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	<title>Arquivos Ano 004, N 137 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Imaginação e realidade entre família e lugares de memória no cinema  </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Priscilla Pinheiro</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/a-arte-do-encontro-poeticas-do-eu-como-processo-criativo-2/">Imaginação e realidade entre família e lugares de memória no cinema  </a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que as fotografias dos álbuns da nossa família revelam e escondem? Ao observar imagens de quando éramos crianças, normalmente temos a impressão de não apenas visitar lugares conhecidos pela memória, mas de encontrar novos pontos de vista, e isso também acontece quando vemos um mesmo filme por repetidas vezes. Por mais que um mesmo álbum de fotografias já tenha sido visto em vários momentos ao longo dos anos, é como se ele sempre pudesse apresentar algo que ainda não tinha sido percebido outrora. Apesar de o objeto em si não ter sofrido alterações físicas, para além das marcas do tempo impressas no papel, nós passamos por diversas mudanças, transformando o que está ao nosso redor e proporcionando outros olhares ao que conhecemos. Como a escritora, professora e psicóloga Bosi (2013) afirma, “pela memória, o passado não só vem à tona das águas presentes com as percepções imediatas, como também empurra, ‘descola’ estas últimas, ocupando o espaço todo da consciência” (BOSI, 2018, p. 36).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao pensar sobre as nossas próprias memórias, na tentativa de organizá-las obedecendo a uma determinada temporalidade, é possível perceber o quanto elas se cruzam e entrelaçam com outras experiências, como sonhos, ideias, frutos da imaginação, objetos, imagens, lugares, esquecimentos, afetos, perdas, momentos e até com as percepções e narrativas de outras pessoas. Afinal, como a memória pode ser construída por meio da sua subjetividade e das intrínsecas transformações temporais?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Buscar informações sobre o que já passou não é apenas nostalgia e vai para além da ampliação do conhecimento histórico, visto que o passado “(&#8230;) não é mero conjunto de fatos que podem ser guardados, mas que constituem ao mesmo tempo uma peça fundamental na nossa vida e na nossa identidade&#8221; (SELIGMANN-SILVA, 2016, p. 50) e, além disso, “(&#8230;) as imagens também sofrem de reminiscências: mal esboçado — e por menos que seja intensificado ou deslocado, e portanto, inquietante —, o gesto faz subir uma memória inconsciente ‘das profundezas do tempo’” (DIDI-HUBERMAN, 2013, p. 277).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo Seligmann (2013, p. 9), “Flusser descreve uma nova era na qual não nos contentamos mais em ler a superfície do mundo, mas sim aprendemos a produzi-la com imagens”. Portanto, é essencial analisar criticamente a situação política do país, entender o passado, não simplesmente como ponte para o amanhã, mas com o objetivo de perceber outras perspectivas possíveis para reorganizar a realidade atual, utilizando as imagens que fazem parte da memória e dos símbolos do imaginário coletivo: “cada história é o ensejo de uma nova história, que desencadeia uma outra, que traz uma quarta etc.; essa dinâmica&nbsp;</p>



<p>ilimitada da memória é a da constituição do relato, com cada texto chamando e suscitando outros textos” (BENJAMIN, 1987, p. 13).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se a memória é uma ilha de edição de imagens, e o cinema também lida com a montagem de narrativas, é importante analisar como a ficção e o documentário nacional podem contribuir na construção da história do país. Ao ouvir uma história ou assistir a um filme, diferentemente da transmissão de informação, as cenas e os relatos são passados para além da recepção de um acontecimento: &#8220;integra-o à vida do narrador, para passá-lo aos ouvintes como experiência. Nela ficam impressas as marcas do narrador como os vestígios das mãos do oleiro no vaso da argila&#8221; (BENJAMIN apud COSTA, 2010, p. 107).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A cineasta Agnès Varda trabalha com uma diversidade de estratégias e técnicas de narrar e fazer cinema, que mesclam as fronteiras entre autoficção e autobiografia, reunindo elementos documentais e ficcionais, por meio de aspectos do cotidiano, de forma lúdica e criativa. Em seu filme <em>As Praias de Agnès </em>(2008), Varda utiliza fragmentos de sua memória para representar as histórias de sua vida e o caminho percorrido como artista no universo audiovisual. Logo no início do filme, ela se coloca no “papel de uma velhota, roliça e tagarela, que conta a sua vida” para explicar que, apesar de preferir filmar outras pessoas que a interessam, dessa vez ela vai falar de si e, com isso, nos diz que “se abríssemos as pessoas, encontraríamos paisagens, mas se abrissem a mim, encontrariam praias”. Por meio dos espelhos organizados pela praia, não vemos apenas as ondas, o céu e os participantes que ajudaram na montagem do cenário, mas também o olhar de Varda para o mundo à sua volta.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Varda afirma que as memórias são como areia em sua mão, pois enquanto guarda algumas, outras se esvaem e que, assim, a praia funciona como um dispositivo ou um “fio condutor”. Ela diz que “não tem nada a ver com nadar, surfar ou velejar. É o prazer de observar a praia, o que significa também ver o céu e o mar, e se você for em um horário diferente, pode estar com uma luz e um clima diferentes, pode estar branco ou plano” (tradução nossa)<sup>1</sup>, gerando a reflexão de um espaço que está em uma mudança mais amiúde, que é aberto a outros olhares e a novas possibilidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Por meio de cenas híbridas entre o documental e o ficcional, que estão constantemente em trânsito na obra audiovisual de Agnès Varda, perpassando o individual e o coletivo, a inconstância do mar se torna protagonista: “o mar é o indeterminado, apenas em&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size"><sup>1 </sup>No original: “(&#8230;) This has nothing to do with swimming or surfing or sailing. It&#8217;s the pleasure of watching the beach, which means watching the sky and the sea, and if you go at a different time, it can be different light and weather, it can be white or it can be flat” (WILLIAMS, Richard. Agnès Varda: &#8216;Memory is like sand in my hand&#8217;. <strong>The Guardian</strong>, [<em>S. l.</em>] , 24 set. 2009). Disponível em:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size"><a href="https://www.theguardian.com/film/2009/sep/24/agnes-varda-beaches-of-agne" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.theguardian.com/film/2009/sep/24/agnes-varda-beaches-of-agne</a>s . Acesso em: 29 jun. 2022.&nbsp;</p>



<p>sua enganosa superfície pode perceber-se certa ilusão de determinação, de ritmo, de temporalidade, como no suceder das ondas. De resto, o mar é atemporal. E, talvez, espaço sem tempo” (TRÍAS, 1976, p. 224 apud HEYNEMANN, 2019, p. 163). Sobre isso, há uma parte do filme em que Varda narra em voz <em>over </em>que “o tempo passou e passa, exceto nas praias que não têm idade” (informação verbal).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em um enquadramento <em>plongée</em>, no qual a câmera foca principalmente na palavra que Varda escreve à beira do mar, há essa cena em que a diretora fala sobre a mudança do seu nome. Logo após escrever “Arlette”, as ondas vêm e apagam os traços das letras, deixando quase nenhum rastro na areia e, ainda assim, marcando os seus vestígios na imagem, enquanto ela fala em voz <em>over </em>que o trocou por “Agnés” quando completou 18 anos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>De acordo com as psicanalistas Lucia Castelo Branco e Maria Fernando Machado (2017), Win Wenders (2013) afirma que a câmera é feito um olho que tem a capacidade de ver o passado e o futuro ao mesmo tempo, pois realiza fotos para frente e, para trás, faz registros vagos de sombras, abrigando então o sujeito em sua sombra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O filme é repleto de espelhos, reflexos, fotografias, lugares de memória e imagens de arquivo. Em um enquadramento de primeiro plano, no qual inicialmente é apresentada uma foto de Varda quando ainda era criança, logo depois a câmera registra a mão dela retirando essa foto e olhando para o seu rosto atual, que é refletido e emoldurado pelo espelho. Nessa cena, ela reúne e expõe diversas fotos da sua família e da sua infância, as firmando na areia da praia, em meio à vegetação do ambiente, quase como uma instalação, enquanto fala sobre esse período.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Podemos observar a presença de Varda para além dos espelhos e registros fotográficos: o seu corpo está presente na troca de diálogos, entrevistas, encenações, na beira do mar, na terra, no barulho das ondas, no olhar, nos objetos e também em sua narração que, assim como o mar, não obedece a uma linearidade espacial ou temporal, e se encontra constantemente entre o ir e vir. Sobre essa infinitude presente nas praias e nas imagens, Branco e Machado (2017) nos lembram que Lacan (1987) estabelece que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">É do encalço deste para-além, que não é nada, que ele [o sujeito] volta ao&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">sentimento de um ser consciente de si, que é apenas seu próprio reflexo no mundo&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">das coisas. Pois ele é o companheiro dos seres que estão aí diante dele, e que, com&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">efeito, não sabem que são (LACAN, 1987, P. 281 apud BRANCO; MACHADO,&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">2017, p. 159).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Após ver algumas fotos de quando era criança, ao som do barulho de ondas, e dizer que a sua infância não a serve como uma inspiração, Varda narra “sonho com esta&nbsp;</p>



