que a mídia tenha feito alguns comentários, motivada pelos protestos das mulheres, não houve grandes repercussões. A carreira deste braço amigo não foi afetada, nem houve perda significativa de adoração do seu público, composto em grande parte por, isso mesmo, você adivinhou, homens! Já uma menina de 10 anos no ES, repetidamente estuprada dentro da família, teve que ser enfiada no porta-malas de um carro para conseguir entrar em um centro de saúde e interromper uma gestação. Uma aglomeração de pessoas do lado de fora gritava “assassina!”. Ainda que ilustrativas, essas situações não são anômalas, não são exceções. Também não se trata de hipocrisia. É dialética, diria Marx.&nbsp;</p>



<p>Já Foucault, que pouco seria sem Marx, conceitua discurso como um conjunto de enunciados regidos pela mesma regra. De um lado, temos a normalidade com que acusados de estupro e seus protetores são tratados. De outro, temos a potencial classificação criminal de assassinato por interromper uma gestação originária de violência masculina. Tratam-se de enunciados regidos pela mesma mensagem: <strong>o perigo reside nas mulheres</strong>. É esse o intertexto que o PL 1904/2024 busca consagrar na legislação, independentemente de qualquer amenização que busque fazer agora com a retranca. Em 2019, o PL 2893 do PSL tentou fazer o mesmo, declarando que a mulher vítima de estupro que opta pelo aborto é mais criminosa que o estuprador pois este lhe poupou a vida. Como são misericordiosos, os homens!&nbsp;</p>



<p>São as mulheres, com seus úteros potencialmente vazios, que são as causadoras de violência. Essas mesmas, que neste país tem, legalmente, menos autonomia corporal que um cadáver. Sim, pois um corpo morto que em vida tenha se recusado a ser doador de órgãos será respeitado, ainda que um único doador possa salvar até 8 pessoas. A periculosidade feminina está inscrita em nossos corpos, enquanto os corpos dos homens são descritos como neutros e, portanto, idôneos. Veja o exemplo de Arthur Lira, presidente da câmara que tentou acelerar o PL 1904/2024. Arthur usou seu corpo para trair a esposa e engravidar a mulher com quem dava suas escapadinhas do sagrado matrimônio. Depois, se recusou a reconhecer a paternidade dessa filha, que possui uma doença e necessita de tratamento especial. Quando questionado, o excelentíssimo exemplar da moral masculina respondeu: “a vida privada de um homem público não interessa”. Já o corpo, tornado público, de meninas e mulheres privadas de uma existência livre de violência interessa, e muito, aos homens. Consciência de classe é algo muito presente em quem está hierarquicamente posicionado acima. Não é à toa que Arthur Lira marca o sujeito da frase: homem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Então me parece necessário e apenas justo que, na retomada do discurso, nós marquemos também. Eu, já há algum tempo, abandonei expressões que se tornaram higienizadas como, por exemplo, “violência de gênero”. A neutralidade não nos cabe, sabemos a quem ela pertence. Penso, como Heleieth Safiotti, que é necessário marcar o vetor da dominação-exploração. Nomeio então: violência masculina. Aponto para os homens, enquanto classe. E isso envolve apontar também para a esquerda institucional masculinizada, que tem sim tanta responsabilidade quanto os ‘conservadores’. A pauta da legalização da interrupção de gestações indesejadas só segue podendo ser usada como chantagem política porque a própria esquerda não a assume como essencial. O mesmo vale para um combate sério e comprometido contra o estupro e a exploração sexual. Andrea Dworkin, em uma fala brilhante dirigida para uma plateia de homens progressistas, afirmou: “Todas as nossas ações políticas são mentira se não nos comprometemos a abolir a prática do estupro”. Se você nunca leu o manifesto dela pelo fim do estupro, procure o texto. Eu poderia dizer que a atualidade de algo dito décadas atrás é impressionante, mas na verdade é apenas triste.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ainda que tenhamos diferenças entre nós, que muitas mulheres sejam amaciadas pela esquerda masculina (alou Nísia, alou Cida) ou cooptadas pela direita, eu peço para que lembrem que nossa população não é minoria. E se não há novidade na estratégia de enquadrar mulheres como figuras perigosas e criminosas, talvez o que nos resta seja realmente sermos. Aqui, de novo, trago uma frase em que Marx falava dos detentores do monopólio capitalista, mas podemos pegar para a nossa classe, que em si mesma tem aquilo de mais essencial monopolizado pelos homens: &#8220;Se a conquista se constitui como um direito natural por parte de poucos, então a maioria tem apenas que juntar força suficiente para adquirir o direito natural de reconquistar o que lhes foi tirado&#8221;. Sejamos perigosas então.&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Ana Maria Bercht</strong></p>



<p>Psicóloga Clínica, Mestra em Psicologia Social e Pesquisadora a nível de Doutorado no PPG de Psicologia da PUCRS, investigando as temáticas de objetificação sexual, saúde mental de mulheres, sexismo e aborto. Já atuou no SUS e no SUAS, bem como em cargos de docência.&nbsp;&nbsp;</p>



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		<title>Laura </title>
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		<pubDate>Sun, 12 Nov 2023 18:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 189]]></category>
		<category><![CDATA[Joseani Adalemar Netto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Joseani Adalemar Netto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Linda jovem, de pele macia feito algodão e preta como a noite. Nasceu e viveu em um vilarejo sem muitas novidades. Qualquer forasteiro era motivo de olhares e cochichos. Ela sonhava com a cidade grande, com suas luzes e altos prédios, imaginava com tanta verdade que, às vezes, se esquecia de tirar as roupas do varal que dormiam dependuradas e acordavam úmidas do orvalho. Era então repreendida por sua mãe que a considerava uma cabeça de vento. A mãe, acostumada aos afazeres domésticos, aos cuidados com os filhos e marido, sem tempo para conversas fiadas, quase sempre ignorava os desejos da filha, tão sonhadora, tão desejosa de um outro lugar.&nbsp;</p>



<p>Quando a noite surgia, após o jantar, Laura assentava-se com a família em volta do rádio que transmitia as notícias da Capital, ansiosa pelo próximo capítulo da novela que ela nunca conseguia ouvir por completo, pois tinha de se recolher aos seus aposentos para descansar o corpo e voltar ao trabalho do dia seguinte. Ia para a cama a contra gosto e deixava-se embriagar pela fantasia romântica dos amores impossíveis. Assim, completava os capítulos que ouvia no rádio e que nunca conseguia terminar. Assim adormecia e sonhava.&nbsp;</p>



<p>Um dia, em pleno sol de verão, Laura avistou no horizonte uma poeira que anunciava a chegada de mais um forasteiro. Seu vilarejo era um atalho para a estrada que levaria à Capital. Somente os que viajavam a cavalo se arriscavam a passar por ali. A estrada era de terra, irregular, cheia de buracos. Volta e meia, os que insistiam em atravessá-la de carro precisavam da ajuda dos moradores para retirarem seus automóveis dos buracos, esculpidos pela natureza um tanto selvagem daquele lugar. Mas aquele dia era diferente dos outros. Nenhuma ave de rapina no céu, nenhuma nuvem espreitando o sol, nenhum sinal. O silêncio do dia fora rompido apenas pela poeira e pelo trotar do cavalo que podia ser ouvido ao longe.&nbsp;</p>



<p>Sem mais nem menos, Laura sentiu um frio na barriga, um arrepio que a tirou de seus afazeres para observar melhor. Não era apenas um cavalo. Eram cavalos e carroças que se atreviam a adentrar o vilarejo sem pedir licença e aos poucos foram surgindo como caravana no deserto. Pessoas começaram a sair de seus casebres, a debruçarem-se nas pequenas janelas, a abancarem-se nos portões e portas. Todos curiosos, apreensivos. Eram carroças coloridas amontoadas por pessoas coloridas. Cavalos de crinas longas e arreios brilhantes. Homens e mulheres diferentes, coloridos. Pareciam saídos dos livros de aventura, dos poucos livros de aventura lidos por Laura. Sim, como romântica incorrigível, aprendera a ler com a vizinha as primeiras letras e, depois, foi só uma questão de tempo para devorar os romances que dona Vânia a emprestava. Mas logo os romances ficaram escassos e ela partiu para os livros de aventura escondidos num embornal encardido, que levava sempre consigo como um tesouro. Lia sempre no horário do almoço, quando então podia descansar da labuta e sonhar.&nbsp;</p>



<p>Os homens, mulheres, cavalos e carroças se puseram na pracinha em frente à pequena Capela de Santa Matilde e logo foram cercados pelas crianças e moradores daquele lugarzinho perdido no tempo e no espaço.&nbsp;</p>



