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	<title>Arquivos Ano 003, N 101 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>&#8220;MUITAS HISTÓRIAS IMPORTAM&#8221;: LITERATURA, HISTÓRIA E ÁFRICA A PARTIR DE &#8216;HIBISCO ROXO&#8217;, DE CHIMAMANDA ADICHIE</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/07/25/muitas-historias-importam-literatura-historia-e-africa-a-partir-de-hibisco-roxo-de-chimamanda-adichie/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[análise literária]]></category>
		<category><![CDATA[literatura africana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Moisés Corrêa Fonseca</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/07/25/muitas-historias-importam-literatura-historia-e-africa-a-partir-de-hibisco-roxo-de-chimamanda-adichie/">“MUITAS HISTÓRIAS IMPORTAM”: LITERATURA, HISTÓRIA E ÁFRICA A PARTIR DE ‘HIBISCO ROXO’, DE CHIMAMANDA ADICHIE</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Kambili é uma jovem da classe média alta de Enugu, cidade da Nigéria. Ela frequenta, juntamente com seu irmão Jaja, uma das escolas católicas da cidade. Seu pai, Eugene, se tornou cristão, muito por conta do seu contato com um dos discursos coloniais que chegaram à região onde ele morava, no interior do país. Beatrice, a mãe da família, é uma mulher sem voz. Por vezes, Kambili e Jaja acompanham os “corretivos” em socos e pancadas que Eugene a confere, alegando que esse tipo de atitude é para que a esposa tenha uma vida mais regrada e obediente. O silêncio é por vezes o lugar do medo, do terror e também das impossibilidades das crianças de fazerem algo contra o seu próprio pai. A vida de Kambili é tomada em rédeas curtas por Eugene, que faz análises rigorosas dos boletins da escola e também estipula tempos predeterminados para o lazer nos dias de semana.&nbsp;</p>



<p>A família possui condições muito distintas da maioria da população. Carros, casas em lugares diferentes, possibilidades de contato com o exterior através de viagens, além de outras experiências construídas e formuladas na maioria das classes médias altas de todo país são referências que fazem parte da vida deste núcleo familiar.</p>



<p>Kambili conhece muito pouco do lugar de origem de seus antepassados. Apesar disso, todos os anos eles costumam passar o Natal na cidade onde seu pai foi criado. Nesta data, Kambili e seu irmão possuem hora marcada para visitar o seu avô. Seu pai não gosta que eles gastem muito tempo por lá, pois Papa Nnukwu, como é chamado pelos seus netos, não foi convertido ao cristianismo e mantém em sua residência as possibilidades de vivência, sobrevivência e vida não afetadas diretamente pelos ideais coloniais; se tratando de um “verdadeiro” herege aos olhos de Eugene.&nbsp;</p>



<p>Não se pode comer e nem beber em casa de pagãos, não se pode falar em igbo, não se pode andar com quem não possui a razão e a lucidez de ser um cristão: estes são pontos defendidos pelo pai de Kambili, para que os filhos tenham uma educação à moda europeia e possam trilhar, na sua concepção, o “melhor” caminho possível. Porém, esta agressão simbólica passa a ser questionada a partir do contato de Kambili com sua tia Ifeoma, irmã de seu pai.</p>



<p>Apesar de ter tido pouquíssimo contato com a tia ao longo de sua vida, Kambili descobre as novidades de um mundo diferente quando ela aparece em sua casa, nos dias de Natal. Dada vez, Ifeoma convida os sobrinhos para passar dias em sua residência, em outra cidade do país, onde irão vivenciar outras experiências. A tia é professora e sempre desempenhou uma educação com seus próprios filhos por um viés diferente daquela trabalhada pelo seu irmão. Ifeoma relativiza e critica muitas das vezes as referências dos jeitos, trejeitos e ideias do Norte.</p>



<p>Serão nesses dias em visita a casa de Tia Ifeoma que Kambili muda e percebe a vida de forma completamente diferente daquela imposta pelo seu pai. A personagem passa a apontar o remo para outra direção, questionando as atitudes do chefe da família, dando mais atenção à relação com seu avô e demonstrando que é possível aprender e transformar o mundo a partir dos seus novos lugares de conhecimento.</p>



<p>Os indivíduos – e também seus grupos &#8211; fazem parte da produção e da contribuição de um lugar complexo, por onde são vetores de troca, trocas em si, e intercâmbios inseridos em um espaço-tempo determinado. Para isso, faremos uma navegação à literatura e teremos as palavras de Kambili como instrumento que nos ajudarão a perceber como podemos encarar outras possibilidades de construção do conhecimento e a complexidade da realidade retratada nas páginas de um romance.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Chimamanda Ngoze Adichie nos descortina em “Hibisco Roxo” a trajetória de Kambili, enfatizando que estamos diante de uma história importante a ser contada. A partir das experiências da jovem personagem, a autora nos apresenta o seu próprio mundo e também os lugares contemporâneos das relações sociais e de poder da Nigéria atual. Chimamanda constrói o texto de forma orgânica, sem fazer muitas descrições e promove a quebra de barreiras importantes na formação do romance. Entretanto, tomemos aqui, para uma discussão pontual, as letras da escritora como meio que extrapolam os traços estilísticos e nos fazem perceber uma realidade até então, muitas vezes, desconhecida; principalmente no Brasil.</p>



<p>É aqui que a literatura, a produção do conhecimento e a análise histórica passam a caminhar de mãos dadas nesse debate. Não é de hoje que esta intersecção se insere nas áreas do conhecimento que demonstram um intercâmbio fulcral para os estudos em geral. Muito se fez e falou com relação a este espaço no mundo acadêmico. Aqueles que se dedicaram aos estudos sobre África não deixaram esta discussão passar à margem e reverberaram este ramo do conhecimento desde pelo menos os anos 1970.</p>



<p>No terreno dos estudos literários, a análise se construiu a partir de diversos autores que o pisaram em busca de trabalhos que traduzissem e permitissem a observação em diferentes ramos e caminhos, fazendo brotar estudos acerca das literaturas em África e da sua produção estilística.</p>



<p>Laura Padilha e Rita Chaves foram autoras importantes para se pensar as narrativas literárias dos países lusófonos em África. Seus trabalhos se concentram nas análises de formação dos romances e também nas perspectivas em que estes abordam e retratam os projetos nacionais, aliados a uma ideia de “nação” repensada para as possibilidades específicas das realidades dos países africanos em questão.</p>



<p>Outro destaque são os escritos de Ana Mafalda Leite que percebeu a peculiaridade das literaturas em África por conta da sua íntima relação com a oralidade e os aspectos da construção social, vistos nas páginas dos romances, a partir de uma dada singularidade das sociedades que os produziam. Assim, a autora nos leva a uma perspectiva única, elencando as visões de mundo originárias de um lugar onde a escrita não era um elemento importante de difusão do conhecimento. Uma literatura, por isso, com traços e com o fazer transbordar de linguagens e línguas não dantes grafadas.</p>



<p>Por outro viés, José Carlos Venâncio percebe a literatura angolana atrelada a sua realidade social, num sentido bastante parecido com a dialética proposta por Antonio Candido. A literatura e a sociedade, para o autor, caminham juntas, fazem perceber uma maré complexa da realidade que também se insere na escrita de cada autor e sopra, com ventos fortes, a lugares diferentes da construção do romance, onde a palavra se torna uma transformação da realidade; fazendo com que ele também esteja inserido em um espaço-tempo determinado e contenha elementos do seu meio social em sua formação.</p>



<p>Entretanto, para que possamos transportar Kambili e sua família para os estudos epistemológicos, podemos tentar entender este lugar de conexão por outra proposta de formulação do romance: do seu lugar na sociedade e das possibilidades de leituras que podemos fazer a partir de suas letras acerca de alguns grupos contemporâneos na Nigéria e de suas realidades. Entretanto, este lugar esteve há muito esquecido dos olhos dos intelectuais no mundo ocidental.&nbsp;</p>