<p>criança com roupa de banho listrada que também usava esta outra, com alças”, se referindo a imagens de si quando pequenina na praia. Logo depois o plano é cortado para mostrar duas garotas que vestem o figurino semelhante ao das fotografias e de sua narração, como se o cenário do documentário fosse tomado por uma encenação teatral. Com isso, Varda entra em cena com uma expressão surpresa, ao presenciar as crianças representando uma parte de suas lembranças da infância, e se questiona se a reconstituição dessa cena poderá remontar o momento que já passou, afirmando que o cinema é feito um jogo para ela.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Além de tentar retroceder o passado por meio da recriação dramatizada de recordações e momentos, e da visita a diversos lugares, o filme também traz vários trechos de outras obras audiovisuais realizadas pela diretora ao longo da sua vida, mesclando narrativas e tornando as fronteiras entre autobiografia e autoficção mais fluidas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A cineasta realmente joga com diferentes artifícios, estratégias e linguagens, misturando histórias pessoais, artísticas e profissionais e, assim, apresenta memórias que estão sempre em movimento, sendo passíveis de novas interpretações. Dessa forma, Liliane Heynemann (2019) explicita que, para Rancière (2012), as imagens de arte são “dessemelhanças” e que, assim, nem todo visível produziria imagens e há imagens que aparecem sob a forma de palavras.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A trajetória artística de Agnès Varda sempre prezou muito por um olhar para o outro, apresentando pessoas comuns, elementos do cotidiano e espaços públicos, mas também sempre incluiu estratégias e recursos ficcionais em seus documentários. Em as <em>Praias de Agnès</em>, é possível perceber isso de forma ainda mais potente na cena que mostra algumas pessoas montando um cenário que representa um circo e, logo em seguida, vários trapezistas atuando na praia, relacionando essas imagens não a um fato que aconteceu em sua vida, mas puramente como um elemento de imaginação, fabulação e fantasia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo Helena Cruz (2021), Agnes remonta e reconstrói suas lembranças ou os acontecimentos que presenciou por meio do recurso da recriação e, ainda, “acessa a dimensão de porosidade entre os gêneros cinematográficos. Para além da reconstrução, ela também materializa situações que perduram na dimensão do pensamento e, portanto, tratam-se de coisas que nunca existiram de forma factual” (CRUZ, 2021, p. 17). Sobre a questão do que é falso ou verdadeiro no documentário, Deleuze (2018) explicita que a oposição ao real não é a ficção, mas a função de fabulação, que potencializa a criação de memórias e lendas por meio de imagens e narrativas no cinema. Assim, Gilles Deleuze (2018) declara:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">O que o cinema deve apreender não é a identidade de uma personagem, real ou&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">fictícia, através de seus aspectos objetivos e subjetivos. É o devir da personagem&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">real quando ela própria se põe a “ficcionar”, quando entra “em flagrante delito de&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">criar lendas”, e assim contribui para a invenção de seu povo. A personagem não é&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">separável de um antes e de um depois, mas do que ela reúne na passagem de um&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">estado a outro. Ela própria torna-se outro, quando se põe a fabular sem nunca ser&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">fictícia. E, por seu lado, o cineasta torna-se outro quando assim “se intercede”&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">personagens reais que substituem em bloco suas próprias ficções pelas fabulações&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">próprias deles. Ambos se comunicam na invenção de um povo (DELEUZE, 2018,&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">p. 218).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Varda alinhou espaços nos quais viveu com documentos, registros, colagens, fotos em <em>stop motion</em>, interpretações, vinhetas, trechos de seus filmes passados, conversas, lacunas, reflexões, e imagens de arquivo na tentativa não somente de regressar ao ontem — inclusive quando ela anda de costas e para trás em várias cenas — mas também de criar novas imagens para o hoje e o amanhã, narrando e compartilhando outras histórias. Por meio de suas memórias, ela veleja para além da autobiografia, da nostalgia e do autoconhecimento, explorando outros horizontes para o cinema e o fazer artístico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao mostrar as transformações de espaços com o passar do tempo, compartilhando imagens antigas e atuais, Varda também nos diverte ao brincar com a troca e adição de alguns detalhes, como na cena em que a estátua do <em>Leão Beldford</em>, no centro do bairro em que vivia, é retirada do monumento e, no lugar dela, aparece a sua gata de estimação em tamanho gigante, <em>Zgougou</em>, que também é a mascote e o logotipo da marca de sua produtora.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Por meio da obra <em>Praias</em>, conhecemos detalhes da vida pessoal de Agnès, as cidades onde morou, seus relacionamentos afetivos, as pessoas e os lugares que a abraçaram ao longo dos anos, fragmentos da história de sua família, suas experiências profissionais, o seu amor e o luto por Jacques Demy, suas formas de pensar e fazer cinema, além de presenciarmos momentos de vulnerabilidade em momentos que a emocionaram diante das gravações e do trajeto percorrido.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Tendo em vista que &#8220;a memória não é sonho, mas trabalho&#8221; (VON SIMSON, 2003, p. 16) compartilhar diálogos e narrativas é uma forma de reunir espaços históricos e culturais e, dessa forma, enxergar outros horizontes e dar passos mais sólidos em conjunto. Como afirma von Simson:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(&#8230;) a memória compartilhada é tanto forma de domar o tempo, vivendo-o&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">plenamente, como empuxo que nos leva à ação, constituindo uma estratégia muito&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">valiosa nestes tempos em que tudo é transformado em mercadoria e tudo possui&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">valor de troca. (&#8230;) Nesse processo são utilizados o que chamamos de &#8220;óculos do&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">presente&#8221;, para reconstruir vivências e experiências pretéritas, o que nos propicia&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">melhor compreender os problemas do presente e pensar em bases mais sólidas e&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">realistas nossas futuras ações. (VON SIMSON, 2003, p. 16)&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Apesar de haver algumas diferenças e barreiras entre ficção e documentário, estas linguagens não são oponentes e, muitas vezes, estão presentes nos filmes de forma&nbsp;</p>