<p>Com movimentos rápidos e muito tumulto foram logo abrindo uma tenda em verde, azul, amarelo e vermelho. De repente, o céu azul tomou uma coloração mais acinzentada, anunciando a chegada de uma chuva torrencial. Porém, aquelas criaturas não se intimidaram e continuaram suas tarefas, gritando uns com os outros, ordenando, rindo numa embolada desconcertante para aqueles habitantes tão acostumados com o silêncio do lugar.&nbsp;</p>



<p>Laura, tão logo terminou de lavar as roupas, estendê-las, pôs-se na praça a fazer perguntas a um jovem alto, robusto e de cavanhaque. Tratava-se de um circo. Na verdade, um pequeno circo, porém enorme para aquele lugar. Laura encantou-se. Viu surgir na sua frente toda espécie de cores e de gentes. Eram sim, personagens saídos de suas fantasias. Mal podia esperar para ver o grande espetáculo do <em>CircusVolanti</em>. Voltou para casa depressa, para concluir suas tarefas do dia e pediu suplicante que sua mãe a deixasse ver o espetáculo. Os artistas resolveram pernoitar, seria apenas uma apresentação, de graça, para aquela comunidade esquecida e amarelada.&nbsp;</p>



<p>Apesar das nuvens que prometiam uma tempestade, a tenda pôs-se de pé e podiam-se ouvir os preparativos para o grande e inesquecível espetáculo. Em pouco tempo, as nuvens se dissiparam, o sol voltou escaldante e foi sumindo aos poucos no horizonte dando espaço para que a escuridão da noite se fizesse presente. Os geradores de energia foram ligados e faziam um barulho tremendo. E a cada movimentação por debaixo das lonas era motivo para a curiosidade de todos que, neste momento, já estavam em fila e prontos para adentrar a arena.&nbsp;</p>



<p>Nem noticiário, nem novela. Aquela noite a história seria contada ao vivo e em cores. Quando o mestre de cerimônia mandou que abrissem as cortinas, as pessoas do vilarejo se acotovelaram, empurraram umas as outras buscando um espaço sob a lona. Alguns, mais velhos, preferiram ficar em casa, talvez por medo do desconhecido, talvez por hábito mesmo. Mas Laura estava lá, na primeira fila, ansiosa, coração batendo cada vez mais forte, arrepiando-se e aguardando os encantos que viriam desfilar na sua frente.&nbsp;</p>



<p>Palhaços, anões e mulher barbada fizeram a alegria de todos. Trapezistas e contorcionistas deixaram estupefatos até àqueles que se achavam sabedores das coisas. E Laura em catarse, até que adentrou em um cavalo branco o homem do cavanhaque e desfilou fazendo acrobacias em cima do quadrúpede. Estendeu à mão a Laura e num relance transformou-a em uma artista, mesmo que por uns poucos instantes, cavalgando em círculos e dando a ela as rédeas daquele belo animal. Depois, deixou-a só, num canto e terminou sua apresentação.&nbsp;</p>



<p>Naquela noite, estrelas pipocavam diante dos olhos de Laura. Dormir? Como? Não conseguia esquecer-se do cavaleiro, de seu olhar entorpecedor, de sua voz a lhe dizer: “pegue as rédeas, o mundo é seu&#8230;”. Fechou os olhos por uns instantes e, decidida, levantou-se, pegou seu embornal, colocou-se em trajes de festa e ficou na espreita por uma fresta na janela de seu quarto. As pálpebras começaram a pesar e, aos poucos, Laura adormeceu assentada em um banquinho de vime diante da janela. Mal amanheceu o dia, os circenses foram desfazendo os sonhos semeados naquela noite inesquecível. Rapidamente as lonas foram guardadas em carroças, cada um foi se ajeitando como podia e a caravana se colocou novamente na estrada.&nbsp;</p>



<p>Quando o sol já se fazia alto, Laura acordou, correu até a praça e viu-se sozinha. Sem lona, sem cavaleiro, perdida na poeira amarelada deixada pelo circo. Caminhou alguns quilômetros e deteve-se. Sabia que era impossível alcançá-los. Choramingou, arrancou de dentro do embornal o livro que carregava e o esmigalhou como se esmigalha um sonho perdido. Voltou lentamente para o vilarejo ainda ouvindo as gargalhadas, o trotar dos cavalos, os urros de surpresa e medo do público e a voz do cavaleiro que dizia “pegue as rédeas, o mundo é seu&#8230;”. Contentou-se, mais uma vez, com os noticiários do rádio e as novelas que nunca terminavam. Criou para si, um mundo só seu e, aos poucos, se desfez.&nbsp;</p>



<p></p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Joseani Adalemar Netto</strong> é natural de Santos Dumont, Minas Gerais. Formada em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Especialista em Educação Infantil, Especialista em Educação Contemporânea pelo IF-Sudeste, campus Santos Dumont e Mestre em Letras – ProfLetras UFJF. Leciona Língua Portuguesa e suas Literaturas na Rede Municipal e Particular de Santos Dumont. É membro efetivo da Sociedade Brasileira dos Poetas Adravianistas (SBPA), Coordenadora do Projeto de Leitura LeiturAMA-SD, membro atuante da Ação em Movimentos Artísticos de Santos Dumont (AMA-SD), fundadora e coordenadora da Academia Brasileira de Autores Aldravianistas Infantojuvenil – SD (ABRAAI-SD), membro correspondente da Academia Portuguesa de Ex-Libris (APEL). É contadora de histórias, palestra sobre Educação e Literatura, ministra oficinas e atividades culturais voltadas para o incentivo à leitura e à escrita tanto para estudantes quanto para a formação de professores na cidade de Santos Dumont e região. Tem seus textos publicados em antologias literárias como o Livro IV, V, VI, VII e VIII e IX das Aldravias; Antologia Juiz de Fora ao Luar; Antologia Múltiplas Palavras, UBT (JF), e-book Cronistas da Quarentena (2021), Livro foto-poema pela Lei Aldir Blanc. Possui capítulos em livros pedagógicos voltados para o Letramento Línguistico e Literário, artigos publicados em jornais e revistas voltados para a Educação. Já prefaciou livros e quarta capa para vários outros escritores e poetas. Trabalha como revisora linguística em várias publicações. É colaboradora externa no Projeto Propostas Pedagógicas para o Ensino de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Fundamental II e Ensino Médio, atuando como co-orientadora dos bolsistas de Letras na construção de sequências didáticas, do IF-Sudeste, campus Juiz de Fora e atua também no projeto de pesquisa Performances do Narrador, UFMG, com o olhar para as obras de Conceição Evaristo. Participa de forma atuante em oficinas, palestras, cursos, saraus e atividades afins. Possui certificados e medalhas de Mérito Cultural por sua atuação como fomentadora da cultura local e da região, oferecidas pela SBPA, Lesma Poesia, Rotaract, Interact, Câmara Municipal de Santos Dumont, dentre outros.&nbsp;</p>
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		<title>A heroína trágica e o arquétipo da mulher terrível: religião, loucura e insubmissão no mito da Medeia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Oct 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 187]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Grécia]]></category>
		<category><![CDATA[grego]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ariel Von Ocker</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p>Não há como dissociar o legado cultural da Grécia Antiga da produção tragiográfica de seu tempo. Nesse sentido, o teatro exerceu funções primordiais no florescimento e manutenção da cultura grega alimentando-a e ratificando determinados pressupostos que compunham o <em>éthos </em>de seu tempo. Nesse campo, nomes como Sófocles, Ésquilo e Eurípedes mereceram destaque não apenas entre os representantes da cultura de um tempo, mas também como expoentes da produção poética (a tragediografia era escrita em versos) de todo o Ocidente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Assim, não podemos promover uma análise de conteúdo mitológico e literário sem levar em consideração os pressupostos culturais vigentes ao tempo da reprodução de determinadas histórias. Como afirma PALMA (2007):&nbsp;</p>



<p>“[&#8230;] o discurso literário pode não ser apenas ligado aos procedimentos adotados pelo autor, mas também, e talvez mais diretamente do que se pensa, ligado ao contexto sócio-cultural no qual está inserido, evidenciando-se, nem sempre claramente, uma influência das instituições que o cercam na escolha de determinados procedimentos de linguagem.”&nbsp;</p>



<p>Desse modo, propomos, no presente trabalho, uma análise do mito de Medeia enquanto um discurso cultural de um povo e um tempo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>A ÉPOCA TRÁGICA DOS GREGOS E A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DA TRAGÉDIA</strong>&nbsp;</p>



