<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Diego Neves - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/tag/diego-neves/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/tag/diego-neves/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Feb 2021 21:25:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>[Podcast] DIEGO NEVES &#8211; Produção Musical caseira e Rock Alternativo</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/14/podcast-diego-neves-producao-musical-caseira-e-rock-alternativo/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/14/podcast-diego-neves-producao-musical-caseira-e-rock-alternativo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 078]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Bate-papo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[música alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[produção musical caseira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14132</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/14/podcast-diego-neves-producao-musical-caseira-e-rock-alternativo/">[Podcast] DIEGO NEVES – Produção Musical caseira e Rock Alternativo</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator" />



<p>No episódio de hoje do nosso podcast o músico Diego Neves conversa um pouco com o Fred sobre seu mais novo <em>single</em>, e sobre os seus projetos com a Legrand e a Diego Neves Banda. </p>



<p>Se você ainda não for inscrito, inscreva-se no nosso canal do youtube e ative as notificações! Ajude a Bodoque a continuar crescendo na plataforma!</p>



<p>Aperte o play e boa audição!<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Produção musical caseira e Rock independente:  bate-papo com Diego Neves - Bodoque Podcast #004" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/dBYWXvvPmzg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<div style="height:62px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14132" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14132" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=14132" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/14/podcast-diego-neves-producao-musical-caseira-e-rock-alternativo/">[Podcast] DIEGO NEVES &#8211; Produção Musical caseira e Rock Alternativo</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/14/podcast-diego-neves-producao-musical-caseira-e-rock-alternativo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">14132</post-id>	</item>
		<item>
		<title>“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/nao-tenho-medo-da-morte-mas-sim-medo-de-morrer/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/nao-tenho-medo-da-morte-mas-sim-medo-de-morrer/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Vida e Morte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=13665</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/nao-tenho-medo-da-morte-mas-sim-medo-de-morrer/">“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”.</p>



<p>Gilberto Gil me traduz, me rabisca, me versa, expressa o medo em mim como se fosse ele mesmo minha própria voz. Talvez seja isso que defina um compositor: a habilidade de palavrear pessoas, amplificando<br>os sentimentos que guardamos em gavetas e potes dentro da cabeça ou do coração. Em minhas gavetas, eu guardo esse medo. Esse medo jocoso, que causa um risinho de canto de boca, bem debochado, que se borda nos rostos cosidos em ironia fina e pura.</p>



<p>“Qual seria a diferença, você há de perguntar. É que a morte já é depois que eu deixar de respirar. Morrer ainda é aqui; na vida, no sol, no ar. Ainda pode haver dor ou vontade de mijar”. A morte já é, morrer está sendo. É devagar, pouco a pouco, a cada mililitro e a cada miligrama. A morte é o destino. Alguns são Amelie Poulain e entendem esse destino como fabuloso, enquanto outros o descrevem como uma incógnita ou um fim. Morrer é o processo, o caminho, a trilha que nos entrega ao destino.</p>



<p>Em 14 de Fevereiro de 1990, a sonda espacial Voyager 1 fotografou a Terra a uma distância próxima dos 6 bilhões de quilômetros. A distância fez nosso planeta parecer um pálido ponto azul. Carl Sagan batizou seu livro, lançado quatro anos depois da fotografia, com esse título: “Pale Blue Dot”. Ele reflete sobre o lugar que chamamos de casa e diz que esse pálido ponto azul é o único lugar que conhecemos como lar. Todo covarde, medroso, herói, filantropo, altruísta, egoísta, toda mulher ou homem, cada pessoa nesse ponto azul o conhecem como lar. Mas, além desse fato, outra coisa também é comum a todos os andantes da Terra: a morte. Alguns morreram antes de nós; outros vão morrer ao mesmo tempo que eu ou você; outros morrerão depois de nós. Uns terão sua morte dada como precoce; outros, “já vão tarde” &#8211; mas de Jeff Bezos ao sujeito mais miserável do qual jamais ouviremos falar, isso é certo: todos vão morrer.</p>



<p>Cada milhão na conta é estar morrendo, como cada centavo perdido também. Todo amor vivido é estar morrendo, assim como toda rejeição. Não há clero, leigo, santo, pecador, louco ou são que não esteja morrendo. É dessa inevitabilidade que eu tenho medo, porque, como dito popularmente, “pra morrer, basta estar vivo”. Morrer é agora, morrer é doído, morrer é estar indo, mas ainda é estar aqui. Morrer é surpresa. Por mais que se saiba que a morte pode estar na virada da próxima esquina, jamais se soube a hora exata e em qual esquina ela está. Quando ela quer, aparece &#8211; como quem é vivo, que dizem, sempre dá as caras uma hora também. Mas até que o encontro com a distinta senhora aconteça, é preciso passar pelo processo. E é desse medo que nasce minha pergunta: como estamos morrendo?</p>



<p>Acumulamos porres, contas, vontades, reclamações. Queremos calor no frio, queremos o inverso, depois queremos o “avesso do avesso do avesso”. Uns querem a razão, outros a felicidade, outros querem a felicidade de ter a razão e uns querem a racionalidade de ser feliz. Não importa, as coordenadas no GPS existencial continuam nos conduzindo, recalculando rotas, virando direitas e esquerdas rumo ao inevitável. Enquanto você morre, deixa eu te perguntar: quantos abraços você já entregou, já recebeu, já deixou pelo caminho? Quantos nãos você já disse? Quanta gente você já precisou despedir, deixar ir e quantas outras você tomou pra si? A quantas já se deu?</p>



<p>Essas perguntas são pertinentes; afinal, a morte é solitária, mas morrer não. A gente não morre &#8211; ou não deveria morrer &#8211; sozinho. Estamos todos morrendo juntos. Você tem morrido junto de quem? O desejo de ser lembrado após a morte, de deixar lembranças e legados é bem comum, mas há uma ideia de que seremos dignos de lembrança pelo modo como vivemos. Pois é, talvez por isso tanta gente queira dar rumos extraordinários à vida, como se a vida fosse um imperativo de ação sem qualquer negatividade, falha ou falta.</p>



<p>Alguns querem apagar de suas trajetórias todas essas inglórias, esses nãos, essas ausências. Talvez seja isso que nos confunda tanto quanto ao sentido da vida. Queremos que a vida tenha sempre um sentido pleno, um grande propósito, um ideal digno dos memoráveis, mas não levamos em conta que os dias a mais são dias a menos. Enquanto a gente morre, a gente muda. O grande propósito de hoje pode ser uma piada amanhã. As pessoas mudam, os rumos mudam, os conceitos mudam, a vida muda. O que não muda é que estamos morrendo &#8211; e enquanto morremos, damos forma à nossa memória. Se vivemos para os propósitos gigantescos destinado aos grandes, perdemos a graça do morrer enquanto mudamos os planos. Casar aos 26, ter filhos aos 27, se aposentar aos 65. Aí os anos vão embora e a gente está solteiro aos 34, não planeja filhos e nem sabe se vai conseguir se aposentar. Interpretamos a vida como um horizonte, sempre dois passos distante a cada dois passos, porque entendemos por vida uma construção contínua do futuro no agora, tendo o que já se foi como parâmetro.</p>



<p>Morrer é diferente. Morrer, a gente morre um pouquinho a cada agora, sofre e ama como se o tempo fosse uma massa de bolo: açúcar, ovo, farinha, fermento, leite. Uma vez batidos, são todos uma coisa só. Passado, presente, futuro são exatamente assim. A diferença é que quando vemos que o tempo não é uma sequência de minutos que vão me dar a fortuna da vida amanhã, a gente se permite sofrer agora, chorar agora, mas ser feliz e amar agora também. Eu poderia morrer enquanto culpo o mundo por minhas mazelas, poderia escolher caras para apontar dedos e despejar mais culpas. Eu poderia morrer enquanto xingo meu clube de futebol favorito, enquanto odeio meu chefe ou enquanto desejo o insucesso de um desafeto. Nada indigno nisso; afinal, somos pessoas e, assim como pensamos e sentimos, também morremos diferente. Mas eu prefiro morrer nos abraços, nos beijos. Prefiro morrer enquanto transo, enquanto gozo, enquanto como e bebo, enquanto sou todo ouvidos e colo ou enquanto eu preciso de ouvidos e colo. Morrer nos atrasos, nos encontros em ponto, nos minutos a mais de sono, nos tapas no despertador ou no acordar afoito antes que o alarme toque.</p>



<p>Eu quero morrer entre amigos, sendo amigo. Eu quero morrer enquanto celebro a minha cama arrumada, minha comida, meu conforto mínimo conquistado com meu esforço. Quero morrer na distância dos ou nos carnavais, no desarrumar das camas ou comendo um fast-food. Porque eu tenho medo de morrer trilhando o chão da solidão, da dor, do desafeto, da distância imposta pela desavença. Da morte, eu não tenho medo; mas tenho medo de morrer. Talvez, na verdade, eu tenha medo da sensação de estar morrendo errado. Sim, morrendo errado. Deixando que os dias passem somando desventuras e desamores bem mais que os pequenos afetos, colhidos no pé de relacionamentos, como acerolas maduras. Morrer errado é quando o viver certo significa ego acima de tudo e o eu acima de todos.</p>



<p>Não, não proponho aqui reflexões rasas sobre o eu e o ego. Não falo do egoísmo de se pôr em primeiro como cuidado, mas como merecedor de toda benesse. O eu antes do outro que significa vida a mim, morte ao outro. Eu não quero morrer sabendo que deixei um rastro de desapontamentos porque não<br>respeitei meu limites e quis me dar quando já não me tinha, ou quis ganhar aquilo tudo que não dei. Eu quero o amor que se realiza no me contemplar como pessoa que se ama, que assim se permite trocar com o outro, que se recebe de volta a partir do outro. Não quero do outro o que já tenho, mas quero o que nele é sim e em mim é não. Quero a negatividade, o negativo em mim que se equilibra no positivo dele, e quero retribuir com o mesmo. Me construir inteiro, para que assim não sejamos metades, mais dois inteiros se fazendo nós. Eu quero morrer fazendo nós, desatando nós, quero morrer eu, me reconhecendo em nós.</p>



<p>“Não tenho medo da morte, mas medo de morrer sim. A morte é depois de mim, mas quem vai morrer sou eu”. Até que a morte nos separe, quero seguir morrendo vivo. Quero todos os brindes e lutos, baques e lutas, sortes e surtos que me couberem. E continuar rumando o inevitável, até que chegue o momento derradeiro. “Aí nesse instante sim, sentirei quem sabe um choque. Um piripaque, um baque um calafrio ou um toque. Coisas naturais da vida, como comer, caminhar… Morrer de morte matada, morrer de morte morrida. Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida.&#8221;</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="399" height="389" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?resize=399%2C389&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13667 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?w=399&amp;ssl=1 399w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/458ed-diego-neves.png?resize=300%2C292&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 399px) 100vw, 399px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Diego Neves</strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13665" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13665" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=13665" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/nao-tenho-medo-da-morte-mas-sim-medo-de-morrer/">“Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer”</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/24/nao-tenho-medo-da-morte-mas-sim-medo-de-morrer/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">13665</post-id>	</item>
		<item>
		<title>[Arredores] Engenharia de Música: com Bernardo Merhy</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/19/arredores-engenharia-de-musica-com-bernardo-merhy/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/19/arredores-engenharia-de-musica-com-bernardo-merhy/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2020 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=11546</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/19/arredores-engenharia-de-musica-com-bernardo-merhy/">[Arredores] Engenharia de Música: com Bernardo Merhy</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todo mundo ama ouvir música, essa arte tão performática e tocante. E você já pensou sobre toda a engenharia por trás de cada faixa que você escuta?<br><br>Dos mais lendários até os mais iniciantes: todo músico precisa de um engenheiro de som confiável para chegar ao resultado perfeito. E se esse profissional tiver a sensibilidade necessária, consegue transformar tudo em música &#8211; até os sons incidentais mais esquisitos.</p>



<p>Sobre isso e outras coisas, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o Bernardo Merhy, que é músico, engenheiro de som e dono do estúdio LaDoBê, já tendo produzido faixas de diversos artistas de JF e região. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd9e9-image.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11548" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Bernardo Merhy, músico e idealizador do estúdio LaDoBê</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Bernardo, nos conte um pouco sobre como foi seu início com a música, de onde veio o gosto por trabalhar com música e um breve resumo da sua caminhada.</strong></p>



<p><strong>Bernardo:</strong> Minha relação com a música vem da infância; meus pais sempre ouviram muita música, meu pai tocava, até chegou a gravar dois discos, e eu fui vendo isso de perto e gostando cada vez mais. Mas eu só fui começar a tocar mesmo lá pelos meus 11 anos. Comecei estudando guitarra, depois resolvi aprender baixo, a bateria, tive algumas bandas, aquela história&#8230;</p>



<p>Há alguns anos, meu pai veio com a ideia de fazer um estúdio e, a partir daí, eu comecei a me aventurar mais por essa área da engenharia de áudio e um pouco da produção musical também. Hoje eu tô mais focado nessa parte técnica, mas a música como um todo me contempla, e eu não consigo mais viver sem ela.</p>



