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	<title>Arquivos Ano 003, N 085 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>RASTRO E RESQUÍCIOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Arte como rastro da existência]]></category>
		<category><![CDATA[Expressão artística]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Melich]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[Processos criativos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Melich</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/04/rastro-e-resquicios/">RASTRO E RESQUÍCIOS</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Convivi bem próximo à minha avó materna por um breve período de tempo, num momento delicado em que seu quadro de Alzheimer se agravava. Tenho a percepção de que esses dias/meses foram tão importantes para minha formação como artista quanto as leituras, os estudos, e as visitas à exposições. Me serviram de alerta para nossa frágil condição humana/biológica.</p>



<p>Foi um tapa na cara, ou um beliscão nas costas, chamando atenção para o quão fugaz era a vida ou, ao menos, a nossa maneira de percebê-la e senti-la.&nbsp; Nossa memória e lembranças por um fio. A organização das ideias por um fio. Nosso senso moral e de justiça por um triz de se perder e, internamente, a percepção de que há pouco que se possa fazer em relação a isso. De pouco adiante se apegar. A vida passa como uma bala e conduz por caminhos inesperados.</p>



<p>Foi nesse momento de minha vida, por volta de 2007/2008, que a arte passou a fazer mais sentido &#8211; ou apenas se fez mais presente e necessária. Se firmou a necessidade por registrar, de forma sensível e subjetiva, experiências, sonhos, momentos, pessoas, fatos, objetos, ambientes, ideias, atmosferas, &#8230; A sensação de que minha vida &#8211; ou, ao menos, minha memória – iria se perder, assim como acontecia com minha avó, aguçou o meu olhar para o mundo e essa minha vontade de registrá-lo, de apresentar minhas pegadas e o rastro dessa minha caminhada.</p>



<p>A primeira série de trabalhos em que me envolvi, nessa época, se chamava Úlcera Nervosa, em que eu pintava com fogo. Acredito que, de certo modo, queria queimar tudo que já havia feito até então e que me parecesse irrelevante à minha história, além de criar uma pintura multissensorial, sinestésica.</p>



<p>Além do Alzheimer, minha avó estava quase cega, e muito do que eu fazia, fazia pensando nela, levando em conta seu estado e suas condições para perceber o mundo e, por que não, para perceber uma obra de arte. Daí a vontade de fazer uma pintura tátil, com cheiro, que pudesse impregnar o ambiente em que estava com mais do que sua presença visual.</p>



<p>Passei, então, a tomar notas em cadernos, mesclando desenhos, textos e algumas tentativas inocentes de poesia. Nada grandioso ou muito significativo. Apenas registros de uma vida.</p>



<p>O primeiro desses cadernos enchi com desenhos de meus familiares dormindo. Minha esposa e filha, minha avó, minha madrinha, meu irmão. Quem desse bobeira de adormecer perto de mim enquanto eu seguisse acordado acabava indo parar no caderno.</p>



<p>Gradualmente, passei a escrever algumas coisas junto aos desenhos. Escritos rápidos, de pensamentos e lembranças tão fugazes que sequer mereciam ser feitos de maneira que alguém pudesse ou conseguisse lê-los posteriormente. Eram realmente escritos para ninguém ler.</p>



<p>Percebo que, a partir daí, opto por sempre manter algo velado em relação a certos aspectos de meu trabalho. Vivemos em um tempo onde tudo se expõe, onde cada parcela de vivência se revela, e onde pouco sobra para a intimidade, o mistério e a introspecção.</p>



<p>Todos esses três pontos são cruciais a minha pintura.</p>



<p>Sobre a intimidade, acho que já deixei claro o quão atraído me tornei pelo e pelos que me cercam. Por meu arredor;</p>



<p>Sobre o mistério, ele é o ponto em que a arte transcende ou subverte o óbvio da existência. Um lugar de descobertas e surpresas, um momento de encanto e encontros. A ativação de recordações e a suspensão do tempo. A conexão entre situações/mundos distantes com o infinito de possibilidades, entre elas, a de tornar nossa obra uma espécie de ruína de nossa memória e existência. Cada desenho e pintura não detém nossa vida em sua totalidade, mas são, sim, fragmentos potentes, capazes de carregar resquícios do que somos/fomos/seremos;</p>



<p>Sobre a introspecção, ela é um recorte espaço-temporal onde/quando a prática artística se aproxima do sonho, da espiritualidade e de qualquer demais esfera de nosso universo imaginário. A realidade objetiva se impõe, mas pode a todo momento ser submersa por nossa subjetividade.</p>



<p>Quando vemos animais, faces humanas ou quaisquer outras figurações em meio as nuvens, exploramos muito mais o nosso campo de referências interno do que, objetivamente, as características da nuvem. Ela se torna uma fagulha e inicia a combustão imaginária; e o combustível é algo que carregamos internamente e que abastecemos por conta própria. Quanto mais atentos ficamos em relação a nossa percepção interior, mais enchemos nosso tanque para alimentar tal chama.</p>



<p>Vejo que, da mesma forma que meus garranchos escondem os significados das palavras em “escritos para ninguém ler”, as camadas de tinta grossa escondem certas sutilezas nas pinturas, embrutecendo-as. Muitas vezes, beiro a tentação de abandonar uma tela, tentando me dar por satisfeito com uma pintura mais rápida, espontânea e com menos intervenções; mas acontece que não consigo. Diferente do desenho, onde aceito e abraço a síntese, com a pintura, sinto que ela deve contar uma história, e que essa história é sempre um pouco mais longa. Precisa adquirir marcas. As marcas do tempo. Marcas que o tempo grava em qualquer superfície viva, como rugas, respingos, arranhões, furos, sujeiras, cicatrizes, &#8230;</p>



<p>A condição da pintura é tão importante quanto a imagem apresentada. Não faz diferença, para mim, se pinto o retrato de um amigo ou um arbusto no mato: meu desejo e esforço são sempre para que a soma entre imagem e aquela crosta de tinta na superfície da tela resulte em algo indescritível, incomunicável.</p>



<p><strong>Apelo aos sentidos por não me bastar a razão</strong>. Existe algo que foge ao entendimento e às palavras – a não ser pela poesia, mas de poeta tenho pouco -, e é aí que busco e me encontro no desenho e na pintura&#8230; desde o encanto pelo fogo, à perplexidade de corpos em queda rumo a morte, passando por objetos banais, corpos varridos pelo vento e retratos de pessoas que me instigam. <strong>Busco com e através da arte aquilo que não atinjo em palavras</strong>.</p>



<p>Digo com e através porque <strong>percebo como algo importante fazer com que a pintura não somente registre determinada experiência, mas que se torne uma experiência em si</strong>. Encaro o ato de pintar como um exercício de exploração e de descobertas. Enquanto mera execução técnica, com receitas a se seguir, não gera interesse para mim. Mais do que um passo a passo exato a se seguir e um resultado específico a se alcançar, a pintura é território para tentativas e buscas, campo para se desafiar, tendo em vista somente o desconhecido.</p>



<p>Mesmo que parta de uma referência objetiva como uma fotografia, por exemplo, os caminhos a seguir em cada tela são sempre diversos e são batalhas em si. Toda pintura se torna complexa em alguma etapa. <strong>É preciso uma boa dose de coragem para, como já disse, não abandonar alguns trabalhos pelo meio do caminho, mas também alguma sensatez para saber que não são todas as batalhas que se vence</strong>.</p>



<p>Muitas das escolhas feitas pra se iniciar um desenho, pintura, ou série, assim como a maneira de abordá-los, surgem de forma inconsciente e até mesmo aleatória em determinados casos, mas não é sempre assim. Consigo mapear os rastros de influências em minha produção, e os considero fundamentais para meu processo de desenvolvimento e aprendizado.</p>