<p>De acordo com Dutra (2005), Medeia representa a noção da mulher bárbara ultrajda que, no ímpeto de vingar-se de Jasão, seu marido, mata seus próprios filhos. Isso representa uma violação das leis humanas e divinas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Para melhor entender o mito de Medéia, necessário se faz, no entanto, remontar a outra lenda da mitologia pagã: a conquista do velocino de ouro e a saga dos Argonautas. Junito Brandão (1987, p. 175-91) registra a seguinte versão: em Iolco, na Tessália, reinava Esão, que foi destronado pelo irmão Pélias. Jasão, filho de Esão, reivindicou mais tarde o trono a que tinha direito por herança. Pélias, no entanto, para livrar-se do sobrinho, impôs como condição que este conquistasse o velo de ouro consagrado ao Deus Ares em um bosque da Cólquida, na Ásia Menor. Em busca do velocino, Jasão chefiou uma grande expedição no navio Argos (daí a designação de &#8220;Argonautas&#8221; para seus tripulantes). [&#8230;] diante da impossibilidade de vencer sozinho as provas, Jasão foi socorrido pelos poderes do Amor. Apaixonada pelo herói, Medéia, filha de Eetes, relatou ao tessálio que o rei tencionava matá-lo e ajudou-o, com seus dons de magia, a cumprir as tarefas. De posse do velocino, Jasão e Medéia fugiram da Cólquida, levando como refém Apsirto, filho mais jovem de Eetes. Iniciou-se aí uma trajetória de amor, ódio, vingança e morte. Após abandonar o pai e a pátria, Medéia cometeu sucessivos crimes. Sua primeira vítima foi Apsirto que, trucidado pela irmã, teve seus membros esquartejados e lançados ao mar para atrasar a perseguição de Eetes. De volta a Iolco, Jasão descobriu que, durante a sua ausência, o usurpador Pélias havia assassinado Esão. O argonauta vingou-se, então, por meio dos feitiços de Medéia, que convenceu as filhas de Pélias a esquartejar e cozinhar os membros do pai para rejuvenescê-lo. Acasto, filho de Pélias, assumiu o lugar do rei e perseguiu Jasão e Medéia, que se refugiaram em Corinto, na corte do rei Creonte. Viveram em paz em Corinto, até que o rei resolveu casar sua filha Creúsa (ou Glauce) com o herói da Tessália. Repudiada por Jasão e expulsa da cidade, Medéia resolveu vingar-se tragicamente. Com suas poções mágicas e fatais, matou Creonte e Creúsa e incendiou o palácio real. Sua vingança, todavia, não ficou por aí. Para que o marido sofresse dor inigualável, trucidou os filhos que tivera com ele, Feres e Mérmero, fugindo depois para Atenas, em um carro puxado por duas serpentes aladas, presente de seu avô Hélios, o Sol.”&nbsp;</p>



<p>A partir de tal construção mítica, Eurípedes, qual outros tragediógrafos de seu tempo, produziu sua versão teatral da história com vistas a transmitir (e reiterar) as “verdades” formativas da comunidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Outrossim, deve-se assinalar que o teatro possuía um papel formador da cidadania na <em>Pólis,</em> assumindo, por isso, a função pedagógica de educar os cidadãos àquele <em>modus vivendi</em>. SANTOS (2013, p. 31) salienta que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“[&#8230;] no itinerário ascendente da cultura grega e sua peculiar compreensão da necessidade de formação deste homem coube, portanto, ao gênero trágico esta função educativa proeminente e justificada por Aristóteles, devido seu caráter imitativo das ações. Portanto, ao acompanhar o enredo da tragédia, o espectador se envolve e se reconhece através do evento mimético, possibilitando assim a passagem da ignorância para o conhecimento, confrontando seus limites, ambiguidades e contradições. Enfim, a tragédia continha a força expressiva de representar no palco sua matriz existencial, exercendo papel imprescindível e basilar na compreensão do sentido existencial do povo grego. Tal aspecto tornou-se mais e mais evidente devido ao forte espírito religioso e moral desse povo.”&nbsp;</p>



<p>Portanto, opormos o mito e a tragédia possibilitam múltiplas abordagens e leituras. Evidentemente, isso implica uma tomada discursiva de posição, uma vez que recortamos uma escritura do mito e uma escritura da tragédia- fato que influi na construção do sentido aproveitado-. No entanto, semelhante eleição está de acordo com a proposta do presente estudo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>O </strong><strong><em>ÉTHOS</em></strong><strong> DA FEMINILIDADE NO MUNDO GREGO</strong>&nbsp;</p>



<p>Antes de propriamente pensarmos no contexto de produção e escrita de determinados mitos, é necessário que destaquemos qual o ponto de partida para semelhante análise. Sem embargo, o conceito chave para desanuviarmos tal perspectiva é o conceito de <em>éthos. </em>Para tanto, nos valemos do trabalho de REIS (2009), segundo o qual esse vem a ser:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>‘Termo de origem grega utilizado em <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/retorica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">retórica</a>, que significava o costume, o hábito, o carácter que o escritor ou orador adoptava para dar uma <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/imagem" target="_blank" rel="noreferrer noopener">imagem</a> dele mesm que inspirasse confiança no público; designa igualmente uma <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/descricao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">descrição</a> explícita alusiva dos costumes da época.&nbsp;</p>



<p>Em Teogonia (66), Hesíodo refere que éthos está ligado a nómos costume, convenção, instituição, lei). Nómos aparece muitas vezes associado a éthos, mas representando o mesmo <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/sentido" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sentido</a> nas Leis (VII 792 d-e) de Platão. Podendo do mesmo modo, significar carácter ou maneira de ser como o referido <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/autor" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Autor</a> refere em A República (VI 490 c). Na <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/poetica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Poética</a>, Aristóteles fazia corresponder o seu significado ao que hoje designamos por psicologia das personalidades. Éthos é, assim, assimilado a uma ordem normativa interiorizada, a um conjunto de máximas éticas que regulam a conduta da vida. Ao longo da sua extensíssima <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/obra" target="_blank" rel="noreferrer noopener">obra</a> Aristóteles várias vezes se refere a este <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/conceito" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conceito</a> tendo na Ética de Nicómaco (II 1, 1103 a) feito a distinção entre dois tipos de virtudes: as virtudes do pensamento (dianõetikaí) que se adquirem pelo ensino, e as virtudes do carácter (ethikaí) que se adquirem pelo hábito e por conseguinte requerem paciência e <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/tempo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tempo</a>. Na Retórica (II 12-14) faz o levantamento de diferentes tipos de êthes em <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/funcao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">função</a> particularmente da idade.’&nbsp;</p>



<p>Em relação a esse ponto, não é exagero dizermos que o mundo grego na Antiguidade foi marcado por um veemente horror e desprezo a tudo aquilo que referenciava o feminino. ADAID (2017, p.68) evidencia que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“As&nbsp; mulheres&nbsp; geralmente&nbsp; eram&nbsp; analfabetas e a única educação que recebiam dos pais era voltada&nbsp; para&nbsp; seu&nbsp; futuro&nbsp; como&nbsp; esposa,&nbsp; ou&nbsp; seja,&nbsp; a&nbsp; mulher era meramente uma procriadora. Existiam as&nbsp; hetairas&nbsp; que&nbsp; eram&nbsp; mulheres&nbsp; mais&nbsp; interessantes&nbsp; e com mais conhecimentos que as demais. Muitos homens&nbsp; gostavam&nbsp; de&nbsp; suas&nbsp; companhias,&nbsp; pois&nbsp; não&nbsp; atuavam como prostitutas apenas. Quando o marido achava que já tinha herdeiros suficientes, ele simplesmente parava com a relação sexual marital. Havia tanta falta de afinidade entre os cônjuges que&nbsp; eles&nbsp; dormiam&nbsp; em&nbsp; quartos&nbsp; separados&nbsp; –&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; talvez não ocorresse entre as famílias menos abastadas. Dada a total falta de intimidade entre o casal, prosperou nessa época o uso de masturbado-res para as mulheres. Visto que, após o casamento, as&nbsp; mulheres&nbsp; só&nbsp; se&nbsp; relacionavam&nbsp; socialmente&nbsp; com&nbsp; outras mulheres, é provável que a relação homossexual&nbsp; feminina&nbsp; tenha&nbsp; sido&nbsp; uma&nbsp; prática&nbsp; comum,&nbsp; visto que dificilmente seria descoberta e não havia qualquer risco de engravidar.&nbsp; Existem&nbsp; infindáveis&nbsp; relatos&nbsp; mitológicos, poesias e discursos sobre a prática da homossexualidade&nbsp; entre&nbsp; os&nbsp; homens.&nbsp; Contudo,&nbsp; quase&nbsp; não&nbsp; se&nbsp; sabe sobre a história das mulheres. O falocentrismo e&nbsp; a&nbsp; misoginia&nbsp; na&nbsp; Antiguidade&nbsp; parecem&nbsp; tão&nbsp; fortes&nbsp; que filósofos, poetas e pensadores nem se deram ao trabalho de deixar um relato para a posteridade. Talvez em uma tentativa de anular o passado feminino.”&nbsp;</p>