<p>híbrida. Dessa forma, NICHOLS apud COSTA (2005) afirma que a definição da linguagem documental é sempre relativa ou comparativa, sendo definida principalmente pelo contraste com filmes de ficção ou filmes experimentais e de vanguarda.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Então, mesmo com suas particularidades, ficção e documentário se encontram no sentido de produzir narrativas: falar sobre o real também é criar uma história, pois &#8220;o real é sempre objeto de uma ficção, ou seja, de uma construção do espaço no qual se entrelaçam o visível, o dizível e o factível&#8221; (RANCIÈRE apud COSTA, 2012, p. 74-75). De acordo com apsiquiatra e escritora Natalia Timerman, autora do livro <em>Copo Vazio </em>(2021), toda obra ficcional tem algo de autobiográfico, visto que &#8220;a memória talvez seja um dos melhores exemplos de encontro entre real e ficção, porque ela é feita dessa amálgama&#8221;<sup>2</sup>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O quanto de lembrança e imaginação cabe em memórias que carregamos ao longo da vida? No curta-metragem de animação <em>Vida dentro de um melão </em>(2020), a realizadora Helena Frade registra momentos familiares por meio de materiais documentais, como fotografias e vídeos que ela havia feito de recortes do cotidiano na casa de sua família, e também por meio da poesia, fantasia, ficção e fabulação, utilizando bonecos e marionetes artesanais para se conectar às imagens já existentes, representar suas memórias pessoais e afetivas e, assim, inventar outras histórias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>De acordo com Helena Frade (CRUZ, 2021), o curta reuniu alguns fragmentos que ela filmou de sua família, no período em que seus avós, seus pais e sua irmã viviam todos na mesma casa, no interior de Minas Gerais, durante a sua adolescência. Essas imagens foram revisitadas depois e, assim, ela resolveu fazer um filme baseado nesses registros, mesclando a realidade e a fantasia, em busca de reinventar as lembranças do tempo vivenciado, escrito, filmado, fabulado e reencontrado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com isso, podemos nos lembrar do personagem Irineo Funes, do conto <em>Funes, o memorioso</em>, do escritor argentino Jorge Luis Borges (1944), que queria classificar todas as suas lembranças e &#8220;(&#8230;) não apenas se recordava de cada folha de cada árvore de cada morro, mas ainda de cada uma das vezes que a tinha percebido ou imaginado. (BORGES, 1944, p.106). De acordo com a pesquisadora Olga Rodrigues de Moraes von Simson (2019), em uma entrevista concedida ao Jornal da Unicamp<sup>3</sup>, se fôssemos tentar guardar na memória tudo o que vivenciamos, acabaríamos loucos feito o personagem Funes e, por isso, a&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size"><sup>2 </sup><em>Cf</em>. MORAES, Bia. O fantasma de Natalia. <strong>Plural Curitiba</strong>, [<em>S. l.</em>], 14 out. 2021. Disponível em: <a href="https://www.plural.jor.br/colunas/ordem-caotica/o-fantasma-de-natalia/">https://www.plural.jor.br/colunas/ordem-caotica/o-fantasma-de-natalia/</a> . Acesso em: 9 mai. 2022.<sup>3 </sup><em>Cf</em>. SALES, Roberta. Memória e o direito de esquecer. <strong>Jornal da Unicamp</strong>, [<em>S. l.</em>], 07 jun. 2019. Disponível em: <a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2019/06/07/memoria-e-o-direito-de-esquecer .">https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2019/06/07/memoria-e-o-direito-de-esquecer . </a>Acesso em: 30 jun. 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>capacidade seletiva é uma característica fundamental para manter o funcionamento da memória humana. É exatamente por meio dessa seleção, do pensamento e do diálogo com o esquecimento, que podemos construir uma memória mais eficaz que pode contribuir para o nosso futuro. Assim, ao exercermos a capacidade de pensar e não apenas armazenar, podemos entender mais o que vivenciamos para que, assim, seja possível compartilhar experiências por meio de narrativas que mesclam a realidade e a imaginação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Entre cenas de animação e imagens de arquivo, no curta-metragem <em>Vida dentro de um melão </em>(2020) há uma narrativa cheia de detalhes e frestas que dialoga com o mundo documental e ficcional ao mesmo tempo, em que é possível interligar o real e a imaginação do que aconteceu e do que poderia ter sido, por meio de uma fronteira indefinida que se faz presente na construção subjetiva de memórias, unindo a autobiografia e a autoficção.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Talvez, no labirinto do passado, todos os caminhos, até os que não levam a uma saída definitiva, são uma possibilidade para observar o presente e o futuro com olhos mais atentos a partir do próprio caminhar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com um trabalho artesanal, feito à mão de forma lúdica e criativa, Helena Frade utiliza a narrativa, contendo lembranças do dia a dia em sua casa, para lidar com a morte do seu avô e a carga emocional do luto da família, com o intuito de ressignificar a saudade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>As personagens representadas por bonecos com fios de nylon, que ficam à mostra durante as cenas, como se pudessem modificar o espetáculo a qualquer momento, feito material de sonho, sintetizam as linhas não-lineares do tempo e das memórias, que se entrelaçam e tecem afetividades, “como labirinto do tempo, é também a linha que se bifurca e não para de se bifurcar, passando por presentes incompossíveis, retomando passados não necessariamente verdadeiros” (DELEUZE, 1985, p. 192).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Apesar de mesclar imagens de arquivo e cenas de animação, utilizando técnicas e estratégias características tanto de de filmes ficcionais quanto de documentários, a realizadora argumenta que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Às vezes esses dois tipos de imagens podem até se confrontar, mas em sua maioria,&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">elas se complementam. Acredito que a poetização e as livres distorções através da&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">animação não deixam o filme menos verdadeiro ou menos relacionado a um real. A&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">animação e as imagens de arquivo são só estratégias diferentes para falar das&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">mesmas coisas: as memórias daqueles tempos, do cotidiano em família, da vida&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">vivida com aquelas pessoas, a partir do meu olhar e subjetividade.<sup>4</sup>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><sup>4 </sup><em>Cf</em>. BLACK, Júlio. Curta de aluna da UFJF participa de festivais nacionais e internacionais. <strong>Tribuna de Minas</strong>, [<em>S. l.</em>], 17 dez. 2020. Disponível em:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cultura/17-09-2020/curta-de-aluna-da-ufjf-participa-de-festivais-nacionai s-e-internacionais.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://tribunademinas.com.br/noticias/cultura/17-09-2020/curta-de-aluna-da-ufjf-participa-de-festivais-nacionai s-e-internacionais.html</a> .  Acesso em: 11 mai. 2022.&nbsp;</p>



<p>A partir das percepções, do olhar subjetivo e dos sentimentos de Helena, o curta de animação apresenta outras formas de ver as trivialidades do cotidiano que nos abraça: a casa de sua família se torna um espaço dentro de um melão, as personagens ganham bicos e asas feito passarinhos, algumas falas viram bordões e determinadas cenas são montadas em uma velocidade acelerada, dando a ideia de efemeridade dos dias e frequentes mudanças do tempo diante das memórias. A pluralidade das imagens resgatadas, construídas e fabuladas nos lembra que entre o real e a ficção há muito mais a ser enxergado, sentido e vivenciado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O filme <em>Aquarius </em>(2016), dirigido por Kleber Mendonça Filho, está em constante diálogo com o “velho” e o “novo”, entre o que está em pleno funcionamento e o que corre risco de ser esquecido ou apagado, por meio de objetos do cotidiano, flashbacks, músicas e especialmente por meio do imóvel em que Clara — uma jornalista aposentada que é interpretada, no primeiro ato do filme por Barbara Colen e, depois, pela atriz Sônia Braga — mora, o qual se encontra em um período de incertezas e mudanças entre o que já foi e o que pode vir a ser.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Como ressaltam Montoro e Guercio (2018), o edifício <em>Aquarius </em>é parte de quem Clara foi e deseja continuar sendo, representando uma extensão de seu corpo, que a protege, abriga, acolhe e acompanha a sua jornada pessoal, afetiva e familiar: “o prédio, assim como a personagem, traz as marcas das lutas, dos prazeres, das perdas e dos ganhos, dos sabores doces e amargos experimentados por uma mulher que viveu sua vida sem culpar-se ou desculpar-se por ser quem é” (MONTORO; GUERCIO, 2018, p. 10)&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Após alguns planos-detalhe nos quais são mostrados objetos, como vinis, cds e vídeos cassete, há uma cena de entrevista em que a jornalista questiona se Clara só ouve músicas no “estilo antigo”, enquanto já há tantas outras ferramentas tecnológicas que fazem parte da rotina das pessoas. Então, Clara tenta explicar à jornalista mais sobre a sua relação com o tempo e o porquê de colecionar discos antigos, mesmo já havendo dispositivos de áudio mais modernos, devido à memória e história própria que eles guardam:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Eu gosto de tudo, tá certo? De MP3, streaming, tendo música pra mim tá bom, tá&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">importante, e essa nova tecnologia em geral, mas… Posso te contar uma história?&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(…) Esse disco eu comprei em Porto Alegre, num sebo (…). Aí tô aqui num dia&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">calminho, domingo, abri o disco pra ver, e olha o que encontrei dentro. Esse artigo&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">do Los Angeles Times. Esse artigo é de novembro de 1980. Esse disco, o Double&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Fantasy, foi lançado em dezembro de 1980. Ou seja, o artigo foi publicado semanas&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">antes do John Lennon ser assassinado: no dia 8 de dezembro de 1980 (…). Esse&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">artigo aqui que foi publicado dias antes do John Lennon ser assassinado e de você&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">ter nascido diz o seguinte: “os planos de John Lennon para o futuro”. Este disco que&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">estou segurando passa a ser um objeto especial (<em>Aquarius</em>, 2016).&nbsp;</p>



