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	<title>Arquivos LGBT - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>CASA</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 096]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mês passado, comecei a estudar neurociência. Me lembrava vagamente de alguns conceitos que aprendi no ensino médio como dendritos, bainha de mielina, terminal axônico e sinapses. Me lembrava, também, das partes do encéfalo e de suas respectivas funções básicas, mas meus conhecimentos biológicos não me levaram mais longe do que isso. Entre livros e entrevistas, uma fala do neurocientista Ivan Izquierdo me saltou aos olhos: <strong>Somos aquilo que decidimos esquecer.</strong> Gostaria de dizer que todas as coisas que eu quis esquecer foram, de fato, esquecidas, mas não seria verdade. Talvez querer e decidir sejam coisas diferentes.</p>



<p>Ela foi embora em uma manhã quente de domingo, daquelas em que o céu está todo azul e acordamos levemente desconfortáveis com o clima abafado do quarto fechado. Lavínia sempre acordava depois das onze, mas quando abri os olhos às sete e quarenta e cinco, ela estava sentada do outro lado da cama com o celular na mão e fones de ouvido. Ela não me viu. Por alguns minutos, cogitei voltar a dormir, ou até mesmo fingir que ainda estava dormindo; mas naquele momento, isso parecia errado. Quando ela finalmente olhou pra mim, eu não recebi um sorriso, muito menos um bom dia. Naquela fração de segundo, o encontro de seus olhos verdes nos meus me disseram com clareza que aquele era o nosso ponto final.</p>



<p>Por experiência pessoal, términos são constituídos de alguns momentos chave: &#8220;Precisamos conversar&#8221;; &#8220;as coisas estão difíceis&#8221;; &#8220;não é você, sou eu&#8221;; &#8220;vamos ser amigas&#8221;. Por mais especial que Lavínia seja &#8211; e acredite, ela é -, ela não resistiu ao impulso de reproduzir aquela receita também. Eu ouvi cada palavra, mas não levantei a voz contra nenhuma delas. Eu não concordava com nada que estava sendo dito, mas era claro para mim que de nada valia insistir. Eu não queria ter que convencer ninguém a me amar.&nbsp;</p>



<p>Outra coisa sobre a memória é que ela é dividida em alguns tipos. Entre os principais, estão a memória de curto prazo, longo prazo e sensorial. A memória de curto prazo pode guardar informações por segundos, minutos, ou até horas; essas informações não costumam ser muito úteis, então o nosso cérebro abre espaço para outras coisas. Nesse momento, gostaria de mover todo o meu arquivo interno sobre amor para a memória de curto prazo, e assistir enquanto meu corpo deixa tudo ir embora pelas próximas horas.&nbsp;</p>



<p>A primeira vez que a vi, ela estava de mãos dadas com outra pessoa. As duas pareciam felizes, aquele tipo de casal que se vê em capas de revista de jardinagem e propagandas de sabão em pó; mesmo assim, algumas semanas depois, elas estavam separadas. Acho graça do pensamento de que, possivelmente, quem olhava para nós duas também tinha a mesma sensação de propaganda de sabão em pó.&nbsp;</p>



<p>Quando fiquei sabendo que ela estava solteira, o universo não demorou para nos colocar na mesma sala mais uma vez, agora levemente alcoolizadas. Me lembro do cheiro do perfume que ela usava naquela noite, e de como sua boca encaixava na minha como nenhuma outra. Naquele dia, cheguei em casa e não pensei nela. Na verdade, não pensei nela pelas próximas semanas, até uma notificação no celular de um número desconhecido. Se tem uma coisa toda nessa história que minha memória me fez esquecer foi ter dado meu número de telefone para ela, mas que bom que o fiz.</p>



<p>Revirando meus cadernos, me deparo com uma lista de coisas que prometemos fazer juntas, algumas marcadas, a maioria não. No mesmo caderno, rascunhos dos poemas que escrevi para ela, muitos que ela nem chegou a ler. Em uma conversa casual na mesa da sala, uma amiga minha uma vez me disse que as pessoas dedicam muito do tempo delas para mim. Não posso negar, já ouvi algumas músicas e li alguns textos que pessoas escreveram para mim, cada um com um objetivo diferente. Escrever, pensar, produzir, essas coisas levam tempo, mas principalmente levam sentimento. O que minha amiga não sabia era o quanto eu me dedicava primeiro.</p>



<p>Esperei receber uma mensagem de texto de Lavínia naquela noite, semana, mês. As suas justificativas começaram a fazer cada vez menos sentido na minha cabeça. Eu poderia ter pedido para que ela ficasse. Eu poderia ter argumentado de volta. Eu poderia ter criado mil e uma soluções para toda a lista de desafios que ela trouxe. O problema é que ela não queria uma solução; ela queria sua liberdade. Liberdade essa que sempre fiz questão de dar, deixar as portas e janelas abertas, retirar as cobranças do nosso vocabulário pessoal, e mesmo assim não foi o suficiente. Talvez todas aquelas conversas sobre individualidade e espaço tenham ido para a memória de curto prazo de Lavínia.</p>



