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	<title>Arquivos Ano 002, N 045 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A fórmula da pigmentação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Brenda Alcântara]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Brenda Alcântara </p>
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<p class="has-drop-cap">Pigmentação é um substantivo feminino que designa a formação, normal ou anormal, de pigmentos em partes do organismo animal ou vegetal. Albinismo é um substantivo masculino que dá nome à anomalia orgânica congênita caracterizada pela ausência total da pigmentação do organismo animal ou vegetal. Conceitos que podem ser, dependendo do ponto de vista, antagônicos, mas que se correlacionam enquanto realidade de milhões de pessoas que lidam todos os dias de suas vidas com um dilema em comum: a fórmula de sua pigmentação.</p>



<p>A cor muito diz sobre quem somos. O conceito de raça, no Brasil, é amplamente discutido devido a realidade, imersa em preconceito e desigualdades, em que o País se encontra. Falar sobre cor de pele também é um processo de reconhecimento. De auto reconhecimento e afirmação. Mas, e quando a questão deixa de ser a prevalência da melanina e passa a ser a ausência? A problemática existencial de ser albino fez com que uma família de Olinda, na Região Metropolitana do Recife, se tornasse a pioneira em um projeto que muito fala sobre a ligação entre a cor e o reconhecimento. A questão observa a existência do ser com a ausência da cor, uma vez que a condição se aplica em âmbitos que vão além do visual e surge o entendimento de que eles se encontram nas entrelinhas de uma sociedade. A Fórmula da Pigmentaçã nasce com o objetivo de levantar a reflexão sobre a intersecção da cor do indivíduo para percepção de si e do meio.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/f34f2-01-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9636" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/27018-02.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9637" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9787a-03.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9639" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9fbcd-04.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9640" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9e676-05.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9642" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/364ad-06.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9643" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/7b0f0-07.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9644" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/c0a87-07b.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9645" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/3d429-08.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9646" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/ed026-09.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9647" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/c9d5d-10.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9648" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/7c3d3-11.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9649" data-recalc-dims="1" /><figcaption>A fórmula da pigmentação &#8211; Família negra, com três filhos albinos</figcaption></figure>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Brenda Alcântara</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é </strong>fotógrafa desde 2012. Iniciou seu mergulho na profissão como correspondente da World Vision, organização não governamental internacional de ajuda humanitária. Graduada em Comunicação Social, possui um trabalho voltado principalmente para os Direitos Humanos. Realizou projetos para Unicef, El País, EFE, Revista Claudia e ONU. Atualmente ele integra a equipe de fotografia do Jornal do Commercio, no Recife.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/8025f-trabalho-infantil.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9708" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>A retratação da mulher em quatro telas de Emiliano Di Cavalcanti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Di cavalcanti]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Caroline Carvalho</p>
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<p class="has-drop-cap">Emiliano Augusto Cavalcanti de Paula Albuquerque e Melo, “o mais brasileiro dos pintores modernos” — mais conhecido como Di Cavalcanti, nasceu em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, e faleceu na mesma cidade em 1976. Durante sua vida produziu cerca de 5.400 trabalhos, entre pinturas e desenhos.&nbsp;</p>



<p>Aos 20 anos, Emiliano decide morar em São Paulo, onde mais tarde descreveu essa mudança em suas memórias apenas com a simples frase: “São Paulo me seduzia”.&nbsp;</p>



<p>Na mesma São Paulo, 100 anos depois, tive oportunidade de ver Di Calvancanti de perto, em setembro de 2017, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, fez uma linda e histórica retrospectiva em homenagem aos 120 anos do artista, com quadros esplêndidos e pouquíssimo conhecidos &#8211; por exemplo, a obra Samba de 1927, não era exposta desde 1928.&nbsp;</p>



<p>O privilégio de ver de perto mais de 200 obras, ao longo de seis décadas de produção desse artista tão íconico brasileiro é indiscritivel.&nbsp;</p>



<p>Di retratou a vida boêmia, festas de rua, trabalhadores, os subúrbios cariocas tomados por personagens da noite – geralmente homens na procura de diversão e da companhia de mulheres e prostitutas. O retrato – como um todo – da realidade brasileira de uma maneira muito singular, eclética, irregular e sensível.</p>



<p>Di Cavalcanti desenvolveria um fazer artístico totalmente singular, em comparação aos outros modernistas, é considerado como imaturo até seu retorno de Paris em 1925, período que amadureceu profissionalmente e quando ele se debruçaria sobre a figura da “mulata” como metáfora da brasilidade. A partir desse momento é possível perceber o uso intensivo da cor e o povo como protagonista. Em certo momento afirmou: “A mulata, para mim, é um símbolo do Brasil. Ela não é preta nem branca. Nem rica nem pobre. Gosta de música, gosta do futebol, como nosso povo.”</p>



<p>Conhecido como o “pintor das mulatas”, Di Cavalcanti retratou a mulher mestiça em praticamente toda a sua carreira. Por vezes, é considerado como um pintor sexista e racista, por suas representações.</p>



<p>Vale ressaltar que “<em>Mulato”</em> é uma velha expressão europeia indicativa do cruzamento do Branco com o Negro. A expressão está ligada ao hibridismo racial de forma <strong>pejorativa, </strong>visto que a palavra deriva do latim mulus, mula (mu e mula), quadrúpede que provém do cruzamento do cavalo com a burra, ou do burro com a égua (RAMOS, 2004).</p>



<p>No cátalogo da exposição, José Augusto Ribeiro em seu texto “Um Brasil moderno e popular” ressalta que “(&#8230;) é preciso de antemão considerar o risco de anacronismos em avaliações como essas, quando a análise do passado é feita com critérios do presente”.</p>



<p>Pensando nessas questões gostaria de analisar e descrever quatro obras (duas delas presentes na exposição de 2017, na Pinacoteca de São Paulo) em que as chamadas “mulatas” são retratadas, levando em conta o conceito de “brasilidade” do pintor, são elas – Samba (1925), Mangue (1929), A mulher e o Caminhão (1932) e Cinco Moças de Guaratinguetá (1930).&nbsp;</p>