<p>Logo após a apresentação do título do filme, a narrativa é iniciada com uma apresentação de fotografias em preto e branco, remetendo a uma Recife mais antiga, cidade onde Clara vive, para apresentar os contrastes e as mudanças do tempo. Enquanto as primeiras fotos mostram planos mais próximos das pessoas, semelhantes aquelas que podemos encontrar em álbuns de família, com poucos prédios na orla marítima, as fotos seguintes já são enquadradas em um plano geral, como imagens aéreas que podemos ver em catálogos de construtoras, que privilegiam a crescente urbanização das cidades. Durante esse trajeto apresentado pelas fotos, podemos compreender a ideia de uma narrativa que aborda a questão da memória e que se passa do micro para o macro. Essas imagens são adocicadas nostalgicamente pela trilha de Taiguara, cantando “Hoje”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao longo do filme, Clara se encontra em um labirinto de emoções e memórias ao ver que o lugar onde lutou para viver está ameaçado, por empresários de um escritório de engenharia, a se transformar em um arranha-céu de luxo. Além de falar sobre o processo de envelhecimento natural do ser humano, fato que parece não ser compreendido pelos mais jovens — o que faz com que ela fique reafirmando que está viva para si e para os outros de várias formas — o filme também aborda os esquecimentos que ocorrem na rotina, ainda mais influenciados pelo câncer na vida da personagem e, com isso, a necessidade de se apegar aos vestígios, às raízes e às pequenas coisas que contam a história de suas experiências, do seu passado e de quem se tornou.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em <em>Aquarius</em>, o condomínio de Clara se torna quase um protagonista à parte, recebendo o mesmo nome que o filme, pois a câmera sempre se dirige a ele em vários planos, e a vida da personagem também entra em um estado de constante retorno ao lugar onde ela viveu com a família, onde continua morando e não deseja abrir mão de sua moradia, que representa mais do que só um lugar para morar, sendo principalmente um espaço de memória, abrigando o seu corpo e a sua história.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No primeiro ato do filme, podemos ver o momento em que Clara desce do carro com os seus amigos, após voltar da praia, e olha para o edifício Aquarius, onde está sendo esperada pelo seu companheiro e pelos familiares. Após mostrar a fachada do prédio, a câmera constantemente se volta cada vez mais para dentro da estrutura, dando a ideia de que ele é o lugar para onde a protagonista deve e deseja sempre retornar. É o ambiente no qual esperam pela sua chegada e onde a sua história pode ser contada, vivenciada, rememorada e compartilhada de forma afetuosa. Para comemorar o aniversário de sua tia Lúcia, os parentes lotam os espaços da casa e festejam. Com músicas populares brasileiras dos anos 70, eles dançam pela sala, até que é utilizado um recurso cinematográfico de sobreposição ou fusão&nbsp;</p>



<p>de imagens no plano em que os corpos lentamente desaparecem enquanto o espaço fica vazio. A festa acabou, o tempo passou, alguns detalhes mudaram, mas <em>Aquarius </em>continuou lá, resistindo às frequentes mudanças externas que rodeiam as cidades e sociedades, e Clara também, no mesmo lugar. Sobre essa relação com as experiências já vivenciadas que o filme aborda de diversas formas e o processo mental de fazer cinema, Santos (2018) afirma que:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Em uma entrevista concedida ao jornal <em>El País</em>, quando é questionado sobre a&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">origem de Aquarius, o diretor comenta que “Queria fazer um filme sobre um&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">arquivo. Arquivos pessoais — memórias, experiências, relações com o presente, o&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">passado e o futuro — enfim, o que cada pessoa leva consigo” (MORAES, 2017). De&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">fato, <em>Aquarius </em>pode ser considerado um filme-arquivo em diversos aspectos. O&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">primeiro deles é a técnica de montagem utilizada no filme, dividindo-os em três&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">partes: o cabelo de Clara, o amor de Clara, e o câncer de Clara. Essa divisão&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">contribui para a ideia de arquivo desejada por Mendonça Filho, pois, como as cenas&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">de Aquarius não seguem uma ordem cronológica de acontecimentos, a divisão feita&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">no filme ajuda a categorizar e organizar de um modo geral essas cenas dispersas no&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">tempo. A montagem cinematográfica já é, em si, um ato de arquivamento [&#8230;]&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(SANTOS, 2018, p. 3).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Após a cena em que Clara é entrevista pela jornalista, é mostrado um enquadramento em primeiro plano com Clara descansando na rede e, ao fundo, em segundo plano, pelo vidro da janela, é possível notar a presença do corpo de um homem do outro lado da rua, em frente ao prédio, fazendo fotografias da estrutura pelo celular. Depois esse homem se junta a outros dois e entram pelo prédio, como se estivessem averiguando os detalhes. Há um plano longo que mostra eles lá embaixo, seguindo a continuidade da vista da janela, e apresenta o cochilo de Clara, mostrando os objetos ao redor e, em seguida, há o som da campainha que toca, indicando que o sossego de Clara será atrapalhado. Ao levantar e olhar pelo olho mágico, Clara faz uma expressão de cansaço, feito quem já sabe que a visita não será agradável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quando ela abre a porta, o seu ex vizinho, seu Geraldo, que é dono de uma construtora, e o homem que estava fotografando o prédio a cumprimentam e perguntam se ela pode os receber, ao que imediatamente ela responde que depende e continua em frente à porta. Clara explica que já respondeu a seu Geraldo sobre a proposta de compra do apartamento de cima do dela, mas ele ri e avisa que trouxe uma contraproposta: a de comprar o apartamento dela. Enquanto isso, há um plano de zoom que direciona o olhar de Clara e de quem assiste ao filme para o outro homem que permanece sentado, e a câmera foca em suas mãos que seguram um pesado molho de chaves, dando a entender que todos os outros apartamentos já foram vendidos, e só resta o de Clara. Então ela explica que o apartamento dela não está nem estará à venda, agradece pela visita e se despede já fechando a porta.&nbsp;</p>