<p>Tendo em vista esses aspectos, volvemos o olhar para Medeia. No texto de Eurípedes, a personagem, agora vivificada em palavras proferidas por um ator, encarna como uma mulher cruel, vingativa e desapaixonada. Suas falas são marcadas por expressões de ódio e raiva. Como se pode ver em EURÍPEDES (2022):&nbsp;</p>



<p>“Medeia&nbsp;</p>



<p>Ai! Ai!&nbsp;</p>



<p>Sofri, desgraçada, sofri males muito para lamentar.&nbsp;</p>



<p>Ó filhos malditos de mãe odiosa,&nbsp;</p>



<p>perecei com vosso pai, e a casa&nbsp;</p>



<p>caia toda em ruínas.”&nbsp;</p>



<p>Ao mesmo tempo, se percebem elementos de dor, tristeza e desesperança nas falas da protagonista, como se nota a seguir em um trecho da mesma obra:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Medeia&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ai! Ai!&nbsp;</p>



<p>&nbsp;O fogo do céu me trespasse a cabeça.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;De que vale ainda viver? Ai, ai!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quem me dera deixar a vida odiosa,&nbsp;&nbsp;</p>



<p>pela morte libertada!”&nbsp;</p>



<p>Ao término da leitura, enfim, Eurípedes escreve na última página o seguinte:&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Coro&nbsp;</p>



<p>&nbsp;De muita coisa é Zeus no Olimpo o Senhor, e muita coisa os deuses fazem sem contar. Vimos o que se esperava não realizar, para o que não se sabia o deus achar caminho. Assim vistes o drama terminar.&nbsp;</p>



<p>Com silencioso acatamento do caos e da tragédia, a obra termina com a morte dos filhos de Jasão e Medeia e fala acima do coro. O texto deixa em quem o lê um sentimento de profundo dissabor perante a despersonalização dos sujeitos perante os sofrimentos inelutáveis dom destino.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A protagonista, por sua vez, que, no mito, pode ser lida como triste, louca ou puramente má, aqui assume um caráter passional e vingativo de aspecto raso em relação às múltiplas leituras possíveis da história popular.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>AS REMINISCÊNCIAS DA MULHER TERRÍVEL&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p>O mote trágico da mulher terrível perpassa diversas eras e se mantém ubíquo no mundo contemporâneo. Entrementes, a força de tal imaginário –já hoje apresentando sinais de desgaste- encontrou no bojo da misoginia estrutural grega um terreno fértil para desenvolver-se e reiterar-se à maneira de um <em>leitmotiv</em> histórico-social sempre disposto a arbitrar sobre a conduta feminina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nos atendo propriamente ao texto do tragiógrafo grego em diálogo com o <em>éthos </em>de seu tempo, é possível notarmos determinados pontos dignos de nota. O mais importante deles é a caracterização da própria narrativa acerca da personagem. Medeia, uma estrangeira e mulher, é vista sob o prisma de uma figura terrível por atentar contra uma instituição sagrada: a maternidade. O que a leva a isso é o ódio contra um homem. Com efeito, a ideia de insubmissão feminina é um ponto que tem causado frisson ao longo de muitas épocas e foi, inclusive, tema de outras obras gregas da Antiguidade, como: Antígona (Sófocles) e A Greve do Sexo (Aristófanes).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Sem embargo, o mesmo espanto vindo de uma sociedade marcada pela misoginia a uma mulher que não, se submete às convenções que a oprimem é aquele que empreende uma narrativas que visa, em muitos níveis, cercear o ser feminino. O ataque à Medeia e sua demonização como mulher terrível não parece vir do fato dela matar seus filhos. Ao contrário, essa narrativa de terrificação do olhar para com um ser sem amor pela própria cria mais parece ser um recurso cultural para a manutenção do controle sobre os corpos femininos, cuja sagrada e inegável função é reafirmada como a da procriação. Ou seja: Medeia não é insubmissa por ser horrenda, mas, por ser insubmissa, é vista como horrenda. E, nesse ínterim, a narrativa da mãe bárbara e assassina é instrumentalizada para manter uma estrutura de opressão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong>&nbsp;</p>



<p>No presente ensaio objetivamos analisar, em diálogo, o mito de Medeia e sua tragédia com a estrutura sócio cultural de sua época. Observamos que o <em>éthos </em>grego da Antiguidade foi permeado pela misoginia e baseado no férreo arbítrio para com a disposição dos corpos femininos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Foi percebido que a função social da tragédia na formação do cidadão influiu para a construção de uma narrativa enviesada sobre a figura da protagonista. Medeia, destarte, é observada e (re)encenada como uma figura marcada pelo tríptico tristeza-loucura-maldade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Finalmente, propomos que uma leitura acerca da história em questão não se pode ater apenas à construção material do texto dos tragiógrafos. Pelo contrário, é fundamental a leitura em acordo com a observação do momento histórico no qual foram escritos tais trabalhos, uma vez que o período em questão agrega junto de si toda uma esfera de interpretação de mundo. Essa questão, destarte, influi na concepção do texto como um discurso de um sujeito inserto em um tempo e um espaço circundados por uma cultura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong>&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">ADAID, Felipe. HOMOFOBIA E MISOGINIA NA ANTIGUIDADE: GENEALOGIA DA VIOLÊNCIA. <strong>Revista brasileira de Sexualidade Humana – </strong>2017 28(10, 57-68. Disponível em: <a href="https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/10/7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/10/7</a>. Acesso em 25 de agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">DUTRA, Eneo Moraes. <strong>O MITO DE MEDÉIA EM EURÍPEDES</strong>.  Universidade Federal de Santa Maria. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufsm.br/letras/article/download/11403/6878" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://periodicos.ufsm.br/letras/article/download/11403/6878</a>. Acesso em 25 de Agosto de 2022.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">EURÍPEDES. <strong>Medeia.</strong> Disponível em: <a href="https://letras-lyrics.com.br/PDF-Download-Book-Livro-Baixar-Online/Euripides/Medeia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://letras-lyrics.com.br/PDF-Download-Book-Livro-Baixar-Online/Euripides/Medeia</a>. Acesso em: 25 de Agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">PALMA, Moacir Dalla. DISCURSO LITERÁRIO: LINGUAGEM INTRINSECAMENTE DIFERENCIADA OU TEXTO INSTITUCIONALMENTE DETERMINADO? Terra roxa e outras terras – <strong>Revista de Estudos Literários</strong> Volume 9 (2007) – 1-124. ISSN 1678-2054 <a href="http://www.uel.br/cch/pos/letras/terraroxa" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://www.uel.br/cch/pos/letras/terraroxa</a>. Acesso em: 25 de Agosto de 2022.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">REIS, Tereza<strong>. ÉTHOS</strong>. 2009. Disponível em : <a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ethos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ethos</a>. Acesso em 18 de Julho de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">SANTOS, Vagner Souza. A DIMENSÃO FORMATIVA DA TRAGÉDIA GREGA: SÓFOCLES. FILOSOFANDO: <strong>REVISTA DE FILOSOFIA DA UESB</strong>&#8211; ANO 1 · NÚMERO 1 · JANEIRO-JUNHO DE 2013 · ISSN: 2317-3785. Disponível em: <a href="/Users/PROFESSORES/Desktop/ARIEL/2124-Texto%20do%20artigo-3571-1-10-20171207.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">file:///C:/Users/PROFESSORES/Desktop/ARIEL/2124-Texto%20do%20artigo-3571-1-10-20171207.pdf</a>. Acesso em 25 de Agosto de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Ariel Von Ocker</strong> reside em Cuiabá, MT. Pessoa trans non-binary, é escritora e professora. Autora com dez livros publicados, atua desenvolvendo pesquisas na área da linguística, filosofia da linguagem e filologia românica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Atualmente, trabalha como editora-chefe no projeto Revista Ikebana . Além de trabalhar como professora de Português Língua Estrangeira na Universidade Federal de Mato Grosso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/ariel_von_ocker/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ariel_von_ocker</a></p>
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		<title>Cortina de Fumaça </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Aug 2023 18:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 175]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[realidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Rute Ferreira </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>4 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>A fumaça sobe numa espiral miúda, tímida, quase pedindo desculpas por atrapalhar o fogo da vela; adultos e crianças (também um cachorro) em volta da mesa me dão os parabéns como se fosse incrível isso de conseguir me manter viva até os quatro anos de idade, e acho que a comemoração principal é dessa mulher adulta, a que me toma nos braços quando durmo, esquecida de mim mesma em qualquer canto da casa e depois me vejo na cama, pijama e cabelo em trancinha, confortável.&nbsp;</p>