<p>As primeiras pinturas a chamar minha atenção ao ponto de me emocionar &#8211; como apenas música havia feito até então &#8211; foram as de Van Gogh. Seus quadros modificaram minha maneira de olhar para o mundo, principalmente para a natureza.</p>



<p>Me lembro de quando olhei pela primeira vez para a copa de uma árvore oscilando junto ao vento e de pensar em suas pinturas, e também na daqueles influenciados por ele, como Anita Malfatti. Era o tipo de cena com a qual já havia tido contato inúmeras vezes, mas logo percebi que a diferença não estava na cena, e sim em mim, na forma como eu olhava. Dali em diante, não conseguia observar mais a mata em movimento sem pensar em pintura.</p>



<p>Dois fatores que mais me chamavam atenção para Van Gogh: a maneira de construir seus quadros através dos empastes de tinta, e a forma como era capaz de adicionar/transmitir uma sensação de movimento àquilo que é estático, à imagem pictórica. A dinâmica de suas pinceladas é tão intensa e ordenada que, a meu ver, descontrói a imagem do artista insano, febril, produzindo somente sob os efeitos da paixão. Fica claro que era muito mais do que isso. Existe uma ciência e profundo entendimento por trás de sua obra, pouco explorados pelos que escolhem enfatizar o aspecto romântico de sua existência conturbada. Sei que seu domínio sobre a matéria pictórica, aliado à dinâmica com que constroi suas pinturas, fizeram de seu legado algo singular &#8211; e se tornaram, para mim, referências fundamentais, características a perseguir em meu trabalho.</p>



<p>Movimento e pincelada. Explosão e pincelada. Ordem e pincelada. Caos e pincelada. Acredito que a pintura deva abrir brecha para todo tipo de acontecimento e intervenções do acaso. Muitas vezes, ele se impõe; muitas vezes, é preciso ser domado.</p>



<p>O jogo mais interessante é quando se estabelece um diálogo entre o controle e o descontrole no processo&#8230; quando controlado demais, parece rígido, sem fluidez; mas, se descontrolado demais, apenas uma miscelânea.</p>



<p>Existe um equilíbrio entre o acaso e a vontade, entre o caos e o desejo, o controle, e me parece que os melhores trabalhos revelam esse equilíbrio, mesmo que de forma obtusa. Poderia citar mais uma série de artistas influentes para mim, mas vou me ater aqueles que considero marcos, e aos quais consulto regularmente:</p>



<p><strong>Iberê Camargo</strong>, com sua exploração matérica da pintura, assim como de seu universo subjetivo;</p>



<p><strong>Alberto Giacometti</strong>, com seus retratos ímpares e seu processo de rasura gráfico-pictórico, em que construção e desconstrução se somam ao que chamamos de criação;</p>



<p><strong>Frank Auerbach </strong>e<strong> Lucian Freud</strong>, com seus retratos matéricos e pela entrega à pintura;</p>



<p>Dos antigos: <strong>Rembrandt</strong>, <strong>Franz Hals</strong>, <strong>Goya</strong>, <strong>Velázquez</strong>.</p>



<p>Dos modernos: <strong>Pissarro</strong>, <strong>Cézanne</strong>, e um achado tardio, mas muito significativo para mim: <strong>Vuillard</strong>, com suas cenas domésticas, singelas e seu tratamento sintético.</p>



<p>Outro achado tardio importante foi <strong>Joan Riera Ferrari</strong>, com suas impactantes pinturas de rochedos marinhos.</p>



<p>Pra concluir, preciso abordar a importância das trilhas e caminhadas no mato em minha produção recente. Percebo uma sequência de fatores, mas, provavelmente, o mais significativo seja que o momento dessa prática se tornou também a principal hora de reflexão sobre meu trabalho, sobre as escolhas que faço e sobre o processo como um todo. É a etapa que considero como digestão.</p>



<p>Parando pra pensar no processo desde a origem até a conclusão de cada pintura, poderia separá-lo, resumi-lo em três etapas: ingestão, digestão e regurgitação.</p>



<p>A <strong>ingestão</strong> seria aquele momento em que quaisquer vivências e experiências tenham determinado impacto sobre nossa percepção e que despertem um tipo de sensação de deslocamento em relação a realidade. Uma interrupção no fluxo de sentimentos e pensamentos corriqueiros e a ativação de um estado anacrônico e, algumas vezes, sinestésico. Um emaranhado de sensações e ideias mesclando passado, presente e futuro, criando uma rede de conexões subjetivas.</p>



<p>Nessa fase, separo imagens de referência e monto um arquivo do que pretendo pintar posteriormente. Fotos roubadas de família, recortes de jornal, frames de filmes, folhas e mais folhas rabiscadas nos cadernos de esboço&#8230; tudo entra nesse baú de guardados. São a matéria que alimenta minha produção.</p>



<p>A <strong>digestão</strong> seria a pausa, ou suspensão das atividades, do fazer, das escolhas, para apenas pensar e refletir a respeito do que foi feito, ou do que pretendo fazer, e até hoje não encontrei situação melhor do que as caminhadas no mato pra isso. Silêncio e solitude ideais.</p>



<p>Chegamos então ao <strong>regurgitar</strong>. O transbordar do excedente seria aquilo que compõe e constrói cada desenho e pintura. É o momento de resgate daquelas imagens selecionadas e o empenho para reapresenta-las, recriá-las no universo da pintura.</p>



<p>Meu trabalho se torna, então, um esforço para subverter tais imagens com os traços de minhas experiências e, quem sabe, deixar ali algum rastro, resquícios de minha existência.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/96da9-0807-913x1066-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15019" data-recalc-dims="1" /><figcaption>SEM TÍTULO, 2011<br>Nanquim sobre papel<br>36.5 x 30.5cm</figcaption></figure></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:49.307396319373%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/af44b-0604-momento-limite-ii-1066x700-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/af44b-0604-momento-limite-ii-1066x700-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/af44b-0604-momento-limite-ii-1066x700-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1066 1066w" alt="" data-height="700" data-id="15020" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15020" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6e972-0604-momento-limite-ii-1066x700-1.jpg" data-width="1066" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/af44b-0604-momento-limite-ii-1066x700-1.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/d5fae-0502-1066x677-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/d5fae-0502-1066x677-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/d5fae-0502-1066x677-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1066 1066w" alt="" data-height="677" data-id="15021" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15021" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d7559-0502-1066x677-1.jpg" data-width="1066" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/d5fae-0502-1066x677-1.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:50.692603680627%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/38b51-0403-843x1066-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/38b51-0403-843x1066-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=843 843w" alt="" data-height="1066" data-id="15022" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15022" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8f5d1-0403-843x1066-1.jpg" data-width="843" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/38b51-0403-843x1066-1.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:26.39487585982%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/30e69-0206-537x1066-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=537 537w" alt="" data-height="1066" data-id="15023" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15023" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c9f45-0206-537x1066-1.jpg" data-width="537" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/30e69-0206-537x1066-1.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:73.60512414018%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/6a0c1-0712-1066x757-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/6a0c1-0712-1066x757-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/6a0c1-0712-1066x757-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1066 1066w" alt="" data-height="757" data-id="15024" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15024" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/44d3c-0712-1066x757-1.jpg" data-width="1066" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/04/6a0c1-0712-1066x757-1.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cdb41-0120-803x1066-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15025" data-recalc-dims="1" /><figcaption><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/guilhermemelich.com/wp-content/uploads/2018/04/0120-375x375.jpg?resize=375%2C375" alt="" data-recalc-dims="1"><br>P.IVO, 2012<br>Óleo sobre tela</figcaption></figure></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd40d-0111-1066x619-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15027" data-recalc-dims="1" /><figcaption>RETRATO ROUBADO IV, 2017<br>Óleo sobre tela<br>24 x 41cm</figcaption></figure>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6289e-0103-833x1066-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15029" data-recalc-dims="1" /><figcaption><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/guilhermemelich.com/wp-content/uploads/2018/04/0103-375x375.jpg?resize=375%2C375" alt="" data-recalc-dims="1"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/guilhermemelich.com/wp-content/uploads/2018/04/0103a-375x375.jpg?resize=375%2C375" alt="" data-recalc-dims="1"><br>SEM TÍTULO, 2017<br>Óleo sobre madeira</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/36222-guilherme-melich.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14943 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Guilherme Melich</strong></strong> é natural do Rio de Janeiro,  é pintor, desenhista, gravurista e professor. Desde novo demonstra interesse pelo desenho, mas até concluir o ensino médio se recusa a estudar e iniciar sua formação artística. Ingressa no curso de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora em 2004, onde o contato com a História da Arte e o apoio de professores/artistas como Leila Danziger, Priscilla de Paula, Afonso Rodrigues e Alex Badaró são fundamentais para sua formação. A partir de 2008, já formado, passa a oferecer cursos livres de desenho e pintura e mantém sua produção em um pequeno ateliê.</p>
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		<title>DESTINO MANIFESTO, CRUZADAS E A ASCENÇÃO DO CRISTOFASCISMO BRASILEIRO &#8211; PARTE II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Cristofascismo Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destino Manifesto]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelismo]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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<p class="has-text-align-right"><em>Leia a <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2021/03/21/destino-manifesto-cruzadas-e-a-ascencao-do-cristofascismo-brasileiro-parte-i/">Parte I</a></em></p>