<p>Somos responsáveis por armazenar o que julgamos importante, assim não cometemos os mesmos erros mais de uma vez. Enquanto sociedade, percebo que falhamos nessa missão de lembrar de nossos erros passados e construir a partir deles. Algumas pessoas não estão interessadas em construir, muito menos em conjunto. Eu estou parada na frente de uma pilha de tijolos e cacos de vidro onde minha casa costumava estar, mas não esqueço de tudo que fez com que ela ficasse de pé um dia. <strong>Sou feita daquilo que decidi lembrar.</strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b2357-gabi-guarabyra.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14590 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a>&nbsp;e no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>.</p>
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		<title>TETRIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jun 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 094]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nunca fui um grande exemplo de organização. Me lembro de ter 8 anos e ir visitar minhas amigas e perceber que todos os quartos eram sempre mais arrumados que os meus. Os brinquedos sempre impecáveis na estante, os cadernos empilhados em ordem de uso. Na adolescência, meu namorado organizava os livos pela cor da capa, criando um perfeito degradê na estante. Sempre me culpei por minha falta de ordem, tentava me justificar dizendo que podia gastar o meu tempo de formas melhores do que jogando tetris na vida real com todos os meus pertences.</p>



<p>Para que eu pudesse ter o mínimo de ordem nas minhas coisas, desenvolvi uma técnica que me ajudava a manter as coisas relativamente no lugar. Eu comecei a tirar todas as minhas coisas do lugar de uma vez. Jogava pelo chão, colocava em lugares inconvenientes. Assim, me sentia tão incomodada que era impossível adiar a tarefa.</p>



<p>Passei a aplicar a regra para outras situações da minha vida. Quando precisava ter uma conversa que gostaria de evitar com alguém, fazia uma tempestade nos ouvidos do meu receptor até que o assunto se tornasse inevitável. Apagava parágrafos e mais parágrafos de escritos para que minhas mãos finalmente pousassem no teclado movidas pela pressão do prazo de entrega. Dizem que nosso cérebro é moldável. Eu condicionei minha mente a esperar tudo sair do lugar antes de conseguir foco para acertar as pontas soltas. O problema disso é que agora só consigo respirar fundo quando meus pulmões já estão ardendo pela falta de ar.</p>



<p>&nbsp;Estou sentada no chão de madeira olhando para minha velha estante que tenho desde a infância. Ela tem coisas demais, coisas que com certeza não preciso mais. Suas prateleiras estão tortas, como se pudessem ceder a qualquer momento. Dezenas de livros, apostilas e revistas acumulam poeira em cada um de seus seis andares. Ela ainda não está bagunçada o suficiente. Penso em retirar todos os seus itens e jogar no chão, na cama, cadeira, talvez até mesmo pela janela. Talvez assim eu consiga colocar tudo de volta no lugar, de volta para o meu pequeno jogo particular de tetris.&nbsp;</p>



<p>É preciso desabar para reconstruir.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b2357-gabi-guarabyra.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14590 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a>&nbsp;e no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>.</p>
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		<title>Lado Vazio</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/14/lado-vazio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 082]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Gabi Guarabyra]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabi Guarabyra</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Qual é a forma mais poética de marcar a passagem do tempo?</p>



<p>Por muito tempo, li livros marcando pelas estações do ano, principalmente primaveras; ultimamente, parece que as flores saíram da tendência principal. Já ouvi também o tempo sendo marcado pelas chuvas ou raios de sol. Nada disso me parece tão bonito assim hoje. Vamos começar pelo começo, onde acredito que seja, de fato, o melhor lugar. Recolho minhas figuras de linguagem, respiro fundo e, assim, estamos finalmente no lugar certo.</p>



<p>Maio. Maio de 2018, para ser mais exato. O quinto mês do nosso calendário, relacionado ao romance, casamentos e belos pôres do sol. Nem sempre nós nos rendemos aos clichês.</p>



<p>Naquele mês, eu estava preparado para mais trinta e um dias de monotonia. Logo no início da segunda quinzena, porém, nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Eu sentado em um banco de praça com um saco de pipoca doce na mão, ele passeando com seu cachorro &#8211; uma chow chow, fêmea, branca, com nariz empinado. A estratégia número um de flerte é conversar com o cachorro, certo? Certo.&nbsp;</p>



<p>Respiro fundo, um passo firme de cada vez, caminho até ele. “Oi, meu nome é Sávio, adorei seu cachorro.” Não, isso é um péssimo jeito de começar. “Oi, a cachorrinha tem telefone?” Ainda pior. Passei tanto tempo buscando as palavras certas para iniciar aquela interação que, quando levanto os olhos, ele já não está lá. Suspiro em frustração e volto para o meu universo no banco cinza com pipoca doce.</p>



<p>Por muito tempo, nada mais aconteceu. Gostaria muito que, nesse momento da narrativa, eu pudesse contar um reencontro espetacular e romântico, ou até mesmo um evento em que ele batesse na minha porta do nada com a chow chow na coleira e uma caixa de chocolates na outra. Infelizmente, isso não é um filme adolescente da Netflix (por mais que eu queira que seja).&nbsp;</p>



<p>O nome dele é Cássio, e aquele homem tem os olhos mais bonitos que eu já vi em toda minha vida. Um olhar cheio de determinação, quase como uma dose instantânea de cafeína. Meu reencontro com Cássio só aconteceu quatro meses depois, na mesma praça, onde ele, novamente, passeava com sua companheira. Naquele dia, eu fui até ele sem pensar, esperando que o universo pudesse me presentear com as palavras certas quando o momento chegasse. Hoje eu sei que o universo não é assim tão generoso com ninguém. Olhei fundo naqueles olhos e me senti um adolescente, consegui imaginar uma vida inteira ao lado daquele homem antes mesmo de perguntar seu nome.&nbsp;</p>