<p><strong>T: Sobre projetos, você já pensou em montar uma banda só com donos de estúdios aqui de JF?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Rapaz, nunca tinha pesado nisso não, mas é uma ideia interessante! Difícil seria conciliar a agenda desse pessoal&#8230;</p>



<p><strong>T: Tanto na música quanto nos filmes, o engenheiro de som é peça fundamental e pode garantir até as principais premiações para filmes, atores, bandas e artistas, no entanto, quando converso com outras bandas, nem todas entendem a importância de um engenheiro de som durante o processo de gravação para a mixagem, nos conte um pouco sobre isso.</strong></p>



<p><strong>B: </strong>Hoje em dia, com toda a facilidade de se gravar em casa, é comum se questionar a necessidade de um engenheiro de áudio ou até mesmo de um estúdio. Eu compreendo isso, até porque eu comecei como alguém que queria gravar coisas em casa. Mas, <strong>até pra se gravar em casa, é importante ter conhecimento</strong>. Não é porque eu posso comprar uma interface de 8 canais e um monte de microfones que eu vou saber o que fazer com aquilo.</p>



<p>O engenheiro tá ali pra interpretar aquela situação e ver qual é a melhor forma fazer aquela gravação acontecer, e isso vem com estudo e vivência; quanto mais você trabalha nisso, mais possibilidades e soluções você vai encontrar dentro de um mesmo cenário. Além disso, você ter uma pessoa encarregada de cuidar dessa parte técnica te deixa livre pra focar na parte musical, artística. Eu já estive dos dois lados da coisa e sei como é ruim você ter que se concentrar na sua performance ao mesmo tempo que se preocupa se o microfone tá posicionado direito, se o ganho não tá baixo, se o sinal tá clipando, etc.</p>



<p><strong>T: Um engenheiro de som precisa de faculdade? Qual curso você orienta pra quem quer seguir nessa área específica?</strong></p>



<p><strong>B: </strong>Essa é uma questão um pouco polêmica, até pra mim; já me perguntei isso algumas vezes.</p>



<p>Certamente há quem diga que sim, precisa de uma faculdade pra se dizer engenheiro de áudio; mas, na prática, sua vivência acaba sendo muito mais importante que um diploma. Ainda mais se você considerar que no Brasil existem pouquíssimas instituições que oferecem uma graduação nessa área. Tem até uma galera que vai buscar isso no exterior &#8211; muito se fala na Berklee, por exemplo -, mas é uma coisa pouco acessível e fora da realidade de boa parte da nossa população.</p>



<p>Acredito que o melhor caminho pra quem quer seguir nessa área seria buscar bons cursos livres, com profissionais renomados, ou através de alguma plataforma virtual de ensino. E pra quem não tem condições de adquirir esse tipo de conteúdo, o YouTube pode ser uma ótima ferramenta; mas é importante filtrar bem, dar preferência pra material produzido por gente com algum renome e fugir de fórmulas milagrosas, como em quase tudo na vida, né.</p>



<p>Além disso, outra ótima maneira de aprender é acompanhando o trabalho de um bom profissional. Essa já é uma oportunidade mais rara, mas se ela aparecer, vale super a pena aproveitar.</p>



<p><strong>T:&nbsp; Existe alguma semelhança entre engenheiro de som e um engenheiro acústico?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Não me sinto apto a falar muito sobre a área de engenharia acústica, mas, de forma bem simplista, o engenheiro acústico trabalha com projetos para tornar um espaço acusticamente adequado, seja ele um teatro, um estúdio ou até um escritório, um apartamento; já o engenheiro de áudio está mais focado em como converter uma performance real num registro da melhor maneira possível. Para isso, é importante que ele conheça conceitos de acústica, mas certamente com menos profundidade que um engenheiro acústico.</p>



<p>Acho que consigo ilustrar isso quando digo que precisei contratar um engenheiro acústico para projetar a construção do meu estúdio.</p>



<p><strong>T: O engenheiro de som faz a mágica das gravações acontecer explorando espaços, ecos, instrumentos e materiais inusitados para a construção da música? É a cereja no bolo?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> A meu ver, num primeiro momento, a função do engenheiro é registrar aquilo que está sendo tocado da melhor forma possível. A partir daí, ele pode adicionar alguns toques pessoais, mas sem tirar o foco do que realmente importa: a performance do artista. É uma linha bem tênue entre imprimir sua marca nos seus trabalhos, sem aparecer mais do que se deve. Como diria Tom Capone: “Quem tem que aparecer é o artista”.</p>



<p><strong>T: Já teve alguma experiência gravando com equipamentos e instrumentos inusitados?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Algumas! Um dos meus grandes parceiros de trabalho, Nathan Itaborahy, é mestre em propor coisas inusitadas. No ano passado trabalhei com ele em dois projetos que me proporcionaram experiências curiosas. Numa delas, uma trilha sonora para o Grupo Nun, gravamos coisas como descarga, garrafa de vidro quebrando, persiana fechando, isqueiro acendendo e mais uma infinidade de coisas improváveis. Já no CD dele, Sentado no Céu, gravamos uma espécie de mini botijão de gás que, acredite se quiser, estava afinado no tom da música, além de som de garfo batendo no prato etc.</p>



<p>Acho que o mais legal disso é que você tem que se virar pra aprender como registrar aquilo; não tem no YouTube um tutorial de como gravar uma descarga ou um garfo batendo num prato, isso não tá nos livros de engenheira de áudio, é isso que mantem o frescor da coisa.</p>



<p>Também já apareceu gente com um microfone feito de carvão lá no estúdio, mas essa experiência acabou não dando tão certo, rs.</p>



<p><strong>T: Eu descobri que toda a gravação do álbum Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges foi realizado com um ou dois canais; a beleza do álbum hoje é fruto de sorte ou de um bom trabalho do engenheiro de som?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Sorte, jamais! Acho que a beleza do álbum vem da beleza das composições.</p>



<p>Pra mim, <strong>não existe engenharia que resolva uma música que já nasce ruim. Por outro lado, uma canção bonita sobrevive a qualquer limitação técnica</strong>. Hoje é muito fácil olhar pra trás e se espantar com questões como o número de canais, mas essa era a realidade da época, principalmente fora do circuito de grandes estúdios. Se você voltar um pouco mais, na década anterior, os Beatles já faziam malabarismos pra gravar em quatro canais e isso gera alguns resultados que hoje causam certo estranhamento, mas que não mudam em nada a grandeza daquelas canções.</p>



<p>Eu não sei exatamente como foi o processo desse disco especificamente, mas de certo que o papel do engenheiro foi “apenas” eternizar a magia que estava acontecendo ali, naquele momento; o número de canais era apenas um detalhe.</p>



<p><strong>T: Tem algum álbum que você nos indica para percebermos mais o trabalho do engenheiro de som no aproveitamento dos espaços e materiais? Conhece histórias de artistas assim?</strong></p>



<p><strong>B: </strong>A primeira coisa que me vem à cabeça é a história da bateria de When the Levee Breaks do Led Zeppelin. Em resumo, eles estavam gravando o Led IV numa mansão que havia sido convertida num estúdio, e a bateria do John Bonham tava numa espécie de corredor, embaixo de uma escada.</p>



<p>Não se sabe muito bem como surgiu a ideia, mas o Jimmy Page, que era o produtor do álbum, e o Andy Johns, que era o engenheiro, ouviram o som da batera do alto dessa escadaria e piraram naquilo. Então, o Andy colocou dois microfones super simples lá em cima, processou um pouquinho esse som e essa é a batera que a gente ouve na gravação, ou pelo menos é o que reza a lenda. Tudo isso nos anos 70!</p>



<p><strong>T: Como tem sido a experiência de trabalhar durante a pandemia? Como tem sido para conseguir gravar, mixar e acompanhar projetos?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> A princípio foi um balde de água fria; estava começando o ano, cheio de projetos e expectativas, e tive que suspender tudo. Aproveitei pra terminar alguns projetos que já estavam na fase de mixagem e só.</p>



<p>Como eu gosto de trabalhar com o coletivo, com a troca de energia e isso acaba gerando um fluxo maior de pessoas, acabou ficando impraticável, até pelo estúdio ser um ambiente fechado. Resolvi aproveitar esse momento pra colocar a casa em ordem, resolver algumas questões que já estavam pendentes há algum tempo e que sempre ficavam pra depois por causa dos trabalhos, e isso tem sido bastante positivo.</p>



<p>Mais recentemente retomei algumas gravações, seguindo uma série de recomendações. É claro que um pouco acaba se perdendo por causa disso, mas é a realidade que estamos vivendo e se adaptar é necessário. Além disso, comecei a planejar alguns projetos pra esse segundo semestre, até pra não ficar com a sensação de um ano perdido. Nesse período também rolaram os lançamentos de alguns projetos gravados lá no estúdio e isso ajudou a manter o ânimo.</p>



<p><strong>T: Pode dar alguns conselhos para as novas bandas e artistas que querem gravar algo em casa ou não tem acesso ao engenheiro de som em suas localidades?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Como diria ET Bilu, busquem conhecimento! O que você sabe é muito mais importante que o que você tem.</p>



<p>Avalie os recursos que você tem pra fazer aquela a gravação, estude bastante e tente entender qual a melhor forma de chegar ao resultado que você almeja com as ferramentas que você tem. Se achar necessário, procure conversar com alguém da área. Pode me mandar um inbox que eu terei prazer em tentar ajudar.</p>



<p><strong>T: Alguma recomendação final? Gostaria de indicar artistas que você gosta de ouvir e te acompanham nas playlists?</strong></p>



<p><strong>B:</strong> Ouça música, muita música, de todos os estilos, dos que você gosta e dos que você não gosta também. Ouça o que está sendo lançado, esteja atento às tendências, até pra fugir delas se for o que você deseja. Não sou muito bom nesse negócio de indicações e cada hora to ouvindo uma coisa diferente, então vou indicar só a playlist do LaDoBê onde dá pro pessoal conhecer um pouco do trabalho que a gente tem feito lá.</p>



<p><strong>Ouça a playlist do LaDoBê no Spotify</strong>:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-9-9 wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: LaDoBê" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0ajvuG8niHPA1o0WBiF3fF?si=hD0hJ_YIRAOVGoi1AGabpg&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-right"><strong>Sobre o entrevistador</strong></p>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/19/arredores-engenharia-de-musica-com-bernardo-merhy/">[Arredores] Engenharia de Música: com Bernardo Merhy</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/19/arredores-engenharia-de-musica-com-bernardo-merhy/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">11546</post-id>	</item>
		<item>
		<title>[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=11309</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/">[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda banda ou artista solo precisa de um suporte nas suas gravações, uma mente que conduza o processo de composição e de gravação para chegar ao resultado sofisticado que temos em nossas mãos.</p>



<p>Gravar e produzir música, em qualquer escala, é uma tarefa difícil, e ainda mais concorrida em tempos nos quais a tecnologia nos proporciona gravações em casa; e o que pode ser um baque para a grande indústria fonográfica, vira uma oportunidade para os artistas locais e regionais.</p>



<p>Sobre isso e muitas outras coisas, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o Guilherme Flauzino (Guilf), que é baixista da banda Contratempo, professor de música e produtor musical. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d1bbd-guilf.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11362" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guilf, produtor musical e baixista da banda Contratempo</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Como começou essa vontade de ter um estúdio e ser produtor? Você sonhava em fazer outra coisa?</strong></p>



<p><strong>Guilf</strong>: Sou músico desde 2010, e em meados de 2013/14 eu comecei a me aventurar por esse mundo de gravação &#8211; ate então, sem compromisso. Eis que um amigo meu, Pablo Abritta, me propôs gravarmos uma musica dele (já cantávamos algumas coisas juntos de bobeira na época). Eis que viemos até a minha casa e gravamos a música de forma bem informal: gravamos no celular e jogamos no computador para mixar/misturar tudo. Após finalizada a música, Pablo resolveu me pagar &#8211; de inicio não aceitei mas ele insistiu e foi meu primeiro pagamento de gravação, R$20,00 na época, me rendeu um bom combo de hambúrguer, batata e refri (risos). Depois disso, como já tinha uma pequena experiencia, comprei uma interface e um microfone e cheguei a gravar minhas bandas, ate que um primo de um dos meus bandmates resolveu que seu ministério de musica cristã iria ser produzido por mim. Aí sim, foi minha primeira produção oficial, um CD de 10 musicas. Sobre sonhar outra coisa, acho que sempre soube que trabalharia com música, mas demorei um bom tempo até bater esse martelo.</p>



<p><strong>T: Entendendo os processos hoje, e as facilidades para montar um home estúdio, você acha que isso torna o mercado musical mais disputado? Como exemplo a premiação para Billie Eilish.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Sim e não, pois por mais que agora hajam mais profissionais da área, nunca falta trabalho pra ninguém. Se existem 10 produtores, pode ter certeza que existem umas 50 bandas/cantores para serem gravados, basta continuar buscando melhorar, tanto como profissional, quanto como ser humano (ninguém merece trabalhar com gente chata). Além do mais, sempre defendi que todo músico deve procurar ser versátil e tentar, ao menos, entender o básico de tudo, além de seu próprio instrumento. Especialmente agora na pandemia, saber se gravar se tornou algo essencial para que a banda não pare totalmente.</p>