<p>O que importa é aquilo que está escondido e que esteve silenciado.</p>



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<p>Eis que se chega a outro ponto de encontro: Karen Barber nos elucida como a literacia produzida nas sociedades africanas pode ser vista como processos múltiplos de emersão de histórias, que há muito estiveram escondidas. As obras de arte, considerando a produção artística de um modo geral, possuem propriedades porosas onde se constituem em diálogo íntimo com a sociedade em que está sendo formada. É poroso, pois se acredita que há um pouco de “eu” e um pouco de “todos”. A porosidade nos faz descortinar a partir de então, sob a ótica de Barber, as possibilidades de trabalho com a obra “Hibisco Roxo” sob o prisma elucidado, “fazendo emergir histórias”.</p>



<p>Não é a primeira vez que o silêncio e o esquecimento acerca dos lugares e também dos grupos em África se fazem presentes. Foi nessa vertente que nos anos de 1990, Michel-Rolph Trouillot pensou a construção da história e da historiografia a partir das relações de poder e das relações sociais, partindo de exemplos das histórias dos negros na diáspora e também acerca dos grupos que compõem as sociedades africanas.</p>



<p>Trouillot elenca as particularidades da construção do pensamento historiográfico nas vias de silenciamento que foram dadas aos estudos acerca da história da África, lembrando-nos que a historiografia está em disputa e ela se instaurou em uma produção do conhecimento eurocêntrico e bastante marcado pelo discurso colonial, que ainda hoje impregna fortemente a maioria da produção intelectual, fazendo-se legitimar, muitas das vezes, desconsiderando outras possibilidades de “fazer” o pensar.</p>



<p>É nesse ponto que Boaventura de Sousa Santos faz parte desta possibilidade de diálogo e entra profundamente em nosso debate. Ao propor o olhar para as formas de pensamento pós-abissal, para que possamos enxergar outras formas de criação e formação do conhecimento, que não àqueles que estiveram atrelados aos estudos das perspectivas do Norte; Boaventura nos convida a saltar, a perceber outros espaços epistemológicos e também a dar voz e vez a outros atores socais. O autor também nos lembra como é complicado um pensamento longe das categorias, ideias e visões de mundo marcadamente eurocêntricas, que conjugaram relações políticas de dominação hegemônicas e fizeram reverberar as regras do capitalismo como um modelo-padrão europeu, em seus diversos desdobramentos pelo mundo.</p>



<p>É por isso que podemos tentar entender as letras de Chimamanda Adichie em “Hibisco Roxo” como possibilidades de construção e transgressão para um conhecimento diversificado, outro, alternativo – pós-abissal.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>É evidente que, para este debate, houve muitas contribuições anteriores que não podem deixar de ser mencionadas. Além de Trouillot e Boaventura de Souza Santos (que são essenciais para esta perspectiva de análise), os debates permeados nos estudos desde os pensadores pan-africanistas, por exemplo, são de fundamental importância para este legado e para a abertura dos caminhos que podemos percorrer atualmente.</p>



<p>Assim, seguindo na linha que nos foi dada pelas ideias de Karen Barber enquanto instrumento para análise do texto de Chimamanda, adentramos a uma encruzilhada rica, fazendo diálogo com diferentes autores e autoras, como os anteriormente citados, onde podem ser ajuntadas as visões de Bell Hooks e Jean-Loup Amselle.</p>



<p>Por isso, também levando em consideração os autores mencionados, podemos perceber em “Hibisco Roxo” a possibilidade de “transgressão” assim como trabalhada por Hooks. Por conta de a autora vincular esta ideia à área da Educação, é notório que a questão do ensino-aprendizagem está relacionada, sobretudo, a formulação de uma nova construção do conhecimento, que a partir de “Hibisco Roxo”, está relacionada a um elemento pós-abissal, assim como considerado por Boaventura de Sousa Santos.</p>



<p>A transgressão vem na medida do conhecimento, da quebra dos estereótipos que possuímos sobre as Áfricas e também sobre as realidades e possibilidades de relações sociais que estão se dando na contemporaneidade nos países do continente. Além disso, a possibilidade de transgredir está no “fazer conhecimento” a partir da ciência dessa realidade, ou seja, ao tomarmos contato com o texto de Chimamanda também estamos nos conectando à dada realidade retratada a partir das construções de possibilidades de leituras, conhecimentos, culturas e sociedades diferentes; abrindo-nos um leque de novas opções e olhares.</p>



<p>Já a contribuição deixada por Jean-Loup Amselle para análise do romance, vem a cargo de suas leituras sobre as conexões. O autor salienta que percepções sobre as sociedades africanas ainda possuem grande dose de lentes e olhares eurocêntricos, não só por grupos exteriores, mas também pelas próprias elites locais que corroboraram e corroboram o discurso do colonizador que transborda ainda hoje na colonialidade de determinados conceitos ou ideias e nas relações sociais entre os grupos. Ainda com Amselle, podemos considerar como chave de leitura que a sua formulação sobre as possibilidades intermitentes de construção a partir das trocas e conexões nos espaços africanos sempre se deram, fazendo com que tenhamos ciência de que estes lugares sempre possuíram relações complexas de troca e possibilidades de intercâmbio até mesmo dentro do próprio continente.&nbsp; Conseguimos perceber isto a partir das ideias de “sociedades englobantes” e de “sociedades englobadas”, caracterizando as multiplicidades de relações existentes, tanto na construção do poder como nas interfaces sócio-econômicas e culturais.</p>



<p>&nbsp;Indo um pouco mais além, usando a chave de Karen Barber para estudo do texto de Chimamanda e a partir das possibilidades de transgressão para a construção de um conhecimento outro, atrelado a ruptura da linha abissal; podemos considerar o texto como um lugar onde enxergamos uma dada realidade na Nigéria no mundo contemporâneo. Assim, também é possível considerar Kambili, nesta leitura, como troca em si, vetor de trocas que está em um local de intercâmbios intensos, que já vieram se dando ao longo dos tempos e de que a personagem pode ser lida como um eu poroso, observável. Isto faz com que o romance possa ser visto como um objeto que pode ser utilizado para uma nova construção do conhecimento, rompendo o silêncio e transgredindo as leituras até então realizadas, fazendo emergir outras visões acerca das sociedades em África.</p>



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<p>Tomar o texto de Chimamanda Adichie como um objeto de estudo é perceber algumas características importantes que estamos tentando desenvolver neste debate. Tomando de empréstimo o título de Achille Mbembe em seu artigo que disserta sobre as formas africanas de auto-inscrição, temos aqui a visibilidade de outra possibilidade de entender e compreender África nas suas “escritas e inscrições” .</p>



<p>Possibilidade esta, vista aqui como um lugar que a literatura ocupa a partir de seus reflexos – retrato –, configurando e sendo configurada por uma realidade muito própria da autora do romance; fazendo com que no Brasil, tenhamos contato inédito com este tipo de cenário e personagens. Lê-lo como um possível retrato em vias de formação é entender justamente as alternativas de inscrição, utilizando a palavra no sentido de Mbembe.</p>



<p>Além disso, a obra a partir dessa perspectiva construtiva dos diálogos anteriormente feitos entre os autores neste trabalho remete a um espaço-tempo singular, em que se dão diversas conexões e relações, seguindo na linha de Amselle; sendo também seus personagens as próprias conexões e elementos que produzem e realizam os intercâmbios. Visto isto, são atores socais de seu trajeto, também configurados pelas influências dos grupos e sociedades a que pertencem, onde estão inseridos – ou seja, uma formação em caráter dialético. Neste ponto, Kambili é o exemplo do contato, da inserção e produção de diversas estratégias e possibilidades culturais, das relações de poder e das organizações sócio-econômicas a que pertence e as quais produz.</p>



<p>Por conta desta complexidade, diversidade, particularidade, e ineditismo aos olhos dos leitores; temos então a possibilidade da quebra do silêncio. Silêncio este em dois vieses: do conhecimento acerca das sociedades africanas; e das possibilidades de construção do conhecimento que surgem a partir das narrativas e do tomar contato com estas outras realidades.</p>



<p>Por isso que Trouillot pode ser um elemento crucial para o entendimento dessas conexões realizadas neste trabalho. A narrativa contemporânea do romance de Chimamanda possivelmente releva lugares, pessoas, experiências que estiveram silenciadas por muito tempo, a partir das relações de poder que foram estruturadas e perpetuadas a partir do discurso da hegemonia eurocêntrica, colonial, branca. É possível que a partir deste romance, assim como tantos outros que nos chegam aos poucos pela travessia das letras pelo Atlântico, possamos tomar ciência e ter contato com aquele que sempre esteve muito próximo, mas que por conta dos estereótipos ainda não tinha se dado o valor em forma de conhecimento e desmistificação dos seus fazeres, viveres, relações sociais, políticas, etc.</p>