<p>Percebendo meu olhar congelado, ele se apresenta sem jeito. Cássio, e sua chow chow branca Maria. Com a voz trêmula também me apresento, preparado para o futuro que teríamos juntos a partir daquele momento. Sorrimos sem graça por um instante, e ele me convida para caminhar ao seu lado enquanto termina o passeio com Maria, que ignora completamente a minha presença e segue cheirando a calçada e procurando folhas para brincar.</p>



<p>Temos muitas coisas em comum. Nós dois praticamos luta: ele, karatê; eu, boxe. Nós dois somos engenheiros: ele, civil; eu, elétrico. Nós dois tocamos instrumentos: ele, bateria; eu, violino. Sempre alguma coisa em comum, nunca o suficiente para que a conversa dure muito tempo. E assim, nossa dança continua, ambos buscando o interesse do outro, mas falhando por pouco. Nossa conexão parecia um pouco jogo de montar, mas empilhávamos peças do jeito errado e algum lado sempre ficava vazio.</p>



<p>Penso muito sobre o Cássio não por paixão, mas por frustração. Sempre desisti muito fácil das coisas, e consequentemente das pessoas da minha vida, também. Sinto que desperdicei tempo demais criando uma história dentro da minha cabeça e não consegui concretizar o que poderia ter sido bonito na nossa relação.</p>



<p>Particularmente, nunca fui o maior fã de fogos de artifício: o barulho alto me incomoda, o cheiro de pólvora e toda a fumaça me causam um certo pânico, mas não posso deixar de pensar em como meu primeiro beijo me trouxe a sensação de fogos de artifício na boca do estômago. Não do tipo barulhento, somente a imagem gloriosa de luz colorida voando pelos céus.&nbsp;</p>



<p>Esse beijo, o de fogos de artifício, aconteceu quando eu estava nos meus 14 anos de idade. Desde então, busco alguém que possa me trazer essa sensação, essa empolgação. Talvez, eu tenha vivido o auge cedo demais. Ou talvez eu tenha me conformado com tão pouco que até hoje não saiba medir a felicidade. Estamos novamente em maio, mas agora já se passaram 5 anos do encontro na pracinha, da pipoca doce, do olhar de cafeína. Eu sei que Cássio gosta da padaria da esquina debaixo, e sei que agora adotou um outro cachorro, três vezes menor do que Maria, que lhes acompanha nas aventuras pela cidade. Nos cumprimentamos com leves acenos de cabeça e meios sorrisos que representam o que poderia ter sido, mas nunca foi.</p>



<p>Nesses últimos anos, aprendi a tocar bateria e experimentei o karatê por alguns meses. Tentativas de preencher o tal lado vazio. Nunca tive coragem de contar nada disso para ele; então, guardo dentro de mim a tentativa fracassada de compreender aquele outro universo. Que triste é perceber que meu próprio universo não me basta para me sentir completo.</p>



<p>Em dois meses, vou me mudar. Fui transferido pela empresa em que trabalho. Não sinto a empolgação que gostaria de sentir; espero que isso mude quando pisar em meu novo fuso horário. Espero que, lá, me encontre com um novo Cássio e sua Maria, mas com um pouco mais de violino.</p>



<p>Até lá, sento na sala, encarando o lado vazio do sofá que logo será doado para uma nova família. Qual a forma mais poética de falar sobre o meu sofá?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b2357-gabi-guarabyra.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14590 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Gabi Guarabyra&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong>é atriz, diretora, dramaturga e professora. É pós-graduanda em Gênero e Sexualidade pela FACED-UFJF e compartilha frentes de trabalho teatral no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/coletivofemininojf/">Coletivo Feminino</a>&nbsp;e no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/nucleoprisma/">Núcleo Prisma</a>.</p>
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		<title>TE ASSUMI, TE AMO, E TU?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 081]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mailyne Silva]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14445</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Mailyne Silva</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/07/te-assumi-te-amo-e-tu/">TE ASSUMI, TE AMO, E TU?</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Ama girassol
 Hoje a maioria dos meus rabiscos são flores.
 Ama Harry Potter, hoje eu assisto a todos os filmes.
 Minha melhor companhia de janela para olhar as nuvens e temporais
 Já a sacada era o nosso camarote para as estrelas.
 Única que conseguia me tirar do sério como ninguém até hoje conseguiu.
 Ria do meu Bah ta loko, enquanto eu do bixcoito.

 Brigava, deitava de costas de uma pra outra, tu ligava a luz e dizia…
 Faz mal dormir brigadas daí fazíamos as pazes e dormia de conchinha.
 Até hoje sinto seu cheiro quando passa alguém usando o mesmo perfume que o seu.
 Sabia de mim sem ao menos me conhecer.
 Me ajudou quando eu mais precisei.
 E caí feito uma bomba em você.

 Ela cariocaxxxxxx
 Eu gaúcha, Bah tchê
 Ela 22
 Eu 23
 Ela ariana
 Eu leonina

 Te dava carinho
 Falava que era princesa e virou minha princesa
 Dizia que não tinha cócegas até eu descobri o ponto específico
 Mordia sua dobrinha da perna e tu se matava rindo
 Gostava de lamber meu rosto, eu não gostava então me pegou desprevenida várias vezes.
 Depois virou nossa guerra favorita passar a língua uma na cara da outra.