<p><strong>Samba (1925)</strong></p>



<p>Uma das pinturas representativas deste período característico da produção de Di foi Samba (1925), uma representação de um grupo de pessoas reunidas pela música.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/a4277-image-18.png?resize=563%2C656&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9696" width="563" height="656" data-recalc-dims="1" /><figcaption>S<em>amba, 1925, Óleo sobre tela &#8211; 177 x 154 cm,</em> <em>Coleção Jean e Geneviève Boghici, Rio de Janeiro, RJ</em>.</figcaption></figure>



<p>Uma cena ao ar livre composta por um rapaz dançando alegremente, outro melancólico, um terceiro tocando um cavaquinho, enquanto o do canto esquerdo inferior da tela olha fixamente com adoração a beleza e sensualidade do corpo curvilíneo da figura central do quadro: “a mulata”.&nbsp;</p>



<p>Personagem preferido de Di Cavalcanti, ela dança e nem se importa com a alça que cai, deixando seu o seio esquerdo à mostra. Atrás dela, outra mulher dança, não usa blusa e também está com um dos seios à mostra e com o outro coberto pela mulher a sua frente, que igualmente não dá importância a essa exposição do corpo, o olhar de ambas se fixo no observador.</p>



<p>Claramente é possível identificar símbolos e estereótipos da cultura nacional idealizada pela alegria do samba e pela beleza de seu povo mestiço. A representação de membros deformados<strong> remete a tradição na representação de negros com feições grosseiras e corpos robustos.</strong> As mulheres parecem estar disputando poder, na tentativa de controlar o espectador, além de simplesmente aceitar e de certa forma, <em>gostar do olhar</em> dos que estão a sua volta.</p>



<p>O último proprietário da tela, Jean Boghici, conta que originalmente as mulheres foram retratadas totalmente nuas, mas devido ao estarrecimento que a imagem causou, visto que o quadro possui praticamente tamanho natural, Di resolveu cobri-las parcialmente.</p>



<p>Em 2012 o quadro — avaliado em 50 milhões na época e considerado a mais perfeita representação da cultura negra realizada no modernismo brasileiro — foi destruído em um incêndio. Do quadro só restou os pés dos personagens, cerca de 30% da tela.</p>



<p><strong>Mulata (1929)</strong></p>



<p>A mulher mulata também é retratada em ambientes urbanos, como é o caso da tela Mangue (1929), com três personagens com rostos bem definidos no centro que olham diretamente ao espectador, contrastando com as outras pessoas ao fundo, que estão em movimento.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/72cd2-image-19.png?resize=563%2C755&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9697" width="563" height="755" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Mangue, 1929, aquarela – 37 x 29,5 cm, Coleção Marco Antonio Greco, São Paulo, SP</em></figcaption></figure>



<p>Uma mulher nua abraçada com um homem vestindo um terno, um casal de costas e um homem segurando uma garrafa. Assim estão dispostas as outras personagens da tela, que por suas retratações de comportamento, podemos entender que se trata de um local quente, devido ao leque na mão das duas mulheres centrais e que as pessoas se encontram à vontade e com naturalidade, já que as personagens estão nuas, seminuas ou vestidas de maneira insinuante.</p>



<p>O Mangue, ambiente retratado nesta tela, foi a grande zona da prostituição no Rio de Janeiro e, conforme relatou Manuel Bandeira <em>“era uma cidade dentro da cidade, com muita luz, muito movimento, muita alegria.”.</em></p>



<p>Di Cavalcanti foi frequentador do Mangue não só como artista e observador, mas também frequentou para se divertir. Em suas representações dos bordéis, sua arte flui como <em>experiência vivenciada</em>, é possível identificar uma enorme proximidade e, até mesmo, certa promiscuidade com os assuntos tratados..</p>



<p>As mulatas em Mangue (1929) são representadas com muita feminilidade e sensualidade, aliás, a tensão sexual é a característica mais presente na cena, que nos remete a uma sensação de movimento e agitação das personagens.</p>



<p><strong>A mulher e o Caminhão (1932)</strong></p>



<p>Sempre representadas com muita sensualidade e beleza, as “mulatas” de Di também foram retratadas em momentos de repouso e solidão, como é o caso da tela “A mulher e o Caminhão” (1932).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/ed03e-image-20.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9702" data-recalc-dims="1" /><figcaption><br><em>A mulher e o caminhão, 1932, óleo sobre madeira – 38 x 49 cm, Coleção Lucien Finkelstein, Rio de Janeiro, R</em>J</figcaption></figure>



<p>Em um momento de relaxamento, a mulher – uma mestiça de tom de pele claro – apoia a cabeça com um dos braços, sem preocupação com o que acontece fora do ambiente em que está, e no canto direito inferior vemos um observador debruçado na janela, que pode ser tanto uma mulher quanto um homem, mas levando em consideração a típica retratação feminina de Di e pela falta de adornamento da personagem, provavelmente se trata de um homem.</p>



<p>O que chama a atenção na cena é que mesmo estando sozinha e em momento de descanso, despreocupação e com a sua beleza natural (sem ornamentos), a mulher ainda é atraente aos olhos do observador.</p>



<p><strong>Cinco moças de Guaratinguetá (1930)</strong></p>



<p>Contrastando com a naturalidade da personagem da tela A mulher e o caminhão (1932), Emiliano realizou em um dos seus mais importantes trabalhos, Cinco moças de Guaratinguetá (1930), a representação da mulher ornamentada em um ambiente distinto da noite carioca.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/7ba9b-image-21.png?resize=563%2C722&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9703" width="563" height="722" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Cinco Moças de Guaratinguetá (1930), Óleo sobre tela — 92 x 70 cm, Acervo</em> <em>do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, S</em></figcaption></figure>



<p>Na tela podemos identificar cinco moças, uma delas está ao fundo debruçada sobre a janela com um braço apoiando seu rosto, como se observasse o que se passa na rua. Das quatro moças que estão no centro do quadro, três olham em direção do espectador, outra olha em direção das outras meninas e segura um guarda-chuva.</p>



<p>Podemos perceber o cuidado do pintor em retratar detalhes, estampas, a maquiagem do rosto, os chapéus e as cores presentes em todos os elementos do quadro. As personagens não são representadas envoltas de sensualidade, pelo contrário, estão vestidas de acordo com a moda da Época.&nbsp;</p>