<p><strong>T: Você poderia comentar sobre o quanto a premiação internacional a um álbum em casa com recursos emulador afetam a indústria hoje? Abbey Road que te aguarde?!</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Já vi produtores grandes e com longa estrada reclamarem dessa facilidade, ainda mais pelo fato de eu ser fruto dessa tal facilidade. Mas eu creio que as pessoas que buscam crescer, que divulgam bem seu trabalho e tratam os outros bem, elas vão sempre ter serviço. Por isso, não importa em que nível eu esteja, sempre vou buscar incentivar qualquer um que esteja começando. Como eu disse antes, não falta gente pra ser gravada!</p>



<p><strong>T: Você é muito fã dos Beatles e do Queen. Tem alguma coisa deles que você gostaria de regravar com o seu olhar e incluir no álbum deles?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não incluiria nada em seus álbuns pois já os amo, mas tenho um sonho pessoal de regravar Bohemian Rhapsody, minha musica favorita de todos os tempos, onde eu tocaria e cantaria tudo! Uma curiosidade: Foi o primeiro Rock que ouvi na minha vida, quando criança eu tinha uma fita cassete com o filme “Vida de Inseto’’ e logo após o filme, tinha um clipe desse clássico do Queen; eu assistia muitas vezes e viciei, acho que isso foi o universo mostrando que eu seria rockeiro (risos).</p>



<p><strong>T: Dentro da cena da cidade, você tem alguns projetos. Conta pra gente sobre o seu primeiro projeto de gravação,  que te fez perceber que você levava jeito pra coisa e aquele projeto do coração (sem ciúmes dos envolvidos).</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Além da primeira produção oficial e não oficial que citei ai em cima, no meio desses dois acontecimentos, cheguei a gravar minha primeira banda, se chamava “All Break’’. A musica gravada se chama “Free For One Day’’, de minha autoria. Gravamos tudo em casa, com emuladores, e claro que o resultado não foi dos melhores; mas me deu um prazer descomunal ouvir aquilo e pronto, bater no peito e dizer ‘’EU QUE FIZ”. Por mais que eu tenha produzido muitos artistas incríveis &#8211; inclusive a <a href="https://open.spotify.com/album/57CepkKZYCHFNzi6JjPa2L?si=F8wQ5qtwQhyD767c_tMEDQ">Veraluz</a> banda desse belíssimo entrevistador -, meu projeto do coração não poderia ser outro se não o EP <a href="https://open.spotify.com/album/3p7OTO4VFwbDHHqsAiuv3P?si=5UlElWvwTdGic_YvhMTUdA">Atemporal</a>, de uma das minhas bandas atuais, Contratempo. O trabalho, que completou 2 anos de existência em junho agora, foi uma grande vitória na minha vida!</p>



<p><strong>T: Como funciona o trabalho de gravação na sua casa, quais os desafios e as vantagens do home estúdio?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Hoje, meu único problema é o espaço. Infelizmente, pelo fato de eu morar em um apartamento e usar um quarto para trabalhar, isso acaba impossibilitando de que eu faça coisas como gravar duas ou três pessoas juntas, ou mesmo, uma bateria completa.</p>



<p><strong>T: Diante da pandemia, muito se questiona sobre a ausência do contato com certos equipamentos e timbres &#8211; que não ficam bem emulados no computador. Você concorda com isso? Como vê os desafios de uma gravação à distância?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Particularmente, eu sou muito a favor das emulações. Por mais que não seja a mesma coisa que uma bateria real, ou um amplificador real, é possível se tirar um sonzão dali &#8211; vide muitos famosos que já fizeram musicas nível grammy só com emuladores!</p>



<p><strong>T: Sobre a cena da produção musical aqui em JF: você tem contatos, fez colabs, tem encontrado boas parcerias?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Em JF, temos profissionais incríveis que, além disso, são pessoas excelentes, com quem sempre troco figurinhas sobre o assunto. Creio que, de alto nível em JF, posso citar o Mauricio Havila, do estúdio Sonidus &#8211; um cara que admiro demais, tanto pessoal quanto profissionalmente; além do Nando Costa, outro profissional sensacional que é daqui, mas hoje mora fora. Fora eles, dá pra falar de outros profissionais excelentes da cidade que já trabalham com isso há um tempo; os mais próximos a mim hoje são o Bernardo Merhy e o Guilherme Henrique, que eu considero como irmãos. Tem também quem está começando agora; inclusive, tenho incentivado muito um outro amigo, Jones Mendes, a começar nesse ramo &#8211; cheguei a ceder dois clientes meus para ele.</p>



<p><strong>T: Juiz de Fora é um celeiro de bandas boas, e uma delas, com certeza, é a Contratempo. Como é estar na banda e também mixar tudo? Já pensaram em dividir a produção? Como foi esse processo da gravação de vocês?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Como eu disse, foi uma vitória pessoal e profissional termos feito o Atemporal, mas o processo foi um pouco desorganizado, muito por minha culpa. Acho que, por inexperiência na época, não soube coordenar bem &#8211; especialmente a parte da pré produção (etapa que antecede a gravação). Talvez não tivéssemos demorado quase 3 anos para a finalização do trabalho, caso eu fosse mais experiente. Mas tudo ocorreu do jeito que tinha que ser, e no próximo trabalho (estamos planejando um álbum), tenho certeza que estarei bem mais capacitado.</p>



<p><strong>T: Recentemente você também lançou outro single seu, Beleza no Caos. Vem alguma composição nova por aí?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pois é! Tenho algumas musicas próprias por ai, em meu Spotify, além da “Beleza…’’; também tenho uma outra: “Se Tem Amor’’, de 2016. Alguns amigos têm feito campanha para que eu lance um EP solo, e posso admitir que me convenceram. Já estou trabalhando nisso; porém, aos poucos.</p>



<p><strong>T: Agora uma brincadeira: se você pudesse colocar um álbum que fosse a cara de JF, qual seria e porquê?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Pergunta extremamente difícil, mas vou citar aqui meu álbum favorito: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, de 1967 &#8211; creio eu que um dos álbuns mais importantes da história. Cito ele pelo fato de se parecer com um álbum conceitual onde temos o inicio e o fim de um espetáculo. Juiz de Fora, por ser um celeiro de ótimas bandas, tem um cotidiano musical que sempre será um grande espetáculo. E na capa, clássica e reinterpretada por muitos, seriam todos esses personagens que fazem parte da musica juizforana.</p>



<p><strong>T: Como alguém pode começar um home estúdio hoje? Manda umas dicas de cursos e uns equipamentos básicos.</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Muitos dos profissionais que citei acima dão seus cursos, seja presencial ou online; e  recomendo a <a href="https://universidadedoaudio.com/">Universidade do Áudio</a>, plataforma online que contém muitos assuntos referentes a todas as etapas da produção musical. Recomendo, também, ouvir muita musica diferente, e trabalhar para que se expurgue qualquer preconceito musical da sua vida. A começar pelo fato de que preconceito já não é algo bom em âmbito nenhum, e completo com um fato que venho experienciando desde que comecei: “Tudo ajuda em tudo’’. Já peguei referencias do sertanejo e usei em rock, e etc. Então, abra a sua mente o máximo que conseguir, te fará muito bem!</p>



<p><strong>T: Quais as suas indicações de artistas e suas considerações finais para encerrarmos esse momento?</strong></p>



<p><strong>G: </strong>Não vou citar artistas específicos, mas valorizem os artistas da sua cidade; eles têm MUITO a oferecer! Deixo também uma frase sobre o momento atual:<br>“…por mais que seja bem dificil, talve seja importante aprendermos a ter paciência de contemplar um pouco de beleza nesse caos.”</p>



<p><strong>Ouça o single mais recente do Guilf, produzido por ele mesmo</strong>: <strong>Beleza no Caos.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-9 wp-has-aspect-ratio wp-embed-aspect-9-16"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Beleza no Caos" style="border-radius: 12px" width="100%" height="80" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/track/3lpFu3h6lVOHs3dxtKAWlf?si=xgM8WwHcSy6KdgouKGTBfw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1f607-fotos-carol-copy.psd2_.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11391" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/">[Arredores]  Produção Musical em Casa: com Guilf</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/arredores-guilf/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">11309</post-id>	</item>
		<item>
		<title>[Coluna Arredores] Diego Neves lança projeto musical solo &#8211; Entrevista</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/diego-neves-lanca-projeto-musical-solo-entrevista/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/diego-neves-lanca-projeto-musical-solo-entrevista/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 056]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[arte local]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=11242</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/diego-neves-lanca-projeto-musical-solo-entrevista/">[Coluna Arredores] Diego Neves lança projeto musical solo – Entrevista</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>É tempo de valorizar as artes e os artistas &#8211; entre eles, os nossos futuros artistas favoritos; desse &#8211; e de alguns outros &#8211; propósitos, nasceu a Trama, que mais do que uma revista, busca ser um espaço aberto onde artistas possam se expressar e se fortalecer. </p>



<p>Quando pensamos em artistas locais, cada movimento conta. Compartilhar suas obras, seus sonhos e caminhar junto por uma jornada cheia de possibilidades, alegrias e às vezes frustrações; isso até o momento em que a arte voa sozinha, e alcança lugares tão inusitados e especiais que tornam cada aspecto da jornada um degrau memorável na vida do artista e do espectador. E quem acompanha um artista desde o início sabe o quão gratificante é todo esse processo.</p>



<p>Pensando nisso, e em fortalecer cada vez mais as cenas regionais, começaremos a navegar junto a artistas locais tanto de nossa cidade quanto de lugares que vocês, nossos leitores, nos indicarem. Bem vindes, bem vindas e bem vindos à entrevista de estreia da mais nova coluna da Trama:  Arredores.</p>



<p>Na edição de estreia, apresentamos a vocês o Diego Neves, músico de Juiz de Fora. Ex-vascaíno, hoje flamenguista e embaixador do emo no Brasil, Diego é vocalista da Legrand e idealizador do projeto solo DiegoNeves*Banda, que lançou sua primeira música, &#8216;Mexicana&#8217;, no finalzinho de julho.</p>



<p>Logo após o lançamento, o Kariston França, colaborador da Trama, trocou uma ideia com o artista sobre o novo projeto, sobre produzir na quarentena e outras questões. Rola pra baixo pra conferir!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/c6226-20200802_121002-1804115942-1596394667570.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-11256" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Diego Neves, vocalista da banda Legrand</figcaption></figure>



<div style="height:57px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Trama: Porque um projeto solo? O quanto ele destoa (ou complementa) seu trabalho na Legrand?</strong></p>



<p><strong>Diego: </strong>Diego Neves*Banda é um projeto que nasce bem antes da Legrand, mas que se realiza só agora, depois de 5 anos de Legrand. Uma curiosidade é que Legrand é um nome que veio de uma música da Diego Neves*Banda; mas isso é outro assunto. Enfim, a grande diferença entre Legrand e DN*B está na linguagem escolhida. No projeto solo eu caminho no chão das referências pop e MPB, falando com mais leveza e suavidade de temas como amores, encontros e auto conhecimento. A Legrand nasceu indie e foi se inclinando pra uma linguagem mais alternativa, conversando muito com o Midwest Emo, que a gente chama de Emo adulto (risos). Nela, eu derramo os temas mais intensos, indigestos, incômodos, de modo mais incisivo. As diferenças são mais fáceis de perceber do que as semelhanças, mas acho que tom nostálgico das composições, ainda que caminhem em direções distintas, é o que aproxima os dois projetos.</p>



<p><strong>T: O projeto novo já tem nome? Você pode nos revelar?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O que vem por aí tem forma, duração, nome, tudo definido, mas ainda é cedo pra falar mais. Por enquanto, a gente fica com &#8220;Mexicana&#8221; e em breve surge mais coisa nova.</p>



<p><strong>T: As influências sonoras parecem ter uma semelhança óbvia pela sua participação na Legrand. Conta pra gente um pouco mais sobre referências musicais que você usou no seu projeto solo.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> No projeto solo, eu mergulhei no universo do indie pop e de todas as vertentes que se desdobram dele, mas tem bastante coisa da MPB. Acho que posso destacar as fortes influências de Silva, Mahmundi, Xime Sariñana, Chvrches, Duda Beat e Tuyo. Mesmo que indiretamente, todas essas referências trazem consigo uma nostalgia com cara de anos 80/90, que eu amo demais.</p>