<p><strong><em>9 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>Difícil brincar com os meninos da rua, todos uns monstros, com suas garras e seus dentes afiados procurando encrenca; detesto todos e evito cada um, mas hoje brinco com eles porque estou entediada e o cheiro de carne queimada me lembra porque nunca brincamos juntos: vejo os olhos mortos do passarinho, o bico semiaberto, a plumagem rala, o bicho pedindo socorro depois de morto, me tire desses meninos, mas não há tempo, acertaram com a baladeira o passarinho e agora se completa o ritual, vão queimá-lo, o cheiro da carne queimada, das asas queimadas, não sei quem trouxe o fósforo, ainda bem que mataram o coitado antes de tocarem fogo, assim a dor é menor; quando os meninos deixam o lugar e se esquecem do passarinho eu olho a fumaça pequena que sai do corpo queimado quando toco nele com meus dedos, e o toque é bom.&nbsp;</p>



<p><em>(naquela mesma noite o passarinho entrou em meus sonhos, o corpo em chamas, a fumaça ocupava todo o sonho, ele me via com buracos no lugar dos olhos, o bico semi aberto e perguntava por suas penas)</em>&nbsp;</p>



<p><strong><em>15 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>Todas as meninas da escola já beijaram alguém. A Amanda C. até já deu, ela chegou toda cochichos, mas contou como quem quisesse usar um microfone. Em geral eu não me importava com beijos e mãos em fechos de sutiã — nem peito eu tenho — mas a Amanda C. falou como doeu e foi bom e eu quis. O Cardoso estava na oficina quando entrei. Sozinho. Meu pai tinha viajado, aí a oficina ficava aos cuidados do Cardoso porque ele era o mais confiável, entrei de vestido. Sem calcinha. Cardoso, chamei, vem aqui que preciso te entregar uma coisa que o pai pediu. Ele veio com aquela flanela. Limpava os dedos com a flanela. Eu sabia que seria fácil. Porque o Cardoso já queria. Ele sempre me olhava como quem mastiga. O que foi, ele quis saber. A língua já se armando no lábio superior. Pensava ser caçador. Esperei que ele se aproximasse e o agarrei. Cardoso não demorou a entender qual a coisa que eu tinha pra entregar. Depois que terminou, ali mesmo apoiando meu corpo sobre uma Kombi, ele bateu na minha bunda com carinho e acendeu um cigarro. Não senti nada, a dor não foi tanta. Prazer nenhum. E foi muito rápido. A fumaça do cigarro que Cardoso soprava se distanciava de mim e eu queria tocá-la com os dedos para ver se meu prazer tinha escorrido por ali.&nbsp;</p>



<p><strong><em>23 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>A fumaça que vem é densa e branca. Não vem do fogo, é de água. Eu acho que é de água. Gelo seco é água? Estou passando <em>Kajal</em> nos meus olhos e Baby conta uma história maluca: um homem que cortou o próprio pau depois de saber que tinha AIDS. Morreu? Como, de AIDS? Claro que não morreu. Mas você disse que. Chega. Você não entende nada. Você não conta uma história que preste, é toda cheia de furos. Minutos depois, estamos as duas em cena, dando loucas gargalhadas numa comédia que é o rascunho cruel de nós duas. A fumaça embaça minha visão mas eu sei que depois da peça aquele homem vai deixar aqui uma rosa solitária, no camarim, sem nenhum cartão. Depois, vai sumir pela fumaça da cidade, onde o aguarda a mulher que espera um bebê e que nunca vai ao teatro. É por essa mulher, mais que por ele, que me apaixono, mas é com ele que vou pra cama quando ele mente que precisa trabalhar até mais tarde, a voz sofrida segurando o telefone fixo da minha cozinha, enquanto, no mesmo instante, monta em mim sobre a mesa de mármore que ganhei de minha mãe.&nbsp;</p>



<p><em>(às vezes fico na frente da casa deles e vejo quando ela desce com o lixo e eu sinto que poderia comê-la, bebê-la, incendiá-la, é nela que penso quando ele me toma na cozinha e nessas horas sinto o gozo vir como um presente).</em>&nbsp;</p>



<p><strong><em>36 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>Observo a pilha de papéis que formei e dou a mim mesma um instante antes de destruí-la. Seguro o isqueiro, ainda que não fume mais, sempre tenho um isqueiro. Queimo a ponta de um dos papéis e com ele vão se queimando contas, registros, cartas e fotografias de alguém que não lembro mais. Quando termina e a fumaça é quase fugaz, lembro de um sonho que tive há muito tempo — um passarinho queria buscar suas asas dentro da fumaça.&nbsp;</p>



<p><em>(silêncio, silêncio, silêncio)</em>&nbsp;</p>



<p><strong>51 anos</strong>&nbsp;</p>



<p>Silêncio.&nbsp;</p>



<p><strong><em>72 anos</em></strong>&nbsp;</p>



<p>Há tempos não lembro de nada. Esqueci de trancar a porta? Fechei a porta do quintal? Onde deixei o controle remoto? Será que eu tive algum filho? Meus pais ainda estão vivos? Lembro de um homem que há muito tempo se deitou sobre mim, os dedos sujos de graxa me entregavam uma rosa vermelha — seria isso ou estou misturando as coisas? Acho que era uma mulher que me dava rosas vermelhas, já não sei. Hoje resolvi cozinhar. Não sei se ainda sei cozinhar, não lembro o prato que coloquei no fogo. Fogo. Fogo. Fogo.&nbsp;</p>



<p><em>(Meu corpo esquentando como o de um passarinho sem asas, a carne queimada de bruxa, a fumaça que vai restar de mim.)</em>&nbsp;</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">Envie sua proposta para nossas chamadas para publicação e para exposições!</h3>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/30/chamada-de-inverno-para-publicacao-revista-trama-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="239" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=950%2C239&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31756" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1024%2C258&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=300%2C76&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=768%2C194&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=205%2C52&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=480%2C121&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=600%2C151&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1200%2C302&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?w=1401&amp;ssl=1 1401w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/30/chamada-de-inverno-para-publicacao-revista-trama-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="239" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo-1024x258.png?resize=950%2C239&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31754" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=1024%2C258&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=300%2C76&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=768%2C194&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=205%2C52&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=480%2C121&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=600%2C151&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=1200%2C302&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?w=1401&amp;ssl=1 1401w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Rute Ferreira </strong>nasceu em São Luís (MA) em 1991 e atualmente vive em Tutoia, no litoral do estado. Possui graduação em Teatro pela UFMA. É autora de outros dois volumes de contos, <em>eu te serviria meu coração com vinho branco</em> (ed. voz de mulher) <em>e a estranha mania das abelhas </em>(ed. urutau) <em>e do romance bordado em ponto corrente,</em> que está concorrendo ao 8º Prêmio Kindle.&nbsp;</p>



<p>Instagram : <a href="https://www.instagram.com/ruteferreiras_/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@ruteferreiras_</a>&nbsp;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/5P6bxSaRg2cK48jDngP6CY?si=0xXOqkk_QzGWuUYT-GgGtg"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31307" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



<p>Agora você pode divulgar seus<strong> produtos, marca e eventos</strong> na Trama em todas as publicações! </p>