<p>Estas personagens são representadas dentro de espaços artificiais e construídos pelas relações de interesse entre as pessoas, lugares de ostentação e exibição de dinheiro e refinamento – ao contrário das cenas onde as mulatas parecem conservar a <em>essência</em> da beleza e autenticidade.&nbsp;</p>



<p>Aracy Amaral, professora-titular de História da Arte pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, crítica e curadora de arte, escreveu no ensaio “As três décadas de Di Cavalcanti”, publicado pela primeira vez em 1985, diz:&nbsp;</p>



<p><em>“Vista quase sempre como uma permanente extensão de seu afeto, a mulher em Di Cavalcanti, personagem principal, é a mulher criatura querida ou fatal, ou lambisgóia, ou ingênua, ou maternal em suas carnes, ou picante, ou prostituída, mas sempre fixada em retrato terno, ou envelhecida, porém faceira. É também a mulher do povo, anônima, comparecendo em sua imagem de simplicidade e modéstia. Assim como a mulata, que ostenta sempre a pose de modelo paciente, em sua plasticidade inigualável.” </em>(AMARAL, p. 93, 2006)</p>



<p>No Ensaio “Desenhos de Di”, da década de 80, Aracy complementa:&nbsp;</p>



<p><em>“Para Di Cavalcanti, a mulher não é mulher-objeto. É parte essencial de sua experiência sensorial, sexual, afetiva. É amorosa sua contemplação da ondulação das formas femininas. Mas e espevitadas, lambisgóias, roliças ou acolhedoras, amoráveis, desejáveis”</em> (AMARAL, p. 96 e 97, 2006)</p>



<p>Primeiramente, é preciso levar em conta que especulações sobre os aspectos distintivos de uma “identidade brasileira” estão na raiz de parte significativa da inteligência que se desenvolve desde o século XIX. É nesse contexto, já no início do século XX, atribui-se à expressão “mulato” o sentido positivo que a mestiçagem adquiriu em explicações sobre a formação étnica do povo brasileiro como um elemento característico do país. Já o ponto pelo qual o trabalho de Di Cavalcanti é considerado “machista” ou “sexista” contém, é também em princípio, um componente que se pretendia elogioso à mulher: quando a elege símbolo do país e seu corpo é, enquanto tal, associado à paisagem de exuberância natural e à sensualidade que, ainda hoje, julga-se típica do brasileiro.</p>



<p>Variações desses raciocínios estão internalizadas em vários discursos e obras que se desenvolveram a partir daquele momento, por autores tão diversos quanto o arquiteto Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Vinicius de Moraes.</p>



<p>De toda forma, é impossível negar que Di Cavalcanti foi um dos responsáveis por levar a imagem da mulher negra para fora do Brasil, <strong>reforçando estereótipos racistas</strong>. O mesmo aconteceu, por exemplo, com obras de Tarsila Amaral, que exageravam detalhes etnográficos, ressaltando traços, como o nariz largo, as bocas grandes, mãos, pés e seios avantajados e cabeças pequenas, novamente resumindo o negro ao trabalho e tirando seu aspecto pensante.</p>



<p>Comparando as representações de mulheres negras de Di com as de Benedito José Tobias, (artista negro contemporâneo de Di Calvalcanti), podemos identificar muito mais sensibilidade ao retratar as pessoas a sua volta (Indico fortemente uma pesquisa acerca das obras desse Pintor brasileiro).&nbsp;</p>



<p>Enfim, só podemos concluir que:&nbsp;</p>



<p><em>O olhar não é o mesmo, entre colonizador e colonizado. </em><strong>Existe uma diferença crucial no discurso, quando ele é sobre VOCÊ.&nbsp;</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Caroline Carvalho </strong>é especialista em Gestão de Projetos Culturais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), USP, ama arte, literatura, estudos da cultura e correlatos. As vezes tira umas fotos.</p>



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<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/b52a2-luis-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9250" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



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		<title>A Justiça que fragiliza as minorias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[justiça social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A reportagem “<a href="https://diplomatique.org.br/vidas-que-valem-mais-que-as-outras/">Vidas que valem mais que as outras</a>”, publicada na edição de janeiro do Le Monde Diplomatique, é elucidativa quanto aos danos sociais do liberalismo e, sobretudo, quanto ao caso social específico dos desvalidos de Mariana, Brumadinho e toda a cadeia de atingidos indiretos provocada pelos crimes ambientais da Vale e da Samarco, em 2019 e 2015, respectivamente. Também, é claro, aos entraves criados para atender aos trabalhadores precarizados na atual quarentena. &nbsp;O tema é o atravessamento social na disposição e consideração de empresas e da Justiça pela vida dos cidadãos &#8211; isto é, o quanto elas levam em conta a origem e a identidade do sujeito para tomar decisões que implicam sua segurança, qualidade de vida, equidade social.</p>



<p>Pois bem, a jornalista Charlotte Recoquillon relata que, nos Estados Unidos, é alarmante o índice de processos indenizatórios por quaisquer danos a indivíduos (inclusive em casos fatais) em que a vulnerabilidade social determinou oficialmente uma reparação defasada. Cita como exemplo uma jovem norte-americana, de sobrenome Hernández &#8211; portanto, de origem hispânica &#8211; que concebeu uma criança que, em exames, apresentou níveis de chumbo no organismo que em poucos meses lhe seriam fatais. A culpa seria de uma obra realizada sem a devida segurança no edifício onde morava. Ao buscar indenização contra o proprietário na Justiça americana, a mulher deparou-se com cálculos que envolviam seu salário, sua expectativa de vida, a da criança, assim como a possibilidade de esta vir a cursar faculdade, etc. A justificativa é de que deve-se levar em conta sua perda real, com bases na expectativa do papel econômico que a criança exerceria na sociedade.</p>



<p>Ao balizar o montante da indenização por critérios sociais proporcionais e não afirmativos &#8211; ou seja, que empurram para baixo a reparação ao mais pobre devido à sua condição financeira, ao contrário de aumentá-la levando em conta sua maior fragilidade e exposição ao dano -, a sociedade norte-americana coloca em balizas neoliberais o que há de mais precioso nas democracias: os direitos à vida, à liberdade de ir e vir e de se expressar. Isso pode se aplicar, claro, ao atual problema da COVID-19, dos trabalhadores marginalizados do direito à preservação por isolamento social. Se, a esses principalmente, mas a quaisquer outros danos sociais ou econômicos causados a outrem, a reparação pelo Estado ou pelo capital privado determinada pela Justiça leva em conta a fragilidade das minorias econômicas e sociais contra elas próprias, não se tem sequer uma sociedade como a que no papel almeja o liberalismo: aquela em que todos podem construir seu próprio sucesso pessoal e econômico numa competição social em que são iguais de partida.</p>