 Os filmes mais eu assistia do que tu e enquanto tu dormia ao te olhar fazia carinho e
 escutava seu ronquinho.
 Tomávamos banho, transava.
 Te chamava pra dançar, dançava.
 Fazia fitagem em você, hoje faço em mim.
 Cozinhamos juntas.

 Ela fã de sertanejo
 Eu eclética
 Ela baixa
 Eu alta

 Enquanto te olhava de pertinho você levantava os pézinhos pra ganhar beijinho
 O shopping pra nós tava mais pra praça de alimentação
 Pedimos muito lanche depois comia pipoca pra finalizar
 Dormia no meu peito e eu no seu
 Dia de chuva era o nosso dia de dorminhocas
 Vc falava cheiro, eu te dava o pescoço
 Tu escutava Marília Mendonça enquanto eu calipso
 Seu cheiro é de coffe não de café mais de perfume da boticário e quando podia não largava
 seu pescoço pra poder sentir seu cheiro.
 Dormia com sua foto e seu urso quando estava com saudade e tu com minha foto e blusa

 Eu e ela gastadoras e consumidoras de comida
 Gastava meus cremes eu ficava braba
 Jogamos Free Fire sempre aquela competição, mas até no jogo ficávamos uma do ladinho
 da outra se protegendo e você sempre atrasada para pegar as coisas, risos…
 Jogava uno início da guerra.

 Na hora de ir pra faculdade demorava um tempão se maquiando e quem nos atrasa é eu
 risos

 No supermercado adorava fazer caretas pras crianças e fazer alguma coisa pra me deixar
 apavorada.
 Tirava muitas fotos, fazia videos.
 Hoje tá ficando famosinha no tik tok.

 Quando tava longe se viamos por chamada de vídeo
 E tu sempre dormindo primeiro
 E eu olhando a princesa do ronquinho que eu tenho do meu lado.

 A que faz a melhor pipoca
 Dos melhores beijos
 Dos melhores abraços de minion
 Pequena de tamanho mas com um grande coração

 A princesa que ela diz ser é a Moana, enquanto eu estava tentando juntar um dinheiro pra fazer o aniversário, surgia um problema pra atrapalhar. Mesma coisa com a volta da viagem; comecei meses antes preparando corações e outras coisas pra no fim não dar.

 Minha inspiração pra tanta coisa que tu nem sabe
 Minha modelo de customização de camisa
 A doida dos cremes da skala
 Conseguiu fazer com que eu assistisse a filmes que sempre tive medo.

 Hoje o pouco que sei dançar, aprendi com contigo
 Escrevia sempre nos meu cadernos sem ter controle da folhas
 Eu a procura de um trabalho em frente a professora
 E ela me disse que estava lindo e eram seus desenhos e recadinhos risos

 Escuta tanto sertanejo que hoje eu escuto também
 Já na faculdade quando não estava perdia todo o brilho do seu sorriso que apesar de ter um sorriso de bebê é o que me cativava e eu acredito que não só a mim.

 Ficava feliz quando eu abria os braço pra lhe dar um abraço
 Em seguida brava pelo carinho na testa até o final da cabeça e fazia beicinho

 Me proporcionou a noite mais linda de todas
 A o som de Mc G15
 Enquanto eu estava no ônibus achando que o mundo todo sabia do nosso amor.
 Não soube o que falar a você porque ia me perder em meio às palavras mas hoje sei
 exatamente o que dizer.
 Não é por frieza, nem por proeza.
 Mas sei que um dia saberia o que dizer da melhor forma.

 Não somos perfeitas, eu sei, erramos e tudo bem, somos pessoas e não robôs.
 Por isso tantas coisas são boas apesar de nós sentir falta de algumas coisas e
 simplesmente não falar uma a outra diálogo é necessário uma das coisas que mais sinto falta mas tudo bem estou aqui.

 Sei que é difícil e que és indecisa da mesma forma que pra mim é assustador e um dos fatos de não corresponder a todas as suas expectativas mais aqui esta meus mais sinceros sentimentos, estamos bem , um amor desse jeito nunca imaginei também achava que não cabia aqui dentro do tipo que se tem e não sabe e quando sabe as vezes é tarde.

 Até que recebi a mensagem…

 Te assumi, te amo e tu?

 Partiu!</pre>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7a38f-o-desgaste-do-amor-2020.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14447" data-recalc-dims="1" /><figcaption>&#8216;O Desgaste do Amor&#8217;</figcaption></figure>