<p>Quando a porta já está quase fechada, o outro homem, que se apresenta como Diego, parabeniza Clara por ter modernizado a planta do apartamento, afirma que traz “ótimas notícias” pelas quais está orgulhoso e explica que o projeto agora se chama “Aquarius”. Clara pergunta quem ele é, e seu Gustavo menciona que ele é o seu neto e que está fazendo um ótimo trabalho na construtora. Diego diz, então, que se trata do “novo Aquarius”, que antes iria se chamar <em>Atlantic Plaza Residence</em>, mas que eles preferem “Aquarius”, argumentando que a ideia é manter o nome do edifício que existia no mesmo lote, como se fosse para “preservar a memória da edificação”, e Clara logo comunica que o prédio existe. Isso nos leva a pensar sobre aqueles espaços que, muitas vezes, não são simplesmente restaurados, mantendo os seus detalhes originais, mas modificados completamente em sua estrutura externa e interna, e que permanecem com o mesmo nome para “manter a memória” do local, como se esta pudesse ser esvaziada e continuasse preservada apenas por conter a nomenclatura que as pessoas já conheciam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No filme, em meio às idas e vindas de ameaças da construtora e resistências de Clara, ela recebe uma visita de sua família, em seu apartamento, para colocar os assuntos em dia. Com isso, os filhos dela a avisam sobre os adesivos com o logo da construtora, que podem ser vistos em todas as portas menos na porta do apartamento de Clara e, ao saber disso, ela sai da cozinha e retira o primeiro adesivo que vê, amassando-o e jogando-o no lixo. Depois disso, há uma cena construída por planos e contraplanos na cozinha, montada por uma intercalação entre o plano conjunto com os filhos de Clara e um primeiro plano mais focado na protagonista, como aconteceu também no conflito com o seu Gustavo e o neto dele. Em um momento de diálogo entre mãe e filhos, a filha mostra a sua preocupação de que a mãe continue vivendo em um prédio abandonado, correndo risco de vida, e afirma que os três estão preocupados com a mãe, que está sozinha em um prédio fantasma, indicando que ela deveria vender logo o apartamento para se livrar de um problema. Clara, com uma expressão estarrecida, tenta explicar que não se trata de um prédio fantasma, visto que ela vive ali, que é lá onde seus filhos cresceram, e é principalmente por meio dele que a sua história pode ser relembrada.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Longe de ser uma espécie de saudosismo, aversão ao novo ou conservadorismo, a narrativa nos leva para um lugar de entender a importância de preservar nossas memórias afetivas e resistir ao que nos é imposto, levando em consideração o que é mais importante. Um prédio, um bairro ou uma cidade não remetem apenas a estruturas e materiais físicos, mas à passagem e vivência de gerações, famílias e vidas que devem ser rememoradas em meio a tantas mudanças constantes. O tempo de filmagem das cenas normalmente é realizado&nbsp;</p>



<p>com tomadas longas, quase sem cortes entre os planos, o que é um traço bastante presente no cinema nacional e ao longo do filme <em>Aquarius</em>. Consequentemente, Gabriela Santos (2018) declara que:&nbsp;&nbsp;</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(&#8230;) a câmera atua como os olhos do próprio espectador, visto que geralmente&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">assume um ponto de vista e o que torna a cena muito mais subjetiva. Esse é um&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">fator que contribui muito para a discussão de realidade no cinema e que, direta ou&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">indiretamente, foi trabalhado no filme. (&#8230;) O estilo de filmagem utilizado no&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">cinema brasileiro parece, portanto, ser feito em tempo real. Nessa perspectiva,&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Aquarius além de discutir as questões de ficcionalidade, torna-se propriamente um&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">dilema ficcional porque não se trata de um filme-documentário, mas mesmo assim&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">parece tratar de situações reais (SANTOS, 2018, p. 15 e 16)&nbsp;&nbsp;</p>
</div></div>



<p>Nesse sentido, o cinema tanto documental quanto ficcional tem se mostrado uma ferramenta de alto potencial, ainda mais no contexto nacional, visto que dialoga com essa história que está em contínuo movimento. Por conseguinte, Nichols (2005) alega que não enxergamos a imagem como algo imutável, mas como a representação de um ato histórico que nos possibilita construir outros significados, de acordo com os nossos conhecimentos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“A memória é uma ilha de edição”, como afirma Wally Salomão em seu poema <em>Carta Aberta a John Ashbery</em>, e o cinema tenta entender a nossa existência para além do tempo e do espaço, como uma mídia que busca dar sentido — na forma mais múltipla desta palavra — ao mundo em que vivemos, contribuindo para a transmissão de experiências. Ao saber que a memória pode surgir — ou sobreviver — por meio da percepção de sentidos, e que a imagem forma uma constelação quando o ocorrido encontra o agora (REINALDO; REIS FILHO, 2019), é de extrema importância valorizar os locais de memória e entender o cinema como um destes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Assim como as ondas de um mar, que se quebram e percorrem o caminho de ir e vir constantemente, como um ciclo de dança infinito, em que não é possível programar nem calcular — com exatidão — seus movimentos para dentro e para fora, a relação entre as imagens, a narrativa, a memória afetiva e coletiva, e o cinema, acontece de forma a gerar histórias que puxam outras, e ainda mais outras: “não é progressão, mas imagem, que subitamente emerge” (BENJAMIN apud LISSOVSKY, 2014). </p>



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</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Priscilla Pinheiro</strong> tem 29 anos, nascida e criada em Fortaleza/CE, é publicitária de formação, mestranda em comunicação pela UFC, e trabalha com redação e produção de conteúdo. Tem sempre um caderno por perto em busca de aprender coisas novas, registrar memórias, saber mais sobre si e desenhar outros caminhos.&nbsp;</p>



<p><a href="https://memoriasdevento.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://memoriasdevento.com</a>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Instagram:@<a href="https://www.instagram.com/pinheiroo.pri/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pinheiroo.pri&nbsp;</a></p>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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		<title>O tecer da vida : empreender costurando histórias  </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[cultura tear tecer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Monica Prado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando pensamos em construir histórias vemos nossas vidas entrelaçadas em fios como uma ferramenta transformadora, onde criamos um diálogo dentro de&nbsp; nós mesmos e encontramos&nbsp; manobras de se autobiografar , tecendo e interpretando a vida como a rede de significados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A jornada da mulher nesse tecer de experiências e descobertas buscando, desbravando o sagrado dentro de si nesse mosaico da vida, constituído de memórias guardadas, histórias, relações , encontros, desejos, emoções, sentimentos, sustentados pelos afetos e experiências formadoras que são os elementos essenciais que compõem o tecer fio a fio, e as tramas da sua vida. Os fios que compõe&nbsp; entre a leveza e o saber, em que a mulher vai se construir e reconstruir nas suas manualidades,&nbsp; compondo cada processo vivido na elaboração silenciosa da escrita da sua alma.&nbsp;</p>



<p>Os sentimentos são como fios delicados que não aceitam remendos, para tanto se faz necessário libertar das construções mentais, para que o caminho seja criado para essa mulher tornar-se a melhor versão do que ela poderá ser dela mesma .&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Uma boa receita é desenvolver as forças femininas da escuta, da sensibilidade, auto aceitação, descobrindo seu valor através das virtudes interiores encorajando-a entrar&nbsp; em contato com sua verdadeira luminosidade e universalidade, descobrindo&nbsp; assim através das suas histórias a capacidade de realizar plenamente as forças criadoras de poder escolher e agir livremente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O processo se inicia em compor uma narrativa através dessas perspectivas, nessa permuta entre o seu movimento interno&nbsp; e externo,&nbsp; transversalizando&nbsp; histórias, reais ou imaginárias da história que cada uma produz de si reverberando para o mundo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O&nbsp; importante é criar seu sonho e colocar em uma planilha, costurando, bordando , tecendo seus sonhos e cada palavra escrita nessa jornada será como uma companheira que te&nbsp; apresentará para novos mundos ampliando os seus horizontes e abrindo as portas para infinitas possibilidades e infinidades que não faça esquecer da sua verdadeira essência .&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Aprenda a se olhar com gentileza, carinho e desperte a criatividade feminina afetuosa , seja como uma libélula sustentada pela brisa , mergulhe em momentos auspiciosos, esteja ativamente produtiva, navegando nesse oceano infinito de transformações e possa tecer os caminhos leves e floridos, e que cada encontro em cada retalho, uma lição, uma vida, em que nesse encontro o feminino se torna mais humano, mas completo e assim sempre haverá um retalho novo acrescentar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Particularmente , para finalizar gostaria de deixar um trecho de um texto que me tocou profundamente da autora Pizzimenti em que ela fala :&#8221; Que eu possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias, e que assim , de retalho em retalho , possamos nos tornar, um dia , um imenso bordado de nós &#8220;.&nbsp;&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="548" height="548" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/1661887071154-1-edited.jpg?resize=548%2C548&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26324" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/1661887071154-1-edited.jpg?w=548&amp;ssl=1 548w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/1661887071154-1-edited.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/1661887071154-1-edited.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 548px) 100vw, 548px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Monica Prado</strong> é empresária na área de moda , produtora de moda, consultora de moda, jornalista e palestrante e com mais de 26 anos de experiência&nbsp; clinicando como Terapeuta. </p>