<p>Aqui no Brasil, em tese, a Justiça é afirmativa. Leva em conta para cima, no momento de cobrar e indenizar, se a cidadã ou cidadão lesada ou lesado padecia de alguma fragilidade social, assim considerado para aumentar a pena do sujeito infrator e as medidas de reparação à vítima. Pois bem. Isso não é o que se tem visto, por exemplo, nos desastres da mineração brasileira, em que centenas de pessoas impactadas diretamente, com familiares mortos, ou indiretamente, com seus trabalhos inviabilizados por consequência do rompimento das barragens e contaminação do solo e da água, vêm sendo protelados em razão da pouca disposição do Estado em confrontar as mineradoras, rainhas das commodities, todas poderosas da economia extrativista brasileira. Igualmente em relação à COVID-19, em que o direito à renda mínima em tempos de inatividade social é inviabilizado pela burocracia e por obrigar esses cidadãos a aglomerarem-se para retirar o dinheiro.</p>



<p>O Brasil buscou organizar-se, desde a Constituição de 1988, como uma nação mais justa que aquelas liberais, os Estados Unidos sobretudo, e mais algumas latinoamericanas como Chile, México e Colômbia. O papel concebe o Brasil como aderente a um modelo Europeu de bem-estar social, com vistas a equalizar as relações sociais dentro do capitalismo e permitir uma competição justa nesse sistema econômico, “ao qual ainda não se encontrou alternativa melhor”. Entretanto, a prática, consequente das tessituras sociais profundamente excludentes que vêm desde a colonização e sua cultura de extermínio e escravização de minorias étnicas (que estão hoje nas funções ditas “subalternas” da sociedade, inclusive a mão-de-obra direta da mineração, onde quase trezentas vidas foram ceifadas desde Mariana), produz um Brasil real oposto àquele de sua idealização institucional, mais próximo ao modelo norte-americano.</p>



<p>Com uma vantagem para os americanos: a de que, desde a segregação racial outrora legalizada e ainda legitimada no Sul dos Estados Unidos, até sua hipócrita política imigracional num país de imigrantes, chegando a seu sistema de Justiça balizado por valores de mercado, as instituições norte-americanas dizem a que vêm. E, com isso, o cidadão sabe o que esperar. Aqui, a discriminação escondida sob o véu da democracia e do Estado de bem-estar social, como avalizariam Darcy Ribeiro e Jessé Souza, termina por causar mais revolta e sensação de abandono social pela população, minando sua autoestima e confiança no Estado, o que aprofunda sua fragilidade e joga a população nos braços de instituições anti-Estado, como determinados grupos religiosos entusiastas da exploração do povo.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/22e98-hecc81lio-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8888" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha </strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/07516-mergulho-no-rio-sao-francisco-1.png2_-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9704" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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		<title>Brasil acima de tudo, Deus acima de todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil acima de tudo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus acima de todos]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A moral e os bons costumes enfim tiveram seus defensores elevados ao <em>status</em> a tanto desejado, os comandantes da nação. (coronéis)</p>



<p>Nada de novo debaixo do sol, a mesma política, o mesmo álibi, a mesma balsa furada.</p>



<p>Os monarcas acreditavam piamente que seu poder era um direito divino, em uma base para governar e criar um mundo à sua semelhança. Talvez não à semelhança, visto que fome, doenças e miséria pairavam entre a maioria das populações submetidas a um governo divino que era zelado pelo monarca.</p>



<p>Não existe espaço para essa lorota nos dias de hoje, ou não deveria existir, mas parece que o desejo por poder tem tragado até os “defensores da vida”.</p>



<p>A base governamental em nossa <em>Zombieland </em>é a de um grupo de pessoas que criticam tudo o que não corresponde ao seu projeto de poder. Um grupo de líderes “protestantes” se reuniu para assinar um documento contra o endeusamento da ciência &#8211; sim, meus caros, contra o endeusamento daquilo que é a base do conhecimento para tudo que formou o nosso mundo.</p>



<p>A história é cíclica. Alguns séculos atrás, a ciência era refém do estado que era servo, (REFÉM) da igreja. O projeto hoje é o mesmo; a ciência não pode contrariar o governo, o aquecimento global não existe, a terra é plana, vacinas são usadas para nos manipular e editar nosso código genético para sermos alvos fáceis do 5G.</p>



<p>Parece uma nova temporada de Arquivo X (saudades Mulder e Scully), mas é a nossa vida indo para o ralo.</p>



<p>E existe um problema sério em tudo isso: a falta de resistência.</p>



<p>Estamos diante de um projeto fascista, autoritário, que visa a perpetuação de direitos “divinos” ao Clero, poder e direito divino aos novos monarcas, uma verdadeira ditadura se levanta, se legitima na fé e toma a ciência como inimiga maior. Ou seja, o conhecimento é inimigo do governo.</p>



<p>Os ataques vieram através de cortes de verbas das universidades federais, dos museus, das bolsas de pesquisa. O conhecimento que provou que a terra era redonda, que nos deu a tecnologia, que nos permite usar redes sociais, vêm todos baseados em questões das faculdades de humanidades. O conhecimento técnico, as exatas, são alicerçadas na premissa dos relacionamentos humanos, que percebem o seu contexto, o seu entorno, e formulam cálculos e fórmulas matemáticas para a composição de medicamentos que serão usados para a cura de enfermidades, a cura de feridas que por vezes são causadas através de dilemas existenciais.</p>



<p>É preciso então resistir como força de conhecimento, conhecimento que cria estratégias, une disciplinas, cria pontes, gera uma declaração de unidade contra um mal comum, o fascismo brasileiro.</p>



<p>Na edição passada, mencionei a não violência de Tolstoi e Gandhi: uma forma muito eficaz de se fortalecer valores de preservação da vida, que são a base sagrada de muitas religiões. Hoje, no entanto, quero compartilhar um contraponto na figura de Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo alemão que até flertou com o nacionalismo em uma parte da sua vida, mas entendeu que era necessário cuidar e preservar a vida daqueles que não tinham espaço na sociedade da época.</p>