<p><strong>T: A experiência de gravar e mixar na quarentena, como foi? Fez falta a experiência de ir ao estúdio? Como foi esse processo de gravação e a mixagem?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> O estúdio faz falta quando nos referimos aos equipamentos, principalmente os analógicos; lá, a gente tem acesso ao timbre daquele compressor ou daquele amplificador, sem precisar simular aqueles sons. Mas gravar em casa tem um clima diferente, principalmente quando o assunto é tempo. Experimentar, fazer e refazer, errar, acertar, descobrir, tudo isso demanda tempo. Quando você grava no seu quarto, sem a pressão do tempo pago e das horas gastas no estúdio, o limite criativo e as possibilidades de exploração se expandem. Eu gravei esse projeto todo durante uns dois meses, a partir de demos gravadas há 3 ou 4 anos atrás. Fui tirando e colocando elementos, experimentando até chegar no ponto que queria. A mixagem e a master foram feitas pelo Rubens Adati (Inhame Estúdio). Ele é de São Paulo, tem a banda Meu Nome Não É Portugas, fez algumas guitarras no disco do Vella (Felipe Vellozo, baixista da Duda Beat) e já trabalhou com muitas bandas da cena paulistana. Ele surgiu como uma surpresa maravilhosa, num post de Instagram, e meses depois eu estava ouvindo o projeto pronto. O que senti falta mesmo foram das conversas que rolam durante o processo. É sempre divertido, e ajuda no surgimento de ideias novas. Mas deu tudo certo e tive muita gente nessa comigo, apesar da distância.</p>



<p><strong>T: Você acha que vai ganhar algum pastel na mexicana? Já soube que ganhou bolo da Regaliz</strong>&#8230;</p>



<p><strong>D:</strong> (RISOS) Eu ficaria feliz com esse patrocínio aí. Me nota, Mexicana! A Regaliz tem meu coração! Conte comigo pra tudo, Regaliz, tal qual o meme. (risos)</p>



<p><strong>T: Sua escrita tem muito de uma poesia ordinária e envolvente. Podemos esperar essa tendência ao longo do projeto, ou veremos letras politizadas em uma poesia mais intensa, como nas letras do álbum mais recente da Legrand?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Sim, essa [poesia ordinária] é a tendência do projeto. Quero explorar esse cotidiano versado, cantando letras que usam uma linguagem rica em signos da vida comum. Mesmo que recorra à introspecção em alguns momentos, ainda assim é um uso menos denso do que nas composições da Legrand.</p>



<p><strong>T: Você lançou a música &#8216;Mexicana&#8217; apenas em mídias virtuais. Como você enxerga esse espaço para artistas consolidados e novos artistas?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Há uma ideia de democratização da produção e da distribuição dos conteúdos artísticos por meio dessas mídias. Os artistas mais consolidados se adaptaram aos novos formatos, precisaram repensar estratégias, mas usufruem de uma estrutura muito maior do que nós, artistas independentes. Assessoria, gerenciamento de carreira, gravadora, tudo segue um fluxo diferente. Mas, ainda que sem essa estrutura enorme, com disposição e organização do trabalho &#8211; e contando com a ajuda dos amigos, claro &#8211; os artistas independentes podem se lançar no mercado, sem intermediação de grandes selos ou muita burocracia. Lógico que existe um vão enorme, que a ralação pra fazer o trabalho vingar exige muito esforço, planejamento, noites viradas, mas ninguém começa hoje e amanhã é a nova Lady Gaga. Tudo é processo. Pra chegar nos 1000 plays, tem que planejar os primeiros 10, depois 100, assim por diante &#8211; e tem que comemorar muito essas conquistas. Talvez a gente peque muito em enxergar a produção artística apenas pela ótica do mercado. A música é mercado sim, mas se você não faz isso porque é o que ama fazer, tudo passa a ser só número sobre número e se perde. </p>



<p><strong>T: E a questão da pirataria? O acesso livre às produções artísticas, culturais e acadêmicas pelo livre compartilhamento precisa acabar? O quanto isso interfere no seu projeto?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Essa é uma questão delicada e que tem muitos lados. Entendo que a pirataria, em termos lucrativos, trouxe uma desestabilização do mercado e isso afeta a indústria &#8211; o que significa, grosso modo, que trabalhadores vão sofrer com isso, com essa desestabilização. A tendência é sempre a mesma: o que afeta os grandes grupos e empresas, afeta mais quem é o “chão de fábrica”. Mas como pensar em democratização do acesso à cultura e não considerar causar um abalo na estrutura da indústria? Porque é inegável que os espaços e produções culturais são pensados a partir do consumo, em termos de indústria. E quando pensamos em consumo, sabemos que uma parcela da população é privada desses espaços por conta da sua realidade. Nem todos podem ir ao cinema com frequência, muito menos podem pagar centenas de reais pra assistir o seu artista favorito ao vivo. Nesse ponto, a pirataria causa uma inflexão necessária, mas complicadíssima de analisar. A pirataria não é uma faca de dois gumes, ela é um decaedro. Eu sou a favor do acesso livre à informação. Entendo isso como direito fundamental, mas essa é uma discussão longa, que ainda engatinha, apesar dos anos de transformação que a indústria cultural promoveu. Quanto a mim, não sei dizer o quanto isso pode me afetar, sendo bem sincero. Outros elementos, como o repasse das plataformas de streaming para os artistas, precisam entra na equação também, e é aí que a gente vê esse nó se complicar mais que os nós temporais de Dark. </p>



<p><strong>T: Podemos esperar participações nas próximas composições?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Espero que, num futuro próximo, sim, possam surgir mais participações e parcerias; mas nesse projeto solo as composições nasceram e foram executadas bem “solo” mesmo. Mas eu quero ter mais composições escritas em parceria e espero, ao menos quando pudermos voltar aos palcos, poder contar com outras vozes somando comigo. </p>



<p><strong>T: Você gosta bastante de um pagode e samba; acha que pode vir um som nessa mistura?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Pagode 90 é minha religião! (risos) Eu tenho composições que flertam com o samba e com o pagode, sim. Na verdade, por ter crescido ouvindo muito pagode, é inegável que minhas músicas bebem dessa fonte &#8211; e se você tirar o arranjo original delas e colocar um pagode, elas vão encaixar (risos). Quem sabe esse gosto pelo pagode ganha corpo e se torna real? A Legrand já faz o Derê &#8211; nosso pagodão pré carnaval &#8211; há dois anos. Não nego que possa nascer algo assim na DN*B.</p>



<p><strong>T: Alguma indicação de artistas que te acompanham ou que você descobriu?</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Mahmundi, Adriana Calcanhotto, Lenine e Jorge Drexler são artistas que trago no coração. Mas eu descobri recentemente preciosidades como Natália Lafourcade, Los Punsetes, Zahara, Suoersbmarina, Sidonie. Enfim, a lista seria extensa, mas menciono ainda Ximena Sariñana, Mon Laferte, BAAPZ, Mike Posner, Rincon Sapiência e a incrível Julieta Venegas. Enfim, se alguém quiser mais, pode me chamar no Instagram que a gente troca ideia. </p>



<p><strong>T: Deixa seu recado para nossos leitores aqui.</strong></p>



<p><strong>D:</strong> Acho que o que posso dizer é: se cuidem e cuidem dos seus. Em breve, a loucura que a gente tá vivendo se abranda e a vida segue o fluxo. No mais, ouçam DN*B, apoiem os artistas da sua cidade e OUÇAM MÚSICA LATINA E EM LÍNGUA ESPANHOLA. Um beijo, um abraço e fiquem firmes! </p>



<p><strong>Ouça o primeiro single do Diego</strong>: <strong>Mexicana.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Mexicana" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4yCsIe5iORuA5xe8ABFQiC?highlight=spotify%3Atrack%3A1JE19tfDTKB193sRUMOcYx&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/diego-neves-lanca-projeto-musical-solo-entrevista/">[Coluna Arredores] Diego Neves lança projeto musical solo &#8211; Entrevista</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/02/diego-neves-lanca-projeto-musical-solo-entrevista/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">11242</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Desumano</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/desumano/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/desumano/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[desumano]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=10967</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/desumano/">Desumano</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Quero contar uma história. Bem, na verdade, essa história está registrada em uma passagem bíblica. Não, não vou falar &#8211; pelo menos não de modo direto &#8211; de crença ou religião. Não quero também ser traído por qualquer anacronismo ao tecer algum tipo de julgamento acerca da passagem, mas ela vai ser útil, muito útil, para elucidar minha linha de raciocínio. Introdução feita, sigamos. O capítulo 19 do livro de Gênesis narra a saga da fuga de Ló e sua família da cidade símbolo de falência moral, ética e social: Sodoma. O cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, não gratuitamente, batizou uma de suas obras &#8211; que já chegou a ser considerada uma das mais fortes da história do cinema &#8211; de “Salò ou os 120 de Sodoma”. Se arrisquem no universo “googleniano” e leiam sobre o filme. Se depois disso se sentirem prontos para experimentar as sensações causadas pela obra &#8211; eu não me senti, apesar de tentar &#8211; experimentem e tenham uma ideia do que significava a cidade destruída por uma saraivada flamejante. Mas eu quero me ater a um ponto específico do texto bíblico, acontecido no início da narrativa. Ló estava sentado bem na entrada da cidade, à porta de Sodoma, quando avistou dois anjos chegando. Insistiu em os receber em sua casa, dar de comer e também ofereceu conforto para o descanso dos visitantes. Quando os estrangeiros já estavam alojados, os locais, que haviam presenciado a chegada dos dois, foram à casa de Ló e insistentemente batiam à porta e exigiam que Ló levasse os anjos para fora para que pudessem ter relações com eles. Sim, a bíblia traz este relato e ainda deixa explícito que eram todos homens. Os homens queriam fazer sexo com os forasteiros. Sem consentimento, sem considerar o outro. Apenas queriam e exigiram de Ló a entrega dos visitantes às suas vontades. A partir daqui as coisas ficam &#8211; no mínimo &#8211;&nbsp; um pouco mais esquisitas. Ló, que reconhecia nos anjos uma presença digna de adoração, se sentiu na obrigação de defendê-los. E assim o fez. Não de um modo ortodoxo ou admirável, mas fez. Saiu, se colocou à frente da porta e tentou negociar com os locais. Pediu para que não fizessem mal aos anjos e ofereceu, como possível recompensa ou moeda de troca, as duas filhas virgens. “Tenho duas filhas virgens. Eu posso as trazer e podem fazer com elas o que bem entenderem, só não toquem nos visitantes”. Um tanto espantoso, talvez isso cause repúdio, mas foi assim que Ló tentou resolver o conflito. O que esses homens tinham em mente? O que passou pela cabeça deles? Como podem exigir a exposição de desconhecidos às vontades e desejos de outros, somente por puro prazer? Como pode um pai oferecer as filhas virgens como moeda de troca sexual para a solução de um conflito? A história é absurda, e mostra que eram tempos mais estranhos do que o mundo ocidental pode compreender. Bem, eu achava que eram tempos mais estranhos. Mas estava &#8211; e estou &#8211; errado.&nbsp;</p>



<p>Jurerê. Famoso bairro da cidade de Florianópolis. Lá é possível encontrar frescor de praia em dia quente, um azul impressionante na água, dupla sertaneja gravando DVD e gente, muita gente. É um desses lugares que já conhecemos, ao menos de relatos ou porque visitamos locais semelhantes, onde tudo inspira, expira, transpira ostentação, riqueza e uma sensualidade estetizada. Mariana Ferrer é jovem, bonita, atua nas redes como <em>influencer </em>e, justamente por causa dessas credenciais, recebeu um convite do luxuoso beach club Café de La Musique para trabalhar como uma de suas embaixadoras. O relato totalmente exposto nas redes sociais da própria Mariana e também em uma <em>trhead </em>no perfil de Cris Dias, no Twitter, traz uma gama inacreditável de possibilidades que uma pessoa tem para ser cruel. Como já se sabe, homens são muito mais que privilegiados em nossa sociedade. Sendo ricos e brancos, eles também são bajulados e protegidos. Usufruindo dessas facilidades, é um “absurdo comum” que homens se sintam no direito de invadir o espaço de mulheres na intenção de fazer com elas o que bem entenderem. Por vezes, existem até locais reservados para práticas abusivas &#8211; práticas que há tempos já foram normalizadas. O caso de Mariana é mais uma dessas práticas. Aos habituês do beach club de Jurerê, a existência do “matadouro” não é novidade. Um lugar reservado, onde homens podem levar quem quiserem para fazerem o que tiverem vontade de modo privado. André de Camargo Aranha, que atua no ramo do marketing futebolístico, é um desses homens que frequenta e usufrui dos privilégios oferecidos no local. Níveis de álcool elevado e a libido doentia masculina, que parece alcançar níveis ainda mais nocivos somada ao excesso de álcool, formaram um coquetel desastroso. André levou Mariana, nitidamente sob efeito de alguma substância entorpecente, para o “matadouro” e a violentou. Não fosse isso suficientemente terrível, o estupro levou embora à força a virgindade de uma menina de 20 anos . Mariana relata traumas causados pelo episódio até hoje. Como se não pudesse piorar, os prints da conversa entre Mariana e as amigas que estavam com ela é de fazer vomitar. Enquanto Mariana chora e pede socorro em mensagens de texto e áudio, a resposta que recebe é que as amigas, em companhia de amigos do estuprador, não podiam ajudar porque tinham acabado de pedir algo pra comer. Não podiam sair dali agora. &nbsp;</p>