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		<title>Adélia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jul 2023 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 170]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Adélia é o seu nome. Minha tia paterna. Não é fácil dimensionar a força que essa mulher guerreira e batalhadora exerceu e exerce sobre a minha vida e a de toda minha família. Enfermeira, foi a primeira de uma família camponesa e pobre a conquistar um diploma de curso superior, no início dos anos 1980. Saiu da roça para servir aos patrões fazendeiros em Ipanema, no Rio de Janeiro, em plenos anos 1960. Teve a coragem e a dignidade de romper relações com a &#8220;sinhá&#8221; que a humilhou para buscar, sem rumo, outro emprego que pudesse mantê-la na desigual &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221;. Continuou trabalhando como doméstica, durante anos, em outra &#8220;casa de família&#8221;, para depois garantir o sustento como camareira num hotel internacional. Tudo isso sem largar o objetivo de estudar. Terminou o antigo ginásio, fez exame admissional para o 2o. Grau e conseguiu bolsa para cursar enfermagem numa faculdade particular. Formada, prestou concurso público federal, sendo logo convocada para assumir o cargo no Hospital da Lagoa e no HCE. Naquela época, o mais difícil era concluir uma faculdade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;<br>Tão logo alcançando a sua estabilidade financeira, tornou-se &#8220;muro de arrimo&#8221; de toda família. O salário que recebia poderia lhe garantir uma vida com muito mais conforto do que tinha, mas a sua generosidade transbordante sempre fez com que uma boa fatia de seus rendimentos fosse gasta com a família. Solteira, dedicou-se aos sobrinhos, à irmã (Irene), que lutou com sérios e dispendiosos tratamentos cardíacos, e aos filhos de uma amiga que morava com ela em Botafogo, e que foram acolhidos como os filhos que a vida lhe deu. Mãe de todas e todos, viveu e vive a vida para cuidar do outro no sentido mais fraterno que essa palavra pode ter: foi babá, doméstica, camareira e enfermeira, profissões que exigem o dom do amor e da dedicação constante ao outro. &nbsp;<br>&nbsp;<br>Minhas memórias de Natal na roça não existem sem ela. Em dezembro, chegava de malas prontas, repleta de presentes, brinquedos, balas, biscoitos de muitas variedades e enfeites de Natal. Fartura pouca, bobagem! Meu 4o. bimestre na escola já insinuava sua presença. Já podia sentir a boa ansiedade me invadir nos últimos meses do ano. Por volta da segunda semana de dezembro, eu e meus irmãos subíamos no alto do morro e aguardávamos o ônibus <em>Belvedere</em> dobrar a curva da estrada, na expectativa de vê-lo parar na encruzilhada logo em frente. A certeza da parada nunca tínhamos, já que não podíamos contar com a informação instantânea que a tecnologia hoje nos traz. No início dos anos 1990, a comunicação na roça era precaríssima: não tínhamos telefone fixo, não tínhamos energia elétrica, muito menos sonhávamos com um &#8220;trem&#8221; esquisito e alienígena chamado celular. Coração saindo pela boca, sentíamos pelo ronco do motor do ônibus que ele, infelizmente, não ia parar. Decepção arrebatadora. Fazer o quê?! Mas a espera continuava&#8230; Até que, na semana seguinte, o &#8220;busão&#8221; finalmente parava&#8230; À parada do motor respondíamos com a descida disparada pelo morro, rumo ao seu encontro. Abraços, beijos, malas e sacolas se misturavam. Cheirinho de tia Adélia no ar, estávamos certos de que o clima natalino havia começado.&nbsp;</p>



<p>Tia Adélia passava Natal e Ano Novo lá no sítio. Sua presença significava mudança de rotina: trabalhava ao ritmo das músicas de seu ídolo, o rei Roberto Carlos, introduziu o hábito de montarmos árvore de Natal com galho de goiabeira, limpava e enfeitava com flores a nossa capelinha de Nossa Senhora Aparecida, e realizava as famosas caminhadas matinais pelas estradas de terra esburacadas. Depois dos quarenta, tornou-se amante da atividade física: aprendeu a nadar, nadou na Argentina, começou a correr, etc. Também gostava de visitar os amigos da redondeza. Era uma forma de manter vivo o passado e relembrar as origens mineiras, que nunca se perderam em meio às “carioquices”. Do bom e velho costume mineiro, manteve o herdado de seu avô: rezar o terço. Nas noites de Natal e Ano Novo, sempre fez questão de rezá-lo conosco, com a família reunida na sala. E ainda mantemos essa tradição viva, mesmo nas ocasiões em que não podemos contar com a sua presença.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;<br>Por mais de três décadas, morou numa casa localizada na Vila Santa Clara, na rua São Clemente, em Botafogo (RJ). Há poucos metros da Casa de Rui Barbosa e repleto de casarões antigos, o endereço me fascinava pela inigualável combinação do antigo com o moderno. Como não me lembrar das férias escolares no janeiro carioca? Da minha primeira ida a uma praia, na Praia Vermelha, do bondinho, do pão-de-açúcar, daquele exuberante céu azul, que se confunde com a cor de seus olhos?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;<br>Sempre entusiasta dos meus estudos, guardo carinhosamente as fotos que tirou das minhas formaturas (desde o ensino fundamental). Fotos estas acompanhadas das carinhosas e elogiosas dedicatórias de incentivo, escritas com aquela letra linda e estilosa, que inspirou minha irmã e, depois, a mim. Por ela e por todas as mulheres guerreiras da minha família, eu insisto, persisto e resisto nessa prazerosa e árdua caminhada. Com ela, aprendi que os estudos nos emancipam e nos dão um pouco de dignidade nesse país dominado por uma &#8220;elite do atraso&#8221;, que, diuturnamente, impõe barreiras infinitas para que o pobre não tenha voz e vez. Continuo pobre, mas orgulhoso de minhas origens e das grandiosas pequenas coisas que conquistei com meus estudos. Com ela também aprendi a respeitar, valorizar e exercer com responsabilidade a missão de um funcionário público. Aposentada na compulsória (ou &#8220;expulsória&#8221;, como ela ironicamente diz), dedicou-se com louvor, afinco e amor a essa missão.&nbsp;</p>



<p>A vida lhe foi subtraindo amizades antigas. A aposentadoria lhe tirou a rotina do trabalho diário, que exerceu durante anos e anos, restando-lhe os cuidados com o lar. Lar, novo lar. Não mais em Botafogo, mas na Taquara, onde comprou seu primeiro imóvel. Um apartamento onde vive a sétima década de sua vida, repleta de novos desafios, dilemas e incertezas. Fase de ressignificações, redimensionamentos, nostalgias e mergulhos profundos em um passado remoto, cada vez mais presente em sua mente. Passado vivido e revivido em suas imaginações e reimaginações. Memórias fugidias, passarão, mas vivenciadas com sede de liberdade, passarinhos. Voos livres, mas de rumos incertos, como a vida é. Reflexão que ela soube tão bem expressar numa simples tampa de caixa de remédio – talvez acessando recônditos lugares de sua consciência/inconsciência: “Pássaros lindos, para onde vão?”</p>



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<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">Envie sua proposta para nossas chamadas para publicação e para exposições!</h3>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/30/chamada-de-inverno-para-publicacao-revista-trama-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="239" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=950%2C239&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31756" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1024%2C258&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=300%2C76&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=768%2C194&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=205%2C52&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=480%2C121&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=600%2C151&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?resize=1200%2C302&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-trama.png?w=1401&amp;ssl=1 1401w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/30/chamada-de-inverno-para-publicacao-revista-trama-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="239" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo-1024x258.png?resize=950%2C239&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31754" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=1024%2C258&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=300%2C76&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=768%2C194&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=205%2C52&amp;ssl=1 205w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=480%2C121&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=600%2C151&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?resize=1200%2C302&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/07/chamada-expo.png?w=1401&amp;ssl=1 1401w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image size-full is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="835" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-3.jpg?resize=950%2C835&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31617" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-3.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-3.jpg?resize=300%2C264&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-3.jpg?resize=768%2C675&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Foto_Sergio-3.jpg?resize=600%2C528&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></p>



<p>Doutorando e mestre em História, Cultura e Poder pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Bacharel e licenciado em História pela mesma universidade. Dedica-se a estudos na área de história social da cultura no período correspondente à segunda metade do século XIX e às décadas iniciais do século XX, com ênfase nos seguintes temas: associativismo, sociabilidades, trajetórias, história intelectual, história social da literatura, memória, arquivos e coleções bibliográficas e documentais. Professor efetivo de História da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora (MG). Possui experiência em pesquisa histórica, processamento técnico de acervo e difusão cultural em museus &#8211; como curadorias de exposições e mostras, palestras, minicursos e oficinas. Entre os anos 2022 e 2023, integrou a equipe curatorial de três grandes exposições que reabriram o Museu Mariano Procópio integralmente aos públicos, com novas abordagens historiográficas e narrativas expográficas. São elas: 1. <em>Rememorar o Brasil: a Independência e a construção do Estado-Nação</em>; 2. <em>Fios de Memória: a formação das coleções do Museu Mariano Procópio</em>; 3. <em>Villa Ferreira Lage (ambientação da residência de uma família da elite senhorial brasileira do século XIX).</em> Desde 2020, atua como escritor da revista <em>Trama Bodoque: arte, cultura e criatividade </em>(ISSN 2764-0639) e, a partir de 2022, também passou a atuar como membro do conselho editorial do referido periódico semanal.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://open.spotify.com/episode/5P6bxSaRg2cK48jDngP6CY?si=0xXOqkk_QzGWuUYT-GgGtg"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31307" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?resize=600%2C750&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/ARTE-O-ANO-EU-NAO-ME-LEMBRO.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23741" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/anuncie.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background">Esse espaço maroto de apoio e fomento à cultura pode mostrar também a sua marca!</h3>



<p>Agora você pode divulgar seus<strong> produtos, marca e eventos</strong> na Trama em todas as publicações! </p>