<p>Diante de um país fragmentado, o que a campanha nazista fez foi apresentar uma liderança religiosa unida, com novos símbolos, “desmascarando” inimigos do estado que estariam ajudando a roubar o dinheiro da nação, prendendo pastores e padres que estariam motivando greves e ensinando valores “profanos” e contrários que poderiam prejudicar e dividir famílias assim como a guerra o fizera menos de duas décadas antes.</p>



<p>O cenário é parecido, no Brasil de hoje. A base protestante continua ignorando o apelo de cientistas ao redor do mundo. Os líderes da bancada evangélica seguem eliminando a resistência, atacando e difamando os líderes de oposição por meio de um trabalho sujo, que atribui títulos de inimigos da fé, da moral e dos bons costumes.</p>



<p>Fato curioso sobre nosso personagem é que o mesmo participou de um dos planos de tentar matar o ditador e genocida nazista &#8211; o que não deu certo, obviamente &#8211; e, por isso,  foi preso e executado pouco tempo antes de Hitler se matar.</p>



<p>Esse texto, claro, não é um convite nem sugestão que se crie um plano contra a vida do cidadão que tem empurrado o carro chamado Brasil. No entanto, quero propor um convite a construção de algo sólido e que supere os achismos pessoas de cada religião, pois o que está em jogo nesse momento é a vida de cada um de nós.</p>



<p>É um convite a uma nova construção. Não de notas de repúdio, mas a uma ação mais incisiva. O que poderia ser? Eu não sei. Mas sei que não é hora de ficarmos em discursos de “eu votei no fulano ou sicrano”. Estamos presos contra a parede e, ainda assim, podemos mudar tudo. Basta a famigerada #FocoForçaFé para destronar os monarcas que nos oprimem e nos amedrontam com raios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9fa4b-risada.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9684" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Campanha discute necessidade de eliminar expressões racistas do vocabulário popular</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nesta semana, o Brasil lembra os 132 anos da abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888. A data é uma oportunidade de revisitar as cicatrizes deixadas pela escravidão, ainda sentidas na sociedade atual: racismo, discriminação e iniquidades.</p>



<p>A Rede Globo começa a veicular nesta quarta-feira (13) um vídeo produzido em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que reflete sobre o racismo a partir de frases do cotidiano.</p>



<p>Com o mote “Tudo começa pelo Respeito”, foi criado para alertar, por meio de expressões populares, sobre como o racismo se faz presente na sociedade e como é preciso começar a mudar a história a partir dos detalhes.</p>



<p>“Esta é uma excelente forma de estimular um debate que precisa urgentemente ser ampliado. O racismo e as práticas discriminatórias continuam a impedir que a população negra do país desfrute de forma equitativa de oportunidades e tenham todos os seus direitos assegurados”, disse a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.</p>



<p>“Essa discussão é essencial, sobretudo, para avançarmos rumo às recomendações da Década Internacional de Afrodescendentes.”</p>



<p><strong>O vídeo será exibido pela emissora de 12 a 15 de maio. Confira</strong>:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Tudo Começa Pelo Respeito: não fale a língua do racismo" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/19Ktg-IF4XI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a rel="noreferrer noopener" href="https://nacoesunidas.org/campanha-discute-necessidade-de-eliminar-expressoes-racistas-do-vocabulario-popular/" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 13/05/2020 &#8211; Atualizado em 13/05/2020.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/982c5-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8891" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/9c02d-holofotes.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9680" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Jacarandás</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Eram jacarandás, aquelas árvores. Ontem te enviei fotos da Avenida de Mayo toda florida, só não sabia o que eram. Arrisquei que fossem ipês, mas o correto é que são jacarandás. Não foi conversando com alguém aqui descobri, pelo menos não exatamente. Estava folheando uma das cartas de Sábato no café dentro do Ateneu e li quando ele diz que a velocidade da vida estava impedindo os argentinos de perceberem como florescem os jacarandás. Por eliminação e por estar na primavera deduzo que sejam as mesmas plantas &#8211; além disso, o Google confirmou. Faz muito barulho aqui dentro, tenho a impressão de que estou em um shopping onde turistas compram coisas muito parecidas com o que se vende em Saraivas e Leituras Brasil afora, só que nenhuma loja das duas redes fica num antigo teatro reformado e adaptado para ser o paraíso dos livros. O charme é o espaço.</p>



<p>Um grupo de coreanos ou de chineses chegou incomodando a escrita que comecei no café e por isso tive que sair. Quase tudo é motivo para tirarem fotografias e isso me irrita. Estava sentado numa mesa que fica em frente à parede onde colocaram várias chaves de luz como decoração, ao fundo e à esquerda. De dois em dois minutos uma mulher ou um senhor com chapéu de pescador se aproximavam sorrindo e abaixando a cabeça, para logo depois fotografar com flash alto. Um deles fez três fotos da mesma parede. Paguei e saí. É muito bom andar pelas ruas de Buenos Aires no final de outubro, ainda é fresco, e a cidade inteirinha fica lilás.</p>



<p>Encontrei outro café, menos badalado, em que pude novamente tirar meu caderno e voltar a escrever. Preferi a mesa na calçada porque ali eu conseguiria acender um cigarro ou outro. Comer aqui é barato e o atendimento quase sempre é bom. A língua diferente expõe uma barreira que faz com que a atenção esteja mais no diálogo do que noutras coisas e assim flui agradavelmente a comunicação, quanto mais porque me decidi a não ficar arrastando um portunhol caricato, falo em português e sustento a bela indiferença da língua estrangeira, mas que é prima do espanhol. O peso argentino é desvalorizado em relação ao real, o que me faz poder comer e beber bastante gastando o equivalente a doze ou dezoito reais. Tenho a impressão de que você adoraria conhecer um desses cafés.</p>



<p>Foi ruim o modo como fomos dormir depois de conversar ontem &#8211; ou deitar, pelo menos: eu não preguei os olhos. Ainda estou exausto de todas as mudanças que têm acontecido nos últimos meses e, com a clarividência de algum profeta que é chamado pelo seu deus para anunciar a peste à cidade em que cresceu, tenho a certeza transparente de que você faz parte disso. É injusto ter de escolher entre continuar o trabalho e me mudar do Brasil ou investir na possibilidade de algum nós. Como agora estou sentado em frente ao café Tortoni, isso é suficiente para me sentir culpado pelo resto.</p>