<p>Ló, André, as amigas de Mariana, Suzane von Richthofen. Com toda certeza, a definição de desumano dada pelos dicionários se aplicaria nesses casos e pessoas. Falto de humanidade; bárbaro, cruel, desalmado, que demonstra desumanidade; anti-humano, atroz, duro parecem ser características comuns a cada nome citado. Mas eu pergunto: será?&nbsp;</p>



<p>Não é incomum, e tampouco raro, ouvir por aí que todos que cometem algo extremamente absurdo são desumanos. O prefixo é de origem latina. “Des” tem a função de denotar ação contrária, negação, separação. Se tomamos por base que o que de melhor podemos ser é sermos mais humanos, logo, o que de pior de pode ser é o humano precedido do prefixo citado. Para construir essa &#8211; ou qualquer outra &#8211; linha de raciocínio é necessário recorrermos à lógica. A lógica, que se configura por um modo de organizar ideias e ações de forma que sejam consoantes com a realidade, é base do pensamento, da construção das ideias, segundo Aristóteles. A lógica aristotélicas propõe a existência de três leis para a fundamentação do pensamento. Uma das três leis do pensamento é a Lei do Terceiro Excluído. Basicamente essa lei afirma que: uma coisa é o que se diz dela ou é o seu oposto, não há uma terceira possibilidade. Ou seja, na visão dicotômica e viciada com a qual costumamos classificar pessoas, nós somos humanos ou somos desumanos, não há uma terceira via. Mas, uma vez estando claro &#8211; partindo da premissa dicotômica &#8211; que desumano é um oposto de humano, quando eu afirmo que uma pessoa não é humana e tomo isso por verdade, o que isso significa? Qual é a definição de oposto ao humano? Animal? Coisa? Como deve ser tratado o oposto do humano? Com a dureza que se trata um animal rebelde que precisa ser domesticado? Mas esse processo de domesticação do humano já foi explicitado por autores como Freud, Marx, Lukács, Weber, Geertz, Adorno, Habermas, Bourdieu e tantos outros. Esse processo se chama cultura. Sendo assim, é inegável que o processo civilizatório trouxe o que se entende por um “mal estar na civilização”. Mas isso não roubou de nós a humanidade. Devemos tratar o alguém que consideramos desumano como coisa, então? Se quebrar, consertamos. Se não gostamos, jogamos fora. Não me parece muito cabível. Diferente dos animais e das coisas, homens não são plenos. Não no sentido existencialista. Onças são onças. Cadeiras são cadeiras. Mas homens e mulheres não são e ponto. Todas as cadeiras são cadeiras. Todas as onças têm características comuns. Nenhuma delas se pergunta o motivo de fazer o que fazem. O homem e a mulher, a humanidade, vive buscando se definir, se compreender, se encontrar. A humanidade não é em si, mas é para si. Nessa busca, fazemos escolhas &#8211; ou não as fazemos também. Podemos ser educados, mas podemos ser ignorantes. Podemos ser cordiais, mas podemos ser violentos. Mas isso só cabe a nós. Cadeiras não ofendem por saberem que ofensas machucam e causam danos emocionais. Onças não fazem reuniões para discutirem sobre os rumos da sociedade na qual estão inseridas, nem colocam em pauta o perigo do consumo abusivo de plástico e produtos industrializados nocivos ao meio-ambiente. Cadeiras não traem ou se apaixonam. Onças não estudam propostas de emprego ou aceitam propina. Entende o que quero dizer? O que existe de pior em nossas ações também é o que de mais humano &#8211; demasiado humano &#8211; há. Não existe natureza humana, existem ações humanas, que só cabem a nós. Portanto, não havendo um definição em si, que encerre o conceito de oposição direta ao humano e não podendo o homem ser ao mesmo tempo o que se afirma dele e seu oposto, desumano pode significar ser um não-ser. Um não-humano. E o não-humano pode ser qualquer coisa, porque não existe definição para o seu estado. O não-humano não é em si, como cadeiras e animais, mas também não é para si, pois não se revela nele uma busca pelo ser, uma vez que sua condição é um não-estado. São dois caminhos muito perigosos que se apresentam a nós ao crermos no desumano ou no não-humano como adjetivos. É preciso ressaltar aqui, antes de nos debruçarmos sobre os caminhos em si, que o conceito “natureza humana” já não se sustenta e, de certo modo, já foi superado por outras teorias filosóficas, sociológicas e psicológicas. Ainda assim, foi partindo da ideia de natureza, como sendo um estado primitivo do ser, que no século XVIII foram erigidos conceitos e ideias importantes para o desenvolvimento cultural da vida em sociedade. Uma vez esclarecidos os pontos necessários, vamos aos caminhos. O primeiro rumo perigoso que podemos tomar é crer que o homem, semelhante ao que pensava Rousseau, é bom por natureza, definindo por humano tudo o que é livre, harmonioso, pacífico. Rousseau condiciona o processo civilizatório &#8211; como citei algumas linhas atrás &#8211; como o causador desse mal-estar no qual a humanidade se encontra. O homem é bom, o que não é tão bom é a forma como a modernização engole essa natureza. Mas como não há a possibilidade de vivermos em estado natural pleno e muito menos podemos negar os avanços benéficos da modernização, o ideal é que a natureza e a modernização se realizem mutuamente em sociedade, como um contrato socialmente firmado. Lançando o olhar rousseauniano sobre a questão do desumano, observamos que desumanização significa um distanciamento do bom. De modo prático, desumano, definido como oposto do binômio humano/bom, é ser mau. Mas há quem acredite numa natureza selvagem, vil, movida pela cega necessidade instintiva de sobrevivência. Esses são os que nos apontam para o segundo caminho, e fazem coro junto a Hobbes. “O homem é o lobo do homem”. Em suma, o homem é por definição mau, o que não nos permite assombros ou espantos diante da maldade, já que é isso que se espera do humano. Por isso o processo civilizatório se faz mais do que importante, necessário para que existam limites condicionantes à natureza do ser, visando uma regulação das relações a fim de manter intacta a maior das propriedades: a vida. Esses caminhos, quando tomados por verdades irrefutáveis, nos conduzem ao mesmo abismo: o abismo de encerrar o conceito de humanidade em um estado natural que só se modificou por conta dos processos condicionantes, furtando do humano as infinitas variáveis de ação. Não há mau natural ou bem natural. Se eu afirmar que existe um mau ou um bem que se realizam na minha natureza, eu não tenho escolhas. Mas se percebermos que o humano se faz nas possibilidades do ser, desumanizar é e tomar do outro qualquer vislumbre de mudança de convicções. É condenar o outro a um não-estado, onde somente o nada e o desprezível lhes são perfeitamente cabíveis. Não há redenção ou justiça nesse processo. Quando&nbsp; desumanizamos alguém, limitamos todas as suas possibilidades de ser. O não-ser é uma existência indigna. Não há quem se importe com o não-ser, muito menos quem o leve em consideração, afinal, ele não é gente, não é humano, não é coisa. O não-ser é um nada, e como nada que é, merece o pior do pior. Aos desumanos, pena de morte. Aos desumanos, sexo corretivo. Aos desumanos, jejum punitivo. Aos desumanos, violência coercitiva. O não-ser se encontra em um limbo onde não há redenção, mas também não há indiferença. Em relação ao não-ser há apenas repulsa, um ódio travestido em indignação.&nbsp;</p>



<p>O humano não é só bom, o humano não é só mau. Mas o que de melhor ou que de pior pode ser feito pela humanidade é uma expressão máxima do ser humano. A lógica punitivista do desumano justifica a guerra, justifica a violência, justifica tudo aquilo que se busca combater ao usar o termo. Não existe humano que comete crime, só existe criminoso? Não existe humano que mate, só existe assassino? Não existe humano que roube, só existe ladrão? Roubar, matar, destruir. Cometer todo o tipo de crimes é sempre associado ao desumano, porque ser humano é agir e ser o oposto do que criminosos são e fazem, por exemplo. E se a sociedade abriga em si a existência de pessoas desumanas e violentas, porque não posso me defender com uma arma e também matar, apenas para manter intacta minha humanidade? Na lógica da punição, humano é um status. É uma posição ocupada na estrutura social, que me afasta de tudo que é perverso e imoral. Por isso o humano tem direitos, o desumano não.&nbsp;</p>



<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Porém desumano não é o agir mal, muito menos o ser mau, mas é o resultado de um processo de esvaziamento do outro. Desumanizar não é se desprender das convenções humanas e agir intentando contra a vida, mas é privar o outro de qualquer possibilidade de justiça, derramando sobre ele a fúria instantânea e impulsiva do justiçamento. Consegue ver o quão perverso é o ato de desumanizar? Hitler não acreditava que judeus ou negros fossem humanos dignos. Mas tão humano quanto os judeus e os negros, era o próprio Hitler. Ele não estava fora de sua humanidade quando arquitetou e executou seu plano de dominação autoritária e sangrenta. Nenhuma guerra foi desumana, por mais cruel que tenha sido. Nenhum não-ser é capaz de produzir bombas, de manipular informações, de matar pelo poder. Essas são ações humanas. O humano mata os pais, estupra a virgem, oculta cadáveres. O humano é morto, violentado, esquecido. Há em tudo isso, em todos esses, humanidade. Porque ser humano não significa ser puro/bom, muito menos sujo/mau, mas significa que somos capazes de imaginar, planejar e agir da pior forma ou da melhor forma possível. Desumanizar é uma ação do humano. Mas ser tão humano quanto o outro me aproxima do outro. Eu que “nunca fiz o mal” sou tão humano quanto um assassino em série. Eu que nunca salvei uma vida da morte, sou tão humano quanto heróis de guerra.&nbsp;</p>



<p>Diante de nós se revela uma mesa farta, um banquete de ações. De quais delas vamos nos suprir, cabe somente a nós. Hoje o mundo se vê obrigado a se encolher, se guardar em prol da sobrevivência. Os noticiários, os novos adereços agregados às vestimentas habituais, os novos hábitos, tudo aponta para a transformação que atravessamos. Um mal invisível se pôs entre nós, exigiu a distância, fez das janelas nossa via de acesso mais crua ao mundo. Frente tais restrições, é humano seguir recomendações básicas para diminuir o risco de morte, como também é o seu inverso. Ser humano é ser responsável, seja pelo que for. As ações estão expostas, nos resta escolher. Desumanizar é restringir do outro qualquer acesso à dignidade.&nbsp; Desde quando comecei a escrever esse texto, há meses, até o dia de hoje, muita coisa aconteceu e me colocou diante dessa realidade da desumanização como um projeto humano. Doutor Dráuzio Varella experimentou um “webmassacre” por ter abraçado uma mulher trans, presidiária, que não recebia visitas há muito tempo. O motivo do “webmassacre” foi a razão pela qual a mulher estava presa: tinha assassinado uma criança. Bom, juridicamente, justiça está sendo feita. Ela está presa, tem sua liberdade devidamente privada, está socialmente isolada. Mas a lógica dos bons/humanos, “cidadãos de bem”, coloca a mulher como centro do projeto de desumanização. Uma vez que ela comete um crime hediondo, a justiça não é feita com a prisão e o isolamento, muito menos com os desdobramentos psicológicos que anos de confinamento podem trazer, mas a justiça se realiza no “justiçamento” da privação total de qualquer gesto de empatia. Desumanizar é fazer um bolão pra saber em quantos dias o “youtuber pedófilo” vai se suicidar, e torcer pra que isso seja feito em breve. Eu sei, é incômodo e delicado assumir que ninguém é desumano, mas que desumanizar é um projeto humano. Isso nos coloca muito próximo do estuprador, do racista, do assassino, do pedófilo. Ninguém quer se sentir perto de pessoas que agem tão mal, que ferem, que matam, que são ignorantes. Mas, o que se deve deixar claro é que não há qualquer defesa ou justificativa para os atos violentos, hediondos e prejudiciais. Matar não é bonito, não existe beleza na guerra, não existe violência poética. Quem comete crimes, deve pagar pelos crimes, deve receber a condenação devida. Os que causam sofrimento, devem ser privados de sua liberdade e ver a vida em cárcere se realizar. O que não pode existir é uma ideia de humano e desumano como um nós/eles, onde nós temos nas mãos o trunfo da humanidade e eles, como desumanos que são, não merecem nada de nós a não ser mais violência, mais crueldade, mais sangue derramado. Olho por olho, todos ficam cegos. Dente por dente, todos definham e engasgam.</p>