<p>No plano de parceira <strong>Tramando</strong>, você escolhe entre 01 e 04 edições para ficar em destaque na nossa plataforma, ou seja, todas as publicações contidas nas edições selecionadas vão trazer a sua marca em destaque nesse espaço aqui, logo após cada texto e exposição . Os valores variam de R$40,00 a R$100,00.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://institucional.artebodoque.com/2023/06/19/programacao-de-inverno-bodoque/"><img loading="lazy" decoding="async" width="745" height="934" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=745%2C934&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-31449" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?w=745&amp;ssl=1 745w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=239%2C300&amp;ssl=1 239w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2023/06/Programacao-de-inverno_01.png?resize=600%2C752&amp;ssl=1 600w" sizes="(max-width: 745px) 100vw, 745px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><strong>Clique na imagem para mais informações!</strong></em></figcaption></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.youtube.com/c/BodoqueTV/featured"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26890" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div></div>
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		<title>O NOME DELAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 081]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia Afetiva]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[O Nome Delas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ana Ferreira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todo corpo é uma obra de arte, com sua unicidade nas formas, contornos, tons, cheiros e texturas. É matéria viva que desperta desejos genuínos e pode expressar-se em movimento e imagem. A fotografia se encarrega de materializar a transformação em memória no espaço-casa.</p>



<p>É a partir deste pensamento que a fotógrafa Ana Ferreira cria &#8216;O Nome Delas&#8217;, um projeto de fotografia afetivo-documental que busca ajudar mulheres a se reconectarem com seus corpos-arte. A vivência-ensaio propõe à participante aguçar os sentidos e&nbsp;se reconectar de forma amorosa consigo mesma, com a sua autoimagem e com a potência da auto aceitação em um ambiente caseiro.</p>



<p>Realizado desde 2017, O nome delas nasceu logo após a fotógrafa experimentar o autorretrato como ferramenta de autoconhecimento e aceitação. “Senti que era o momento de colocar no mundo algo que fizesse sentido para mim, que estimulasse outras mulheres a fazerem as pazes com o próprio corpo, a se olharem com carinho e se sentirem representadas nas imagens. Reconheço na fotografia a possibilidade de contribuir com o nosso fortalecimento em meio a um mundo cruel e hostil que nos julga o tempo todo, seja por nossos comportamentos ou pelo formato dos nossos corpos”.</p>



<p>Para esta edição da Trama, foi escolhida uma série especial e inédita, em P&amp;B, do Projeto &#8216;O Nome Delas&#8217;.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74868-1-sintia.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14469" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Síntia</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2363a-2-julia.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14471" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Júlia</figcaption></figure></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7082c-3-ana.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14473" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Ana</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/387b1-4-laura.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14475" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Laura</figcaption></figure>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/af95c-5-lu.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14477" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Lu</figcaption></figure></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a30d6-6-hyrlla.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14479" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Hyrlla</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0c5c6-7-joyce.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14480" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Joyce</figcaption></figure>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/80881-8-bianca.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14482" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Bianca</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/83d14-9-larissa.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14485" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Larissa</figcaption></figure></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ab632-10-monica.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14486" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Mônica</figcaption></figure>



<div style="height:40px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O projeto <a href="http://instagram.com/onomedelasprojeto">O Nome Delas</a> está também no Instagram.</p>



<div style="height:80px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20193-ana-ferreira.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14472 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Ana Ferreira </strong>é fotógrafa e seu trabalho é atravessado por sua subjetividade e vivência como mulher gorda. Acredita na emancipação das corpas por meio das imagens, suas representações, as performações intuitivas e a reconexão com a natureza. Acompanhe a artista através do <a href="http://www.instagram.com/ana_ferreirafotografia">Instagram</a>.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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		<title>COLAURBANA &#8211; Exposição Virtual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 081]]></category>
		<category><![CDATA[Colagem]]></category>
		<category><![CDATA[Colaurbana]]></category>
		<category><![CDATA[Manuella Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Manu Rodrigues</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Observar o caleidoscópio de fatos do cotidiano, objetos, pautas em jornais; deixar-se afetar por estes; recriá-los em colagens a partir de suas impressões sensoriais, memórias, música e poesia : eis o princípio da Colaurbana, projeto artístico de Manuella Rodrigues.  </p>



<p>Na colagem, a artista encontra uma forma de combinar técnica, poesia e sensibilidade, criando narrativas que podem ser lidas (ou decifradas) através de suas composições visuais.</p>



<p>Seu processo criativo inicia com a percepção e observação que inspira a experiência estética. A partir dai, realiza pesquisa e seleção criteriosa de elementos que passam a compor narrativas visuais. Por fim, deixa-se levar pelo fluxo criativo ao som de playlists que dão ritmo às criações.  </p>



<p>A partir da dança de cores e flores, Manu faz da colagem uma forma de prosa, recriando e devolvendo ao mundo suas percepções. Desse processo, já nasceram quatro séries: &#8216;Peles Negras&#8217; (inspirada em artistas, ativistas e pessoas centrais da arte e cultura negra); &#8216;Forest&#8217; (criada a partir de diálogos entre natureza, místico e inconsciente); &#8216;Flames&#8217; (inspirada em personalidades que representam chamas da cultura humana); e &#8216;Decifra-me&#8217; (inspirada na arte e vida de ícones femininos históricos). De cada uma delas, apresentamos uma obra, hoje.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/600bb-manu1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14429" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Presença&#8217; &#8211; Série &#8216;Peles Negras&#8217;</figcaption></figure></div>



<p>Sem ditar seu nome, ela faz presença. Com seu sorriso enorme e cativante, ela sempre estava à frente das dores. Dores daqueles esquecidos.</p>



<p>Ela lutava era pela presença não só dela, mas de todos.</p>



<p>A arte surgiu da memória dessa mulher que lutou todos os dias. Entre flores, cores e alegria, inspira a<br>história da carioca. A presença de Marielle jamais morrerá e a pergunta não calará: Quem mandou<br>matar Marielle?</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc441-manu2certo.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14441" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Mystic&#8217; &#8211; Série &#8216;Forest&#8217;</figcaption></figure></div>



<p>Dentro da floresta, a noite cai e traz consigo seres que se escondem na luz do dia.</p>



<p>Inspirado nos filmes de terror e na magia, o sagrado feminino é uma turbulência organizada de mitologias.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/aca33-manu3certo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14439" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;FredFreud&#8217; &#8211; Série &#8216;Flames&#8217;</figcaption></figure>



<p>Freud explica, mas nem sempre. Até ele tem jogo de sedução. Freddie Mercury, o homem com energia e paixão feminina, traz para Freud seu inconsciente. Sedução e paixão pelo indivíduo. É possível encontrar a história e teorias de cada um deles nessa colagem. Por fim, Vênus forma o equilíbrio dessa tríade.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cf340-manu4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14437" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;Adelante&#8217; &#8211; Série &#8216;Decifra-me&#8217;</figcaption></figure></div>



<p>Viva la Vida, Adelante.</p>



<p>Sempre caminhando para frente até de sua época, Frida trouxe ensinamentos importantes para as mulheres e artistas. Nada mais do que a representação dela inspirada nas cores de Carmem Miranda. No Brasil, Frida despertou a coragem e força de muitas mulheres.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7fca7-manuella-rodrigues.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14435 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Manu Rodrigues</strong> (<strong>Colaurbana</strong>) é colagista, artista multimídia, designer e musicista de São Paulo. Seu trabalho é inspirado por imagens reunidas a partir de referências semióticas, cultura pop e arte de rua. Acompanhe o Colaurbana pelo <a href="http://instagram.com/colaurbana">Instagram</a>.</p>
</div></div>



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		<title>Protegendo a saúde e os direitos de mulheres e meninas na pandemia</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/protegendo-a-saude-e-os-direitos-de-mulheres-e-meninas-na-pandemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Natália Kanem - ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Paz em nosso mundo começa com paz em casa, como o secretário-geral das Nações Unidas deixou registrado em seu chamado por um “cessar-fogo” global na violência baseada em gênero –&nbsp;<a href="https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/paz-em-casa-protegendo-sa%C3%BAde-e-os-direitos-de-mulheres-e-meninas-%E2%80%93-mesmo-durante-covid-19">uma pandemia dentro da pandemia de COVID-19</a>.</p>



<p>Uma a cada três mulheres sofrerá violência física ou sexual durante sua vida. Agora, com países em quarentena e tensões domésticas aumentadas, a violência baseada em gênero está em crescimento, e os serviços de saúde sexual e reprodutiva estão sendo deixados de lado enquanto os sistemas de saúde lutam para lidar com a COVID-19.</p>



<p>A crise tem cobrado um preço das pessoas, comunidades e economias no mundo todo. Mas nem todos estão sendo afetados de forma equânime, e como frequentemente vemos, mulheres e meninas tendem a sofrer mais.</p>