<p>Fiz o que me sugeriu e saí bem cedo para caminhar e fotografar mais a cidade. Ouvir a sua voz ontem me fez repensar se talvez eu não tenha escolhido mal. Sinceramente, vender equipamentos para sistemas de alarme e monitoramento doméstico em outro país não é exatamente o que me anima. Tudo bem que são onze anos de trabalho no mesmo lugar, além do que me tornei amigo do Rafael, mas, mesmo assim&#8230; Num dia eu comecei e no outro já tinha passado uma década e eu ainda estava lá.</p>



<p>O tempo deveria diminuir a confusão aqui dentro. São cinco meses que estou longe, numa casa estranha, praticamente sozinho. Saí poucas vezes a noite porque não me acostumei aos pubs daqui, são escuros demais e abafados; além disso, achei a cerveja quente. O que faço é andar pelas ruas, conhecer livrarias e visitar o Martí, que mora com a mãe, D. Consuelo, uma argentina gorda de gênio forte. Sempre que vou, ela me conta que fez uma excursão para o Rio de Janeiro em 1994. A história é a mesma. Não muda, não tem contradições; nem mesmo quando ela imita o que chama de sotaque brasileiro me explicando como pedia informações em Ipanema.</p>



<p>Também encontrei um cantinho meu dentro da catedral de Buenos Aires. O prédio em si é diferente das nossas catedrais, parece uma construção grega ou coisa assim. Você vai debochar quando ler, mas me lembra uma das doze casas dos Cavaleiros do Zodíaco. Assim, meio fora do normal, e talvez por isso, é ela junto com a arquitetura do início do século que fazem valer ter alugado o quarto na Avenida de Mayo. Me sentei atrás de um rapaz que orava de joelhos hoje cedo. Ele estava apoiado no genuflexório com a cabeça enterrada nas mãos, imóvel. A claraboia da cúpula deixava entrar luz, e tive a impressão de que era como se em outra dimensão ouvissem a prece que fazia. Ficou assim por tanto tempo que me seduziu, pelo modo como parecia absorto em uma conexão espiritual com o lugar, e isso a ponto de também eu começar a orar, do meu jeito, conversando com aquele deus silencioso. Não me ajoelhei porque senti vergonha, mas baixei a cabeça e fechei os olhos. Segurei na mão direita o patuá que você me deu quando te contei que me mudaria, sempre levo comigo na mochila para caso surja uma situação em que fazer qualquer evocação seja determinante. Me senti leve. Acredita que quando abri os olhos o jovem tinha sumido? Corei porque uma senhora estava apontando para mim e conversando com outra do meu lado no banco com orgulho, como se eu fosse uma espécie de animal estranho na fauna dos homens de quase quarenta anos, que cortava o cabelo e ia à igreja numa quinta-feira pela manhã.</p>



<p>Só um minuto, vou trocar de lugar com algumas pessoas que chegaram. Estou em uma mesa de quatro lugares, mas como estou sozinho é melhor que eu mude para outra e deixe que eles se juntem.</p>



<p>Pronto. Me perdi um pouco sobre onde estava e não vou reler o que já escrevi até aqui, detesto reler o que escrevo. Em síntese: sou péssimo com as fotografias, Martí me acompanha às vezes e tenho dormido mal. Mas não é importante nada disso, o tempo não sabe andar para trás, você me disse uma vez, marmota. Se estivesse aqui me veria sorrindo agora enquanto me lembro daquele dia em que me ofereceu carona para o aeroporto e chamou um Uber porque tinha medo de ficar agarrada no trânsito. Mesmo eu te dizendo que tínhamos tempo você me respondeu do alto do seu um metro e sessenta, com vinco e brabeza no rosto que não estava pedindo minha opinião, afinal, o tempo não andava para trás. Isso pode ser caracterizado como um presságio? Você leu em algum lugar ou inventou?</p>



<p>São quase sete horas da noite e ainda está claro; o sol agora começa a ficar preguiçoso e baixar. Muitas pessoas pelas ruas, voltando para casa ou comprando porcarias nos <em>kioskos</em>. A avenida inteira está lilás e com a claridade indireta do final do dia é como se eu estivesse dentro de um livro. Tenho a impressão de que, mesmo quando eu volte ao Brasil, não vou me esquecer dos jacarandás de Buenos Aires e das pessoas que caminham com os olhos apontados para as calçadas, sem se darem conta de que as árvores fazem uma bruma mística logo acima do chão, pouco mais de dois ou três metros acima. De verdade, eu não julgo essas pessoas, porque existe uma inércia no que é bom que faz com que imaginemos que o bom não passará para nós, ou que estará ali quando num feriado, nas férias, na folga, enfim, quando a gente, sem ser a gente do dia a dia, olhe para o alto. Mas os jacarandás não estão floridos o ano todo. As coisas boas também não duram a vida toda, só na memória e nas cartas isso acontece. Acho que é por isso que escrevo.</p>



<p>Não vou pedir que me espere, e também não vou te garantir que por aqui não farei novas amizades, algumas até com potencial de me fazer querer esquecer o que aconteceu &#8211; como se fosse possível apagar uma tatuagem. Não, mas te garanto que um dia eu vou voltar ou você irá fugir daí. Quando acontecer, colocamos de fiel do mundo o peito e as pupilas. Dilatem-se as últimas e demonstre o menor sinal taquicárdico o primeiro, e nos reconheceremos pelo cheiro. Nunca encontrei outra mulher que notasse que meu cheiro mudava antes do amor. Entre os beijos que trocamos na cabine apertada do seu carro, eu me espantava toda vez que segurava meu rosto distante só dois ou três dedos do seu e me dizia sussurrando “<em>seu cheiro mudou</em>”. Esse foi um código nosso, sofisticado demais para ser repetido, pelo menos por mim. Na realidade, eu até tremo de pensar que você fale isso para todos os outros &#8211; o que, convenhamos, te colocaria numa posição olfativa invejável, porém diminuiria consideravelmente o meu glamour.</p>