<p>O mais irônico na história da civilização ocidental é que baseamos todo o conceito de humano e desumano na crença de um Deus humano. Um Cristo divino que se fez carne e osso. Enquanto o Deus feito homem é a base da moral ocidental, o homem se fazendo Deus, sem qualquer dúvida, faria coro à multidão e aplaudiria a desumanização do messias. Bem, olhando pro Brasil atual, parece que tudo se inverteu e desumanizar é o projeto do Messias escolhido e aplaudido. Mas que fique claro: ao humano cabe tudo, até mesmo o ato de desumanizar. Em último grau, nossa existência é dialética, não havendo em nós qualquer natureza banhada em pureza. Nem plenamente bons, nem plenamente maus, mas, sinalizando “o estar de cada coisa, filtrando os seus graus”, humanos, demasiado humanos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3e4db-julia-sa-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3417" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/desumano/">Desumano</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/desumano/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">10967</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Jesus é Rei &#8211; por Kanye West.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2019 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 020]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus é rei]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus is king]]></category>
		<category><![CDATA[kanye West]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=4057</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/">Jesus é Rei – por Kanye West.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">“Não viva mais pela cultura, não somos escravos de ninguém” </p>



<p class="has-drop-cap">Eu costumava frequentar a mesma loja no centro do Rio de Janeiro. Todas as vezes que precisava ir ao centro, minha última parada era na rua 1o de Março. A Godspell era a maior loja de discos especializada em música cristã do Rio &#8211; pelo menos para mim. Era início dos anos 2000, eu tinha entre 14 e 15 anos, e todos os trocos dos lanches da escola que eu conseguia juntar, invariavelmente, se tornavam novos discos na minha coleção. Eu era um adolescente que ainda descobria o rock. Nascido e criado nos subúrbios do Rio, minha formação musical é diversa: passa pelo funk de Mc Marcinho e Furacão 2000, o pagode 90, o rock dos Engenheiros do Havaí e o rap/hip-hop. De berço evangélico, tudo que experimentei na música, em algum momento, se voltava para a temática religiosa. Justo por isso, quando conheci a Godspell, a elegi como uma espécie de paraíso. Títulos de variedade infinita e uma coleção inimaginável de estilos que versavam sobre fé, salvação e Jesus estavam ali ao alcance da minha mão &#8211; e ao alcance do bolso, se eu pudesse dispor, em média, uns R$22. Lembro que no fim dos anos 90, quando ainda era criança, a música que ouvia na igreja, no momento dos cultos, tinha uma forte influência teológica e estética da música negra norte-americana. Adhemar de Campos era o que tínhamos no Brasil como nosso Ron Kenoly. Ron Kenoly, se você não conhece ou não se lembra, foi um dos artistas cristãos mais importantes da gravadora Hosanna Music &#8211; um departamento voltado para música congregacional dentro da gigante Integrity Music. “I See The Lord”, que em português ficou conhecida como “Vejo o Senhor” &#8211; possivelmente a música que contém o solo e linha de baixos mais espetaculares dos últimos 25 anos &#8211; foi, em todos os sentidos, um hino que marcou essa transição dos anos 90 para os anos 2000 &#8211; quiçá foi o hino de toda uma década. Depois de Ron Kenoly, outros nomes foram se somando ao panteão da música cristã. Ouvir a palavra gospel no Brasil do início do século XXI, ainda era algo que representava uma segmentação, que se traduzia por tudo que fosse religioso. Sendo assim, não era difícil termos uma enorme loja &#8211; e distribuidora de títulos incríveis &#8211; bem no coração do Rio de Janeiro dedicada à esta segmentação musical. Além dos títulos, outro diferencial me fazia não querer sair de dentro da Godspell: todos os títulos distribuídos pela BV Films &#8211; a distribuidora que funcionava dentro da própria loja -, o que significa dizer que eram todos os títulos das grandes gravadoras americanas, estavam dispostos para que você pudesse ouvir. E era isso que eu fazia: passava horas escolhendo todos os títulos que queria ouvir, juntava a minha pequena pilha de uns 8 a 10 discos, os colocava sobre o balcão do caixa, onde ficava o aparelho e o fone para que pudéssemos ouvir, e ouvia todos os discos. Entrava na loja, na maioria das vezes, no meio da tarde, por volta das 15h, e saía quando o dia já se despedia &#8211; e a loja se preparava para fechar. Ouvi e conheci muita bandas de rock, muitas cantoras pop, mas naquela época, o que fazia a cabeça dos músicos da igreja era um outro som: a música negra. R&amp;B, rap, hip-hop, soul, funk(não o carioca, o que é de certo modo é de se lamentar) eram os sons que serviam como objeto de desejo de cantores, instrumentistas e compositores cristãos. Eu amo música e suas possibilidades. Movido por esse sentimento, mergulhei nesse universo e fui brindado com a alegria de se apresentado a nomes como Mary Mary, Yolanda Adams, Kirk Franklin e Fred Hammond. E é justo esse último nome citado que vai fazer a conexão entre Rio de Janeiro, 2005 a 2011 (quando a Godspell existia) e os Estados Unidos de 2019. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-dark-gray-color has-cyan-bluish-gray-background-color">Se você gosta de música, se é ligado ao universo dos lançamentos de disco, se
interessa pelo universo pop ou se apenas, ao longe, tem algum interesse em assuntos que
estão em alta na mídia voltada para celebridades, suponho que tenha tomado
conhecimento do lançamento que tem dado o que falar desde os seus rumores até a sua
realização: o novo disco “gospel” do rapper, cantor, compositor e produtor americano Kanye
West. Se não sabe de quem estou falando, posso refrescar memória, ou tentar refrescar,
citando o famoso caso ocorrido na edição de 2009 do Video Music Awards (VMA), prêmio
produzido pela MTV. Quando chamada ao palco para receber o prêmio de Melhor Vídeo do
Ano, Taylor Swift subiu ao palco, recebeu a sua estatueta de astronauta &#8211; que é o troféu que
todo artista vencedor do VMA recebe &#8211; e quando se preparava para dizer as primeiras
palavras do seu discurso de agradecimento, teme o microfone tomado de sua mão e o seu
discurso brevemente interrompido por um Kanye West revoltado com o resultado, ainda que
tenha parabenizado Taylor inicialmente, dizendo que o prêmio deveria ser entregue À
Beyoncé. Isso ocorreu há dez anos, mas ainda assim, é um fato pelo qual Kanye é
lembrado boa parte das pessoas que não estão ligadas ao mundo da música. Seria justo
dizer que Yeezy &#8211; como também é conhecido &#8211; é famoso somente por esse fato e por ter
casado com a socialite, empresária e personalidade &#8211; seja lá o que “personalidade”
signifique nesse mundo dos famosos &#8211; Kim Kardashian? A resposta é clara: Não!
</p>



<p>Kanye Omar West foi um menino de classe média, nascido em Atlanta, estado da
Georgia. Filho de Ray West, fotojornalista e ex-membro do movimento Pantera Negra, e de
Donda West, professora de Inglês da Clark Atlanta University, Kanye não teve uma história
que convencionou-se como característica dos rappers famosos pelo estilo ​<em>gangsta. </em>Não foi
um menino crescido nas ruas, que tenha se envolvido com o crime ou que tenha feito fama
por suas músicas versando sobre contravenções e ostentação. O menino de classe média
gostava de produzir seus ​<em>beats </em>​em casa, enquanto conciliava a música e vida escolar.
Chegou a iniciar seus estudos acadêmicos ​<em>American Academy of Art</em>​, em Chicago, mas
desistiu dos estudos para tentar a carreira musical. O sucesso como produtor veio após a
produção do disco ​<em>The Blue Print</em>,​ do também mundialmente conhecido Jay-Z. O disco foi
sucesso de crítica e vendas e alavancou o nome de Kanye como produtor dentro da
<em>Roc-A-Fella Records</em>​, fundada pelo próprio Jay-Z. Consolidado como produtor, Yeezy
queria alçar voo próprio como artista. Enfrentou a ceticismo da cena ​<em>rap/hip-hop </em>por não
ser um sobrevivente da vida difícil das ruas e chegou a ser visto como um burguês por
outros rappers. ​<em>The College Dropout </em>f​ oi sua resposta. O álbum foi um sucesso estrondoso e
colocou Kanye definitivamente na cena como um artista promissor. Mas a criatividade de
Kanye o fez um pouco maior do que uma promessa: talvez Keane seja o artista mais
relevante e influente da sua época. Tanto talento e sucesso, sem qualquer dúvida, abrem
portas, mas são um também um fardo. Já no primeiro disco, ele escreve ​<em>“</em>​<em>I want to talk to
God,butI&#8217;mafraidbecauseweain&#8217;tspokeinsolong”.</em>“​QueroconversarcomDeus,mastenho
medo porque faz tempo que não nos falamos”. Kanye queria a grandeza, a grandeza que lhe
soa tão peculiar, que faz com que se auto intitule Deus, mas parecia buscar ajuda divina para
isso. Os anos passaram, as polêmicas vieram, Kanye perdeu a mãe, sofreu, se perdeu, tenta se
achar ainda e recorre ao divino outra vez. Em 2019, a grandeza criativa, estética e o talento de
Yeezy já são realidade. A novidade é modo como ele põe tudo isso em voga outra vez.
</p>



<p>Em Abril deste ano, bem no domingo de páscoa, Kanye West apresenta, no meio do
<em>Coachella Festival </em>-​ um dos maiores festivais de música do mundo &#8211; o ​<em>Sunday Service. </em>​Uma
banda, um coral ​<em>gospel </em>e um repertório de músicas inéditas e releituras de clássicos do rock e
do pop com letras sobre fé. O mundo voltou os olhos para entender o que era aquela
manifestação exuberante em estética e execução. Era Kanye anunciando sua nova empreitada:
sua incursão nos caminhos da fé. Meses depois, após anúncios de datas e falhas na entrega,
rumores se confirmam, nasce o nono disco da carreira, o primeiro com a temática ​<em>gospel </em>​<em>Jesus
is King.
</em></p>



<p>A essa altura você pode estar se perguntando: Mas e o Fred Hammond, cadê? Fred, um dos artistas mais proeminentes da safra do gospel do início do século, divide a nova faixa do disco com Kanye. Sim, um artista ​<em>gospel </em>​, amado pela igreja brasileira, autor da maravilhosa <em>“You are”</em>,​ que eu cantei tanto em cultos e em especiais de natal, está ao lado de um dos artistas mais controversos politicamente, que ainda é visto de forma cética por muita gente, apesar do talento, que ainda é questionado e contestado, que por vezes chega a ser tomado por idiota. Fred e Kanye, lado a lado, cantando. ​<em>Hands On </em>​pode ser o coração desse disco &#8211; e a melhor música para um artista como Hammond estar envolvido. Sabe por quê? Eu vou deixar que eles mesmo se justifiquem e expliquem o porquê: </p>



<pre class="wp-block-verse"><em>Desligue todas as luzes, Ele é a luz<br> Fui parado na blitz, vi as lanternas<br> O que você está fazendo na rua à noite?<br> Me pergunto se eles vão ler seus direitos<br> Décima Terceira Emenda, três infrações<br> Virei à esquerda quando eu deveria ter virado à direita Disse a Deus que seria a última vez na vida<br> Disse ao diabo que estou entrando em greve<br> Disse ao diabo que quando o vir à vista<br> Estive trabalhando para você minha vida inteira<br> Disse ao diabo que estou entrando em greve<br> Estive trabalhando para você minha vida inteira<br> Nada pior que um hipócrita<br> Mudança, ele não é realmente diferente </em> <br> <em>Ele nem tenta obter permissão<br> Pede conselhos e eles o desrespeitam<br> Disse que eu finalmente vou fazer um álbum gospel<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Estou sentindo como se ninguém me amasse<br> Disse às pessoas que Deus era minha missão<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama<br> Fazendo você se sentir sozinho no escuro e você nunca verá a luz Cara, você nunca verá seu lar e nunca verá as redomas<br> Eu posso sentir quando escrevo, esse é o ponto de viver na virtude Se eles apenas vêem os erros, nunca ouvem as músicas<br> Só ouvir é uma luta, mas você me elegeu para a luta<br> É tão difícil se dar bem se eles apenas veem um ínfimo<br> Do amor da religião<br> O que você tem ouvido dos cristãos?<br> Eles serão os primeiros a me julgar<br> Fazendo parecer que ninguém me ama </em> <br> <em>Eu não estou tentando levá-lo ao dinheiro Mas se eu tentar te levar a Jesus<br> Somos chamados de crentes meia-boca Apenas Efésios semi-letrados </em><br> <em>Ao menos se eles soubessem o que eu sei, uh Eu nunca fui novo até conhecer<br> O Deus vivo e verdadeiro, Yeshua<br> O Deus vivo e verdadeiro </em><br> <em>(Alguém ore por mim)<br> [Fred Hammond]<br> Mostre pra eles<br> Mãos para o alto, mãos erguidas, mãos erguidas Mãos erguidas, mãos para cima </em><br> <em>Na sua cara, a razão<br> Mãos erguidas, sim, erguidas<br> [Fred Hammond e Kanye West]<br> Eu mereço todas as críticas que você tem<br> Se esse é todo o amor que você tem, então é isso<br> Para cantar de mudança, você acha que estou brincando<br> Para louvar o nome Dele, você pergunta o que eu estou fumando Sim, eu entendo sua relutância, sim<br> Mas eu tenho um pedido, você vê </em> <br> <em>Não me rejeite, coloque suas mãos em mim Por favor ore por mim<br> Me seguro na morte<br> Me mantenho de pé, todos caídos </em><br> <em>Alguém ore por mim<br> [Fred Hammond]<br> Mostre pra eles<br> Mãos para o alto, mãos erguidas, mãos erguidas Mãos erguidas, mãos para cima </em><br> <em>Na sua cara, a razão<br> Mãos erguidas, sim, erguidas </em> </pre>