<p>Escritora autodidata, colunista da <em>Revista Metropolitana</em>, <em>Jornal do Povão</em> (SE), <em>Jornal do Povão</em> ( MG), além da participação semanalmente do programa de rádio com abordagens e temáticas diversas sobre bem estar, comportamento, consciência , espiritualidade, saúde psicoemocional, dualidade, autoconhecimento entre outros. Bacharel em Musicoterapia pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) com especialidade na área geriátrica, neurológica e gestacional ,criadora do método <em>Modaterapia</em> em que no campo da terapia observa e&nbsp; percebe a ótica da imagem e o comportamento das pessoas em relação à moda. Transcreve  conhecimentos e experiências dos atendimentos em consultório&nbsp; ajudando no empoderamento feminino, elevando a auto estima da mulher,&nbsp; fertilizando a vida através das suas experiências singulares, o bem estar e aceitação de si mesma.&nbsp;</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="331" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=950%2C331&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23851" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=1024%2C357&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=300%2C105&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?resize=768%2C268&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/ajdhkajshfpng.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p><a href="https://www.instagram.com/beto.martins.bm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Beto Martins</a> | <a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Café Libertas</a> | <a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atena Bookstore</a></p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.artebodoque.com/ensaios-sobre-arte-e-cultura-frederico-lopes-livro"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26017" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/KVENSAIOS-SOBRE-ARTE-E-CULTURA.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem e acesse nossa loja virtual.</em></figcaption></figure>



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		<title>A música dos nossos avós e a música dos nossos netos</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/artecast/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Artecast Bodoque</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você já parou pra pensar no choque de realidade entre as diferentes gerações através da música? </p>



<p>Esse episódio do nosso Artecast traz o programa Solfá de Música com um bate-papo descontraído sobre as diferentes formas de entender e consumir música em diferentes momentos da história!</p>



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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="A música dos nossos Avós e a música dos nossos netos - Solfá de Música" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/pdmzGBPGrDU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/LOGO-ARTECAST2022-1024x1024-1-1024x1024.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-25837" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/LOGO-ARTECAST2022-1024x1024-1.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/LOGO-ARTECAST2022-1024x1024-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/LOGO-ARTECAST2022-1024x1024-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/LOGO-ARTECAST2022-1024x1024-1.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>O Artecast Bodoque</strong> é um projeto que pretende promover conversas e ensaios com discussões no campo das Artes, Cultura e Criatividade. O PodCast conta com vários programas, convidados e é recheado de bom humor e profundidade!&nbsp; Você pode acompanhar os episódios nas principais plataformas digitais e no <a href="https://anchor.fm/bodoque-artes-e-oficios" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Anchor!</a></p>
</div>
</div>



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<p><a href="https://www.instagram.com/beto.martins.bm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Beto Martins</a> | <a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Café Libertas</a> | <a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atena Bookstore</a></p>
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		<title>Homem só no pavilhão </title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/homem-so-no-pavilhao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Felipe Gomes</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>trago caos&nbsp;</p>



<p>arrastão&nbsp;</p>



<p>faço vida&nbsp;</p>



<p>clarão&nbsp;</p>



<p>fogo vento&nbsp;</p>



<p>e choro&nbsp;</p>



<p>um choro&nbsp;</p>



<p>pra dentro&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="805" height="575" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Image-1-edited.jpeg?resize=805%2C575&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26330" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Image-1-edited.jpeg?w=805&amp;ssl=1 805w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Image-1-edited.jpeg?resize=300%2C214&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Image-1-edited.jpeg?resize=768%2C549&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 805px) 100vw, 805px" data-recalc-dims="1" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Felipe Gomes</strong> nasceu em 1984 na cidade do Rio de Janeiro, onde vive. Cursou licenciatura em Letras, especialização e mestrado em Literatura Brasileira, na UERJ. É professor de Língua Portuguesa na Rede Pública Municipal de Ensino. Tem poemas publicados em diversos periódicos literários. É autor de <em>Alma na casa sozinha</em> (Patuá, 2020), livro de poesia. Integra a antologia poética <em>Não mais os falsos infinitos</em> (Patuá, 2021). Com “Verônica decide matar”, foi selecionado na 2ª edição do Prêmio Rio de Contos (FUNARJ).&nbsp;</p>
</div>
</div>



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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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<p><a href="https://www.instagram.com/beto.martins.bm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Beto Martins</a> | <a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Café Libertas</a> | <a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atena Bookstore</a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://forms.gle/YetHt8xHkRmP2Nv4A"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="721" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/tRAMA.jpg?resize=950%2C721&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-25535" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/tRAMA.jpg?resize=1024%2C777&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/tRAMA.jpg?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/tRAMA.jpg?resize=768%2C583&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/08/tRAMA.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Quem pode definir o que é arte?</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/quem-pode-definir-o-que-e-arte/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[tautagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carina Ribeiro Cardoso</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/quem-pode-definir-o-que-e-arte/">Quem pode definir o que é arte?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Segundo Vladimir Maiakóvski: “A arte não é um espelho erguido para a realidade, mas um martelo para moldá-lo”.</p>



<p> Muito embora a sociedade ainda a discrimine, a tatuagem é uma arte. Na atualidade já existem diversas exposições, competições, convenções que têm por objetivo promover e divulgar a atualização de novas técnicas de aplicação e assepsia e quebrar os tabus de discriminação e preconceito.                                    </p>



<p>Tatuagens fazem parte de um imaginário coletivo e tem uma grande importância como linguagem artística e sua intensa ligação com o universo humano. A principal função da tatuagem é gravar, conservar algo na memória. Ao expandir para outras superfícies, a arte de tatuar revela o que marca, o que fere, o que é inapagável, mas efêmero. Portanto, trago minhas obras para esta exposição digital com o objetivo de quebrar mais tabus e transpassar mais uma camada da realidade: tirando a arte do papel para pele e da pele para o digital. Tatuagem é obra finita, pessoal e profunda. É cicatriz que escolhemos marcar, é vestir-se de arte.</p>



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<p><strong>Carina Ribeiro Cardoso</strong>, é formada em Design Gráfico pela UEMG e tatuadora. Tem seu próprio estúdio chamado <em>DOT TATTOO</em> em BH. Também desenvolve trabalhos na área de ilustração e quadrinhos e possui 2 publicações independentes lançadas no FIQ. Começou a fazer artes em paredes e murais recentemente e está sempre em busca de novos horizontes no mundo da arte e da pintura! </p>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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		<title>Cacique brasileira ajuda refugiados e migrantes na fronteira</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/onu-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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<p>A primeira líder política mulher da comunidade de Sakau Motá, em Roraima, é referência no acolhimento de pessoas indígenas refugiadas da Venezuela.</p>



<p>Desde que a violência contra indígenas Pémon-Taurepang eclodiu na Venezuela, em 2019, a pequena comunidade brasileira Sakau Motá viu seu número de moradores duplicar. Localizada na fronteira entre os dois países, em Roraima, Sakau Motá hoje é o lar de mais de 400 pessoas indígenas, boa parte delas busca o Brasil para asilo e proteção.&nbsp;</p>



<p>Do lado brasileiro da fronteira, uma cacique lidera o acolhimento:&nbsp;<a href="https://www.acnur.org/portugues/2022/05/30/cacique-brasileira-e-na-defesa-de-refugiados-e-migrantes-conheca-anita-yanez/">Anita Yanez foi a primeira mulher</a>&nbsp;a vencer as eleições comunitárias Pemón-Taurepang, que a consagraram uma liderança indígena feminina na comunidade. Desde que começou as atividades, Anita – como é carinhosamente chamada – apoiou pessoas refugiadas e migrantes indígenas por meio da integração na comunidade e apoiando no processo de solicitação de refúgio.</p>



<p>“Somos da mesma etnia, muitos somos até família. Recebemos [as pessoas refugiadas e migrantes] de braços abertos por isso. Eu via a dor, e colocava gente até na minha casa, dividindo quarto com a gente”, relata Anita, lembrando que muitos dos que chegam ao Brasil por via terrestre enfrentam uma jornada exaustiva, com fome e acompanhados de muitas crianças.</p>