<p>São dez e vinte, e agora é que volto pra casa. Martí me ligou e fomos beber. Peguei uma flor do jacarandá e guardei dentro do caderno para tentar fazer como já vi no livro de outras pessoas. Caso ela fique seca e bonita vou enviar junto com a carta, que não tenho a menor ideia de como, e se, vai chegar ao Brasil, nunca parei para imaginar os mecanismos do correio internacional, mas me recuso a te mandar só um e-mail, eles são frios. Não têm caligrafia.</p>



<p>Talvez, quando eu transcrever daqui para o A4, tire algumas coisas melosas demais para um casal que mora a dois mil quilômetros de uma distância sem esperança. Um dia largo o emprego e apareço na sua porta, aí quero ver. Mentira. Droga. Fim de noite, vinho, saudade e esses jacarandás. Sabe, se eu tivesse poder agora, só desejaria que estivesse aqui, e fumasse um cigarro comigo, enquanto olhamos essa Avenida.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/41684-bio-vin-lara.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8647" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/82d2e-sem-comida.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9688" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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		<title>Penitência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Eder Capobianco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Eder Capobianco</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>OUVERTURE</em>: Théo não queria matar Júnior, foi um acidente. </p>



<p><em>1° Ato: Negação</em> </p>



<p><strong><em>A cabeça do Carlos na privada e o Nelson e o Pedro rindo em volta com Théo gritando vai virar homem!</em></strong><em> </em>na escola é assim mesmo <strong><em>com a cabeça de Carlos na privada e Théo, Pedro e Nelson gritando que ele nunca mais ia abrir a boca</em></strong> eles se resolvem <strong><em>enfiando a cabeça de Carlos na privada e a cabeça gritando&#8230;</em></strong> </p>



<p><strong><u> </u></strong> <strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><em>arrebentar a cara</em> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><em>cala a boca</em> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><em>vem vamos vamos sim, caralho</em> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><em>ahaheahehaehaheaheha</em> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong> <br><strong><u>beber beber beber beber beber beber be ber b br</u></strong>   <br><br>cheira a porra do meu saco<em> imbecil marginal</em> e toda essa merda <strong><em>que se foda de preto e branco </em></strong><em>esfrega na cara delas <strong>que se foda de preto e branco</strong></em> não tem boca <strong><u>tô pagando quem manda nessa porra sou eu</u></strong> <em>assim que funciona <strong>que se foda de preto e branco</strong> </em><strong><u>vai dar sim</u></strong> quem diz que pode ou que não pode <strong><u>tô pagando</u></strong> <em>não pode a puta que pariu <strong>que se foda de preto e branco</strong></em> <br><br><em>2° Ato: Raiva</em> <br><br><em>&#8211; Eu, Théo, recebo você, Helena, como minha esposa, e prometo <strong>humilhar</strong> você na alegria e na tristeza, <strong>ser seu dono</strong> na saúde e na doença, <strong>porque sou eu que mando</strong> na riqueza e na pobreza, amando-te <strong>do meu jeito</strong>, respeitando-te <strong>como eu quero</strong>, sendo-te fiel <strong>em pensamento</strong>, todos os dias de minha vida, até que a morte <strong>finalmente</strong> nos separe.</em>   <br><br>§ 1.º homem que é homem não chora. <br>§ 2.º lugar de mulher é na cozinha. <br>§ 3.º menino não brinca de boneca nem menina joga futebol. <br>§ 4.º mulher que dá no primeiro encontro é vagabunda. <br>§ 5.º droga é coisa de vagabundo. <br>§ 6.º bandido bom é bandido morto. <br>§ 7.º a vida é assim.   </p>



<p>dinheiro casa-grande carrão <strong>trabalhar para quem paga <em>não tem essa de fazer</em></strong> a coisa certa é trabalhar <em><u>como tem que ser</u></em> <strong>trabalhar para quem paga</strong> <em><u>mais</u></em> prédio-de-vidro entra sai dinheiro <em><u>sonhar custa</u></em> dinheiro extrato saldo saque <strong>trabalhar para quem paga</strong> <em><u>de boa intenção o inferno está cheio</u></em> <strong><em>mandar é melhor do que ser mandado</em></strong> dinheiro <em><u>e não reclama</u></em> <strong>trabalhar para quem paga</strong><br></p>



<p><em>3° Ato: Barganha</em> </p>



<p>&#8211; Dois anos trabalhando aqui já? <br>&#8211; É verdade. <br>&#8211; Quando você começou tinha quanto? Vinte e um? <br>&#8211; Vinte e três. <br>&#8211; Você sempre aparentou ser mais nova. <br>&#8211; Obrigada. <br>&#8211; Nunca estive com uma mulher tanto tempo sem ter comido ela nenhuma vez. <br>&#8211; … <br>&#8211; … <br>&#8211; … <br>&#8211; O tempo gera intimidade. <br>&#8211; … <br>&#8211; É normal.   </p>



<p>a Dona Aurélia morreu <strong>é triste e tudo mais</strong> <em>mais o que? </em>a família dela <strong>são do Ceará</strong> não vai ter velório <em>manda o corpo dela para lá</em> <strong>tem vala comum</strong> <em>cuidava do seu pai depois do seu irmão depois de você depois do seu filho</em> <strong><u>não foi de graça</u></strong> vou no enterro e pelo menos comprar umas flores <strong>coloca o nome da família <u>de quem tá pagando</u></strong>   </p>



<p>Pai Nosso que estais nos Céus <strong><em>preciso da Sua ajuda</em></strong>, santificado seja o vosso Nome <strong><em>que sempre levo na cintura</em></strong>, venha a nós o vosso Reino <strong><em>de puro ouro</em></strong>, seja feita a vossa vontade <strong><em>que é igual a minha</em></strong> assim na terra como no Céu <strong><em>ordenais que todos os meus inimigos sofram</em></strong>. O pão nosso de cada dia nos dai hoje <strong><em>não para os imorais</em></strong>, perdoai-nos as nossas ofensas<strong><em> que foram só de brincadeira</em></strong> assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido <strong><em>e nos paga em dinheiro</em></strong>, e não nos deixeis cair em tentação<strong><em> de matar esse povinho</em></strong>, mas livrai-nos do Mal <strong><em>de ter que conviver com eles</em></strong>. Amém <strong><em>obrigado</em></strong>.<br>  </p>