<p>&#8216;O Desgaste do Amor&#8217; foi desenvolvida no ano de 2020 a partir do texto poético &#8216;Te assumi, Te Amo, e Tu?&#8221;, escrito pouco antes . Nela, uso tinta acrílica sobre um pequeno pedaço de tecido tricoline.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/48f1d-mailyne-silva.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14450 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Mailyne Silva</strong> é natural de Porto Alegre e é graduanda em Bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). </p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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<p></p>
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		<title>24 DE MAIO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 080]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Manuel Blanes]]></category>
		<category><![CDATA[La Paraguaya]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> estavam três horas e quatro minutos
 no relógio de um nokia cinza
 madrugada
 tela azul
 &nbsp;
 não tava na mesinha ou
 não tava como eu deixava
 seu rastro nítido ali
 sua desconfiança ativa
 &nbsp;
 vi isso depois de cruzar a sala
 os quadros que te dei
 e um penduricalho de fitas
 tudo jogado no chão ou
 disposto no meio exato da sala
 &nbsp;
 essa fogueira que cê preparou
 mas não acendeu,
 não queimou
 ardeu só de ser pensada
 &nbsp;
 e foi montada
 todo gesto de afeto que tentei fazer
 te envolvendo
 as paredes da sua casa
 &nbsp;
 cê fez um totem da iminência
 do fim, mas não acabamos
 &nbsp;
 as datas estavam atropeladas
 pelo seu tempo
 &nbsp;
 que estava espezinhado
 pela sua confusão
 &nbsp;
 assim atormentada
 pelos vinte e quatro ou&nbsp;
 nove anos seus ou
 um ano e oito meses da gente
 sem descontar outro tempo
 &nbsp;
 que estava espezinhado
 pela sua confusão
 também
 &nbsp;
 e quase sete meses da gente
 descontando uns três meses
 de uma paixão construída por sms
 duas refeições, meio pote de sorvete
 e um abraço
 de corpo inteiro
 de nucas e barrigas
 coxas e braguilhas
 até que cê gozou na calça
 sem nem ter tirado a minha
 e daí? foi muito bom
 um começo
 &nbsp;
 e você sempre voltou
 até que fui
 &nbsp;
 iam fazer dez anos, mas chovia tanto
 a crepioca estava insossa,
 só o tempero da dúvida ou
 de um jogo estranho na sua voz
 acho que na minha, e nos olhos
 &nbsp;
 foi ficando abafado, cê me quis sem roupa
 escrutinou todo meu corpo,&nbsp;
 que mudou tanto
 até que nos tocamos
 &nbsp;
 úmidos de chuva e suor,
 seu cheiro, de corpo, o sal
 do pescoço, algo fermentando
 perto das virílias,
 e metálico seco nos sovacos,
 e seus pelos me roçando toda superfície
 &nbsp;
 da pele
 da lembrança
 nada disso mudou
 &nbsp;
 fomos juntos pra ilha de uma memória
 isso durou todo um fim de tarde,
 noite e manhã
 &nbsp;
 depois fiquei eu com meus óculos empenados
 e tudo, de novo, pareceu
 tão tolo, fogo-fátuo
 &nbsp;
 como a guerra contra o Paraguai -
 por que fizemos aquilo? </pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c4e-capatalisson.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14277" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>&#8217;24 de Maio&#8217; é o primeiro poema que trago a público. A imagem de capa que escolhi para ele é uma fotografia que fiz (com meu celular) em 2018 quando visitava o <em>Museo Nacional de Artes Visuales </em>do Uruguai, em Montevidéu. Enquadrei um canto do quadro “<em>La Paraguaya</em>” pintado à óleo sobre tela pelo artista uruguaio Juan Manuel Blanes, em 1879. A referência se faz óbvia diante do fato histórico que representa e da referência direta a ele no meu poema, mas é uma obviedade íntima; talvez se agregue o valor de trazer para o imaginário ‘brasileiro’ um outro ponto de vista sobre o mesmo fato trágico, e por trazer uma figuração de dor íntima, que diz da dor de todo um país, seu povo, sua memória. Segue uma boa reprodução da pintura na íntegra (disponibilizada por <em>Wikimedia Commons</em>).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255f9-juan_manuel_blanes_-_la_paraguaya.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14278" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Tálisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>CHUVA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 080]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Manuel Blanes]]></category>
		<category><![CDATA[La Paraguaya]]></category>
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		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Murilo Alves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Você é como a chuva
chegando às vezes sem avisar. 
Chegando depois de horas de um sol escaldante,
depois de dias de calor.

Você é como a chuva
que molha
gota
por
gota
a planta seca.

Que escorre pelo telhado e cai na grama. 

Você é como a chuva
que vem de fininho,
leve
suave
imprevisível.

Como aquela que vem pra abafar mais o calor, 
ou como aquela que refresca ao fim de tarde. 

Ah, cheiro de terra molhada!

Você é como a chuva 
que quanto mais eu corro pra sair
mais me molha.

A chuva que molha o meu cabelo,
que escorre pelo meu rosto,
que toca a minha boca
sem a pretensão de ficar. 

Você é como a chuva temporária,
vem pra fazer estrago
e vai embora sem se despedir.</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9684f-murilo-alves.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14296 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Murilo Alves&nbsp;</strong></strong></strong>é estudante de gastronomia, ativista dos direitos trans, youtuber e criador de conteúdo. No instagram:&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/otransmissao/">@otransmissao</a>; no youtube:&nbsp;<a href="http://www.youtube.com/HeyMu">Hey, Mu!</a></p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
</div></div>



<p></p>
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		<item>
		<title>Projeto Fotográfico &#8211; Los Amantes</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/07/projeto-fotografico-los-amantes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[Arte drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mogi das Cruzes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Chavedar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=13916</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Kaiwany Matias</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/07/projeto-fotografico-los-amantes/">Projeto Fotográfico – Los Amantes</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O isolamento social nos privou do desfrute de sensações humanas básicas, gerando sentimentos de clausura, de melancolia, de saudade. Estes, são estados de consciência da maioria; reconhecer isso já facilita o processo. </p>



<p>O projeto fotográfico <em>“Los Amantes”</em> nasceu daí. Ele foi desenvolvido em Abril de 2020, no período de início de pandemia. As fotos que o compõem são expressões visuais sobre o sentimento de sufocamento presente nesse momento: o estar perto de forma distante transformou a forma de absorção das nossas relações sociais.</p>