<p>O curral eleitoral de Bolsonaro dentro das igrejas evangélicas faz parte de um movimento muito peculiar: o de alinhamento entre calvinistas, pentecostais e neopentecostais em prol de um mesmo candidato (mesmo que estes três segmentos tenham, consistentemente, depreciado uns aos outros ao longo dos anos). Uma unificação jamais pensada &#8211; ou talvez pensada apenas em contextos escatológicos, como o fim dos tempos no último livro da bíblia, o Apocalipse.</p>



<p>Parece até ironia que um &#8220;messias&#8221; tenha unificado alas tão divergentes dentro de um mesmo segmento religioso; mas antes que você me diga mentalmente que o Lula também unificou uma parcela de evangélicos, quero dar nome aos bois: na campanha de Lula em 2002, houve um combate sistêmico dentro das principais igrejas históricas no protestantismo brasileiro. Como a internet, à epoca, era ainda algo bem restrito, as igrejas e denominações compartilhavam em suas revistas institucionais as discussões sobre economia, fé, prosperidade e sobre como as igrejas sofriam perseguições nos países comunistas. Parece brincadeira, mas realmente acreditavam que havia um fantasma do comunismo rondando as igrejas assim como na década de 60.</p>



<p>Como a internet estava dando seus primeiros passos na popularização do uso, as principais notícias nos portais evangélicos eram sobre nações onde as igrejas eram perseguidas e seus integrantes, presos e torturados. Ora, este temor era o mesmo na época da guerra fria, quando os militares aplicaram um golpe antidemocrático e com apoio de grupos religiosos e claro, do &#8220;<em>tio Sam&#8221;</em>.</p>



<p>As informações na década de 60 eram as mesmas de 2002, e as mesmas que ainda circulam hoje: comunistas odeiam cristãos, seremos perseguidos no nosso país, vamos revidar! Afinal, o jesus deles dizia na bíblia &#8220;olho por olho e dente por dente…&#8221;</p>



<p>E assim, pastores e líderes entregaram seus irmãos de fé, de jornada, seus desafetos, aos militares para que fossem &#8220;tratados&#8221;.</p>



<p>Todos sabiam das torturas. Afinal, se a truculência era o bom dia nas ruas contra a população, o que se esperar de militares de tocaia? Uma conversa com café e torradas?!</p>



<p>A consolidação e o privilégio que as igrejas conquistaram ao apoiar o golpe proporcionou a elas riqueza e prosperidade, uma vez que o boicote e a perda da concorrência (através de prisões e assassinatos) faria com que aqueles &#8220;cidadãos de bem&#8221; tivessem acesso a empregos e a contratos com governos. Os militares povoavam congregações contribuindo com seus dízimos como uma barganha, para&nbsp;buscar e apreender rebeldes comunistas nas igrejas.</p>



<p>O tempo passou, e a pressão popular fez com que parte das igrejas pró ditadura mudassem de lado &#8211; graças, também, aos pensadores da teologia da libertação, que estava ganhando força e voz diante das desigualdades e atrocidades que rondavam toda a América Latina nas décadas mais obscuras do nosso continente. O tempo passou, e um novo conceito surge. Uma experiência de prosperidade, sem compromissos sociais desgastantes e te permitindo desfrutar da vida; surge, assim, o neopentecostalismo, que começa a &#8220;fisgar&#8221; fiéis em outros aquários e a ocupar espaços antes acessíveis apenas aos cultos, austeros e presunçosos herdeiros da reforma protestante. A vaidade e soberba dos cristãos históricos (não todos, mas uma parcela considerável) os cegou para as necessidades da sociedade, em reconstrução econômica e democrática.</p>



<p>Com a consolidação deste movimento nas mídias televisivas (em contrapartida ao espaço em rádio dos históricos e pentecostais), a força política permanecia nos evangélicos brasileiros, mas havia, agora, novos coronéis; estes apoiariam quem quer que fosse, apenas para se mostrarem detentores de uma promessa de poder e influência &#8211; afinal, eu, um pastor, que comecei em uma porta de garagem e hoje tomo café com o presidente, sou fruto da prosperidade que tanto falo.</p>



<p>Nesse contexto, surge o apoio a Lula na corrida presidencial de 2002. Os pentecostal e neopentecostais assumem o apoio e, nesse momento, os cristãos históricos tem uma cisma da relação já não tão estável &#8211; daí, o apoio na ideia do ecumenismo e na cumplicidade em apoiar a campanha da fraternidade promovida pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs).</p>



<p>A ascensão do proletariado junto às faculdades, aos novos modelos de financiamento, aos programas sociais, e todo o desenvolvimento econômico que experimentamos na época trazem força a essa ala evangélica que apoiou o governo Lula. Suas ONGs, casas de recuperação, barcos hospitais no norte do país trabalharam, todos, para ampliar o braço do estado; claro, com o ônus de uma propagação de seus ideais religiosos.</p>



<p>Pois bem, as igrejas neopentecostais, que apoiaram a candidatura de Lula, não foram as únicas a serem beneficiadas; mesmo as igrejas históricas que não apoiaram o governo do PT usufruíram do desenvolvimento econômico, gerando uma consequência direta: a expansão do mercado Gospel.</p>



<p>Artistas evangélicos passam a ganhar palcos maiores; gravadoras vendem mais e mais discos e batem recordes; as campanhas nacionais de evangelização ganham proporções nunca antes vistas; as Marchas para Jesus se popularizam; a internet se torna mais acessível e o jogo muda: a influência do evangelicalismo norte-americano chega através das músicas e peças teatrais mostrando padrões, carros, estilos de roupa, novos (velhos) pensamentos teológicos e moralistas. Surge, daí, a base para o que temos hoje: <strong>uma muralha fundamentalista travestida de casa de eventos</strong>. A massificação cultural através das megaigrejas estadunidenses e australianas, com templos chegando a ocupações na casa das dezenas de milhares.</p>