<p><em>4° Ato: Depressão </em></p>



<p><strong>AGÊNCIA FLAGRANTE</strong> <br><strong>verdade e justiça</strong> <br><strong>Descobrimos tudo!</strong> <br><strong>traição &#8211; mentiras &#8211; negócios &#8211; informações</strong> <br><strong>SIGILO ABSOLUTO!</strong> <br><strong>Atendimento no Brasil e exterior</strong> <br><strong>saibaaverdade@detetives.com</strong> <strong> </strong> </p>



<p><strong>Login:</strong> helenab12 <br><strong>Senha:</strong> amordaterra <strong> </strong> </p>



<p><strong>Log:</strong> <br><em>&lt;cilmarall&gt; 07:03</em><br> você tem me evitado? <em> </em> </p>



<p><em>&lt;helenab12&gt;</em> <em>07:05</em> <br>não é que o Théo está desconfiado de alguma coisa <em> </em> </p>



<p><em>&lt;cilmarall&gt; 07:07</em> <br>da gente? <em> </em> </p>



<p><em>&lt;helenab12&gt; 07:10</em><br>que eu estou traindo ele <em> </em> </p>



<p><em>&lt;cilmarall&gt; 07:13</em> <br>vamos nos encontrar precisamos conversar <em> </em> </p>



<p><em>&lt;helenab12&gt; 07:15</em> <br>não sei <em> </em> </p>



<p><em>&lt;cilmarall&gt; 07:17</em> <br>por favor acho que o Carlos também sabe <em> </em> </p>



<p><em>&lt;helenab12&gt; 07:20</em> <br>tudo bem <br>no Scort as nove <br>mesmo quarto <em> </em> </p>



<p><em>&lt;cilmarall&gt; 07:25</em><br> {coraçõezinhos} <strong><em> </em></strong></p>



<p> <strong><em>nunca faltou nada</em></strong> tinha casa, comida, roupa lavada e cartão de crédito <strong>foi isso</strong> <strong><u>muita facilidade</u></strong> as pessoas abusam de quem é bom  <br></p>



<p><em>5° Ato: Aceitação</em></p>



<p> <strong><em><u>Mamãe, cadê você?</u></em></strong></p>



<p></p>



<p>CAPUT: Théo estava de pé, na cozinha, entre sua esposa e a amante dela, depois de dar um tiro na cabeça de cada uma, e foi o susto da porta abrindo, Júnior entrando, e o instinto de defesa frente a inesperada testemunha, quem apertaram o gatilho.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Eder Capobianco</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras da UNESP-Assis e administrador dos blogs Antimidia Blog e Reblogador. Também participa de projetos como a revista Circuito e o jornal Cannabica, entre outros.</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/774a7-contra-luz.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9668" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Arquipélago da dor &#8211; ILHA #005</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Wendley Silvestre]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Wendley SILVESTRE</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/arquipelago-da-dor-ilha-005-2/">Arquipélago da dor – ILHA #005</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">                   neste ponto do meu existir
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; um tipo de apatia que até então dormitava
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ME DOMINAVA
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eu ouvia o mar
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sabia que estava lá
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; porém
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; não podia vê-lo. então o mar
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; se desfez antes os meus grandes olhos.
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; e com os pés cravados na areia do que
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; antes fora um mar esmeraldino rumei
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em direção a uma nova dor.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Wendley S</strong>ilvestre</strong> é poeta há pouco mais de uma década. Natural de Manaus, filho de mãe preta e pai branco, solteiro desde o nascimento e pai de zero filhos. Acompanhe o trabalho do Wendley no <a href="https://www.instagram.com/wendley_sil_vestre/">Instagram</a>!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/a345f-ambulante.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9660" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Ser São</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/ser-sao-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Mecunhe]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[São]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Mateus Mecunhe</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O relatório acabou de ser fechado<br>Alaranjado o céu, essa habilidade de se tornar laranja enquanto o sol vai indo embora<br>A apresentação já nasceu morta e morreu sem se apaixonar<br>Mas esse verso do poema que não encaixa já faz mais que duas noites<br><br>O poema que também nasceu morto já ganhou vida<br>Vida quase orgânica, varia versos bons com versos ruins<br>Tem verso bom que não se complica<br>Já em outros, acha uma vírgula que quase grita<br><br>Verso após verso após dia fora do tempo<br>Preguiçoso, não se levanta esse verso tão modorrento<br>Como num dia nublado, tem preguiça de brilhar<br>E os corpos brilhantes, torcia, fossem cinza<br><br>Mas esses versos, sábios versos, esperam deitados<br>Esperam quase sem esperança, mas deitam bem deitados<br>Que é o que se deve fazer em dias nublados<br>O vazio é tanto que quase preenche<br><br>Ainda na sala de espera a risada nasce de dentro pra fora<br>Esses versos reavivados ousam e vivem o Éden dos ousados que almejam o céu<br>Sentem, nas beiradas, a crocância da quebra<br>E fluindo desfrutam o infinito da fluidez<br><br>Versos que livres versos vivem mais que a liberdade de sê-los<br>Que nos dias nublados esperam deitados<br>Vivem a redenção de poder não ser: ser livre, ser sol.<br>Mas que enquanto forem, apenas são.<br><br>São. Não são. São. E são sol.<br>Mais do que um, dois ou mil<br>Menos que um, zero ou nada<br>A liberta redenção regozija quem é são<br>E são tantos. E são santos. E são sãos.</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong><strong>Mateus Mecunhe</strong></strong>&nbsp;é um rapaz, 30 anos, se encontrando entre yoga e programação (que são muito mais parecidos do que se pensa).</p>
</div>
</div>



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<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.youtube.com/c/BodoqueTV/featured"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26890" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/10/banner-trama.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div></div>
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		<title>Mamãe, Viralizei</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/05/17/mamae-viralizei-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 045]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=9663</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Guilherme Couto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Vivíamos no vício virtual
Fazíamos de tudo pra ser viral


Eis que a trágica ironia fatal
Fez viralizar o vírus capital


Agr, tá tudo anormal
Não aguento mais só rede social


Kd a vacina contra esse mal?
Quer saber? bjs tchau tchau</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Guilherme Couto</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é uma pessoa jovem. Ele crê que, em toda parte, há arte.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luismonteirodesousa/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/444e1-barraca-de-melancias.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9664" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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