<p>Inspirado no quadro “Os Amantes”, do artista belga René Magritte, a recriação fotográfica foi influenciada visualmente por elementos da obra. Os tecidos envoltos no beijo, hoje, são alusão às máscaras. A arte tem essa função de recriação e reinterpretação, como se transformasse a cada olhar, interpretada individualmente em períodos diferentes com percepções e experiências distintas. A singularidade disso é o que salva, é o que é mais belo.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3482a-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13918" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4e1c2-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13919" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/47a2b-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13920" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc35f-kaiwany-matias.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13923 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Kaiwany Matias </strong></strong>é cidadã do mundo, inquieta sobre o viver e o estar. Formada em Publicidade e atuante no meio fotográfico artístico desde 2013, acredita que a comunicação é uma das formas mais belas de se expressar. Encontra muito sentido no critério da busca por meio da troca de experiências e tem a certeza absoluta de que a arte salva.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<hr class="wp-block-separator aligncenter is-style-wide" />



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<p></p>
</div></div>
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		<title>BIXALEIJADA, ESPELHO CONVEXO DA FALTA EM CORPOS COMPLETOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Gay]]></category>
		<category><![CDATA[BixAleijada]]></category>
		<category><![CDATA[Capacitismo]]></category>
		<category><![CDATA[CripFag]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas com Deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Andy Coombs]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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<p>Atmosfera de quase noite. Verão?</p>



<p>Um corpo branco pelado, deitado em grama aveludada. Peito pra cima, ambas mãos sobre o torso. O jovem encara a câmera, me encara, nos inquire algo&#8230; Seu pescoço tensionando um movimento de aproximação. A superfície desse corpo é foco de luz surreal. </p>



<p>Farol de carro?</p>



<p>Lanterna de caça?</p>



<p>Uma ameaça.</p>



<p>Segue encarando com seus dois olhos fitos. A superfície acesa da pele pálida contrasta com linhas e manchas tatuadas; pintas, cicatrizes e pelos texturizam um tato orgânico. Da barriga, entre umbigo e púbis, brota um tubo que contorna o quadril, prendendo toda massa corpórea ao chão. Tensão entre inércias. A pulsão de vida na imagem. Série de sensações no meu corpo diante de outro corpo que me olha.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41286-talisson1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13772" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Numa biblioteca da <em>Yale University</em> (onde estudava na época), na lombeira pós-almoço, me deparei com o trabalho de <a href="https://www.instagram.com/robertandycoombs2/">Robert Andy Coombs</a> enquanto corria olhos pelo Grindr &#8211; ambiente em que fotografias pululam, mas onde não são habituais confrontos tão arrebatadores. O nome do perfil com essa foto pungente era <strong><em>CripFag</em></strong> = “BixaAleijada” em pejorativo português, homofobia e capacitismo cotidianos. Logo saquei: temos aqui um artista! Hackeando convenções de interação das masculinidades que se desejam e se repelem, conectam e bloqueiam. Tresloucada reprodução dumas coreografias falidas e fálicas. De recortes, julgamentos, projeções, mostra, esconde, vai-não-vai, já-foi.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7c1ef-talisson2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13773" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13773" class="wp-image-13773" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7cd1d-talisson3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13775" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13775" class="wp-image-13775" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Na descrição: mestrando em fotografia buscando modelos pro seu trabalho. Mandei ‘<em>hi!</em>’; me intimou num ‘<em>up for?</em>’. Em poucas horas, me encaminhava para a <em>School of Art</em>, onde ocorreria uma discussão sobre o <em>work in progress</em> desse artista que me atiçou tantas questões. Da audiência, pude ver mais quatro fotografias feitas pelo <em>CripFag</em> &#8211; não mais pela telinha, mas em grandes impressões em papel metalizado, iluminação de galeria.</p>



<p>Na cadeira de rodas, ele falou brevemente da obra, patentes explorações nas/das “interseções de ser um homem gay com deficiência e suas aventuras íntimas/sexuais” – como também diz em <a href="https://www.robertandycoombs.com/">seu portfólio online</a>. Fomos tomar café e seguimos trocando. Dois cis-gays unidos pelo Grindr, compúnhamos uma amizade com pitadas de curadoria. Conversas perpassando nossas experiências, cada qual num corpo, consigo e com outros corpos. Limites, estigmas e privilégios, estórias de vida e expectativas (sexuais)&#8230;</p>



<p>Frequentemente degringolando sobre as fotos que Robert maturava, e um vídeo que vinha editando. Sempre vida-arte-trabalho. Tratamos de como expor esse caminho. Tantas relações possíveis entre imagens, séries, delas com coisas do mundo, fora e dentro de cada pessoa. <strong>Pois todo mundo é num corpo! </strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jk4eupgHqXo&amp;ab_channel=let%C3%ADcialetrux">E todo corpo tem água&#8230;</a></p>



<p>Para minha primeira contribuição nessa Trama, não pude querer trazer outra coisa que não uma apreensão de inquietações desencadeadas em mim pelas intervenções de Robert. Reflexões afetivas sobre um trabalho artístico que venho acompanhando – sucessivas surpresas. “Quebrei o pescoço em 2009”, conta. Decorreu dum salto ornamental de trampolim. A ruptura traumática no milésimo dum segundo que o tornou tetraplégico veio a ser poeticamente eternizada em retratos de corpos soltos no nada. Captura inequívoca dum estado ambíguo entre queda e voo, série intitulada diretamente <strong><em>Fly/Fall</em></strong>.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1061-talisson4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13776" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Um ginasta jovem e abertamente gay entrou numa rotina médico-terapêutica com especialistas em cuidado do corpo que não se envolviam na dimensão do desejo, do prazer – fluidos que não se dissipam num estalar de vértebra – para “&#8230; me ensinar como meu corpo funciona sexualmente depois dessa mudança catastrófica”. Mas, <a href="https://vimeo.com/123177395"><em>Yes, we fuck!</em></a></p>