<p>Nesse cenário, pessoas tornam-se números. Números são, então, manipulados por métodos de crescimento de igrejas importados sem nenhuma crítica quanto à nossa brasilidade e que, assim, mutilam a frágil identidade Cristã brasileira e a enxergam em um modelo americanizado, empresarial. <strong>Formatando pessoas, separando famílias e doutrinando o mundo a um olhar maniqueísta</strong>. Os métodos para tal, registrados em livros recheados de coaching e esquemas de pirâmides, usam a vida humana como moeda, tornando seus pastores os novos empreendedores da moda.</p>



<p>É claro, não podemos generalizar: as estruturas cristãs estão aí, algumas abrindo seus espaços, suas cozinhas e acolhendo a todes; outros, porém, seguem mantendo seus espaços sagrados a custo do sacrifício do indivíduo e da diversidade.</p>



<p>Um simples olhar e vemos, entre os 12 apóstolos de Jesus, as mais diversas identidades &#8211; jovens, funcionários públicos, rebeldes, assassinos, médicos letrados, pescadores. Enquanto isso, entre os escolhidos destes líderes religiosos, vemos um mesmo tipo de pessoa: os empreendedores, os donos de comércios (ou de vidas). É nítida a diferença entre os grupos, e é essa a base que sustenta, ainda hoje, uma campanha maciça em prol da reeleição de Bolsonaro em 2022.</p>



<p>Se você entrar nas mais badaladas igrejas nas mídias sociais hoje, você fará um passeio para os Estados Unidos sem precisar de passaporte: a estrutura, a estética do prédio, as luzes de shows, as roupas das pessoas, o linguajar, as músicas traduzidas com métricas que assassinam nossa língua e o tipo de mensagem sempre enfatizando na aparência, no ter, empreender. Se houve, uma vez, o funk ostentação, eu digo que hoje o evangelicalismo brasileiro que sustenta Bolsonaro é este: <strong>o gospel ostentação</strong>.</p>



<p>Ostentam luzes, fumaças, números e likes, cursos de sucesso, de relacionamentos, de empreendedorismo &#8211;  que mais floreiam o imaginário e afastam os fieis da realidade que vivemos hoje. Líderes do povo se venderam a um dito &#8220;deus&#8221; &#8211; Messias &#8211; no poder, entregam os seus e os marginalizados como sacrifício para que a pirâmide continue de pé.</p>



<p>Em um tempo de um déspota fantasiado de presidente, em um tempo de extermínio de uma nação ou das nações indígenas que estão à margem dessa força destrutiva. Nesse tempo, celebrar a ditadura, negar a ciência, ignorar e desmerecer o sacrifício dos agentes de saúde na linha de frente, ser indiferente aos que tombam diante do descaso me faz questionar: estamos hoje reféns de uma nova cruzada? Os tais cristãos de bem, hoje ou amanhã, nos entregarão para o castigo e correção novamente?</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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		<title>DEPRESSÃO E NEOLIBERALISMO: A URGÊNCIA DE TUDO PODER NA ANGÚSTIA DE NADA CONSEGUIR</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/04/depressao-e-neoliberalismo-a-urgencia-de-tudo-poder-na-angustia-de-nada-conseguir/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Corporativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão e Neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Reis]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento Psíquico e Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Rodrigo Reis</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>“Devemos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos para ter a vida que nos espera.”<br>&#8211; Joseph Campbell</em></p>



<p>Você já ouviu falar no eneagrama das cores? Ou de emojis como ferramenta para expor suas emoções no início de um dia de trabalho? Ou talvez saiba me dizer do que se tratam as técnicas de mindfulness para amenizar os efeitos tóxicos de um ambiente de trabalho? Ah, mas tenho certeza de que já ouviu falar em aulas práticas de team bulding. Oi?!</p>



<p>Essas e outras técnicas estão na moda na chamada nova economia do século XXI. As empresas de tecnologia, Startups modelo, grupos de Marketing Digital e seus Digital Influencers, todos usam esse discurso como argumento para uma atualização da qualidade de vida nas empresas; contudo, o que se tem observado na clínica psicanalítica é que essas ações têm resolvido pouco (ou quase nada) sobre o sofrimento psíquico na contemporaneidade. Estamos na onda de discursos de inovação, de liberdade e de autorização de si mesmo; entretanto, o que vemos na prática e nos consultórios são funções lideradas cada vez mais na base da sociedade disciplinar e de controle</p>



<p>Nunca tivemos tão fácil acesso à informação e  a mágicas soluções; nunca tivemos tanto suporte médico e de saúde como no início deste século. Mesmo assim, nunca sofremos tanto. Uma pesquisa de 2018, (portanto, pré-pandemia) da Revista Small Business Economics mostrou que 72% dos 242 empreendedores entrevistados estavam afetados por alguma questão da chamada saúde mental. A pesquisa também mostra que donos de negócios relataram ter mais depressão (30%), TDAH (29%), transtorno bipolar (11%), além de fazer uso de substâncias (12%), relata o psicanalista Christian Dunker em artigo publicado no Estadão. Para além, pesquisas pós-pandemia indicam o crescimento exponencial na incidência de casos de depressão, transtorno do pânico e fobias. Vivemos uma crise sanitária em médio e longo prazo inédita na história, com consequências funestas para o estado psíquico.</p>



<p>A pergunta que fica no horizonte é: <strong>por que sofremos tanto?</strong></p>



<p>O que se percebe é a relação direta entre países neoliberais e a gestão do sofrimento psíquico. O mercado de trabalho, do final do século XX em diante, apresenta corporações avaliativas, baseadas na produtividade analítica e estatística e em contratos de trabalhos ínfimos e precários, muitas vezes sem nenhum tipo de benefício social, quando não muito com jornadas extensas e exaustivas. Mais do que isso, o incentivo à concorrência entre iguais e à construção de um discurso excessivo da “você s/a” nos fez objeto coisificado do mercado.</p>



<p>Outro agravante para essa pandemia de sofrimento psíquico que se alastra no mundo contemporâneo é a digitalização das relações em virtude do advento das Redes Sociais e seus Digital Influencers, que diminuiu a fronteira entre a vida pública e privada, gerando quadros de angústia ao ver o sucesso do outro em detrimento do próprio fracasso, causando uma sensação permanente de incompetência e insatisfação com o que se tem e com o que já se construiu.</p>



<p>O que se pretende com discursos enlatados como esse é criar uma cultura de exposição de afetos e de elementos emocionais íntimos, em uma busca incessante por naturalizar a vida nas empresas &#8211; como se fosse possível humanizar um ambiente que na sua essência só funciona por suas neuroses e patologias; sendo assim, nada muda; continuaremos no modo sofrimento psíquico. A virtualidade deu origem à fantasia de que todo mundo tem algo a dizer, mas isso nunca aconteceu; fantasiamos que podemos dar conta de tudo, mas não podemos. São da existência humana, a incompletude e a falta.</p>



<p>A despeito de todas as promessas da sociedade de consumo (que é só um braço possível do capitalismo dentre muitos outros), vemos hoje uma falência completa das soluções milagrosas, dos enlatados e dos clubes das “não sei quantas horas”. Discursos como esses que vemos na atualidade mostram uma dificuldade premente de entendimento por parte do humano das complexidades da contemporaneidade e da vida em sociedade. Queremos acreditar em um discurso individualista e pessoal de salvação de si mesmo, contrário à nossa angústia constituinte de pertencer ao laço social.</p>



<p>A sensação de desamparo, senão geral, está bastante alastrada, pois a covid-19 consubstanciou nossas incompletudes e desconstruiu certezas que a geração atual defendia a ferro e fogo. Há uma parte de indeterminação do real com que não temos o que fazer. Vivemos tempos sombrios: o máximo do desamparo, do desalento. Lutamos contra algo do invisível.</p>