<p>Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), existem no Brasil mais de duas mil pessoas da etnia Pemón que saíram da Venezuela em busca de asilo e proteção. No total, mais de 7,5 mil indígenas de diferentes etnias cruzaram a fronteira na cidade de Pacaraima e vivem hoje em território nacional.</p>



<p>A responsabilidade de cada Tuxaua (forma como se denomina o/a cacique na região) é principalmente cuidar da comunidade e liderar as negociações com pessoas não indígenas para garantia de direitos e defesa da cultura e território. A partir da chegada de pessoas refugiadas, Anita também passou a empreender ações para direitos à documentação, acesso à saúde e educação de pessoas indígenas forçadas a se deslocar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="535" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?resize=950%2C535&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26273" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?resize=1024%2C577&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?resize=768%2C433&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?resize=1536%2C866&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Captura-de-Tela-2022-05-30-às-11.43.26-min-894x504-1.png?w=1650&amp;ssl=1 1650w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Legenda: Família Pemón-Taurepang recebe orientações sobre como solicitar a condição de refugiado no Brasil.<br>Foto: © Camila Ignacio Geraldo/ACNUR</figcaption></figure>



<p><strong>Causa pessoal &#8211;&nbsp;</strong>Anita sabe bem o que é ser forçada a se deslocar por causa da insegurança. Durante sua infância, ela saiu da comunidade em que vivia, mais ao norte de Roraima, para Sakau Motá, motivada justamente por episódios de violência que sua família viveu. Com apenas 7 anos, a comunidade indígena onde vivia foi invadida, as casas queimadas, e sua família foi forçada a deixar tudo para trás. “Reconheci neles a dor que senti naquele momento, por isso mantive sempre os braços abertos. É muito difícil viver com essa dor”, confessa.</p>



<p>Ao lado do ACNUR, Anita apoia pessoas indocumentadas a realizarem a solicitação de refúgio no Brasil, documento que regulariza a situação migratória e garante o acesso a direitos de pessoas que buscam o reconhecimento como refugiadas.</p>



<p>Para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em Sakau Motá, a Tuxaua investe em melhorar a educação da aldeia, busca recursos para construção de um posto de saúde e já iniciou a construção de um refeitório. “Querer, correr atrás e conseguir foi aquilo que aprendi com minha mãe e minha avó”, diz.</p>



<p><strong>Lado a lado &#8211;&nbsp;</strong>O indígena refugiado de 38 anos, Amado, diz que a comunidade de Sakau Motá é um local onde há segurança e onde sua filha, de três anos, pode ter sonhos e crescer com saúde. “Ela tinha apenas seis meses quando viemos e estamos aqui por ela”, conta.</p>



<p>Ele trabalha ao lado de Anita em projetos de trabalho comunitário. Em Sakau Motá, indígenas refugiados e brasileiros, lado a lado, montam casas, aumentam a escola e negociam com autoridades para receberem a infraestrutura básica para uma vida digna e com respeito à cultura tradicional.</p>



<p>No entanto, para Anita, as necessidades da comunidade ainda são muitas. “Precisamos de mais salas de aula, de um local limpo para atendimentos de saúde, de parques para as crianças, de estradas seguras em que podemos ir à cidade”, relata.“Eu sonho acordada. Toda vez que olho para minha comunidade, vejo tudo isso que acabo de dizer. Mas não quero mais sonhos, quero realidades. Quero que tudo isso que quero para Sakau Motá se concretize”, finaliza.</p>



<p><em><br>Artigo publicado originalmente em <a href="https://brasil.un.org/pt-br/195247-campanha-do-unicef-convoca-sociedade-priorizar-educacao-nas-eleicoes">ONU Brasil</a> no dia 09/08/2022</em></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
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		<title>Mais perto do Céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Felipe Sousa </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há décadas os lixões tem sido um grande problema no Brasil, mesmo já tendo data marcada para acabar. Estima-se que mais de 46 milhões de pessoas, vivam em locais sem gerenciamento adequado de lixo, e mais de quinhentas mil delas dependem exclusivamente da revenda de lixo reciclável. Vivendo com menos de cinco reais por dia. Desde antes do início da pandemia, já passamos por uma situação de empobrecimento da população, que ficou ainda pior depois do Covid 19. A série “mais perto do céu” nasceu quando me juntei aos esforços do CCMB (centro cultural maloca dos brilhantes) para fornecer segurança alimentar e serviços básicos para mais de 60 famílias que vivem e trabalham em nosso lixão local. E ali na parte mais elevada da cidade durante esse período retratei suas vidas e suas lutas. Tendo em vista a ampla variedade de experiências humanas presentes, busquei construir uma relação de diálogo que possibilitasse quebrar as barreiras, E entender os desafios de ter de existir entre o sonho de um futuro sustentável e a realidade da desigualdade social. Onde até mesmo o próprio processo de transformação dos lixões em aterros sanitários, acaba por muitas vezes criando mais exclusão. Removendo do debate os próprios trabalhadores já desgastados pelos processos políticos, sem dar nenhuma alternativa aos mesmos, muitos têm um futuro incerto pela frente.&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="634" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa.jpg?resize=950%2C634&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26217" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=768%2C513&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=1536%2C1025&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=2048%2C1367&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?resize=2000%2C1335&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/Mais-Perto-do-Ceu-Felipe-de-Sousa-1-felipe-de-sousa-scaled.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<p><strong>Felipe Sousa</strong> começou a fotografar na adolescência por mera curiosidade e continua desde então. Desenvolveu principalmente a fotografia documental fruto de uma percepção e necessidade de auto documentação. Vindo de uma longa família de Vendedores ambulantes e Feirantes, sempre se sentiu injustiçado pelas representações midiáticas as quais lhes eram impostas, então em 2013 com o projeto Seu Zé e Dona Maria ainda em andamento, começou a retratar aqueles que o rodeava no dia a dia.              Também tem trabalhado em diversos projetos paralelos, como a publicação do livro <em>&#8220;Histórias da Rua Grande&#8221;</em> de Elzilene Nóbrega, que acabou gerando a série <em>&#8220;Guardiões da Memória&#8221;</em>.                       Também participa ativamente como voluntário nas programações culturais e sociais do <em>Centro Cultural Maloca dos Brilhantes</em>, e de outras organizações sociais locais.&nbsp;</p>
</div>
</div>



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		<title>Omissão </title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/omissao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lorraine Ramos Assis</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>o quartzo e monazita abarcam o líquido cáustico próximo ao Hotel Windsor. A drenagem dos olhos deficitários irradia a radiação solar sobreposta à percepção de tempo-espaço&nbsp;</p>



<p>a saturação desgastada necessita de óxido nítrico&nbsp;</p>



<p>(Está morrendo)&nbsp;</p>



<p>mãos atadas sob a iminente ameaça periódica&nbsp;</p>



<p>a areia exacerbada é tão estelionatária quanto o hotel nas adjacências&nbsp;</p>



<p>o escrito que os minerais e rochas concederam como auxílio financeiro em épocas de recessão e destoantes e desordenados pensamentos é guardado em uma&nbsp;</p>



<p>conta poupança&nbsp;</p>



<p>(A desejam sob etanol e fogo)&nbsp;</p>



<p>como fizeram com o espólio do hotel nas proximidades rochosas&nbsp;</p>



<p>a usurpação é simultânea nas divisões da praia e da pessoa física&nbsp;</p>



<p>tudo é uma grande falsificação&nbsp;</p>



<p>os olhos drenados não concebem mais o tempo como nós o concebemos&nbsp;</p>



<p>eles estão cegos por uma ganância consanguínea&nbsp;</p>



<p>sua vitalidade é ameaçada perante o conhecimento dos outros olhos de sua expropriação monetária&nbsp;</p>



<p>o dinheiro é o mandante da morte&nbsp;</p>



<p>eles o deixam padecer sob a falta de oxigenação&nbsp;</p>



<p>30.03.2020 – Não há suporte para a escritura e diários oficiais de varas de órfãos e sucessões&nbsp;</p>