<p>Logo, “pornô em cadeira de rodas” virou chave de suas <a href="https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/19342039.2020.1706393?tab=permissions&amp;scroll=top">buscas por novas identificações</a> no mundaréu de vozes e visões online. Tampouco ajudou muito&#8230; E, depois de anos explorando(-se) no novo corpo, consigo, se lançou num universo sem mapas para encontrar outros caras desejosos de experimentar esse corpo com ele. A fotografia entre registro e poética das maneiras como esses contatos se deram, performando cuidado, intimidade, realizações de fetiches e tantas felicidades clandestinas que habitam corpos em desejo – ainda que nem as pessoas sem deficiência venham a explorar e tentar viver essas latências&#8230;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/35b2a-talisson5.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13777" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Alguns clichês de pornografia e erotismo resvalam a todo tempo em seus ensaios-experimentações com boys e a cam, articulados a repertórios do gozo que se escondem na falta de termos. E sua ‘mania’ de encarar a gente, indagar daquilo que temos dentro e se revira, se inquieta para tantos lados, fricciona a complexidade do desejo, da tatilidade libidinal que arrebata os olhos para além da imagem que ele põe no mundo.</p>



<p>Corpos de distintas cores, tônus e gestuais. Homens sem deficiência que posaram para sua lente compuseram coleção pessoal <strong><em>Bobby’s boys</em></strong>, enquanto autorretratos e fotos de outros homens com deficiência, seus corpos nus e extensões – aparelho auditivo, muletas e cadeira de rodas – formaram <strong><em>Disability and sexuality</em></strong>, exacerbando o tesão palpitante dessas corporalidades que escancaram a falta de algo, a iminência dela, e a força das fatalidades em tudo o que vive, do caos em escala genética e vivencial. Também nos encaram! <a href="https://www.revistaaskesis.ufscar.br/index.php/askesis/article/view/29">Não se resumem à deficiência</a>. Afrontam o como nos resumimos nós, pessoas sem deficiência, que muito menos sabemos da potência de habitar cada recanto do organismo em que vibramos.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d19cb-talisson6.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13779" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13779" class="wp-image-13779" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e2fa8-talisson7.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13780" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13780" class="wp-image-13780" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Hoje, Robert vive sua arte por Miami. Antes da pandemia, percorria orlas com a câmera no colo, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kxnSMYqntxM&amp;t=43s&amp;ab_channel=RobertAndyCoombs">capturando homens jogando e treinando seus corpos no horizonte</a>. Diferente do voyeurismo que conhecemos no Brasil pela <a href="http://bndigital.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/08/Catalogo-Alair-Gomes_expo-virtual.pdf">janela indiscreta de Alair Gomes</a>, Rio dos 1970, o <em>CripFag </em>traz seu corpo sobre rodas e sua voz carismática em contato direto com os fotografados. Ostenta a capacidade de se infiltrar na camada de saliência de corpos por aí, se apropriando dum poder oblíquo do esvaziamento libidinal que pessoas sem deficiência impugnamos sistematicamente a outras corporiedades. Robert Andy Coombs nos vira um espelho convexo, faz nítida a versão resumida com que nos contentamos em viver nossos corpos ‘tão capazes’ e ‘completos’&#8230;</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1eee1-talisson8-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13784" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13784" class="wp-image-13784" data-recalc-dims="1" /></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6593-talisson9-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-id="13787" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13787" class="wp-image-13787" data-recalc-dims="1" /></figure></li></ul></figure>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Talisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>Exposição Fotográfica &#8211; Mogi das Drags</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 076]]></category>
		<category><![CDATA[Arte drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mogi das Cruzes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Chavedar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Pedro Chavedar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A região de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê é, historicamente, conservadora e católica, com famílias centenárias em nomes de ruas e comandando a economia local. A cidade de Mogi é pacata, serena, calma; quase não há barulho, exagerando um pouco. Por isso, quando algo foge um pouco do que é considerado &#8220;normal&#8221;, choca. </p>



<p>Entre as fugas da normalidade, estão as Drag Queens. Com todos os seus aparatos, elas dançam, riem e se divertem quando podem e enquanto podem, pois quase não há eventos LGBTQI+ na cidade. São pessoas resistentes e que lutam pelo direito de serem quem são.</p>



<p>O objetivo deste trabalho é mostrar toda a beleza, o encanto, as cores e os detalhes das drag queens de Mogi das Cruzes, minha cidade, e da região do Alto Tietê. E fortalecê-las, sempre.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.771050800278%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950?strip=info&#038;w=1440 1440w" alt="" data-height="960" data-id="13821" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13821" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7b5c0-mogidasdrags1.png" data-width="1440" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/31b78-mogidasdrags1.png?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.228949199722%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/13fcd-mogidasdrags2.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/13fcd-mogidasdrags2.png?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/13fcd-mogidasdrags2.png?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/13fcd-mogidasdrags2.png?w=950?strip=info&#038;w=1440 1440w" alt="" data-height="960" data-id="13822" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13822" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a78cb-mogidasdrags2.png" data-width="1440" 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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0dd44-pedro-chavedar.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13840 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Pedro Chavedar</strong></strong> é formado em Jornalismo e fotógrafo desde 2013. Teve suas fotografias veiculadas em importantes veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, El País, entre outros. Seu grande foco são as pessoas: seus personagens têm algo a dizer, principalmente aqueles mais à margem da sociedade. Sua fotografia é documental e humanística.</p>
</div></div>