<p>E toda essa carga psíquica se apresenta a nós no seio do neoliberalismo, não apenas um sistema econômico ou uma teoria do funcionamento da economia, mas também uma forma de vida determinada como gerenciadora do mal-estar do laço social e de uma verdadeira e poderosa intervenção do sofrimento psíquico. O discurso hegemônico da economia neoliberal é a nova forma de controle social da contemporaneidade e tem, no sintoma, uma forma de denúncia dessa insatisfação psíquica, sendo a depressão o maior exemplo de um corpo que sofre e de um psíquico avassalado em uma angústia ainda não nomeada.</p>



<p>Hoje, pela via dos discursos das redes sociais, amamos ser enganados e explorados na nossa empresa de si mesmo. Ovacionamos a derrota vazia de reflexão íntima e solitária, aplaudimos o estapafúrdio discurso da meritocracia individualista, normalizamos as crises incessantes provocadas pelo capitalismo, como se fosse a última para se chegar ao pote de ouro da felicidade – que nunca chega e se confirma de fato. Estamos cheios; contudo, esvaziados de sentido e simbolização.</p>



<p>Temos um discurso tão poderoso sobre o caminho para um tal sucesso que aceitamos sem questionar criticamente os manuais motivacionais e de gerenciamento que nos angustiam na urgência do fracasso que se avizinha, pois construímos objetivos inatingíveis; ao mesmo tempo, só nos resta acreditar que a responsabilidade é do próprio sujeito, incompetente por não conseguir &#8211; visto que, no perfil seguinte no feed das redes, sempre haverá um influencer que diz que fez e pode fazer de novo quando quiser.</p>



<p>Há uma cultura contemporânea pregando que o Estado vai acabar a qualquer momento, por isso não deveríamos esperar nada de governos e governantes e, se você tiver força, foco e fé, tudo estará ao seu alcance. Lógico, o oposto também: quem não consegue atingir seus objetivos (sucesso) é porque fez algo errado no processo, uma vez que chegar lá é só uma questão de querer e fazer. Discurso infundado e fantasioso.</p>



<p>Basta ir às livrarias, visitar sites e redes sociais para perceber do que estou falando. Vivemos tempos de fórmulas mágicas – “sete passos para o sucesso” e “aprenda a pensar como sei lá quem” – em uma busca incessante para provar o “case” de sucesso, que é possível chegar lá e vencer, com esforço, com mais produtividade, mais conhecimento. E, se algo der errado, a responsabilidade é do sujeito que não soube fazer direito. <strong>É muita gente ensinando o que eles mesmos não sabem fazer e nunca fizeram</strong>.</p>



<p>Empreender tornou-se autoajuda, uma bolha mágica na qual nossas faltas e angústias poderão ser resolvidas em definitivo, como um grande elixir para a miséria social e a grande desigualdade que vivemos no mundo. O mantra são milhares de livros e suas ideias que não se sustentam a um mínimo debate sobre o quanto o pensamento positivo, resiliente e produtivo poderá lhe basilar a conquistar seus sonhos e sua startup do coração. O empreendedorismo reduziu o sofrimento psíquico da existência humana a um mero detalhe discursivo, de fazer e acontecer. É a uberização da força de trabalho, do desejo e da vontade de existir, como se a culpa de todas as misérias do mundo fosse de cada sujeito separadamente.</p>



<p>Odiamos as verdades e as versões e participamos de uma cultura em que se vive a se informar de headlines e portais enlatados de notícias. O discurso do empreendedorismo cola muito bem em nossas fantasias sobre o social porque coloca tudo na nossa mão, tira do Estado seus desmandos, desvios e vazios institucionais e burocráticos. Essa cultura do “salesman selfie” é envolvida por muita resiliência, mindsets, millennials e centennials, coworking e homeworking, empodera daqui, empodera de lá, tudo com o objetivo de realizar reconfigurações de sua bios ou de programações de suas neuro manias diárias. No fim, o que vemos são dispositivos da hegemonia gramsciana em ação. <strong>Eu domino você, e ainda te faço acreditar que isso é liberdade</strong>.</p>



<p>A falta humana, contrária ao neoliberalismo e à sociedade de consumo, é o que nos move. A falta da falta na contemporaneidade traz um excesso que sufoca. A depressão é o maior sintoma do social da era moderna, é sofrimento psíquico que denuncia um sistema implodido em si mesmo pela sua fantasia de acreditar que é possível tamponar a nossa falta constituinte.</p>



<p>Nunca vivemos uma era de tantas possibilidades, de tanta apreensão de produtos, sonhos, desejos e ideias a consumir; contudo, nunca estivemos tão esvaziados em nós mesmos, graças a uma demanda excessiva por tempo produtivo e à negligência ao lazer a à reflexão. Nesse sentido, há uma pesquisa de 2016 do King´s College segundo a qual crianças de agenda cheia estão mais depressivas do que crianças inventivas, de mais tempo livre e de personalidade e cultura criativa, comprovando o sufocamento da saúde mental causado pelo espírito de produtividade acima de tudo.</p>



<p>Uma sociedade capaz de prometer tudo, de sonhos a grandes realizações, dos produtos mais luxuosos a grandes viagens, é uma sociedade incapaz de denunciar a falta; <strong>uma cultura em que tudo se pode é uma cultura patologizada</strong>. Não podemos tudo, não mesmo. A falta gera sujeito desejante, gera movimento, gera criação. A humanidade se fez na falta, as nossas melhores criações foram inventadas em nossos piores momentos. Sobre a vida real, prefiro Freud: quando o assunto é felicidade, ninguém se intromete na vida de ninguém. Esse percurso é solitário, singular e sem fórmulas mágicas.</p>



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<p><strong><strong>Rodrigo Reis</strong></strong> trabalha com psicanálise, é pesquisador de sofrimento psíquico no mercado neoliberal, criador do canal <a href="http://instagram.com/cavaleirodasletras">Cavaleiro das Letras</a>, cronista, ensaísta e um apaixonado por literatura&nbsp;.</p>
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		<title>CARTA CONVITE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Claudia Castro]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidado]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Moreira Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Novos Rumos da Humanidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Juliana Moreira Alves</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>para Ana e Mari</em></p>



<p>A vida não está para poucas emoções.</p>



<p>Dizem que eu tenho facilidade em nomear o indizível, e, assim, faço aqui uma tentativa de dizer o que não está fácil dizer, e até o que não está fácil sentir; mais que nada, como um exercício para mim mesma de organizar e elaborar tantas informações, sensações e descobertas.</p>



<p>Esse longo período que estamos percorrendo &#8211; e que é diferente do que estamos acostumados &#8211; entristece imensamente, claro, pela carga de vidas perdidas que traz e por carregar um vírus sobre o qual não temos o menor controle. No entanto, tendo a acreditar que o que mais nos aflige é estarmos diante do fato de que temos agora novos rumos como humanidade. Parece que estamos mudando a nossa essência, e isso nos tira o chão.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde7c-claudia1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14939" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Ilustração: Claudia Castro</figcaption></figure>



<p>O chão pode ser o bar, pode ser a rua, pode ser o mar. Ainda bem que, este último, somente nos tiram muito de vez em quando &#8211; quando decidem que nem lá a gente pode entrar mais. E confesso que esse limite do “não mar” me aflige muito, dentre tantos outros. Mas, enfim, tentando aqui nomear coisas, sinto e reparo atenta, dentro de casa na maior parte do tempo, que o chão é outro. O chão é o afeto e a capacidade imensa de amar e de ter compaixão que nós temos como seres humanos que somos, e que temos somente por existir e estarmos aqui nesse momento.</p>



<p>Esse impulso interno imenso é o nosso chão, e isso, nem a impermanência de tudo e de todos consegue carregar. Às vezes, a gente até acha que a força se foi; mas não foi, não. Ela vem sendo é testada com toda força. É a força que desafia a força.</p>