<p>Os olhos deficitários estão mortos sem respiradores </p>



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</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Lorraine Ramos Assis</strong> é publicada em 9 revistas digitais ao longo de dois anos e meio,  e uma artesã do caos. Carioca e estudante de sociologia, na UFF. Integrou a antologia ruínas, da editora patuá. Concedeu duas entrevistas ao canal como eu escrevo.</p>
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<p><a href="https://www.instagram.com/beto.martins.bm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Beto Martins</a> | <a href="https://www.instagram.com/cafe.libertas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Café Libertas</a> | <a href="https://www.instagram.com/atenabookstore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atena Bookstore</a></p>
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		<title>Arte para ver a alma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tatiana Moura</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/09/11/arte-para-ver-a-alma/">Arte para ver a alma</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos meus trabalhos, o que me inspira é a alma humana, sendo destacada a figura feminina, seu empoderamento e força. </p>



<p>Gosto de retratar e representar mulheres, algumas reais outras personagens, entretanto cada uma delas tem um pouco de mim, penetro nos seus sentimentos, aos mesmo tempo que expresso também os meus através das figuras representadas. A expressão facial, o olhar e cores estão presentes nos meus desenhos e ilustrações. Desenhar a figura humana para mim, não é simplesmente retratá-las esteticamente, mas sim mergulhar em seus sentimentos e emoções, sendo a pintura um espelho, o reflexo da alma. &#8220;Espelhos são usados para ver o rosto; arte para ver a alma&#8221;. George Bernard </p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura.jpg?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26205" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1229%2C1536&amp;ssl=1 1229w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1638%2C2048&amp;ssl=1 1638w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=2000%2C2500&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210218_080922_957-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura.jpg?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26207" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1229%2C1536&amp;ssl=1 1229w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1638%2C2048&amp;ssl=1 1638w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=2000%2C2500&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210527_082759_875-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="960" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210419_213326_870-Tatiana-Moura.jpg?resize=768%2C960&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26208" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210419_213326_870-Tatiana-Moura.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210419_213326_870-Tatiana-Moura.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura.jpg?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26209" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1229%2C1536&amp;ssl=1 1229w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=1638%2C2048&amp;ssl=1 1638w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?resize=2000%2C2500&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210802_005515_376-Tatiana-Moura-scaled.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26210" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210710_100310_583-Tatiana-Moura.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20200705_103347_373-Tatiana-Moura.jpg?resize=819%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26233" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20200705_103347_373-Tatiana-Moura.jpg?resize=819%2C1024&amp;ssl=1 819w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20200705_103347_373-Tatiana-Moura.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20200705_103347_373-Tatiana-Moura.jpg?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20200705_103347_373-Tatiana-Moura.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="731" height="914" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210718_200123_964-Tatiana-Moura.jpg?resize=731%2C914&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26211" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210718_200123_964-Tatiana-Moura.jpg?w=731&amp;ssl=1 731w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210718_200123_964-Tatiana-Moura.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="383" height="561" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210621_111259_360_3-Tatiana-Moura.jpg?resize=383%2C561&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26234" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210621_111259_360_3-Tatiana-Moura.jpg?w=383&amp;ssl=1 383w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/IMG_20210621_111259_360_3-Tatiana-Moura.jpg?resize=205%2C300&amp;ssl=1 205w" sizes="(max-width: 383px) 100vw, 383px" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



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<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img loading="lazy" decoding="async" width="498" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/AirBrush_20200820141252-Tatiana-Moura.jpg?resize=498%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26212" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/AirBrush_20200820141252-Tatiana-Moura.jpg?resize=498%2C1024&amp;ssl=1 498w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/AirBrush_20200820141252-Tatiana-Moura.jpg?resize=146%2C300&amp;ssl=1 146w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/AirBrush_20200820141252-Tatiana-Moura.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w" sizes="(max-width: 498px) 100vw, 498px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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<p><strong>Tatiana Moura</strong> descobriu sua vocação pela arte aos 12 anos de idade, realizando de forma autodidata desenhos, ilustrações e pinturas  á lápis, carvão, tinta aquarela, giz pastel, e várias outras tecnicas etc. Em 2018, foi classificada para exposição e catálogo na segunda Bienal de ilustração na <strong>Sky Gallery Arts</strong> &#8211;<em> Barcelona</em>,e assim foi incentivada a aprofundar seus conhecimentos artísticos através de vários cursos de pintura e desenho. Desde então, realizou exposições de arte em galerias como <strong>BArte GALERIA</strong> em Salvador,<strong> Arte Pamplona</strong> em São Paulo e diversos projetos com artistas de várias nacionalidades, realizando não somente a execução de obras de arte, como também atuando na organização e curadoria de alguns projetos artísticos, que podem ser visualizados no site <a href="https://www.behance.net/tatimoura77a67" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.behance.net/tatimoura77a67</a></p>



<p>Instagram: @<a href="https://www.instagram.com/tatimoura.art/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tatimoura.art</a>&nbsp;</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211630/o-sequestro-da-independencia?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQjwmdGYBhDRARIsABmSEePxRB5jR3QqPP9SL1G_YdInnIEy-fFHhzaz_ElihSsyvHkUJm2qzekaAnysEALw_wcB"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-26020" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/09/lilia-publi-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><em>Clique na imagem para mais informações.</em></figcaption></figure></div>



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		<title>Toda dor é um lembrete do agora </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 18:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 137]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Raíssa varandas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aprendi o significado de ponto-gatilho nas sessões de fisioterapia. Antes, desconhecia a inventividade dos músculos a esboçar no corpo uma cartografia de locais hipersensíveis. Sentia apenas a dor. Por vezes, o peso na nuca empurrando meu eixo em direção ao solo. Por vezes, a tração de cordas invisíveis, alçando meus ombros em direção às orelhas. Alheia à autonomia do tecido muscular, aos desequilíbrios das equações bioquímicas que semeiam no organismo os seus excessos. Alheia às consequências imediatas da má postura, dos gestos bruscos e do sofá barato. Procurando no corpo uma representação das minhas repentinas oscilações de humor: a terra para a melancolia; as escápulas içadas para os períodos de atribulação, insegurança ou ansiedade. Uma dicotomia clichê de temperamentos a alternar, em um só dia, a apatia dos membros colados no colchão, ao frenesi de erguê-los ao teto. A angústia acumulada nas panturrilhas, ao estranho ânimo para faxinar cada canto esquecido da casa, alterando a disposição dos móveis, apenas para retorná-los ao mesmo lugar. Buscando, na atividade intensa, uma justificativa prática para as dores musculares. Reencontrando, no lugar, a exaustão que devolve o corpo ao estofo já disforme do velho sofá.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Alongo o corpo como me foi ensinado. Com as mãos sobre a nuca, finjo manter a respiração compassada, finjo contar lentamente até trinta. Ainda consigo apoiar o queixo sobre o peito. Ainda consigo me equilibrar em uma perna só ou tocar a palma das mãos no solo, sem que seja preciso dobrar os joelhos. Ainda sustento certo domínio sobre os músculos, embora ele exista apenas para que o momento da desobediência se torne mais violento. Alongo o corpo sem intencionar a melhora. Buscando no breve fisgar das fibras, a confirmação de que estou presente. Na dor, o lembrete do agora. Da materialidade da carne. O lembrete da presença deste corpo no centro deste cômodo. Da sola dos pés plantadas neste chão. Das pernas sutilmente arqueadas. E aqui, entre um ombro e o outro, o ponto doloroso que torna o instante palpável.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>Raíssa Varandas</strong> é formada em História e é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Autora do livro &#8220;Afluência&#8221;, que flerta com a prosa e a poesia, transita entre os gêneros textuais, criando poemas, mas também contos e aforismos. Ele foi gestado ao longo de dois anos, com ilustrações de Bruna Bridi, sendo também a primeira obra apresentada pela Varanda, que não é apenas uma editora, mas um “complexo de comunicação e cultura”</p>
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