<p>Por isso, Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Meneses organizando ideias acerca das epistemologias do Sul são também ponto de suporte teórico fundamental para explorarmos este romance. Significa que ao compreendermos estas ideias, tomamos esta narrativa como possibilidade de abertura para atravessar a linha abissal dos conhecimentos.&nbsp;</p>



<p>Pensando a construção da trajetória historiográfica feita por Trouillot, a obra nos faz lembrar os discursos do poder e a supressão das outras possibilidades de experiências “válidas”, que foram apagadas, e que estiveram esquecidas nas valorizações dos saberes existentes, ditos como “históricos”, “permitidos” e construídos enquanto “legítimos” de serem estudados pelos intelectuais como algo natural ao longo de muitos anos.</p>



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<p>“Hibisco Roxo” é um pote de tinta para uma arte a ser realizada.</p>



<p>Na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em sua primeira sala da exposição permanente “Arte no Brasil”, um quadro de Stephan Kessler retrata o continente africano à moda europeia nos idos do século XVII. O quadro possui uma composição escura. Retrata os seres humanos envoltos por animais, apesar de distinguir alguns outros com indumentárias comumente relacionadas aos lugares sociais europeus e as manifestações de poder da Europa. A natureza é abundante. Kessler não deixou escapar de seus pincéis os relatos que lhe chegavam aos ouvidos, do período em que os europeus começaram a conhecer as sociedades africanas.</p>



<p>Obviamente que esta retratação não condiz e nem é aquilo que foi visto pelos europeus nas suas experiências em viagens na África. Muitos estudos já trabalharam estes aspectos nos relatos de viajantes, analisando as falas dos europeus acerca do continente, das suas ideias em relação aos povos que o habitam e o habitaram, fazendo com tenhamos esta visão ainda hoje. Muitos trabalhos também assinalaram de maneiras criteriosas essas representações e as construções desses discursos, rompendo com as ideias do que era “verdadeiro” e “civilizador” para os europeus. Entretanto, o quadro de Kessler é um resquício ainda bastante vivo das representações no imaginário ocidental sobre as realidades múltiplas em África, que foram por muito tempo chapadas ao local do preconceito e submissão.</p>



<p>O que se põe aqui é: em que medida o quadro de Kessler representa os elementos da “verdade” construída pelo discurso colonial e eurocêntrico? É possível fazermos uma análise desta obra por este caminho. Porém, o que pode mais nos interessar aqui é o seu valor simbólico enquanto resquício da “verdade”, de um dado discurso construído e perpetuado no mundo contemporâneo. O quão esta imagem se fez importante para a construção de uma “verdade” dando subsídio à colonialidade do saber e à subjugação de diversos seres humanos? O que “Hibisco Roxo” nos mostra é que existe a possibilidade de pintarmos de outras formas, com outras tintas, fazer uma obra de arte diferente, aquela que Barber nos alertou estar escondida.</p>



<p>A produção do conhecimento pode ser uma obra.</p>



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<p>Anderson Oliva em um artigo nos lembra a importância e as trajetórias dos estudos acerca da história da África para formação de professores: não estudar África hoje é uma impossibilidade. Apesar das enormes discussões que vieram se engendrando em diferentes campos do saber, a produção de um conhecimento historiográfico nessa área se tornou fulcral quando se começou a formar professores para o trabalho na Educação Básica no país. É impensável imaginar a produção do conhecimento hoje sem Áfricas.</p>



<p>Isto também deveria decorrer por conta de suas inúmeras trocas, complexidades e diversidades. Pensando na esteira da abordagem de Oliva; as sociedades em questão possuem escolas, olhares e discursos acerca dos seus patrimônios, “verdades” e estratégias de relações sócio-políticas; além de outras inúmeras formas de expressão e reverberação de seus contatos com o mundo que nos são caras por se tratarem de possibilidades distintas daquelas que sempre estivemos produzindo, discutindo e realizando. Apesar de percebermos que nessas mesmas sociedades existem relações de poder atreladas aos discursos coloniais, olhares marcadamente hegemônicos e dominadores; é aí que se engendram, sobretudo, as suas possibilidades de leituras e aberturas de conhecimento: nas rupturas, nas disputas e nos diversos complexos do saber que se engendram e são engendrados.</p>



<p>Tomar contato com estes lugares, por diferentes meios, é possível que seja começar a pisar no terreno daquilo que Boaventura de Sousa Santos considera enquanto pós-abissal. Pode ser justamente olhar para outra realidade. Não enquanto exótica, cristalizada, pura – coisa que ainda temos que trabalhar, pois a construção do pensamento veio por este viés, principalmente por conta dos estudos antropológicos e sua força inegável na construção desse espaço desigual do saber acerca das sociedades do continente africano e dos seus conhecimentos.</p>



<p>Portanto, é uma alternativa considerar as letras de Chimamanda enquanto retrato, como um objeto não só para a produção do conhecimento, mas como um elemento que possui um conhecimento que transgride, modifica, que pode ser observável enquanto pós-abissal. Além dos outros pontos relevantes que vimos no romance à luz dos autores e autoras elencados, fixa-se também a importância, a contribuição e a perspectiva desconhecida que a obra é capaz de incitar e de nos fazer perceber outras realidades que não aquelas marcadas pelos estereótipos, pelo discurso colonial hegemônico e eurocêntrico; tanto na compreensão de uma dada realidade, quanto para a produção do conhecimento.</p>



<p>Porém, não é somente no romance em que podemos enxergar estas possibilidades. Possivelmente, a historiografia acerca da história da África que vem sendo desenvolvida e trabalhada é bastante importante por conta desses mesmos mecanismos de reverberações. Mas para isso, é necessária uma história crítica da historiografia sobre a história da África no momento mais recente, pelo menos com aquilo que é trabalhado e produzido no Brasil.</p>



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<p>Kambili é atriz social, é troca, é produção de conhecimentos – em um dado espaço-tempo. É disputa e conflito. É uma possibilidade para outros trilharem caminhos diferentes a partir de novos olhares.</p>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>ADICHIE, Chimamanda Ngoze. <em>Hibisco Roxo. </em>São Paulo: Companhia das Letras, 2011.</p>



<p>AMIN, Samir. <em>Eurocentrismo: crítica de uma ideologia</em>. Lisboa: Dinossauro, 1994.</p>



<p>AMSELLE, Jean-Loup. &amp; M’BOKOLO, Elikia. (orgs.) <em>Pelos meandros da etnia: etnias, tribalismo e Estado em África</em>. Lisboa: Ed. Pedago, 2014.</p>



<p>AMSELLE, Jean-Loup. <em>Branchements. Antropologie de l’universalité des cultures. </em>Paris: Flammarion, 2001.</p>



<p>APPIAH, Kwame Anthony. <em>Na casa de meu pai: a África na filosofia da cultura</em>. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.</p>



<p>BARBER, Karen. <em>Africa&#8217;s Hidden Histories: Everyday Literacy and Making the Self. </em>Cambridge: Cambridge University Press, 2012.</p>



<p>bell hooks. <em>Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade</em>. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.</p>



<p>BARBOSA, Muryatan. <em>Eurocentrismo, história e história da África. </em>Sankofa. São Paulo, v. 1, nº 2, 2008.</p>



<p>FANON, Frantz. <em>Os condenados da terra</em>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.</p>



<p>_____________. <em>Pele negra, máscaras brancas</em>. Salvador: EDUFBA, 2008.</p>



<p>MBEMBE, Achille. <em>As formas africanas de auto-inscriçã</em>o. Estudos Afro-Asiáticos, ano 23, nº 1, 2001, 171-209.</p>



<p>OLIVA, Anderson Ribeiro. <em>A história da África em perspectiva</em>. Revista Múltipla. Brasília, 10(16): 9- 40, jun., 2004.</p>



<p>______________________. <em>A história africana nos cursos de formação de professores: panorama, perspectivas e experiências</em>. In Revista Estudos Afro-Asiáticos, v. 28, n. 1-3, p. 187-219, jan./dez.</p>