<p>O impacto da COVID-19 vai muito provavelmente dificultar os esforços para alcançar os três zeros que estão no cerne do nosso trabalho no UNFPA: zero necessidades não atendidas de contracepção, zero mortes maternas evitáveis e zero práticas nocivas e violência contra mulheres e meninas – até 2030.</p>



<p>O UNFPA projeta, por exemplo, que a pandemia vai cortar o progresso global rumo ao fim da violência nesta década em pelo menos um terço. Além disso, se as restrições de mobilidade continuarem por pelo menos seis meses com maiores interrupções aos serviços de saúde, 47 milhões de mulheres em países de média renda poderão ser privadas do acesso a contraceptivos modernos, resultando em 7 milhões de gestações.</p>



<p>Neste Dia Mundial de População, nós chamamos atenção para as vulnerabilidades e necessidades de mulheres e meninas durante a crise da COVID-19, e porque proteger a saúde sexual e reprodutiva, os direitos e acabar com a pandemia oculta de violência de gênero é imperativo, especialmente nesses tempos desafiadores.</p>



<p>O UNFPA está trabalhando para assegurar que o suprimento de contraceptivos modernos e artigos de saúde seja mantido, e que parteiras e enfermeiras obstétricas e outras equipes de saúde tenham equipamento de proteção pessoal de que precisam para se manter em segurança.</p>



<p>Fomos encorajados já que, até agora, 146 Estados-membros assinaram ao chamado do secretário-geral de fazer com que a paz em casa seja uma realidade, e estamos fazendo parcerias para apoiá-los.</p>



<p>Como parte de nossa resposta à COVID-19, estamos inovando em entregar serviços remotos como linhas de teleatendimento, telemedicina e aconselhamento, e juntando uma base de dados desagregada para apoiar governos em identificar e alcançar aqueles que mais precisam.</p>



<p>Mensagens públicas positivas sobre equidade de gênero, desafiando estereótipos de gênero e normas sociais nocivas podem reduzir o risco de violência. Nisso, homens e meninos podem e devem ser aliados fundamentais.</p>



<p>Saúde sexual e reprodutiva é um direito e, assim como gestações e partos, os direitos humanos não param durante pandemias. Juntos, vamos frear a COVID-19 e garantir os direitos e a saúde de mulher e meninas – agora!</p>



<p>Nenhuma organização ou país pode fazer isso sozinho. A pandemia é um lembrete severo da importância da cooperação global.</p>



<p>As Nações Unidas, que neste ano comemoram seu 75º aniversário, foi fundada para promover a cooperação internacional para solucionar problemas internacionais.</p>



<p>Enquanto a comunidade global se une em solidariedade para sobreviver a esta pandemia, lançamos as bases para sociedades mais resilientes, saudáveis e com equidade de gênero, e com um futuro mais próspero para todos e todas.</p>



<p><em>Natália Kanem</em> é <em>Diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA)</em>.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/artigo-protegendo-a-saude-e-os-direitos-de-mulheres-e-meninas-na-pandemia/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 10/07/2020 &#8211; Atualizado em 10/07/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/a4445-begaleria20-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10841" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>


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		<title>Atômica &#8211; Bissexual e Protagonista no Cinema</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/07/atomica-bissexual-e-protagonista-no-cinema/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Ezidras Farinazzo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Viola Davis]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=10001</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Ezidras Farinazzo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>A construção de personagem além do estado de aparência.</em></p>



<p class="has-drop-cap">Começo dizendo que a bissexualidade é uma orientação sexual válida &#8211; o que é necessário, visto que ela só passou a fazer parte oficialmente da sigla LG<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.lgbt.pt/sabe-o-que-e-ser-bissexual/" target="_blank">B</a>T+ em 2005 e ainda é amplamente invalidada.  Com isso em mente, argumento que personagens bissexuais são um ponto de partida tão bom quanto personagens que expressam qualquer outra orientação para falarmos de outras formas de representatividade no cinema, ainda mais quando o personagem é uma mulher bissexual. </p>



<p>Pensamos sempre em grandes arcos dramáticos e muitos adjetivos quando estamos criando um personagem, isso é fato. Mas&nbsp;<strong>o que a sexualidade pode falar sobre este personagem?</strong>&nbsp;O que sua representação visual e sentimental fará com o espectador? Para refletir sobre isso, utilizarei o exemplo do filme Atomic Blode (2017) e sua protagonista.</p>



<p>Antes de continuar a leitura, recomendo assistir ao trailer para evitar spoilers:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Atomic Blonde -  Official Trailer #2 [HD]" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/yIUube1pSC0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Em&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.imdb.com/title/tt2406566/" target="_blank">Atômica</a>,&nbsp;temos uma construção de personagem muito complexa emocionalmente – uma personagem esférica. Uma espiã, de personalidade forte, heroína de si mesma (como muitas mulheres reais), cuja sexualidade vai sendo trabalhada ao longo da narrativa. Por uma boa parte do filme, temos uma sensação de que ela é heterossexual (pressuposto gerado pelas bases compulsoriamente heterossexuais em que vivemos), através de um arco emocional muito equilibrado. Ela é construída nos parâmetros de uma personalidade sedutora, altamente sexualizada. Lidando com seus amores e frustrações em meio a uma guerra,&nbsp;Atômica&nbsp;mostra uma atitude para cada lado de sua bissexualidade que não se vê e nem se entrega em porcentagem. Atingindo diretamente seu jeito de ser e agir, a atriz&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.imdb.com/name/nm0000234/?ref_=tt_ov_st_sm" target="_blank">Charlize Theron</a>&nbsp;consegue de forma sutil mostrar essas diferenças/surpresas ao espectador com uma atuação convincente e muito bem preparada, o que faz de Atômica um filme envolvente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/0e7e8-0.png?w=950" alt="" class="wp-image-10003" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Mas como a sexualidade de uma personagem, de forma tão subjetiva, pode ser decisiva para a história do filme? Ora, a forma que o personagem se dirige ao mundo (aqui me refiro ao mundo criado) vem de seu interior, que é gerado pelo seu criador “Deus” (dono da história e todos os seus acontecimentos), movendo assim toda a história não apenas pela sua sexualidade mas pelas hipóteses mil geradas por uma característica que transcende o ser psicológico e imaterial. Esse personagem se expressa e age a partir de sentimentos e emoções; portanto, todas as informações psicológicas de um personagem interferem em sua caracterização, em suas motivações e em suas ações, consequentemente mudando os rumos da narrativa, suas estéticas e a própria forma absorção da história pelo espectador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Importância de Mulheres Bissexuais no Cinema</strong> </h3>



<p>A bissexualidade é uma das letras mais apagadas no meio&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://super.abril.com.br/blog/superlistas/4-fatos-que-voce-deveria-saber-sobre-a-bissexualidade/" target="_blank">LGBT+</a>&nbsp;por ser mal interpretados tanto em seu próprio meio quanto também fora dele. Sua invisibilidade se agrava com a ausência de representações, e casos como Atômica servem como ferramenta para tornar essa letra mais visível.</p>



<p>É importante ressaltar que, apesar de ser uma representação, o que é positivo, a representação bissexual construída em Atômica ainda não é a ideal. Alguns dos estereótipos construídos em cima da identidade bi são as questões da hiperssexualização e sedução &#8211; que são partes exploradas na personagem, mas não chegam nem perto de serem características aplicáveis a todas as pessoas bissexuais.</p>



<p>Atômica serve à representatividade bi, e também serve à representação feminina no sentido de construir uma personagem forte e independente. A própria Charlize Theron afirma, em entrevista sobre o filme ao <a href="https://www.facebook.com/watch/?ref=external&amp;v=1604501632944726">&#8216;Now, This&#8217;</a>:</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-center"><em>&#8220;This is really what women are. We are more interesting then I think cinema sometimes allows us to be.&#8221;&nbsp;</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Uma personagem como&nbsp;Atômica&nbsp;reforça a importância de mulheres protagonistas e suas diferenças perante os demais filmes que caem em representações heteronormativas. Sua existência também contribui para a construção de novos laços entre criador e espectador, gerados por um simulacro de identificação &#8211; que é responsável por estimular a busca por novos caminhos de se criar personagens que trazem sua sexualidade enquanto traço presente, mas que não reduz ou define uma personalidade. Personagens em que sua sexualidade agregue valor a uma representação esférica, com todas essas formas de se expressar, agir e interagir com seu espectador &#8211; seja ele representado ou não por elas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Ezidras Farinazzo</strong> é professor, mestrando em Artes, Cultura e Linguagem na UFJF e  Co-Founder do estúdio de animação El Torito Studios. </p>



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<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/monicakeart"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a5f57-monicake.png?w=950" alt="" class="wp-image-10132" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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