<p>Os cabos de guerra vêm e vão a cada dia e, para estar lá, puxando a corda, a gente precisa estar cada vez mais bem nutridos e muito bem cuidados. Eu sou muito apaixonada pelo cuidado. Estar bem cuidado, na verdade, já inclui estar bem nutrido. Para mim, cuidar é curar. Se cuidar, cuidar de tudo e de todos que estão por perto. Digo por perto porque todos nós estamos sempre perto de algo ou de alguém e, se assim fazemos, todos nós, sem exceção, estaremos sempre bem cuidados. &nbsp;</p>



<p>Eu só escrevi aqui na revista uma única vez e foi sobre cuidar. Agora, de novo. O cuidado é sagrado. Inundar o universo com espaços para cuidar e ser cuidado é um convite que gostaria de fazer.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dee1b-juliana-moreira-alves-e-claudia-castro.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14936 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Juliana Moreira Alves</strong></strong> é jornalista graduada pela Universidade Católica de Pernambuco e hoje atua na iniciativa privada, na área de investimento social com projetos de cultura.</p>



<p><strong>Claudia Castro</strong> é artista plástica e ilustradora. É carioca mas vive em Lisboa há dois anos, onde tem o Ateliê Semente. Seu trabalho pode ser visto no <a href="http://instagram.com/atelie_sementearte">Instagram</a>.</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] Sensibilidade, educação e Museus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator" />



<p>Nesse episódio o Fred faz uma reflexão sobre a importância da sensibilidade para o exercício da mediação em espaços museológicos, e como o desenvolvimento dessa faculdade humana é importante para criar uma território de partilha afetivo, respeitoso e repleto de possibilidades.</p>



<p>Então já sabe! Coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: Sensibilidade, Educação e Museus" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/49TAq4jxdnA0Uq8Nhlrkdj?si=3eDH_ANmSy2VL2G_DfvwJg&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption><em>Texto, apresentação e edição: Frederico Lopes</em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>OIM e Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançam curso sobre direitos dos imigrantes no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos dos Imigrantes no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou o&nbsp;curso gratuito &#8220;Direitos dos Imigrantes e Orientações para o Atendimento&#8221;. As aulas são dirigidas aos profissionais envolvidos com o atendimento a essa população e aos interessados na temática.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>O objetivo do curso é capacitar esses trabalhadores para conhecer a legislação aplicável e atender imigrantes de todas as nacionalidades que se encontram no Brasil.</em></p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou o&nbsp;curso gratuito &#8220;<a href="https://brazil.iom.int/news/mmfdh-e-oim-lan%C3%A7am-curso-sobre-direitos-dos-imigrantes-no-brasil">Direitos dos Imigrantes e Orientações para o Atendimento</a>&#8220;. As aulas são dirigidas aos profissionais envolvidos com o atendimento a essa população e aos interessados na temática.</p>



<p>O objetivo do curso é capacitar esses trabalhadores para conhecer a legislação aplicável e atender imigrantes de todas as nacionalidades que se encontram no Brasil.</p>



<p>&#8220;A articulação com foco na proteção de direitos é uma das marcas da atuação do nosso ministério. A parceria com a OIM na produção deste curso representa mais uma entrega importante em termos de direitos humanos dos imigrantes no Brasil&#8221;, afirmou a ministra Damares Alves.</p>



<p>A parceria entre o MMFDH e a OIM já havia resultado na publicação conjunta do “Guia de Orientación en Derechos Humanos&#8221; (Guia de Orientação em Direitos Humanos, em português), voltado aos venezuelanos que chegam ao Brasil em decorrência da crise humanitária naquele país.</p>



<p>O chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux, disse que o conhecimento acerca dos direitos dos migrantes e como eles se aplicam na prática do atendimento é fundamental para sua efetivação.</p>



<p>“Este curso é mais um resultado da parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e é somado ao leque de capacitações oferecidas pela OIM, com o objetivo de fortalecer o trabalho de organizações da sociedade civil, governos locais e outros atores fundamentais no acolhimento de imigrantes no Brasil”, completou o chefe de missão.</p>



<p>A Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) dispõe de outras iniciativas complementares da pauta migratória, como o curso&nbsp;<a href="https://www.escolavirtual.gov.br/curso/382">Proteção Socioassistencial a Migrantes em Situação de Vulnerabilidade ou Violação a Direitos</a>, oferecido pelo Ministério da Cidadania, também em parceria com a OIM.</p>



<p><strong>O curso</strong></p>



<p>O curso é oferecido em formato de educação à distância pela Escola Virtual de Governo, como parte do Programa Nacional de Educação Continuada em Direitos Humanos. Hospedado na página eletrônica da ENAP, o curso tem carga horária de 30 horas.</p>



<p>&#8220;Estamos oferecendo uma grande oportunidade de capacitação e certificação a gestores, sociedade civil, acadêmicos e outras pessoas que desejam se aperfeiçoar no atendimento a imigrantes no Brasil&#8221;, ressaltou a secretária nacional de Proteção Global, Mariana Neris.</p>



<p>Composto por seis módulos, o curso detalha a legislação nacional e internacional relativa às pessoas imigrantes e aborda aspectos relacionados às vulnerabilidades em contexto migratório. &#8220;Um dos destaques do conteúdo é a ênfase dada à proteção de grupos específicos, como mulheres e crianças migrantes&#8221;, apontou a secretária.</p>



<p>O curso foi&nbsp;realizado com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado do Estados Unidos da América.</p>



<p>Para inscrever-se, visite o portal da&nbsp;<a href="https://www.escolavirtual.gov.br/curso/388#:~:text=Direitos%20dos%20imigrantes%20e%20orienta%C3%A7%C3%B5es%20para%20o%20atendimento&amp;text=%C3%89%20sobre%20os%20direitos%20e,para%20o%20atendimento%20dessas%20pessoas">Escola Virtual de Governo</a>.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/123664-oim-e-ministerio-da-mulher-da-familia-e-dos-direitos-humanos-lancam-curso-sobre-direitos-dos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 31/03/2021 – Atualizado em 31/03/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>ONDE A VIDA SEGUE INTEIRA?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/04/onde-a-vida-segue-inteira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura de Roça]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Saberes Empíricos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14826</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Zeloschi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Lá onde minha vó mora, num tímido vilarejo encostado no morro, as pessoas são inteiras. Desde o momento em que a gente pula do ônibus e dá o primeiro passo para dentro da estrada de terra que leva à praça, tudo o que é nosso vem conosco. Junto com os pés sujos de barro, caminha minha família quando gritam que lá vem a neta da Maria Cabralinha. Logo em seguida, perguntam dos meus pais e fofocam do meu passado. <em>Era uma criança tão sapeca, precisava de ver você.</em> E o meu futuro anda antes de mim, cochicham ao meu ouvido: <em>que é que anda fazendo lá na cidade? Vai estudar mais?</em> Essas varandas falantes me veem toda.</p>



<p>Na porta da vó, onde sempre tem alguém escorado em um bom papo, chego com a mochila nas costas e um molho de couve que mandaram trazer. <em>Aí, minha neta! Ocê tá com fome, né? Vem pra dentro, fogão já tá com lenha</em>. E enquanto o fogo come a madeira e engrossa o caldo de galinha na panela de pedra, vó me vê toda. Escuta minhas fofocas da cidade e dá pitaco aqui e lá. Estuda com cuidado minhas queixas. <em>Essa vida acelerada que ocê leva, é isso que te faz ficar com essa dor de cabeça, tá precisando de deitar mais na rede.</em></p>