<p>______________________. <em>Lições sobre a África: diálogos entre as representações dos africanos no imaginário ocidental e o ensino da história da África no mundo atlântico (1990-2005)</em>. Brasília: Tese de Doutorado, UnB, 2007.</p>



<p>SANTOS, Boaventura de Sousa. <em>Para além do Pensamento Abissal: Das linhas globais a uma ecologia de saberes. </em>In: SANTOS, Boaventura de Sousa &amp; MENEZES, Maria Paula. (orgs.) <em>Epistemologias do Sul.</em> São Paulo: Ed. Cortez, 2010.TROUILLOT, Michel-Rolph. <em>Silencing the Past: Power and the Production of History</em>. Boston: Beacon Press, 1995.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-17210 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?w=2056&amp;ssl=1 2056w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59881-moises-correa-fonseca.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Moisés Corrêa Fonseca</strong> é doutorando no Programa de História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em História, licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense. Atuou no Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, como Assistente de Pesquisa e exerceu atividades com acervos históricos, fontes orais e material audiovisual enquanto esteve no Museu da Pessoa. Foi produtor cultural e professor na iniciativa coletiva Aprender com África e professor substituto na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora.</p>
</div></div>



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		<title>UM BREVE DIÁLOGO SOBRE O PAPEL DA MULHER NO PERÍODO COLONIAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[direitos das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[história das mulheres no brasil]]></category>
		<category><![CDATA[mulher na sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[papel social da mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Cynthia Cavalcante</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p>Quem passeia desatento pelas ruas e vielas do Rio de Janeiro não imagina as histórias que essas antigas construções têm para nos contar.</p>



<p>No período da fundação da cidade a dominação sobre os corpos e liberdades das mulheres pelo patriarcado era visível. Aquela sociedade entendia que, para o homem “a rua significava a liberdade, o desconhecido, e para a mulher a perda da virtude”. As mulheres, normalmente as com melhor poder aquisitivo, quase nunca eram vistas passeando pelas ruas da cidade&#8230; alguns historiadores afirmam que isso ocorria porque as ruas eram sujas e mal-acabadas, o que as impedia de andar livremente. As mulheres pobres, aquelas que precisavam trabalhar para sobreviver, elas não podiam se dar ao luxo de ficar em casa, se dedicando aos filhos e ao marido.&nbsp;</p>



<p>A Santa Casa de Misericórdia, no Centro do Rio de Janeiro, é sem dúvida a melhor construção para voltar no tempo e aprofundar, bastante, sobre como era o papel da figura feminina no período colonial. Neste local de amparo havia um setor chamado Recolhimento, onde eram recebidas mulheres por diversos motivos, como: órfãs à espera de um marido, esposas desobedientes, viúvas, mulheres que queriam seguir a vida religiosa, mulheres que queriam fugir de maridos extremamente dominadores, ou seja, um local que simbolizava o que havia de mais cruel na dominação masculina, mas que também servia como um recurso de fuga e resistência.</p>



<p>Naquele tempo, ler e escrever eram atributos exclusivamente masculinos. As mulheres que quisessem estudar deveriam adentrar no convento feminino, única alternativa para dedicação aos estudos, pois os homens consideravam não ser necessário ter educação letrada para a realização das tarefas doméstica.</p>



<p>Sob o olhar dos colonizadores e principalmente da igreja, essas mulheres deveriam cumprir um papel que se resumia em cuidar do lar, dos filhos e do marido, pois eram vistas como inferiores e ocupavam o mesmo lugar que as crianças e os doentes mentais, tamanha insignificância a que foram designadas.</p>



<p>Até mesmo alguns viajantes estrangeiros se mostravam perplexos ao relatarem a forma como essas mulheres viviam confinadas e sob constante vigilância em suas casas. Este atento olhar estrangeiro compreendeu que as casas cujas fachadas eram dotadas de gelosias cerravam um espaço de confinamento feminino em seu interior. De origem árabe, as gelosias eram janelas de madeira que se abriam verticalmente para o exterior e, apesar de seu curto movimento, permitiam alguma circulação de ar no ambiente. Ademais, essa diminuta abertura possibilitava ao morador observar a movimentação das ruas sem ser notado por quem estivesse do lado de fora.</p>



<p>Foi somente no século XIX, com a chegada da corte portuguesa, que os moradores foram obrigados a trocarem suas janelas, adaptando-as para o uso do vidro. Neste momento a luz e uma melhor circulação de ar passaram a adentrar nessas residências, simbolizando uma cidade com ar civilizado, moderno e europeu.</p>



<p>Com a abertura das janelas e uma maior exteriorização dos lares, o convívio social, costume tipicamente francês, se tornou intenso e as mulheres passaram a frequentar os eventos sociais e passou a conquistar seu espaço na sociedade.</p>



<p>Hoje, das gelosias, não nos contam mais as antigas casas, que preferem esquecer esse tenebroso passado, mas se fazem imortal em outra voz que todos paramos para ouvir, na canção Flor da Idade, de Chico Buarque, que continua se referenciando à mulher, mas agora sob uma outra ótica.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right">A gente faz hora, faz fila na vila do meio-dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
</pre>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>BARBOZA, Ana Caroline Frigéri; TRIVIZOLI, Lucieli M. Gelosia: um método de multiplicação medieval. <strong>Revista de História da Matemática para Professores</strong>, Natal/RN, v. 4, n. 1, mar. 2018.</p>



<p>BARRA. Sérgio Hamilton da Silva. <strong>Entre a corte e a cidade</strong>: o Rio de Janeiro no tempo do rei (1808-1821). 2006. 156 p. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura do Departamento de História da PUC-Rio, Rio de Janeiro, 2006.</p>



<p>CAVOUR, Renata Casemiro. <strong>Mulheres de família</strong>: papeis e identidades da prostituta no contexto familiar. 2011. 148 p. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – PUC-Rio, Rio de Janeiro, 2011.</p>



<p>KONKEL, Eliane Nilsen; CARDOSO, Maria Angélica; HOFF, Sandino. A condição social e educacional das mulheres no Brasil Colonial e Imperial. <strong>Revista Roteiro</strong>. Santa Catarina: Editora Unoesc, v. 30, n. 1, p. 35-60, jan./jun. 2005.</p>



<p>MENDONÇA, João Guilherme Rodrigues; RIBEIRO, Paulo Rennes Marçal. Algumas Reflexões Sobre a Condição da Mulher Brasileira da Colônia às Primeiras Décadas do Século XX. <a href="https://dialnet.unirioja.es/servlet/revista?codigo=25741"><strong>Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação</strong></a>, ISSN-e 1982-5587, <a href="https://dialnet.unirioja.es/ejemplar/473572">v. 5, n. 1, 2010</a>, págs. 93-104.</p>



<p>SILVIA. Letícia Ferreira da; CASTILHO, Maria Augusta de. Brasil Colonial: As Mulheres e o Imaginário Social. <strong>Revista Cordis</strong>, São Paulo, n. 12, jan./jun. 2014, p. 257-279. (Mulheres na História).ZONZINI, Cleudiana dos Santos Feitoza. <strong>Método Gelosia</strong>: facilitando a multiplicação. 2015. 33 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Faculdade de Letras, Universidade de Brasília, Brasília, 2015.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="341" height="341" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce62-cynthia-cavalcante.png?resize=341%2C341" alt="" class="wp-image-17204 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce62-cynthia-cavalcante.png?w=341&amp;ssl=1 341w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce62-cynthia-cavalcante.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce62-cynthia-cavalcante.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ce62-cynthia-cavalcante.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 341px) 100vw, 341px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Cynthia Cavalcante</strong> é graduada em artes plásticas pela Escola de Belas Artes da UFRJ, mestre em História da Arquitetura pela UFRJ, Arte Educadora pela UERJ e, atualmente, cursa Especialização em Saberes e Fazeres no Ensino de Artes Visuais pelo Colégio Pedro II, além de Coordenar o Centro Multimídia do Ecomuseu Ilha Grande.</p>
</div></div>



