Caminhos desconhecidos, armadilhas e a lentidão 

Os trabalhos investigam o corpo masculino como objeto de interesse do olhar feminino, partindo de referências imagéticas da pornografia e da história da arte. Ora pela ironia, ora pela poesia, é construída uma narrativa em que mulheres penetram homens ou os admiram como musos, refletindo sobre as relações de poder e as implicações sociais, políticas e simbólicas desta “inversão”. Uma pesquisa bibliográfica imprime sustentação teórica ao trabalho prático para refletir sobre male gaze, poéticas da passividade e falocentrismo. Na investigação pictórica, a paleta é construída a partir de uma profunda pesquisa de cor, representando uma diversidade de peles que se tocam. As imagens, construídas entre a figuração e a abstração, sugerem movimento e uma sobreposição de camadas que evocam a subjetividade. Em contraposição às imagens “ultra figurativas” da pornografia tradicional – com narrativas de fácil e rápida interpretação que acabam por limitar a experiência erótica de quem as acessa – as pinturas convidam à lentidão, à investigação, ao mistério e à imaginação como formas de subverter as violências e produzir intimidades mais saudáveis. Além disso, refletem sobre o implícito e o explícito de modo que, ao mesmo tempo, em que apresentam sexo explícito, também não mostram nada: uma estratégia de hackeamento que permite a circulação destas imagens/discussões em contextos de censura como a internet, alguns espaços institucionais, comerciais, e até mesmo espaços domésticos. Recorrendo à obra do coletivo Guerrilla Girls, que pesquisa os acervos de diversos museus do mundo, comprovando que a quantidade de nus femininos é sempre muito maior que a quantidade de mulheres artistas, os trabalhos buscam também questionar e ocupar espaços com o protagonismo e o olhar feminino nas narrativas apresentadas ao público sobre os mais diversos temas. 

 


Flávia Ventura é natural de Belo Horizonte, vive e trabalha em São Paulo. Em uma pesquisa sobre a sexualidade, investiga o deslocamento de discursos e protagonismo em relação ao corpo, gênero, violência e poder. Bacharela em Artes Plásticas com habilitação em pintura pela Escola Guignard (UEMG), propõe a observação e releitura crítica de imagens produzidas pela indústria pornográfica por meio da pintura em diálogo com a performance, fotografia e instalação. Em 2022, apresentou duas exposições individuais dentro desta pesquisa, na Galeria Lume (SP) e GAL Arte Pesquisa (BH), após desenvolvimento na Residência Arrudas (Galeria Periscópio e JA.CA Center – BH).

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