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		<title>[Entrelinhas] Conhecendo negritudes com &#8216;Negro da Semana&#8217;</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/05/entrelinhas-negro-da-semana/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 23:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrelinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[União Civil entre Homossexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/01/05/entrelinhas-negro-da-semana/">[Entrelinhas] Conhecendo negritudes com ‘Negro da Semana’</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>2020 foi um ano marcado por protestos antirracistas. Frente às brutalidades sofridas pela população negra, milhares de pessoas tomaram as ruas de diversas cidades, e a pauta se fez ouvir cada vez mais. Historicamente, o movimento Black Lives Matter é, talvez, o mais noticiado da luta antirracista contemporânea, e contou inclusive com o pronunciamento de pessoas brancas na internet. Mas&#8230; para além de postar #blacklivesmatter no seu Instagram, o que você fez para combater o racismo? Ou, melhor, para não contribuir com o fortalecimento das estruturas racistas da nossa sociedade?</p>



<p>O Alê Garcia, homem negro de Porto Alegre, criou (em 2019) o podcast ‘<a href="https://open.spotify.com/show/2hbA2MW8gcag4Cci4iKVMK?si=bYRlQ7N9REGZBExCcpr3VA">Negro da Semana</a>’. Eu, Carol Cadinelli, mulher branca de Juiz de Fora, comecei (em 2020) a ouvir o podcast do Alê, depois de refletir sobre a quantidade diminuta de referências negras na minha vida (sintoma do #blacklivesmatter, sim). Ao final deste fatídico ano pandêmico, Alê Garcia já era considerado um dos 20 creators negros mais inovadores pela <a href="https://forbes.com.br/forbes-insider/especial-inovadores-negros/2020/09/especial-inovadores-negros-20-creators-que-tem-muito-a-dizer/">Revista Forbes</a>; e eu, por minha vez, terminei o ano um pouco mais consciente sobre os milhares de referências incríveis das quais fui privada durante meus 24 anos enquanto branca vivendo em uma sociedade sistematicamente racista. E mais do que recomendar um podcast, quero recomendar aqui essa criação de consciência.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="534" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=950%2C534&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13054" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?w=982&amp;ssl=1 982w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7528-9b1d59ce61f27a0c5c5a982c652339f8.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Através do calmo tom de voz de Alê Garcia (reproduzido em 1.5, me desculpe), eu tive a oportunidade de conhecer nomes grandiosos, os quais nunca tinha ouvido: <a href="https://open.spotify.com/episode/3b1Yu2KwMjdypMdAIRL8JB?si=371EljruTiuBiLSdgumHPQ">Bill Withers</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/3KcD9Cvm44hjhVWhTaJoeQ?si=NA17v_GtRW2jLJI4pOGImQ">Zadie Smith</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/6CVePpeELqmTsdRduilIVG?si=7SaI9exaQ2i1B3rNNbz1Ag">Sabotage</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/50iyMJRIyGEjwkSw8sAmK2?si=ptFPAI_TR_GWmktna2v2tw">Sister Rosetta Tharpe</a>. Tive, também, a oportunidade de ouvir representantes da cultura brasileira e da cultura negra &#8211; tal como <a href="https://open.spotify.com/episode/3CGSmvF02uWhUztPX5eorb?si=J95-L06JTkqpnNlZ3AVkJA">Larissa Luz</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/2qVdlDIJNKj0PSwMVhnLDh?si=G-Q5jVz_QmO02YXAoGslRQ">Mc Rebecca</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/6q9Qxb35QUQ8wRKZII5pZm?si=O17QwahTSreZ5ZC2s7McJw">Rincon Sapiência</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/5O6G8GATa8COnNEtW7eAIY?si=KgQvajyYRlmE3729t60yCA">Sandra de Sá</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/4KVngLtk1FuLueZ2vxt2Na?si=q3XfIVGiTYilYQQiYBvjuw">Jair Oliveira</a>, <a href="https://open.spotify.com/episode/4KVngLtk1FuLueZ2vxt2Na?si=q3XfIVGiTYilYQQiYBvjuw">Antônio Pitanga</a> e o célebre <a href="https://open.spotify.com/episode/1VbpZClWArPYw4nks2QnbX?si=QeNeb-sUSeCc58-tPn2ZNg">Gil</a> &#8211; opinarem sobre assuntos que lhe são caros, realmente caros, como seus processos artísticos e criativos, suas vivências em família, suas trajetórias pessoais e profissionais.</p>



<p>Em ‘Negro da Semana’, o protagonista não é o racismo; mas a individualidade e a trajetória de cada um de seus personagens. Sem negar a influência da discriminação na vida de cada um, Alê faz a transformação discursiva do “artista negro” em simplesmente “artista”; do “negro” em “humano”. E, cá entre nós, humanizar é, sem dúvidas, a principal ferramenta contra o preconceito.<br></p>



<p>Ouça o podcast &#8216;Negro da Semana&#8217; no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



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<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz, atua e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<p></p>
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