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		<title>MANIFESTO &#8211; ARTE CRUEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[coisificação do homem]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo neoliberal]]></category>
		<category><![CDATA[elevação do homem a símbolo]]></category>
		<category><![CDATA[impacto do cristianismo na arte]]></category>
		<category><![CDATA[impacto do neoliberalismo na arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victor de Lucca</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p>O significado macabro instituído pelo cristianismo em expressões como: crueldade e sacrifício – é uma criação constante e paralela ao real e natural. A ideia deturbada do sacrifício cristão vem para perdurar a dor e martirizar o invólucro da alma (corpo), é para difundir a constância de “piedade” e por consequência o controle dos instintos, dos saberes e da própria consciência. Há um desalinho com a ideia genuína de sacrifício, o instante não existe e o ato de martírio é deturpado.</p>



<p>A ideia do sacrifício primal, descrito por autores como Georges Bataille, tem como significado o movimento. Dentro das artes visuais, podemos interpretar como a constante vontade de transcender/transfigurar, compreender que o ato da ação destrói, não o ser mas os laços de subordinação que o aprisionam. O ato descrito como “violento” – praticado por algumas ações de mutilações dentro da ideia de uma arte sacrificial, ou como acredito que deva ser sua nomenclatura: a arte cruel ou exercício da crueldade, é a afirmação profunda do sacrifício, sem a intervenção da interpretação rasa das religiões monoteísta. Transcende (Sobrepuja ou transpassa) a violência e a<br>crueldade aos sistemas de opressão e seus intolerantes ditames de dominação. Apercebe-se imagens que instigam, mesmo que por instantes, à apreensão e angústia, despertam a nostalgia da iminência, à altura da qual só a “violência” do oprimido contra o opressor tem a força de nos elevar.</p>



<p>No momento em que tentamos compreender a redução do Homem ao estado de coisa (o chamado capital humano) e não mais como um animal racional e sua relação natural com a vida e morte. As ideias de Bataille em sua reintrodução do sacrifício da antiguidade &#8211; na tentativa de compreensão da sexualidade, interditos, transgressão, capitalismo, impacto da obra industrial etc. &#8211; possam conduzir e romper laços de subordinação que aprisionaram e aprisionam os Homens. Mas o foco da arte cruel deve<br>ser &#8211; não uma luta contra a produção ou progresso, mas sim contra a revelação de um mundo onde a coisa reduziu tudo e mecanizou todos.</p>



<p>Hoje, mais do que nunca, é premente devolver ao sacrifício seu significado originário e retirá-lo do seio cristão. Pois o sacrifício da cristandade – cooptado pelo sistema neoliberal – revela a miséria das posições equívocas, as quais o Homem e a sociedade perpetuam o constante flagelo e martírio por um bem maior, e de um sistema econômico em constante convulsão e embate: o Deus cristão tem uma conotação mercadológica no século XXI. O sacrifício neoliberal, que só pune o mais fraco e reproduz o ciclo plutocrático, está no cerne de um sistema esgotado e falido. Os acontecimentos contemporâneos só reafirmam a sua falência – pandemias globais, crescimento das desigualdades sociais e mudanças climáticas. O cérebro da arte cruel foca em retomar o debate sobre o sacrifício antigo conduzindo ações que toquem em tensões sociais e econômicas, ações que resistem mesmo com as tentativas típicas da<br>racionalidade neoliberal em extirpa-las (na sua tentativa de reduzir o Homem a capital humano sem a sua validade política). Em se tratando de artes visuais situadas e sitiadas por essa premissa econômica, em que o artista se tornaria apenas um grande exercício empreendedor, em que todo pensamento político já está previsto dentro da atuação de mercado. Talvez esses questionamentos estejam voltados para uma dessemelhança possível, um retorno à ideia inicial de deformação das formas humanas ou o sentido sacrifício em seu verdadeiro significado – o significado não messiânico. Mas, métodos de criação ou exercícios de crueldade, em que a função é a criação de imagens deformadas e mutiladas para borrar as linhas mercadológicas, reatualizariam e refariam a ideia de corpo, ele que é desfigurado e reconfigurado diversas vezes. Agora, as perguntas necessárias são: o corpo aguenta mais mutilações? Há bases para questionar o capital humano e seu impacto na ressignificação do sacrifício, principalmente na leitura das artes?</p>



<p>Na arte da crueldade, tais perguntas são respondidas ao criar ações que diagnosticam, denunciam e reafirmam essa fragmentação nos significados de sacrifício, transgressão e deformação, sempre remetendo ao fator primal e em consonância ao ser natural. A constância da transgressão também deve ser levada em conta dentro do interdito, como também sua previsão. Contudo, o limiar entre constância, elevação e diminuição, há uma imprevisibilidade e muita expansão fora dessa previsão, e são patamares diferenciais para a solução do interdito. Há muitos desafios e dificuldades como: resistir e sobreviver ao enfrentamento num sistema que pressiona a fixação do homem como apenas um objeto ou coisa. É premente transgredir e insurgir – mesmo que minimamente. Sob amarras de subordinação, constatamos desde o fim do século passado uma gama de ações performativas que abordam a imagem desse corpo<br>sacrificado ou martirizado, em busca de transgredir e insurgir tais amarras. Assim, devemos levar o artista que envolve o sacrifício sobre um signo de excesso e martírio ao nível em que a representação – nas mais diversas imagens e sentidos – um corpo que se destrói e reconstrói para criar figuras, mesmo que dentro da estratégia narcísica do neoliberalismo para (o desde si) disseminar discursos políticos, sociais, éticos, indenitários que denunciem a dominação opressiva do sistema. Para concluir, em uma<br>alusão de Bataille sobre o corpo sacrificial e o exercício proposto de uma crueldade explosiva ao ponto de ser uma crítica à ação antinatural dos Homens: elevados a sacerdotes, mártires, santos e governantes da terra em que não são nada além de Homens.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-17216 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca315-victor-de-lucca.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Victor de Lucca </strong>é graduado em Arquitetura e pós-graduando em Artes pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, vem desenvolvendo pesquisa sobre as artes do corpo nas linguagens da arte sacrificial. O artista utiliza da videoarte, fotografia, performance e pintura performática para desenvolver teoria sobre uma “arte cruel” ou arte da crueldade, na qual a criação de imagens de um corpo martirizado pode romper laços de dominação e subordinação. Essas ideias vêm de uma longa pesquisa de pós-graduação e as influências do artista com sua origem indo-europeia.</p>
</div></div>



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		<title>A HORA DA BRINCADEIRA NO JARDIM II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[acessibilidade na arte]]></category>
		<category><![CDATA[análise de processo criativo]]></category>
		<category><![CDATA[arte-educação para deficientes visuais]]></category>
		<category><![CDATA[experimento artístico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Aninha Pinke</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>&#8220;A hora da brincadeira no Jardim II&#8221; é um experimento de ilustração tradicional/registro em técnica mista das minhas experiências infantis (as chamadas &#8220;memórias visuais&#8221;) no espaço do caderno de artista, aliado ao estudo da inclusão de deficientes visuais no consumo&nbsp;e ensino das Artes Visuais.</p>



<p>Este trabalho surgiu em dois âmbitos de pesquisa: o estudo universitário para a&nbsp;inclusão de deficientes visuais em espaços de arte, por meio da produção de audioguias&nbsp;feitos de acordo com a estrutura do AEB (Art Education for the Blind), e uma pesquisa artística pessoal na construção&nbsp;(ou aqui melhor dizendo, reconstrução) do que eu como artista chamo de &#8220;composição em sketch duplo&#8221;.&nbsp;Ou seja, ao invés de criar desenhos em apenas uma folha do sketchbook, explorando as particularidades do papel levemente encerado (dentre outras) do caderno Moleskine com diversos materiais, técnicas e texturas visuais, estes desenhos são construídos na extensão das páginas que são visíveis quando se abre o caderno.</p>



<p>Memórias visuais é uma forma de memória que reúne várias sensações quando temos uma experiência visual. O que lembramos pode ser um objeto ou uma vivência e não consiste apenas da visão. Quando relembramos de uma vivência, lembro não do fato em si, e sim das sensações que a permeiam. Só conseguimos criar uma memória visual a partir da referência que temos. Cada um tem vivências personalizadas e próprias.<br><br>No caso da deficiência visual, a formação da memória visual se dá apenas quando o indivíduo nasce com o sentido da visão, pois é como uma pessoa guarda uma memória visual. Portanto, quem guarda memórias visuais, consegue se lembrar das imagens, luzes e cores que conheceu. Já quem nasce sem a capacidade da visão, porém, jamais pode formar uma memória visual, pois não possui lembranças visuais.</p>