<p>Kanye se associou a Donald Trump. Kanye disse, em um de suas últimas apresentações
do ​<em>Sunday Service </em>​que a escravidão era uma “escolha”. Kanye é questionado, contraditório,
controverso. E os cristãos, o que pensam sobre isso? Fred e Kanye disseram nos versos acima.
Mas há muito mais a ser dito. É necessário deixar claro que o estilo ​<em>gospel </em>​é um produto da
escravidão. É o estilo que nasce das ​<em>work songs</em>,​ que eram as canções que os escravos
cantavam enquanto estavam no campo, como forma de dar ritmo ao trabalho e, por vezes,
também denotarem protesto. Quando livres, os escravos não eram bem recebidos nas
comunidades de fé cristãs, majoritariamente brancas. Uma vez negado o direito de exercerem
sua fé, os escravos que conseguiram comprar sua liberdade, se uniram para formar uma
comunidade de fé negra. Em 1817, na Filadélfia, nasce a Igreja Metodista Episcopal Africana &#8211; a
primeiraigrejaprotestanteindependentecriadapornegros.A​<em>worksongs</em>​ea​s​<em>spiritualsongs
</em>foram as bases da música que fazia parte dos cultos. Assim nascia o ​<em>gospel</em>:​ um estilo musical
que tem sua raiz as marcas da luta por direitos, da guerra contra a segregação racial. Do ​<em>gospel
</em>vieram o ​<em>jazz, o blues </em>e​ também rock. Nomes como Sister Rosetta, Nina simone e Mahalia
Jackson são sempre lembrados como símbolos de um estilo que cantava a esperança em meio
aos conflitos e a dor. Mahalia se uniu a Martin Luther King Jr., na luta contra a segregação racial
e fez de suas músicas hinos de protesto. Fica evidente que quando se fala em ​<em>gospel </em>como
estilo, se fala da história negra, se fala da fé negra, se fala de origens. Quando Kanye decide
fazer um álbum gospel, ele vai de encontro a tudo isso. Mas estaria Kanye sendo o Kanye do
furacão Katrina, que não mediu palavras para criticar George Bush dizendo que o presidente
não se importava com o povo negro? Ou estaria Kanye tentando criar uma política entre negros
e os ideais conservadores republicanos?
</p>



<p>Duasmatériasdarevista​<em>VICE</em>s​ãoimportantesparatermosumnorteparaconstruirmos
qualquer opinião. A primeira é de 2018 e tem o seguinte título: “Igrejas negras nos EUA estão
considerando armar seus fiéis”. ​<em>“Não posso falar por igrejas de outras etnias, mas como líder de
uma igreja negra, fico muito preocupado. Desde que nove pessoas foram mortas em Charleston,
nossa igreja instalou câmeras de segurança e tudo mais, porque já tivemos indivíduos entrando
e sentando no meio do culto, e depois se levantando e indo embora sem mais explicações.” </em>​As
palavras são do Reverendo James Cokley, da igreja Batista Missionária Cherry Hill. O medo de
instaurou após o ataque na Igreja Metodista Episcopal Africana em Charleston, no ano de 2015.
Apesar de não serem a favor do porte de armas, medidas drásticas passaram a ser pensadas
como solução para defesa do povo negor e do exercício de sua fé, sem a ameaça de
supremassistas brancos como Dylann Roof. Em outra matéria com o título “Falamos com
especialistas em religião sobre o novo álbum de Kanye West, ‘Jesus is King’”, o questinamento
posto é sobre o quão genuína é a conversão de Kanye ou se ele está apenas fazendo marketing
usando a religião. Apesar de concoradrem que não é possível julgar o quão genuína seja a fé de
Kanye, os professores doutores Xavier Pickett, da Universidade de Nova York, e Jay-Paul
Hinds, professor assistente do Semminário Teológico de Princeton, veem a aproximação de
Kanye com a igreja negre de um modo complexo. ​<em>“Se você quer fazer alguma coisa com os
negros neste país, você ainda precisa passar por uma igreja negra” </em>diz Hinds. Com as eleições
americanas se aproximando, o caminho de Kanye pelas igrejas negras com seu ​<em>Sunday Service
</em>pode significar uma ponte política entre negros e Donald Trump. Pode ser também que Kanye
queira reduzir o impacto negativo de suas alegações anteriores e esteja buscando uma espécie
de perdão por parte dos negros, mostrando que é também um deles, ao ssumir sua fé e
propagar o ​<em>gospel </em>com a força que o nome de Yeezy culturalmente tem. Kanye foi tema de
cursos nas univerisdade Washington University e na Georgia State University. Sua letras e seus
discrusos &#8211; e até o episódio com Taylor Swift no VMA &#8211; foram os temas centrais das matérias.
Isso mostra o quão relvante Kanye West é. Mas, uma observação feitas por Hinds e Pickett é
muito perspicaz: questionados se o que Kanye com ​<em>Jesus is King </em>​é fé ou marketing, a resposta
é a mesma: ele não faz nada diferente do que os televangelistas, que vendem a palavra.
</p>



<p class="has-background has-cyan-bluish-gray-background-color">Quando kanye West fala sobre cultura, ele fala sobre si mesmo. Ele é parte da cultura
que ele mesmo critica. Dialética em seu supra-sumo. Como artista, como parte da cultura,
Kanye vende ao mesmo tempo Jesus e rap. Isso não o coloca como um vilão, nçao reduz sua
grandiosidade, nem esvazia de sentido a sua fé. Mas, olhando para a comparação entre Kanye
e os televangelistas, Emicida, em “​<em>Hoje Cedo”</em>,​ já dizia: ​<em>“Se a sociedade vendeu Jesus, porque
não ia vender rap?”
</em></p>



<p>Que o ​<em>Jesus is King </em>é um excelente disco e que, como quase tudo que Kanye se
envolve, traz esse alto dialético, isso é incontestável. Mas, se posso finalizar esse texto com um
conselho, eu digo: não seja como os cristãos da letra de ​<em>Hands On. </em>Seja o Fred Hammond d
Kanye, sente e o escute. Kanye e Mv Bill nunca colaboraram, mas, em suma, dizem o mesmo:
só Deus pode me julgar.
</p>



<p>Independente de tudo isso, ​<em>Jesus is King! </em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3e4db-julia-sa-5.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3417" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/">Jesus é Rei &#8211; por Kanye West.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/jeus-e-rei-por-kanye-west/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">4057</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Good Riddance.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/13/good-riddance/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/13/good-riddance/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Oct 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 018]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=3559</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/13/good-riddance/">Good Riddance.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De tudo que já escrevi neste espaço, hoje me faço ser lido por um motivo afoito. Não digo afoito no sentido de afobado, ansioso, mas no sentido de corajoso, destemido. Por vezes – não poucas – sou seduzido pelo desejo de fazer dos meus textos um lago acadêmico, onde nele despejo todo conhecimento adquirido nesses – até aqui – quase 6 anos de universidade. Mas não, hoje não. Não vou falar também sobre o assunto que originalmente era a pauta desse texto: a criatividade e quebra de paradigmas de um artista tanto genial quanto polêmico. Kanye, você vai ter que esperar um pouquinho – assim como tem nos feito aguardar por seu álbum. Apesar dessa mudança de rota, não posso dizer que este escrito não é musical, pois sim, ele é. Há algo de imprevisível nesse texto, que nasce enquanto estou sentado na cama, numa manhã de sábado. Enquanto deixo as palavras escorrerem pelos dedos e se acumularem na tela, sinto que já passava da hora delas irem embora. “Good riddance!”</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A expressão em inglês que pode ser traduzida como “já vai tarde” soa um pouco antipática, mas também denota um alívio. O alívio de deixar ir embora aquilo que já não deveria mais ocupar o espaço que ocupa. O tempo vai seguindo um fluxo contínuo, e enquanto ele nos leva, deixamos coisas pelo caminho. De algumas a gente vai sentir falta por um longo período, mas outras, ah, essas outras já vão tarde. Nesse exercício de reconhecer que nem tudo que temos é o que precisamos carregar para sempre, é que nos fazemos, nos construímos e somos.&nbsp;</p>



<p>Eu já vivi tempo suficiente pra colecionar uma série enorme de despedidas, o que me traz uma percepção menos caxias e mais delicada sobre quem sou hoje. Mas talvez seja hora de seguir dizendo mais “tchaus” e diminuindo minha bagagem. Ser, pra mim, traz consigo a fé. Eu cresci aprendendo a crer. Crer que as coisas melhoram, que o amor vence, que há um Deus. Mas, há um limite, há um além onde não é necessário ir – e eu não quero ir.&nbsp;</p>



<p>Não raro, abro o Instagram e perco uns minutos vendo histórias e mais histórias sendo contadas em sequências e mais sequências de pequenos vídeos. E é desse ponto que preciso partir rumo a novos “good riddance”. Apesar de ainda hoje fazer parte de uma comunidade de fé, já não tenho fé no Deus que me exibem nos <em>stories. </em>Eu não acredito no Deus do primeiro milhão, nem no Deus influencer, que por honra ao seu nome anula identidades e dá aos seus “representantes” procuração legal para que ofendam, mintam e ataquem. Não existe mais qualquer razão para seguir adiante com a conformidade dos que se dizem “contraculturais”, mas que se realizam como propagadores dessa mesma cultura que rechaçam. Razão, no sentido de racionalidade, essa sim tem feito falta. “Deus está morto”, se não está, está morrendo. Não é que a divindade Deus esteja morta, muito menos afirmo um ateísmo irresponsável, levando em consideração as afirmações que fiz linhas acima. Ao contrário do que chegou a afirmar o filósofo com nome de grafia complicada, a razão não superou “Deus” &#8211; tendo claro entendimento de que a morte de Deus é a morte desse Deus entre aspas, que significava a lógica social e a pauta moral que ordenava o mundo. Nada mais se explicava apenas pela vontade de Deus, mas por um motivo racional, por uma estrutura social complexa que se sofisticava e pelo sistema econômico que se erigia e se firmava no fim do século XIX. A falta de razão sim, essa tem engolido Deus de modo voraz.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Cada morte comemorada, cada sofisma postado, cada notícia inventada, cada fato negado é um “já vai tarde” direcionado ao divino. Em um mundo de identidades fragmentadas, onde já não é possível fincar os pés nas definições de ser rígidas, a intolerância ganha voz e espaço na boca dos que lutam pela prova da real existência de um Deus que os mesmos matam com suas ações. As piadas sobre o modo de vestir ou dançar do outro, a masculinidade do outro colocada em dúvida por motivos irrelevantes e estúpidos, a bandeira do ser cristão acima de tudo e todos como régua social, a ideia sobre o lugar da mulher e o seu papel de submissão, os discursos cheios de leituras deturpadas &#8211; tanto da bíblia quanto de outros autores – que afirmam o que não existe e colocam palavras na boca de Deus. Se a afirmação de Nietzsche não se tornou 100% verdadeira pela razão, a falta da razão tem colaborado pra que isso não demore a ser verdade.&nbsp;</p>



<p>Vociferam sobre a arte, culpam a política, apontam o dedo, zombam, ridicularizam, aplaudem o ódio e a estupidez, mas tudo que fazem, fazem para “a honra e a glória de Deus”. Não, eu não quero mais isso como realidade. Se me dizem o que é pecado ou não, se buscam me moldar segundo padrões irresponsáveis e difíceis de alcançar, se querem criar uma narrativa sobre o mundo onde a ignorância é a salvação, chega! Os bonecos coloridos mais esquisitos da T.V. estavam certos: é hora de dar tchau.&nbsp;</p>



<p>Nada, nenhum motivo pode justificar a falta de sensatez e empatia. Já não há mais tempo a se perder com isso. Se nos propõem a guerra, negamos em paz. Não prego um pacifismo alienado, mas uma contraposição à violência verbal, intelectual e física as quais vemos tantos e tantos serem submetidos, quando não somos nós mesmo quem a experimentamos.&nbsp;</p>



<p>Onde está a música nisso tudo?</p>



<p>Em Outubro de 1997, o Green Day lançava <em>“Nimrod”. </em>O quarto álbum de estúdio da banda trazia entre suas faixas, aquela que se tornaria um dos hinos do rock noventista. No lugar de guitarras, um violão. No lugar de baterias furiosas e baixos distorcidos, naipes de cordas. Ao invés de letras sobre garotas ou drogas, uma bom conselho reflexivo sobre a vida. “<em>Good Riddance” </em>era a penúltima música do disco e falava sobre as mudanças impostas pelo tempo e pela vida e de como lidarmos com isso da melhor maneira possível. Se existe um jeito melhor de lidar com a imprevisibilidade da vida, é aceitando que vamos perder algumas, em outras vezes vamos levantar troféus. Algumas horas seremos mocinhos, mas em outras cabe a nós a vilania. O que se deve guardar disso tudo é o que importa: os amores, as companhias, as lições aprendidas. De resto, tudo o que for embora, “good riddance”.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Abrace, seja, viva, esteja, ame, entregue, ouça, compartilhe, creia. Se não te faz bem, se você não está fazendo bem, “boa viagem”</p>