<p>O fim de semana é assim: inteiro. As janelas das ruas me chamam para dentro e me oferecem café recém passado. Ninguém me vê só. Nem só corpo, nem só ego, nem só eu. Vó me manda ir benzer na Francisca e assim faço. Chego cansada da caminhada e me jogo na cadeira da cozinha dela. As ervas dos vidros em cima da mesa me investigam e ela me olha por cima dos óculos tal qual um gavião. <em>Ansiedade, de novo, é, menina?</em> Eu concordo com a cabeça e falo sem relógio cronometrando o atendimento. No fim, ela me alcança um pote com a tampa rachada. <em>Três vezes na semana, toma o chá dessas plantas que trata. Mas não cura, hein? Essa vida sua é que adoeceu, num é ocê, não</em>. Enquanto me acompanha para a porta, Francisca agarra meu pulso com força<em>. Seu vô tá descansado, menina, preocupa com ele, não. Vai na igreja rezar uma Ave Maria para ele e vê se volta mais para ver sua vó, viu? Luto se cura com tempo e amor, num é com chá nem com pílula.</em></p>



<p>No domingo, Zé me espera no ponto da estrada e eu peço cinco desculpas pelos atrasos. <em>Cabralinha num gosta quando você vai embora, eu sei.</em> Minhas três bolsas cheias de comida vão no bagageiro e, na mão, volta só a caixa de ovos. Me sento ao lado da Lurdes e ela me atualiza do que não tinha tido tempo de ouvir. Diz que o tal do prefeito queria proibir a festa de Santo Antônio. <em>Diz ele que num dá lucro para a cidade. Ocê vê um trem desse, num tem quem não fique bravo.</em> E diz ela, ainda, que no dia seguinte estava todo o vilarejo na escada da prefeitura para comunicar ao homem que não ia cancelar o festejo coisa nenhuma. E assim foi feito: <em>vai ter festa de Santo Antônio porque nem tudo é dinheiro.</em></p>



<p>A rodoviária da metrópole, quente e vazia, me recebe com silêncio. Na segunda de manhã, eu volto para o trabalho não mais inteira. Se na roça sou unidade, sou fragmento aqui na cidade. Cada lugar eu sou uma: no trabalho, sou a peça da engrenagem. Na terapia, sou a mente acelerada que precisa ser tratada. No médico, sou o órgão remediado. Em casa, sou saudade.</p>



<p>Vó sempre me diz que aquela gente não daria certo por aqui. <em>A gente é roceiro demais, sabe, minha filha?</em> E eu, apesar de sempre dizer que sei, talvez agora finalmente saiba. Quando a gente vive onde até os prédios competem para ver quem chega primeiro ao céu, a gente não consegue ser inteiro. Somos pedaços aqui, pedaços lá. É mais fácil assim&#8230; Facilita o controle das gentes — se a medicina medicar, a escola negligenciar, a psicologia acalmar e a igreja silenciar, controla-se boa parte do nosso todo. Fragmentada a vida, acalma-se a revolta, esconde-se o senso crítico, faz esquecer o fragmento político. Se perdem as varandas que falam e as lutas coletivas. Se esquece que dor nenhuma no mundo é isolada: até o luto é implicado. Fragmentar a vida facilita deixar morrer — sem ninguém ver, matam o sonho. E depois, o sono. Matam também as gentes. Depois, passam a pílula para não doer. Mas Francisca já avisou: luto não cura com remédio. E eu digo que o que cura: além de amor, é luta.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/73656-fernanda-zeloschi.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14057 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Fernanda Zeloschi </strong></strong>é estudante de Psicologia e, quando ninguém está olhando, escreve e compartilha seus questionamentos e descobertas na página @<a href="https://www.instagram.com/fazerafetar/">fazerafetar</a>.</p>
</div></div>



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		<title>EXPOSIÇÃO VIRTUAL &#8211; MAR DE PLÁSTICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Dandara Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial de Moda]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Plástico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Dandara Oliveira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dentro de tantos futuros incertos, o que sabemos é que não dá para falar do uso do plástico, principalmente, o descarte no mar só por falar ou agir hipocritamente. Tem que haver ação diária. Mudança de hábitos. </p>



<p>O editorial de moda &#8220;Mar de Plástico&#8221; surgiu como trabalho de conclusão de curso da produtora de moda Dandara Oliveira. Através da fotografia de moda, os temas da poluição dos oceanos, da dominação humana sobre o mar, do descaso com a vida marinha e da possível extinção de espécies foram abordados como forma de conscientização do público.</p>



<div style="height:70px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4b3a7-mar-de-plastico-01.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14851" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Mar de Plástico</strong><br><br><em>O plástico se acumula no oceano desde os anos 1960. Os indivíduos são responsabilizados e as indústrias não mudam seus hábitos.</em><br><em>O ecossistema colapsa.<br>Como protagonista, o plástico compõe uma estética kitch que beira o horror.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24f24-o-grito.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14853" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>O Grito da Liberdade</strong><br><br><em>Quando a natureza e seus elementos (como o Mar) estão pedindo socorro, o homem não tem outra opção a não ser gritar.</em><br><em>A performance da modelo nessa ocasião é mais intimidadora, mostrando que, se não há possiblidade de vida <em>nas água</em>s, a vida humana também não faz nenhum sentido.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/aef90-sufocada.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14857" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Sufocada</strong><br><br><em>A extinção da espécie humana está tão perto de acontecer que nem é noticiada.<br>Enquanto, os seres marinhos morrem por engolirem plástico e microplásticos, o homem, em sua cartada final, tenta dar um novo uso àquilo que tanto sufoca.</em><br><em>O mesmo plástico que vem matando a natureza passa também definir o fim da espécie humana, pois quanto mais sujos estiverem mares e rios, sufocante será a existência do homem na terra.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1237c-o-mar-azul.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14855" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>O Mar Azul</strong><br><br><em>Haverá sempre uma esperança na humanidade. E haverá sempre uma nova chance. Mas e para a natureza? Haverá uma segunda chance?</em><br><em>A resposta é que nem tudo na natureza se regenera… O mar, em sua plenitude, carrega tudo de bom e de ruim que pode vir a existir nele.<br>Sempre azul.</em><br><em>Cheio de beleza e vida, ele carrega a esperança em um futuro em que os seres vivos e a humanidade voltem a ser um só.</em><br><em>E que o homem não tenha mais que sujar e degradar por ambição o que a natureza deu a ele de graça.</em></figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3c65f-rainha-do-mar.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14860" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Rainha do Mar<br></strong><br><em>Na concepção e na razão humana, o homem é dono de tudo.</em><br><em>No mar, porém, o homem não possui esse poder.</em><br><em>A rainha das águas é quem rege e doma o seu território.</em><br><em>Mesmo com toda devastação causada por obra humana, a rainha do mar não deixa de contemplar o homem com suas ondas, de proteção e beleza.</em><br><em>A performance da modelo é delicada, ao se fazer dormir em meio as conchas, e contemplativa, aos olhares de quem vê.</em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/28d62-dandara-oliveira.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14852 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Dandara Oliveira</strong> é profissional do segmento de moda. Atualmente, trabalha como produtora de moda freelancer para um Ateliê de Alta costura, realizando ensaios e editoriais.  Seu objetivo é expandir para que todos tenham a oportunidade de conhecer e saber o que é um editorial de moda consciente.</p>
</div></div>



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		<title>LIBERDADE, ABRA AS ASAS SOBRE NÓS!</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Ariadne Bedim]]></category>
		<category><![CDATA[Coragem de ser livre]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Presente e passado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ariadne Bedim</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.<br>São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação<br>umas às outras com espírito de fraternidade”<br>(Artigo I, Declaração Universal dos Direitos Humanos)</em></p>



<p>Há algum tempo, um passarinho pousava na janela da minha casa todo dia de manhã, olhava para dentro, olhava para mim, ficava um pouco e ia embora. Eu o encarava com afeto e pensava que aquela presença era um sinal de que coisas boas estavam por vir. Inclusive, agradecia pela sua rápida passagem cheia de energia e liberdade.</p>