<p>A memória visual que decidi retratar se passa por volta do ano de 2002, quando eu estava no Jardim II. Estudava em uma pequena escola em Campinas-SP, chamada Colégio Básico. Meu uniforme era uma camiseta amarela clara com bordado azul marinho. Meu cabelo loiro avermelhado (que se tornou mais tarde um castanho claro) era um corte chanel e minha mãe prendia ele em pequenas maria-chiquinhas presas com pequenas presilhas do tipo piranhas. A que eu mais lembro era um par de piranhas amarelas com desenhos do personagem Piu-piu.<br><br>Nessa escola, a hora das brincadeiras na brinquedoteca eram as minhas favoritas. Como uma criança que amava brincar sozinha, havia muitas coisas legais lá. Lembro que esse espaço era localizado em um grande salão com pé-direito alto, dividido com divisórias de plástico (do tipo de escritório) e a porta desse espaço com divisórias era uma porta de correr. A luz do salão vinha de uma janela e não de lâmpadas.<br><br>Dentro desse espaço havia estantes de metal escolares cheias de gibis, revistas e livros infantis, mesinhas com cadeiras infantis, caixas com muitos brinquedos e jogos, misturados com teclados de computador, espátulas de cozinha e frigideiras sem uso. Além disso, lembro que havia uma arara cheia de fantasias. A minha favorita era uma fantasia da Power Ranger amarela, a qual era muito disputada pelas crianças (principalmente, pelas meninas), pois ela era o personagem mais “dahora” da série.<br><br>Decidi retratar, neste desenho, uma brincadeira muito memorável que eu tive. Nesse dia (lembro que era uma aula e não um recreio), peguei de uma das caixas de brinquedo uma frigideira, uma espátula e umas letras de EVA coloridas, e comecei a fingir que estava fritando pastel com as letras de brinquedo e lembro que comecei a imaginar a sentir o cheiro e o gosto de pastel de queijo na boca.</p>



<p>Nessa aula, eu lembro que os alunos podiam trazer brinquedos de casa. Eu não sei se eu tinha levado algo naquele dia, mas lembro que uma menina trouxe essa incrível e mega realista (para mim de 4 anos de idade) miniatura do restaurante do McDonald&#8217;s. Anos mais tarde, descobri na internet do que se tratava aquele brinquedo, pois nunca havia achado ele para comprar em uma loja. Lembro que vi as peças se mexendo e parecia que eu vi o sorvete, o refrigerante e a batata frita de verdade, em todas as suas texturas, só que em tamanho miniatura, assim como também o gosto destes três. Depois daquilo, queria muito comprar esse brinquedo, pois imaginei que se eu tivesse ele, eu conseguiria fazer a batata frita e o sorvete do McDonald&#8217;s também.&nbsp;</p>



<p>A ilustração retrata todos os aspectos desta história, definindo esteticamente os elementos em memórias factuais (ou seja, o que era real) e impressões (aquilo que é imaginado, sonhado). As memórias factuais estão demarcadas com uma mescla de cores suaves e levemente pastéis e/ou cores mais cinzentas feitas com canetinhas hidrográficas, canetinha aquarelável e lápis de cor contornadas com caneta de ponta fina na cor preta.</p>



<p>Já os elementos que correspondem às impressões estão demarcados com estilos de pintura com cores mais vibrantes e sem contornos gráficos, feitos com tinta guache, tinta tecido e tinta PVC, com alguns detalhes em canetinha e lápis grafite, muito similar a pintura de pôsteres comerciais de revistas vintage dos anos 1940 e 1950 ou a de cenas do desenho animado Bob Esponja quando se queria ampliar a realidade e os detalhes de algum objeto, para criar um efeito dramático e/ou cômico na cena.</p>



<p>Estas duas categorias de elementos estão dispostos em dois quadrantes que se conectam por elementos gráficos diversos, muito influenciados por desenhos animados e mangás, tais como os emojis de corações que envolvem a menina, que olha com surpresa e encanto a página ao lado, onde essa mesma composição de emojis se repete, e como os elementos cômicos de expressões faciais mais exageradas, brilhos acentuados nos olhos e corado no rosto.</p>



<p>&#8220;A hora da brincadeira no Jardim II” é resultado de uma pesquisa de memórias autobiográficas, uma remontagem de uma autoconsciência infantil que um dia foi minha e que agora parece um sonho distante, por meio do uso de referências de imagens retiradas da internet e pela recriação visual de coisas que ainda me lembro, conectadas por técnicas de pintura, calculadas para gerar efeitos e texturas visuais. Um trabalho terapêutico e evasivo que me reconectou a uma época de imenso saudosismo, à Aninha criança que em algum lugar ainda vive em mim, mesmo em meio a um caos de ataques de pânico frequentes, transtorno de ansiedade generalizada e depressão, ao mesmo tempo que serviu de ferramenta para ampliar o acesso de deficientes visuais ao consumo de espaços de arte pela imersão auditiva.</p>
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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="755" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?resize=950%2C755" alt="" class="wp-image-17184" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?resize=300%2C239&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?resize=1024%2C814&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?resize=768%2C611&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6f89e-img12.jpg?resize=121%2C96&amp;ssl=1 121w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A Hora da Brincadeira no Jardim II<br>2020<br>Composição em sketch duplo com tinta guache, canetinha hidrográfica, canetinha aquarelável, aquarela, tinta PVC, tinta tecido e caneta de ponta fina sobre papel Moleskine.<br>18 x 14 cm</figcaption></figure>



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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Audioguia (AEB) - A Hora da Brincadeira no Jardim 2, Aninha Pinke" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/ixUKqeuqgYs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<p><strong>Aninha Pinke</strong> é artista visual, graduanda do Bacharelado em Artes Visuais pela PUC-Campinas. Sua poética&nbsp;retrata, à sua maneira, o feminino, a introspecção, o emocionalmente denso, o subjetivo e o saudosismo, em ilustrações&nbsp;em técnica mista, principalmente por meio de explorações no suporte do caderno de artista/sketchbook, com memórias pessoais, testes com maratonas de desenhos online (como o Inktober e o #foodpaintchallenge) e fanarts criadas a partir de&nbsp;imagens de grupos femininos de K-Pop.</p>
</div></div>



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		<title>HOMENAGEM A NELSON MANDELA SUSCITA SÍMBOLO DE &#8220;LUTA POR JUSTIÇA E IGUALDADE&#8221; CONTRA O DISCURSO DE ÓDIO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/07/25/homenagem-a-nelson-mandela-suscita-simbolo-de-luta-por-justica-e-igualdade-contra-o-discurso-de-odio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[combate a discursos de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[Fim do Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade racial]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[respeito a minorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Comemorando o que seria o 102º aniversário de Nelson Mandela na quarta-feira (21), a vice-secretária-geral das&nbsp;<a href="https://news.un.org/en/story/2021/07/1096192">Nações Unidas</a>, Amina Mohammed, saudou o homem que liderou a luta que pôs fim ao sistema racista do apartheid na África do Sul. Carinhosamente conhecido como Madiba, Mandela foi descrito como um exemplo de &#8220;coragem, compaixão e um compromisso inabalável com a justiça social e a igualdade&#8221;. </p>



<p>A homenagem ao líder sul-africano foi feita durante uma reunião da Assembleia Geral que celebrava o Dia Internacional Nelson Mandela — comemorado oficialmente no domingo (18). Na visão da vice-chefe da ONU, ele “personificava as aspirações mais elevadas das Nações Unidas e da família humana”.  &nbsp;</p>



<p><strong>Verdade em risco &#8211;</strong>&nbsp;O discurso de ódio e a negação dos fatos estão se tornando “predominantes nas democracias liberais e nos regimes autoritários”, disse Mohammed, “obscurecendo a verdade, questionando a ciência e minando as instituições democráticas”.  &nbsp;</p>



<p>Ela apontou para uma tendência alarmante de que “pessoas com pouco ou nenhum conhecimento dos fatos históricos são infectadas pelo vírus da desinformação e distorção e abraçam ideologias violentas”. Na visão da vice-chefe da ONU, a pandemia da COVID-19 intensificou isso, retrocedendo anos de progresso na luta global contra a pobreza e a injustiça, deixando os marginalizados e os desfavorecidos sofrendo mais, e muitas vezes sendo culpados por problemas que não causaram, disse ela. </p>