<p>Há algo de imprevisível nisso tudo, mas no fim, tudo fica bem. Eu espero que você tenha o tempo da sua vida, e o aproveite bem. Sem qualquer peso desnecessário.</p>



<p>“It’s’ something unpredictable, but in the end it’s right. I hope you had the time of your life.”</p>



<p>Good Riddance.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2a62a-5-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2235" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p style="background-color:#9d7300" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color">Clique na imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/461a4-julia-sa-4.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3416" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/13/good-riddance/">Good Riddance.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/13/good-riddance/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3559</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Divina Arte</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/22/divina-arte/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/22/divina-arte/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Sep 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 015]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Arte cristã]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições judaico-Cristãs]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=2764</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/22/divina-arte/">Divina Arte</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Ir ao cinema, assistir uma peça teatral, frequentar shows de bandas de rock, ser fã de séries de
tv ou um admirador de literatura. Em nada disso há, necessariamente, algum teor religioso
envolvido. Você pode consumir cultura, frequentar museus, passar horas pesquisando e
admirando o talento de novos cantores, compositores e escritores, ou redescobrindo a beleza de
clássicos, e nisso, você afirma, não há nada de religioso. Será?
</p>



<p>Nos cultos e encontros religiosos a música e a dança, por exemplo, são expressões facilmente
utilizadas como forma de explicitar sentimentos, anseios, desejos e toda a necessidade e
dependência do deus adorado. Nas tradição judaico-cristã, essas expressões são bastante
utilizadas. Fica muito claro para nós a importância dessas expressões quando, ao lermos
inúmeros versículos bíblicos, como nos Salmos, Eclesiastes, Êxodo ou 2 Samuel. O teólogo
americano Franscis Schaeffer, em sua obra intitulada “​<em>A Arte e a Bíblia”, </em>​observa que, desde os
textos da ​<em>Torá</em>​, ou ​<em>Pentateuco</em>,​ as ordenanças acerca das construções dos templos envolviam
detalhes como tamanhos, cores e formas determinadas, escolhidas pelo próprio Deus, que
revelavam importância estética. Sabemos que tais ordenanças se ligam ao período no qual o texto
foi escrito, mas não deixam de revelar a importância com a simetria e a beleza.
</p>



<p style="background-color:#986f00" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Mas, vamos um pouco adiante. Qual seria a relação entre fé e arte, levando em consideração, principalmente, tradições cristãs e judaicas? Será que a arte ficou atrelada somente ao sentido de expressão de culto? Seriam as necessidades observadas por essas tradições, para que a vida seja vivida em plena satisfação e bem estar de espírito, justificavas para temas religiosos serem abordados pelas artes? HansRookmaaker, o“​<em>holândesvoador”,</em> a​firmava que, na verdade,“a arte não precisa de justificativa”. </p>



<p>O senso criativo, visto no talento de mulheres e homens ao redor do mundo, é, por si só, uma manifestação artística divina. Portanto, independente da forma artística, se houve criação, houve manifestação do divino. ​<em>“Deus deu à humanidade a capacidade de fazer coisas belas, de compor músicas, escrever poemas, fazer esculturas, decorar coisas. As possibilidades artísticas estão aí para serem atualizadas, realizadas por pessoas e receberem formas concretas. Deus deu essas coisas à humanidade e seu sentido está exatamente de dádiva, [&#8230;] mas se a arte possui, dessa forma, seu sentido como criação de Deus, não precisa de justificativas. Sua justificativa é ser uma possibilidade dada por Deus, [&#8230;] resultado do fato de que a arte está ligada por milhares de laços à realidade.”1 </em></p>



<p>Rookmaaker, um homem que dedicou sua vida para o estudo das artes e sua ação no
cristianismo, foi professor e fundador do Departamento de História da Arte, na Universidade
Livre de Amsterdã. Morre em 1977, deixando várias obras publicadas, tendo algumas &#8211; como <em>“A
arte não precisa de justificativa” &#8211; </em>traduzidas para o português. Crítico contumaz ao espaço de
sentido novo que a modernidade trouxe para arte, amante de blues, jazz e toda a explosão criativa
que surgia nos Estados Unidos entre os anos 60 e 70, Rookmaaker não viveu para ver o avanço
dos temas cristãos em direção a arte, ou vice-versa.
</p>



<p>Dos quadros de Remdbrandt, nos idos de 1600, passando pelo ​<em>Jesus Movement, </em>​movimento surgido na década de 60, focado nos jovens e que se fez conhecido pela sua interação com espaços não religiosos, como o festival Woodstock, até os dia atuais de ​<em>MTV </em>​e cultura pop, a temática cristã invadiu a TV, os livros, as canções, os quadros e as expressões artísticas como um todo. A Broadway​<em>, </em>na década de 70, põe o novo testamento nos palcos como musical <em>GODSPELL</em>,​ baseado no ​<em>Evangelho de São Mateus</em>​. O musical, anos mais tarde, ganha uma versão cinematográfica e se espalha pelas telas de cinemas americanos. No mesmo ano de lançamento de​<em>GODSPELL,</em> s​urge outro musical baseado nas últimas semanas de vida de Jesus. Em 1973 o musical também ganha as telas, pondo ao alcance dos olhos dos espectadores curiosos um ​<em>Jesus Cristo Superstar. </em></p>



<p>Já nos anos 90, quando a indústria da música passava por um momento de transformação e renovação muito forte, começa a se consolidar o movimento ​<em>GOSPEL. </em>​Nos Estados Unidos o termo nasce no início do século XX e tem uma conotação um tanto diferente do que no Brasil. A música de raiz negra, feita nas igrejas dos guetos americanos, ganhava o nome de gospel por ter uma temática ligada a Deus e todas as bem-aventuranças que o divino poderia nos conceder. Movimento que teve força suficiente para se firmar como estilo e ser a voz do povo negro, que enfrentava um ápice na luta racial em território norte americano, na década de 40. Entre tantos nomes e vozes, talvez a maior estrela &#8211; e também a primeira &#8211; tenha sido Mahalia Jackson, que usou suas músicas para compartilhar mensagens de fé, apoio e encorajamento, fazendo de suas letras uma expressão de apoio ao movimento de luta por igualdade racial. No Brasil o termo foi ressignificado, classificando bandas e cantores que traziam mensagens religiosas em suas músicas, sendo considerados ​<em>artistas gospel. </em>​Mas, o que antes era restrito e direcionado para a igreja, passou a ganhar as prateleiras e trilhas sonoras de produções não ligadas ao universo religioso. Os temas bíblicos ganhavam espaço nas canções de bandas como ​<em>DcTalk, Rebanhão, Catedral,Stryper.</em> Suas músicas se voltavam para além do campo religioso. A banda​ <em>DcTalk, </em>multipremiada nos Estados Unidos, compôs uma música atendendo a pedidos da produção de uma famosa série americana: a aclamada série ​<em>Arquivo X. </em>​A banda ​<em>Stryper </em>fez parte da trilha sonora da novela brasileira <em>O Salvador da Pátria. </em>​Mas a temática religiosa sempre foi uma tônica na mpb. Poderia citar inúmeras canções de artistas como ​<em>Gilberto Gil </em>e ​<em>Los Hermanos</em>​. Fora do Brasil, vimos ascender ao sucesso o fenómeno pop &#8211; assim considerado nos anos de 2007 a 2009 &#8211; conhecido por seu estilo musical diferenciado: uma mistura de rock, rap e reggae com letras que dissertavam sobre a fé judaica ortodoxa. Nascido Matthew Paul Miller, mas conhecido mundialmente como Matisyahu. Ganhou notoriedade por se apresentar de forma enérgica e, em contrapartida, vestindo-se como um tradicional judeu ortodoxo. </p>



<p style="background-color:#866200" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">As produções de séries e filmes, já nos anos 2000, trouxeram para as telas títulos como a série ​<em>Joan of Arcadia </em>&#8211; transmitida no Brasil pelo finado canal Sony Spin -, que contava a história de uma menina com um tipo transtorno que lhe permitia ver Deus na forma de pessoas comuns. Desde um colega de classe ao faxineiro do colégio, Joan via e conversava com Deus. A série, apesar de bem produzida, durou apenas duas temporadas. Poderíamos apelar ao clichê de sucessos c​omo <em>A paixão de Cristo</em> e uma série de títulos brasileiros voltados para a fé, como a comédia ​<em>Deus é Brasileiro. </em>A​ ​<em>Disney</em>​, renomada por suas produções infantis, levou para as telas uma bem sucedida adaptação dos livros escritos pelo teólogo e escritor britânico Clive Staples Lewis &#8211; C.S. Lewis. ​<em>As Crônicas de Nárnia, </em>​em revelação feita pelo próprio autor, foram escritas para ensinar históricas bíblicas para as suas filhas de modo mais interessante e ligado ao universo infantil. Agora tais histórias já fazem parte da coleção de acertos e derrapadas do &#8220;planeta&#8221; Hollywood. </p>



<p>Os exemplos de autores, compositores, pintores seriam inúmeros. Poderíamos levar dias e dias listando nomes e obras. Mas o intuito não é listar, nem muito menos classificar obras como sacras ou não. O real intuito deste texto é tornar nítida a percepção de que a temática religiosa não é um assunto concernente só ao mundo dos &#8220;crentes&#8221;, mas é uma temática universal, que rompe as paredes das instituições ou dos dogmas. A arte é livre e sem justificativa. Sendo assim, as ações artísticas são, por si só, manifestações palpáveis do divino. O que não abre espaço para o proselitismo. A arte é um campo vasto de manifestação, mas já superamos a era da estética religiosa, como Walter Benjamin nos esclarece em ​<em>A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica.</em> M as assim como Benjamin e seus colegas da Escola de Frankfurt alertaram, existe um problema, que podemos abordar numa outra oportunidade: o problema da retificação. A partir do momento que reconhecemos que o mundo pop é parte da Indústria Cultural, todo esforço de tornar qualquer temática um fragmento do discurso pop, é um esforço nota tornar tudo isso em produto. São dois lados da mesma moeda: ao mesmo tempo que a boa mensagem é passada, quando tornamos a mensagem produto, a coisificamos e passamos a determinar o padrão do que é bom ou não, sendo que o parâmetro de bom ou não é o parâmetro mercadológico. Quanto mais ouvem, mais vendem, mais compram, mais consomem. O que é bom, passa ser usado de um modo vazio de sentido e desencantado. E talvez aí as coisas comecem a se afastar do bom intuito de expandir o território de alcance de mensagens inspiracionais de fé e esperança e passem e ser só mais números e prateleiras. Mas, esse é um outro assunto. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique no link e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#8f6900;text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/carolinestabenow/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/73fb6-mulher-india-agra.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2236" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/22/divina-arte/">Divina Arte</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/22/divina-arte/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">2764</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Piruá</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/08/pirua/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/08/pirua/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Sep 2019 20:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 013]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Piruá]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=2204</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Diego Neves</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/08/pirua/">Piruá</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não, Deus, eu não te busco<br>Mentia ao dizer saber quem Você é<br>Não, eu não sou injusto quando afirmo pensar<br>Que o pensar é traiçoeiro<br>Pois, veja bem, quem leu o primeiro afirmar<br>No verso inaugural dessa canção, em sua maioria achou Que se tratava de uma negação<br>Pois bem, não é<br>E você sabe, Deus, não te procuro<br>Porque te achei faz tempo,<br>Porque te vejo dentro de toda expressão de amor </p>



<p>E quando a fé se complicou, a insegurança me bateu Tal qual pandeiro<br>Sorrateiro chegou o amor, me levou e me fez lar </p>



<p>Longe dos bordões da massa<br>Vi banda passar na praça<br>Vi beleza no ensinar, me provando do contrário Todo meu imaginário era feio e solitário<br>E tão falho ao tentar aplicar definições </p>



<p>Redenção, eu vi teu berço
Vi crença dormir no terço
Salvação, vi teu crescer
Espanto extraordinário:
</p>



<p>É que hoje os trens andam no horário em mim, sim, escolho crer Que a dúvida persista, mas com Ele eu vou<br>Mesmo que Ele não exista </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diego Neves</strong> é músico integrante da banda Legrand, designer gráfico, sociólogo em formação e aspirante a escritor.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#005d3b;text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">Quer ajudar a manter a revista? Siga a Bodoque Artes e ofícios no Instagram e compartilhe com os amigos!</p>



<figure class="wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/p/B1_tMJihzYP/
</div></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-normal-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Cadastre-se e receba as próximas edições da Trama por e-mail!</p>





<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#785800;text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/menino-poço.jpg?fit=606%2C608&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2231" /></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera <strong>amar é um ato revolucionário.</strong></em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/08/pirua/">Piruá</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/08/pirua/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">2204</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