<p>No documentário “É tudo pra ontem”, Emicida relembrou um ditado iorubá que diz: “Exu matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje”. Fiquei pensando sobre essa frase e a sabedoria que ela transmite. <strong>Tudo o que é passado carrega história dentro de cada um, desperta sentimentos, alegrias e frustrações.</strong> Através desse passado, podemos acolher quem fomos, curar cicatrizes, perdoar, ser perdoado e mover caminhos para um novo futuro. Tudo o que é presente, vira passado.</p>



<p>Com algumas pesquisas, descobri que o Baralho Cigano possui uma carta de número 12 chamada “Os Pássaros”. Nela, aparecem dois pássaros que nos lembram sobre a liberdade. Os pássaros são belos e encantam com seus lindos cantos quando estão livres para irem na direção que desejarem. Quando a carta é tirada, é um pedido para que você seja como um pássaro livre, que siga sua vida com muita fé e sem se limitar ao enxergar novos horizontes.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a4154-capaari.jpg?resize=313%2C505&#038;ssl=1" alt="Na foto, um pássaro está voando com algo na boca (alimento ou galho) e chegando no ninho, onde outro pássaro o aguarda. O número doze está em numeral do lado esquerdo e sete estrelas estão posicionadas no meio da carta." class="wp-image-14835" width="313" height="505" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Na foto, um pássaro está voando com algo na boca (alimento ou galho) e chegando no ninho, onde outro pássaro o aguarda. O número doze está em numeral do lado esquerdo e sete estrelas estão posicionadas no meio da carta.</figcaption></figure></div>



<p>Neste ano, não tivemos nossa maior demonstração de liberdade: o carnaval. Em 1989, o Hino da Proclamação da República deu vida para um Samba Enredo no carnaval. O Hino da República traz o verso “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade, Dá que ouçamos sua voz!”, enquanto sua adaptação para o enredo apresenta: “Liberdade, Liberdade, Abra as asas sobre nós / E que a voz da igualdade, Seja sempre a nossa voz!”.</p>



<p>Não há liberdade sem coragem; então, ser livre é compartilhar nossa existência na forma mais pura e leve de coragem. Como você manifesta a sua coragem? O pássaro, quando pequeno, tenta voar e cai repetidas vezes. Por isso, a caminhada exige também paciência e sabedoria. Devemos acolher nosso passado com a mesma coragem que precisamos para viver nosso futuro. Liberdade para voar, camarada!</p>



<p>Hoje em dia, o passarinho não aparece mais na minha casa. Torço para que eu possa encontrá-lo em um dos nossos voos de liberdade.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7addb-ariadne-bedim.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14833 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Ariadne Bedim&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista formada na Universidade Federal de Juiz de Fora, doula, redatora da Sátia (Agência de Comunicação Consciente), fotógrafa documental e afetiva, futura antropóloga visual e&nbsp;encantada pelas existências místicas.</p>
</div></div>



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		<title>O DUPLO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era quarta-feira de uma semana banal, dessas muitas desde que entramos em isolamento. No Brasil, sempre foi banal essa história de morte e de falta de governo desde que Bolsonaro assumiu. Por mais que seja mórbido, tem sido nosso &#8220;novo normal&#8221;. Presos em casa e separados de quem faz bem ao pensamento. Salvar vidas é melhor, mesmo que com isso derretam as mentes; afinal, o paraíso vem depois, bem depois disso aqui.</p>



<p>Era quarta-feira à noite, para ser mais preciso. Eu tinha chegado em casa depois do dia inteiro na rua, resolvendo questões de menor importância. Me sentei à mesa para ler as notícias pelo computador quando ele puxou a cadeira que fica na cabeceira, perto de onde o gato cochilava. Pensei que fosse dizer sobre o aniversário que se aproxima na semana seguinte ou que fosse me demover do Tempranillo. Não fez. Acendeu um cigarro. Olhava pra mim sem piscar. A impressão é de que lia pelo reflexo nos meus óculos as mesmas coisas que eu via na tela. Vestia um blusão rosa, calça cáqui; estava descalço, mas de meias. Eu podia ver a borda de uma tatuagem debaixo da manga da camisa. Exceção era o relógio analógico que usava. Um relógio preto, Boss. Eu moro sozinho.</p>



<p>O apartamento é pequeno, embora seja bem dividido. Um quadrado quase perfeito com janelas grandes, de fundos. Nunca vi um vizinho sequer. Desci os nove andares de escada uma ou duas vezes sem usar o elevador, e, depois do clonazepam, não houve uma noite sequer que eu não tenha dormido inteira, e sozinho. Mesmo assim, ele estava sentado ali fumando, me lendo. O duplo.</p>



<p>Particularmente, não gosto de relógios senão como peças estéticas. Comprei um desses smart e foi a grande frustração dos meus quase trezentos reais. Mas ele, ele não usava como enfeite. Ele usava como fita métrica. Naquela cabeceira, eu escutava o ponteiro dos segundos gemendo. Gemia de prazer por passar, e gemia também de desprezo, porque eu não passava com ele. São mais de trinta anos vividos &#8211; dos quais, talvez, cinco ou seis tenham sido icônicos. O corpo, sozinho, não dormia mais. Comia duas vezes ao dia uma comida que, fosse qual fosse, tinha o mesmo gosto de sal e alho. Amava uma mulher que não confiava nele. O duplo era meu tempo ruminando sem glamour na noite desta quarta-feira qualquer.</p>



<p>É esse o muro? Aquele lugar onde se chega, respirando fundo, para dizer amanhã que ontem tudo aconteceu do melhor jeito possível? E assim se repetindo semanalmente, até que uma ponte de safena precise ser feita ou que a próstata inflame? O cigarro do duplo apagou; foi quando acendi o meu. O gato resolveu se deitar no teclado do computador, ronronando. Agora eram dois metrônomos: o felino e o mecânico. Eu, o mesmo.</p>



<p>&#8211; Rapaz, vai acabar isso tudo &#8211; ele me disse, mas a voz não era a minha. Era a voz de um homem velho &#8211; É uma questão de linguagem de amor. Não existe interruptor de afeto. Quem ama, ama o amor, seja lá o que isso for. O que muda é a palavra. Da palavra, a gente duvida; e quando ela fica em falso, os relógios comem pessoas.</p>



<p>Ele dizia isso batendo com o indicador no vidro da mesa, com uma força tão grande que eu cheguei a pensar que poderia quebrar. Por um minuto, tive a sensação de que deveria sentir medo daquilo tudo. Não tinha bebido, nem usado outra droga, mas era eu ali. Medo de mim, em que medida? Estava estranhamente confortável com aquilo.</p>



<p>&#8211; Esquece, já deu. &#8211; De onde estava, ele apanhou meu celular e o levantou na altura da cabeça &#8211; É por você que vai fazer isso. É assim que vai deixar de se distrair. Você está morrendo, menino; está 33 anos mais cadavérico. Quando se muda de cidade? Com quem deseja viver o restante da vida? Desistiu de ir para fora do país? Isso aqui, esquece. Transgrida pelo que e por quem valha a pena.</p>



<p>O gato se levantou do teclado. A quinta temporada de Rick and Morty ganhou um trailer e uma data de estreia. Ainda é quarta-feira à noite, e eu estou com fome agora. Na cadeira que fica na cabeceira, uma camisa cinza pendurada. No celular, uma mensagem que me diz: “<em>uma boa realmente, sempre foi o seu sonho</em>”. Mas, no meu maço de cigarros, estão faltando dois. Não tenho ideia do que aconteceu aqui. Eu moro sozinho?</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vinícius Lara&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
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