<p>Os afrodescendentes, indígenas, minorias étnicas ou religiosas — e aqueles que fugiram de suas casas como refugiados — carregam o impacto do racismo, da xenofobia e da intolerância relacionada, de acordo com a funcionária da ONU.&nbsp;</p>



<p>“Esses são os males que Nelson Mandela enfrentou para criar seu legado duradouro”, disse ela. &nbsp;</p>



<p><strong>Década da paz &#8211;</strong>&nbsp;Em setembro de 2018, a Cúpula da Paz de Nelson Mandela na Sede da ONU reuniu representantes do governo e da sociedade civil que se comprometeram a redobrar os esforços por um mundo próspero, inclusivo e justo. Foi declarada de 2019 a 2028 a Década da Paz de Nelson Mandela.</p>



<p>“É nossa responsabilidade individual seguir o exemplo de humildade, perdão e compaixão de Madiba, enquanto defendemos a democracia e a paz em todo o mundo”, disse a vice-chefe da ONU. &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“A pandemia da COVID-19 nos mostrou a importância vital da solidariedade e unidade humanas, valores defendidos e exemplificados por Madiba em sua luta ao longo da vida pela justiça”.  &nbsp;</p></blockquote>



<p>E com um papel para todos, ela instou o encontro a se inspirar na mensagem de Madiba de que “ cada um de nós pode fazer a diferença na promoção da paz, dos direitos humanos, da harmonia com a natureza e da dignidade para todos”. &nbsp;</p>



<p><strong>Uma nota pessoal &#8211;</strong>&nbsp;A vice-secretária compartilhou que, desde sua juventude, quando ela estava tentando encontrar seu caminho, Mandela era uma inspiração pessoal. &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Enquanto refletimos sobre a vida e obra de Madiba, vamos cada um se levantar e ser contado. Deixe-nos emprestar uma folha de seu otimismo teimoso na empreitada humana”, concluiu. “Vamos todos honrar seu chamado à ação e nos animar com seu legado”. &nbsp;</p></blockquote>



<p><strong>Ideais de Madiba&nbsp; &#8211;</strong>&nbsp;O presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir,&nbsp; disse que na vida e no legado, Nelson Mandela defendeu “a dignidade e igualdade inerentes às pessoas”; dentro e entre as nações, independentemente de raça, nacionalidade ou crença — valores universais, estabelecidos na Carta das Nações Unidas e nos tratados de direitos humanos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Como a Assembleia tem a tarefa de defender e proteger esses valores, ele disse que é justo “nos reunirmos aqui hoje para celebrar, promover esses ideais e homenagear Nelson Mandela”.&nbsp;</p>



<p>Bozkir disse que o nome de Mandela é &#8220;sinônimo de luta por justiça e igualdade&#8221;, que deve ser lembrado ao se considerar a situação de 82,4 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, mulheres e meninas submetidas à violência sexual e de gênero e à intolerância e a discriminação racial que ameaça erodir o progresso que ele tanto lutou para fazer.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Como comunidade internacional, devemos agir coletivamente. Pois não atingiremos as metas da Agenda 2030 enquanto o racismo e a discriminação persistirem”, disse o presidente da Assembleia.&nbsp;</p></blockquote>



<p>A pandemia da COVID-19 causou grande sofrimento para indivíduos e nações, colocando os sistemas de saúde sob enorme pressão, criando uma crise socioeconômica sem paralelos e sequestrando nossa trajetória de desenvolvimento, disse Bozkir.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Na recuperação, os direitos humanos devem ser defendidos para todos, em todos os lugares e os esforços multilaterais incentivando o acesso justo e equitativo às vacinas para todos, acrescentou.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Resumindo, devemos agir no espírito de Madiba, se quisermos nos reconstruir melhor”, concluiu o presidente da Assembleia.&nbsp;</p></blockquote>



<p><strong>Suaíli ubunti &#8211;</strong>&nbsp;A Ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Naledi Pandor, disse na reunião que “o racismo sistêmico teve um efeito destrutivo” em comunidades em todos os lugares.&nbsp;</p>



<p>Lembrando à Assembleia que Mandela usou o mundo suaíli ubunti para explicar que “ser livre não é apenas livrar-se das correntes”, mas viver de uma forma que melhore a vida dos outros. Ela disse a frase adicional, Mimi ni kwa sababu wewe ni &#8211; que se traduz como “Eu sou porque você é”.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Estamos todos conectados e só podemos crescer e progredir com o crescimento e progressão dos outros”, disse ela.&nbsp;</p></blockquote>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/137091-homenagem-nelson-mandela-suscita-simbolo-de-luta-por-justica-e-igualdade-contra-o-discurso" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 22/07/2021 – Atualizado em 22/07/2021.</em></strong></p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>NATURES MORTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Henrique Grimaldi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> I

o amor não é um objeto estéril
da mesma forma que
o poema não é um objeto histérico

</pre>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> II

teu medo frente aos ciganos denuncia
teu medo daquilo que não fica para sempre
-- te conto, nada fica --</pre>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="1267" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?resize=950%2C1267" alt="" class="wp-image-17163" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?w=1500&amp;ssl=1 1500w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/75d38-plankpiece1.png?resize=72%2C96&amp;ssl=1 72w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Charles Ray, Plank Piece I (1973). MoMA.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="NATURE MORTE 2 by Frederico" width="950" height="400" scrolling="no" frameborder="no" src="https://w.soundcloud.com/player/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1094370184&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=1000&#038;maxwidth=950"></iframe>
</div><figcaption><strong>Declamação por: </strong><em>Hélen Queiroz, Doutora em Educação pela UFRJ e Poetisa.</em></figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> III

certo como os corpos são feitos de água
e por isso vibram
ao mais ínfimo sinal de som; 
dedicamos horas soltas
à peregrinação esotérica
d’um país-deriva: fábula rasa 
que se cita, en passant, quando 
na apanha das cerejas é 
preciso desinventar o silêncio,
e certo ainda 
como a aferição da curva matemática
que se traça quando arfante
o filho do homem vai ao chão, 
para a conferência da saliva que se mede 
-- em mililitros --
na mãe que apaga 
o rabisco em carvão, 
 [único contorno verdadeiramente livre] 
no rosto do menino;
ficamos nós a aguardar a hora [factual]
-- e preterida --
da declaração do óbito
i.e., 
da incontornável asseveração
 que aquilo que ainda brilha
é somente
 verniz
&amp;
confete. 
</pre>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Natures mortes IV by Frederico" width="950" height="400" scrolling="no" frameborder="no" src="https://w.soundcloud.com/player/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1094383837&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=1000&#038;maxwidth=950"></iframe>
</div><figcaption><strong>Declamação por: </strong><em>Hélen Queiroz, Doutora em Educação pela UFRJ e Poetisa.</em></figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center">IV

Duas bombas explodiram hoje 
no céu de Cabul
arrebentaram-se mesmo 
antes de beijar o chão
e o ar, se encorpando 
de ausências 
-- matéria-prima da fuligem -- 
fez-se um ‘entre’
que é o tempo próprio 
da espera 
do dente que, ao devorar a fruta, procura o caroço. 
Duas bombas, informa o periodista 
e restava a sala vermelha.
você diria depois que as bombas
quando explodem não produzem realmente som
porque a morte chega antes
o ruído é fato probatório 
aos que continuam vivos, ou melhor
semi-vivos
[sabemos, afinal, nenhum homem retorna inteiro da guerra]
você é a prova
Portanto é natural que recordemos o que fazíamos
quando doeu mais
e o interesse da boca
-- magma pulsante --
quando conscientemente derradeira.
iria
mas
fiquei
pois você temia a ausência de som das bombas
como um menino
que segurando no cocho da mão um tacanho girino
aguarda o escoamento da poça
queria morrer, disse, comigo respirando-lhe 
n’ouvido
foi, a sério, o último
não porque nos consumiu a bomba
mas porque na casa aquática
no côncavo da mão, no côncavo do peito
rareou[-se] o ar
Duas bombas explodiram hoje no céu de Cabul
restou-lhe o ruído surdo
natural as testemunhas
e a mim
o sabor das cinzas
que na terça passada lembrou-me
ligeiramente
 mel. 
Duas bombas explodiram em Cabul, 
a contragosto
sobrevivemos.
</pre>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="888" height="1200" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?resize=888%2C1200" alt="" class="wp-image-17166" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?w=888&amp;ssl=1 888w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?resize=222%2C300&amp;ssl=1 222w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?resize=758%2C1024&amp;ssl=1 758w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?resize=768%2C1038&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b75e-plankpiece2.png?resize=71%2C96&amp;ssl=1 71w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Charles Ray. Plank Piece II (1973). Tate.</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-17246 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/874cc-henrique.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Henrique Grimaldi Figueredo</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é doutorando em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Pesquisador Visitante na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Atua como editor executivo do periódico Todas as Artes, situado no Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (UPorto).</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p></p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] A RIQUEZA DO SER</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/07/25/exposicao-virtual-a-riqueza-do-ser/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
		<category><![CDATA[hiper-realismo na arte]]></category>
		<category><![CDATA[nova perspectiva de mundo]]></category>
		<category><![CDATA[pintura de observação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Rebekah Trovanini</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>O processo de criação da série &#8216;A Riqueza do Ser&#8217; se deu por meio da observação do cotidiano dentro do cenário pandêmico, observando os olhares. Nesse contexto, em sendo a única parte visível dos rostos, agora mais do que nunca, o olhar compõe o principal meio das expressões e dos sentimentos.</p>



<p>Visando a pele em sua textura e os olhos que compõem a parte vital desse todo, revelando histórias, traços e características que se transmutam ao longo da vida a um “novo aspecto”, pelo fluxo e soma das experiências, que guardam todas as memórias, apresentando simultaneamente um presente e um passado lapidado pelo plano externo, o reflexo do próprio âmago e da essência.</p>



<p>As obras convidam em um tom reflexivo, um olhar contemplativo a reversão da superficialidade dos olhares, que veem tudo com urgência e imediatismo, ficando cada vez mais distantes do presente e do outro, incapazes de contemplar o momento e as demais formas e histórias.</p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:68.33581%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/fb5b6-2.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/fb5b6-2.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/fb5b6-2.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/fb5b6-2.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1280 1280w" alt="" data-height="858" data-id="17192" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17192" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/79fa9-2.jpg" data-width="1280" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/fb5b6-2.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:31.66419%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/5bcd6-3.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/5bcd6-3.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/5bcd6-3.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/5bcd6-3.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1280 1280w" alt="" data-height="924" data-id="17193" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17193" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d0327-3.jpg" data-width="1280" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/5bcd6-3.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/c032e-4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/c032e-4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/c032e-4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/c032e-4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1280 1280w" alt="" data-height="920" data-id="17194" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17194" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/01aa4-4.jpg" data-width="1280" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/c032e-4.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="689" height="689" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7dddf-rebekah-trovanini.png?resize=689%2C689" alt="" class="wp-image-17234 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7dddf-rebekah-trovanini.png?w=689&amp;ssl=1 689w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7dddf-rebekah-trovanini.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7dddf-rebekah-trovanini.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7dddf-rebekah-trovanini.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 689px) 100vw, 689px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Rebekah</strong> <strong>Trovanini</strong> é artista plástica, graduanda em Artes Visuais. Seu trabalho possui ênfase em pinturas hiper-realistas criadas a partir da observação do próprio cotidiano, marcadas pelo contraste de tonalidades, das texturas e dos olhares, procurando captar a essência das pessoas e a singularidade carregada por eles, a riqueza de ser.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] VOLTA ÀS ORIGENS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Estação - Canelas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Este trabalho do artista espanhol Roberto Otero está baseado em experiências e momentos pessoais, autobiográficos da vida do artista, criando uma relação e comunicação, sendo que o reflexo do seu trabalho artístico é o que entende e observa na sociedade atual.</p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:42.87464%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/2773f-catalogo-estacao2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/2773f-catalogo-estacao2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/2773f-catalogo-estacao2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/2773f-catalogo-estacao2020.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1242 1242w" alt="" data-height="2343" data-id="17152" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17152" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ec8ed-catalogo-estacao2020.jpg" data-width="1242" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/2773f-catalogo-estacao2020.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:57.12536%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1813 1813w" alt="" data-height="2566" data-id="17153" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=17153" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b8886-catalogo-estacao20201.jpg" data-width="1813" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/07/7f7fb-catalogo-estacao20201.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/919cb-catalogo-estacao20202.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17154" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a69aa-catalogo-estacao20203.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-17156" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A instalação foi inaugurada no dia 16 de fevereiro de 2020, e ficou exposta até o dia 16 de abril do mesmo ano. Na inauguração, tivemos a performance musical &#8220;Saxofone&#8221;, de Carla Costeira.</p>



<p>Carla Costeira iniciou os seus estudos musicais em saxofone com 10 anos de idade, na Escola de Música da Banda Bingre Canelense, com o professor Nelson Aguiar. Em 2007, ingressou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro, tendo concluído o Curso Secundário, em regime articulado, em 2014, sob orientação do professor Henrique Portovedo. Em 2017, conclui a Licenciatura em Música na Universidade de Aveiro, na Classe de Saxofones do professor Fernando Ramos e, em 2019, o Mestrado em Ensino de Música, sob a orientação do Pr. Dr. Paulo Maria Rodrigues.&nbsp;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="853" height="1016" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d769-catalogo-estacao20206.jpg?resize=853%2C1016" alt="" class="wp-image-17151" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d769-catalogo-estacao20206.jpg?w=853&amp;ssl=1 853w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d769-catalogo-estacao20206.jpg?resize=252%2C300&amp;ssl=1 252w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d769-catalogo-estacao20206.jpg?resize=768%2C915&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d769-catalogo-estacao20206.jpg?resize=81%2C96&amp;ssl=1 81w" sizes="(max-width: 853px) 100vw, 853px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24668-estacao-canelas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14784 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Estação</strong> é um espaço cultural localizado na cidade de Canelas (Portugal), idealizado pela Junta de Freguesia de Canelas e pelo artista plástico Mário Afonso. O espaço tem o intuito de divulgar o trabalho de artistas nacionais e internacionais, de várias áreas artísticas, realizando exposições e oferecendo, à freguesia de Canelas, acesso gratuito a projetos culturais atuais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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		<title>ANSIEDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 101]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia em quadras]]></category>
		<category><![CDATA[rimas sobre ansiedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wudson Marcos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Como se quisesse vomitar,
 mas não tivesse boca.
 Roer as unhas até a carne.
 Suar até encharcar a roupa.
 &nbsp;
 Agonia ao prestar atenção
 na própria respiração.
 Disparada do coração.
 Tristeza e exasperação.
 &nbsp;
 Dor de cabeça, silêncio.
 Grito ou fobia social.
 Pânico, grito por dentro,
 enjoo e dor estomacal.
 &nbsp;
 Gritos tão altos
 quanto a imensa dor que sentes.
 Como se rasgasse mil embrulhos,
 mas não achasse nenhum presente.
 &nbsp;
 Comer, comer, comer,
 Beber, comer e fumar.
 Gritar como o Junior Kyle:
 "Matar, socar, esfaquear, sangrar"
 &nbsp;
 Socar a parede.
 Fincar as unhas na pele.
 Nem chegou perto da morte.
 e já tem pesadelos com o IML.
 &nbsp;
 Será que vão me odiar?
 Será que vão vazar meu nude?
 Será que vão reparar 
 que eu fiz tudo o que pude?
 &nbsp;
 Será que ela vai ler tudo e odiar?
 Ou vai gostar até demais?
 Será que, como os fãs dos Beatles,
 não vai me deixar em paz?
 &nbsp;
 Vejo a desgraça vindo numa nave 
 que ainda nem foi inventada.
 Ela vem e explode minhas palavras
 que nunca disseram nada.</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b8421-wudson-marcos.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16383 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Wudson Marcos </strong></strong></strong></strong></strong>é graduado em Filosofia pela UFMS, pós-graduado em Sociologia e Orientação Educacional pela Faculdade Dom Alberto. Trabalha como professor, faz mestrado em Estética e Filosofia da Arte pela UFSC. Também é poeta, autor do livro CGS, e futuro pastor excomungado, sendo que a excomunhão já foi efetivada.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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